Prévia do material em texto
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI Robson Braga de Andrade - Presidente DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - DIRET Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti - Diretor de Educação e Tecnologia SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI Conselho Nacional Paulo Afonso Ferreira - Presidente SENAI – Departamento Nacional Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti - Diretor Geral Gustavo Leal Sales Filho - Diretor de Operações Sérgio Moreira - Diretor Adjunto Felipe Esteves Pinto Morgado - Gerente Executivo da Unidade de Educação Deusa Carvalho Ramos - Gerente de Educação Profissional e Tecnológica Sinara Sant’Anna Celistre - Gestora do Programa SENAI de Coordenação Pedagógica e Desenvolvimento Docente Nathália Falcão Mendes - Analista do Programa SENAI de Coordenação Pedagógica e Desenvolvimento Docente SENAI/ SC – JARAGUÁ DO SUL Jefferson Galdino - Gerente Executivo da Regional Vale do Itapocu Morgana Machado Tezza - Coordenadora da Educação a Distância E-book Diálogos e Práticas da Educação Profissional. Proibida a reprodução comercial sem autorização. (Inciso 1 do Artigo 29 Lei 9.610/98). É permitida a utilização parcial ou total deste material para fins não comerciais, desde que citadas as fontes. Essa publicação foi editorada em parceria com o SENAI/SC – Jaraguá do Sul com a coordenação do SENAI/DN EDITORA CHEFE Morgana Machado Tezza - SENAI/SC – Jaraguá do Sul CONSELHO EDITORIAL 2019 Morgana Machado Tezza - SENAI/SC – Jaraguá do Sul Nathália Mendes - SENAI Departamento Nacional Sinara Sant’ Anna Celistre – SENAI Departamento Nacional AVALIADORES DA EDIÇÃO 01/2019 Aírton Júlio Reiter – SENAI/SC – Jaraguá do Sul DESIGNERS GRÁFICOS Patricia Marcilio – SENAI/SC – Jaraguá do Sul WEB DESIGNER Felipe Moises da Silva Hintz - SENAI/SC – Jaraguá do Sul REVISORES DA EDIÇÃO 01/2019 Aírton Júlio Reiter – SENAI/SC – Jaraguá do Sul Patrícia Correa Ciciliano – CRB-14/752 Bibliotecária – Ficha Catalográfica FICHA CATALOGRÁFICA FICHA CATALOGRÁFICA __________________________________________________________________ S491d Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Diálogos e práticas da educação profissional / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Santa Catarina. -- Brasília : SENAI/DN, 2019. 91 p. : il. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-505-0337-0 1. Educação. 2. Ensino profissional – Teoria e prática. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Santa Catarina II. Título III. Série. CDU: 377 _____________________________________________________________________________ SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Departamento Nacional Sede Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br ABERTURA O e-book Diálogos e Práticas da Educação Profissional é uma iniciativa do Programa SENAI de Coordenação Pedagógica e Desenvolvimento Docente - PSCD que visa incentivar a produção intelectual e divulgar projetos desenvolvidos no campo da educação profissional. A primeira edição do e-book conta com dez produções, entre artigos, relatos e cases, os quais foram elaborados por 23 autores de sete Departamentos Regionais e do Departamento Nacional. Essa publicação ratifica o compromisso do SENAI, com seus colaboradores e com a socie- dade, de promover a contínua construção e socialização de conhecimentos e experiências relacionados às suas áreas de atuação Os assuntos aqui apresentados suscitarão reflexões sobre a relevância da educação profissional para o fortalecimento da indústria brasileira e para o desenvolvimento social e, certamente, servirão de inspiração para que docentes, coordenadores pedagógicos e demais colaboradores do SENAI de todo Brasil revisitem suas práticas e sintam-se ins- tigados a contribuir cada vez mais para a valorização da educação profissional no País. Uma ótima leitura! 7 Cenários da Educação Profissional Reflexões Pedagógicas Espaço de Interação 1. A educAção é A mAior ferrAmentA de quAlidAde pArA o crescimento – A indisciplinA pode influenciAr negAtivAmente nAs relAções dos indivíduos e, principAlmente nAs relAções profissionAis, comprometendo o desempenho coletivo e o progresso do pAís.................................................................10 Autores: Antônio cArlos BAcelAr; mAriA sAndrA BAcelAr. 2. sAep: divulgAção, compreensão e uso dos resultAdos....................................................................19 AutorA: glecivAn BArBosA rodrigues 3. quem são e o que AnseiAm os nossos Alunos?..................................................................................32 AutorA: nAtháliA fAlcão mendes 1. A importânciA do AcompAnhAmento pedAgógico pArA A ApropriAção dA metodologiA senAi de educAção profissionAl. (dr-es).........................................................................................37 Autores: luciAnA de AlmeidA soAres; mAriAnA fonsecA de mendonçA gomes; rogériA riBeiro. 2. tecnologiA interAtivA com uso de reAlidAde AumentAdA pArA cursos técnicos: estudo de cAso no senAi tuBArão....................................................................................................................................48 Autores: cAirA de ABreu de souzA; mAuro lorençAtto. 3.estudo soBre As interAções pedAgógicAs entre professores de químicA e intérprete de liBrAs em umA escolA de ensino profissionAlizAnte de tumBiArA (go)........................................................59 Autores: rogério pAcheco rodrigues; fernAndA AdAms; JAliAne dos sAntos; JéssycA eugênio. CENÁRIOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL REFLEXÕES PEDAGÓGICAS 1. proJeto de trABAlho - Autoconhecimento, interAção e trAnsformAção.................................67 Autores: Andrey de oliveirA; clAudemir oldoni; monicA prior; sinArA celistre; vAlério piAnA. 2.fáBricA de mAssinhAs de modelAr. dr – BA..................................................................................73 AutorA: lucivâniA silvA cArneiro cintrA; fABiAne dA silvA de sousA. 3.proJeto circuito sis - cAnteiro centrAl ecológico e iluminAção púBlicA (vilhenA-ro)..........................................................................................................................................75 Autor: gutemBerg torquAto dos sAntos. 4.AplicABilidAde dA tABelA J2: umA inovAção no cálculo dA rAiz quAdrAdA e de progrAmAções BináriAs....................................................................................................................................................77 Autores: osmAny mirAndA teixeirA; JúliA pAniAgo teixeirA. ESPAÇO DE INTERAÇÃO 1010 SEÇÃO 1.1 EDUCAÇÃO É A MAIOR FERRAMENTA DE QUALIDADE PARA O CRESCIMENTO A indisciplina pode influenciar negativamente nas relações dos indivíduos e, principalmente, nas relações profissionais, comprometendo o desempenho coletivo e o progresso do país É notório que a falta de qualidade do ensino no Brasil afeta o desenvolvimento do país, especialmente no que se refere à produtividade, ou seja, a capacidade de se produzir mais e melhor com o mesmo número de trabalhadores. Quanto mais qualificados forem os trabalhadores, mais o conjunto da sociedade ganha em desenvolvimento e geração de riquezas. Para além das questões econômicas, um dos problemas cruciais do Brasil hoje, reconhecido por especialistas, é a educação. Embora tenhamos conseguido aumentar a 11 escolaridade nas últimas duas décadas, claramente não se avançou na qualidade do ensino. Ao contrário, os indicadores só pioraram. Soma-se a issoum cres- cente e preocupante desinteresse de crianças e jovens pela escola. Este artigo, resumo de estudo teórico-prático feito pelos autores, traz uma reflexão sobre a indisciplina escolar e sua relação com o saber na educação contemporânea, que veem sendo vivenciada por alunos e professores. ESTUDO DE CAMPO Na pesquisa sobre ensino-aprendizagem realizada em 34 países pela Organiza- ção para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ficou em primeiro lugar em categorias não privi- legiadas, como indisciplina e mau com- portamento dos alunos, além do tempo perdido para o professor organizar sua classe. A média dos países da pesquisa é de 31%, mas, em nações como Dinamarca e Japão, o percentual não passa de 20%. Esta sondagem da OCDE aponta o Brasil como sendo o país que mais perde tempo em sala de aula contendo a indisciplina dos alunos. Além da conversa paralela e das brinca deiras em sala, os educadores têm que disputar a atenção dos alunos com dispositivos eletrônicos como smar- tphones, tablets e jogos. Ou seja, nesses casos, a tecnologia cria uma bagunça codificada e silenciosa. Ainda de acordo com a pesquisa, o Brasil está em segundo lugar no quesito van- dalismo e roubo, com 11,8% dos relatos dos professores, atrás do México, líder com 13,2%, e à frente da Malásia, que tem 10,8%. No que compete a ferimentos em brigas entre alunos, o maior índice é o do México (10,8%), seguido por Chipre e Finlândia. O Brasil é o quarto, com 6,7%. E no uso de algum tipo de droga ou álcool, a pesquisa apresenta o Brasil com o mais alto índice, 6,9%, seguido do Canadá, que tem 6%. Conclusão: a desordem por parte dos alunos nas sa- las brasileiras influencia diretamente na qualidade do ensino. A pergunta que se faz é: por que os alunos não dão a devida atenção às aulas, enquanto ou- tros fingem que aprendem e outros têm postura inadequada dentro da escola? Será que a indisciplina ocorre quando os alunos acham a escola e o que ela ensina desinteressantes? No nosso ponto de vista, o problema não é a indisciplina, esse é apenas um indicador. A questão é o sentido da relação dos alunos com a escola e o nível de comprometimento com o saber. CENÁRIO DA EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA Assistimos e escutamos com frequência sobre os avanços científicos e tecnológi- cos e seu impacto na dinâmica escolar. As discussões sobre esses avanços to- mam conta de debates e programas de formação e capacitação de professores, buscando respostas rápidas que possam diminuir a lacuna que vem rondando a educação. Na verdade, a escola, assim como a família, o Estado e diversos se- tores, encontra-se diante de um cenário 12 diferente - o que acarreta em algumas ques- tões como a indisciplina escolar. De acordo com Sibilia (2008, p. 15), as últimas décadas nos permitiram perceber uma mudança significativa na sociedade ocidental, que vem atingindo diversos âmbitos para além das mídias e avanços tecnológicos. Ela ressalta que, nesse mo- vimento, “transforma-se os tipos de cor- pos que são produzidos no dia a dia, bem como as formas de ser e estar no mundo, que são compatíveis com cada um desses universos”. Conforme nos aponta o sociólogo Touraine (1998, apud LENY, 2005, p. 17), uma edu- cação centrada na cultura e nos valores da sociedade que educa cede lugar a uma educação que concede importância cen- tral à diversidade (histórica e cultural) e ao reconhecimento do outro, a começar pela comunicação entre rapazes e moças ou entre jovens de idades diferentes, para estender-se a todas as formas de comuni- cação intercultural. A educação contemporânea lida direta- mente com a diversidade de pessoas, teo- rias e vivências práticas, o que requer uma ação criativa para gerenciar novas formas de pensar a relação professor-aluno-es- cola. Ao chegar no ambiente escolar, os alunos trazem uma bagagem de diferentes experiências vivenciadas em seu cotidiano familiar, social e até mesmo profissional, além da realidade cultural na qual está inserido. Assim, o gênero, a raça, o fato de serem filhos de trabalhadores desqua- lificados, grande parte deles com pouca escolaridade, entre outros aspectos, são dimensões que vão interferir na produção de cada indivíduo como sujeito social, in- dependentemente da ação de cada um (SILVA, 2005, p.2). INDISCIPLINA ESCOLAR No início de 2015, foi divulgado o resultado da pesquisa da OCDE que aponta o Brasil como o país que mais perde tempo em sala de aula para conter a indisciplina dos alunos. A pesquisa colheu dados em países como Finlândia, Suécia, República Tcheca, Malásia, Holanda, Estados Unidos, México, Estônia, França, Canadá e Chipre. Os resul- tados indicaram números alarmantes sobre o uso do tempo em sala de aula no Brasil. Gráfico 1: Uso tempo na sala de aula Fonte Adaptado de OCDE (2015) 13 As escolas do passado seguiam um sis- tema tradicional, exigindo dos alunos um comportamento quase militar. Quando ocorriam atitudes de indisciplina, os cas- tigos, muitos deles físicos, eram apli- cados. Porém, muita coisa mudou nos últimos 30 anos, e hoje a escola não adota mais essa postura. Todavia, a indisciplina e a agressividade constituem um desa- fio para os docentes e representam um dos principais obstáculos ao trabalho pedagógico. Podemos observar que ainda não existe um modelo educacional que integralize todas as necessidades, pois, em uma sala de aula, há pensamentos convergentes e divergentes devido às diferenças cul- turais e comportamentais. Para o Brasil, acreditamos que o modelo do Japão, Finlândia e Singapura poderia ser implantado ao nosso sistema, mas faz-se necessário começar da base, des- de o ensino fundamental até a formação profissional, técnica e universitária. Para isso, é necessário envolver diretamente atores importantes, como família, alu- no, Estado, escolas e educadores, em prol dessa mudança e da elevação dos níveis educacional, comportamental e de comprometimento com o saber. Sem essas figuras envolvidas desde a base, acreditamos que nem escolas técnicas nem universidades conseguirão, na sua totalidade, redirecionar o caráter e a disciplina desviados para um compor- tamento socioprofissional, de cidadania e ética - o qual já foi formado com desvios comportamentais. Gráfico 2: Motivo da indisciplina na sala de aula Fonte: Os autores A pesquisa mostra que 41% dos alunos entrevistados atribuem a eles mesmos a causa da indisciplina. A falta de modos, discernimento e princípios e a existência de valores já corrompidos interferem na harmonia do ambiente, provocando o desrespeito aos seus professores e co- legas da classe. Ou seja, eles se deixam levar pelos outros, passando por cima das regras e limites. Segundo o resulta- do da pesquisa, 38% dos entrevistados atribuem à família e ao lar a causa da 14 falta de disciplina, enquanto 5% apontam a própria escola como causa do problema. Este é um dado interessante, pois é neces- sário que a instituição de ensino melhore continuamente. Mas ela não pode consumir toda energia para se reinventar em função dos comportamentos dos alunos. Por não se importar com a educação e não promovê-la melhor, o governo é apontado como causa da indisciplina por 6% dos entrevistados, enquanto 2% atribuem à metodologia de ensino e 1% à tecnologia como causas do problema. A pesquisa mostra que 41% dos alunos entrevistados atribuem a eles mesmos a causa da indisciplina. A falta de modos, discernimento e princípios e a existência de valores já corrompidos interferem na harmonia do ambiente, provocando o des- respeito aos seus professores e colegas da classe. Ou seja, eles se deixam levar pelos outros, passando por cima das regras e limi- tes. Segundo o resultado da pesquisa, 38% dos entrevistadosatribuem à família e ao lar a causa da falta de disciplina, enquanto 5% apontam a própria escola como causa do problema. Este é um dado interessante, pois é necessário que a instituição de ensino melhore continuamente. Mas ela não pode consumir toda energia para se reinventar em função dos comportamentos dos alu- nos. Por não se importar com a educação e não promovê-la melhor, o governo é apon- tado como causa da indisciplina por 6% dos entrevistados, enquanto 2% atribuem à metodologia de ensino e 1% à tecnologia como causas do problema. MUNDO DO TRABALHO O mercado de trabalho procura por pessoas que tenham comportamento disciplinar, comprometimento e eficiência para que as atividades sejam realizadas sempre de forma correta, eliminando-se erros, esfor- ços e custos desnecessários. Os educadores têm enfrentado grandes desafios em relação à indisciplina em sala de aula, tanto na escola pública como na particular. É importante que todos os en- volvidos busquem caminhos que os levem a um futuro promissor, capacitando os jovens e adultos a se tornarem cidadãos aptos ao trabalho, sendo críticos e pensantes. Nesse mundo digital, as mudanças acontecem com rapidez espantosa. Metas e prazos pressionam, cada vez mais, empresas e profissionais por melhores resultados em menor tempo. O mundo real do trabalho não é mais como outrora, em que bastava obter um diploma, esperar por uma boa proposta de empre- go, trabalhar por uns 35 anos na mesma empresa e se aposentar. Essa condição não existe mais. Ainda é possível ascender profissionalmen- te, via ética e valores, mas é fundamental investir constantemente nos estudos e na capacitação para manter-se atualizado e dinâmico, sendo capaz de entender as mudanças comportamentais e tecnológi- cas que surgem na velocidade da luz no mercado de trabalho. Quanto mais o profissional for preparado, com larga experiência e um leque de co- nhecimento junto à formação concebida, 15 mais apto estará para enfrentar desafios e compreender não só as situações do seu ambiente profissional como também outros fatores que o cercam, como tec- nologia, sistemas empresariais, assuntos ambientais, políticos, econômicos, so- ciais e culturais. PAPEL DO PROFESSOR Infelizmente, a indisciplina tornou-se um “obstáculo” ao trabalho peda- gógico e aos professores, que ficam desgastados quando tentam resolvê-lo. Entretanto, para que os docentes tenham êxito em sua atividade, são necessárias habilida- des capazes de aprimorar as ações pe- dagógicas, como empatia, solidariedade, humildade, conhecimento científico e técnico, boa comunicação, relaciona- mento interpessoal e liderança. O novo papel do professor é muito mais abran- gente do que já foi em toda a história da educação. Para desempenhá-lo, é preciso ampliar a visão de mundo. Não lhe basta conhecer o conteúdo disciplinar, mas todo o contexto no qual está inserido. O professor precisa ter uma visão globa- lizada, contextualizada e sistematizada do mundo e deve trabalhar em sala de aula para a compre- ensão e respeito à diversidade sociocultural, presente na heterogeneidade das classes. Em sín- tese, no universo educacional, deve-se repensar disciplina e indisciplina escolar, já que as rápidas transformações afetam diretamente a escola e todos os que ali estão inseridos. No Quadro 1, mostramos exemplos de programação de aula que, no decorrer das observações, apresentaram efeitos positivos. O aluno desmotivado poderá trazer várias complicações para o ambiente escolar. A indisciplina não vem só do aluno travesso, mas daquele que fica quieto, “apagado”, “desligado”, “está- tico”, “inerte”, sem interação nenhuma com o ambiente pedagógico colabora- tivo. Portanto, é fundamental compre- ender a importância da utilização das tecnologias de informação a serviço da educação e como aporte para mudanças nas práticas de ensino. Enfim, educação não é tarefa exclusiva do professor, e a escola não é o único espaço físico para aprender. Toda a sociedade deve voltar-se para a educação, pro- porcionando os mais diversos espaços físicos para o alcance do ensino-apren- dizagem. Ensinar é muito mais do que transmitir conteúdo. Requer afetividade entre professor e aluno, sempre na busca de soluções para se superar as dificul- dades da aprendizagem deste. Requer também uma dose de paixão e amor do professor pelo ensino, e do aluno pelo conhecimento. 