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Pólipos e Poliposes: · Pólipo é um termo genérico que se refere a qualquer elevação macroscópica da mucosa, independente da sua origem ou morfologia. Portanto, pólipo é um termo SEM qualquer significado histológico. · Pólipo séssil = aqueles pólipos sem um pedículo mucoso (ou seja, o pólipo está totalmente sequencial com a mucosa, não tendo um afilamento de sua estrutura que o comunique com a mucosa) · · Pólipos pediculados = aqueles pólipos que apresentam um pedículo comunicando o pólipo e a mucosa · · Tipos Histológicos dos Pólipos: · Tem-se basicamente 3 tipos histológicos de pólipos: · Neoplásicos · Hamartomas · Serreados · Pólipos Neoplásicos: · Histologia do Epitélio Colônico · · Observa-se que a mucosa é formada por um epitélio disposto em criptas e vilosidades, tendo abaixo dela uma lâmina própria · Abaixo da mucosa há a camada muscular da mucosa, que é a porção mais inferior da mucosa, delimitando inferiormente essa mucosa · Abaixo da muscular da mucosa, tem-se a submucosa, onde estão os vasos e a inervação · Esse epitélio colônico é mantido a partir de um equilíbrio tecidual entre a divisão celular e a apoptose dessas células epiteliais. · A renovação desse epitélio (também chamado de turnover) se dá a partir da migração das células mais profundas nas criptas intestinais em direção a superfície do epitélio, de modo que as células mais profundas substituem as células mais superficiais · Essa migração celular demora cerca de 3-8 dias, de modo que a renovação do epitélio colônico ocorre em 3-4 dias. · Dessa forma, percebe-se que as criptas intestinais possuem 3 regiões distintas: · Porção mais profunda/inferior -> formada por células pouco diferenciadas (sem características de células intestinais, sem células caliciformes), e com alta capacidade de mitose · Porção intermediária -> formada por células diferenciadas (células com característica intestinal, já havendo células caliciformes) · Porção mais superficial/superior -> formada por células “envelhecidas”, onde há predomínio da apoptose · · Por ser a porção mais inferior da cripta a que se multiplica, ela é mais suscetível a sofrer com alterações da divisão celular, de modo que pode ser dividir exageradamente sem se diferenciar. Isso provoca uma ampliação da zona proliferativa, que somada a redução da apoptose das camadas mais superficiais das criptas gera um pólipo neoplásico. · · · Adenomas ou Carcinomas Intramucosos: · Todo esse processo descrito anteriormente, de proliferação das células da cripta, se dá a nível de mucosa intestinal, de modo que o pólipo originado desse processo pode ser chamado de uma neoplasia intramucosa (uma vez que está contida a mucosa também em um primeiro momento) · · Por estar restrito à mucosa, não invadindo vasos sanguíneos ou linfáticos presentes na submucosa, essa lesão é caracterizada como BENIGNA (não tendo risco de malignização enquanto estiver nesse estado, de modo que só ocorre malignização quando afetar os vasos sanguíneos ou linfáticos da submucosa) · Podem ser classificados em 2 grupos conforme a densidade do estroma desse pólipo neoplásico: · Tubular – lesão de estroma mais denso, formando uma estrutura mais firme. Tende a ser um pólipo pediculado · · Viloso - estroma menos denso, dando um formato em “franjas” ao pólipo, que se apresenta mais macio. Por essa conformação, os pólipos adenomatosos vilosos tendem a ser sésseis · · Dessa forma, resumidamente, os adenomas ou carcinomas intramucosos são: · Distúrbios proliferativos da mucosa colônica · Não ultrapassam a camada muscular da mucosa · Sintomas e Sinais: · Frequentemente são ASSINTOMÁTICOS (até por serem em número reduzido) · Sintomatologia depende de tamanho e localização, podendo gerar sangramento, perda de muco (que é mais característico do adenoma viloso), cólicas (quando se tem algum grau de obstrução em função do pólipo) · Risco de Malignização: 5-20% · Nesse