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Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Radiologia musculoesquelética Radiologia musculoesquelética Introdução Rx ainda é uma ferramenta útil no diagnóstico de lesões de etiologia óssea, tanto no aspecto relacionado ao trauma, como na avaliação de doenças articulares, congênitas e neoplásicas; TC e RM permitem avaliação mais minuciosa das estruturas de partes moles relacionadas ao sistema locomotor, como músculos, ligamentos, tendões e cartilagens – condropatias patelares, lesões meniscais, lesões ligamentares, lesões tendíneas e bursites. RM é o método mais sensível; TC é o método utilizado para programação cirúrgica. Porose: - Perda de massa óssea por desmineralização; - Osso se apresenta mais radiotransparente que um osso com mineralização normal; - Geralmente está associada a não utilização óssea, a alterações no metabolismo de cálcio ou a deficiências nutricionais. Esclerose: - Elevação da densidade óssea em determinada região; - Pode estar relacionada a uma sobrecarga mecânica, processos infecciosos, neoplásicos ou degenerativos. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Lesões osteolíticas: - Acarretam destruição óssea e podem se manifestar como lesão destrutiva, com reação periosteal* ou simplesmente como lesão radiotransparente circunscrita. - *Podem fornecer indícios importantes sobre o grau de agressividade da lesão; - *Principais tipos: Lamelar: apenas uma camada; Casca de cebola: várias camadas; Triângulo de Codman: reação incompleta de aspecto triangular e é a com maior tendência à malignidade; Espessamento cortical; Tipo raios de sol: perpendiculares à cortical. Lesões osteoblásticas: - Formadas por tecido ósseo anômalo, patológico, apresentando-se como áreas de maior densidade radiográfica. Matriz osteoide: - Presente em lesões de etiologia óssea; - Apresenta densidade elevada, espessa e amorfa. Matriz condroide: Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB - Decorrente de lesões de etiologia cartilaginosa; - Aspecto salpicado, nodulariforme e em “pipoca”. Trauma A avaliação radiológica é de fundamental importância ao diagnóstico, ao tratamento e ao prognóstico das diversas alterações decorrentes do trauma, tais como: - Fraturas, luxações e subluxações; - Lesões ligamentares, tendíneas e meniscais; - Contusão óssea; - Comprometimento das cartilagens; - Alterações dos espaços articulares. Na avaliação radiológica das fraturas devemos analisar: - Localização; - Tipo: Completa – atinge duas corticais; Incompleta – atinge apenas uma cortical; Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Cominutiva – fratura completa, quando existem mais de dois fragmentos ósseos. Geralmente é de algo impacto ou de esmagamento; Compressiva – mais frequente nos corpos vertebrais; Afundamento – principalmente nos ossos dos crânios; Em galho verde – ocorre em crianças, em virtude de sua grande elasticidade. Assim, a fratura não rompe completamente as corticais e simula um galho verde “envergado”. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Evolução das fraturas: - Alinhamento: o exame radiológico deve ser utilizado para avaliação do alinhamento das fraturas, devendo-se realiza uma Rx do membro comprometido antes e após a redução; - Consolidação das fraturas: caracteriza-se, ao exame radiográfico, pela visualização do “calo ósseo”, o qual é uma formação osteogênica de densidade radiológica elevada e que ocasiona abaulamento do contorno ósseo na região da fratura; - Remodelamento do calo ósseo e, após alguns meses, o osso está com aspecto semelhante ao antes do trauma. Obs: nem sempre a fratura pode se consolidar – pseudoartrose: caracteriza-se pela não fusão dos fragmentos ósseos em uma fratura completa, geralmente com preenchimento da linha de fratura com tecido fibroso e formação de uma pseudoarticulação. Obs: osteoporose por desuso – muito comum em pacientes com imobilização prolongada pós-trauma. • Condropatias patelares Caracterizam-se por um processo inflamatório seguido de amolecimento da cartilagem de revestimento da patela, que pode evoluir para um quadro grave de incapacidade do joelho; Sua etiologia é desconhecida, mas pode estar relacionado a um desequilíbrio bioquímico do líquido sinovial ou a um atrito da patela na tróclea femoral; RM é o exame de escolha para a avaliação das lesões cartilaginosas patelares; Radiologia - áreas de hipersinal em T2 + irregularidade e afilamento da cartilagem. Nos casos mais avançados, ocorre uma destruição completa, atingindo a cortical óssea patelar. