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Aula 17
Direito Administrativo p/ Delegado de
Polícia - 2020.2 Pré-Edital (Curso
Regular) 
Autor:
Rodolfo Breciani Penna
Aula 17
18 de Outubro de 2020
A PRÁTICA LEVA A PERFEIÇÃO - FOCO NA APROVAÃO
 
Sumário 
Considerações Iniciais ...................................................................................................................... 3 
Intervenção do Estado na Economia ............................................................................................... 3 
1 – Introdução .............................................................................................................................. 3 
1.1 – Ordem econômica: Estado liberal, Estado social e Estado regulador ................................................. 3 
1.2 – Fundamentos e princípios da ordem econômica ................................................................................ 4 
1.3 – Espécies de intervenção do Estado na ordem econômica .................................................................. 5 
1.4 – Atividade econômica em sentido estrito x serviço público ................................................................. 6 
2 – Planejamento .......................................................................................................................... 6 
3 – Regulação ............................................................................................................................... 7 
3.1 – Introdução .......................................................................................................................................... 7 
3.1.1 – Competências .................................................................................................................................. 7 
3.2 – Fundamentos da regulação (falhas de mercado) ................................................................................ 7 
3.3 – Formas de regulação .......................................................................................................................... 9 
3.4 – Regulação como forma de promoção da concorrência ..................................................................... 10 
3.5 – Controle (tabelamento) de preços .................................................................................................... 10 
3.5.1 – Tabelamento de preços e responsabilidade civil ........................................................................... 11 
3.6 – Regulação por incentivos ou por “empurrões” ................................................................................. 15 
3.7 – Acordos decisórios ou substitutivos .................................................................................................. 15 
3.8 – Regulação setorial x regulação concorrencial ................................................................................... 15 
4 – Fomento ............................................................................................................................... 16 
4.1 – Agências estatais de fomento ........................................................................................................... 17 
5 – Repressão ao Abuso do Poder Econômico e Proteção da Concorrência ............................ 18 
5.1 – Introdução ........................................................................................................................................ 18 
Rodolfo Breciani Penna
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5.2 – Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência .................................................................................. 18 
5.3 – Advocacia da concorrência ............................................................................................................... 19 
6 – Intervenção Direta na Atividade Econômica ........................................................................ 20 
6.1 – Introdução ........................................................................................................................................ 20 
6.2 – Intervenção concorrencial ................................................................................................................. 20 
6.3 – Monopólio estatal ............................................................................................................................. 21 
6.3.1 – Monopólio x privilégio ................................................................................................................... 22 
Resumo .......................................................................................................................................... 22 
Jurisprudência Citada .................................................................................................................... 26 
Considerações Finais ..................................................................................................................... 28 
Questões Comentadas .................................................................................................................. 28 
Lista de Questões .......................................................................................................................... 50 
Gabarito ......................................................................................................................................... 56 
 
 
Rodolfo Breciani Penna
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INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA 
CONSIDERAÇÕES INICIAIS 
Prezado aluno, na aula de hoje estudaremos a intervenção do Estado na economia. Trata-se de 
assunto muito cobrado em Direito Econômico. No entanto, em alguns editais, é cobrado em 
Direito Administrativo. 
Na presente aula, estudaremos os pontos exigidos em Direito Administrativo cobrados nos editais 
de concursos de carreiras jurídicas. 
Sem perdermos tempo, vamos à nossa aula. 
Qualquer dúvida, críticas ou sugestões, podem me contactar nos canais a seguir: 
E-mail: prof.rodolfopenna@gmail.com 
Instagram: https://www.instagram.com/rodolfobpenna 
INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ECONOMIA 
1 – INTRODUÇÃO 
A intervenção estatal na economia varia de acordo com o modelo econômico adotado, sendo 
possível apontar três fases: a) Estado liberal; b) Estado social; e c) Estado regulador. 
1.1 – Ordem econômica: Estado liberal, Estado social e Estado regulador 
a) Estado liberal (ou abstencionista) 
O Estado liberal traz a ideia de Estado mínimo e surgiu no século XVIII como resposta ao Estado 
Absolutista, que concentrava todo o poder. No estado liberal, predomina a liberdade econômica 
(livre iniciativa) e a propriedade privada, com a ausência de interferência estatal direta na ordem 
econômica. A economia seria regulada pela “mão invisível do mercado”. 
Ocorre que, não obstante a liberdade, esse modelo econômico trouxe diversos problemas sociais, 
como a pobreza, a desigualdade social, a violação de direitos humanos, dentre outros, exigindo 
uma postura ativa do Estado para combater esses problemas. 
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b) Estado social (prestador ou intervencionista) 
Diante deste quadro, o Estado passou para o outro extremo. De uma postura de abstenção total 
para uma postura de forte intervenção na economia. O Estado Social de Direito (welfare state) 
tem lugar a partir da Segunda Guerra Mundial e é marcado pela prestação direta de atividades 
econômicas pelo poder público e forte dirigismo econômico, com restriçõesà liberdade contratual 
e à fixação de preços, objetivando satisfazer direitos sociais e reduzir a desigualdade. 
O estado Social não se confunde com o Estado socialista, em que há a absorção total do das 
atividades econômicas pelo Poder Público. 
c) Estado Regulador (Estado democrático de Direito) 
A fase do Estado regulador é a “volta do pêndulo” para o centro. Após duas fases de extremos, 
tem-se uma posição intermediária do Estado quanto à economia. 
A ineficiência causada pela forte intervenção estatal, com o inchaço da máquina pública 
e a insustentabilidade do modelo social, ensejou a adoção do modelo regulador (Estado 
subsidiário ou neoliberal), com a redução do aparelho estatal, devolução de atividades 
econômicas para a iniciativa privada, delegação de serviços públicos para os 
particulares e parcerias com o terceiro setor, todos estes fomentados e regulados por 
órgãos públicos regulatórios. 
A intervenção do Estado na economia passou de direita para indireta, por meio de instrumentos 
de fomento e regulação. O Estado não mais atua diretamente na economia, nem deixa os 
particulares totalmente livres para atuarem da forma que bem entendem, no que se denominou a 
regulação pela “mão invisível do mercado”. O Estado passa a atuar como controlador das 
inoperabilidades da economia, buscando suprimir as falhas de mercado. 
1.2 – Fundamentos e princípios da ordem econômica 
Dispõe o art. 170, CF: 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da 
justiça social, observados os seguintes princípios: 
O dispositivo elenca dois fundamentos da ordem econômica: 
a) Valorização do trabalho humano: proteção do trabalhador; 
b) Livre iniciativa: liberdade para desenvolvimento de atividades econômicas. 
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O mesmo dispositivo estabelece os princípios da ordem econômica: a) soberania nacional; b) 
propriedade privada; c) função social da propriedade; d) livre concorrência; e) defesa do 
consumidor; f) defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o 
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; g) 
redução das desigualdades regionais e sociais; g) busca do pleno emprego; h) tratamento 
favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham 
sua sede e administração no País. 
Repare que, ao mesmo tempo em que se busca garantir a liberdade de iniciativa, a livre 
concorrência e a propriedade privada, também se busca proteger o meio ambiente, reduzir as 
desigualdades e garantir o pleno emprego e a função social da propriedade. 
Fica claro a intenção do constituinte de promover um equilíbrio entre o desenvolvimento 
econômico e o desenvolvimento social, sem qualquer prevalência de um sobre o outro. 
Ressalte-se que esses princípios dirigidos a resolver os problemas da marginalização 
regional ou social são denominados “princípios de integração”. 
1.3 – Espécies de intervenção do Estado na ordem econômica 
A intervenção do Estado na ordem econômica pode ocorrer por meio de duas formas: 
a) Direta: quando explora diretamente atividade econômica, produzindo bens e serviços (art. 
173, CF); 
A intervenção direta por absorção ocorre quando o Estado absorve atividades da iniciativa 
privada, explorando-a de forma exclusiva. Já a intervenção direta por participação ocorre quando 
o Estado atua em regime de competição com a iniciativa privada. 
b) Indireta: por meio de normas, regulação, fomento e repressão ao abuso do poder 
econômico (art. 174, CF). 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo 
este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 
A intervenção indireta pode ainda ser dividida em direção e indução. 
i. Indireta por direção: o Estado edita regras de observância obrigatória e de incidência 
direta nas relações econômicas públicas e privadas que, se foram descumpridas, 
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ensejam sanções negativas (ex.: normas editadas pelas agências reguladoras, 
tabelamento de preços etc.). 
ii. Indireta por indução: o Estado edita regras instrumentais de incidência indireta na 
atividade econômica que buscam incentivar ou desincentivar determinadas 
atividades, posturas ou condutas. 
Nesta aula, estudaremos essas formas de intervenção econômica do Estado. 
1.4 – Atividade econômica em sentido estrito x serviço público 
Na definição do STF, a expressão atividade econômica em sentido amplo é gênero da qual são 
espécies atividade econômica em sentido estrito e serviço público. 
A atividade econômica em sentido estrito diz respeito à atuação de determinado agente no 
mercado produzindo ou promovendo a circulação de bens e serviços destinados à suprir 
necessidades e sujeita ao regime jurídico de direito privado, especialmente à livre iniciativa e à 
livre concorrência. 
Serviço público, por sua vez, é a atividade prestada pelo Estado ou por seus delegados, 
essencialmente sob regime jurídico de direito público, voltada para o atendimento de 
necessidades essenciais e/ou secundárias da coletividade. 
Na presente aula trataremos exclusivamente da atuação do Estado em relação à atividade 
econômica em sentido estrito. 
2 – PLANEJAMENTO 
O planejamento é um processo técnico instrumentado para transformar a realidade 
existente no sentido de objetivos previamente estabelecidos. O planejamento 
econômico consiste, assim, num processo de intervenção com o fim de organizar 
atividades econômicas, selecionando objetivos, indicando meios e definindo metas, 
para obter resultados econômicos previamente determinados, com o objetivo de 
melhorar funcionamento da ordem social e das condições de mercado. 
De acordo com o art. 174, CF, planejamento é sempre determinante para o setor público 
(planejamento impositivo) e apenas indicativo (planejamento indicativo) para o setor privado. 
Como este último é regido pelo princípio da livre iniciativa, o plano em relação a ele é meramente 
indicativo, servindo-se de mecanismos indiretos para atraí-lo ao processo de planejamento. 
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3 – REGULAÇÃO 
3.1 – Introdução 
A intervenção por via de regulação da atividade econômica surgiu com a pressão do Estado sobre 
a economia para devolvê-la à normalidade, através de um conjunto de medidas legislativas que 
intentavam restabelecer a livre concorrência, embasando assim o surgimento da legislação 
antitruste. Ela veio como uma reação aos fracassos do liberalismo. Hoje, há outros objetivos, como 
a disciplina dos preços, consumo, poupança, investimento etc. 
A atividade regulatória como forma de intervenção na economia possui quatro prerrogativas 
inerentes: 
a) Edição de normas; 
b) Implementação concreta das normas; 
c) Fiscalização do cumprimento das normas; 
d) Sanção dos infratores. 
Destaque-se que a regulação não se confunde com a regulamentação. A primeira é mais ampla, 
envolvendo uma função administrativa, processualizada e complexa, compreendendo as funções 
normativa, executiva, fiscalizatória e judicante, enquanto a segunda é uma função política, de 
atribuição do Chefe do Executivo, que edita atos normativos complementares à lei. 
3.1.1 – CompetênciasA Constituição Federal atribuiu a competência para a regulação de atividades econômicas de 
forma quase que absoluta à União, conforme se verifica de seus artigos 21 e 22. 
No entanto, a Lei Maior contemplou algumas funções supletivas aos demais Entes Federados, 
cabendo-lhes a edição de normas supletivas às normas gerais editadas pela União, conforme se 
verifica nos arts. 23 e 24, CF. 
3.2 – Fundamentos da regulação (falhas de mercado) 
As falhas apresentadas pelo sistema liberal, que podem ser chamadas falhas de mercado, são 
cinco, quais sejam: 
a) Deficiência na distribuição de bens essenciais: 
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O mercado não possui condições de fornecer à coletividade bens mínimos necessários à sua 
subsistência, impedindo o acesso a uma vida digna. O Estado deve intervir, direta ou 
indiretamente, para produzir ou fomentar a produção desses bens destinados à coletividade. 
b) Assimetria de informação: 
Os consumidores, os competidores e o Estado não possuem conhecimento necessário sobre as 
informações relativas ao setor econômico, seja em razão do aumento da complexidade dos 
produtos, do tamanho dos mercados e de inúmeros outros fatores, seja em decorrência da 
intenção dos agentes econômicos de esconderem informações para agirem de forma egoísta. 
O acesso às informações relevantes do mercado é um pressuposto básico da boa economia, pois 
dispondo dessas informações, os agentes poderiam atuar de forma mais igualitária, fato 
responsável pela organização e planificação do mercado. Além disso, o acesso às informações 
permite uma melhor fiscalização pelo Estado e melhora as condições de consumo. 
c) Concentração econômica (deficiência na concorrência): 
É uma falha de estrutura. O mercado foi pensado, originariamente, como um conjunto de unidades 
economicamente pequenas (concepção atomística), sem que a presença ou ausência de qualquer 
uma dessas unidades pudesse ou tivesse um peso que implicasse alterações do próprio mercado. 
Na concentração econômica, verificam-se os monopólios e oligopólios, retirando a possibilidade 
de uma disputa equilibrada entre os agentes econômicos. 
d) Externalidades: 
Correspondem aos fenômenos que configuram custos ou benefícios sociais decorrentes das 
atividades econômicas. Exemplo muito citado é a poluição causada por uma grande indústria 
como externalidade negativa e a geração de empregos por esta indústria como externalidade 
positiva. 
 
Deficiência na distribuição de 
bens essenciais Assimetria de informações
Concentração econômica Externalidades
Falhas de mercado
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Verificadas essas falhas (inoperacionalidades) do mercado, começaram a surgir muitas normas 
jurídicas visando ao respectivo controle ou mesmo à mitigação. Trata-se, justamente, da 
reintrodução do Estado no sistema econômico, mediante a edição de normas de caráter geral e 
regulamentar. Esse reingresso do Estado não foi sistemático, nem sempre conscientemente 
desejado, mas fruto de uma necessidade impostergável, à falta de alternativa para lidar com as 
referidas falhas. 
