Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

UNIVERSIDADE DE SOROCABA
PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO E ASSUNTOS ESTUDANTIS
CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO
GABRIELLE ANDRIOTTI ALBERGONI
RESPONSABILIDADE POR VíCIO OCULTO DO PRODUTO
Sorocaba/SP
2021
GABRIELLE ANDRIOTTI ALBERGONI
RESPONSABILIDADE POR VíCIO OCULTO DO PRODUTO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do certificado de Especialista em DIREITO, da Universidade de Sorocaba.
Orientadora: Profª. VANESSA GURGEL GONZALES CORREA
Sorocaba/SP
2021
GABRIELLE ANDRIOTTI ALBERGONI
RESPONSABILIDADE POR VíCIO OCULTO DO PRODUTO
Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito parcial para obtenção do Diploma de Graduação em DIREITO da Universidade de Sorocaba. 
Aprovado em: ___/____/_______
BANCA EXAMINADORA: 
Prof.(a) Dr.(a) ou Me.(a) Nome Completo do(a) Orientador(a) Universidade de Sorocaba 
Prof.(a) Dr.(a) ou Me.(a) Nome Completo do(a) Examinador(a) Instituição a que ele(a) pertence 
Prof.(a) Dr.(a) ou Me.(a) Nome Completo do(a) Examinador(a) Instituição a que ele(a) pertence
dedicatória
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO 
2. PERSONAGENS DA RELAÇÃO DE CONSUMO
2.1 CONSUMIDOR. 
2.2 FORNECEDOR
2.3 PRODUTO 
3. OS DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
4. A PROTEÇÃO DA VIDA, SAÚDE E SEGURANÇA. 
5. A PREVENÇÃO E REPARAÇÃO DE DANOS. 
6. A INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. 
7. VÍCIOS DO PRODUTO 
7.1 VÍCIOS DE QUALIDADE DO PRODUTO. 
8. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO. 
8.1 RESPONSABILIDADE DO COMERCIANTE 
9. RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR 
9.1 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA 
10. GARANTIAS DO CONSUMIDOR. 
10.1 GARANTIA LEGAL. 
10.2 GARANTIA CONTRATUAL. 
11. PRAZOS LEGAIS. 
12. OPÇÕES DO CONSUMIDOR. 
13. CONSIDERAÇÕES FINAIS. 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho trata-se de Responsabilidade por Vício oculto do Produto em relação aos veículos seminovos e à obrigação de indenizar o consumidor final. 
O Direito do Consumidor tem origem nas sociedades capitalistas centrais (EUA, Inglaterra, Alemanha e França), sendo que as primeiras legislações protetivas dos direitos dos consumidores surgiram nos EUA, com o pronunciamento de John Kennedy ao Congresso norte americano em 1962. No Brasil, o Direito do Consumidor surgiu em 11 de setembro de 1990, por meio da Lei nº 8.078/90, que assegura o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor e estabelece a boa-fé como princípio basilar das relações de consumo, entre as décadas de 40 e 60, quando foram sancionadas diversas leis e decretos federais legislando sobre saúde, proteção econômica e comunicações. Dentre todas, pode-se citar: a Lei n. 1221/51, denominada Lei de Economia Popular; a Lei Delegada n. 4/62; a Constituição de 1967 com a emenda n. 1/69, que consagrou a defesa do consumidor; e a Constituição Federal de 1988, que trata dos princípios gerais da atividade econômica no Brasil, citando em seu artigo 170, V, que a defesa do consumidor é um dos princípios que devem ser observados no exercício de qualquer atividade econômica e no artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), determina expressamente que o Congresso Nacional elabore o Código de Defesa do Consumidor. Com o crescente poderio econômico das grandes empresas, a massificação dos contratos de adesão impostos pelos fornecedores, a sofisticação dos conhecimentos técnicos e científicos sobre os mais diversificados produtos e serviços, e os riscos à saúde e à segurança que estes eventualmente poderiam oferecer, a relação de consumo passou a representar, uma espécie de vínculo jurídico marcado pelo desequilíbrio entre as partes, o fornecedor e o consumidor em situação de inferioridade técnica e econômica. Diante da vulnerabilidade do consumidor, o legislador passa a incluir na Carta Magna de 1988, pela primeira vez em nossa história constitucional, a defesa do consumidor entre os princípios gerais de Ordem Econômica, no Capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais que “o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor” (art. 5º, XXXII, da CF / 88), isso quer dizer que, o Governo Federal tem a obrigação de defender o consumidor, de acordo com o que estiver estabelecido nas leis. o que diz respeito à superioridade da proteção do consumidor, desbravou-se a promulgação da Carta Magna de 1988 que garantiu a constitucionalidade do princípio norteador da atividade econômica. E então, com o Código de Defesa do Consumidor de 1990, com o vigor de suas normas, em 1991, deu o complemento que faltava para a segurança do consumidor e a comodidade em seus laços comerciais. Além de regular a proteção constitucional do consumidor, o Código de Defesa do Consumidor estabeleceu novos parâmetros entre os que seriam os bons e maus fornecedores na relação de consumo, trazendo a todos os incluídos no sistema de relações sociais, o consumo consciente.
 2. PERSONAGENS DA RELAÇÃO DE CONSUMO
Relação de consumo é aquela em que há o consumidor, o fornecedor e um produto ou serviço que liga um ao outro. Toda relação de consumo deve ter obrigatoriamente três elementos, o elemento subjetivo, que é a relação entre o consumidor e o fornecedor, o objetivo (o produto ou serviço) e finalístico o consumidor deve ser o destinatário final. A relação de consumo pode ser efetiva ou presumida. Efetiva é quando há a transação do objetivo entre consumidor e fornecedor. Presumida é a simples oferta ou publicidade no mercado de consumo. A relação de consumo é, basicamente, o vínculo jurídico, ou o pressuposto lógico do negócio jurídico celebrado de acordo com as normas do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90).
São elementos de uma relação jurídica:
a) Elementos subjetivos: o credor, o devedor e o consensualismo que deve existir entre eles como uma convergência de vontades para que o acordo seja pactuado sem vícios e sem prejuízo de igualdade entre os sujeitos envolvidos;
b) Elementos objetivos: o negócio celebrado entre as partes, como um instrumento para a concretização e formalização do vínculo jurídico, e o bem, seja móvel, imóvel, corpóreo ou incorpóreo, objeto mediato da relação jurídica.
O CDC não apresenta expressamente a definição de relação de consumo, referindo-se apenas aos seus elementos subjetivos e objetivos, o que, por si só, já possibilita o delineamento deste tipo de relação jurídica.
Maria A. Zanardo Donato (1993:70) conceitua a relação de consumo como “a relação que o direito do consumidor estabelece entre o consumidor e o fornecedor, conferindo ao primeiro um poder e ao segundo um vínculo correspondente, tendo como objeto um produto ou serviço”.
Assim, pode-se afirmar que são elementos da relação de consumo:
a) Elementos subjetivos: o consumidor e o fornecedor;
b) Elementos objetivos: o produto ou o serviço.
Para que uma relação jurídica seja caracterizada como uma relação de consumo, é preciso a presença dos elementos subjetivos e de pelo menos um dos elementos objetivos mencionados acima. A falta de qualquer um desses requisitos descaracteriza a relação jurídica de consumo, afastando-a, portanto, do âmbito de aplicação do Código de Defesa do Consumidor.
