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@Marcos André A icterícia é definida como o aparecimento de aspecto amarelado tanto na pele quanto nas mucosas, como regiões da esclera e frênulo da língua. A origem do aspecto amarelado característico da síndrome ictérica advém do aumento das bilirrubinas, sem necessariamente estar acompanhada de colestase, essa que é caracterizada pelo aumento das enzimas de ductos biliares (fosfatase alcalina e gama-GT). Bilirrubina sérica total: 0,2 a 1,2 mg/100ml. OBS: Fração conjugada: inferior a 15% - de 0 a 0,2 mg/100ml. Fração não conjugada: até 1 mg/100ml Fase inicial da icterícia: • Bilirrubina acima de 2 mg/100 ml • Ligação com a elastina (proteína presente no olho com afinidade com a bilirrubina) Icterícia- causas: • Hiperbilirrubinemia sérica: o Pré hepática – ex.: Distúrbios Hemolíticos (aumento de bilirrubina indireta), como a quebra de hemoglobina o Doenças Hepáticas o Pós hepática – ex.: Obstrução de vias biliares @Marcos André por tumor de cabeça de pâncreas Existe uma subdivisão das apresentações clínicas da síndrome ictérica: !) Icterícia flavínica, que consiste na presença icterícia com palidez, associada ao aumento da bilirrubina indireta, por meio da hemólise. 2) Icterícia verdínica, é caracterizada por um quadro de icterícia esverdeada, relacionada em geral a pacientes com colestase, decorrente do aumento da bilirrubina direta. 3) Icterícia rubínica, é aquela que cursa com vasodilatação, dado um quadro de aumento da bilirrubina direta por quadros de leptospirose e cirrose. As moléculas de hemoglobina são formadas por um grupo denominado heme, que é degradado inicialmente em biliverdina, a qual é transformada em bilirrubina insolúvel, e por isso, se liga à albumina para circular pelo sangue, sendo essa combinação a chamada bilirrubina indireta (ou não conjugada). No fígado, essa bilirrubina indireta é captada pelos hepatócitos, via difusão facilitada, e lá, por meio da enzima glucuronil-transferase, é transformada em bilirrubina direta, sendo excretada para a via biliar por meio de transporte celular dependente de ATP. No intestino, quando a bilirrubina é excretada junto à bile, as bactérias da flora intestinal a transformam em urobilinogênio, o qual pode seguir dois caminhos. Um deles consiste no segmento pelas fezes, culminando na formação de estercobilina, a qual dará a coloração marrom às fezes. Caso o urobilinogênio seja reabsorvida, será futuramente excretado pelos rins na forma de urobilina, a qual confere a coloração amarelada à urina. OBS: Justamente por meio desses mecanismos, nos casos de icterícia é comum observarmos a presença de urina escurecida, mas não somente alaranja da, mas com o aspecto “urina em coca- -cola”, quadro @Marcos André esse chamado de colúria, consequente do acúmulo de bilirrubina, que gera mais urobilina para ser excretada, levando ao escurecimento da urina. Diversas causas, cursam com o aumento de bilirrubina direta ou indireta, a depender do seu mecanismo: 1) O aumento da produção de bilirrubina cursa com o aumento da sua forma não conjugada e, de acordo com o que vimos, sendo produto da degradação do grupo heme, faz sentido que quadros assim ocorram quando da ocorrência de hemólise ou de eritropoiese ineficaz 2) A redução da captação também pode cursar com o aumento da bilirrubina indireta, uma vez que, se o fígado capta pouca bilirrubina não conjugada, essa ficará acumula da no sangue, levando à síndrome que é alvo do nosso estudo. Casos assim podem ocorrer quando da ocorrência de jejum prolonga do, pelo uso de medicações, infecções e por causas intrínsecas aos hepatócitos. 