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Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
1
1. Definição 
 Invasão direta do microrganismo na 
membrana sinovial e componentes 
do espaço articular 
 Possui diferentes graus de atividade 
inflamatória justamente por conta 
da interação microrganismo-
hospedeiro 
❖ Bactéria 
❖ Micobactéria 
❖ Fungo 
❖ Vírus (ex. parvovírus B19, rubéola, 
Epstein-Barr, HCV, HBV) 
 Seu curso pode ser agudo ou crônico 
 Artrite reativa X artrite séptica 
*Artrite reativa a infecção não está na articulação diferentemente da artrite séptica 
 A artrite séptica é considerada uma emergência clínica, pois o seu atraso no diagnóstico 
e/ou tratamento pode levar a uma irreversível destruição articular e aumento de 
mortalidade. 
2. Fatores de risco (anexo) 
 Idade acima dos 80 anos; 
 Diabetes mellitus; 
 Alcoolismo; 
 Condições que causam danos na integridade da pele, como psoríase, eczema e úlceras; 
 Cirurgia articular prévia e prótese articular; 
 Cirrose hepática; 
 Doença renal crônica, principalmente nos que estão em diálise; 
 Neoplasias e uso de quimioterápicos; 
 Usuários de drogas endovenosas; 
 Hemofílicos; 
 Transplantados; 
 AIDS; 
 Pacientes com hipogamaglobulinemia; 
 Doenças com comprometimento imunológico como artrite reumatoide e lúpus 
eritematoso sistêmico. 
3. Artrocentese 
 Punção intra-articular 
 Procedimento padrão-ouro para artrite asséptica 
 Artrocentese X infiltração 
*Uma você drena e a outra você insere, ambas utilizam a mesma técnica 
 Indicações: 
❖ Suspeita de artrite séptica 
❖ Artrites microcristalinas (ex. gota) 
❖ Artrite de etiologia a esclarecer 
 Contraindicações: 
❖ Se suspeita de artrite séptica → nenhuma 
❖ RNI > 3 pelo risco de sangramento 
Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
2
❖ Realocar se lesão de pele 
❖ Celulite 
 Deve-se solicitar no exame: 
❖ Celularidade 
❖ Pesquisa de cristais 
❖ Cultura 
❖ Bacterioscopia 
❖ PCR para tuberculose em casos selecionados 
❖ Lembre que líquido sinovial não é liquor e nem utiliza os critérios de Light 
4. Classificação do líquido sinovial 
 Normal I 
(não inflamatório) 
II 
(inflamatório) 
III 
(séptico) 
IV 
(hemartrose) 
Viscosidade Alta Alta Diminuída Diminuída Alta 
Coloração Incolor Amarelo claro Alaranjado; 
pouco turvo 
Purulento; 
turvo 
Vermelho 
Leucócitos 0-200 200-2.000 2.000-5.000 >50.000-
100.000 
Similar ao 
sangue 
% PMN <25% <50% >50% >75% Similar ao 
sangue 
 