Cita-se ainda uma quinta falha de mercado: 
e) Bens públicos: 
A oferta de alguns tipos de bens e serviços só faz sentido se eles forem disponibilizados pelo 
governo. Nessa situação, se encontram bens públicos. Isso acontece porque, em alguns casos, o 
consumo adicional de uma unidade por uma pessoa não afeta o consumo de terceiros, ou seja, 
não gera escassez. 
Desta forma, pessoas que não pagam pelo serviço (caronas) também o utilizam à vontade 
(sonegadores de impostos utilizam a iluminação pública, o serviço de limpeza de logradouros 
públicos, dentre outros), o que torna a atividade não atrativa para a iniciativa privada e enseja a 
necessidade de prestação pelo Poder Público. 
As características dessa falha de mercado são as seguintes: 
i. Não-rivalidade: o uso por uma pessoa não reduz a sua disponibilidade aos demais; 
ii. Não-exclusividade: ninguém pode ser impedido de usá-los. 
3.3 – Formas de regulação 
a) Regulação estatal: exercida pela Administração Direta ou por entidades da Administração 
indireta (agências reguladoras); 
b) Regulação pública não estatal: exercida por entidades da sociedade por delegação ou por 
incorporação das suas normas ao ordenamento jurídico estatal (ex.: entidades desportivas 
– art. 217, I, CF); 
c) Autorregulação: realizada por entidades privadas, geralmente associativas, sem nenhuma 
delegação ou chancela estatal (ex.: Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária 
– CONAR, selos de qualificação ou certificação de produtos etc.). 
A regulação estatal é uma espécie de heterorregulação, situação diversa da autorregulação. 
É necessário citar ainda a hipótese de desregulação, que consiste na total ausência de norma 
reguladora, pública ou privada, deixando os agentes econômicos sujeitos à regulação da “mão 
invisível do mercado”. 
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3.4 – Regulação como forma de promoção da concorrência 
Um dos objetivos principais da regulação é a promoção da concorrência, garantindo, de certa 
forma, igualdade de oportunidades aos agentes econômicos. Os principais instrumentos para 
promoção da concorrência, de acordo com Rafael Oliveira1, são: 
a) Liberdade de entrada: eliminação ou diminuição de barreiras para que novos agentes 
econômicos possam prestar atividades socialmente relevantes e de serviços públicos; 
b) Liberdade relativa de preços: o regulador não impõe o preço, mas permite, na medida do 
possível, que a sua fixação seja realizada por meio da concorrência entre os agentes 
regulados. Essa medida só é possível, por óbvio, nos mercados em que há concorrência; 
c) Fragmentação do serviço público (unbundling): trata-se de dissociação das diversas etapas 
da prestação do serviço, permitindo a sua prestação por particulares diversos, evitando a 
concentração econômica ou o abuso econômico. A fragmentação pode ser: i) contábil: uma 
empresa mantém contabilidades distintas para cada uma das etapas da cadeia produtiva; 
ii) jurídica: cada etapa da cadeia produtiva deve ser prestada por pessoa jurídica diversa; iii) 
societária: impede que um mesmo grupo econômico execute mais de uma etapa do ciclo 
do serviço público. 
d) Compartilhamento compulsório das redes e infraestruturas (essential facilities doctrine): 
uma infraestrutura monopolizada por determinado agente econômico e considerada 
essencial para o desempenho da atividade, deve ser compartilhada com os concorrentes 
por ordem do regulador, mediante o recebimento de preço razoável que remunere o titular 
pelos investimentos realizados. Essa medida possui fundamento na função social da 
propriedade e na necessidade de combate às falhas de mercado. 
3.5 – Controle (tabelamento) de preços 
Quanto aos preços relativos à prestação de serviços públicos, não há discussão quanto à 
possibilidade de controle estatal sobre as tarifas, tendo em vista a previsão constitucional de que 
incumbe ao Poder Público dispor, por meio de lei, sobre a política tarifária (art. 175, parágrafo 
único, III, CF). 
 
 
1 OLIVEIRA, Rafael Carvalho Rezende. Curso de direito administrativo. 7. Ed. São Paulo: Método, 2019. 
P. 572 a 577. 
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Já a fixação de preços privados nas atividades econômicas cabe ao particular, tendo em vista se 
tratar de aspecto inerente à livre iniciativa. Por esta razão, em regra, não é cabível o tabelamento 
de preços da iniciativa privada de forma prévia, reiterada e genérica por parte do Estado. 
No entanto, o princípio da livre iniciativa, como qualquer outro princípio, não é absoluto, devendo 
ser mitigado para dar espaço à efetivação de outros princípios caros à ordem econômica. Por este 
motivo, de modo excepcional, é possível o controle de preços pelo Estado, desde que de forma 
justificada limitada no tempo, com o objetivo de corrigir falhas de mercado, remover o risco à livre 
concorrência, garantir a proteção ao consumidor e reduzir as desigualdades sociais. 
Além disso, deve-se considerar a impossibilidade de fixação de preços inferiores aos custos de 
produção. 
Características do tabelamento de preços de atividades da iniciativa privada: 
a) Excepcional; 
b) Justificada e limitada no tempo; 
c) Motivada pela efetivação de princípios da ordem econômica; 
d) Objetiva corrigir falhas de mercado, remover risco à livre concorrência, garantir a defesa do 
consumidor e reduzir as desigualdades sociais; 
e) Impossibilidade de fixação de preços inferiores aos custos. 
O STF, embora em decisão antiga, já entendeu que não é inconstitucional o tabelamento de 
preços quando voltado a atender outros princípios importantes para a ordem econômica: 
 
“Em face da atual Constituição, para conciliar o fundamento da livre iniciativa e do 
princípio da livre concorrência com os da defesa do consumidor e da redução das 
desigualdades sociais, em conformidade com os ditames da justiça social, pode o 
Estado, por via legislativa, regular a política de preços de bens e de serviços, abusivo 
que é o poder econômico que visa ao aumento arbitrário dos lucros. 
Não é, pois, inconstitucional a Lei 8.039, de 30 de maio de 1990, pelo só fato de ela 
dispor sobre critérios de reajuste das mensalidades das escolas particulares.” 
(ADI 319 QO, Relator(a): MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 03/03/1993, 
DJ 30-04-1993 PP-07563 EMENT VOL-01701-01 PP-00036) 
3.5.1 – Tabelamento de preços e responsabilidade civil 
Não obstante a excepcional possibilidade de regulação dos preços de mercado, surge a discussão 
quanto ao dever de o Estado indenizar o particular pelos prejuízos causados decorrentes desta 
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modalidade de intervenção na economia, em especial diante do princípio da livre iniciativa, que 
consiste em um verdadeiro direito dos agentes econômicos. 
O STF possui algumas decisões sobre o tema. De acordo com a Corte, o tabelamento de preços 
por parte do Estado é prática lícita de intervenção indireta na economia, decorrente de sua função 
regulação, prevista no art. 174, CF, pois objetiva a proteção da economia contra as falhas de 
mercado, devendo ser feita com base nos princípios e fundamentos da ordem econômica. 
 
No entanto, o STF reconheceu que, embora prática lícita, o tabelamento de 
preços pode ensejar a responsabilização civil objetiva da Administração Pública, 
de acordo com o art. 37, § 6º, CF, quando causar prejuízos aos agentes 
econômicos que atuam no setor ao fixar preços abaixo dos custos de produção, 
tendo em vista que o mencionado dispositivo não faz distinção entre atuação 
lícita e ilícita. 
(AI 754714 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 
17/03/2015) 
Neste sentido, destaca-se o caso do setor sucroalcooleiro, em que o tabelamento de preços pela 
União até o final da década de 90, abaixo dos custos de produção, restringindo a livre iniciativa, 
causou prejuízos aos agentes econômicos, tendo o STF reconhecido o dever de o Poder Público 
indenizar aqueles que efetivamente demonstrassem prejuízos. 
Este também é o entendimento do STJ, que ressalva a necessidade de demonstração concreta do 
prejuízo sofrido pelos agentes econômicos daquele setor. 
 
A União Federal é responsável por prejuízos decorrentes da fixação de preços pelo 
governo federal para o setor sucroalcooleiro, em desacordo com os critérios 
previstos nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei 4.870/1965, uma vez que teriam sido 
estabelecidos pelo Instituto do Açúcar e Álcool - IAA, em descompasso do 
levantamento de custos de produção apurados pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. 
O suposto prejuízo sofrido pelas empresas possui natureza jurídica dupla: danos 
emergentes (dano positivo) e lucros cessantes (dano negativo). Ambos exigem 
efetiva comprovação, não se admitindo indenização em caráter hipotético, ou 
presumido, dissociada da realidade efetivamente provada. 
(REsp 1347136/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
11/12/2013, DJe 07/03/2014) 
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Entretanto, o STF reconheceu a repercussão geral do ARE 884325 que discute a 
responsabilidade civil da União pelo tabelamento de preços do setor sucroalcooleiro 
abaixo do levantamento de custos de produção feito pela FGV, tendo em vista os 
valores constitucionais da livre iniciativa e da intervenção do Estado no domínio 
econômico. Na discussão, o Ministro Edson Fachin concedeu uma nova interpretação 
ao tema, entendendo imprescindível a realização de perícia técnica para comprovar o 
prejuízo em cada caso. O processo segue pendente de decisão final, cabendo aguardar 
a sua conclusão. 
Até o presente momento, prevalece o entendimento de que o tabelamento de preço 
abaixo dos custos de produção enseja indenização, desde que demonstrado o prejuízo 
pelo interessado, conforme jurisprudência do STJ e do STF. 
Por outro lado, no “caso Varig” o STF decidiu que era dever do Estado indenizar a concessionária 
de serviço público de transporte aéreo não em razão da violação da livre iniciativa, mas em virtude 
de se tratar de um contrato administrativo de concessão de serviço público, cuja política 
econômica implementada pelo Governo ensejou o seu desequilíbrio econômico financeiro, 
devendo este ser recomposto por meio da indenização. 
Pela importância didática do julgado, reproduzimos as suas partes principais: 
EMENTA: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS. RESPONSABILIDADE DA UNIÃO POR 
DANOS CAUSADOS À CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO DE TRANSPORTE AÉREO 
(VARIG S/A). RUPTURA DO EQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO DO CONTRATO 
DECORRENTE DOS EFEITOS DOS PLANOS “FUNARO” E “CRUZADO”. DEVER DE 
INDENIZAR. RESPONSABILIDADE POR ATOS LÍCITOS QUANDO DELES 
DECORREREM PREJUÍZOS PARA OS PARTICULARES EM CONDIÇÕES DE 
DESIGUALDADE COM OS DEMAIS. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, 
DO DIREITO ADQUIRIDO E DO ATO JURÍDICO PERFEITO. 
(...) 
4. Responsabilidade da União em indenizar prejuízos sofridos pela concessionária de 
serviço público, decorrentes de política econômica implementada pelo Governo, 
comprovados nos termos do acórdão recorrido. Precedentes: RE 183.180, Relator o 
Ministro Octavio Gallotti, Primeira Turma, DJ 1.8.1997. 
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5. A estabilidade econômico-financeira do contrato administrativo é expressão jurídica 
do princípio da segurança jurídica, pelo qual se busca conferir estabilidade àquele 
ajuste, inerente ao contrato de concessão, no qual se garante à concessionária 
viabilidade para a execução dos serviços, nos moldes licitados. 
6. A manutenção da qualidade na prestação dos serviços concedidos (exploração de 
transporte aéreo) impõe a adoção de medidasgarantidoras do reequilíbrio da equação 
econômico-financeira do contrato administrativo, seja pela repactuação, reajuste, 
revisão ou indenização dos prejuízos. 
7. Instituição de nova moeda (Cruzado) e implementação, pelo Poder Público, dos 
planos de combate à inflação denominados ‘Plano Funaro’ ou ‘Plano Cruzado’, que 
congelaram os preços e as tarifas aéreas nos valores prevalecentes em 27.2.1986 (art. 
5º do Decreto n. 91.149, de 15.3.1985). 
8. Comprovação nos autos de que os reajustes efetivados, no período do controle de 
preços, foram insuficientes para cobrir a variação dos custos suportados pela 
concessionária. 
9. Indenização que se impõe: teoria da responsabilidade objetiva do Estado com base 
no risco administrativo. Dano e nexo de causalidade comprovados, nos termos do 
acórdão recorrido. 
10. O Estado responde juridicamente também pela prática de atos lícitos, quando deles 
decorrerem prejuízos para os particulares em condições de desigualdade com os 
demais. Impossibilidade de a concessionária cumprir as exigências contratuais com o 
público, sem prejuízos extensivos aos seus funcionários, aposentados e pensionistas, 
cujos direitos não puderam ser honrados. 
11. Apesar de toda a sociedade ter sido submetida aos planos econômicos, impuseram-
se à concessionária prejuízos especiais, pela sua condição de concessionária de serviço, 
vinculada às inovações contratuais ditadas pelo poder concedente, sem poder atuar 
para evitar o colapso econômico-financeiro. Não é juridicamente aceitável sujeitar-se 
determinado grupo de pessoas – funcionários, aposentados, pensionistas e a própria 
concessionária – às específicas condições com ônus insuportáveis e desigualados dos 
demais, decorrentes das políticas adotadas, sem contrapartida indenizatória objetiva, 
para minimizar os prejuízos sofridos, segundo determina a Constituição. 
(...) 
RE 571969, Relator(a): CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 12/03/2014, 
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-181 DIVULG 17-09-2014 PUBLIC 18-09-2014. 
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3.6 – Regulação por incentivos ou por “empurrões” 
É a regulação da economia por meio de mecanismos indutivos, com a previsão de incentivos 
positivos para que o agente econômico adote a conduta pretendida pelo Estado ou invista em 
determinado setor contido na política econômica do Governo. 
Estes instrumentos indutivos são comumente denominados “sanções positivas”, pois premiam o 
particular pelo cumprimento das normas em vigor e pela adoção da postura incentivada pelo 
Poder Público. 