16 Quadro 1: Proposta de programação e cronograma de aula Proposta de programação e cronograma de aula 1. Abordar assuntos inerentes à unidade curricular, que acrescentem valor ao ensino-aprendizagem; 2. Mesclar com exercícios nos intervalos dos assuntos; 3. Relacionar os assuntos e exercícios com o cotidiano pessoal e profissional das pessoas (fazer paralelo da teoria com o mundo do trabalho), compre ensão sistematizada; 4. Utilizar os elementos do ambiente (móveis, acessórios e dispositivos), plantas operacio- nais e laboratórios para melhor fixar o conhecimento em prol do ensino-aprendizagem; 5. Usar vídeos que demonstrem de maneira clara e objetiva o funcionamento de deter- minada área do conhecimento e/ou de empresas e processos nas seguintes esferas: estratégica, tático, operacional e sistema financeiro. Realizar resenha crítica/resumo em equipe e discussão em geral para elevar o nível do intercâmbio de conhecimento entre alunos e professor; 6. Incluir ludicidade e jogos (analógicos e digitais) na aula para fixar o conhecimento, de maneira pontual e responsiva, sem perder tempo, pois a vida real é “dura e dinâmica” e exige pressa e foco; 7. Promover visitas técnicas nas plantas e laboratórios operacionais, interno e externo, quando houver possibilidade. O especialista da área deve apresen- tar todo fluxo e cenário daquele local e o professor, relacionar as fases de processos com a área de formação da turma. Em seguida, elaborar relatório técnico em equipe e programar um workshop para discutir todo panorama; 8. Inserir nas aulas estudo de caso, situação de aprendizagem, objeto de aprendizagem, artigos e textos. Em seguida, apresentar solução, ponto de vista técnico e crítico, res- ponder perguntas e/ou elaborar uma resenha sobre o que entendeu. Tarefa em equipe ou individual; 9. Realizar testes e provas para conferir o aprendizado, para que seja avaliado pelo professor o desempenho quantitativo e qualitativo individual de cada aluno; 10. Realizar atividades pontuais; 11. Acompanhar a matriz curricular da disciplina (na íntegra) junto com a turma durante a aula e fazer interface da mesma com outras áreas que compõem o curso; 12. Convidar especialistas para fazer palestras em função do assunto abordado, bem como preparar os alunos para também palestrar em outras turmas; 13. Praticar leitura em sala, professor versus alunos. Fonte:Os Autores REFERÊNCIAS Disponível em: http://educacao.faber-castell.com.br/professores/na- sala-de-aula/912-2/. Acesso em 02 de maio de 2018. http://mineiros.com/a-indisciplina-e-o-prejuizo- educacional-no-brasil/. Acesso em 02 de maio de 2018. http://professoremsala.com.br/professor-saiba-lidar- com-a-indisciplina-em-sala-de-aula/. Acesso em 02 de maio de 2018. http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/educacao- jovens-e-adultos-precisa-de-estrutura-e-material- diferenciado/n1237591164897.html. Acesso em 02 de maio de 2018. http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/educacao- jovens-e-adultos-precisa-de-estrutura-e-material- diferenciado/n1237591164897.html. Acesso em 02 de maio de 2018. http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/a- importancia-do-estudo-na-vida-das-pessoas/106496/. Acesso em 02 de maio de 2018. http://www.editoracontexto.com.br/blog/indisciplina-na- escola-saiba-como-lidar-com-esse-problema/. Acesso em 02 de maio de 2018. http://www.pedagogia.com.br/artigos/o_perfil_do_ professor/index.php?pagina=4. Acesso em 02 de maiode 2018. 17 http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo. asp?artigo=2069. Acesso em 02 de maio de 2018. http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo. asp?artigo=733. Acesso em 02 de maio de 2018. https://blog.wpensar.com.br/gestao-escolar/como- ajudar-o-professor-a-lidar-com-uma-turma-muito- agitada/. Acesso em 02 de maio de 2018. https://blog.wpensar.com.br/gestao-escolar/como- ajudar-o-professor-a-lidar-com-uma-turma-muito- agitada. Acesso em 02 de maio de 2018. https://brainly.com.br/tarefa/8544657. Acesso em 02 de maio de 2018. https://conceitos.com/indisciplina/. Acesso em 02 de maio de 2018. https://estantemagica.com.br/bsi/blog/acalmar-uma- turma-agitada/. Acesso em 02 de maio de 2018. https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1920/planejar- ajuda-a-combater-dificuldade-no-aprendizado. Acesso em 04 de junho de 2018. https://gestaoescolar.org.br/conteudo/695/ estrategias-para-vencer-a-indisciplina. Acesso em 04 de junho de 2018. https://monografias.brasilescola.uol.com.br/ educacao/autoestima-aprendizagem-educacao- jovens.htm. Acesso em 04 de junho de 2018. https://monografias.brasilescola.uol.com.br/ educacao/indisciplina-escolar.htm. Acesso em 04 de junho de 2018. https://monografias.brasilescola.uol.com.br/ educacao/indisciplina-escolar.htm. Acesso em 04 de junho de 2018. https://monografias.brasilescola.uol.com.br/ educacao/indisciplina-agressividade-prevencao- intervencao-no-.htm. Acesso em 04 de junho de 2018. https://novaescola.org.br/conteudo/1498/como-se- resolve-a-indisciplina. Acesso em 04 de junho de 2018. https://oglobo.globo.com/sociedade/campeao- de-indisciplina-15474472. Acesso em 04 de junho de 2018. https://pt.wikihow.com/Controlar-a-Sala-de-Aula. Acesso em 04 de junho de 2018. https://pt.wikihow. com/Manter-a-Disciplina-em-Sala-de-Aula. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.gazetadopovo.com.br/ educacao/a-indisciplina-deles-de-cada-dia- 0mbses0e8pidenydc7njmhwzy. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/ musica-pode-auxiliar-professores-em-sala-de-aula- 6wivgjq8ya38xm91bn2ny2sie. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/ professores-e-os-desafios-dentro-da-sala-de-aula- bsmeehc611tmnmdyxmr5jrjny. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.lendo.org/como-lidar-indisciplina- escolar. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.lendo.org/como-lidar-indisciplina- escolar/. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.lendo.org/como-lidar-indisciplina- escolar/. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.otempo.com.br/interessa/brasil- %C3%A9-campe%C3%A3o-no-quesito-indisciplina- em-sala-de-aula-1.1002486. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/ artigos/esporte/indisciplina-na-sala-de-aula/50240. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/ artigos/idiomas/a-indisciplina-na-sala-de-aula/3730. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/ artigos/idiomas/a-indisciplina-na-sala-de-aula/3730. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.segs.com.br/educacao/93569-4-dicas- para-lidar-com-uma-sala-agitada. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.somospar.com.br/maiores-desafios-do- professor/. Acesso em 04 de junho de 2018. https://www.suapesquisa.com/educacaoesportes/ indisciplina.htm. Acesso em 02 de julho de 2018. https://www.terra.com.br/noticias/educacao/eja- enfrenta-desafios-de-ensinar-para-todas-as-idade s,4e5fea640bb26410VgnVCM5000009ccceb0aRC RD. html. Acesso em 02 de julho de 2018. http://noticias.universia.com.br/destaque/ noticia/2016/10/24/1144860/ conheca-4-paises- melhores-sistemas-educacionais.html. Acesso em 02 de julho de 2018. http://g1.globo.com/educacao/noticia/2011/05/ escolas-abandonam-giz-e-investem-em-lousas- digitais.html. Acesso em 02 de julho de 2018. http://educacaodeficiente.blogspot.com/2011/07/ dilema-de-mestre-atencao-do-aluno-dura.html. Acesso em 02 de julho de 2018. http://redeglobo.globo.com/globoeducacao/ noticia/2012/01/adultos-superam-dificuldades-e- realizam-sonho-de-voltar-estudar.html. Acesso em 02 de julho de 2018. 18 Antonio Carlos Barbosa Bacelar Docente no segmento: Gestão e Logística; Têxtil e Vestuário; Orientador de Projetos SENAI DENDEZEIROS, Salvador BA Maria Sandra Oliveira Magalhães Bacelar Especialista em Metrologia na Prática de Laboratório Clínico pela ETEBA – Escola Técnica da Bahia. http://valdinere123.blogspot.com/2014/04/perfil-do- professor-da-eja.html. Acesso em 02 de julho de 2018. http://www.ebc.com.br/educacao/2015/05/30-dos- alunos-da-educacao-de-jovens-e-adultos-tem-entre-15- e-19-anos-no-brasil. Acesso em 02 de julho de 2018. http://www.redesegura.com.br/2004/08/frase-william- edwards-deming/. Acesso em 17 de março de 2019. https://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho- docente/pesquisa-acao.htm. Acesso em 18 de março de 2019. <http://www.textilia.net/revistas_digitais/edicoes/ Revista%20Textilia>. Acesso em 04 de julho de 2019. 19 SEÇÃO 1.2 SAEP: DIVULGAÇÃO, COMPREENSÃO E USO DOS RESULTADOS Introdução O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), ao implantar um Sistema de Avaliação para pesquisar a qualidade da sua educação profissional, demonstra o com- promisso do Sistema Indústria em preparar trabalhadores com condições de inserção no mundo do trabalho, contribuindo assim para o desenvolvimento da indústria brasileira. 20 O Sistema de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica (GOMES, 2011) é uma iniciativa do Departamento Nacional (DN), em parceria com os Departamentos Regionais (DRs), e tem por finalidade verifi- car a demanda de cursos, o desenvolvimen- to e a qualidade das ofertas, a efetividade e a eficácia do ensino e da aprendizagem, a inserção do aluno no mercado de trabalho e a satisfação da indústria com a qualificação do trabalhador. Uma das principais dimensões do SAEP diz respeito à Avaliação de Desempenho de Estudantes (ADE), um processo de ava- liação externa e em larga escala, que utili- za testes padronizados (Provas Objetivas Online e Provas Práticas) com objetivo de verificar o que os estudantes, ao final do curso, sabem e são capazes de fazer, con- forme o previsto no Perfil Profissional. Os itens que compõem as provas objetivas e as situações problema das provas práticas são elaborados tendo por base matrizes de referência. A partir de um recorte do Desenho Curricular, são definidas as ca- pacidades essenciais e passíveis de serem avaliadas conforme os modelos de testes padronizados adotados no SAEP. Portanto, as referidas matrizes de referência não en- globam todo o currículo do curso. Vale destacar a Prova Prática, uma estraté- gia desafiadora, aplicada de forma amos- tral na maioria das escolas do SENAI. O instrumento é construído a partir de uma situação-problema, que apresenta ao aluno uma situação real ou hipotética própria de uma determinada ocupação e dentro de um contexto que a torna altamente significativa. Sua proposição é verificar aspectos relevantes que caracterizam um desempenho profissional, levando o aluno a mobilizar conhecimentos, habilidades e ati- tudes na busca de soluções para o proble- ma proposto. A avaliação prática requer a utilização de equipamentos, instrumentos, máquinas, ferramentas e materiais, sendo executada em condições reais tal qual em uma situação de trabalho, com acompanha- mento individual de um avaliador. No Plano Operacional da Prova Prática (SENAI, 2019) estão detalhados todos os fundamentos, a estrutura e os processos dessa avaliação. Além das provas, são aplicados questioná- rios contextuais aos estudantes, docentes, coordenadores e gestores escolares. Os questionários são instrumentos comple- mentares, que permitem ampliar a visão sobre o contexto de aprendizagem dos estudantes, uma vez que é fundamental compreender de que forma fatores extra-escolares e intraescolares, como o enga- jamento do aluno, a prática pedagógica, os recursos didáticos, os laboratórios, a infraestrutura, a gestão escolar e uma série de outros fatores, afetam o desempenho do estudante aferido a partir das provas aplicadas. Pode-se afirmar que as avaliações no con- texto do SAEP têm contribuído para apoiar a tomada de decisões sobre a implementa- ção de melhorias no sistema como um todo. ANÁLISE ESTATÍSTICA E ESCALA DE DESEMPENHO Para determinar o desempenho dos estu- dantes e dos cursos técnicos, os resultados são analisados segundo a Teoria Clássica dos Testes (TCT) e a Teoria de Resposta 21 ao Item (TRI). A TCT utiliza como base de análise a soma das respostas dadas pelos estudantes a um conjunto de itens, partindo do princípio de que quanto mais acertos, maior é o domínio das capacida- des avaliadas. Já a análise utilizando a TRI parte do princípio de que o desempenho do estudante na prova depende do seu nível de conhecimento (proficiência), o que determinará sua probabilidade de acerto (PASQUALI, 2003). O foco não é na quantidade de acertos, e sim nos tipos de itens que acerta, característicos de um nível da escala. Cálculo da proficiência dos estudantes O primeiro passo é calcular os parâme- tros dos itens que constituem as provas. Esses parâmetros da TRI (discrimina- ção, dificuldade e acerto ao acaso) são calculados por técnicas estatísticas de estimação, levando-se em consideração as respostas àquele item de uma amostra representativa dos estudantes. No cálculo da proficiência de cada es- tudante (ou pontuação obtida por ele na prova), considera-se a quantidade de acertos que o estudante obteve na prova, os valores dos parâmetros dos itens previamente calculados e o padrão de respostas individuais. O padrão de respostas dos estudantes também se relaciona ao acerto casual, ou “chute”. Por exemplo, espera-se que estudantes com desempenho muito bom na prova tenham um padrão de resposta compatí- vel com seu comportamento, acertando de forma consistente questões fáceis, medianas e difíceis. Por outro lado, não é esperado que um estudante com de- sempenho ruim na avaliação erre itens fáceis e medianos e acerte itens difíceis. Se assim for, o padrão de resposta desse estudante é considerado inconsistente e influencia no cálculo de sua proficiência. Apesar da complexidade destas nuances e da exigência de estimar os parâmetros dos itens a priori, cuja realização é feita por métodos estatísticos avançados, o cálculo da proficiência dos estudantes é objetivo. Estudantes que acertaram a mesma quantidade de itens na prova podem obter notas diferentes, devido ao fato de terem acertado itens de comple- xidades diferentes (parâmetros diferen- tes). Todavia, estudantes com exatamen- te o mesmo padrão de resposta obtém as mesmas proficiências (SENAI, 2016). Escalas de Desempenho A utilização da TRI permite a construção de escalas de desempenho, ferramentas pedagógicas que adicionam valor qua- litativo à interpretação dos resultados de uma avaliação e que dão suporte aos educadores e aos gestores na elabora- ção de planos de ação institucionais. Conforme o posicionamento dos itens e das evidências na escala de desempe- nho, os especialistas do curso fazem a análise dos seus resultados e os descre- vem pedagogicamente, certificando que, de fato, eles avaliaram a capacidade, o elemento de competência e os conhe- cimentos previstos pela matriz. 22 A descrição pedagógica de todos os itens e evidências que estão distribuídos pelos intervalos da escala define o desempe- nho do curso por níveis. Esses níveis de desempenho são definidos com base nas capacidades requeridas aos estudantes dos cursos para acertar os itens e evidên- cias neles posicionados em cada um dos intervalos. De acordo com os princípios da TRI, as capacidades descritas em cada nível são cumulativas, ou seja, se o estudante está no nível 600, provavelmente ele domina as capacidades descritas nesse nível e as capacidades descritas nos níveis anteriores. Figura 1: Níveis de Desempenho do SAEP Fonte: SENAI (2017) Os Níveis de Desempenho são grandes intervalos de valores dentro da Escala de Proficiência. Cada curso tem uma catego- rização e descrição personalizada. DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS Os resultados são sistematizados em sumários boletins e relatórios de forma pormenorizada conforme as característi- cas dos participantes, o desempenho dos estudantes, os indicadores de qualidade das escolas e dos cursos, tendo em vista comunicar os resultados da avaliação e in- centivar o uso imediato dos seus resultados. Os produtos de divulgação são elaborados sob três importantes princípios: Figura 2: Produtos gerados para divulgação, análise e compreensão dos resultados Informar os resultados da avaliação Subsidiar as ações de intervenção pedagógica Fornecer indicadores para a elaboração de ações estratégicas no âmbito 23 a) Sumário Executivo Fonte: SENAI (2019) b) Relatório da Escola: desempenho por cursos e turmas Fonte: SENAI (2019) c) Boletim de Curso por Escola Fonte: SENAI (2019) 24 d) Relatório Geral dos Cursos Fonte: SENAI (2019) e) Boletim do Estudante Fonte: SENAI (2019) f) Relatório Digital Fonte: SENAI (2019) 25 g) Caderno Pedagógico do SAEP Fonte: SENAI (2019) Faz-se necessário uma imersão nos re- latórios e boletins, a fim de descobrir o potencial de dados neles contidos, pois eles concentram as principais informa- ções que podem subsidiar os gestores e a equipe escolar na manutenção ou mudança do planejamento. A equipe pedagógica tem um papel im- portante em relação aos resultados. Por isso, alguns cuidados são necessários: a) certificar-se do recebimento dos relatórios, boletins e demais materiais disponibilizados pelo Departamento Nacional; b) analisar esses materiais; c) organizar, em parceria com o ges- tor escolar, meios de socialização pedagógica dessas informações, de modo que todos possam ter acesso e participem das análises, construindo coletivamente um significado para os resultados e desenvolvendo uma cultura de avaliação. ANÁLISE E COMPREENSÃO DOS RESULTADOS A compreensão dos resultados é o momento no qual os dados são analisados e interpretados, evidenciando os pontos fortes e as fragilidades do sistema educacional. Adverte-se a necessidade de um esforço coletivo para que esses resultados sejam analisados e debatidos de forma ampla, atingindo, se possível, todas as esferas decisórias, envolvendo de forma especial as equipes pedagógicas das unidades escolares. É necessário dar um significado pedagógico ao desempe- nho, para que a nota não se torne o único dado de referência para a construção de um plano de ação. A primeira etapa do processo de análise dos resultados é compreender os dados em si, começando pela identificação da distribuição do percentual de estudantes nas escalas de desempenho dos cursos. 