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Jean Piaget
uma abordagem neuropsicopedagógica
Autores
Roberto Aguilar Machado Santos Silva
Suzana Portuguez Viñas
Santo Ângelo, RS
2018
2
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos com:
e-mail: Suzana-vinas@yahoo.com.br
robertoaguilarmss@gmail.com
Supervisão editorial: Suzana Portuguez Viñas
Projeto gráfico: Roberto Aguilar Machado Santos Silva
Editoração: Suzana Portuguez Viñas
Capa:. Roberto Aguilar Machado Santos Silva
1ª edição
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
3
Autores
Roberto Aguilar Machado Santos Silva
Etologista, Médico Veterinário, escritor
poeta, historiador
Doutor em Medicina Veterinária
robertoaguilarmss@gmail.com
Suzana Portuguez Viñas
Pedagoga, psicopedagoga, escritora,
editora, agente literária
suzana_vinas@yahoo.com.br
4
Pensamento
Os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais
em seus fins e mentais em seus meios.
Jean Piaget
5
Apresentação
O livro Jean Piaget, uma abordagem neuropsicopedagógica
visa investigar as bases filosóficas e neurobiológicas do
entendimento das teorias piagetianas e seus reflexos na
neuropsicopedagogia.
Roberto Aguilar Machado Santos Silva
Suzana Portuguez Viñas
6
Dedicatória
Para Jean Piaget, pelo que construiu.
7
Pensamento
O professor não ensina, mas arranja modos de a própria criança
descobrir. Cria situações-problemas.
Jean Piaget
8
Sumário
Introdução ....................................................................................28
Capítulo 1. A família Piaget..........................................................13
Capítulo 2. A alvorada do Pensamento Piagetiano......................24
Capítulo 3. Conceitos da Teoria Piagetiana.................................33
Capítulo 4. A Neuroanatomia Funcional ......................................61
Capítulo 5. Neuropsicopedagogia da Teoria Piagetiana............130
Bibliografia consultada................................................................168
9
Introdução
Nascido na Suíça, Jean Piaget (1896-1980) dedicou-se
inicialmente aos estudos científicos relacionados à natureza
biológica, pesquisando sobre moluscos. Mais tarde, investigando
sobre a relação entre organismo e o meio, passa a estudar a
natureza humana. Interessa-se pela inteligência humana, que
considera tão natural como qualquer outra estrutura orgânica,
embora mais dependente do meio do que qualquer outra. O
motivo está no fato de que a inteligência depende do próprio meio
para sua construção, graças às trocas entre organismo e o meio,
que se dão através da ação. Em 1924 publica A Linguagem e o
Pensamento da Criança, quando a questão primeira era: para que
serve a linguagem? A partir daí, mostra que o progresso da
inteligência da criança se dá através da mudança de suas
características e não, simplesmente, pela eliminação de erros. Em
1926 publica A Representação do Mundo na Criança, quando
examina o desenvolvimento progressivo do pensamento infantil
em suas tentativas de explicar realidades, tais como a do sonho
ou dos fenômenos naturais. Neste livro Piaget descreve o método
clínico, que viria a ser a base metodológica da Psicologia
Genética, fundamentada na observação e entrevista clínica
(Ferracioli, 19991).
Neuropsicopedagogia é uma ciência que estuda o sistema
nervoso e sua atuação no comportamento humano, tendo como
enfoque a aprendizagem. Para isso, a Neuropsicopedagogia
busca relações entre os estudos das neurociências com os
conhecimentos da psicologia cognitiva e da pedagogia. Sendo
assim, essa é uma ciência transdisciplinar que estuda a relação
entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem
humana (POSFG, 20182).
1 FERRACIOLI, L. Aspectos da construção do conhecimento e da
aprendizagem na obra de Piaget. Cad.Cat.Ens.Fís., v. 16, n. 2: p. 180-194,
1999.
2 POSFG. Tudo sobre neuropsicopedagogia e as diferenças entre atuações
clínica, institucional e hospitalar. Disponível em:
10
A visão geral das principais ideias de Jean Piaget, seguida
da abordagem de alguns aspectos de sua obra relacionados à
neuropsicopedagogia e construção do conhecimento através de
estádios e dos fatores que influenciaram os conceitos piagetianos
de desenvolvimento, aprendizagem e conhecimento. O
entendimento sobre os processos cerebrais, ajuda os estudantes
com problemas e podem contribuir para a melhoria no processo
de ensino-aprendizagem.
http://posfg.com.br/neuropsicopedagogia-clinica-institucional-hospitalar/ Acesso
em: 15 mar. 2018.
11
12
Capítulo 1
A família Piaget
Jean Piaget em família
Jean William Fritz Piaget (Neuchâtel, 9 de agosto de 1896 -
Genebra, 16 de setembro de 1980), filho de Artur Piaget,
professor doutor de língua e literatura medievais, e de Rebecca
Suzane, uma das primeiras socialistas suíças, Piaget vive sua
infância e adolescência em Neuchâtel onde, aos onze anos de
idade (1907), publica o primeiro relato sobre um pardal albino.
Jean Piaget era o único filho homem de Arthur e Rebecca
Piaget. Tinha duas irmãs mais jovens, Madeleine (1899-1976) e
Marthe (1903-1985).
Arthur Piaget
Seu pai, Arthur Piaget (1865 – 1952), intelectual, professor
de Literatura Comparada e Diretor do Arquivo Público, em 1894,
tornou-se por convite, professor da Academia de Neuchâtel, após
publicar trabalhos científicos sobre escritores medievais.
Vidal (1998), em seu livro biográfico Piaget antes de ser
Piaget, escreveu sobre Arthur Piaget:
...um homem de mente minunciosa e critíc, que se
aborrecia com as generalizações improvisadas
apressadamente.
Ensinou Jean “o valor do trabalho sistemático, inclusive as
coisas pequenas. Tambem, certa vez comentou que sua “paixão
pelos fatos” se devia ao seu pai e que Arthur não lhe aconselhou
a estudasse história porque “não era uma autêntica ciência”.
Arthur Piaget nasceu em Yverdon, cidade proxima à
Neuchâtel, embora no cantão de Vaud, onde se exilou seu pai (o
avô de Jean Piaget era monarquista), depois de fracassada a
rebelião realista (da realeza) de 1856.
13
Yverdon-les Bains
Yverdon-les Bains é uma cidade da Suíça situada a 60
km de Berna, no cantão de Vaud, às margens do Lago
de Neuchâtel. É a capital do Distrito do Jura-Nord
vaudois e segunda cidade mais populosa do cantão.
Residentes célebres: Jean-Jacques Rousseau, Johann
Heinrich Pestalozzi.
Yverdon-les Bains
Cantão de Vaud
O Cantão de Vaud (em alemão Waadt) é um cantão da
Suíça, situado na parte ocidental do país, sua capital é
Lausana. Com o Cantão de Genebra e o Cantão do
Valais é um dos cantões da Região Lemánica. O
gentílico de Vaud é um(a) Vaudois(e). Pays de Vaud
fazia parte das terras da Saboia, ganhou a
independência em 24 de Janeiro de 1798 e entrou para a
Confederação Helvética em 1803. O termo Pays, sempre
no plural, é corrente na Idade média para designar uma
subdivisão territorial, o pagus latin. Hoje em dia o termo
14
ainda é empregado e fala-se do País de Gex, doPays de
la Loire, etc.
Cantão de Vaud
Arthur Piaget estudou literatura medieval e, já era um
romancista conhecido no início do decênio de 1890.
Arthur Piaget.
Em 1895, deixou Paris, onde vivia desde 1889, para ir a
Neuchâtel, como catedrático de línguas e literatura românica da
15
universidade. Em sua aula inaugural Arthur Piaget demonstrou
que La chronique des chanoines, o documento mais venerado da
história de Neuchântel, não era um documento original, e sim uma
fraude do século XVIII. Sua demonstração não agradou aos
conservadores; uns anos mais tarde suscitava debates
apaixonados.
Conforme nossas pesquisas encontramos em um jornal
suíço de 31 de outubro de 1863, onde há referencia ao
documento La chronique des chanoines (assinalado em
vermelho).
Fragment de la ehronique des chanoines de
Neuehaftel.
II a paru ä Neuchätel, en 1859, un petit volume
extremement curieux et interessant, lequel renferme de
nombreux extraits de laChronique redigee autrefois par
les chanoines de cette ville'. Ces extraits sont d'autant
plus precieux quele manuscrit original a peri dans um
grand incendie qui detruisit une partie de la ville de
Neuchätel au commencement du dix-septieme siecle.
Nous pensons etre agreables ä nos lecteurs en leur
donnant un des plus jolis fragments de cetle ehronique.
11 se rapporte aux guerres de Bourgogne, dont il raconte
avec beaueoup de verve et d'originalite un des episodes
les moins connus. Nous conservons autant que possible
au style sa couleur naive et pittoresque, et n'y touchons
que pour le rendre parfaitement accessible ä
tous.
16
Não obstante, o governo o nomeou arquivista da cidade em
1897. Esta nomeação foi o princípio de suas investigações sobre
a história local e de uma completa renovação da historiografia de
Neuchântel. O desmacaramento de La chronique não foi o único
gesto iconoclasta3 de sua carreira, sua critica as geanologias
estabelecidas por um reputado historiador local, suas aulas sobre
a revolução de 18484 e sua de descrição da história da
universidade, molestaram inevitavelmente, algumas pessoas por
razãoes sentimentais ou políticas.
3 Iconoclastia ou Iconoclasmo (do grego εικών, transl. eikon, "ícone", imagem, e
κλαστειν, transl. klastein, "quebrar", portanto "quebrador de imagem"). adjetivo
e substantivo de dois gêneros. 1. que ou aquele que destrói imagens religiosas
ou se opõe à sua adoração. 2. que ou aquele que destrói imagens em geral.
4 Dá-se o nome de Revoluções de 1848 ou Primavera dos povos à série de
revoluções na Europa Central e Oriental que eclodiram em função de regimes
governamentais autocráticos, de crises econômicas, do aumento da condição
financeira e da falta de representação política das classes médias e do
nacionalismo despertado nas minorias da Europa central e oriental, que
abalaram as monarquias da Europa, onde tinham fracassado as tentativas de
reformas políticas e econômicas.
Fragmento da retórica dos cânones de
Neuehaftel.
Em Neuchätel, em 1859, um pequeno volume
extremamente interessante e interessante foi
publicado, que contém muitos trechos das Crônicas,
anteriormente escritos pelos cânones daquela
cidade. Esses excertos são ainda mais valiosos, pois
o manuscrito original pereceu em um grande
incêndio que destruiu parte da cidade de Neuchätel
no início do século XVII. Pensamos que somos
agradáveis aos nossos leitores, dando-lhes um dos
fragmentos mais bonitos deste mundo. Ele se
relaciona com as guerras de Borgonha, das quais ele
relata com muita grandeza e originalidade um dos
episódios menos conhecidos. Nós preservamos o
máximo possível o estilo de sua cor ingênua e
pitoresca e tocamos apenas para torná-lo
perfeitamente acessível para nós.
todos.
17
Se estilo incisivo e irônico se extendia a suas relações
pessoais.
Jean Piaget recordou, que em razão dos “comentários
irônicos” de seu pai, sobre o livro de aves que compôs, quando
tinha dez anos. Então, Jean teve que reconhecer, com pesar,
“que se tratava de uma mera recompilação” (mais tarde, um
grafólogo percebeu em escritos do jovem Piaget indícios de uma
causticidade5 herdada).
Jean Piaget, com
10 anos de idade
Em resumo, Arthur Piaget, era um personagem muito
respeitado e conhecido em Neuchântel. Os cículos
conservadores, o consideravam drante muito tempo um
perturbador (Vidal, 1998).
Rebecca Piaget
Rebecca, ou Rebecca-Suzanne Jackson (1872-1942)
conforme seu nome de solteira, era uma mulher excêntrica; uma
pessoa “tão impossível como seus escritos” (conforme Vidal,
1998). Também é descrita como muito inteligente, enérgica e
fundamentalmente muito bondosa. Ela teria “um temperamento
bastante neurótico que tornava a vida familiar um tanto
problemática.
A irmã de Jean Piaget, Marthe Burguer, confirmou as
caracteristcas acima ao escritor Vidal (1998). Em 1981, Marthe
afirmou que Rebecca Piaget era uma mulher autoritária que lhe
tornou a infancia infeliz.
5 Causticidade. substantivo feminino. 1. qualidade do que é cáustico. 2. fig.
mordacidade, maledicência.
18
Rebecca Piaget
Sua instabilidade familar, causada na área do
relacionamento entre os pais e suas irmãs, resultou em um estado
de ansiedade que se dirigia ao trabalho, bem como ocorreu com
seu pai, pois a compulsão por ocupação tornou-se uma questão
natural para desenvolver sua vida intelectual (Gaspar, 2017).
Família Piaget.
Vidal (1998), relata que uma das consequências diretas
desta situação – conforme descrita por Jean Piaget – foi que ela
19
logo começou a desejar dedicar-se ao trabalho sério.
Evidentemente isso o fez imitar ao pai, bem como refugiar-se em
um mundo intimo e não fictício. Como consequência, sempre
detestou todo o afastamento da realidade. Um outro fator que o
influenciou nos primeiros anos da sua vida foi a má saúde mental
da mãe.
Este assunto fez Jean Piaget interessar-se por psicoanalise
e psicopatologia.
Vidal (1998), citou que em carta datada do ano de 1927,
caracterizava o problema de Rebecca Piaget, não como uma
simples neurose, e sim como um caso de alienação, mas
exatamente, como paranoia ou folie raisonnante, naqual o
paciente esta lúcido e raciocina muito bem, porém baseando-se
em premissas falsas (no caso de sua mãe, as ideias de
perseguição).
Rebecca Piaget aos trinta anos.
Folie raisonnante
Para Pinel6 tem um significado especial a chamada folie
raisonnante, que corresponde à mania sem transtorno
intelectual.
6 Philippe Pinel (Saint André, 20 de abril de 1745 – Paris, 25
20
Esses traços de personalidade mais tarde serão
desenvolvidos por Jean. Porém, esse filho cientista de Arthur,
empenhou-se menos na preservação da verdade histórica do que
na defesa de fatos empíricos contra teorias puras.
Sua mãe, Sra. Rebeca Suzanne, de descendência inglesa,
ao contrário de Arthur, a-religioso, era luterana. E assim Jean foi
batizado e iniciado no ensinamento religioso de sua mãe, fruto da
vontade materna.
A relação do pai, agnóstico, com a mãe religiosa, desde
muito cedo representou para Jean um conflito entre ciência e
religião, compondo-se em uma experiência cuja a clarificação se
constituiria uma de suas preocupações existenciais. Além dessa
diferença de estrutura de valores pessoais, Jean percebia sua
mãe como uma senhora de majestosa inteligência, firme em suas
decisões, o que ele classifica como enérgica, efetivamente uma
postura de bondade, porém sem mimarseu filho com afeto
materno. Assim o próprio Jean se classificava com um
temperamento neurótico, isso dificultava sua vida familiar
enquanto filho.
Em função dessas questões familiares, desde muito jovem
gostava de Psicologia, Psicanálise e de sua forma de tratamento,
a psicoterapia. Isso influenciou sua busca em elaborar uma teoria
própria, preferindo atuar no campo da investigação de casos
normais e do funcionamento do intelecto, do que o estudo das
“ciladas” do inconsciente.
Especializou-se em lesmas lacustres, seu artigo foi
publicado em 1909, aos 13 anos. Neste artigo revela que havia
mudança do comportamento do animal, quando o meio ambiente
se alterava e assim procurou explicar as causas desse fato diante
de observações diretas dos animais em pesquisa.
Em 1913, foi preciso encontrar um novo responsável pela
coleção de moluscos, que incluía a coleção de J. B. Lamarck
(1744-1829), tendo o nome de Piaget sido cogitado, porém, como
de outubro de 1826). Notabilizou-se por ter considerado que os seres humanos
que sofriam de perturbações mentais eram doentes e que ao contrário do que
acontecia na época, deviam ser tratados como doentes e não de forma
violenta. Foi o primeiro médico a tentar descrever e classificar algumas
perturbações mentais, demência precoce ou esquizofrenia. A obra mais
importante escrita por Pinel foi "Traité médicophilosophique sur l’aliénation
mentale ou la manie.
21
faltavam dois anos para terminar seus estudos secundários, ele
preferiu não aceitar o convite. Depois de um ano do término do
ano letivo, em 1916, Piaget tinha publicado 35 artigos científicos
em revistas e jornais especializados com divugalção internacional
(Gaspar, 2017).
Jean Piaget adolescente.
22
23
Capítulo 2
A alvorada do
Pensamento Piagetiano
Jean Piaget, foi biólogo, psicólogo e epistemólogo suíço,
considerado um dos mais importantes pensadores do século XX.
Defendeu uma abordagem interdisciplinar para a investigação
epistemológica e fundou a Epistemologia Genética, teoria do
conhecimento com base no estudo da gênese psicológica do
pensamento humano.
Nesse mesmo ano, torna-se auxiliar de Paul Godet,
especialista emmalacologia e diretor do Museu de História Natural
da cidade.
Aos catorze anos, o jovem Piaget ingressa no "Clube
dos Amigos da Natureza e em 1911 escreve os primeiros artigos
sobre "taxonomia malacológica" para revistas especializadas.
A Psicologia do Desenvolvimento se fez presente em sua
vida científica, tanto de suas observações com as lesmas
lacustres, quanto as questões de adaptação ao meio físico na cor,
na forma e no comportamento. Tornando relevante descobrir se
as mudanças na organização e no comportamento biológico são
oriundos da adaptação e se podem ser transmitidas aos
descendentes, concentrando seus estudos na classificação das
lesmas lacustres (da espécie Limnaea). Esta tarefa despertou-lhe
o interesse pela questão filosófica da existência das classes
biológicas, inclinando-se a admitir que ocorria uma transição entre
caracteres hereditários e flutuantes. Isso personifica e direciona
seu trabalho científico na categoria de evolucionista, aproximando
seu conhecimento à teoria de Lamarck. No período de 1912 a
1914 envolveu-se em uma disputa científica com o pesquisador
polonês Dr. W. Roszkowski, em setembro de 1912, em função de
uma conferência realizada na Sociedade dos Amigos da
Natureza, onde Piaget negou a “realidade” das espécies
24
biológicas. Essa discussão revela que o Dr. Roszkowski estava
melhor informado, entre outras questões, o retorno do estudo às
Leis de Mendel, 1900, com o aval de pesquisadores como
Correns e outros, revelando que a hereditariedade se dá através
de uma recombinação de unidades genéticas, contrariando a
originalidade da ideia de Lamarck de que as variações fenotípicas
possam ser transmitidas de forma hereditária. Esta discussão com
a conclusão aqui apresentada, fez com que o jovem pesquisador
Piaget postulasse uma maior maturidade em seu desenvolvimento
intelectual direcionando de forma definitiva seu estudo com base
no conhecimento genético ().
A influência de Henri Bergson na
obra de Piaget
Henri Bergson (Paris, 18 de outubro de 1859 — Paris, 4 de
janeiro de 1941) foi um filósofo e diplomata francês. Conhecido
principalmente por Ensaios sobre os dados imediatos da
consciência, Matéria e Memória, A evolução criadora e As duas
fontes da moral e da religião, sua obra é de grande atualidade e
tem sido estudada em diferentes disciplinas - cinema, literatura,
neuropsicologia, bioética, entre outras. Recebeu o Nobel de
Literatura de 1927.
Influenciado por sua mãe, Piaget frequenta a Igreja
Independente de Neuchâtel (protestante) no mesmo ano em que
inicia a leitura da obra de Henri Bergson, que o influenciou de
maneira duradoura, e é envolvido por leituras variadas de filosofia
e psicologia. Assiste às aulas de lógica, metodologia científica e
psicologia.
Confuso, Piaget vive um momento que opõe religião e
ciência e se vê impelido a escolher a fé ou o conhecimento. Na
filosofia de Bergson, busca um caminho possível para o
conhecimento científico e a análise crítica da origem do
conhecimento e descobre a epistemologia.
Abaixo relatamos os escritos de Gaspar (2017), sobre o
encaminhando e madurecimento científico de Piaget baseados na
leitura da obra do filósofo francês Henri Bergson, intitulada
“Evolução Criadora” – 1907, por influência de seu padrinho, o
25
escritor francês Samuel Cornut7, que objetivava com isso ampliar
o pensamento do jovem cientista diante do mundo a sua volta,
fazendo um convite de ir além molúsculos.
Esse episódio é importante para influenciar Jean Piaget a
encontrar uma relação estreita e necessária entre Deus e a
Ciência, porém, o polêmico jovem cientista em sua primeira
abordagem da filosofia de Bergson, se coloca como crítico desse
pensamento, pois não acreditava ainda na tese de Bergson que
discutia sobre as diferentes explicações da mudança das
espécies, em voga à época e que o filosófo chama de “élan vital”.
No entanto a filosofia mais uma vez convenceu aqueles
que nela se debruçam para discutir o campo do conhecimento
humano e com Piaget não foi diferente, pois em “Evolução
Criadora”, o jovem cientista encontrou um desafio, no qual
caracterizava em buscar na Biologia, o campo em que a religião e
a ciência se encontram e que a própria vida é um processo em
criatividade na concepção piagetiana, bem como seu crescente
interesse pela gênese do novo (Gaspar, 2017)
Conforme o mesmo autor, em sua experiência com a obra
do filósofo Bergson, Piaget revela em sua autobiografia essa
importância quando descreve: “lembro-me da noite em que
experimentei uma revelação profunda: a identificação de Deus
com a própria vida era um pensamento que em mim quase
chegou a provocar um êxtase, porque daí em diante me permitiu
ver, na Biologia a explicação de todas as coisas e do próprio
espírito”.
Por força dessa influência, Piaget segue a trajetória de
Bergson e se coloca de forma crítica as concepções do
Darwinismo e Mutacionista. Sua justificativa para tal postura está
na seguinte explicação: se a evolução deriva de uma cadeia de
mutações cujas causas não se encontram no interior dos seres
vivos, o desenvolvimento das espécies não pode passar de um
jogo de forças externas e, em última análise, meramente fortuitas,
ao contrário do que Bergson ensinava (Gaspar, 2017).
7 Samuel Cornut, nascido em Aigle em 28 de junho de 1861, e morreu em 1 de
maio de 1918 em Thonon-les-Bains, é um escritorsueco de língua francesa,
principalmente um romancista.
26
Em um contexto de guerra (1915), Piaget conclui os
estudos secundários, ingressa na Faculdade de Ciências da
Universidade de Neuchâtel e publica A Missão da Ideia. Filia-se à
Federação Socialista Cristã, em 1917. Em 1918, obtém o
bacharelado em ciências naturais para, em seguida, finalizar a
sua tese: Introdução à Malacologia da Região do Valais.
Entre 1915 e 1917, problemas de saúde o obrigam a
estadias em Leysin. Piaget retoma, então, o dilema entre ciência e
fé e, em 1918, escreve o romance filosófico e autobiográfico:
Recherche - ("expressão que em frances tem um duplo sentido -
"busca" e "pesquisa").
Nesse período, Piaget busca uma formação em psicologia
e vai para Zurique. Lá, conhece Eugène Bleuler, então diretor em
uma clínica psiquiátrica, e seu assistente Carl Gustav Jung. A
perspectiva psicanalítica não o entusiasma e, em 1919, retoma
seus estudos em malacologia e viaja para Paris (Gaspar, 2017
Na Sorbonne, conhece grandes nomes da psicologia e
psicopatologia como Pierre Janet e Léon Brunschvicg. A estadia
em Paris (1919-1921) se revela importante especialmente pelo
encontro com Théodore Simon, que lhe possibilita investigar o
pensamento infantil, e descobre na criança pequena uma forma
própria de raciocínio. Estas pesquisas resultam na publicação de
três artigos. Suas primeiras pesquisas em psicologia, como
coordenador do Instituto Jean-Jacques Rousseau, resultam em
um ciclo de cinco publicações: A linguagem e o pensamento na
criança (1923); O raciocínio da criança (1924); A representação
do mundo na criança (1926); A causalidade física na criança
(1927); e O julgamento moral na criança (1931). Esta fase,
sobretudo por apresentar a criança como sujeito da razão, "ainda
que de uma razão própria", desperta interesse de estudiosos e
Piaget é convidado para expor suas ideias em universidades
europeias e norte-americanas.
Segundo Machado (2015), de acordo com o filósofo e
sociólogo francês Lucien Goldmann (1913-1970), em
Epistemologia e Filosofia Política, o conhecimento jamais é
produzido por um único ser humano particular; ele é sempre
produzido socialmente. Entretanto, conforme o autor, em alguns
momentos encontra-se na figura de sujeitos particulares a
possibilidade de síntese de conhecimentos construídos
27
anteriormente por outros sujeitos e em estágios distintos de
elaboração. Essa síntese, para que possa ser caracterizada como
tal, precisa conter algo que é próprio do sujeito particular em
questão – embora os limites daquilo que é próprio de um autor
seja algo bastante difícil de ser traçado. Ao assumir que o
conhecimento é produzido socialmente, pode-se afirmar que na
história do pensamento são muito raros, se é que existem,
aqueles que nada devem de sua obra a outros. Em termos de
síntese dialética (aos moldes do hegelianismo8), a produção do
conhecimento pode ser entendida como uma construção que
comporta novidade, ao mesmo tempo em que a possibilidade
dessa novidade se deve também a outros seres humanos e seus
modos de pensar determinadas questões.
A influência de Immanuel Kant na
obra de Piaget
Quando analisamos a história da epistemologia podemo
perceber que havia um empesse entre o racionalismo, que dizia
que o conhecimento está no sujeito, e o empirismo que afirmava o
oposto, ou seja, que o conhecimento reside no objeto, o primeiro
8 Georg Wilhelm Friedrich Hegel (Stuttgart, 27 de agosto de 1770 – Berlim, 14
de novembro de 1831) foi um filósofo alemão. É unanimemente considerado
um dos mais importantes e influentes filósofos da história. Pode ser incluído
naquilo que se chamou de Idealismo Alemão, uma espécie de movimento
filosófico marcado por intensas discussões filosóficas entre pensadores de
cultura alemã (Prússia) do final do século XVIII e início do XIX. Essas
discussões tiveram por base a publicação da Crítica da Razão Pura de
Immanuel Kant. Hegel, ainda no seminário de Tübingen, escreveu, juntamente
com dois renomados colegas, os filósofos Friedrich Schelling e Friedrich
Hölderlin, o que chamaram de "O Mais Antigo Programa de Sistema do
Idealismo Alemão". Posteriormente Hegel desenvolveu um sistema filosófico
que denominou "Idealismo Absoluto", uma filosofia capaz de compreender
discursivamente o absoluto (de atingir um saber do absoluto, saber cuja
possibilidade fora, de modo geral, negada pela crítica de Kant à metafísica).
Apesar de ser notavelmente crítica em relação ao Iluminismo, a filosofia
hegeliana é tida por muitos como, para usar a expressão de Habermas, a
"filosofia da modernidade por excelência".
28
pensador a propor uma solução para esse conflito foi o filósofo
Immanuel Kant9 (Mendes, 2017).
Immanuel Kant
Immanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 —
Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo
prussiano. Amplamente considerado como o principal
filósofo da era moderna, Kant operou, na epistemologia,
uma síntese entre o racionalismo continental (de René
Descartes e Gottfried Wilhelm Leibniz, onde impera a
forma de raciocínio dedutivo), e a tradição empírica
inglesa (de David Hume, John Locke, ou George
Berkeley, que valoriza a indução).
Kant fez uma síntese entre as duas vertentes, segundo ele
tanto o objeto como o sujeito têm grande importancia na
construção do conhecimento. Kant começa seu livro, A crítica da
razão pura, concordando com os empiristas, pois segundo ele,
não se pode duvidar que todos os nossos conhecimentos
começam com a experiência, mas nem todo conhecimento vem
dela. Kant diz que o modo originário do conhecimento é a
intuição, ele divide a intuição em: empírica e pura. Intuição
empírica é o conhecimento que provem das sensações, e é
também chamada de matéria do conhecimento, a intuição pura é
a forma da sensibilidade que ordena aquilo que nos é dado pela
sensação (Mendes, 2017).
Conforme o mesmo autor, Kant fez uma síntese entre as
duas vertentes, segundo ele tanto o objeto como o sujeito tem
grande importancia na construção do conhecimento. Kant começa
seu livro, A crítica da razão pura, concordando com os empiristas,
pois segundo ele, não se pode duvidar que todos os nossos
conhecimentos começam com a experiência, mas nem todo
conhecimento vem dela. Kant diz que o modo originário do
conhecimento é a intuição, ele divide a intuição em: empírica e
pura. Intuição empírica é o conhecimento que provem das
sensações, e é também chamada de matéria do conhecimento, a
9 Kant foi um leitor de Rousseau. Conforme nos lega a historiografia oficial, a
única vez em que o filósofo alemão atrasou seu passeio diário por Königsberg
foi quando estava lendo o Emílio, de Rousseau. O pensamento rousseauniano
certamente influenciou as elaborações teóricas kantianas. Contudo, essa
influência não será aprofundada neste artigo.
29
intuição pura é a forma da sensibilidade que ordena aquilo que
nos é dado pela sensação. Kant chamava o tempo e o espaço de
formas da sensibilidade, e ele sublinhava, que essas duas formas
já existem em nossa experiência, isso significa que podemos
saber, antes de experimentar alguma coisa, que vamos
experimentá-la como fenômeno no tempo e no espaço. Somos
incapazes por assim dizer de tirar os óculos da razão”.
De acordo com (Mendes, 2017) Piaget discorda de Kant
quando se fala das formas a priori da sensibilidade, para ele,
Piaget, não existe estruturas cognitivas a priori, mas sim
esquemas que são desenvolvidos na criança em sua relação com
os objetos a partir do nascimento, e não somente quando se inicia
a fala, como se pensava nos tempos dele. Piaget fala que não se
pode pensar em qualquer disposição a priori (no sentido kantiano)
do sujeito e, portanto, em um sujeito a priori, somente porque o
sujeito não está consciente de si mesmo nem deobjetos já
constituídos, o sujeito começa a tomar consciência de si através
da interação com o meio, ou seja, quando ele começa a perceber
que ele é diferente dos objetos que estão á sua volta e que ela é
um ser consciente de sua existência, mas embora haja
divergência e muitos aspectos Piaget e Kant ainda continuam
tendo muita coisa em comum.
A influência de Jean-Jacques
Rousseau na obra de Piaget
Apresentamos, a seguir, parte da influência de Jean-
Jacques Rousseau, por meio de seu Emílio ou Da Educação
(1762), na proposta epistemológica piagetiana.
De acordo com Machado (2015), o período em que Jean-
Jacques Rousseau viveu e elaborou sua obra é denominado
modernidade. Na modernidade, a questão da infância passa a ser
ponto de discussão em diversas áreas do conhecimento, desde
as Artes à Filosofia, além de prenunciar a vinda de uma
Psicologia. Rousseau é um dos primeiros pensadores a dar papel
de destaque para a questão da infância.
