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1 
 
SUMÁRIO 
1 A BIOMECÂNICA – CONCEITOS ..................................................... 2 
2 DEFINIÇÕES DE BIOMECÂNICA ..................................................... 5 
3 CONSIDERAÇÕES EPISTEMOLÓGICAS ........................................ 8 
3.1 Objeto de estudo ......................................................................... 9 
4 BIOMECÂNICA NO NOSSO DIA-A-DIA .......................................... 11 
5 TIPOS DE MOVIMENTOS ............................................................... 14 
5.1 Velocidade ................................................................................. 18 
5.2 Aceleração ................................................................................ 22 
5.3 Métodos de medição ................................................................. 24 
5.4 Cinemetria ................................................................................. 24 
5.5 Dinamometria ............................................................................ 26 
5.6 Electromiografia ........................................................................ 27 
5.7 Antropometria ............................................................................ 28 
BIBLIOGRAFIAS ................................................................................... 31 
 
 
 
2 
 
1 A BIOMECÂNICA – CONCEITOS 
 
Fonte: s3-eu-west-1.amazonaws.com 
 O corpo humano é um dos principais objetos de estudo do homem. 
À busca por compreender o seu funcionamento, contrapõe-se sua 
complexidade, levando cientistas e estudiosos a aprofundar cada vez mais os 
seus estudos. Dentro deste âmbito se encontra a Biomecânica, que é uma 
disciplina derivada das ciências naturais que se preocupa com a análise física 
dos sistemas biológicos, examinando, entre outros, os efeitos das forças 
mecânicas sobre o corpo humano em movimentos quotidianos, de trabalho e de 
esporte. 
No século XX ocorreram grandes avanços tecnológicos que se refletiram 
nos métodos experimentais usados em praticamente todas as áreas de atuação 
científica, incluindo a Biomecânica, ocasionando um grande avanço nas técnicas 
de medição, armazenamento e processamento de dados, fatos estes que 
contribuíram para o estudo e melhor compreensão do movimento humano. 
A Biomecânica é um dos métodos para estudar a maneira como os seres 
vivos (principalmente o homem) se adaptam às leis da mecânica quando 
realizando movimentos voluntários. Para Donskoy & Zatsiorsky (1988) a 
 
3 
 
Biomecânica é a ciência das leis do movimento mecânico nos sistemas vivos e 
pode ser também definida como a aplicação da Mecânica a organismos vivos e 
tecidos biológicos. Nigg (1995) define Biomecânica como sendo a ciência que 
examina as forças que atuam externa e internamente numa estrutura biológica 
e o efeito produzido por essas forças e Hatze apud Nigg (1995) afirma que ela é 
a ciência que estuda estruturas e funções dos sistemas biológicos usando o 
conhecimento e os métodos da Mecânica. 
 
Fonte: www.fisiofocus.com 
A Biomecânica estuda diferentes áreas relacionadas ao movimento do ser 
humano e animais, incluindo: 
(a) funcionamento de músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos, 
(b) cargas e sobrecargas de estruturas específicas, e 
(c) fatores que influenciam a performance. 
A Biomecânica do Esporte se dedica ao estudo do corpo humano e do 
movimento esportivo em relação a leis e princípios físico-mecânicos, incluindo 
os conhecimentos anatômicos e fisiológicos do corpo humano (Amadio, 1996). 
No Brasil, os resultados das pesquisas em Biomecânica têm influenciado 
diretamente na medicina, ergonomia, fabricação de equipamentos esportivos e 
muitos outros aspectos da vida humana (Nasser, 1995). 
 