 
Causas 
 
 
Fisiológico 
 
 
Osteoartrite 
 
Artropatias 
inflamatórias e 
microcristalinas 
 
Sépticas e 
pseudosépticas 
Trauma; 
neoplasia; 
distúrbios 
da 
coagulação 
*Os polimorfonucleares são o grupo de leucócitos que incluem os granulócitos, que são os 
neutrófilos, eosinófilos e basófilos. Essas células são as primeiras a chegar no foco inflamatório, 
constituindo a primeira defesa do organismo, que além de combaterem diretamente os 
patógenos invasores com suas enzimas e granulócitos, também liberam citocinas que recrutam 
outras células inflamatórias para resolverem a inflamação. 
5. Epidemiologia 
 Acomete todas as faixas etárias 
 S. aureus o mais comum em todas as faixas 
etárias 
 Indivíduos mais susceptíveis: 
❖ Idosos e crianças 
❖ Imunossuprimidos 
❖ Diabéticos 
❖ Etilistas 
❖ Usuários de drogas endovenosas 
6. Etiopatogênese 
 Disseminação predominante pela via 
hematológica (70%), mas também pode 
ocorrer por osteomielite adjacente, 
iatroênica, trauma, contiguidade da pele e 
linfática 
 Etiologia com forme a faixa etária: 
❖ Recém-nascido → S.aures 
Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
3
❖ Crianças entre um mês a cinco anos → vacinada S.aures; não vacinada H.influenzae 
❖ Adulto jovem sexualmente ativo → N. gonorrheal; S.aureus 
 Etiologia com forme a condição clínica 
❖ Etilista/cirrótico → bacilo gram negativo; S.pneumoniae 
❖ Malignidade → bacilo gram negativo 
❖ Diabéticos → bacilo gram negativo; cocos gram positivos 
❖ Usuários de drogas → P.aeruginosa; S.marcescens; S.aureus 
❖ Mordida de cães → P.multocida 
❖ Hemoglobinopatias → S.pneumoniae 
❖ Hipogamaglobinemia → M.hominis 
❖ Leite não pasteurizado →Brucella sp. 
 Fisiopatologia: 
*A artrite séptica, pode ser provocada por inoculação direta de patógenos na articulação 
e, além disso, também pode ocorrer por contiguidade, como na osteomielite e infecção de 
pele, porém essa via é incomum nos pacientes pediátricos; e por via hematogênica, comum 
nos membros inferiores, principalmente na articulação do joelho e coxofemoral. 
Basicamente, o processo infeccioso se instala no interior da articulação quando a metáfise 
apresenta localização intra-articular, como no quadril e ombro, ou por invasão de partes 
moles, por contiguidade. A ausência de membrana basal facilita a entrada da bactéria na 
sinóvia durante o processo de bacteremia, gerada num quadro de infecção respiratória, 
por exemplo, especialmente nos pacientes pediátricos. Isso pode ter como consequência a 
degradação da cartilagem e tecido ósseo, a partir da liberação de enzimas proteolíticas, 
migração de leucócitos e derrame sinovial, ou seja, um processo inflamatório intenso que 
gera morte do tecido. A infecção dentro da articulação destrói essa estrutura por um 
processo de condrólise química, na qual as enzimas bacterianas e seus produtos de 
degradação são condrolíticas. Inicialmente, ocorre a perda da matriz cartilaginosa, seguida 
de perda de colágeno cartilaginoso. As enzimas bacterianas geram erosões na superfície 
articular, que se soltam para 
dentro da articulação como 
grumos ou fragmentos livres. 
Essas alterações destrutivas já 
podem ser observadas dentro 
de 24 a 48 horas de infecção, e 
se tornam mais grave com o 
maior tempo do pus dentro da 
cavidade articular. O aumento 
do volume de líquido dentro da 
articulação gera grande pres-
são intra-articular e distensão 
da cápsula articular, o que leva 
à isquemia da membrana 
sinovial e consequente 
diminuição da irrigação 
sanguínea. Esse aumento 
pressórico também pode 
causar isquemia da epífise ós-
sea e necrose. 
Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
4
Algumas articulações são mais suscetíveis à necrose do que outras, como as articulações 
escapuloumeral e coxofemoral, porque a cápsula articular na qual estão as artérias que 
nutrem a epífise dessas articulações se prolonga até a região metafisária, ou seja, essas 
articulações possuem metáfise intra-articular, e nessas regiões é muito comum que a 