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Lesões de menisco Podem estar relacionadas a um processo de degeneração do próprio menisco (degeneração mucinoide) e se apresentam como áreas de hipersinal no seu interior; Nas rupturas, geralmente, vê-se uma linha de hipersinal na RM que se estende para a superfície articular. • Lesões ligamentares Costumam estar relacionadas com rupturas ou estiramentos; Nas rupturas, vê-se um borramento com indefinição de suas fibras e áreas de alteração de sinal no interior e adjacente ao ligamento; Nos estiramentos, vê-se áreas de edema ou processo inflamatório adjacente ao ligamento, geralmente associadas a focos de hipersinal em T2 no seu interior. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Ruptura de tendão patelar • Tenossinovites Caracterizam-se por acúmulo de líquido na bainha tendínea e também podem apresentar focos de alteração de sinal em seu interior. • Tendinopatias calcárias Calcificações nos sítios de inserção tendínea nos ossos; Visualizadas no Rx. • Fraturas de coluna cervical Fraturas e luxações atlantoaxiais: aspecto diferente das demais por conta de sua morfologia; Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Fraturas de C3 – C7 são, geralmente, compressivas. • Fraturas de colunas tóracica e lombossacra Geralmente se dão por compressão; Pode acontecer deslizamento de um corpo vertebral sobre o outro: espondilolistese; Espondilolistese – pode ser causa indeterminada, mas sua principal etiologia está relacionada à fraturadas lâminas posteriores das vértebras (espondilólise). • Traumatismo de joelho • Traumatismo do ombro Lesões ósseas - edema, fratura e luxações; Lesões do manguito (4 músculos - supraespinhal*, infraespinhal, subescapular e redondo menor). *principais lesões de manguito (tendinopatias ou rupturas). Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Doenças degenerativas • Alterações osteohipertróficas: ocorrem devido à sobrecarga mecânica que induz formação óssea nas margens articulares; • Redução do espaço articular: em virtude de degeneração de componentes de partes moles; • Esclerose óssea: decorre de uma maior deposição óssea em determinadas estruturas em virtude da sobrecarga mecânica; • Anquilose óssea: fusão de elementos ósseos distintos decorrente do processo degenerativo. Muito comum na AR; • Cistos subcondrais: processo degenerativo que ocasiona destruição da cartilagem de revestimento, deixando o periósteo exposto, o qual costuma se afilar e ocorrer a formação de pequenas lesões císticas; • Corpos livres intra-articulares: geralmente decorrem de fragmentos cartilaginosos calcificados Exemplo: osteoartrite de joelho - redução do espaço articular + osteócitos marginais + esclerose óssea subcondral (osso mais branco) • Osteoartrite Caracteriza-se pela destruição não inflamatória das articulações, decorrente do processo de envelhecimento; Compromete, principalmente, articulações interfalangianas e as sustentadoras de peso, como coluna, quadris e joelhos; Principais alterações radiológicas: Osteofitose marginal (principalmente na coluna), redução dos espaços articulares, esclerose e cistos subcondrais. • Hérnia de disco Abaulamentoou protrusão (difusa ou focal, central ou lateralizada) posterior do disco intervertebral; Pode ocorrer migração superior, inferior ou foraminal do disco, o qual pode se romper e liberar fragmentos no interior do canal; O quadro doloroso, ocasionado pela herniação discal, é, geralmente, incapacitante e decorre da compressão de raízes nervosas; Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Pode ocorrer herniação do disco para o interior do corpo vertebral, decorrente de uma fragilidade óssea dos platôs vertebrais – formando os nódulos de Schmorl. Doenças infecciosas O principal agente etiológico das osteomielites é o Staphylococcus aureus e sua infecção se dá por disseminação hematogênica ou por contiguidade de um processo infeccioso de partes moles; Achados radiológicos nos Rx só podem ser vistos após 2 semanas de evolução do quadro; Os exames de TC e, principalmente, de RM fornecem diagnóstico mais precoce e preciso do processo inflamatório. Principais achados radiológicos das osteomielites: - Edema ósseo; - Lesão osteolítica (importante visualização nos abscessos intraósseos-Abscesso de Brodle); - Reação periosteal; - Presença de gás (bactérias produtoras de gases); - Alterações do trabeculado ósseo, o qual se torna grosseiro, irregular e