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Fisiopatologia da Reprodução do Macho Patologias da Bolsa Escrotal e Testículos Discente: Caio Nogueira Aspectos Gerais Os testículos situam-se no abdome durante a fase embrionária e, durante a vida extra- uterina na bolsa escrotal. Esses órgãos são glândulas tubulares compostas, ou seja, problemas na bolsa escrotal irão desencadear problemas também no testículo. Além disso, possuem função endócrina e exócrina. a) Função endócrina: Responsável pela produção de hormônios sexuais, como, por exemplo a testosterona produzida pelas células intersticiais ou de leydig. b) Função exócrina: Exercida pelos túbulos seminíferos e corresponde a produção dos gametas masculinos, que são os espermatozóides. Anatomia e Curiosidades DESCIDA DO TESTICULO PARA BOLSA ESCROTAL Bovinos 100 e 105 dias de gestação Suínos 100 a 110 dias de gestação Equinos 1 mês antes do nascimento Cão 10 dias após o nascimento 1) Localização dos testículos • É de fundamental importância para termorregulação testicular, ou seja, é necessário que a temperatura testicular esteja abaixo da temperatura corporal para que o tecido mantenha sua função espermatogênica. Principais Mecanismos Responsáveis pela Termorregulação a) Localização do testículo na bolsa escrotal: é pendulosa e favorece a troca de calor com o ambiente b) Túnica dartos: tem a capacidade de contrair ou relaxar, dificultando ou favorecendo a troca de calor com o ambiente c) Musculo cremáster: aproxima os testículos do abdome no frio e os distancia no calor d) Plexo pampiniforme: favorece a troca de calor entre o sangue arterial (quente) e o sangue venoso (frio) que deixa o testículo !!! Outro fator importante que contribui é a textura da pele, que é mais delgada e rica em glândulas sudoríparas e quase sempre desprovida de pelos !!!! Epitélio Seminífero Os túbulos seminíferos são revestidos internamente por um epitélio estratificado composto por duas categorias de células: sustentação (são as células de sertoli) e espermatogênicas (dividida em espermatogônias, espermatócitos 1º e 2º e espermátides) Qual importância das Células para Reprodução? • Durante o processo de diferenciação, ocorre a perda de células da linhagem germinativa, e a taxa de perda é determinante no rendimento da espermatogênese. Ou seja • Quanto maior a perda das células da linhagem germinativa em diferenciação que ocorre durante a espermatogênese, menor será o rendimento reprodutivo. Como ocorre a perda dessas células durante a espermatogênese? • Ocorre devido a ativação do processo de apoptose comandado pelas células de Sertoli, que tem a capacidade de iniciar a cadeia a cadeia de eventos que culminam na apoptose de células germinativas. Quais fatores podem desencadear alterações testiculares? • Aumento da temperatura testicular, isquemia, criptorquidismo, substâncias tóxicas e até agentes infecciosos Exercem efeitos deletérios sobre o testículo e sobre a espermatogênese, induzindo o au- mento da taxa de apoptose das células germi- nativas As céluas de sertoli fornecem suporte mecânico para as células germinativas e participam de sua nutrição e diferenciação. São responsáveis pela produção de uma proteína chamada AP que mantem a alta concentração de testosterona no túbulo seminífero, condição importante para manutenção da espermatogênese Patologias da Bolsa Escrotal • Destacam-se a Hidrocele, hematocele e a dermatite escrotal Podem conduzir degeneração testicular por compressão ou por aumento da Tº local • Hidrocele e Hematocele é o acúmulo de líquido ou sangue dentro da cavidade da bolsa escrotal. No equino o líquido se acumula na cavidade vaginal, com aumento de volume da bolsa escrotal • A hematocele pode ser decorrente de traumatismo testicular ou secundária a um hemoperitônio. • Diagnóstico: pelos sintomas clínicos, a presença de líquido dentro da bolsa é o principal indicativo que pode ser realizado com palpação ou US • Líquido de cor âmbar (hidrocele) e da cor vermelha (hematocele) • Prognóstico: favorável nos casos recentes, desfavorável nos casos crônicos severos Hérnia inguinal • É uma condição relativamente rara, que atinge a bolsa escrotal, podendo ter origem congênita ou adquirida. É frequente no suíno, podendo ser uni ou bi- lateral • No equino, parece ter origem adquirida, acometendo animais inteiros, sendo ocasionada pelo aumento da pressão abdominal que leva a ruptura da fascia transversa profunda afetando os testículos • Em bovinos e bubalinos o animal é descartado Patologias do Testiculo • Ectopia testicular - É a falha da gônada ao chegar ao escroto, indo localizar-se em outra posição, onde fica permanentemente - Esta anomalia leva a uma degeneração testicular e tem sido descrita no bovino, suíno e canino • Monorquidismo e Anorquidismo - Ausência congênita de um testículo (monorquidismo) ou de ambos (anorquidismo) • Poliorquidismo - Também conhecido como duplicação testicular ou testiculos supranumerários. É de ocorrência rara • Sinorquia - É a fusão de dois testiculos em uma so estrutura, com localização na bolsa escrotal ou no abdomen • Apêndice Testicular - Massa de tecido, oval ou arredondada, que se localiza próximo a cabeça do epidídimo • Tecido Adrenocortical Acessório - Frequentemente visto em equinos entre a cabeça do epidídimo e o testículo, ao longo do cordão espermático, e no mediastino testicular. Criptorquidismo • Ausência de um ou de ambos os testículos da bolsa escrotal devido a interrupção do seu trajeto normal de migração da cavidade abdominal para a bolsa escrotal. • Trata-se de uma alteração de caráter hereditário. Como ocorre a migração? • É orientada por uma estrutura anatômica chamada gubernáculo, que se entende desde os testículos até o peritônio parietal, correspondente a área em que irão se desenvolver o canal inguinal e a bolsa escrotal • A migração é estimulada hormonalmente pela ação da testosterona • Quais fatores podem desencadear uma descida anormal? a) Ausência do desenvolvimento do gubernáculo b) Desenvolvimento anormal do gubernáculo, resultando em alteração de sua posição c) Crescimento excessivo e ausência ou retardo na regressão do gubernáculo !!! O testículo criptórquio é afuncional sob o ponto de vista espermatogênico e, por isso, os animais com criptorquidia bilateral são estéries devido a supressão térmica da espermatogênese !!! Hipoplasia Testicular • Esta relacionada com variadas formas de distúrbios, que interferem diretamente sobre as células germinativas primordiais, como: falha no desenvolvimento das células germinativas no saco ectodérmico germinal; erro na migração das células germinativas durante a vida fetal; falha na proliferação mitótica das células germinativas; quando elas se proliferam normalmente, porém degeneram-se. • Acomete com maior frequência o órgão esquerdo, podendo ser bilateral e é uma alteração de caráter hereditário. • Pode ser dividida em três tipos: a) Grupo I: Os testículos são totalmente hipoplásicos, onde os túbulos seminíferos estão circundando por uma pequena camada de células epiteliais subdesenvolvidas, que se assemelham a células de sertoli, sendo os animais portadores desse tipo estéreis b) Grupo II: Os testículos podem ter ou não diminuição de tamanho, com os túbulos seminíferos apresentando um variado grau de subdesenvolvimento que pode variar entre 50 a 75%, com o restante dos túbulos apresentando variada atividade espermatogenica, com os animais apresentando da sub- fertilidade a esterilidade c) Grupo III: Neste tipo somente um testículo é acometido parcialmente, com a presença de poucos túbulos seminíferos hipoplásicos, sendo os animais portadores em geral férteisSintomas • Testículos com tamanho variando de pequeno a normal, com baixa concentração espermática e os espermatozoides podem ser anormais ou terem baixa congelabilidade Diagnóstico • Histórico • Exame clínico repetidos com espermiograma sucessivo é importante • Diagnóstico diferencial de degeneração testicular, que uma vez retirada a causa em 60 a 90 dias ocorre uma melhora no quadro seminal Degeneração Testicular • A degeneração testicular constitui a principal causa de redução de fertilidade nos machos das espécies de mamíferos domésticos. • A degeneração pode variar de discreta a severa, pode ser unilateral (determinada por causas locais) ou bilateral (determinada por causas gerais ou sistêmicas). Sintomas • O animal apresenta histórico reprodutivo normal, porém repentinamente ocorre uma queda ou perda da fertilidade que pode variar entre sub-fertilidade a esterilidade. Como as causas são múltiplas, apresentando características endógenas ou ambientais, a sua determinação torna-se difícil, uma vez que o quadro seminal é semelhante em todas as causas Diagnóstico • É feito pelo histórico, sintomas clínicos e pelo exame do ejaculado. Se faz necessária a realização de sucessivos espermiogramas para acompanhar a evolução do quadro da enfermidade Tratamento • Deve ser realizado através da identificação da causa e a eliminação da mesma. Uma vez retirada a causa, o quadro seminal volta a sua normalidade