26 Caso essa distribuição dos estudantes este- ja concentrada nas extremidades da escala, nos níveis abaixo do básico ou avançado, é necessário encontrar hipóteses que expli- quem as dificuldades no processo de ensino aprendizagem, representadas, nesse caso, pelo percentual de alunos concentrados nos níveis mais básicos da escala, assim como o sucesso escolar representado pe- los estudantes localizados nos níveis mais avançados. Esse tipo de análise dever ser feita ini- cialmente no contexto educacional nas unidades operacionais, pois se trata de uma oportunidade de compreender o de- sempenho escolar por meio da observação dos processos internos, isto é, observar o quanto a escola avançou em relação a si própria, o quanto os seus estudantes estão progredindo para os níveis mais avançados da escala para, depois, poder se compararcom as escolas do seu DR e, em sequência, da sua região e nacionalmente. Em princípio, essa análise é um exercício de todo o corpo pedagógico. Assim, de- vem ser envolvidos todos os docentes/ instrutores que atuam nos cursos avaliados. A compreensão desses resultados con- tribuirá para eficiência de processos de ensino aprendizagem, uma vez que estes visam ao desenvolvimento de capacidades e competências dos estudantes, previstas nas Unidades Curriculares, a fim de que se tornem profissionais aptos a assumirem uma vaga no mercado de trabalho. Além de buscar comparações – entre tur- mas, escolas, DRs e regiões – é prudente olhar para os resultados obtidos com aten- ção, porque, de certo modo, retratam profi- ciências de estudantes que, provavelmente, não estão mais na escola (ou mesmo no SENAI). Assim, deve-se focar na perspecti- va de uma avaliação somativa que busque direcionamentos e estratégias, visando a melhoria dos cursos. Recomenda-se que os objetivos a curto prazo devem ser a compre- ensão e a crítica dos desempenhos e seus fatores associados. Essa compreensão, de forma contextualizada, vai permitir que se torne um ponto de apoio, para que, a mé- dio e longo prazos, as unidades consigam alterar seus processos e rotinas, replanejar suas ações pedagógicas, inovar na forma de ensinar, para que as próximas turmas e es- tudantes tenham melhores desempenhos. As informações sobre os resultados do SAEP estão disponíveis no Relatório Digital 2018 (http://saep.senai.br), o qual disponi- biliza as escalas de desempenho, matrizes de referência, boletins de desempenho dos estudantes, relatórios das escolas, relatório geral por curso, exemplos de itens, análi- se dos fatores associados e informações estatísticas sobre o desempenho dos es- tudantes, escola e DRs. Curso Técnico em Mecânica: desempenho revela qualidade da oferta Na edição de 2018, participaram da Avaliação de Desempenho de Estudantes um total de 29.399 estudantes de 50 cursos avaliados na prova objetiva e 14.295 estu- dantes de 20 cursos avaliados pela prova prática. Especificamente no curso Técnico em Mecânica, 3.659 participaram da prova objetiva, sendo que, desse quantitativo, 1.767 realizaram também a prova prática. Analisá-los requer atenção, uma vez que 27 as 101 escolas que participaram estão situadas nas diversas regiões do país e com diferentes realidades. As escalas de desempenho permitem fazer comparações e monitorar um siste- ma educacional ao longo dos anos. São escalas numéricas estabelecidas para a avaliação e construídas com descrições de acordo com os itens aplicados. A figura 3 mostra os quatro níveis da es- cala de desempenho das provas objetiva e prática do curso Técnico em Mecânica. Vale lembrar que, tanto para a prova objetiva quanto para a prova prática, esses níveis são cumulativos. Figura 3: Níveis da escala de desempenho da Mecânica Fonte: SENAI (2019) Nas Figuras 4 e 5, é possível conferir os percentuais de estudantes posicionados em cada intervalo das escalas de desempenho do curso Técnico em Mecânica na prova objetiva e na prova prática. Figura 4: Distribuição e percentuais de estudantes em cada nível da escala da Prova Objetiva Fonte: SENAI (2019) 28 Figura 5: Distribuição e percentuais de estudantes em cada nível da escala da Prova Prática Fonte: SENAI (2019) Na próxima figura, é possível observar a média de desempenho dos estudantes do curso Técnico em Mecânica nas pro- vas objetiva e prática (Figura 6). É de se esperar que o desempenho dos estudantes na prova objetiva seja condizente com o obtido na prova prática, uma vez que as avaliações são complementares e têm por referência o mesmo perfil profissional. No entanto, cabe destacar que as análises de melhoria do desempenho devem ser feitas considerando não só a pers- pectiva de melhoria da média geral dos estudantes entre uma edição e outra, como também a distribuição deles nos níveis da escala, sem desconsiderar os fatores associados ao desempenho. Figura 6: Média, desvio padrão, percentuais de estudantes nos níveis da escala de desempenho das provas objetiva e prática e alcance da meta do curso técnico em mecânica. Fonte: SENAI (2019) 29 Vale analisar ainda os dados referentes às médias gerais de desempenho dos estudantes nas provas objetiva por re- gião, bem como a classificação de acordo com os níveis da escala de desempenho. A figura 7 mostra a distribuição dos es- tudantes nos níveis Abaixo do Básico, Básico, Adequado e Avançado para cada uma das regiões. Em virtude das especifi- cidades contextuais das regiões, a análise desses dados deve ser realizada com cui- dado, sem o intuito de fazer comparações, apesar do Itinerário Nacional ser a base de construção da avaliação. Figura 7: Médias, percentuais de estudantes do curso técnico em mecânica nos níveis da escala da prova objetiva e alcance da meta, por regiões. Fonte: SENAI (2019) Para obter as informações completas sobre o desempenho do Curso Técnico em Mecânica, a série histórica, o de- sempenho das capacidades essenciais do curso, os desempenhos de todas as 101 escolas participantes dessa edição, os fatores associados que impactam no desempenho, os resultados dos estudan- tes da educação a distância e de outros projetos, acesse o Relatório Geral do Curso na plataforma http://saep.senai.br. USO DOS RESULTADOS DAS AVALIAÇÕES Os resultados da Avaliação de Desempenho de Estudantes vão além da apresentação das médias de desem- penho, pois é possível comparar os re- sultados de um mesmo curso entre as escolas de um DR, por região geográfica e a sua evolução ao longo do tempo por meio dos dados longitudinais, ou seja, da série histórica de avaliação dos cursos. É importante ressaltar que os resultados alcançados pelas escolas, embora legítimos, são mais úteis quando contextualizados, isto é, se forem divulgados junto com indicadores que caracterizam as condições reais das escolas. Sabe-se, portanto, que obter um mesmo nível de resultados é muito mais difícil em algumas escolas do que em outras (ALVES; SOARES, 2013). 30 Dessa forma, a utilização dos resultados passa, então, por alguns questionamentos, tais como: a) É possível compreender as profi- ciências alcançadas pelos alunos? b) Qual o resultado chama mais atenção? c) Devemos concentrar nossa aten- ção apenas nos resultados do desempenho? d) Foi possível compreender os fato- res associados que influenciaram o desempenho escolar? e) Os resultados permitem extrair diretrizes para novas ações e inovações? f) Os resultados sinalizam que há ne- cessidade de alinhar os planos de cursos com o itinerário nacional? g) Os resultados são coerentes com os outros projetos que desenvolvemos? Um outro aspecto bastante discutido e abordado por especialistas e autores da área diz respeito a sanções ou recompen- sas. Elas devem ser vinculadas ao desem- penho dos alunos e escolas? Segundo Kellaghan (2011), o uso de sanções ou recompensas podem gerar consequên- cias negativas, tais como: a) cria-se um sistema de ensino orien- tado para a medição e não para a aprendizagem; b) os professores tendem a reagir, alinhando o que ensinam com as capacidades previstas na matriz de avaliação, negligenciando ou- tros conhecimentos e capacidades importantes do currículo, mas que “não serão avaliadas”; c) corre-se o risco de enfatizar a me- morização mecânica, ensino com abordagem passiva, deixando de lado a ênfase num processo me- diador de construção do conheci- mento e resolução de problemas; d) cria-se estratégias de “treinamento dos alunos”; e) estimula a internalização de nor- mas, valores e expectativas dos interessados (“fazer o jogo”). CONCLUSÃO De acordo com Soares, Sátyro e Mambrini (1977), uma escola configura-se como efi- caz quandopossui características que ga- rantem a efetividade e a eficácia de seu ensino, produzindo reflexo positivo no progresso acadêmico e no desempenho escolar. Para Fletcher (1998), a escola eficaz é aquela em que os fatores que contribuem para sua excelência estão sob o controle da própria escola por meio de sua gestão administrativa e pedagógica. Nesse sentido, e pensando na realidade do SENAI, pergunta-se: quais os fatores que distinguem as escolas eficazes das demais? O Departamento nacional do SENAI tem dedicado um esforço crescente em ampliar a avaliação em larga escala, procurando inovar e sofisticar seus processos, além de incluir variáveis nos questionários contex- tuais para identificar quais fatores associa- dos impactam na qualidade, possibilitando compreender além do desenvolvimento de competências, capacidades e habilidades cognitivas. 31 Espera-se que o esforço do SAEP não seja transformado em uma prática fragmen- tada, concentrada apenas em medidas e dados quantitativos. Ele deve se carac- terizar como um elemento articulador, dinâmico, construtivo, desafiador, no qual todos os atores envolvidos se mobilizem e tomem conhecimento do seu papel em busca da qualidade da educação profissional e tecnológica do SENAI. REFERÊNCIAS ALVES, Maria Teresa Gonzaga; SOARES, José Francisco. Contexto escolar e indicadores educacionais: condições desiguais para a efetivação de uma política de avaliação educacional. Educação e Pesquisa, vol.39, n.1, p. 177-194, 2013. FLETCHER, P. R. À procura do ensino eficaz. Brasília: MEC-DAEB, 1998. GOMES, Candido Alberto. Sistema de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica: documento base. Brasília: SENAI/ DN, 2011. KELLAGHAN, T.; Greaney, V.; MURRAY, T. S. Using the results of a nationalassessment of educational achievement. Washington: World Bank, 2009. PASQUALI, L; PRIMI, R. Fundamentos da Teoria da Resposta ao Item: TRI. Avaliação psicológica, v. 2, n. 2, p. 99–110, 2003. Disponível em: http:// pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1677-04712003000200002. Acesso em: 21 set. 2019. SENAI. Caderno Pedagógico SAEP. Brasília: SENAI. DN, 2016. Disponível em: http://saep.senai. br. Acesso em: 17 set. 2019. SENAI. Caderno Pedagógico SAEP. Brasília: SENAI. DN, 2017. Disponível em: http://saep.senai. br. Acesso em: 17 set. 2019. SENAI. Plano Operacional da Prova Prática. Brasília: SENAI. DN, versão 2019. Disponível em: https://extranet.sistemaindustria.org.br/bibliotecas/ documento. Acesso em: 18 set. 2019. SENAI. Relatório Geral de Avaliação da Mecânica. Brasília: SENAI. DN, 2018. Disponível em: http://saep.senai.br. Acesso em: 21 set. 2019. SENAI. Relatório Digital dos Resultados SAEP. Brasília: SENAI. DN, 2018. Disponível em: http:// saep.senai.br. Acesso em: 21 set. 2019. SOARES, J. F.; Sátyro, N. G. D.; MAMBRINI, J. Modelo explicativo do desempenho escolar dos alunos e análise dos fatores do SAEB – 1997. Universidade Federal de Minas Gerais: Instituto de ciências exatas, 1997. Glecivan Barbosa Rodrigues Gestora do Sistema de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica (SAEP) Unidade de Educação Profissional e Tecnológica - UNIEP SENAI/DN 3232 SEÇÃO 1.3 QUEM SÃO E O QUE ANSEIAM OS NOSSOS ALUNOS? Começando nosso diálogo O ato de educar é essencialmente dialógico e relacional. Os seres humanos naturalmente se educam em diferentes contextos e espaços a partir da interação, da convivência e da troca de experiências. No contexto da educação escolar formal, a qual é institu- cionalizada, o ato de educar é intencional, pois há um propósito a ser atingido e, para isso, existem profissionais especializados no processo de ensinar, que são os docentes, 33 e demais profissionais que compõem a equipe pedagógica de uma escola, tais como coordenadores e orientadores pedagógicos. Os docentes, protagonistas do ensino, e demais profissionais que compõem a equipe de uma escola, a fim de atingi- rem os propósitos educacionais, devem ter a predisposição em transitar para os anseios e características do seu públi- co-alvo, pois educar é transformar. E, seria possível transformar alguém sem conhecê-lo? Docência pressupõe curio- sidade e interesse pelo outro, e essas características se materializam a partir do diálogo. Neste caso, é oportuno trazer as palavras de Freire (2018, p. 132), que destaca: “Testemunhar a abertura aos outros, a disponibilidade curiosa à vida, a seus desafios são saberes necessários à prática educativa”. Nesse sentido, uma das diversas questões que deve permear a mente dos profissionais que educam é: quem são e o que anseiam os nossos alunos? Para responder tal questiona- mento é necessário o diálogo entre os sujeitos que compõem a comunidade escolar. Figura 1: Elementos do diálogo Fonte: A autora (2019) Conforme exposto na Figura 01, a efe- tivação do diálogo pressupõe, dentre tantos outros fatores, a abertura para tal, o interesse em transitar para o outro e uma relação de confiança entre os en- volvidos, entendendo que um ambiente educativo permeado por relações de confiança terá mais êxito nos processos de ensino e aprendizagem, pois, como já foi colocado, a educação é essencialmen- te marcada pela interação entre sujeitos que a compõem. No contexto da nossa instituição, vale lembrar que a Metodologia SENAI de Educação Profissional (2019) reitera a necessidade do diálogo a partir de alguns princípios da prática pedagógica, tais como a mediação da aprendizagem, que é um tipo de interação entre docente e aluno que pressupõe planejamento e intencionalidade, e a aprendizagem significativa, que é desenvolvida quando há a vinculação dos conteúdos formati- vos com as expectativas e experiências prévias dos alunos. 34 Formar para o mundo do trabalho exige constante diálogo e orientação sobre a futura inserção dos nossos alunos nesse novo ambiente social, o qual tem uma con- figuração diferente do espaço educativo. Almejamos que nossos alunos, independen- temente do curso que realizam no SENAI, encontrem a sua oportunidade de trabalho e tenham realização pessoal e profissional no ambiente produtivo e, para ser concreti- zado, é preciso novamente retomar os dois questionamentos centrais colocados no início do texto: quem são e o que anseiam os nossos alunos? Conversando com alunos Para manter coerência com a temática que abordo nesse texto, a partir dessas duas questões centrais, elaborei um breve roteiro e dialoguei com três alunos de uma escola do SENAI, a fim de ter uma percepção deles, que são o objeto de reflexão que proponho nesse texto. Ressalto que o objetivo não é quantitativo, ou seja, a amostra com- posta por esses três alunos é para obter informações de caráter qualitativo, que talvez a abordagem em grande escala não seria capaz de captar. Os alunos que tive a oportunidade de dialogar tinham entre 16 e 17 anos e participam de programa de Aprendizagem Industrial, sendo que duas alunas estão realizando curso na área de TI – Software, e um aluno está realizando curso na área de Eletroeletrônica. O intuito que coloco aqui não é de revelar integralmente o conteúdo da conversa com esses jovens, mas sim expor dois insights que surgiram a partir do diálogo, de ações que a nossa instituição pode realizar, ou aprimorar, junto aos nossos alunos, a fim de que a formação profissional provida pelo SENAI seja mais assertiva e significativa para esse público: 1) Dialogar sobre a possibilidade de continuidade da trajetória forma- tiva dentro da nossa instituição, o SENAI. Ao longo da conversa com os alunos, eles revelaram que pretendem seguir seus es- tudos, seja fazendo outros cursos de nível básico ou ingressando em cursos de nível superior, porém não souberam dizer se o SENAI poderia oferecer essa formação futura que eles almejam.Nesse sentido, te- mos a oportunidade de mostrar aos alunos todas as possibilidades formativas que o SENAI oferece, o que pode ser trabalhado de forma mais sistemática, a fim de fidelizar os nossos alunos e expandir a visão deles sobre o que o SENAI é como instituição de ensino. Figura 2: Trajetória formativa Fonte: A autora (2019) 35 2) Ter agendas de diálogo dentro da Escola As conversas entre os sujeitos que com- põem a comunidade escolar podem ocorrer de forma espontânea, a partir de demandas que emergem da rotina esco- lar, ou de forma planejada e intencional. Nessa última opção, os três alunos com os quais interagi sugeriram que a escola poderia propor um canal permanente de diálogo com seus alunos e debater temas diversos, tais como, inserção e reinser- ção no mundo do trabalho, construção de trajetória acadêmica e profissional, bullying, saúde mental, diversidade, vio- lência autoprovocada etc. Ao questioná- -los se esse canal seria algo virtual, os três disseram que poderia ser, contudo, duas alunas colocaram enfaticamente que, para esses momentos, é necessário “olho no olho”, revelando a necessidade de humanização desse processo e cons- trução de vínculos. Perguntei também sobre uma sugestão de periodicidade dessas conversas agendadas e todos colocaram uma média de uma ação a cada dois ou três meses, revelando anseio pela oportunidade de escutarem e serem escutados. Os diálogos planejados abrem espaço para praticarmos a empatia, tão em voga nos dias atuais. Na conceituação de Goleman (2001, p. 109), temos que: “A empatia é alimentada pelo autoconheci- mento; quanto mais consciente tivermos acerca das nossas próprias emoções, mais facilmente poderemos entender o sentimento alheio”. Então, revela-se necessário que todos os sujeitos da co- munidade escolar, docentes, coordena- dores, alunos, família, desenvolvam o autoconhecimento para então melhor praticarem a empatia no ambiente es- colar e fora dele. Para o início da promoção desses mo- mentos, caso a escola ainda não o faça, é interessante ter um meio onde os alu- nos possam sugerir os temas a serem trabalhados, tais como uma caixa de sugestões ou um formulário eletrônico que sejam enviados aos alunos com algu- mas sugestões e com um espaço sugerir. Importante é que os temas trabalhados emerjam das necessidades dos alunos. Figura 3: Diálogos no ambiente escolar Fonte: iStock 36 CONSIDERAÇÕES FINAIS A intenção desse texto é destacar a impor- tância do diálogo no ambiente escolar, que, por esse ser um tema denso, não foi aqui esgotado. Cada integrante da equipe peda- gógica e gestora pode pensar a respeito do que já é feito nesse aspecto e o que pode ser aperfeiçoado, entendendo que ouvir o nosso público é algo necessário e que traz impactos positivos e ganhos para a nossa instituição, tais como: redução da evasão escolar, redução da indisciplina, melhoria no desempenho escolar, fidelização dos alunos, melhoria no clima institucional. Outros textos que compõem essa publica- ção são convergentes ao que foi tratado aqui. Convido a todos a darem continuida- de na leitura desse e-book e a sempre se questionarem: quem são e o que anseiam os nossos alunos? REFERÊNCIAS FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 56. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2018. GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. SENAI, Departamento Nacional. Metodologia SENAI de Educação Profissional. Brasília: SENAI/DN, 2019. Nathália Falcão Mendes Analista de Desenvolvimento Industrial Unidade de Educação Profissional e Tecnológica - UNIEP SENAI/DN 37 SEÇÃO 2.1 A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO PARA A APROPRIAÇÃO DA METODOLOGIA SENAI DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL Introdução A função do coordenador pedagógico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) envolve diferentes atribuições que visam organizar o trabalho pedagógico na escola. Dentre elas, pode-se destacar a necessidade de se ter um 38 planejamento estruturado, visando ações de mobilização, formação e integração da equipe, além do acompanhamento e da avaliação do trabalho desenvolvido. Isso posto, emerge como problema a ser investigado a seguinte questão: como o acompanhamento pedagógico realizado pelo coordenador pode contribuir para melhorar a apropriação da MSEP pelos instrutores? Neste contexto, o presente artigo pretende discutir a importância do acompanhamento pedagógico no processo de apropriação da Metodologia SENAI de Educação Profissional (MSEP) pelos instru- tores em três unidades operacionais do DR- ES. A relevância do tema se justifica, pois a MSEP é base para o trabalho de ensino a ser desenvolvido em sala de aula pelos instrutores, sendo que a compreensão dos processos necessários para sua operacio- nalização e a elaboração de Situações de Aprendizagem são de suma importância para o alcance dos resultados esperados. Cabe ao coordenador pedagógico fazer o acompanhamento e as intervenções ne- cessárias para garantir a qualidade deste processo. Para o levantamento de dados, aplicou-se um questionário aos instrutores das três unidades operacionais envolvidas, no intuito de diagnosticar o conhecimento que possuíam sobre a MSEP, bem como as dificuldades e desafios na sua aplicação em sala de aula. A partir deste levantamento, foi possível verificar avanços alcançados e deficiências ainda presentes para se pro- por um conjunto de estratégias, visando aperfeiçoar todo o trabalho desenvolvido. O TRABALHO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO: CONTEXTUALIZANDO FUNÇÕES E DESAFIOS O funcionamento da instituição de ensino está atrelado a um conjunto de atividades que organizam o trabalho administrativo e pedagógico da escola. Neste sentido, Libâneo (2008) ressalta que esta organiza- ção vai garantir a efetividade e a eficiência dos processos de ensino e de aprendizagem no contexto da Unidade de Ensino. Para isso, torna-se necessário que todos os as- pectos que envolvem a vida escolar estejam devidamente estruturados, tais como: con- dições físicas, materiais, financeiras, bem como as funções e atividades das pessoas que integram os diferentes segmentos da escola. Em relação à essa questão, o autor aponta que “[...] a presença ou a falta de organização, expressa em normas, rotinas, atribuições de responsabilidades, interfere na qualidade das atividades de ensino.” (LIBÂNEO, 2008, p. 205).Neste contexto, destacam-se as funções de direção e de coordenação nas unidades escolares, am- bas direcionadas para o desenvolvimento de atividades que canalizam o esforço coletivo das pessoas em direção ao al- cance de objetivos e metas estabelecidas. Cabe ressaltar que, historicamente, tem-se diferenciado as funções do diretor e do coordenador pedagógico na escola, apesar de ambos assumirem tarefas de direção e coordenação de atividades de manutenção 39 do clima organizacional, das condições de trabalho e de formação da equipe escolar (LIBANEO, 2008).Considerando o foco das discussões aqui propostas, cabe evidenciar a função do coordena- dor pedagógico no contexto escolar. De acordo com Libâneo (2008, p. 219): O coordenador pedagógico respon- de pela viabilização, integração e articulação do trabalho pedagógico- -didático em ligação direta com os professores, em função da qualidade do ensino. A coordenação pedagó- gica tem como principal atribuição a assistência pedagógico-didática aos professores, para se chegar a uma situação ideal de qualidade de ensino (considerando o ideal e o possível), auxiliando-os a conceber, construir e administrar situações de aprendizagem adequadas às neces- sidades educacionais dos alunos. Assim como Libâneo (2008), Padilha (2006)também aponta a importância do trabalho do coordenador pedagógico no alcance dos resultados dos objetivos e metas estabelecidos pela unidade de ensino. Para Padilha (2006, p. 75): [...] O coordenador pedagógico [...] é aquele que durante o ano articula a equipe pedagógica em torno do melhor cumprimento do que foi estabelecido no projeto político-pedagógico, coordenando seus diversos desdobramentos em planos de curso, de currículo, de ensino ou de aula. Ele exerce uma responsabilidade da maior relevân- cia durante todo o processo, desde a fase de organização das reuniões de planejamento das atividades pe- dagógicas da unidade escolar até a da execução, desenvolvimento e avaliação do projeto da escola. Portanto, os apontamentos de Libâneo (2008), bem como de Padilha (2006), estão diretamente ligados ao que se propõe ao coordenador pedagógico do SENAI. De acordo com o guia de estudos do Curso de Aperfeiçoamento da Coordenação Pedagógica do SENAI: Planejamento e Prática: O trabalho do coordenador pedagó- gico no SENAI compreende várias atribuições, dentre elas planejar para mobilizar a equipe que atuará no pro- cesso de ensino e de aprendizagem, assim como orientar e acompanhar a elaboração e a implementação do planejamento (SENAI, 2016, p. 13). O coordenador pedagógico precisa ter clareza de que a organização do seu trabalho pode impactar diretamente nos resultados dos objetivos e metas estabe- lecidos pela instituição de ensino. Cabe a ele desempenhar, de forma eficiente, cada uma de suas atribuições, para que, junto com toda a equipe, alcancem os resultados esperados. Considerando que a MSEP é o que deve fundamentar o trabalho de ensino e de aprendizagem nas diferentes unidades operacionais do SENAI, para que o pro- cesso de formação do aluno seja real- mente significativo, cabe ao coordenador pedagógico acompanhar o trabalho dos instrutores, desde o planejamento até a sua execução, buscando alternativas que os auxiliem a consolidar a Metodologia na prática pedagógica desenvolvida na instituição. 40 Ressalta-se, ainda, que em “[...] estudos recentes sobre formação continuada de professores, o papel do coordenador pe- dagógico é de monitoração sistemática da prática pedagógica dos professores, sobre- tudo mediante procedimentos de reflexão e investigação.” (LIBÂNEO, 2008, p. 219). Portanto, essas reflexões corroboram a nos- sa proposta de trabalho que aponta o acom- panhamento pedagógico do coordenador como preponderante, para que tenhamos bons resultados em relação à apropriação e à implementação da Metodologia SENAI de Educação Profissional nas escolas. Metodologia SENAI de Educação Profissional: o trabalho do coordenador pedagógico no processo de sua apropriação e implementação A Metodologia SENAI de Educação Profissional é resultado de um intenso es- tudo que teve por base a necessidade de se desenvolver uma “[...] formação profissional significativa e qualitativa em resposta aos inúmeros desafios impostos ao mundo do trabalho na atualidade.” (SENAI/DN, 2013, p. 11). Buscou-se uma unicidade na orien- tação pedagógica do trabalho de ensino e aprendizagem, que deve acontecer nas diferentes unidades operacionais de todo o país. Com a crescente necessidade de avançar nos conceitos que eram base para os mé- todos e concepções que fundamentavam a educação profissional proposta pelo SENAI, o ensino por competência surgiu como um norteador das atividades de ensino e de aprendizagem, tornando-se uma respos- ta mais adequada à formação da mão de obra necessária para atender a realidade das indústrias, que passaram a requerer, cada vez mais, um profissional com mais autonomia (SENAI/DN, 2013). Hoje, além das competências técnicas, exige-se que um profissional tenha ini- ciativa, autonomia, responsabilidade, ca- pacidade de decisão e, principalmente, saiba trabalhar em grupo. Diante disso, tornou-se necessária a identificação do que idealmente o trabalhador precisa realizar correspondendo a um determi- nada Ocupação (SENAI/DN, 2013, p. 16). Isso posto, a MSEP vem reunir um conjun- to de concepções que precisam ser im- plementadas no processo de ensino e de aprendizagem que garantam a efetividade da formação do profissional requerida pelo mercado de trabalho. Neste sentido, desta- cam-se alguns conceitos fundamentais: o perfil profissional que se deseja alcançar do profissional de acordo com a Ocupação; o desenho curricular necessário para o alcan- ce das competências requeridas no perfil profissional; e a prática docente, como um conjunto de ações didático-pedagógicas que fundamentarão o processo de ensino e de aprendizagem para o alcance dos objetivos propostos (SENAI/DN, 2013). Diante deste quadro, emerge o papel do coordenador pedagógico na condução das atividades que poderão contribuir para tornar a MSEP uma realidade na prática docente desenvolvida em sala de aula, para que tenha reflexo na formação dos alunos. De acordo com o guia de estudos do Curso de Aperfeiçoamento da Coordenação Pedagógica do SENAI 41 Planejamento e Prática: Os docentes precisam estar empe- nhados na busca de estratégias de ensino e de aprendizagem diferen- ciados, além de propor Situações de Aprendizagem que desafiem os estudantes a refletir para a so- lução do que é proposto. Para isso, os docentes precisam contar com a coordenação pedagógica e téc- nica para que lhes forneçam todo o apoio necessário para a delimi- tação de estratégias de ensino e de aprendizagem, considerando que muitos docentes possuem apenas formação na área técnica específica e não tiveram formação pedagógica (SENAI, 2016, p. 18). Ressalta-se, portanto, que a eficiência da prática docente também está atrelada ao acompanhamento desempenhado por toda equipe pedagógica da escola. “[...] Se não houver apoio coletivo, o docente poderá ter dificuldade em desempenhar sua função. Por isso, é fundamental que o coordenador pedagógico compreenda as questões [...] para que possa auxiliar o trabalho do docente [...]” (SENAI, 2016, p. 19). Considerando a necessidade de o co- ordenador pedagógico acompanhar a prática docente, emergem alguns as- pectos que são primordiais em seu tra- balho cotidiano. Dentre estes aspectos, é preciso ressaltar o planejamento dos processos de ensino e de aprendizagem, a busca por estratégias inovadoras que possam auxiliar os docentes, bem como o processo de avaliação. Ao priorizar ações que englobam estas atividades, o coordenador estará contribuindo de forma significativa para a que a prática docente esteja coerente com os pressu- postos da MSEP. Metodologia: contextualizando os sujeitos e procedimentos da pesquisa A pesquisa realizada teve por objetivo levantar dados sobre o conhecimento dos instrutores relacionados aos prin- cipais conceitos que envolvem a MSEP, bem como suas dificuldades e desafios em colocá-la em prática no cotidiano da sala de aula. Para a coleta dos dados, aplicou-se um questionário com pergun- tas abertas e fechadas aos instrutores, disponibilizado a partir de um link no Google Forms, facilitando o acesso e a devolutiva das respostas. Foram sujeitos da pesquisa instrutores de três unidades operacionais do DR-ES, to- talizando cinquenta e um participantes, sendo treze da unidade de Aracruz, vinte e quatro de Serra e quatorze de Vitória. O grupo era composto por quarenta e um homens e dez mulheres, sendo que a faixa etária que possuem varia entre até 30 anos (treze instrutores) a até mais de 51 anos (11 instrutores); mas, a maior parte do grupo (18 instrutores) tem entre 31 e 40 anos. Isso aponta uma diversidade no tempo de formação que possuem, pois há instrutores recém-formados e outros que já se formaram há mais de 20 anos, mostrando a importância da formação continuada para a atualização de todos.42 Outro aspecto importante a se destacar dos sujeitos refere-se à formação que possuem. Trata-se de um grupo com profissionais de diversas áreas, sendo que 17,64% dos ins- trutores pesquisados tem apenas formação técnica, 27,45% possuem graduação com- pleta, 50,98% fizeram alguma pós-gradua- ção e 3,92% possuem mestrado completo. As áreas de atuação que mais se destacam dentre eles é a Metalmecânica (dezessete instrutores) e a Eletroeletrônica (dezesseis instrutores), por serem as áreas de maior demanda nas unidades operacionais en- volvidas. Também há instrutores de outras áreas, como Tecnologia da Informação, Segurança do Trabalho, Gestão e Logística, dentre outras em menor quantidade. Ainda vale ressaltar o tempo de atuação dos sujeitos pesquisados no SENAI, pois este também é um fator preponderante que dá indícios da maior ou menor necessidade de oferta de formações continuada para o grupo. Conforme pesquisa, há no grupo 9,8% que tem até três anos de atuação na docência, 41,17% atuam entre quatro a oito anos; 25,49% estão em sala de aula entre 9 a 12 anos e 23,52% atuam a mais de 13 anos em sala de aula. Na sequência, serão apresentados os resul- tados alcançados, bem como as discussões inerentes aos dados coletados. Ressalta-se que, para a apresentação das questões abertas, fez-se uma seleção das respostas que melhor contextualizaram os objetivos aqui propostos. A identificação dos sujeitos será por meio de numeração, conforme aparecem na sequência dos resultados do questionário, com identificação da unidade operacional a que pertence. RESULTADOS E DISCUSSÕES Perfil dos instrutores: apontando possibilidades de intervenção pedagógica A partir da contextualização dos sujeitos pesquisados, emergem alguns pontos im- portantes de reflexão, tendo por base a formação inicial que os instrutores pos- suem, bem como o tempo de atuação na docência. Os dados apresentados apontam que, dos cinquenta e um instrutores, nove deles só possuem a formação técnica na área, ou seja, apenas 17,6 %. Os demais possuem formação em nível superior ou em pós-graduação, apontando maior apro- fundamento dos conhecimentos técnicos da área de atuação, ficando os aspectos pedagógicos dependentes da formação continuada a ser desenvolvida também no cotidiano da escola. Portanto, de maneira geral, todos eles precisam ter oportunidade de formação continuada, objetivando a aquisição de conhecimentos pedagógicos que os auxiliem a melhorar a eficiência do trabalho que desenvolvem em sala de aula. De acordo com o guia de estudos do Curso de Aperfeiçoamento da Coordenação Pedagógica do SENAI: Planejamento e Prática: Não há uma habilitação específica para a formação dos docentes que atuam na Educação Profissional e Tecnológica [...]. o que se espera é que o docente tenha formação na área técnica em que pretende atuar. Entretanto, é fun- damental que os docentes tenham ciência da importância da formação pedagógica, e o coordenador peda- gógico poderá auxiliar incentivan- do-os a participarem das formações continuadas (SENAI, 2016, p. 28). 