Com isso, conclui-se que é indiferente o tipo contratual celebrado entre as partes para que uma dada relação jurídica seja, ou não, de consumo, pois não é o negócio jurídico em si que faz incidir as normas do CDC.
São certos elementos essenciais que fazem nascer uma relação de consumo (consumidor / fornecedor e produtos ou serviços), a qual é pressuposto para a aplicação do CDC, independentemente da espécie contratual pactuada pelas partes, como a compra e venda, o seguro, o financiamento, etc.
2.1 CONSUMIDOR
A relação de consumo é o “tripé” formado por consumidor, fornecedor e produto/serviço. Quando constatada, as normas aplicadas são as do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Caso não haja relação de consumo, é aplicado o que está previsto no Código Civil. O dispositivo supracitado refere-se ao conceito de consumidor standard ou em sentido estrito, ou seja, “aquele queretira o produto ou serviço do mercado, usufruindo de modo definitivo sua utilidade.” (Miragem, Bruno – Curso de Direito do Consumidor – pag. 85). “O conceito de consumidor adotado pelo CDC foi exclusivamente de caráter econômico, ou seja, levando-se em consideração tão somente o personagem que no mercado de consumo adquire bens ou então contrata a prestação de serviços, como destinatário final, pressupondo-se que assim age com vistas ao atendimento de uma necessidade própria e não para desenvolvimento de outra atividade negocial.” (ADA PELLEGRINI GRINOVER; ANTÔNIO HERMAN DE VASCONCELLOS E BENJAMIN DANIEL ROBERTO - Código brasileiro de defesa do consumidor) A expressão “destinatário final” irá interferir diretamente no tema pessoa jurídica – consumidora, pois a empresa que adquire um produto ou contrata um serviço para integrar sua cadeia produtiva não será considerada destinatária final. E ainda, será necessária a comprovação da vulnerabilidade da pessoa jurídica para o enquadramento desta no conceito de consumidora previsto no CDC.
Trata-se da adoção pela jurisprudência da Teoria finalista, porém de forma atenuada, mitigada ou aprofundada. O princípio da vulnerabilidade figura como critério determinante do conceito de consumidor e da incidência das normas do CDC, sendo assim não é qualquer dependência de uma das partes numa relação interempresarial que levará a efeito a aplicação das normas do consumerista.
É possível encontrar o conceito de “consumidor” na própria legislação do Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/1990). Assim, existe um conceito material e outros por equiparação:
· Art. 2º, caput, do CDC: “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. 
· Art. 2º, parágrafo único, CDC, traz o conceito de consumidor por equiparação: “a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo”. 
· Outro conceito por equiparação está no art. 17, do CDC, ou seja, todas as vítimas do dano causado pelo fato do produto e do serviço; e
· Por fim, o último conceito por equiparação está no art. 29 do CDC: todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas de comércio e, obviamente, fazem jus à proteção do contrato.
Um detalhe importante para você ficar atento: o art. 2º, caput, do CDC, traz um conceito de consumidor strict sensu (literal). Uma definição em que o consumidor não recoloque o produto ou serviço adquirido no mercado de consumo. Ainda que a lei traga essa previsão, há uma discussão acirrada entre a doutrina e a jurisprudência quanto aos limites para se aplicar a legislação consumerista quando o adquirente é pessoa jurídica. 
2.2 FORNECEDOR
Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. É necessário definir que se caracterizará prestação de serviço quando a prestação for mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista. Ou seja, não resta duvidas no âmbito das relações de consumo que o fornecedor será aquele que desenvolve qualquer tipo de atividade seja na comercialização de produtos ou na prestação de serviços. 
A responsabilidade civil encontra-se no rompimento do equilíbrio patrimonial provocado por um dano, ou seja, é o dever contraído pela parte que provocou o dano a outrem ante a inobservância de uma das obrigações que estabelecem um contrato, de indenizar a parte afetada pelo dano ocorrido trazendo o patrimônio agredido ao estado inicial, compensar a dor sofrida injustamente ou restituição de valores com ou sem indenização (perdas e danos) a depender do caso concreto.
“O atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito a sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo." Prof. Maria Helena Diniz (2002)
Responsabilidade pelo fato defeito do produto e do serviço, excludentes das responsabilidades e responsabilidade sobre vicio do produto e do serviço. Já é sabido que defeito de produto é quando este não apresenta ou oferece à segurança que dele legitimamente se espera, se levando em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: a sua apresentação, o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam e a época em que foi colocado em circulação, conforme preceitua o ART. 12, § 1º do CDC. Logo, quando houver defeito, o fornecedor responderá independentemente da existência de culpa pela reparação dos danos causados aos consumidores sejam decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos - ART. 12 CDC, ou seja, para melhor ilustrar este conceito suponhamos que uma fabricante de carros disponibilizou um modelo y a uma concessionaria sem o manual de instrução, por exemplo, e a concessionaria por sua vez o vendeu ao consumidor e, quando este tenta ligar o carro, acelera-o demasiadamente fundindo o motor. Neste caso o fabricante responderá independentemente da existência de culpa do consumidor, ante a ausência de informações sobre a utilização do produto. A aplicação para o defeito em serviço, só restará configurada quando levada em consideração o modo de seu fornecimento; o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam e a época em que foi fornecido conforme preceitua o ART. 14 § 1ºdo CDC, ressalta-se neste ponto o § 3º do qual ensejam as excludentes da responsabilidade, vejamos:
"§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros." Se observa também a responsabilidade pessoal dos profissionais liberais que será apurada mediante a verificação de culpa.
 
 2.3 PRODUTO
Conceituar produto como sendo um dos objetos da relação de consumo, ou seja, o resultado da produção no mercado de consumo; assim, conforme o legislador, é qualquer bem, móvel (ex.: automóveis) ou imóvel (ex.: apartamentos), material (ex.: joias) ou imaterial (ex.: aplicação de renda fixa, software).
Importante para a exata compreensão do termo produto e da classificação em bem móvel e imóvel, estampada no dispositivo legal, se faz o diálogo com o Código Civil, notadamente os seus art. 79 e 82, por meio dos quais complementamos o sentido de bens imóveis como sendo o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente, e os bens móveis como os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
Apesar de o Código Civil diferenciar o que seja produto como objeto de uma relação jurídica, optou o legislador amparado da doutrina dos juristas que criaram o anteprojeto do CDC que o termo produto tem um sentido econômico e social mais adequado a ponto de diferenciar a relação de consumo da civilista, dando a abrangência de sinônimo com o termo bem estampado no CC/2002.
A definição do que seja produto ainda encontra reflexo direto no artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor, que, ao tratar da garantia legal, estabeleceu importante conceituação e classificação do termo produto como sendo durável e não durável, o que traz uma consequência direta na diferenciação posta, qual seja: o prazo da garantia legal.
O bem de consumo durável é aquele que não se extingue com o uso, podendo ser utilizado inúmeras vezes antes de perder a sua funcionabilidade, não se podendo dizer, entretanto, que durará para sempre, uma vez que há um desgaste natural que faz com que o bem durável perca suas características iniciais ao longodo tempo. 
