Prévia do material em texto
Parto: O Trajeto O trajeto nada mais é do que o canal de parto, estendendo-se do útero à fenda vulvar. Nele, há 3 estreitamentos anulares: o orifício cervical, o diafragma pélvico e a fenda vulvovaginal. Essas estruturas moles são sustentadas por uma estrutura rígida, a qual é formada por ossos, articulações e ligamentos, e por outra estrutura mais flexível, também chamada de “bacia mole”, a qual é composta pelo diafragma pélvico e urogenital. Trajeto Mole O trajeto mole é constituído pelo segmento inferior do útero, colo do útero, vagina e região vulvoperineal. O segmento inferior corresponde a parte inferior do corpo uterino, estendendo-se até o orifício interno do colo uterino. Sua origem é o istmo uterino que se distende durante a gravidez. Durante o trabalho de parto, o colo do útero se dilata progressivamente e é incorporado ao segmento inferior, ocorrendo a distensão do segmento inferior. Já o colo uterino é um canal com dois orifícios: um interno e outro externo. Durante o parto, ele sofre duas grandes alterações: apagamento e dilatação. O apagamento é a diminuição progressiva da sua espessura (de cerca de 3 cm para menos de 0,5 cm). Já a dilatação é o aumento do diâmetro do orifício, indo de 0 a 10 cm. A vagina é uma estrutura cilíndrica, achatada e musculomembranosa que se estende do colo uterino à vulva. Durante a gravidez, suas paredes adquirem grande elasticidade, diminuindo a chance de lacerações durante o parto. Por fim, a região vulvoperineal é constituída da vulva e períneo, ou seja, principalmente formada por músculos e aponeuroses que devem conter as vísceras pélvicas e abdominais. Trajeto Duro O trajeto duro constitui o canal ósseo do parto, formado pela bacia ou pelve. Ela é constituída por 8 ossos: 2 ílios, 2 ísquios, 2 pubes, sacro e o cóccix. Esses ossos estão ligados entre si por articulações, as quais, durante a gravidez, estão mais frouxas por conta da ação hormonal, o que facilita o parto. A pelve por si só pode ser dividida em dois grandes espaços: grande e pequena bacia. A pequena bacia é chamada de pelve verdadeira ou bacia obstétrica, enquanto a grande bacia é chamada de pelve falsa. Elas são separadas entre si pelo anel do estreito superior, região que vai do promontório até a borda superior da sínfise púbica. A pequena bacia é a mais importante no parto, uma vez que constitui o canal ósseo por onde o feto passa durante o parto. Ela é dividida em 3 estreitos: superior, médio e inferior. Esses estreitos podem impedir ou dificultar a progressão fetal. O estreito superior apresenta uma configuração diversa de acordo com o tipo de bacia, sendo arredondado em cerca de 50% das pacientes. Ele é delimitado anteriormente pela pube, lateralmente pela linha terminal (ou inominada) e posteriormente pela saliência do promontório e pela asa do sacro. Ainda, esse estreito possui três diâmetros importantes: • Diâmetro Anteroposterior: menor distância entre o promontório e a sínfise púbica, medindo cerca e 10,5 cm. É sinônimo de conjugata vera obstétrica. Ele pode ser dividido em conjugata anatômica, obstétrica ou diagonal. • Diâmetros Oblíquos: distância entre as eminências ileopectíneas e a articulação sacroilíaca. Possui cerca de 12,5 cm. • Diâmetro Transverso: distância entre a linha inominada (ou terminal) de um lado até outro lado da pelve. Possui cerca de 13 cm. Já o estreito médio é formado pelo terço inferior do sacro, espinha isquiática e borda inferior da sínfise púbica. Possui 2 diâmetros, o anteroposterior, em nível das espinhas ilíacas e mede cerca de 12 cm, e o transverso ou biespinha ciática, o qual é o menor diâmetro da pelve e mede 10 cm. São as espinhas isquiáticas que representam o plano 0 de De Lee. Por fim, o estreito inferior é formado de 2 triângulos com base comum: o bituberoso. O triângulo anterior é formado pela borda inferior da sínfise púbica e ramos isquiopúbicos, enquanto o posterior tem seu ápice na ponta do sacro e seus lados correspondem aos ligamentos sacrotuberosos. Possui 2 diâmetros, o anteroposterior, que liga a borda inferior do osso púbico ao cóccix, mede cerca de 9,5 cm (podendo alcançar 11 cm pelo movimento da cabeça fetal) e forma a conjugata exitus; e o diâmetro transverso ou bi-isquiático que é determinado pelas tuberosidades isquiáticas, medindo cerca de 11 cm. Tipos de Bacia Há, basicamente, 4 tipos de bacia de acordo com o formato do estreito superior. A bacia ginecoide é a bacia feminina típica, correspondendo a 50% dos casos e possui o melhor prognóstico para o parto vaginal. Seu estreito superior apresenta formato arredondado e a porção posterior é bastante espaçosa. A bacia androide é a que possui caraterística de bacia masculina e representa cerca de 20% das bacias, sendo que parto por via baixa não possui bom prognóstico, caracterizando o pior tipo de bacia. Há aumento na incidência de oblíquas posteriores e chance crescente de distocia com a progressão da apresentação. O estreito superior é levemente triangular, enquanto as espinhas ciáticas são muito proeminentes. O sacro tende a ser estreitado, plano, longo e inclinado para frente. As paredes da escavação são convergentes e o diâmetro bituberoso é reduzido. A bacia antropoide é a bacia dos macacos, correspondendo a cerca de 25% dos casos. Essa bacia predispõe o aumento na incidência de variedades posteriores. Além disso, apresenta aumento de chance de distocia no estreito superior, que é elíptico e alongado no sentido anteroposterior. As espinhas ciáticas não são proeminentes, enquanto o sacro é estreito e longo. As paredes da escavação são paralelas e o diâmetro bituberoso é menor. E a bacia platipeloide é a bacia achatada, representando cerca de 5% dos casos. O estreito superior é ovalado e o diâmetro anteroposterior é reduzido, favorecendo a posição transversa. As espinhas ilíacas são proeminentes, o sacro é largo, curvo e côncavo, enquanto as paredes da escavação são divergentes. Caso não ocorra distocia de insinuação, o prognóstico do parto é bom. Planos da Bacia Os planos da bacia são planos imaginários que foram descritos com intuito de avaliar a altura da apresentação na pelve feminina. Há dois planos mais famosos: De Lee e Hodge (que não possui boa aceitação). O plano de De Lee usa como ponto de referência para o ponto “0” o diâmetro da biespinha isquiática. A partir de desse plano, a apresentação é estimada em centímetros positivos caso a apresentação fetal o tenha ultrapassado, ou em centímetros negativos caso a apresentação ainda não o tenha alcançado.