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➢ TRICOMONÍASE 
 
- Doença sexualmente transmissível de etiologia não viral mais prevalente no mundo 
 
➔ Agente Etiológico 
- Trichomonas vaginalis: é um protozoário parasita que infecta o trato urogenital humano – é o 
agente etiológico da tricomoníase (doença sexualmente transmissível de etiologia não viral mais 
prevalente no mundo) 
- Espécies que infectam o ser humano: 
 T. vaginalis – habita o trato geniturinário (vagina e uretra) 
 T. tenax – encontrado na cavidade oral e na nasofaringe 
 
- O T. vaginalis habita o trato geniturinário do homem e da mulher, onde produz a infecção e não 
sobrevive fora do sistema urogenital 
- O gênero Trichomonas compreende flagelados monoxenos que apresentam, como estruturas 
características, três ou quatro flagelos anteriores, uma membrana ondulante e um citoesqueleto 
complexo que compreende um feixe de microtúbulos chamado axóstilo, além de estruturas 
conhecidas como peita, costa e corpo parabasal 
 
➔ Epidemiologia: 
- É uma doença sexualmente transmissível e cosmopolita 
- Doença não viral mais prevalente 
- Atinge principalmente mulheres (entre 16-35 anos) e homens sexualmente ativos (10-15% dos casos 
não são diagnosticados) 
- Na Europa é responsável por 41% dos casos de vaginite 
- 170 milhões de casos e cerca de 10 a 20 milhos de novos casos por ano 
- 4,3 milhões de casos por ano no Brasil 
 
➔ Fatores de Risco: 
- Status socioeconômico 
- Sobrevive em água tratada e em piscinas 
- Cerca de 25 a 50% das mulheres são assintomáticas 
- Não é uma zoonose (é exclusiva de homem- antroparasitose) 
- Amplificação da transmissão do HIV 
 
 
 
➔ Associada a: 
- À transmissão do HIV (recrutamento de células CD4+, lesão da mucosa- favorece a entrada do vírus) 
- À doença inflamatória pélvica 
- Ao câncer cervical 
- À infertilidade 
- Ao parto prematuro 
- Ao baixo peso ao nascer 
 
➔ Trofozoítos 
- Não possuem mitocôndrias nem peroxissomos (organelas envolvidas no metabolismo energético) 
– possuem citoplasma repleto de hidrogenossomos (organelas de dupla membrana envolvidas no 
metabolismo de carboidratos) 
 
 Hidrogenossomos: realizam a fermentação oxidativa de carboidratos, resultando na 
formação de dióxido de carbono, hidrogênio molecular e ATP (não tem citocromos, enzimas 
da cadeia respiratória e nem DNA extracelular) 
 
 
- A morfologia dos trofozoítos de T. vaginalis é extremamente variável: podem ser elipsoides, 
piriformes ou ovais 
- 4 flagelos anteriores desiguais, membrana ondulante e pseudópodes (captar alimentos) 
- Tamanho de 9.7 mm de largura 
 
** Tritrichomonas Foetus ---> vacas 
** Trichomonas vaginalis ---> humanos, desenvolve-se bem em ambientes com baixa tensão 
de oxigênio, com pH entre 5 e 7,5 e temperatura entre 20 e 400 C (em mulheres saudáveis, o 
pH vaginal é mantido entre 3,8 e 4,4 graças à produção de ácido láctico por bactérias 
esporófitas, tornando o ambiente hostil ao hospedeiro- no homem os trofozoítos podem ser 
encontrados na uretra, no epidídimo e na próstata) 
 
- Anaeróbio Facultativo: o T. vaginalis é um organismo anaeróbio facultativo e cresce na ausência de 
oxigênio, usando como fonte de energia glicose, frutose, maltose, glicogênio e amido (é desprovido 
de mitocôndrias) 
- Tira dos hospedeiros energia dos: nucleotídeos, ácidos graxos e aminoácidos 
 
 
➔ Trichonomas vaginalis: Ciclo de Vida Direto 
 
- Trofozoítos 
- Reproduz-se por divisão binaria longitudinal 
- Não há formação de cistos 
 
 
➔ Mecanismos de Transmissão 
 
- Relação sexual (mais frequente) 
- Durante o parto 
- Roupa intima ou de cama 
- Instalações sanitárias 
 
➔ Interação entre T. vaginalis e células epiteliais do hospedeiro 
 
a) Trofozoítos aderem-se à superfície da mucosa por interação com mucinas 
b) Secreção de mucinas que solubilizam o revestimento mucoso --> liberação do parasita 
c) Batimento flagelar ---> parasita liberado penetra na matriz mucosa solubilizada e interage com 
as células da mucosa 
d) Colonização das células epiteliais subjacentes --> parasito degrada proteínas da matriz 
extracelular, como a hemoglobina, a laminina e a lactoferrina, e rompe a junção intercelular, 
agravando a lesão epitelial 
 