O desgaste natural de peças de produtos duráveis não implica qualquer responsabilidade ao fornecedor, ou seja, não se trata de vício do produto o fato de termos que trocar componentes de tempos em tempos de acordo com o seu desgaste natural, nada obstante, se a peça apresentar algum vício ou tiver o fornecedor garantido o seu funcionamento por um período maior de tempo, haverá a responsabilidade do fornecedor. Já o produto não durável é aquele que se extingue com o uso, não ofertando durabilidade através de sua utilização, a exemplo dos alimentos, das bebidas, dos remédios, ou seja, o produto se extingue enquanto é utilizado.
 3. OS DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR 
Direito à Vida, Saúde e Segurança: Esse direito assegura que os produtos e serviços colocados no mercado não podem acarretar riscos à saúde ou segurança dos consumidores. Dessa forma, os fornecedores de produtos potencialmente perigosos devem informar ostensivamente aos consumidores todos os riscos advindos do uso do produto;
Direito à educação, liberdade de escolha e informação adequada: A educação para consumo tem como finalidade aconselhar o consumidor com relação ao uso adequado dos produtos e serviços solicitados; A informação deve ser adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; A liberdade de escolha garante para que ele possa ter acesso a diversos produtos ou serviços em sua busca no mercado. Pois, sem essa hipótese, não há o que escolher. Esse direito garante ao consumidor a possibilidade da existência de variedades de opões disponíveis no mercado de produtos/serviços, para melhor escolha desejada.
Direito à proteção contra publicidade enganosa e abusiva: A publicidade deve ser veiculada de forma que o consumidor a identifique imediatamente como tal. Além disso, caso o produto/serviço vendido não corresponda com o prometido pela publicidade, o consumidor tem direito à devolução ou cancelamento do contrato;
Direito à proteção contratual: de acordo com o CDC, são nulas as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. Ou seja, quando fornecedor e consumidor firmam um contrato nestes termos, o consumidor pode pedir a anulação das cláusulas abusivas ou até mesmo cancelar o contrato.
Direito à prevenção e reparação de danos: Quanto à prevenção de danos, o Código refere-se às atividades que devem ser adotas pelo fornecedor, como também pelos órgãos públicos responsáveis, exemplo: atividade fiscalizadora do Instituto de Pesos e Medidas e dos órgãos de vigilância sanitária; quanto a reparação dos danos, o Código traz uma garantia ao consumidor para haver indenização pelos danos sofridos, evitando prejuízos.
Direito à facilitação de acesso à Justiça: Esse direito assegura ao consumidor quando há uma violação dos seus direitos, deverá existir sempre a possibilidade de recorrer ao judiciário ou a outros órgãos de proteção ao consumidor. Assim, o acesso à justiça é um dos direitos básicos que permite a correção dos direitos violados. Além do acesso à justiça, o CDC assegura que deve haver uma facilitação da defesa dos direitos do consumidor como, por exemplo, no caso de inversão do ônus da prova. Esse cenário de inversão de ônus da prova é visualizado quando o sujeito que deve provar a ausência de culpa é o fornecedor e não o comprador, logo, o consumidor não necessariamente precisa provar a culpabilidade no primeiro momento, pois é o fornecedor que deve que não violou os direitos do consumidor.
Direito ao serviço público eficaz: O consumidor deve ter acesso a um serviço público adequado e eficaz. Nesse sentido a lei reforça o dispositivo constitucional e ressalta a necessidade de eficiência dos serviços públicos.
 4. A PROTEÇÃO DA VIDA, SAÚDE E SEGURANÇA
A dignidade da pessoa humana – e nesse contexto diga-se também do consumidor –, é garantia fundamental que ilumina todos os demais princípios e normas que a ela devem respeito dentro do sistema constitucional. Desse modo, a dignidade garantida no caput do artigo 4º do CDC está relacionada diretamente àquela estabelecida pela Carta Maior (art. 1º, III): “Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo (…)”
Seguindo assim, a proteção à vida, saúde e segurança são direitos advindos do princípio maior da dignidade, uma vez que a dignidade da pessoa humana se presume um piso vital mínimo (mínimo existencial).
O artigo 6º, inciso I, do Código de Defesa do Consumidor prevê “a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos”, ou seja, o fornecedor não pode colocar no mercado de consumo, produto ou serviço que apresente alto grau de risco à saúde ou segurança das pessoas. Sendo obrigatório ao fornecedor informar quando o produto ou serviço representar uma ameaça ao consumidor. Os produtos e serviços devem trazer todas as informações adequadas, claras e em destaques sobre seus riscos, além da correta forma de utilização. Ainda de acordo com Código de Defesa do Consumidor – CDC, caso o fornecedor venha a ter conhecimento da existência de defeito após a inserção desses produtos ou serviços no mercado, é sua obrigação comunicar o fato imediatamente às autoridades e aos consumidores, adotando as providencias necessárias, a fim de comunicar o fato ao público. Devendo ainda, o fornecedor retirar referidos produtos de comercialização.
Caso o consumidor seja prejudicado por ter adquirido um produto ou serviço por falta dessas informações básicas e obrigatórias, poderá buscar a proteção de seus direitos ou de acordo com a gravidade de cada situação pode também buscar indenização pelo prejuízo/dano sofrido.
 5. A PREVENÇÃO E REPARAÇÃO DE DANOS. 
É direito básico do consumidor a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos. O Código de Defesa do Consumidor tutela a prevenção de danos, mas, na hipótese de prejuízo, garante a integral indenização, de forma a ressarcir ou compensar o consumidor. De acordo com o art. 6º, inciso VI do CDC, é garantido ao consumidor: "a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos".
A reparação de danos deve se pautar tanto no prejuízo sofrido pelo consumidor (seja material ou moral), como também deverá revelar seu caráter punitivo e pedagógico em relação ao fornecedor, evitando-se a prática das mesmas condutas ilícitas reiteradas vezes. Quanto à efetiva prevenção, está se verifica pelas inúmeras determinações contidas na Lei Consumerista sendo explicitamente preocupada e protetiva para com o consumidor e de intensa prudência, observância, precaução e vigilância para com os fornecedores e seus meios e intentos de lançar produtos e serviços no mercado de consumo.
Ainda assim, evidente que todas as medidas de prevenção disseminadas pelo legislador não são suficientes para evitar danos decorrentes da relação de consumo, sendo que para tais circunstâncias a reparação deve observar os mesmos critérios de amparo e facilitação à parte considerada mais vulnerável na relação de consumo, com a aplicação da responsabilidade civil objetiva do fornecedor, que responderá independentemente de culpa pelos danos causados ao consumidor.
6. A INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. 
A inversão do ônus da prova é medida excepcional que não deve ser banalizada, aplicando-se somente quando verificada a dificuldade ou impossibilidade de o consumidor demonstrar, pelos meios ordinários, a prova do fato que pretende produzir, não podendo ser considerada como princípio absoluto. A inversão do ônus da provadescrita no art. 6, inciso VIII, da Lei 8.078/90 constituiu um dos mais importantes instrumentos de que dispõe o juiz para observando o contraditório e a ampla defesa equilibrar a desigualdade existente entre os litigantes. O primeiro aspecto a analisar é a origem da palavra “ônus” vem do latim onus que é sinônima de encargo, obrigação. E, “prova” vem do latim probatio que significa aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de algo. A expressão originária do latim é o onus probandi, querendo assim significar que aquele que tem o ônus de provar. 
em nosso ordenamento jurídico que o ônus da prova, cabe ao autor provar o fato constitutivo de seu direito, de acordo com o artigo 333, inciso I. E, de outro lado, incumbe ao réu demonstrar a existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do autor conforme preceitua o mesmo artigo, no inciso II, ambos do Código de Processo Civil - CPC.