4 
 
 
Fonte: cdn5.sportadictos.com 
 Ela também pode auxiliar na produção de conhecimento para 
aquisição de competências tecno-motoras, que levam em consideração as 
características dos participantes, do contexto e sua organização, possibilitando 
uma efetiva aprendizagem (Crum, 1993). Para Moro apud Nasser (1995), a 
Biomecânica tem acompanhado o ensino das técnicas associando a prevenção 
musculoesquelética do indivíduo nas ações cotidianas, evitando assim que 
certos esforços desnecessários possam danificar suas estruturas e que sua ação 
motora seja racionalizada. 
 O progresso da Biomecânica como disciplina científica que estuda 
funções dos seres vivos tornou-se, ao longo dos últimos três séculos, muito 
amplo e disso resultaram múltiplas divisões didáticas e delimitação de território 
de especialidades científicas, tais como Biomecânica do Movimento Humano, 
Biomecânica Clínica e de Reabilitação, Biomecânica de Tecidos e Biomateriais, 
Biomecânica Musculoesquelética e Métodos e Técnicas de Pesquisa em 
Biomecânica. Cada uma destas áreas, por sua vez, abrange diversas 
possibilidades. 
 
5 
 
2 DEFINIÇÕES DE BIOMECÂNICA 
 
Fonte: dicasdemusculacao.org 
Existem várias definições de Biomecânica. Diversos autores têm vindo a 
propor diferentes definições para esta ciência, que é o mesmo que dizer que 
perfilham diferentes perspectivas quanto ao seu papel no domínio da 
investigação na área da atividades física. Numa análise morfológica da palavra 
Biomecânica, pode-se decompor o termo em duas partes. No prefixo “bio”, de 
biológico, ou seja, relativo aos seres vivos e, mecânica. Logo, a partir da análise 
morfológica da palavra, a Biomecânica será a aplicação dos princípios da 
Mecânica aos seres vivos. Hay (1978), descreve a Biomecânica como sendo a 
ciência que estuda as forças internas e externas que atuam no corpo humano e, 
os efeitos produzidos por essas forças. Ou seja, esta definição mais não será 
que uma adaptação da definição de mecânica, mas, desta feita, aplicada a 
sistemas biológicos, neste caso o corpo humano. 
 
6 
 
 
Fonte::www.musculacao.net 
Da definição proposta por Hay (1978), observa-se a existência de dois 
campos de estudo distintos na Biomecânica: o estudo das forças internas e das 
forças externas e, as suas repercussões. Assim, pode-se distinguir a existência 
da Biomecânica interna e, da Biomecânica externa (Hay, 1978; Amadio, 1989; 
1996). 
Segundo Amadio (1989; 1996), a Biomecânica interna preocupa-se com 
a determinação das forças internas e as consequências resultantes dessas 
forças. Já a Biomecânica externa representa os parâmetros de determinação 
quantitativa ou qualitativa referentes às mudanças de lugar e de posição do 
corpo, ou seja, refere-se às características observáveis exteriormente na 
estrutura do movimento (Amadio, 1989; 1996). 
Por sua vez, McGinnis (1999), refere que será integrado na Biomecânica 
interna o estudo dos biomateriais, do sistema esquelético, do sistema nervoso e, 
do sistema muscular. Ainda o mesmo autor, integra na Biomecânica externa o 
estudo da cinética linear e angular, da cinemática linear e angular, do equilíbrio 
e, da mecânica dos fluidos. 
 
7 
 
 
Fonte:2.bp.blogspot.com 
Uma outra definição, caracteriza a Biomecânica como sendo o estudo da 
estrutura e da função dos sistemas biológicos, utilizando os métodos da 
Mecânica (Enoka, 1989; Hall, 1991; Adrian e Cooper, 1995). Desta definição 
emergem implicitamente as áreas subsidiárias da Biomecânica, isto é, a 
Anatomia, a Fisiologia e, a Mecânica (Hall, 1991). Ou seja, para se desenvolver 
um estudo biomecânico necessitar-se-á do contributo destas três ciências. 
A Anatomia é a ciência que estuda as formas e as estruturas dos seres 
vivos (Castro, 1976). A Fisiologia é a ciência que estuda o funcionamento de 
todas as partes do organismo vivo, bem como do organismo como um todo 
(Guyton, 1988). E a Mecânica é a ciência que descreve e prediz as condições 
de repouso ou de movimento de corpos sob a acção de forças. Relembre-se que 
na Mecânica, distinguem-se diversos ramos. 
 