caso, quando a malignização ocorre, deixa-se de ter um adenoma restrito à mucosa, e passa-se a ter um carcinoma invasivo (neoplasia maligna), que invade a mucosa e se dissemina pelos linfáticos da submucosa · · A malignização é +COMUM nos adenomas VILOSOS (posto que costumam ser sésseis, o que aumenta a área de contato com a mucosa) · Tratamento: · Na maioria dos casos, que são lesões pequenas, o tratamento pode ser feito simplesmente por uma polipectomia endoscópica · Pólipos de maior tamanho, podem ser retirados através de mucosectomia ou dissecção submucosa, ambos por endoscopia · Lesões mais extensas, com suspeita de malignidade, deve-se biopsiar no 1º momento da colonoscopia, e caso seja confirmada a malignidade da lesão biopsiada, tem-se de fazer a ressecção cirúrgica com colectomia + linfanectomia para estadiamento · · Pólipos Hamartomatosos (Hamartomas): · São pólipos não neoplásicos · Formados por tecido conjuntivo e retenção mucoide · Mais frequente em crianças · Tipos: · Pólipo Juvenil (sem malignização) – costumam ser pólipos isolados, afetando crianças < 10 anos de idade. Geralmente se manifestam através de sangramentos, mas SEM malignização · Pólipo na Síndrome de Peutz-Jeghers (associado com malignização) – gera uma polipose · Tratamento: como muitas vezes não se tem certeza da benignidade da lesão, o tratamento acaba sendo polipectomia endoscópica · Pólipos/Adenomas Serreados: · O nome serreado faz referência ao aspecto histológico da lesão, em que ao invés de ter um aspecto tubular (como no adenoma tubular), no adenoma serreado esse lúmen das criptas é irregular · · Pode ser de 3 tipos: · Pólipos Hiperplásicos: · Presentes em 50% dos indivíduos acima de 60 anos · Correspondem a 80-90% das lesões serreadas · Menores que 5mm · Usualmente sésseis · Mais frequentes em cólon distal e reto · SEM potencial de malignização · · Adenomas Serreados Sésseis: · Correspondem a 18-22% das lesões serreadas · Representam 3-9% dos pólipos colônicos · Também são menores que 5mm · Usualmente sésseis e macios · Mais frequentes em cólon proximal · São uma lesão pré-maligna · · Como pode se observar na imagem, o seu diagnóstico pode ser difícil, uma vez que não gera massa exofítica muito exuberante, estando geralmente recoberto por muco · Adenomas Serreados Tradicionais: · 0,6-1,3% das lesões serreadas · Maiores que 10mm · Frequentemente pediculados · Aspecto cerebriforme · Mais frequentes em cólon distal · Igualmente é uma lesão pré-maligna · · Tratamento: independente da forma de pólipo serreado, o tratamento é o mesmo pelo risco de malignização, sendo sempre feito a polipectomia endoscópica · Poliposes Colorretais: · É definida como a presença de um grande número de pólipos em cólon e reto, NÃO dependendo de um número específico de pólipos (até por muitas vezes estarem em quantidades incontáveis) · As poliposes podem apresentar tipos histológicos diferentes, o que faz com que elas tenham potenciais de malignidade diferentes. · As poliposes colorretais geralmente não ocorrem de forma isolada, mas sim dentro de síndromes, em que uma das manifestações é a polipose. Essas síndromes, por sua vez, geralmente possuem um caráter hereditário. · Polipose Adenomatosa Familiar (PAF): · Doença hereditária de alta penetrância (ou seja, quem apresenta a alteração genética dessa doença possui grande chance de manifestar a doença) · O número de pólipos adenomatosos em cólon e reto é bastante variável, podendo ser de dezenas a milhares de pólipos · Causada por mutação no gene APC · Gene APC é responsável pela codificação de uma proteína supressora do ciclo celular, de modo que com a sua mutação não há mais esse “freio” para a multiplicação celular · Idade média do aparecimento de sintomas se dá em torno de 25 anos · Cerca de 20% dos pacientes NÃO apresentam uma história familiar típica, em que o paciente apresenta o gene por uma mutação e não por um fator hereditário. · Além de pólipos em cólon e