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INTRODUÇÃO A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
“LIBRAS”
PROFª SORAYA PEREIRA
O MUNDO NAS MÃOS
“Olhe o mundo com a coragem de um cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com as mãos e com os olhos, como fazem os mudos!”
Cazuza
POR QUE É IMPORTANTE APRENDER
LIBRAS?
Podemos listar 3 motivos importantes para você estudar Libras:
1 – Trabalhar na área que está evoluindo no Brasil, cuja não há muitos
profissionais habilitados. Melhorando assim seu currículo profissional.
2- Ajudar neste processo de inclusão social, podendo ajudar a alfabetizar surdos e fazer a diferença. Podendo atuar na área de educação especial.
3 – Conhecer uma nova cultura. Aumentando em conhecimento, e até mesmo dando assistência a um deficiente auditivo de sua família ou vizinhança.
É necessário compreender o percurso que faremos a partir de agora, sendo isto uma forma de sistematizar o estudo desta disciplina, com o objetivo maior de entender pontos relevantes da história da LIBRAS, em seus diferentes contextos. 
Esses são alguns dos nossos objetivos: 
a) Discutir sobre a historia da educação dos surdos e os aspectos clínicos, educacionais e sócios antropológicos relacionados à surdez; 
b) Analisar o papel de língua natural atribuído à língua brasileira de sinais e suas especificidades; 
c) Conhecer as características básicas da fonologia, morfologia e sintaxe da língua brasileira de sinais. 
d) Refletir sobre o atendimento educacional especializado para as pessoas com surdez. 
ABORDAGEM CLÍNICO-TERAPÊUTICA DA PESSOA COM SURDEZ 
Uma criança, em cada mil nascimentos, apresenta surdez e, aproximadamente, duas a três, em cada mil crianças, desenvolvem surdez grave na primeira infância; 
Existem indícios de aumento significativo do número de casos de surdez adquirida, no Brasil, por falta de atenção à saúde, principalmente na prevenção de moléstias infectocontagiosa;
A interferência da surdez no desenvolvimento da criança acontece principalmente no desenvolvimento da linguagem;
O QUE É SURDEZ?
SURDEZ é o nome dado a impossibilidade e dificuldade de ouvir, podendo ter como causa vários fatores que podem ocorrer antes, durante ou após o nascimento;
SURDO pessoa que não escuta. Embora associado ao termo “mudo”, muitas vezes é usado no senso-comum para designar os surdos que têm a habilidade de fala oral;
SURDO-MUDO há muitos séculos aplicados aos surdo, é um termo controverso, pois está relacionado ao estigma social que o surdo suscita ao não usar a comunicação oral;
MUDO implica ser privado do uso da palavra por defeito orgânico, ou psíquica.
MUDINHO pessoa que não fala. No entanto, o conceito do senso comum não envolve neste termo a idéia de uma deficiência na fala, e sim é atributo a quem não se comunica. 
CAUSAS DA SURDEZ
CONGÊNITA: quando o individuo já nasce surdo. Neste caso a surdez é pré – lingual, ou seja ocorre antes da aquisição da linguagem;
ADGUIRIDA: quando o indivíduo perde a audição no decorrer da sua vida. Nesse caso a surdez poderá ser pré ou pós- lingual, depende de sua ocorrência ter se dado antes e depois da aquisição da linguagem. 
CLASSIFICAÇÃO DAS CAUSAS DA SURDEZ 
	O momento em que ocorre 	
	A origem do problema 	
	O local onde ocorre 	
	a) Pré-natal: durante a vida gestacional; 
b) Peri-natal: durante o nascimento 
c) Pós-natal: após o nascimento 
	