8 
 
 
Fonte: scontent.cdninstagram.comA Estática é o sub-ramo da Mecânica que estuda os sistemas que estão 
em estado de movimento constante, através da Cinética e; a Dinâmica estuda 
os sistemas em movimento, nos quais a aceleração está presente, por meio da 
Cinética e da Cinemática. Por sua vez, a Cinética estuda as forças associadas 
ao movimento do corpo e, a Cinemática a estuda o movimento do corpo em 
relação ao tempo, à sua trajetória, à sua velocidade e, à sua aceleração. 
3 CONSIDERAÇÕES EPISTEMOLÓGICAS 
 
Fonte :www.ibmr.br 
 
9 
 
Em termos epistemológicos, uma ciência só é considerada como 
autónoma quando detêm um objeto de estudo próprio e, metodologias 
específicas. O mesmo se passa com a Biomecânica. Dado que é considerada 
como uma ciência autónoma, terá de possuir um objeto de estudo próprio e 
metodologias que se distinguem das restantes ciências. 
3.1 Objeto de estudo 
 
Fonte: ieeeufabc.org 
O objeto de estudo da Biomecânica é o sistema gestual, isto é, o 
movimento. Este estudo do sistema gestual consiste na análise da interação do 
corpo, que realiza a acção, com o meio envolvente. Ou seja, a Biomecânica 
dedica-se ao estudo das ações dos diversos tipos de corpos, quer sejam 
partículas, corpos rígidos ou, articulados. Mas, tomando sempre em 
consideração o meio envolvente e as suas características particulares, como por 
exemplo, a existência da força da gravidade. 
Essa interação entre o corpo e o meio far-se-á tomando como referência 
os vínculos do sistema, isto é, as cadeias cinemáticas e os diversos graus de 
liberdade que o corpo apresente. As cadeias cinemáticas permitem determinar 
que tipo de relação existe entre o corpo e o meio, se é aberta ou fechada, 
determinado pela existência – ou não – de apoios fixos externos. Os graus de 
liberdade permitem descrever a localização e a orientação dos corpos ou dos 
seus segmentos no espaço. 
 
10 
 
 
Fonte:files.mamede-albuquerque.com 
Em termos mais específicos, serão considerados como objetivos da 
Biomecânica: 
a) aumentar a eficiência técnica dos sujeitos estudando e comparando o 
desempenho dos melhores com o desempenho do indivíduos a quem se deseja 
aumentar a eficiência; analisando as técnicas à luz dos princípios da Mecânica; 
utilizando simulações computadorizadas; melhorando os equipamentos e os 
materiais. 
b) diminuir a probabilidade de se verificarem lesões, do tipo crónico ou 
agudo, decorrentes da atividade física. 
 
11 
 
4 BIOMECÂNICA NO NOSSO DIA-A-DIA 
 
Fonte :2.bp.blogspot.com 
A biomecânica está presente em todos os movimentos do ser humano: o 
comprimento da passada quando se caminha, a angulação dos movimentos ao 
se alongar; ou seja, vai desde o simples gesto de levar o garfo com comida à 
boca, na hora do almoço, até a disputa de uma medalha olímpica no salto com 
vara. 
Com isso, a biomecânica visa, por meio dos conceitos da física clássica, 
a analisar e compreender os complexos movimentos do corpo humano. Como a 
biomecânica oferece diferentes formas de análise para diferentes objetivos 
(esportes, medicina, engenharia, computação, entre outros), diferentes autores 
são ora divergentes, ora complementares, ao descrever seu foco de estudo. 
Hay (1976), Brüggemann et al. (1991) e Amadio (1989, 1996), citados por 
Amadio (2000) e Okuno (2003), entre outros, indicam que a biomecânica é a 
ciência responsável pelas mais diversas formas de análise do movimento 
humano. Sendo assim, Amadio e Serrão (2007) afirmam que a biomecânica é a 
ciência, derivada das ciências naturais, que se ocupa das análises físicas de 
sistemas biológicos. 
 
