Prévia do material em texto
1 Psicopedagogia e Neurociências AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA Unidades I, II, III e IV Eva Cristina de Carvalho Souza Mendes Edna Barberato Genghini MENDES, Eva Cristina de Carvalho Souza GENGHINI, Edna Barberato Avaliação e Orientação Neuropsicopedagógica (Livro-texto – Unidades I a IV) / Eva Cristina de Carvalho Souza Mendes; Edna Barberato Genghini – São Paulo: Pós-graduação Lato Sensu – UNIP, 2019 92 p. il. I.1 Avaliação Neuropsicopedagógica. 2 Técnicas de Avaliação da Aprendizagem. 3 Instrumentos de Avaliação Psicopedagógicos. 4 Orientação e Intervenção. 5 Psicopedagogia II. Eva Cristina de Carvalho Souza Mendes; Edna Barberato Genghini. – III. Avaliação e Orientação Neuropsicopedagógica (Livro-texto – Unidades I a IV). São Paulo: Pós-Graduação Lato Sensu - UNIP, 2019. AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR-AUTOR EVA CRISTINA DE CARVALHO SOUZA MENDES, Graduada em Letras e Pedagogia, Mestre em Educação e Doutora em Distúrbios do Desenvolvimento. Tem Especialização em nível de pós-graduação em Psicopedagogia, Neuropedagogia e Psicanálise, Educação a Distância, Processos de ensino e aprendizagem da Educação Infantil e séries iniciais e Aperfeiçoamento em Gestão de Processos Avaliativos de Sistemas Educacionais. É professora titular e coordenadora local do Curso de Pedagogia - Universidade Paulista-Campus Santos. Atua em consultório. Tem experiência nas áreas Pedagógica, Orientação Educacional e Psicopedagógica. Tem interesse nos seguintes temas: Neurociência, Educação Inclusiva, Processo Ensino-aprendizagem, Leitura e Escrita, Linguagem, Orientação Educacional, Psicopedagogia e Pedagogia. Professora Colaboradora/coordenadora: EDNA BARBERATO GENGHINI, Professora Universitária desde 2002. Atualmente no exercício da função de Coordenadora para todo o Brasil de cinco cursos ao nível de Pós Graduação Lato Sensu: em PSICOPEDAGOGIA E NEUROCIÊNCIAS, PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL, DOCÊNCIA PARA O ENSINO SUPERIOR, FORMAÇÃO E GESTÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA e em FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, pela UNIP - UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP/EaD, onde também atua como Professora Adjunta, nas modalidades SEI e SEPI. É Diretora e Psicopedagoga da MENTOR ORIENTAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA LTDA. ME desde 1991. Possui graduação em Economia Doméstica - Faculdades Integradas Teresa D'Ávila de Santo André (1980), graduação em Pedagogia pela Universidade Guarulhos (1985), Pós-graduação em Psicopedagogia pela Universidade São Judas (1987), Mestrado em Ciências Humanas pela Universidade Guarulhos (2002) e pós-graduação Lato Sensu em Formação em Educação a Distância pela UNIP - Universidade Paulista (2011). Membro efetivo do NAAP – Núcleo de Acessibilidade e Atendimento Psicopedagógico da UNIP EAD. É autora e coautora de livros Textos para os cursos de Pós-Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia Institucional, Psicopedagogia e Neurociências, Docência para o Ensino Superior, Formação e Gestão em Educação a Distância e Formação em Educação a Distância da UNIP - EaD. Áreas de Interesse: Neurociências - Educação Inclusiva - Psicopedagogia Clínica e Institucional - Formação e Gestão em Educação a Distância - Formação de Docentes para o Ensino Superior. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 05 Unidade I: AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA 06 1.1 Avaliação neuropsicopedagógica: construção do enfoque 07 1.2 O processo de aprendizagem: a integridade organismo, corpo, inteligência, cognição, desejo no processo aprendizagem e aspectos à luz da neurociência 14 Unidade II: TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA 22 2.1 A observação direta, organizada e sistemática 23 2.1.1 Entrevista aberta ou conversa informal 27 2.2 Provas projetivas psicopedagógicas 41 2.3 O brincar e a utilização do jogo como instrumento de avaliação psicopedagógico 46 Unidade III: INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E NEUROPEDAGÓGICA 50 3.1 Conhecimento e utilização de instrumentos de avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica 51 3.2 A devolutiva: elaboração de relatório e parecer de avaliação psicopedagógica 67 Unidade IV: ORIENTAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E NEUROPSICOPEDAGÓGICA 71 4.1 Tipos de intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica 71 4.2 Orientação e intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica 73 4.3 A orientação psicopedagógica e projeto de planos de intervenção em contextos de atendimento 75 REFERÊNCIAS 90 5 INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), Nesta disciplina de Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica, você terá possibilidades de compreender, a partir do estudo da avalição psicopedagógica por meio de instrumentos específicos da psicopedagogia, a elaboração de diagnóstico orientados para intervenção de questões cognitivas e emocionais pertinentes ao processo do aprender. Nosso estudo terá início na Unidade I com a temática da Avaliação Neuropsicopedagógica em uma perspectiva de construção do enfoque. Continuando na Unidade II, encontramos técnicas que poderão ser utilizadas na avaliação psicopedagógica. Dando sequência, na Unidade III, verificaremos os instrumentos de avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica, para então chegarmos, na Unidade IV, às práticas relativas à psicopedagogia relacionadas à atuação do psicopedagogo seja na elaboração de planos de intervenção ou intervenção propriamente dita. Deixo para sua reflexão sobre a atividade a ser exercida pelo psicopedagogo, os pensamentos de Paulo Freire: [...] Constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela. [...] Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra. Não posso estar no mundo de luvas nas mãos constatando apenas. A acomodação em mim é apenas caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade (Freire, 1996, p.77). E o de Alícia Fernandes: [...] o saber está associado à experiência, é transmissível só diretamente, de pessoa a pessoa, experiencialmente (Fernandes, 1990, p. 129). Vamos lá? Preparado(a)? Há muito o que estudar! 6 I. AVALIAÇÃO NEUROPSICOPEDAGÓGICA O processo de avaliação inicial é fundamental para que a intervenção psicopedagógica seja realizada com eficiência e efetividade. Para tanto, para a compreensão da problemática apresentada é necessário investigar, pesquisar, avaliar, verificar possibilidades para o acompanhamento psicopedagógico. Uma pesquisa para a ação do psicopedagogo dá-se na proporção em que os profissionais iniciam suas observações, formulam questões ou hipóteses diagnósticas, bem como selecionam instrumentos que possam elucidar tais questões. Lembrando que iniciamos o processo avaliativo por meio de uma anamnese bem construída, com informações sobre identificação, antecedentes pessoais, dados familiares, dados do desenvolvimento neuropsicomotor, saúde em geral, vida escolar, atividades extras, situações de estudo, etc. A partir daí, são traçadas linhas de trabalho a serem desenvolvidas individualmente ou em grupo para que o processo de aprendizagem se efetive de modo natural e estimulado pelas ações sugeridas em um plano de atividades. Tomando por base a Neurociência, ciência que estuda o sistema nervoso, compreendendo sua estrutura, seu desenvolvimento e funcionamento, para o estabelecimento de uma relação entre mente e comportamento a fim de favorecer o processo de aprendizagem em uma proposta de intervenção psicopedagógica inspiradano processamento de informação da aprendizagem. Para tanto, segundo Acampora (2017, p. 45) [...] a Neurociência contribui para o conhecimento das interferências de aprendizagem, dando a conhecer que os processos biológicos afetam a resposta cerebral, e as experiências do meio ambiente e ambientais em contrapartida, influem nas questões biológicas. As pesquisas realizadas no estudo do funcionamento do cérebro têm contribuído para o entendimento de sua participação no processo cognitivo, tais como: memória, alfabetização, leitura e escrita, aprendizagem, tomada de decisões, inteligência, interpretação textual, linguagem, raciocínio lógico – cálculos, interpretação de símbolos numéricos -, sonhos e emoções. Assim, “o cérebro, a aprendizagem e a Neurociência estão intrinsecamente ligados no que se refere à aprendizagem e à forma como o cérebro responde aos estímulos ensinados por meio do encaminhamento de saberes e ações” (Acampora, 2017, p. 44) Diante do exposto, toda a ação do psicopedagogo depende de um bom diagnóstico/avaliação e este deve levar em conta o processo avaliativo como um todo 7 contínuo, iniciado com a primeira tratativa, anamnese e sequencial da aplicação de testes, avaliações, observações. Entender a importância da avaliação no processo de construção na perspectiva da neurociência é fundamental para o desenrolar da ação psicopedagógica. Vamos, então, iniciar nossa jornada na construção do enfoque da Avaliação Neuropsicopedagógica. 1.1 Avaliação neuropsicopedagógica: construção do enfoque A Psicopedagogia objetiva estudar a aprendizagem humana, logo o sujeito psicopedagógico é o ser humano em contextos de aprendizagem. Faz-se necessário para a ação psicopedagógica ter conhecimento de diversas áreas como Educação, Saúde, Neurociências, Psicologia, Neuropsicologia Cognitiva dentre outras. Assim, pode-se dizer que a Psicopedagogia estuda e trabalha com a aprendizagem em uma multiplicidade de conhecimentos que dão suporte ao processo do aprender. Para tanto, busca a construção do conhecimento considerando fatores cognitivos, afetivos e sociais. À luz de aspectos da abordagem cognitiva, que tem como principais características a organização do conhecimento, o modo de processamento de informações, acrescentando-se as especificidades da teoria psicopedagógica será possível a compreensão do fundamento e estrutura da avaliação neuropsicopedagógica. Na Psicopedagogia são consideradas as aprendizagens que ocorrem nos mais variados contextos (escolar, familiar, social etc.) ao longo da vida do indivíduo. Daí a necessidade de verificarmos a especificidade da avaliação na perspectiva neuropsicopedagógica, por meio da interação entre a pedagogia, psicopedagogia, psicologia cognitiva e neurociência cognitiva. Aponta-se como objeto de estudo da Psicopedagogia o processo de aprendizagem do homem e considerando o sujeito da Psicopedagogia como sujeito de pensamento que é aquele que assume posições ensinante/aprendente ao mesmo tempo, reconhece-se autor de pensamento na diferenciação do outro e pode guardar/mostrar seu pensamento (BOSSA, 2000; FERNÁNDEZ, 2001). 8 O processo do aprender é formulado em termos de aquisição e construção de novas informações acrescidas ao conjunto de conhecimentos existentes. Portanto, a aprendizagem não é limitada à aquisição de novas informações e não está limitada e independente de outros processos mentais de percepção, atenção, memória, planejamento, raciocínio, é resultado da organização coordenada dos vários processos cognitivos. Apresentamos, a seguir, o modelo de Processamento de Informação da aprendizagem Fonseca (2014, p. 240). Figura 1: MODELO DE PROCESSAMENTO DE INFORMAÇÃO DA APRENDIZAGEM (adaptado de Fonseca (2014, p.240) Metacognição – Controle Executivo (planejamento, avaliação e regulação de rotinas de processamento de informação Fonseca V. Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. Ver. Psicopedagogia 2014;31(96):236-253 9 Ressaltamos que apontamos o processo de aprendizagem do homem como objeto de estudo da Psicopedagogia, mas não se trata apenas da aprendizagem escolar. Pautados em Visca (2008), partimos do princípio que o processo de aprendizagem consiste na produção e estabilização de condutas e, portanto, serão consideradas aprendizagens tanto as que se produzem no contexto escolar como as que se elaboram no meio familiar e social, sem que necessariamente esteja implicada a escola. Por certo, na Psicopedagogia, consideramos as aprendizagens que ocorrem no contexto escolar, familiar, social, etc., ao longo da vida do indivíduo. Assim, para construção do enfoque da especificidade da avaliação psicopedagógica, a reflexão inicia-se apontando para a necessidade de que, na ação diagnóstica psicopedagógica, a preocupação deve estar em recorrer a recursos teóricos e práticos (WEISS, 2008). A teoria e a prática alinhadas são fundamentais para que o psicopedagogo esteja seguro de suas ações e conclusões, ainda que parciais, pois promovem uma maior compreensão do que se está analisando. Ainda segundo Weiss (2008), é necessário que entre teoria e prática deva existir uma alimentação mútua e permanente, visto que o aprofundamento em aspectos teóricos capacita o psicopedagogo para uma atuação contundente em seu fazer. A presença de um sintoma, em um indivíduo, seja qual for o contexto, é o fator inicial da necessidade de uma avaliação psicopedagógica. Na perspectiva psicopedagógica, um sintoma é sempre um pedido de socorro que desvela uma situação ensino-aprendizagem que se encontra patologizada. É desta situação inicial que a avaliação psicopedagógica deve dar conta, dando-lhe real dimensão e descobrindo seu real significado. Para saber mais, leia em: WEIS, M.L.L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: Ed Lamparina, 2008. VISCA, J. O diagnóstico operatório na prática psicopedagógica. São José dos Campos: Pulso, 2008. 10 MAIA, H. (org). Neurociências e desenvolvimento cognitivo. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011. PEDRO, Waldir. Guia prático de Neuroeducação: Neuropsicopedagogia, Neuropsicologia e Neurociência. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2017. A partir da avaliação psicopedagógica na perspectiva da neurociência é possível realizar uma leitura de forma global, envolvendo os variados contextos e aspectos como: o sujeito, a família, o processo de aprendizagem. Daí a necessidade da escolha de referenciais teóricos que possam respaldar a utilização de meios diferenciados para o processo de avaliação. A Psicopedagogia utiliza-se de diferentes recursos (instrumentos) de avaliação para o entendimento de um sintoma. Concordamos com Weiss (2008. P. 32) quando afirma que “o sucesso de um diagnóstico não reside no grande número de instrumentos utilizados, mas na competência e sensibilidade do terapeuta em explorar a multiplicidade de aspectos revelados em cada situação”. Portanto, durante um processo de avaliação há necessidade de ser estabelecida uma escuta e um olhar psicopedagógico, muito mais do que se oferecer inúmeras atividades diagnóstica. Faz-se necessário haver um entrosamento entre a observação e os resultados apresentados nos instrumentos utilizados para que a análise do processo avaliativo seja um produto representativo da realidade naquele momento. A escuta psicopedagógica caracteriza-se por não nos determos somente ao que é falado explicitamente, pois na fala de um indivíduo atuam os mecanismos de defesa. Devemos nos ater mais ao que não é dito explicitamente, ao que é colocado nas entrelinhas, nos lapsos de linguagem. Aí estarão as informações das quais necessitamos. Ao psicopedagogo interessa avaliar o processo que o indivíduo desenvolve para realizaruma tarefa. Portanto, o psicopedagogo deve acompanhar de perto a realização das tarefas propostas, com olhos atentos à linguagem corporal, às paradas, aos momentos de angústia, às perguntas realizadas. De acordo com Colomer, Masot e Navarro (in SÁCHEZ-CANO E BONALS, 2008, p.15), devemos entender a avaliação psicopedagógica como um processo que: Deve nos permitir dispor de informações relevantes não apenas em relação às dificuldades apresentadas por um determinado indivíduo, por um professor ou pais, mas também às suas capacidades e potencialidades. 11 Na avaliação psicopedagógica é necessário investigar as possibilidades e capacidades do indivíduo em situação de aprendizagem, muito mais do que somente apontar suas deficiências ou inabilidades. É importante ressaltar que não devemos dar à avaliação psicopedagógica um caráter limitante e definitivo ao que o indivíduo apresenta no momento avaliativo. A avaliação psicopedagógica deve nos mostrar indícios para o caminhar no período de intervenção. Uma característica relevante da avaliação psicopedagógica, ou seja, investigar as possibilidades e capacidades do indivíduo em situação de aprendizagem, muito mais do que apontar suas deficiências ou inabilidades. Observe agora as imagens apresentadas, extraídas do Google Imagens – Avaliação Educacional in: https://www.google.com.br/search?q=avalia%C3%A7%C3%A3o+educacional&biw=1518&bi h=734&source=lnms&tbm=isch&sa=X&sqi=2&ved=0CAcQ_AUoAmoVChMIvNaZ09q_yAIVh oyQCh0fJAzP&dpr=0.9, acessadas em 13/10/2015. 