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Podcast 
Disciplina: Neuropsicologia do adulto e idoso 
Título do tema: Comprometimento cognitivo e lesões 
adquiridas 
Autoria: Leilane Henriette Barreto Chiappetta Santana 
Leitura crítica: Jéssica Aires da Silva Oliveira 
 
Olá, ouvinte! 
No podcast de hoje vamos falar sobre como a Covid-19 afeta o cérebro, e 
quais são as possíveis repercussões físicas e sequelas cognitivas causadas 
pela infecção com o vírus. 
Até outubro de 2021, a pandemia da Covid-19 resultou em mais de 219 
milhões de casos de pessoas infectadas com o vírus e mais de 4,55 milhões de 
mortes. O cenário incerto que se desenrolava no tratamento das pessoas 
infectadas não previa a existência de sequelas residuais de longo prazo. As 
pesquisas publicadas recentemente pelas revistas científicas ‘The Lancet’, 
‘Jama Psychiatry’ e ‘Brain Comunications’ demonstram que mais da metade 
das pessoas infectadas pela Covid-19 ainda relatam a presença de sintomas 
físicos ou cognitivos, mesmo após um ano do desenvolvimento da doença. 
De acordo com essas pesquisas, os sintomas físicos frequentemente pelos 
pacientes foram: cansaço ou fadiga muscular e a dificuldade para respirar, os 
quais foram observados especialmente pelas pessoas que tinham contraído a 
forma mais aguda da doença. Para além dos sintomas físicos, existem outros 
sintomas que não estão relacionados à insuficiência respiratória, que são os 
efeitos neuropsiquiátricos associados às sequelas cerebrais decorrentes da 
infecção pelo Covid-19. 
Entre os sintomas cognitivos relatados pelos pacientes estão: a anomia — que 
é a impossibilidade de nomear ou recordar os nomes dos objetos mesmo 
sendo capaz de reconhecê-los —; déficits atencionais; maior experimentação 
de sintomas de ansiedade; depressão; psicose; convulsões; e o aumento de 
comportamentos de risco como, por exemplo, uma maior impulsividade, 
reatividade emocional e ideação suicida. Essas alterações cognitivas sugerem 
que poderia existir algum tipo de lesão cerebral persistente. Contudo, o grande 
questionamento é como isso tudo acontece? Como o vírus pode chegar ao 
cérebro e causar tantos efeitos negativos desta magnitude? 
Os pesquisadores explicam que o vírus causador da Covid-19, o SARS-COV-2, 
possui a capacidade de invadir as células que revestem os vasos sanguíneos 
em todos os órgãos do corpo humano. Os caminhos que o vírus percorre até 
chegar ao cérebro ainda não é tão conhecido, mas, uma vez que atinge as 
células dos vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, o vírus provoca diversas 
alterações químicas que causam uma cascata de coagulação — o chamado 
eventos trombóticos do Sistema Nervoso Central —, o que prejudica a 
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neurotransmissão entre os neurônios e, assim, favorece a disfunção neural. 
Logo, dependendo de onde isso ocorrer, diferentes sintomas neuropsiquiátricos 
são experimentados pelos pacientes. Por exemplo, a anomia pode ser 
associada às disfunções na área de Brodmann 44 e 45. Isso explica um pouco 
do porquê que pessoas com doenças crônicas não transmissíveis, como a 
hipertensão, são consideradas grupo de risco. 
Outros sintomas neuropsiquiátricos são mais prováveis devido à 
neuroinflamação e lesão por hipóxia — pouca oxigenação. O envolvimento do 
tronco encefálico pode explicar os sintomas fisiológicos — taquicardia, 
sudorese e outros — e a experimentação da ansiedade. A dificuldade na 
neurotransmissão de monoamina explica os sintomas depressivos, tais como a 
anedonia, sintomas cognitivos, psicomotores e neurovegetativos negativos e 
comportamento suicida. Entre os sintomas cognitivos, a memória de curto 
prazo, a atenção e a concentração foram particularmente afetados pelo 
COVID-19. Por fim, os pesquisadores descobriram que entre os pacientes 
estudados, as mulheres tinham mais chance de desenvolver as sequelas 
físicas e neuropsiquiátricas, porém ainda não se tem uma explicação definitiva 
sobre o tema. 
Os estudos sobre as sequelas de longo prazo decorrentes da infecção pela 
Covid-19 ainda são recentes. A Neuropsicologia será um dos campos de 
atuação profissional do Psicólogo que atuará no tratamento para a mitigação 
das sequelas cognitivas, emocionais e comportamentais pós-COVID-19. Neste 
sentido, o conhecimento no campo de atuação voltado para reabilitação 
cognitiva se faz imprescindível para proporcionar sucessos durante o curso da 
recuperação do paciente. 
Este foi nosso podcast de hoje! Até a próxima 
 
ROGERS, J. P. et al. Psychiatric and neuropsychiatric presentations associated 
with severe coronavirus infections: A systematic review and meta-analysis with 
comparison to the COVID-19 pandemic. The Lancet Psychiatry, v.7, n.7, p. 
611–627, 2020. https://doi.org/10.1016/S2215-0366(20)30203-0 
WOO, M. S. et al. Frequent neurocognitive deficits after recovery from mild 
COVID-19, Brain Communications, v.2, n.2, 2020, p. 1-9, 2020. 
https://doi.org/10.1093/braincomms/fcaa205 
BOLDRINI, M; CANOLL, P.D; KLEIN, R. S. How COVID-19 Affects the Brain. 
JAMA Psychiatry, v.78, n. 6, p. 682–683, 2021. 
https://doi.org/10.1001/jamapsychiatry.2021.0500 
https://psycnet.apa.org/doi/10.1016/S2215-0366(20)30203-0
https://doi.org/10.1093/braincomms/fcaa205

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