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AVALIAÇÃO E PRESCRIÇÃO HIDROELETROLÍTICA 
 
 
 
 
A prescrição mais comum em hospitais ou pronto socorro, é a prescrição de fluidos e eletrólitos, isso 
se chama de prescrição hidroeletrolítica. 
Essa prescrição é diretamente relacionada ao estado de volemia do paciente. Vão ter pacientes 
hipervolêmicos, hipovolêmicos e euvolêmicos. Mesmo em pacientes euvolêmicos se estiverem em 
dieta zero, é preciso fazer uma fluidoterapia de manutenção para que ele não desidrate e não se torne 
hipovolêmico. 
• Utilizado diariamente em todo hospital 
• Uma das primeiras armas para estabilização vital: salva vidas (escolha correta) 
→ Hipotensão,hipovolemia, oligúria 
• Dieta zero. Veículo para medicamentos 
• É um “medicamento” e tem indicações e efeitos adversos. 
• Osmolaridade: ex. uma criança com vômitos e diarreia, não perde só água, perde eletrólitos 
também, e as vezes a mãe dá apenas água pura para a criança, e isso causa uma diluição nos 
eletrólitos restantes, causando hiponatremia aguda e a criança pode chegar no PS 
convulsionando com o Na de 110, 105, quando o normal é 140, um copo de água com uma 
pitada de sal e um pouco de açúcar – a finalidade é não só repor volume, mas repor eletrólitos 
também – para uma desidratação leve pode ser suficiente. 
• Eletrólitos. Ácido-base: Não é só a volemia que importa, tem que ver a qualidade do fluido, é 
preciso entender dos distúrbios eletrolíticos e dos distúrbios ácido-basicos, porque de acordo 
com a escolha do fluido pode agravar o distúrbio ou pode corrigir. 
• Avaliar volemia 
→ Euvolemia 
→ Hipovolemia (reposição de fluidos em formatos de ressuscitação volêmica, em geral 
é feito com bolus de volume – quantidade boa de volume em uma pequena 
quantidade de tempo, ex. 500ml em 20 min.) 
→ Hipervolemia: não é preciso dar volume. Muitas vezes é uma prescrição para manter 
veia (ex: 250ml de soro para manter veia, correr 10 ml por hora, para manter a via 
circulatória acessível sem obstrução). As vezes o paciente está tão hipervolêmico, 
que nem 250ml deve ser feito, então se possível, e o paciente tiver um bom acesso, 
pode deixar um escalpe heparinizado sem volume nenhum correndo, só para servir 
de acesso para veia, mas muitas vezes trombosa, então muitas vezes deixa só uma 
pequena quantidade mesmo para manter veia. 
 
 
 
 
 
• Qual líquido prescrever? É preciso saber a doença que o paciente tá tendo, para decidir a 
osmolaridade do fluido (soro glicosado – água com açucar, soro fisiológico – água e NaCl, 
ringer lactato – tem um pouco de NaCl, mas tem potássio e outros eletrólitos) 
• Qual a via? No PS mesmo que seja um paciente chocado, não deve perder tempo fazendo 
acesso central, a recomendação é que se puncione 1 ou 2 acessos periféricos calibrosos de 16 
ou 18, inicie a ressuscitação volêmica e depois de ter tomado as condutas iniciais mais 
importantes, aí sim pode puncionar um acesso central. 
 
 
 