** No processo de adesão, o parasito assume formato ameboide, recobrindo a célula do 
hospedeiro 
 
Obs.: o processo de adesão exerce efeito citotóxico em células do sistema imune, como neutrófilos e 
fagocita bactérias saprofitas, células do epitélio vaginal, eritrócitos e células do sistema imune, além 
de degradar anticorpos IgA e IgG e proteínas do sistema complemento 
 A inflamação da mucosa urogenital resulta no recrutamento de células do hospedeiro, como 
neutrófilos e monócitos (produção de citocinas pró-inflamatórias) 
 A extensão da lesão epitelial aumenta a vulnerabilidade às infecções oportunistas por 
bactérias, fungos e aos adenocarcinomas 
 
 
 
➔ Patogenia 
 
- Infecta o epitélio trato-genital 
- Adesão --> muito importante na patogênese, depende de temperatura, pH e tempo (o 
estabelecimento do T. vaginalis na vagina inicia com o aumento do pH, já que o pH normal da vagina 
é ácido e o organismo cresce em pH maior que 5) 
- Um contato inicial entre o T. vaginalis e leucócitos resulta em formação de pseudópodes, 
internalização e degradação das células imunes nos vacúolos fagocíticos do parasito 
 
- Fatores de virulência: Fazem uma cepa ser mais virulenta que outra ---> adesinas AP120, AP65, 
AP51, AP33, AP23: integrinas e glicosidases 
- Cisteino- proteases extracelulares: digerem mucinas e imunoglobulinas locais (são citotóxicas e 
hemolíticas e apresentam capacidade de degradar IgG, IgM e IgA presentes na vagina) 
 
- Trichonomas: secreta fatores que causam a desintegração tecidual. Nutre-se dos IgG e IgA e 
bactérias saprófitas 
 
1. Trofozoítos aderem-se à mucosa --> mucinas 
2. Mucinases ---> solubilizam mucinas 
3. Batimento flagelar ---> penetração matriz solubilizada 
4. Colonização ---> células epiteliais adjacentes 
 
 
- Adesão: Efeito citopático 
 Enzimas hidroliticas (cisteíno- proteases) 
 Fatores de deslocamento das celulas 
 
 
 
- Processo inflamatório das células epiteliais: 
 Secreção branca e sem sangue (leucorréia) 
 Descamação do epitélio que pode levar à ulceração 
 Forte prurido 
 
- Comum a outras DST’s: interação biológica entre os agentes infecciosos e fatores de risco 
compartilhados 
 
- A infecção não se estabelece em vaginas normais: facilitada por alterações na flora bacteriana, 
pH, descamação excessiva 
 
 
➔ Manifestações Clínicas 
 
- Na mulher: 
 Assintomática em 25 a 50% dos casos 
 Vaginite aguda: corrimento fluido, bolhoso e abundante de cor amarelo- esverdeado de odor 
fétido 
 Prurido ou irritação vulvovaginal 
 Dor durante as relações sexuais 
 Dor ao urinar 
 Dor pélvica 
 Vaginite crônica 
 AUMENTA A TRANSMISSAO DO HIV: a infecção por T. vaginalis tipicamente faz surgir uma 
agressiva resposta imune celular local com inflamação do epitélio vaginal em mulheres e da 
uretra em homens ---> Essa resposta inflamatória induz grande infiltração de leucócitos, 
incluindo células- alvo do HIV (linfócitos CD4 e macrófagos), aos quais o HIV pode se ligar e 
ganhar acesso (além disso o T. vaginalis frequentemente pode causar pontos hemorrágicos na 
mucosa, permitindo acesso direto do vírus para a corrente sanguínea) 
 
- No homem: 
 Assintomática (maioria) 
 Uretrite aguda: corrimento abundante 
 Sintomatologia leve: escasso corrimento, disúria e prurido 
 Complicações raras: epididimite, infertilidade e prostatite 
 Aumenta a transmissão do HIV 
 
➔ Sintomas 
 
- Vaginite persistente = processo inflamatório crônico 
- Facilita infecção por bactérias e vírus oportunistas 
** Alcalinisa o pH vaginal: mudança na microflora vaginal (candidíase) 
 
 
➔ Relação Parasito- Hospedeiro 
- Resposta imune protetora --> IgA secretora 
- Reinfecções: ausênciade imunidade adquirida e grande variabilidade de isolados 
 
 
➔ Diagnóstico 
- Coleta de Amostra 
 Homem: material --> secreção uretral, urina de primeiro jato, esperma, secreção prostática e 
material subprepucial 
 Mulher: material ---> secreção vaginal 
 
 Exame: exame microscópico de preparações a fresco ou coradas, imunofluorescência direta 
(sensível + cara), cultura do parasito (resultados em 3 a 7 dias) 
 
 
➔ Tratamento 
 
- O tratamento de parceiros de mulheres infectados é uma estratégia essencial para a obtenção de 
altas taxas de cura a longo prazo 
- Metronidazol: inibe a sintese de DNA 
- Controle: educação sanitária, diagnóstico e tratamento precoce 
- Vacina: cisteina- proteinase (protege camundongos) 
 
➔ Trichomonas tenax 
- Cosmopolita 
- Morfologia semelhante T. vaginalis 
- Transmitido po saliva 
- Não é patogênico 
- Encontrado na flora bucal e muito raramente associado a infecções pulmonares ou brônquicas 
- Terapia desnecessária

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