A regulação por incentivos é implementada principalmente pelo fomento ou pela regulação estatal 
que estabelece prêmios para os agentes econômicos que atinjam as metas fixadas ou atuem da 
forma incentivada. 
Podem ser citados os exemplos das metas fixadas para o terceiro setor, a fixação de remuneração 
variável nas PPPs, dentre outros. 
3.7 – Acordos decisórios ou substitutivos 
Os acordos decisórios são previstos e incentivados no ordenamento jurídico, pois objetivam 
conferir maior eficiência na ação administrativa. Isto porque a simples aplicação da sanção prevista 
na lei pode frustrar a efetividade dos resultados econômicos esperados que poderiam ser 
implementados por outras vias. 
São exemplos de acordos decisórios: a) Termo de Ajustamento de Conduta (art. 5º, §6º, Lei 
7.347/85 – ACP); b) Termo de Compromisso (Lei 6.385/76 – Comissão de Valores Mobiliários); c) 
Termo de compromisso de cessação de prática e acordo de leniência (arts. 85 e 86, lei 
12.529/2011); d) acordo de leniência (art. 16, lei 12.846/2013 – Lei anticorrupção). 
3.8 – Regulação setorial x regulação concorrencial 
Havendo regulação setorial, não se aplica a regulação concorrencial (cria-se uma “imunidade” à 
regulação concorrencial) que, por sua vez, deve atuar por meio da advocacia da concorrência. É o 
que determina o state action doctrine. 
De acordo com o STJ, é o próprio estado quem excepciona a livre concorrência por meio da 
regulação setorial, não podendo se exigir que o agente econômico observe os preceitos de 
concorrência em contrariedade à regulação setorial Estatal. 
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“Aplicação, ao caso, da state action doctrine foi formulada nos EUA para definir os 
casos em que a regulação estatal afastaria o controle concorrencial feito pelo órgão 
antitruste, quando presentes determinados requisitos: (i) a regulação estatal deve 
servir a um fim de política pública; e (ii) o Estado deve efetivamente obrigar 
determinada conduta e supervisioná-la: lição do Professor CALIXTO SALOMÃO 
FILHO (Direito Concorrencial: As Estruturas, São Paulo, Malheiros, 2007, pp. 238-
240).” 
REsp 1390875/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA 
TURMA, julgado em 09/06/2015, DJe 19/06/2015 
Os requisitos para que seja excepcionada a regulação concorrencial, por meio da regulação 
setorial, são, portanto: 
a) A regulação setorial deve servir a um fim de política pública; 
b) O estado deve efetivamente obrigar o agente econômico a praticar determinada conduta 
e supervisioná-la. 
4 – FOMENTO 
O fomento consiste nos incentivos estatais, positivos ou negativos, que induzem ou influenciam a 
prática de atividades pelos setores econômico ou social, de acordo com a política econômica de 
governo e com o interesse público. Possui fundamento no art. 174, CF, quando expressa a função 
de incentivo do Estado na ordem econômica. 
Ressalte-se que os benefícios concedidos não podem violar o princípio da isonomia, tampouco 
representar subsídios injustificáveis para determinados agentes econômicos, devendo ser 
implementados para o setor, não para terceiros ou para entes determinados. 
Aa características da atividade de fomento podem ser resumidas da seguinte maneira: 
a) Consensual: possui caráter indutivo (premial) e não impositivo; 
b) Setorial: os incentivos são implementados ao setor e não em favor de particular 
individualizado; 
c) Justificado: demonstração específica da necessidade de tratamento favorável a 
determinado setor econômico; 
d) Impessoal: os beneficiários devem ser selecionados de forma objetiva, com base em 
requisitos razoáveis, previamente definidos; 
e) Transitório. 
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Além disso, o fomento pode ser classificado quanto aos meios utilizados para promover o 
incentivo à atividade pretendida: 
a) Fomento honorífico: utiliza-se da concessão de títulos, prêmios ou condecorações; 
b) Fomento jurídico: concessão de um status jurídico excepcional e privilegiado a certos 
indivíduos ou categorias de particulares que o Estado deseja proteger ou incentivar. Tais 
particulares sujeitam-se a um regime jurídico especial, que lhes outorga algum tipo de 
vantagem ou privilégio; 
c) Fomento econômico: outorga de vantagens de natureza patrimonial aos particulares que 
exerçam as atividades que o Estado deseja fomentar. É possível que tais vantagens 
patrimoniais sejam reais ou financeiras: no primeiro caso, a Administração Pública cede o 
uso de bens públicos aos particulares; no segundo, confere-se aos particulares um benefício 
pecuniário, que pode ser direto ou indireto (direto quando transferir o valor em pecúnia ao 
particular e indireto quando conceder algum benefício que evite a perda patrimonial ao 
particular). 
O benefício pecuniário direto usualmente utilizado é a subvenção, estudada no Direito Financeiro. 
Mas há outros exemplos debenefícios ou incentivos creditícios. Quanto aos benefícios pecuniários 
indiretos, podemos citar como exemplo os benefícios ou incentivos fiscais. 
4.1 – Agências estatais de fomento 
As agências de fomento possuem as seguintes características: 
a) Possuem como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de giro 
associado a projetos na Unidade da Federação onde tenham sede; 
b) Devem ser constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob 
o controle de unidade da Federação, sendo que cada unidade federativa só pode constituir 
uma agência de fomento; 
c) Possuem status de instituição financeira, mas não podem ter participação em outras 
instituições desta natureza; 
d) De sua denominação social deve constar a expressão "Agência de Fomento" acrescida da 
indicação da Unidade da Federação Controladora. 
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5 – REPRESSÃO AO ABUSO DO PODER ECONÔMICO E PROTEÇÃO DA 
CONCORRÊNCIA 
5.1 – Introdução 
A repressão ao abuso do poder econômico e a proteção da concorrência pode ser citada como 
uma forma de regulação, tendo em vista que são impostas normas pela legislação com o objetivo 
de prevenir e reprimir condutas que violem os princípios da ordem econômica. 
 
A regulação concorrencial consiste na forma de intervenção indireta do Estado na 
economia, aplicável a todos os agentes econômicos de um mercado relevante (e 
não apenas a determinado setor), exercitada por direção, para preservar a livre 
iniciativa e a livre concorrência, por meio da repressão ao abuso do poder 
econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e 
ao aumento arbitrário dos lucros. 
CF: Art. 173 (...) 
§ 4º A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, 
à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. 
Diante da previsão constitucional, foi editada a lei 12.529/2011, dispondo sobre o Sistema 
Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) e dispondo sobre a prevenção e repressão às 
infrações contra a ordem econômica. 
A defesa da concorrência é de fundamental importância à ordem econômica, tendo em vista que 
evita a violação de direitos fundamentais, em especial a dignidade humana, além de corrigir as 
falhas de mercado e garantir o desenvolvimento nacional sustentável. 
Os detalhes desta lei são estudados com maior profundidade no Direito Econômico. Passaremos 
apenas pelos pontos relevantes à nossa matéria. 
5.2 – Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência 
Possui a seguinte formação: 
a) Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE; 
b) Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda. 
O CADE é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, considerada uma entidade 
judicante, com jurisdição em todo o território nacional, possuindo a seguinte formação: 
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a) Tribunal Administrativo de Defesa Econômica: com função judicante e atribuição para 
decidir sobre a existência de infração à ordem econômica, aplicação das sanções 
administrativas, aprovação dos termos do compromisso de cessação de prática, apreciar 
processos administrativos de atos de concentração econômica, decidir pelo cumprimento 
das decisões, compromissos e acordos etc. (art. 9º). 
b) Superintendência-Geral: possui funções de investigação, de instrução e execução (art. 13). 
c) Departamento de Estudos Econômicos: elabora estudos e pareceres econômicos (art. 17). 
Conta ainda com uma procuradoria federal especializada junto ao CADE de caráter consultivo e 
atribuições para representar o CADE judicial e extrajudicialmente e com a atuação do Ministério 
Público Federal. 
As decisões do CADE são definitivas em âmbito federal, não cabendo recurso dirigido ao Poder 
Executivo (art. 9º, §2º). 
5.3 – Advocacia da concorrência 
A advocacia da concorrência refere-se às atividades desenvolvidas pela autoridade antitruste 
relacionadas com a promoção de um ambiente competitivo para atividades econômicas, por meio 
de mecanismos que não se enquadrem no controle preventivo ou na atuação repressiva, 
principalmente através de suas relações com outras entidades governamentais e pelo aumento da 
sensibilização do público para os benefícios da concorrência (REsp 1390875/RS, Rel. Ministro 
NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/06/2015, DJe 19/06/2015). 
Essa atribuição é exercida, principalmente, pela Secretaria de Acompanhamento Econômico – 
SAE, que possui, por exemplo, as atribuições de: 
a) opinar, nos aspectos referentes à promoção da concorrência, sobre propostas de alterações 
de atos normativos de interesse geral dos agentes econômicos, de consumidores ou 
usuários dos serviços prestados submetidos a consulta pública pelas agências reguladoras 
e, quando entender pertinente, sobre os pedidos de revisão de tarifas e as minutas; 
b) opinar, quando considerar pertinente, sobre minutas de atos normativos elaborados por 
qualquer entidade pública ou privada submetidos à consulta pública, nos aspectos 
referentes à promoção da concorrência; 
c) opinar, quando considerar pertinente, sobre proposições legislativas em tramitação no 
Congresso Nacional, nos aspectos referentes à promoção da concorrência; 
d) elaborar estudos setoriais que sirvam de insumo para a participação do Ministério da 
Fazenda na formulação de políticas públicas setoriais nos fóruns em que este Ministério tem 
assento; 
e) propor a revisão de leis, regulamentos e outros atos normativos da administração pública 
federal, estadual, municipal e do Distrito Federal que afetem ou possam afetar a 
concorrência nos diversos setores econômicos do País. 
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6 – INTERVENÇÃO DIRETA NA ATIVIDADE ECONÔMICA 
6.1 – Introdução 
A intervenção direta do Estado na economia está prevista no art. 173, CF: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
Conforme já estudamos neste curso, a intervenção direta do Estado na economia é medida 
excepcional, fundamentada no princípio da subsidiariedade, e só pode ocorrer nos seguintes 
casos: 
a) Quando expressamente previsto na Constituição Federal (ex.: exploração de atividades 
relacionadas ao petróleo e ao gás natural – art. 177, CF); 
b) Quando demonstrar imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, 
conforme definido em lei. 
O Estado, quando atua diretamente na economia, o faz por meio das empresas estatais, criadas 
após autorização legislativa: 
Lei 13.303/2016: 
Art. 2º A exploração de atividade econômica pelo Estado será exercida por meio de 
empresa pública, de sociedade de economia mista e de suas subsidiárias. 
6.2 – Intervenção concorrencial 
Em regra, a atuação econômica do Estado ocorre em regime concorrencial com a iniciativa privada, 
despindo-se de suas prerrogativas e atuando em igualdade de condições com os particulares 
(relação horizontal): 
CF Art. 173 (...) 
§ 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de 
economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção 
ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: 
II - a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas,inclusive quanto aos 
direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; 
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§ 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de 
privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. 
Assim, as empresas estatais estão proibidas de receberem benefícios de qualquer natureza não 
extensíveis às empresas da iniciativa privada concorrentes. 
6.3 – Monopólio estatal 
Embora a regra seja o regime concorrencial, em casos específicos o Estado poderá atuar 
diretamente na ordem econômica em regime de monopólio. Essa hipótese ocorre no caso em que 
a CF atribui a titularidade exclusiva de atividades econômicas ao Estado, que poderá prestá-las 
diretamente ou por meio da contratação de empresas privadas. 
 
Somente é possível haver monopólio do Estado sobre determinada atividade 
econômica quando a Constituição Federal assim dispuser expressamente. 
Somente pode ser instituído um novo monopólio estatal por meio de emenda à 
constituição. 
O monopólio estatal é um monopólio de direito (ou jurídico), tendo em vista que decorre de 
determinação legal (no caso, decorre da CF), ao contrário do monopólio de fato (ou natural), que 
decorre da atuação dos agentes privados na economia, seja em razão do poder econômico ou da 
maior eficiência de um dos agentes ou pela ausência de competidores. 
As hipóteses constitucionais de monopólio estatal, estabelecidas em favor da União, são: 
a) A pesquisa e a lavra de recursos minerais e o aproveitamento dos potenciais de energia 
hidráulica (art. 176, CF); 
b) A pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos, 
a refinação do petróleo, a importação e a exportação dos produtos derivados básicos das 
atividades anteriores, o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de 
derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de 
conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem (art. 177, I a 
IV); 
c) A pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio 
de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos (art. 177, 
V). 
Já o art. 25, §2º, CF, por sua vez, estabelece o monopólio dos Estados quanto à exploração de 
gás canalizado. 
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6.3.1 – Monopólio x privilégio 
O STF estabeleceu ainda uma distinção entre monopólio e privilégio. Para a Corte, as situações 
de execução exclusiva de uma atividade econômica em sentido estrito configuram monopólio. Já 
a prestação de serviços público de forma exclusiva configura privilégio. 
Desta forma, entendeu o STF que a atividade postal executada pelos Correios, por ser um serviço 
público, é exercida em regime de privilégio. 
 
 
“(...) A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a exploração do 
serviço postal e o correio aéreo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O serviço postal é 
prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa pública, 
entidade da Administração Indireta da União, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 
de março de 1.969. 
5. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação 
dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a 
exploração de atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. 
6. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de 
exclusividade na prestação dos serviços que lhe incumbem em situação de 
privilégio, o privilégio postal. (...)” 
STF. ADPF 46. 
RESUMO 
 INTRODUÇÃO 
 Ordem econômica 
Monopólio Atividade econômica em sentido estrito exercida com exclusividade.
Privilégio Serviço público executado em regime de exclusividade:.
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O Estado liberal traz a ideia de Estado mínimo. No estado liberal, predomina a liberdade 
econômica (livre iniciativa) e a propriedade privada, com a ausência de interferência estatal direta. 