12 Dá o que pensar, não é mesmo? Faça, então, um exercício de reflexão: Atividade de Aplicação A partir das figuras acima, escreva uma introdução com texto dissertativo- argumentativo para um artigo de um periódico, colocando o que significa para um indivíduo ser submetido a um processo de avaliação e “como”, a seu ver, deve ser efetuada uma avaliação psicopedagógica para um indivíduo que chega ao consultório tido com dificuldades de aprendizagem. Qual é a melhor forma de comunicação, dentre as expostas nas imagens, para promover uma avaliação psicopedagógica do processo de aprendizagem mais eficaz? Pesquise! Compare! ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 13 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Diante do exposto até aqui é possível perceber que a avaliação psicopedagógica na perspectiva da neurociência é um processo contínuo e dinâmico, pois não se reduz a uma aplicação pontual de determinado teste ou prova do qual se tira um resultado. Pelo contrário, ela é o resultado de uma observação constante e de uma contínua atuação envolvendo a inter-relação que se estabelece entre seus agentes. Logo, “a avaliação psicopedagógica desenvolve-se em colaboração com o conjunto de participantes no processo: indivíduo, família, escola, outros profissionais” (COLOMER, MASOT e NAVARRO in SÁNCHEZ-CANO e BONALS, 2008, p. 16). Segundo Rubinstein (in SISTO et al., 2008, p.127), o psicopedagogo é um “detetive” que, durante o processo de avaliação: [...] busca pistas, procurando selecioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta fundamentalmente é investigar todo o processo de aprendizagem levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para, valendo-se desta investigação, entender a constituição da dificuldade de aprendizagem. Assim, cada variável encontrada é tida como um dos componentes do processo de desenvolvimento e conquistas do indivíduo. Portanto, pode-se verificar, que falamos de uma coleta de informações relevantes, resultante das inter-relações estabelecidas e atividades/testes ofertados, dos quais resultará um processo de intervenção a ser desenvolvido dentro de um contexto de ensino-aprendizagem complexo. Tal complexidade exigirá do profissional psicopedagogo o estabelecimento de prioridades para que fique garantida a eficiência de sua atuação. 14 De tal sorte que a avaliação psicopedagógica é complexa e deve ser constante para que as informações colhidas tenham validade e possibilitem um plano de intervenção adequado. A observação do que nos cerca, ou seja, da realidade é fundamental. Inserir uma situação específica, menor, dentro de um contexto universal, maior, permite-nos entender os vários fatores que interferem em uma situação dinâmica de ensino- aprendizagem. A avaliação psicopedagógica é um processo contínuo e dinâmico. “A Psicopedagogia está voltada à criança, ao adolescente, ao adulto, ou a grupo de pessoas que apresentam dificuldades nos processos de ensino e aprendizagem” (ANDION, M.T.M., 2013, p. 75). 1.2 O processo de aprendizagem: organismo, corpo, inteligência, cognição, desejo no processo de aprendizagem e aspectos à luz da neurociência Em continuidade a nossa tratativa e sabendo-se que a Psicopedagogia está fundamentada no processo de aprendizagem, nas suas dificuldades, suas relações com o processo de desenvolvimento e nas questões relativas ao ensinar é necessário 15 refletir sobre seu campo de atuação e a relação com as mais diversas áreas do conhecimento. Pain (2009) aponta quatro estruturas fundamentais para que o processo de aprendizagem do indivíduo ocorra: o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo. Estas estruturas são também o foco da avaliação psicopedagógica, pois de sua integração depende a capacidade do indivíduo se apropriar do conhecimento. E, portanto, um sintoma reflete que esta integração está falha. Quando temos por objetivo avaliar o organismo da pessoa, devemos nos deter aos seus movimentos, à sua possibilidade de se movimentar ou de ficar imóvel por certo tempo. Observamos como se aproxima do objeto/situação de aprendizagem e os movimentos que realiza ao explorar um objeto, desde os movimentos amplos até os findos. Por fim, avaliamos sua destreza, habilidades motoras e o controle que tem sobre seus movimentos. Não só os movimentos devem ser observados, mas também o sistema sensorial. Não raro deparamo-nos com casos de falhas nas áreas sensoriais de visão e audição, até então desconhecidas pela pessoa, o que pode afetar a aprendizagem do indivíduo. É possível citar como exemplo o caso de leves distúrbios de processamento auditivo central que fazem com que a pessoa tenha dificuldade em compreender ordens dadas oralmente por outra. Isto pode ocasionar dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita. Enquanto as característicasdo organismo são inerentes à raça humana. O corpo é constituído na relação com o outro, é subjetivo, é único para cada indivíduo. Observar como uma pessoa integra seu sistema fonoaudiológico ao visuomotor é perceber, as possíveis oscilações e integrações que ocorrem por sua expressão corporal diante de situações. Pain (2009, p.80) adverte que: [...] Muitos traços de vivacidade, que chamamos frequentemente de ‘atenção’, ‘interesse’, são parte da tônica corporal. São parte dessa integridade corporal que tem ressonância afetiva. O que nos interessa é essa ressonância afetiva do ‘interesse’, mas a criança pode ter uma ressonância afetiva baixa, ou seja, o ‘desinteresse’. Vemos a criança desinteressada como se fosse um corpo que passa do estado sólido para o líquido. Derrete-se, dilui-se. Isto porque não tem a ver com o organismo, tem a ver com a integridade da presença do eu corporal, com a integridade pessoal do sujeito. A cognição, ou a inteligência, é outra estrutura a ser avaliada em um processo psicopedagógico. Realmente podemos nos deparar com quadros de déficits cognitivos, sejam no mundo da criança ou no do adulto e devemos pensar em nossa prática nessas situações. É necessária a detecção de um déficit, não para rotular, mas para que as intervenções sejam realizadas no sentido da minimização do sintoma apresentado. 16 Às vezes, uma pessoa pode ser considerada desinteressada, não participativa, incompetente para uma atividade e o caso trata-se de um déficit cognitivo, muitas vezes, mínimo, mas que compromete o desempenho do indivíduo em suas atividades. O desejo, favorece o processo de aprendizagem. Em todo processo de aprendizagem devemos estar atentos à articulação entre a inteligência (organização lógica) e o desejo (função simbólica). A organização lógica diz respeito às experiências cognitivas, ao equilíbrio entre assimilação e acomodação. Envolve a capacidade de seriar, ordenar, classificar, a generalizar. Já a função simbólica é subjetivante e envolve o desejo e, assim, devemos entender, a partir da avaliação, qual o significado que um conhecimento pode ter para a pessoa. Quanto à inteligência, não é uma função cerebral unitária nem o somatório de diversas funções cognitivas. É importante ter em mente que a capacidade de resolver problemas e se adaptar ao meio, utilizando o máximo possível das experiências e aplicando-as de forma ágil criativa e autônoma, seria uma característica do indivíduo inteligente. Esse conceito deve ser expandido além das competências acadêmicas formais (linguísticas e lógico-matemática), incluindo as competências no campo artístico e do relacionamento social, bem como o autoconhecimento e o gerenciamento dos desejos e dos objetivos de vida (MAIA, 2011). À luz da perspectiva dos estudos da neurociência, Fonseca (2014, p. 236) aponta que “em qualquer processo de aprendizagem, portanto, inúmeros neurônios interagem sistemicamente e coíbem-se dinamicamente”. Ainda segundo o mesmo autor, [...] os neurônios podem ser considerados as células da aprendizagem, pois são elas em si, mais a interação que recriam com as células denominadas glias, que sustentam e consolidam, somaticamente, qualquer tipo de aprendizagem, seja a mais simples de tipo sensório-motor, práxica, não- simbólica ou não-verbal, seja a mais complexa do tipo operacional, simbólica ou verbal, como são a leitura, a escrita e a matemática ... A aprendizagem humana emerge, consequentemente, de múltiplas funções, capacidades, faculdades ou habilidades cognitivas interligadas, quer de recepção (componente sensorial – input), quer de integração (componentes perceptiva, conativa, mnésica e representacional), quer de planificação (componentes antecipatória e decisória), quer finalmente, de execução ou de expressão de informação (componente motora – output). (FONSECA, V., 2014, p. 237- 238). Assim, não se pode perder de vista o composto do sujeito como ser biológico com suas características cognitivas, afetivas, socioculturais que influenciam e recebem influências. 17 De acordo com Fonseca (2014) as funções cognitivas emergem do cérebro como resultado da interação do conjunto de funções mentais. Assim, o afetivo, o cognitivo e o executivo estão em interação constante no processo de aprendizagem. Segundo Maia (2011, p. 32) o indivíduo realiza quatro etapas cognitivas durante o processo de aprendizagem: O indivíduo recebe a informação, dando-lhe significado (PERCEPÇÃO); Registra a informação, pelo menos de forma temporária (MEMÓRIA); Processa os elementos da informação, correlacionando-os com materiais previamente armazenados em sua memória (FUNÇÕES EXECUTIVAS); Dá sua resposta, utilizando-se de alguma forma de comunicação (FUNÇÕES EXPRESSIVAS). Assim, podemos dizer que a aprendizagem inicia com o processo neuromaturacional e o indivíduo aprende por meio de modificações funcionais do sistema nervoso central (SNC), principalmente nas áreas da linguagem, das gnosias, das praxias, da atenção, da memória e, para que seja estabelecido corretamente o processo de aprendizagem é necessário que as interligações entre as diversas áreas corticais e outros níveis sejam integradas efetivamente. (RELVAS, 2007). A aprendizagem é um processo integrado complexo que envolve aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicológicos, sociais e culturais. A aprendizagem é resultado do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para aplicação em novas situações. Portanto, o ato ou vontade de aprender é inerente ao psiquismo humano, visto que o processo de aprendizagem é desencadeado a partir da motivação, processo que se dá no interior do sujeito. De acordo com Relvas (2010, p. 92), o caminho percorrido pelos estímulos no processo de aprendizagem ocorre da seguinte maneira: PROBLEMA A RECEPÇÃO REGISTRO PROCESSAMENTO OA RESPOSTA 18 O córtex cerebral, nas áreas do lobo temporal, recebe, integra e organiza as percepções auditivas. Nas áreas do lobo occipital, o córtex recebe, integra e organiza as percepções visuais. As áreas temporais e occipital se ligam às áreas do lobo frontal, situadas na terceira circunvolução frontal, responsável pela articulação das palavras. A articulação frontal ascendente é responsável pela expressão da escrita (grafia). A área parietotemporoccipital é responsável pela integração gnósica, e as áreas pré-frontais, pela integração práxica, desde que essas funções sejam moduladas pelo afeto e pelas condições cognitivas de cada um. Nesse processo, são ativadas as funções perceptivas e motoras, além das funções cognitivas do ato de aprender, produzindo modificações no SNC. [...] define o ato de aprender como um “ato de plasticidade cerebral”, modulado por fatores intrínsecos (genéticos) e extrínsecos (experiências). Para obter mais informações, leia em: FONSECA, Vitor da. Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem neuropsicopedagógica. Ver. Psicopdag., São Paulo, v 31, n. 96, 2014 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 84862014000300002&lng=pt&nrm=iso>. MAIA, H. (org). Neurociências e desenvolvimento cognitivo. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011. PEDRO, Waldir. Guia prático de Neuroeducação: Neuropsicopedagogia, Neuropsicologia e Neurociência. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2017. LENT, R. Cem bilhões de neurônios. Rio de Janeiro: Atheneu, 2004. A elaboração de uma intervenção dependerá de uma avaliação eficaz, focada na compreensão desta demanda inicial, levando-se em consideração: o porquê desta demanda, as necessidades e interesses de quem a faz e as consequências das ações propostas a partir da mesma. 19 Bonals e Gonzalez (in SÁNCHEZ-CANO E BONALS, 2008, p. 24) ressaltam que: É preciso entender que a demanda de avaliaçãopsicopedagógica emerge em um contexto, que informa sobre si e sobre quem a elabora. Para dar uma resposta apropriada, temos que prestar atenção a quem a elabora, para quem, onde, como, quando, o que e por que a apresenta; para também perfilar a resposta que se oferece: como, quando, quem e por que se dá. A demanda pode não se apresentar apenas em um primeiro contato, mas persistir durante um tempo e, portanto, deve ser escutada e seu sentido analisado, ao longo de todo período de avaliação e mesmo de intervenção. Esta escuta e interpretação de demanda permitem ao psicopedagogo avaliar sua função e sua importância, pois muitas vezes, encobre o real motivo e a real necessidade de intervenção. Devemos diferenciar uma queixa de uma demanda, sendo a primeira mais uma reclamação do que uma necessidade. A queixa caracteriza-se por uma reclamação que, muitas vezes, não implica em um pedido de ajuda ou mudança. Já na demanda, há desejo e interesse de mudar o que está incomodando, de melhorar uma situação. Assim, entender se estamos diante de uma real demanda ou de uma simples queixa é a primeira meta do processo de avaliação psicopedagógica. Ressaltamos que uma queixa inicial, após um processo avaliativo, pode transformar-se em demanda e deverá ser considerada como tal. Para que esta transformação seja possível, ou mesmo para que uma demanda real possa emergir, é necessária a criação de um espaço de criatividade, no qual a pergunta seja possível. Uma intervenção dependerá de uma avaliação eficaz, focada na compreensão desta demanda inicial, levando-se em consideração: o porquê desta demanda, as necessidades e interesses de quem a faz e as consequências das ações propostas a partir da mesma. 20 Como podemos observar, uma demanda pode ser apresentada pelo demandante de forma clara contribuindo positivamente para o trabalho do psicopedagogo que a escuta, ou então, confundindo, não deixando clara a real necessidade de quem a formula. Agora, para você pensar um pouco a respeito de tudo o que tratamos nesta unidade, caro(a) aluno(a), vamos propor uma atividade prática. Responda a ela utilizando-se de todo conhecimento teórico adquirido até o momento e, depois, discuta no fórum os resultados/conclusões a que você chegou, OK? Bom trabalho! Atividade de Aplicação A melhoria do processo de qualidade do ensino, que aposta na apropriação do conhecimento, tem sido o enfoque das políticas educacionais, que têm procurado formas de gestão que visam à organização do ensino e práticas pedagógicas eficazes. É possível afirmar em relação à ação do psicopedagogo e a contemporaneidade: I – A ação do psicopedagogo é atingida por questões que permeiam o ambiente escolar e emergem de um contexto amplo. II - A visão do psicopedagogo requer uma percepção do sistema escolar como um todo unificado. III – O psicopedagogo deve ter sua atenção voltada para remoção das barreiras que existem quanto ao processo de ensino e aprendizagem. Diante do exposto, analise a questão apontando o psicopedagogo em situação de avaliação psicopedagógica em uma demanda sintomática em relação aos resultados acadêmicos de língua portuguesa e matemática de um aluno do 4º ano do ensino fundamental. O que avaliar? Como proceder? O que observar? Pesquise! Compartilhe com seus colegas! 21 ______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Nesta Unidade, pudemos perceber o quão importante é o trabalho do psicopedagogo no processo de aprendizagem do sujeito. Cabe ressaltar a necessidade do processo de avaliação psicopedagógica/neuropsicopedagógica. A avaliação psicopedagógica é complexa e deve ser constante para que as informações colhidas tenham validade e possibilitem um plano de intervenção adequado. Assim, durante o processo de avaliação faz-se necessário o estabelecimento de uma escuta e um olhar psicopedagógico, de tal sorte que a avaliação continua durante a intervenção estruturando-se a partir das novas situações que surgem e dos questionamentos que inquietam o próprio psicopedagogo. Na próxima Unidade serão estudadas técnicas de avaliação neuropsicopedagógicas que o auxiliarão no processo de atendimento às demandas apresentadas a você como profissional da psicopedagogia. 