 
• Ressuscitação: para pacientes hipovolêmicos. Repor perdas agudas (hemorragia, perdas GI, 
queimados). Repõe com soluções isotônicas. Para repor a volemia é soro fisiológico ou ringer 
lactato, que são as soluções que tem NaCl, portanto tem algum potencial osmótico. 
OBS.: O soro fisiológico na realidade não é fisiológico ele tem muito cloro, mais sódio, que o 
plasma da gente tem, mas passou a ser chamado dessa forma. A diferença do ringer lactato é 
que ele tem menos sódio, tem menos cloro, tem potássio e lactato também. Mas ambos são 
considerados cristaloides e ambos são eficazes em ressuscitar a volemia. Então qualquer 
choque hemorrágico qualquer choque por náusea por vômito por diarreia enfim você pode 
usar qualquer uma dessas duas soluções. 
A outra opção seria um coloide, então coloides são aquelas substâncias que tem Albumina 
dentro, por exemplo o plasma humano é um colóide ou a própria Albumina mesmo. Os 
coloides tem uma capacidade de puxar líquido do extravascular para dentro do vaso e 
teoricamente seria o mais potente, mas os estudos não mostraram benefício em você usar de 
cara como primeira escolha coloide os estudos mostraram que o cristaloide é tão eficiente 
quanto e portanto como ele é de um custo menor e tem menos risco você dar soro fisiológico 
ou ringer lactato. O plasma humano primeiro que é um recurso não só caro, mas é um recurso 
escasso que você tem que deixar para as pessoas que realmente precisam dele. 
Em qualquer emergência de qualquer lugar do mundo a ressuscitação volêmica é com soro 
fisiológico ou ringer lactato, onde tem um pouquinho mais de opção a gente tem o que a gente 
chama de plasmalyte que é um cristaloide mais recente que é mais fisiológico do que o soro 
fisiológico mas a gente tem um pouco mais dificuldade de encontrar. 
A albumina ficou como segunda opção quando eu já fiz 2, 3 litros de cristaloide, se o meu 
paciente for hipoalbuminêmico que eu tenho algumas indicações mais restritas eu posso usar 
Albumina como ressuscitador volêmico. 
O plasma só deve ser indicado como ressuscitador volêmico nos casos onde exista 
sangramento e distúrbio de coagulação associado, então o paciente é um hepatopata tem um 
TAP alargado já de 30%, tá com hemorragia digestiva alta, você corrige a coagulopatia porque 
ele precisa receber o plasma para corrigir a coagulopatia se não ele não para de sangrar e 
como o plasma tem Albumina já vai ajudar na ressuscitação volêmica, mas você não vai dar 
albumina para uma pessoa só porque Albumina dela tá baixa e não vai dar plasma só para 
refazer a ressuscitação volêmica isoladamente se ele não tiver coagulopático e com 
sangramento ativo. 
• Manutenção: para pacientes euvolêmicos. Repor perdas normais (perda insensível + urina + 
fezes). 
A manutenção não precisa ser com substâncias isotônicas, então normalmente eu vou fazer 
uma misturinha de água sal e açúcar que a gente chama de soro glicofisiológico, comumente 
a prática aqui no nosso país é de pegar um soro glicosado e adicionar uma ampola de NaCl e
 
 
 
Ressuscitação 
Cristaloide 
Coloide 
Manutenção 
Eletrólitos 
Nutrição 
Remoção- 
restrição 
Diurético 
vasodilatação 
uma ampola de KCl e você faz numa vazão aproximadamente 30 ml por kg, então por exemplo uma 
pessoa de 50kg você vai prescrever 1500ml, 30 X 50 kg, aí você pega 1500 ml de soro glicosado são 
500 ml em cada frasco, você põe uma ampola de NaCl e uma de KCl e essa mistura dá 
aproximadamente a necessidade de basal da pessoa. Ela visa manter euvolêmico, dar algum aporte 
de glicose para que você não tenha a cetose de jejum, com 100 gramas de glicose você consegue 
fazer isso por dia, não é nutrir, soro glicosado a 5% quer dizer que você tem 5 g de glicose em cada 
100 ml então se você faz um frasco de 500 ml são só 25 gramas de glicose, se você quiser só 1500 ml 
por dia não dá nem 100 g de glicose da só 75g, teria que ser 2 litros por dia para dar pelo menos 100 
gramas de glicose para evitar a cetose de jejum, então em um paciente que está com dieta zero seria 
melhor dar até um pouquinho mais. 
• Remoção-restrição: para pacientes hipervolêmicos – escalpe heparinizado (para fazer o 
diurético ou como via de acesso para fazer um vasodilatador) 
 
 
 
 
• Desidratação: sede, urina concentrada. Soro glicofisiológico(pode distribuir em 24h), soro 
caseiro 
• Hipovolemia: cefaleia, náusea, síncope, taquicardia. SF 0,9%, ringer lactato, Plasmalyte. Em 
formato de bolus. 
 