43 Salienta-se, portanto, a importância da formação continuada como possibili- dade de instrumentalizar os docentes a adquirirem não só conhecimentos pe- dagógicos, mas também sobre a MSEP, pois será a partir dela que todo trabalho pedagógico será desenvolvido. Assim, se os docentes não forem capacitados para esta demanda, tenderão a repro- duzir aquilo que vivenciaram em seu processo de formação. No entanto, nem sempre esta prática será coerente com o perfil profissional que o mercado de trabalho está requerendo. Neste sentido, aponta-se a atuação do coordenador pe- dagógico como fundamental para a mo- bilização de toda equipe na participação de diferentes momentos de formações na escola e em outros contextos. Ainda sobre a caracterização dos su- jeitos da pesquisa, é possível apontar como outro aspecto relevante no perfil dos pesquisados o tempo de atuação na docência dos instrutores. No caso dos sujeitos pesquisados, cerca de 50% deles atuam há mais de 9 anos na docência. Isso traz o benefício da experiência, mas a necessidade de constante formação, para que se atualizem. “O que se sabe é que o perfil dos estudantes vem se modificando e, paralelamente a isso, as exigências do mercado de trabalho também.” (SENAI, 2016, p. 28). Portanto, os conhecimentos técnicos e a prática pedagógica dos instrutores precisam ser revisitadas e aperfeiçoadas cons- tanemente, para que as exigências da atualidade sejam atendidas. Isso posto, cabe destacar o papel do coordenador pedagógico na mobilização de toda equipe em busca do aperfeiço- amento pedagógico necessário para a atução em sala de aula. Neste sentido, serão elencadas duas importantes atri- buições apontadas por Libâneo (2008) em relação ao papel do coordenador pedagógico: [...] Prestar assistência pedagógico-di- dática direta aos professores, acompa- nhar e supervisionar suas atividades tais como: desenvolvimento dos planos de ensino, adequação de conteúdos, de- senvolvimento de competências meto- dológicas, práticas avaliativas, gestão de classe, orientação da aprendizagem, diagnósticos de dificuldades, etc. [...] Propor e coordenar atividades de for- mação continuada e de desenvolvimento profissional dos professores. (LIBANEO, 2008, p. 220). Metodologia SENAI de Educação Profissional: desafios e necessidades de intervenção Na pesquisa realizada, buscou-se identifi- car a compreensão dos instrutores sobre a MSEP. Para isso, realizou-se o seguinte questionamento: O que é a Metodologia SENAI de Educação Profissional? Dentre as várias respostas, serão apontadas a seguir algumas que entendemos estar coerentes com as discussões propostas: 44 Instrutor 4 – SENAI SERRA: “A meto- dologia Senai de educação profissio- nal consiste na ênfase no “aprender a aprender”, onde o aluno faz parte da construção do processo de ensino aprendizagem, onde a interdisciplina- ridade, a criatividade são ferramentas essenciais de educação, o professor sai do papel de protagonista e passa a ser na verdade o mediador das ações que vai transformar a educação profis- sional e gerar mão de obra qualificada e de qualidade para esse competitivo mercado de trabalho”.Instrutor 15 – SENAI ARACRUZ: “É uma orientação para melhorar as práticas do docente em sala de aula, levando o aluno a ser protagonista do seu conhecimento por meio de situações de aprendizagem”. As respostas dão indícios da compreensão que os instrutores possuem sobre o que é a Metodologia SENAI. Observa-se que as respostas se complementam, pois cada uma delas traz conceitos centrais que fa- zem parte da Metodologia. Neste sentido, podemos destacar a ideia de “aprender a aprender”, interdisciplinaridade, professor mediador, mão de obra qualificada para atender o mercado de trabalho, apontadas pelo Instrutor 4 - SENAI Serra. Outros as- pectos que aparecem na fala do Instrutor 15 – SENAI Aracruz são as ideias de orien- tação para melhorar as práticas docentes, aluno ser protagonista do seu conheci- mento. Todos estes conceitos fazem parte da tríade que compõe a essência do que é a MSEP: o Perfil Profissional, o Desenho Curricular e a Prática Docente. É a partir destes conceitos básicos que se estabele- ce um conjunto de estratégias e proposi- ções que visam proporcionar um trabalho pedagógico eficiente que uma formação profissional de qualidade, requerida pelo mercado de trabalho. Por outro lado, destacam-se também, dentre os pesquisados, aqueles que responderam ao questionamento o que é Metodologia SENAI de Educação Profissional da seguin- te maneira: Instrutor 14 – SENAI SERRA: “Nova ferramenta de ensino”. Instrutor 13 – SENAI ARACRUZ “Métodos de ensino de acordo com regras desenvolvidas pelo Senai“. Instrutor 13 – SENAI VITÓRIA “Avaliação dos alunos por competência.” As respostas dão indícios de que os instru- tores ainda não compreenderam tudo que envolve a Metodologia. Não se deve reduzir a MSEP a uma ferramenta de ensino, ou a regras desenvolvidas pelo SENAI e nem mesmo reduzi-la a avaliação por competên- cias. O conceito da MSEP, colocado desta forma, aponta para a necessidade de a coordenação pedagógica ampliar as ações de formação para que haja uma melhor apropriação de seus propósitos e conceitos pelos instrutores. Quando questionados sobre “que difi- culdades você encontra na aplicação da Metodologia SENAI de Educação Profissional”, foi obtido o seguinte resultado: 45 Quadro 1: Dificuldades encontradas na aplicação da MSEP pelos instrutores Dificuldades Encontradas Número de instrutores que apontaram este problema Falta de tempo para planejamento ou Elaboração de Situações de aprendizagem 18 Falta de infraestrutura: equipamentos, recursos ou materiais 10 Preenchimento de muitos documentos 8 Falta de uma proposta estruturada de disseminação da metodologia / de formação / conhecimento adequado para aplicação 6 Falta de engajamento de alunos ou de professores 4 Nenhuma dificuldade 3 Falta de padronização das UO 2 Processo de avaliação 1 Aplicação de Situações de aprendizagem 1 Mudanças nos planos de curso 1 Fonte: Questionário da pesquisa (2019) A partir deste quadro, pode-se observar que a maior dificuldade encontrada pe- los instrutores é a falta de tempo para planejamento, possibilitando maior ade- quação das atividades desenvolvidas à MSEP. Além disso, destaca-se ainda os seguintes pontos de atenção: a falta de infraestrutura (equipamentos, recursos ou materiais) e o preenchimento de docu- mentos, citados como fatores que preju- dicam a implementação da Metodologia em sala de aula. Neste sentido, Libâneo (1994, p. 222) ressalta que: O planejamento é um processo de racio- nalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social. [...] A ação de planejar, portanto, não se reduz ao simples preenchimento de formulários para controle administra- tivo; é, antes a atividade consciente de previsão das ações docentes, fundamen- tadas em opções político-pedagógicas, e tendo como referência permanente as situações didáticas concretas [...]. Portanto, é fundamental que o coorde- nador pedagógico garanta momentos de planejamento no horário dos instru- tores, para que, juntos, possam discutir e elaborar planos de trabalho e de aulas que tenham por base a MSEP. Outro aspecto que desponta como im- portante no Quadro 1 é o fato de apenas três instrutores relatarem que não pos- suem nenhuma dificuldade em trabalhar com a MSEP em sala de aula, ou seja, apenas 5,8% dos pesquisados. Por outro lado, cerca de 94,2% apresentam algu- ma dificuldade. Estes dados mostram a necessidade de intervenção por meio de orientações pedagógicas, bem como for- mações continuadas que possibilitem a superação das dificuldades encontradas. Mas, é necessário traçar estratégias alter- nativas de formação, pois quando ques- tionados sobre quantas capacitações 46 participou sobre a MSEP, 62,74% dos ins- trutores disseram ter participado de uma a três capacitações nos últimos dois anos, e 15% disseram ter participado de quatro a seis capacitações sobre o assunto. Portanto, torna-se necessário avaliar a qualidade das formações ofertadas, bem como se o foco dado é o necessário para garantir a apro- priação da MSEP por todos. CONCLUSÃO O trabalho do coordenador pedagógico precisa ser redimensionado nas unidades operacionais. A partir das discussões e re- sultados apresentados, torna-se necessária uma reflexão sobre a função do coorde- nador na implementação da Metodologia SENAI de Educacão Profissional na escola. Os dados apresentados mostraram que a formação inicial dos instrutores está pau- tada em sua área técnica de atuação. Além disso, 50% dos envolvidos atuam há mais de 9 anos na docência. Estes dois fatores são preponderantes para dimensionar a ne- cessidade de formações continuadas com o grupo no intuito de possibilitar a atuali- zação da equipe, bem como a aquisição de conhecimentos pedagógicos necessários ao exercício da docência. Ao analisar a comprensão que os instru- tores possuem sobre o que é a MSEP, as respostas apontaram a existência de duas situações distintas: um grupo que apresenta ter compreensão dos conceitos que engen- dram a MSEP e outro grupo que apresenta limites nesta compreensão. A partir deste resultado, torna-se fundamental direcio- nar as formações no intuito de atender a necessidade de ambas as situações. A organização de grupos para troca de expe- riências também pode ser uma alternativa de formação. Para isso, cabe ao coorde- nador pedagógico criar estratégias que possibilitem momentos de estudos, oficinas e planejamentos integrados como forma de socialização dos conhecimentos que possuem. Outro ponto que merece atenção foram as dificuldades encontradas pelos instrutores na implementação da MSEP na escola. Despontam como pontos de atenção a falta de tempo de planejamento, bem como a disponibilidade de infraestrutura (equipa- mentos, recursos ou outros materiais) e a exigência de preenchimento de formulários que impactam na operacionalização do tra- balho pedagógico de qualidade. Torna-se necessário rever a organização de horários, de forma a garantir momentos de planeja- mento orientados com os instrutores. Além disso, é preciso fazer um levantamento da infraestrutura necessária para a execusão de aulas teóricas e práticas de qualidade, envolvendo também o supervisor técnico. É imprescindível rever os formulários es- tabelecidos como necessários, buscando melhorar a sua estruturação e sua con- sequente simplificação das informações necessárias, bem como otimizar o tempo necessário ao seu preenchimento. Por fim, cabe ao coordenador pedagógico estabelecer um plano de ação que priorize ações pedagógicas voltadas para a imple- mentação da MSEP na escola, bem como de formações continuada, que visem qualificar o trabalho de toda equipe, pois seu papel neste cenário é fundamental para que se alcance os propósitos estabelecidos. 47 REFERÊNCIAS LIBÂNEO, José Carlos. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: MF Livros, 2008. ______. Didática. São Paulo: Cortez, 1994. PADILHA, Paulo Roberto. Planejamento dialógico: como construir o projeto político-pedagógico da escola. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2006. SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. Departamento Nacional. Metodologia SENAI de educação profissional na prática pedagógica. Aperfeiçoamento da coordenação pedagógica do SENAI: planejamento e prática – v.2. Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília: SENAI/DN, 2016. ______. Departamento Nacional. Metodologia SENAI de educação profissional na prática pedagógica. Aperfeiçoamento da coordenação pedagógica do SENAI: planejamento e prática – v. 3. Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília: SENAI/DN, 2016. _____. Metodologia SENAI de Educação Profissional. Departamento Nacional: Brasília: SENAI/DN, 2013. Luciana de Almeida Soares Coordenadora Pedagógica Centro de Educação e Tecnologia Arivaldo Fontes Espírito Santo Rogeria Ribeiro Coordenadora Pedagógica Centro de Educação Profissional Sério Rogério de Castro Mariana Fonseca de Mendonça Gomes Diretora Escolar Centro de Educação Profissional Jones dos Santos Neves - SENAI CIVIT Espírito Santo 48 SEÇÃO 2.2 TECNOLOGIA INTERATIVA COM USO DE REALIDADE AUMENTADA PARA CURSOS TÉCNICOS: ESTUDO DE CASO NO SENAI TUBARÃO Introdução O termo “Educação Inovadora” vem sendo alvo de grandes debates nas áreas re- lacionadas à educação. Temos visto muitas matériase artigos publicados sobre o assunto. Em um mundo que se transforma e com o surgimento de novas tecnologias digitais, com uma velocidade muito superior à do sistema tradicional de educação, 49 surge o desafio de criar. Desta forma, o uso da Realidade Virtual pode ser uma nova ferramenta para a evolução das metodologias que influenciam tanto no ensino como na aprendizagem. Uma vez que a utilização da Realidade Virtual em cursos técnicos profissionali- zantes passa ser uma grande aliada para simulações e ensino de conteúdos téc- nicos nas diversas áreas das empresas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI sempre está em busca de melhoria nos processos de ensino- -aprendizagem. Assim, nos últimos anos, desenvolveu diversas soluções para mo- dernizar e tornar ainda mais fácil e atra- tiva a aprendizagem, como o Programa SENAI de Tecnologias Educacionais. O Programa SENAI de Tecnologias Educacionais tem buscado, entre outras ações, o desenvolvimento de aplicati- vos, com o uso de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, que fazem parte do dia a dia da geração de nati- vos digitais. O Programa também tem desenvolvido aplicativos de Realidade Aumentada para diversos cursos técni- cos, recursos estes que permitem aos alunos utilizarem a câmera do celular ou tablet para o reconhecimento de imagens impressas nos livros didáticos e, assim, acessar objetos que enriquecem e faci- litam o aprendizado para a construção das competências. Além do conteúdo existente no livro didático, o SENAI RA disponibiliza simuladores, objetos em 3D, vídeos, enfim, uma imensa variedade de recursos multimídia, pelos quais os conceitos ganham movimento, imagem, som e interação. JUSTIFICATIVA Muito já se falou sobre a necessidade de uma educação diferente da tradicional. Desta forma, é necessário incentivar a educação inovadora, com novas metodo- logias e ferramentas que possam tornar o ensino cada vez mais atrativo aos alunos da nova geração: Nativos Digitais. Segundo Fábio (2017), o termo “Nativo Digital” descreve o jovem que nasceu em uma época na qual as tecnologias digitais já eram uma realidade. A exposição a elas concederia talentos e característi- cas inéditas, e educadores nascidos em outras épocas deveriam se adaptar para continuarem ensinando com sucesso. A Realidade Aumentada (RA) faz uso da mesma tecnologia da Realidade Virtual (RV), diferenciando-se porque na RV o ambiente virtual se sobressai ao am- biente real, enquanto que na RA o senso de presença do usuário é mantido no mundo real, que em nenhum momento deixa de sentir o ambiente real que se sobressai ao virtual (KIRNER; SISCOUTO, 2007). Ou seja, na Realidade Virtual, te- mos a imersão do usuário em um am- biente totalmente virtual; na Realidade Aumentada, temos sobreposição de ele- mentos virtuais no mundo real, por meios de marcadores (QRcodes, 2D e 3D). As características da tecnologia de RA permitem a construção de sistemas que utilizam dispositivos mais comuns, como uma webcam ou a câmera do smartphone e marcadores impressos em papel, con- sequentemente, mais acessíveis quando comparados aos sistemas de RV. 50 a) incluir novas tecnologias digitais para o ensino nas aulas; b) utilizar em atividades práticas e teóricas o aplicativo de Realidade Aumentada (RA Redes de Computadores); c) acompanhar a utilização do apli- cativo na prática didática dos pro- fessores dos cursos; e d) pesquisar junto aos alunos os im- pactos positivos e negativos da utilização do aplicativo nas aulas. RESULTADOS E DISCUSSÃO Amostra Foi desenvolvido um questionário para a pesquisa e aplicado em 3 turmas, sendo elas: duas turmas do Curso Técnico em Redes de Computadores (1º e 3º semestre) e uma turma do Curso Técnico de Informática para Internet (2º semestre). Ambas as tur- mas estavam em andamento no ano de 2018 na unidade do SENAI de Tubarão-SC. Responderam à pesquisa 43 alunos da uni- dade que conheceram o aplicativo ao longo do trabalho. A idade média dos alunos que responderam à pesquisa é de 19 anos, sendo que o aluno mais jovem tem 16 anos e o mais velho tem 52 anos, conforme o gráfico (Figura 1) a seguir, o que demonstra um público bem diversificado na unidade de Tubarão. O SENAI vem adaptando seus cursos téc- nicos para o desenvolvimento de um novo profissional para o mercado de trabalho, de- senvolvendo e incluindo novas tecnologias e metodologias de ensino, como o uso de Realidade Aumentada. Nesse novo contex- to, alguns especialistas do Departamento Nacional do SENAI, juntamente com es- tudiosos de inovações para as indústrias, têm estudado e divulgado os impactos da Indústria 4.0 na educação profissional. O conceito da Indústria 4.0 engloba as prin- cipais inovações tecnológicas dos campos de automação e tecnologia da informação, aplicadas à produção industrial pelos sis- temas cyber-físico, internet das coisas e inteligência artificial, tornando cada vez mais eficientes, autônomos e customizados os processos produtivos. OBJETIVOS O presente trabalho buscou promover a inclusão de novas tecnologias digitais e avaliar a sua utilização na prática peda- gógica, quanto à aceitação por parte dos alunos envolvidos no processo em relação ao uso de Realidade Aumentada em dois Cursos Técnicos do SENAI de Tubarão/SC. Por meio de um estudo de caso e com uma pesquisa qualitativa, pretendemos respon- der à questão: o recurso didático dos apli- cativos de Realidade Aumentada facilitam o processo de ensino e de aprendizagem na visão dos alunos dos cursos técnicos do SENAI Tubarão? Buscando avaliar e validar a sua utilização prática e pedagógica, a pesquisa baseou-se em atingir os seguintes objetivos: 51 Figura 1: Gráfico 1 – Amostra dos estudantes Fonte: A autora (2018) De acordo com a experiência vivencia- da e adquirida em sala de aula durante as unidades curriculares de Estágio em Docência, na Pós-Graduação em Docência na Educação Profissional, ofertada pelo Programa SENAI de Coordenação Pedagógica e Desenvolvimento Docente, o trabalho foi dividido em quatro momen- tos, buscando melhor estrutura para o seu desenvolvimento, sendo o primeiro momento o de conhecimento da turma e planejamento do que seria executado e como seria aplicado; o segundo momen- to compõe o descritivo das interações com as turmas; o terceiro momento reúne as reflexões dos resultados alcançados com o uso do aplicativo de RA; o quarto momento são minhas percepções en- quanto docente. Primeiro momento: planejamento O planejamento das atividades foi rea- lizado após a observação de duas aulas em cada turma, em que ocorreram as intervenções para verificar a adequação do tema à metodologia que seria aplicada e a sua forma de condução. No primeiro encontro com cada turma, realizei a apresentação pessoal, expliquei porque estava ali acompanhando as aulas e apresentei o propósito do trabalho que seria desenvolvido durante as interações. Também apresentei um vídeo1 e slides para explicar o que é o projeto SENAI RA (Figura 2). 