22 II. TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA Dando continuidade à nossa conversa sobre as questões de avaliação psicopedagógica, nesta unidade serão abordadas temáticas pertinentes à utilização de técnicas utilizadas pelo psicopedagogo em sua atuação. Pautados em autores que abordam a psicopedagogia, comentaremos instrumentos que podem ser usados no processo avaliativo psicopedagógico e que são fonte importante de informação para a compreensão do sintoma/queixa que se apresenta na procura ao profissional. Em seguida serão analisados os jogos e brincadeiras que podem ser utilizados na avaliação psicopedagógica, à luz de autores ligados ao conhecimento psicopedagógico, bem como da neurociência. Ao final, iremos refletir sobre a importância do psicopedagogo e sua articulação com profissionais de outras áreas, quando necessário para o desenvolvimento do trabalho psicopedagógico. Em geral, a avaliação psicopedagógica emana de uma queixa, ou solicitação de intervenção e avaliação inicial. Barbosa (2001) expõe que os sintomas em uma queixa são originários das observações obtidas na instituição escolar ou emitida por outro profissional de área afim. Não se deve esquecer também da participação de outros elementos constituintes para compreensão da história de vida do sujeito a ser avaliado. Após a demanda inicial motivadora de uma avaliação psicopedagógica, podemos pensar em etapas possíveis de serem propostas em vários contextos. De modo geral, inicia-se o processo de avaliação a partir de entrevistas estruturadas ou semiestruturadas e da observação do sujeito a ser avaliado. Tais entrevistas constituem-se em uma anamnese que tem por objetivo principal o conhecimento do histórico de vida do sujeito avaliado. É importante salientar que ao realizar a anamnese, a mesma serve de ponto de partida para conhecimento do sujeito e organização dos possíveis instrumentos de avaliação a serem utilizados, entretanto, o profissional não deve deixar-se contaminar com as informações obtidas, mas analisá-las em conjunto com os resultados obtidos nos instrumentos e observações utilizados. 23 2.1 Observação direta, organizada e sistemática, entrevista aberta ou conversa informal Ao pensarmos em avaliação psicopedagógica é preciso verificar os aspectos pedagógico, cognitivo e afetivo social que estão influenciandono processo do aprender do avaliado (WEISS, 2008). Não se pode esquecer do exposto por Fernàndez (1990, p.44) do que denomina de “o olhar e a escuta psicopedagógica” em ouvir atentamente os participantes do processo visando a formulação de hipóteses sobre determinados fatos, situações e contextos como já visto anteriormente. Para uma avaliação psicopedagógica é preciso verificar os aspectos biológicos, pedagógicos, cognitivos e afetivo social. Vamos lá: a observação é um dos primeiros recursos de investigação e avaliação psicopedagógica A. A observação direta, organizada e sistemática A observação é uma das técnicas fundamentais para o desenvolvimento da ação do psicopedagogo, com este recurso é possível recolher dados sobre os sujeitos envolvidos, ações grupais entre outros. Assim, a observação como um meio direto de estudo permite ao psicopedagogo ver o sujeito nos variados contextos, principalmente em consultório, possibilita o registro de dados, simultaneamente a ocorrência. Ela pode ser sistemática, quando decorre de uma intencionalidade definida, ou seja, quando 24 procura seguir um roteiro preparado antecipadamente, bem como pode ser assistemática ou ocasional, quando o observador registra ocorrências que vão acontecendo, assim, são apreendidos fatos significativos não previstos anteriormente. De tal sorte que na avaliação psicopedagógica, quando realizada em pequenos grupos, poderá ser uma observação do grupo, que consistirá no entendimento de uma situação-problema ocorrida no grupo de atendidos. Trata-se de uma técnica/instrumento de avaliação psicopedagógica que busca não ceder aos rótulos pré-concebidos, principalmente advindos da escuta de uma demanda inicial. Construir hipóteses a partir desta observação é a primeira fase de uma avaliação. A observação é uma técnica valiosa, contínua e abrangente que contribuirá para um entendimento da demanda de solicitação, comprovando ou não algumas informações inicialmente expostas, buscando um entendimento da realidade situacional. O modelo psicopedagógico de observação “busca uma visão mais global, ecológica e sistêmica” (COMA E ÁLVAREZ, in SÁNCHEZ-CANO E BONALS, 2008, p.47) e poderá envolver todos os sujeitos envolvidos na situação-problema, no contexto de sua realização. Solé (2001, p. 199) nos aponta que a observação: [...] a) Oferece elementos para contextualizar o problema, pois possibilita um acesso direto aos processos de ensino e aprendizagem nas suas diversas dimensões [...]; b) Oferece elementos de relativização, pois permite comparar a realizado do aluno em torno da qual se estrutura o processo de avaliação psicopedagógica com a de seus colegas de aula; c) Oferece elementos de realismo, no sentido de que permite estabelecer com maior precisão a capacidade de mudança do contexto [...]. O principal objetivo da observação é entender como ocorre a circulação do conhecimento dentro do grupo, pois enquanto profissionais da psicopedagogia, entendemos que a circulação de conhecimento saudável facilita espaços e possibilidades de autoria de pensamento. No decorrer de uma observação, o psicopedagogo deve buscar identificar quais formas são eficazes para realização das tarefas propostas, além de perceber atitudes do avaliado. Assim, por meio da observação é possível identificar características específicas do avaliado. Uma observação bem planejada e dirigida permite-nos ainda levantar as necessidades apresentadas, visto que um dos desafios da observação é o estabelecimento dos aspectos que serão analisados, a fim de que possam caracterizar de forma segura e fidedigna. 25 Portanto, uma observação bem elaborada é um instrumento eficaz para que se estabeleçam critérios sedimentares do conhecimento, do comportamento, do diálogo, das relações entre avaliado e avaliador, do desenvolvimento biopsicossocial e cognitivo, para, então, traçar estratégias interventivas para propiciar o suprimento das necessidades. Segundo Barbosa (2001, p.156) “na medida em que se observa a amostra, registra-se a temática e a dinâmica, ao mesmo tempo que se levantam hipóteses sobre os provocadores dos sintomas observados. Para aprofundar seus conhecimentos sobre observação leia em: Solé, I. A avaliação psicopedagógica. In: SOLÉ, I. Orientação Educacional e Intervenção Psicopedagógica. Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001, p. 185-208. COMA e ÁLVAREZ. Técnicas e instrumentos de avaliação psicopedagógica. In: SÁNCHEZ-CANO e BONALS. Avaliação Psicopedagógica. Porto Alegre: ARTMED, 2008, p. 32-63. A partir das observações, o psicopedagogo pode buscar nas práticas individuais identificar facilidades e dificuldades no processo do aprender. Após a observação direta, o psicopedagogo levantará hipóteses sobre a situação que se apresenta e poderá, a partir disso, escolher os próximos instrumentos de avaliação que serão utilizados para maior entendimento da situação. É traçada uma primeira linha de investigação para as hipóteses. 26 A observação pode ser sistemática, quando decorre de uma intencionalidade definida, ou assistemática ou ocasional, quando o observador registra ocorrências que vão acontecendo. A observação consiste em um melhor entendimento de uma situação-problema, queixa ou demanda. Segue sugestão de Roteiro para observação e Registro que poderá ser utilizado em observação em ambiente escolar e com adaptações para registro de atividade em consultório. Quadro 1: Sugestão de Roteiro para Observação e Registro ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO e REGISTRO Data da observação: Professor: Identificação do Aluno: Nome: Data de Nascimento: Idade: Série/Ano atual: 1. Motivos da observação: 2. Como se encontra o aluno em relação à: Sociabilidade – relação professor/aluno, aluno/aluno, participação em atividades; 27 - Organização para o trabalho – iniciativa, cooperação, trabalho em grupo, cumprimento das regras: - Ocorrências relevantes – aspectos positivos observados: - Como você percebe o desenvolvimento do aluno. Fonte: própria autoria 2.1.1 Entrevista aberta ou conversa informal A entrevista é outro instrumento interessante para avaliação psicopedagógica. Ela consiste em uma conversa, diálogo estabelecido entre duas pessoas (psicopedagogo e sujeito pai/mãe/responsável), na qual uma procura ajudar outra a compreensão de si ou a resolução de problema que esteja a afligir. São tipos de entrevista: de Investigação: procura reunir dados para elaboração de um diagnóstico e verificar as informações já coletadas; Diagnóstica: recolhe dados que possibilitem caracterizar atitudes, opiniões, possíveis problemáticas; de Aconselhamento: propõe-se a conduzir o orientando à escolha adequada de recursos e meios indispensáveis a respeito de uma situação, levando o orientando à reflexão e possível conclusão. Para que o resultado da entrevista seja profícuo ao profissional, é necessário que o entrevistador seja capaz de conseguir as informações que deseja, sem deixar a impressão de que as mesmas serão interpretadas. Depois de ouvir com atenção, o psicopedagogo deve utilizar-se de todas as informações obtidas, a fim de focalizar o aspecto principal do assunto tratado. É fundamental que os dados sejam registrados, para evitar a perda de elementos significativos. As anotações sobre as entrevistas 28 devem ser objetivas, sucintas, claras e retratem os pontos mais relevantes nas reações e atitudes do entrevistado (gestos, expressões, alteração de voz, lacunas...). A seguir sugere-se uma ficha de registro de entrevista: Quadro 2 – Ficha de Registro de Entrevista REGISTRO DE ENTREVISTA Identificação: Nome: Data de Nascimento:Idade: Série/Ano atual: Data da entrevista: Local: Entrevista: (aluno, pai, mãe, responsável, professor, ....) Vinda: Espontânea Agendada Enviado Motivo da Entrevista Razões para entrevista segundo o entrevistado Assunto Principal: Aspectos mais significativos: Observações: 29 Fonte: própria autoria Na avaliação psicopedagógica, a entrevista é individual. A partir de uma conversa informal, procuramos levantar os interesses do indivíduo, saber como se sente no processo de aprendizagem na escola, se tem consciência da situação- problema estabelecida, o entendimento de seu papel em seu grupo social, suas expectativas quanto à intervenção que se realizará e sua disponibilidade para colaboração no processo. A anamnese é um tipo de entrevista realizada em geral seguindo um conjunto de informações básicas necessárias para estabelecer uma avaliação e possível diagnóstico do indivíduo para traçar o plano de intervenção a ser realizado. Em seguida, são sugeridos itens condutores da entrevista/anamnese: I – Identificação: informações da criança/adolescente/jovem/adulto no que tange a dados pessoais; II – Antecedentes pessoais: neste quesito são perguntados a ordem de nascimento, tipo de parto, como se dá a compreensão e expressão do sujeito frente as solicitações que lhe são feitas, seu humor frente às diversas situações, características individuais, hábitos/manias; III – Ambiente familiar: são perguntas sobre a relação com família (entre irmãos, pais, demais familiares), questiona-se como são as relações no espaço familiar como um todo, sobre antecedentes patológicos da família. IV – Desenvolvimento: neuropsicomotor, linguagem, comunicacional V – Saúde geral: exames já realizados, utilização de medicamentos, cirurgias e tratamentos realizados, visão, audição, sono, alimentação, agitação, desatenção. VI – Atividades extras: interpela sobre atividades realizadas além da escola (música, esporte, línguas, outra) VII – Vida escolar: idade de entrada na escola, adaptação inicial, repetências, frequência escolar, participação da família na vida escolar, situações de estudo, aproveitamento escolar VIII – Motivo da procura do profissional. 30 Segundo Visca (1987, p. 72, apud WEISS, 2008, p. 57) na entrevista individual, interessa-nos “observar seus conhecimentos (do indivíduo), atitudes, destrezas, mecanismos de defesa, ansiedade”, etc. Para isso, devemos observar não somente ao que é dito explicitamente, mas também e principalmente, aos conteúdos latentes presentes nas respostas e indagações. Uma entrevista aberta não tem um modelo fixo e deve ser estruturada e conduzida de acordo com as hipóteses inicialmente levantadas pelo psicopedagogo. O objetivo da conversa informal é também possibilitar uma relação de confiança entre o psicopedagogo, a família e o avaliado. É momento onde a pessoa pode, também, tirar dúvidas sobre o trabalho realizado pelo profissional psicopedagogo e, assim, sentir-se mais à vontade durante as atividades que lhe serão propostas durante todo o processo que se inicia. De acordo com Visca (1987, p. 74) em sua Epistemologia Convergente, na entrevista a temática “consiste em tudo o que o indivíduo diz, a qual terá como toda conduta humana, um aspecto manifesto e outro latente”. O aspecto manifesto, ou conteúdo manifesto, é o que é colocado explicitamente, por meio da palavra. Por conteúdo latente entende-se aquilo que não aparece explicitamente, mas que pode ser reconhecido por meio da interpretação. O conteúdo latente vais se revelando ao longo da dinâmica aos olhos do psicopedagogo atento na observação feita. Ambos, aspecto manifesto e latente, devem ser considerados e sua soma oferece informações importantes para o entendimento da dinâmica que se estabelece no processo. A dinâmica consiste em “tudo o que o sujeito faz que não é o estritamente verbal: gestos, tom de voz, postura corporal, etc.” (VISCA, 1987, p. 74). Como vemos, por meio da observação da dinâmica o psicopedagogo adquire informações relevantes, pois estas podem ser mais reveladoras do que comentários feitos. A partir da observação e da entrevista, outras técnicas e instrumentos de avaliação podem ser utilizadas pelo psicopedagogo para o processo de diagnóstico e avaliação: Entrevista Operativa Centrada na Aprendizagem (EOCA); Observação lúdica; Provas Projetivas Psicopedagógicas; Jogos Operativos; Provas Pedagógicas, dentre outras. 31 Atividade de Aplicação Você, aluno, conhece algum desses instrumentos? O que você sabe sobre eles? Pesquise e Registre suas ideias, explique a importância das técnicas e instrumentos para o processo de avaliação psicopedagógica. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Visca (1987, p. 71) propõe para a fase diagnóstica a EOCA, ou Entrevista Centrada na Aprendizagem, que visa detectar os sintomas e levantar hipóteses sobre “as causas atuais (a-históricas) ou patogênicas das quais emergem os sintomas”. Esta técnica pode ser utilizada individualmente ou em grupo de crianças em escolas. 32 Neste modelo de entrevista, proposto por Visca (1987), são apresentados materiais como papel sulfite, papel pautado, folhas coloridas, lápis preto novo e sem ponta, bem como lápis colorido, apontador, borracha, régua, canetas coloridas, tesoura sem ponta, cola, revistas, jornais etc. Em seguida é dada a seguinte consigna (instrução) à criança/adolescente/jovem: “Gostaria que me mostrasse o que sabe, o que lhe ensinaram e o que você tem aprendido. Esse material é para você usar como quiser”. A partir da tarefa ofertada, o entrevistado pode reagir de diferentes modos apresentando atitudes que devem ser observadas: o início do falar quando inicia a desenhar, escrever, fazer rabiscos, fazer contas, etc. se o entrevistado solicita que o entrevistador lhe diga o que fazer se fica paralisado. A resposta oferecida pelo entrevistado é fonte rica de informações para o entrevistador e que: [...] numa leitura sutil, diz muito sobre o sujeito. [...] a intenção é permitir ao sujeito construir a entrevista de forma mais espontânea, porém dirigida de forma experimental. Interessa observar seus conhecimentos, atitudes, destrezas, mecanismos de defesa, ansiedades, áreas de expressão da conduta, níveis de operatividade [...] (VISCA, 1987, p. 73). Encerrada esta primeira tarefa, a EOCA continua com uma segunda proposta, feita ao entrevistado: “Já me mostroucomo desenha; agora, gostaria que me mostrasse qualquer coisa que não seja desenhar”. E assim, por diante. Essas intervenções sucessivas objetivam observar: A modificação de conduta do sujeito frente a uma nova tarefa; A desorganização e reorganização do sujeito; As justificativas verbais; A aceitação ou recusa frente ao proposto, o que nos remete a entender os mecanismos de assimilação, acomodação, introjeção e projeção utilizados pelo sujeito. 