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Química Geral Experimental II Prof. Dr. Marcelo Moizinho Oliveira Prof. Dr. Marcelo Moizinho Oliveira PREFÁCIO Este material foi desenvolvido com o objetivo de orientar o aluno no preparo de al- gumas soluções e levá-lo a entende para que as mesmas são utilizadas. Práticas simples foram selecionadas de diversas fontes bibliográficas as quais se encontram nos roteiros. Tais fontes devem ser consultadas para maiores detalhes uma vez que contêm muitas informa- ções relacionadas a experimentos envolvendo materiais alternativos. Aliás, isso foi uma pre- ocupação, pois sabe-se que nem sempre se dispõe de vidrarias e reagentes necessários para realizar um experimento. Por fim, espero que apreciem a disciplina. 5Química Geral Experimental II Sumário 1. Preparo de Soluções - Concentração g/L e mol/L ...........................................................................7 2. Titulação Ácido-Base ...............................................................................................................................11 3. Determinação do Teor de Ácido Acetilsalicílico em Comprimidos .........................................15 4. Determinação do Ácido Acético no Vinagre ...................................................................................17 5. A Química da Vitamina C ........................................................................................................................19 6. Acidez do Leite ...........................................................................................................................................21 7. Soluções Saturadas ..................................................................................................................................23 8. Solubilidade ................................................................................................................................................25 9. Solubilidade e Temperatura ..................................................................................................................27 10. Solubilidade e o Solvente ......................................................................................................................29 11. Sempre Cabe Mais Um ............................................................................................................................31 12. Soluções Supersaturadas .......................................................................................................................33 13. Solubilidade de Gases em Líquidos. ..................................................................................................35 14. Estudando a Influência de um Catalisador ......................................................................................37 15. Trabalhando com a Polaridade das Ligações..................................................................................39 16. Identificando o Oxidadnte e o Redutor de uma Reação ............................................................41 17. Produzindo Chuva Ácida ........................................................................................................................43 18. Influência da Temperatura na Pressão de um Gás ........................................................................45 19. Lei de Charles .............................................................................................................................................47 20. Folheando com Cobre .............................................................................................................................49 21. Extração com Solvente ...........................................................................................................................51 22. Tratamento de Água para o Consumo Humano............................................................................53 23. Produção de Aguardente de Cana ......................................................................................................55 24. Cola de Caseína..........................................................................................................................................57 