esclerótico. Obs: osteomielite aguda é de diagnóstico CLÍNICO. • Espondilodiscite Processo infeccioso que acomete a coluna, pegando os discos intervertebrais e os corpos vertebrais; Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Caracteriza-se, radiologicamente, pela destruição do disco intervertebral com envolvimento das partes moles e dos platôs vertebrais adjacentes; Mal de Pott – comprometimento da coluna vertebral pelo bacilo de Koch. Doenças inflamatórias • Artrite reumatoide (AR) Doença degenerativa autoimune em que ocorre a produção de anticorpos contra a cartilagem articular; Caracteriza-se por uma poliartrite periférica, simétrica, que leva à deformidade e à destruição das articulações por erosões ósseas e da cartilagem de revestimento sinovial; Acomete principalmente adultos, na 3ª - 6ª décadas de vida, com um pico de incidência entre 45 – 65 anos, com grande predominância no sexo feminino; Pode afetar qualquer articulação sinovial, mas costuma pegar mais mãos, joelhos e pés, além de cotovelos, e nos ombros. Achados radiológicos: - Edema de tecidos moles; - Sinovite; - Estreitamento simétrico dos espaços articulares; - Osteoporose periarticular; - Erosões ósseas marginais; - Destruição e anquilose dos ossos do carpo; - Luxações e subluxações articulares; - Comprometimento simétrico das articulações. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Artropatias soronegativas (sem FR positivo) Representam um grupo de doenças inter-relacionadas que apresentam um espectro clínico- epidemiológico-fisiopatológico em comum; As principais entidades que compõem esse grupo são: - Espondilite anquilosante; - Síndrome de Reiter; - Artrite psoriástica; - Artropatias relacionadas com doenças inflamatórias intestinais. Fator reumatoide negativo; Caracterizam-se clinicamente pelo frequente envolvimento das articulações sacroilíacas e o desenvolvimento de artropatias inflamatórias periféricas. RM padrão ouro Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Espondilite anquilosante Artrite crônica que predomina em homens jovens, de cor branca e, geralmente, está associada ao antígeno leucocitário HLA-B27; Acomete grandes articulações, principalmente sacroilíacas e a coluna vertebral; Achados radiológicos: - Corpos vertebrais assumindo formas quadrangulares + sindesmófitos e calcificações dos ligamentos paravertebrais, dando aspecto de conhecido como “coluna de bambu”; As calcificações provocam acentuada limitação da movimentação da coluna, predispondo a fraturas vertebrais; Sacroileíte simétrica é um achado bastante frequente também. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Doenças metabólicas • Osteoporose Redução da massa óssea que pode estar concatenada a várias etiologias, sendo as mais frequentes: - Osteoporose do desuso; - Osteoporose sistêmica (ocorre principalmente em mulheres pós-menopausa). Qual exame que diagnostica a osteoporose? - Densidometria óssea Indicações: H > 70 e M > 65; mulheres > 50 com fatores de risco*, adultos com fratura por fragilidade ou em uso de corticoide; *mulher, branca e magra < 55kg. • Hiperparatireoidismo Aumento da produção de PTH cuja ação é hipercalcemiante; Acarreta aumento do cálcio sérico em detrimento da massa óssea, com consequente osteopenia difusa; Achados radiológicos: - Osteopenia difusa; - Reabsorção óssea periosteal do aspecto medial das falanges médias dos 2º e 3º quirodáctilos; - Depósito de cálcio em tecidos moles, como meniscos e cartilagens articulares (condrocalcinose). • Gota Artropatia causada pelo depósito de cristais de urato de sódio nas articulações em pacientes com elevação do ácido úrico; Achados radiológicos da artrite gotosa: Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB - Formação dos tofos, os quais são massas de tecidos moles periarticulares em decorrência do acúmulo de cristais de urato nas articulações; - Principal articulação acometida é a do primeiro metatarso = podagra. • Doença de Paget Consiste em uma doença esquelética crônica, causada por distúrbio da remodelação óssea relacionado com alterações na atividade de osteoblastos e osteoclastos; Ossos apresentam um crescimento anormal em que aumentam de volume, mas se tornam frágeis; Achados radiológicos: - Espessamento cortical; - Aumento do colume do osso; - Trabeculado grosseiro; - Deformidade da curvatura de ossos longos. • Displasia fibrosa Substituição de um tecido ósseo normal por tecido fibroso e traves osteoides; O aspecto da imagem é variado, podendo-se ver áreas radiotransparentes bem definidas ou um aspecto em “vidro fosco” dos osos, com espessamento e obliteração de seu trabeculado; Querubisco = forma de displasia fibrosa (vou pesquisar não). Tumores ósseos benignos Rx é muito importante nessa avaliação. • Encondroma Tumor de origem condroide que compromete a medula óssea e predomina em adultos entre os 30 – 40 anos; Atinge, principalmente, metáfises dos ossos tubulares e se caracteriza por uma lesão radiotransparente com matriz condroide em seu interior; Doença de Ollier ou encondromatose = múltiplos encondromas difusamente distribuídos pelo esqueleto. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Osteoma osteoide Lesão benigna formadora de osso que acomete principalmente os ossos longos; Caracteriza-se pela presença de um “nidus” central radiotransparente que recebe impregnação pelos contrastes; Predomina no sexo masculino na primeira à terceira décadas de vida; Dor noturna que é aliviada por salicilatos (AAS). • Fibroma não ossificante Lesão benigna osteolítica cortical, bem circunscrita, com halo de esclerose periférico; Predomina em crianças e adolescentes; Geralmente, é um achado incidental quando o paciente realiza exame radiográfico; Com o passar da idade, a lesão tende a desaparecer ou se tornar esclerótica. • Cisto ósseo simples Lesão lítica, de contornos regulares e localização central no osso; Levemente expansiva; Costuma aparecer na infância e na adolescência, com uma leve predileção pelo sexo masculino; Localiza-se, geralmente, nas metáfises dos ossos longos, sendo limitado pela linha epifisária. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Cisto ósseo aneurismático Lesão insuflativa, trabeculada, com níveis líquidos em seu interor; Acomete as regiões metafisárias dos ossos longos e elementos posteriores das vértebras; Pequena predominância no sexo feminino e ocorre, usualmente, abaixo dos 20 anos até 80% dos casos. • Tumor de células gigantes Igual o cistoaneurismático, massssssss ocorre acima dos 20 anos de idade, com um predomínio entre os 30 – 40 anos de idade; Tumores ósseos malignos Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Osteossarcoma Tumor primário maligno do osso e pode ser secundário à degeneração da doença de Paget; Predomina na segunda e terceira décadas de vida com um pico de incidência em torno dos 60 anos; Caracteriza-se por uma lesão heterogênea, com destruição óssea, ruptura de cortical, intensa reação periosteal e associada a um componente de partes moles; Pode afetar qualquer osso, mas geralmente acomete regiões de metáfises de ossos longos; • Sarcoma de Ewing Tumor originário da medula óssea vermelha; Lesão extremamente agressiva, com pico de incidência entre os 10 – 25 anos e discreta predominância no sexo masculino; Prevalece na região metadiafisária dos ossos longos e do sacro, havendo destruição óssea, ruptura de cortical, reação periosteal e é associado a um grande componente de partes moles; Lesão em casca de cebola; Pode exibir aspecto de lesão permeativa, devendo-se fazer diagnóstico diferencial com osteomielite. • Condrossarcoma Tumor ósseo maligno de origem cartilaginosa; Pode ser primário ou secundário à degeneração sarcomatosa de um encondroma; Caracteriza-se por ser uma lesão expansiva, com destruição óssea e calcificações com matriz condroide em seu interior; Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB Reações periosteais são menos frequentes. • Mieloma múltiplo Tumor ósseo primário mais comum; É uma neoplasia das células da medula óssea; Aspecto radiológico: - Lesões líticas, múltiplas, geralmente associadas a massas de tecidos moles adjacentes. É frequente o envolvimento da calota craniana e da coluna vertebral, ocasionando fraturas patológicas e colapsos vertebrais; Predomina no sexo masculino acima dos 45 anos. • Cordoma Tumor originário dos remanescentes da notocorda, podendo aparecer em qualquer segmento do neuroeixo; Predomina na topografia sacrococcígea e na base do crânio; Ocorre em pacientes da quarta à sexta década de vida, com um pico em torno dos 40 – 45 anos; Caracteriza-se por ser uma lesão osteolítica, destrutiva, na linha média, com calcificações frequentes e associada a componente de partes moles. Pedro Macedo – Turma IX – Medicina UFOB • Metástases Podem ser de tudo quanto é tipo; Costumam ser múltiplas; Os principais sítios primários são: - Mama; - Próstata; - Pulmões; - Rins; - Tireóide. Obs: diagnósticos diferencias para lesões ósseas múltiplas = Mieloma múltiplo, metástase ou doença linfoproliferativa.