1 Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1iING- -I0nQAEc9HIRnpOjqHVlAFIpAa_i/view?usp=sharing: Acesso em: 10 nov. 2018. 52 Figura 2: Apresentação reproduzida aos alunos sobre o projeto SENAI RA Fonte: A autora (2018) Após a apresentação, foi solicitado o pre- enchimento de uma pesquisa, através do Google Formulários, que buscou identi- ficar o perfil tecnológico dos estudantes com o objetivo de verificar se eles tinham condições e recursos para poderem utili- zar o aplicativo durante as aulas, em seus smartphones. Esse formulário demonstrou que, dos 43 estudantes que participaram desta 1ª etapa, apenas três alunos não possuíam smar- tphone em que pudesse ser instalado os aplicativos que seriam utilizados. Assim, foi possívelseguir com os trabalhos propostos, pois os alunos podem trabalhar em duplas, sem problemas. Entre o primeiro contato com as turmas e as aulas de intervenção propriamente ditas, houve alguns momentos de reunião entre os Docentes Titulares das unidades curricu- lares (UC) e eu, para seleção e preparação dos materiais que seriam adequados a aula em que os alunos utilizariam as RAs. Durante estas reuniões, pude apresentar o projeto completo do aplicativo SENAI RA - Redes de Computadores, que consiste em 26 objetos de Realidade Aumentada que trabalham os conteúdos próprios do curso técnico, distribuídos em suas unidades cur- riculares. Os Docentes fizeram o download do aplicativo (Figura 3) em seu smartphone e testaram suas funcionalidades, indicando assim alguns objetos que seriam interes- santes para cada turma. 53 Figura 3: Página para download do aplicativo Redes de Computadores – RA Fonte: Google Play (2018) Foram selecionados pelo menos 4 obje- tos para cada turma, os targets (imagens que serão os marcadores para exibição dos objetos de RA) que seriam neces- sários foram organizados, com uma pe- quena descrição do que se tratava cada RA em um documento que foi entregue a cada aluno na aula de execução das atividades. Segundo momento: interações com as turmas Após o planejamento e a apresentação para as turmas sobre o aplicativo de RA, foram planejadas algumas aulas com cada turma para a finalização da inter- venção, onde foram contextualizados mais alguns conteúdos teóricos com os alunos e utilizados os objetos de RAs selecionados para cada turma, conforme registro a seguir, na Figura 4. Figura 4: Alunos utilizando o aplicativo SENAI RA Fonte: A autora (2018) 54 Após esse momento de interação com os objetos, foi conduzida uma atividade prática em pequenos grupos de três ou quatro alunos, em ambas as turmas, para que pudéssemos observar se os conceitos trabalhados haviam ficado mais claros com a utilização do recurso. Na sequência, so- cializaram com a turma suas opiniões sobre a experiência de utilização das RAs - se auxiliou ou não no aprendizado. Também foi solicitado o preenchimento da pesquisa sobre o uso das RAs nas aulas, através do Google Formulários. Terceiro momento: reflexões dos resultados alcançados Ambas as turmas foram bem receptivas quanto à proposta de trabalho para as in- tervenções que foram realizadas. Por serem turmas ligadas à área de tecnologia, são estudantes que estão sempre atentos a no- vidades. Muitos já tinham noção do que se tratava um objeto de realidade aumentada, mas só tinham visto esses recursos para jogos, como Pokemon Go, que é um jogo eletrônico free-to-play de realidade aumen- tada voltado para smartphones, que ficou bem conhecido em 2016 em várias partes do mundo, mas os alunos não conheciam nenhuma aplicação em que a Realidade Aumentada estivesse sendo utilizada como um objeto de aprendizagem. Essa experiência aplicada no curso téc- nico foi inovadora para as turmas, para os docentes titulares e para mim, pois foi possível experimentar na prática esta nova tecnologia e avaliar seus pontos positivos e negativos. Os estudantes fizeram algumas atividades ligadas aos conceitos trabalhados depois da utilização das RAs e comentaram como foi a experiência: Aplicativo ótimo, traz o conteúdo de forma interativa fazendo com que quem esteja utilizando o software aprenda de uma forma mais fácil [...] (A.2). Um aplicativo muito bom e interes- sante para um melhor entendimen- to dos assuntos tratados em aula, necessita apenas de alguns reparos, enfim, excelente aplicativo. (A.8). No geral, a utilização foi bem satisfatória e, pela avaliação dos alunos, muito produtiva, sendo que os comentários vieram ao en- contro com o já citado pelos idealizadores do projeto dentro do SENAI, conforme a Figura 5. Figura 5: Benefícios da utilização do aplicativo ■ Facilita a memorização do conteúdo, ■Melhora o entendimento do assunto, ■Engaja os estudantes, ■Melhora a participação do aluno em sala de aula, ■Enriquece conteúdos com elementos audiovisuais, ■Agrega conteúdo digital ao mundo real. Fonte: SESI (2018) 55 Quarto momento: percepções enquanto Docente Quanto à minha experiência como do- cente da educação profissional, durante os encontros de intervenção, no decorrer do estágio e da pesquisa, em ambas as turmas, foi gratificante ver a empolga- ção dos alunos em conhecerem novas ferramentas e estarem participando de momentos diferentes ao que estão acos- tumados com as aulas. Neste caso, o professor não está ali apenas para repas- sar conteúdos e sim mediar a aprendiza- gem de forma inovadora e mais atrativa, principalmente os alunos que, na sua maioria, ainda estão cursando o ensino médio na educação formal em escolas com uma educação mais convencional e com menos recursos tecnológicos. O que identifiquei como mais difícil du- rante este processo foi a etapa de plane- jamento, pensar em como incluir a utiliza- ção do aplicativo SENAI RA para o curso Técnico em Redes de Computadores e Informática para Internet de forma contextualizada com as aulas e como conduzir e avaliar esta utilização. Ainda durante a fase de planejamento, um dos objetivos traçados para esta pes- quisa foi incluir novas tecnologias para o ensino durante as aulas do Curso Técnico em Redes de Computadores. Objetivo este que considero ter conseguido atin- gir, pois todos os alunos que estavam em aula conseguiram utilizar e entender os conceitos trabalhados com a utilização do aplicativo SENAI RA para o curso Técnico de Redes de Computadores e Informática para Internet. Para finalizar o estudo realizado em am- bas as turmas, foi elaborada uma pes- quisa através de um formulário online, utilizando o Google Formulários, e foram criadas questões agrupadas por quesitos que seriam analisados, sendo eles: a) informações dos alunos; b) instalação do aplicativo; c) uso dos marcadores para as RAs; d) facilidade de aprendizado com as RAs; e) aspectos visuais do aplicativo; f) interação geral e comentários. Neste momento de reflexões sobre os resultados alcançados, foram analisa- dos com minúcia os resultados obtidos nos quesitos d) facilidade de aprendi- zado com as RAs; e f) interação geral e comentários do formulário, deixando os outros quesitos a serem utilizados para um possível trabalho de melhoria do aplicativo. Quanto ao quesito sobre a facilidade de aprendizado em relação ao aplicativo (Figura 6), os resultados demonstraram que mais de 80% dos 43 alunos que responderam à pesquisa identificaram que o aprendizado é satisfatório e de fácil recordação, avaliando como bom e ótimo a atividade. 56 Gráfico 1: Referente a pesquisa aplicada Fonte: A autora (2018) Ainda neste quesito, outra questão impor- tante para evidenciar a boa aceitação dos alunos a esta metodologia foi relacionada à atratividade do aplicativo SENAI RA, sen- do que 90% dos alunos avaliaram como interessante e motivadora a sua utilização nas aulas, avaliando como bom e ótimo esta questão, conforme o gráfico a seguir (Gráfico 3). No quesito sobre a interação geral (Gráfico 4), vale destacar a questão que trata do nível de satisfação quanto aos resultados da aplicação, de qual forma que 90% dos alunos responderam ter entendido os con- ceitos demonstrados e assimilado os conhe- cimentos trabalhados nos objetos de RA. Gráfico 2: Atratividade do aplicativo Fonte: A autora (2018) 57 Figura 6: Gráfico 4 – Nível de satisfação quanto aos resultados do aplicativo Fonte: A autora (2018) Desta forma, a pesquisa demonstrou que o uso do aplicativo alcançou, de forma satisfatória, o objetivo com impacto po- sitivo de sua utilização por parte dos estudantes. CONSIDERAÇÕES FINAIS No cenário atual, em que a maioria dos jovensestão conectados por muito tem- po em seus Smartphones, é necessário repensar a educação escolar e a forma de ensinar, para que ela se torne atrativa e não desestimulante. Dessa forma, um dos principais objetivos pensados no início do trabalho foi incluir tecnologias digitais para o ensino durante as aulas dos Cursos Técnicos de Redes de Computadores e de Informática para Internet e, a partir disso, repensar como pode ser a prática docente e como tornar as aulas mais atrativas, sem fugir do contexto e dos conteúdos que precisam ser trabalhados. Durante a aplicação das intervenções nas turmas, pude perceber que os alunos ficaram mais interessados nos conteú- dos quando estes são apresentados de forma diferente do que estão habitua- dos. Sendo assim, fica o aprendizado do quanto é gratificante o estudo de novas metodologias e tecnologias para serem utilizadas em nossas aulas sempre que possível, desde que bem contextu- alizadas e integradas aos assuntos que precisam ser abordados. O ponto principal e mais importante per- cebido durante a pesquisa foi o conjunto de resultados obtidos com a inclusão dessa nova tecnologia digital das RAs para o ensino em cursos técnicos e a aceitação por parte dos alunos. Dessa forma, tanto eu, como estagiária durante a intervenção, quanto os docen- tes titulares das unidades curriculares, pudemos experimentar e refletir sobre a inclusão de novas tecnologias digitais e novas formas de ensinar, em que os estu- dantes interagem mais com os conteúdos e podem aprender com outros recursos, melhorando assim seu conhecimento quanto aos assuntos trabalhados. 58 REFERÊNCIAS FÁBIO, André Cabette. NEXO Jornal: Por que a geração de ‘nativos digitais’ não é tão diferente das anteriores. Disponível em: https://www.nexojornal.com. br/expresso/2017/08/21/Por-que-a-geração-de-‘nativos- digitais’-não-é-tão-diferente-das-anteriores. Acesso em: 20 ago. 2018. GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2009. HAYDT, Regina Célia Cazaux. Didática Geral. 8. ed. São Paulo: Ática, 2006. KIM, Gerard J. Designing virtual reality systems. Springer-Verlag London Limited, 2005. KIRNER, Cláudio; KIRNER, Tereza G. Virtual Reality and Augmented Reality Applied to Simulation Visualization. In: El Sheikh, A.A.R.; Al Ajeeli, A.; Abu- Taieh, E. M. O. (Org.). Simulation and Modeling: Current Technologies and Applications. 1 ed. Hershey- NY: IGI Publishing, 2007, v. 1, p. 391-419. KIRNER, Claudio; SISCOUTO, Robson Augusto. Fundamentos de Realidade Virtual e Aumentada. In: SYMPOSIUM ON VIRTUAL AND AUGMENTED REALITY, IX, 2007, Petrópolis. Livro do Pré-Simpósio, Porto Alegre: SBC, 2007. Disponível em: http://www. de.ufpb.br/~labteve/publi/2007_svrps.pdf. Acesso em: 03 out. 2018. LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? Novas exigências educacionais e profissão docente. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2003. MORAN, José Manuel. A TV digital e a integração das tecnologias na educação. Disponível em: http:// www.eca.usp.br/prof/moran/site/textos/ tecnologias_ eduacacao/digital.pdf. Acesso em: 12 nov. 2018. NARDELLI, Vitor. Customização em massa na Indústria 4.0: produção flexível e de baixo custo. A voz da Indústria. Disponível em: https://avozdaindustria.com. br/customizacao-em-massa-industria-4-0-producao- flexivel-baixo-custo/. Acesso em: 14 nov. 2018. PIAGET, Jean. O nascimento da inteligência na criança. 4. Ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. SENAI, Departamento Nacional. Metodologia SENAI de educação profissional. Brasília: SENAI/DN, 2013. SCHWAB, Klaus. The Fourth Industrial Revolution: what it means, how to respond. Disponível em: https://www.weforum.org/agenda/2016/01/the-fourth- industrial-revolution-what-it-means-and-how-to- respond/. Acesso em: 10 ago. 2018. TORI, Romero. Educação sem distância: Educação Imersiva. São Paulo. 2018. Disponível em: <http:// romerotori.blogspot.com/2018/07/educacao-imersiva. html> Acesso em: 15 ago. 2018. Caira de Abreu de Souza Técnica Especialista em EAD - Diagramador Coordenadoria de Educação Profissional - CEP SENAI Tubarão - Regional Litoral Sul Mauro Lorençatto Técnico em Assuntos Educacionais - Coordenado- ria Pedagógica IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) IFSC - Pólo Garopaba 59 SEÇÃO 2.3 ESTUDO SOBRE AS INTERAÇÕES PEDAGÓGICAS ENTRE PROFISSIONAIS DE QUÍMICA E INTÉRPRETE DE LIBRAS EM UMA ESCOLA DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE DE ITUMBIARA (GO) Introdução O processo de inclusão de alunos com deficiência na educação regular resultou de uma incessante luta contra preconceitos e discriminações que durante anos se fizeram muito presente em nossa sociedade. Para que o processo educacional voltado às pessoas com 60 deficiência ganhasse o status de inclusão, da forma como hoje conhecemos, três importantes fases no desenvolvimento educacional foram marcantes, sendo elas: fase de exclusão, fase de segregação institucional e fase de in- tegração (SASSAKI, 1997). Neste cenário, a Política Nacional da Inclusão Escolar na Perspectiva da Educação Inclusiva enfatiza que todas as instituições de ensino regular têm por obrigação atender e respeitar as necessidades educacionais do aluno incluso na classe regular. Isto é, as escolas devem disponibilizar vários serviços, apoio pedagógico, estratégias e ainda um atendimento educacional especializado (CAMPOS; DUARTE, 2011). De acordo com Lacerda (2013), a educação especial, especificamente nas escolas regulares de rede pública, vem sendo alvo de grandes desafios e discussões para os profissionais desta área, que lutam pela construção do direito à educação para todos. No entanto, as escolas de educação básica recebem alunos surdos e estes têm enfrentado muitos obstáculos em relação à aprendizagem de conceitos científicos. A educação dos surdos tem se mostra- do sempre como um assunto polêmico que requer cada vez mais a atenção de pesquisadores e estudiosos da edu- cação. As propostas educacionais de- senvolvidas ao longo do último século não se mostraram eficientes e encon- tra-se um grande número de sujeitos surdos que após anos de escolarização apresentam uma série de limitações, não sendo capazes de ler e escrever satisfatoriamente e não tendo um do- mínio adequado dos conteúdos aca- dêmicos. (LACERDA, 2000, p. 70-71). Nestas circunstâncias, a educação dos surdos é um cenário desafiador e inspirador. Segundo Tenor e Deliberato (2015), é notório que o processo de inclusão do aluno surdo não de- pende apenas de ações dos professores em sala de aula e, sim, demandam da troca de saberes entre todos os profissionais envolvidos do ambiente escolar. Sabe-se que os surdos possuem sua própria língua predominante, que é a Língua Brasileira de Sinais (Libras), sendo esta regulamentada no Brasil por meio da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002 (BRASIL, 2002), e o decreto nº 5.626, de 22 de Dezembro de 2005 (BRASIL, 2005), que regulamenta, reconhece a língua como uso corrente e legítimo de uma grande parcela dos surdos brasileiros, além de sua inserção e de sua regulamentação nos currículos de Ensino Básico para surdos e nas escolas inclusivas. Para atender às normas do aspecto de educação especial, é indispensável a presença de um Tradutor e Intérprete de Libras (TILS) capacitado em sala de aula, cuja atuação reconhecida como profissão pela Lei 12.319, de 1 de setembro de 2010 (BRASIL, 2010). Tal necessidade de- ve-se ao fato de que o profissional capacitado transmitirá ao surdo as informações orais com fidelidade (DORZIAT; ARAÚJO, 2012). Inúmeros professores não são qualificados para agir diante de um aluno surdo. Isso ocorre, por- que a formação de um licenciado, muitas vezes, não é voltada para a inclusão. E, por isto, quando o professor entra em contato com um aluno surdo ocorre o “choque”. Diante disso, é de suma importância, portanto, a presença de um intérprete em sala de aula,pois este é a ponte comunicativa entre o professor e o aluno surdo. O processo de ensino e aprendizagem do aluno surdo traz aos professores o grande “[...] desafio de se estabelecer uma forma de comunicação efetiva, visto que, uma vez ultrapassada a bar- reira da aquisição, as demais práticas educati- vas seriam condizentes com as empreendidas 61 anualmente e atende demandas de uma Usina Sucroenergética da região. A turma conta com cerca de 20 (vinte) alunos com necessidade específica (visual, auditiva, mental, Física e Múltipla), os quais estão empregados na empresa da região. Metodologia da Pesquisa O presente trabalho faz referência a uma pes- quisa qualitativa. Martins (2004) afirma que a pesquisa qualitativa é importante, porque permite coletar evidências a respeito do tema abordado de maneira criadora e intuitiva, visto que há uma proximidade entre pesquisador e pesquisado, possibilitando a compreensão de crenças, tradições, em um máximo en- trelaçar com o objeto em estudo. Segundo Zago (2003), uma pesquisa na perspectiva qualitativa deve permitir a compreensão da realidade homogênea do ambiente de es- tudo, condição que se articula à percepção apontada anteriormente sobre pesquisador e participante da pesquisa. A construção dos dados na abordagem qua- litativa de uma pesquisa é um momento de suma importância, pois a partir da reflexão sobre as informações é que a problemática será respondida. Bons dados são construídos a partir de clareza no referencial teóricos e seriedade na escolha e construção dos ins- trumentos a serem utilizados. Segundo Zago (2003), os instrumentos adotados na coleta de dados somente ganham sentido quando articulados à problemática de estudo. Com relação aos instrumentos, González Rey (2010) afirma que estes representam apenas o meio pelo qual vamos provocar a