3) Outro mecanismo para o aumento da bilirrubina indireta consiste na diminuição da conjugação, uma vez que a não ocorrência desse processo cursa com o acúmulo da substância em sua forma não conjugada. Nesses casos, a etiologia se encontra na maquinaria celular dos hepatócitos, como ocorre nas síndromes de Gilbert e de Crigler-Najjar, bem como na deficiência adquirida. 4) Se houver alteração quanto à excreção, temos o aumento da bilirrubina direta, que pode ser decorrente de problemas celulares, na questão do transporte da substância via ATP, como ocorre nas síndromes de Dubin Johnson e de Rotor, ou por quadros de colestase, como a gestacional, medicamentosa ou a denominada colestase intra-hepática recorrente benigna. 5) A icterícia de origem obstrutiva consiste na dificuldade quanto à excreção de origem mecânica- obstrutiva, já que nesse caso o trajeto da bile se encontra interrompido, sendo que isso pode ocorrer tanto por tumores e estenose das vias biliares quanto pela presença de cálculos e por corpos estranhos. @Marcos André A bilirrubina direta é produzida no hepatócito e jogada no ducto biliar, qualquer alteração dentro dessas células, como por exemplo uma hepatite, pode causar uma alteração dessa dinâmica DA BILIRRUBINA O metabolismo se dá em três níveis sistêmicos: 1. Sistema retículo endotelial (SER) 2. Fígado 3. Intestino 1) SER Bilirrubina – produto de degradação do grupo heme, por destruição dos eritrócitos senescentes pelo SER (baço e medula) – 80 – 85% eritrócitos senis o Cerca de 70-80% da bilirrubina produzida diariamente é derivada da hemoglobina É degradado 250 a 300 mg/dia Fígado tem capacidade de conjugar até 3x a taxa diária (250 mg x 3) A bilirrubina não conjugada é lipossolúvel e extremamente tóxica. Alguns mecanismos fisiológicos protegem contra a toxicidade da bilirrubina, como a ligação à albumina plasmática, a rápida entrada da molécula no hepatócito, sua conjugação e seu clearance pelo fígado. Porém, quando sua concentração aumenta muito, principalmente em neonatos, começam a surgir evidências de danos no sistema nervoso central, como encefalopatia severa. A bilirrubina é gerada a partir da degradação do heme, sendo mediada por dois grupos de enzimas: heme @Marcos André oxigenase e biliverdina redutase. A heme oxigenase está presente em altas concentrações nas células do sistema retículo-endotelial do baço e nas células de Kupffer no fígado. Essa enzima catalisa a reação de abertura do anel, culminando com liberação de uma molécula de monóxido de carbono (CO) (que será excretada pela via pulmonar) e um átomo de ferro (que será reutilizado) e, finalmente, com a formação da molécula de biliverdina, que será transformada em bilirrubina mediante a ação da enzima biliverdina redutase 2) Fígado O fígado deve pegar a bilirrubina (processo de capitação). Nos sinusóides hepáticos, o complexo bilirrubinaalbumina dissocia-se, a molécula de bilirrubina entra por difusão facilitada (a favor de um gradiente de concentração, sem o consumo de energia) e a albumina retorna à circulação sistêmica. Após isso, é realizado a conjugação da bilirrubina com os resíduos glicosídicos pela ação da bilirrubina-UDP- glucoronosil-transferase (UGT), tornando-se solúvel em água, podendo ser eliminada pela urina e pela bile. A deficiência de bilirrubina-UGT pode ser observada em neonatos, nas hepatites crônicas e em certos erros inatos do metabolismo, como na síndrome de Gilbert e na síndrome de Crigler-Najjar tipos I e II. A excreção da bilirrubina conjugada ocorre através da membrana dos canalículos biliares, contra um gradiente de concentração, envolvendo transporte ativo o A excreção da bilirrubina conjugada está prejudicada em uma série de condições adquiridas, como nas hepatites virais ou alcoólicas e na colestase da gestação, assim como em situações congênitas, como síndrome de Dubin-Johnson, síndrome @Marcos André de Rotor e na colestase intrahepática benigna recorrente. Pode também ser causada por uma variedade de drogas, como alguns esteróides e clorpromazina.A bilirrubina conjugada compõe a bili, que seguirá trajeto intestinal. 