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Manoel Almendra 
 
 
 ETIOLOGIA: 
A Aspiração de corpo estranho (ACE) é 
definida como o ato de aspirar ou inalar 
um corpo estranho para dentro do trato 
respiratório. Isso ocorre principalmente 
na fase pediátrica, onde as crianças 
põem objetos na boca, podendo ocorrer 
uma obstrução completa, levando a 
sinais e sintomas associados à hipóxia, 
ou conforme o nível de obstrução. (LIMA, 
BARROS e MAIA, 2021) 
 FATORES DE RISCO: 
Os fatores socioculturais dos cuidadores, 
como condições de moradia, nível de 
escolaridade, renda familiar e o grau de 
vigilância sobre as crianças geralmente 
estão relacionados com a ocorrência dos 
eventos. Isso ocorre pois, de maneira 
indireta, eles influenciam sobre o 
ambiente e os hábitos alimentares da 
criança. Além disso, as crianças mais 
acometidas possuem aspectos 
fisiológicos que as tornam mais 
propensas à ACE, como frequência 
respiratória aumentada, imaturidade no 
mecanismo de mastigação e deglutição, 
reflexo de fechamento da laringe e tosse 
ineficazes. (SOARES et al., 2020) 
 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: 
Quando o corpo estranho impacta na 
laringe pode causar cianose e hipóxia, com 
evolução rápida para insuficiência 
respiratória e óbito. Em casos de obstrução 
parcial da laringe os pacientes podem 
apresentar disfonia, estridor, rouquidão ou 
tosse. Um corpo estranho na traqueia pode 
se manifestar com disfonia, disfagia, tosse 
seca ou estridor. Se a obstrução ocorre 
abaixo das cordas vocais a sintomatologia 
pode ser variada com sintomas inespecíficos 
como tosse, sibilância ou estridor, 
taquipneia e afonia. (SOARES et al., 2020) 
 DIAGNÓSTICO: 
A radiografia de tórax é na maioria das 
vezes o primeiro exame de imagem a ser 
realizado. Porém, uma radiografia normal 
não afasta a hipótese de aspiração de CE. 
Os achados mais comumente encontrados 
são atelectasia e hiperinsuflação. (DA 
ROCHA et al, 2019). A tomografia 
computadorizada pode ser usada naqueles 
pacientes com história duvidosa ou com 
sinais e sintomas prolongados, com o 
objetivo de identificar sequelas 
pulmonares devidas à corpos estranhos de 
longa duração. (SOARES et al, 2020) 
 
 
Manoel Almendra 
 
 
 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: 
Os diagnósticos diferenciais de 
aspiração de corpo estranho são: crupe 
viral, edema angioneurótico, traqueíte 
bacteriana, abscesso retrofaríngeo ou 
peritonsilar, mononucleose infecciosa, 
traqueíte bacteriana e supraglotite 
infecciosa (WAKSMAN et al, 2005) 
 COMPLICAÇÕES: 
Tem-se como complicações: pneumonias de 
repetição, abscesso pulmonar, 
bronquiectasias, degeneração do 
parênquima pulmonar, pneumotórax, 
hemotórax, fístula bronco pleural e até 
deficiência pôndero-estatural1. (SOARES et 
al, 2020) 
 TRATAMENTO: 
1) Avaliar a severidade: 
a) Obstrução leve: Paciente capaz de 
responder se está engasgado. 
Consegue tossir, falar e respirar. 
b) Obstrução grave: Paciente 
consciente e que não consegue falar. 
Pode não respirar ou apresentar 
respiração ruidosa, tosse silenciosa 
e/ou inconsciência. 
 
2) Considerar abordagem específica. 
a) Obstrução leve em paciente 
responsivo: Não realizar manobras de 
desobstrução (não interferir); 
Acalmar o paciente; Incentivar tosse 
vigorosa; Monitorar e suporte de O2, 
se necessário; Observar atenta e 
constantemente; 
b) Obstrução grave em paciente 
responsivo - executar a manobra de 
heimlich; e repetir até a 
desobstrução ou o paciente tornar-
se não responsivo. 
c) obstrução grave em paciente 
irresponsivo: diante de 
irresponsividade e ausência de 
respiração com pulso, executar 
compressões torácicas com objetivo 
de remoção do corpo estranho; abrir 
vias aéreas, visualizar a cavidade 
oral e remover o corpo estranho, se 
visível e alcançável (com dedos ou 
pinça); se nada encontrado, realizar 
1 insuflação e se o ar não passar ou 
o tórax não expandir, reposicionar a 
cabeça e insuflar novamente; e 
considerar o transporte imediato 
mantendo as manobras básicas de 
desobstrução. (BRASIL, 2016) 
 
Manoel Almendra 
 
REFERÊNCIAS: 
1) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de 
Intervenção para o SAMU 192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. 
Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 
2) DA ROCHA, Caroline Cunha et al. Aspiração de corpo estranho em pediatria: uma 
emergência–relato de caso. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 19, p. e312-
e312, 2019. 
3) DE BRITO LIMA, Maria Cristina; REZENDE DE BARROS, Elessandra; DOS SANTOS 
MAIA, Luiz Faustino. OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS POR CORPO ESTRANHO EM 
CRIANÇAS: ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO. Revista Científica de Enfermagem-
RECIEN, v. 11, n. 34, 2021. 
4) PASADAS, Marta Zamora et al. OBSTRUCCIÓN DE LA VÍA AÉREA POR UN CUERPO 
EXTRAÑO (OVACE). Revista Infancia y Salud, v. 3, n. 1, p. 9-9, 2021. 
5) SOARES, Blenda Avelino et al. Aspiração de corpo estranho em crianças: 
avaliação do conhecimento de pais e cuidadores. 
6) SOARES, Felippe Flausino et al. Aspiração de corpo estranho de vias aéreas em 
crianças: fatores associados e complicações em uma série histórica. 2020.

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