Jean-Jacques Rousseau
Jean-Jacques Rousseau, também conhecido como J.J.
Rousseau ou simplesmente Rousseau (Genebra, 28 de
30
junho de 1712 — Ermenonville, 2 de julho de 1778), foi
um importante filósofo, teórico político, escritor e
compositor autodidata suíço. É considerado um dos
principais filósofos do iluminismo e um precursor do
romantismo. Para ele, as instituições educativas
corrompem o homem e tiram-lhe a liberdade. Para a
criação de um novo homem e de uma nova sociedade,
seria preciso educar a criança de acordo com a
natureza, desenvolvendo progressivamente seus
sentidos e a razão com vistas à liberdade e à capacidade
de julgar.
O autor faz isso por meio de seu tratado filosófico
educacional: Emílio ou Da Educação. Em termos de teoria, é,
sobretudo, a partir de Emílio que a criança passa a ser entendida
como diferente do ser humano adulto. O filósofo genebrino
também se coloca contrário à ideia hegemônica e medieval da
criança como um adulto em miniatura. Ele se coloca contrário à
ideia de que basta crescer em tamanho para que a criança se
torne um adulto plenamente desenvolvido em suas capacidades.
Para Rousseau, o que existe é a possibilidade do
desenvolvimento dessas capacidades. Dito de outro modo,
crescer em tamanho não é condição suficiente para que essas
capacidades, tal como a razão humana, sejam desenvolvidas. O
desenvolvimento orgânico surge como condição necessária de
possibilidade para esse desenvolvimento cognitivo, mas não
como condição suficiente. Emílio apresenta o percurso formativo
do personagem Emílio, desde sua mais tenra idade até a idade
adulta. Nesse percurso, Rousseau faz a defesa de que a razão de
Emílio vai sendo desenvolvida no decorrer de sua formação.
Junto da proposta rousseauniana do desenvolvimento da razão
ainda está presente a ideia de natureza previamente dada no que
diz respeito a uma espécie de sentimento moral. Ao contrário de
Rousseau, Piaget pensa uma moralidade que é construída em
estreita ligação com o desenvolvimento das estruturas cognitivas.
Se o epistemólogo genebrino se afasta do filósofo genebrino
quanto à proposta de uma moralidade, aquele se aproxima deste
no que diz respeito à questão do desenvolvimento da razão. Para
ambos, a razão não é entendida como uma faculdade inata. O
filósofo e o epistemólogo em questão entendem a razão como
capacidade que pode ou não ser desenvolvida e seu
desenvolvimento depende tanto das atividades do sujeito quanto
31
das demandas do entorno. Em Emílio, existe a defesa de que as
solicitações do meio, entre elas as orientações do preceptor,
influem sobre a formação do sujeito. Rousseau coloca-se
favorável à ideia de uma formação que busca propiciar o
desenvolvimento de capacidades a partir da própria ação do
sujeito. Ao mesmo tempo, o autor destaca que esse
desenvolvimento também dependente das solicitações do
ambiente em que o sujeito em formação está inserido. Rousseau
opta por educar Emílio no campo, e faz isso por entender que sua
formação não aconteceria de mesmo modo se o ambiente ao seu
entorno fosse a cidade. Campo e cidade são espaços diferentes e
com ofertas distintas para o sujeito, portanto, com possibilidades
de construções também distintas. Essa indicação rousseauniana
reaparece em Piaget com a elaboração dos fatores do
desenvolvimento. São eles: maturação, experiência, transmissão
social e equilibração.
32
Capítulo 3
Conceitos da Teoria
Piagetiana
Os conceitos fundamentais de Jean Piaget, no
desenvolvimento da inteligência foram baseados no trabalho de
Mara Tavares (2017), intitulado “Conceitos fundamentais no
desenvolvimento da inteligência” e podem ser vistos a seguir.
Conceitos fundamentais no
desenvolvimento da
inteligência
. A hereditariedade:
Herdamos um organismo que amadurece em contato com
o meio ambiente, uma série de estruturas biológicas que
favorecem o aparecimento das estruturas mentais. Como
conseqüência inferimos que a qualidade da estimulação interferirá
no processo de desenvolvimento da inteligência (Tavares, 2017).
Os contributos de Piaget para a psicologia foram, a
interacção entre os processos hereditários, o meio e o sujeito e o
fato do sujeito ter um papel ativo na construção da sua
inteligência; descobrir que a criança não é um adulto em
miniatura, existe uma diferença qualitativa entre o adulto e a
criança quanto ao modo de funcionamento intelectual; as crianças
pensam e raciocinam de forma qualitativa em diferentes fases do
desenvolvimento intelectual, percorremos uma sequência
invariante de quatro períodos qualitativamente distintos, ou seja,
não podemos saltar estádios nem passar por eles numa ordem
diferente. Porem a idade em que se atingimos cada estádio pode
variar (Psicologia Solta, 2017).
33
A teoria de Piaget ultrapassa a dos behavioristas e a dos
gestaltistas.
A seguir Santana (2017) explica as teorias do
Behaviorismo:
O Behaviorismo
O Behaviorismo, o termo inglês behaviour ou do
americano behavior, significando conduta,
comportamento – é um conceito generalizado que
engloba as mais paradoxais teorias sobre o
comportamento, dentro da Psicologia. Estas linhas de
pensamento só têm em comum o interesse por este
tema e a certeza de que é possível criar uma ciência que
o estude, pois, suas concepções são as mais
divergentes, inclusive no que diz respeito ao significado
da palavra ‘comportamento’. Os ramos principais desta
teoria são o Behaviorismo Metodológico e o
Behaviorismo Radical. Esta teoria teve início em 1913,
com um manifesto criado por John B. Watson10 – “A
Psicologia como um comportamentista a vê". Nele o
autor defende que a psicologia não deveria estudar
processos internos da mente, mas sim o comportamento,
pois este é visível e, portanto, passível de observação
por uma ciência positivista. Nesta época vigorava o
modelo behaviorista de S-R, ou seja, de resposta a um
estímulo, motor gerador do comportamento humano.
Watson é conhecido como o pai do Behaviorismo
Metodológico ou Clássico, que crê ser possível prever e
controlar toda a conduta humana, com base no estudo
do meio em que o indivíduo vive e nas teorias do russo
Ivan Pavlov11 sobre o condicionamento – a conhecida
experiência com o cachorro, que saliva ao ver comida,
mas também ao mínimo sinal, som ou gesto que lembre
10 John Broadus Watson (Greenville, 9 de janeiro de 1878 — Nova Iorque, 25
de setembro de 1958) foi um psicólogo norte-americano, considerado o
fundador do comportamentalismo (ou simplesmente behaviorismo). Para
Watson, a psicologia não devia ter em conta nenhum tipo de preocupações
introspectivas, filosóficas ou motivacionais, mas apenas e simplesmente os
comportamentos
objetivos, concretos e observáveis.
11 Ivan Petrovich Pavlov (Riazan, 26 de setembro de 1849 - Leningrado, 27 de
fevereiro de 1936) foi um fisiologista russo conhecido principalmentepelo seu
trabalho no condicionamento clássico. Foi premiado com o Nobel de Fisiologia
ou Medicina de 1904, por suas descobertas sobre os processos digestivos de
animais. Ivan Pavlov veio, no entanto, a entrar para a história por sua pesquisa
em um campo que se apresentou a ele quase que por acaso: o papel do
condicionamento na psicologia do comportamento (reflexo condicionado).
34
a chegada de sua refeição. Assim, qualquer modificação
orgânica resultante de um estímulo do meio-ambiente
pode provocar as manifestações do comportamento,
principalmente mudanças no sistema glandular e
também no motor.
Ivan Pavlo e a experiência sobre
o reflexo condicionado.
Mas nem toda conduta individual pode ser detectada
seguindo-se esse modelo teórico, daí a geração de
outras teses. Edward C. Tolman12 propõe o
Neobehaviorismo Mediacional ao publicar, em 1932, sua
obra Purposive behavior in animal and men. Na sua
teoria, o organismo trabalha como mediador entre o
estímulo e a resposta, ou seja, ele atravessa etapas que
Tolman denomina de variáveis intervenientes – elos
conectivos entre estímulos e respostas -, estas sim
consideradas ações internas, conhecidas como gestalt-
sinais. Esta linha de pensamento conduz a uma tese
sobre o sistema de aprendizagem, apoiada sobre mapas
cognitivos – interações estímulo-estímulo – gerados nos
mecanismos cerebrais. Assim, para cada grupo de
estímulos o indivíduo produz um comportamento
diferente e, de certa forma, previsível. Tolman, ao
contrário de Watson, vale-se dos processos mentais em
suas pesquisas, reestruturando a linha mentalista
através da simbologia comportamental. Ele via também
12 Edward Chace Tolman (West Newton, 14 de abril de 1886 — 19 de
novembro de 1959) foi um psicólogo norte-americano. estudou no
Massachusetts Institute of Technology (MIT), tendo-se doutorado, em 1915, na
Universidade de Harvard. Os seus trabalhos enquadram-se na corrente
behaviorista, considerando, contudo, que a proposta de explicação do
comportamento presentada (estímulo-resposta) era muito redutora. Assim
dever-se-ia ter em conta as intenções e objectivos do sujeito na explicação de
um comportamento. Recusava a ideia de que a aprendizagem resultava
apenas de tentativas e erros ou era aleatória. A aprendizagem era intencional,
dirigida para objetivos - daí a sua concepção ser designada por behaviorismo
intencional. De entre as suas obras pode-se destacar: Purposive behavior in
animals and men , publicada em 1932 e Drives toward War.
35
no comportamento uma intencionalidade, um objetivo a
ser alcançado, com traços de uma intensa persistência
na perseguição desta meta. Por estas características
presentes em sua teoria, este autor é considerado,
portanto, um precursor da Psicologia Cognitiva. B. F.
Skinner13 criou, na década de 40, o Behaviorismo
Radical, como uma proposta filosófica sobre o
comportamento do homem. Ele foi radicalmente contra
causas internas, ou seja, mentais, para explicar a
conduta humana e negou também a realidade e a
atuação dos elementos cognitivos, opondo-se à
concepção de Watson, que só não estendia seus
estudos aos fenômenos mentais pelas limitações da
metodologia, não por eles serem irreais. Skinner recusa-
se igualmente a crer na existência das variáveis
mediacionais de Tolman. Em resumo, ele acredita que o
indivíduo é um ser único, homogêneo, não um todo
constituído de corpo e mente. O behaviorismo filosófico é
uma teoria que se preocupa com o sentido dos
pensamentos e das concepções, baseado na idéia de
que estado mental e tendências de comportamento são
equivalentes, melhor dizendo, as exposições dos modos
de ser da mente humana é semelhante às descrições de
padrões comportamentais. Esta linha teórica analisa as
condições intencionais da mente, seguindo os princípios
de Ryle14 e Wittgenstein15. O behaviorismo não ocupa
13 Burrhus Frederic Skinner (Susquehanna, Pensilvânia, 20 de março de 1904
— Cambridge, 18 de agosto de 1990) foi um autor e psicólogo norte-
americano. Conduziu trabalhos pioneiros em psicologia experimental e foi o
propositor do behaviorismo radical, abordagem que busca entender o
comportamento em função das inter-relações entre a filogenética, o ambiente
(cultura) e a história de vida do suposto individuo. A base do trabalho de
Skinner refere-se a compreensão do comportamento humano através do
comportamento operante. O trabalho de Skinner é o complemento e o
coroamento de uma escola psicológica. Skinner adotava práticas experimentais
derivadas de física e outras ciências. Outros importantes estudos do autor
referem-se ao comportamento verbal humano e a aprendizagem.
14 Gilbert Ryle (19 de agosto de 1900– 6 de outubro de 1976) foi um filósofo
britânico pertencente a uma geração influenciada pelas teorias de Wittgenstein
sobre a linguagem. Ryle é conhecido principalmente pela sua crítica ao
dualismo cartesiano, para o qual ele cunhou a expressão "the dogma of the
ghost in the machine" (o dogma do fantasma na máquina). Algumas de suas
ideias sobre filosofia da mente foram consideradas como "behavioristas". Em
seu livro mais conhecido, The Concept of Mind (1949), ele escreve que "a
tendência geral deste livro será, indubitavelmente e sem conotação ofensiva,
ser estigmatizado como "behaviorista". Para Ryle, a tarefa da filosofia seria
trazer a clarificação. Para o filósofo há mais de uma forma de descrever as
36
mais um espaço predominante na Psicologia, embora
ainda seja um tanto influente nesta esfera. O
desenvolvimento das Neurociências, que ajuda a
compreender melhor, hoje, o que ocorre na mente
humana em seus processos internos, aliado à perda de
prestígio dos estímulos como causas para a conduta
humana, e somado às críticas de estudiosos renomados
como Noam Chomsky16, o qual alega que esta teoria não
coisas, e não se pode impor apenas uma descrição. Existem expressões
sistemáticas ou enganadoras. Quando a substituição de termos resulta em um
absurdo óbvio percebe-se claramente que as categorias são diferentes nas
proposições. Os enigmas filosóficos surgem quando esta substituição não
resulta em absurdo óbvio, necessitando de uma análise. Seus estudos vão
chegar à análise dos conceitos mentais, combatendo o mito cartesiano do
‘fantasma na máquina’, acabando com o problema da fusão corpo e alma.
15 Ludwig Joseph Johann Wittgenstein (Viena, 26 de abril de 1889 —
Cambridge, 29 de abril de 1951) foi um filósofo austríaco, naturalizado
britânico. Foi um dos principais atores da virada linguística na filosofia do
século XX. Suas principais contribuições foram feitas nos campos da lógica,
filosofia da linguagem, filosofia da matemática e filosofia da mente. Muitos o
consideram o filósofo mais importante do século passado. O único livro de
filosofia que publicou em vida, o Tractatus Logico-Philosophicus, de 1922,
exerceu profunda influência no desenvolvimento do positivismo lógico. Mais
tarde, as ideias por ele formuladas a partir de 1930 e difundidas em Cambridge
e Oxford também impulsionaram um outro movimento filosófico - a chamada
"filosofia da linguagem comum". Seu pensamento é geralmente dividido em
duas fases. Para identificá-las, muitos autores recorrem ao artifício de atribuir
os escritos da juventude ao Primeiro Wittgenstein e a obra posterior ao
Segundo Wittgenstein, como se designassem autores distintos. A cada um
desses períodos corresponde uma obra central na história da filosofia do
século XX. À primeira fase, pertence o Tractatus Logico-Philosophicus, livro em
que Wittgenstein procura esclarecer as condições lógicas que o pensamento e
a linguagem devem atender para poder representar o mundo. À segundafase,
pertencem as Investigações Filosóficas, publicadas postumamente em 1953.
Nesse livro, Wittgenstein trata de tópicos similares aos do Tractatus (embora
sob uma perspectiva radicalmente diferente) e avança sobre temas da filosofia
da mente ao analisar conceitos como os de compreensão, intenção, dor e
vontade.
16 Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista,
filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano,
reverenciado em âmbito acadêmico como "o pai da linguística moderna",
também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.
Chomsky é Professor Emérito em Linguística no Instituto de Tecnologia de
Massachusetts, e teve seu nome associado à criação da gramática ge(ne)rativa
transformacional. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as
propriedades matemáticas das linguagens formais, tendo seu nome associado
à chamada Hierarquia de Chomsky. Seus trabalhos, combinando uma
abordagem matemática dos fenômenos da linguagem com uma crítica do
37
é suficiente para explicar fenômenos da linguagem e da
aprendizagem, levam o Behaviorismo a perder espaço
entre as teorias psicológicas dominantes.
Gestalt
Gestalt (guès) (do alemão Gestalt, "forma"), também
conhecida como gestaltismo (gues), teoria da forma,
psicologia da gestalt, psicologia da boa forma e leis da
gestalt, é uma doutrina que defende que, para se
compreender as partes, é preciso, antes, compreender o
todo. Refere-se a um processo de dar forma, de
configurar "o que é colocado diante dos olhos, exposto
ao olhar". A palavra gestalt tem o significado "de uma
entidade concreta, individual e característica, que existe
como algo destacado e que tem uma forma ou
configuração como um de seus atributos". A gestalt, ou
psicologia da forma, surgiu no início do século XX e,
diferente da gestalt-terapia, criada pelo psicanalista
berlinense Fritz Perls17 (1893-1970), trabalha com dois
conceitos: super-soma e transponibilidade. O filósofo
austríaco Cristian von Ehrenfels18 apresentou esses
critérios pela primeira vez em 1890, na Universidade de
Graz.
behaviorismo, nos quais a linguagem é conceitualizada como uma propriedade
inata do cérebro/mente humanos, contribuem decisivamente para a formação
da psicologia cognitiva, no domínio das ciências humanas. Além da sua
investigação e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido
pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa
dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário.
Identifica-se com aquilo que é modernamente compreendido como
"anarcossindicalismo", havendo também quem o associe ao anarcocomunismo
ou ao comunismo de conselhos.
17 Friederich Salomon Perls, mais conhecido como Fritz Perls (Berlim, 8 de
julho de 1893 — Chicago, 14 de março de 1970), foi um psicoterapeuta e
psiquiatra de origem judaica que, junto com sua esposa Laura Perls,
desenvolveu uma abordagem de psicoterapia que chamou de Gestalt-terapia.
18 Christian von Ehrenfels - Maria Christian Julius Leopold Freiherr von
Ehrenfels - (Rodaun, Áustria, 2 de junho 1856 - Lichtenau, 8 de setembro 1932)
foi um filósofo austríaco. Seus estudos contribuíram para o surgimento da
psicologia da Gestalt. O livro "Sobre as qualidades formais", 1890, evidencia a
existência de objetos perceptivos (como as formas espaciais, as melodias e as
estruturas rítmicas) que não se reduzem à soma de sensações precisas, mas
se apresentam originariamente como “formas”, isto é, como relações
estruturais, ou seja, como algo diferente de uma soma de “átomos” de
sensações.
38
. A adaptação:
Piaget concede na sua teoria um lugar privilegiado ao
problema de adaptação entre o indivíduo e o meio (Temas da
Psicologia, 2017).
Possibilita ao indivíduo responder aos desafios do
ambiente físico e social. Dois processos compõem a adaptação,
ou seja, a assimilação (uso de uma estrutura mental já formada) e
a acomodação (processo que implica a modificação de estruturas
já desenvolvidas para resolver uma nova situação). o os
esquemas: constituem a nossa estrutura básica. Podem ser
simples, como por exemplo, uma resposta específica a um
estímulo-sugar o dedo quando ele encosta nos lábios, ou,
complexos, como o modo de solucionarmos problemas
matemáticos (Tavares, 2017).
Para Piaget, há adaptação enquanto processo quando o
organismo se transforma em função do meio e quando esta
transformação tem por efeito um acréscimo das trocas entre
ambos, favoráveis ao organismo. Para explicar este processo de
trocas entre organismo e meio, que não é mais do que a
adaptação, Piaget utiliza vários conceitos que estão directamente
associados com a biologia, como por exemplo o de invariantes
funcionais. Estas estas invariantes funcionais são os processos
responsáveis pelos mecanismos dessas trocas entre organismo e
meio, ou melhor, pelo funcionamento e gestão entre organismo e
meio. Os mecanismos chamados de invariantes funcionais que
definem a interacção adaptativa do sujeito ao meio são a
assimilação e a adaptação (Temas da Psicologia, 2017).
. Os esquemas
Os esquemas estão em constante desenvolvimento e
permitem que o indivíduo se adapte aos desafios ambientais
(Tavares, 2017).
Conforme Tafner (2017), ao referir-se à construção do
conhecimento segundo Piaget, escreveu sobre “Os Esquemas” e
que se deve antes de prosseguir com a definição da assimilação e
da acomodação, introduzir um novo conceito que é amplamente
39
utilizado quando essas operações, assimilação e acomodação,
são empregadas. Esse novo conceito que estamos procurando
introduzir é chamado por Piaget de esquema (schema). Tafner
(2017), comentou que Wadsworth (199619) define os esquemas
como estruturas mentais, ou cognitivas, pelas quais os indivíduos
intelectualmente se adaptam e organizam o meio. Assim sendo,
os esquemas são tratados, não como objetos reais, mas como
conjuntos de processos dentro do sistema nervoso. Os esquemas
não são observáveis, são inferidos e, portanto, são constructos
hipotéticos. Tafner (2017) cita Pulaski (198620), esquema é uma
estrutura cognitiva, ou padrão de comportamento ou pensamento,
que emerge da integração de unidades mais simples e primitivas
em um todo mais amplo, mais organizado e mais complexo.
Dessa forma, temos a definição que os esquemas não são fixos,
mas mudam continuamente ou tornam-se mais refinados. Uma
criança, quando nasce, apresenta poucos esquemas (sendo de
natureza reflexa), e à medida que se desenvolve, seus esquemas
tornam-se generalizados, mais diferenciados e mais numerosos.
O mesmo Tafner (2017) cita Nitzke e colaboradores (199721)
segundo o quel escreve que os esquemas cognitivos do adulto
são derivados dos esquemas sensório-motores da criança. De
fato, um adulto, por exemplo, possui um vasto arranjo de
esquemas comparativamente complexos que permitem um
grande número de diferenciações. Estes esquemas são utilizados
para processar e identificar a entrada de estímulos, e graças a
isto o organismo está apto a diferenciar estímulos, como também
está apto a generalizá-los. O funcionamento é mais ou menos o
seguinte, uma criança apresenta um certo número de esquemas,
que grosseiramente poderíamos compará-los como fichas de um
arquivo. Diante de um estímulo, essa criança tenta "encaixar" o
estímulo em um esquema disponível. Vemos então, que os
esquemas são estruturas intelectuais que organizam os eventos
como eles são percebidos pelo organismo e classificados em
grupos, de acordo com características comuns.
19 WADSWORTH, B. Inteligência e Afetividade da Criança. 4. Ed. São Paulo :
Enio Matheus Guazzelli, 1996.
20 PULASKI, M A. S. Compreendendo Piaget.Rio de Janeiro : Livros Técnicos e
Científicos, 1986.
21 NITZKE, J. A.; CAMPOS, M. B. E LIMA, MARIA F. P.. "Teoria de Piaget".
PIAGET. 1997. http://penta.ufrgs.br/~marcia/piaget/ (20 de Outubro de 1997).
40
. A equilibração
A equilibração das estruturas cognitivas: o desenvolvimento
consiste em uma passagem constante de um estado de equilíbrio
para um estado de desequilíbrio. É um processo de auto
regulação interna.
A assimilação e a acomodação são mecanismos do
equilíbrio.
Segundo Tavares (2017), de acordo com as possibilidades
de entendimento construídas pelo sujeito, ele tende a assimilar
idéias, mas, caso estas estruturas não estejam ainda construídas,
acontece um esforço contrário ao da assimilação. Há uma
modificação de hipóteses e concepções anteriores que vão
ajustando-se àquilo que não foi possível assimilar. É o que ele
chama de acomodação, onde o sujeito age no sentido de
transformar-se em função das resistências colocadas pelo objeto
do conhecimento.
Conforme Temas de Psicologia (2017), são as
transformações que o meio e os objectos impõem aos exercícios
dos esquemas iniciais do sujeito, ou seja, as transformações que
o meio e os acontecimentos operam no sujeito. Contrariamente à
assimilação, onde os esquemas não são modificados, na
acomodação o esquema inicial transforma-se em função dos
novos objectos e do próprio meio. Diante de um estímulo
diferente, ou radicalmente novo, a criança modifica as suas
estruturas ou esquemas (acomodação), depois assimila objectos
semelhantes àqueles para os quais ela já tem um esquema. Ex:
com o esquema de sucção a criança chupa o seio e outros
objetos. Na sucção de outros objetos não há modificação do
esquema. Quando a criança começa a comer com uma colher, o
esquema de sucção não serve, necessita de ser modificado para
que o bebé se adapte à alimentação com a colher – É um
exemplo de acomodação.
Para Tafner (2017), nesta linha de pensamento em torno
da teoria das equilibrações, Piaget, identifica três formas básicas
de equilibração, são elas:
41
1. Em função da interação fundamental de início entre o
sujeito e os objetos, há primeiramente a equilibração entre a
assimilação destes esquemas e a acomodação destes últimos
aos objetos.
2. Há, em segundo lugar, uma forma de equilibração que
assegura as interações entre os esquemas, pois, se as partes
apresentam propriedades enquanto totalidades, elas apresentam
propriedades enquanto partes. Obviamente, as propriedades das
partes diferenciam-se entre si. Intervêm aqui, igualmente,
processos de assimilação e acomodação recíprocos que
asseguram as interações entre dois ou mais esquemas que,
juntos, compõem um outro que os integra.
3. Finalmente, a terceira forma de equilibração é a que
assegura as interações entre os esquemas e a totalidade. Essa
terceira forma é diferente da Segunda, pois naquela a
equilibração intervém nas interações entre as partes, enquanto
que nesta terceira a equilibração intervém nas interações das
partes com o todo. Em outras palavras, na Segunda forma temos
a equilibração pela diferenciação; na terceira temos a equilibração
pela integração.
Então, dessa forma, podemos ver a integração em um
todo, segundo a teoria da equilibração como uma tarefa de
assimilação, enquanto que a diferenciação pode ser vista como
uma tarefa de acomodação. Há, contudo, conservação mútua do
todo e das partes.
Segundo o mesmo autor, embora, Piaget tenha apontando
três tipos de equilibração, lembra que os tipos possuem o comum
aspecto de serem todas relativas ao equilíbrio entre a assimilação
e a acomodação, além de conduzir o fortalecimento das
características positivas pertencentes aos esquemas no sistema
cognitivo.
O desequilíbrio
O desequilíbrio é, portanto, fundamental, pois, o sujeito
buscará novamente o reequilíbrio, com a satisfação da
necessidade, daquilo que ocasionou o desequilíbrio (Tavares,
2017).
42
A inteligência
Segundo Tavares (2017), a inteligência para Piaget se
constrói na medida que novos patamares de equilíbrio adaptativo
são alcançados. Piaget concluiu sua obra explicitando qual o
motor pelo qual este equilíbrio se processa, mas além disto,
Piaget estudou exaustivamente a gênese das estruturas
cognitivas nas crianças da sua comunidade.
Piaget aborda a inteligência como algo dinâmico, que
decorre da construção de estruturas de conhecimento que,
enquanto vão sendo construídas, vão se instalando no cérebro.
A inteligência portanto, não aumenta por acréscimo e sim
por reorganização. Para ele o desenvolvimento da inteligência é
explicada pela relação recíproca existente com a gênese da
inteligência e do conhecimento. Piaget criou um modelo
epistemológico com base na interação sujeito - objeto. Pelo
modelo epistemológico o conhecimento não está nem no sujeito,
nem no objeto mas na interação entre ambos.
Formas de conhecimento
De acordo com IMES (2017), para Piaget, há três tipos de
conhecimento: o físico, o social e o lógico matemático.
Conhecimento físico
Conhecimento físico é o que obtemos por meio da
observação dos objetos na realidade externa. Exemplos: a cor de
um objeto, o material de que ele é feito, o peso, o tamanho, etc.
Conhecimento social
Conhecimento social é aquele que herdamos da cultura do
meio em que vivemos. Por exemplo, dizer “alô” quando
atendemos ao telefone; saber o nome do “homem que descobriu
o Brasil”. Esse tipo de conhecimento só pode ser adquirido por
transmissão e é totalmente arbitrário, exigindo, por isso mesmo,
memorização. Embora não seja recomendável o ensino da
43
matemática calcado unicamente na memorização de regras e
definições, não se pode desprezar essa forma de reter o
conhecimento. Ao estudar matemática é necessário que
decoremos a sequência dos números naturais, os nomes das
figuras geométricas e muitos outros dados.
Conhecimento lógico-matemático
O conhecimento lógico-matemático resulta das relações
que o sujeito estabelece com ou entre os objetos, ao agir sobre
eles. Por exemplo, ao observar duas bolas, uma azul e uma
vermelha, a criança pode perceber-lhes a forma (o conhecimento
físico) e aprender que chamam “bolas” (conhecimento social). No
âmbito da experiência lógico-matemática, ela pode pensar que as
bolas são “iguais” (ambas são bolas) ou “diferentes” (uma é azul,
a outras é vermelha). Essa semelhança ou diferença não está em
cada uma das bolas, isoladamente, mas foi criada na mente da
criança no momento em que ela relacionou os objetos “bolas”.
Assim, enquanto o conhecimento físico deriva das propriedades
dos próprios objetos, o conhecimento lógicomatemático tem
origem no próprio sujeito. Na verdade, porém, é impossível
separar totalmente os três tipos de conhecimento, pois eles
sempre se apresentam juntos
Resumo dos tipos de conhecimento,
segundo Piaget
44
Os Estágios Cognitivos
Conforme Tafner (2017), Piaget, quando descreve a
aprendizagem, tem um enfoque diferente do que normalmente se
atribui à esta palavra. Piaget separa o processo cognitivo
inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento.
O mesmo autor escreveu que para Piaget, a aprendizagem
refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em
função da experiência, obtida de forma sistemática ou não.
Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de
fato, sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.
45
Tafner (2017), prossegue dizendo que Piaget, quando
postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança, descreve-
a, basicamente, em 4 estados, que ele próprio chama de fases de
transição. Essas 4 fases são:
Sensório-motor (0 – 2 anos)
Pré-operatório (2 – 7,8 anos)
Operatório-concreto (8 – 11 anos)
Operatório-formal (8 – 14 anos)
Esse trabalho fez Piaget, definir o caminho que percorreria
ao longo de sua vida; pesquisar a epistemologiagenética, ou seja,
como a criança aprende.
Sensório-motor
Neste estágio, a partir de reflexos neurológicos básicos, o
bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar
mentalmente o meio. Conforme Tafner (2017), também é marcado
pela construção prática das noções de objeto, espaço,
causalidade e tempo.
As noções de espaço e tempo são construídas pela ação,
configurando assim, uma inteligência essencialmente prática.
É assim que os esquemas vão "pouco a pouco,
diferenciando-se e integrando-se, no mesmo tempo em que o
sujeito vai se separando dos objetos podendo, por isso mesmo,
interagir com eles de forma mais complexa." O contato com o
meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento.
Segundo os exemplos citados por Tafner (2017):
O bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é
posto em sua boca; "vê" o que está diante de si.
Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um
objeto, pegá-lo e levá-lo a boca.
Característica do estagio sensório-motor por mecanismos
sensório-motores, no contato com a realidade, com ausências de
manipulações simbólicas. Este período é caracterizado por 6
estágios (Cresça Brasil, 2017):
46
I. Estágio: (0 a 1 mês)
. Imitação:
Ex.: a criança é estimulada a chorar quando houve o choro
de outras crianças (0 a 1 mês). As reações circulares, isto é,
repetições reflexas de ações geram satisfação caracterizando-se
por uma atividade equivalente ao brinquedo (a sucção, por
exemplo).
. Conceitos de Objetos:
Os objetos são principalmente sensações. Não diferencia o
objeto das suas sensações.