3) Intestino Algumas bactérias no intestino grosso transformam bilirrubina conjugada em urobilinogênio e depois transformado em estercobilina, sendo responsável pela coloração das fezes. Outra parte desse urobilinogênio é excretado no intestino EM RESUMO: ▪ Produção: 4mg/Kg de peso – fora do fígado e transporte no plasma associado à albumina ▪ Captação pelos hepatócitos e transporte intracelular pelas ligandinas ▪ Conjugação pela enzima UDPglucoroniltransferase ▪ Excreção da BC: etapa limitante pois depende de energia A primeira pergunta que se deve fazer é se o aumento é de bilirrubina indireta ou direta. Como o hepatócito é o ponto em que a bilirrubina é conjugada, de modo geral, pode-se concluir que a causa está antes ou no hepatócito, se houver elevação de bilirrubina indireta. E se for aumento da bilirrubina direta, a causa está após o @Marcos André ponto de conjugação, do hepatócito em diante. Causas de aumento de bilirrubina indireta: 1. Hemólise a. Paciente estará com anemia i. Avaliar hemograma ii. Nível de reticulócitos também pode ajudar a determinar a presença de anemia hemolítica b. A hemólise pode ser: i. Hereditária 1. Esferocitose 2. Anemia falciforme 3. Talassemia 4. Deficiência enzimáticas (piruvatoquinase, G6PD) 5. Alguns pacientes tem que retirar o baço para não fazer crise de hemólise ii. Adquirida c. Hemólise intra ou extravascular i. Nesse momento, avalia-se o nível de haptoglobina, proteína que normalmente se liga aos produtos da lise dos eritrócitos. Quando diminuída, a causa da hemólise é intravascular; se normal, é extravascular. 2. Diminuição da captação pelo fígado a. ICC b. Shunt porto sistêmico c. Medicamentos d. Jejum prolongado e. Infecções (mais comum na prática) 3. Não conjugação a. Condições hereditárias: Síndrome de Gilberto; Crigler- Najar tipo I e II b. Neonatal (fisiológica, do leite materno) c. Drogas (gentamicina, cetoconazol, inibidor de protease (atazanavir), etinilestradiol) d. Outras (hipertireoidismos, doenças hepáticas avançada) @Marcos André !) BILIRRUBINA INDIRETA A enzima uridina-glucuronil- transferase1-A1 (UGT) possui um grande papel quanto à gênese da Hiperbilirrubinemia indireta, uma vez que, a depender do espectro de redução de sua atividade, podemos ter a manifestação de determinada doença. Em linhas gerais, podemos dizer que disfunções pequenas quanto à sua atividade levam à Síndrome de Gilbert, enquanto a ausência de fun- cionamento consiste na manifestação da síndrome de Crigler-Najjar tipo I, ficando o tipo II do meio do caminho quanto à funcionalidade da UGT. A síndrome de Gilbert consiste em uma doença com prevalência relativamente alta, acometendo cerca de 3 a 13% da população caucasiana, predominando no sexo masculino pela maior produção diária de bilirrubinas totais. Consiste basicamente na síndrome de hiperbilirrubinemia isolada hereditária mais comum, sendo que muitas vezes acaba nem sendo diagnosticada. A apresentação típica da síndrome de Gilbert ocorre na adolescência, sendo muito rara a manifestação antes da puberdade. Em geral, esses pacientes são assintomáticos e