No entanto, em decorrência da reconhecida vulnerabilidade e hipossuficiência do consumidor frente à capacidade técnica e econômica do fornecedor, a regra sofre uma “flexibilização”, a fim de criar uma igualdade no plano jurídico.
Assim, quando à questão envolve a relação de consumo, o CDC é o ponto de partida, aplicando-se, de forma subsidiária, as regras contidas no CPC, em seus artigos 332 a 443, de maneira que não contrariem as disposições protecionistas do consumidor.
Em tal contexto, a inversão do ônus da prova ocorre com objetivo de facilitar a defesa dos direitos do consumidor e, por via reflexa, garantir a efetividade dos direitos do individuo e da coletividade na forma dos artigos 5, inciso XXXII e 170, inciso IV, ambos da CF/88. Cabe ao juiz assegurar a igualdade entre as partes no plano jurídico. Para tanto, o magistrado possui ampla liberdade no momento de apreciação dos requisitos legais para deferir ou não a medida, conforme dispõe o art.131, do CPC. Logo, se concluir pela presença dos requisitos (verossimilhança das alegações do consumidor ou a sua hipossuficiência), será seu dever ordená-la. Contudo, se tais requisitos lhe parecem ausentes, indeferirá a inversão. A verossimilhança o seu significado é mister observar o princípio da razoabilidade, devendo prevalecer o bom senso do juiz na hora da decisão, haja vista a amplitude da definição, transitar na esfera do provável, e não do absolutamente verdadeiro, deve ser compreendida como algo plausível e convincente ao passo de serem analisadas sob as regras da experiência do juiz. Com objetivo de elucidar qualquer dúvida que porventura ainda possa existir a respeito do conceito: 
“A verossimilhança se assenta num juízo de probabilidade, que resulta, por seu turno, da análise dos motivos que lhe são favoráveis (convergentes) e dos que lhe são desfavoráveis (divergentes). Se os motivos convergentes são inferiores aos divergentes, o juízo de probabilidade cresce; se os motivos divergentes são superiores aos convergentes, a probabilidade diminui. ” Carlos Roberto Barbosa Moreira
A hipossuficiência aqui não se refere simplesmente aquela envolvendo dinheiro, mas sim, quanto ao conhecimento das normas técnicas e à informação.
“A hipossuficiência, que é um conceito próprio do CDC, relaciona-se à vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. Não é uma definição meramente econômica, conforme parte da doutrina tentou inicialmente cunhar, relacionando-a ao conceito de necessidade da assistência judiciária gratuita. Trata-se de um conceito jurídico, derivando do desequilíbrio concreto em determinada relação de consumo. Num caso específico, a desigualdade entre o consumidor e o fornecedor é tão manifesta que, aplicadas as regras processuais normais, teria o autor remotas chances de comprovar os fatos constitutivos de seu direito. As circunstâncias probatórias indicam que a tarefa probatória do consumidor prejudicado é extremamente difícil. ” Paulo de Tarso Sanseverino
O momento processual da inversão do ônus da prova é um tema polêmico. Tal assunto vem provocando acirrados debates doutrinários e jurisprudenciais, uma vez que a lei foi omissa quanto ao momento exato de deferir ou não a medida.
Após os debates surgiram três correntes:
A primeira, defendida por Kazuo Watanabe, Nelson Nery Júnior, Ada Pellegrini Grinover entre outros, admitem a inversão do ônus da prova por ocasião da sentença, fundamentando que se trata de regras de julgamento, competindo ao juiz inverter o ônus da prova após o término da instrução e por ocasião em que o juiz for proferir a sentença;
A segunda, sustentada por Tania Liz Tizzoni Nogueira4 considera que, “o autor consumidor deverá já na inicial requerer a inversão do ônus e, desta forma a fase processual em que o juiz deverá se manifestar sobre a questão será no ato do primeiro despacho, que não se trata de mero despacho determinante da citação, mas de decisão interlocutória, passível portanto de recurso de agravo. Tal proceder irá propiciar a defesa dos direitos do consumidor de forma ampla, de acordo com o espírito do CDC, uma vez que em não sendo concedida a inversão poderá o consumidor agravar da decisão interlocutória, e ser então revista a decisão”;
A terceira, defendida por José Carlos Barbosa Moreira, Teresa Arruda Alvim, Humberto Theodoro Júnior entre outros, entendem como momento processual adequado para a inversão do ônus probandi, o despacho saneador, no qual o magistrado, saneando o processo, no intuito de que o mesmo possa prosseguir de forma regular, livre de vícios ou qualquer questões que venham obstar a análise do mérito da causa, colocando em ordem o processo e, consequentemente, determinando as providências de natureza probatória.
7. VÍCIOS DO PRODUTO 
O vício do produto, previsto no artigo 18, caput, do Código de Defesa do Consumidor, abrange os vícios aparentes e de fácil constatação, ocultos e também os produtos que estejam em desacordo com normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação. Nesses casos, a responsabilidade dos fornecedores será solidária. 
Pode ser considerado também com vício um produto que tenha um problema que faça diminuir seu valor (um carro zero quilômetro que venha com alguns arranhões).
Do mesmo modo, possuem vício de qualidade os produtos impróprios para o uso e consumo, como os produtos com prazo de validade vencida, deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados e em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação e os nocivos à vida, à saúde e os perigosos, desde que a periculosidade não lhes seja inerente e respeitada a informação ao consumidor, conforme foi observado em tópico anterior.
Há vício de qualidade do serviço quando ele for impróprio, ou seja, toda vez que se mostre inadequado para os fins que razoavelmente dele se espera, não atinja sua finalidade, bem como quando não atendam as normas regulamentares de prestabilidade (art. 20, § 2º, CDC). O vício de qualidade do serviço também pode diminuir-lhe o valor, ocorrendo também quando houver disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária (art. 20, CDC). Também é considerado vício, mas de quantidade, o produto com o conteúdo líquido inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza (art. 19, CDC).
7.1. VÍCIOS DE QUALIDADE DO PRODUTO. 
São considerados vícios as características de qualidade ou quantidade que tornem os produtos ou serviços impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam e também que lhes diminuam o valor. Os artigos 18 e 19 do CDC asseguram que a responsabilidade pelos vícios de qualidade ou quantidade, que tornem os produtos duráveis ou não duráveis, impróprios ou inadequados ao consumo, são solidariamente do fornecedor. São consideráveis com vício, produtos com diferença das indicações do recipiente, embalagem, rotulagem ou publicidade. Para os produtos in natura (ex. alimentos retirado diretamente de plantas ou de animais, sem sofrerem alterações,como ovos), o comerciante será responsável, a não ser quando o produtor é identificado.
São considerados impróprios para consumo, os produtos que estão fora do prazo de validade, deteriorados, falsificados, corrompidos, que sejam nocivos à vida ou à saúde, ou que se revelem inadequados.
Caso qualquer uma dessas infrações sejam detectadas e o vício não seja resolvido no prazo de trinta (30) dias, o consumidor tem o direito de pedir a substituição do produto por outro da mesma espécie e em perfeitas condições; ou então a substituição da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço.