 
12 
 
 
Fonte :timpersonaltrainer.files.wordpress.com 
Na biomecânica, por meio de suas diferentes metodologias de análise 
(antropometria, cinemática, dinamometria, simulação computacional, 
modelamento muscular e eletrofisiologia), o principal objetivo é estudar os 
padrões de movimentos esportivos, procurando otimizar o processo de 
aprendizado e os resultados, bem como diminuir os riscos de lesões. 
Em complemento, Amadio e Serrão (2007) indicam como objetos de 
estudo da biomecânica o esporte de alto nível, o esporte escolar e as atividades 
de recreação, de forma a atuar na prevenção e na reabilitação orientadas à 
saúde e às atividades do cotidiano e do trabalho das pessoas. Por meio da 
fundamentação teórica, do conhecimento das capacidades e das habilidades do 
atleta, bem como da observação e da mensuração de diferentes variáveis 
biomecânicas, profissionais conseguem diferenciar as características técnicas 
de uma determinada modalidade, do estilo e da vivência motora do atleta, 
realizando assim correções de possíveis erros e adaptações dessas técnicas à 
realidade de seus atletas, independentemente da categoria. 
 
13 
 
 
Font :encrypted-tbn0.gstatic.com 
Em contrapartida, a ausência de fundamentação teórica, o 
desconhecimento das características dos atletas e a falta de observação e de 
mensuração das variáveis biomecânicas, podem levar o profissional a utilizar 
uma determinada técnica esportiva empregada em níveis mais avançados que 
não é e não poderia ser a mais adequada às vivências físicas e/ou motoras dos 
seus alunos ou atletas. 
Cabe aqui a seguinte pergunta: como o professor ou treinador pode 
melhorar sua capacidade de escolha das atividades técnicas para seu aluno e, 
da mesma forma, identificar as causas dos erros apresentados na sua prática ou 
vivência? Para respondê-la, é necessário que o professor ou treinador 
compreenda as forças internas que, por meio das contrações musculares, 
produzem o movimento, bem como as forças externas que interferem 
diretamente em cada um dos movimentos executados (como a ação da 
gravidade, o atrito com o solo ou mesmo a ação da resistência do ar) para que, 
a partir daí, possa analisá-las e proceder às intervenções necessárias. 
 
 
14 
 
5 TIPOS DE MOVIMENTOS 
Quanto à sua forma de execução, os movimentos podem ser divididos 
em: lineares ou de translação, angulares ou de rotação, e combinados (mistos) 
ou gerais. O movimento linear ou de translação ocorre quando todos os pontos 
do corpo movem-se na mesma distância ou direção, ao mesmo tempo. 
A aplicação de uma força no centro de massa de um corpo de qualquer 
dimensão faz todos os pontos desse objeto se deslocarem na mesma direção e 
magnitude, constituindo o movimento de translação. Ele pode ser linear retilíneo 
(quando a direção não é modificada) ou curvilíneo (quando a direção muda 
constantemente), conforme demonstrado nas Figuras 1a e 1b, a seguir. 
 
 
Figura 1a. 
 
Movimento linear retilíneo 
Fonte: PRUDÊNCIO, 2010. 
 
15 
 
 
Figura 1b. 
Movimento curvilíneo 
Fonte: Adaptado de LICHTENBERG e WILLS, 1978. 
10Os movimentos angulares ou de rotação são aqueles nos quais os 
pontos se movem em linhas circulares ao redor de um eixo, conhecido como eixo 
de rotação, conforme demonstrado nas Figuras 2a e 2b, a seguir. 
 
 
Figura 2a. 
Atleta realizando um salto mortal em seu eixo de rotação sagital1 
 
16 
 
Fonte: Adaptado de HAMILL et al., 1999. 
 
