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Semana 02 Funções da linguagem Resumo 1. Conteúdo: Adequação e Inadequação Linguística 2. Tópico ou unidade de estudo: Língua Portuguesa e Literatura Brasileira - IV Unidade 3. Ano/nível: 1º ano 4. Objetivo: a. Conhecer os elementos do processo de comunicação; b. Entender os fatores que contribuem para a adequação ou a inadequação linguística; c. Conhecer as funções da linguagem e identificá-las nos textos. 5. Alocação de tempo: a. Tempo casa: Leitura e resolução das questões; b. Tempo escola: Revisão e correção de atividades. 1 Adequação e Inadequação Linguística Observe as seguintes situações: 1ª situação : Suponha que a sua escola receberá o Secretário de Educação do Estado e você foi incumbido(a) de recebê-lo. Você, na tentativa de ser o mais simples possível, diante dele e de uma grande multidão, inicia sua fala assim: “É com muita honra que nossa escola hoje recebe o Ilustríssimo Secretário de Educação do Estado...” 2ª situação : Suponha que na sua viagem de ônibus da escola para casa você encontre um amigo de longas datas com quem tem intimidade. Ele se aproxima e você o cumprimenta assim: “Ilustríssimo, prazer em encontrá-lo. Por gentileza sente-se naquela poltrona que se encontra vazia. Qualquer coisa que precisar, pode se dirigir à minha pessoa. Será um prazer a mais atendê-lo. Tenha uma boa viagem, Ilustríssimo.” Diante das situações apresentadas, chegamos a duas conclusões: a primeira é que você está de parabéns pela recepção adequada, linguisticamente falando, feita ao Secretário de Educação do Estado; a segunda é que você 2 deve deixar o tratamento com “ilustríssimo” apenas para o secretário, pois ele é uma autoridade constituída, sendo ADEQUADO o tratamento. Em se tratando do seu amigo de longas datas, tanto o uso de “ilustríssimo”, como a maneira extremamente formal como você o tratou são INADEQUADAS à situação comunicativa, bem como ao interlocutor. Adequação e inadequação com os usos da língua é o que vamos ver nas aulas a seguir. De antemão, gostaria de que inicialmente soubessem que, como falantes nativos, não produzimos sentenças erradas e sim inadequadas, pois ninguém melhor do que nós conhece a língua que falamos. 3 As diferenças mostradas não esgotam os exemplos que cada situação pode conter. Eles são, como já foi dito, meros exemplos. E já que estamos exemplificando, que tal colhermos algumas dicas para cada situação e, oralmente, aumentarmos o quadro das diferenças? Vamos lá! 4 Modalidades da Língua Formal : também chamada de culta ou padrão, corresponde àquele falar tido como “modelar”, que obedece às regras da gramática normativa e não aceita variações de qualquer natureza. A modalidade culta ou padrão é veiculada nos dicionários, nas gramáticas, nos textos literários, técnicos-científicos e jornalísticos e nas redações oficiais do país. É a norma socialmente prestigiada e quem não a utiliza é considerado ignorante, iletrado, caipira ou matuto (o que não é verdade!), tornando-se vítima certa do preconceito linguístico (ANTUNES, 2007). Informal : Podemos dizer que é a modalidade do dia a dia da maioria das pessoas, que está “na boca do povo”, sem policiamento gramatical. Ao conversarmos com pessoas conhecidas, com as quais temos intimidade ou mesmo familiaridade, podemos falar de modo informal, mais popular e menos policiado, pois nosso interlocutor não se chocará com a nossa linguagem. Usamos a modalidade informal geralmente em casa com nossos familiares, com 5 pessoas mais próximas ou em eventos em que não seja obrigatório o uso da modalidade formal. A modalidade informal aceita as inúmeras variações. Essas "regrinhas“, às vezes, nos pegam desprevenidos, bem no meio de um texto que exige um pouco mais de apuro. Não é que seja “errado” dizer ou escrever de modo informal; todavia, há