25. Análise de Bebidas....................................................................................................................................59 26. Efeito de Detergentes Sobre a Tensão Superficial da Água .......................................................61 27. Crescendo Cristais ....................................................................................................................................63 28. Produção de Sabão em Barra ...............................................................................................................65 29. Fabricação de Sabonetes Artesanais .................................................................................................67 6 Química Geral Experimental II 7Química Geral Experimental II 1. Preparo de Soluções - Concentração g/L e mol/L Introdução Em Química, solução é o nome dado a dispersões cujo tamanho das moléculas dis- persas é menor que 1 nanômetro (nm). A solução ainda pode ser caracterizada por formar um sistema homogêneo (a olho nu e ao microscópio) e por ser impossível separar o disperso do dispersante por processos físicos. A quantidade de soluto dissolvida em uma quantidade de solvente nos dá um valor que chamamos de concentração da solução. A concentração de uma solução é tanto maior quanto mais soluto estiver dissolvido em uma mesma quantidade de solvente. A concentração das soluções pode ser expressa de diversas formas. O que se en- tende simplesmente por concentração é a quantidade de soluto existente em relação ao volume da solução. )( )( LV gmC = (1) A concentração molar ou concentração em mol/L é a relação entre o número de mol do soluto e o volume da solução (em Litros, expressa na unidade mol/L). (2) Com n = m(g)/MM(g/mol), em n - quantidade de matéria, m – massa molar do soluto em gramas (g) e MM – massa molar do soluto em g/mol. Objetivo Praparar uma solução 0,05g/L e 0,01mol/L de NaCl e 0,005g/L e 0,001mol/L de H2SO4 OBS.: O volume será definido pelo professor ou tutor. Materiais e Reagentes Água destilada Balão Volumétrico Béquer Sal (NaCl) Balança Pisseta H2SO4 concentrado Funil Vidro de relogio Bastão de Vidro Espátula )()/(( )( LsoluçãodaVxmolgsolutodomolarmassaMM gsolutodomM − = 8 Química Geral Experimental II Procedimento Experimental • Faça os cálculos para achar a massa necessária para o preparo das soluções. No caso de substâncias líquidas, utilize a sua densidade e pureza para achar o volume necessário. • Em seguida, pese esta quantidade e dissolva um pouco de água destilada para facili- tar a transferência para o balão (no caso de sólidos). • No caso do ácido, pipete o volume achado e transfira para o balão volumétrico que já contenha um pouco de água destilada. • Transfira a solução para o balão volumétrico. Coloque a água na metade do balão e agite. • Em seguida, complete com mais água e, quando estiver próximo a marca de aferição, pare e complete com a pisseta. CUIDADO! Sempre adicione ácido na água e nunca o contrário. Você sentirá um aumento brusco na temperatura da solução, no caso do ácido sulfúrico atingir os 200 oC, temperatura superior ao da ebulição da água, e isso pode fazer com que a solução seja ejetada do balão podendo causar sérias queimaduras. LEMBRE-SE SEMPRE DE VERIFICAR OS RÓTULOS DAS SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS ANTES DE USÁ-LAS! Referência SOLUÇÕES. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Solu%C3%A7%C3%A3o >. Exemplo de como calcular a massa para uma concetração g/L. O professor da disciplina Química Geral II solicitou que a turma preparasse 100 mL de uma solução de NaCl de concetração 2g/L. Como fazer Cálculos: Pelo dado de concentração que nos foi dado faremosa seguinte relação: Ou seja, precisamos pesar 0,2g de NaCl para obtermos a concetração desejada. Para sabermos se nossos cálculos estão corretos basta utilizar a definição de concentração comum. Logo, nossos cálculos estão corretos. Lg L gC /2 1,0 2,0 == 9Química Geral Experimental II Exemplo de como calcular a massa para uma concetração mol/L. Para um sólido: Agora o professor da disciplina Química Geral II solicitou que a turma preparasse 100 mL de uma solução de NaCl de concentração 0,5 mol/L. Como fazer Cálculos: Precisamos