33 Como na observação espontânea, também durante a EOCA, observamos: A temática desenvolvida pelo sujeito, ou seja, o significado do conteúdo das atividades realizadas; A dinâmica que utiliza, verificada por meio da postura corporal, gestos e tom de voz, modo de sentar e de mexer e manipular o material oferecido; O produto que é o que o sujeito deixa registrado no papel e no que foi produzido na sequência (escrita, desenho, contas, leitura). Enfatizamos as amplas possibilidades de aplicação da EOCA, como instrumento versátil para o diagnóstico psicopedagógico. Com crianças menores, os materiais a serem utilizados serão massinha de modelagem, fichas, cubos e outros; com adultos, a EOCA pode adotar características de uma conversa e pode ser completada com outras atividades. Quando um adulto comenta sobre o que faz, ele revela, entre outros aspectos, seu nível de competência e de desempenho, seus temores, suas satisfações e outros sentimento que possa ter (VISCA, 1987, p. 73). Não se pode esquecer que as observações e informações obtidas nesta primeira entrevista são um conjunto de observações que poderão ser submetidas a uma verificação mais rigorosa, e consistirá em passo seguinte para o processo de diagnóstico, conforme aponta Visca (1987, p.74). Você gostaria de aprofundar seu conhecimento acerca desta entrevista? Leia em: VISCA, Jorge. Clínica Psicopedagógica: Epistemologia Convergente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. 34 Dando continuidade aos estudos sobre o processo de avaliação psicopedagógica, iniciamos a seguir, a utilização das técnicas projetivas psicopedagógicas. Vamos lá, avançando no conhecimento!!! 2.2 Provas projetivas psicopedagógicas Partindo da premissa que técnicas projetivas são atividades que possibilitam ao sujeito retirar de si e projetar em pessoas e/ou coisas, qualidades, desejos e sentimentos, o princípio básico está na maneira do sujeito perceber, interpretar e refletir seu psiquismo. Em geral, as provas projetivas têm mais um caráter interpretativo do que métrico e a interpretação é realizada em função das teorias de embasamento e da experiência. Na aplicação de provas ou instrumentos de avaliação é necessário que o psicopedagogo tenha conhecimento aprofundado nas teorias que embasam tais provas ou testes, bem como experiência no processo. De acordo com Visca (2013), as provas projetivas podem ser aplicadas individualmente ou de modo grupal, dependendo da situação na qual se situa a queixa e a demanda para uma avaliação psicopedagógica. Seu principal objetivo é investigar a rede de vínculos que o sujeito estabelece abordando quem ensina, quem aprende e o objeto de conhecimento, ou seja, abrangendo três domínios: familiar, escolar e consigo mesmo. A aplicação de provas projetivas tem por objetivo entender os vínculos do avaliado em contextos variados e disponibilidade para criar vínculos saudáveis. 35 Retomamos a ideia inicial exposta nesta unidade: o processo de aprendizagem consiste na produção e estabilização de condutas. A possibilidade desta produção e estabilização de condutas depende diretamente dos vínculos que a pessoa estabelece com ensinantes significativos ao longo de sua vida e que, seguramente, ela reproduzirá em suas relações familiares, escolares ou de trabalho. Segundo Visca (2008, p.16), os diferentes vínculos constituem, por um lado, uma rede de relações universais na medida em que todo sujeito está imerso nela, e de outro, relações particulares, visto que o sujeito (único) estrutura cada vínculo e a trama total de forma singular. A partir da amplitude deste conceito de aprendizagem, é evidenciado o pensamento de que durante o processo de avaliação psicopedagógica, não só o vínculo que uma criança estabelece com seus professores, colegas de classe e outros são de suma importância na constituição do sujeito que está em processo avaliativo. Uma prova projetiva pode ser aplicada por meio de um desenho, de um relato verbal ou escrito ou mesmo de uma dramatização. Não se pode esquecer que o desenho é uma das formas de expressão na qual o sujeito tem a possibilidade de exprimir sentimentos e revelar atitudes pertinentes ao seu desenvolvimento cognitivo. Para tanto, na avaliação psicopedagógica a utilização do desenho é significativa para o psicopedagogo. No caso da aplicação de uma prova projetiva psicopedagógica é importante observarmos com um olhar psicopedagógico a posição do desenho na folha de papel, porém não podemos ser precipitados na avaliação. Mas considerar o indivíduo avaliado como ser único e particular. Assim, Visca (2013) prevê três provas, de tal modo que para aplicação são utilizados materiais como: folhas de papel sulfite, lápis preto e borracha. O profissional solicita que o avaliado desenhe nas provas: Par educativo: o vínculo da aprendizagem (um sujeito que aprende e um que ensina). Eu com meus companheiros: o vínculo com os colegas em sala de aula (o avaliado com seus colegas de classe). Planta da sala de aula: a representação do campo geográfico da sala de aula e a localização do mesmo (solicita-se que o avaliado indique o local em que senta). Ainda segundo Visca (2013) podemos considerar nove posições como indicadores de certos traços que caracterizam vínculos de aprendizagem. Para cada posição, o autor designa um significado geral conforme a tabela: 36 Quadro 3: Posição do desenho na folha e seu significado geral POSIÇÃO SIGNIFICADO GERAL Superior Exigente Inferior Impulsivo Direita Progressivo Esquerda Regressivo Superior direita Exigente progressivo Superior esquerda Exigente regressivo Inferior direita Impulsivo progressivo Inferior esquerda Impulsivo regressivo Central Equilibrado Fonte: VISCA (2013, p. 23) A posição do desenho representada na folha pode ser visualizada da seguinte maneira: 37 Quadro 4: Posição do desenho representada na folha SUPERIOR ESQUERDA SUPERIOR SUPERIOR DIREITA ESQUERDA CENTRAL DIREITA INFERIOR ESQUERDA INFERIOR INFERIOR DIREITA Fonte: própria autoria Para interpretação dos desenhos realizados, utilizamos três conjuntos de indicadores e suas inter-relações para constituirmos uma pauta interpretativa em relação à aprendizagem que complementa a posição do desenho na folha. São eles: Detalhes no desenho, título do desenho e relato. A. Detalhes no desenho: Tamanho total: pode estar vinculado à importância colocada na aprendizagem, desenhos pequenos ou extremamente grandes parecem apontar para vínculos negativos, dimensões razoáveis indicam uma relação equilibrada. Tamanho dos personagens: ensinantes e aprendentes pequenos implicam em uma desvalorização destas posições. Ensinantes e aprendentes 38 grandes demais implicam em supervalorização que no caso de quem ensina pode denotar características persecutórias e de quem aprende, uma negação das dificuldades. Tamanho dos objetos: quando muito grandes podem servir de clivagem entre quem ensina e quem aprende ou entre quem aprende e o objeto de aprendizagem, objetos pequenos demais podem ser depositários de projeções negativas. Posição e distância entre os personagens: representam a relação vincular que se estabelece entre quem ensina e quem aprende, aparecem desde posições onde os personagensestão frente a frente até aquela na qual os personagens não se olham, ou ainda, um está dormindo ou ausente, por exemplo. Posição dos objetos: representam a relação vincular que se estabelece entre quem aprende e o objeto do conhecimento e podem ter inúmeros significados. Distância dos personagens na representação do objeto de aprendizagem: a distância dos objetos do sujeito que ocupa a posição de ensinante deve ser analisada mais detalhadamente, pois fornece importantes informações. Assim, a grande distância entre quem ensina e o objeto de aprendizagem implica em um não comprometimento com o conteúdo e o ato de transmissão de conhecimentos, a pouca distância indica uma supervalorização dos conhecimentos no ato de transmissão, a pouca distância indica uma supervalorização dos conhecimentos no ato de transmissão, uma distância equilibrada aponta que o ensinante é percebido como quem utiliza conteúdos como instrumento para ensinar e aprender e, com isso, hierarquiza o ato de ensinar. B. Título do desenho: é uma expressão sintética, mas expressiva dos sentimentos presentes no entrevistado. Pode resumir em poucas palavras o vínculo de aprendizagem que se estabelece. A concordância ou discrepância entre os conteúdos apresentados no título e no desenho são indicativos dos mecanismos de dissociação, negação e repressão utilizados em relação à problemática específica investigada. C. Relato: pode ser oral ou escrito. Traz conteúdos e sentimentos que acrescentam informações ao que foi observado no desenho. Deve ser observado o que falamos sobre o título do desenho: os mecanismos de dissociação, repressão e negação que aparecem. Além do conteúdo em si do relato, devemos observar a estrutura do mesmo, se é organizado ou não, pois esta informação nos dá indícios de como se organiza o pensamento do sujeito. 39 Também é possível a utilização de gravuras significativas para cada situação e solicitar que os participantes do processo avaliativo desenvolvam uma história sobre a figura apresentada. Neste caso, ao utilizarmos um relato verbal como instrumento de avaliação, devemos nos ater não somente ao que é explicitado na palavra, mas também e principalmente aos não ditos, às paradas, aos implícitos, ao que é comunicado nas entrelinhas. No caso de uma dramatização, mais importante do que o conteúdo apresentado, embora este tenha seu valor, devemos observar a linguagem corporal dos elementos dos grupos, os papéis atribuídos, a ocupação do espaço disponibilizado etc. Para a prova Par Educativo, Silva (2006) elaborou um modelo de registro no qual os resultados encontrados são anotados conforme segue: Figura 2: Registro da prova Par Educativo 40 Fonte: Silva (2006) Atividade de Aplicação Convido você, aluno, a partir de um estudo exploratório a fazer neste momento sobre Provas Projetivas, solicite a duas crianças de 7 ou 8 anos que façam um 41 desenho representativo do par educativo. Em seguida, analise e justifique sua análise à luz dos estudos realizados por Jorge Visca, expostos nesta Unidade. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2.3 O brincar e a utilização do jogo como instrumento de avaliação psicopedagógico Sabemos que por meio do brincar a criança desenvolve-se física e psiquicamente, elabora angústias, manifesta medos e desejos, sentimentos e emoções, desenvolve-se intelectualmente e socialmente. Sobre a importância do brincar, Winnicott (1975, p. 63) escreve que “o brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde: o brincar conduz aos relacionamentos grupais [...]”. O brincar deve ser natural e espontâneo, visto que enquanto brinca a criança estabelece um espaço entre o interno e o externo, um espaço de criatividade. Segundo Winnicott (1975, p. 80), “é no brincar, e somente no brincar, que o indivídua, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self)”. 42 Já vimos que, para a Psicopedagogia é importante a constituição do sujeito autor de pensamento que é aquele que pode mostrar/guardar sue conhecimento. Fernández (2001b, p. 127) é enfático ao afirmar que brincar é a primeira experiência de autoria, pois é: [...] algo que se faz sem a demanda do outro e sem a exigência da necessidade. Surge dessa zona intermediária, transicional, que não é nem interior, nem exterior e, por sua vez, a cria. Ali o ser humano, desde quando é bebê, toma sua voz para fazer um balbucio ou seus pezinhos para fazer alguns movimentos sobre a superfície do colchão, fazendo uma experiência de autoria, a qual inaugura o pensamento. Assim, observar a brincadeira da criança é importante e rica fonte de informações para uma avaliação psicopedagógica. Como uma criança brinca, sozinha ou em grupo, pode nos indicar como ela se aproxima dos objetos de conhecimento e interage com eles e como ela interage com seus pares. Portanto, no brincar podemos avaliar a modalidade de aprendizagem do indivíduo. Caierão (2013, p. 50) assevera que [...] é na arquitetura lúdica realizada pela criança e no ato dinâmico do brincar que colhemos significativos elementos para conhecer e compreender o funcionamento cognitivo do sujeito e, a partir dele, realizar a devida intervenção psicopedagógica. Observar a brincadeira espontânea da criança, como já enfatizamos, é um importante instrumento de avaliação psicopedagógica, principalmente com crianças de 0 a 5 anos, pois “o aparecimento e o desaparecimento de um modo de brincar está relacionado à maturação e ao desenvolvimento da criança” (BOSSA, 2009, p. 16). Vale reafirmar que, em todas as idades, o brincar nos dá indícios de como o indivíduo relaciona-se consigo, com o objeto e com os outros. Ainda de acordo com Caierão (2013, p. 50) o brincar e o aprender apresentam estruturas e dinâmicas similares e para melhor compreender os processos de aprendizagem humana, convém compreender os processos pelos quais o sujeito brinca. Embasados nos estudos de Bossa (2009) apontamos as principais etapas evolutivas da brincadeira na criança de 0 a 6 anos que podem servir de base para nossa observação e avaliação: 4 meses: inicia-se a atividade lúdica da criança; ela começa a controlar seus movimentos e o desenvolvimento de sua coordenação visuomotora possibilita que acompanhe um objeto. 6 meses: o sentar permite que a brincadeira da criança fique mais dinâmica; pode-se jogar bola para que ela pegue com as duas mãos; a criança já 43 pode projetar sentimentos e fantasiasnos brinquedos (mordendo, amassando, acariciando, abandonando); joga brinquedos para que o adulto os pegue; brinca de aparecer e desaparecer, o que possibilita que elabore situações de perda; nesta fase a criança brinca com os sons que emite pela boca (e assim, exercita sua fala). 8 meses: prevalecem as brincadeiras de repetição e imitação; a criança presta muita atenção nos movimentos do adulto e tenta repeti-los com as mãos e com a boca, principalmente; é uma criança observadora. 1 ano: prevalecem os jogos de aparecer e desaparecer, sempre motivados pela angústia de separação (em relação à mãe); o engatinhar e o andar permitem que a criança se aproxime dos brinquedos que lhe agradam e explore-os com as mãos e com os olhos; a criança encontra-se no período sensório-motor. 2 anos: entre os 12 e 24 meses a criança descobre o oco; gosta dos brinquedos de encaixe; de colocar e tirar objetos de potes; o andar mais equilibrado permite à criança chutar a bola sem direção ou dirigindo-a a uma outra pessoa; a criança é muito ativa, desloca-se com facilidade, explora os objetos com as mãos, boca, ouvidos e olhos; amplia muito seus esquemas de ação pela exploração do ambiente com o deslocamento de seu corpo; prevalece o período sensório-motor, mas a criança já está evoluindo para o pré-operatório. 3 anos: entre os 24 meses e 36 meses inicia-se o período pré-operatório; a criança gosta de brincadeiras que envolvam água, terra, areia (está exercitando o controle dos esfíncteres e elaborando a castração anal); o desenho passa a ser utilizado como forma de reter uma imagem e, assim, interessa-se por papel e lápis; sua coordenação visuomotora fica mais refinada; as crianças gostam de brincar com bonecos, através dos quais representa a vida dos pais e de seu cotidiano, pois intensifica-se a brincadeira simbólica. 3 a 5 anos: é a criança no período pré-operatório; intensifica-se a brincadeira e as fantasias; participam mais da brincadeira em grupo; o desenho torna-se importante instrumento de retenção das imagens que teme perder; brincam de papai e mamãe, de médico, de namorados através de bonecos; gostam do teatrinho e ouvem com interesse histórias de fadas, princesas, heróis; a brincadeira adquire características de situações sociais por ela vivenciadas; os jogos de regras podem ser introduzidos. 6 anos: a criança encontra-se no período operatório-concreto; para os meninos, as brincadeiras de bandido e mocinho, luta, heróis, armas (espadas, espingarda) são as mais importantes; para as meninas 44 prevalecem o uso de roupas, sapatos e maquiagem da mãe; as crianças buscam imitar os adultos com os quais se identificam; aceitam as explicações que o adulto lhes dá para os diferentes fatos da vida; consegue elaborar suas próprias hipóteses para situações que as intrigam; a coordenação motora fina desenvolvida e sua percepção de corpo e do espaço permitem que seus desenhos estejam mais elaborados. O ingresso no período operatório-concreto bem como na escola, no ensino fundamental, facilita à criança o desenvolvimento do brincar com o outro, com o grupo, dividindo material e tarefas. Depois dos 6 anos, sua energia psíquica deve se deslocar da brincadeira para o desejo em aprender. Ela continua brincando, mas o desejo e o interesse em aprender a ler e escrever deve ocupar lugar importante em sua vida. Grassi (2008) aponta critérios para a escolha e utilização de brinquedos em sessões de avaliação ou intervenção psicopedagógica. A autora entende que os brinquedos devem ser escolhidos de acordo com: Faixa etária: deve ser observada para que se ofereça à criança um brinquedo que não exija além ou aquém do que sua idade lhe permite. Possibilidades motrizes: envolve as possibilidades do brinquedo ser manuseado e a consideração de possíveis alterações psicomotoras que dificultem a ação da criança sobre o brinquedo. Objetivos: a partir do que se quer observar, faz a separação dos brinquedos que serão oferecidos à criança. Nível de desenvolvimento: é necessário selecionar o brinquedo de acordo com o nível afetivo e cognitivo da criança, pois deve ser um objeto desafiante e estimulador. Segurança: observar tamanho, peso para cada idade e, principalmente, se o brinquedo traz o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Assim, aliar o conhecimento das etapas do desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança com o conhecimento das características de cada brinquedo e brincadeira é fundamental para a realização de uma avaliação eficaz. 