reto, a polipose adenomatosa familiar possui uma alta incidência de pólipos duodenais · Incidência de câncer colorretal é em torno de 100% (posto que esses diversos pólipos adenomatososcaracterísticos da doença possuem um risco de 5-20% de malignizarem, e como há dezenas até milhares deles, é muito grande a chance de ao menos um deles malignizar) · Representa 1% do total de câncer colorretal · O gene APC é um gene comprido, de modo que pode sofrer alterações em diferentes posições de sua extensão, em que haverá apresentações fenotípicas diferentes da doença conforme o local afetado · Ex: as mutações FAP se dá entre o códon 200 e o códon 1600, sendo que 1/3 das mutações FAP ocorrem entre o códon 1061 e 1309. Formas severas da FAP geralmente envolvem alterações entre o códon 1250 e 1464. Formas brandas/atenuadas da FAP costumam ocorrer por alterações entre os códons 1-163 e 1860-1987. · Manifestações Extra-colônicas: · Adenoma duodenal (24-100%) · Hipertrofia de retina (CHRPE) (58-92%) · Osteomas (14-93%) · Cistos epidermoides (50%) · Pólipos hiperplásicos (8-44%) · Tumores desmoides (4-29%) · Adenoma gástrico (2-13%) · Síndrome de Gardner: · É uma variação de polipose adenomatosa familiar, caracterizada por manifestações extra-colônicas como: · Osteomas (protuberâncias ósseas em mandíbula, maxila, crânio etc.) · Tumores de partes moles (fibromas, cistos sebáceos, lipomas) · Tumores desmoides (tumorações fibrosas de crescimento lento, mas que pode atingir grandes volumes, sendo um fator de mortalidade para os portadores de síndrome de Gardner) · Síndrome de Turcot: · É uma variação da polipose adenomatosa familiar caracterizada por tumores neurológicos (como glioblastomas, astrocitomas etc.) · Polipose Adenomatosa Familiar Atenuada: · Por ser uma forma atenuada, gera um número menor de adenomas, ficando em torno de 10-100 pólipos apenas · Aparecimento tardio (somente > 40 anos) · Baixo risco de malignização · As mutações do gene APC ocorrem nas suas extremidades · Cerca de 8% do total de PAFs · Polipose Associada ao gene MYH (MAP): · É uma variante da PAF, em que tem um padrão hereditário recessivo, fazendo diferencial com a PAF atenuada (só sendo diferenciável por sequenciamento do gene APC e do gene MYH) · Nessa forma, ao invés de a mutação ocorrer no gene APC, a alteração se dá pela inativação do gene de reparo MUTYH · Os pólipos também aparecem só mais tardiamente, somente > 45 anos · Por ter um padrão de herança recessivo, é mais comum ter casos sem história familiar evidente · Número de adenomas também é reduzido, tendo-se em torno de 10-100 adenomas · Risco de malignização: 93x · Tratamento da Polipose Adenomatosa Familiar: · Como é uma doença que tem 100% de chance de malignização, o tratamento é necessariamente cirúrgico, com ressecção dos pólipos. · Caso o reto esteja pouco comprometido -> colectomia total + anastomose ilerorretal · · Caso o reto esteja muito comprometido -> proctocolectomia + bolsa ileal · · Caso não se tenha como fazer a bolsa ileal, faz-se no lugar uma ileostomia definitiva · Poliposes Hamartomatosas: · Tem-se 2 poliposes hamartomatosas: · Síndrome de Peutz-Jeghers · Polipose Juvenil · Síndrome de Peutz-Jeghers: · Igualmente é uma condição hereditária · Caracterizada por pólipos hamartomatosos em intestino delgado, grosso e estômago · Frequentemente gera pigmentação em lábios, pele periocular e perianal · · Relacionada com incidência maior de câncer colorretal · Tratamento: NÃO requer necessariamente uma colectomia profilática como na PAF, podendo-se fazer apenas uma polipectomia + controle · Polipose Juvenil: · Caracterizada pelo aparecimento de pólipos hamartomatosos em indivíduos abaixo de 20 anos de idade · · Igualmente relacionada com uma incidência maior de câncer, provavelmente por uma degeneração adenomatosa · Tratamento: NÃO requer necessariamente uma colectomia profilática como na PAF, podendo-se fazer apenas uma polipectomia + controle.