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DIREITO PROCESSUAL PENAL III Prof. Rafael Machado Progressão de Regime Baseado nas seguintes obras: GRECO, Rogério. Direito penal estruturado. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530985875. MASSON, Cleber. Direito penal, v. 1 parte geral (Arts.1ª a 120). 13. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530986292. Progressão de Regime A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. Requisitos = Objetivo + Subjetivo = Tempo de Pena + Bom comportamento Bom comportamento = boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento. O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente. O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. Progressão para mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência Os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente: não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; V - não ter integrado organização criminosa. O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício. DIREITO PROCESSUAL PENAL III Prof. Rafael Machado Indulto e Comutação Baseado nas seguintes obras: GRECO, Rogério. Direito penal estruturado. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530985875. MASSON, Cleber. Direito penal, v. 1 parte geral (Arts.1ª a 120). 13. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530986292. Graça e Indulto Indulto é a indulgência soberana concedida pelo Poder Executivo. Pode ser coletivo ou individual. Este último chama-se também graça. Ambos são causas extintivas da punibilidade concreta e perdoam total ou parcialmente a pena do réu. O indulto é concedido para pessoas, enquanto a anistia é concedida para fatos. O indulto nada tem a ver com as saídas temporárias do preso (no natal, na páscoa etc). Indulto coletivo e individual: o indulto individual precisa ser solicitado ao Presidente da República (o pedido tem tramitação pelo Ministério da Justiça); o coletivo é concedido de ofício, pelo Presidente da República (ou pessoa delegada: Ministro de Estado, Procurador-Geral da República ou Advogado-Geral da União), por decreto (isso vem ocorrendo todos os anos com o chamado indulto natalino). O indulto pressupõe sentença penal irrecorrível, ou seja, em regra o indulto (coletivo ou individual) só é concedido após o trânsito em julgado final da sentença condenatória. Excepcionalmente pode haver indulto quando a sentença já transitou em julgado (só) para a acusação.Efeitos: o indulto só alcança a execução da pena imposta. Não afeta a sentença penal, que permanece íntegra, sobretudo para efeito da reincidência, antecedentes etc. O indulto, em suma, não rescinde a sentença penal condenatória. Nesse ponto é totalmente distinto da anistia. Espécies de indulto: há o indulto pleno (ou total) (quando extingue toda a pena imposta) e o indulto parcial. O parcial pode consistir em redução de pena ou em sua comutação (substituição: substituição da prisão por multa, por exemplo). DIREITO PROCESSUAL PENAL III Prof. Rafael Machado Das Autorizações de Saída Baseado nas seguintes obras: GRECO, Rogério. Direito penal estruturado. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530985875. MASSON, Cleber. Direito penal, v. 1 parte geral (Arts.1ª a 120). 13. Rio de Janeiro Método 2019 1 recurso online ISBN 9788530986292. Autorizações de Saída Duas espécies: Permissão de Saída; Saída Temporária Permissão de Saída Arts. 120 e 121 da LEP Quem tem direito: Condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos provisórios; Hipóteses: I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão; II - necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14). Permissão de Saída Arts. 120 e 121 da LEP Procedimento: Quem autoriza: a permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso; Forma de saída: mediante escolta; Tempo de duração: a permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração necessária à finalidade da saída. Saída Temporária Arts. 122 e 125 da LEP Quem tem direito: Condenados que cumprem pena em regime semi-aberto; Exceção: Pacote Anticrime – Lei nº 13.964/2019 - Não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte. Requisitos: I - comportamento adequado; II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um quarto), se reincidente; III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena. Hipóteses: I - visita à família; II - frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução; III - participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social. Saída Temporária Arts. 122 e 125 da LEP Procedimento: Quem autoriza: concedida por ato motivado do Juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária; Forma de saída: sem vigilância direta - não impedindo a utilização de equipamento de monitoração eletrônica; Tempo de duração: Prazo não superior a 7 (sete) dias, podendo ser renovada por mais 4 (quatro) vezes durante o ano. Prazo mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias de intervalo entre uma e outra. Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes. Saída Temporária Arts. 122 e 125 da LEP Condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do condenado: I - fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá ser encontrado durante o gozo do benefício; II - recolhimento à residência visitada, no período noturno; III - proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres. Revogação: praticar fato definido como crime doloso; punido por falta grave; desatender as condições impostas na autorização; revelar baixo grau de aproveitamento do curso. Recuperação do direito à saída temporária: dependerá da absolvição no processo penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do condenado. DIREITO PROCESSUAL PENAL III Prof. Rafael Machado Monitoração Eletrônica AVENA, Norberto. Execução Penal. [Digite o Local da Editora]; [Digite o Nome da Editora], [Inserir ano de publicação]. 9788530987411. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788530987411/ DIREITO PROCESSUAL PENAL III Prof. Rafael Machado Agravo em Execução AVENA, Norberto. Execução Penal. [Digite o Local da Editora]; [Digite o Nome da Editora], [Inserir ano de publicação]. 9788530987411. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788530987411/ Agravo em execução (art. 197 da LEP) Previsto no art. 197 da L. 7.210/1984, o agravo é o recurso cabível contra qualquer decisão do juiz da Vara de Execuções Criminais; por exemplo: saída temporária, progressão e regressão de regime, livramento condicional, unificação de penas, sursis, incidentes da medida de segurança, conversões, homologação de faltas graves, trabalho externo etc. Prazo: Nãohá previsão de prazo, forma ou rito na LEP para essa modalidade recursal. Termo: Apesar disso, é consolidado o entendimento de que segue as mesmas normas que regem o recurso em sentido estrito, no que forem aplicáveis. Tal entendimento consolidou-se com a edição da Súmula 700 do STF, dispondo que “é de cinco dias o prazo para interposição de agravo contra decisão do juiz da execução penal” (grifamos). Destarte, assim como o Recurso em Sentido Estrito, pode o agravo ser ingressado por petição ou termo, facultando-se a apresentação das razões em momento posterior à interposição. Nada obsta, é claro, que sejam estas apresentadas já no ato da dedução. Razões: Em relação às razões e contrarrazões, por força do art. 588 do CPP, serão apresentadas no prazo de dois dias, contados da intimação dos interessados para essas finalidades. Agravo em execução (art. 197 da LEP) O agravo, como regra, subirá ao tribunal por instrumento (traslado). Para tanto, na interposição, deverão ser indicadas pelo recorrente as peças dos autos que reputar necessárias ao julgamento do recurso, sempre atentando aos documentos obrigatórios previstos no art. 587, parágrafo único, do CPP. Quanto ao recorrido, a indicação de peças deverá se dar no momento em que apresentar suas contrarrazões. Efeitos: Como toda via impugnativa, o agravo possui efeito devolutivo, implicando devolução ao Judiciário da matéria incorporada ao recurso. Possui, também, efeito regressivo (juízo de retratação) em razão da já mencionada aplicação subsidiária do procedimento cabível para o recurso em sentido estrito (art. 589 do CPP). Referente ao efeito suspensivo, dispõe o art. 197 da L. 7.210/1984 que o agravo não o possui. Exceção: agravo interposto contra a decisão que julga extinta a medida de segurança, já que parte da doutrina vislumbra, nesse caso, hipótese legal de recurso com efeito suspensivo.