expressão do participante da pesquisa, ou seja, o instrumento permite que o sujeito se expresse no contexto em que se realiza a pesquisa. Para atingir o objetivo de traçar o no ensino dos alunos ouvintes.” (PEREIRA; MENDES, 2009, p. 43). Para isso, conhecer as necessidades educativas específicas da surdez pode auxiliar no processo de ensino e aprendizagem dos surdos. Com ênfase ao ensino de Química, sabe que esta área é extremamente complexa ao aluno surdo, que possui grandes dificuldades na apropriação do conhecimento relacionado à disciplina. Isso ocorre devido à falta de metodologias inovadoras, da ausência de materiais didáticos e da linguagem própria da química. Além disto, os profissionais que atuam na interpretação e tradução das aulas de química lidam com a escassez de sinais específicos da química, e isto inibe ainda mais os processos de ensino e de aprendizagem, pois a carência de sinais dificulta a comuni- cação e a construção do conhecimento do aluno surdo que tem a Libras como língua materna (SALDANHA, 2011). De acordo com Charallo, Freitas e Zara (2018), um dos principais problemas relacionados ao aprendizado desta disciplina pela maioria dos alunos é o elevado grau de abstração neces- sário para entender teorias e modelos em nível microscópico e fenômenos observados em escala macroscópica. Esta situação se agrava para alunos surdos na escola inclusiva que tem acesso aos conceitos científicos apresentados pelo professor através de um mediador de Língua de Sinais. Nesta perspectiva, esta pesquisa teve como objetivo traçar o perfil de professores de Química que atuam no curso de Auxiliar de Produção de Açúcar e Álcool em uma turma de educação inclusiva na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do município de Itumbiara-Goiás, além de identificar a relação professor-intérprete e alguns aspectos que norteiam o processo do ensino de química. O curso é ofertado 62 perfil de professores de Química que atuam no curso de Auxiliar de Produção de Açúcar e Álcool em uma turma de educação inclusiva na escola (SENAI) de Itumbiara-Goiás, inicialmente solici- tou-se a autorização da supervisão escolar para a aplicação dos questionários aos professores que atuam diretamente com alunos surdos na escola. Destaca-se a escolha desta instituição de ensino, pois a mesma atende a uma turma com 20 (vinte) alunos, os quais todos possuem uma necessidade específica1. Após a autorização, aconteceram as visitas aos professores, conforme data e horário agenda- dos antecipadamente, para explanar sobre os objetivos da pesquisa, bem como para marcar um horário para a aplicação do questionário. Optou-se pelo uso do questionário como instru- mento de coleta de dados, devido à facilidade dos sujeitos responderem às questões no momento em que acharam mais oportuno. Para Gil (1999, p. 128-129), os questionários são uma técnica de investigação que, por meio de um número mais ou menos elevado de questões escritas, visa “[...] o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc.” 1 Necessidades Específicas - Esta pesquisa utiliza o termo necessidades específicas em concordância com o argu- mento do documento base da Ação TECNEP - Tecnologia, Educação, Cidadania e Profissionalização para Pessoas com Necessidades Específicas, entendendo que cada pessoa com alguma necessidade física, emocional, cog- nitiva, relacionadas ou não há uma deficiência, apresenta uma necessidade específica, que atende unicamente ao seu caso, e não uma “necessidade especial”. Não há no momento nenhum documento ou legislação que justifique o termo “pessoa com necessidade específica”, porém já se concorda com essa terminologia. Os questionários foram compostos por questões discursivas e objetivas, que buscavam traçar o perfil acadêmico destes docentes, bem como informações relacionadas à sua formação, ao ensino de Química na perspectiva inclusiva e a relação entre professor-intérprete no processo de ensino e aprendizagem. Os questionários foram respondidos por 3 (três) docentes. Levando em consideração a ética e o sigilo na identificação dos sujeitos, os docentes fo- ram identificados como: P1, P2 e P3. Todos os professores ministram aulas do componente curricular de Química no curso de Auxiliar de Produção de Açúcar e Álcool. Resultados e Discussão Historicamente, os alunos público-alvo da educa- ção especial são diferenciados daqueles alunos ditos então “normais”, mas vemos movimentos políticos na década de 1990 que buscam superar essa segregação e então garantir o acesso e permeância destes sujeitos na escola regular. Segundo Turqueti et al. (2013), as políticas pú- blicas em educação devem promover o acesso e a permanência de todos, mas não apenas no que concerne à sua presença física. Trata-se de acesso e permanência com qualidade, o que implica serviços educacionais adequados. Enfim, a garantia da presença do aluno já foi con- quistada. Na atualidade, lutamos pela garantia do direito do desenvolvimento cognitivo deste aluno. Corroborando com essa ideia, Turqueti et al. (2013) aponta que, além de trazer muitos desafios nos âmbitos legais, a prática de edu- cação inclusiva envolve tomada de decisões e desenvolvimento de ações que deverão levar em conta não só a garantia de direitos, como também um ensino de qualidade que possa realmente beneficiar a todos, independentemente de suas 63 necessidades. Os princípios de inclusão e qualidade são complementares, não exclu- dentes. A formação de professores torna-se, então, um dos aspectos centrais para a ga- rantia da inclusão e do processo de ensino e aprendizagem dos alunos com deficiência. Dessa forma, levantou-se o perfil dos sujeitos participantes, que se descreve o no Quadro 1. Por meio desse perfil, foi possível observar que os professores possuem pouca experi- ência no que diz respeito à atuação com os alunos surdos, experiência essa que ocorreu, devido ao programa “Veja Diferente” ter sido implantado em 2016 na escola. Quadro 1: Perfil dos Professores de QuímicaProfessor Sexo Idade Formação Acadêmica Experiência como Docente Experiência com Alunos Surdos P1 M 27 anos Técnico em Química e Bacharelado em Farmácia 4 anos 2 anos P2 F 30 anos Licenciatura em Química, es- pecialização em Docência na Educação Profissional e Tecnológica Mestrado em Defesa Sanitária Vegetal. 8 anos 2 anos P3 F 33 anos Licenciatura em Química e Especialização em Docência na Educação Profissional e Tecnológica 8 anos 1 ano Fonte: Os autores (2019) Partindo do tempo de profissão docente, acredita-se que os sujeitos devem ter vi- venciado a inclusão da disciplina Libras nos cursos de graduação, por meio do o Decreto nº 5.626/05, que afirma que todos os cursos de formação de professores devem inserir em seus currículos a disciplina de Libras, com o objetivo de formar os professores que serão responsáveis pelo ensino dos alunos surdos nas escolas inclusivas, sendo ela a única disciplina específica desta área no currículo de formação. Mas, acredita-se que apenas a inserção desta disciplina não é garantia de que os dos licenciados tenham uma formação consolidada na área da educação especial. A partir da pouca experiência dos professores com os alunos surdos, é de extrema impor- tância que estes trabalhassem em colabora- ção com o intérprete de Libras, de forma a garantir o processo de ensino e aprendizagem do aluno. Nessa perspectiva, destaca-se o excerto de P2: Excerto 1 - Todo o material é passado com antecedência para o intérprete, fa- cilitando assim o processo de Tradução e Interpretação das aulas. A partir da fala de P2, vemos que esse traba- lho em colaboração vem acontecendo entre o professor e o intérprete. Acredita, assim, que, para promover a educação especial, não basta somente que o aluno surdo frequente uma sala de aula, mas é necessário que suas especificidades sejam atendidas, de forma a garantir o desenvolvimento cognitivo do mesmo. No entanto, destaca-se o papel do professor no tange ao desenvolvimento de um trabalho 64 que valorize todas as diferenças, e que esta valorização esteja pautada nos objetivos de uma educação que vise à valorização do exercício e cidadania e a preparação para estar inserido nos mais variados contextos sociais. E, para tanto, faz-se necessária a interação do aluno surdo com o ouvinte. Excerto 2 - “Apesar de todas as limitações temos um aprendizado homogêneo e to- dos os alunos se preocupam em comunicar com os surdos”. (P1) Excerto 3 - “Eles têm uma boa interação, muitos alunos até aprenderam alguns sinais para se comunicar com os alunos surdos” (P2) Vemos pelas falas de P1 e P2 que os demais alu- nos buscam essa comunicação, o que também contribui com o processo de ensino e aprendi- zagem do aluno, uma vez que a socialização é importante para o desenvolvimento de diversas habilidades, ou seja, o aluno se insere em um grupo cultural e social, e o aprendizado ocorre mediante a inserção do indivíduo em um grupo cultural, promovendo assim o desenvolvimento cognitivo do mesmo. Adams (2018) corrobora com essa afirmação dizendo que, quando o aluno começa a dominar conhecimentos de química, passa a ser trans- formado não só pelo conteúdo das disciplinas que lhe oferecem outra base explicativa dos eventos, dos fatos, mas também é provocado a ter um modo de pensar mais complexo, a dirigir voluntariamente sua atenção, a lembrar-se das coisas de modo mediado. Neste sentido, a escolarização provoca verdadeiras revoluções nos alunos. Mas essa interação também precisa ser me- diada, de forma que os alunos tenham contato com os diversos grupos da sala: Excerto 4 – “Pela experiência que tive, percebi que inicialmente o professor tem que mediar a interação, caso contrário os grupos são formados por pessoas com deficiências semelhantes” (P3) Portanto, a mediação é fundamental para o desenvolvimento do aluno surdo. Os conheci- mentos já elaborados pelos homens devem ser mediados pelo professor aos estudantes, através de um planejamento que leve em consideração as potencialidades dos alunos com deficiência, o que permite que eles tenham acesso ao desen- volvimento cultural (ADAMS, 2018). Portanto, acredita-se que o bom aprendizado ocorre por meio da mediação, que é tão importante para o desenvolvimento cognitivo quanto para o de- senvolvimento social. CONCLUSÃO Ao analisar os dados obtidos, pode-se observar que na escola SENAI de Itumbiara-Go acorre uma boa interação entre professor e intérprete de Libras, o que contribui para o ensino e apren- dizagem de Química, sendo essa uma disciplina de difícil compreensão para os alunos surdos. Notamos que os professores já possuem a inicia- tiva de encaminhar o material para o intérprete com antecedência, para assim realizar a adapta- ção do material. Além disso, também trabalham o conteúdo utilizando imagens, melhorando o processo de ensino do aluno surdo. Isso vem ao encontro do que afirma Botelho (1999), que ressalta a importância do professor e de suas metodologias para o sucesso do aluno surdo e diz que professores interessados, dinâmicas escolares que valorizam o papel do professor como mediador e que incentivam a construção do conhecimento através da interação com ele 65 e com os colegas, além da presença de um intérprete de Língua de Sinais na sala de aula, são algumas entre várias situações pedagógicas consideradas condições ne- cessárias para a construção da interação entre surdos e ouvintes; mais do que isso, dos processos sociais de leitura e de escrita pelo surdo. REFERÊNCIAS ADAMS, F. W. Docência, Formação de Professores e Educação Especial nos Cursos de Ciências da Natureza. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Goiás, Unidade Acadêmica Especial e Educação - Programa de Pós-Graduação em Educação, Catalão, 2018. BOTELHO, P. Educação inclusiva para surdos: desmistificando pressupostos. In: I Seminário de Educação Inclusiva. PUC, Minas Gerais, 1999. BRASIL. Decreto nº 5.626. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Publicado no diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2005. Senado Federal: Brasília, 2005. ______. Lei nº 10.436. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e dá outras providências. Publicado no diário Oficial da União em 24 de abril de 2002. ______. Língua Brasileira de Sinais: “uma conquista histórica”. Senado Federal: Brasília, 2006. ______. Lei n. 12.319/10, 1 de setembro de 2010. Reconhece a profissão do Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 2010. CAMPOS, J. A. P. P.; DUARTE, M. O aluno com deficiência na EJA: reflexões sobre o atendimento educacional especializado a partir do relato de uma professora. Revista Educação Especial, v. 24, n. 40, p. 271-284, 2011. CHARALLO, T. G. C.; FREITAS, K. R.; ZARA, R. A. Análise dos Sinais de Química Existentes em Libras Segundo a Gestualidade. Experiências em Ensino de Ciências, v. 13, n. 1, 2018. DORZIAT, A.; ARAÚJO, J. R. O intérprete de língua de sinais no contexto da educação. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 18, n. 3, p. 391-410, 2012. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. GONZÁLEZ REY, F. L. Pesquisa Qualitativa e Subjetividade: os processos de construção da informação. Tradução Marcel Aristides Ferrada Silva. São Paulo: Cengage Learning, 2010. LACERDA, C. B. F. de. A prática pedagógica mediada pela língua de sinais: trabalhando com sujeitos surdos. Caderno CEDES, Campinas, v. 20, n. 50, 2000. LACERDA, C. B. F.; SANTOS, L. F. Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à libras e educação de surdos. 1. ed. São Carlos: EDUFSCar, 2013. MARTINS, H. H. T. D. Metodologia qualitativa de pesquisa. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 289-300, 2004. PEREIRA, V. A.; MENDES, E. G. Análise conceitual da deficiência auditiva: perspectivashistóricas e educacionais. In: da COSTA, M. P. R. (Org.). Educação Especial: aspectos conceituais e emergentes. São Carlos: EDUFSCar, 2009. PEREIRA, L. L. S.; BENITE, C. R. M.; BENITE, A. M. C. Aula de Química e Surdez: sobre Intervenções Pedagógicas Mediadas pela Visão. Química Nova na Escola, v. 33, n. 01, 2011. SALDANHA, J. C. O ensino de química em língua brasileira de sinais. 2011. Dissertação (Mestrado em Ensino das Ciências na Educação Básica) – Curso de Pós-Graduação Pós Graduação em Ensino das Ciências na Educação Básica, Universidade do Grande Rio Universidade “Prof. José de Souza Herdy”, Duque de Caxias, 2011. SASSAKI, R. K. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8. ed. Rio de Janeiro: WVA, 1997. TENOR, A. C.; DELIBERATO, D. Sistematização de um programa de capacitação ao professor do aluno surdo. Revista Brasileira de Educação Especial, v. 21, n. 3, p. 409-422, 2015. TURQUETI, A.; SOUZA, C. B. G.; CHINALIA, F. Formação de professores na perspectiva da educação inclusiva: considerações iniciais sobre as políticas educacionais. In: MARTINS, S. E. S. O.; GIROTO, C. R.; SOUZA, C. B. G. (org.). Diferentes olhares sobre a inclusão São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2013. ZAGO, Nadir et al. (Org.). Itinerários de Pesquisa – perspectivas qualitativas em Sociologia da Educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. 66 Rogério Pacheco Rodrigues Instrutor de Educação Profissional em Química Escola SENAI de Itumbiara-GO SENAI Departamento Regional de Goiás Fernanda Welter Adams Professora Substituta de Química Instituto Federal Goiano – Câmpus Morrinhos Jéssyca Lourraine Garcia Eugênio Coordenadora Pedagógica Escola SENAI de Itumbiara-GO SENAI Departamento Regional de Goiás Jaliane Soares Borges dos Santos Tradutora e Intérprete de Libras Instituto Federal de Goiás – Câmpus Itumbiara 67 SEÇÃO 3.1 PROJETO DE TRABALHO AUTOCONHECIMENTO, INTERAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO Introdução Uma das principais características dos cursos técnicos do SENAI são os métodos práticos de aprendizagem, que promovem a integração entre o aluno e a realida- de do mercado de trabalho, o quê, rapidamente, se reverte em empregabilidade. Esses cursos combinam conhecimentos teóricos e práticos, promovendo o desen- volvimento de capacidades técnicas e socioemocionais, necessárias à inserção no mundo do trabalho. 68 As competências socioemocionais visam colocar em prática as melhores atitudes e habilidades para controlar emoções, alcançar objetivos, demonstrar empatia, manter relações sociais positivas e tomar decisões de maneira responsável em nossa vida pessoal e profissional. (PORVIR, 2014). Contudo, mesmo promovendo estratégias de ensino que visam desenvolver capaci- dades sociais, organizativas e metodoló- gicas - SOM, muitos estudantes de cursos profissionalizantes mantêm o foco apenas no aprimoramento técnico, desconside- rando as competências socioemocionais. Nesse contexto, nasceu o proje- to “Autoconhecimento, Interação e Transformação”, desenvolvido em três turmas de Cursos Técnicos, sendo duas na unidade de Concórdia e uma na unidade de Chapecó, em Santa Catarina, no período de 20 de maio a 01 de junho de 2019. Fonte: SlidShare Justificativa O presente projeto, desenvolvido no âmbito do MBI em Educação para o Profissional do Futuro1, nasceu da observação de docentes do SENAI, em seu dia a dia, de que grande parte dos alunos se preocupa muito com o desenvolvimento de capacidades técni- cas, sem levar em conta a importância das competências socioemocionais para a sua formação profissional. Objetivos Tomando como referência o desenvolvi- mento das competências socioemocionais definidas nos perfis profissionais, o projeto se propôs a: 1 Curso de Pós-Graduação lato sensu ofertado pela Faculdade de Tecnologia SENAI Florianópolis. • oportunizar reflexões e debates en- tre os alunos, de modo que revissem suas percepções quanto à relevância das competências socioemocionais na formação profissional; • criar oportunidades para que os alunos desenvolvessem competências socioemocionais essenciais às relações interpessoais. Público-Alvo O projeto foi realizado especificamente com estudantes de Cursos Técnicos em três turmas do Departamento Regional de Santa Catarina - duas turmas da unidade de Concórdia e uma em Chapecó, envol- vendo 85 alunos: Técnico em Mecânica- 25 alunos; Técnico em Eletrotécnica- 32 alunos; e Técnico em Desenvolvimento de 69 Sistemas- 28 alunos. Os alunos partici- pantes possuem idade entre de 16 e 35 anos, sendo 88% do gênero masculino e 12% feminino. O Percurso da Experiência 1ª Etapa - Aprimorando saberes O primeiro passo foi um debate sobre o tema, por meio de ferramentas visuais e auditivas, abordando: • o que são competências socioemocionais; • como desenvolvê-las; • sua importância; • sua relação com o desenvolvimen- to pessoal e profissional; • proposição do Projeto. Para aprofundar seus conhecimentos e fundamentar os conceitos estudados, os alunos realizaram, individualmente, uma pesquisa. Fonte: Os autores 2ª Etapa – Auto avaliação A segunda etapa envolveu uma auto- avaliação, quando os alunos tiveram a oportunidade de identificar suas com- petências socioemocionais e definirem quais precisariam desenvolver. Fonte: Os autores 70 3ª Etapa - Desenvolvimento colaborativo Separados em equipes, utilizando um QR Code, os alunos realizaram um debate sobre a relevância das competências socioemo- cionais para a formação profissional e a necessidade de cada um em relação a essas competências. Fonte: Os autores Nas equipes, identificaram as competências individuais que apresentaram maior inci- dência na pesquisa da etapa 2 e destacaram quais delas precisariam ser desenvolvidas pelos integrantes. Posteriormente, gravaram um vídeo com seus celulares, solicitando auxílio para co- legas de outra unidade para o desenvolvi- mento de uma competência considerada crítica pela equipe, baseando-se em um ciclo de compartilhamento. Esse momento pode ser conferido pelo link: https://drive.google.com/open?id=1-R5A- cwm91d9AvWV2NfsGRaOvsa5-Zhyo Recebendo a situação-problema de seus colegas, os alunos realizaram estudos so- bre as competências críticas e propuseram alternativas de soluções como proposta de aperfeiçoamento aos solicitantes. A solução proposta para o desenvolvimento de competências consideradas críticas foi enviada em formato de vídeo. No link a seguir, é possível verificar como aconteceu essa etapa. https://drive.google.com/open?id=13GaV- -nbGxJ9RIGe82_52Vf1QfwFbqBSI 4ª Etapa - Aplicação prática Com as sugestões recebidas pelos colegas, os alunos se comprometeram a aplicá-las em sua vida profissional, conferindo às com- petências socioemocionais a mesma im- portância dada às competências técnicas. 