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Ilmo. Sr. Promotor de Justiça da Vara Criminal da Comarca de 
XXXXXXXX/XX. (pode ser direcionada também à Autoridade Policial) 
 
 
 
 
 
 ESPÓLIO DE BELTRANO, nacionalidade, falecido em XXXXXX, 
estado civil (viúvo), profissão, portador da carteira de identidade nº 
XXXXXXXXX, inscrito no CPF sob o nº XXXXXXXXXX, neste ato representado 
por sua inventariante nomeada nos autos nº XXXXXXXXXX, da XXX Vara 
Cível da Comarca de XXXXXXXXXX/XX, NNNNNNN, nacionalidade, estado 
civil, profissão, portadora da carteira de identidade nº NNNNNNN, inscrita 
no CPF sob o nº NNNNNNN, domiciliada em NNNNNNN/NN e residente na 
Rua NNNNNNN, nº NN, apto NN, bairro NNNNNNN, CEP NNNNN-NN, vem, 
por seus procuradores infra assinados, apresentar NOTICIA CRIME em 
face de FULANA, nacionalidade, estado civil, profissão, portadora da 
carteira de identidade YYYYYYYY, inscrita no CPF sob o nº YYYYYYYY, 
domiciliada em YYYYYYY/YY e residente na Rua YYYYYYY, nº YY, CEP YYYYY-
YY, tendo em vista a prática, em tese, da conduta delituosa prevista no art. 
299, do Código Penal Brasileiro, conforme se extrai dos fatos e 
fundamentos jurídicos a seguir aduzidos: 
1. Na Certidão de Óbito do falecido em anexo, expedida em 
ZZ/ZZ/ZZZZ, a então declarante FULANA, ora Noticiada, prestou as 
seguintes informações: 
“Deixou 4 filhos: AAAAA, BBBBB, CCCC e um filho DDDD, de 5 
anos. Era divorciado da Sra. UUUUUUU”. 
2. Destas declarações, duas são inverídicas: a de que o falecido tinha 
um filho chamado DDDDDD, de 5 anos, e de que era divorciado da Sra. 
UUUUUU. 
3. Primeiramente, conforme consta da Certidão de Nascimento em 
anexo, DDDD é filho de TTTTT e “pai desconhecido”, sendo que, embora 
tenha existido um pedido de adoção da criança, o mesmo foi julgado 
improcedente, nos termos da sentença em anexo, proferida pelo d. Juiz do 
Juizado da Infância e da Juventude da Comarca de XXXXXX (autos nº 
XXXXXXX). Neste sentido, a referida criança não poderia constar, na 
Certidão de Óbito do falecido, como “filho” deste, consistindo esta 
informação falsa, já que ele possuía somente 3 (três) filhos. 
4. Além disso, conforme também consta da anexa Certidão de 
Casamento do falecido com a Sra. UUUUUU, também falecida, ambos eram 
“desquitados”, não tendo ocorrido divórcio. Assim, quando da sua morte, 
BELTRANO era viúvo e não divorciado, uma vez que o vínculo matrimonial 
não foi desfeito pelo desquite. 
5. Essas duas informações, declaradas por FULANA, quando do óbito de 
BELTRANO, não constituem fatos verdadeiros, já que o falecido era viúvo 
e possuía 3 (três) filhos. Tratou-se, sim, da inserção de uma 
“declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim 
de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato 
juridicamente relevante”, constituindo, em tese, a conduta prevista no 
art. 299, do Código Penal Brasileiro, a saber: 
Art. 299. Omitir, em documento público ou particular, 
declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer 
inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com 
o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade 
sobre fato juridicamente relevante: 
Pena: reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é 
público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento 
é particular. 
6. Percebe-se que a conduta fora praticada de forma comissiva, ou seja, 
fazendo constar uma informação falsa, que não confere com aquela que 
deveria constar, pois tanto o BELTRANO não possuía um filho chamado 
DDDD de 5 anos como não era, ao tempo do seu falecimento, divorciado da 
Sra. UUUUUUUU, mas, sim, viúvo desta. 
7 Em tese, tais informações inverídicas, inseridas na Certidão de Óbito 
do sr. BELTRANO pela Noticiada, no mínimo, altera a verdade sobre fato 
juridicamente relevante, uma vez declarar a existência de um filho, além 
dos 3 (três) filhos do falecido, restando demonstrado, com isto, a finalidade 
especial de agir ou o denominado dolo específico. Há também, no presente 
caso, a potencialidade do dano, já que a inserção de mais um filho do 
falecido em sua certidão de óbito, por si só, evidencia a possibilidade de 
gerar danos ao espólio e à sucessão legítima. 
8 Nota-se, assim, que o documento em questão não é falso em seu 
aspecto formal, mas o é em seu conteúdo, vez que contém informações 
inverídicas, que, ali, não deveriam constar, estando caracterizado o dolo 
específico. Conforme Rogério Greco: 
“a falsidade constante do art. 299 do mesmo diploma legal é de 
cunho ideológico. Isso significa que o documento, em si, é 
perfeito: a ideia, no entanto, nele lançada é que é falsa, razão 
pela qual o delito de falsidade ideológica também é reconhecido 
doutrinariamente pelas expressões falso ideal, falso intelectual e 
falso moral.” (GRECO, Rogério. Código penal comentado. 4 ed. Niterói: 
Impetus, 2010, p. 787) 
 