No Estado social, passou-se de uma postura de abstenção total para uma postura de forte 
intervenção na economia. O Estado Social de Direito (welfare state) tem lugar a partir da Segunda 
Guerra Mundial e é marcado pela prestação direta de atividades econômicas pelo poder público 
e forte dirigismo econômico 
No Estado regulador, há a redução do aparelho estatal, devolução de atividades econômicas para 
a iniciativa privada, delegação de serviços públicos para os particulares e parcerias com o terceiro 
setor, todos estes fomentados e regulados por órgãos públicos regulatórios. A intervenção do 
Estado na economia passou de direita para indireta, por meio de instrumentos de fomento e 
regulação. 
 Fundamentos da ordem econômica 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da 
justiça social, observados os seguintes princípios: 
 Formas de intervenção do Estado na economia 
A intervenção do Estado na ordem econômica pode ocorrer por meio de duas formas: 
a) Direta: quando explora diretamente atividade econômica, produzindo bens e serviços (art. 
173, CF); 
b) Indireta: por meio de normas, regulação, fomento e repressão ao abuso do poder 
econômico (art. 174, CF). 
A intervenção indireta pode ainda ser dividida em direção e indução. 
 PLANEJAMENTO 
O planejamento é um processo técnico instrumentado para transformar a realidade existente no 
sentido de objetivos previamente estabelecido 
De acordo com o art. 174, CF, planejamento é sempre determinante para o setor público 
(planejamento impositivo) e apenas indicativo (planejamento indicativo) para o setor privado. 
 REGULAÇÃO 
 Introdução 
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A atividade regulatória como forma de intervenção na economia possui quatro prerrogativas 
inerentes: 
a) Edição de normas; 
b) Implementação concreta das normas; 
c) Fiscalização do cumprimento das normas; 
d) Sanção dos infratores. 
 Falhas de mercado 
a) Deficiência na distribuição de bens essenciais; 
b) Assimetria de informação; 
c) Concentração econômica (deficiência na concorrência); 
d) Externalidades; 
e) Bens públicos; 
 Controle de preços 
Características do tabelamento de preços de atividades da iniciativa privada: 
a) Excepcional; 
b) Justificada e limitada no tempo; 
c) Motivada pela efetivação de princípios da ordem econômica; 
d) Objetiva corrigir falhas de mercado, remover risco à livre concorrência, garantir a defesa do 
consumidor e reduzir as desigualdades sociais; 
e) Impossibilidade de fixação de preços inferiores aos custos. 
O STF, embora em decisão antiga, já entendeu que não é inconstitucional o tabelamento de 
preços quando voltado a atender outros princípios importantes para a ordem econômica. 
O STF reconheceu que, embora prática lícita, o tabelamento de preços pode ensejar a 
responsabilização civil objetiva da Administração Pública, de acordo com o art. 37, § 6º, CF, 
quando causar prejuízos aos agentes econômicos que atuam no setor ao fixar preços abaixo dos 
custos de produção, tendo em vista que o mencionado dispositivo não faz distinçãoentre atuação 
lícita e ilícita (AI 754714). 
No entanto, o STF reconheceu a repercussão geral do ARE 884325 que discute a responsabilidade 
civil da União pelo tabelamento de preços do setor sucroalcooleiro abaixo do levantamento de 
custos de produção feito pela FGV, em processo ainda pendente de julgamento. 
Já no “caso Varig” o STF decidiu que era dever do Estado indenizar a concessionária de serviço 
público de transporte aéreo não em razão da violação da livre iniciativa, mas em virtude de se 
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tratar de um contrato administrativo de concessão de serviço público, cuja política econômica 
implementada pelo Governo ensejou o seu desequilíbrio econômico financeiro, devendo este ser 
recomposto por meio da indenização. 
 Regulação por incentivos 
É a regulação da economia por meio de mecanismos indutivos, com a previsão de incentivos 
positivos para que o agente econômico adote a conduta pretendida pelo Estado ou invista em 
determinado setor contido na política econômica do Governo. 
 Regulação setorial x regulação concorrencial 
Havendo regulação setorial, não se aplica a regulação concorrencial (cria-se uma “imunidade” à 
regulação concorrencial) que, por sua vez, deve atuar por meio da advocacia da concorrência. É o 
que determina o state action doctrine. 
De acordo com o STJ, é o próprio estado quem excepciona a livre concorrência por meio da 
regulação setorial, não podendo se exigir que o agente econômico observe os preceitos de 
concorrência em contrariedade à regulação setorial Estatal. 
 FOMENTO 
O fomento consiste nos incentivos estatais, positivos ou negativos, que induzem ou influenciam a 
prática de atividades pelos setores econômico ou social, de acordo com a política econômica de 
governo e com o interesse público. Possui fundamento no art. 174, CF, quando expressa a função 
de incentivo do Estado na ordem econômica. 
 REPRESSÃO AO ABUSO DO PODER ECONÔMICO 
A regulação concorrencial consiste na forma de intervenção indireta do Estado na economia, 
aplicável a todos os agentes econômicos de um mercado relevante (e não apenas a determinado 
setor), exercitada por direção, para preservar a livre iniciativa e a livre concorrência, por meio da 
repressão ao abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da 
concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. 
 INTERVENÇÃO DIRETA NA ATIVIDADE ECONÔMICA 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
Só pode ocorrer nos seguintes casos: 
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a) Quando expressamente previsto na Constituição Federal (ex.: exploração de atividades 
relacionadas ao petróleo e ao gás natural – art. 177, CF); 
b) Quando demonstrar imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, 
conforme definido em lei. 
 Intervenção concorrencial 
Em regra, a atuação econômica do Estado ocorre em regime concorrencial com a iniciativa privada, 
despindo-se de suas prerrogativas e atuando em igualdade de condições com os particulares 
(relação horizontal): 
 Monopólio estatal 
Somente é possível haver monopólio do Estado sobre determinada atividade econômica quando 
a Constituição Federal assim dispuser expressamente. Somente pode ser instituído um novo 
monopólio estatal por meio de emenda à constituição. 
JURISPRUDÊNCIA CITADA 
REGULAÇÃO SETORIAL X REGULAÇÃO CONCORRENCIAL 
ADMINISTRATIVO E ECONÔMICO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANOS DIFUSOS AOS 
CONSUMIDORES. INFRAÇÕES À ORDEM ECONÔMICA. GLP. DISTRIBUIDORAS. 
FORMAÇÃO DE CARTEL. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA STATE ACTION 
DOCTRINE. ATUAÇÃO DAS DISTRIBUIDORAS IMUNES AO CONTROLE DO ÓRGÃO 
ANTITRUSTE. ATIVIDADE REGULADA E FISCALIZADA PELO ESTADO. ADVOCACIA 
DA CONCORRÊNCIA OU EDUCATIVA PARA PROMOÇÃO DE AMBIENTE LIVRE E 
COMPETITIVO. RECURSOS ESPECIAIS PROVIDOS. 
1. O mercado de GLP - gás liquefeito de petróleo - tinha seu preço tabelado pelos 
órgãos reguladores competentes no período em que se alega a formação de cartel por 
parte das distribuidoras, o que afasta a possibilidade de punição delas. 
2. Aplicação, ao caso, da state action doctrine foi formulada nos EUA para definir os 
casos em que a regulação estatal afastaria o controle concorrencial feito pelo órgão 
antitruste, quando presentes determinados requisitos: (i) a regulação estatal deve servir 
a um fim de política pública; e (ii) o Estado deve efetivamente obrigar determinada 
conduta e supervisioná-la: lição do Professor CALIXTO SALOMÃO FILHO (Direito 
Concorrencial: As Estruturas, São Paulo, Malheiros, 2007, pp. 238-240). 
3. No caso, não há dúvidas de que se está diante de um mercado regulado, o de 
distribuição de GLP, que seria imune, portanto, ao controle do órgão antitruste, pois 
facilmente se verifica que: (i) o CNP aprovou a implantação de mercado de empresas 
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que tinha como objetivo organizar a distribuição do GLP, facilitar a sua fiscalização, 
evitar a proliferação de revendedores clandestinos e propiciar melhores condições de 
segurança ao consumidor; e (ii) o Sistema Integrado de Abastecimento era elaborado 
pelo próprio órgão regulador, sendo mensalmente auditado pelo DNC (Departamento 
Nacional de Combustíveis). Assim, está claro que a regulação servia a uma política 
pública, era imposta às empresas reguladas e supervisionadas pelo órgão competente. 
4. Nos casos em que é o próprio Estado que excepciona a livre concorrência - como 
ocorre no caso dos autos, no qual foi imposto um tabelamento de preços às empresas 
- exsurge a importância de a autoridade antitruste exercer a chamada advocacia da 
concorrência (competition advocacy) ou educativa. 
5. A advocacia da concorrência refere-se às atividades desenvolvidas pela autoridade 
antitruste relacionadas com a promoção de um ambiente competitivo para atividades 
econômicas, por meio de mecanismos que não se enquadrem no controle preventivo 
ou na atuação repressiva, principalmente através de suas relações com outras entidades 
governamentais e pelo aumento da sensibilização do público para os benefícios da 
concorrência. 
6. Recursos Especiais providos para julgar improcedentes os pedidos formulados na 
Ação Civil Pública. 
(REsp 1390875/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 09/06/2015, DJe 19/06/2015) 
MONOPÓLIO X PRIVILÉGIO. CORREIOS E ATIVIDADE POSTAL. 
EMENTA: (...) EMPRESA PÚBLICA DE CORREIOS E TELEGRÁFOS. PRIVILÉGIO DE 
ENTREGA DE CORRESPONDÊNCIAS. SERVIÇO POSTAL. 
(...) 
O serviço postal --- conjunto de atividades que torna possível o envio de 
correspondência, ou objeto postal, de um remetente para endereço final e determinado 
--- não consubstancia atividade econômica em sentido estrito. Serviço postal é serviço 
público. 2. A atividade econômica em sentido amplo é gênero que compreende duas 
espécies, o serviço público e a atividade econômica em sentido estrito. Monopólio é 
de atividade econômica em sentido estrito, empreendida por agentes econômicos 
privados. A exclusividade da prestação dos serviços públicos é expressão de uma 
situação de privilégio. Monopólio e privilégio são distintos entre si; não se os deve 
confundir no âmbito da linguagem jurídica, qual ocorre no vocabulário vulgar. 3. A 
Constituiçãodo Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a exploração do serviço 
postal e o correio aéreo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O serviço postal é prestado 
pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa pública, entidade da 
Administração Indireta da União, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 de março de 
1.969. 5. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação 
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dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração 
de atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. 6. A Empresa 
Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de exclusividade na prestação 
dos serviços que lhe incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. 7. Os 
regimes jurídicos sob os quais em regra são prestados os serviços públicos importam 
em que essa atividade seja desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da 
exclusividade. 8. Argüição de descumprimento de preceito fundamental julgada 
improcedente por maioria. O Tribunal deu interpretação conforme à Constituição ao 
artigo 42 da Lei n. 6.538 para restringir a sua aplicação às atividades postais descritas 
no artigo 9º desse ato normativo. 
(ADPF 46, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: EROS GRAU, Tribunal 
Pleno, julgado em 05/08/2009, DJe-035 DIVULG 25-02-2010 PUBLIC 26-02-2010 
EMENT VOL-02391-01 PP-00020 RTJ VOL-00223-01 PP-00011) 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Chegamos ao final da nossa aula 17, em que tratamos do assunto “Intervenção do Estado na 
Economia” assunto pertinente tanto ao Direito Econômico, quanto ao Direito Administrativo. 
Buscamos abordar os pontos importantes e este último e que podem ser cobrados em provas 
dentro da nossa matéria. 
Aguardo vocês na próxima aula. Até lá! 
Qualquer dúvida, podem me contactar nos canais abaixo. 
Rodolfo Penna 
E-mail: prof.rodolfopenna@gmail.com 
Instagram: https://www.instagram.com/rodolfobpenna 
QUESTÕES COMENTADAS 
1. (CESPE / TCE-RO – Procurador do MPC / 2019) Grandes empresas vão manter preços de 
produtos essenciais e não haverá aumento das tarifas de serviços públicos este ano. 
BUENOS AIRES ) O governo argentino anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas para 
conter o crescimento da inflação do país e reativar o consumo em meio a uma grave crise. O pilar 
central está em congelar preços de produtos essenciais e de serviços públicos. Argentina anuncia 
congelamento de preços para conter a inflação e estimular consumo. In: O Globo, 17/4/2019. 
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Nessa situação, o pilar central da política econômica argentina informado na notícia veiculada 
constitui intervenção 
a) direta na ordem econômica, sob a forma de absorção. 
b) direta na ordem econômica, sob a forma de participação. 
c) indireta na ordem econômica, sob a forma de direção. 
d) indireta na ordem econômica, sob a forma de indução. 
e) indireta na ordem econômica, sob a forma de absorção. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. A intervenção direta ocorre quando o Estado explora diretamente 
atividade econômica, produzindo bens e serviços (art. 173, CF). Por absorção é quando o Estado 
absorve atividades da iniciativa privada, explorando-a de forma exclusiva. Não é a situação narrada 
no caso. 
A alternativa B está incorreta. A intervenção direta ocorre quando o Estado explora diretamente 
atividade econômica, produzindo bens e serviços (art. 173, CF). Por participação ocorre quando o 
Estado atua em regime de concorrência com a iniciativa privada. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. A intervenção do Estado na ordem 
econômica de forma indireta se dá por meio de normas, regulação, fomento e repressão ao abuso 
do poder econômico (art. 174, CF). 
A intervenção indireta pode ainda ser dividida em direção e indução. 
i. Indireta por direção: o Estado edita regras de observância obrigatória e de incidência 
direta nas relações econômicas públicas e privadas (ex.: normas editadas pelas 
agências reguladoras, tabelamento de preços etc.). 
ii. Indireta por indução: o Estado edita regras instrumentais de incidência indireta na 
atividade econômica que buscam incentivar ou desincentivar determinadas 
atividades, posturas ou condutas. 
Como no caso o Estado nacional editou regras de observância obrigatória, trata-se de intervenção 
indireta por direção. 
A alternativa D está incorreta. Ver comentários da alternativa B. 
