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EDUCAÇÃO FÍSICA ADAPTADA Juliano Vieira da Silva Deficiência motora Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Avaliar os conceitos de deficiência motora. Reconhecer os diferentes graus de deficiência motora. Programar atividades físicas inclusivas para pessoas com deficiência motora. Introdução Muitos brasileiros são acometidos por deficiência motora ou física. Essa deficiência consiste no comprometimento de algum membro do corpo humano e pode ser congênita (desde o nascimento) ou adquirida (ao longo da vida). Esse comprometimento acarreta dificuldades, principal- mente, de locomoção, mesmo que leves. Para as pessoas com esse tipo de deficiência, as aulas de educação física podem ser estimuladoras para a criação de um repertório motor com mais qualidade e habilidade. Para isso, o professor precisa saber como agir e explorar da melhor forma as capacidades desses alunos, utilizando estratégias e atividades adaptadas. Neste capítulo, você vai compreender os conceitos de deficiência mo- tora, bem como reconhecer os seus diferentes graus e, ainda, programar atividades físicas inclusivas para pessoas com esse tipo de deficiência. Conceitos de deficiência motora A defi ciência motora ou física é a segunda defi ciência mais numerosa no Brasil. Números do Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), em seu último Censo Demográfi co, realizado em 2010, apontam que mais de 13,2 milhões de brasileiros afi rmaram possuir algum grau do problema. Desse número, 4,4 milhões de pessoas declararam possuir defi ciência motora severa, 734,4 mil afi rmaram não conseguir caminhar ou subir escadas de forma alguma e os demais têm grande difi culdade de se locomover. Na história brasileira, as pessoas com deficiência motora foram margina- lizadas e tiveram pouca assistência no Período Colonial. A situação começou a mudar no século XIX em função do aumento dos conflitos militares, como os ocorridos em Canudos e na Guerra do Paraguai. Como alguns soldados envolvidos no conflito adquiriram deficiência, Duque de Caxias externou sua preocupação ao governo imperial. Essa preocupação resultou na criação do Asilo dos Inválidos da Pátria (Figura 1), criado em 29 de julho de 1868, no Rio de Janeiro. Figura 1. Asilo dos Inválidos da Pátria. Fonte: Mendes (2013, documento on-line). O Asilo dos Inválidos da Pátria era o lugar onde “seriam recolhidos e tratados os soldados na velhice ou os mutilados de guerra” e tinha a função de “ministrar a educação aos órfãos e filhos de militares” (FIGUEIRA, 2008, p. 63). Apesar de a ideia ter viés humanista, o tratamento dentro da instituição era precário no Período Imperial. O asilo permaneceu ativo por 107 anos, sendo desativado em 1976, no governo militar. Deficiência motora2 Figueira (2008) afirma que, apenas no século seguinte, houve uma primeira evolução no trato das pessoas com deficiência no Brasil. Na década de 1940, foram criados hospitais-escolas, como o Hospital de Clínicas, em São Paulo, o que significou a oportunidade de novos estudos e pesquisas no campo da reabilitação. É dessa década, também, o uso do termo “crianças excepcionais”, que significava “[...] aquelas que se desviavam acentuadamente para cima ou para baixo da norma do seu grupo em relação a uma ou várias características mentais, físicas ou sociais” (FIGUEIRA, 2008, p. 94). Essas crianças não podiam frequentar escolas comuns, sendo separadas até a Declaração de Salamanca, em 1994. A inclusão e os direitos da pessoa com deficiência começaram, no Brasil, somente a partir dos anos 1990. A promulgação do Decreto nº. 3.298/99 traz uma nova política nacional para as pessoas com deficiência, abordando temas como trabalho, saúde, lazer e educação. Esse decreto apresenta o conceito de deficiência física ou motora da seguinte forma: Art. 4ª [...] I – deficiência física – alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano acarretando o comprometimento da fun- ção física, apresentado sob forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, he- miparesia, amputação ou ausência do membro, paralisia cerebral, membros com deformidades congênitas ou adquiridas, exceto as deformidades estéticas e que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (BRASIL, 1999, documento on-line). Schirmer et al. (2007) apontam que esse comprometimento pode ocorrer devido à falta de um membro — amputação — ou pela má-formação ou deformação — alterações no sistema nervoso e esquelético. Segundo Costa (1992 apud CAMARGO NETTO; GONZALEZ, 1996), deficiência motora é “[...] toda e qualquer alteração no corpo humano, resultado de um problema ortopédico, neurológico ou de má formação, levando o indivíduo a uma limi- tação ou dificuldade no desenvolvimento de uma tarefa motora”. Diehl (2006, p. 92) conceitua deficiência motora como: [...] algum tipo de comprometimento para a realização dos padrões motores esperados. Essa dificuldade em executar os padrões motores pode acarretar comprometimento ou a não realização de alguns movimentos como: cami- nhar, correr, saltar, manipular coordenadamente objetos e movimentos de estabilização do corpo. 3Deficiência motora Essa dificuldade se refere ao comprometimento do aparelho locomotor — sistema osteoarticular, muscular e nervoso. Brasil (2006, documento on-line) ainda apresenta as causas da deficiência motora como: Pré-natais: como problemas durante a gestação, perinatais, ocasionados por problemas respiratórios na hora do nascimento; Pós-natais: como parada cardíaca, infecção hospitalar, doenças infectocon- tagiosas, traumatismo ocasionado por queda forte; Paralisia cerebral: por prematuridade, anóxia perinatal, desnutrição materna, rubéola, toxoplasmose, trauma de parto, subnutrição; Hemiplegias: por acidente vascular cerebral, aneurisma cerebral, tumor ce- rebral; Lesão medular: por ferimento por arma de fogo, ferimento por arma branca, acidentes de trânsito, mergulho em águas rasas, traumatismos diretos, quedas, processos infecciosos, processos degenerativos e outros; Amputações: causas vasculares, traumas, malformações congênitas, causas metabólicas e outras; Febre reumática: doença grave que pode afetar o coração; Câncer; Miastenias graves (consistem num grave enfraquecimento muscular sem atrofia). Diehl (2006) revela que a principal causa da deficiência motora no Brasil tem cunho social — são as chamadas deficiências adquiridas: [...] acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, devido principalmente à falta de condições adequadas ao trabalho, à negligência dos trabalhadores quanto ao uso de equipamentos de segurança; erros médicos, embora de difícil constatação e comprovação; poliomielite, apesar de as campanhas de vacinação diminuírem sensivelmente este tipo de doença; violência urbana, como tiros e uso de outras armas; desnutrição, quando ocorre na infância ou em períodos de gestação. Tais causas podem conduzir o indivíduo à restrição total ou parcial dos seus movimentos expressivos e funcionais e à necessidade de adaptações específicas para a realização dos mesmos (DIEHL, 2006, p. 92). Esses comprometimentos físicos podem ser leves (cambalear no andar ou uso de muletas) ou mais graves (como o uso de cadeira de rodas), e as defi- ciências motoras ainda podem ser temporárias (permitindo que o indivíduo retorne às suas condições anteriores), recuperáveis (quando permitem melhora após o tratamento ou suplência por outras áreas não atingidas), definitivas (quando não há possibilidade de cura, suplência ou substituição) e compensáveis (com a melhora por substituição de órgãos, como o uso da prótese no caso da amputação) (IINSTITUTO..., 2013). Deficiência motora4 Nesta seção, você conferiu o conceito de deficiência motora, um breve histórico dessa deficiência no Brasil e as causas das lesões físicas. Na sequência, acompanhe asclassificações da deficiência motora. Diferentes graus de deficiência motora A defi ciência motora é classifi cada a partir de seus diferentes graus. Teixeira (2010) aponta que a defi ciência motora pode ser classifi cada em distúrbios neurológicos ou ortopédicos, que são os principais distúrbios constatados no que se refere a essa defi ciência. A seguir, veja as características e as classificações inerentes a cada um desses distúrbios. Distúrbios neurológicos A defi ciência física ou motora por distúrbios neurológicos refere-se a dete- riorações ou lesões no sistema nervoso central, sendo a paralisia cerebral a situação mais corriqueira nesses casos. Segundo Brasil (2006, p. 20), paralisia cerebral é um “[...] termo utilizado para designar um conjunto complexo de distúrbio da motricidade voluntária, isto é, do controle dos movimentos, uma vez que é essa a parte afetada no cérebro”. Ao contrário do que o termo sugere, paralisia cerebral não signifi ca que o cérebro fi cou paralisado; o que acontece é que ele não comanda