cálcular a massa do soluto (NaCl), em gramas. Isto é necessário para preparar a solução na concentração solicitada. Também será necessário saber a massa molar do soluto. Consultando a tabela periódica temos que a massa atômica do Na é igual a 23 g/mol e do Cl 35,5 g/mol. Assim a massa molar do NaCl é a soma das massas atômicas dos elementos que compõem a substância, ou seja 58,5 g/mol. Utilizando a expressão de concentração mol/L temos: Portanto, será necessário pesar 2,925g de NaCl para preparar a solução de concentração 0,5 mol/L. Para um líquído: Agora o professor da disciplina Química Geral II solicitou que a turma preparasse 100 mL de uma solução de HCl de concentração 0,5 mol/L. Dados: a densidade do HCl é 1,19 g/ cm3 e a pureza 36%. Como fazer Cálculos: Nesse exemplo observamos que o reagente não é 100% puro, logo não pode- mos utilizar a expressão de concentração molar diretamente. Para isso existem relações entre as concentrações a fim deacharmos o volume necessário para prepararmos a solução (observe que agora estamos falando de volume e não mais de massa). Passo 1: Cálculo da concentração comum do ácido concentrado. A relação entre concentração comum, densidade e título (%) é dada pela seguinte expres- são: C = d.t.1000 (o 1000 é o fator de conversão de mL(cm3) para L) Logo, C = 1,19 g/mL.0,36.1000 = 428,4g/L (observe o valor da pureza, pois 36% = 36/100 = 0,36) Lxmolg gsolutodom LsoluçãodaVxmolgsolutodomolarmassaMM gsolutodomM 1,0/5,58 )( )()/(( )( = − = 2,925g1,0/5,58/5,0)( == LxLmolxLmolgsolutodom 10 Química Geral Experimental II Passo 2: Agora vamos achar a concentração mol/L do ácido concentrado. A relação entre concentração comum e a concentração mol/L é dada por: Sabendo que a massa molar do HCl é 36,5 g/mol temos: Essa é a concentração em mol/L da solução concentrada de HCl. Passo 3: Para acharmos o volume necessário da solução concentrada para prepararmos o solução desejada, utilizaremos agora a relação de diluição, M1.V1 = M2 .V2. Logo: M1 = 11,7 mol/L, V1 = ?, M2 = 0,5 mol/L e V2 = 100 mL = 0,1 L. Assim: 11,7 mol/L . V1 = 0,5 mol/L . 0,1 L V1 = 0,004 L = 4 mL Portanto, o volume do ácido que utilizaremos para preparar a solução pedida será 4 mL. )/( )/( molgMM LgCM = Lmol molg Lg molgMM LgCM /7,11 /5,36 /4,428 )/( )/( === ⇒ 11Química Geral Experimental II Introdução Na ciência e na indústria, frequentemente, é necessário determinar a concentração de íons em soluções. Para determinar a concentração de um ácido ou uma base é utilizada a titulação. A titulação utiliza o fato de que ácidos são neutralizados por bases pra formar sal + água. A equação da reação de neutralização é: H+ + OH- H2O Significando que um íon hidrogênio neutraliza um íon hidroxila. O número total de íons hidrogênio é igual ao volume da solução multiplicando pela concentração de íons hi- drogênio. O ponto em que uma solução ácida for completamente neutralizada por uma solu- ção básica é chamado de ponto de equivalência e o número de íons H+ é igual ao número de íons OH-. As concentrações de muitos compostos são usualmente expressas como mol/L, e as concentrações de ácidos e bases são frequentemente expressas em normalidade (N). Assim, a normalidade de um ácido ou base é o número de equivalentes (nE), por litro de solução. Onde, MM é a massa molecular, m é a massa em gramas, E é o equivalente grama e ν é o número de íons ionizáveis H+ ou OH-. Então podemos dizer que a concentração mol/L de um ácido ou de uma base multiplicada pelo número de hidrogênios ionizáveis ou hidroxilas é igual a sua normalidade. Além disso, o número de mols de um ácido ou base multiplicado pelo número de hidrogênios ionizáveis ou hidroxilas é igual ao que denominamos de equivalentes. Quando a base neutraliza completamente um ácido (ou vice versa), o ponto pode ser detec- tado com um indicador, que muda de cor com um excesso de íons H+ ou OH-. Fenoftaleína é um indicador desse tipo, quando em meio ácido a fenoftaleína é incolor; mas com excesso de íons OH- numa solução ela se torna cor de rosa. Nesta experiência você verá como preparar uma solução de NaOH e como padronizá-la usando um ácido de concentração conhecida (padrão). Objetivos • Determinar a concentração de uma base por titulação; • Dominar a técnica de titulação. Materiais e Reagentes Béquer (2 de 100 mL e 2 de 250 mL) Bastão de vidro Pipeta volumétrica Balão volumétrico de 100 mL Espátula e garras Água destilada Erlenmeyer Bureta Balança Fenoftaleína Ácido oxálico 0,10 mol/L Suporte universal Hidróxido de sódio Titulação Ácido-Base 2. 