O Art. 20 especifica que a responsabilidade de vícios em serviços prestados, também é do fornecedor. São considerados impróprios, os serviços que se mostrem inadequados ou que não atendam as normas regulamentadas. Nesses casos, o consumidor pode exigir a reexecução dos serviços sem custo adicional, o abatimento proporcional do preço ou a restituição da quantia paga.
Em serviços com o objetivo de reparação de qualquer produto, é obrigação do fornecedor ter os materiais necessários para reposição e que sejam originais, adequados e novos ou que sigam as especificações técnicas do fabricante. Ainda que o fornecedor desconheça o vício encontrado no produto, é sua responsabilidade solucionar o problema da melhor maneira possível. Em caso contratual para prestação de serviços, é proibido qualquer cláusula que impossibilite ou atenue a obrigação de indenizar o consumidor.
8. RESPONSABILIDADE PELO VÍCIO DO PRODUTO
A regra geral de responsabilidade do fornecedor é objetiva, já que responderá independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados ao consumidor.
Os doutrinadores BENJAMIN, MARQUES e BESSA (2008, p.4), nos esclarece o motivo pelo qual o Código de Defesa do Consumidor tenha adotado essa espécie de responsabilidade:
“A sociedade de consumo, com seus produtos e serviços inundados de complexidade tecnológica, não convive satisfatoriamente com um regime de responsabilidade civil baseado em culpa. Se é relativamente fácil provar o prejuízo, o mesmo não acontece com a demonstração da culpa. A vítima tem à sua disposição todos os meios de prova, pois não há, em relação à matéria, limitação alguma. Se, porém, fosse obrigada a provar, sempre e sempre, a culpa do responsável, raramente seria bem sucedida na sua pretensão de obter o ressarcimento”.
Essa espécie de responsabilidade privilegia o consumidor, que sempre se encontra em uma situação de vulnerabilidade. Entretanto, não significa dizer que o consumidor que tenha sofrido um dano em decorrência de um produto ou serviço não tenha nada que provar. Deverá este comprovar apenas o dano e o nexo de causalidade entre este e o produto ou serviço, ou seja, é necessário provar que efetivamente existe o dano e que este dano foi gerado em decorrência do produto ou serviço.
A exceção à responsabilidade objetiva é a responsabilidade dos profissionais liberais, conforme dispõe o art. 14, § 4º do Código de Defesa do Consumidor: “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa”. A partir deste dispositivo, conclui-se que a responsabilidade dos profissionais liberais, tais como: médico, dentista e advogado, será apurada mediante verificação de culpa. Será imprescindível que haja a inobservância de algum dever de diligência, ou seja, que esse profissional tenha atuado com imprudência, negligência ou imperícia.
De acordo com FILHO (2008, p.494), a exclusão dos profissionais liberais da regra geral da responsabilidade objetiva se justifica por que:
“A atividade dos profissionais liberais é exercida pessoalmente, a determinadas pessoas (clientes), intuitu personae, na maioria das vezes com base na confiança recíproca. Trata-se, portanto, de serviços negociados, e não contratados por adesão. Sendo assim, não seria razoável submeter os profissionais liberais à mesma responsabilidade dos prestadores de serviço em massa, empresarialmente, mediante planejamento e fornecimento em série. Em suma, não se fazem presentes na atividade do profissional liberal os motivos que justificam a responsabilidade objetiva dos prestadores dos prestadores de serviços em massa”.
Destarte, o Código adotou como regra, a responsabilidade objetiva, cabendo o ônus da prova ao fornecedor. E como exceção a responsabilidade subjetiva, somente nos casos de profissionais liberais, quando então o ônus da prova compete ao consumidor.
O regime de responsabilidade estabelecido pelo Código de Defesa do Consumidor é regido por dois vetores distintos, quais sejam: responsabilidade pela ocorrência de um fato e responsabilidade pelo surgimento de um vício. Portanto, faz-se imprescindível distinguir o que seja a responsabilidade pelo fato e a responsabilidade pelo vício do produto ou do serviço. Quanto ao vício, este se encontra relacionado à qualidade ou quantidade do produto ou do serviço. Nesse caso, haverá responsabilidade quando for infringido o dever de adequação, ou seja, o produto ou serviço não encontra-se adequado ao fim a que se destina, frustrando assim a expectativa do consumidor. Essa responsabilidade tem natureza intrínseca, pois recai apenas sobre o produto ou serviço.
O caput do art. 18 do Código de Defesa do Consumidor estabelece:
“Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor [...]”.
Percebe-se que o legislador deu uma noção mais ampla ao vício, alcançando não somente os vícios ocultos, mais os aparentes e de fácil constatação, bem como produtos que estejam em desacordo com normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação.
O professor Gabriel (2008, p.209), de forma simples e objetiva, nos diferencia o vício de qualidade para o vício de quantidade:
“Vício de qualidade diz respeito ao funcionamento do produto ou do serviço propriamente dito, tornando-os impróprios ou inadequados ao consumo, ou ainda lhes diminuindo o valor. Exemplo: data de validade vencida. E vício de quantidade diz respeito à qualidade de produto ou serviço ofertado e o efetivamente entregue e não correspondente, pode ser: no recipiente ou na embalagem; no rótulo; na publicidade; na apresentação; na oferta; no contrato; na consulta efetuada pelo consumidor”.
Após a verificação do vício de qualidade, o consumidor terá três possibilidades para o seu ressarcimento, conforme explana o art. 18, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor, quais sejam:
§ 1º - “Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
I- a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
II- a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
III- o abatimento proporcional do preço”.
A responsabilidade por vícios não gera, como observado, indenização pecuniária por danos causados aos consumidores, a despeito do que ocorre na responsabilidade pelo fato. Nessa modalidade, a própria lei de proteção já define as alternativas de ressarcimento, sempre à escolha do consumidor.
O Superior Tribunal de Justiça entende que após a ciência do vício ao fornecedor, deverá ser observado o lapso temporal de trinta dias, para que o consumidor possa pleitear o seu direito. Quanto ao vício por quantidade, o art. 19 do Código de Defesa do Consumidor, inclui uma possibilidade extra, que é a complementação do peso ou medida.
Diferentemente da responsabilidade pelo fato, o Código de Defesa do Consumidor estabeleceu um prazo decadencial para o exercício de direitos decorrentes de vícios por qualidade e quantidade. Em se tratando de vício de fácil constatação, o art. 26, I e II do CDC descreve que:
“O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em: I- trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produto não duráveis; II- noventa dias, tratando-sede fornecimento de serviço e de produtos duráveis”.
Produtos não duráveis são aqueles em que há o perecimento da coisa pelo uso ou pelo tempo. Exemplo: Alimentos e Bebidas. Enquanto produtos duráveis são aqueles em que se perpetuam no tempo e não são suscetíveis de perecimento pelo uso ou pelo tempo. Exemplo: Televisão, celular, eletrônicos em geral.
8.1 RESPONSABILIDADE DO COMERCIANTE 
Ao se afirmar que o comerciante só é responsável, em caso de problema no produto comercializado, de forma subsidiária, depois do fabricante. Entendo que essa visão é absurda, pelos motivos expostos a seguir.
Em primeiro lugar, é importante distinguir "vício de produto" de "defeito de produto", pois na legislação consumerista esses conceitos são diferentes do que adotamos no cotidiano, causando equívocos:
Quando se fala em vício de produto diz respeito a um problema inerente ao produto ou serviço. Trata-se de falha ou inadequação no produto que lhe diminui o valor ou funcionalidade, ou seja, é algo referente à sua qualidade. Nesse caso, a responsabilidade do comerciante é solidária, conforme artigos 3°, 7° e 18 do Código de Defesa do Consumidor (sendo esse, inclusive, o entendimento reiterado dos tribunais).