corretamente os movimentos do corpo, não manda ordens adequadas para os músculos em consequência da lesão sofrida (BRASIL, 2006). Uma criança com paralisia cerebral pode apresentar alterações que variam desde leve descoordenação dos movimentos ou uma maneira diferente para andar até a inabilidade para segurar um objeto, falar ou deglutir (BRASIL, 2006). A paralisia cerebral pode ocorrer durante a gestação, o parto ou até mesmo após o nascimento, ainda no processo de amadurecimento do cérebro da criança. A classificação da paralisia cerebral se dá conforme a qualidade do tônus muscular: Espástica: é a forma mais recorrente, atingindo em torno de 60% das pessoas que têm paralisia cerebral, e seu dano ocorre no córtex motor. A criança espástica apresenta rigidez ou tensão muscular. Isso significa que os movimentos são rígidos, lentos e desajeitados. Essa rigidez tende a aumentar quando a criança vai emitir um comportamento voluntário, 5Deficiência motora quando está aborrecida ou excitada ou, ainda, quando o seu corpo está em determinadas posições (BRASIL, 2006). Atetóide: o tônus da pessoa com atetóide é instável e flutuante, e ela também apresenta movimentos sem coordenação de pequena amplitude quando tenta executar uma ação. A atetóide consiste em movimentos arritmados, concorrentes com movimentos voluntários, de forma que o resultado é a descoordenação global. Os movimentos são lentos e contorcidos ou súbitos e rápidos nos pés, braços, mãos ou músculos faciais (BRASIL, 2006, p. 21): É como se os braços fizessem movimentos nervosos, os pés dessem pequenos saltos, ou apenas uma mão ou um dedo se movessem sem intenção, dificultando pegar e manipular adequadamente os objetos. Quando afetados os músculos da fala, as crianças apresentam dificuldade em comunicar pensamentos e necessidades. Problemas de visão também podem encontrar-se associados ao quadro, dificultando a fixação visual para acompanhar os deslocamentos, bem como a dissociação dos movimentos olho-cabeça. Com a intensificação da fixação da visão, podem vir a se tornarem estrábicas. Atáxica: a paralisia se caracteriza pela diminuição do tônus mus- cular, por movimentos sem coordenação e equilíbrio deficiente. A área cerebral afetada é o cerebelo, e as crianças com essa condição podem ter “dificuldade para sentar-se ou ficar de pé, caindo com frequência e fazendo uso das mãos de maneira muito desajeitada. Geralmente, necessitam de suporte físico para permanecer sentadas, sem cair”(BRASIL, 2006, p. 22). Brasil (2006) aponta que há, ainda, outros tipos de paralisia cerebral que são classificados conforme a qualidade do tônus. Entre esses tipos, estão rigidez (músculos tensos e contraídos durante a movimentação), tremor (acontece na movimentação involuntária), hipotonia muscular (tônus muscular baixo, conhecido como flacidez), dificuldades de fala, distúrbios da visão, da audição e do tato. A deficiência motora por distúrbios neurológicos também pode ser clas- sificada pela distribuição do tônus e segmentos dos corpos afetados, também Deficiência motora6 conhecida como topográfica. Essa classificação é bastante utilizada e, inclusive, enumerada no Decreto nº. 3.298/99 (BRASIL, 1999). Veja, a seguir, como se estrutura essa classificação: Monoplegia: perda total da função motora de um membro (inferior ou posterior); Monoparesia: perda parcial da função motora de um membro (inferior ou posterior); Diplegia: perda total da função motora de partes homólogas nas duas metades do corpo; Diparesia: perda parcial da função motora de partes homólogas nas duas metades do corpo; Triplegia: perda total da função motora de três membros; Triparesia: perda parcial da função motora de três membros; Paraplegia: perda total da função motora dos membros inferiores; Paraparesia: perda parcial da função motora dos membros inferiores; Tetraplegia: perda total da função motora dos membros inferiores e superiores; Tetraparesia: perda parcial da função motora dos membros inferiores e superiores; Hemiplegia: perda total da função motora de um lado do corpo (direito ou esquerdo); Hemiparesia: perda parcial da função motora de um lado do corpo (direito ou esquerdo). Distúrbios ortopédicos Os distúrbios de origem ortopédica referem-se a problemas nos músculos, nos ossos ou nas articulações. Algumas das principais causas desses dis- túrbios são: Amputação: conhecida como ausência de um ou mais membros, po- dendo ser total ou parcial (Figura 2). Problemas vasculares, traumas, má-formação congênita ou causas metabólicas podem ocasionar a am- putação. Geralmente, o membro é amputado por medida de segurança, pois visa preservar a saúde. 