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A alternativa E está incorreta. A intervenção por absorção é uma forma de intervenção direta e 
não se amolda ao caso narrado. 
2. (CESPE / PGE-MT / 2016) Ao atuar como agente normativo e regulador da atividade 
econômica, o Estado dispõe de variados meios de intervenção, com vistas a propiciar o 
desenvolvimento nacional equilibrado. NÃO é considerada uma intervenção válida 
a) o estabelecimento, por lei federal, de monopólio do serviço postal. 
b) a fixação, por lei estadual, de piso salarial regional, no tocante às categorias que não tenham 
esse mínimo estabelecido em lei federal, convenção ou acordo coletivo. 
c) a criação, por lei federal, de passe livre em favor de deficientes físicos, no transporte 
interestadual. 
d) a limitação, por lei municipal, de número de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em 
determinada área. 
e) a fixação, por lei municipal, de horário para funcionamento de estabelecimentos comerciais. 
Comentários 
A alternativa A está correta. Apesar de o STF ter estabelecido que os Correios atuam em regime 
de privilégio, a banca examinadora empregou o termo monopólio de forma genérica, 
considerando a alternativa correta. Porém, é necessário conhecer a jurisprudência do STF, que 
poderia tornar a alternativa incorreta e anular a questão: 
“A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de exclusividade na 
prestação dos serviços que lhe incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. Os regimes 
jurídicos sob os quais em regra são prestados os serviços públicos importam em que essa atividade 
seja desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade. Arguição de 
descumprimento de preceito fundamental julgada improcedente por maioria. O Tribunal deu 
interpretação conforme à Constituição ao art. 42 da Lei 6.538 para restringir a sua aplicação às 
atividades postais descritas no art. 9º desse ato normativo.” (ADPF 46). 
A alternativa B está correta. Segundo o art. 1º da Lei Complementar 103, de 14 de julho de 2000 
(LC 103/2000): “Os Estados e o Distrito Federal ficam autorizados a instituir, mediante lei de 
iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial de que trata o inciso V do art. 7º da Constituição 
Federal para empregados que não tenham piso salarial definido em lei federal, convenção ou 
acordo coletivo de trabalho.” 
CF: Art. 7º (...) 
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V – piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do serviço; 
A alternativa C está correta. O STF entendeu constitucional a lei federal 8.899/94 que concedia 
gratuidade para pessoas com deficiência no transporte público interestadual: 
“Em 30.3.2007, o Brasil assinou, na sede das Organizações das Nações Unidas,a Convenção sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência, bem como seu Protocolo Facultativo, comprometendo-
se a implementar medidas para dar efetividade ao que foi ajustado. 4. A Lei n. 8.899/94 é parte 
das políticas públicas para inserir os portadores de necessidades especiais na sociedade e objetiva 
a igualdade de oportunidades e a humanização das relações sociais, em cumprimento aos 
fundamentos da República de cidadania e dignidade da pessoa humana, o que se concretiza pela 
definição de meios para que eles sejam alcançados. 5. Ação Direta de Inconstitucionalidade 
julgada improcedente.” (ADI 2649). 
A alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão. 
Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que 
impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada 
área. 
A alternativa E está correta. 
Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento 
de estabelecimento comercial. 
Vale lembrar que, em relação aos bancos, os Municípios não podem fixar o horário de 
funcionamento. 
3. (UFMT / DPE-MT / 2016) Na Europa ou na América Latina, a atividade reguladora estatal 
ganhou força a partir da segunda metade do século XX, num quadro relacionado a políticas 
inspiradas na redefinição do papel do Estado. Implementaramse programas de desestatização 
que privilegiaram a atividade privada, em detrimento da atuação direta do Estado em setores 
diversos, abrangendo áreas relacionadas a serviços considerados de interesse social. (CARVALHO, 
C. E. V. de. Regulação de serviços públicos: na perspectiva da constituição econômica brasileira. 
Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2007.) 
Assinale a afirmativa relacionada ao sentido social atribuído à atividade regulatória estatal por 
construção doutrinária. 
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a) Os objetivos sociais da atividade reguladora estatal devem ser dissociados de seus objetivos 
econômicos, a fim de garantir a consecução de interesses que não podem ser atingidos por meio 
da livre concorrência. 
b) Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da 
lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este indicativo para os setores 
público e privado. 
c) A disciplina reguladora exercida pelo Estado conduz à maior eficiência produtiva ou alocativa, 
se comparada às soluções próprias e espontâneas do mercado. 
d) As políticas regulatórias de caráter redistributivo, além dos objetivos econômicos de estímulo à 
concorrência e à eficiência, visam implementar metas sociais como a universalização do acesso a 
serviços essenciais. 
e) Quando o Estado não atua diretamente no mercado como produtor de bens e serviços, a 
regulação funciona como um mecanismo para corrigir falhas de mercado e estabelecer um regime 
concorrencial. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Os objetivos sociais da regulação devem estar associados aos 
objetivos econômicos. Trata-se do desenvolvimento socioeconômico previsto no art. 170, CF. 
Dispõe o art. 170, CF: 
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da 
justiça social, observados os seguintes princípios: 
Importa perceber que, ao mesmo tempo em que se busca garantir a liberdade de iniciativa, a livre 
concorrência e a propriedade privada, também se busca proteger o meio ambiente, reduzir as 
desigualdades e garantir o pleno emprego e a função social da propriedade. 
A alternativa B está incorreta. O erro da alternativa está em afirmar que a função de planejamento 
é indicativa para o setor público. De acordo com o art. 174, CF, planejamento é sempre 
determinante para o setor público (planejamento impositivo) e apenas indicativo (planejamento 
indicativo) para o setor privado. 
A alternativa C está incorreta. O sentido social da regulação busca promover maior justiça 
distributiva e não alocativa. Por este motivo a alternativa está errada. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Ao mesmo tempo em que a CF busca 
garantir a liberdade de iniciativa, a livre concorrência e a propriedade privada, também se busca 
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proteger o meio ambiente, reduzir as desigualdades e garantir o pleno emprego e a função social 
da propriedade. 
Fica claro a intenção do constituinte de promover um equilíbrio entre o desenvolvimento 
econômico e o desenvolvimento social, sem qualquer prevalência de um sobre o outro. 
Um desses princípios da ordem econômica é justamente a redução das desigualdades regionais e 
sociais, o que torna correta a afirmação de que a política econômica possui caráter redistributivo. 
A alternativa E está incorreta. A alternativa não atende ao sentido social pedido no enunciado. 
Além disso, a regulação também funciona quando o Estado intervém de forma direta na economia, 
bem como a regulação nem sempre objetiva estabelecer um regime concorrencial. Veja o caso da 
ANP, que regula um setor monopolizado por uma estatal. 
4. (FCC / PGM-SÃO LUÍS-MA / 2016) Não é inusitado dentre os países da América do Sul 
passar por graves crises econômicas, experimentando trajetória de alta dos preços de produtos 
de consumo em massa, o que ocasiona aumento das expectativas inflacionárias. Alguns países, 
como a Argentina, já adotaram a política de congelamento como estratégia para conter a 
disparada inflacionária, controlando as revisões de tarifas e preços, gerando sucessivas e 
cumulativas perdas para produtores. Considere que essa seja uma conduta adotada no Brasil, de 
modo que a Administração pública federal, pelas vias legalmente previstas, impeça repasse de 
perdas inflacionárias e aumentos reais de preços nos produtos da cesta básica, bem como que 
congele tarifas de serviços públicos. Sob o prisma dos envolvidos na produção, distribuição ou 
comercialização dos referidos produtos e serviços, com base no ordenamento jurídico pátrio, 
a) não cabe responsabilização extracontratual da Administração pública, tendo em vista que, em 
matéria de intervenção na ordem econômica, mesmo medidas que imponham prejuízos aos 
administrados se legitimam caso tenham sido legalmente implementadas. 
b) para que possa se configurar responsabilidade objetiva da Administração pública é necessário 
demonstrar que as medidas adotadas foram especiais, desproporcionais e extraordinárias, o que 
implica no dever de indenizar em razão da conduta, prescindindo da demonstração dos danos. 
c) deve haver responsabilização da Administração pública, sob a modalidade objetiva pura, tendo 
em vista que lhe é vedado intervir na ordem econômica, funcionando o princípio da livre regulação 
de mercado. 
d) pode haver responsabilização da Administração pública, sob a modalidade subjetiva, cabendo 
ao prejudicado demonstrar a ocorrência de culpa do serviço público. 
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e) é possível se configurar responsabilidade objetiva da Administração pública, mesmo diante do 
cenário de atuação lícita, posto que dessa podem ter advindo danos extraordinários, excedendo 
o limite do sacrifício que poderia ser imposto aos administrados. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Ver comentários da alternativa E. 
A alternativa B está incorreta. Ver comentários da alternativa E. 
A alternativa C está incorreta. Ver comentáriosda alternativa E. 
A alternativa D está incorreta. Ver comentários da alternativa E. 
A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. o STF reconheceu que, embora prática 
lícita, o tabelamento de preços pode ensejar a responsabilização civil objetiva da Administração 
Pública, de acordo com o art. 37, § 6º, CF, quando causar prejuízos aos agentes econômicos que 
atuam no setor ao fixar preços abaixo dos custos de produção, tendo em vista que o mencionado 
dispositivo não faz distinção entre atuação lícita e ilícita. 
O STF reconheceu que, embora prática lícita, o tabelamento de preços pode ensejar a 
responsabilização civil objetiva da Administração Pública, de acordo com o art. 37, § 6º, 
CF, quando causar prejuízos aos agentes econômicos que atuam no setor ao fixar 
preços abaixo dos custos de produção, tendo em vista que o mencionado dispositivo 
não faz distinção entre atuação lícita e ilícita (AI 754714 AgR). 
Este também é o entendimento do STJ, que ressalva a necessidade de demonstração concreta do 
prejuízo sofrido pelos agentes econômicos do setor sucroalcooleiro. 
A União Federal é responsável por prejuízos decorrentes da fixação de preços pelo 
governo federal para o setor sucroalcooleiro, em desacordo com os critérios previstos 
nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei 4.870/1965, uma vez que teriam sido estabelecidos pelo 
Instituto do Açúcar e Álcool - IAA, em descompasso do levantamento de custos de 
produção apurados pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. 
O suposto prejuízo sofrido pelas empresas possui natureza jurídica dupla: danos 
emergentes (dano positivo) e lucros cessantes (dano negativo). Ambos exigem efetiva 
comprovação, não se admitindo indenização em caráter hipotético, ou presumido, 
dissociada da realidade efetivamente provada. 
(REsp 1347136/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
11/12/2013, DJe 07/03/2014 
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5. (ESAF / PGFN / 2015) No concernente à intervenção do Estado no domínio econômico, 
indique a opção incorreta. 
a) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o serviço postal não consubstancia 
atividade econômica em sentido estrito, porquanto se trata de exclusividade na prestação de 
serviços, denotando, assim, situação de privilégio. 
b) Na intervenção por absorção ou participação o Estado atua como agente econômico. 
c) O Estado, por meio da intervenção por direção, utiliza-se de comandos imperativos que, se 
forem descumpridos, sujeitam o infrator a sanções negativas. 
d) A exploração de atividade econômica pelas empresas públicas e sociedades de economia mista 
constitui intervenção estatal indireta no domínio econômico. 
e) A atividade econômica em sentido amplo é gênero que compreende duas espécies, o serviço 
público e a atividade econômica em sentido estrito. 
Comentários 
A alternativa A está correta. “(...) A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a 
exploração do serviço postal e o correio aéreo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O serviço postal é 
prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa pública, entidade da 
Administração Indireta da União, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 de março de 1.969. 
5. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação dos serviços 
públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de atividade 
econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. 6. A Empresa Brasileira de Correios e 
Telégrafos deve atuar em regime de exclusividade na prestação dos serviços que lhe incumbem 
em situação de privilégio, o privilégio postal. (...)” STF. ADPF 46. 
A alternativa B está correta. A intervenção do Estado na ordem econômica pode ocorrer por meio 
de forma Direta: quando explora diretamente atividade econômica, produzindo bens e serviços 
(art. 173, CF). 
A intervenção direta por absorção ocorre quando o Estado absorve atividades da iniciativa 
privada, explorando-a de forma exclusiva. Já a intervenção direta por participação ocorre quando 
o Estado atua em regime de competição com a iniciativa privada. 
A alternativa C está correta. A intervenção indireta pode ainda ser dividida em direção e indução. 
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Indireta por direção: o Estado edita regras de observância obrigatória e de incidência direta nas 
relações econômicas públicas e privadas que, se foram descumpridas, ensejam sanções negativas 
(ex.: normas editadas pelas agências reguladoras, tabelamento de preços etc.). 
A alternativa D está incorreta e é o gabarito da questão. Trata-se de intervenção direta do Estado 
no domínio econômico, tendo em vista que explora diretamente atividade econômica, produzindo 
bens e serviços (art. 173, CF). 
A alternativa E está correta. Na definição do STF, a expressão atividade econômica em sentido 
amplo é gênero da qual são espécies atividade econômica em sentido estrito e serviço público. 
6. (NC-UFPR / PGM-CURITIBA-PR / 2015) O Município X, por meio de sua administração, 
almeja socorrer economicamente certo setor econômico local mediante a doação de bem imóvel 
para acomodação de indústria alimentícia e, na sequência, favorecê-la com isenções tributárias. 
Com a adoção dessas medidas de estímulo às atividades privadas, o Administrador almeja gerar 
empregos, melhorar a renda da população e o consumo e, consequentemente, a arrecadação de 
tributos, a fim de investir na infraestrutura municipal. A respeito do caso acima, é correto afirmar 
que se trata de exemplo de atividade: 
a) de fomento direto e indireto e também de prestação de serviço público. 
b) de fomento direto positivo e indireto negativo. 
c) de fomento econômico direto e indireto. 
d) resultante de renúncia de receita, na modalidade de fomento direto. 
e) de subvenção geral, envolvendo fomento direto e indireto. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Ver explicação da alternativa C. Não é possível verificar prestação 
de serviço público no caso. 
A alternativa B está incorreta. Fomento positivo busca incentivar uma atividade e o negativo 
desincentivar uma conduta ou postura do particular. No caso, há apenas fomento positivo. 