apresentam aumento de bilirrubina indireta, mas sem a presença de hemólise. Esse quadro pode ser desencadeado por alguns gatilhos, dentre os quais: jejum, atividade física, desidratação, menstruação e infecções agudas. Portanto, verifica-se que ela decorre de uma diminuição quanto à atividade da UGT, sendo que a funcionalidade da enzima gira em torno de 10 a 33%. Sendo assim, esses pacientes não possuem um aumento muito pronunciado de bilirrubinas totais, podendo chegar até cerca de 5mg/dL, mas em geral, @Marcos André a mensuração de bilirrubinas totais fica abaixo de 3mg/dL, sendo caracterizada como uma hiperbilirrubinemia indireta flutuante discreta, na ausência de hemólise. O tratamento visa principalmente evitar a ocorrência da icterícia transitória, de modo que se concentra mais em fins estéticos. Para tal, pode-se lançar mão do fenobarbital ou do clofibrato, medicamentos esses que induzem a atividade da UGT. O uso de corticosteroides, uma vez que eles aumentam a captação hepática de bilirrubinas totais, cursando com normalização dos níveis de bilirrubinas dentro de uma ou duas semanas. SE LIGA! em pacientes com síndrome de Gilbert, deve-se estar atento para o impacto na glicuronidação das drogas, uma vez que há risco de toxicidade e carcinogênese com o passar do tempo. A síndrome de Crigler-Najjar I consiste na forma mais grave do espectro da doença. É carac- terizada pela atividade muito reduzida ou até ausente da UGT, em decorrência de uma mutação autossômica recessiva. O seu curso se dá mediante a presença de icterícia grave desde o período neonatal, sendo mensurado níveis de bilirrubinas totais de 20 a 50mg/dL. O quadro de diminuição drástica da atividade da UGT cursa com a diminuição da excreção fecal de urobilinogênio, bem como com menor conjugação da bilirrubina total. A síndrome de Crigler-Najjar II consiste num quadro mais brando, caracterizado pela atividade enzimática da UGT em níveis menores do que 10% do normal, cursando com níveis altos de bilirrubina, mas não tão extremos como os observados na doença do tipo I, sendo que os pacientes em geral sobrevivem até a idade adulta sem danos neurológicos. Com a adoção de fenobarbital, consegue-se manter os níveis de bilirrubina para níveis entre 3 a 5mg/dL. 2) HIBERBILIRRUBINEMIA DIRETA 1. Condições hereditárias a. Síndrome de rotor: icterícia assintomática, segunda década @Marcos André de vida, problema com o armazenamento hepático das bilirrubinas Resultante de uma herança autossômica recessiva, sem identificação de mutação genética específica, sendo encontradas mutações relacionadas ao polipeptídeo transportador de ânions orgânicos (OATP1B1/OATP1B3), caracterizando o diagnóstico genético como difícil. Ocorre um prejuízo no armazenamento hepatocelular da bilirrubina conjugada, havendo um extravasamento para o plasma, culminando no aumento dos níveis séricos de bilirrubina direta. Desse modo, temos que a doença se manifesta com o aumento de bilirrubinas, com predomínio da forma direta, sendo a análise urinária de grande valia, principalmente quanto em relação aos níveis de coproporfirinas urinárias, sendo que nesses indivíduos encontraremos um aumento de duas a cinco vezes o normal de excreção de coproporfirinas totais, com 65% da fração comporta pelo tipo I, enquanto que, como já dito, indivíduos normais possuem cerca de 75% do tipo III. A síndrome de Rotor não carece de tratamento, mas é importante que se faça o diagnóstico para evitar a futura realização de exames desnecessários, bem como para tranquilizar o paciente em relação ao seu prognóstico. 