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RESUMO DO CAPÍTULO 6 – A ENTREVISTA DE ANAMNESE Início – Rapport Explicação dos objetivos gerais da entrevista, duração e importância no psicodiagnóstico, para a criação de um vínculo de confiança onde o paciente possa se sentir a vontade para falar com naturalidade · Coleta de dados a partir do foco nas áreas mais importantes e de relevância a queixa principal apresentada · Busca de informações da história do paciente que possam orientar a elaboração de hipóteses, para chegar em um diagnóstico e buscar uma avaliação prognóstica · De início não deve haver interpretações ou questionamentos, somente escuta · Apesar de extrema importância, a entrevista contém suas limitações, pois é quase impossível coletar todos os dados relevantes para o entendimento das queixas atuais Especificidades com pessoas de diferentes grupos etários Aspectos analisados independentemente da idade: 1- Evolução da queixa 2- Histórico de tratamentos de saúde atuais e progressos 3- Uso de medicamentos 4- Efeitos do problema sobre o funcionamento psicossocial do paciente no momento atual 5- Percepção do examinando em relação à queixa Crianças: história pré e perinatal que relatam a saúde da mãe, marcos de desenvolvimento, detalhes sobre o parto, condições emocionais e de saúde da mãe, reação dos pais, conflitos familiares, medicamentos como antibióticos, anticonvulsivantes, antidepressivos, antipsicóticos, uso de drogas e etc. Sobre o desenvolvimento da criança, deve-se atentar aos indicadores esperados para a idade, funções das capacidades linguísticas, motoras, cognitivas, sociais, emocionais, adaptativas. Adolescentes: Atenção as mudanças que ocorrem nesta fase, especialmente hormonais, formação de identidade. É necessário retomar marcos da infância que tem ligação direta com as mudanças. Atenção dobrada a socialização, interesse em relações intimas, questões sobre sexualidade e histórico escolar Adultos: As questões mais importantes se concentram nos fatores: sexual, familiar, social, ocupacional e físico \ importância da avaliação da qualidade das relações com o parceiro cônjuge, envolvendo a satisfação geral com a relação, a área sexual, padrões comportamentais do casal e possíveis problemas enfrentados. Na vida profissional, é necessário um auxilio ocupacional, satisfação com a própria carreira e desempenho, relacionamentos com a chefia, colegas e subordinados, atenção a supostas mudanças recorrentes como estresse e esgotamento emocional. Na vida familiar, deve-se focar na qualidade das relações e de tarefas, como dividir responsabilidades, cuidados com o lar, é necessário atenção especial aos filhos. No caso de adultos aposentados, deve-se considerar os sentimentos predominantes nessa nova fase da vida, como é visto pelo paciente. Idosos: Alterações físicas dessa etapa da vida devem ser abordadas, assim como possíveis preocupações com a saúde física e mental. Mudanças físicas indesejadas como envelhecimento de pele e diminuição da força física, além de perdas ocorridas ao longo da vida que possam estar relacionadas as queixas. Com quem deve ser realizada a anamnese? No caso de crianças, o adulto responsável deve ser o principal informante afim de deter de todas as informações necessárias por estar presente em todas as fases do desenvolvimento dela. No caso de adolescentes, adultos e idosos, podem ser autônomos e se representarem. Casos específicos de depressão grave, demência ou introversão, algum familiar de confiança pode ser o principal informante com tanto que tenha consigo todas as informações necessárias para ser cooperativo Fontes complementares de informação · Exames médicos com neurologistas, genéticos, psiquiatras, fonoaudiólogo, registros escolares, contatos profissionais, pareceres. A necessidade desses documentos é que nem sempre o informante consegue relatar com precisão a história de tratamentos e seus resultados. Estes documentos aumentam a qualidade das informações coletadas, direcionando o psicodiagnóstico. · Também é importante conhecimentos gerais, como por exemplo a ação dos psicofármacos, efeitos colaterais e possíveis interferências no desempenho em testes ou sintomatologia do paciente. Além disso, conhecimento básico de exames médicos pode ser fundamental para elaboração de hipóteses diagnósticas. Informações insuficientes e fatores de confusão na entrevista de anamnese Em casos de dados insuficientes, o que fazer? É necessário recorrer a outras fontes de informação para reconstituir a história do avaliado. Quando ocorre de não haver contato com os familiares e o próprio individuo ter muito pouco conhecimento de sua história (caso de crianças de abrigo), pode-se basear avaliação nas poucas informações coletadas e levantar hipóteses considerando o desenvolvimento do avaliando no momento atual (acompanhamento). Expertise: juntar todas as informações disponíveis e relaciona-las com as informações e os dados coletados durante as próximas sessões do psicodiagnóstico\escrever sobre ela no documento decorrente do psicodiagnóstico para outros profissionais que atenderem a pessoa já possuírem um ponto de partida. Divergências podem ocorrer em virtude de variações do comportamento em diferentes contextos, deve-se considerar a quantidade de tempo que o informante passa com o avaliando, ou por interesses relacionados à avaliação, portanto deve-se atentar aos interesses dos informantes para não levar a conclusões precipitadas e errôneas. Procedimentos para aumentar a qualidade das informações da anamnese - Atenção ao nível socioeducacional do informante, de forma a adequar as perguntas ao seu vocabulário, para compreensão simples e para a explicação ser devidamente compreendida - Em caso de informações divergentes ou incompletas, uma estratégia pode ser perguntar a mesma questão de diferentes formas e em momentos diferentes da entrevista - O psicólogo deve agir de forma assertiva e retormar o objetivo das questões e atentar-se ao tempo limitado da entrevista de anamnese, no caso de pacientes prolixos, presos a um longo discurso com explicações supérfluas ou que fogem constantemente do tema, tratando de questões não relevantes para aquele momento, ou desviando o foco para outras pessoas que não seja o próprio. - Respostas diretas do tipo sim ou não, devem ser evitadas na anamnese - Em caso de informantes que falam pouco, o entrevistador deve ter cuidado para não completar frases ou mudar o foco das perguntas antes que uma resposta satisfatória seja completamente dada. - Compreensão correta daquilo que é informado, cuidado com o significado de palavras e expressões usadas pelo entrevistado que possam ter diferentes sentidos para o psicólogo, caso haja dúvida, o psicólogo pode fazer uma breve explanação sobre as informações coletadas ao final da entrevista, questionando a concordância do informante com o que foi exposto. Considerações finais Para a anamnese bem realizada, o psicólogo deve ter conhecimentos teóricos sobre o que presente avaliar e estar atento a estratégias que otimizem a qualidade das informações coletadas. Através de um roteiro de anamnese para obter um caminho a seguir, porém com possíveis mudanças e adaptações durante a realização da entrevista.