A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. Fomento econômico: outorga de vantagens 
de natureza patrimonial aos particulares que exerçam as atividades que o Estado deseja fomentar. 
É possível que tais vantagens patrimoniais sejam reais ou financeiras: no primeiro caso, a 
Administração Pública cede o uso de bens públicos aos particulares; no segundo, confere-se aos 
particulares um benefício pecuniário, que pode ser direto ou indireto (direto quando transferir o 
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 37 
valor em pecúnia ao particular e indireto quando conceder algum benefício que evite a perda 
patrimonial ao particular). 
O benefício pecuniário direto usualmente utilizado é a subvenção, estudada no Direito Financeiro. 
Mas há outros exemplos de benefícios ou incentivos creditícios. Quanto aos benefícios pecuniários 
indiretos, podemos citar como exemplo os benefícios ou incentivos fiscais. 
O enunciado dispõe que o Ente Público pretende doar um bem ao particular e não simplesmente 
conceder o uso. Neste caso, estamos falando em fomento econômico financeiro direto, pois enseja 
o aumento patrimonial do particular. Já a isenção tributária é um fomento econômico financeiro 
indireta, pois evita uma perda patrimonial do particular.A alternativa D está incorreta. Ver explicação da alternativa C. 
A alternativa E está incorreta. Ver explicação da alternativa C. 
7. (PGR / PGR / 2015) AS AGÊNCIAS REGULADORAS FORAM CRIADAS COM A FINALIDADE 
DE NORMATIZAR OS MERCADOS ECONÔMICOS E EQUILIBRAR AS RELAÇÕES ENTRE OS 
AGENTES. COM FUNDAMENTO NA LEI, NA DOUTRINA ESPECIALIZADA E NA 
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE-SE AFIRMAR QUE: 
a) A independência das agências reguladoras é mitigada pelo controle de juridicidade prévio 
exercido pelas suas procuradorias, que são vinculadas a Advocacia-Geral da União; pela 
possibilidade de reexame “a posteriori” de seus atos pelo Poder Judiciário; pela vinculação de 
seu poder normativo a lei; e, pelo controle financeiro realizado pelo Tribunal de Contas; 
b) A autonomia financeira e administrativa das agências se caracterizam pela liberdade de gestão, 
sendo-lhes permitido arrecadar receitas próprias e organizar suas despesas, sem ingerência dos 
Poderes Executivo ou Legislativo nos aspectos financeiros e contábeis das despesas relativas as 
atividades meio e fim; 
c) O sistema constitucional brasileiro não adota o princípio da deslegalização. Nesse sentido, o 
Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o poder normativo delegado as Agências 
reguladoras, impedindo-as de editar atos que normatizem obrigações a serem observadas pelos 
entes que compõem o mercado regulado; 
d) No plano Federal as agências reguladoras estão previstas no texto constitucional e foram 
constituídas como autarquias, integrantes da administração direta, vinculadas a Presidência da 
República, com subordinação hierárquica entre elas e o Ministério competente para tratar da 
respectiva atividade. 
Comentários 
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 38 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Embora as agências reguladores possuam 
maior independência em relação às autarquias comuns, continuam sofrendo os controles citados 
pela alternativa. 
A alternativa B está incorreta. AS agências reguladoras sofrem normalmente o controle financeiro 
exercido pelos tribunais de contas, conforme arts. 70 a 75, CF. 
A alternativa C está incorreta., 
O STF já se posicionou entendendo constitucional o poder normativo delegado as Agências 
reguladoras na ADC 1.193 QO-MC/RJ, tendo em vista que a delegação ocorre por meio de lei 
que estabelece os parâmetros a serem observados pelas agências reguladoras, ou seja, as normas 
editadas não são “autônomas”. Além disso, a edição de normas primárias ocorre somente no que 
diz respeito a questões técnicas e especializadas do setor regulado. 
No caso, julgou constitucional o art. 67 da lei 9.478/97, que previu um procedimento simplificado 
de licitação para a Petrobras, a ser estabelecido em decreto presidencial. O ponto mais importante 
é que a lei não estabeleceu nenhuma norma substancial sobre a licitação, remetendo a 
regulamentação ao decreto. 
Contudo, a discussão perdeu o objeto em virtude da revogação do art. 67 da lei 9.478/97 pelo 
art. 96, II da lei 13.303/16 (lei das estatais). 
O que se busca com a “deslegalização” é a retirada de certas matérias do domínio da lei, efetuada 
pelo próprio legislador, passando-as ao domínio do regulamento. 
A alternativa D está incorreta. Não há subordinação hierárquica entre as agências reguladoras e o 
Ministério supervisor. Há apenas controle finalístico. Além disso, não há menção expressa das 
agências reguladoras na CF, há apenas menção à criação de um “órgão regulador”. 
8. (CESPE / TRF-5ª REGIÃO / 2015) Assinale a opção correta acerca do papel do Estado como 
agente regulador e da competência para a atividade regulatória. 
a) A regulação econômica exercida pelo Estado consiste na intervenção direta nos setores 
econômicos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional, ora por meio de indução 
(incentivo e planejamento), ora por meio de direção (fiscalização e controle). 
b) Apenas duas agências reguladoras brasileiras possuem previsão constitucional específica: a 
ANATEL e a ANP 
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c) As empresas estatais que exercem atividade econômica em regime de monopólio sujeitam-se 
às normas de regulação do setor correspondente, estando isentas, porém, da aplicação de 
penalidades. 
d) No Brasil, diferentemente das agencies do direito norte-americano, cujos atos não se submetem 
ao judicial review, as agências reguladoras estão submetidas ao controle jurisdicional de seus atos, 
da mesma forma que quaisquer outros órgãos estatais. 
e) Predomina no Brasil a modalidade regulatória denominada autorregulação, na qual o agente 
estatal assume as funções de normatização, fiscalização e fomento dos setores econômicos. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Regulação é modalidade de intervenção indireta. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Suas previsões constitucionais estão no art. 
21, XI (ANATEL), e art. 177, § 2º, inciso III (ANP), da CF. 
A alternativa C está incorreta. Apesar de exercerem atividade econômica em regime de 
monopólio, não há impedimento de aplicação de penalidades em decorrência da fiscalização do 
órgão regulador sobre as empresas estatais que atuam neste regime. 
A alternativa D está incorreta. O erro da alternativa está em afirmar que as agências reguladoras 
americanas não se sujeitam à revisão judicial dos seus atos. 
A alternativa E está incorreta. Predomina no Brasil a modalidade de heterorregulamentação. As 
formas de regulação são as seguintes. 
a) Regulação estatal: exercida pela Administração Direta ou por entidades da Administração 
indireta (agências reguladoras); 
b) Regulação pública não estatal: exercida por entidades da sociedade por delegação ou por 
incorporação das suas normas ao ordenamento jurídico estatal (ex.: entidades desportivas 
– art. 217, I, CF); 
c) Autorregulação: realizada por entidades privadas, geralmente associativas, sem nenhuma 
delegação ou chancela estatal (ex.: Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária 
– CONAR, selos de qualificação ou certificação de produtos etc.). 
A regulação estatal é uma espécie de heterorregulação, situação diversa da autorregulação. 
9. (CESPE / PGE-PI / 2014) No que concerne à intervenção do Estado no domínio econômico, 
assinale a opção correta. 
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a) É vedada ao Estado a outorga de privilégios a particulares como forma de fomento da atividade 
econômica. 
b) As hipóteses de monopólio estatal estão previstas expressamente na CF, não se admitindo a 
ampliação dessas hipóteses por legislação infraconstitucional. 
c) Vedado pela CF e pela Lei de Defesa da Concorrência, o monopólio natural ocorre quando um 
setor da economia é dominado por um único agente econômico, em razão da exploração 
patenteada e exclusiva de determinado fator de produção. 
d) O monopólio convencional não pode ser objeto de intervenção do Estado, por não constituir 
prática abusiva. 
e) Ao passo que garante aos estados o monopólio dos serviços locais de gás canalizado, a CF veda 
a delegação da prestação desses serviços a terceiros por meio de concessão. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O fomento consiste nos incentivos estatais, positivos ou negativos, 
que induzem ou influenciam a prática de atividades pelos setores econômico ou social, de acordo 
com a política econômica de governo e com o interesse público. Possui fundamento no art.174, 
CF, quando expressa a função de incentivo do Estado na ordem econômica. 
Ressalte-se que os benefícios concedidos não podem violar o princípio da isonomia, tampouco 
representar subsídios injustificáveis para determinados agentes econômicos, devendo ser 
implementados para o setor, não para terceiros ou para entes determinados. 
A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Somente é possível haver monopólio do 
Estado sobre determinada atividade econômica quando a Constituição Federal assim dispuser 
expressamente. 
Somente pode ser instituído um novo monopólio estatal por meio de emenda à constituição. 
A alternativa C está incorreta. O monopólio estatal é um monopólio de direito (ou jurídico), tendo 
em vista que decorre de determinação legal (no caso, decorre da CF), ao contrário do monopólio 
de fato (ou natural), que decorre da atuação dos agentes privados na economia, seja em razão do 
poder econômico ou da maior eficiência de um dos agentes ou pela ausência de competidores. 
Não há vedação genérica ao monopólio natural no ordenamento jurídico brasileiro. 
A alternativa D está incorreta. O monopólio convencional (aquele que ocorre mediante acordo 
entre os agentes econômicos) é prática abusiva e configura infração à ordem econômica. 
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A alternativa E está incorreta. A Constituição permite a delegação desse serviço pelos Estados: 
Art. 25 (...) 
§ 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais 
de gás canalizado, na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua 
regulamentação. 
10. (CESPE / PGE-PI / 2014) Assinale a opção correta a respeito das disposições constitucionais 
que regulam a intervenção do Estado no domínio econômico. 
a) Nas hipóteses constitucionalmente previstas de exploração de atividade econômica 
diretamente pelo Estado, essa atividade deverá ser exercida por meio das empresas estatais, ou 
seja, empresas públicas e sociedades de economia mista. 
b) Somente por lei específica poderá ser criada empresa pública ou sociedade de economia mista. 
c) Às empresas estatais é permitido o exercício de atividade econômica em sentido estrito, sendo-
lhes defeso prestar serviços públicos. 
d) A regulação de atividades econômicas pelo Estado é excepcional, admitida apenas quando 
necessária aos imperativos da segurança nacional ou ao atendimento de relevante interesse 
coletivo. 
e) A definição das hipóteses que configuram imperativos da segurança nacional ou relevante 
interesse coletivo compete ao presidente da República, por meio de decreto presidencial, ouvido 
previamente o Conselho da República. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O Estado, quando atua diretamente na 
economia, o faz por meio das empresas estatais, criadas após autorização legislativa: 
Lei 13.303/2016: 
Art. 2º A exploração de atividade econômica pelo Estado será exercida por meio de 
empresa pública, de sociedade de economia mista e de suas subsidiárias. 
A alternativa B está incorreta. A criação de empresa pública ou sociedade de economia mista é 
autorizada por lei e essas entidades são criadas pelo registro dos atos constitutivos no órgão de 
registro competente. Não são criadas diretamente por lei. 
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 42 
A alternativa C está incorreta. As empresas estatais podem ser tanto exploradoras de atividade 
econômica em sentido estrito quanto prestadoras de serviços públicos. 
A alternativa D está incorreta. É a intervenção direta do Estado na economia que é excepcional e 
se verifica apenas quando a Constituição prevê ou quando necessária aos imperativos da 
segurança nacional ou ao atendimento de relevante interesse coletivo. 
A regulação, forma de intervenção indireta do Estado na economia, pode ser utilizada de forma 
normal. 
A intervenção direta do Estado na economia está prevista no art. 173, CF: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
A alternativa E está incorreta. Depende de lei: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
11. (CESPE / TRF-1ª REGIÃO / 2013) No que se refere à intervenção do Estado no domínio 
econômico, assinale a opção correta. 
a) As reservas do setor público, modalidade de atuação governamental, compreendem a edição 
de normas de conteúdo financeiro ou fiscal por meio das quais o Estado impulsiona medidas de 
fomento ou de dissuasão da atividade econômica. 
b) Na regulação cultural, um dos tipos de atuação estatal nos diversos setores da economia, o 
Estado intervém no interesse público definindo padrões para a segurança e desestimulando a 
exploração de fatores de produção potencialmente poluentes. 
c) No Estado intervencionista socialista, a ingerência estatal na atividade econômica visa garantir 
a efetivação de políticas de caráter assistencialista na sociedade, de modo que os notadamente 
hipossuficientes sejam providos em suas necessidades básicas. 
d) As falhas de mercado que ensejam a regulação estatal das atividades econômicas, como forma 
de intervenção indireta, incluem a assimetria informativa. 
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e) Constitui intervenção indireta a atuação do Estado como empresário, situação em ele se 
compromete com a atividade produtiva e assume a gestão de empresas privadas, conforme os 
interesses de ordem social. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. As reservas de mercado consistem no monopólio de direito 
instituído pela Constituição Federal em favor dos Entes Públicos nela previstos. Ou seja, trata-se 
de intervenção direta monopolística do Estado na economia. 
Já a edição de normas de conteúdo financeiro ou fiscal por meio das quais o Estado impulsiona 
medidas de fomento ou de dissuasão da atividade econômica, consistem na atuação regulatória 
ou de fomento do Estado, ou seja, na intervenção indireta por indução. 
A alternativa B está incorreta. A alternativa trata da regulação ambiental. Na regulação cultural, O 
Estado objetiva fomentar a produção cultural nacional, garantir a preservação do patrimônio 
histórico-cultural do país, bem como a preservar dos valores morais da sociedade. 
A alternativa C está incorreta. No Estado socialista há a absorção total do das atividades 
econômicas pelo Estado, não se confundindo com o Estado social, em que ainda há liberdade 
econômica, livre iniciativa e propriedade privada, porém o Estado busca intervir na economia para 
suprir as necessidades básicas dos hipossuficientes. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. São cinco as falhas de mercado: 
a) Deficiência na distribuição de bens essenciais; 
b) Assimetria de informação; 
c) Concentração econômica (deficiência na concorrência); 
d) Externalidades; 
e) Bens públicos; 
A alternativa E está incorreta. A atuação do Estado como empresário é forma de intervenção direta 
do Estado na economia. 