Hidratação se refere ao conteúdo de água corporal total. 
Volemia é a quantidade de líquido que está dentro do sistema circulatório, que tá correndo dentro dos 
vasos. 
Os pacientes mais difíceis de diferenciar isso são exatamente os pacientes que a gente não pode errar, 
são os cardiopatas, os nefropatas, os hepatopatas, esse trio aí é cronicamente inchado, eles são 
pacientes que se caracterizam por serem retentores de água. 
Então quando você tem um paciente com duas pernas inchadas, ele pode até estar hiperhidratado, ele 
pode ter um excesso de água corporaltotal, com ascite, com derrame pleural, anasarcado, mas ele 
pode estar hipovolêmico, no intravascular pode estar faltando líquido. Por exemplo, vamos supor que 
um paciente cirrótico crônico que tá todo anasarcado, ou um paciente nefropata crônico que faltou a 
dialise, também todo inchado ou um paciente com insuficiência cardíaca congestiva que retém líquido, 
também todo inchado, são pacientes que estão hiperhidratados, normalmente eles têm excesso de 
água Livre, esses três grupos de pacientes tem uma coisa em comum a gente prescreve dieta 
hipossódica, não pode dar dieta com sal para eles porque quanto mais sal eu der mais água ele vai
 
 
 
reter e mais inchado ele vai ficar, então deve orientar esses doentes a não comer nada salgado, mas 
quando a gente dosa o nível de sódio sérico desses pacientes, quanto mais graves e mais inchado 
estão, mais baixo é o sódio deles. Se você pega um cardiopata ICC classe 4 e ele tiver com um sódio 
de 122, isso é um marcador de gravidade da doença dele, então porque prescrever dieta hipossódica 
para uma pessoa que está com sódio de 122? Porque quanto mais sal eu der para ele comer, ele vai 
reter mais água como resposta disso e a hiponatremia dele vai ficar agravada vai para 120. 
Não existe distúrbio de sódio, a gente refere como distúrbio de sódio, mas é de água. Hiponatremia é 
excesso de água e eu trato hiponatremia com diurético, hipernatremia é falta de água e eu trato 
hipernatremia dando água. 
Para esse trio a gente costuma prescrever diurético e dieta hipossódica. Então você trata hiponatremia 
desses pacientes com diurético, você tira água livre e o sódio sobe, então são pacientes muito difíceis 
da gente avaliar a volemia, porque eles são cronicamente inchados e isso confunde a pessoa olha 
para o paciente inchado e já quer dar diurético para ele e a maioria deles precisa mesmo de diurético, 
só que às vezes eles estão sim hipovolêmicos, porque eles adoecem de outras coisas em cima da 
doença basal. 
Um dos erros mais comuns na prescrição hidroeletrolítica, é que um paciente desses 3 grupos 
principalmente (nefropata, cirrótico, cardiopata) chega no PS, as pessoas colocam dieta hipossódica, 
aí solicitam a dosagem do sódio e está muito baixa, aí prescrevem soro hipertônico, SF e ainda coloca 
NaCl dentro, porque o sódio está muito baixo, vão agravar a hiponatremia e podem inclusive precipitar 
um edema agudo de pulmão, porque se der uma solução hipertônica para um paciente que tem um 
coração péssimo, pode matar o paciente. 
 
 
 
É preciso conhecer a composição da água corporal total, que é dividido no líquido intracelular e 
extracelular e que o extracelular tem o interstício e tem o plasma. 
o líquido Vital que responde pela tua vida é o intravascular é 1/4 de 1/3, é a volemia que corresponde 
ao plasma, não é o que está no intracelular nem no interstício (imagem acima). A água corporal total 
representa 2/3 do peso corporal total. 
Fórmula da osmolaridade: 
 
A osmolaridade do sangue intravascular é fundamental para o funcionamento do cérebro, a 
osmolaridade considerada normal é de 280, se baixar muito e rápido o cérebro sofre e se subir muito 
e rápido também. O principal determinante da osmolaridade é o Na. 
 