 
Figura 2b. 
Técnica do lançamento do martelo (rotação em torno do eixo longitudinal) 
Fonte: Adaptado de IAAF, 2009. 
Na maioria das atividades humanas, os movimentos são realizados por 
meio de uma combinação das duas formas de movimento (de translação e de 
rotação), e podem ser tratados como movimentos gerais, ou combinados. 
Quando observado no plano sagital ou lateralmente, durante atividades de 
deslocamento que não apresentam uma fase aérea, como o caminhar ou mesmo 
a marcha atlética, o centro de massa (CM) do indivíduo apresenta um 
deslocamento que pode ser considerado linear (Figura 3a). 
Porém, esse padrão de deslocamento do CM é produzido pelos 
movimentos de rotação das articulações do quadril, do joelho e do tornozelo 
(Figura 3b). Outro exemplo vem das provas adaptadas (ou paraolímpicas): ao se 
observar, também no plano sagital,um atleta cadeirante se deslocando, vê-se 
que todas as articulações de seus braços, bem como as rodas da cadeira, 
executam movimentos rotacionais, e, ainda assim, a cadeira do atleta se desloca 
de forma linear (Figura 3c). 
 
17 
 
 
Figura 3a. 
Movimento retilíneo do CM do atleta durante a marcha 
Legenda: IC = contato inicial; LR = resposta de carga; MST = fase média; 
TST = fase final; 
PS = pré-“balanço”; IS = início do “balanço”; MSW = “balanço” médio; TSW 
= “balanço” final. 
 
 
Fonte: Adaptado de NOVACHEK, 1998. 
Figura 3b. 
Representação dos movimentos de rotação articular e deslocamento linear 
 
18 
 
Fonte: Adaptado de HAMILL et al., 1999. 
 
Figura 3c. 
Exemplo de movimento geral em um cadeirante (rotação e translação). 
5.1 Velocidade 
 
Fonte: :s2.glbimg.com 
Independentemente da modalidade esportiva (se individual ou coletiva), 
pode-se claramente perceber que alguns atletas são mais velozes do que outros, 
da mesma forma que a capacidade de realizar esforços submáximos durante 
longos períodos de tempo parece ser inerente a alguns indivíduos. 
Nas modalidades em que um mesmo gesto motor se repete ao longo do 
tempo, ou nas modalidades ditas cíclicas (corridas rasas, ciclismo, natação), 
frequentemente a velocidade a ser medida é a velocidade média do indivíduo. 
 
19 
 
Ao se avaliar a velocidade média de um indivíduo, determina-se o quanto 
esse corpo se move em um determinado período de tempo; por exemplo, dado 
um velocista que corre 100 metros em 10 segundos, a velocidade da corrida é 
determinada pela divisão da distância percorrida (100m) pelo tempo que o atleta 
levou para percorrer a prova (10s). Nesse exemplo, dividindo-se os 100 metros 
de corrida por 10 segundos, é possível concluir que a velocidade média do atleta 
foi de 10 metros por segundo (m/s). 
 
 
 
 
Em modalidades como a natação, o atletismo ou o ciclismo – provas que 
têm distâncias fixas a ser percorridas por todos os participantes – é simples 
comparar e determinar suas velocidades médias, como no caso de dois 
nadadores que realizam a prova dos 800 metros: se um completa a prova em 
8,30 minutos, e o outro em 8 minutos, é evidente que o segundo atleta foi mais 
rápido do que o outro. 
Para se saber a velocidade média de cada um dos atletas, como já 
indicado, basta dividir a distância percorrida pelo tempo necessário para 
percorrê-la. Sendo assim, a fórmula que determina a velocidade é representada 
por: 
 
 
Nas modalidades anteriormente citadas, é bastante comum mensurar a 
velocidade dos alunos ou atletas somente em determinados trechos da corrida, 
determinando, assim, sua velocidade média em diferentes momentos da prova, 
 
20 
 
como demonstrado na Tabela 1, que indica a velocidade média, a cada 10 
metros, do campeão mundial velocista nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008. 
 
 
 
Tal medida traz importantes contribuições para os professores ou 
treinadores, pois, por meio dessas informações, pode-se observar e determinar 
os trechos nos quais o aluno ou atleta reduz sua velocidade e, a com base nisso, 
realizar as correções necessárias dentro das atividades de treinamento. 
Nessa mesma lógica, em algumas situações esportivas, como os saltos 
em geral, uma largada na natação e os lançamentos, faz-se necessário que o 
treinador conheça a velocidade do atleta em diferentes momentos das provas, 
assim como durante o deslocamento nas diferentes fases da corrida de 
 
21 
 
aproximação. Para isso, o cálculo da velocidade, indicado anteriormente, é o 
mesmo utilizado para a análise das corridas, da natação ou do ciclismo. 
 