7Deficiência motora Figura 2. Amputado praticando exercício físico. Fonte: Futebol (2011, documento on-line). Distrofia muscular: é caracterizada pela perda progressiva da muscula- tura esquelética voluntária, levando à incapacidade pela dificuldade de movimento ou por ausência total do movimento (TEIXEIRA, 2010). A distrofia muscular mais comum e conhecida é a distrofia de Ducchenne, que é o tipo mais severo e também o mais precoce. Seus sintomas apa- recem em torno dos 5 anos de idade e, devido à atrofia dos músculos respiratórios, a estimativa de vida da pessoa que possui essa distrofia é de não alcançar a vida adulta. Confira um pouco mais sobre a distrofia muscular de Ducchenne neste link, que mostra um vídeo com a evolução do quadro de crianças com esse distúrbio ortopédico a partir de uma linha do tempo, que apresenta desde as primeiras dificuldades de locomoção até a incapacidade de movimentação. https://goo.gl/PvdmNe Deficiência motora8 Teixeira (2010) aponta outras distrofias musculares: Becker (mais lenta que a Ducchenne, oferecendo uma maior expectativa de vida), Distal (rara, mas menos deletéria), cintura-membros (inicia na cintura escapular e, depois, envolve a mus- culatura paraespinal) e ocular (começa nos olhos e reduz os movimentos faciais). Nesta seção, você viu os graus de classificação das deficiências motoras, que se dividem em distúrbios neurológicos (com destaque para a paralisia cerebral e os segmentos afetados) e distúrbios ortopédicos (com destaque para a amputação e a distrofia muscular de Ducchenne), e suas características. Na sequência, confira atividades físicas para pessoas com deficiência motora. Atividades físicas para pessoas com deficiência motora Existem diversas atividades físicas que podem ser realizadas para pessoas com defi ciência motora ou física, mas, antes de conhecê-las, é importante discutir possíveis estratégias, na forma de adaptações e cuidados, para lidar com esses alunos. Antes de adotar qualquer estratégia, sempre é importante que o professor procure saber quem é o aluno, qual é seu histórico pessoal, sua deficiência e o quanto ela compromete suas atividades diárias e escolares. No caso da educaçãofísica, também se faz fundamental saber se o discente está tomando algum medicamento e, se sim, quais são seus efeitos para saber qual atividade propor. Assim como outras deficiências, é necessário o uso de material adaptado para as pessoas com deficiências motoras. A utilização de lousas com letras magnéticas, pranchas e material concreto, por exemplo, colabora com o pro- cesso de aprendizagem. Ampudia (2018) aponta que podem ser utilizadas tecnologias assistivas ou aumentativas no dia a dia para que os alunos com deficiência tenham um melhor desenvolvimento. Tecnologia assistiva é o arsenal de recursos e serviços que contribui para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, consequentemente, promover vida independente e inclusão (SCHIRMER, et al., 2007). Como exemplos, temos engrossadores de lápis, tesouras e apoios adaptados. 9Deficiência motora Além disso, o Decreto nº. 3298/99 garante [...] equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente de- senhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência; ele- mentos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência (BRASIL, 1999, documento on-line). Cabe ressaltar que as pessoas com deficiências físicas possuem neces- sidades variadas. Como o aparelho locomotor desses indivíduos apresenta comprometimentos, é fundamental que o professor pense em atividades físicas que busquem a melhora ou a ampliação do repertório motor de seus alunos com deficiência. Paulina (2006) sugere que as aulas de educação física promovam ativi- dades relacionadas a habilidades básicas, como arremessar, pegar objetos e trocar a direção. Também propõe jogos com os quais os alunos possam ter percepção sobre o controle do corpo, como passar por cima ou por baixo de cordas. Quando o comprometimento motor for grave, casos em que o estudante precisa de cuidados para alimentar-se, locomover-se e o uso de aparelhos ou equipamentos médicos, é necessária a presença de um acompanhante no período da aula regular em classe comum. Veja, a seguir, algumas atividades que podem ser realizadas nas