12 Química Geral Experimental II Procedimento A- Preparo da solução de NaOH 1- Pese um béquer pequeno (100 mL) e seco. Rapidamente coloque a massa necessária de NaOH, calculada previamente, com a ajuda de uma espátula. Acrescente ao béquer ± 30 mL de água destilada e agite com um bastão de vidro até dissolver as pastilhas. 2- Transfira a solução para um balão volumétrico de 100 mL. Em seguida, com uma pisseta, enxágue as paredes do béquer e o bastão de vidro, transferindo a água para o balão. Repita este procedimento por mais duas vezes. 3- Finalmente complete o volume do balão com água, até a marca dos 100 mL. Neste caso, a medida do volume final não precisa ser muito precisa. B- Padronização da solução de NaOH 1- Monte uma bureta no suporte universal, utilizando uma garra para fixá-la, conforme mos- trado na Figura 1, abaixo. Lave a bureta com um pouco da solução de detergente com água, colocando ± 5 mL e esvaziando-a em seguida num béquer de 250 mL. 2- Enxágue a bureta com um pouco de solução de NaOH que você preparou, antes de usá-la. Faça isso duas vezes. Em seguida encha a bureta com a solução de NaOH, zere-a recolhendo o excesso de solução em um béquer, de forma que o menisco fique na marca do zero. Verifi- que a parte abaixo da torneira está cheia de líquido. Desta forma, a bureta está pronta para iniciar uma titulação. 3- Separe três erlenmeyer e coloque em cada um deles 10,0 mL da solução padrão de ácido oxálico (HOOC-COOH) medidos com uma pipeta volumétrica. Acrescente um pouco de água destilada (± 30 mL) e 3 gotas de fenoftaleína. 4- Titule cada solução dos três erlenmeyer gotejando a solução de NaOH da bureta no er- lenmeyer, sob agitação o aparecimento da cor rosa. Pare então de gotejar NaOH e anote o volume gasto, lendo direto na bureta. Encha novamente a bureta com NaOH, zere-a e repita a titulação, utilizando os outros dois erlenmeyer. Anote os volumes gastos em cada titulação. Obs: você deve parar de gotejar NaOH assim que a cor rosa ficar permanente. 13Química Geral Experimental II Figura 1 – (a): (A) – Preenchimento da bureta acima da marca do zero; (B) – Abertura da torneira até a saída de todo ar da parte de baixo da bureta e (C) – Aferição do menisco. (b) Técnica de titulação. Cálculo da concentração da base: A reação entre o ácido oxálico e o hidróxido de sódio é dada segundo a reação abaixo: 1 mol ------------- 2 mol *1,0 x 10-3 mol ---- X mol X = 2,0 x 10-3 mol * Sabendo que a concentração molar é dada por M = n / V, em que n = número de mols e V = volume em litros. E que temos para o ácido oxálico: M = 0,1 mol/L e V = 10,0 mL = 0,01 L, substituindo na equação, temos n = 1,0 x 10-3 mol. Portanto, para o cálculo da concentração do NaOH, temos: em que VgNaOH é o volumegasto de NaOH na titulação. )(2)()(2)( 2242242 lOHaqNaOCaqNaOHaqHOC +→+ gNaOHV xM 3100,2 − = 14 Química Geral Experimental II 15Química Geral Experimental II Introdução Uma titulação ácido-base está firmada na reação de neutralização: H+(aq) + OH-(aq) H2O(l). Por isso, às vezes, ela é denominada de volumetria de neutralização. Assim, atra- vés de uma solução alcalina de concentração exatamente conhecida (solução padronizada) pode-se determinar a concentração de soluções ácidas e vice-versa. O ácido acetilsalicílico (C8O2H7COOH) é o analgésico mais utilizado em todo o mun- do, tendo sido comercializado pela primeira vez em 1898. Neste experimento, o teor do ácido acetilsalicílico num comprimido é determinado através de sua titulação com uma so- lução padronizada de hidróxido de sódio, sendo que a reação de neutralização é a seguinte: C8O2H7COOH(alc/aq) + NaOH(aq) C8O2H7COONa(aq) + H2O(l) (1) Onde alc/aq significa solução hidroalcoólica, isto é, ácido acetilsalicílico dissolvido numa mistura etanol/água. OBSERVAÇÕES: 1. O ácido acetilsalicílico é praticamente insolúvel em água, mas solúvel em etanol. Por isso é que se usa uma mistura água/etanol na sua dissolução; 2. Apesar do