. Espaço:
A criança não aprende um espaço unitário, mas uma
coleção de espaços desligados e organizados em torno das
principais esferas sensório-motoras de atividade. Portanto existe
um espaço oral, um visual, um auditivo e um tátil, em vez de um
espaço comum, no qual todos os demais estão incluídos.
. Causalidade:
De acordo com a interpretação adulta, a causalidade
transcende ao que seria viável nesse estágio. A gênese da
causalidade expressa através do sentimento de que algo se
reproduz, de eficiência ou de eficácia.
. Tempo:
A criança vivencia o sentimento vago de duração,
imanentes às suas próprias ações. Nesse sentido, se confunde
com as impressões de expectativas e de esforço, sem distinção
entre o antes e o depois.
II. Estágio: (1 a 4 meses)
47
. Imitação:
É mais pré-imitativa do que imitativa.
Nesse estágio, a criança jamais tenta imitar um som, um
movimento que lhe seja novo. A imitação ocorre apenas quando o
modelo imitou a criança.
. Brinquedo:
Há muito pouco indício de atividades lúdicas.
. Aparecem repetições
Aparecem repetições de ações que são feitas
posteriormente, buscando satisfação.
Conceito de objeto/espaço/tempo
Semelhante ao estágio I.
III. Estágio: (4 a 8 meses)
. Imitação:
A criança é frequentemente vista imitando deliberada e
sistematicamente sons e movimentos feitos por outras pessoas.
Mas só imita respostas presentes no seu repertório e as que pode
ver e ouvir.
. Brinquedos:
Há o uso da ação apenas pelo prazer da atividade e não
pela necessidade de acomodação.
. Conceito de Objeto:
48
O início da extrapolação transcende a percepção imediata.
Antecipa o objeto inteiro vendo apenas uma de suas partes;
procura um objeto fora de seu campo visual etc. Porém há uma
desistência imediata quando não acha o objeto.
Espaço:
Enquanto o espaço próximo (do sujeito) começa a ser
percebido em esquemas de profundidade (busca visual de
objetos, procura), o espaço amplo continua sendo a tela plana
que caracteriza os dois primeiros estágios. No espaço próximo
começa a perceber a si próprio (mão, braço, interagindo com os
objetos), mas numa organização indiferenciada onde a ação e o
objeto se confundem.
Tempo:
Percebe suas próprias ações e "seria" em relação aos
efeitos ambientais que causam. Tem uma consciência elementar
do antes e depois na sequênciação-resultado. Surge a
capacidade de reter um fato que se deu no passado imediato.
Causalidade:
Começa a discriminar o ato de seu resultado, quando ela
se percebe agindo
IV. Estágio: (8 a 12 meses)
Imitação:
imita modelos novos. Na imitação muitas vezes se
diferencia do modelo.
Brinquedos:
A criança abandona as finalidades da ação para brincar
com os meios usados. Aparece também a "ritualização" (a criança
49
encontra um estímulo conhecido que usualmente está associado
ao ato de ir dormir (travesseiro, lençol) e por alguns momentos,
desenvolve o ritual de dormir: deita-se, chupa o dedo, etc.
Espaço:
O espaço não próximo deixa de ser um pano único e se
torna organizado em regiões de profundidades diferentes.
Causalidade:
A criança considera o sujeito (agente) como a causa do
movimento.
V. Estágio: (1 ano a 1ano e 6 meses)
Imitação:
A imitação torna-se mais deliberada e ativa com mais
habilidade e sutileza.
Brinquedo:
Além de repetir e variar uma ação, ela complica pelo prazer
de fazê-lo.
Conceito de Objeto:
Aprende a procurar o objeto no local em que foi visto pela
última vez. A criança não consegue encontrar o objeto quando há
deslocamentos invisíveis que precisam ser inferidos ou
imaginados
Espaço:
Há relações espaciais entre os objetos: empilhar objetos,
colocar e retirar do recipiente.
50
Causalidade:
Ela agora não se considera como uma causa, mas como
um receptor de causas
Tempo:
Capacidade maior de seriar os próprios acontecimentos.
Capacidade crescente de reter os acontecimentos na memória e
num tempo maior.
VI. Estágio: (1ano e 8 meses em diante)
Imitação:
Imitação adiada: a criança reproduz de memória um
modelo ausente.
Brinquedo:
Aparece a simbolização. A criança é capaz de fingir e fazer
de conta.
Conceito de Objeto:
imagina independente das suas ações uma série de
objetos concretos que existe permanentemente no espaço. É visto
como definidamente isolado, sujeito às suas próprias leis de
deslocamento.
Espaço:
É capaz de controlar seus movimentos no espaço. É capaz
de representar os deslocamentos invisíveis no espaço.
Causalidade:
51
A capacidade de representação (imagens de memória) leva
a criança a inferir uma causa, a partir do efeito, e a antecipar um
efeito, a partir da causa.
Tempo:
A capacidade de reter fatos e de formar imagens facilita a
recordação de fatos cada vez mais remotos: organização
ordenada de acontecimentos relacionados com ações.
Pré-operatório (2 a 7 anos)
De acordo com Tavares (2017), é nesta fase que surge, na
criança, a capacidade de substituir um objeto ou acontecimento
por uma representação, e esta substituição é possível, conforme
Piaget, graças à função simbólica. Assim este estágio é também
muito conhecido como o estágio da Inteligência Simbólica.
Conforme e mesma autora, a atividade sensório-motor não
está esquecida ou abandonada, mas refinada e mais sofisticada,
pois verifica-se que ocorre uma crescente melhoria na sua
aprendizagem, permitindo que a mesma explore melhor o
ambiente, fazendo uso de mais e mais sofisticados movimentos e
percepções intuitivas.
Segundo Cresça Brasil (2017) a característica é o
aparecimento acentuado das representações mentais,
desenvolvendo as funções simbólicas (capacidade de simbolizar
um fato real. Ex. "faz de conta").
Conforme o mesmo autor, esta fase é dividida em 2
estágios.
1 º Subestágio – nível pré-operatório
São caracteristcas deste subestágio (Cresça Brasil, 2017):
. Aparecimento da linguagem – da função simbólica.
. Aparecimento da imagem.
52
A linguagem é nessa época um acompanhamento da ação,
baseada em imagem.
Os símbolos disponíveis para a manipulação mental e
expressados em linguagem têm a propriedade de um preconceito.Preconceito é o intermediário entre o símbolo imaginado e o
conceito propriamente dito e é definido como "... ausência de
inclusão dos elementos em um todo e identificação direta dos
elementos parciais entre si sem a mediação do todo."
Conforme o mesmo autor, a criança é egocêntrica nas
representações mentais, desenvolvendo a percepção centrada,
sem considerar o ponto de vista do outro. Pouco esforço faz em
adaptar a sua linguagem às necessidades do ouvinte. Não
consegue pensar sobre o seu próprio pensamento.
O mecanismo de centração e a dificuldade de descentrar
leva esta criança a concentrar-se num único aspecto do objeto, o
que produz a distorção do raciocínio; é incapaz de considerar
vários aspectos do elemento. Assimilam os aspectos aparentes
que mais chamam a sua atenção.
Estados e transformações: as crianças se atem a um
estado do objeto e não à transformação deste.
Cresça Brasil (2017) informa ainda que, o pensamento é
estático e imóvel.
O mesmo autor ainda descreve as seguintes
características:
Equilíbrio:
Ausência relativa de equilíbrio entre assimilação e
acomodação. A criança é mais submissa às mudanças do que
controladora das mesmas. Não possui um sistema em equilíbrio
com o qual possa ordenar, formar com coerência o mundo que o
cerca. Sua vida cognitiva com sua vida afetiva tende a ser
instável, descontínua e momentânea.
Ação:
A criança já representa a realidade com imagens, mas
essas representações estão mais próximas das ações explícitas.
Não há tentativa do esquematizar, ordenar e refazer. Piaget
53
denomina esta fase de realismo quando as coisas para a criança
são aquilo que parecem ser, na percepção imediata, egocêntrica.
Irreversibilidade:
As transformações não podem ser reversíveis, isto é não
podem a partir dela, voltar ao que era. Isto não é percebido,
principalmente porque na transformação não se percebe a
constância dos elementos.
Conceitos e raciocínios:
Dificuldade de reconhecer a identidade de um objeto no
decorrer de mudanças contextuais. Dificuldades de perceber
elementos semelhantes pertencentes a uma classe, com suas
diferenças individuais. Os preconceitos são estes conceitos
generalizadores e não diferenciados.
Animismo e artificialismo:
Em sua visão do mundo possui conceitos primitivos de
moral e de justiça e apresenta uma imaturidade generalizada nas
tentativas de enfrentar intelectualmente problemas relativos ao
tempo, causalidade e espaço. Não distingue claramente a
atividade lúdica e a realidade como áreas cognitivas diferentes,
com regras próprias. No animismo tudo possui alma e vida.
Transdusão:
Faz implicações entre dois fatos sem ter uma relação
lógica: água quente implica em barbear-se. A criança raciocina de
preconceito para preconceito.
Justaposição e sincretismo:
Justapor é reunir partes sem articulá-las, sem relacionar
parte e chegar ao todo.
54
Pensamento sincrético é quando a criança relaciona tudo com
tudo o mais. É buscar todos, sem relacioná-los entre si e com as
partes.
2 ª Subfase Intuitiva
De acordo com Cresça Brasil (2017), entre 4 e 7 anos
assiste-se a uma nova estruturação dos esquemas cognitivos.
Esta fase intermediária se caracteriza por um esforço
considerável de adaptação à ideia de uma forma semissimbólica
de pensamento que é o raciocínio intuitivo.
Conforme o mesmo autor, já há uma exploração de vários
traços do objeto, na busca de um todo. Mas ainda não há uma
conservação de um todo. O erro é de ordem perceptiva, há uma
construção intelectual incompleta. Ocorre progresso, entretanto,
na medida em que o sujeito examina as configurações do
conjunto, de maneira a relacionar duas dimensões, mas não
amplia as suas conclusões sobre compensações e conservações
porque ainda está muito presa às imagens perceptivas.
A descentração progride, identificando vários traços de
uma realidade e na tentativa de buscar relações. As regras
mantêm maior constância e organizações, mas carecem de
reversibilidade e de conservações e relatividade. Já começam as
tentativas de agrupamento (por um traço apenas, sem inclusões
de classe) e ordenações por um traço perceptivo, ainda apoiado
em pareamentos (sem inclusão de séries).
Tavares (2017), de forma resumida descreveu a criança do
Estágio Pré-Operatório e suas características da criança neste
estágio:
É egocêntrica, centrada em si mesma, e não consegue se
colocar, abstratamente, no lugar do outro.
Não aceita a idéia do acaso e tudo deve ter uma explicação
(é fase dos "por quês").
Já pode agir por simulação, "como se".
Possui percepção global sem discriminar detalhes.
Deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.
Exemplos:
55
Mostram-se para a criança, duas bolinhas de massa iguais
e dá-se a uma delas a forma de salsicha. A criança nega que a
quantidade de massa continue igual, pois as formas são
diferentes. Não relaciona as situações.
Operatório-concreto (7 a 11 anos)
Conforme Cresça Brasil (2017), durante este período, as
deficiências do período anterior são em grande parte superadas.
A criança adquire o conceito de conservação ou o princípio de
invariância. As quantidades de água em vidros diferentes não
mudam simplesmente porque a forma mudou. Se pegar uma
mesma massa e transformá-la ora numa bola, ora numa salsicha,
a quantidade não varia, simplesmente por ter mudado a forma.
Além disso, a criança adquire o conceito de reversibilidade: no
pensamento, as ideias podem ser retomadas, a situação original
pode ser restaurada, as coisas transformadas podem voltar às
suas origens.
A criança tem mais capacidade de descentração, buscando
as identidades e diferenças, além do percebido. Derivado desta
capacidade, a criança pode classificar objetos sob um aspecto e
desclassificá-lo sobre um outro (em um aspecto pertence a um
conjunto, num outro aspecto pertence a outro grupo).
Possui capacidade de ordenar os objetos tendo em vista
uma qualidade padrão (ordenar varas de tamanhos diversos). Isto
se dá porque consegue estabelecer relações.
Estabelecer relação, classificando e seriando, faz com que
o indivíduo deduza das ações percebidas, operações implícitas,
porém estas operações são feitas tendo em vista objetos
concretos. A simples verbalização para expressar relações não
são compreendidas nesta fase.
O mesmo processo se dá em relação a percepção
espacial-temporal, isto é, todas as características de flexibilidade
(reversibilidades) e constância de elementos aparecem na
percepção de causa e efeito.
Igualmente na avaliação (julgamento ético e estético) todas
as características citadas acima entram no processo.
Resumidamente, segundo Tavares (2017), neste estágio a
criança desenvolve noções de tempo, espaço, velocidade, ordem,
casualidade, ..., sendo então capaz de relacionar diferentes
56
aspectos e abstrair dados da realidade. Apesar de não se limitar
mais a uma representação imediata, depende do mundo concreto
para abstrair.
De acordo com a mesma autora, um importante conceito
desta fase é o desenvolvimento da reversibilidade, ou seja, a
capacidade da representação de uma ação no sentido inverso de
uma anterior, anulando a transformação observada.
Exemplos:
Despeja-se a água de dois copos em outros, de formatos
diferentes, para que a criança diga se as quantidades continuam
iguais. A resposta é afirmativa uma vez que a criança já diferencia
aspectos e é capaz de "refazer" a ação.
Operatório-formal (11 ou 12 anos)
Segundo Cresça Brasil (2017), o estágio das operações
formais começa no início da adolescência. O adolescente pode
raciocinar dedutivamente, fazer hipóteses a respeito de soluções
para o problema, pensar simultaneamente em várias hipóteses. É
capaz de raciocínio científico e de lógica formal e pode aceitar a
forma de um argumento, embora deixe de lado seu conteúdo
concreto, de onde se origina o termo "operaçõesformais".
O adolescente parece preocupado com o pensamento.
Considera leis gerais e se preocupa com o hipoteticamente
possível e também com a realidade. Já não precisa limitar sua
percepção a situações imediatas e ao concreto. O indivíduo que
atingiu as operações formais tenta por à prova suas hipóteses,
seja mentalmente ou através de experimentos reais.
O autor de Cresça Brasil (2017), concluiu que finalmente o
adolescente perceberá o outro, entrará no processo afetivo ou
imaginativo de forma mais flexível que anteriormente, usando nas
suas interpretações e avaliações hipóteses mentais elaboradas ou
mesmo criadas, tendo a capacidade de confrontá-las com a
realidade.
A criatividade atinge a maturidade em relação aos demais
estágios. Isto acontece porque as imagens são elaboradas,
reelaboradas e combinadas mentalmente, sem deixar de serem
confrontadas com uma realidade objetiva, claramente delineada
pelo adolescente.
57
Há diferenciação nítida entre o “eu” e o objeto.
O egocentrismo ocorre também na adolescência que
assume a forma de um idealismo ingênuo carregado de objetivos
imoderados, de reforma e remodelação da realidade (onipotência
de pensamento). Há uma valorização total no pensamento e uma
desconsideração aos obstáculos práticos.
De acordo com Tavares (2017), é neste momento que as
estruturas cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado
de desenvolvimento. A representação agora permite à criança
uma abstração total, não se limitando mais à representação
imediata e nem às relações previamente existentes. Agora a
criança é capaz de pensar logicamente, formular hipóteses e
buscar soluções, sem depender mais só da observação da
realidade.
Segundo a autora, em outras palavras, as estruturas
cognitivas da criança alcançam seu nível mais elevado de
desenvolvimento e tornam-se aptas a aplicar o raciocínio lógico a
todas as classes de problemas.
Exemplos:
Se lhe pedem para analisar um provérbio como "de grão
em grão, a galinha enche o papo", a criança trabalha
com a lógica da idéia (metáfora) e não com a imagem de
uma galinha comendo grãos.
A construção dos números
Conforme IMES (2017), sabemos que muitas crianças
entram em contato com os números desde muito cedo, no
contexto familiar e social: sua idade, número de sua casa ou
telefone, número do seu canal de televisão preferido, ou do andar
onde mora, etc. Esse contato, embora informal, é de grande
importância, pois oferece condições de familiarização com o
conceito, e a criança começa a estabelecer suas primeiras
hipóteses a respeito do processo de representação de
quantidades. Assim, nada impede que uma criança de 4 ou 5
anos represente o número de sua casa, ou que registre, no
desenho que acabou de fazer, o dia do mês e o ano. Isso não
significa, no entanto, que ela de fato tenha construído o número.
58
Ordem e Inclusão Hierárquica
Vejamos quais são as estruturas operatórias envolvidas
nesse processo.
Conforme IMES (2017) para a pesquisadora piagetiana
Constance Kamii, “número é uma síntese de dois tipos de relação
que a criança elabora entre os objetos. Uma é a ordem e a outra é
a inclusão hierárquica”. Muitas vezes, quando pedimos para uma
criança que conte alguns objetos, o que ela faz é reproduzir a
sequência numérica decorada, sem se preocupar se contou
mesmo todos os objetos ou se algum deles foi contado mais de
uma vez. Segundo Piaget, ordem é a nossa necessidade lógica
de estabelecer uma organização (que não precisa ser espacial)
entre os objetos, para termos certeza de que contamos todos e de
que nenhum foi contado mais de uma vez. Quando observamos
uma criança em seus primeiros contatos com os números,
percebemos que, ao contar, ela recita os “nomes” dos números,
do mesmo modo que recitaria os nomes de algumas pessoas.
Assim, depois de contar cinco brinquedos, se lhe pedirmos que
indique o cinco ela mostrará o quinto brinquedo contado, como se
“cinco” fosse o nome dele. Na percepção de Piaget, inclusão
hierárquica é a capacidade de perceber que o “um” está incluído
no “dois”, o “dois” no “três”, e assim por diante, de modo que os
cinco brinquedos são o grupo todo. Ainda envolvendo a inclusão
hierárquica, temos a conexidade. Uma pesquisa realizada por
Piaget concluiu que, “embora a estrutura mental do número seja
bastante bem-formada em torno dos 5 para 6 anos, possibilitando
à maioria das crianças a conservação do número elementar, ela
não está suficientemente estruturada antes dos 7 anos e maio de
idade para permitir que a criança entenda que todos os números
consecutivos estão conectados pela operação de “+ 1”.
59
60
Capítulo 4
A Neuroanatomia
Funcional
O sistema nervoso
O sistema nervoso é a parte do organismo que transmite sinais
entre as diferentes partes do organismo e coordena suas ações
voluntárias e involuntárias. O tecido nervoso surge com os
vermes, cerca de 550 a 600 milhões de anos atrás. Na maioria
das espécies animais, constitui-se de duas partes principais: o
sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico
(SNP).
As questões pertinentes à relação mente-cérebro têm sido
objeto de muitas investigações. Durante a evolução filogenética o
sistema nervoso central, e em especial as estruturas encefálicas,
relacionadas com o comportamento e com as funções cognitivas
e emocionais, se desenvolveram de forma complexa
caracterizando o ser humano e diferenciando-o de seus
ancestrais. É provável que as necessidades adaptativas, geraram
o crescimento do SNC e acarretaram uma maior imbricação de
dobramentos de estruturas encefálicas, dando origem à atual
conformação do mesmo. As estruturas telencenfálicas atuais,
originárias de um sistema nervoso primitivo, tiveram um
desenvolvimento com neurônios dispostos nas camadas corticais
do cérebro, o que viabilizou a maior complexidade, sobretudo das
funções cognitivas e intelectuais do ser humano, culminando com
uma rica consciência e com o destacado papel do sistema tálamo-
cortical (Schmidek e Cantos, 2008).
Filogenia do sistema nervoso
Filogenia ó a parte das ciências biológicas que se ocupa do
desenvolvimento dos órgãos e aparelhos através dos sucessivos
61
estados evolutivos do organismo. A filogenia do sistema nervoso
será, pois, o estudo da evolução deste sistema através das
espécies, desde as mais rudimentares até às mais perfeitas,
desde o organismo mais elementar até ao mais complexo. Por
razões que já vamos ver, ao termo filogenia associa-se logo o
termo ontogenia. Ontogenia é a parte das ciências biológica s que
se ocupa do desenvolvimento dos órgãos e aparelhos através da
s sucessivas formas porque que passa um organismo, desde o
ovo até ao seu completo desenvolvimento. A ontogenia do
sistema nervoso do homem será, pois, o estudo das múltipla s e
sucessiva s formas por que passa este sistema, desde o
aparecimento das primeiras células diferenciadas até ao estado
adulto. As ideias expressas de cada um destes termos associam-
se bastantes vezes porque há muito já, a biologia encontrou um
paralelismo fundamental entre a filogenia e a ontogenia,
descobrindo que os diferentes órgãos e aparelhos dum
organismo, à medida que se desenvolvem a partir do ovo,
reproduzem aproximadamente, nas suas linhas gerais, as formas
que os mesmos órgãos e aparelhos apresentavam nos diferentes
estados da sua evolução através das espécies. Este paralelismo é
expresso pela lei da patrogonia que diz: “a ontogenia reproduz a
filogenia”. A ontogenia é como que um resumo, no tempo e no
espaço, da filogenia (Universidade de Évora, 2017).
Segundo Cielo (2004), o cérebro humano, conforme as
modificações originadas da filogênese, aumentou de tamanho em
algumas áreas e se especializou em inúmeras funções. Porém,
manteve sempre um maior ou menor grau de interdependênciae
interligação entre as diversas zonas neurológicas. No atual
estágio de desenvolvimento humano, as modificações cerebrais
adquiridas durante a filogênese tornaram-se
genéticas/herdadas/inatas – uma estrutura altamente complexa e
muito semelhante para todos os homens em termos das áreas
cerebrais e dos tipos de células e sua organização no sistema.
Isto posto, pode-se considerar a hipótese de que essa
semelhança biológica (genética/herdada/inata) favoreça, em
função de sua própria estrutura orgânica, determinadas
possibilidades e determinados limites de processamento da
informação equivalentes para todos os seres humanos.
Conforme a mesma autora, ao mesmo tempo em que o ser
humano nasce com um programa genético que determina uma
62
estrutura cerebral comum e limitada em certos aspectos, o seu
cérebro possui uma característica denominada plasticidade
neuronial que se refere ao desenvolvimento do sistema nervoso
central por meio da modificação das ligações entre suas células,
os neurônios (sinapses inter-neuroniais), da criação de novas
conexões (reorganização neuronial), da existência de períodos
críticos e de especializações hemisféricas, havendo interações
que ocorrem em todos os níveis, dos genes ao meio ambiente,
originando formas e comportamento emergentes (perspectiva
Emergentista). Para a aurora, torna-se evidente que o grau de
plasticidade não excede o limite estrutural do substrato biológico,
isto é, as células não poderão se modificar além daquilo que sua
estrutura puder comportar.
Neurônio
O neurônio a unidade básica do cérebro
e do sistema nervoso
O neurônio é a célula do sistema nervoso responsável pela
condução do impulso nervoso. Há cerca de 86 bilhões (até 20 de
fevereiro de 2009 se especulava que havia 100 bilhões) de
neurônios no sistema nervoso humano. O neurônio é constituído
pelas seguintes partes: corpo celular, o núcleo celular, dendritos
(prolongamentos numerosos e curtos do corpo celular, receptores
de mensagens), axônio (prolongamento que transmite o impulso
nervoso vindo do corpo celular) e telodendritos. O neurônio pode
ser considerado a unidade básica da estrutura do cérebro e do
sistema nervoso. A membrana exterior de um neurônio toma a
forma de vários ramos extensos chamados dendritos, que
recebem sinais elétricos de outros neurônios, e de uma estrutura
a que se chama um axônio que envia sinais elétricos a outros
neurônios. O espaço entre o dendrito de um neurônio e os
telodendritos de outro é o que se chama uma fenda sináptica: os
sinais são transportados através das sinapses por uma variedade
de substâncias químicas chamadas neurotransmissores. O córtex
cerebral é um tecido fino composto essencialmente por uma rede
de neurônios densamente interligados tal que nenhum neurônio
63
está a mais do que algumas sinapses de distância de qualquer
outro neurônio. Os neurônios recebem continuamente impulsos
nas sinapses de seus dendritos vindos de milhares de outras
células. Os impulsos geram ondas de corrente elétrica (excitatória
ou inibitória, cada uma num sentido diferente) através do corpo da
célula até a uma zona chamada a zona de disparo, no começo do
axônio. É aí que as correntes atravessam a membrana celular
para o espaço extracelular e que a diferença de voltagem que se
forma na membrana determina se o neurônio dispara ou não. Os
neurônios caracterizam-se pelos processos que conduzem
impulsos nervosos para o corpo e do corpo para a célula nervosa.
Os impulsos nervosos são reações físico-químicas que se
verificam nas superfícies dos neurônios e seus processos. A
cromatina nuclear é escassa, enquanto que o nucléolo é muito
proeminente. A substância cromidial no citoplasma é chamada de
substância de Nissl. À microscopia eletrônica mostra-se disposta
em tubos estreitos recobertos de finos grânulos. Estudos
histoquímicos e outros demostraram-na constituída de
nucleoproteínas. Estas nucleoproteínas diminuem durante a
atividade celular intensa e durante a cromatólise que se segue à
secção de axônios (Wikipédia, 2017).
Anatomia do neurônio.
64
Vida e morte dos neurônio no recém-
nascido
Neurônios não se formam só na gestação, mas também
nas primeiras semanas após o nascimento. Ao menos em ratos,
verificaram Fabiana Bandeira, Roberto Lent e Suzana Herculano-
Houzel, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eles viram
que o córtex cerebral de um rato com uma semana de vida tem 44
milhões de células, quase o dobro de neurônios do animal ao
nascer. Ganhos e perdas são intensos em diferentes regiões do
sistema nervoso central. De 60 a 70% dos neurônios do córtex e
do hipocampo existentes na primeira semana de vida são
eliminados na semana seguinte (PNAS). O número de outras
células também varia. O cérebro de um rato tem 4 milhões de
células não neuronais (6% do total de células) no nascimento e
140 milhões quando adulto (50% do total). O volume final do
cérebro resulta da combinação de perdas e ganhos de neurônios
e outras células e do aumento de tamanho dos neurônios
(Fapesp, 2017)
Neuróglia
As células da glia, geralmente chamadas neuróglia,
nevróglia, gliócitos ou simplesmente glia (em grego, "cola"), são
células não neuronais do sistema nervoso central que
proporcionam suporte e nutrição aos neurônios. Geralmente
arredondadas, no cérebro humano as células da glia são,
aproximadamente, 10 vezes mais frequentes que os neurônios no
corpo humano. Ao contrário do neurônio, que é amitótico, nas
células gliais ocorre a mitose. Por décadas, neurocientistas
acreditaram que os neurônios eram os responsáveis por toda a
comunicação no cérebro e sistema nervoso, e que as células
gliais, embora nove vezes mais numerosas que os neurônios,
apenas os alimentavam. Novas técnicas de imagem e
instrumentos de “escuta” mostram que as células gliais se
comunicam com os neurônios e umas com as outras. As células
gliais são capazes de modificar esses sinais nas fendas sinápticas
entre os neurônios e podem até mesmo influenciar o local da
formação das sinapses. Devido a essa proeza, as células gliais
65
podem ser essenciais para o aprendizado e para a construção de
lembranças, além de importantes na recuperação de lesões
neurológicas. Experiências para provar isso estão em andamento.
Tipos de células gliais
Microglia
Micróglia consiste em macrófagos especializados, capazes
de fagocitar, que protegem os neurônios. São as menores de
todas as células gliais e correspondem a 15% de todas células do
tecido nervoso. Da microglia fazem parte as células ependimárias.
Macroglia
Os tipos de células da macróglia são astrócitos,
oligodendrócitos e células de Schwann, ambos formados a partir
de glioblastos, que são células embrionais de derivação
neuroepitelial. Por volta da quinta semana de vida fetal, ocorre o
fechamento do tubo neural e a formação do sulco neural, a partir
do qual se forma a primitiva medula espinhal, constituída de
epitélio pseudoestratificado (estrato neuroepitelial). Ali, as células
se multiplicam e se diferenciam em neuroblastos (precursores dos
neurônios) e glioblastos. Quando cessa a produção de
neuroblastos, os glioblastos migram pela camada de substância
cinzenta (camada interna da medula espinhal), dando origem aos
astrócitos, e pela camada de substância branca (camada
externa), onde se diferenciam em oligodendrócitos.
66
Funções
As principais funções das células da glia são cercar os
neurônios e mantê-los no seu lugar, fornecer nutrientes e oxigênio
para os neurônios, isolar um neurônio do outro, destruir
patógenos e remover neurônios mortos. Mantêm a homeostase,
formam mielina e participam na transmissão de sinais no sistema
nervoso. As células de glia têm a importante função de produzir
moléculas que modificam o crescimento de dendritos e axônios.
Descobertas recentes no hipocampo e cerebelo indicam que
tambémparticipam ativamente nas transmissões sinápticas,
regulando a liberação de neurotransmissores ou liberando-os,
elas mesmas, e liberando ATP que modela funções pré-
sinápticas. São cruciais na reparação de neurônios que sofreram
danos: no sistema nervoso central, a glia impede a reparação (os
astrócitos alargam e proliferam, de modo a produzirem mielina e
moléculas que inibem o crescimento de um axônio lesado); no
sistema nervoso periférico, as células de Schwann promovem a
reparação.
Sinapses
Sinapses são zonas ativas de contato entre uma
terminação nervosa e outros neurônios, células musculares ou
células glandulares. Do ponto de vista anatômico e funcional, uma
sinapse é composta por três grandes compartimentos: membrana
67
da célula pré-sináptica, fenda sináptica e membrana pós-
sináptica. Os principais tipos de contato sináptico são: axo-
somático (entre um axônio e o corpo celular), axo-dendrítico
(entre um axônio e um dendrito), neuro-efetor (entre a terminação
nervosa e a célula efetora, fibra muscular lisa, fibra muscular
cardíaca ou célula glandular), neuromuscular (entre a terminação
nervosa e a fibra muscular esquelética).