 
 
Na emergência é importante dosar os eletrólitos, escolher o fluido de reposição de acordo com isso, 
e ter cuidado com a velocidade de reposição 
 
 
 
 
A volemia é o líquido Vital é o que tá no ventrículo esquerdo na hora que ele abre a válvula aórtica 
para ejetar na aorta, ou seja é o volume sistólico é o volume diastólico final de VE, volemia é sinônimo 
de volume sistólico, não tem nada a ver com hidratação corporal total. 
 
 
Quando tem excesso de volume causa EAP, no abdome causa ascite, causa derrame pleural, dificulta 
cicatrização, se o paciente tiver em VM dificulta a extubação. E a hipovolemia também é ruim, porque 
se não tem volemia adequada, vou ter alguns órgãos que não vão receber a quantidade de fluido que 
precisam, falta de oxigênio adequado, os órgãos sofrem hipoperfusão, hipóxia tecidual, que pode 
evoluir para disfunção orgânica e evolui para falência orgânica que são os quadros de choque, devido 
a hipoperfusão causada por hipovolemia. 
 
A história do paciente já pode ajudar, se o paciente é nefropata, hepatopata, cardiopata, chega inchado 
no OS, relatando que não tomou os remédios do coração, faltou a dialise, bebeu, comeu churrasco, 
com falta de ar, até que prove o contrário ele ta com EAP, hipervolêmico e transbordando líquido. 
Então o tratamento vai ser ou vasodilatar para caber a quantidade de liquido que está em excesso ou 
tirar a quantidade de líquido através de diurético ou diálise, dependendo da situação. Se for uma 
sobrecarga hídrica aguda o suficiente o paciente pode até infartar. 
Hipervolemia 
• História: ICC, s. nefrótica, cirrose 
• Risco EAP: 
→ Emergência hipertensiva 
→ Claudicação coronária 
• Estertores bolhosos/ creptos 
 
 
 
 
• Saturação O2, taquipneia 
• Turgência jugular, edema de MMII, congestão hepática 
• raioX – congestão 
Hipovolemia 
• História: perdas, ingestão diminuída 
• Oligúria, anúria, urina concentrada 
• Taquicardia, hipotensão 
• Mucosas secas, turgor de pele diminuído 
• Perfusão periférica 
• SEDE. Paciente pedindo água 
• Alteração dos níveis de consciência 
• Aumento das escórias (ureia e creatinina elevados, hematócrito concentrado, lactato elevado 
indicando hipoperfusão) 
• DO2/VO2 
Os pacientes francamente hipovolêmicos e hipervolêmicos são fáceis de serem identificados, o 
problema é que tem pacientes que ficam no meio do caminho e dificultam a avaliação, e é nesses 
que não pode haver erro. Ex: um paciente cirrótico, que tem ascite, derrame pleural, mas sofreu 
um assalto e foi esfaqueado e perdeu 3L de sangue, no momento que ele chega no hospital é 
lógico que ele está hipovolêmico, mas os sinais periféricos de hiper-hidratação muitas vezes 
confundem o médico na emergência, as pessoas não tem coragem de dar volume para uma pessoa 
que está inchada, hiper-hidratação não é sinônimo de hipervolemia! Ele vai fazer oligúria porque 
ele tá tendo uma hemorragia e é por hipovolemia o que resolve a oligúria desse paciente não é 
diurético por razões óbvias, é a reposição de fluidos no caso específico de sangue. 
O paciente cronicamente inchado ele também tem uma gastroenterite, ele vai estar hipovolêmico, 
ele também tem sepse, ele tem anafilaxia, ele tem hemorragias e o estigma dele é de um paciente 
que tá hipervolêmico, mas na verdade ele está é hiper-hidratado. 
 
 
 
É preciso otimizar os fluidos, é uma curva bimodal, quando dá excesso de fluido aumenta a mortalidade 
e quando dá menos também aumenta a mortalidade. 
 