45 Atividade de Aplicação Maria, psicopedagoga, foi procurada para realizar uma avaliação psicopedagógica em uma criança de 6 anos, matriculada no 1º ano do ensino fundamental, que está apresentando dificuldades no processo de aprendizagem da matemática. Diante do exposto nesta Unidade acerca da utilização de brinquedos na avaliação a ser realizada, quais critérios você utilizaria para usar brinquedos no processo avaliativo da criança? Reflita e comente com seus colegas sobre a atividade proposta. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 46 2.3.1 Uso do jogo no processo de avaliação psicopedagógica Ao ser proposto um jogo para um avaliado é possibilitado que este oportunize a verificação de resultados, bem como raciocine sobre conteúdos, planejamento e solução de problemas. Assim, os jogos podem ser usados como instrumentos de avaliação psicopedagógica/neuropsicopedagógica com crianças, adolescentes ou adultos quanto no processo de intervenção. O jogo pode ser definido como: [...] uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente da vida quotidiana (HUIZINGA, 2005, p. 33). Assim, a hora do jogo como afirma Caieirão (2013, p. 51), “é uma técnica que se propõe diagnosticar o problema de aprendizagem, já que o interesse é prestar atenção especial ao processo de construção do simbólico”. Jogar bem um jogo não significa apenar jogar certo. Jogar certo envolve o conhecimento de regras que regem determinado jogo e de seus objetivos, além da capacidade desaber ganhar e/ou perder. No jogar certo há predomínio da acomodação (GRASSI, 2008). Jogar bem via além do jogar certo, pois supõe colocar em prática o pensamento antecipatório, pensar jogadas, construir estratégias, criar e recriar, a todo momento, possibilidades para chegar a um resultado positivo. A antecipação é uma característica do bom jogador, pois significa “regular o momento presente em junção daquilo que queremos evitar ou favorecer no futuro. Trata-se, portanto, de pré-corrigir erros, de favorecer uma direção” (MACEDO e MACHADO, 2006, p. 40). Bossa (2007) assevera que na ação do jogar, o adulto tem o momento de observar as atitudes infantis a fim de identificar como o jogador efetiva a ação do aprender voltado para sua realidade escolar. Analisar como uma pessoa joga, significa observar quais as estruturas cognitivas que põem a favor da atividade, além da reação em relação às situações de perdas e/ou ganhos. Para Bossa e Oliveira (1996, p.13), “os jogos combinam sorte e aptidão intelectual e permitem simbolizar as vicissitudes impostas pela vida”. Assim, de acordo com Grassi (2008, p.103), [...] a utilização dos jogos e brincadeiras na educação, no trabalho pedagógico e psicopedagógico com sujeitos que apresentam ou não 47 dificuldades de aprendizagem apresenta-se como uma alternativa interessante, pois pode despertar o interesse e o desejo de aprender e, ao mesmo tempo, pode possibilitar o desenvolvimento de estruturas de pensamento mais elaboradas, a apropriação e a construção de conhecimentos, enfim a aprendizagem. Por intermédio de uma atividade de jogo que envolva o avaliado, podemos perceber quais instrumentos o referido se utiliza, para: Compreender as regras do jogo, Elaborar estratégias e colocá-las em prática, Replanejar estratégias no decorrer do desenvolvimento da atividade Lidar com perdas e ganhos. Várias são as propostas de classificação dos jogos, mas, apoiados em Grassi (2008), destacamos a classificação feita por Piaget: 1. Jogos de exercício psicomotor: mais utilizados com crianças até 2 anos; requerem as habilidades psicomotoras que dependem de uma maturação neuropsicomotora; colocam o corpo de quem joga em movimento. São divididos em: Sensório-motores: de exploração sensorial (tocar, cheirar, manipular, colocar na boca, ouvir, ver); requer exploração do ambiente e curiosidade. Ex: pular de um lado para outro, empilhagem de cubos ou blocos, LEGO, dentre outros. De exercício do pensamento: promovem o exercício da inteligência prática e verbal; envolvem a repetição do movimento pelo simples prazer de explorá-los; são indicados para as crianças de 0 a 2 anos, mas não devem ser restritos a esta faixa etária; através da manipulação e da repetição a criança cria hipóteses sobre o uso, pensa e cria novas possibilidades de uso. 2. Jogo simbólico: muito usado com crianças entre 2 e 6 anos; envolve a transformação da realidade com o objetivo de ressignificar conflitos ou prazeres, assim como, realizar sonhos e desejos; envolvem o uso da imaginação, ficção e imitação; são os jogos de faz-de-conta nos quais as pessoas representam papéis imitando personagens (príncipes, princesas, bruxas e fadas) ou os próprios pais e professores. 3. Jogos de regras: a partir dos 6 anos, os jogos de regras assumem papel importante no desenvolvimento da criança; jogos como ludo, xadrez, banco imobiliário, lince e trilha são exemplos; possibilitam a aprendizagem pois têm como 48 objetivo a resolução de problema e, para isso, necessitam da elaboração de estratégias, da elaboração de erros e acertos. No processo avaliativo psicopedagógico a brincadeira e os jogos devem ser escolhidos de acordo com a faixa etária do grupo em avaliação, do motivo da avaliação e, consequentemente, da instituição a qual o grupo pertence, do tempo e espaço disponíveis. Atividade de Aplicação A partir da premissa que o jogo é um recurso complementar ao processo avaliativo psicopedagógico, você, psicopedagogo, avaliando uma criança de 10 anos utilizando um jogo de regras, quais seriam seus objetivos à luz dos estudos realizados até aqui? Analise a questão... Pesquise! Compartilhe com seus colegas! ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 49 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Esta Unidade levou-nos a refletir sobre a complexidade da avaliação psicopedagógica, visto que esta se constitui por diferentes etapas, permitindo-nos, assim, a utilização de técnicas escolhidas de acordo com o caso avaliado. A demanda para uma avaliação psicopedagógica pode ter sua origem no próprio indivíduo, na família, na escola, por solicitação médica. Os aspectos abordados na avaliação psicopedagógica abrangem as áreas psíquica, cognitiva, afetiva, motora, social e cultural e visam à compreensão de como se dá a construção e a circulação do conhecimento no indivíduo. Podem ser utilizadas a observação, a entrevista, provas projetivas, brinquedos e jogos para termos clareza do sintoma/demanda do sujeito a ser avaliado. Com crianças mais novas, a brincadeira é um instrumento avaliativo de interesse do psicopedagogo, entretanto cabe ao profissional conhecer sobre as etapas do desenvolvimento psíquico e cognitivo da criança, bem como o conhecimento das características de cada brinquedo e brincadeira a ser aplicada no mento da avaliação. O psicopedagogo, quando necessário, deve solicitar avaliação de profissional de outra área para elucidar questões que possam aparecer na avaliação e das quais a área de conhecimento psicopedagógico não dá conta. Do mesmo modo, deve contribuir e colaborar com seus conhecimentos específicos quando profissionais de outras áreas solicitam seu parecer perante determinado caso. Preparado(a) para a próxima unidade? Então, vamos lá! 50 III. INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E NEUROPSICOPEDAGÓGICA Para utilização de instrumentos de avaliação psicopedagógica e neuropsicopedagógica é importante retomar o papel do psicopedagogo no diagnóstico avaliativo, assim como nas questões a serem encaminhadas e acompanhadas por este profissional no processo de intervenção. Cabe salientar que o profissional ao utilizar instrumentos de avaliação deverá aprofundar-se no conhecimento teórico que embasa o tipo de testagem. Assim, inicialmente é necessário diferenciar fracasso escolar/dificuldade de aprendizagem de problemas e distúrbios de aprendizagem. Pautadosem Bossa (2002), Pain (1992), Fernández (1991), Golbert e Moojen (2000) e Ciasca (2003), é possível entender fracasso escolar/dificuldade de aprendizagem como uma dificuldade que é observada e enfrentada pela criança/adolescente/jovem/adulto para acompanhar o ritmo de aprendizagem de outros indivíduos da mesma faixa etária, tem fatores externos que influenciam tal demanda. O problema/distúrbio/transtorno de aprendizagem advém de um grupo heterogêneo de transtornos que é manifestado por significativas dificuldades e defasagens no processo de aquisição e uso da escrita, fala, leitura, raciocínio ou habilidade matemática, transtornos hipercinéticos e de atenção dentre outros. De tal sorte que frente a uma demanda/queixa de um indivíduo que apresenta situações-problema em seu percurso de aprendizagem, faz-se necessário avaliarmos se estamos diante de um fracasso/dificuldade escolar ou de um distúrbio/transtorno/problema de aprendizagem. A prevenção é o objetivo principal da atuação psicopedagógica. De acordo com Bossa (1994, apud PORTO, 2009, p. 12) esta prevenção pode ser em 3 níveis: No primeiro nível atua com vistas a diminuir a frequência dos problemas de aprendizagem. Seu trabalho recai nas questões didático-pedagógicas, bem como na formação e na orientação de professores, além de fazer aconselhamento aos pais. No segundo nível, o objetivo é diminuir e tratar dos problemas de aprendizagem já instalados, pelos quais procura-se avaliar os currículos com os professores para que não se repitam tais transtornos. No terceiro nível, o objetivo é eliminar os transtornos já instalados, em um procedimento clínico com todas as suas implicações. O caráter preventivo permanece aí, uma vez que, ao eliminarmos um transtorno, estamos prevenindo o aparecimento de outros. 51 Daí a importância da eficácia de uma avaliação psicopedagógica para que seja produzido atendimento à demanda/queixa apresentada. Ao escolher as estratégias, técnicas e instrumentos empregados na avaliação, lembre-se que devem ser realizados de acordo com o referencial teórico, o objetivo e a finalidade (se diagnóstico ou processo de intervenção) 3.1 Conhecimento e utilização de instrumentos de avaliação psicopedagógica/neuropsicopedagógica O conhecimento dos instrumentos a serem utilizados em uma avaliação psicopedagógica é de fundamental importância para o desenvolvimento da atividade do psicopedagogo, principalmente a seu embasamento teórico. Vamos aos instrumentos a serem usados no processo de avaliação. As Provas Projetivas Psicopedagógicas, segundo Visca (2008, p. 21-22), “têm como objetivo geral investigar a rede de vínculos que um sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o escolar, o familiar e consigo mesmo”. A seguir apresentamos algumas provas que podem ser usadas de acordo com os diferentes domínios a que pertencem. 52 Quadro 5: Provas Projetivas Psicopedagógicas - domínio escolar Prova Consigna Objetivo Idade Par educativo Desenhe alguém ensinando e alguém aprendendo Investigar o vínculo de aprendizagem 6/7 anos Eu com meus colegas Desenhe você com seus colegas Investigar o vínculo com os colegas de classe 7/8 anos Planta da sala de aula Desenhe a planta da sua sala de aula e aponte aonde se senta Conhecer a representação do campo geográfico da sala de aula e as localizações, real e desejada, na mesma 8/9 anos Fonte: baseado em Visca (2008, p. 21-22) Quadro 6: Provas Projetivas Psicopedagógicas - domínio Familiar Prova Consigna Objetivo Idade A planta da minha casa Desenhe a planta da sua casa Conhecer a representação do campo geográfico do lugar onde se mora e a localização real dentro de si 8/9 anos As quatro partes do dia Desenhe quatro momentos de seu dia, desde que acorda até a hora em que vai dormir Investigar os vínculos ao longo do dia 6/7 anos 53 Família educativa Desenhe sua família, cada um fazendo o que sabe Estudar o vínculo de aprendizagem com o grupo familiar 6/7 anos Fonte: baseado em Visca (2008, p. 21-22) Quadro 7: Provas Projetivas Psicopedagógicas - Vínculos consigo mesmo Prova Consigna Objetivo Idade Desenho em episódios Desenhe uma história sobre uma criança que tem o dia livre, desde quando acorda até o momento que vai dormir Avaliar o vínculo de aprendizagem consigo mesmo; observar alguns indicadores gráficos vinculados ao tempo, ao espaço e à casualidade 4 anos O dia do meu aniversário Desenhe o dia do aniversário de uma criança Conhecer a representação que se tem de si mesmo e do contexto físico e sócio-dinâmico durante transição de uma idade à outra 4 anos Nas minhas férias Desenhe uma atividade que realizou nas férias Estudar as atividades escolhidas durante o período de férias 6/7 anos Fazendo o que mais gosto Desenhe-se fazendo o que mais gosta Investigar o tipo de atividade que mais gosta 6/7 anos Fonte: baseado em Visca (2008, p. 21-22) 54 Ressalta-se que na aplicação juntamente com cada desenho, solicita-se uma história sobre o mesmo e um título para a história relatada. Não se faz necessário a aplicação de todas as provas projetivas. De acordo com a caracterização de cada caso, o psicopedagogo elegerá as provas que mais serão úteis à sua avaliação. A partir dos desenhos realizados, bem como os relatos, é interessante a aplicação da Hora do Jogo Psicopedagógico, sugerida por Fernández (1999, p. 167-168). Utilizamos a hora do jogo para compreender alguns processos que podem ter levado à gestação de uma patologia no aprender, já que: O espaço de aprendizagem e o espaço de jogar são coincidentes. Ambos os processos têm momentos analogizáveis (inventário – organização – integração). A modalidade desenvolvida no jogo e o tipo de tratamento do objeto lançam luz sobre a cena de aprendizagem. O brincar possibilita o desenvolvimento das significações de aprender. Para tanto, oferece-se ao aprendiz, uma caixa com material não figurativo, com o qual ela possa construir coisas. As características desta atividade são: Material: material de sucata é ideal: rolo de papel higiênico, pedaço de barbante, revistas, palitos de sorvete, folhas variadas de papel, cola, tesoura, massa de modelar, fitas, tampinhas de garrafas, fita adesiva, pincel, tintas etc. Consigna: construa algo com o material existente na caixa. Objetivos: observar a inter-relação inteligência-corpo-desejo, a aptidão para criar, refletir, imaginar e produzir um objeto; os processos de assimilação e acomodação e seus possíveis equilíbrios e desequilíbrios, a modalidade de aprendizagem; a capacidade de criar uma história a partir do objeto construído. São consideradas etapas a serem observadas durante a realização da tarefa: 55 Inventário: observação de como a criança classifica (e se classifica) o que tem dentro da caixa, seja por meio de manipulação, experimentação ou pelo olhar. Observar como se dá a aproximação e a relação com o objeto de conhecimento. Numa aprendizagem ótima, espera-se que o avaliado estabeleça uma distância ótima entre si e o objeto de conhecimento, no caso, a caixa com seu conteúdo. Neste caso, o mesmo consegue diferenciar as características do objeto da ação que pode fazer. Isso em uma aprendizagem saudável. Organização: deverá ser observado se há um esboço de uma sequência, um planejamento de ação que leva a uma organização do conteúdo da caixa. As dificuldades de aprendizagem terão a ver com obstáculos para entender as relações, formular hipóteses, encontrar solução. Nesta etapa será observada: a criação antecipatória, o aproveitamento dos recursos dos materiais e simbólicos, as possibilidades de autocorreção, o sequencialdas ações. Integração-apropriação: é a aprendizagem propriamente dita: integração da experiência atual com esquemas anteriores, ou seja, a criação. Observa-se a possibilidade de chegar a uma conclusão argumental; a capacidade de decidir; a capacidade de aceitação da carência (estamos chegando ao final); o grau de tolerância ante à frustração (é o que eu posso fazer); capacidade de mostrar-guardar. Na Unidade anterior, os jogos foram apresentados e explicados como são valiosos para o processo de avaliação psicopedagógica e diagnóstico operatório. Assim, se estivermos avaliando problemas de aprendizagem, este recurso auxilia na verificação de qual período de desenvolvimento cognitivo o avaliado se encontra. Portanto, é necessário observarmos as características esperadas para cada faixa etária e utilizarmos jogos adequados. Nosso foco aqui será a faixa etária de 7 a 11 anos, visto que é maior demanda que chega ao psicopedagogo para avaliação. Assim, nos interessa o período operatório-concreto do desenvolvimento cognitivo, segundo Piaget. São características deste período; Presença de pensamento lógico; Reversibilidade de pensamento (entende a reversibilidade de fatos e compreende operações matemáticas); Noção de conservação. 