entre 3 a 5 meses Profilaxia • Manejo correto do reprodutor, em especial atenção com relação ao estresse ambiental. Alimentação adequada e profilaxia das principais enfermidades infecto-contagiosas Aspecto macro • Testículos com consistência flácida • Tamanho normal ou discretamente diminuídos de volume • Coloração pálida Em etapas avançadas... • Diminuição do volume • Consistência firme a palpação • Resistente ao corte devido ao aumento do quantitativo intersticial • Em alguns casos, pode ocorrer a mineralização dos túbulos seminíferos Aspecto Micro • Degeneração das espermátides • Baixa espermiogênese • Células gigantes multinucleadas • Espermatogonias com o citoplasma vacuolizado e com o núcleo picnótico • Alguns túbulos mostram ausência total do epitélio seminífero, membrana basal espessa e hialinizada !!! A degeneração ocorre rapidamente, ao passo que a regeneração, quando surge, faz-se lentamente após a retirada da causa. A reversão do quadro é possível em certos casos, quando a causa é removida, devido a resistência das espermatogonias-tronco, das células de sertoli e das de Leydig !!! Causas a) Temperatura Elevada • Qualquer processo que determine a elevação da temperatura testicular provoca a degeneração, como, por exemplo: - Dermatite escrotal - Excesso de gordura escrotal - Edema - Hidrocele - Periorquite b) Infecções ou traumas • A orquite de origem infecciosa ou traumática pode progredir para a degeneração testicular permanente com hipotrofia do órgão • Quando as alterações se tornam crônicas, podem ocorrer degeneração testicular, atrofia e fibrose • A epidermite de origem bacteriana, mesmo não acompanhada de orquite, pode causar degeneração testicular, especialmente em ovinos Abaixo está como ocorre o processo de inflamação Testículos aumentam de volume devido ao edema que acompanha as reações inflamatórias associado a orquite Aumento da temperatura associada a congestão e alterações circulatórias Isquemia Restrição física da túnica albugínea, associado ao edema Aumento de pressão Danos ao tecido c) Nutrição • Deficiências de vitamina A, fósforo e proteínas, bem como a subnutrição são fatores capazes de desencadear degeneração testicular. d) Lesões vasculares • Torção ou compressão do cordão espermático • Obstrução embólica da artéria espermática • Inflamações da artéria e da veia espermática e) Obstrução da Cabeça do epidídimo • O trânsito espermático no epidídimo pode estar interrompido em decorrência de estenose dos ductos eferentes, condição que leva a degeneração. f) Auto-imunidade • As células da linhagem germinativa mais diferenciadas são antigenicamente estranhas ao organismo, sendo protegidas da produção de auto-anticorpo pela barreira hematocefalica, ou seja, quando há o rompimento da barreira, pode ocorrer degeneração do epitélio seminífero. g) Agentes químicos, físicos e tóxicos • EDTA • Tetraminas • Naftalenos clorados • Anfotericina • Gossipol • Raios infravermelhos e radiações ionizantes h) Fatores hormonais • A espermatogênese e a esteroidogênese são controladas pelas gonadotropinas hipofisárias e, portanto, o desequilíbrio desses hormônios pode provocar DT. • Esse tipo de alteração pode ocorrer no caso de administração de esteroides anabolizantes i) Alterações inflamatórias • As inflamações testiculares mais significativas são de origem bacteriana, principalmente aquelas causadas pela brucelose nos bovinos, suínos e caprinos Orquites • É caracterizada como inflamação de um ou ambos os testículos e das suas estruturas adjacentes. Pode ser aguda ou crônica • Em geral, tem origem traumática, parasitaria e infecciosa, vindo acompanhada de rubor, tumor, calor e dor. Ocorrem principalmente nos casos de brucelose e tuberculose • Em bovinos a causa mais comum é a infecção por brucella abortus, que geralmente provoca uma reação aguda e irreversível Orquite aguda • Espessamento da bolsa escrotal • Tumefação (sinal de godet) • Aumento do tamanho do testículo e da temperatura local • Dor e alteração no estado geral do animal Orquite Crônica • Testículo diminui de volume, fica firme e irreversível a pressão • Quadro seminal completamente alterado, com grande número de espermatozoides anormais, além da presença de células inflamatórias e gigantes • À medida que o processo evolui, se instala uma orquite intra-tubular, que evolui para uma intensa alteração inflamatória que se dissemina pela gônada Diagnóstico • Baseado nos sintomas clínicos. Faz-se necessário a diferenciação das causas traumáticas das infecciosas Prognóstico • É bom nos