Classificação morfológica das sinpses
Morfologicamente as sinapses podem ser classificadas em
excitatórias (tipo I), quando apresentam a membrana pós-
sináptica maior e mais espessa, vesículas que armazenam
neurotransmissores redondas e relativamente grandes e uma
fissura para a liberação dos mesmos maior do que a das sinapses
inibitórias (tipo II) que apresentam membrana pré e pós-sináptica
simétricas e vesículas de neurotransmissores menores. Além
disso, o tipo de neurotransmissor fabricado pelos neurônios (a
maior parte ainda desconhecida) atua como excitador ou inibidor
68
do neurônio pós-sináptico, dependendo do tipo de receptores
presentes na célula pós-sináptica. Alguns neurotransmissores
atuam por até alguns minutos, podendo se propagar em longas
distâncias por meio da corrente sanguínea local. Normalmente,
cada neurônio recebe, pelos dendritos (ramificações para inputs),
milhares de estímulos ao mesmo tempo em que geram a
despolarização da célula, levando, se a energia resultante dessa
despolarização for suficiente, à liberação de neurotransmissor, ou
seja, de um output inibitório ou excitatório. A autora citando, Crick
e Asanuma22 (1986), afirma que nenhum axônio ativa sinapses
excitatórias enquanto está com as inibitórias ativadas. Segundo
ela os autores citados anteriormente) observam que a recepção
dos inputs pelos neurônios permite uma “detecção de
características” do estímulo, isto é, determinados neurônios
respondem melhor a um grupo de características do input do que
a outro. Acredita-se que este fato possa estar relacionado com a
saliência perceptual de determinados estímulos para os seres
humanos. Como cada célula apresenta estrutura e propriedades
particulares, a computação que ocorre com os inputs parece ser
sempre diferente, ocorrendo o mesmo com o output que será
diferente em cada sinapse de saída na mesma célula. Os padrões
de atividade químico-elétrica que se formam nos neurônios e se
propagam nas sinapses parecem ser o código cerebral utilizado
para armazenar o conhecimento. Cielo (2004) afirmou que
segundo Young e Concar23 (1992), esse código cerebral para
armazenar o conhecimento pode estar associado ao crescimento
do cérebro nos primeiros anos de vida e possui uma base celular
chamada de potencialização de longa duração que consiste no
fortalecimento daquelas sinapses neuroniais que são ativadas em
paralelo e simultaneamente, mediante a repetição de determinado
estímulo, por meio de uma molécula receptora. Essa molécula
receptora se encontra no neurônio pós-sináptico e exige duas
descargas de neurotransmissor do neurônio pré-sináptico: a
primeira ativa os receptores e a segunda mantém ambos
neurônios ativos ao mesmo tempo para produzir a potencialização
22 CRICK, F., ASANUMA, C. Certain aspects of the anatomy and physiology of
the cerebral cortex. Cap. 20, p. 333-371. In: McCLELLAND, J.L., RUMELHART,
D.E. Parallel Distributed Processing – Explorations in the microestruture of
cognition, v. 2. London: MIT’Press, 1986.
23 YOUNG, S., CONCAR, D. These cells were made for learning. New Scientist,
v.136, n.1848, supl.02, p. 2-8, 1992.
69
de longa duração e a consequente codificação da informação
(reforço das sinapses). Os demais tipos de descargas neuronais
apresentam apenas uma liberação de neurotransmissor, não
mantendo os neurônios envolvidos ativados ao mesmo tempo –
condição primordial para o reforço das sinapses
Classificação das sinpses
Neurotransmissores
Neurotransmissores são substâncias químicas produzidas
pelos neurônios (as células nervosas), com a função de
biossinalização. Por meio delas, podem enviar informações a
outras células. Podem também estimular a continuidade de um
impulso ou efetuar a reação final no órgão ou músculo alvo. Os
neurotransmissores agem nas sinapses, que são o ponto de
junção do neurônio com outra célula.
70
Classificação
Aminas biogênicas:
. Catecolaminas:
. Adrenalina ou epinefrina, noradrenalina ou norepinefrina e
dopamina.
. Indolaminas: Serotonina, melatonina e histamina.
Aminoacidérgicos
. Aminoacidérgicos: GABA, taurina, ergo
]tioneína, glicina, beta-alanina, glutamato e aspartato.
Neuropeptídeos
Neuropeptídeos: endorfina, encefalina, vasopressina, oxitocina,
orexina, neuropeptídeo Y, substância P, dinorfina A,
somatostatina, colecistoquinina, neurotensina, hormona
luteinizante, gastrina e enteroglucagon.
Radicais livres
Radicais Livres: Óxido Nítrico (NO2), monóxido de carbono
(CO), trifosfato de adenosina (ATP) e de ácido araquidônico.
Colinérgico
Colinérgico: Acetilcolina.
71
Estrutura química dos
neurotransmissores
Na figura a seguir os aminoácidos precurssores de
neurotransmissores e neuromoduladores:
72
Nurotransmissores: formação e
liberação
Na figura a seguir apresentamos a formação e liberação
dos neurotransmissores.
73
Locais de ação
Essas substâncias atuam no encéfalo, na medula espinhal
e nos nervos periféricos e na junção neuromuscular ou placa
motora.
Junção neuromuscular
Quimicamente, os neurotransmissores são moléculas
relativamente pequenas e simples. Diferentes tipos de células
secretam diferentes neurotransmisores. Cada substância química
cerebral funciona em áreas bastante espalhadas, mas muito
específicas do cérebro e podem ter efeitos diferentes dependendo
do local de ativação. Cerca de 60 neurotransmissores foram
identificados e podem ser classificados, em geral em uma das
quatro categorias.
Funções
São aminas biogênicas a adrenalina, serotonina,
noradrenalina, dopamina, histamina, melatonina e DOPA. O
glutamato e o aspartato são os transmissores excitatórios bem
conhecidos, enquanto que o ácido gamaaminobutírico (GABA), a
glicina e a taurina são neurotransmissores inibidores.
74
Dopamina
Controla a estimulação e os níveis do controle motor.
Quando os níveis estão baixos no mal de Parkinson, os pacientes
não conseguem se mover. Presume-se que a cocaína e a nicotina
atuam liberando uma quantidade maior de dopamina na fenda
sináptica. Porém, existem alguns fármacos que atuam elevando
os níveis de Dopamina, são os Medicamentos Precursores da
Dopamina, agonistas de receptores dopaminérgicos, inibidores
seletivos da MAO-B(monoaminoxidase - b) , inibidores da COMT
(catecol-o-ometil-transferase), Liberadores de dopamina,
bloqueadores de sua recaptação e estimulantes de sua síntese.
Serotonina
Esse neurotransmissor é um dos maisimportantes e com
mais receptores e funções diferentes. Possui forte efeito no
humor, memória, aprendizado, alimentação, desejo sexual e sono
reparador. A falta desse neurotransmissor é a causa de
transtornos depressivos, alimentares, sexuais e do sono. Para sua
boa produção é importante o consumo de triptofano, uma boa
rotina de 6 a 8h de sono e exercícios regulares. A maioria dos
antidepressivos são estimuladores de neurotransmissores
(serotonina, dopamina e noradrenalina), mas seus resultados são
questionáveis devido ao fato de algumas pessoas sadias não
apresentarem redução na taxa dos mesmos.
Acetilcolina
A acetilcolina (ACh) é que controla a atividade de áreas
cerebrais relacionadas à atenção, aprendizagem e memória. É
liberada pelos núcleos colinérgicos e é responsável pelo sistema
parassimpático atuando na junção neuromuscular para relaxar
músculos esqueléticos e contrair o sistema digestivo e excretor,
efeito oposto ao da adrenalina. Desse modo é importante para a
boa digestão e relaxamento muscular.
Noradrenalina
75
Principalmente uma substância química que induz a
excitação física e mental e ao bom humor. A produção é centrada
na área do cérebro chamada de locus ceruleus, e atua no centro
de "prazer" do cérebro. Sua falta está associada a transtornos
depressivos.
Glutamato
O principal neurotransmissor excitatório do sistema
nervoso. O glutamato atua em duas classes de receptores: os
ionotrópicos (que quando ativados exibem grande condutividade a
correntes iônicas) e os metabotrópicos (agem ativando vias de
segundos mensageiros). Os receptores ionotrópicos de glutamato
do tipo NMDA são implicados como protagonistas em processos
cognitivos que envolvem a destruição de células.
Aspartato
Também atua como neuromodulador excitatório, de modo
similar ao glutamato.
Glicina
A glicina é um neurotransmissor aminoácido encontrado
em todo o organismo, e atua como neurotransmissor inibitório em
neurônios do sistema nervoso central, principalmente a nível de
tronco cerebral e da medula espinhal. Também atua como anti-
inflamatório, protetor celular e na modulação do sistema imune.
Ácido gama-aminobutírico (GABA)
O GABA é o principal neurotransmissor inibidor no sistema
nervoso central. É sintetizada a partir do glutamato, o principal
excitatório.
Substância P
A substância P é um neuropeptídeo que atua como
neuromodulador. Ela facilita processos inflamatórios como vômito
76
e nocicepção (resposta à dor), e é secretada por macrófagos,
eosinófilos, linfócitos e células dendríticas, além dos nervos
sensitivos específicos. Ela também pode ser responsável pelo
controle da respiração e da regeneração do tecido epitelial e
nervoso, e atua favorecendo a vasodilatação. A substância P
pertence à família das taquicininas (TAC1). Fórmula molecular:
C63H98N18O13S. Peso molar: 1347.63 g/mol.
Neurotensina
A neurotensina é um tridecapeptídeo, encarregado de
regular o hormônio luteinizante e a liberação de prolactina e
interage com o sistema dopaminérgico. Esse neuropeptídio está
distribuído por todo sistema nervoso central, com níveis mais
elevados no hipotálamo, amígdala e núcleo acumbente; no
sistema nervoso periférico, pode ser encontrado nas células
endócrinas no intestino delgado. Dentre os seus papeis
funcionais, destacam-se a regulação da atividade locomotora,
analgesia (diminuição da dor), hipotermia (diminuição da
temperatura corporal), regulação das vias de dopamina, aumento
da produção de glutamato e alterações na pressão arterial.
Opioides
Encefalina, endorfina e dinorfinas são opiáceos que, como as
drogas heroína e morfina, modulam as respostas a dor,
relaxamento muscular e reduzem o estresse. Também estão
envolvidas nos mecanismos de dependência física. Além de seu
envolvimento nas vias de dor, o sistema opioide está largamente
representado em áreas cerebrais envolvidas na resposta à
substâncias psicoativas, como a área tegmental ventral e a
cápsula no núcleo acumbente. Os peptídeos opióides estão
envolvidos em grande variedade de funções, regulando funções
de respostas ao estresse, de alimentação, de humor, de
aprendizado, de memória e imunes, além de apresentar grande
importância na modulação de inúmeras funções sensoriais,
motivacionais, emocionais e funções cognitivas.
Melatonina
77
Causa sono quando está escuro, regulando assim o ciclo
claro-escuro, uma das partes mais importantes para o bom
funcionamento do ciclo circadiano, que prepara o organismo para
a maior ou menor produção de hormônios e enzimas dependendo
do horário do dia.
Histamina
No hipotálamo a histamina regula funções térmicas e
relacionadas ao despertar. No resto do organismo é importante
para regular o fluxo sanguíneo e resposta a inflamação.
Orexígenos e anorexígenos
Orexígenos são responsáveis por causar fome e apetite,
enquanto anorexígenos produzem saciedade. Dentre os principais
orexígenos estão o neuropeptídeo Y, a “proteína relacionada ao
gene do agouti” (AGRP), as orexinas, o hormônio concentrador de
melanina (MCH) e a colecistoquinina (CCK) enquanto dentre os
anorexígenos os principais são o “alfa-hormônio estimulador dos
melanócitos” (aMSH), transcrito regulado pela cocaína e
anfetaminas (CART) e a lisina.
Neuropeptídeos
No início da década de 70, investigações com aminoácidos
evidenciaram seu envolvimento no processo de transmissão
sináptica. Foi descoberto que, além de seu papel metabólico,
certos aminoácidos desempenhavam também o papel de
neurotransmissores. Desde então, foi crescendo o número de
peptídeos caracterizados como neurotransmissores. Os
neuropeptídios são sintetizados de outro modo e tem ações que
são em geral lentas e muito diferentes das dos
neurotransmissores de moléculas menores. Os neuropeptídios
não são sintetizados no citosol dos terminais pré-sinápticos como
neurotransmissores não peptídicos, mas são sintetizadas como
grandes moléculas proteicas.
78
Áreas cerebrais reguladoras e neuropeptídeos / transmissores
associados. As cores correspondem a neuropeptídeos / hormônios
específicos da seguinte forma: azul, orexina; Roxo, CCK; Rosa NMU;
Laranja Agrp; Marrom, POMC; Verde, ghrelina; Amarelo, leptina. As áreas
com estas cores indicam o local de síntese (por exemplo, AgRP, POMC e
ARC, orexina, LH), fonte periférica (NMU, grelina, leptina e CCK), áreas
nas quais o neuropeptídeo / hormônio foi injetado e os efeitos sobre SPA
relatados, ou Site (s) de ação proposto (veja o texto). Os sinais de todas
essas áreas têm potencial para influenciar os neurônios premotores
corticais. As áreas do cérebro não estão à escala e as conexões e
neuropeptídeos / transmissores indicados não são inclusivos. O contorno
do cérebro de ratos foi modificado de Paxinos e Watson (Paxinos e
Watson, 1990). Para uma descrição alternativa, veja fig. 2 em Castaneda et
al. (Castaneda et al., 2005). 5HT, serotonina; Agrp, proteína relacionada
com Agouti; ARC, núcleo arqueado hipotalâmico; CCK, colecistoquinina;
CRH, hormona liberadora de corticotropina; DA, dopamina; LC, locus
coeruleus; LH, hipotálamo lateral; MCH, hormônio de concentração de
melanina; NAccSH, concha de núcleos accumbens; NE, norepinefrina;
NMU, neuromedina U; NPY, neuropéptido Y; POMC,
proopiomelanocortina; PVN, núcleo paraventricular hipotalâmico; VTA,
área tegmental ventral; RLH, Rostral LH; SN, substância negra; TMN,
núcleo tuberomamilateral.
79
Etapas na síntese dos neuropeptídeos
Pelos ribossomos situados no corpo celular dos neurônios.
As moléculas proteicas, então entram nos espaços internos do
retículo endoplasmático do corpo celular e logo depois no
aparelho de Golgi, onde passam por duas alterações: primeiro, a
proteína que forma o neuropeptideo é clivada (cortada), por ação
enzimática, em fragmentos menores, sendo alguns deles o
próprio neuropeptídeo ou seu precursor. Segundo,o aparelho de
Golgi empacota o neuropeptídio em vesículas diminutas que são
liberadas no citoplasma. Essas vesículas são transportadas até as
terminações das fibras nervosas pelo fluxo axônico, sendo
transportadas de forma lenta de apenas de alguns centímetros
por dia. No fim, essas vesículas fundem-se com as membranas
dos terminais pré-sinápticos e liberam seus conteúdos na fenda
sináptica em resposta a potenciais de ação da mesma forma que
os neurotransmissores de molécula pequena. As vesículas
passam por autólise, ou seja, as vesículas se autodestroem
espontaneamente, entretanto não são reutilizadas como acontece
com os neurotransmissores não-peptídicos. Devido ao método
trabalhoso da formação desses neuropeptídeos, citados acima,
quantidades bem menores são liberadas desses são normalmente
liberadas em relação aos neurotransmissores de moléculas
pequenas. Só que isto é compensado, pois os neuropeptídeos
possuem em geral uma potência de transmissão de impulsos bem
maior do que dos neurotransmissores não peptídicos. Outra
característica importante dos neuropeptídeos é que eles por
vezes provocam ações prolongadas, por exemplo: alguns desses
efeitos duram dias mas outros podem durar meses ou anos.
Síntese de neuropepitíteos
80
Patologias
A diminuição dessas substâncias provocam
alteração doenças psiquiátricas como:
. Transtornos do humor
. Transtornos de ansiedade
. Transtornos alimentares
. Transtornos sexuais
. Distúrbios do sono
. Distúrbios de memória e aprendizagem
E doenças neurológicas como:
. Fibromialgia, dor crônica e enxaquecas,
. Demências como parkinson e alzheimer,
. Convulsões e epilepsia,
. Transtornos motores como tremores, rigidez e espasmos.
A plasticidade do Sistema Nervoso
Central
A plasticidade do Sistema Nervoso Central repousa nos
neurônios com sua capacidade de crescimento e brotamento de
ramificações destinadas a inputs e a outputs, permitindo que a
mesma célula receba vários estímulos e envie outros tantos por
meio das sinapses. As células nervosas podem ter atividade
excitatória ou inibitória, dependendo das suas condições
estruturais e físico-químicas, liberando os hormônios
(neurotransmissores) que funcionam como output da célula que
os libera e input daquela que os recebe.
Conceitos de plasticidade sináptica
Marilia Baquerizo Sedano e Jhonatan Astucuri Hidalgo
(2012) universidad peruana Cayetano Heredia em seu artigo
81
“Neurobiología de la memoria y procesos neuroquímicos
implicados” escreveram que Desde o paradigma da evolução, o
aprendizado e a memória atuam como meio principal de
adaptação de seres vivos as modificações inciertas do medio
ambiente. Ambos procesos têm uma relação e a não é possível
distingui-los dentro do circuito neuronal. Conforme os mesmos
autores, presume-se para fins acadêmicos, que a aprendizagem é
o processo de aquisição de informação e memória relaciona-se
com a codificação, armazenamento e recuperação de
informações que foram aprendidas. Assim, entende-se também
que a aprendizagem é uma mudança relativamente permanente
no sistema nervoso resultante da experiência e que por sua vez
provoca mudanças duradouras no comportamento de organismos;
e homólogo, a memória é o fenômeno geralmente inferida a partir
dessas mudanças, o que dá a nossa vida um sentido de
continuidade. Que define o nosso sentido de continuidade
identidade e permite que a informação retida experiências sobre o
passado condicional comportamento futuro. Mas esta informação
armazenada no sistema nervoso, normalmente um formado
instantaneamente e segue um processo de formação que inclui
pelo menos dois estágios ou fases subsequentes: memória de
curto prazo e de longo prazo.
Em 1894, durante uma palestra na Royal Society, Santiago
Ramon y Cajal, o pai da moderna neurociência Prêmio Nobel de
Medicina e Fisiologia em 1906, ele enunciou uma frase que no
nosso tempo dar ao substrato célula de memória:
"Exercício mental facilita ainda mais o desenvolvimento
de estruturas nervosas em partes do cérebro em uso.
Assim, as ligações pré-existentes entre grupos de
células podem ser melhoradas pela a multiplicação de
terminações nervosas ... "
Quase 50 anos depois, em 1949, Donald Hebb deu uma
definição mais formal de plasticidade sináptica que diz o
postulado:" Quando o axônio da célula excita A células B, e
repetidamente ou persistentemente envolvida na ativação de
algum tipo de crescimento ou alteração metabólica em uma ou
ambas as células, assim A eficácia de um como um da célula
estimuladores de B aumenta ".
82
Em neurociência, plasticidade sináptica é a capacidade
de sinapses de fortalecer ou enfraquecer ao longo do
tempo, em resposta a aumentos ou diminuições em sua
atividade. Por as memórias serem representadas por
redes vastamente interligadas de sinapses no cérebro, a
plasticidade sináptica é uma das importantes bases
neuroquímicas para o aprendizado e a memória (ver
teoria hebbiana). Mudanças plásticas muitas vezes
resultam da alteração do número de receptores de
neurotransmissores localizados em uma sinapse.
Existem vários mecanismos subjacentes que cooperam
para alcançar a plasticidade sináptica, incluindo
mudanças na quantidade de neurotransmissores
liberados em uma sinapse e mudanças em quão
efetivamente as células vão responder aos
neurotransmissores. A plasticidade sináptica, em ambas
as sinapses excitatórias e inibidoras, foi verificada como
sendo dependente da liberação pós-sináptica de cálcio.
É ainda em 1966, que este postulado primeiro ele
demonstrou experimentalmente tempo. O norueguês Terje
Lomo24 observou que treinamentos de curta estimulação
incrementavam a eficiência da transmissão em sinapses entre a
via perfurante e as células granulares da circunvolución dentada
do hipocampo, em coelhos anestesiados. Alguns anos mais tarde,
em 1973, e no mesmo laboratório, Lomo e britânico Timothy Bliss,
eles descobriram que a frequência de estimulação
moderadamente elevada da mesma maneira produziu aumentos
estáveis e duráveis em resposta pós-sináptica, que é chamado de
potenciação de longo prazo (LTP, por sua sigla em Inglês).
As mesmas autoras concluíram que a memória é um
fenômeno intimamente relacionados à aprendizagem, que é uma
mudança no nível comportamental, cognitiva e neural. Seu
processo de formação inclui, pelo menos, duas etapas ou fases
seguintes: a memória de curto prazo e da memória de longo
termo. A principal diferença entre estas duas fases reside na
persistência de alterações que ocorrem sobre as conexões
sinápticas. Os conceitos de plasticidade sináptica e potenciação
de longo prazo - LTP explicar o suporte de memória
neuroquímica. Neles segue-se que o cérebro e conexões
24 Terje Lomo (nascido em 3 de janeiro de 1935) é um fisiologista norueguês
especializado em neurociencia.
83
anatomicamente e funcionalmente mudar como resultado da
experiência.
Capacidade Craniana do homem
O homem sempre se orgulhou de suas capacidades
intelectuais e muitas vezes pensou em explicar a razão pela qual
ele sozinho pode, ao contrário do resto do reino animal,
contemplar e se comunicar com os outros. Uma vez que o cérebro
do homem é maior do que outros animais, é natural que o homem
conclua que o cérebro é a marca do homem e a medida deve ser
a chave para a compreensão de sua capacidade intelectual única
(Jue, 2017).
Medição da capacidade intelectual
A medição da capacidade intelectual potencial do homem a
partir de fontes que não sejam observações diretas e testes é
derivada de dados diretos, indiretos e inferenciais. Os dados
diretos são obtidos da medição da capacidade craniana e da
análise de moldes que "expõem" o interior do crânio. A evidência
indireta vem do estudo de tamanhos comparativos de cérebro,
que se baseia no pressuposto de que existeuma correlação entre
tamanho e configuração do cérebro e estudos comportamentais.
Outras evidências indiretas provêm do estudo de restos fósseis de
partes não cranianas que inferem destreza manual e acuidade
visual (Jue, 2017).
Medição da capacidade craniana
A capacidade craniana foi medida de várias maneiras. As
sementes de mostarda, milheto ou linho são usadas porque se
aproximam bastante do volume equivalente a um líquido, mas
também são utilizados pequenos tiros de chumbo.1 Se as
sementes de mostarda forem usadas, elas são colocadas no
crânio oco, depois que os pequenos forames são tapados com
algodão Lã através do forame magnum, por meio de um funil e
agitado pela mão ou um instrumento de agitação. Quando o
https://answersingenesis.org/bios/douglas-jue/
https://answersingenesis.org/bios/douglas-jue/
84
crânio está suficientemente embalado, o material é vertido em um
copo de medição que é novamente agitado e embalado. Medições
diferentes no mesmo espécime podem ser feitas dependendo da
forma como as sementes são comprimidas, a velocidade com que
as sementes são filmadas e o diâmetro do pescoço do funil. Uma
maneira mais precisa de medir a capacidade craniana, embora
raramente feita, é fazer um molde endocraneal e medir a
quantidade de água que o elenco desloca. As estimativas de
capacidade craniana de muitos fósseis principais de hominídeos
diferem quando medidas pelos outros métodos. Medições
indiretas para capacidade craniana podem ser feitas com
diferentes fórmulas dependendo do sexo (Jue, 2017). A seguir
essas fórmulas:
Masculino: 359,34cm3 + 365 x 10-6 (Comprimento x largura x altura auricular)
Feminino: 296.4cm3 + 375 x 10-6 (Comprimento x largura x altura auricular)
As mudanças são feitas em fórmulas dependendo da raça
e da espessura do osso parietal.
Muitas vezes, os homínidos fósseis são encontrados
fragmentados e são reconstruídos por um paradigma de acordo
com a lei de correlação. Jerrison4 notou a escassez de crania
inteira de australopithecines e habilines e observou que as
estatísticas cranianas parecem estar de acordo com focos de
médias baseadas em algumas reconstruções.
https://answersingenesis.org/bios/douglas-jue/
85
Como a capacidade craniana do homem é tão variável
hoje, mostrou-se que existe uma relação muito pequena entre a
capacidade craniana e a inteligência humana. Várias populações
têm capacidades dentro do alcance do "fóssil". Os livros de texto
mostram a evolução do cérebro do homem. No entanto, um
melanésio com capacidade craniana de 790 cúbicos (cc) é o
menor que em um adulto normal. A variabilidade da capacidade
craniana do homem começa em 850 cc. Embora os adultos com
atrasos mentais tenham tido medidas de capacidades cranianas
de 511cc e 519cc, que são iguais a um gorila adulto.
Regiões do cérebro e suas diferentes
funções.
O córtex cerebral é dividido em áreas denominadas lobos
cerebrais, cada uma com funções diferenciadas e especializadas.
O córtex cerebral é dividido em áreas
denominadas lobos cerebrais
Regiões do cérebro são especializadas para diferentes
funções.
O sistema nervoso central, que é bilateral e essencialmente
simétrico, consiste de seis partes principais (Kandel, 2017):
1 - A medula espinhal, a parte mais caudal do sistema nervoso
central, recebe informações da pele, articulações e de músculos
do tronco e membros e envia comandos motores para
movimentos, sejam eles reflexos ou voluntários.
86
2 - O bulbo é a extensão rostral da medula espinhal.
3 - A ponte e o cerebelo (que se localiza atrás da ponte) são
rostrais ao bulbo. O cerebelo está relacionado com a modulação
da força e amplitude do movimento.
4 - O mesencéfalo localiza-se rostralmente à ponte entre o que é
chamado cérebro posterior (bulbo, ponte e cerebelo) e o cérebro
anterior ou prosencéfalo (o diencéfalo e o córtex cerebral).
O bulbo, a ponte e o mesencéfalo, referidos coletivamente
como tronco cerebral, mediam uma ampla variedade de funções.
O tronco cerebral contém vários conjuntos de corpos celulares
chamados de núcleos dos nervos cranianos. Alguns destes
núcleos recebem informações da pele e dos músculos da cabeça
e também grande parte da informação dos sentidos especiais, da
audição, equilíbrio e gosto. Outros núcleos controlam a saída
motora para os músculos da face, pescoço e olhos. Outra
estrutura chave no tronco cerebral é a formação reticular difusa, a
qual é importante na determinação dos níveis de vigília e de
alerta.
5 - O diencéfalo contém duas estruturas chave de retransmissão.
Uma delas, o tálamo, processa a maior parte da informação que
chega ao córtex cerebral a partir do resto do sistema nervoso
central. A outra, o hipotálamo, regula a integração autonômica,
endócrina e visceral.
6 - Os hemisférios cerebrais consistem dos gânglios basais e
córtex cerebral circundante. Ambos, o córtex e os gânglios basais
estão relacionados com funções perceptuais, cognitivas e motoras
superiores.
Diferentes regiões do cérebro são especializadas para
diferentes funções.
Cérebro: anatomia e função
A História (conhecida) começa com o médico, cirurgião e
filósofo Galeno25 de Pérgamo, que propôs que o cérebro controla
25 Cláudio Galeno ou Élio Galeno, em latim Claudius Galenus, (Pérgamo, c.
129 – provavelmente Sicília, ca. 217), mais conhecido como Galeno de
Pérgamo foi um proeminente médico e filósofo romano de origem grega, e
provavelmente o mais talentoso médico investigativo do período romano. Suas
teorias dominaram e influenciaram a ciência médica ocidental por mais de um
87
o movimento do corpo. Como é claro, esta noção fundamental é
hoje inquestionável. Contudo, Galeno propôs também que os
nervos eram como que uns tubos que transportavam um fluído
desde o cérebro e medula espinal até à periferia do corpo, uma
interpretação errada que permaneceu até final do século XIX.
Nesta altura, Camillo Golgi26 desenvolveu uma técnica para
observar neurónios e a sua estrutura, com a qual Ramón y Cajal
mostrou pela primeira vez que o tecido neuronal não era uma
“rede” contínua, mas uma estrutura composta por neurónios bem
individualizados (Lopes, 2017).
Anatomia funcional do cérebro
Giro – é uma saliência do córtex cerebral. É geralmente cercado
por um ou mais sulcos.[
Sulco – sulcus (Latin, pl. sulci) is a depression or groove in the
cerebral cortex.
- Sulco Central – divide o Lobo Frontal do Lobó Parietal.
milênio. Seus relatos de anatomia médica eram baseados em macacos, visto
que a dissecação humana não era permitida no seu tempo , mas foram
insuperáveis até a descrição impressa e ilustrações de dissecções humanas
por Andreas Vesalius em 1543. Desta forma Galeno é também um precursor
da prática da Vivissecção e experimentação com animais.
26 Camillo Golgi (Corteno, 7 de Julho de 1843 — Pavia, 21 de Janeiro de 1926)
foi um médico e histologista italiano.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Giro#cite_note-1
88
Fissura – sulcos profundos, geralmente dividindo grandes regiões
/ lobos do cérebro
- Fissura Longitudinal - divide os dois Hemisférios
Cerebrais
- Fissura Transversa – separa o Cerebrum do Cerebelo
- Sylvian/Fissura Lateral –divide o Lobo Temporal dos
Lobos Frontais e Parietais.
Fissuras, giros e sulco.
89
Lobos do cérebro - Frontal
• O lobo frontal do cérebro está localizado no fundo do osso
frontal do crânio
• Ele desempenha um papel fundamental nas seguintes
funções / ações:
- Formação de memória
- Emoções
- Tomada de decisão / raciocínio
- Personalidade
Lobo frontal - Regiões corticais
• Cortex Motor Primário (Giro Pré-central)– sitio Cortical envolvido
controlando os movimentos do corpo.
• Area de Broca – Controla os neurônios faciais, a fala e a
compreensão da linguagem. Localizado no Lobo Frontal Esquerdo
– Afasia de Broca – Resulta na capacidade de compreender a
fala, mas a diminuição da capacidade motora (ou
incapacidade) para falar e formar palavras.
Afasia
A afasia é por si só a perda da capacidade e das
habilidades de linguagem falada e escrita.
A comunicação pela linguagem falada é peculiar aos
seres humanos, sendo diferencialmente localizada no
hemisfério esquerdo e se correlacionando com
assimetrias anatômicas (lobos frontal e temporal). A
afasia é um sintoma comum na neurologia clínica, muitas
vezes como conseqüência de um acidente vascular
90
cerebral cuja localização geralmente se dá junto à artéria
cerebral média esquerda ou nos ramos junto à região do
cérebro responsável pela linguagem. Outras podem ser
causadas por infecções e manifestações degenerativas
locais comprometendo a área especificada. Existem
peculiaridades que diferenciam as afasias e
proporcionam ao médico uma determinação da
topografia da região afetada, independente da causa,
portanto podemos dividi-las em:
Afasia de Broca
A afasia de Broca caracteriza-se por grande dificuldade
em falar, porém a compreensão da linguagem encontra-
se preservada. Essa síndrome é também dita como
afasia não fluente, de expressão ou motora: os pacientes
conseguem executar normalmente a leitura silenciosa,
mas a escrita está comprometida. Esses pacientes
possuem, ainda, fraqueza na hemiface e membro
superior direito (devido à proximidade das regiões
afetadas pelo distúrbio circulatório). Os pacientes têm
consciência do seu déficit e se deprimem com facilidade
(frustração). Entretanto, o prognóstico é bom quanto à
recuperação de parte da linguagem falada, embora
sejam necessários meses para a realização de uma fala
simples, abreviada, ainda que não fluente.