situações de uso da língua (uma redação de vestibular ou do Enem, por exemplo) em que você deverá optar pela formalidade. Ser “poliglota na própria língua”, como sugere o renomado 6 gramático Evanildo Bechara, é saber ADEQUAR os usos da língua às situações comunicativas; é, em outras palavras, “ saber trocar o chip linguístico ” no momento certo. “Um problema que ronda a linguagem é o hábito de generalizar indiscriminadamente, segundo o qual “tudo vale para tudo”. É de fundamental importância saber discernir o que é adequado a cada situação, para se poder, com eficiência, escolher esta ou aquela norma, este ou aquele padrão vocabular (...)”. (ANTUNES, op.cit, p. 99) Atividades Faça as respostas em seu caderno para corrigirmos no horário da aula presencial. Questão 01 - Comente a (in)adequação dos usos da língua nas situações abaixo: a) Candidato à vaga de emprego durante a entrevista: -Pô meu, esse salário é uma merreca! 7 b) Paciente diante do médico: - Meu problema é dor na pá. c) Filho com a mãe: -Querida, eu te amo tanto!!! d) Empregado com o patrão: -Senhor, posso sair mais cedo hoje? Questão 02 - Neste exercício você vai explorar as variedades lexicais que conhece para dizer a mesma coisa em diversas situações. Léxico significa o conjunto de palavras de uma língua. A variedade lexical acontece quando palavras são escritas de maneira diferente, mas possuem o mesmo significado. 8 a) Diga que está com calor e vai sair da sala: - a sua mãe em casa; - à professora na escola; - à juíza durante uma audiência; - ao médico durante uma consulta. b) Seu time de futebol perdeue você vai dizer que ele jogou mal: - a seu pai; - a um colega torcedor como você; - a um colega torcedor adversário; - ao técnico do time. c) Você foi traído pela(o) namorada(o) e quer dizer isso: - a um colega fofoqueiro; - a um colega debochado; - a seu / sua ex; - a sua melhor amiga ou ao seu melhor amigo. 9 Para que você compreenda o que queremos dizer quando falamos “adequado e inadequado com os usos da língua”, vai uma metáfora esclarecedora: O que você acharia se passasse no calçadão da praia de Boa Viagem e encontrasse os banhistas usando terno e gravata? E se você fosse convidado para uma cerimônia religiosa e lá os outros convidados estivessem trajados com plumas e paetês? Certamente você estranharia ambas as situações, uma vez que elas fogem do nosso padrão comportamental. Nos dois casos, houve inadequação no que tange às vestimentas. Com os usos da língua não é muito diferente. Assim, se você estiver num banquete entre amigos, é ADEQUADO o uso mais informal da língua, com algumas gírias (se preferir) e sem aquele rigor às normas gramaticais. Porém, se você estiver na sua formatura de conclusão de curso e for o orador da turma, é INADEQUADO o uso informal da língua, pois uma formatura é um evento social, com a presença de vários convidados que exigem formalidade. É conveniente que se prime pelo padrão culto da língua. 10 Para falar e escrever bem, é preciso, além de conhecer o padrão formal da Língua Portuguesa, saber adequar o uso da linguagem ao contexto discursivo. Para exemplificar este fato, convido vocês a ler o texto “ Aí, Galera ”, de Luís Fernando Veríssimo. No texto, o autor brinca com situações de discurso oral que fogem à expectativa do ouvinte. Aí, Galera Jogadores de futebol podem ser vítimas de estereotipação. Por exemplo, você pode imaginar um jogador de futebol dizendo “estereotipação”? E, no entanto, por que não? - Aí, campeão. Uma palavrinha pra galera. - Minha saudação aos aficionados do clube e aos demais esportistas, aqui presentes ou no recesso dos seus lares. - Como é? - Aí, galera. 