56 Espera-se, nesta fase, que a criança já tenha adquirido as noções de: seriação, ordenação, classificação, tempo e casualidade. Também neste período o avaliado durante uma argumentação defende seu ponto de vista, entretanto apresenta dificuldade em aceitar outras opiniões e chegar a um acordo, compreende regras sociais e de jogos, podendo ser avaliado pelo psicopedagogo por meio dos jogos de regras. Dando continuidade, a análise do material escolar é uma das partes da avaliação realizada pelo psicopedagogo e, de acordo com Weiss (2008, p. 94): Implica verificar a metodologia utilizada em sala de aula, ou seja, a qualidade didática. Por exemplo, no que se refere ao erro, observa-se o tipo de erro ou acerto do paciente, o modo como esse é encarado pelo professor, se é assinalado, revisto e trabalhado na construção do conhecimento. Observa-se também como anda a organização em nível de antecipação e estruturação das atividades, o cuidado ou não com os seus diferentes materiais. Observar o material escolar como instrumento de avaliação psicopedagógica poderá ajudar na compreensão da demanda/queixa e possivelmente, na organização do processo de intervenção. Olhar o material como um todo, do começo ao fim. Para tanto, deixamos como sugestão aspectos que poderão ser observados: Organização do material (sequenciamento de atividades, separação de atividades de modo organizado, se coloca títulos nos diferentes conteúdos e habilidades trabalhadas, respeito às margens, pula linhas/folhas, utiliza muitas cores para diferenciar as tarefas) Limpeza do material (verificar capa, utilização de borracha, cancelamento de atividades com rabiscos, dobra pontas das folhas do caderno, faz desenhos no meio das lições propostas) Letra: (tamanho da letra, utilização correta do formato das letras, legibilidade, separação de palavras, caligrafia, pressão do lápis, inversão, omissão, trocas, acréscimos de letras) Gramaticalidade: (utilização de pontuação, acentuação, parágrafos) 57 Adequação de atividades com o desenvolvimento do indivíduo: (verificação das atividades relacionando conteúdo/ano de escolaridade/idade). Em geral, a maioria das queixas de não aprendizagem, ou dificuldade de aprendizagem envolve questões relativas à leitura e escrita, bem como conhecimentos de aritmética/matemática. Assim, é importante investigar a área cognitiva do avaliado, o neurodesenvolvimento nos quesitos que tem maior influência na aprendizagem nos conteúdos acadêmicos (atenção, concentração, memória, percepção, funções executivas, raciocínio lógico), bem como o desenvolvimento da linguagem e sensório-motor. Muitos dos instrumentos utilizados para verificação desses aspectos são restritos a psicólogos, entretanto, há instrumentos que podem ser utilizados pelo psicopedagogo. A partir daqui, serão apresentados instrumentos que podem ser utilizados por psicopedagogos em suas sessões de atendimento avaliativo. TESTE DE ATENÇÃO POR CANCELAMENTO (MONTIEL e SEABRA, 2012) Este teste apresenta três matrizes impressas com diferentes estímulos e destina-se à faixa etária entre 5 a 14 anos, podendo ser usado também com jovens e adultos, visto conter pontuação-padrão também para esta faixa etária.. A primeira parte do instrumento tem como objetivo avaliar a atenção seletiva, na qual o avaliado deve, em uma prova de cancelamento de figuras, marcar as figuras iguais a figura- alvo indicada na parte superior da folha. A segunda parte continua na avaliação da atenção seletiva. Nesta parte com maior grau de dificuldade, o avaliado deve marcar as figuras em dupla de acordo com o estímulo-alvo e na terceira parte, que demandará alternância, ou seja, mudança de foco de atenção em cada linha em que estão dispostas as figuras, de acordo com a figura-estímulo. Cada uma das partes o avaliado terá o tempo máximo um minuto para realizar a tarefa solicitada. A pontuação será obtida pelo número de cancelamentos realizados em cada uma das partes. Chega-se à pontuação padrão e em seguida, verifica-se a classificação obtida no teste. 58 Lembrando que a pontuação padrão e a classificação servem de parâmetro para condução da avaliação e, posteriormente contribuir para um possível diagnóstico. Atenção seletiva é uma das habilidades envolvidas nas funções executivas, é um mecanismo que facilita respostas neuronais à medida que centraliza os processos mentais em uma tarefa, permitindo ao sujeito processar informações de uma tarefa (LENT, 2001). TESTE DE TRILHAS (Montiel e Seabra, 2012) Este teste avalia funções executivas, especificamente a flexibilidade cognitiva e é destinado à faixa etária de 6 a 14 anos. O teste é dividido em duas partes. Cada parte contém itens que dever ser ligados segundo uma sequência pré-determinada, inicialmente por busca visual e na segunda parte, são verificadas atenção, velocidade e flexibilidade cognitiva. A primeira parte é composta de duas folhas, uma para letras e uma para números. São apresentadas na primeira folha 12 letras de A a M (não constando a letra K, pois é anterior a reforma ortográfica), dispostas aleatoriamente. O avaliado deverá ligar as letras de acordo com a ordem alfabética. Na segunda folha, são apresentados 12 números, de 1 a 12, aleatoriamente dispostos, na qual o avaliado tem a tarefa de liga-los em ordem numérica crescente. A parte B, que é a segunda, são apresentados letras e números randomicamente dispostos em uma folha, totalizando 24 itens, na qual a tarefa é ligar os itens, alternadamente, na sequência alfabética e numérica (A- 1-B-2-C-3 e assim sucessivamente). Cada tarefa tem o tempo de um minuto para execução e a sequência é computada em termos de itens ligados corretamente para se achar a pontuação padrão e classificação. 59 TESTE DE TRILHAS PARA PRÉ-ESCOLARES (Trevisan e Seabra, 2012) Este teste avalia funções executivas, especificamente a flexibilidade cognitiva e é destinado à faixa etária de 4 a 6 anos. O teste é dividido em duas partes e o tempo para execução de cada parte é de um minuto. Na parte inicial A é dada ao avaliado uma folha instrutiva com figuras de cinco cachorrinhos que devem ser ligados por ordem de tamanho, iniciando-se pelo menor cachorrinho (bebê) até o cachorrinho maior (papai). Na parte B, além das figuras de cachorrinhos, são apresentadas figuras de ossinhos de tamanhos equivalente aos tamanhos dos cachorrinhos. A tarefa é ligar os cachorrinhos aos ossinhos, seguindo a ordem de tamanho e alternando entre os estímulos. São computadoso número de itens ligados no tempo de um minuto e verificado o número de ligações realizadas nas duas partes para se verificar a classificação a partir da referência da pontuação- padrão. TESTE TORRE DE LONDRES (Seabra, Dias, Berberian, Assef e Cozza, 2012) Este teste avalia a capacidade/habilidade de planejamento. É destinado à faixa etária de 11 a 14 anos. O teste é composto por uma base com três hastes verticais e três esferas colorias de vermelha, verde e azul. A tarefa a ser realizada consiste na transposição das esferas, uma por vez, a partir de uma posição inicial fixa, de modo a alcançar diferentes posições de acordo com as especificações dadas pelo aplicador. São dozes itens, cujo grau de dificuldade cresce em função do número de passos necessários para se alcançar a posição final, variando de dois a cinco movimentos. Na correção serão consideradas corretas as respostas cuja solução for alcançada com o número mínimo de movimentos, sendo que as respostas podem corresponder a um, dois ou três pontos, conforme tenham sido alcançadas na terceira, na segunda ou na primeira tentativa, respectivamente. Caso o avaliado não consiga realizar a tarefa, a pontuação será zero. A pontuação máxima é de 36 pontos. O tempo para aplicação é de 15 a 20 minutos, e deve ser realizado individualmente. A partir da pontuação-padrão é possível obter a classificação final do resultado. 60 TESTE TAREFA SPAN DE BLOCOS – CORSI (Dias e Mecca, 2019) Este teste avalia memória de curto prazo e memória de trabalho visuoespacial. O teste é composto por duas partes: Ordem direta (OD), que avalia memória de curto prazo e Ordem Inversa (OI), que avalia a memória de trabalho (Inclui um componente de manipulação da informação). Na primeira parte, o examinador toca uma sequência pré-determinada de blocos em um ritmo uniforme para que o avaliado observe, memorize e reproduza a mesma sequência em seguida. Na segunda parte, o examinador toca uma sequência pré-determinada de blocos e o avaliado deve reproduzi-la na ordem inversa. A cada fase, ampliam-se o número de itens a serem memorizados, de dois a nove itens. A aplicação é individual e tem duração de dez minutos. TESTE TAREFA SPAN DE DÍGITOS – CORSI (Dias e Mecca, 2019) Neste teste é avaliada a memória auditiva de curto prazo na ordem direta e memória de trabalho auditiva na ordem inversa. Na ordem direta o avaliado deve repetir uma sequência de dígitos (números) apresentada verbalmente pelo avaliador. Na ordem inversa, o avaliado deve repetir a sequência de trás para frente. Em ambas as partes, as sequências de dígitos aumentam em complexidade com variação de dois a nove itens. A aplicação deste teste é individual e tem duração de aproximadamente cinco minutos. Leia para aprofundamento: 61 SEABRA, A. G e DIAS, N. (org.). Avaliação neuropsicológica cognitiva: atenção e funções executivas, volume 1. São Paulo: Memnon, 2012. DIAS, N. e MECCA, T. P. (org.). Avaliação neuropsicológica cognitiva: memória de trabalho, volume 4. São Paulo: Memnon, 2019. TENA – TESTE DE NOMEAÇÃO AUTOMÁTICA (Silva, Mecca, Macedo, 2018) O teste objetiva avaliar a nomeação automática em crianças de 3 a 9 anos e 11 meses. A tarefa é visualizar um estímulo e nomeá-lo de forma acurada e rápida. Relaciona-se com o tempo em que a informação é processada, a fim de integrar o reconhecimento de estímulos visuais com os aspectos expressivos da linguagem. É formado por quatro subtestes: nomeação de cores, nomeação de objetos, nomeação de letras e nomeação de números. É aplicado individualmente e o tempo de duração da aplicação será entre 10 a 15 minutos. IAR – Instrumento de Avaliação do Repertório Básico para a alfabetização (Leite, 1984) Este instrumento tem como objetivo verificar e avaliar aspectos comportamentais de crianças da faixa etária de 5-6 anos, pré-escolar e 1º ano do ensino fundamental, no que tange aos requisitos fundamentais para a aprendizagem da leitura e escrita. É constituído por treze áreas com habilidades (esquema corporal, lateralidade, posição, direção, espaço, tamanho, quantidade, forma, discriminação visual, discriminação auditiva, verbalização de palavras, análise-síntese e coordenação motora fina. CONFIAS – Consciência fonológica instrumento de avaliação sequencial (Moojen, 2003). 62 O instrumento objetiva avaliar a consciência fonológica de forma abrangente e sequencial, possibilitando a investigação das capacidades fonológicas, considerando a relação com as hipóteses de escrita elaboradas por Ferreiro e Teberosky (1991). Tem como público alvo crianças a partir de 4 anos. O instrumento é composto por tarefas de síntese, segmentação, identificação, produção, exclusão e transposição silábica e fonêmica. PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DE HABILIDADES COGNITIVO- LINGUÍSTICAS (CAPELLINI, 2008) O protocolo objetiva avaliar diferentes aspectos do processamento cognitivo- linguístico de crianças em fase de alfabetização. É composto por duas versões, coletiva e individual. A versão coletiva é composta por cinco subtestes: conhecimento do alfabeto em sequência, cópia de formas, aritmética, escrita sob ditado e memória de curta duração. Na versão individual são apresentados dez subtestes para avaliar: leitura de palavras e pseudopalavras, habilidade metalinguística, habilidade matemática, processamento auditivo, processamento visual, velocidade de processamento. PROVAS DE AVALIAÇÃO DOS PROCESSOS DE LEITURA – PROLEC (Cuetos, R e Ruano – adaptação brasileira Capellini e Cuetos, 2010) O instrumento tem por objetivo avaliar os diferentes processos e subprocessos que interferem na leitura. Tem como público-alvo crianças do 2º ao 5º ano do ensino fundamental. As provas estão agrupadas em quatro blocos (identificação de letras, processo léxico, processo sintático e processo semântico. 63 PROVAS PARA AVALIAÇÃO DE COMPREENSÃO DE LEITURA DE PALAVRAS E FRASES PARA ESCOLARES EM INÍCIO DE ALFABETIZAÇÃO – CLPF (Oliveira e Capellini, 2014) Este instrumento objetiva avaliar as habilidades iniciais da compreensão de leitura de palavras e frases para escolares do 2º ano do ensino fundamental. O procedimento tem duração de aproximadamente trinta minutos e é realizado individualmente. O instrumento foi dividido em três provas: compreensão da palavra escrita, compreensão de frase e compreensão de frases a partir de figura. TESTE DE COMPETÊNCIA DE LEITURA DE PALAVRAS E PSEUDOPALAVRAS – TCLPP (Capovilla e Seabra, 2010). Este teste visa avaliar a competência de leitura silenciosa de palavras isoladas. É constituído de oito itens de treino e setenta itens de teste, cada item é composto por um par contendo uma figura e um elemento escrito. O instrumento identifica o estágio de desenvolvimento de leitura do avaliado e o seu grau de proficiência em cada um dos três tipos de processamento: logográfico, fonológico e lexical. A pontuação total para este teste é 70 pontos. TESTE CONTRASTIVO DE COMPREENSÃO AUDITIVA E DE LEITURA – TCCAL (Capovilla, Capovilla, Macedo e Duduchi, 2000; Capovilla e cols, 2005 e Capovilla e Seabra, 2013) Este instrumento avalia habilidade de compreensão auditiva e de compreensão de leitura silenciosa. Tem como público-alvo crianças de 6 a 11 anos. É composto por dois subtestes: (Compreensão de sentenças escritas (SCSE), que verifica a compreensão de leitura e Compreensão de sentenças faladas (SCSD) que verifica a habilidade de compreensão auditiva). 64 O teste pode ser aplicado em grupo ou individualmente. A aplicação do teste deve seguir a ordem de aplicação com intervalo de uma semana, pelo menos. Primeiro aplica-se o Subteste de Compreensão de Sentenças Escritas e depois do intervalo aplica-se o Subteste deCompreensão de Sentenças Faladas. PROVA DE CONSCIÊNCIA SINTÁTICA – PCS (Capovilla, Capovilla e Soares, 2004; Capovilla e Capovilla, 2006) Esta prova tem quatro subtestes: 1- Julgamento Gramatical cujo objetivo é o julgamento da gramaticalidade de frases; 2 – Correção Gramatical no qual deve ser corrigida frases gramaticalmente incorretas; 3 – Correção Gramatical de frases com incorreções gramatical e semântica; 4 – Categorização de palavras (substantivo, verbo e adjetivo). Esta prova pode ser aplicada nas séries iniciais do ensino fundamental. PROVA DE ESCRITA SOB DITADO (versão reduzida) – PED-vr (Seabra e Capovilla, 2013) Este instrumento avalia a escrita na condição de ditado. Utilizado em crianças e adolescentes de 6 a 11 anos. O avaliador deve pronunciar em voz alta os 36 itens para que o avaliado grafe-os em uma folha pautada. Dos itens da prova, 12 são regulares, 12 são regra e 12 irregulares, o que possibilita uma análise diferencial das distintas estratégias utilizadas na escrita. A aplicação poderá ser coletiva ou individual. Para você saber acerca de outros instrumentos, leia: 65 FONSECA, R. P.; PRANDO, M. e ZIMMERMANN, N. (org.). Tarefas para avaliação neuropsicológica, vol. 1. Avaliação de linguagem e funções executivas em crianças. São Paulo: Memnon, 2016. ROTEIRO PARA SONDAGEM DE HABILIDADES MATEMÁTICAS – Ensino Fundamental I (Weinstein, 2016) O roteiro tem como objetivo verificar se as competências numéricas básicas foram adquiridas. São verificados os seguintes domínios: Representação da magnitude numérica, evocação de fatos numéricos e resolução de problemas. Há um caderno de estímulo que compreende um conjunto de fichas que contém os estímulos e as consignas que serão apresentadas ao avaliado. PROVA DE ARITMÉTICA (Seabra et al., 2009, 2013) Esta prova avalia domínios de processamento numérico e cálculo (escrita por extenso de números apresentados algebricamente, escrita de forma algébrica de números pronunciados pelo avaliador, escrita de sequências numéricas crescente e decrescente, comparação de grandeza numérica, cálculo de operações apresentadas por escrito e oralmente, e resolução de problemas matemáticos). O público-alvo é de crianças e adolescentes de 6 a 11 anos e poderá ser aplicada de modo coletivo ou individual. TESTE DE DESEMPENHO ESCOLAR – II – TDE II (Stein et al, 2019) O instrumento visa avaliar habilidades básicas de leitura, escrita e aritmética. Pode ser aplicado para indivíduos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, apresenta três subtestes que versam sobre leitura, escrita e aritmética, com especificidades 66 aquedadas para aplicação nos anos iniciais (1º a 4º) e anos finais (5º a 9º) do ensino fundamental. O TDE II poderá ser aplicado individual ou coletivamente. BATERIA DE AFERIÇÃO DE COMPETÊNCIAS MATEMÁTICAS – BACMAT (Pereira e Rodrigues, 2013) A Bateria tem como principal objetivo caracterizar o perfil matemático das crianças com dificuldades específicas na matemática. É constituída por um conjunto de exercícios específicos para aferição de características de dificuldades relacionadas e de proximidade com cada um dos seis subtipos de discalculia (verbal, protagnóstica, léxica, gráfica, ideognóstica e operacional). Poderá ser aplicada dos 7 aos 12 anos de acordo com as orientações das normas do instrumento. ESCALA PARA AVALIAÇÃO DA MOTIVAÇÃO ESCOLAR INFANTO- JUVENIL (Martinelli e Sisto, 2011) O instrumento fornece informação de como a criança e o adolescente se percebem em relação às fontes de sua motivação (intrínseca e extrínseca) bem como sua intensidade. A escala foi construída para indivíduos de 8 a 11. Poderá ser aplicado individual ou coletivamente. Não há limite de tempo para o término da prova, em geral, não ultrapassa dez minutos. Poderá ser lido pelo avaliador, ou poderá ser entregue ao examinado para que seja lido e respondido. ESCALA DE AVALIAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DE APRENDIZAGEM PARA O ENSINO FUNDAMENTAL – EAVAP-EF (Oliveira, Boruchovitch e Santos, 2010 67 Este instrumento avalia, por meio de um conjunto de questões, as estratégias de aprendizagem relatadas e empregadas por indivíduos matriculados no ensino fundamental. Realiza a identificação de estratégias cognitivas e metacognitivas, bem como a ausência ou não de estratégias metacognitivas disfuncionais. Poderá ser aplicado a indivíduos de 7 a 16 anos, individual ou coletivamente. No processo avaliativo psicopedagógico/neuropsicopedagógico é de fundamental importância conhecer o instrumento antes de aplicá-lo, bem como selecionar a partir das hipóteses iniciais os instrumentos, técnicas que serão utilizados. Assim, você teve oportunidade de tomar conhecimento de técnicas e alguns instrumentos utilizados por psicopedagogos. Os instrumentos a serem utilizados ou habilidades que serão avaliadas são escolhidos de acordo com a queixa inicial apresentada. 