Afasia deWernicke
A afasia deWernickecaracteriza-se por dificuldade na
compreensão da linguagem, a fala é fluente e faz pouco
sentido. Essa síndrome é também denominada afasia
fluente, de recepção ou sensorial. Diferente dos
pacientes com afasia de Broca, os pacientes com essa
síndrome começam a falar espontaneamente, embora de
modo vago, fugindo do objetivo da conversa. Pode existir
parafasias, isto é, uma palavra substituindo outra, como
chamar uma colher de garfo (parafasia literal), ou um
som substituindo outro, como ao chamar uma colher de
mulher (parafasia verbal); geralmente, não apresentam
fraqueza associada, os pacientes não se dão conta de
seu déficit e a recuperação é mais difícil.
Afasia de Condução
Na afasia de condução, a compreensão está
relativamente preservada e a fala é fluente e
espontânea. Existe, entretanto, incapacidade de repetir
palavras corretamente.
Afasia Global
Afasia global é a perda de todas as capacidades de
linguagem: compreensão, fala, leitura e escrita, sendo
causado geralmente por um infarto completo no território
da artéria cerebral média esquerda; os pacientes, sendo
assim, também apresentam geralmente hemiplegia
91
direita (total perda de força no lado direito do corpo),
além de demência associada; o prognóstico é mais
reservado. (ABC da Saude, 2017)
Cortex Orbitofrontal– sitio de lobotomias27 frontais.
Efeitos Desejados:
- Raiva diminuída
- Diminuição da agressão
- Respostas emocionais pobres
Possíveis efeitos secundários:
- Epilepsia
- Respostas emocionais pobres
- Gestos, ações ou palavras descontrolados
Bulbo olfatório - Cranial Nerve I, Responsável pela sensação
de cheiro.
27 Lobotomia ou também leucotomia, é uma intervenção cirúrgica no cérebro em
que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias
frontais associadas. Foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia.
92
Lobos do cérebro – Lobo Parietal
O lobo parietal do cérebro está localizado no fundo do osso
parietal do crânio.
• It plays a major role in the following functions/actions:
. Senses and integrates sensation(s)
. Spatial awareness and perception
(Proprioception - Awareness of body/ body parts in space and
in relation to each other)
Lobo Parietal - Regiões Corticais
Cortex Somatosensorio Primário
(Giro Pós-central)
Sitio envolvido no processamento de informações tácteis e
proprioceptivas28.
28 Propriocepção também denominada como cinestesia, é o termo utilizado
para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua
posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada
parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão.
93
Cortex Somatosensório Associado
Auxilia na integração e interpretação de sensações
relativas à posição e orientação do corpo no espaço. Pode ajudar
com a coordenação visual-motor.
Cortex Gustativo Primário
Sitio primário envolvido com a interpretação da sensação
do gosto.
Lobos do cérebro – Lobo Ocipital
O lobo ocipital do cérebro está localizado no fundo do
osso ocipital do crânio.
Sua principal função é o processamento, integração,
interpretação, etc. da visão e estímulos visuais.
94
Lobo Ocipital – Regiões Corticais
Cortex Visual Primário – esta é a principal área do cérebro
responsável pela visão - reconhecimento de tamanho, cor, luz,
movimento, dimensões, etc.
Area Visual Associada – Interpreta as informações
adquiridas através do córtex visual primário.
Lobos do cérebro – Lobo Temporal
Os lobos temporais estão localizados nos lados do cérebro,
profundamente aos ossos temporais do crânio.
Eles desempenham um papel fundamental nas seguintes
funções:
- Audição
- Organização/Comprensão da linguagem.
- Recuperação da informação (Memoria e formação da
Memoria).
95
Lobo Temporal – Regiões Corticais
Cortex Auditivo Primário – Responsável pela audição
Primary Olfactory Cortex –Interpreta o sentido do cheiro uma
vez que atinge o córtex através dos bulbos olfativos. (Não visível
no córtex superficial)
Area de Wernicke’s– compreenção da linguagem. Localizado no
Lobo Temporal Esquerdo.
Afasia de Wernicke – A compreensão da linguagem é inibida. As
palavras e frases não são claramente compreendidas e a
formação de sentenças pode ser inibida ou não sensível.
96
Fasciculus Arcuate
Um trato de matéria branca que liga a área de Broca e a
área de Wernicke através dos lobos temporais, parietais e
frontais. Permite uma fala coordenada e compreensível. Os danos
podem resultar em:
. Afasia de Condução
Onde a compreensão auditiva e a articulação da fala são
preservadas, mas as pessoas dificilmente repetem a fala ouvida.
As áreas do córtex cerebral de Korbinian
Brodmann
Segundo Gil (2017), as áreas de Brodmann foram definidas
pelo neurologista Korbinian Brodmann29, em seu livro
“Vergleichende Lokalisationslehre der Grosshirnrinde in ihren
Prinzipien dargestellt auf Grund des Zellenbaues”, de 1909. Essas
áreas constituem a base para a localização funcional no córtex
cerebral. Para a demarcação dessas áreas, Brodmann utilizou-se
como critério a organização dos neurônios no córtex cerebral, em
que eram visualizados por meio da técnica de coloração de Nissl.
29 Korbinian Brodmann (17 de novembro de 1868 - 22 de agosto de 1918) foi
um neurologista alemão que se tornou famoso por sua definição do córtex
cerebral em 52 regiões distintas de suas características histológicas,
conhecidas como áreas de Brodmann.
97
As áreasde Brodmann tem sido discutida, refinadas e
renomeadas exaustivamente durante quase um século, e
continuam a ser as mais conhecidas e citadas na citoarquitetura
da organização do córtex humano. Portanto, essas áreas
definidas por Brodmann, baseando-se simplesmente na
organização neural, são ainda utilizadas para designar regiões
corticais funcionais. A existência de localizações funcionais e o
seu estudo têm grande importância na compreensão do
funcionamento do cérebro. As áreas funcionais do córtex, de
maneira bem esquemática, foram divididas em área de projeção e
de associação. No caso das áreas de projeções “são as que
recebem ou dão origem as fibras relacionadas diretamente com a
sensibilidade e com a motricidade”, e as restantes seriam as
áreas de associações que, segundo o autor citado, estão
relacionadas com as funções psíquicas complexas. Portanto,
quando há lesões nas áreas de projeções, essas podem causar
paralisias e alterações na sensibilidade, enquanto que, quando
ocorrem lesões na área de associação a parte motora e sensitiva
não é afetada, mas podem ocorrer alterações psíquicas. Com a
contribuição do neuropsicólogo russo Alexandre R. Luria que,
propôs uma divisão funcional do córtex baseada no seu grau de
afinidade com a motricidade e com a sensibilidade, abriu-se
caminho para entender melhor as conexões do funcionamento
cerebral. Desta maneira, as áreas de projeções, ligadas à
motricidade e à sensibilidade, passaram a ser consideradas por
esse neuropsicólogo de áreas primárias, e as áreas de
associações foram subdivididas em secundárias (unimodais) e
terciárias (supramodais). Essa subdivisão deveu-se a dois
motivos. O primeiro, por perceber que existiam funções, ainda que
indiretamente, sensoriais e motoras nas áreas de associações,
desta forma, passou a denominar estas áreas de secundárias ou
unimodais. Segundo, que as áreas terciárias ou supramodais, não
se ocupavam de nenhum processamento motor ou sensitivo, mas
estavam envolvidas com atividades psíquicas superiores como a
memória, os processos simbólicos e o pensamento abstrato.
Dependendo da região do cérebro a morfologia e a densidade
celular das camadas variam, e foi esses critérios arquitetônicos
que permitiram a Brodmann mapear as áreas corticais numeradas
de 1 à 52. Essas áreas podem ser agrupadas em três tipos mais
abrangentes: córtex agranular, com ausência da camada 4 e uma
98
profusão de células piramidais (áreas 4 e 6), córtex hipergranular
com uma camada granular desenvolvida e muitas células (áreas
sensitivas e sensoriais) e córtex eulaminado, com um equilíbrio
entre as seis camadas (áreas associativas).
Área de Brodmann
Área de Brodmann é uma região do córtex cerebral definida
com base nas suas estruturas citoarquitetonicas e organização de
suas células. Originalmente definidas e numeradas pelo alemão
anatomista Korbinian Brodmann baseadas na organização
citoarquitetural dos neurônios que ele observou no córtex
cerebral. Brodmann publicou seus mapas de áreas corticais em
humanos, macacos e outras espécies, em 1909, junto com muitas
outras descobertas e observações sobre os tipos de células em
geral e a organização laminar do córtex dos mamíferos. O mesmo
número de área de Brodmann em diferentes espécies não indica
necessariamente áreas homólogas. Um mapa cortical similar,
porém, mais pormenorizado, cortical foi publicado por Constantin
von Economo e N. Georg Koskinas em 1925.
99
Importância na atualidade
As Áreas de Brodmann foram discutidas, debatidas,
refinadas, e renomeadas exaustivamente por quase um século, e
continuam a ser a mais conhecida e citada organização
citoarquitetonica do córtex humano. Muitas das áreas de
Brodmann definidas apenas com base na sua organização
neuronal já foram correlacionadas similarmente a diversas
funções corticais. Por exemplo, áreas de Brodmann 1, 2 e 3 são o
córtex somatosensorial primário, área 4 é o córtex motor primário,
área 17 é o córtex visual primário, e áreas de 41 e 42
correspondem ao córtex auditivo primário. Funções de ordem
superior às das áreas corticais de associação também são
consistentemente localizadas nas mesmas áreas de Brodmann
pela imagem funcional neurofisiológica (por exemplo, a
localização consistente da área de Broca, com função de
compreensão da linguagem, nas áreas Brodmann em 44 e 45).
No entanto, imagens funcionais só podem identificar a localização
aproximada de ativações cerebrais em termos de áreas de
Brodmann dado o fato de que os limites reais em qualquer
cérebro individual requerem um exame histológico e ativações
cerebrais em termos de áreas de Brodmann dado o fato de que os
limites reais em qualquer cérebro individual requerem um exame
histológico.
Áreas de Brodmann em primatas e humanos
Cada área tem mais de uma função, múltiplas áreas são
usadas em cada atividade e um lado frequentemente
tem prevalência sobre o outro (Wikipédia, 2017).
100
Áreas 3, 1 e 2 - córtex somatossensorial primário: processa tatos,
dor e propriocepção);
Área 4 - córtex motor primário: controle de diversos movimentos e
respostas cinestésicas;
Área 5 e 7 - córtex de associação somatossensorial: visão
espacial, uso de ferramentas, memória de trabalho;
Área 6 - córtex pré-motor e córtex motor suplementar (córtex
motor secundário);
Área 8 - inclui campos oculares frontais: associado com o controle
do movimento dos olhos;
Área 9 - córtex dorsolateral pré-frontal: associado com lógica e
cálculos;
Área 10 - córtex pré-frontal anterior (parte mais rostral e superior
do giro frontal meio superior): associado com atenção e alerta;
Área 11 e 12 - área orbito-frontal: associado ao processo
decisório e comportamentos éticos;
Área 13 e área 14 - córtex insular*: associado ao
somatossensorial, memória verbal, motivação;
Área 15 - lobo temporal anterior*;
Área 17 - córtex visual primário (V1);
Área 18 - Área 22 – giro temporal superior (parte da área de
Wernicke);
Área 19 - córtex visual associativo (V3, V4, V5);
Área 20 - giro temporal inferior;
Área 21 - giro temporal médio;
Área 23 – córtex ventral cingulado posterior;
Área 24 – córtex ventral cingulado anterior;
Área 25 – córtex subgenual (parte do córtex ventromedial pré-
frontal);
Área 26 – porção ectosplenial da região retrosplenial do córtex
cerebral;
Área 27 – córtex piriforme;
Área 28 – córtex entorrinal posterior;
Área 29 – córtex retrosplenial cingulado;
Área 30 - Parte do córtex cingulado;
Área 31 – córtex dorsal cingulado posterior;
Área 32 – córtex dorsal cingulado anterior;
Área 33 - parte do córtex cingulado anterior;
Área 34 - córtex entorrinal (no giro parahipocampal);
101
Área 35 – perirrinal córtex (no giro parahipocampal );
Área 36 – córtex Hipocampal (no giro para-hipocampal );
Área 37 - giro fusiforme;
Área 38 - área temporopolar (parte mais rostral do giro temporal
superior e médio): associado com interpretação de emoções;
Área 39 - giro angular (considerado por alguns como parte da
área de Wernicke);
Área 40 - giro supramarginal (considerado por alguns como parte
da área de Wernicke);
Áreas 41 e 42 - córtex primário e de associação auditiva;
Área 43 - córtex gustativo primário;
Área 44 - pares operculares, parte da área de Broca;
Área 45 - pares triangulares área de Broca;
Área 46 - córtex pré-frontal dorsolateral;
Área 47 - giro prefontal inferior;
Área 48 - área retrosubicular (uma pequena parte da superfície
medial do lobo temporal); córtex visual secundário (V2);
Área 49 - parasubiculum área de um roedor;
Área 52 - parainsular área (na junção do lobo temporal e a insula);
(*) Diferente em primatas humanos
(**) Algumas das áreas originais Brodmann foram subdivididas, por exemplo,
"23" e "23b";
Cerebelo
Em 1504, Leonardo da Vinci30 cunhou o termo "
“cerebellum" (latino para "pequeno cérebro") depois de fazer30 Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou simplesmente Leonardo da Vinci
(Anchiano, 15 de abril de 1452[1] — Amboise, 2 de maio de 1519), foi um
polímata nascido na atual Itália, uma das figuras mais importantes do Alto
102
fundições de cera do cérebro humano e observando dois
pequenos hemisférios cuidadosamente arrumados sob o "
cerebrum" muito maior (latino para "cérebro").
Em 1504, Leonardo da Vinci nominou o órgão.
O cerebelo é apenas 10 por cento do volume do cérebro31,
mas abriga cerca de 80 por cento dos neurônios totais do seu
cérebro, a maioria das quais são células granulares. Cerebelar é a
palavra da irmã para o cerebral e significa "relacionar-se ou
localizar no cerebelo".
Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro,
inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.
31 Capacidade encefálica se refere ao volume encerrado no interior do crânio,
ocupado pelo encéfalo. Nos vertebrados, o aumento dessa capacidade,
observado ao longo da evolução, tem relação com o aumento da inteligência e
complexidade psico-comportamental. O aumento desta capacidade atinge o
seu máximo no ser humano e faz-se à custa de um aumento massivo do córtex
cerebral que fazendo face a um volume não expansível da caixa craniana,
enrugou fazendo sulcos profundos chamados circunvoluções. A área do córtex
chega a atingir mais de 0,22 m² e parece haver uma relação entre o grau de
enrugamento e a inteligência.
103
Durante séculos, o cerebelo foi considerado pela maioria
dos especialistas como o assento de atividades inconscientes
"não pensantes" que não tinham nada a ver com a cognição -
como manter o equilíbrio, ajustar a coordenação motora e a
propriocepção32.
Recentemente, Christopher Bergland (2017) citou no site
Psychology Today, cinco novas funções do cerebelo conforme
ele, nos últimos meses, os avanços revolucionários na tecnologia
de imagens cerebrais e informática permitiram que os
pesquisadores estudassem profundamente os neurônios
densamente compactados do cerebelo de maneiras que antes
eram impossíveis. A última evidência empírica33 com métodos de
última geração sugere que o cerebelo desempenha um papel
complexo e anteriormente subestimado em vários processos
cognitivos envolvendo o córtex cerebral, bem como outras
estruturas subcorticais do cérebro, incluindo os gânglios basais.
Cerebelo
32 Propriocepção também denominada como cinestesia, é o termo utilizado
para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua
posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada
parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico
de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de
diversas atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares que
trabalham para manter o corpo na sua base de sustentação, de informações
táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno.
33 Na filosofia, empirismo foi uma teoria do conhecimento que afirma que o
conhecimento vem apenas, ou principalmente, a partir da experiência sensorial.
104
1. Tarefa com a mão direito transfere o
conhecimento motor para o pé direito (“Right
hand task training transfers motor knowledge
to right foot”).
Os neurocientistas da Faculdade de Medicina da
Universidade Johns Hopkins descobriram que o cerebelo pode
transferir a aprendizagem motora baseada em habilidades de uma
parte do corpo para outra. Isso ilustra a plasticidade previamente
desconhecida entre o córtex motor e o cerebelo. Notavelmente, o
córtex motor no hemisfério direito do cérebro controla o lado
esquerdo do corpo; O hemisfério direito do cerebelo controla o
lado direito do corpo (e vice-versa).
O principal objetivo deste estudo foi demonstrar o valor de
uma técnica de estimulação cerebral chamada "inibição cerebelar"
que é usada para investigar como as conexões neurais no
cérebro mudam à medida que as pessoas aprendem novas
habilidades motoras. As descobertas de Johns Hopkins foram
publicadas no Journal of Neuroscience em 1 de março de 2017.
Durante uma parte desta experiência, os pesquisadores
investigaram se as mudanças cerebelares eram exclusivas para
aprender uma nova tarefa. Curiosamente, ao medir a
conectividade entre o córtex motor e o cerebelo, os pesquisadores
descobriram que a atividade cerebelar-cerebral não mudou ao
executar uma tarefa familiar, mas mudou ao aprender uma nova
tarefa.
Em uma declaração, Danny Spampinato, um estudante de
pós-graduação de engenharia biomédica na Johns Hopkins
School of Medicine, disse: "Isso nos mostra que há algo especial
sobre aprender algo novo que muda como as áreas do cérebro
interagem que não acontece quando fazemos um movimento Já
sabíamos como fazer ".
2. Ao aprender uma nova tarefa, as células de
grânulos cerebelares exibem níveis
surpreendentes de atividade (“When learning
105
a new task, cerebellar granule cells display
surprising levels of activity”)
Uma equipe internacional, incluindo pesquisadores do
Princeton Neuroscience Institute e Baylor College of Medicine,
usaram uma tecnologia avançada de imagem cerebral chamada
"microscopia de dois fótons a laser" e algoritmos computacionais
para descriptografar os sinais de células granulares no cerebelo.
As células granulares do cerebelo estão entre os
neurônios mais pequenos do cérebro. (O termo célula de
grânulo é usado para vários tipos de neurônios não
relacionados em várias partes do cérebro). As células de
grânulos cerebelares também são facilmente os
neurônios mais numerosos no cérebro: nos seres
humanos, as estimativas de seu número total em média
em torno de 50 bilhões, o que Significa que eles
constituem cerca de 3/4 dos neurônios do cérebro.
Células granulares (granule cells) do cerebelo.
Os pesquisadores disseram que este é o primeiro estudo a
analisar a atividade neuronal das células dos grânulos
cerebelares nos cérebros dos animais vivos, enquanto eles
estavam aprendendo uma tarefa de forma anteriormente
impossível. Essas descobertas foram publicadas em 20 de março
de 2017 na revista NatureNeuroscience. De acordo com as
teorias históricas prevalecentes sobre células granulares que
remontam aos anos 60, acreditava-se que os padrões de disparo
subjugados desses neurônios transmitem informações para outras
partes do cerebelo, que processou a informação e enviou-a para
outras partes do cérebro para mais processamento, ou para os
neurônios motores que disseram ao corpo o que fazer. Mas, isso
parece não ser o caso.
106
Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que muito mais
células de grânulos disparavam simultaneamente para codificar
informações sensoriais, e esses padrões de disparo codificavam a
informação sensorial externa e sinais de outras partes do cérebro.
Em uma declaração a Princeton, Sam Wang, professor de
biologia molecular no Princeton Neuroscience Institute, e um co-
autor sênior no estudo disse:
"As pessoas costumavam pensar que a camada de
entrada de neurônios do cerebelo era apenas
esparsamente ativa e codificava apenas informações
coletadas do mundo externo. Parece que elas se
iluminam como uma árvore de Natal, e elas transmitem
informações tanto do lado de fora do corpo quanto de
Outras áreas dentro do cérebro ... Seu cérebro está
constantemente falando consigo mesmo. Descobrimos
que as células dos grânulos não estão apenas
produzindo a predição, mas também a recebem. Eles
estão em uma conversa contínua, constantemente
processando informações para atualizar momentoa
momento A situação, levando a uma conversa dinâmica,
de ida e volta dentro do cérebro ".
O estudo reafirma que o cerebelo - que já se acreditava
que apenas controlava habilidades motoras e movimentos físicos
- é cada vez mais visto pelos líderes do pensamento como
desempenhando um papel complexo em vários processos
cognitivos, tanto na idade adulta quanto ao aprender algo novo.
3. Processo cognitivo em células de grânulos
cerebelares codifica a expectativa de
recompensa “Cognitive process in cerebellar
granule cells encodes the expectation of
reward”)
Em uma descoberta serendipitante34, os neurocientistas da
Universidade de Stanford recentemente tropeçavam em funções
34 Serendipidade. Serendiptismo ou ainda Serendipitia, é um anglicismo que se
refere às descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso. A história
da ciência está repleta de casos que podem ser classificados como
107
cognitivas anteriormente desconhecidas do cerebelo. Em uma
série de experiências complexas de ratos usando uma tecnologia
de imagem cerebral de última geração chamada "imagem de
cálcio de dois fótons", os pesquisadores de Stanford descobriram
que as células de grânulos específicas do cerebelo aprendem e
respondem a recompensas antecipadas ou a falta dela .
O novo estudo do Stanford Neuroscience Institute,
"Cerebellar Granule Cells Encode the Expectation of Reward", foi
publicado em 20 de março on-line antes da impressão no jornal
Nature. Quando Mark Wagner começou esse experimento com
seus colegas em Stanford, ele estava esperando apenas
descobrir que a atividade das células granulares estava
relacionada ao planejamento e execução de movimentos físicos.
Mas em um momento Eureka35!, Wagner et al. Observou que
apenas algumas células granulares dispararam quando um rato
empurrou uma alavanca para receber uma recompensa
açucarada. Surpreendentemente, outras células de grânulos
dispararam quando um rato esperava sua recompensa
açucarada. E, mais um subconjunto de células de grânulos
disparou quando Wagner retirou as recompensas antecipadas. Os
cientistas escreveram no resumo da natureza de seu estudo:
"O rastreamento das mesmas células de grânulos ao
longo de vários dias de aprendizagem revelou que as
células com recompensa - as respostas antecipadas
surgiram daqueles que responderam no início da
aprendizagem para recompensar a entrega, enquanto
que as respostas de omissão-recompensa ficaram mais
fortes à medida que avançava a aprendizagem. A
codificação do sensorimotor em células de grânulos é
uma grande saída da compreensão atual desses
neurônios e enriquece marcadamente a informação
serendipismo. O conceito original de serendipismo foi muito usado em sua
origem.
35 Eureka!, Eureca!, Heureka! ou Heureca! (em grego"Encontrei!") é uma
famosa exclamação atribuída ao matemático grego Arquimedes de Siracusa
(287–212 a.C.). Eureka é uma interjeição que significa “encontrei” ou
“descobri”, exclamação que ficou famosa mundialmente por Arquimedes de
Siracusa. É normalmente pronunciada por alguém que acaba de encontrar a
solução para um problema difícil. O termo tem a sua origem etimológica na
palavra grega “heúreka”, o pretérito perfeito do indicativo do verbo “heuriskéin”
que significa “achar” ou “descobrir”.
108
contextual disponível para células de Purkinje pós-
sinápticas, com importantes implicações para o
processamento cognitivo no cerebelo."
Avançando, Wagner e sua equipe em Stanford estão
otimistas de que essa descoberta possa levar a algo muito maior
em termos de compreensão de como o cerebelo está envolvido
na cognição. Wagner quer unificar sua pesquisa cerebelar com
outros estudos que se concentram em regiões cerebrais como o
córtex cerebral.
4. A estimulação do cerebelo da onda Delta
influencia o funcionamento do cortex frontal.
(“Delta-Wave Cerebellum Stimulation
Influences Frontal Cortex Functioning”).
A estimulação não invasiva do cerebelo a uma freqüência
delta normaliza a atividade cerebral no córtex frontal de ratos de
laboratório com distúrbios de pensamento tipo esquizofrenia, de
acordo com um primeiro estudo novo do tipo da Universidade de
Iowa Carver College of Medicine. Essas descobertas foram
publicadas online antes da impressão em 28 de março de 2017,
na revista Molecular Psychiatry.
Nessa experiência, os pesquisadores utilizaram a
optogenética para estimular o cerebelo dos ratos com a
freqüência precisa de onda delta de 2 Hertz, que restaurou a
atividade normal da onda delta no córtex frontal dos ratos e
normalizou o desempenho dos ratos em um teste de
temporização. Essa estimulação cerebelar também melhorou a
capacidade de um animal de laboratório estimar a passagem do
tempo, que é um déficit cognitivo freqüentemente observado em
seres humanos com esquizofrenia.
Esta pesquisa de ponta foi liderada por Krystal Parker, que diz:
"Meu objetivo a longo prazo é entender a contribuição
cerebelar para a cognição".
Em um comunicado, Parker, que é professor assistente de
psiquiatria da Universidade de Iowa e o primeiro contratado da
faculdade para o novo Iowa Neuroscience Institute, disse:
109
"As interações cerebelares com o córtex frontal em
processos cognitivos nunca foram mostradas antes em
modelos animais. Além de mostrar que o sinal viaja do
cerebelo para o córtex frontal, o estudo também mostrou
que o comportamento de temporização normal foi
resgatado quando o sinal foi restaurado. Nós pensamos
que o tempo é uma janela na função cognitiva. Ele nos
permite investigar processos executivos como memória
de trabalho, atenção, planejamento - todas essas coisas
são anormais na esquizofrenia ".
Disfunções ou anormalidades dentro da estrutura do
cerebelo ou conectividade funcional cerebelar atípica com outras
regiões cerebrais - parece estar ligada a distúrbios como
esquizofrenia, distúrbios do espectro do autismo (ASD) e
síndrome de Tourette (TS).
As últimas descobertas da Parker e colegas da
Universidade de Iowa fornecem novos conhecimentos sobre como
o cerebelo influencia as redes neurais nos lobos frontais e o papel
do cerebelo no processamento cognitivo.
5. Síndrome de Tourette "Tics" revela novas
pistas sobre a conectividade do cerebelo
(“Tourette Syndrome Tics Reveal New Clues
About Cerebellum Connectivity”).
Uma equipe internacional de pesquisadores usou simulação
cerebral avançada baseada em computador para identificar que
os tiques motores da síndrome de Tourette podem surgir a partir
da interação entre várias áreas corticais e subcorticais do cérebro;
Em vez de uma única área de disfunção, como se acreditava
anteriormente. Essas descobertas foram publicadas em 30 de
março de 2017, na revista PLOS Computational Biology.
Historicamente, acreditava-se que os tiques motores
involuntários associados à síndrome de Tourette (batendo
palmas, piscar olhos, cheirar, vocalização incontrolável, etc.)
resultaram de anormalidades unicamente nos gânglios basais. No
entanto, vários estudos recentes sobre seres humanos, macacos
e ratos sugerem que o cerebelo, córtex cerebral e tálamo também
estão envolvidos na geração desses tiques.
110
Com base nessa evidência recente, Daniele Caligiore do
Conselho Nacional de Pesquisa na Itália e colegas da
Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles criaram uma
simulação computacional da atividade cerebral que identificou as
disfunções dos quatro gânglios basal-cerebelar-thalamo - sistema
cortical "produz tiques motores na síndrome de Tourette36.
O novo modelo sugere que a atividade anormal da
dopamina nos gânglios basais pode funcionar em conjunto com a
atividade do sistema tálamo-cortical para desencadear um tic
inicial. Além disso, pareceque a interação bidirecional entre os
gânglios basais e o cerebelo permite que o cerebelo também
influencie a produção de tic. Em um comunicado, Caligiore disse:
"Este modelo representa a primeira tentativa
computacional de estudar o papel dos links anatômicos
dos cerejantes-gânglios basais descobertos
recentemente".
Os pesquisadores também descobriram que seu novo
modelo computacional pode ser usado para prever o número de
tiques gerados quando existem disfunções nos circuitos neurais
conectando os gânglios basais, tálamo, córtex e cerebelo.
Conforme Bergland (2017), o cerebelo foi ofuscado pelo
tamanho de golias37 do cérebro por muito tempo. Após décadas
de progresso lento, os avanços do século 21 na tecnologia de
computação e neuroimagem estão permitindo que os cientistas
compreendam melhor nosso "cérebro pequeno" misterioso e
poderoso. A crescente evidência empírica sobre a dinâmica da
interação "cerebelo-cerebro" está avançando rapidamente e
36 A síndrome de Tourette é um transtorno neuropsiquiátrico hereditário que se
manifesta durante a infância, caracterizado por diversos tiques físicos e pelo
menos um tique vocal. Estes tiques têm remissões e recidivas características,
podem ser suprimidos temporariamente e são precedidos por impulsos
premonitórios. A síndrome é definida enquanto parte do espectro dos
transtornos devido a tiques, no qual se incluem tiques transitórios e crónicos.
37 Golias foi um guerreiro de Gate (1 Samuel 17:4), descrito como um homem
medindo 2,90 m (6 covados e 1 palmo). Participou do episódio da batalha entre
os Filisteus e o povo de Israel, que foi defrontado e morto por Davi, segundo
relatos da Bíblia.[
111
ganhando ímpeto. Estes são momentos emocionantes para
pesquisas cerebelares pioneiras!
Localizado logo abaixo do cérebro, o cerebelo concentra
mais da metade dos neurônios do encéfalo. Apesar disso, por
muito tempo foi visto com menos atenção pelos cientistas,
concentrados principalmente no estudo de estuturas do cérebro.
Um estudo publicado na revista científica Nature Neuroscience,
em 2107, mostrou que o cerebelo pode ter um papel muito mais
importante para a aprendizagem do que até então se acreditava.
Usando a técnica de microscopia de dois fotóns, que permite
observar o cérebro de animais vivos, os pesquisadores
analisaram a atividade de neurônios muito pequenos, conhecidos
como céluas granulosa, em ratos a estímulos que estavam
aprendendo uma nova tarefa. Acredita-se que essa camada
profunda de neurônios era disparada esporadicamente, em
resposta a estímulos sensoriais que chegavam do mundo exterior,
diz o professor de biologia molecular Samuel Wang38 do Instituto
de Neurociência Princeton, um dos líderes do estudo. Segundo o
mesmo, esses neurônios possivelmente repondem não só a
informações externas, mas também internas, de outras áreas do
encéfalo.
O trabalho do Dr. Wang concluiu que as células dos
grânulos cerebelares, que constituem a metade dos neurônios do
cérebro, fornecem células de Purkinje com informações
contextuais necessárias para o aprendizado motor, mas como
elas codificam essa informação são desconhecidas.
38 Samuel "Sam" Sheng-Hung Wang (nascido em 1967) é um professor norte-
americano, neurocientista, psicólogo e autor de livros como Welcome to Your
Brain and Welcome to Your Child's Brain.
112
Dr. Samuel Wang e seu trabalho
revista científica Nature Neuroscience.