12. (CESPE / TRF-2ª REGIÃO / 2011) No que se refere à intervenção do Estado no domínio 
econômico, assinale a opção correta. 
a) A jurisprudênciados tribunais superiores pacificou-se no sentido de que o serviço postal — 
conjunto de atividades que torna possível o envio de correspondência ou objeto postal de um 
remetente para endereço final e determinado — consubstancia atividade econômica em sentido 
estrito, de forma que o monopólio postal do Estado, previsto expressamente na CF, não pode ser 
relativizado. 
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==11d22e==
 
 
 
 
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b) Verifica-se, na CF, a opção por sistema econômico voltado primordialmente para a livre-
iniciativa, o que legitima a assertiva de que o Estado só deve intervir na economia em situações 
excepcionais, quando necessário aos imperativos da segurança nacional ou de relevante interesse 
coletivo. 
c) A proteção à segurança nacional autoriza o Estado a deter o controle de determinadas 
atividades econômicas para a garantia da soberania e da independência da Nação, tais como o da 
exploração de minérios portadores de energia atômica e o de combustíveis fósseis, sendo o 
conceito de segurança nacional eminentemente jurídico e determinado em lei de forma taxativa. 
d) O poder constituinte derivado reformador alterou o texto original da CF, no que se refere à 
disciplina dos monopólios estatais em relação aos combustíveis fósseis derivados, e permitiu a 
contratação, por parte da União, de empresas estatais ou privadas para as atividades relacionadas 
ao abastecimento de petróleo. 
e) A Emenda Constitucional n.º 49/2006 exclui do monopólio da União a pesquisa, a lavra, o 
enriquecimento, o reprocessamento, a produção, a comercialização e a utilização de minérios e 
minerais nucleares e seus derivados, como, por exemplo, os radioisótopos de meia-vida curta, 
para usos médicos, agrícolas e industriais. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. O serviço postal consiste em serviço público exercido em regime 
de privilégio e não em atividade econômica em sentido estrito: 
“(...) A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo, a exploração do 
serviço postal e o correio aéreo nacional [artigo 20, inciso X]. 4. O serviço postal é 
prestado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, empresa pública, 
entidade da Administração Indireta da União, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 de 
março de 1.969. 
5. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz com a prestação dos 
serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas vezes, a exploração de 
atividade econômica em sentido estrito é empreendida pelo Estado. 6. A Empresa 
Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em regime de exclusividade na prestação 
dos serviços que lhe incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal. (...)” 
STF. ADPF 46. 
A alternativa B está incorreta. Ao mesmo tempo em que se busca garantir a liberdade de iniciativa, 
a livre concorrência e a propriedade privada, também se busca proteger o meio ambiente, reduzir 
as desigualdades e garantir o pleno emprego e a função social da propriedade. 
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Fica claro a intenção do constituinte de promover um equilíbrio entre o desenvolvimento 
econômico e o desenvolvimento social, sem qualquer prevalência de um sobre o outro. 
A alternativa C está incorreta. A segurança nacional é um conceito jurídico indeterminado, não há 
previsão taxativa em lei conceituando esta expressão. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Foi exatamente o que perviu a EC 9/95 
que alterou o §1º do art. 177 da CF: 
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas a realização das 
atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo observadas as condições 
estabelecidas em lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 9, de 1995) 
A alternativa E está incorreta. A EC 49/2006 só excluiu os radioisótopos de meia-vida curta, para 
usos médicos, agrícolas e industriais, mas todos os outros minérios e minerais nucleares e seus 
derivados continuam sob o monopólio da União: 
Art. 177. Constituem monopólio da União: 
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o 
comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos 
radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob 
regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta 
Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 49, de 2006) 
13. (FGV / CODEBA – Advogado / 2016) A fim de garantir a observância de determinados 
valores e princípios norteadores, o Estado intervém, de forma legítima, no domínio econômico. A 
esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
a) A atuação do Estado no domínio econômico se dá, unicamente, por meio de empresas públicas 
e sociedades de economia mista, cuja criação somente será permitida quando necessário aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. 
b) As empresas públicas e as sociedades de economia mista só poderão gozar de privilégios fiscais 
não extensivos às do setor privado quando necessário aos imperativos da segurança nacional ou 
a relevante interesse coletivo. 
c) O Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, exercerá, na forma da 
lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante e impositivo 
para os setores público e privado. 
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d) A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, 
obedecerá, dentre outros, aos princípios da soberania nacional, do dirigismo econômico e da 
redução das desigualdades regionais e sociais. 
e) O Estado, considerados os princípios gerais da ordem econômica, pode regular, por via 
legislativa, a política de preços de bens e serviços de determinado segmento econômico. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. A intervenção do Estado na ordem econômica pode ocorrer por 
meio de duas formas: 
a) Direta: quando explora diretamente atividade econômica, produzindo bens e serviços (art. 
173, CF); 
A intervenção direta por absorção ocorre quando o Estado absorve atividades da iniciativa 
privada, explorando-a de forma exclusiva. Já a intervenção direta por participação ocorre quando 
o Estado atua em regime de competição com a iniciativa privada. 
b) Indireta: por meio de normas, regulação, fomento e repressão ao abuso do poder 
econômico (art. 174, CF). 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo 
este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 
A intervenção indireta pode ainda ser dividida em direção e indução. 
i. Indireta por direção: o Estado edita regras de observância obrigatória e de incidência 
direta nas relações econômicas públicas e privadas que, se foram descumpridas, 
ensejam sanções negativas (ex.: normas editadas pelas agências reguladoras, 
tabelamento de preços etc.). 
ii. Indireta por indução: o Estado edita regras instrumentais de incidência indireta na 
atividade econômica que buscam incentivar ou desincentivar determinadas 
atividades, posturas ou condutas. 
A alternativa B está incorreta. Não podem gozar desses privilégios em qualquer hipótese quando 
exploradoras de atividade econômica em sentido estrito: 
Art. 173 (...) 
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§ 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de 
privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. 
A alternativa C está incorreta. O planejamento é impositivo apenas para o setor público. Para o 
setor privado ele é apenas indicativo: 
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado 
exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo 
este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. 
A alternativa D está incorreta. Não há previsão do dirigismo econômico como princípio da ordem 
econômica no art. 170, da CF. 
A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Características do tabelamento de preços 
de atividades da iniciativa privada: 
a) Excepcional; 
b) Justificada e limitada no tempo; 
c) Motivada pela efetivação de princípios da ordem econômica; 
d) Objetiva corrigir falhas de mercado, remover risco à livre concorrência, garantir a defesa do 
consumidor e reduzir as desigualdades sociais; 
e) Impossibilidade de fixação de preços inferiores aos custos. 
O STF, embora em decisão antiga, já entendeu que não é inconstitucional o tabelamento de 
preços quando voltado a atender outros princípios importantes para a ordem econômica. 
14. (VUNESP / CM-CAIEIRAS-SP – Procurador / 2014) Ressalvados os casos previstos na própria 
Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado 
a) não será permitida. 
b) será permitida exclusivamente às empresas públicas da União. 
c) só será permitida às empresas públicas e às sociedades de economia mista em assuntos 
estratégicos para o desenvolvimento do país. 
d) só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante 
interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
e) será permitida desde que as empresas públicas autorizadas a fazê-lo não recebam investimentos 
estrangeiros. 
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Comentários 
A alternativa A está incorreta. Ver comentários da alternativa D. 
A alternativa B está incorreta. Ver comentários da alternativa D. 
A alternativa C está incorreta. Ver comentários da alternativa D. 
A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. A intervenção direta do Estado na economia 
está prevista no art. 173, CF: 
Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de 
atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos 
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
Conforme já estudamos neste curso, a intervenção direta do Estado na economia é medida 
excepcional, fundamentada no princípio da subsidiariedade, e só pode ocorrer nos seguintes 
casos: 
a) Quando expressamente previsto na Constituição Federal (ex.: exploração de atividades 
relacionadas ao petróleo e ao gás natural – art. 177, CF); 
b) Quando demonstrar imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo, 
conforme definido em lei. 
A alternativa E está incorreta. Ver comentários da alternativa D. 
15. (CESPE / TJ-DFT / 2014) Acerca da intervenção do Estado no domínio econômico, assinale 
a opção correta de acordo com o entendimento jurisprudencial mais recente do STF e do STJ. 
a) Lei municipal que impeça a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em 
determinada área ofende o princípio constitucional da livre concorrência. 
b) Lei municipal que estabeleça horário de funcionamento de estabelecimento comercial ofende 
o princípio constitucional da livre concorrência. 
c) Lei federal que estabeleça horário de funcionamento bancário ofende o princípio constitucional 
da livre concorrência. 
d) Lei federal que imponha passe livre para deficientes físicos comprovadamente carentes a 
empresas prestadoras de serviço de transporte interestadual fere o princípio da livre iniciativa. 
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e) A ocorrência de dano a empresa em virtude de intervenção do Estado na economia, por meio 
de plano econômico que estabeleça congelamento de preços, não gera direito à indenização, 
visto que é dever do Estado intervir na economia para garantir a ordem econômica. 
Comentários 
A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. 
Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que 
impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada 
área. 
A alternativa B está incorreta. 
Súmula Vinculante 38: É competente o Município para fixar o horário de funcionamento 
de estabelecimento comercial. 
A alternativa C está incorreta. 
Súmula 19-STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da 
competência da União. 
A alternativa D está incorreta. O STF entendeu constitucional a lei federal 8.899/94 que concedia 
gratuidade para pessoas com deficiência no transporte público interestadual: 
“Em 30.3.2007, o Brasil assinou, na sede das Organizações das Nações Unidas, a Convenção sobre 
os Direitos das Pessoas com Deficiência, bem como seu Protocolo Facultativo, comprometendo-
se a implementar medidas para dar efetividade ao que foi ajustado. 4. A Lei n. 8.899/94 é parte 
das políticas públicas para inserir os portadores de necessidades especiais na sociedade e objetiva 
a igualdade de oportunidades e a humanização das relações sociais, em cumprimento aos 
fundamentos da República de cidadania e dignidade da pessoa humana, o que se concretiza pela 
definição de meios para que eles sejam alcançados. 5. Ação Direta de Inconstitucionalidade 
julgada improcedente.” (ADI 2649). 
A alternativa E está incorreta. 
A União Federal é responsável por prejuízos decorrentes da fixação de preços pelo 
governo federal para o setor sucroalcooleiro, em desacordo com os critérios previstos 
nos arts. 9º, 10 e 11 da Lei 4.870/1965, uma vez que teriam sido estabelecidos pelo 
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Instituto do Açúcar e Álcool - IAA, em descompasso do levantamento de custos de 
produção apurados pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. 
O suposto prejuízo sofrido pelas empresas possui natureza jurídica dupla: danos 
emergentes (dano positivo) e lucros cessantes (dano negativo). Ambos exigem efetiva 
comprovação, não se admitindo indenização em caráter hipotético, ou presumido, 
dissociada da realidade efetivamente provada. 
(REsp 1347136/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 
11/12/2013, DJe 07/03/2014) 
LISTA DE QUESTÕES 
1. (CESPE / TCE-RO – Procurador do MPC / 2019) Grandes empresas vão manter preços de 
produtos essenciais e não haverá aumento das tarifas de serviços públicos este ano. 
BUENOS AIRES ) O governo argentino anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas para 
conter o crescimento da inflação do país e reativar o consumo em meio a uma grave crise. O pilar 
central está em congelar preços de produtos essenciais e de serviços públicos. Argentina anuncia 
congelamento de preços para conter a inflação e estimular consumo. In: O Globo, 17/4/2019. 
Nessa situação, o pilar central da política econômica argentina informado na notícia veiculada 
constitui intervenção 
a) direta na ordem econômica, sob a forma de absorção. 
b) direta na ordem econômica, sob a forma de participação.c) indireta na ordem econômica, sob a forma de direção. 
d) indireta na ordem econômica, sob a forma de indução. 
e) indireta na ordem econômica, sob a forma de absorção. 
2. (CESPE / PGE-MT / 2016) Ao atuar como agente normativo e regulador da atividade 
econômica, o Estado dispõe de variados meios de intervenção, com vistas a propiciar o 
desenvolvimento nacional equilibrado. NÃO é considerada uma intervenção válida 
a) o estabelecimento, por lei federal, de monopólio do serviço postal. 
b) a fixação, por lei estadual, de piso salarial regional, no tocante às categorias que não tenham 
esse mínimo estabelecido em lei federal, convenção ou acordo coletivo. 
c) a criação, por lei federal, de passe livre em favor de deficientes físicos, no transporte 
interestadual. 
d) a limitação, por lei municipal, de número de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em 
determinada área. 
e) a fixação, por lei municipal, de horário para funcionamento de estabelecimentos comerciais. 
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3. (UFMT / DPE-MT / 2016) Na Europa ou na América Latina, a atividade reguladora estatal 
ganhou força a partir da segunda metade do século XX, num quadro relacionado a políticas 
inspiradas na redefinição do papel do Estado. Implementaramse programas de desestatização 
que privilegiaram a atividade privada, em detrimento da atuação direta do Estado em setores 
diversos, abrangendo áreas relacionadas a serviços considerados de interesse social. (CARVALHO, 
C. E. V. de. Regulação de serviços públicos: na perspectiva da constituição econômica brasileira. 
Belo Horizonte: Editora Del Rey, 2007.) 
Assinale a afirmativa relacionada ao sentido social atribuído à atividade regulatória estatal por 
construção doutrinária. 
a) Os objetivos sociais da atividade reguladora estatal devem ser dissociados de seus objetivos 
econômicos, a fim de garantir a consecução de interesses que não podem ser atingidos por meio 
da livre concorrência. 
b) Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da 
lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este indicativo para os setores 
público e privado. 
c) A disciplina reguladora exercida pelo Estado conduz à maior eficiência produtiva ou alocativa, 
se comparada às soluções próprias e espontâneas do mercado. 
d) As políticas regulatórias de caráter redistributivo, além dos objetivos econômicos de estímulo à 
concorrência e à eficiência, visam implementar metas sociais como a universalização do acesso a 
serviços essenciais. 
e) Quando o Estado não atua diretamente no mercado como produtor de bens e serviços, a 
regulação funciona como um mecanismo para corrigir falhas de mercado e estabelecer um regime 
concorrencial. 