2. Lesão hepatocelular a. Causas: Hepatite viral (A, B, C, D, E (vírus hepatotrócitos), EBV, CMV, Herpes, Dengue, Febre amarela) Álcool Drogas (paracetamol, isoniazida etc.) e toxinas (cloreto de vinila, chá verde, cogumelos amanita) Hepatite auto-imune Doença de Wilson b. Prejuízo predominantemente na terceira fase de metabolismo da bilirrubina no fígado: excreção (devido a falta de energia) c. Urina (cor de coca- cola): colúria @Marcos André d. Hipocolia ou acolia fecal: bilirrubina direta não está chegando no intestino e. Aumento predominante de enzimas hepáticas (AST/ALT) – TGO e TGP Essas enzimas estão dentro dos hepatócitos, quando ocorre uma lesão nessas células elas são liberadas na corrente sanguínea As causas mais comuns de elevação dessas enzimas em pacientes assintomáticos são hepatites virais crônicas, abuso de álcool, esteato-hepatite não alcoólica, hepatites medicamentosas, hemocromatose,hepatites autoimunes, doença de Wilson e deficiência de alfa-1 antitripsina. 3. Lesões colestáticas (intra- hepática ou extra-hepática) a. Colestase: diminuição ou interrupção do fluxo de bile para o duodeno, podendo ser funcional ou mecânico/obstrutivo b. Dependendo do nível Intra-hepático (canalículos biliares e pequenos ductos biliares) Extra-hepática (grandes ductos, colédoco, vesícula, papila e pâncreas) c. Dados clínicos: Bilirrubina direta reflui do canalículo biliar, caindo na corrente sanguínea Urina (cor de coca-cola): colúria Hipocolia ou acolia fecal: bilirrubina direta não está chegando no intestino Esteatorréia (deficiência de bile) e deficiência de vitaminas lipossolúveis – ADEK Prurido Predomínio de elevação de enzimas colestáticas: FA (fosfatase) e GamaGT 1. Marcadores de alterações canalicular, ou seja, do fluxo da bile. 2. Elevações de FA devem ser investigadas com exames de imagem para definição do sitio de colestase @Marcos André (intra ou extra- hepático) 3. A gamaglutamiltrans ferase (GGT) e uma enzima microssomal, presente principalmente nos hepatócitos e nas células do epitélio biliar. Também e encontrada nos microtúbulos renais, no pâncreas e no intestino. d. Padrão colestático (intra-hepático) Hepatite viral, alcoólica e algumas drogas (esteroides anabolizantes, anticoncepcional, clorpromazina) Colestase gestacional Colangite biliar primária (CBP) Síndrome do desaparecimento de ductos biliares (Síndrome Ductopênica) Hereditária (colestase recorrente benigna, colestase intra-hepática familiar progressiva) Outros e. Padrão colestático (extra- hepático): Benigna: 1Coledocolitiase 2. Síndrome de mirizzi 3. Estenose biliar pos- operatória 4. Colangite esclerosante primaria Maligna 1. Colangiocarcinoma 2. Câncer de cabeça de pâncreas @Marcos André Obs.: albumina sérica e TAP avaliam a função hepática Obs.: para diferencia uma lesão colestática de intra e extra-hepática deve-se procurar dilatação do colédoco nos exames de imagem. Então, uma lesão extra-hepática terá dilatação do colédoco RESPOSTA DO CASO 1 ➢ Paciente apresenta problemas na captação ➢ Síndrome de Gilbert Doença crônica benigna, com icterícia recorrente, as custas de bilirrubina não conjugada (< 6mg/dl) Piora de icterícia se estresse ou exercícios, durante a fase de sangramento ativo no ciclo menstrual ou jejum Prevalência estimada de 6% na população Mais frequente no sexo masculino @Marcos André RESPOSTA CASO 2 ➢ Icterícia por lesão hepatocelular (predomino de ALT e AST) ➢ Histórico de sexo desprotegido: hepatite viral ➢ marcadores sorológicos negativos, porém demora um tempo para positivar, então, o indicado seria pedir RNA-HCV QI (+) RESPOSTA CASO 3 ➢ Lesão colestática ➢Presença de cálculo no colédoco