ácido acetilsalicílico estar pouco dissolvido, à medida que a reação de neutralização o consome formando o sal acetilsalicilato de sódio (solúvel em água), mais ácido se dissolve, até sua dissolução total e término da reação; 3. A recomendação, ao final da titulação, é que a coloração rosa deve persistir por pelo menos um minuto. Deve-se isso, neste caso, a dois fatos: a) a cinética da reação, ou seja, todo o ácido contido no comprimido deve ter reagido com a base adicionada (a coloração rósea indica que já há um pequeno excesso de base); b) a ocorrência da seguinte reação pa- ralela: H2CO3(aq) + NaOH(aq) NaHCO3(aq) + H2O(l) pode fazer com que a coloração rósea da solução final, aos poucos desapareça. Por isso que o surgimento da descoloração (em tempos superiores a 1 minuto) não deve ser interpretado como indicador de que a titulação não terminará. O ácido carbônico provém do seguinte equilíbrio entre gás carbônico do ar que se dissolve na solução e a água: CO2(aq) + H2O(l) H2CO3(aq). Objetivo Determinar o teor, em massa, de ácido acetilsalicílico em comprimidos de analgésicos como Melhoral®, Aspirina®, AAS® etc. Materiais e Reagentes Comprimido de AAS, Melhoral ou Aspirina Água destilada Solução de NaOH, 0,10mol/L padronizada Bureta Solução alcoólica de fenolftaleína Funil Erlenmeyer de 150 mL Etanol Balança Analítica Determinação do Teor de Ácido Acetilsalicílico em Comprimidos3. 16 Química Geral Experimental II Procedimento Experimental • Pese o comprimido de analgésico (não se esqueça de anotar a massa obtida) e, a se- guir, coloque-o no erlenmeyer. • Após adicionar cerca de 20mL de água ao erlenmeyer, agite a mistura até que o com- primido se desmanche (se necessário, quebre o comprimido com o bastão ou colher). • Em seguida, adicione cerca de 20 mL de etanol ao erlenmeyer e agite para que a mis- tura seja total. • Adicione 3 a 5 gotas de fenolftaleína. • Encha a bureta com solução de hidróxido de sódio padronizada e, a seguir, titule a solução no erlenmeyer. Para isto, adicione lentamente a solução da bureta àquela do erlen- meyer até o aparecimento de uma coloração rósea que persista por pelo menos 1 minuto. • Anote o volume da solução de hidróxido de sódio gasto para neutralizar o acido ace- tilsalicílico contido na solução do erlenmeyer. • Então, calcule o teor em massa do ácido acetilsalicílico no comprimido. Como realizar os cálculos: • Inicialmente, a partir de VNaOH(expresso em litros) obtém-se a quantidade de matéria de NaOH (nNaOH) que reagiu, isto é: nNaOH = 0,10mol/L . VNaOH. • Então, utilizando-se a informação de que 1 mol de NaOH é consumido sempre que 1mol de ácido acetilsalicílico reage (obtida da reação química balanceada da reação de neu- tralização), Equação (1)), obtém-se a quantidade de matéria do ácido acetilsalicílico no com- primido (nAAS), ou seja: nAAS = nNaOH (1mol AAS/1 mol NaOH). • Finalmente, sabendo que a massa molar do ácido acetilsalicílico é 180,2g/mol, calcu- la-se a sua massa no comprimido (mAAS), isto é: mAA = nAAS . 180,2g/mol. Compare o valor obtido com aquele indicado na embalagem do comprimido analgésico analisado. 17Química Geral Experimental II Introdução O vinagre é obtido da fermentação do vinho, bem como de outras soluções alcoó- licas. Com isso, durante a fermentação, o álcool etílico é oxidado até ácido acético; e este pode ser determinado por acidimetria. Portanto, é comum representar o teor de ácidos em vinagre em termos de ácido acético. A maioria dos vinagres contém de 4 a 6% (m/v) de ácido expresso como ácido acético, concentração recomendada para uso alimentar; em concen- tração mais elevada é prejudicial à saúde. Materiais e Reagentes Amostras de diferentes vinagres comerciais Água destilada Espátula Solução de NaOH 0,1N (mol/L) Balão volumétrico Bureta Fenolftaleína Balança Procedimento Experimental • Pipetar 10 mL da amostra de vinagre, transferir para um balão volumétrico de 100mL, completar seu volume e homogeneizar. • Transferir 20mL da solução preparada para um erlenmeyer de 100mL, juntamente com cerca de 40 mL de água e gotas de fenolftaleína. • Titular com solução-padrão de NaOH 0,1N (mol/L) até viragem do indicador de inco- lor para um róseo permanente. Encerrar a titulação e fazer os cálculos. REAÇÃO: CH3COOH (aq) + NaOH (aq) CH3COONa (aq) + H2O (l) CÁLCULOS: Em que: VV = Volume do vinagre V1 = Volume de NaOH gasto N1 = Normalidade do NaOH 0,06 = Miliequivalente do ácido acético. Determinação do Ácido Acético no Vinagre4. 