 
 
 
HIPERVOLEMIA E HIPOVOLEMIA NÃO COEXISTEM! Muitas vezes para avaliar a volemia só o 
exame físico não é suficiente, pode solicitar um raio X, um ecocardiograma, para ver o enchimento das 
câmaras cardíacas, pode usar alguns monitores de débito cardíaco. 
Existem algumas condições na medicina que pode fazer volume e diurético ao mesmo tempo, uma 
delas é a rabdomiólise, porque precisa aumentar o ritmo de filtração glomerular, outra situação é em 
uma correção de uma hiponatremia euvolêmica, se o paciente está euvolêmico, eu não quero dar 
volume nem tirar, não mexe com a volemia mas mexe com a natremia, com a osmolaridade, vamos 
supor que eu dou um soro hipertônico com muito NaCl dentro então eu estou dando bastante sal e o 
litro vai sair na diurese, a diurese é como se fosse um soro ao meio, como se fosse NaCl a 0,45. Então 
efetivamente eu vou aumentar a natremia porque eu estou infundindo 1L de uma solução hipertônica 
com muito sal e com diurético vai sair um soro hipotônico então eu mexo com a natremia sem mexer 
com a volemia. 
Nunca prescrever volume para o paciente apenas por ele estar sem diurese, sem avaliar a volemia do 
paciente. Ele precisa ou de volume ou de diurético, salvo as exceções.O que é correto é coletar a história e pela história tentar supor Qual que é a volemia daquele paciente 
precisa de diurético ou de volume, depois você faz o exame físico e depois trata empiricamente e 
reavalia. 
 
 
A gente dá fluidos para um paciente para poder otimizar esse enchimento desse circuito 
cardiovascular, para otimizar o volume sistólico, o débito cardíaco e por consequência o delivery de 
oxigênio e a perfusão tecidual, que é a grande missão do sistema cardiovascular e dessa forma a 
gente não só previne e ajuda a reverter disfunção orgânica. 
• Aumentar o enchimento circulatório, precisa avaliar se o paciente realmente precisa 
• Aumentar o RV e pré-carga e assim o VS e DC e assim melhorar a perfusão tecidual 
• Prevenir e/ou reverter disfunção orgânica 
Existem 3 perguntas que devem ser respondidas quando vai prescrever fluido para alguém: 
• Se cabe volume: em uma pessoa normal cabe. Se eu infundir 1L de soro em alguém e fizer 
edema agudo de pulmão é porque o tanque dessa pessoa estava cheio e vai transbordar o 
pulmão, se não fizer edema agudo com 1 L de soro então é porque cabia, vai aumentar o 
ritmo de filtração glomerular, vai ter vontade de ir ao banheiro, vai ter um aumento da 
diurese e não vai fazer EAP, então cabe mas não é porque cabe que vocês vão infundir 1L 
de soro. 
• Se precisa de volume e se responde a volume: se tiver hipoperfusão, é preciso expandir a 
volemia das pessoas que tiverem com uma volemia que não esteja sendo suficiente para 
suprir a demanda de oxigênio tecidual. Se tiver com hipoperfusão, tem que identificar a 
causa, se for hipovolemia faz fluido. É preciso conhecer os sinais de hipoperfusão – 
paciente que tá oligúrico, o paciente que está hipotenso, que tem os sinais de hipovolemia 
que o lactato tá subindo, que a saturação venosa tá caindo. Como é que eu sei que ele 
responde ao volume que eu dou? Quando eu dou 1L de volume eu tô dando 1L de aumento 
na pré carga, eu sei que ele responde quando isso se traduz, quando um aumento da pré- 
carga leva um aumento do estiramento das fibras cardíacas, lei de Frank-Starling, aumenta 
a contratilidade e sugere um aumento do volume sistólico, por consequência o aumento do 
débito cardíaco, de delivery de oxigênio para as células e por consequência da perfusão. 
Se eu dou 1L de volume e esse aumento da pré carga não se traduz em aumento de volume 
sistólico, débito e DO2, então ele é não responsivo a volume, às vezes porque o tanque já 
ta cheio e não é essa a variável que precisa ser otimizada, talvez esse paciente precisa que 
 
 
 