Vejamos que o art. 18 do CDC indica que os "fornecedores" têm responsabilidade solidária pelos vícios dos produtos:
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
Mas quem seriam esses "fornecedores"? A resposta está no art. 3° do CDC. Observa-se que esse conceito de fornecedor é bem amplo, não se tratando apenas do fabricante, mas incluindo aquele que distribui ou comercializa o produto (ou seja, o comerciante é um fornecedor também, como não poderia deixar de ser):
Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
Por fim, o art. 7°, em seu parágrafo único, reitera a solidariedade em caso de prejuízo ao consumidor:
Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia, costumes e equidade.
Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo.
Portanto, que quando se fala em vício de produto não resta a menor dúvida que o comerciante é solidariamente responsável. Nem poderia ser de outro modo, afinal é o comerciante que está em contato mais próximo com o consumidor final. Como não poderia ser responsável pelo que vende? Assim não fosse, estaria o comerciante habilitado para, impunemente, empurrar qualquer mercadoria para o consumidor, até mesmo danificada, podendo entregar produtos com especificações diferentes do pedido do consumidor. Isso não seria justo, nem ético, nem lógico. Provavelmente a confusão venha realmente do significado da expressão "vício de produto", que não é utilizada na prática, onde apenas se fala em "defeito".
Nesse sentido, é importante destacar que, quando o CDC se refere a defeito de produto, trata-se de algo complementar à existência do vício, algo que vem a ocasionar situação que se refere à segurança do consumidor. Refere-se a fato do produto, à existência de um vício acrescido de dano ao consumidor, dano esse que pode ser material, moral ou mesmo estético. É nesse caso que a responsabilidade do comerciante é subsidiária ou substituta. Consideremos os artigos 12 e 13 do CDC a respeito:
Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.
Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:
I - O fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;
II - O produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;
III - Não conservar adequadamente os produtos perecíveis.
Em caso de vício de produto o comerciante é igualitariamente responsável com o fabricante, já que ele que comercializou o produto com problema, eventualmente até ciente disso. E essa responsabilidade solidária assume grande importância até mesmo para que o comerciante procure adquirir produtos de qualidade, ao invés de empurrar qualquer coisa para o consumidor e ele que se vire com o fabricante em caso de alguma inadequação.
Porém, se o vício do produto causa um dano ao consumidor, seja em decorrência de seu uso, seja em virtude de um erro de fabricação, da inadequação do produto para o fim indicado, por problemas decorrentes do material utilizado, etc., aí faz todo sentido que o comerciante não seja solidariamente responsável. Afinal, ele não teria a obrigação de deter todo o conhecimento técnico e de projeto dos produtos que comercializa, tendo que confiar na reputação dos fabricantes. Além disso, normalmente os casos de defeito não decorrem de dolo, de má-fé, mas de mera culpa. Porém, não seria justo o consumidor assumir esse risco. É por isso que, na ausência de identificação do fabricante culpado, é o comerciante que deve responder perante o consumidor prejudicado em caso de defeito de produto.
9. RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR 
A responsabilidade civil é um fato jurídico, decorrente de uma violação de um dever jurídico originário, que cause danos na esfera patrimonial ou extrapatrimonial a outrem. Importa dizer que o ato que ocasionar o instituto da responsabilidade civil é um ato jurídico capaz de produzir consequências jurídicas. Sua função inspira-se no conceito rupestre de justiça existente no pensamento humano.
Entrementes, os fatos jurídicos voluntários, decorrentes de condutas humanas, tangenciam o nascimento ou não da responsabilidade civil, que decorre de um ato ilícitoque provoque lesão de caráter material ou moral.
O conceito de ato ilícito possui grande relevância. Foi pela obra dos pandectistas alemães do século XIX, que se deu o abandono a classificação romanista de delito e quase-delito e em seu lugar adotou-se o conceito único de ato ilícito. Neste compasso, o ato ilícito pode ser entendido por um ato que descumpre uma obrigação originária.
Destarte, para que haja a responsabilidade civil não basta que a conduta humana seja um ato ilícito, esta deve causar dano a algo, pessoa ou coisa, para que então, possa nascer ao ofendido, o direito de ser ressarcido da sua lesão, patrimonial ou extrapatrimonial.
Dependendo de onde provém a conduta violadora do dever jurídico e seu elemento subjetivo, a responsabilidade civil pode ser dividida em diferentes espécies. In casu, os holofotes estão direcionados a relação de consumo, como a norteadora das consequências jurídicas dos atos ilícitos.
Dentro do código consumerista, que irá dirimir sobre a responsabilização civil nas relações de consumo, se encontram os conceitos das partes envolvidas nessa relação, o consumidor e o fornecedor, que serão partes na relação jurídica processual.
Entende-se ser consumidor toda pessoafísica ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, art. 2º do Código do Consumidor. Sobre o tema se manifestou o Superior Tribunal de Justiça:
“Direito do Consumidor. Recurso especial. Conceito de consumidor. Critério subjetivo ou finalista. Mitigação. Pessoa Jurídica. Excepcionalidade. Vulnerabilidade. Constatação na hipótese dos autos. Prática abusiva. Oferta inadequada. Característica, quantidade e composição do produto. Equiparação (art. 29). Decadência. Inexistência. Relação jurídica sob a premissa de tratos sucessivos. Renovação do compromisso. Vício oculto. - A relação jurídica qualificada por ser "de consumo" não se caracteriza pela presença de pessoa física ou jurídica em seus polos, mas pela presença de uma parte vulnerável de um lado (consumidor), e de um fornecedor, de outro.- Mesmo nas relações entre pessoas jurídicas, se da análise da hipótese concreta decorrer inegável vulnerabilidade entre a pessoa-jurídica consumidora e a fornecedora, deve-se aplicar o CDC na busca do equilíbrio entre as partes. Ao consagrar o critério finalista para interpretação do conceito de consumidor, a jurisprudência deste STJ também reconhece a necessidade de, em situações específicas, abrandar o rigor do critério subjetivo do conceito de consumidor, para admitir a aplicabilidade do CDC nas relações entre fornecedores e consumidores-empresários em que fique evidenciada a relação de consumo. – São equiparáveis a consumidor todas as pessoas, determináveis ou não, expostas às práticas comerciais abusivas. Não se conhece de matéria levantada em sede de embargos de declaração, fora dos limites da lide (inovação recursal). Recurso especial não conhecido.”
Equipara-se a consumidor ainda (1) a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo, art. 2º todas as vítimas do evento danoso pelo fato do produto ou serviço, art.17; e todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas comerciais previstas no Código consumerista, art. 29.
O conceito de fornecedor por sua vez, encontra-se descrito no caput do art. 3º do Código do Consumidor, sendo toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.
GONÇALVES aponta que o conceito de fornecedor possui liame com a atividade habitual empresarial:
“Observe-se que a lei se refere a fornecedor como aquele que desenvolve “atividade” de produção, montagem, comercialização etc., mostrando que é a atividade que caracteriza alguém como produtor. Ora, atividade significa não a prática de atos isolados, mas a de atos continuados e habituais.
