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A pele recobre a superfície do corpo e apresenta-se constituída por uma porção epitelial de origem ectodérmica, a epiderme, e uma porção conjuntiva de origem mesodérmica, a derme. Abaixo em continuidade com a derme está a hipoderme, que, embora tenha a mesma origem da derme, não faz parte da pele, apenas serve-lhe de suporte e união com os órgãos subjacentes. Funções • Proteger o organismo contra a perda de água por evaporação e contra o atrito; • Serve como grande receptor para as sensações gerais (dor, pressão, tato, temperatura); • Colabora na termorregulação do corpo; • Participam na excreção de várias substâncias; • Proteção contra os raios ultravioleta; • Formação da vitamina D3; • Importante papel nas respostas imunitárias do organismo. • Estruturas anexas: pelos, unhas, glândulas sudoríparas e sebáceas. Epiderme A epiderme é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado. Há locais, como a palma da mão e a planta dos pés, onde a epiderme é muito mais espessa e a pele é denominada pele espessa. Em outros locais, a epiderme é mais fina, sendo denominada pele delgada. Na pele espessa, podem ser distintas quatro camadas na epiderme: 1) Camada basal: células cuboides (queratinócitos), que repousam sobre a membrana basal, que separa a epiderme da derme. São responsáveis pela constante renovação do epitélio, com intensa atividade mitótica; 2) Camada espinhosa: células poligonais, cuboides ou ligeiramente achatadas, com núcleo central e com expansões citoplasmáticas que contém tonofibrilas. Essas expansões unem-se através de desmossomos, o que dá a célula um aspecto espinhoso; 3) Camada granulosa: células poligonais com núcleo central, nitidamente achatadas, que contém numerosos grânulos de querato-hialina (basófilos). Além desses grânulos, estas células secretam ainda substancia fosfolipídica associada a glicosaminoglican as, que se espalha no espaço intercelular vedando esta camada de células, impedindo a passagem de compostos, principalmente de água (barreira impermeável). 4) Camada córnea: camada superficial de células achatadas, mortas, sem núcleo e sem organelas. Membrana celular bem espessa e citoplasma cheio de queratina. São removidas no processo de descamação natural da pele. Na pele delgada, falta frequentemente a camada lúcida, além de apresentar uma camada córnea muito reduzida. A epiderme apresenta quatro tipos de células: 1) Queratinócitos: são as células mais numerosas da epiderme. O processo de queratinização possui etapas nas camadas da epiderme: • Camada basal: queratinócitos possuem tonofilamentos; • Camada espinhosa: continua a síntese de tonofilamentos, que se agrupam em feixes de tonofibrilas. Início da síntese de querato- hialina; • Camada granulosa: grande acúmulo de grânulos de querato-hialina; Verdadeiro processo de queratinização: ocorre ao período entre a saída de células da camada granulosa e entrada na camada córnea. Aos grânulos de querato-hilaina se combinam com as tonofibrilas, convertendo-as em queratina. Esse processo envolve a decomposição do núcleo e das organelas e o espessamento da membrana celular; • Camada córnea: células queratinizadas, que sofrem descamação. 2) Melanócitos: células arredondadas e colunares, apresentam prolongamentos citoplasmáticos que envolvem cerca de 36 queratinócitos, por onde transferem a melanina recém sintetizada. Situadas https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/07/Captura-de-Tela-2020-07-24-%C3%A0s-19.18.27.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/07/Captura-de-Tela-2020-07-24-%C3%A0s-18.45.43.png geralmente nas camadas basal e espinhosa da epiderme. No seu interior ocorre a síntese de melanina, pigmento de cor marrom escura; com o acumulo de melanina, as vesículas passam a se chamar melanossomas e, ao fim da síntese, recebe o nome de grão de melanina. A partir deste grão, o pigmento é injetado no interior das células epiteliais e se localizam em posição supra nuclear, onde oferecem máxima proteção ao DNA contra a radiação ultravioleta. O escurecimento da pele por exposição à luz do sol ocorre inicialmente devido ao escurecimento da melanina pré-existente e à aceleração da transferência de melanina para os queratinócitos. 