As três unidades do cérebro humano
Segundo Amaral e Oliveira (2017), ao longo de sua
evolução, o cérebro humano adquiriu três componentes que foram
surgindo e se superpondo, tal qual em um sítio arqueológico: o
mais antigo, situando-se embaixo, na parte infero-posterior; o
seguinte, em uma posição intermediária e o mais recente,
localizando-se anteriormente e por cima dos outros. São eles,
respectivamente:
1 - O arquipálio ou cérebro primitivo, constituido pelas estruturas
do tronco cerebral - bulbo, cerebelo, ponte e mesencéfalo, pelo
mais antigo núcleo da base - o globo pálido e pelos bulbos
olfatórios. Corresponde ao cérebro dos répteis, também chamado
complexo-R, pelo neurocientista Paul MacLean39.
2 - O paleopálio ou cérebro intermediário (dos velhos mamíferos),
formado pelas estruturas do sistema límbico. Corresponde ao
cérebro dos mamíferos inferiores.
3 - O neopálio, também chamado cérebro superior ou racional
(dos novos mamíferos), compreendendo a maior parte dos
hemisférios cerebrais (formado por um tipo de córtex mais
39 Paul MacLean (1 m1913 – 26 dezembro 2007) foi um médico e
neurocientista norte-americano que se tornou notório por sua teoria do cérebro
trino. A teoria de MacLean parte do pressuposto que o cérebro humano resulta
da existência de três cérebros em um: o complexo réptil, o sistema límbico e o
neocortex.
113
recente, denominado neocórtex) e alguns grupos neuronais
subcorticais.
C
Conforme os mesmos autores, é o cérebro dos mamíferos
superiores, aí incluídos os primatas e, consequentemente, o
homem. Essas três camadas cerebrais foram aparecendo, uma
após a outra, durante o desenvolvimento do embrião e do feto
(ontogenia), recapitulando, cronologicamente, a evolução
(filogenia) das espécies, do lagarto até o homo sapiens. No dizer
de MacLean, elas são três computadores biológicos que, embora
interconectados, conservam, cada um, nas palavras do cientista,
"suas próprias formas peculiares de inteligência, subjetividade,
sentido de tempo e espaço, memória, motricidade e outras
funções menos específicas". Na verdade, são três unidades
cerebrais constituindo um único cérebro. A unidade primitiva é
responsável pela autopreservação. É aí que nascem os
mecanismos de agressão e de comportamento repetitivo. É aí que
acontecem as reações instintivas dos chamados arcos reflexos e
os comandos que possibilitam algumas ações involuntárias e o
controle de certas funções viscerais (cardíaca, pulmonar,
intestinal, etc), indispensáveis à preservação da vida. No curso da
evolução, parte dessas funções reptilianas foram sendo perdidas
ou minimizadas (em humanos, a amígdala e o córtex entorrinal
são as únicas estruturas límbicas que mantêm projeções para o
sistema olfatório). É também aí, no complexo-R, que se esboçam
as primeiras manifestações do fenômeno de ritualismo, através do
114
qual o animal visa marcar posições hierárquicas no grupo e
estabelecer o próprio espaço em seu nicho ecológico (delimitação
de território).
A Teoria do cérebro trino
A Teoria do cérebro trino foi elaborada em 1970 pelo
neurocientista Paul MacLean, apresentada em 1990 no
seu livro “The Triune Brain in evolution: Role in
paleocerebral functions”, discute o fato de que nós,
humanos/primatas, temos o cérebro dividido em três
unidades funcionais diferentes. Cada uma dessas
unidades representa um extrato evolutivo do sistema
nervoso dos vertebrados.
Três divisões
Segundo a teoria de MacLean, o cérebro
humano/primata seria composto pelo:
Cérebro Reptiliano
O Cérebro Reptiliano ou cérebro basal, ou ainda, como o
chamou MacLean, “R-complex”, é formado apenas pela
medula espinhal e pelas porções basais do prosencéfalo.
Esse primeiro nível de organização cerebral é capaz
apenas de promover reflexos simples, o que ocorre em
répteis, por isso o nome; Conhecido como "cérebro
instintivo", tem como característica a sobrevivência,
responsável pelas emoções primárias como, fome, sede
entre outras.
Cérebro dos Mamíferos Inferiores
O Cérebro dos Mamíferos Inferiores: ou cérebro
emocional, ou “Paleommamalian Brain”, é o segundo
nível funcional do sistema nervoso e, além dos
componentes do cérebro reptiliano, conta com os
núcleos da base do telencéfalo, responsáveis pelamotricidade grosseira; pelo Diencéfalo, constituído por
Tálamo, Hipotálamo e Epitálamo; pelo Giro do Cíngulo; e
pelo hipocampo e parahipocampo. Esses últimos
componentes são integrantes do Sistema Límbico, que é
responsável por controlar o comportamento emocional
dos indivíduos, daí o nome de Cérebro Emocional. Esse
nível de organização corresponde ao cérebro da maioria
dos mamíferos;
Cérebro Racional
Conhecido também como neocórtex, é compostos pelo
córtex telencefálico. Esse por sua vez é dividido em
lobos, sendo esses: Frontal: o mais derivado dos lobos
cerebrais, responsável pelas funções executivas;
Parietal: responsável pelas sensações gerais; Temporal:
responsável pela audição e pelo olfato; Occipital:
responsável pela visão;
115
Insular: responsável pelo paladar e gustação.
As hierarquias neurais e mentais
Gerald Wiest (2012) do Departamento de Neurologia,
Medica Universidade Médica de Viena, Austria (Department of
Neurology, Medical University Vienna), publicou o artigo intitulado
“Neural and mental hierarchies” (“Hierarquias neurais e mentais”),
onde afirmou que a história das ciências do cérebro e da mente
humana tem sido caracterizada desde o início por duas tradições
paralelas. A teoria predominante que ainda influencia a forma
como as técnicas atuais de neuroimagem interpretam a função
cerebral, pode ser rastreada até as teorias clássicas de
localização, que por sua vez retornam às primeiras teorias
frenológicas.
Frenologia
Frenologia (do Grego: phren, "mente"; e logos, "lógica ou
estudo") é uma teoria que reivindica ser capaz de
determinar o caráter, características da personalidade, e
grau de criminalidade pela forma da cabeça (lendo
"caroços ou protuberâncias"). Desenvolvido por médico
alemão Franz Joseph Gall por volta de 1800, e muito
popular no século XIX, está agora desacreditada e
classificada como uma pseudociência. A Frenologia,
contudo, recebeu crédito como uma protociência por
contribuir com a ciência médica com as ideias de que o
cérebro é o órgão da mente e áreas específicas do
cérebro estão relacionadas com determinadas funções
do cérebro humano. Seus princípios eram que o cérebro
é o órgão da mente, e essa mente tem um jogo de
diferentes faculdades mentais e comportamento, cada
sentido em particular tem sua representação em uma
parte diferente do órgão ou cérebro. Estas áreas seriam
proporcionais a cada indivíduo, dadas as propensões e
importância da faculdade mental e personalidade, e o
osso sobrejacente do crânio refletiria estas diferenças. A
Frenologia, que foca a personalidade e o caráter, é
diferente da craniometria, que é o estudo do tamanho do
crânio, peso e forma, e Fisionomia, é o estudo das
características faciais. No entanto, estes campos de
estudo têm tentado reivindicar a suposta capacidade de
predizer características ou inteligência. Este assunto
também é razão de estudo e controvérsias na
antropologia/etnologia e às vezes utilizado
116
"cientificamente" para justificar o racismo. Enquanto no
passado alguns princípios da Frenologia foram
estabelecidos, atualmente a premissa básica de uma
personalidade poder ser determinada em grande parte
pelo formato do crânio é considerada como falsa.
O mapa da Frenologia no século XIX
Fonte: Wikipédia (2017).
Uma definição da Frenologia com mapa da
Webster's Academic Dictionary, por volta de 1895.
A outra abordagem tem suas origens nas teorias
neurológicas hierárquicas de Hughlings-Jackson, que foram
influenciadas pelas concepções filosóficas de Herbert Spencer.
Outra característica da tradição hierárquica, que também é
inerente à metapsicologia psicanalítica, é sua perspectiva
117
profundamente evolutiva, levando em consideração as trajetórias
ontogênicas e filogenéticas.
Teorias neurológicas de
Hughlings-Jackson
O darwinismo e os conceitos de evolução desenvolvidos
no final do século XIX influenciaram muitos
neurologistas. O de maior destaque na Inglaterra foi
John Hughlings Jackson (1835-1911). O
desenvolvimento de uma teoria para as doenças
neurológicas e mentais, baseada em especulações
sobre a observação de casos de epilepsia, alterações de
linguagem e de acidentes vasculares cerebrais, exerceu
grande influência sobre a psiquiatria e a psicologia
continental do século XIX; entretanto, por motivos ainda
obscuros, houve relativamente pouca influência dessas
idéias sobre a própria psiquiatria britânica. Por outro
lado, os historiadores da medicina, da primeira metade
do século XX, consideram determinante a contribuição
de H. Jackson na concepção da denominada neurologia
moderna. Hughlings Jackson publicou cerca de 320
artigos médicos entre 1861 e 1909, nas mais importantes
revistas de medicina em circulação da época, além de
proferir inúmeras palestras e aulas significativas no
desenvolvimento de suas teorias. Seus artigos foram
reunidos e organizados posteriormente. Duas coleções
de seus trabalhos foram editadas por J. Taylor. Tratam-
se do Neurological Fragments of J. Hughlings Jackson
(Londres, 1925) e dos Selected Writings of John
Hughlings Jackson (Londres, 1931, 2 vols.). Em 1878, H.
Jackson foi um dos co-fundadores da revista Brain, a
prestigiosa publicação oficial da Sociedade de
Neurologia de Londres, da qual foi editor por vários anos
(Kurcgant e Pereira, 2003). John Hughlings Jackson
(1835-1911) elaborou as idéias neurológicas que se
tornaram bases da neurologia moderna. Os detalhes
biográficos para ele podem ser encontrados em seus
obituários (John Hughlings Jackson, BMJ 1911, John
Hughlings Jackson, Lancet, 1911), nos esboços
biográficos de seu amigo ao longo da vida Jonathan
Hutchinson (Hutchinson, 1911), seu colega e amanuense
James Taylor (Taylor , 1925) e em uma biografia
moderna (Critchley e Critchley, 1998). Greenblatt
estudou suas influências iniciais (Greenblatt, 1965) e
York e Steinberg fornecem um catálogo razoável de seus
118
escritos publicados (York e Steinberg, 2006). Como um
neurologista praticante, Hughlings Jackson pretendia que
suas idéias fossem tão úteis na cabeceira como no
laboratório. A cultura popular vitoriana em que vivia
considerava a ciência como a sociedade progredia de
maneira material e social, mas a medicina hospitalar em
Londres não era especialmente científica em 1860.
Hughlings Jackson teve um impacto seminal na
neurologia clínica. Parte disso é o resultado de sua
personalidade excepcionalmente atraente, que suscitou
comentários de muitos de seus contemporâneos e
estudantes. Para usar um único exemplo, quando o
espinhoso William Gowers revelou um busto de
Hughlings Jackson no Hospital Nacional, Queen Square,
ele exclamou: "Eis o Mestre!" Hughlings Jackson foi
eleito um Fellow da Royal Society, mas de outra forma
era invisível para o Mundo fora da neurologia. Ele nunca
recebeu o título de cavaleiro da rainha, concedido à
Jonathan Hutchinson, William Gowers, David Ferrier,
Henry Head (1861-1940), Gordon Morgan Holmes (1876-
1965) e Charles Sherrington (1857-1952). Ele recebeu
um diploma honorário da Universidade de Leeds.
Hughlings Jackson não estava envolvido nos confrontos
pessoais e profissionais que caracterizavam a ciência e
a medicina vitoriana. Ele era um agnóstico convencido.
Embora tenha sido batizado e casado na igreja, ele não
acreditava em um Deus pessoal ou em uma vida após a
morte. Seu amigo mais próximo, Jonathan Hutchinson
(1828-1913) escreveu: "Eu não acredito que Jackson
tenha feito alguma mudança em sua fé religiosa. Era
uma das formas mais simples de agnosticismo ... ele era
um absoluto descrente na imortalidade pessoal após a
morte "(Hutchinson, 1911). Sua ciência refletiu essa
crença. No entanto, ele teve o cuidado de renunciar a
qualquer intenção irreligiosa em suas idéias
neurológicas, e foi pessoalmentefalso, socialmente
retirado e exteriormente modesto. Ele era, portanto, um
alvo pobre para vitriol, e não há registro de sua crítica
pessoal recebendo por causa de suas idéias. Os escritos
de Hughlings Jackson eram e são famosos e difíceis de
compreender. No entanto, suas idéias permanecem
vivas por sua profundidade e utilidade para o
neurologista praticante. Lendo seus artigos, que datam
do início da neurologia moderna, recompensam o aluno
com novas idéias em pacientes com doença neurológica.
119
Ele pensou cientificamente, e aqueles que agora pensam
da mesma maneira usam idéias jacksonianas. É um
legado útil (York III e Steinberg, 2011).
John Hughlings Jackson
O artigo de Wiest (2012) fornece um esboço sobre os
conceitos hierárquicos nas ciências do cérebro e da mente, que
contrastam com as teorias cognitivistas e não hierárquicas atuais
nas neurociências.
Fundamentos filosófico
e Biologicos
Segundo escreveu Wiest (2012), de acordo com a biologia
moderna, o desenvolvimento das hierarquias distingue o mundo
orgânico do anorganico40 (o autor citando Mayr41, 1997). Herbert
Spencer42 (1820-1903) foi o primeiro que - influenciado pelo
40 Anorgânico: desprovido dos órgãos necessários à vida.
41 MAYR, E. This is Biology. Cambridge: Harvard University Press, 1997.
42 Herbert Spencer (Derby, 27 de abril de 1820 — Brighton, 8 de dezembro de
1903) foi um filósofo inglês e um dos representantes do liberalismo clássico.
Spencer foi um profundo admirador da obra de Charles Darwin. É dele a
expressão "sobrevivência do mais apto", e em sua obra procurou aplicar as leis
120
Lamarckismo43 - forneceu uma teoria coerente sobre a evolução,
estrutura e função do sistema nervoso.
Em seus "Princípios da Psicologia" (“Principles of
Psychology”) (Spencer, 1855), ele postulou que a mente humana
só pode ser plenamente compreendida considerando seu
desenvolvimento filogenético. Na sua opinião, a filogenia da
consciência ilustra um princípio geral da evolução, a saber, o
desenvolvimento de uma homogeneidade simples e
indiferenciada a uma heterogeneidade complexa e diferenciada.
Esta concepção implica que a mente humana evoluiu do mesmo
modo, de uma simples resposta automática em animais inferiores
para processos cognitivos superiores no homem.
As primeiras descrições de redes neurais podem ser
encontradas em Herbert Spencer'sPrinciples of
Psychology, 3rd edition (1872), Theodor Meynert's
Psychiatry (1884), William James' Principles of
Psychology (1890), e o projeto de Sigmund Freud para a
psicologia científica (1895).
Spencer contemplou a mudança evolutiva das estruturas
neurais para uma maior complexidade como um processo de
estratificação ou camadas de formações neurais (figura a seguir).
da evolução a todos os níveis da atividade humana. Spencer teve suas ideias
enormemente distorcidas. Essas distorções lhe renderam a alcunha de "Pai do
Darwinismo Social". Todavia, Spencer jamais utilizou este termo ou defendeu a
morte de indivíduos "mais fracos" assim como foi um notável opositor de
governos militares e autoritários, de qualquer forma de coletivismo, do
colonialismo, do imperialismo e das guerras. Ele estudou o comportamento
humano como um órgão biológico.
43 O lamarquismo ou lamarckismo foi uma teoria proposta no século XIX criada
pelo biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck para explicar a evolução das
espécies. Lamarck acreditava que mudanças no ambiente causavam
mudanças nas necessidades dos organismos que ali viviam, causando
mudanças no seu comportamento. O lamarquismo baseia-se em duas leis,
descritas por Lamarck no livro Philosophie zoologique:
"Primeira Lei": Uso e Desuso – órgãos utilizados constantemente tendem a se
desenvolver, enquanto órgãos inutilizados podem sofrer atrofia;
"Segunda Lei": Transmissão dos caracteres adquiridos – as características do
uso e desuso seriam herdadas por gerações seguintes, por exemplo: uma
girafa precisa esticar o pescoço para alcançar as folhas das árvores, o seu
pescoço cresce e os seus
121
O conceito de Herbert Spencer sobre a mudança
evolutiva no sistema nervoso por meio de
superposições (A ') de camadas neurais
exemplificadas em um ganglio neural (A).
Conseqüentemente, a excitação neural não procede
mais de a para b, mas sim segue novas formações
neurais (d, e, f, g). Imagem de Spencer H (The
Principles of Psychology, 1896, Appleton Press).
Assim, cada formação neural do sistema nervoso não
apenas representa impressões e experiências do passado do
indivíduo, mas também as de seus ancestrais. Do ponto de vista
neurológico, isso significaria que uma lesão em um nível cerebral
superior revela funções neurais e mentais a partir de um estágio
evolutivo anterior.
O neurologista britânico John Hughlings Jackson (1834-1911), um dos pais
fundadores da neurologia clínica, ficou intrigado com as correlações entre os
princípios evolutivos propostos do funcionamento neuronal de Spencer e suas
observações clínicas em pacientes com lesões cerebrais focais. Em contraste
com o interesse de Spencer nos aspectos evolutivos da função cerebral,
Jackson estava mais ocupado com o efeito inverso da evolução, que ele
inventou a "dissolução".
122
Na opinião de Jackson, os sintomas neurológicos, como
afasia, hemiparesia ou convulsões epilépticas, representam uma
dissolução, isto é, uma reversão da evolução do sistema nervoso,
causada por uma lesão cerebral. Jackson descobriu que os
centros cerebrais superiores evolutivos inibem os mais baixos e
as lesões desses centros superiores são acompanhados pela
produção de sintomas "negativos" (por exemplo, uma paralisia por
ausência de função) e sintomas "positivos" (p. Ex., Sinais
piramidais), causada por uma liberação funcional dos centros
inferiores.
Para Wiest (2012), os sintomas neurológicos ou
psiquiátricos podem, nesse sentido, dar uma olhada na filogenia
da função neural. Em seu trabalho principal intitulado "Evolução e
dissolução do sistema nervoso" (Taylor, 1931/1932), Jackson
delineou sua teoria da função cerebral, que ainda pertence aos
fundamentos da neurologia. A validade de uma organização
hierárquica do sistema nervoso foi posteriormente confirmada
pela neurologia moderna e neurociência para uma variedade de
sistemas neurais (Kennard, 1989; Swash, 1989; Vallbo, 1989;
Miller e Cohen, 2001; Greene et al., 2004). O conceito
jacksoniano contrasta com os modelos não hierárquicos da
função cerebral, como as teorias de Hebb (Brown e Milner, 2003)
ou Lashley (1958). Estes modelos propõem que a função
cerebral, em particular o processamento cortical, é baseada no
processamento distribuído de conjuntos de células, isto é, de
redes neurais. De acordo com estudos de lesões, Lashley propôs,
por exemplo, que as memórias não estão localizadas, mas
amplamente distribuídas pelo córtex, o que não foi confirmado em
estudos subseqüentes.
Estudos empíricos clássicos e estudos de imagem recentes
- por outro lado - fornecem evidências convincentes de que o eixo
rostro-caudal do lobo frontal pode de fato ser organizado
hierarquicamente
Embora esta designação é considerada obsoleta, às vezes
encontrada a frase "cérebro reptiliano" inspirado pela teoria
do cérebro triuno desenvolvido por Paul MacLean, em 1970,
mas abandonou desde então.
123
Neuroanatomia e função da
medula espinhal
A medula espinhal atende a três funções principais:
1. Condução. A medula espinhal contém feixes de fibras nervosas
que conduzem informações para cima e para baixo, conectando
diferentes níveis do tronco, um com o outro e com o cérebro. Isso
permite informação sensorialpara chegar ao cérebro e comandos
motores para alcançar os efetores.
2. Locomoção. Andar envolve repetitivo e contrações
coordenadas de vários grupos musculares nos membros. Os
neurônios motores no cérebro iniciam o andameto e determinam a
sua velocidade, distância e direção. Determinam no músculo
movimentos repetitivos simples que colocam um pé na frente de
outras repetidas vezes, e são coordenadas por grupos de
neurônios chamaram de geradores de padrão central. Esses
circuitos neuronais produzem sequências de saídas para os
músculos extensores e flexores que causam movimentos
alternados das pernas.
3. Reflexos. Reflexos são respostas estereotipadas involuntárias
aos estímulos. Eles envolvem o cérebro, a coluna espinhal e
nervos periféricos.
124
A medula espinhal é dividida em regiões cervical, torácica,
lombares e sacrais. Como pode ser visto na figura a seguir:
Nervos espinhais
São nervos que se originam da medula espinhal,
responsáveis pela inervação do tronco, dos membros superiores e
partes da cabeça. Ao todo, compreendem 31 pares (Portal
Educacao, 2017):
• Oito pares de nervos cervicais, que deixam a coluna na região
cervical.
• Doze pares de nervos torácicos, que deixam a coluna na região
torácica.
• Cinco pares de nervos lombares, que deixam a coluna na região
lombar.
• Cinco pares de nervos sacrais, que deixam a coluna na região
sacral.
•. Um par de nervos coccígeo, que deixa a coluna na região
cocciana
125
Cada nervo espinhal é formado pela união das raízes
dorsal (sensitiva) e ventral (motora), as quais se ligam,
respectivamente, aos sulcos lateral posterior e lateral anterior da
medula através de filamentos radiculares. A raiz ventral emerge
da superfície ventral da medula espinhal como diversas radículas
ou filamentos que em geral se combinam para formar dois feixes
próximo ao forame intervertebral. A raiz dorsal é maior que a raiz
ventral em tamanho e número de radículas; estas prendem-se ao
longo do sulco lateral posterior da medula espinhal e unem-se
para formar dois feixes que penetram no gânglio espinhal. As
raízes ventral e dorsal unem-se imediatamente além do gânglio
espinhal para formar o nervo espinhal, que então emerge através
do forame interespinhal. O gânglio espinhal é um conjunto de
células nervosas na raiz dorsal do nervo espinhal. Tem forma oval
e tamanho proporcional à raiz dorsal na qual se situa. Está
próximo ao forame intervertebral (Nucleovet, 2017).
Na figura abaixo a medula espinhal e nervos.
Desenvolvimento cerebral
126
O cérebro cresce a uma taxa incrível durante o
desenvolvimento. Às vezes, durante o desenvolvimento do
cérebro, 250 mil neurônios são adicionados a cada minuto! No
nascimento, o cérebro de uma pessoa terá quase todos os
neurônios que jamais terá. O cérebro continua a crescer por
alguns anos depois de uma pessoa nascer e, com a idade de 2
anos de idade, o cérebro é de cerca de 80% do tamanho do
adulto. Você pode se perguntar: "Como o cérebro continua a
crescer, se o cérebro tiver a maior parte dos neurônios que
receberá quando você nascer?". A resposta está em células
gliais. A glia continua a dividir e se multiplicar. A glia realiza
muitas funções importantes para a função cerebral normal,
incluindo como isolantes de células nervosas com mielina. Os
neurônios no cérebro também fazem muitas conexões novas após
o nascimento.
127
Plasticidade, especialização cerebral
e comportamento
Conforme Pinheiro (2007), o cérebro em desenvolvimento é
plástico, ou seja, capaz de reorganização de padrões e sistemas
de conexões sinápticas com vistas a readequação do crescimento
do organismo às novas capacidades intelectuais e
comportamentais da criança. As células em desenvolvimento têm
maior capacidade de adaptação do que as maduras; por isso,
com o avanço da idade e diminuição da plasticidade, a
aprendizagem requer o emprego de muito mais esforço para se
efetivar. Logo, as pessoas não deixam de aprender quando
amadurecem, mas perdem um pouco das
vantagens naturais. Ao educador, cabe lembrar que a eficácia de
uma aprendizagem se relaciona fortemente com a sua
continuidade (repetição), aplicação e construção de processos
dinâmicos de pensamento (discussão, problematização e
argumentação).
A reorganização do cérebro em resposta a uma lesão tem
crescente interesse em investigações científicas. Tais estudos
constataram, contudo, que a plasticidade cerebral nem sempre
deve ser entendida como adaptativa, no sentido de facilitar e/ou
melhorar a vida da criança. A plasticidade pode ter aspectos
negativos, por exemplo, envolvendo a formação de circuitos
neurais reverberantes e com isto levando a uma maior
excitabilidade da região envolvida com o processo de
reorganização cerebral, o que responderia pela ocorrência de
crises epilépticas ou de disfunções dos circuitos envolvidos com a
memória ou com a atenção.
Os neurônios organizam-se em circuitos locais e estes
constituem regiões corticais ou núcleos. Estes, por sua vez,
interligam-se de modo a formar sistemas e
sistemas de sistemas, com níveis de complexidade
progressivamente mais elevados. As principais conseqüências
desse arranjo, são: o que um neurônio faz depende do conjunto
de outros neurônios no qual o primeiro se insere; o que os
sistemas fazem depende de como os conjuntos se influenciam
mutuamente, numa arquitetura de conjuntos interligados; a
contribuição de cada um dos conjuntos para o funcionamento do
128
sistema a que pertence depende da sua localização nesse
sistema. Desse modo, a especialização cerebral é conseqüência
do lugar ocupado por conjuntos de neurônios no seio de um
macrosistema. Além das influências genéticas, o sistema nervoso
também sofre influência de adequados fatores ambientais para a
interação das regiões cerebrais e para promover as alterações
das estruturas celulares. Através dos mecanismos envolvidos na
aprendizagem, os eventos do ambiente podem moldar os
comportamentos. Os cérebros de uma criança e de um adulto são
muito diferentes; da mesma forma, os cérebros de crianças em
idades diferentes não podem ser comparados. Tais diferenças
cerebrais respondem por comportamentos diferentes que, de um
lado caracterizam fases de desenvolvimento mental típicas da
espécie biológica (Homo sapiens sapiens) e, de outro, conferem a
cada humano a unicidade do ser.
Pode-se constatar a relação desenvolvimento cerebral e
comportamental de três formas básicas:
1. correlacionando o surgimento de determinados
comportamentos com o desenvolvimento estrutural do
SN (por exemplo, o surgimento de comportamentos
facilmente observáveis, tal como engatinhar – novas e
complexas conexões cerebrais garantem o surgimento
dessa função);
2. examinando o comportamento quanto ao
surgimento de novas habilidades e fazendo deduções
sobre a maturação neural subjacente (por exemplo, a
observação de novas habilidades surgidas durante a
adolescência tais como a capacidade de entender
nuances da interação social, permite deduzir que tais
habilidades devem ser controladas por estruturas neurais
de maturação tardia);
3. . identificando e estudando fatores que
influenciam
tanto o desenvolvimento cerebral quanto o
comportamental (por exemplo, uma lesão cerebral –
neste caso, admite-se que os eventos que alteram o
desenvolvimento cerebral também alteram o
desenvolvimento comportamental).
129
Capítulo 5
Neuropsicopedagogia
da Teoria Piagetiana
Neurobiologia da
Comunicação Fetal.
A fala materna pré-natal influencia a
percepção dos sons da fala dos recém-
nascidos
Anthony J. De Casper e Melanie J. Spence (1986), da
Universidade da Carlina do Norte, EUA, escreveram o artigo “”
(Prenatal Maternal Speech Influences Newborns’ Perception of
Speech Sounds), onde relataram que as mulheres grávidas querecitaram a passagem de um texto, em voz alta todos os dias
durante a sua últimas 6 semanas de gravidez, e que a voz
materna pré-natal influenciou a percepção dos sons de fala dos
recém-nascidos Os recém-nascidos foram testados através de um
condicionamento operante44 para determinar se os sons da
44 O conceito de “Condicionamento Operante” foi criado pelo escritor e
psicólogo Burrhus Frederic Skinner. Este refere-se ao procedimento através do
qual é modelada uma resposta no organismo através de reforço diferencial e
aproximações sucessivas. É onde a resposta gera uma consequência e esta
consequência afeta a sua probabilidade de ocorrer novamente; se a
consequência for reforçadora, aumenta a probabilidade, se for punitiva, além
de diminuir a probabilidade de sua ocorrência futura, gera outros efeitos
colaterais. Este tipo de comportamento que tem como consequência um
estímulo que afete sua frequência é chamado “Comportamento Operante”. O
conceito de Comportamento Operante difere do conceito de Comportamento
respondente, estudado por Pavlov, porque o primeiro ocorre em um
determinado contexto, chamado estímulo discriminativo, e gera um estímulo
que afeta a probabilidade de ele ocorrer novamente; o segundo é diretamente
130
passagem recitada eram mais reforçando do que os sons de uma
nova passagem. A passagem previamente recitada foi mais
reforçada. Assim, segundo os pesquisadores, na experiência com
os fetos do terceiro trimestre, observaram que a experiência
auditiva pré-natal pode influenciar as preferências auditivas pós-
natal das crianças.
Os referidos pesquisadores afirmaram que os recém-
nascidos humanos não agem como ouvintes passivos e neutros.
Eles preferem as vozes de suas próprias mães do que de outras
mulherese também as vozes femininas do que as vozes
masculinas, mas não preferem as vozes de seus pais do que de
outros homens.
A equipe dos Drs Anthony J. De Casper e Melanie J.
Spence (1986) perguntaram: “Por que os recém-nascidos
preferem alguns sons sobre os outros?”
Para eles, uma hipótese é que suas preferências auditivas
são influenciadas pela experiência pré-natal com o discurso e os
batimentos cardíacos das mães. Várias considerações sugerem
que esta hipótese é plausível. Os fetos do terceiro trimestre
ouvem, ou são sensíveis ao som. As gravações intra-uterinas
tomadas perto do nascimento, indicaram que a fala materna e os
batimentos cardíacos são audíveis no útero. A fala não familiar,
por exemplo, a fala masculina, é menos audível devido à
atenuação pelo tecido materno e / ou ao mascaramento por sons
intra-uterinos.
Segundo os pesquisadores, a preferência dos recém-
nascidos pelas vozes de suas próprias mães exige que tenham
alguma experiência prévia com a voz dela e não há provas de que
a experiência tenha ocorrido após o nascimento. Uma vez que a
voz materna é audível no útero, e como os fetos do terceiro
trimestre podem ouvir, é provável que a experiência necessária
tenha ocorrido antes do nascimento. Em contraste, os recém-
nascidos não mostram preferência pelas vozes de seus próprios
pais, mesmo que tenham experiência pós-natal explícita com sua
voz. Uma vez que as vozes masculinas não são muito audíveis no
eliciado por algum estímulo e é uma reação fisiológica do organismo. Uma
resposta fisiológica a um estímulo, como fechar o olho diante de algo que se
aproximam dele, retirar o braço diante de uma agulhada, etc.
131
útero, talvez a ausência de uma preferência de voz paterna
indique a ausência de experiência pré-natal com sua voz.
Os pesquisadores afirmara que as experiências auditivas
pré-natais influenciam as primeiras preferências de voz.