• Acesso venoso profundo 
• Derrame pericárdico/tamponamento 
• Complicações mecânicas do IAM 
• DC/contratilidade 
• Enchimento das câmaras 
• Cava/respiração 
• Derrame pleural 
• Líquido livre na cavidade abdominal 
• Microcirculação 
eu faça uma droga inotrópica para aumentar por exemplo a contratilidade que é um outro 
determinante do débito cardíaco não necessariamente da volemia. 
É importante identificar quando o paciente está com sinal de hipoperfusão, qual é a causa, 
se é uma hipovolemia eu vou dar volume, se é a bomba que tá sem força de contratilidade 
eu vou dar um inotrópico, se é a pós carga que ta vasoplégica eu vou dar um vasopressor, 
se é o conteúdo arterial de oxigênio que tá deficitário por causa de uma perda hemorrágica 
eu vou fazer concentrado de hemácias, então você tem que saber avaliar os determinantes 
do DO2 (revisar isso!) 
• Quanto precisa 
Fluidoresponsivos: tem aumento do volume sistólico e do DC, apresentam resposta a intervenção, 
se não for fluidoresponsivo vai fazer EAP. Metade dos pacientes graves não respondem a fluidos. Se 
você der fluído para uma pessoa que não vai responder que não precisa, você aumenta mortalidade, 
para isso a gente tem que aprender a monitorizar, infelizmente não tem solução simples para um 
problema complexo, então tem que colocar junto a história clínica e exame físico e as medidas que a 
gente tem de avaliação da volemia de forma conjunta para decidir se esse paciente cabe e precisa e 
responde a volume ou não para você decidir quanto de volume. 
Avaliar a adequação da oferta e demanda tecidual de oxigênio é essencial para saber se precisa de 
volume. 
 
 
 
Uma das coisas que a gente tem como usar é o ultrassom à beira de leito, então a gente costuma falar 
ultrassom do emergencista, ultrassom do intensivista, você não vai fazer um ultrassom abdominal, você 
não vai olhar fígado, baço, pâncreas, vesícula, você faz um ultrassom fast para olhar se tem sangue 
livre na cavidade, se tem uma víscera maciça sangrando com hematoma de fígado, de baço, você olha 
pericárdio para ver se tem tamponamento, derrame pericárdico, você usa o ultrassom para fazer 
punção, para guiar punção de jugular, de femoral, para ajudar a drenar um tamponamento e até 
pneumotórax. 
 
 
O ultrassom se tornou o segundo estetoscópio para o emergencista e intensivista e ele tem de fato 1001 
utilidades, inclusive de ajudar a gente a avaliar se o paciente precisa de mais volume ou não, então 
quando a gente coloca na cava a gente vê quando a cava tá dilatada e o paciente inspira e expira e ela 
fica grossa assim sem flutuar provavelmente não cabe mais volume, ele pode não responder mais 
volume, já o paciente que tá seco e desidratado, ele tem uma cava murcha bem diferente daqui tá e 
quando você inspira e expira ela colaba e abre, pega um paciente desse que tá com pressão inaudível, 
não tem turgência jugular, a ausculta pulmonar tá limpa, bota ultrassom em cima da cava e vejo isso, 
ele tá francamente hipovolêmico, pega um acesso do lado e do outro e corre soro, já na hora que o 
paciente chega eu coloco ultrassom vejo isso aqui vejo uma turgência jugular, vejo uma ausculta 
pulmonar molhada, aqui não cabe mais volume, e eu vejo que o paciente está com uma pressão 
inaudível, pega um acesso e ligue uma nora, vamos subir a pressão. Aí 20 minutos, 30 minutos depois 
eu vou tendo mais dados de história, de exame e vou refinando o que foi decidido o que faz
 
 
 
 
 
 
Objetivo da terapia: otimização da volemia 
Alcançar e manter a menor pressão de enchimento necessária para garantir a otimização da DO2 sem 
agravar o extravasamento de líquidos para o terceiro espaço. 
 