4. (FCC / PGM-SÃO LUÍS-MA / 2016) Não é inusitado dentre os países da América do Sul 
passar por graves crises econômicas, experimentando trajetória de alta dos preços de produtos 
de consumo em massa, o que ocasiona aumento das expectativas inflacionárias. Alguns países, 
como a Argentina, já adotaram a política de congelamento como estratégia para conter a 
disparada inflacionária, controlando as revisões de tarifas e preços, gerando sucessivas e 
cumulativas perdas para produtores. Considere que essa seja uma conduta adotada no Brasil, de 
modo que a Administração pública federal, pelas vias legalmente previstas, impeça repasse de 
perdas inflacionárias e aumentos reais de preços nos produtos da cesta básica, bem como que 
congele tarifas de serviços públicos. Sob o prisma dos envolvidos na produção, distribuição ou 
comercialização dos referidos produtos e serviços, com base no ordenamento jurídico pátrio, 
a) não cabe responsabilização extracontratual da Administração pública, tendo em vista que, em 
matéria de intervenção na ordem econômica, mesmo medidas que imponham prejuízos aos 
administrados se legitimam caso tenham sido legalmente implementadas. 
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b) para que possa se configurar responsabilidade objetiva da Administração pública é necessário 
demonstrar que as medidas adotadas foram especiais, desproporcionais e extraordinárias, o que 
implica no dever de indenizar em razão da conduta, prescindindo da demonstração dos danos. 
c) deve haver responsabilização da Administração pública, sob a modalidade objetiva pura, tendo 
em vista que lhe é vedado intervir na ordem econômica, funcionando o princípio da livre regulação 
de mercado. 
d) pode haver responsabilização da Administração pública, sob a modalidade subjetiva, cabendo 
ao prejudicado demonstrar a ocorrência de culpa do serviço público. 
e) é possível se configurar responsabilidade objetiva da Administração pública, mesmo diante do 
cenário de atuação lícita, posto que dessa podem ter advindo danos extraordinários, excedendo 
o limite do sacrifício que poderia ser imposto aos administrados. 
5. (ESAF / PGFN / 2015) No concernente à intervenção do Estado no domínio econômico, 
indique a opção incorreta. 
a) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, o serviço postal não consubstancia 
atividade econômica em sentido estrito, porquanto se trata de exclusividade na prestação de 
serviços, denotando, assim, situação de privilégio. 
b) Na intervenção por absorção ou participação o Estado atua como agente econômico. 
c) O Estado, por meio da intervenção por direção, utiliza-se de comandos imperativos que, se 
forem descumpridos, sujeitam o infrator a sanções negativas. 
d) A exploração de atividade econômica pelas empresas públicas e sociedades de economia mista 
constitui intervenção estatal indireta no domínio econômico. 
e) A atividade econômica em sentido amplo é gênero que compreende duas espécies, o serviço 
público e a atividade econômica em sentido estrito. 
6. (NC-UFPR / PGM-CURITIBA-PR / 2015) O Município X, por meio de sua administração, 
almeja socorrer economicamente certo setor econômico local mediante a doação de bem imóvel 
para acomodação de indústria alimentícia e, na sequência, favorecê-la com isenções tributárias. 
Com a adoção dessas medidas de estímulo às atividades privadas, o Administrador almeja gerar 
empregos, melhorar a renda da população e o consumo e, consequentemente, a arrecadação de 
tributos, a fim de investir na infraestrutura municipal. A respeito do caso acima, é correto afirmar 
que se trata de exemplo de atividade: 
a) de fomento direto e indireto e também de prestação de serviço público. 
b) de fomento direto positivo e indireto negativo. 
c) de fomento econômico direto e indireto. 
d) resultante de renúncia de receita, na modalidade de fomento direto. 
e) de subvenção geral, envolvendo fomento direto e indireto. 
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7. (PGR / PGR / 2015) AS AGÊNCIAS REGULADORAS FORAM CRIADAS COM A FINALIDADE 
DE NORMATIZAR OS MERCADOS ECONÔMICOS E EQUILIBRAR AS RELAÇÕES ENTRE OS 
AGENTES. COM FUNDAMENTO NA LEI, NA DOUTRINA ESPECIALIZADA E NA 
JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PODE-SE AFIRMAR QUE: 
a) A independência das agendas reguladoras e mitigada pelo controle de juridicidade prévio 
exercido pelas suas procuradorias, que são vinculadas a Advocacia-Geral da União; pela 
possibilidade de reexame “a posteriori" de seus atos pelo Poder Judiciário; pela vinculação de 
seu poder normativo a lei; e, pelo controle financeiro realizado pelo Tribunal de Contas; 
b) A autonomia financeira e administrativa das agendas se caracterizampela liberdade de gestão, 
sendo-lhes permitido arrecadar receitas próprias e organizar suas despesas, sem ingerência dos 
Poderes Executivo ou Legislativo nos aspectos financeiros e contábeis das despesas relativas as 
atividades meio e fim; 
c) O sistema constitucional brasileiro não adota o princípio da deslegalização. Nesse sentido, o 
Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o poder normativo delegado as Agências 
reguladoras, impedindo-as de editar atos que normatizem obrigações a serem observadas pelos 
entes que compõem o mercado regulado; 
d) No plano Federal as agendas reguladoras estão previstas no texto constitucional e foram 
constituídas como autarquias, integrantes da administração direta, vinculadas a Presidência da 
República, com subordinação hierárquica entre elas e o Ministério competente para tratar da 
respectiva atividade. 
8. (CESPE / TRF-5ª REGIÃO / 2015) Assinale a opção correta acerca do papel do Estado como 
agente regulador e da competência para a atividade regulatória. 
a) A regulação econômica exercida pelo Estado consiste na intervenção direta nos setores 
econômicos considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional, ora por meio de indução 
(incentivo e planejamento), ora por meio de direção (fiscalização e controle). 
b) Apenas duas agências reguladoras brasileiras possuem previsão constitucional específica: a 
ANATEL e a ANP 
c) As empresas estatais que exercem atividade econômica em regime de monopólio sujeitam-se 
às normas de regulação do setor correspondente, estando isentas, porém, da aplicação de 
penalidades. 
d) No Brasil, diferentemente das agencies do direito norte-americano, cujos atos não se submetem 
ao judicial review, as agências reguladoras estão submetidas ao controle jurisdicional de seus atos, 
da mesma forma que quaisquer outros órgãos estatais. 
e) Predomina no Brasil a modalidade regulatória denominada autorregulação, na qual o agente 
estatal assume as funções de normatização, fiscalização e fomento dos setores econômicos. 
9. (CESPE / PGE-PI / 2014) No que concerne à intervenção do Estado no domínio econômico, 
assinale a opção correta. 
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a) É vedada ao Estado a outorga de privilégios a particulares como forma de fomento da atividade 
econômica. 
b) As hipóteses de monopólio estatal estão previstas expressamente na CF, não se admitindo a 
ampliação dessas hipóteses por legislação infraconstitucional. 
c) Vedado pela CF e pela Lei de Defesa da Concorrência, o monopólio natural ocorre quando um 
setor da economia é dominado por um único agente econômico, em razão da exploração 
patenteada e exclusiva de determinado fator de produção. 
d) O monopólio convencional não pode ser objeto de intervenção do Estado, por não constituir 
prática abusiva. 
e) Ao passo que garante aos estados o monopólio dos serviços locais de gás canalizado, a CF veda 
a delegação da prestação desses serviços a terceiros por meio de concessão. 
10. (CESPE / PGE-PI / 2014) Assinale a opção correta a respeito das disposições constitucionais 
que regulam a intervenção do Estado no domínio econômico. 
a) Nas hipóteses constitucionalmente previstas de exploração de atividade econômica 
diretamente pelo Estado, essa atividade deverá ser exercida por meio das empresas estatais, ou 
seja, empresas públicas e sociedades de economia mista. 
b) Somente por lei específica poderá ser criada empresa pública ou sociedade de economia mista. 
c) Às empresas estatais é permitido o exercício de atividade econômica em sentido estrito, sendo-
lhes defeso prestar serviços públicos. 
d) A regulação de atividades econômicas pelo Estado é excepcional, admitida apenas quando 
necessária aos imperativos da segurança nacional ou ao atendimento de relevante interesse 
coletivo. 
e) A definição das hipóteses que configuram imperativos da segurança nacional ou relevante 
interesse coletivo compete ao presidente da República, por meio de decreto presidencial, ouvido 
previamente o Conselho da República. 
11. (CESPE / TRF-1ª REGIÃO / 2013) No que se refere à intervenção do Estado no domínio 
econômico, assinale a opção correta. 
a) As reservas do setor público, modalidade de atuação governamental, compreendem a edição 
de normas de conteúdo financeiro ou fiscal por meio das quais o Estado impulsiona medidas de 
fomento ou de dissuasão da atividade econômica. 
b) Na regulação cultural, um dos tipos de atuação estatal nos diversos setores da economia, o 
Estado intervém no interesse público definindo padrões para a segurança e desestimulando a 
exploração de fatores de produção potencialmente poluentes. 
c) No Estado intervencionista socialista, a ingerência estatal na atividade econômica visa garantir 
a efetivação de políticas de caráter assistencialista na sociedade, de modo que os notadamente 
hipossuficientes sejam providos em suas necessidades básicas. 
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d) As falhas de mercado que ensejam a regulação estatal das atividades econômicas, como forma 
de intervenção indireta, incluem a assimetria informativa. 
e) Constitui intervenção indireta a atuação do Estado como empresário, situação em ele se 
compromete com a atividade produtiva e assume a gestão de empresas privadas, conforme os 
interesses de ordem social. 
12. (CESPE / TRF-2ª REGIÃO / 2011) No que se refere à intervenção do Estado no domínio 
econômico, assinale a opção correta. 
a) A jurisprudência dos tribunais superiores pacificou-se no sentido de que o serviço postal — 
conjunto de atividades que torna possível o envio de correspondência ou objeto postal de um 
remetente para endereço final e determinado — consubstancia atividade econômica em sentido 
estrito, de forma que o monopólio postal do Estado, previsto expressamente na CF, não pode ser 
relativizado. 
b) Verifica-se, na CF, a opção por sistema econômico voltado primordialmente para a livre-
iniciativa, o que legitima a assertiva de que o Estado só deve intervir na economia em situações 
excepcionais, quando necessário aos imperativos da segurança nacional ou de relevante interesse 
coletivo. 
c) A proteção à segurança nacional autoriza o Estado a deter o controle de determinadas 
atividades econômicas para a garantia da soberania e da independência da Nação, tais como o da 
exploração de minérios portadores de energia atômica e o de combustíveis fósseis, sendo o 
conceito de segurança nacional eminentemente jurídico e determinado em lei de forma taxativa. 
d) O poder constituinte derivado reformador alterou o texto original da CF, no que se refere à 
disciplina dos monopólios estatais em relação aos combustíveis fósseis derivados, e permitiu a 
contratação, por parte da União, de empresas estatais ou privadas para as atividades relacionadas 
ao abastecimento de petróleo. 
e) A Emenda Constitucional n.º 49/2006 exclui do monopólio da União a pesquisa, a lavra, o 
enriquecimento, o reprocessamento, a produção, a comercialização e a utilização de minérios e 
minerais nucleares e seus derivados, como, por exemplo, os radioisótopos de meia-vida curta, 
para usos médicos, agrícolas e industriais. 
13. (FGV / CODEBA – Advogado / 2016) A fim de garantir a observância de determinados 
valores e princípios norteadores, o Estado intervém, de forma legítima, no domínio econômico. A 
esse respeito, assinale a afirmativa correta. 
a) A atuação do Estado no domínio econômico se dá, unicamente, por meio de empresas públicas 
e sociedades de economia mista, cuja criação somente será permitida quando necessário aos 
imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo. 
b) As empresaspúblicas e as sociedades de economia mista só poderão gozar de privilégios fiscais 
não extensivos às do setor privado quando necessário aos imperativos da segurança nacional ou 
a relevante interesse coletivo. 
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c) O Estado, como agente normativo e regulador da atividade econômica, exercerá, na forma da 
lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante e impositivo 
para os setores público e privado. 
d) A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, 
obedecerá, dentre outros, aos princípios da soberania nacional, do dirigismo econômico e da 
redução das desigualdades regionais e sociais. 
e) O Estado, considerados os princípios gerais da ordem econômica, pode regular, por via 
legislativa, a política de preços de bens e serviços de determinado segmento econômico. 
14. (VUNESP / CM-CAIEIRAS-SP – Procurador / 2014) Ressalvados os casos previstos na própria 
Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado 
a) não será permitida. 
b) será permitida exclusivamente às empresas públicas da União. 
c) só será permitida às empresas públicas e às sociedades de economia mista em assuntos 
estratégicos para o desenvolvimento do país. 
d) só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante 
interesse coletivo, conforme definidos em lei. 
e) será permitida desde que as empresas públicas autorizadas a fazê-lo não recebam investimentos 
estrangeiros. 
15. (CESPE / TJ-DFT / 2014) Acerca da intervenção do Estado no domínio econômico, assinale 
a opção correta de acordo com o entendimento jurisprudencial mais recente do STF e do STJ. 
a) Lei municipal que impeça a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em 
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b) Lei municipal que estabeleça horário de funcionamento de estabelecimento comercial ofende 
o princípio constitucional da livre concorrência. 
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e) A ocorrência de dano a empresa em virtude de intervenção do Estado na economia, por meio 
de plano econômico que estabeleça congelamento de preços, não gera direito à indenização, 
visto que é dever do Estado intervir na economia para garantir a ordem econômica. 
GABARITO
1. C 2. D 3. D 
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4. E 
5. D 
6. C 
7. A 
8. B 
9. B 
10. A 
11. D 
12. D 
13. E 
14. D 
15. A 
 
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