casos leves, porém reservado a mau nos casos graves e ocasionados por agentes infecciosas Tratamento • Aplicação de gelo nos casos agudos, enquanto nos casos crônicos o uso de pomadas anti-inflamatórias. No caso de processos inflamatórios causado por bactéria a utilização de atb é recomendada. Aspecto Macro • Presença de exsudato fibrino-purulento junto a túnica albugínea • Bolsa testicular aumentada de volume, edemaciada e hiperemica • Ao corte observa-se exsudato purulento ou hemorragia junto a túnica vaginal e a albugínea • Testículos aumentam de volume, ficam flácidos e, no parênquima, áreas de hemorragia e necrose de coagulação podem ser observadas. Aspecto Micro • Necrose de caseificação envolvida por macrófagos, linfócitos e cápsula conjuntiva j) Neoplasias testiculares • Os tumores testiculares são derivados de elementos testiculares especializados: células intersticiais ou de leydig ou leydigocitoma; células de sertoli ou sertolioma; células seminais ou seminoma • Na maioria dos casos de tumores, a espermatogênese é comprometida somente no testículo que apresenta a neoplasia; o testículo contralateral mantem a atividade gametogênica. Leydigocitoma • Pode ocorrer em touros e a raça Guernsey parece ser a mais susceptível • Pode ser uni- ou bilateral, múltiplo ou solitário, somente em casos especiais há o aumento do órgão. Aspecto Macro • Discretamente encapsulado, amarelado, bastante vascularizado, mostrando com frequência áreas de hemorragia e sendo pouco consistente a palpação Aspecto Micro • Célulasarredondadas com citoplasma granuloso, às vezes com pigmento pardo e com vacúolos, vascularização intensa e as vezes hemorragia focal, e também áreas de necrose que envolvem massa neoplásica. Sertolioma • Desenvolve-se com muita frequência em testículos criptórquios e produz aumento de volume do órgão Aspecto Macro • Formações nodulares grandes que são envolvidas por espessa capsula conjuntiva de consistência firme, coloração esbranquiçada ou acizentada, e superfície de corte de aspecto lobular Aspecto Micro • Abundante estroma conjuntivo, células alongadas em forma de feixes perpendiculares a membrana basal, citoplasma alongado e acidofilico, e núcleo também alongado, basal e hipercromático k) Dermatites • Em geral, processos cutâneos da bolsa escrotal levam a instalação de um quadro inflamatório, com aumento de temperatura e por conseguinte degeneração testicular • No bovino a dermatite causada pelo fungo Dermatophilus congolenis, ou por sarnas dos gêneros Chorioptes e Sarcoptes, ácaros como o Boophilus micropholus ou a lesão cutânea pela mosca Dermatopia hominis, são frequentemente encontradas • No bubalino, além das mesmas sarnas, o ácaro Haematopinus tuberculatus, são agentes mais comuns !!! Importante !!! Como diferenciar hipoplasia de uma degeneração testicular? Hipoplasia é um processo genético, sem reversão, já a degeneração é um processo adquirido, logo, se retirada a causa o animal pode voltar ao estado normal se o quadro for de leve a moderado!!! Linha preta: concentração Linha verde: motilidade Linha vermelha e azul: patologias Descrição quadro 1: No primeiro gráfico a concentração e motilidade estão altas → animal é submetido ao estresse → diminuição da concentração e motilidade e aumento da patologia → causa é retirada → diminuição da patologia e aumento da concentração e motilidade caracterizando degeneração Descrição quadro 2 abaixo a esquerda: As linhas de patologia já iniciam alta e de motilidade e concentração menores que o normal, além disso, mesmo quando a causa é retirada quase não há alteração nas linhas, caracterizando hipoplasia. Descrição quadro 3 abaixo a direita: concentração baixa, baixa motilidade, patologias intermediarias, submetendo o animal ao estresse e retirando o estresse, continua do mesmo jeito, caracterizando criptorquidismo unilateral Fibrose do testículo • É a consequência final dos processos degenerativos que acometem o testículo, podendo ser localizada e generalizada Etiologia • Qualquer processo que se instale no testículo, e que leve a uma lesão no epitélio seminífero, tais como degeneração testicular crônica, orquites ou processos degenerativos Sintomas • Principal sintoma é a firmeza do testículo quando palpado • O exame seminal mostra nos casos avançados diminuição do volume e da concentração dos espermatozoides, além da presença de anomalias espermáticas Diagnóstico • Pelos achados clínicos. A palpação dos testículos revela o quadro existente gônada atingida Prognóstico • Mau • Não existe tratamento