3.2 A devolutiva: elaboração de relatório e parecer de avaliação psicopedagógica A partir dos instrumentos utilizados, observações realizadas no processo de avaliação é necessário que o profissional em psicopedagogia elabore uma devolutiva à família que solicitou a avaliação de um sujeito sobre as questões de aprendizagem. Após a avaliação e análise de todos os dados levantados deverá ser elaborado um relatório que será entregue aos responsáveis do avaliado, o que é chamado de devolutiva. Na devolutiva que pode ser verbal ou escrita, a família é informada sobre o processo avaliativo realizado, quando realizado em crianças, e sobre a proposta de intervenção. 68 Este momento de conversa sobre a avaliação deve constar uma comparação entre a demanda/queixa inicial e os resultados obtidos durante o processo avaliativo, apontando os pontos convergentes e os divergentes entre os dois momentos. É o momento de rever, junto a quem trouxe a necessidade inicial, o motivo do encaminhamento. Apontar necessidade de intervenção, avaliações com outras áreas etc. A devolutiva é um momento de esclarecimentos, de ressaltar a importância da participação de todos no processo de aprendizagem do avaliado. O objetivo do psicopedagogo é a continuidade do atendimento, devemos, então, olhar a pessoa com afeto, acolher dentre das limitações individuais. Para tanto, no relatório a ser elaborado, devem constar: a identificação do avaliado, período de avaliação, demanda/queixa principal, aspectos avaliados, instrumentos utilizados e resultados obtidos, considerações e encaminhamentos. Quadro 8: Sugestão de Relatório de Avaliação Psicopedagógica RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA 1 – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: Nome: Data de Nascimento: Idade: Período de Avaliação: Filiação: Série/Ano atual: Escola: Motivo da avaliação: 2. CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS 3. COMPORTAMENTO DURANTE A AVALIAÇÃO 4. AVALIAÇÕES REALIZADAS (informar os instrumentos/técnica, objetivo do instrumento e resultado 69 5. CONSIDERAÇÕES 6. ENCAMINHAMENTO Data Assinatura Nome do Profissional Fonte: própria autoria Atividade de Aplicação Carlota, psicopedagoga, recebeu em seu consultório uma criança com 8 anos com dificuldades em leitura. De acordo com as informações da mãe, a criança apresenta falta de atenção e não tem interesse na aprendizagem das letras. Diante do exposto, que procedimentos, Carlota, psicopedagoga, poderia utilizar para o processo de avaliação da criança? Reflita e comente com seus colegas sobre a atividade proposta. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 70 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Nesta Unidade você teve a oportunidade de conhecer instrumentos avaliativos, bem como verificar a importância da devolutiva do processo de avaliação. Para tanto, em cada uma das técnicas e instrumentos apresentados, você pode verificar quais objetivos são propostos por eles, bem como a faixa etária, descrição geral do teste e aplicação. É importante salientar a necessidade do conhecimento teórico para escolha dos instrumentos a serem aplicados no período de avaliação psicopedagógica/neuropsicopedagógica. Desse modo, será possível ao psicopedagogo avaliar habilidades cognitivas envolvidas no processo de aprendizagem de leitura, escrita e matemática e assim, nortear, a partir dos relatórios de devolutiva de avaliação, o processo interventivo. Vamos agora para a Unidade 4: Orientação e Intervenção Psicopedagógica e Neuropsicopedagógica. Preparado(a)? Vamos lá! 71 IV. ORIENTAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA E NEUROPSICOPEDAGÓGICA A identificação e a detecção das características e potencial de aprendizagem do indivíduo são fundamentais para a reflexão acerca de orientações a serem dadas a partir da avaliação, aos responsáveis, à escola, bem como para o processo de intervenção a ser realizado com o indivíduo. Tomando por base que ao psicopedagogo interessa observar, avaliar e intervir no processo que o indivíduo desenvolve para realizar uma tarefa, faz-se necessário o acompanhamento atento à realização das atividades propostas no desenrolar da intervenção. Para tanto, os aspectos orgânicos, cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos são importantes para a orientação e acompanhamento/intervenção psicopedagógica, cujo objetivo versa sobre o processo de aprendizagem, como esse se desenvolve e de que forma o indivíduo relaciona-se com a aprendizagem. A intervenção psicopedagógica é um trabalho de suporte e orientação ao processo de aprender do indivíduo, sendo recomendado também haver orientações à família e escola. A seguir veremos que a intervenção psicopedagógica pode ser terapêutica, preventiva e de inclusão escolar. 4.1 Tipos de intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica O atendimento psicopedagógico em nossos tempos extrapola o conceito clínico chamado curativo, relacionado apenas à solução das dificuldades e problemas de aprendizagem, e parte de um campo de maior amplitude, a psicopedagogia preventiva. Fagali e Vale (1994, pp. 9-10) aponta que [...] a psicopedagogia curativa tem como objetivo reintegrar ao processo de construção de conhecimento uma criança ou jovem que apresenta problemas de aprendizagem. [...] tem se desenvolvido nos consultórios, onde o trabalho tem uma conotação clínica, geralmente individual. [...] seu objetivo é reintegrar e readaptar o aluno à situação de sala de aula [...] esta orientação tem como meta desenvolver as funções cognitivas integradas ao afetivo, desbloqueando e canalizando o aluno gradualmente para a aprendizagem dos conceitos conforme os objetivos da aprendizagem formal. 72 No processo de intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica é necessário conhecermos os tipos de atuação/intervenção, quais sejam: Corretiva: a intervenção é pautada no sujeito, suas dificuldades e necessidades. Preventiva: a intervenção tem natureza coletiva e pode ser aplicada a grupos de sujeitos em situação de risco ou dificuldades de aprendizagem, possibilitando criar estratégias preventivas do possível fracasso escolar. A intervenção psicopedagógica é de caráter especializado, intencional e planejado e é realizada por meio da adoção de diversos modelos teóricos, aplicáveis de acordo com a necessidade, analisando cada caso para que a melhor estratégia seja realizada em busca da melhor orientação para o momento. Para Sànchez (2008, p. 20-21) há enfoques contundentes para intervenção psicopedagógica: Os enfoques [...] mais atuais procedentes da psicologia científica e, basicamente, da psicologia cognitiva e do ensino (psicopedagógicos): contribuições educacionais que implementam o uso de melhores estratégias; enfoques de autodeterminação; enfoque da aprendizagem autorregulada; [...] enfoque na superação do fracasso e baixo rendimento; enfoque centrado na diversidade de aprendizagem. enfoque centrado nas acomodações educativas. enfoque centrado em âmbitos específicos das dificuldades de aprendizagem. Apresentamos, a seguir, ainda segundo o mesmo autor, a partir dos enfoques elencados, enfoques relevantes para o trabalho do psicopedagogo na identificação das questões da aprendizagem, com o propósito de além de intervenções curativas, realizar, posteriormente, intervenções preventivas. 1- Enfoque do processamento da informação: relaciona-se à abordagem cognitivista da aprendizagem. 2- Enfoque interativo ou ecológico: inclui a análise dos contextos familiares e escolares nas dificuldades de aprendizagem, relacionando-se com a abordagem interacionista da aprendizagem. 3- Enfoque da perspectiva sócio-cultural: relacionado às abordagens interacionais e sócio-construtivistas da aprendizagem. 4- Enfoque neuropsicológico: é relevante para compreensão da importância da interdisciplinaridade no campo das dificuldades de aprendizagem, visto 73 que sua maior importância está no conhecimento de como se processa a aprendizagem humana sob a ótica da neurociência e da psicologia. 4.2 Orientação e intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica Na orientação e intervenção psicopedagógicas é importante ter em mente as modalidades de aprendizagem. Assim, são três as modalidades de aprendizagem que podem perturbar a aprendizagem, segundo Fernàndez (2001) e Pain (1992). As modalidades de aprendizagem apresentam como características: Hipoassimilação-hiperacomodação: as características do objeto a ser conhecido se sobrepõem às características do sujeito. Encontram-se nesta modalidade os indivíduos que repetem esquemas de ação (desenhos repetitivos, realizam cópias, submissão às regras e ordens indiscriminadamente etc). Hiperassimilação-hipoacomodação: as características do sujeito sobrepõem-se às do objeto a ser conhecido, há predomínio para subjetividade, caracteriza-se por um pensamento e/ou ação desorganizados. Hipoassimilação-hipoassimilação: advém diretamente da falta de desejo em conhecer, aprender, os esquemas são empobrecidos e a capacidade para internalizá-los também.Caracteriza-se por um indivíduo apático ao processo de aprendizagem. Diante destas modalidades de aprendizagem, Klumpp e Andrade (2017, p. 11) afirmam que as modalidades de aprendizagem São fatores determinantes na maneira como o sujeito se relacionará com o objeto do conhecimento, com o outro enquanto ensinante consigo mesmo enquanto aprendente. [...] Cabe ao psicopedagogo identificar quais são as modalidades de aprendizagem consideradas patológicas em seu paciente e, posteriormente, traçar um plano de intervenção a fim de ajudá-lo a superar suas dificuldades de aprendizado. A intervenção e a orientação psicopedagógica são contextualizadas em quaisquer ambientes de aprendizagem, como um processo dinâmico, contínuo e sistemático, observando o indivíduo aprendente como ser global que deve se 74 desenvolver harmoniosa e equilibradamente em todos os aspectos: intelectual, físico, social, moral, estético, político, educacional e profissional. Souza (in Sisto, 2004, pp. 114-115) afirma que: Num sentido mais específico, fala-se em intervenção como uma interferência que um profissional realiza sobre o processo de desenvolvimento e/ou aprendizagem do sujeito, o qual pode estar apresentando problemas. Na intervenção, o procedimento adotado interfere no processo, com o objetivo de compreendê-lo, explicitá-lo ou corrigi-lo. Introduzir novos elementos para o sujeito pensar poderá levar à quebra de um padrão anterior de relacionamento com o mundo das pessoas e das ideias. É isso que ocorre na intervenção terapêutica. Uma fala, um assinalamento, uma interpretação são exemplos de intervenções, com a finalidade de desvelar um padrão de relacionamento, uma relação com o mundo e, portanto, com o conhecimento. Assim, também é possível afirmar que a intervenção, como assevera Sánchez (2008, p. 18) [...] é de caráter intencional e planejado, exigindo um certo nível de estruturação e de formalização. (grifos do autor). [...] A intervenção é facilitadora, estabelece pontes (bridging) e ajudas com andaimes (scaffolding) que devem ser progressivamente retiradas para facilitar a autonomia. Cabe salientar que trabalhar na intervenção psicopedagógica e neuropsicopedagógica com estratégias de aprendizagem pode levar o aprendente a realizar atividades para facilitar sua aprendizagem, visto que segundo Beltrán (1993 apud Russo, 2015, p. 125) [...] estratégias de aprendizagem são operações mentais manipuláveis e suscetíveis de modificação. São classificadas como cognitivas e metacognitivas. [...] estas estratégias cognitivas estão de acordo com os sete processos de aprendizagem a que servem: sensibilização, atenção, aquisição, personalização, recuperação, transferência e avaliação. As estratégias metacognitivas regulam tudo o que está relacionado com o conhecimento. [...] São elas: de conhecimento (da pessoa, da tarefa e da estratégia) e de controle (planejamento, regulação e avaliação). Beltrán (1998, apud Sanchez, 2008) apresenta três âmbitos básicos que aparecem os problemas estratégicos dos indivíduos com dificuldades de aprendizagem: o âmbito da memória; o âmbito da atenção e o âmbito metacognitivo (e informa que são esses os focos prioritários para a intervenção psicopedagógica). 75 Bossa (2000, p. 31) citando Lino de Macedo (1990), a atividade psicopedagógica dar-se-á por: 1. Orientação de estudos – consiste em organizar a vida escolar da criança quando esta não sabe fazê-lo espontaneamente. Procura-se promover o melhor uso do tempo, a elaboração de uma agenda e tudo aquilo que é necessário ao “como estudar” (como ler um texto, como escrever, como estudar para a prova, etc.). 2. Apropriação de conteúdos escolares – o psicopedagogo visa propiciar o domínio de disciplinas escolares em que a criança não vem tendo um bom aproveitamento. 3. Desenvolvimento do raciocínio – trabalho feito com os processos de pensamento necessários ao ato de aprender. Os jogos são muito utilizados, pois são férteis no sentido de criarem um contexto de observação e diálogo sobre os processos de pensar e de construir o conhecimento. Esse procedimento pode promover um desenvolvimento cognitivo maior do que aquele que as escolas costumam conseguir. 4. Atendimento de crianças – a Psicopedagogia se presta a atender deficientes mentais, autistas ou com comprometimentos orgânicos mais graves. A especificidade da intervenção psicopedagógica e/ou neuropsicopedagógica consiste na existência de um objetivo a ser alcançado: a eliminação ou minimização do sintoma ou problema. Em seguida, são apresentadas sugestões de orientações e intervenções psicopedagógicas, bem como de possíveis propostas de planos de trabalho. 4.3 A orientação psicopedagógica e projeto de planos de intervenção em contextos de atendimento A partir da análise da avaliação, o plano de trabalho interventivo deve ser planejado seguindo objetivos próprios que propiciem suprir as necessidades observadas. É necessário que o psicopedagogo esteja atento à modalidade de aprendizagem considerada patológica de cada sujeito, conforme Klumpp e Andrade (2017, p. 13) apontam no quadro ilustrativo como deve ser traçado o plano de intervenção considerando as modalidades de aprendizagem. 