Assim, não é considerado fornecedor quem celebra um contrato de compra e venda, mas aquele que exerce habitualmente a atividade de comprar e vender. Assim como não é fornecedor quem vende a sua casa ou seu apartamento, mas o construtor que exerce a atividade de venda dos imóveis que constrói, habitual e profissionalmente.
O conceito de fornecedor está, assim, intimamente ligado à ideia de atividade empresarial. Desse modo, continua regida pelo Código Civil a compra e venda de carro usado entre particulares, inserindo-se, porém, no âmbito do Código de Defesa do Consumidor a compra do mesmo carro usado efetuada perante uma revendedora. ”
9.1 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E SUBSIDIÁRIA 
A responsabilidade solidária é aquela em que o credor, ele pode exigir de um ou de todos os devedores ao mesmo tempo a completude da obrigação devida, do débito devido. A responsabilidade subsidiária é aquela que o ordenamento jurídico impõe ao credor o respeito ao benefício de ordem dos devedores. Então, primeiro o credor ele tem que direcionar o processo em desfavor a uma determinada pessoa e somente quando exaurido todos os meios legais o comando da execução vai ser direcionado ao segundo responsável que, no caso, é o responsável subsidiário. A principal diferença existente entre a responsabilidade solidária e a subsidiária é justamente a questão do benefício de ordem quanto ao cumprimento da obrigação
Responsabilidade solidária havendo pluralidade de devedores, o credor pode cobrar o total da dívida de todos ou apenas do que achar que tem mais probabilidade de quitá-la. A dívida não precisa ser cobrada em partes iguais para cada um. Todos os devedores são responsáveis pela totalidade da obrigação. O devedor que pagar o total deve receber dos demais a parte que pagou por eles. Esse tipo de responsabilidade não pode ser presumido, suas hipóteses estão previstas em lei, ou podem ser pactuadas entre as partes em contratos ou outros tipos de negociações. 
 A responsabilidade subsidiária tem caráter acessório ou suplementar. Há uma ordem a ser observada para cobrar a dívida, na qual o devedor subsidiário só pode se acionado após a dívida não ter sido totalmente adimplida pelo devedor principal.
 Além da previsão no Código Civil, ambos os institutos jurídicos estão previstos no Código de Defesa do Consumidor-CDC, na Consolidação das Leis Trabalhistas-CLT e em outras normas do nosso ordenamento jurídico.
Código Civil - Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Das Obrigações Solidárias
Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda.
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.
Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.
Código Tributário Nacional - Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.
Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato:
I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade;
II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.
Código de Defesa do Consumidor - Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990.
Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.
§1°(Vetado).
§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.
§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.
§4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores.
10. GARANTIAS DO CONSUMIDOR 
O tempo de garantia legal (prevista no Código de Defesa do Consumidor – CDC) para produtos e serviços poderá passar a ser contado ao fim do prazo de garantia contratual (firmada no momento de aquisição do bem ou serviço), nos casos em que o cliente optar por essa cobertura complementar.
Atualmente, o CDC estabelece prazo de 30 dias para o consumidor reclamar por problemas aparentes em serviços e produtos não duráveis e 90 dias para os duráveis. Esse é o período da garantia legal, obrigatória, a ser concedida pelo fornecedor.Chamado de prazo decadencial, começa a ser contado a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução do serviço. 
“Diversamente do que ocorre com a garantia legal contra vícios de adequação, a legislação não estabelece critério para o consumidor reclamar a garantia contratual, gerando inúmeros conflitos na relação de consumo”, observa Amorim na justificação do projeto. 
“Em outras palavras, o início da contagem do prazo de decadência para a reclamação de vícios de fácil constatação do produto se dá após o encerramento da garantia contratual”, sintetiza Berger no parecer.
Para entender como a garantia funciona, é necessário antes conhecer os tipos de produtos e serviços abrangidos por ela. Isso porque o regulamento é diferente para cada um deles. Entenda:
bens duráveis: são aqueles utilizados por um longo período de tempo, com pouco ou nenhum desgaste. Eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, automóveis e móveis são exemplos de produtos duráveis. Já entre os serviços duráveis, podemos considerar um implante dentário ou a pintura de uma casa como exemplos;
bens não duráveis: esses são totalmente consumidos em pouco tempo após a compra, como sabonetes ou cremes dentais e de barbear, ou imediatamente, como alguns alimentos. Entre os serviços não duráveis estão aqueles que são realizados constantemente: cortes de cabelo, serviços de faxina, lavanderia e lavagem de carros, por exemplo;
produtos essenciais: são produtos relacionados às necessidades básicas humanas. O CDC entende que a demora no reparo desses produtos prejudica atividades diárias essenciais, mas não cita exemplos. Por isso, podem depender da interpretação.
Uma coisa é a chamada garantia de fábrica de um carro. Essa garantia é dada pela fabricante do automóvel para cobrir problemas mecânicos do veículo. Normalmente, carros usados não têm mais a garantia pois já passou o período. Veículos seminovos ainda podem ter.
No entanto, essa não é a única garantia que existe. Existe a garantia de venda, que toda loja deve fornecer ao consumidor. Nessa, não importa se o veículo é usado ou não, o cliente tem direito a garantia prevista em lei.
Essa garantia está garantida no Código de Defesa de Consumidor. Ela afirma que o consumidor tem uma garantia automática de 90 dias a partir da data da compra em que o vendedor é o responsável por fornecer as opções para resolver o problema do consumidor, caso exista. Vale lembrar, claro, que isso só vale em caso de compra em concessionária ou loja, já que vendedor pessoa física não é obrigado a dar garantia.
O consumidor tem todo o direito à documentação do automóvel antes de comprá-lo, seja para verificar dados, seja para montar o contrato de compra e venda e garantir que não há nada de errado com o veículo.
Dentre a documentação que o consumidor tem direito a exigir, estão:
Certificado de transferência preenchido, datado e com firma reconhecida para garantir que está tudo certo e o automóvel foi realmente transferido para o nome dele;
Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos;
Comprovante de pagamento do IPVA, já que essa é uma obrigatoriedade do atual dono do automóvel.
Caso um desses documentos não seja fornecido, o consumidor pode abrir mão do negócio a qualquer momento, estando isento de multas ou compromissos que estavam no contrato de compra e venda firmado entre comprador e vendedor. Uma dica é sempre exigir esse direito, pois é a forma mais segura de negociar com vendedores pessoa física, que são os que oferecem maior risco para os compradores.
Se algo der errado com a compra de um carro usado em uma concessionária ou loja, o consumidor ganha algumas opções. A primeira delas é aquilo que já falamos: a empresa tem 30 dias para arrumar o problema, seja ele qual for.
Caso esses 30 dias passem e a empresa não conserte o problema, então o consumidor passa a ter várias outras opções, incluindo cancelar a compra, receber parte do dinheiro de volta ou trocar o veículo.
A primeira opção é a mais fácil de entender: o consumidor simplesmente cancela a compra e recebe seu dinheiro, corrigido, da concessionária, devolvendo o carro para ela.
A segunda opção consiste em o consumidor receber o dinheiro equivalente à peça com defeito de volta, para comprar e consertar o problema ele mesmo.
Por fim, a terceira opção consiste na loja oferecer um modelo igual ou equivalente para o consumidor, de modo que ele não saia prejudicado do fato que a empresa não cumpriu com o determinado em lei.
O não cumprimento dessa diretriz abre margem para um processo pesado por parte do consumidor, com direito a indenização por danos morais.