100. 100/20. 06,0..% 11 VV NVAcéticoÁcido = 18 Química Geral Experimental II 19Química Geral Experimental II Introdução A vitamina C é um nutriente essencial porque não pode ser sintetizada pelo nosso organismo, tendo de ser fornecida por ingestão de alimentos ou medicamentos. Linus Pau- ling, duas vezes galardoado com o prêmio Nobel (Química - 1954; Paz - 1962), considerava a vitamina C “uma substância que participa em quase todas as reações químicas que aconte- cem no nosso organismo, sendo imprescindível em muitas delas”. Vitamina C é o nome vulgar atribuído ao ácido ascórbico, uma substância que tem como propriedade característica o seu poder redutor. Este ácido consegue reduzir o íon fér- rico, Fe (III), a íon ferroso, Fe (II), e o iodo, I2, a iodeto, I -. Nesta atividade utiliza-se o caráter redutor do ácido ascórbico para quantificá-lo através da reação, em meio ácido, com o iodo: C6H8O6(aq) + I2(aq) C6H6O6(aq) + 2H -(aq) + 2I-(aq) (1) Ácido Produto da Ascórbico oxidação do ácido ascórbico O iodo é formado pela reação do iodato com iodeto: IO3 -(aq) + 5I-(aq) + 6H+(aq) 3I2(aq) + 3H2O (l) (2) Uma solução de iodato, de concentração conhecida, é adicionada por meio de uma bureta, à solução acidificada de vitamina C contendo iodeto. O iodo formado a partir do iodato (reação 2) reage com o ácido ascórbico (reação 1), formando I-, uma espécie incolor. Quando todo o ácido tiver sido consumido, o iodo for- mado permanece em solução, conferindo-lhe uma coloração acastanhada. Para aumentar a intensidade da cor, adiciona-se uma solução de amido, que forma com o I2 uma substância de cor azul escura muito intensa. Objetivo Determinar o teor de vitamina C num comprimido comercial, recorrendo às suas propriedades redutoras. Comparar o valor obtido experimentalmente com o valor indicado pelo fabricante. Materiais e Reagentes Amostras de comprimidos de vitamina C Solução de amido 0,5% EspátulaSolução de KIO3 0,01mol/L Água destilada Bureta Solução de HCl 1,0 mol/L Balão volumétrico Funil KI; Balança A Química da Vitamina C5. 20 Química Geral Experimental II Procedimento • Deitar o comprimido num copo de 100 mL. • Adicionar cerca de 50 mL de água e agitar até dissolver. Transferir para um balão de 500 mL. Procurar obter uma transferência quantitativa, lavando várias vezes o copo com água destilada. • Completar o volume do balão com água destilada. • Preparar a bureta: verificar se a torneira está a funcionar devidamente, lavar a bureta com água destilada e passá-la com um pouco da solução de KIO3 que vai ser usada. Encher a bureta com a ajuda de um copo ou de um funil. • Colocá-la no suporte, certificar-se que não há bolhas de ar e despejar algum líquido de modo a que o nível se situe dentro da escala, entre 0 - 1 mL. • Registrar o valor da leitura inicial. • Medir rigorosamente 50,00 mL da solução de vitamina C para um balão erlenmeyer de 250 mL. Pesar 1,0 g de KI(s) e adicionar ao erlenmeyer. • Juntar 5 mL de HCl 1 mol/L e 2 mL de solução de amido 0,5% (ambos medidos com proveta). • Titular com a solução fornecida de KIO3 0,01 mol/L até ao aparecimento de uma cor azul persistente, indicativa do ponto termo da titulação. • Registrar a leitura final do líquido. • Repetir a titulação para obter maior rigor dos valores experimentais. Questões 1- O procedimento indica que o comprimido deve ser dissolvido em “cerca de 50 mL de água”. Da solução final são medidos “rigorosamente 50,00 mL” para um erlenmeyer. Quais os instrumentos de medida que devem ser utilizado em cada caso? 2- Por que razão a solução de vitamina C a ser titulada deve conter iodeto e ácido em excesso? 3- Qual é o indicador na titulação efetuada? 