Considerando que os estímulos auditivos podem funcionar como
reforçadores positivos dos comportamentos do recém-nascido. Os
reforçadores positivos conhecidos incluem o canto vocal em
grupo, o canto feminino solo, a prosa falada por uma mulher, sons
de fala gravados e sons de batimentos cardíacos intra-uterinos.
Por outro lado, o discurso masculino e a música
instrumental não têm valor de reforço, enquanto o ruído de fundo
e os sons de batimento cardíaco mais rápidos que o normal são
aversivos.
Então, a experiência auditiva pré-natal pode influenciar a
percepção auditiva pós-natal.
Finalmente, demonstrou-se que a experiência auditiva pré-
natal causa preferências auditivas pós-natais, també em uma
variedade de outras espécies não-humanas (como os primatas).
Mais recentemente, Partanen e seus colaboradores (2013),
afirmaram que a aprendizagem, que é a base do comportamento
adaptativo e inteligente, baseia-se em mudanças nas modelagens
neurais e são refletidas pela modulação das respostas cerebrais
elétricas.
Segundo eles, na infância, os traços de memória de longo
prazo são formados pela aprendizagem auditiva, melhorando as
habilidades de discriminação, que são relevantes para percepção
e compreensão da fala.
No trabalho a seguir os autores demonstram evidências
neurais diretas de que os traços de memória neural são formados
por aprendizado auditivo antes do nascimento. As descobertas
indicaram que as experiências pré-natais têm uma influência
notável sobre a precisão da discriminação auditiva do cérebro e
que pode suportar, por exemplo, a aquisição de linguagem
durante a infância. Consequentemente, os resultados também
implicam que pode ser possível apoiar o desenvolvimento auditivo
inicial e potencialmente compensar as dificuldades de natureza
genética, como deficiência de linguagem ou dislexia.
Durante o período fetal, o cérebro sofre amplas mudanças
de desenvolvimento à medida que novas sinapses são formadas
e as conexões axonais entre os neurônios são mielinizadas,
132
facilitando o reconhecimento eficiente e a análise de informações
complexas.
Na audição, a maturação funcional do sistema nervoso em
desenvolvimento é conduzida por entrada externa de estímulos.
Este fato é evidenciado, por exemplo, pela rápida
reorganização do córtex auditivo por estímulos externos logo após
o início da audição em ratos. Isto sugere que, também ocorra em
seres humanos, geralmente na idade gestacional de 27 semanas.
Tais mudanças plásticas nas modelagens neurais durante o
desenvolvimento inicial indicam que os seres humanos têm
alguma capacidade de aprendizagem mesmo antes do
nascimento. No entanto, esta capacidade de aprendizagem pode
basear-se predominantemente na discriminação de sons, que
podem penetrar nas paredes intra-uterinas. Esta informação, pode
desempenham um papel importante na discriminação precoce da
fala dos recém-nascidos, facilitando a aprendizagem.
De acordo com os pesquisadores, os estudos
comportamentais mostraram que os fetos se tornaram
sintonizados com uma variedade de características do ambiente
auditivo circundante.
Por exemplo, os fetos se habituaram com a línguagem
nativa do ambiente ou da mãe, melodias familiares ou fragmentos
de histórias ouvidas durante a gravidez e até mesmo a voz da
mãe. Além da habituação baseada na aprendizagem que envolve
a amígdala laterobasal, os fetos, por exemplo, reagem de maneira
diferente às vogais nativas e discriminam diferentes vogais de sua
língua nativa.
133
Essas capacidades para o processamento auditivo e a
discriminação sugerem que os traços de memória duráveis sejam
formados como resultado do aprendizado fetal. Os traços de
memória neural são um pré-requisito para reconhecimento afetivo,
categorização e compreensão do discurso, permitindo que os
recém-nascidos gerem comportamentos aprendidos específicos.
Por exemplo, ao nascer, os neonatos se emocionam com a língua
nativa.
Se a memória neural, para sons individuais são formados
no útero, então issodeve refletir-se após o nascimento por
mudanças na atividade elétrica do cérebro.
Desenvolvimento fetal do cérebro.
Os pesquisadores investigaram a formação pré-natal de
traços de memória neural para sons de fala, comparando a
dinâmica neural dos recém-nascidos que tiveram ou não foram
expostos a novos materiais de fala como fetos uns com os outros.
A partir da semana de gravidez 29 até o nascimento, os lactentes
do grupo da aprendizagem, foram expostos a uma sequência
trisilábicoa, [tatata] e duas alterações apresentadas na mudança
de vogal (na sílaba do meio, [tatota]) ou uma mudança de altura
do som ([ tatata] com modificações de afinação da sílaba do
meio).
Essas sequências de fala foram apresentadas em três
etapas separadas, que foram intercaladas com música não-vocal.
Os efeitos de aprendizagem foram investigados nos lactentes,
134
após o nascimento, ao registrar as respostas neurais às variáveis
da frequência da vogal e utilizadas no treinamento.
Eles demonstraram correlatos neurais diretos da
aprendizagem fetal humana de estímulos auditivos semelhantes a
fala. Os mesmos pesquisadores afirmaram que existe uma
correlação significativa entre a quantidade de exposição pré-natal
e a atividade cerebral, com maior atividade associada a uma
maior quantidade de exposição pré-natal à fala. Além disso, o
efeito de aprendizagem foi generalizado para outros tipos de sons
de fala semelhantes. Consequentemente, há plasticidade neural
induzida pela aprendizagem do processamento de fala antes do
nascimento. Os resultados indicaram envolvimento neural
sintonizado com os recursos de fala ouvidos antes do nascimento
e suas representações de memória.
Os bebês reconhecem as melodias
ouvidas no ventre
Encontramos mais comprovações que atestam as
pesquisas apresentadas.
Charles Q. Choi (2017), jornalista científico do site Live
Science escreveu que uma melodia ouvida três semanas antes de
os bebês nascerem podem diminuir a taquicardia, quando forem
ouvidas novamente um mês após o nascimento.
Segundo ele, esta descoberta acrescenta à compreensão
dos efeitos do ouvir pel féto no útero materno, e que os bebês
aprendem a perceber a fala. Por cinco semanas antes do
nascimento, a cóclea - a parte em forma de espiral do ouvido
interno responsável pela audição – já esta madura.
Para verificar se os bebês podem realmente se lembrar, a
psicóloga Carolyn Granier-Deferre e seus colegas, da
Universidade Descartes, Paris, França, tocaram melodias para
bebês dentro do útero e depois os testaram quando nasceram.
135
As bases neurobiológicas dos
Estágios Cognitivos de Piaget
Conforme Tafner (2017), Piaget, quando descreve a
aprendizagem, tem um enfoque diferente do que normalmente se
atribui à esta palavra. Piaget separa o processo cognitivo
inteligente em duas palavras: aprendizagem e desenvolvimento.
O mesmo autor escreveu que para Piaget, a aprendizagem
refere-se à aquisição de uma resposta particular, aprendida em
função da experiência, obtida de forma sistemática ou não.
Enquanto que o desenvolvimento seria uma aprendizagem de
fato, sendo este o responsável pela formação dos conhecimentos.
Tafner (2017), prossegue dizendo que Piaget, quando
postula sua teoria sobre o desenvolvimento da criança, descreve-
a, basicamente, em 4 estados, que ele próprio chama de fases de
transição. Essas 4 fases são:
Sensório-motor (0 – 2 anos)
Pré-operatório (2 – 7,8 anos)
Operatório-concreto (8 – 11 anos)
Operatório-formal (8 – 14 anos)
Neurobiologia das crianças na
Fase Sensório-motora (0-2 anos)
Nos primeiros três anos, o cérebro de
uma criança tem duas vezes mais
sinapses do que a idade adulta
Agora que estamos um pouco mais familiarizados com os
fundamentos do cérebro, vamos dar uma olhada no
desenvolvimento do cérebro em crianças. Entre a concepção e os
136
três anos, o cérebro de uma criança sofre uma quantidade
impressionante de mudanças.
Ao nascimento
No nascimento, já tem sobre todos os neurônios que ele já
terá. Ele duplica em tamanho no primeiro ano e, aos três anos,
atingiu 80% do volume adulto.
Recém-nascido
Recém-nascido ou bebê (Português brasileiro) / bebé
(Português europeu) é a denominação clínica usada em
Pediatria dada a todas as crianças desde o nascimento
até atingirem os 28 dias de vida. A partir desta data e até
ao fim do segundo ano de vida, a criança passa a ser
designada por lactente.
Mais importante ainda, as sinapses são formadas a uma
taxa mais rápida durante esses anos do que em qualquer outro
momento. Na verdade, o cérebro cria muitos mais do que precisa:
aos dois ou três anos, o cérebro tem até duas vezes mais
sinapses do que na idade adulta.
Essas conexões excedentes são gradualmente eliminadas
ao longo da infância e adolescência, um processo às vezes
referido como “poda”.
137
“Poda sináptica”.
Densidade da sinapse ao longo do tempo
Por que o cérebro criaria mais sinapses do que ele precisa,
apenas para descartar os extras? A resposta reside na interação
de fatores genéticos e ambientais no desenvolvimento do cérebro.
Os primeiros estágios de desenvolvimento são fortemente
afetados por fatores genéticos; por exemplo, os genes direcionam
os neurônios recém-formados aos locais corretos no cérebro e
desempenham um papel na forma como eles interagem. No
entanto, embora eles organizem a fiação básica do cérebro, os
genes não projetaram completamente o cérebro.
Em vez disso, os genes permitem que o cérebro se ajuste
de acordo com a entrada que recebe do meio ambiente. Os
sentidos de uma criança relatam ao cérebro sobre seu ambiente e
experiências, e essa contribuição estimula a atividade neural. Os
sons de fala, por exemplo, estimulam a atividade em regiões
cerebrais relacionadas à linguagem. Se a quantidade de entrada
aumentar (se for ouvida mais fala), as sinapses entre neurônios
nessa área serão ativadas com mais freqüência. O uso repetido
fortalece uma sinapse. As sinapses raramente utilizadas
permanecem fracas e são mais prováveis de serem eliminadas no
processo de poda. A força da sinapse contribui para a
conectividade e a eficiência das redes que suportam
aprendizagem, memória e outras habilidades cognitivas. Portanto,
as experiências de uma criança não só determinam quais
138
informações entram em seu cérebro, mas também influenciam
como seu cérebro processa a informação.
Os genes fornecem um modelo para o
cérebro, mas o ambiente e as experiências de
uma criança realizam a construção.
O excesso de sinapses produzido pelo cérebro de uma criança
nos primeiros três anos torna o cérebro especialmente responsivo
à entrada externa. Durante este período, o cérebro pode
"capturar" a experiência de forma mais eficiente do que será
capaz de depois, quando a poda das sinapses estiver em
andamento. A capacidade do cérebro de se moldar - chamada
plasticidade - permite que os humanos se adaptem mais
prontamente e mais rapidamente do que poderíamos se os genes
sozinhos determinassem nossa fiação. O processo de floração e
poda, longe de ser um desperdício, é realmente uma maneira
eficiente para o cérebro alcançar o desenvolvimento ideal.
Da concepção ao terceiro ano: um resumo do
desenvolvimento precoce do cérebro
Primeiro trimestre
O desenvolvimento do cérebro começa nas primeiras semanas
após a concepção. A maioria das características estruturais do
cérebro aparece durante o período embrionário
(aproximadamente as primeiras 8 semanas após a adubação);
Essas estruturas continuam a crescer e desenvolver-se durante o
período fetal (o restante da gestação). O primeiro evento-chave
do desenvolvimento do cérebro é a formação do tubo neural.
Cerca de duas semanas após a concepção, a placa neural, uma
camada de células especializadas no embrião,começa a se
dobrar lentamente sobre si mesmo, formando eventualmente uma
estrutura em forma de tubo. O tubo fecha-se gradualmente à
medida que as bordas da placa se fundem; Este processo
geralmente está completo por quatro semanas após a concepção.
O tubo neural continua a mudar, eventualmente se tornando o
cérebro ea medula espinhal.
139
Cerca de sete semanas após a concepção, os primeiros
neurônios e sinapses começam a se desenvolver na medula
espinhal. Estas conexões neurais iniciais permitem que o feto faça
seus primeiros movimentos, que podem ser detectados por ultra-
som e ressonância magnética, embora na maioria dos casos a
mãe não possa senti-los. Esses movimentos, por sua vez,
proporcionam ao cérebro uma entrada sensorial que estimula seu
desenvolvimento. Movimentos mais coordenados se desenvolvem
nas próximas semanas.
Segundo trimestre
No início do segundo trimestre, gyri e sulci começaram a
aparecer na superfície do cérebro; No final deste trimestre, esse
processo está quase completo. O córtex cerebral está crescendo
em espessura e complexidade e a formação de sinapse nesta
área está começando. A mielina começa a aparecer nos axônios
de alguns neurônios durante o segundo trimestre. Esse processo -
chamado mielinização - continua durante a adolescência. A
mielinização permite um processamento mais rápido da
informação: para que o cérebro alcance o mesmo nível de
eficiência sem mielinização, a medula espinhal teria que ser de
três metros de diâmetro.
140
Terceiro trimestre
As primeiras semanas do terceiro trimestre são um período
de transição durante o qual o córtex cerebral começa a assumir
muitos deveres anteriormente realizados pelo tronco cerebral
mais primitivo. Por exemplo, reflexos como a respiração fetal e as
respostas aos estímulos externos tornam-se mais regulares. O
córtex cerebral também apoia a aprendizagem precoce que se
desenvolve em torno desse tempo.
Um ano
As habilidades notáveis dos recém-nascidos realçam a
extensão do desenvolvimento do cérebro pré-natal. Os recém-
nascidos podem reconhecer os rostos humanos, que preferem
sobre outros objetos, e até mesmo discriminar entre expressões
felizes e tristes. Ao nascer, um bebê conhece a voz de sua mãe e
pode reconhecer os sons das histórias que sua mãe leu enquanto
ela ainda estava no útero. O cérebro continua a se desenvolver a
uma taxa incrível ao longo do primeiro ano. O cerebelo triplica em
tamanho, o que parece estar relacionado ao rápido
desenvolvimento das habilidades motoras que ocorre durante
esse período. À medida que as áreas visuais do córtex crescem, a
visão inicialmente fraca e limitada da criança se desenvolve em
visão binocular completa. Em cerca de três meses, o poder de
reconhecimento de um bebê melhora drasticamente; Isso coincide
com um crescimento significativo no hipocampo, a estrutura
limbica relacionada à memória de reconhecimento. Os circuitos de
linguagem nos lobos frontal e temporal se consolidam no primeiro
ano, influenciados fortemente pelo idioma que uma criança
escuta. Nos primeiros meses, um bebê em uma casa de língua
inglesa pode distinguir entre os sons de uma língua estrangeira.
Ela perde essa habilidade no final de seu primeiro ano: o idioma
que ela ouve em casa conectou seu cérebro para o idioma nativo.
Dois anos
As mudanças mais dramáticas deste ano envolvem as
áreas linguísticas do cérebro, que etsão desenvolvendo mais
sinapses e tornando-se mais interligadas. Estas alterações
141
correspondem ao pico súbito nas habilidades linguísticas das
crianças - às vezes chamado de explosão de vocabulário - que
normalmente ocorre durante esse período. Muitas vezes, o
vocabulário de uma criança quadruplica entre seu primeiro e
segundo aniversário. Durante o segundo ano, há um aumento
importante na taxa de mielinização, o que ajuda o cérebro a
realizar tarefas mais complexas. As habilidades cognitivas de
ordem superior, como a autoconsciência, estão se
desenvolvendo: um bebê agora está mais atento às suas próprias
emoções e intenções. Quando ele vê seu reflexo em um espelho,
ele agora reconhece plenamente que é dele mesmo. Logo ele
começará a usar seu próprio nome, bem como pronomes
pessoais como "eu" e "meu".
Três anos
A densidade sináptica no córtex pré-frontal provavelmente
atinge seu pico durante o terceiro ano, até 200% do nível adulto.
Esta região também continua a criar e fortalecer redes com outras
áreas. Como resultado, habilidades cognitivas complexas estão
sendo melhoradas e consolidadas. Nesta fase, por exemplo, as
crianças são mais capazes de usar o passado para interpretar os
eventos presentes. Eles também têm mais flexibilidade cognitiva e
uma melhor compreensão da causa e efeito.
As primeiras mensagens que o cérebro recebe têm
um enorme impacto.
O desenvolvimento precoce do cérebro é o fundamento da
capacidade de adaptação e resiliência humana, mas essas
qualidades têm um preço. Como as experiências têm um
potencial tão grande para afetar o desenvolvimento do cérebro, as
crianças são especialmente vulneráveis a influências negativas
persistentes durante esse período. Por outro lado, esses primeiros
anos são uma oportunidade para pais, cuidadores e
comunidades: experiências iniciais positivas têm um enorme
efeito sobre as chances de sucesso, sucesso e felicidade das
crianças.
142
Neuropsicobiologia da Comunicação Fetal ou a fala
materna pré-natal influencia a percepção dos sons
da fala dos recém-nascidos
Anthony J. De Casper e Melanie J. Spence (1986), da
Universidade da Carlina do Norte, EUA, escreveram o artigo “”
(Prenatal Maternal Speech Influences Newborns’ Perception of
Speech Sounds), onde relataram que as mulheres grávidas que
recitaram a passagem de um texto, em voz alta todos os dias
durante a sua últimas 6 semanas de gravidez, e que a voz
materna pré-natal influenciou a percepção dos sons de fala dos
recém-nascidos Os recém-nascidos foram testados através de um
condicionamento operante45 para determinar se os sons da
passagem recitada eram mais reforçando do que os sons de uma
nova passagem. A passagem previamente recitada foi mais
reforçada. Assim, segundo os pesquisadores, na experiência com
os fetos do terceiro trimestre, observaram que a experiência
auditiva pré-natal pode influenciar as preferências auditivas pós-
natal das crianças.
Os referidos pesquisadores afirmaram que os recém-
nascidos humanos não agem como ouvintes passivos e neutros.
Eles preferem as vozes de suas próprias mães do que de outras
mulherese também as vozes femininas do que as vozes
masculinas, mas não preferem as vozes de seus pais do que de
outros homens.
45 O conceito de “Condicionamento Operante” foi criado pelo escritor e
psicólogo Burrhus Frederic Skinner. Este refere-se ao procedimento através do
qual é modelada uma resposta no organismo através de reforço diferencial e
aproximações sucessivas. É onde a resposta gera uma consequência e esta
consequência afeta a sua probabilidade de ocorrer novamente; se a
consequência for reforçadora, aumenta a probabilidade, se for punitiva, além
de diminuir a probabilidade de sua ocorrência futura, gera outros efeitos
colaterais. Este tipo de comportamento que tem como consequência um
estímulo que afete sua frequência é chamado “Comportamento Operante”. O
conceito de Comportamento Operante difere do conceito de Comportamento
respondente, estudado por Pavlov, porque o primeiro ocorre em um
determinado contexto, chamado estímulo discriminativo, e gera um estímulo
que afeta a probabilidade de ele ocorrer novamente; o segundo é diretamente
eliciado por algum estímulo e é uma reação fisiológica do organismo. Uma
resposta fisiológica a um estímulo, como fechar o olho diante de algo que se
aproximam dele, retirar o braço diante de uma agulhada, etc.143
A equipe dos Drs Anthony J. De Casper e Melanie J.
Spence (1986) perguntaram: “Por que os recém-nascidos
preferem alguns sons sobre os outros?”
Para eles, uma hipótese é que suas preferências auditivas
são influenciadas pela experiência pré-natal com o discurso e os
batimentos cardíacos das mães. Várias considerações sugerem
que esta hipótese é plausível. Os fetos do terceiro trimestre
ouvem, ou são sensíveis ao som. As gravações intra-uterinas
tomadas perto do nascimento, indicaram que a fala materna e os
batimentos cardíacos são audíveis no útero. A fala não familiar,
por exemplo, a fala masculina, é menos audível devido à
atenuação pelo tecido materno e / ou ao mascaramento por sons
intra-uterinos.
Segundo os pesquisadores, a preferência dos recém-
nascidos pelas vozes de suas próprias mães exige que tenham
alguma experiência prévia com a voz dela e não há provas de que
a experiência tenha ocorrido após o nascimento. Uma vez que a
voz materna é audível no útero, e como os fetos do terceiro
trimestre podem ouvir, é provável que a experiência necessária
tenha ocorrido antes do nascimento. Em contraste, os recém-
nascidos não mostram preferência pelas vozes de seus próprios
pais, mesmo que tenham experiência pós-natal explícita com sua
voz. Uma vez que as vozes masculinas não são muito audíveis no
útero, talvez a ausência de uma preferência de voz paterna
indique a ausência de experiência pré-natal com sua voz.
Os pesquisadores afirmaram que as experiências auditivas
pré-natais influenciam as primeiras preferências de voz.
Considerando que os estímulos auditivos podem funcionar como
reforçadores positivos dos comportamentos do recém-nascido. Os
reforçadores positivos conhecidos incluem o canto vocal em
grupo, o canto feminino solo, a prosa falada por uma mulher, sons
de fala gravados e sons de batimentos cardíacos intra-uterinos.
Por outro lado, o discurso masculino e a música
instrumental não têm valor de reforço, enquanto o ruído de fundo
e os sons de batimento cardíaco mais rápidos que o normal são
aversivos.
Então, a experiência auditiva pré-natal pode influenciar a
percepção auditiva pós-natal.
144
Finalmente, demonstrou-se que a experiência auditiva pré-
natal causa preferências auditivas pós-natais, també em uma
variedade de outras espécies não-humanas (como os primatas).
Mais recentemente, Partanen e seus colaboradores (2013),
afirmaram que a aprendizagem, que é a base do comportamento
adaptativo e inteligente, baseia-se em mudanças nas modelagens
neurais e são refletidas pela modulação das respostas cerebrais
elétricas.
Segundo eles, na infância, os traços de memória de longo
prazo são formados pela aprendizagem auditiva, melhorando as
habilidades de discriminação, que são relevantes para percepção
e compreensão da fala.
No trabalho a seguir os autores demonstram evidências
neurais diretas de que os traços de memória neural são formados
por aprendizado auditivo antes do nascimento. As descobertas
indicaram que as experiências pré-natais têm uma influência
notável sobre a precisão da discriminação auditiva do cérebro e
que pode suportar, por exemplo, a aquisição de linguagem
durante a infância. Consequentemente, os resultados também
implicam que pode ser possível apoiar o desenvolvimento auditivo
inicial e potencialmente compensar as dificuldades de natureza
genética, como deficiência de linguagem ou dislexia.
Durante o período fetal, o cérebro sofre amplas mudanças
de desenvolvimento à medida que novas sinapses são formadas
e as conexões axonais entre os neurônios são mielinizadas,
facilitando o reconhecimento eficiente e a análise de informações
complexas.
Na audição, a maturação funcional do sistema nervoso em
desenvolvimento é conduzida por entrada externa de estímulos.
Este fato é evidenciado, por exemplo, pela rápida
reorganização do córtex auditivo por estímulos externos logo após
o início da audição em ratos. Isto sugere que, também ocorra em
seres humanos, geralmente na idade gestacional de 27 semanas.
Tais mudanças plásticas nas modelagens neurais durante o
desenvolvimento inicial indicam que os seres humanos têm
alguma capacidade de aprendizagem mesmo antes do
nascimento. No entanto, esta capacidade de aprendizagem pode
basear-se predominantemente na discriminação de sons, que
podem penetrar nas paredes intra-uterinas. Esta informação, pode
145
desempenham um papel importante na discriminação precoce da
fala dos recém-nascidos, facilitando a aprendizagem.
De acordo com os pesquisadores, os estudos
comportamentais mostraram que os fetos se tornaram
sintonizados com uma variedade de características do ambiente
auditivo circundante.
Por exemplo, os fetos se habituaram com a línguagem
nativa do ambiente ou da mãe, melodias familiares ou fragmentos
de histórias ouvidas durante a gravidez e até mesmo a voz da
mãe. Além da habituação baseada na aprendizagem que envolve
a amígdala laterobasal, os fetos, por exemplo, reagem de maneira
diferente às vogais nativas e discriminam diferentes vogais de sua
língua nativa.
Essas capacidades para o processamento auditivo e a
discriminação sugerem que os traços de memória duráveis sejam
formados como resultado do aprendizado fetal. Os traços de
memória neural são um pré-requisito para reconhecimento afetivo,
categorização e compreensão do discurso, permitindo que os
recém-nascidos gerem comportamentos aprendidos específicos.
Por exemplo, ao nascer, os neonatos se emocionam com a língua
nativa.
Se a memória neural, para sons individuais são formados
no útero, então isso deve refletir-se após o nascimento por
mudanças na atividade elétrica do cérebro.
Os pesquisadores investigaram a formação pré-natal de
traços de memória neural para sons de fala, comparando a
dinâmica neural dos recém-nascidos que tiveram ou não foram
expostos a novos materiais de fala como fetos uns com os outros.
A partir da semana de gravidez 29 até o nascimento, os lactentes
do grupo da aprendizagem, foram expostos a uma sequência
trisilábicoa, [tatata] e duas alterações apresentadas na mudança
de vogal (na sílaba do meio, [tatota]) ou uma mudança de altura
do som ([ tatata] com modificações de afinação da sílaba do
meio).
Essas sequências de fala foram apresentadas em três
etapas separadas, que foram intercaladas com música não-vocal.
Os efeitos de aprendizagem foram investigados nos lactentes,
146
após o nascimento, ao registrar as respostas neurais às variáveis
da frequência da vogal e utilizadas no treinamento.
Eles demonstraram correlatos neurais diretos da
aprendizagem fetal humana de estímulos auditivos semelhantes a
fala. Os mesmos pesquisadores afirmaram que existe uma
correlação significativa entre a quantidade de exposição pré-natal
e a atividade cerebral, com maior atividade associada a uma
maior quantidade de exposição pré-natal à fala. Além disso, o
efeito de aprendizagem foi generalizado para outros tipos de sons
de fala semelhantes. Consequentemente, há plasticidade neural
induzida pela aprendizagem do processamento de fala antes do
nascimento. Os resultados indicaram envolvimento neural
sintonizado com os recursos de fala ouvidos antes do nascimento
e suas representações de memória.
Os bebês reconhecem as melodias ouvidas no
ventre
Encontramos mais comprovações que atestam as
pesquisas apresentadas. Charles Q. Choi (2017), jornalista
científico do site Live Science escreveu que uma melodia ouvida
três semanas antes de os bebês nascerem podem diminuir a
taquicardia, quando forem ouvidas novamente um mês após o
nascimento.
Segundo ele, esta descoberta acrescenta à compreensão
dos efeitos do ouvir pel féto no útero materno, e que os bebês
aprendem a perceber a fala. Por cinco semanas antes do
nascimento, a cóclea - a parte em forma de espiral do ouvido
interno responsável pela audição – já esta madura.
Para verificar se os bebês podem realmentese lembrar, a
psicóloga Carolyn Granier-Deferre e seus colegas, da
Universidade Descartes, Paris, França, tocaram melodias para
bebês dentro do útero e depois os testaram quando nasceram.
Então cinquenta mulheres foram convidadas a tocar uma
breve gravação de uma melodia de piano, duas vezes ao dia nas
35ª, 36ª e 37ª semanas de gestação (a gravidez humana média
dura 40 semanas). A melodia durou 3,6 segundos. Quando os 50
bebês das mulheres tinham 1 mês de idade, a melodia de piano
foi tocada para os bebês enquanto dormiam. Os cientistas
147
descobriram que, a taquicardia dos bebês adormecidos diminuiu
com a melodia familiar.
Os pesquisadores concluíram que os dados demonstraram
que o som foi ouvido durante o desenvolvimento pré-natal e que a
grande desaceleração da frequência cardíaca significa que os
bebês de 1 mês de idade prestaram mais atenção a essa melodia.
Por fim, esses resultados sugerem que os recém-nascidos
prestaram e que prestarão mais atenção a outros sons
semelhantes, bem como as vozes maternas. Além disso, esses
achados aumentam a evidência sugerindo que a audição pré-
natal pode ajudar as crianças a perceber os sons da fala. Pois,
sabe-se há muito tempo que os recém-nascidos podem
discriminar ou perceber a maioria das propriedades acústicas da
fala.
Os pesquisadores recomendaram que “se as mães querem
encorajar a apreciação da música aos seus filhos, elas podem
começar antes dos bebês nascerem.
Se a mamãe quer cantar para o bebê dela, por que não?
O canto de uma mãe é uma parte maravilhosa do ambiente
sonoro natural, disseram os pequisadores.
148
Neurobiologia das crianças na
Fase Pré-operatória (2 – 7,8 anos)
Aqui, apresentamos uma revisão do desenvolvimento do
cérebro humano durante os anos pré-escolares que esperamos
seja particularmente informativo para leitores interessados em
uma perspectiva pediátrica psicológica. Esta revisão foi produzida
pelo Center on the Developing Child (2004)”, da Universidade de
Harvard (EUA) e intitulado “Children’s Emotional Development is
Built into the Architecture of Their Brains (O Desenvolvimento
Emocional das Crianças é Construído na Arquitetura de seus
Cérebros)”.
Embora uma revisão abrangente de todas as pesquisas
relevantes esteja além do alcance de nosso objetivo atual,
buscamos, no entanto, apresentar uma ampla gama de
evidências obtidas de uma variedade de métodos de pesquisa.
Os anos pré-escolares representam um período de
crescimento psicológico expansivo, com a expressão inicial de
muitas habilidades psicológicas que continuarão a ser refinadas
para a idade adulta jovem. Do mesmo modo, o desenvolvimento
do cérebro durante esta fase caracteriza-se pela natureza
"florecida", mostrando algumas das suas mudanças anatômicas e
fisiológicas mais dinâmicas e elaborativas. Aqui revisamos o
desenvolvimento do cérebro humano durante os anos pré-
escolares, provando evidências científicas de uma variedade de
fontes. Assim como os anos pré-escolares representam um
momento de grande crescimento cognitivo e comportamental,
com o surgimento em forma precoce de muitas habilidades
psicológicas quintessencialmente humanas, eles também
constituem um período de "florescimento" dentro do cérebro,
durante o qual os substratos anatômicos e fisiológicos mostram
alguns dos suas mudanças de desenvolvimento mais dinâmicas e
elaborativas.
As principais características do desenvolvimento emocional
incluem a capacidade de identificar e compreender os próprios
sentimentos, ler e compreender com precisão estados emocionais
em outros, gerir emoções fortes e sua expressão de forma
149
construtiva, regular o próprio comportamento, desenvolver a
empatia pelos outros , e estabelecer e sustentar relacionamentos.