9. Neste sentido, tem-se os precedentes jurisprudenciais: 
APELAÇÃO CRIMINAL. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 
FALSIDADE DOCUMENTAL. FALSIDADE IDEOLÓGICA. 
DOCUMENTO PÚBLICO. CERTIDÃO DE ÓBITO. DOLO ESPECÍFICO 
DEMONSTRADO. DOSIMETRIA DA PENA. APELO PROVIDO. 
PRESCRIÇÃO RETROATIVA RECONHECIDA. 
1. “No crime de falsidade ideológica a falsidade incide sobre o 
conteúdo do documento, que, em sua materialidade é perfeito. 
A ideia lançada no documento é que é falsa, razão pela qual 
esse delito é, doutrinariamente denominado de falso ideal, falso 
intelectual e falso moral” (Rogério Greco in Código Penal 
Comentado, Ed. Impetus, 1ª edição, 2008, página 1.175). 
“Protege-se, assim, a fé pública, no que se refere à 
autenticidade do documento em seu aspecto substancial” 
(Damásio E. de Jesus in Direito Penal – Volume 4, ed. Saraiva, 
6ª edição, 1995, página 51). “É preciso que a falsidade 
ideológica seja praticada com a finalidade de prejudicar direito, 
criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente 
relevante” (Guilherme de Souza Nucci in Manual de Direito 
Penal, Ed. Revista dos Tribunais, 4ª edição, 2008, página 915). 
(STJ-Corte Especial, Denúncia-APn 549⁄SP, Rel. Min. Felix 
Fischer, DJe 18⁄11⁄2009). 
2. Quando já houve condenação por inserção de declarações 
falsas em certidão de nascimento, é insofismável que as 
declarações inseridas na certidão de óbito do de cujus, a 
respeito da filiação de pessoa, é falsa e diversa da que deveria 
ser escrita, porque já houve reconhecimento da existência de 
falso na certidão de nascimento de pessoa pois esta não é filha, 
por consaguinidade (parentesco natural), do de cujus. 
3. Há nos autos provas suficientes de que a conduta da 
recorrida prejudicou direito e alterou a verdade sobre fato 
juridicamente relevante (dolo específico), mesmo porque a 
certidão de óbito falsificada ideologicamente (em sua 
substância), facilitou à recorrida pleitear benefícios sucessórios 
e previdenciários, mormente quando a certidão nomeia os filhos 
do de cujus. 
4. Havendo prova unívoca de que a recorrida fez inserir 
declaração diversa da que devia ser escrita na certidão de óbito 
do de cujus, informando que pessoa era filha do falecido, 
prejudicando direitos e alterando a verdade sobre fato 
juridicamente relevante, é de se julgar procedente a denúncia, 
reformando a sentença e condenando a recorrida Valéria Alves 
Vieira Amarante Cadaxa por infringência ao disposto no 
art. 299 do CP. (TJ-ES. APL 00017072120058080069. 2ª Câmara 
Criminal. Rel. Des. Carlos Henrique Rios do Amaral. Julgamento: 
11/05/2011. Publicação: 20/05/2011 - destacado) 
“É certo que quem faz inserir, em documento público ou 
particular, declaração falsa ou diversa da que devia estar escrita, 
com o fim de alterar a verdade sobre fato juridicamente 
relevante, incide nas penas do art. 299 do CP. Para a 
caracterização do crime de falsidade ideológica, basta a 
potencialidade de evento danoso, sendo, portanto, irrelevante a 
inocorrência de efetivo prejuízo. (TJMG, Autos nº 
1.0079.03.077641-7/001[1]. Rel. Des. Hyparco Immesi, DJ21/6/2007 - 
destacado) 
11. Esclarece, por fim, que, tendoem vista que o delito do art. 299, do 
Código Penal, é de ação penal pública incondicionada, não necessita de 
representação, podendo, entretanto, qualquer do povo, realizar notitia 
criminis. 
12. Isto posto, requer o Noticiante que seja instaurado o competente 
inquérito policial, determinando as medidas necessárias à apuração dos 
fatos. 
 
Nestes termos, pede deferimento. 
 
Belo Horizonte, QQ de abril de QQQQ. 
 
 
 SSSSSSSSSSSSSSSSS 
 OAB/MG IIIIII

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