Pronto! Esses são alguns dos direitos do consumidor para quem compra carro usado. Lembre-se de que não é porque o automóvel é usado que o consumidor não tem direitos. Claro, ele não terá a garantia de fábrica (possivelmente), mas ainda tem a garantia da loja, que é obrigatória por lei, mesmo que o lojista não fale nada na hora da negociação. 
Essa circunstância procede desta maneira, tanto quando o consumidor for pessoa física quanto jurídica. E é bom frisar que os 90 dias são garantidos para todos os componentes do veículo, o que significa dizer que o fornecedor não poderá se exonerar da obrigação de responder pelo vício de qualquer peça defeituosa do produto, seja motor, lataria ou item acessório. Nem dê ouvidos, portanto, às lojas que tentam reduzir a garantia legal a motor e câmbio, por exemplo.
Se o veículo apresentar algum defeito que não estava manifesto no momento da compra, o que a legislação do consumidor chama de vícios redibitórios ou ocultos, a pessoa terá 90 dias para reclamar, cujo termo inicial é a partir da descoberta do problema.
Para se ter uma ideia da diferença, se a compra houvesse sido realizada com particular, o prazo para reclamação de vício aparente seria de 30 dias a contar da transação ou entrega do veículo ao comprador. Nessa hipótese, se o alienante tinha conhecimento do vício ou defeito da coisa, fica responsável por restituir o que recebeu do comprador, somando-se ainda perdas e danos; mas se o não conhecia, passa a dever apenas o valor recebido, mais as despesas do contrato. Se o defeito fosse oculto, o prazo começaria a partir da ciência do vício redibitório, e seria limitado a cento e oitenta dias.
10.1 GARANTIA LEGAL
Ao comprar um novo produto, possivelmente, você já deve ter se questionado se aquele item tem garantia e muitas dúvidas surgem quando o assunto é GARANTIA DE PRODUTOS, afinal, é possível encontrar pelo menos três tipos de garantia, a Legal, a Contratual e a Estendida. 
A garantia legal é estabelecida pelo CDC (Código de Defesa do Consumidor) e independe de previsão em contrato. A lei garante e ponto. Assim, você tem 30 dias para reclamar de problemas com o produto se ele não for durável (um alimento, por exemplo), ou 90 dias se for durável (uma máquina de lavar, por exemplo). O prazo começa a contar a partir do recebimento do produto.
10.2 GARANTIA CONTRATUAL
A garantia contratual, entretanto, é a que o fabricante ou fornecedor acrescenta a seu produto de livre e espontânea vontade, ou seja, nem todo item terá esse tipo de seguro. Sua vigência começa a partir da data de emissão da nota fiscal, com o prazo e condições impostas pela empresa - normalmente estabelecida no "termo de garantia".
O Código de Defesa do Consumidor dispõe que a garantia contratual é complementar a legal. Desse modo, fique atento para os prazos da garantia contratual, pois para os produtos duráveis (eletroeletrônicos e etc.) geralmente são de 09 meses ou 1 ano. Se for de 09 meses, o consumidor terá 1 ano para acionar a garantia em caso de defeitos, pois é feita a soma da garantia contratual com a legal de 03 meses ou 90 dias.
 
11. PRAZOS LEGAIS
Legais são os prazos que, como o próprio nome indica, são definidos em lei, não podendo, em princípio, as partes nem o juiz alterá-los. Judiciais, por outro lado, são aqueles fixados pelo próprio juiz nas hipóteses em que a lei for omissa. Na fixação do prazo judicial deve-se levar em conta a complexidadedo ato processual a ser realizado (art. 218, § 1º, CPC/2015). Em não sendo o prazo estabelecido por preceito legal ou prazo pelo juiz (prazo judicial), o Código sana a omissão, estabelecendo o prazo genérico de cinco dias para a prática do ato processual (art. 218, § 3º, CPC/2015).
Com relação às consequências processuais, os prazos se subdividem em próprios e impróprios.
Próprios são os prazos destinados à prática dos atos processuais pelas partes. Esses, uma vez não observados, ensejam a perda da faculdade de praticar o ato, incidindo o ônus respectivo (preclusão temporal).
Impróprios, a seu turno, são os prazos atinentes aos atos praticados pelo juiz. Diferentemente dos prazos próprios, entende-se que os impróprios, uma vez desrespeitados, não geram qualquer consequência no processo, o que, do ponto vista da efetividade do processo, é lamentável. Afinal, se, como leciona Carlos Maximiliano, [1] deve-se, sempre que possível, atribuir algum efeito útil às palavras constantes da lei, os prazos nela previstos estão lá para serem observados. Acreditar que o juiz pode desrespeitar os prazos a ele destinados vai de encontro à garantia constitucional da duração razoável do processo (art. 5o, LXXVII, da CF/88). Podemos citar como exemplos de prazos impróprios os descritos no art. 226 do CPC: prazo de 5 (cinco dias) para proferir despacho; prazo de 10 (dez) dias para as decisões interlocutórias e de 30 (trinta) dias para as sentenças.
Quanto à possibilidade de dilação, os prazos podem ser dilatórios ou peremptórios.
Dilatórios são os prazos fixados em normas dispositivas, que podem ser ampliados ou reduzidos de acordo com a convenção das partes. Prazo de suspensão do processo por convenção das partes (art. 313, II, CPC/2015)é exemplo de prazo dilatório.
No CPC/73, mais precisamente no art. 182[2], o legislador vedava a redução ou ampliação dos prazos peremptórios, mesmo se houvesse prévia concordância das partes. Assim, os prazos fixados pela lei de forma imperativa somente podiam ser alterados em hipóteses excepcionais, como no caso de calamidade pública (art. 182, parágrafo único, CPC/73).
O novo CPC, no entanto, dispõem sobre o tema da seguinte forma:
Art. 222 [...]
§ 1º. Ao juiz é vedado reduzir prazos peremptórios sem a anuência das partes.
A contrario sensu, a nova legislação permite ao juiz reduzir os prazos peremptórios, desde que com prévia anuência das partes.
Qualquer que seja a natureza do prazo, pode o juiz prorrogá-lo por até dois meses nas comarcas, seção ou subseção judiciária onde for difícil o transporte (art. 222, CPC/2015). Em caso de calamidade pública, a prorrogação não tem limite (art. 222, § 2º, CPC/2015).
O art. 225 do CPC/2015 traz a possibilidade de renúncia expressa ao prazo estabelecido exclusivamente em favor de determinada parte. Se o prazo for comum, a renúncia só tem eficácia se ambas as partes abdicarem expressamente do prazo a que estão submetidas. 
Se o veículo apresentar algum defeito que não estava aparente no momento da compra - os chamados defeitos ocultos - a reclamação poderá ser formalizada assim que forem descobertos, obedecendo o prazo legal de 90 dias.
12. OPÇÕES DO CONSUMIDOR
O artigo 18 do CDC garante ao consumidor a escolha entre três alternativas quando o produto apresentar algum defeito. Vale ressaltar que o consumidor pode se valer do direito em questão independentemente da garantia oferecida pelo fornecedor.
Com isso, o consumidor pode escolher entre: a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso; a devolução do valor pago; o abatimento proporcional do preço. O que muda com a reforma da previdência? No entanto, a lei determina que antes da escolha entre as três opções, o fornecedor terá o prazo de 30 dias para corrigir o defeito.

Mais conteúdos dessa disciplina