76 Quadro 9: Plano de Intervenção considerando as modalidades de aprendizagem MODALIDADE DE APRENDIZAGEM PATOLÓGICA PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS OBJETIVOS A SEREM TRABALHADOS TIPO DE ATIVIDADE HIPOASSIMILAÇÃO Dificuldade de contato com o objeto de conhecimento Proporcionar o contato com o objeto de conhecimento Trabalhos manuais de contato com materiais diversos. Ex: argila, massinha caseira, pintura a dedo HIPERASSIMILAÇÃO Desrealização do pensamento com o predomínio do lúdico Proporcionar o contato com a realidade e o aprendizado de regras/limites Trabalhos que exijam o respeito a regras/limites. Ex: recorte, pontilhado, alinhavo HIPOACOMODAÇÃO Esquemas mentais empobrecidos e repetitivos, pobreza de contato com o objeto do conhecimento Proporcionar o aprimoramento de seus esquemas mentais e o contato com o objeto de conhecimento Trabalhos de esquema corporal e de percepção de detalhes, bem como trabalhos manuais. Ex: boneco do corpo, histórias com pictogramas, argila, massinha HIPERACOMODAÇÃO Dificuldade de contato com a subjetividade Proporcionar o contato com a subjetividade Trabalhos emocionais e de autoconhecimento. Ex: história de vida, painel do crescimento, leque de emoções Fonte: Adaptado de Klumpp e Andrade (2017, p. 13) No que tange às estratégias de aprendizagem, pode-se dizer que são sequências de procedimentos adotados para apoiar e realizar as etapas fundamentais 77 do processamento da informação: sua aquisição, seu armazenamento e sua utilização (BORUCHOVITCH, 2007). Ainda de acordo com Boruchovitch (2007, p. 158) as intervenções em estratégias de aprendizagem podem ser: cognitivas, metacognitivas, afetivas e mistas. Cognitivas: voltadas para o trabalho de aprendizagem específicas (sublinhar, anotar). Ajudam a indivíduo a codificar, organizar e reter a informação. Metacognitivas: orientadas ao apoio dos processos executivos de controle (planejamento, monitoramento, regulação dos processos cognitivos e do comportamento). Afetivas: destinam-se a controlar, modificar e eliminar estados internos do indivíduo que não contribuam para o bom processamento da informação. Mistas: as atividades são voltadas para o progresso cognitivo (desenvolvimento metacognitivo, promoção e manutenção de um estado interno satisfatório para a aprendizagem). Assim, o psicopedagogo ao elaborar um Planto de Atividades Individuais levará em conta que para melhorar a compreensão leitura, serão necessários exercícios que estimulem a síntesede ideias principais de um texto, sublinhando, fazendo resumo, elaborando mapas conceituais. Valdés (2003) sugere para desenvolver estratégias de aprendizagem os seguintes passos: a. O modelo adulto ou um modelo competente realiza a tarefa enquanto se fala a si mesmo em volta alta (modelado cognitivo). b. A criança realiza a mesma tarefa à luz das instruções do modelo (guia externa, manifesta). c. A criança realiza a mesma tarefa enquanto dá instruções a si mesma em voz alta (autoguia manifesta). d. A criança cochicha para si mesma as instruções enquanto avança na tarefa (guia manifesta atenuada). e. A criança realiza a tarefa enquanto guia sua própria atenção mediante a fala privada e inaudível, tratando de uma auto direção não verbal (instrução encoberta). Com o uso das estratégias cognitivas, o indivíduo poderá organizar seus estudos, armazenar e elaborar informações, solucionando assim, suas tarefas (cópias de pequenos textos, realizar uma primeira leitura, grifar palavras-chave, anotar a explicação do conteúdo dado, resumir conteúdos, elaborar exercícios sobre o 78 conteúdo (perguntas), repetir o conteúdo estudado para memoriza-lo, organizar estruturas e mapas. Já com o uso das estratégias metacognitivas, que envolvem o pensar sobre a aprendizagem, o autoconhecimento da pessoa, a importância e o significado das atividades acadêmicas, o indivíduo poderá trabalhar com sequência de atividades planejadas para a apropriação do conhecimento estudado, logo saberá discernir sobre quais estratégias usar de maneira mais eficaz. No Plano de Trabalho Psicopedagógico individual, o psicopedagogo deve incluir um objetivo ou meta, os passos a serem seguidos, o resultado esperado de modo a possibilitar ajustes pelo monitoramento realizado no decorrer dos atendimentos. A seguir sugestão de planilha para elaboração do Plano de Trabalho Psicopedagógico Individual: Quadro 10: PLANO DE INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICO INDIVIDUAL Nome: ______________________________________ Objetivo/Meta Passos/atividades Resultado esperado Monitoramento /Evolução Resultado Alcançado Fonte: própria autoria Dando continuidade, seguem sugestões de atividades práticas que poderão fazer parte do Plano de Intervenção Psicopedagógica: 79 1. Massinha Objetivos: estimulação tátil, coordenação motora fina, força manual, conhecimento das letras e formação de palavras para desenvolvimento da linguagem escrita e outros Figura 3: Trabalhando com massinha de modelar Fonte: A autora 2. Empilhar peças Objetivos: coordenação motora fina, controle motor, percepção visual e espacial, planejamento, início, meio e fim e outros. Figuras 4, 5 e 6: Empilhando peças Fonte: A autora 80 3. Trenzinho Objetivos: trabalhar jogo simbólico, coordenação motora fina, percepção auditiva com os sons do brinquedo e outros. Figura 7: Trenzinho Fonte: A autora 4. Colorir desenho Objetivos: coordenação motora fina e preensão do lápis, percepção do espaço no papel, percepção visual, trabalhar limites e contornos e outros. Figura 8: Colorir desenhos Fonte: A autora 81 5. Peças de encaixe Objetivos: coordenação motora fina, coordenação bimanual, pareamento de cores, jogo simbólico e outros. Figura 9: Trabalhando com peças de encaixe Fonte: A autora 6. Frutas com velcro Objetivos: jogo simbólico, coordenação bimanual, força manual, pareamento de cores e formas, fração (matemática) e outros. Figura 10: Trabalhando com velcro Fonte: A autora 82 7. Livro Objetivos: aumento de vocabulário, percepção visual, reconhecimento de figuras, começo, meio e fim, rimas e aliterações, entre outros. Figura 11: lendo livros infantis Fonte: A autora 8. Escovação de dentes na figura Objetivos: coordenação motora, percepção visual e espacial, treino de atividade de vida, reconhecimento de partes do corpo/rosto em si, na figura e no outro, entre outros. Figura 12: Escovando dentes na figura Fonte: A autora 83 9. Jogo de encaixe Objetivos: coordenação motora fina, pinça, coordenação visuomotora, percepção visual e espacial para pareamento das peças nos locais indicados, entre outros. Figura 13: Jogo de encaixe Fonte: A autora 10. Placa de figuras Objetivos: coordenação visuomotora, pareamento de figuras e formas, pode-se trabalhar o som de cada animal, letras iniciais, entre outros. Figura 14: Placa de figuras Fonte: A autora 11. Blocos de espuma Objetivos: controle motor, percepção visual e espacial, controle de força, jogo simbólico, planejamento, sequência, entre outros. 84 Figura 15: Montando Estruturas com Blocos de espuma Fonte: A autora 12. Peças com ventosas Objetivos: coordenação bimanual, força para agrupar e separar as ventosas, preensão e pinça, entre outros. Fonte: A autora 13. Tangram Objetivos: resolução de problemas, percepção visual e espacial, pareamento com a figura indicada, planejamento, entre outros. Figura 16: Montando o Tangran 85 Fonte: A autora 14. Blocos de madeira Objetivos: coordenação visuomotora, pareamento de cores e formas, planejamento, percepção visual e espacial, entre outros. Figura 17: Trabalhando com blocos de madeira Fonte: A autora 15. Pontilhado e escrita Objetivos: treino de escrita, aumento de vocabulário, preensão do lápis, coordenação motora fina, entre outros. Figura 18: Pontilhado e escrita 86 Fonte: A autora 16. Escrita Objetivos: treino de escrita, aumento de vocabulário, preensão do lápis, coordenação motora fina, entre outros. Figura 19: Escrita Fonte: A autora 17. Outras sugestões de atividades 1. Para desenvolvimento da linguagem: bingo ortográfico, ordenação de palavras para formação de frases (ex.: substantivos, adjetivos, verbos, pronomes, transformação de orações coordenadas para subordinadas), produção de rimas e 87 aliterações (estímulos com imagens, oral), completar palavras F/V; T/D; P/B; sequenciação de histórias, dentre outras. 2. Acerca do esquema corporal, lateralidade, ritmo, grafismo, coordenação visuomotora: desenhos livres e orientados, percepção de formas por meio de jogos, reprodução de traçados, músicas com gestos imitativos, recorte e montagem das partes do corpo, exercícios com labirintos, modelagem, colagem, furar cartões com figuras, letras, numerais, e outros, alinhavos, exploração de materiais diversos de texturas diferenciadas, utilização de tesoura, lápis, dobraduras, dentre outras. 3. Para desenvolvimento de funções executivas e estimulação cognitiva: jogos como Hora do Rush, jogos de cartas e tabuleiro com regras, Programa de Intervenção em Autorregulação e Funções Executivas – PIAFEX (Dias e Seabra, 2013), Programa de Estimulação Neuropsicológica da cognição em escolares – PENcE (Cardoso e Fonseca, 2016), dentre outros. Para seu aprofundamento, leia: HENRIQUE, A. R. e RELVAS, M. Atividades para estimulação cognitiva: memória e linguagem. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2017. SAMPAIO, S. Atividades corretivas de leitura e escrita, grafia e ortografia. Volume 2. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2015. FONSECA, L. Protocolo neuropsicopedagógico de avaliação cognitiva das habilidades matemáticas. Rio de Janeiro: Wak Edidora, 2013. KLUMPP, C. F; B. e ANDRADE, M.S. Intervenção psicopedagógica: atividades práticas. São Paulo: Memnon, 2017. CARDOSO, C.O. e FONSECA,R. F. PENCE – Programa de estimulação neuropsicológica da cognição em escolares: ênfase nas funções executivas. Ribeirão Preto, SP: Book Toy, 2016. DIAS, N.M. e SEABRA, A.G. Programa de Intervenção e Autorregulação e Funções Executivas: Piafex. São Paulo: Memnon, 2013. 88 Atividade de Aplicação No processo de intervenção podemos afirmar: A intervenção psicopedagógica pode ser corretiva PORQUE é pautada no sujeito, em suas dificuldades e necessidades. Assinale a resposta correta: a) A primeira assertiva é incorreta porque tem sua justificativa na segunda assertiva. b) A primeira assertiva está correta e tem sua justificativa na segunda assertiva. c) Nenhuma das assertivas é verdadeira. d) A assertiva inicial está incorreta e a segunda justifica a primeira. e) A segunda assertiva é falsa enquanto a primeira é verdadeira. Pense e reflita na questão proposta, responda no fórum, analisando-a com seus colegas. ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 89 ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Nesta unidade você teve oportunidade de perceber que a intervenção psicopedagógica é um trabalho de suporte e orientação ao processo de aprender do indivíduo, sendo recomendado também haver orientações à família e escola, bem como verificar possibilidades de intervenção psicopedagógica/neuropsicopedagógica para sua atuação. 90 REFERÊNCIAS ANDION, M. T. M. Jogo de areia psicopedagógico (JAP) – instrumento de diagnóstico e intervenção psicopedagógica. In: SCICCHITANO, R. M. J. e CASTANHO, M. I. S. (org.). Avaliação psicopedagógica: recursos para a prática. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2013. BARBOSA, L. M. S. A Psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2001. BASSEDAS, E., (org). Intervenção Educativa e diagnóstico psicopedagógico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. BONALS, J; GONZÁLEZ, A. A demanda de avaliação psicopedagógica. In SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. (org.). Avaliação psicopedagógica. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. BOSSA, N. A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. 2ª Ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000. __________. Fracasso escolar: um olhar psicopedagógico. Porto Alegre: Artmed, 2002. __________. A psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre, RS: Artmed, 2007. BOSSA, N. A. e OLIVEIRA, V. B. de (orgs.). Avaliação psicopedagógica da criança de 0 a 6 anos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. _____________. Avaliação psicopedagógica da criança de 7 a 11 anos. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996. _____________. Avaliação psicopedagógica do adolescente. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998. CAIEIRÃO, I. Hora do Jogo: arquitetura lúdica como instrumento de avaliação psicopedagógica da criança. In: SCICCHITANO, R. M. J. e CASTANHO, M.I.S. (orgs). Avaliação psicopedagógica: recursos para a prática. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2013. CHAMAT, L. S. J. Relações vinculares e aprendizagem: um enfoque psicopedagógico. São Paulo: Vetor, 1997. 91 COSTA, Elis Regina da; BORUCHOVITCH, Evely. O ensino de estratégias de aprendizagem no contexto da escrita. Psicol. educ., São Paulo, n. 41, p. 21-35, dez. 2015 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414- 69752015000200002&lng=pt&nrm=iso>.. http://dx.doi.org/10.5935/2175- 3520.20150012. DIEGO, J. Avaliações psicopedagógicas por demanda administrativa – elaboração de pareceres e informes. In SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. (org.). Avaliação psicopedagógica. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e sua família. Tradução de Iara Rodrigues. Porto Alegre: Artmed, 1991. __________. O saber em jogo: a psicopedagogia propiciando autoria de pensamento. Tradução de Neusa Kern Hickel Porto Alegre: Artmed, 2001. __________. Os idiomas do aprendente: análise das modalidades ensinantes com famílias, escolas e meios de comunicação. Tradução de Neusa Kern Hickel e Regina Orgler Sordi. Porto Alegre: Artmed, 2001b. FONSECA, Vitor da. Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem: uma abordagem neuropsicopedagógica. Rev. psicopedag., São Paulo, v. 31, n. 96, 2014. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 84862014000300002&lng=pt&nrm=iso>. FONT, J. A avaliação dos alunos com deficiência mental. In SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. (org.). Avaliação psicopedagógica. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. HUGUET, T. Avaliação psicopedagógica dos alunos em rede. In SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. (org.). Avaliação psicopedagógica. Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. KEOGH, Barbara K. e WEISNER, Thomas. An ecocultural perspective on risk and protective factors in children's development: implications for learning disabilities. Learning Disabilities Research & Practice, 8(1), 3-10, 1993. MACEDO, L. Ensaios Construtivistas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994. MACEDO, L; MACHADO, N. J. Jogo e projeto. São Paulo: Summus, 2006. MORENO VALDÉS, Maria Teresa. Como ensinar estratégias de aprendizagem? Revista Diálogo Educacional, [S.l.], v. 4, n. 10, p. 35-45, jul. 2003. ISSN 1981-416X. Disponível em: 92 https://periodicos.pucpr.br/index.php/dialogoeducacional/article/view/6413/6317>.. doi: http://dx.doi.org/10.7213/rde.v4i10.6413. MORIN, E. Ciência com consciência. Trad. de Maria D. Alexandre e Maria Alice Sampaio Dória. 6ª Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. MUNHOZ, M. L. P. (org.). Questões familiares em temas da Psicopedagogia. São Paulo: Memnon, 2003. NOFFS, N. de A. Psicopedagogo na rede de ensino: a trajetória institucional de seus atores-autores. São Paulo: Elevação, 2003. NÓVOA, Antonio. As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações Dom Quixote Ltda., 1992. PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. 4ªed. Trad. Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. Trad. Aurélio Fernandes Velloso. 6ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. PONTES, Idalina Amélia Mota. Atuação psicopedagógica no contexto escolar: manipulação, não; contribuição, sim. Rev. psicopedag., São Paulo, v. 27, n. 84, 2010. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103- 84862010000300011&lng=pt RUBINSTEIN, E. R. O estilo de aprendizagem e a queixa escolar: entre o saber e o conhecer. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. (org.). Avaliação psicopedagógica.Trad. Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2008. SÁNCHEZ-CANO e BONALS, J. MANUAL DE ASSESSORAMENTO PSICOPEDAGÓGICO. Porto Alegre: Artmed, 2011. SILVA, Maria Luiza Quaresma Soares. Avaliação psicopedagógica - protocolo breve. Anais do IX Congresso Nacional de Educação - EDUCERE. Curitiba, PR: 2009. Disponível em: < http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/2756_1730.pdf> SILVEIRA, M. M. S. A teoria da rotulação no contexto psicopedagógico. Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=801. SISTO, F. F.; BORUCHOVITCH, E.; FINI, L. D. T. (org.). Dificuldades de aprendizagem no contexto psicopedagógico. 5ª Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. 93 SISTO, H. F et al. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. 11ª ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2008. SOLÉ, I. Orientação Educacional e Intervenção Psicopedagógica. Porto Alegre: ARTMED Editora, 2001. STAINBACK, S.; STAINBACK, W. Inclusão: um guia para educadores. Trad. Magda França Lopes. Porto Alegre: 1999. Reimpressão 2008. VISCA, J. Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987 _________. O diagnóstico operatório na prática psicopedagógica. São José dos Campos: Pulso, 2008. _________. Técnicas projetivas psicopedagógicas e pautas gráficas para sua interpretação. Trad. Jacqueline Andréa Glaser. Buenos Aires: Visca e Visca, 2008. WEISS. M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: Ed. Lamparina, 2008.