	a) Hereditária 
b) Não hereditária 
	
	a) Orelha externa e/ou média 
b) Orelha interna 
c) Tronco cerebral e cérebro 
	
PODE-SE DIVIDIR A PERDA AUDITIVA EM CINCO CATEGORIAS + ANACUSIA
CONFORME DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999
SURDEZ LEVE: perda auditiva entre 25db e 40db;
SURDEZ MODERADA: perda auditiva entre 41db e 55db;
SURDEZ ACENTUADA: perda auditiva entre 56db e 70db;
SURDEZ SEVERA: perda auditiva entre 7db e 90db;
SURDEZ PROFUNDA: perda auditiva acima de 91db
NÃO EXISTE BARREIRAS QUE A DA COMUNICAÇÃO
O termo Surdo-Mudo é repudiado na comunidade surda porque os surdos entendem que a expressão LIBRAS é uma forma legítima da “ FALA” ainda que não seja oral, é a forma de comunicação utilizada pelos surdos, é a sua língua materna.
Pais e familiares precisam saber o que fazer, afinal de contas um filho surdo não nasce com manual de instruções.
O bjetivo é que o surdo conquiste a sua total cidadania, o primeiro passo é a informação, o reconhecimento de uma língua própia.
VOCÊ TEM IDÉIA DO QUE É LIBRAS?
LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
A Língua Brasileira de Sinais é uma língua que tem ganhado espaço na sociedade por conta dos movimento surdos em prol de seus direito, é uma luta de muitos anos que caracteriza o povo surdo como povo com culturas e língua própria que sofre a opressão da sociedade majoritária impondo um padrão de cidadão sem levar em conta as especificidades de cada um desses cidadãos.
Sendo assim, através de anos de luta o povo surdo conquistou o direito de usar uma língua que possibilitasse não só a comunicação, mas também sua efetiva participação na sociedade. 
 A ORIGEM DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS
A história da nossa língua de sinais se mistura com a história dos surdos no Brasil. Até o século XV os surdos eram mundialmente considerados como ineducáveis. A partir do século XVI, com mudanças nessa visão acontecendo na Europa, essa ideia foi sendo deixada de lado. Teve início a luta pela educação dos surdos, na qual ficou marcada a atuação de um surdo francês, chamado Eduard Huet. Em 1857, Huet veio ao Brasil a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para surdos do país, chamada na época de Imperial Instituto de Surdos Mudos. Com o passar do tempo, o termo “surdo-mudo” saiu de uso por ser incorreto, mas a escola seguiu forte e funciona até hoje, com o nome de Instituto Nacional de Educação de Surdos – o famoso INES.
A Libras foi criada, então, junto com o INES, a partir de uma mistura entre a Língua Francesa de Sinais e de gestos já utilizados pelos surdos brasileiros. Ela foi ganhando espaço pouco a pouco, mas sofreu uma grande derrota em 1880. Um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das línguas de sinais no mundo, acreditando que a leitura labial era a melhor forma de comunicação para os surdos. Isso não fez com que eles parassem de se comunicar por sinais, mas atrasou a difusão da língua no país.
Com a persistência do uso e uma crescente busca por legitimidade da língua de sinais, a Libras voltou a ser aceita. A luta pelo reconhecimento da língua, no entanto, não parou. Em 1993 uma nova batalha começou, com um projeto de lei que buscava regulamentar o idioma no país. Quase dez anos depois, em 2002, a Língua Brasileira de Sinais foi finalmente reconhecida como uma língua oficial do Brasil.
A HISTÓRIA RECENTE
Essa conquista se somou a outras mais atuais, que sempre passaram pelo campo da legislação. Nos últimos anos não foram poucas as leis e recomendações que buscaram regulamentar aspectos da língua de sinais para propagar seu uso e garantir direitos à comunidade surda:
2004: Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo;
2008: Instituído o Dia Nacional do Surdo, comemorado em 26 de Setembro, considerado o mês dos surdos;
2010: Foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras;
2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão (ou Estatuto da Pessoa com Deficiência), que trata da acessibilidade em áreas como educação, saúde, lazer, cultura, trabalho etc.;
2016: Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por parte das empresas de telecomunicações;
Mesmo com todos esses avanços, a Libras ainda é pouco conhecida e usada entre os ouvintes. Seu status de língua oficial não é validado na prática. Para mudar essa realidade precisamos tratar a Língua Brasileira de Sinais como realmente nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela. 
O que mais você acha que pode ser feito para difundir a nossa língua de sinais no Brasil?
LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saberque o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil.
Art. 2º Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil.
Art. 3º As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.
Art. 4º O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.
Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República.
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Descreva com suas palavras o que significa LIBRAS e a importância dela na nossa sociedade, como também resuma oralmente o que você entendeu da Lei de Libras.
OS PARÂMETROS
A língua de sinais apresenta características estruturais iguais aos da língua oral, ou seja, possuem níveis linguísticos: fonológico, morfológico, sintático e semântico. (pág.24)
CONFIGURAÇÃO DAS MÃOS São formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros), ou pelas duas mãos do emissor ou sinalizador. (vídeo 01)
PONTO DE ARTICULAÇÃO O lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar e um (PA) espaço neutro vertical (do meio do corpo até á cabeça).
MOVIMENTO (M) Os sinais podem ter um movimento ou não. Os exemplos são sinais que têm movimento, portanto este parâmetro é o deslocamento da mão no espaço durante a realização o sinal. 
ORIENTAÇÃO E DIRECIONALIDADE Os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros, assim os verbos IR e VIR se opõem em relação á direcionalidade como os verbos SUBIR e DESCER, ACENDER e APAGAR, ABRIR-PORTA e FECHAR-PORTA. 
EXPRESSÃO FACIAL E/OU CORPORAL Muitos sinais têm sua configuração como traço diferenciador expressão facial e/ou corporal, exemplos: ALEGRE, TRISTE... (vídeo 02)
ASPECTOS GRAMATICAIS DE LIBRAS
DATILOLOGIA: Para as pessoas começarem a aprender a língua de sinais, a primeira coisa que ensinamos é o Alfabeto Manual ou Datilologia em LIBRAS. Ele é produzido por diferentes formatos das mãos que representam as letras do alfabeto escrito e é utilizado para “escrever” no ar, ou melhor, soletrar no espaço neutro, o nome de pessoas, lugares e outras palavras que ainda não possuem sinal.
ALFABETO MANUAL BRASILEIRO (vídeo03)
NUMERAIS CARDINAIS EM LIBRAS (vídeo 04)
SAUDAÇÕES (VÍDEO 05)
MESES DO ANO E DIAS DA SEMANA EM LIBRAS
PROMONES PESSOAIS
TIPOS DE FRASE EM LIBRAS
PENSE NISSO
A utilização da Libras vem colaborar para a inclusão social dos surdos desprezando qualquer forma de discriminação e preconceito com esse grupo, que ao longo da história sofreu com a ignorância e visão errônea dos ouvintes que observava a surdez como uma deficiência que deveria ser tratada clinicamente com intuito de superar o déficit auditivo. Dessa forma, pode-se concluir que a utilização da Libras deve ser cada vez mais incentivada na sociedade e não utilizada apenas nas instituições escolares, pois esta, possibilita o surdo a interagir em sociedade, construir sua identidade, colaborando ainda para a melhoria da qualidade de vida da população surda, além de assegurar os direitos como cidadão e o respeito às diferenças.

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