Fonte :gravatanoticias.com.br 
A velocidade pode ainda ser subdividida em velocidade de reação 
(representada pelo tempo entre um estímulo e a ação do atleta), velocidade 
gestual ou acíclica (representada por um único movimento do atleta, como, por 
exemplo, a cobrança de lateral, a cortada no voleibol ou o lançamento de dardo 
no atletismo) e velocidade de deslocamento ou cíclica (que compreende a 
velocidade que o atleta desenvolve em uma determinada distância). 
Ainda nas modalidades conhecidas como acíclicas ou mistas, faz-se 
necessário o conhecimento da velocidade em momentos que são determinantes 
para o sucesso da atividade, como no instante em que o atleta toca o pé de apoio 
para saltar ou lançar (velocidade de entrada), no instante em que o pé de apoio 
do atleta deixa o solo ou a velocidade do implemento4 no instante do lançamento 
(velocidade de saída), ou mesmo no momento da largada em uma prova de 
natação. 
Para esses instantes, é necessário que se defina não somente o cálculo 
da magnitude da velocidade em períodos muito curtos de tempo, como também 
a direção e o sentido do CM do atleta ou do implemento. Sendo assim, o cálculo 
da velocidade vetorial instantânea é o ponto-chave nas análises biomecânicas, 
conforme demonstrado na Figura 4, a seguir. 
 
22 
 
 
Figura 4. 
Representação dos vetores velocidade no instante em que o atleta toca o 
solo para o salto em distância 
5.2 Aceleração 
 
FONTE:encrypted-tbn1.gstatic.com 
Em todas as modalidades esportivas, independentemente da distância 
percorrida, a velocidade média do atleta varia ao longo do percurso. Nesses 
casos, essa variação indica a aceleração do atleta ou, tecnicamente falando, a 
variação da velocidade em função do tempo. 
Tal medida se faz importante, pois, por meio dela, é possível, por exemplo, 
observar a variação da velocidade do atleta nos diferentes trechos da corrida e 
realizar, por meio do treinamento, as alterações necessárias. 
 
23 
 
Quando o atleta reduz sua velocidade, diz-se que ele desacelerou. Ao se 
observar a Figura 5, correspondente à Tabela 1 acima, que tem como variáveis 
a velocidade e o tempo, considerando a escala estabelecida, percebe-se que 
entre p1 e p5 o atleta aumenta sua velocidade (fase de aceleração), para, em 
seguida, alcançar sua velocidade máxima e mantê-la durante um certo período 
(p6, p7 e p8) e, finalmente, em função de diferentes fatores (diminuição na 
produção de energia, coordenação intramuscular, entre outros), tem-se um 
trecho de redução da velocidade, ou desaceleração (p9 e p10). 
 
Figura 5. 
Representação da velocidade média de corrida dos atletas dos 100m 
rasos nos Jogos Olímpicos de Pequim, 2008 
 
De forma análoga ao cálculo da velocidade, tem-se, para o cálculo da 
aceleração, o produto da velocidade em função do tempo: 
 
 
 
Tanto a velocidade quanto a aceleração possuem como unidades de 
medida usual, respectivamente, a relação de metros por segundo (m/s) e metros 
por segundo ao quadrado (m/s2), embora qualquer unidade de distância, quando 
 
24 
 
dividida por uma unidade de tempo, pode ser utilizada como notação para a 
velocidade e para a aceleração, como quilômetros por hora (km/h) ou milhas por 
hora (mph), entre outros. 
5.3 Métodos de medição 
 
Fonte:cdn.mundodastribos.com 
De acordo com Amadio (1996) e Baumman (1995), os métodos de 
medição utilizados pela Biomecânica para abordar as diversas formas de 
movimentos. 
 