3) Células de Langherans: são células derivadas de precursores da medula óssea vermelha e fazem parte do sistema fagocitário mononuclear. Representam 4% do total de células da epiderme. Estão localizadas, mais frequentes, na camada espinhosa. Fazem parte do sistema imunitário, podendo processar e acumular na sua superfície os antígenos cutâneos, apresentando-os aos linfócitos T. Participa do desencadeamento das reações de hipersensibilidade por contato cutâneo. Ao contrário dos melanócitos, que se multiplicam após exposição repetida à luz ultravioleta, as células de Langherans diminuem de número após uma agressão deste tipo. 4) Células de Merkel: célula localizada na camada basal e geralmente presentes na pele espessa. São especialmente abundantes na ponta dos dedos e na mucosa oral, e na base dos folículos pilosos. Caracteriza-se pela presença de grânulos citoplasmáticos. A base desta célula está em contato com fibras nervosas amielínicas, e por isso, é tida como mecanorreceptor. Derme É o tecido conjuntivo sobre o qual se apoia a epiderme. O tecido conjuntivo propriamente dito é caracterizado pelos tipos de células que os compõe e pelas fibras: fibroblastos (responsáveis pela produção de fibras colágenas, fibras elásticas e da substância fundamental), fibrócitos, macrófagos, linfócitos, plasmócitos, mastócitos e células adiposas. Sua superfície externa é irregular e com saliências: papilas dérmicas (aumentam a área de contato derme- epiderme, trazendo maior resistência à pele). Descrevem-se na derme duas camadas, de limite poucos distintos, que são: a camada papilar (mais superficial, delgada e constituída por tecido conjuntivo frouxo) e a camada reticular (mais profunda, mais espessa e constituída por tecido conjuntivo denso não modelado). Ambas contêm muitas fibras e elásticas, responsáveis, em parte, pela elasticidade da pele. Além dos vasos sanguíneos e linfáticos, e dos nervos, também são encontradas na derme as seguintes estruturas: pelos, glândulas sebáceas e sudoríparas. A circulação da pele possui uma disposição tal que acomode as diversas necessidades funcionais, como: nutrição da pele e anexos, aumento ou redução do fluxo para facilitar ou dificultar a perda de calor pelo corpo. Estrutura da derme https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.20.00.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.20.00.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/07/Captura-de-Tela-2020-07-24-%C3%A0s-19.12.40.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.00.06.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.20.00.png A derme é constituída das fibras colágenas e elásticas e da substância fundamental, sintetizada pelos fibroblastos. Hipoderme É formado por tecido conjuntivo frouxo, responsável pelo deslizamento da pele sobre estruturas na qual se apoia. Dependendo do grau e nutrição do organismo, a hipoderme poderá ter uma camada variável de tecido adiposo que, quando desenvolvida, constitui o panículo adiposo. O panículo adiposo proporciona proteção contra o frio. É rica em células que armazenam gordura (adipócitos) e tem como função principal a reserva energética, proteção contra choque mecânico e isolante térmico. Corte histológicode pele. HE. Médio Aumento. (*) Adipócitos, caracteriza a hipoderme. Pelos Estão presentes praticamente em toda superfície do corpo, com exceção de algumas regiões. São estruturas delgadas queratinizadas que se desenvolvem a partir de uma invaginação da epiderme, o folículo piloso. Deve-se lembrar do conjuntivo que envolve o folículo e apresenta-se mais espesso, recebendo o nome de bainha conjuntiva do folículo piloso. Há na derme feixes e músculo liso dispostos obliquamente, que se inserem de um lado na bainha conjuntiva do folículo e do outro na camada papilar da derme. A pigmentação deve-se a presença de melanócitos, entre a papila e o epitélio da raiz do pelo. Unhas São placas córneas (queratina) que se dispõem na