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Universidade Federal da Bahia Matéria: Sociologia I – FCH114 FICHAMENTO DE OPINIÃO REFERÊNCIA: COMTE, Auguste. Discurso Preliminar sobre o conjunto do positivismo. In: GIANOTTI, José Artur (org). COLEÇÃO OS PENSADORES. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 95-115. O capítulo escrito por Augusto Comte, filósofo nascido na França, está organizado em 20 páginas e apresenta exemplos em sua tese. Escreve sobre a metodologia do pensamento positivista, definido como a sociologia da unidade, tendo como referência a Europa do século XIX. Para Comte, toda diversidade deverá chegar em um único tipo de sociedade. Foi um crítico assíduo do estado teológico e do estado metafísico, buscando o que denomina de estado positivo. O autor tem como objetivo promover o que chama de Positivismo, corrente teórica que surgiu na França no começo do século XIX, inspirada no Iluminismo. Corrente essa que aposta na ordem e na ciência como guia de descoberta. Em sua teoria, finalmente identifica e define a sociedade como objeto de estudo. Criando assim a sociologia, que é estudada através de um método científico (se opondo ao pensamento teológico) e que tem como função acelerar a ordem e o progresso. Por fim, ele identifica o método científico como o pilar mais importante para um progresso econômico e uma exploração racional dos recursos naturais. No qual, a mudança positiva resulta em evolução, tratando-a como algo inevitável. A reforma positivista propõe uma reestruturação intelectual das pessoas, de forma natural, para, assim, ter uma sociedade em ordem diante dos conflitos que caracterizam a crise moderna. Os exemplos apresentados consistem em tratar do assunto de maneira densa e aprofundada, porém possuindo embasamento teórico o texto é mais facilmente interpretado. O desenvolvimento é, em partes, lento e pouco explicativo, além de ultrapassado. Em um dos parágrafos, Comte cita e justifica a subordinação da mulher e liga esse exemplo ao que chama de verdadeira natureza pessoal e social da figura feminina, dado sua natureza particularmente mais altruísta, que floresce muito mais do que nos homens. Então, para efetuar a devida manutenção da chamada ordem social e do progresso, a mulher deve se dedicar ao papel de defensora da moral e dos bons costumes, comprometendo-se assim a garantir o seu estado mais puro. No que se diz respeito à inteligência e ao raciocínio, e, por ser movida unicamente pela emoção, a mulher era considerada inferior ao homem e cerceada ao espaço do lar. A nova moral positivista, ou seja, a razão para Comte, se daria a partir da regeneração de pensamentos e ações para se alcançar a prática bem-sucedida da função social. Tendo em vista que o positivismo traz a valorização do método científico acima de tudo e propõe a reforma, o aperfeiçoamento e a consolidação da natureza do indivíduo através do progresso, a corrente teórica do positivismo torna-se mais moral do que intelectual. A argumentação do autor é bidirecional. Ao mesmo tempo em que é extremamente importante para entendermos que houve, de fato, uma inquietação com o estudo das ciências humanas, em contrapartida o método é questionável. O modelo de uma sociedade pautada no positivismo exclui a possibilidade da existência de erros e desvio moral, apenas avançando. Se alcançamos a conclusão de que a sociedade acontece de maneira natural, então não compete ao estudo da sociologia tantas perspectivas. Sobre a conclusão pode-se dizer que o positivismo é pouco convincente, afinal, em uma sociedade real há conflitos e desigualdades sociais. Ao afirmar que a moral positivista é pautada na ordem natural, o pensador francês acaba tornando justificável acontecimentos como o processo de exploração da escravidão no Brasil e no mundo, já que os portugueses julgavam os africanos como seres inferiores. Não sendo permissível o racismo e o preconceito de classe, que são discriminações provenientes de questões políticas, sociais e culturais bem mais profundas e enraizadas. Além disso, seria aceito também o conceito de superioridade ariana (exaltado pelo nazismo), no qual a denominada raça ariana seria o ápice da civilização. Sendo assim, o método positivista notaria isso como algo natural, o que não deve ocorrer quando tratamos de um regime totalitário e eugenista. Esse capítulo agrega conhecimento na área da sociologia e ajuda pessoas com interesse na respectiva área a entender algumas questões, visto que, em determinado momento a filosofia começa a se emaranhar com a sociologia e a sociedade passa a ser o foco como objeto de estudo. Considerado o primeiro sociólogo do mundo, Comte, mesmo possuindo uma compreensão equivocada da estrutura de certos assuntos e uma visão eurocêntrica pautada na sociedade industrial europeia, possibilitou um grande avanço ideológico, principalmente no Brasil. O governo brasileiro, composto por militares durante o período da República da Espada, foi fortemente influenciado pelos ideais positivistas e acabou inspirando o lema inscrito na bandeira. Em resumo, o tema do capítulo leva o leitor a entender o processo de surgimento das ciências humanas como de fato ciências, interpretar os conceitos descritos por Comte e se questionar sobre a concepção de ordem natural e a manutenção do progresso como única solução para uma sociedade unificada e sem conflitos.