5.4 Cinemetria 
 
A cinemetria consiste na análise de parâmetros cinemáticos, tendo por 
base a recolha de imagens do movimento em estudo e a sua posterior análise. 
Este método permite, fundamentalmente, a caracterização cinemática das 
técnicas em estudo. 
Por exemplo, a análise da distância, do tempo, da velocidade e, da 
aceleração obtida por um dado segmento corporal ou pelo centro de massa do 
sujeito ao realizar um determinado gesto. Existem diversos processos de análise 
cinemática, como a cinematografia, a cronociclografia, cineradiografia e, a 
 
25 
 
estroboscopia. Todavia, hoje em dia, o processo mais frequente na análise 
cinemática é videografia. 
Existem dois tipos distintos de análises cinemáticas: as análises 
bidimensionais e as tridimensionais. Os procedimentos metodológicos incluem, 
num primeiromomento, a filmagem de um objeto de calibração e do movimento 
em estudo, por câmaras colocadas num só plano (estudos bidimensionais) ou 
em diversos planos (estudo tridimensional). 
Numa segunda fase, é utilizado um sistema vídeo-analógico de medição 
do movimento, ou seja, um programa informático, através do qual se captará os 
dados por meio de um procedimento manual ou automático de digitalização dos 
pontos de referência anatómica do indivíduo, em cada fotograma. 
 
Fonte :www2.fm.usp.br 
Este procedimento tem como objetivo a criação de imagens animadas de 
modelos espaciais, isto é, de um modelo que represente o sujeito através de 
segmentos rígidos e articulados, correspondentes aos diversos segmentos 
anatómicos a realizar a tarefa em estudo. Antes, realizar-se-á o cálculo do fator 
escala, a partir de um objeto de calibração do tipo bidimensional ou 
tridimensional, de acordo com o tipo de estudo a realizar, o qual permitirá a 
conversão das coordenadas do sistema informático em coordenadas reais. 
Após a digitalização das imagens, os dados serão tratados, isto é, através 
de determinadas técnicas de filtragem, as informações obtidas serão corrigidas, 
 
26 
 
aumentando a fiabilidade dos resultados. Finalmente, serão recolhidos os dados 
de interesse para o estudo sob a forma numérica, gráfica ou, pictórica. 
5.5 Dinamometria 
 
Fonte:i.ytimg.com 
A dinamometria refere-se a todo o tipo de processos que tem em vista a 
medição de forças, bem como, a medição da distribuição de pressões (Adrian e 
Cooper, 1995; Amadio, 1996). Uma das técnicas fundamenta-se na utilização de 
plataformas de força. São dispositivos que registam a força de reação do solo, 
nas suas diversas componentes (vertical, lateral e, anteroposterior) em relação 
à plataforma. 
 
Fonte :www.foamrollerbrasil.com.br 
 
27 
 
Esses valores são enviados para um processador, o qual através de um 
aplicativo informático, regista esses dados, os quais serão tratados e analisados. 
Uma outra técnica consiste na utilização de plataformas de pressão. Estes são 
dispositivos que fornecem mapas gráficos e digitais das pressões. Os 
equipamentos mais frequentes são os sistemas de medição das pressões 
plantares. 
Mais não são que palmilhas que contêm transdutores, os quais medem a 
pressão nas diversas regiões da planta do pé. 
 
5.6 Electromiografia 
 
Fonte: i.ytimg.com 
Refere-se ao estudo da atividade neuromuscular, através da 
representação gráfica da atividade eléctrica do músculo (Pezzarat Correia et al., 
1993). 
A Electromiografia caracteriza-se pela detecção e recolha de uma 
corrente eléctrica, com origem nas fibras musculares. Essas correntes eléctricas 
tem origem nas alterações eletroquímicas das fibras musculares ao serem 
excitadas, ou seja, nos potenciais de acção. São atualmente utilizadas duas 
formas de recolher os sinais electromiográficos: através da colocação de 
 
28 
 
eléctrodos sobre a pele (Electromiografia de superfície) ou no interior do músculo 
(Electromiografia de profundidade). 
O sinal depois de recolhido, será processado, ou seja, tratado através de 
um conjunto de técnicas para que seja possível medir com fiabilidade os valores 
obtidos. Segundo De Luca (1993) e Pezzarat et al. (1993), atualmente, as 
aplicações mais comuns da Electromiografia consiste em: a) determinar o tempo 
de ativação do músculo; b) medir o nível de excitação, enquanto indicador da 
força produzida; c) utilizar o sinal electromiográfico enquanto indicador de fadiga. 
 