superfície dorsal das falanges terminais dos dedos e artelhos. A superfície da falange que é recoberta pela unha, recebe o nome de leito ungueal. A porção proximal é chamada raiz da unha ou matriz. É na raiz da unha que se observa a sua formação, graças a um processo de proliferação de células epiteliais, que gradualmente se queratinizam, formando uma placa córnea. A camada córnea desse epitélio forma a cutícula da unha. A unha é constituída essencialmente por escamas córneas compactas, fortemente aderidas umas às outras. Elas crescem no sentido distal dos membros, deslizando sobre o leito ungueal, que tem estrutura típica de pele e não participa da formação da unha. • Origem embriológica da unha: Assim como o pelo, a unha é formada por uma invaginação da epiderme para a derme. Desta forma, tem origem ectodérmica. Glândulas sebáceas Situam-se na derme e seus ductos geralmente desembocam na porção terminal dos folículos pilosos. Na palma da mão e na sola do pé não há glândulas sebáceas, pois não apresentam pelos. São alveolares e geralmente desembocam em um ducto curto; secretam uma substancia oleosa chamada sebo que recobre não só o pelo, mas também a superfície da pele, para a manutenção e sua textura. O sebo é produzido como uma secreção holócrina, onde o produto é liberado junto com os restos celulares. A https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-23.00.31.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-23.00.31.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-21.54.33.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-23.00.31.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.41.25.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.39.39.png atividade dessas glândulas é influenciada por hormônios sexuais. Na puberdade ocorre o aumento na produção das células sebáceas e sebo, e seu acúmulo origina a acne. Glândulas sudoríparas • Merócrina: são glândulas do tipo simples, tubulosa, enovelada. Sua porção secretora localiza-se profundamente na derme ou superiormente na hipoderme. O ducto da glândula abre-se na superfície da pele e segue um curso em hélice ao atravessar a epiderme. Distribuem-se por toda superfície do corpo, exceto em alguns locais, e não estão associadas a folículos pilosos. O ducto da glândula sudorípara é constituído por epitélio cúbico estratificado. Suas células são menores e aparecem mais escuras que as células da porção secretora. Essas glândulas produzem uma solução aquosa pobre em proteínas e rica em cloreto de sódio, ureia, ácido úrico e amônia em quantidade varáveis: o suor. • Apócrina: Encontram-se na axila, aréola e mamilo da glândula mamária, na região perineal, em associação com a genitália externa, glândula ceruminosa do canal auditiva e glândula de Moll das pálpebras. Desenvolvem-se a partir da mesma invaginação da epiderme que dá origem aos folículos pilosos acima da abertura das glândulas sebáceas. Produzem uma secreção que contém proteína e sua composição varia com a localização anatômica, sendo ligeiramente viscosa e sem cheiro, mas que adquire um odor desagradável e característico pela ação de bactérias. Essas glândulas respondem aos hormônios sexuais e desenvolvem-se na puberdade. As glândulas sudoríparas são inervadas pela porção simpática do sistema nervoso autônomo (merócrinas respondem ao calor e pressão nervosa; apócrinas respondem a estímulos emocionais e sensoriais, mas não ao calor). Inervação A pele contém diversos receptores sensoriais constituídos por terminações periféricas de neurônios sensoriais. Os mais numerosos são as terminações nervosas livres da epiderme, mas também ocorrem na derme. Outras terminações nervosas estão envolvidas por uma cápsula: terminações nervosas encapsuladas (pressão e tato). As principais são: corpúsculo de Vater Pacini (pressão), corpúsculo de Meissner (tato), corpúsculo de Ruffini (calor) e corpúsculo de Krause (frio). https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.38.53.png https://www.unifal-mg.edu.br/histologiainterativa/wp-content/uploads/sites/38/2020/09/Captura-de-Tela-2020-09-23-%C3%A0s-22.37.04.png