artrite séptica evolua com osteomielite. Especialmente nessas duas articulações, a 
distensão produzida pelo aumento de líquido intra-articular pode levar a uma subluxação 
ou mesmo a uma luxação. No caso da articulação coxofemoral, isso provoca perda 
irreversível da função articular, com encurtamento e adução e flexão e mobilidade 
diminuídas. Não haverá mais crescimento epifisário nesse local. Quando a luxação for de 
ombro, a mobilidade é diminuída, porém razoável, pois se forma uma neoarticulação 
fibrosa, na qual não há ação do peso corporal como no quadril, sendo a maior 
consequência o encurtamento do úmero. 
 Achados radiológicos → Os sinais radiológicos não são específicos, apresentando aumento 
do volume das partes moles por edema sinovial e periarticular, além de porose óssea 
metafisária e alargamento do espaço articular que podem ser notados nas fases iniciais da 
infecção. Com o tempo, são identificados os sinais de destruição articular, assim como 
ocorre na artrite séptica gerada por outros patógenos, mas como a tuberculose tem 
evolução lenta, por ser uma inflamação de caráter granulomatoso, as variações 
radiológicas demoram semanas para aparecer. 
❖ Radiografia → espessamento da cápsula sinovial com infiltração, edema de partes moles 
e da região periarticular - aumentodo espaço articular; após 48 horas é possível 
identificar alargamento do espaço articular, luxação ou subluxação em algumas 
articulações, e os achados devem ser comparados entre os dois lados. 
*Um dos primeiros sinais radiográficos junto ao aumento do espaço articular é o 
afastamento lateral da epífise e uma linha de Shenton “quebrada”. 
❖ RNM → é o melhor exame para diagnóstico precoce, pois detalha o envolvimento ósseo 
e das partes moles, além do edema e aumento do líquido sinovial. 
❖ Cintilografia → evidencia maior captação de forma bastante precoce, destacando áreas 
“quentes”, que significam regiões com reação inflamatória, hiperemias e reação 
infecciosa. 
*Nas infecções da pelve, como artrite séptica do quadril, nas articulações sacroilíacas e 
na sínfise pubiana, esse exame é fundamental para localizar o foco infeccioso. 
❖ USG → pode ser identificada pelo líquido articular que é evidenciado mesmo em 
quantidades pequenas na fase inicial da infecção. 
*Porém, nos estágios mais avançados da doença, quando há muito pus intra-articular, as 
alterações são evidenciadas com facilidade na ecografia e também em raio-X simples. 
7. Artrite séptica não gonocócica 
 Quadro clínico: 
❖ Monoartrite 
❖ Início súbito 
❖ Joelho é mais acometido; articulações de carga 
❖ Bloqueio articular 
❖ Dicas na anamnese → presença de febre e/ou sintomas constitucionais (ex. mialgia, 
astenia) 
 Tratamento à base de Oxacilina 2-4 semanas (ou Vancomicina se suspeitar resistência); 
drenagem cirúrgica; de acordo com gram e cultura pode trocar a antibiótico terapia 
 Prognóstico ruim se não tratado 
Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
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 Mapamental: 
 
8. Artrite séptica gonocócica 
 Oriunda de uma infecção gonocócica disseminada 
 Via sexual 
 Mulheres são as mais acometidas 
 Causa mais comum em jovens sexualmente ativos 
 Tríade: 
❖ Poliartrite 
❖ Tenossinovite 
❖ Lesões cutâneas 
 Quadro clínico: 
❖ Fase bacterêmica → 48-72 horas; febre; tríade 
❖ Monoartrite → o joelho é o mais acometido na fase tardia 
 Lesões cutâneas: 
❖ Acomete mais regiões do tronco e extremidades 
❖ Vesículas ou pápulas 
 Tratamento à base de Ceftriaxone 7-10 duas associando com Azitromicina dose única; 
tratar o parceiro; intervenção cirúrgica é rara 
 Prognóstico é bom 
 Mapamental: 
Marina Ribeiro Portugal 
 
MARINA RIBEIRO PORTUGAL 
 
ARTRITE SÉPTICA SANARFLIX 
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9. Quadro clínico, diagnóstico e tratamento 
 
 
Marina Ribeiro Portugal 
 
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10. Mapamental 
 
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Anexo dos fatores de risco

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