5.7 Antropometria 
 
Fonte :horadotreino.com.br 
 A Antropometria tem em vista determinar as características e as 
propriedades do aparelho locomotor. Ou seja, consiste na caracterização e 
determinação das propriedades da massa corporal. 
O estudo do centro de massa de um corpo é um dos elementos 
fundamentais na análise dos movimentos. E para tal será necessário determinar 
 
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previamente a sua localização. Para tal, será necessário recorrer-se aos 
conhecimentos oriundos da Antropometria. 
Uma outra área de interesse, para a Biomecânica, é a construção e 
aperfeiçoamento de equipamentos e materiais. E, mais uma vez, os 
conhecimentos oriundos da Antropometria serão determinantes para levar a bom 
termos essas investigações. Segundo Zatsiorskij et al. (1982, in Amadio, 1996), 
a Antropometria, no âmbito biomecânico dedica-se, fundamentalmente ao 
estudo de: 
a) a geometria da massa corporal; 
b) o centro de massa do corpo; 
c) o momento de inércia de cada segmento corporal; 
d) o centro de massa de cada segmento; 
e) as dimensões e as proporções corporais. 
Esta área auxilia na descrição e análise do movimento, apoiando-se na 
construção de modelos antropométricos do corpo humano, tendo por base leis 
matemáticas e físicas, procurando a optimização do rendimento (Amadio, 1989). 
Os métodos de investigação para a determinação das características e 
propriedades da massa corporal humana, pode dividir-se nas seguintes 
categorias (Zatsiorsky et al., 1984 in Amadio, 1996): a) investigação em 
cadáveres; b) investigação in vivo; c) investigação analítica indireta. 
As investigações com cadáveres consistem na determinação das 
características e propriedades da massa corporal, após o desmembramento dos 
segmentos do corpo. Um dos estudos, deste tipo, mais citado é o de Dempster 
(1955), o qual utilizou cadáveres de sujeitos entre os 52 e os 83 anos com pesos 
que variaram entre os 49 e os 72 Kg. 
As investigações antropométicas in vivo, consistem na caracterização e 
determinação das propriedades da massa em corpos vivos através de diversos 
métodos, como por exemplo, a pesagem hidrostática, a fotogrametria ou, o 
pêndulo físico. 
 
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Fonte: www.housegym.com.br 
 
Finalmente, as investigações analíticas indiretas tem por base 
procedimentos analíticos para o cálculo das características e propriedades 
inerciais da massa corporal. Estes modelos são construídos com base em corpos 
rígidos e articulados. Esses modelos caracterizam-se por serem: 
(i) Sólidos de densidade uniforme; 
(ii) Com formas geométricas simples; 
(iii) Com os eixos articulares fixos substituídos por móveis, para que 
simulassem posições e movimentos humanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BIBLIOGRAFIAS 
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do movimento. São Paulo, 1996. 
AMADIO, A. C. Fundamentos da biomecânica do esporte: considerações 
sobre a análise cinética e aspectos neuromusculares do movimento. Tese (livre 
docência) - Universidade de São Paulo, 1996. 
CRUM, B. Boletim de Educação Física. Acta do IV Congresso da SPEF 
Sociedade Portuguesa nº 7/8, 1993. 
DONSKOI, D. & ZATSIORSKY, V. Biomecânica de los ejercicios físicos. 
Moscou: Madrugada. 1988. 
HAY, J. G. The Biomechanics os sports techiniques. Pretice-Hall: New 
Jersey, 1985. 
NASSER, J.P. Biomecânica do esporte/ Educação Física. Origens e 
tendências no Brasil. As ciências do esporte no Brasil. Campinas, SP: Autores 
associados, 1995. 
NIGG, B. M & HERZOG, W. Biomechanics of the musculo-skeletal 
system. Chichester: Jonh Wiley & Sons, 1995.