11 - Quais são as instruções do técnico? - Nosso treinador vaticinou que, com um trabalho de contenção coordenada, com energia otimizada, na zona de preparação, aumentam as probabilidades de, recuperado o esférico, concatenarmos um contragolpe agudo com parcimônia de meios e extrema objetividade, valendo-nos da desestruturação momentânea do sistema oposto, surpreendido pela reversão inesperada do fluxo da ação. - Ahn? - É pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça. - Certo. Você quer dizer mais alguma coisa? - Posso dirigir uma mensagem de caráter sentimental, algo banal, talvez mesmo previsível e piegas, a uma pessoa à qual sou ligado por razões, inclusive, genéticas? - Pode. - Uma saudação para a minha progenitora. - Como é? - Alô, mamãe! 12 - Estou vendo que você é um, um… - Um jogador que confunde o entrevistador, pois não corresponde à expectativa de que o atleta seja um ser algo primitivo com dificuldade de expressão e assim sabota a estereotipação? - Estereoquê? - Um chato? - Isso. (Correio Braziliense, 13/05/1998.) Questão 03 - O texto retrata duas situações relacionadas que fogem à expectativa do público. São elas: (A) a saudação do jogador aos fãs do clube, no início da entrevista, e a saudação final dirigida à sua mãe; (B) a linguagem muito formal do jogador, inadequada à situação da entrevista, e um jogador que fala, com desenvoltura, de modo muito rebuscado. 13 (C) o uso da expressão “galera”, por parte do entrevistador, e da expressão “progenitora”, por parte do jogador. (D) o desconhecimento, por parte do entrevistador, da palavra “estereotipação”, e a fala do jogador em “é pra dividir no meio e ir pra cima pra pegá eles sem calça”. (E) o fato de os jogadores de futebol serem vítimas de estereotipação e o jogador entrevistado não corresponder ao estereótipo. Questão 04 - O texto mostra uma situação em que a linguagem usada é inadequada ao contexto. Considerando as diferenças entre língua oral e língua escrita, assinale a opção que representa também uma inadequação da linguagem usada ao contexto: (A) “O carro bateu e capotô, mas num deu pra vê direito” - um pedestre que assistiu ao acidente comenta com o outro que vai passando. (B) “E aí, ô meu! Como vai essa força?” - um jovem que fala para um amigo. 14 (C) “Só um instante, por favor. Eu gostaria de fazer uma observação” – alguém comenta em uma reunião de trabalho. (D) “Venho manifestar meu interesse em candidatar-me ao cargo de Secretária Executiva desta conceituada empresa” - alguém que escreve uma carta candidatando-se a um emprego. (E) “Porque se a gente não resolve as coisas como têm que ser, a gente corre o risco de termos, num futuro próximo, muito pouca comida nos lares brasileiros” - um professor universitário em um congresso internacional. Questão 05 - A expressão “pegá eles sem calça” poderia ser substituída, sem comprometimento de sentido, em língua culta, formal, por: (A) pegá-los na mentira; (B) pegá-los desprevenidos; (C) pegá-los em flagrante; (D) pegá-los rapidamente; (E) pegá-los momentaneamente. 15 E aí? Gostaram das questões? Viram que não são tão difíceis assim? Pois é, até quando vocês forem fazer o Enem, muitas outras questões já lhes terão sido apresentadas, de modo que irão tirar de letra! Parafinalizar nossa aula, e fazer jus ao estudo da adequação e inadequação dos usos da língua, lembrem-se de que, em testes como Enem e vestibulares, os textos que vocês produzirão estarão adequados às exigências desses concursos se estiverem em língua padrão. Por isso, nada de condenar seu uso, achando que é bobagem estudarmos. Não é! Todavia, a língua informal continuará sendo usada por vocês, não sendo inadequada em outras situações comunicativas, como por exemplo: em casa, com familiares, na rua, na vizinhança etc. O interessante é que tenham compreendido o momento de usar uma modalidade ou outra. Troquemos, pois, o chip linguístico no evento certo, com o interlocutor certo e com isso sejamos poliglotas na nossa língua! 16