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Estalido da abertura mitral
Em situações normais, não se percebe nenhum som durante o processo de abertura da valva mitral. Contudo, em circunstâncias patológicas, como na estenose mitral, um “estalido” é produzido pela rápida mudança na posição da cúspide anterior da valva mitral. O gradiente existente entre as câmaras esquerdas, ou seja, entre o átrio e o ventrículo, apresenta uma relação inversamente proporcional à distância entre o segundo ruído cardíaco (B2) e o estalido correspondente à abertura mitral. Assim sendo, uma menor distância entre B2 e o estalido de abertura mitral indica um maior gradiente entre o átrio esquerdo (AE) e o ventrículo esquerdo (VE), sinalizando uma forma mais grave de estenose mitral.
TEC - Paciente feminino com 38 anos de idade apresenta queixa de dispneia aos pequenos esforços. Ao exame físico apresenta um sopro diastólico em ruflar na área mitral. Em relação a dados complementares da ausculta cardíaca, qual alternativa é a CORRETA?
a) Um intervalo mais curto entre a segunda bulha e o estalido de abertura notado na área mitral indica lesão mais acentuada.
b) A primeira bulha hipofonética indica calcificação acentuada da valva.
c) A segunda bulha hipofonética é relacionada com hipertensão pulmonar.
d) A terceira bulha está frequentemente presente nesse paciente.
e) Sopro diastólico de Carey Coombs indica insuficiência pulmonar secundária à hipertensão pulmonar.
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Ensinando Através de Questões

há 3 meses

Respostas

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há 3 meses

Vamos analisar as alternativas com base no enunciado e no conhecimento sobre estenose mitral: a) Um intervalo mais curto entre a segunda bulha (B2) e o estalido de abertura mitral indica lesão mais acentuada. — Correto. Conforme o texto, menor intervalo entre B2 e o estalido indica maior gradiente entre átrio esquerdo e ventrículo esquerdo, ou seja, estenose mitral mais grave. b) A primeira bulha hipofonética indica calcificação acentuada da valva. — Incorreto. A primeira bulha (B1) pode estar alterada, mas hipofonese não é classicamente associada a calcificação da valva. c) A segunda bulha hipofonética é relacionada com hipertensão pulmonar. — Incorreto. Na hipertensão pulmonar, a segunda bulha pode estar hiperfonética (mais intensa), especialmente o componente pulmonar (P2). d) A terceira bulha está frequentemente presente nesse paciente. — Incorreto. A terceira bulha (B3) está associada a insuficiência ventricular, não é característica típica da estenose mitral. e) Sopro diastólico de Carey Coombs indica insuficiência pulmonar secundária à hipertensão pulmonar. — Incorreto. O sopro de Carey Coombs é um sopro diastólico associado à estenose mitral ativa, não à insuficiência pulmonar. Portanto, a alternativa correta é: a) Um intervalo mais curto entre a segunda bulha e o estalido de abertura notado na área mitral indica lesão mais acentuada.

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Segunda bulha - B2
O som gerado pelo fechamento das valvas semilunares, aórtica e pulmonar, apresenta características específicas em condições normais. O componente aórtico é ouvido antes do componente pulmonar e tende a ser mais proeminente, sendo frequentemente percebido de forma isolada e com maior clareza nos focos aórtico e na ponta do coração. Por outro lado, o componente pulmonar raramente é detectado e, quando presente, geralmente ocorre apenas no foco pulmonar. A ausculta cardíaca revela um som agudo e seco, descrito como “TÁ”. No caso de desdobramento da segunda bulha, o que se ouve é um “TLÁ”. O desdobramento fisiológico da segunda bulha pode ser observado em indivíduos saudáveis, especialmente durante a adolescência. Esse fenômeno resulta do prolongamento da sístole do ventrículo direito durante a inspiração, provocada pelo aumento do fluxo sanguíneo nesse compartimento cardíaco. Consequentemente, o componente pulmonar demora a se manifestar o suficiente para que dois componentes possam ser percebidos. O desdobramento da segunda bulha pode classificar-se em fixo, constante e variável ou paradoxal, conforme sua relação com o ciclo respiratório. O desdobramento fixo não sofre variações relacionadas à respiração e está associado a defeitos como os encontrados no septo interatrial, notadamente na comunicação interatrial (CIA). Já o desdobramento constante e variável ocorre tanto na inspiração quanto na expiração, sendo mais intenso neste último momento; é frequentemente relacionado ao atraso do componente pulmonar devido a condições como bloqueio de ramo direito e estenose pulmonar. No primeiro caso, observa-se um retardamento na despolarização do ventrículo direito que propicia o prolongamento da sístole. No segundo caso, a estenose provoca uma dificuldade no esvaziamento ventricular; ambas as situações resultam no atraso do componente pulmonar. Ademais, quando analisamos o desdobramento constante e variável ocasionado pela precocidade do componente aórtico, conseguimos identificá-lo em casos de insuficiência mitral grave. Nessa condição específica, o retorno venoso ao átrio esquerdo provoca um encurtamento da sístole com fechamento antecipado da valva aórtica; tal fenômeno também se torna mais evidente durante a inspiração. Por fim, no cenário paradoxal de desdobramento da segunda bulha observa-se uma intensificação durante a expiração; nesse contexto, ocorre uma inversão temporal na qual o componente pulmonar precede o componente aórtico. Essa situação é tipicamente associada a problemas como bloqueio de ramo esquerdo, marcapasso implantável, estenose aórtica, isquemia miocárdica e cardiomiopatia hipertrófica.
TEC - Assinale a alternativa correta sobre a ausculta cardiovascular:
a) O desdobramento fisiológico de B1 é exacerbado na vigência de bloqueio completo do ramo esquerdo.
b) Com o desdobramento normal ou fisiológico, o intervalo A2-P2 aumenta 3 durante a expiração e diminui com a inspiração.
c) Os sopros mesossistólicos iniciam-se após a B1 e terminam antes da B2 e, habitualmente, têm configuração em crescendo-decrescendo. A estenose mitral é um exemplo de sopro mesossistólico.
d) O intervalo A2-P2 alarga-se com o bloqueio completo do ramo direito e na vigência de insuficiência mitral grave.
e) Os sopros diastólicos geralmente não indicam doença cardíaca.

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