O desenvolvimento emocional é incorporado na arquitetura dos
cérebros das crianças jovens em resposta às suas experiências
pessoais individuais e às influências dos ambientes em que
vivem. De fato, a emoção é um aspecto biologicamente baseado
no funcionamento humano que é "com fio" em múltiplas regiões
do sistema nervoso central que têm uma longa história na
evolução de nossa espécie. Essas interconexões crescentes entre
os circuitos cerebrais suportam o surgimento de um
comportamento emocional cada vez mais maduro,
particularmente nos anos pré-escolares. Declarados
simplesmente, à medida que as crianças pequenas se
desenvolvem, suas experiências emocionais iniciais literalmente
se encaixam na arquitetura de seus cérebros. Aqui está o que
sabemos:
As experiências emocionais de recém-nascidos e
crianças pequenas ocorrem mais comumente
durante períodos de interação com um cuidador
(como alimentação, conforto e protenção).
Os bebês exibem angústia e choram quando estão
famintos, frios, molhados ou de outra forma desconfortáveis, e
experimentam emoções positivas quando são alimentados,
acalmados e mantidos. Durante este período inicial, as crianças
são incapazes de modular a expressão de sentimentos
esmagadores e têm pouca capacidade de controlar suas emoções
ao serviço da atenção ou da atenção. As associações entre
emoções positivas e a disponibilidade de cuidados sensíveis e
responsivos são fortalecidas durante a infância tanto no
comportamento como na arquitetura do cérebro.
Já os estados emocionais das crianças e das crianças em
idade pré-escolar são muito mais complexos. Dependem das suas
capacidades emergentes para interpretar as suas experiências
pessoais e entender o que os outros estão fazendo e pensando,
bem como interpretar as nuances de como os outros respondem.
À medida que eles (e seus cérebros) se baseiam em fundações
que são estabelecidas anteriormente, eles amadurecem e
adquirem uma melhor compreensão de uma variedade de
150
emoções. Eles também se tornam mais capazes de gerenciar
seus sentimentos, que é uma das tarefas mais desafiadoras da
primeira infância.
A saúde emocional das crianças pequenas está
intimamente ligada às características sociais e
emocionais dos ambientes em que vivem.
No final dos anos pré-escolares, as crianças que
adquiriram uma forte base emocional têm a capacidade de
antecipar, falar e usar sua consciência de seus próprios
sentimentos e dos outros para gerenciar melhor as interações
sociais diárias.
Seus repertórios emocionais se expandiram
dramaticamente e agora incluem tais sentimentos como orgulho,
vergonha, culpa e constrangimento - tudo o que influencia como
os indivíduos funcionam como membros contribuintes de uma
sociedade. Ao longo dos anos da primeira infância, as crianças
desenvolvem capacidades crescentes para usar a linguagem para
comunicar como se sentem e obter ajuda sem "derreter", bem
como para inibir a expressão de emoções inadequadas para um
determinado ambiente.
Quando os sentimentos não são bem gerenciados, o
pensamento pode ser prejudicado.
Avanços científicos recentes mostraram como o
desenvolvimento interrelacionado da emoção e a cognição
dependem do surgimento, maturação e interconexão de circuitos
neurais complexos em múltiplas áreas do cérebro, incluindo o
córtex pré-frontal, o córtex límbico, o prosencéfalo basal, a
amígdala, o hipotálamo e o tronco encefálico. Os circuitos que
estão envolvidos na regulação da emoção são altamente
interativos com aqueles que estão associados a "funções
executivas" (como planejamento, julgamento e tomada de
decisão), que estão intimamente envolvidos no desenvolvimento
de habilidades de resolução de problemas durante a anos pré-
escolares. Em termos de funcionamento básico do cérebro, as
emoções apoiam as funções executivas quando estão bem
regulamentadas, mas interferem na atenção e na tomada de
decisões quando são mal controladas.
151
Agora sabemos que as diferenças no temperamento da
primeira infância - que vão de ser extremamente
extrovertido e aventureiro até serem dolorosamente
tímidas e facilmente perturbadaspor algo novo ou
incomum - são fundamentadas na própria composição
biológica.
Essas variações levam a caminhos comportamentais
alternativos para crianças pequenas, pois desenvolvem
estratégias individuais para controlar suas emoções durante os
anos pré-escolares e além. Eles também apresentam diversos
desafios para pais e outros adultos que devem responder de
forma diferente a diferentes tipos de crianças. Quando se trata de
encontrar a "melhor" abordagem para criar crianças pequenas, os
cientistas nos dizem que um tamanho não se encaixa em todos.
As crianças pequenas são capazes de sentimentos
surpreendentemente profundos e intensos de tristeza (incluindo
depressão), sofrimento, ansiedade e raiva (o que pode resultar
em agressão incontrolável), além de alegria e felicidade pelas
quais eles são mais conhecidos.
Para algumas crianças, os anos pré-escolares marcam o
início de dificuldades emocionais duradouras e
problemas de saúde mental que podem se tornar mais
graves.
A saúde emocional das crianças pequenas - ou a ausência
dela - está intimamente ligada às características sociais e
emocionais dos ambientes em que vivem, que incluem não
apenas seus pais, mas também o contexto mais amplo de suas
famílias e comunidades.
As crianças pequenas que crescem em casas que são
incomodadas por problemas mentais de saúde mental, abuso de
substâncias ou violência familiar enfrentam ameaças significativas
para seu próprio desenvolvimento emocional. A experiência de
maus tratos crônicos, extremos e / ou incontroláveis tem sido
documentada como produzindo mudanças mensuráveis no
cérebro imaturo.
As habilidades iniciais da criança para lidar com suas
emoções são importantes não só para a base que essas
capacidades proporcionam para o futuro, mas também para o
152
funcionamento social atual das crianças com seus pais,
professores e colegas.
Importancia para políticas e programas
A ciência do desenvolvimento da primeira infância é
suficientemente madura no presente tempo para apoiar uma série
de implicações baseadas em evidências e aqueles que
desenvolvem e implementam políticas que afetam a saúde e o
bem-estar das crianças pequenas.
Todos os programas de primeira infância, devem equilibrar
seu foco nas habilidades de cognição e alfabetização com
atenção significativa ao desenvolvimento emocional e social.
As crianças claramente precisam das capacidades sociais
e emocionais que lhes permitem sentar-se em uma sala de aula,
prestar atenção e se dar bem com seus colegas de classe, tanto
quanto precisam das habilidades cognitivas necessárias para
dominar os conceitos de leitura e matemática ministrados no
jardim de infância.
A ciência rica e crescente do desenvolvimento emocional e
social precoce deve ser incorporada nos serviços para apoiar os
pais que estão lutando para gerenciar dificuldades
comportamentais de rotina em seus filhos pequenos, bem como
aqueles que estão tentando descobrir se, quando e como lidar
com problemas sociais ou emocionais mais sérios.
Os provedores de cuidados e educação precoces devem
ter conhecimento e habilidades suficientes para ajudar as crianças
que apresentam problemas de comportamento comuns no início,
particularmente aqueles que apresentam agressões significativas
ou dificuldades com atenção e "hiperatividade".
A realização deste objetivo requer uma abordagem em
duas vertentes. Primeiro, uma maior atenção deve ser focada no
desenvolvimento social e emocional das crianças em programas
de treinamento pré-profissional e educação profissional contínua.
Em segundo lugar, todos os programas de primeira infância
devem ter acesso a serviços especializados de saúde mental que
tenham profissionais disponíveis para atender às necessidades de
crianças pequenas, cujos problemas não podem ser abordados
adequadamente pela equipe de linha de frente.
A experiência em identificação precoce, avaliação e
tratamento clínico deve ser incorporada nos programas de
153
intervenção existentes para atender às necessidades complexas e
atualmente não atendidas de crianças pequenas com sérios
problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e
comportamentos anti-sociais significativos. Central para este
desafio é a necessidade de diferenciar com precisão as
dificuldades emocionais transitórias que refletem uma "fase" que a
criança superará de distúrbios diagnosticáveis que requerem
tratamento clínico.
Todas as agências de assistência à infância que têm a
responsabilidade de investigar suspeitas de abuso ou negligência
devem incluir uma avaliação sofisticada do estado de
desenvolvimento da criança, incluindo competências cognitivas,
linguísticas, emocionais e sociais. Isso poderia ser conseguido
através de uma colaboração mais estreita entre serviços de
proteção infantil e programas de intervenção precoce para
crianças com atrasos ou deficiências no desenvolvimento. Essas
implicações para a política e a prática são marcantes em sua
simplicidade, na medida em que refletem o senso comum e sua
base sólida na ciência da primeira infância e do desenvolvimento
do cérebro. Fechar a lacuna de ciência e política que afeta o
futuro de nossos filhos e, portanto, nossa sociedade, deve ser
uma prioridade importante para todos os que estão envolvidos na
vida pública.
154
Neurobiologia das crianças na
Fase Operatório-concreto (8 – 11
anos) e Operatório-formal (8 – 14
anos)
O desenvolvimento da criança implica as mudanças
biológicas, psicológicas e emocionais que ocorrem nos seres
humanos entre o nascimento e o final da adolescência, à medida
que o indivíduo progride da dependência para o aumento da
autonomia. É um processo contínuo com uma seqüência
previsível, ainda que possui um curso único para cada criança.
Não progride na mesma taxa e cada estágio é afetado pelas
experiências de desenvolvimento precedentes. Como essas
mudanças de desenvolvimento podem ser fortemente
influenciadas por fatores genéticos e eventos durante a vida pré-
natal, a genética e o desenvolvimento pré-natal geralmente são
incluídos como parte do estudo do desenvolvimento infantil. Os
termos relacionados incluem psicologia do desenvolvimento,
referindo-se ao desenvolvimento ao longo da vida e pediatria, o
ramo da medicina relacionada ao cuidado das crianças. A
mudança de desenvolvimento pode ocorrer como resultado de
processos geneticamente controlados conhecidos como
maturação, ou como resultado de fatores ambientais e
aprendizagem, mas geralmente envolvem uma interação entre os
dois. Pode também ocorrer como resultado da natureza humana e
da nossa capacidade de aprender com o nosso ambiente.
Existem várias definições de períodos no desenvolvimento de
uma criança, uma vez que cada período é um continuum com
diferenças individuais em relação ao início e fim. Alguns períodos
de desenvolvimento relacionados à idade e exemplos de
intervalos definidos são: recém nascido (idades entre 0-4
semanas); criança (4 semanas - 1 ano); criança (idades 1-3 anos);
pré-escolar (4-6 anos); criança em idade escolar (6 a 12 anos);
adolescente (13-18 anos).
Promover o desenvolvimento infantil através do
treinamento parental, entre outros fatores, promove excelentes
155
taxas de desenvolvimento infantil. Os pais desempenham um
papel importante na vida, na socialização e no desenvolvimento
de uma criança. Ter múltiplos pais pode adicionar estabilidade à
vida da criança e, portanto, incentivar o desenvolvimento
saudável. Outro fator influente no desenvolvimento de uma
criança é a qualidade dos seus cuidados. Os programas de
assistência à infância apresentam uma oportunidade crítica para a
promoção do desenvolvimento infantil. O melhor desenvolvimento
das crianças é considerado vital para a sociedade e, portanto, é
importante compreender o desenvolvimento social, cognitivo,
emocional e educacional das crianças. O aumento da pesquisae
do interesse neste campo resultou em novas teorias e estratégias,
com especial atenção à prática que promove o desenvolvimento
dentro do sistema escolar. Há também algumas teorias que
procuram descrever uma seqüência de estados que compõem o
desenvolvimento infantil.
Cognitivo / intelectual
O desenvolvimento cognitivo se preocupa principalmente
com as maneiras pelas quais as crianças pequenas adquirem,
desenvolvem e usam capacidades mentais internas, como
resolução de problemas, memória e linguagem.
O que se desenvolve?
A capacidade de aprender, lembrar e simbolizar
informações e resolver problemas existe em um nível simples em
crianças jovens, que podem desempenhar tarefas cognitivas,
como discriminar seres animados e inanimados ou reconhecer
pequenos números de objetos. Durante a infância, o aprendizado
e o processamento de informações aumentam a velocidade, a
memória se torna cada vez mais longa, e o uso de símbolos e a
capacidade de abstração se desenvolvem, até atingir um nível
quase adulto na adolescência.
Mecanismos
156
O desenvolvimento cognitivo tem mecanismos genéticos e
outros biológicos, como se observa nas muitas causas genéticas
da deficiência intelectual. Fatores ambientais, incluindo
alimentação e nutrição, capacidade de resposta dos pais,
experiências diárias, atividade física e amor podem influenciar o
desenvolvimento inicial do cérebro de crianças. No entanto,
embora se supõe que as funções do cérebro causam eventos
cognitivos, não foi possível medir mudanças cerebrais específicas
e mostrar que elas causam mudanças cognitivas. Os avanços do
desenvolvimento na cognição também estão relacionados à
experiência e ao aprendizado, e isso é particularmente o caso de
habilidades de nível superior como a abstração, que dependem
em grande medida da educação formal.
Velocidade e padrão
A capacidade de aprender padrões temporais em ações
seqüenciadas foi investigada em crianças em idade escolar
primária. A aprendizagem temporal depende de um processo de
integração de padrões de tempo com sequências de ação.
Crianças de 6 a 13 anos e jovens adultos realizaram uma tarefa
de tempo de resposta em série em que uma resposta e uma
seqüência de temporização foram apresentadas repetidamente de
forma combinada com a fase, permitindo a aprendizagem
integrativa. O grau de aprendizagem integrativa foi medido como
a desaceleração no desempenho que resultou na mudança de
fase das seqüências. Aprender foi semelhante para crianças e
adultos em média, mas aumentou com a idade para as crianças.
A função executiva medida pelo desempenho do teste de
classificação do cartão Wisconsin (WCST, do inglês Wisconsin
Card Sorting Test), bem como uma medida da velocidade de
resposta também melhorou com a idade. Finalmente, o
desempenho do WCST e a velocidade de resposta predisseram a
aprendizagem temporal. Em conjunto, os resultados indicam que
a aprendizagem temporal continua a se desenvolver em pré-
adolescentes e que a função executiva madura ou a velocidade
de processamento podem desempenhar um papel importante na
aquisição de padrões temporais em ações seqüenciadas e no
desenvolvimento dessa habilidade.
157
Fatores genéticos parecem regular alguns
desenvolvimentos sócio-emocionais que ocorrem em idades
previsíveis, como medo e apego a pessoas familiares. A
experiência desempenha um papel na determinação de quais
pessoas são familiares, quais regras sociais são obedecidas e
como a ira é expressa. As práticas parentais demonstraram
prever a inteligência emocional das crianças. O objetivo é estudar
o tempo que as mães e as crianças passam juntas em atividades
conjuntas, os tipos de atividades que elas desenvolvem quando
estão juntas e a relação que essas atividades possuem com a
inteligência emocional da característica das crianças. Os dados
foram coletados para mães e crianças (N = 159) usando
questionários de auto-relato. As correlações entre variáveis de
tempo e dimensões de inteligência emocional de traços foram
computadas usando o Coeficiente de Correlação Momento de
Produto de Pearson. As correlações parciais entre as mesmas
variáveis que controlam a parentalidade responsiva também
foram computadas. A quantidade de tempo que as mães gastam
com seus filhos e a qualidade de suas interações são importantes
em termos de inteligência emocional do traço das crianças, não
só porque aqueles tempos de atividade conjunta refletem uma
parentalidade mais positiva, mas porque eles provavelmente
promoverão modelagem, reforço, atenção compartilhada e
cooperação social.
Diferenças de população
As diferenças de população podem ocorrer em crianças
mais velhas se, por exemplo, tenham aprendido que é apropriado
que os meninos expressem emoção ou se comportam de maneira
diferente das meninas, ou se os costumes aprendidos por
crianças de um grupo étnico são diferentes dos aprendidos
noutro. As diferenças sociais e emocionais entre meninos e
meninas de uma determinada idade também podem estar
associadas a diferenças no momento da puberdade
características dos dois sexos.
Linguagem e comunicação
158
Mecanismos
A linguagem serve para a comunicação para se expressar
através de um uso sistemático e tradicional de sons, sinais ou
símbolos escritos. Existem quatro subcomponentes em que a
criança deve atingir para adquirir competência linguística. Eles
incluem fonologia, léxico, morfologia e sintaxe, e pragmática.
Esses subcomponentes do desenvolvimento da linguagem são
combinados para formar os componentes da linguagem, que são
sociolingüística e alfabetização. Atualmente, não existe uma única
teoria aceita de aquisição de linguagem, mas vários explicações
do desenvolvimento da linguagem foram acumuladas.
Componentes
Os quatro componentes do desenvolvimento do idioma
incluem:
. A fonologia está preocupada com os sons da linguagem.
É a função, o comportamento e a organização dos sons como
itens linguísticos. A fonologia considera quais são os sons da
linguagem e quais são as regras para combinar sons. A aquisição
fonológica em crianças pode ser medida pela precisão e
freqüência de produção de várias vogais e consoantes, a
aquisição de contrastes fonêmicos e características distintivas, ou
através da visualização de desenvolvimento em estágios
regulares em seus próprios sistemas de som de fala e para
caracterizar estratégias sistemáticas que adotam.
. Lexicon é um dicionário complexo de palavras que
permite que falantes de linguagem usem essas palavras na
produção e compreensão da fala. O léxico é o inventário dos
morfemas de uma língua. Os morfemas agem como elementos
mínimos de significância ou blocos de construção de algo em
linguagem que faz sentido. Por exemplo, na palavra "gato", o
componente "gato" faz sentido, mas "at" não significa o mesmo
"gato". Neste exemplo, "ca" também não significa nada.
. A morfologia é o estudo da forma ou das formas. É o
sistema mental envolvido na formação de palavras ou no ramo da
linguística que lida com palavras, sua estrutura interna e como
elas são formadas.
159
. A pragmatica é o estudo das relações entre as formas
linguísticas e os usuários dessas formas. Também incorpora o
uso do enunciado para atender a diferentes funções e pode ser
definido como a capacidade de comunicação seus sentimentos e
desejos para os outros.
O desenvolvimento infantil da linguagem também inclui a
semântica, que é o apego do significado às palavras. Isso
acontece em três estágios. Primeiro, cada palavra significa uma
frase completa. Por exemplo, uma criança pequena pode dizer
"mama", mas a criança pode significar "Aqui esta a mama", "Onde
esta a mama?", Ou "Eu vejo a mama". No segundo estágio, as
palavras têm significado, mas não possuem definições completas.
Este estágio ocorre em torno de dois ou três anos. Terceiro, cerca
de sete ou oito anos, as palavras têm definições para adultose
seus significados são mais completos.
Uma criança aprende a sintaxe de seu idioma quando eles
são capazes de unir as palavras em frases e entender frases de
múltiplas palavras ditas por outras pessoas. Parece haver seis
estágios principais nos quais a aquisição da sintaxe de uma
criança se desenvolve. Primeiro, é o uso de palavras semelhantes
a frases em que a criança se comunica usando uma palavra com
pistas vocais e corporais adicionais. Esta fase geralmente ocorre
entre 12 e 18 meses de idade. Em segundo lugar, entre 18 meses
e dois anos, há a fase de modificação em que as crianças se
comunicam relacionando modificando uma palavra tópica. O
terceiro estágio, entre dois e três anos, envolve a criança usando
estruturas sujeito-predicado completas para comunicar
relacionamentos. Em quarto lugar, as crianças fazem mudanças
na estrutura básica da frase que lhes permite comunicar
relacionamentos mais complexos. Este estágio ocorre entre as
idades de dois anos e meio a quatro anos. O quinto estágio de
categorização envolve crianças de três anos e meio a sete anos
refinando suas frases com uma escolha de palavras mais
proposital que reflete seu sistema complexo de categorização de
tipos de palavras. Finalmente, as crianças usam estruturas de
linguagem que envolvem relações sintáticas mais complicadas
entre as idades de cinco anos e dez anos de idade.
Fundamentos
160
Os bebês começam com o barulho e os sons da vogal
suave. Pouco depois do nascimento, este sistema é desenvolvido
à medida que os bebês começam a entender que seus ruídos, ou
comunicação não verbal, levam a uma resposta de seu cuidador.
Isso irá progredir para balbuciar em torno de 5 meses de idade,
com os primeiros bebês a consoante de balbuciar e as vogais
tocam juntas que podem parecer "ma" ou "da". Com cerca de 8
meses de idade, o balbuciar aumenta para incluir a repetição de
sons, como "da-da" e os bebês aprendem os formulários para as
palavras e quais sons são mais propensos a seguir outros sons.
Nesta fase, grande parte da comunicação da criança está aberta
à interpretação. Por exemplo, se uma criança diz "bah" quando
eles estão em uma sala de brinquedos com seu guardião, é
provável que seja interpretado como "bola" porque o brinquedo
está à vista. No entanto, se você estivesse ouvindo a mesma
"palavra" em uma fita gravada sem conhecer o contexto, não seria
possível descobrir o que a criança estava tentando dizer. A
linguagem receptiva da criança, a compreensão do discurso dos
outros, tem um desenvolvimento gradual a partir de cerca de 6
meses. No entanto, a linguagem expressiva, a produção de
palavras, se move rapidamente após o início de aproximadamente
um ano de idade, com uma "explosão de vocabulário" de rápida
aquisição de palavras ocorrendo no meio do segundo ano. As
regras gramaticais e as combinações de palavras aparecem em
cerca de dois anos. Entre 20 e 28 meses, as crianças passam de
compreender a diferença entre alto e baixo, quente e frio e
começam a mudar "não" para "esperar um minuto", "não agora" e
"porquê". Eventualmente, eles são capazes de adicionar
pronomes a palavras e combiná-las para formar frases curtas. O
domínio do vocabulário e da gramática continua gradualmente
através dos anos pré-escolares e escolares. Os adolescentes
ainda têm vocabulários menores que os adultos e experimentam
mais dificuldades com construções como a voz passiva.
Não existe uma única teoria aceita da aquisição da
linguagem. Em vez disso, existem teorias atuais que ajudam a
explicar teorias da linguagem, teorias da cognição e teorias do
desenvolvimento. Eles incluem a teoria generativista, a teoria
interacionista social, a teoria baseada no uso (Tomasello), a teoria
conexionista e a teoria behaviorista (Skinner). As teorias
generativistas referem-se à gramática universal sendo inata, onde
161
a experiência linguística ativa o conhecimento inato. As teorias
interacionistas sociais definem o idioma como um fenômeno
social. Esta teoria afirma que as crianças adquirem linguagem
porque querem se comunicar com os outros; Esta teoria é
fortemente baseada em habilidades sócio-cognitivas que
impulsionam o processo de aquisição de linguagem. As teorias
baseadas no uso definem o idioma como um conjunto de fórmulas
que emergem das habilidades de aprendizagem da criança em
correspondência com sua interpretação cognitiva social e
compreensão dos significados pretendidos dos oradores. As
teorias de conexão são um procedimento de aprendizagem de
padrões e define o idioma como um sistema composto por
subsistemas menores ou padrões de som ou significado. As
teorias comportamentais definem o idioma como o
estabelecimento do reforço positivo, mas agora é considerada
uma teoria do interesse histórico.
Adolescente e o Cérebro em
Ebulição
A palavra emoção deriva do latim movere, mover, por em
movimento. É essencial compreender que a emoção é um
movimento de dentro para fora, um modo de comunicar os nossos
mais importantes estados e necessidades internas.
As emoções "são complexos psicofisiológicos que se
caracterizam por súbitas rupturas no equilíbrio afetivo de curta
duração, com repercussões consecutivas sobre a integridade da
consciência e sobre a atividade funcional de vários órgãos”.
Sentimentos são estados afetivos mais estáveis e duráveis,
provavelmente provindos de emoções correlatas que lhe são
cronologicamente anteriores.
Podemos classificar emoções e estados emocionais em:
• Emoções primárias: ligadas ao instinto e sobrevivência.
São elas a Emoção de Choque (que representa ameaça ao
indivíduo); Emoção Colérica (anulação de objeto, que representa
algum incômodo) e Emoção Afetuosa (inclinação ao prazer).
• Emoções secundárias: estados afetivos mais complexos
que as emoções primárias. Dividem-se em duas formas: Estados
Afetivos Sensoriais (sensações de prazer e dor, relacionado à
162
sensibilidade corporal) e Estados Afetivos Vitais (mal-estar, bem-
estar, animação, desanimação, relacionado a atitudes internas do
indivíduo).
• Emoções mistas: envolvem misturas de estados afetivos
contrastantes, caracterizando um conflito emocional. Este conflito
emocional pode ter grande ou pequena repercussão na conduta
individual.
• Sentimentos anímicos e espirituais: sentimentos anímicos
são estados afetivos tidos como qualidades do eu com o mundo
de valores; referem-se a coisas, pessoas ou acontecimentos,
atribuindo-lhes valores. Exemplos de sentimentos anímicos são
tristeza e alegria, amor e ódio, felicidade e desespero.
Sentimentos espirituais tendem para valores absolutos, como
valores de estética, intelectuais, morais ou religiosos.
Sentimentos são muito mais duradouros que as emoções,
e muito mais numerosos. Desta forma, como um exemplo,
podemos contatar que da emoção primária de choque-pânico,
nascem emoções mistas como espanto, susto, terror, e destas
surgem sentimentos de desconfiança, insegurança ou medo.
Lopes (2017), citou as funções das emoções conforme
Dámasio, Newen e Ballone:
. Para Damásio a emoção tem duas funções biológicas: A
primeira produz uma reação específica para a situação indutora e
a segunda função é de Homeostase, regulando o estado interno
do organismo, visando essa reação específica. Ou seja, as
emoções são a forma que a natureza encontrou para proporcionar
aos organismos comportamentos rápidos e eficazes orientados
para a sua sobrevivência.
. De acordo com Newen, as emoções cumprem funções de
grande importância. Podemos citar quatro delas: Prepara-nos e
motiva-nos para ações; possibilita avaliarmos os estímulos do
ambiente de maneira extremamente rápida, ajuda no controle das
relações sociais; são formas de expressão típicas que indicam
aos outros as próprias intenções (quando alguém sorri para nós,
automaticamente supomos que tem uma postura amigável).
. Já, segundo Ballone, essas emoções são capazes de mobilizar o
Sistema Nervoso Autônomo,órgãos e sistemas. Para a mesma
autora, conclui-se que, as emoções influenciam a saúde não
apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também
163
através de suas propriedades motivacionais, através de condutas
saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, etc
Desenvolvimento do cérebro
adolescente
De acordo com o Ashton Community Science College, da
Inglaterra, nos últimos 10 anos, as varreduras cerebrais ou
ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês) nos
disseram mais sobre como os cérebros do adolescente funcionam
de forma diferente dos cérebros dos adultos. Saber mais sobre
como o cérebro do adolescente funciona pode ajudar os adultos a
entender melhor o comportamento deles - por que eles podem ser
impulsivos, precisam dormir muito, sejam emocionais, rebeldes,
correm riscos, sejam desorganizados, distraídos e atrasados!
Os adolescentes podem parecer fisicamente maduros, mas
seus cérebros ainda estão se desenvolvendo até os 20 anos. Os
adultos usam a parte frontal do cérebro (córtex frontal) para
pensar, avaliar e planejar. Ao usar exames cerebrais, os
pesquisadores descobriram que a parte da frente dos cérebros
dos adolescentes está subdesenvolvido. Os adolescentes usam
uma parte emocional da cérebro (a amígdala) mais do que os
adultos.
Parte mais estimulada do cérebro dos adolescentes
164
Sono
Os adolescentes precisam de pelo menos 9 horas de sono
para estarem otimamente alertas. As mudanças nos padrões de
sono estão ligadas à puberdade e às mudanças nos hormônios. A
puberdade é um momento em que o crescimento físico do
adolescente acelera e isso é controlado pela liberação do
hormônio do crescimento, as meninas com de cerca de 11 anos e
meninos aproximadamente 14 anos. Nos adolescentes, o
hormônio do sono (melatonina46) é liberado aproximadamente às
13 horas em comparação com as 22 horas em adultos. Os
adolescentes continuarão com esse padrão de sono até que
tenham terminado a puberdade. Perto do fim da puberdade, eles
mudarão para um padrão adulto. Para as meninas, isso ocorre em
torno de 19,5 anos de idade. Para meninos, isso ocorre em torno
de 21 anos de idade.
O que você pode fazer para ajudar seu
adolescente?
Mesmo que o corpo do seu adolescente esteja mudando,
as rotinas para dormir e ter maneiras de se acomodar para dormir
ainda são importantes. Tente encorajá-lo a ter um tempo de cama
regular, porém que não seja muito cedo.
Todos sabemos as coisas que podem ser úteis para dormir:
uma rotina que leva à hora de dormir, acalmando-se, calma e
escuridão, mas talvez você precise adaptar essas coisas para
estar mais em sintonia com seu adolescente. Portanto, tente
manter a calma: assim como você quando era mais jovem, eles
também, dependerão de você para ajudá-los a manter a calma.
Mantenha seu quarto fresco. Reduza a iluminação (iluminação
46 A melatonina é um hormônio produzido por diversos animais e plantas. Em
animais superiores, é o produzido e liberado pela glândula Pineal. A glândula
pineal participa na organização temporal dos ritmos biológicos, atuando como
mediadora entre o ciclo claro/escuro ambiental e os processos regulatórios
fisiológicos, incluindo a regulação endócrina da reprodução, a regulação dos
ciclos de atividade-repouso e sono/vigília assim como a regulação do sistema
imunológico, entre outros.
165
com dimmers47 ou pequenas lâmpadas podem ser úteis).
Incentive um tempo de calma, como planejar a hora para parar de
usar o computador e a TV.
Será que os adolescentes podem dizer o que
você sente, pelo olhar no seu rosto?
Nos adolescentes, a parte do cérebro que controla a fala e
interpreta as expressões e emoções faciais (a amígdala) é
também a parte do cérebro que usamos quando estamos em
perigo. Isso significa que eles ficam confusos, pois o seu cérebro
está ainda imaturo. Em um experimento para ver se adolescentes
e adultos reconheceram uma expressão da mesma maneira. Ao
mostrar uma imagem de uma mulher com expressão de medo, os
pesquisadores perguntaram:
"O que esta pessoa sente?"
100% dos adultos estavam corretos. Eles disseram medo
corretamente. Enquanto que apenas 50% dos adolescentes
estavam corretos. Os outros 50% dos adolescentes citaram outras
emoções, como raiva, choque, tristeza ou confusão.
Mãe com expressão de medo.
47 Dimmers são dispositivos utilizados para variar a intensidade de uma
corrente elétrica média em uma carga. Eles consistem de graduadores que,
através da diminuição ou aumento da tensão valor eficaz e, portanto, um
aumento da potência média de uma lâmpada, controlam a intensidade da luz
produzida pela mesma.
166
Alguns disseram que não sabiam. Foi surpreendente que
até mesmo adolescentes bastante cultos responderam errado.
Os adolescentes usam a parte emocional do cérebro
(amígdala) com mais frequência e que ainda está imaturo e por
isso tem dificuldades de interpretar as emoções e sentimentos
expressados por outras pessoas.
Com apoio e compreensão de você e de outros adultos:
. Os cérebros deles vão amadurecer e eles serão adultos
responsáveis.
. Eles serão mais capazes de organizar e planejar.
. Seu padrão de sono mudará e eles vão se levantar cedo
para o trabalho ou escola.
Piaget e as crianças
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