Na hidratação basal, em geral na Pediatria tem vários cálculos para fazer a prescrição de fluidos que 
vai ser de acordo com peso do paciente, no adulto não existe evidência nível A para a quantidade, é 
bem empírico, mas em geral é universalmente aceito que você inicie com essa conta se você não 
conhece paciente, não sabe comorbidade, não sabe nada dele, ele tá euvolêmico, você quer uma 
manutenção da euvolemia, você vai fazer um cálculo de aproximadamente 30 ml por Kg, se for 50 kg 
1500ml para 24 horas, 60kg você não vai botar 1800 , vai colocar 2L para 24 horas, 70 quilos 
2.100ml, aí você vai escolher ou deixar 2L ou 2,5L, como é que você escolhe? Se for uma pessoa 
jovem, sem comorbidade, sem cardiopatia, eu escolho 2.500ml, se for um idoso de 80 anos eu escolho 
2L. Para avaliar se a escolha foi certa precisa fazer uma reavaliação, eu fiz 1500ml o paciente disse 
que tava com sede, o turgor da pele ficou ruim, a mucosa ficou desidratada eu errei, então na próxima 
prescrição eu subo ou então ele passou a noite urinando, tá com a mão inchada, a pressão sobe, errou 
para mais, então é bem empírico mesmo, mas é aproximadamente a necessidade basal em torno de 
30 ml por Kg. E a necessidade vai dependendo do status volêmico, a gente já viu no começo da aula 
que se o paciente tiver hipervolêmico, eu não vou deixar ele com 1.500 com 2L de basal, eu vou deixar 
ele só com soro para manter veia, se ele tiver hipovolêmico, eu também não vou prescrever essa 
hidratação basal, eu vou primeiro fazer a prescrição fluida de ressuscitação, ou seja eu vou fazer bolus 
de 500ml, de 250ml ou de 1 L em 20 a 30 minutos, quando eu conseguir tirar ele do estado de 
hipovolemia, jogar ele noquadro de euvolemia, aí é que eu início a hidratação de manutenção com 30 
ml por Kg. No euvolêmico vai depender da comorbidade basal dele, se for um paciente que já é 
cardiopata, já é nefropata, já é hepatopata, não vou fazer os 30 ml cheio ou então é um jovem de 30 
anos ele tem tem 60 kg seria 1800, só que ele tá com febre de 40 graus a noite inteira, eu já deixo 
2500 porque ele vai ter uma perda excessiva maior. Então essa história de saber quanto de volume 
exige reavaliação do paciente para ajustes, vai depender das comorbidades, da idade, da capacidade 
cardíaca, da doença de base, da chance que você estima do que ele tá previsto perder nas próximas 
horas, se está vomitando, se está com diarreia, eu não tenho expectativa que nas próximas 12h isso 
vai parar de forma rápida, se é um grande queimado que tem muita perda cutânea ou é um idoso frágil. 
 
• Pele 
• Respiração 
• Renal 
• Desvios rápidos dos líquidos internos 
• Gastrointestinais 
• Temperatura ambiente, umidade 
• Temperatura corporal 
 
 
 
• Suor: 100-2000ml/hora 
• Febre: >100-150ml/dia para cada grau de TC>37º 
 
Perdas insensíveis pela pele, as perdas que dá para gente quantificar de uma forma objetiva é a 
diurese, a diarreia, as vezes você pode pesar aquela quantidade numa fralda, mas é difícil, vômito 
você não tem como quantificar, se tiver com a sonda nasogástrica, tem como quantificar o débito da 
sonda nasogástrica, mas eu não tenho como quantificar as perdas da pele, a perda de um paciente 
dispneico, você pode estimar, mas com certeza na febre cada hora de febre você perde bastante fluido 
e você tem que tentar quantificar isso em torno de 100 a 150 ml para cada grau acima da temperatura. 
 
 
 