5ª Etapa - Feedback da experiência Para ratificar a relevância do projeto, ao final, foi realizado um questionário, por meio do Google Forms, quando os alunos utilizaram seus próprios celulares e laboratórios de informática para responderem às questões. https://forms.gle/vqNXv2cWTC6QMLzD8 71 Os resultados - Ressignificação das competências O interesse e envolvimento dos alunos em cada etapa do Projeto evidenciou a importância de promover situações de interação entre eles na construção de novos conhecimentos e no desenvolvi- mento de capacidades essenciais à sua formação profissional. As respostas obtidas na pesquisa reali- zada após as quatro etapas do projeto reforçam essa percepção. Ao final, 96,4% dos alunos demonstraram considerar relevante o desenvolvimento das com- petências socioemocionais para a sua formação profissional. Dentre as informações obtidas na pes- quisa, destaca-se o fato de que 53,6% dos estudantes não possuíam conheci- mentos sobre as competências socioe- mocionais antesda realização do projeto e 69,3% encontraram dificuldades para definir quais competências precisariam desenvolver. Considerações finais A interação entre docentes e alunos, a contextualização do conhecimento, a utilização de metodologias ativas e o trabalho colaborativo foram importantes direcionadores de todas ações e temas propostos no decorrer do Projeto. Os alunos ressaltaram, ao término dessa experiência, que o trabalho colaborati- vo, o crescimento profissional e a visão sistêmica foram pontos altos do projeto. REFERÊNCIAS PORTAL DA INDUSTRIA. O que é o SENAI. Disponível em: http://www.portaldaindustria.com.br/ senai/institucional/o-que-e-o-senai/. Acesso em: 19 jun. 2019. PORVIR. Especial Socioemocionais. Disponível em: http://porvir.org/especiais/socioemocionais/. Acesso em: 19 jul. 2019. Andrey da Luz Oliveira Especialista de Ensino em Gestão SENAI Lages Departamento Regional de Santa Catarina 72 Monica Prior Especialista em Metal Mecânica SENAI Concórdia Departamento Regional de Santa Catarina Sinara Sant’Anna Celistre Gestora do Programa SENAI de Coordenação Pedagógica e Desenvolvimento Docente – PSCD Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP SENAI - Departamento NACIONAL Valério Junior Piana Coordenador do CST de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Líder da Cisco Networking Academy e Especialista de Ensino SESI/SENAI Chapecó Departamento Regional de Santa Catarina Claudemir Rogério Oldoni Especialista de Ensino SENAI Concórdia Departamento Regional de Santa Catarina 73 SEÇÃO 3.2 FÁBRICA DE MASSINHAS DE MODELAR Simulação dos Processos Logísticos através de uma Fábrica de Massinha de Modelar. Através desta prática, o aluno planeja os recursos, excuta a produção, verifica os produtos produzidos, realiza a embalagem e distribuição das massinhas, percorrendo todos os processos logísticos. Esta Situação de Aprendizagem tem sido aplicada nas modalidades de Aprendizagem Industrial Básica e Habilitação 74 O link a seguir contém detalhes da Situação de Aprendizagem, bem como evidências coletadas ao longo de dois anos de trabalho. Técnica Profissionalizante dos Cursos de Logística, com muita aceitação por parte dos alunos e pela comunidade envolvida (as crianças que recebem as massinhas para brincar). https://padlet.com/fabianedasilvadesousa/m02nqkvfrqpq Fabiane da Silva de Sousa Instrutor II Camaçari-BA Bahia Lucivânia Silva Carneiro de Cintra Instrutor II Feira de Santana-BA Bahia 75 SEÇÃO 3.3 PROJETO CIRCUITO SIS - DEPARTAMENTO REGIONAL DE RONDÔNIA Vídeo O Departamento Nacional do SENAI lançou o circuito SIS, uma iniciativa que integra o SENAI, a indústria e a sociedade. Em Vilhena - RO, coordenei as ações do Circuito, quando foram selecionados alguns alunos, que, mobilizando suas competências em distintas áreas tecnológicas, participaram da realização do projeto. Inicialmente, desenvolveu-se um formulário de pesquisa online para identificar as demandas 76 da comunidade local, quando dois temas se destacaram: iluminação pública e si- nalização viária (trânsito). Diante disso, a equipe analisou o problema da iluminação pública, concluindo que muitas lâmpadas permaneciam acesas durante o dia, um problema causado por conta da queima do relé fotoelétrico. Para resolvê-lo, realizamos a substituição de 52 pontos, em toda a cidade, durante três dias. Isto resultou na economia de aproximadamente quatro mil quilowatts por mês. Em seguida, conside- rando o tema relacionado à sinalização viária, projetamos uma rotatória utilizando pneus inservíveis, que foi instalada em uma das principais avenidas da cidade. Houve a parceria da indústria e da prefeitura, através das secretarias correlacionadas. A ação teve grande repercussão em toda a mídia local. Isto foi muito gratificante. Confira, no link a seguir, este valioso projeto. Gutemberg Torquato dos Santos Docente, projetista e consultor técnico Vilhena RO Rondônia https://www.youtube.com/watch?v=-N2g8IitAE0 77 SEÇÃO 3.4 APLICABILIDADE DA TABELA J2: UMA INOVAÇÃO NO CÁLCULO DA RAIZ QUADRADA E DE PROGRAMAÇÕES BINÁRIAS Resumo A presente pesquisa perseguiu o objetivo de demonstrar que há diversas formas para desenvolver e explorar o cálculo da raiz quadrada. Metodologicamente, utili- zou-se experimento controlado aos alunos do ensino médio e do ensino técnico. Os resultados apontaram que inovações são possíveis quando se permite que pessoas 78 comuns no processo de aprendizagem de- senvolvam seus próprios conceitos através de uma análise peculiar da desconstrução daquilo que é proposto ao ensino. Palavras-chaves: Inovação, Raiz quadrada, Códigos binários. INTRODUÇÃO O cálculo de uma raiz quadrada parece fácil para quem sabe multiplicar um número por outro ou potencializar um número por dois. A forma de ensino de décadas sempre foi a mesma da praticada no passado: a multi- plicação de um número por ele mesmo, ou um número elevado ao quadrado, obtém- -se um resultado, ou seja, uma percepção lógica onde se identifica a terminação da raiz quadrada sendo um número decimal ou milhar, cujo o valor seja 1, percebe-se que naturalmente as possibilidades são reduzidas de campos múltiplos, sendo determinantes os valores para cálculo os números repetidos terminados em 1 ou 9; desta maneira atende à lógica. Uma vez que a terminação da raiz for o número 4, tem-se os números múltiplos repetidos terminados em 2 ou 8; se for terminado pelo número 5, dar-se-á múltiplos repetidos iguais do número cinco, dados como: √ 961 = 31; √ 144 = 12; √ 3025 = 55. “Como assim?” Expressão de uma menina de treze anos que observou algo diferente para fazer a conta e permitindo que sua a mente vagueasse na descoberta de um novo conceito, possibilitou uma inovação na tentativa de realizar logicamente aquilo que, até então, era óbvio para a compre- ensão dos estudantes diante de diversas contas com a finalidade de encontrar o quadrado perfeito ou a raiz quadrada. RAIZ QUADRADA Convencionalmente, o cálculo da raiz qua- drada está relacionado ao conteúdo da potencialização, que é dado pelo produto de fatores iguais que resulta no que cha- mamos de potência. Veja: zn = b z = base n = expoente b = potência Quanto à raiz quadrada, esta possui sua estrutura própria, visto que o seu índice sempre será o número 2. Observe a des- crição da estrutura e da nomenclatura das partes de uma raiz quadrada. √ 961 = 31 961 = radicando √ 961 = radical Índice oculto = 2 Considera-se uma raiz quadrada exata quando o resultado é um número inteiro, contudo o resultado que não é um número inteiro não é descartado, pois pertence ao conjunto de números irracionais, e, por conseguinte, todas elas são números de- cimais infinitos. Esse cenário de decomposição de raiz quadrada por fatores primos também foi explorado no processo de aprendizagem da estudante. Por isso, uma ideia excepcional 79 apresenta na tabela da Júlia Paniago, chamada de *Tabela JP2. CONHECENDO A TABELA Na tabela, a coluna (A) demonstra uma sequência de NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE; A coluna (B) representa o RADICANDO, este somado com o próximo NÚMERO ÍMPAR CRESCENTE (A+1); A coluna (C) está representada pelo RADICAL, que é o resultado da coluna (B); A coluna (D) representa a sequência finita e também o resultado da raiz quadrada proposta. NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA ( A ) ( B ) (C) (D) 1 1 √ 1 1 3 4 √ 4 2 5 9 √ 9 3 + ← ←= Para encontrar o valor do Radicando da linha posterior (4), deve-se somar o valor da linha atual da coluna B (1) com o número ímpar da linha posterior da coluna A (3) que resultará no Radicando se apresentou quando ela observara ao seu redor, que gerou uma perspectiva dentro do processo de ensino sobre o cálculo da raizquadrada, uma vez que significativamente a conta fez sentido num patamar de desconstrução, des- crença e dúvida sobre o cálculo para uma necessidade criativa de produzir sua própria tabela de aplicação do co- nhecimento, a qual não afetou a predo- minância daquilo que era ensinado, mas fomentou o entusiasmo e a alegria de poder pensar fora da caixinha, e, com isso, gerar novas pesquisas para utilização do método simples e inovador conforme que formará o radical da raiz quadrada proposta (4) da sequência representada na coluna D (2), a qual este também será o valor da raiz. Qual seja: 1 + 3 = 4. NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA (A) (B) (C) (D) (A) (B) (C) (D) 1 1 √ 1 1 49 625 √ 625 25 3 4 √ 4 2 51 676 √ 676 26 5 9 √ 9 3 53 729 √ 729 27 7 16 √ 16 4 55 784 √ 784 28 9 25 √ 25 5 57 841 √ 841 29 11 36 √ 36 6 59 900 √ 900 30 13 49 √ 49 7 61 961 √ 961 31 15 64 √ 64 8 63 1024 √ 1024 32 17 81 √ 81 9 65 1089 √ 1089 33 19 100 √ 100 10 67 1156 √ 1156 34 80 NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA 21 121 √ 121 11 69 1225 √ 1225 35 23 144 √ 144 12 71 1296 √ 1296 36 25 169 √ 169 13 73 1369 √ 1369 37 27 196 √ 196 14 75 1444 √ 1444 38 29 225 √ 225 15 77 1521 √ 1521 39 31 256 √ 256 16 79 1600 √ 1600 40 33 289 √ 289 17 81 1681 √ 1681 41 35 324 √ 324 18 83 1764 √ 1764 42 37 361 √ 361 19 85 1849 √ 1849 43 39 400 √ 400 20 87 1936 √ 1936 44 41 441 √ 441 21 89 2025 √ 2025 45 43 484 √ 484 22 91 2116 √ 2116 46 45 529 √ 529 23 93 2209 √ 2209 47 47 576 √ 576 24 95 2304 √ 2304 48 97 2401 √ 2401 49 109 3025 √ 3025 55 99 2500 √ 2500 50 111 3136 √ 3136 56 101 2601 √ 2601 51 113 3249 √ 3249 57 103 2704 √ 2704 52 115 3364 √ 3364 58 105 2809 √ 2809 53 117 3481 √ 3481 59 107 2916 √ 2916 54 119 3600 √ 3600 60 *Segue uma sequência finita Aplicabilidade da tabela JP2 Diante da apresentação da tabela, a sua aplicação segue sedimentada na estrutura a seguir. a) Predispõe o uso da tabela para encontrar o valor da raiz quadra- da no número 1849. NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA (A) (B) (C) (D) 81 1681 √ 1681 41 83 1764 √ 1764 42 85 1849 √ 1849 43 Rapidamente, encontra-se o valor 43. Mas, com o uso da tabela de forma didática, dar-se-ão as seguintes observações: b) A cada radicando com a ter- minação em centena, como 100, 400, 900... tem-se um número ímpar sequencial de vinte em vinte, iniciando pelo número de- zenove, veja: 81 NÚMEROS ÍMPARES CRESCENTE RADICANDO [B + (A+1)] RADICAL SEQUÊNCIA RAIZ QUADRADA (A) (B) (C) (D) 19 100 √ 1001 10 39 400 √ 400 20 59 900 √ 900 30 Considerando a informação descrita no item b, o valor mais próximo com essas características do radicando proposto é o número 1600, cuja raiz quadrada é 40, e tem o número equivalente ímpar o número 79. Nessa lógica, faz-se a conta: 1600 + 81 = 1681, sendo √ 1681 = 41 1681 + 83 = 1764, sendo √ 1764 = 42 1764 + 85 = 1849, sendo √ 1849 = 43 Sendo assim, para encontrar o valor da raiz quadrada do número 1849, temos que acrescentar, o valor de 81, 83 e 85 ao número 1600, e encontrar a sequên- cia da tabela, qual seja, 40, 41, 42 e 43, conforme tabela descrita no item a. A quebra de paradigma representa um percentual de cinco por cento das pes- soas que aprenderam a calcular raiz quadrada e utilizam a lógica da termi- nação do número a ser calculado, outras representam 37% de pessoas que apren- deram decorando devido a repetições de questões com os mesmos números, como raiz quadrada de vinte e cinco, resulta cinco. As demais pessoas fazem a decomposição da raiz por fatores pri- mos, que não é errado, mas demanda mais tempo. A tabela vem representar uma lógica de raciocínio que pode ser usado também na programação binária, é claro que não quero discordar dos estudos já concreti- zados, cuja “a base” binária1, assim como a decimal, é capaz de simbolizar todos os números possíveis e imagináveis. No entanto, ao contrário da forma mais co- mum, utiliza-se apenas os símbolos 0 e 1. No caso de “vinte e quatro”, por exemplo, escreve-se 11000. E “vinte e cinco”? 11001. “Vinte e seis?” 11010. Talvez você já tenha percebido um padrão aí. Na base decimal, vinte e quatro é escrito da seguinte forma: 24 = 2x101 + 4x100 = 2x10 + 4x1 = 24.” Tabela ASCII para binários ASCII é uma sigla para “American Standard Code for Information Interchange” (Código Padrão Norte-americano para Intercâmbio de Informações). Esse có- digo foi proposto por Robert W. Bemer, visando padronizar os códigos para caracteres alfanuméricos (letras, sinais, números e acentos). Assim, seria pos- sível que computadores de diferentes fabricantes conseguissem entender os códigos. 1 Como funciona o sistema binário? Disponível em: https://canaltech.com.br/produtos/como-funciona-o- -sistema-binario/. Acessado em: 16 jul. 19. 82 A Tabela JP2 inicialmente abordará a transformação de caracteres numéricos conforme o primeiro estudo apresentado, o que não impossibilita a aplicação em diversas frentes. Binário Referência Binário Referência 0 Null – NUL 110011 3 1 Start of Heading – SOH 110100 4 10 Start of Text – STX 110101 5 11 End of Text – ETX 110110 6 110000 0 110111 7 110001 1 111000 8 110010 2 111001 9 Fonte: Calcular e converter (2019) Então, a sugestão para diversificação de observações contra espionagem, coerente, porém não usual, seria relativizar o valor representado pelo número 0 (zero), como a primeira raiz quadrada perfeita com re- sultado igual a 1 e número ímpar; como também o número 1 (um) seja a primeira raiz quadrada perfeita com número par, qual seja, 2, desconstruindo o número lógico de zero é par quando associa aos números ímpares, medida tal que favorece uma se- gurança na informação. Um dos objetivos da tabela é apresentar uma forma de inovar a combinação de números binários 01100, ou descrevê-la como0102, cujo resultado da soma das combinação é equivalente a 14 (quatorze), representada da seguinte maneira: 0 = 1 Primeira raiz quadrada perfeita de número ímpar cujo resultado é igual a 1. 11 = 4 Por serem dois números 1 sequenciais, a percepção tácita é que seja anotado a segunda raiz quadrada perfeita par. Resultado é igual a 4. 00 = 9 Assim como a análise anterior, pega-se a segunda raiz quadrada perfeita ímpar, com resultado igual a 9. CONSIDERACÕES FINAIS A tabela pode ser utilizada de diversas maneiras e na interdisciplinaridade pelos docentes e discentes, pois facilita a apli- cabilidade por meio de entendimento dos cálculos das raízes quadradas de valores exatos com a aplicação da tabela, como também aos programadores admite-se determinar novas combinações com a re- dução de codificação na programação, uma vez que, o estudo adequa-se à estratégia eficiente para aplicação do ensino do con- teúdo da disciplina de Matemática e no processo para a implementação de uma nova metodologia. Vários questionamentos serão apresenta- dos na utilização da tabela, que demons- trará o quanto é favorável para o estudante explorar novas oportunidades de aprendi- zagem e de pesquisas sobre a utilização de programação binária e do cálculo da raiz quadrada. 83 Osmany Miranda Teixeira Instrutor de Gestão e professor Mundo do Trabalho, no NEM SESI SENAI Sobradinho DR/DF Júlia Paniago de Marcelo Miranda Teixeira REFERÊNCIAS CALCULAR E CONVERTER. Tradutor binário. 2019. Disponível em: https://calculareconverter.com. br/tradutor-binario/. Acesso em: 02 ago. 2019. TECMUNDO. O que é Código ASCII. 2019. Disponível em: https://www.tecmundo.com.br/ imagem/1518-o-que-e-codigo-ascii.htm. Acesso em: 02 ago. 2019.