aulas de educação física com o objetivo de incluir a pessoa com deficiência motora, trabalhando habilidades motoras manipulativas e locomotoras e de modo que os alunos sem essa deficiência também possam vivenciá-la. Sentindo na pele Número de participantes: livre. Material: dois pares de meias grossas e uma camisa com botões (é importante que os alunos tragam de casa a camisa e as meias). Descrição da atividade: a turma deverá ser dividida em pares. Um integrante de cada par vestirá as meias nas mãos. Após o comando do professor, o aluno deverá vestir a camisa, abotoá-la, desabotoá-la e sentar em frente ao seu par. O professor deve pedir aos alunos que troquem o material e repitam a experiência. É importante que o professor explique aos alunos que eles irão vivenciar a paralisia cerebral ao tentar abotoar uma camisa. Deficiência motora10 Passa dez Número de participantes: livre. Material: coletes coloridos e uma bola. Descrição do jogo: todos os alunos deverão estar sentados na quadra, independentemente de ter, ou não, comprometimento motor. A turma deverá dividir-se em dois grupos, e cada grupo deverá usar coletes de cores diferentes para se distinguir melhor. A delimitação do espaço será de acordo com o número de participantes. O grupo que estiver com a posse de bola deverá tentar realizar 10 passes jogando com as mãos; conseguindo, marcará ponto. Caso a bola caia no chão ou seja interceptada pelo grupo adversário, a contagem será zerada. Vence o grupo que fizer mais pontos. O tempo do jogo será determinado pelo professor. Adaptação: se houver um cadeirante, o grupo adversário deverá ter um participante de sua equipe sentado em uma cadeira. Caso haja mais de um cadeirante, o número de participantes em cadeiras deverá ser aumentado. No decorrer do jogo, todos os alunos deverão ficar pelo menos uma vez sentados na cadeira. Variação: o professor poderá aumentar ou diminuir o espaço do jogo e o número de passes para realizar um ponto (DIEHL, 2006). Figura 3. Atividades lúdicas com pessoas com deficiências motoras. Fonte: G1 (2009, documento on-line). 11Deficiência motora Passa repassa Número de participantes: livre. Material: uma bola de vôlei. Descrição do jogo: os alunos estarão dispersos, sentados em uma quadra de voleibol ou de esporte similar, e dois deles estarão sentados nas pon- tas. Os alunos das pontas iniciarão a troca de passes de bola, enquanto os alunos do centro da quadra tentarão pegá-la sem tirar o quadril do chão. O aluno que conseguir pegar a bola troca de lugar com aquele que a jogou (DIEHL, 2006). Pega ajuda com passes Número de participantes: livre. Material: uma bola. Descrição do jogo: um dos alunos será designado como o pegador, os demais serão os fugitivos e todos deverão estar sentados de forma dispersa pela quadra. Tanto os pegadores quanto os fugitivos não po- derão levantar-se, terão que se locomover sentados. O pegador terá uma bola na mão e tentará arremessá-la nos colegas. Aquele que for atingido pela bola passará a ser o pegador, aumentando o número de caçadores (DIEHL, 2006). Neste capítulo, você viu um pouco da trajetória da deficiência motora no Brasil e seus conceitos. A pessoa com essa deficiência tem comprometi- mento total ou parcial nas funções físicas, e esses comprometimentos podem originar-se por inúmeros fatores. Porém, no Brasil, a maioria dos casos tem relação com questões sociais, como os acidentes de trânsito e de trabalho. Além disso, você viu diferentes classificações da deficiência motora, que pode ser dividida em distúrbios neurológicos (como a paralisia cerebral e em segmentos afetados) e os distúrbios ortopédicos (como a amputação e a distrofia muscular de Ducchenne). Por fim, você conheceu estratégias para que o aluno com deficiência motora tenha um melhor aproveitamento da aula — como o uso de recursos como as tecnologias assistivas e a necessidade de um acompanhante quando o comprometi- mento do discente for mais grave — e atividades adaptadas para esses indivíduos. Deficiência motora12 AMPUDIA, R. O que é Deficiência Física? 07 mar. 2018. Disponível em: <http:// novaescola. org.br/conteudo/269/o-que-e-deficiencia-fisica>. Acesso em: 14 set. 2018. BRASIL. A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais: deficiência física. Brasília, DF: MEC, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/ pdf/deffisica.pdf>. Acesso em: 14 set. 2018. BRASIL. 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