Existem várias formas de desidratação e aí a reposição fluida tem que ser de acordo com o tipo 
de desidratação que você tem. 
• Desidratação isotônica: perde água e sal (fluidos + eletrólitos – diuréticos, vômitos, 
poliúria, hemorragia, diminuição do aporte de fluidos) 
• Desidratação hipertônica: perde mais água do que sal (hiperventilação, febre alta, 
diarreia aquosa, jejum prolongado, fluidos hipertônicos, NaHCO3, dieta SNG sem H2O) 
• Desidratação hipotônica: perde mais sal do que água (fluidos passam do LIV para O 
LIC levando à perda de volume vascular e choque, calor excessivo, edema celular – 
aumenta a PIC, causa cefalei e convulsão) 
A isotônica que é a mais comum, é o que você tem nos vômitos, nas hemorragias, diuréticos, 
poliúricos, diminuição do aporte de fluidos e você vai repor com soro fisiológico, com fluidos e 
com eletrólitos. 
Mas você pode perder mais água do que sal, existe alguns exemplos que são característicos. 
A poliúria onde você perde mais água e sal, é no diabetes insipidus, a gente entra na UTI e 
quando olha a bolsa de diurese tá cheia de diurese e branca parece água pura, então você já 
pensa que ele tá com diabetes insipidus, pode ser um efeito colateral de alguma droga de uso 
dos psiquiatras, por exemplo, pode ser um diabetes insipidus central nefrogênico ou um 
problema de um tumor cerebral, a diarreia por cólera é uma diarreia água pura. 
Então como é que eu vou fazer a reposição volêmica, tem que dar mais água do que sal, se 
puder repor pela boca, tem gente que tem diabetes insipidus e urina 15 litros em 24 horas, aí 
você deixa uma jarra de água do lado ele bebe 15 litros de água, ele mesmo se equilibra, ele 
tem a sede ele bebe. Agora se ele tivesse sedado, se ele tiver Alzheimer, se ele for um idoso 
com demência, ele morre, ele choca, porque você não deu água para ele de volta que ele tá 
perdendo naquela poliúria. 
A febre alta tende a ser uma desidratação mais hipertônica, então importante você saber o que 
causa o que e a interpretação e tem também a do calor excessivo dos maratonistas seria uma 
desidratação mais hipotônica mais perda de soluto do que de água. 
 
 
• REPOR: perdas anormais (GI, perdas contínuas, sepse, e choque hipovolêmico) 
→ SF 0,9%, RL 
• MANTER: perdas insensíveis + urina 
→ SF 0,45% + SG 5% (adulto) + K 20 mEq 
→ SF/4 + SG5% (adulto) + K 20mEq 
• Corrigir déficit: ácido-base, eletrólitos 
→ NaHCO3 8,4% 
→ KCl 25 mEq/25ml 
 
 
 
→ NaCl 3% 
A hidratação basal normalmente vai ser feita com água e eletrólitos, aquele paciente que tá 
euvolêmico, você vai fazer uma misturinha de água e eletrólitos, você pode fazer 250 ml de soro 
glicosado, com 250ml de soro fisiológico, colocar uma ampola de KCl, você pode fazer soro glicosado 
com uma ampola de NaCl, uma ampola de KCl, uma mistura glicofisiológica, para manutenção, agora 
se for hipovolemia para reposição volêmica, para expansão volêmica, tem que ser isotônico, a gente 
usa o que se chama de SF 0,9% chama de fisiológico mas não é, ringer lactato ou plasmalyte, que é 
o mais novo, a gente tem pouco acesso, mas já tem no Brasil, então vai fazer a ressuscitação volêmica 
com essas drogas e algumas situações você vai ter que mexer com a osmolaridade, com a natremia, 
fazendo soros hipertônicos. Mesmo a solução isotônica o soro fisiológico, ringer lactato, o plasmalyte, 
ele fica muito pouco no intravascular , se você joga 1L, vai ficar 1/5 disso no intravascular e ⅘ vão sair, 
então você faz aquela reposição volêmica, mas sabendo que isso vai contribuir para ele ir para o 
interstício e ele vai inchar, por isso que pacientes graves no hospital ficam com os dedos inchados, 
com os pés inchados, pelo excesso de soro, porque o soro que você dá extravasa depois, mas uma 
parte fica e os hipotônicos ficam menos ainda, então realmente hipotônico não é adequado para 
paciente que tá hipovolêmico, que você quer expandir a volemia, porque fica muito pouco no 
intravascular e tem os hipertônicos, a salina a 3% que a gente chama de salgadão que a gente usa 
para corrigir distúrbios onde o paciente tem uma hiponatremia sintomática com sintoma neurológico, e 
o hipotônico que é mais no sentido de manter volemia mais como fonte de infusão de eletrólitos e água 
para manutenção. 
✓ Isotônico: SF 0,9%, ringer lactato e plasmalyte – repõe perdas agudas, aumenta LEC 
✓ Hipertônico: SF 0,9% + SG5%, ringer + SG5%, NaCl 3% - aumenta LEC 
✓ Hipotônico: 5% dextrose – repõe perdas normais

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