21Química Geral Experimental II Introdução O leite de vaca é um alimento de alto teor nutritivo. O leite fresco apresenta acidez devido à presença de caseína, fosfatos, albumina, dióxido de carbono e citratos. Esta acidez natural varia de 0,13% e 0,17%, expressa como massa de ácido lático (13 °D a 17 °D). A acidez do leite pode aumentar através da hidrólise da lactose por enzimas micro- bianas (fermentação), que leva à formação de ácido lático. Se esta acidez desenvolvida for muito elevada, o leite é impróprio para o consumo, pois ela indica alta atividade microbiana. Neste experimento, o que se determina é a acidez total do leite. Nos laticínios, a acidez do leite é expressa em graus Dornic, fazendo a aproximação de que toda ela se deve ao ácido lático (CH3CHOHCOOH, M = 90g/mol). Para 10,0mL de leite, utiliza-se uma solução de hidróxido de sódio de concentração1/9mol/L (0,111mol/L), tal que cada 0,1mL desta solução neutraliza o equivalente a 0,0010g(1,0mg) de ácido lático. Neste caso, 0,1mL de soda Dornic gasto na titulação corresponde ao que se denomina de um grau Dornic (1°D); assim, a acidez do leite, em graus Dornic gastos, pode ser calculada através de: 0,1mL de soda Dornic à 1 °D x mL de soda Dornic gasta à y °D. A acidez do leite decorre da presença de ácidos orgânicos fracos. Portanto, a simples medida do seu pH não permite o cálculo da quantidade do ácido presente. Objetivo Determinação da qualidade do leite de acordo com a acidez, utilizando como unidade de medida graus Dornic. Materiais e Reagentes Solução de NaOH 1/9mol/L(0,111mol/L), chamada soda Dornic Bureta de 10mL Pipeta volumétrica de 10mL Erlenmeyer de 50mL Solução alcoólica de fenolftaleína Amostras de leite de origens ou marcas diferentes CUIDADOS: Evite o contato do NaOH e de sua solução com sua pele. Caso isto ocorra, lave a região afetada com bastante água. Procedimento Experimental • Coloque, com auxílio da pipeta volumétrica, 10,0mL de leite no erlenmeyer e, após, adicione cerca de 20,0mL de água e algumas gotas da solução de fenolftaleína. • Encha a bureta com solução de soda Dornic e proceda a titulação do leite até que ele adquira uma coloração rósea persistente por cerca de 1 minuto. • Anote o volume da soda Dornic gasto. • Repita este procedimento para as outras amostras de leite. • Sabendo que cada 0,1mL de soda Dornic gasta, corresponde a uma acidez de 1grau Dornic(1 °D), calcule a acidez das amostras de leite em graus Dornic e conclua se as amostras são próprias para consumo(acidez entre 16 °D e 20 °D). Acidez do Leite6. 22 Química Geral Experimental II 23Química Geral Experimental II Introdução Solubilidade ou coeficiente de solubilidade de uma substância é a massa em gramas desta substância que se dissolve em determinada massa ou volume do solvente numa dada temperatura. Dentre os fatores que influenciam a solubilidade de uma substância, a nature- za do soluto e do solvente e a temperatura recebem maior destaque. Em geral, a solubilida- de de sólidos e líquidos aumenta com o aumento da temperatura. A tabela abaixo ilustra a solubilidade de alguns sais. Tabela 1 - Solubilidade de Sais e Bases em Água a 18 ºC. A solubilidade expressa a massa, em gramas, de um sal ou base anidro que pode ser dissol- vida em 100 g de água (aproximadamente 100 mL), sem que se forme precipitado, supondo água destilada e desmineralizada. Procedimento Experimental ETAPA I: Materiais e Reagentes: Cloreto de Sódio (sal de cozinha) Béquer ou copo Água Baqueta ou colher Procedimento: • Encha um copo até a sua metade de água ou coloque cerca de 100 mL de água em um béquer. • Adicione cloreto de sódio em pequenas porções e vá agitando vigorosamente após cada adição. • Após algumas adições você verá que no fundo do recipiente surgirão alguns cristais de sal, mesmo após muita agitação. • Neste momento a massa de cloreto de sódio adicionada foi superior à solubilidade; essa é uma solução saturada. Soluções Saturadas7. K+ Na+ Li+ Mg2+ Ba2+ Sr2+ Ca2+ Zn2+ Pb2+ Ag+ Cl- 32,95 35,86 77,79 55,81 37,24 51,09 73,19 203,9 1,49 1,4 x 10-4 Br- 65,86 88,76 168,7 103,1 103,6 96,52 143,3 478,2 0,97 1 x 10-3 I- 137,5 177,9 161,5 148,2 201,4 169,2 200,0 419,0 0,08 3,0 x 10-7 F- 92,56 4,44 0,27 0,0076 0,16 0,012 0,0016 0,005 0,06 195,7 NO3- 30,34 83,97 71,43 74,31 8,74 66,27 121,8 117,8 51,66 213,4 ClO3- 6,6 97,16 313,4 126,4 35,42 174,9 179,3 183,9 150,6 12,25 BrO3- 6,38 36,67 152,5 42,86 0,8 30,0 85,17 58,43 1,3 0,59 IO3- 7,62 8,33 80,43 6,87 0,05 0,25 0,25 0,83 0,002 0,004 SO42- 11,11 16,83 35,64 35,43 2,3 x 10-4 0,011 0,20 53,12 0,0041 0,55 CrO42- 63,1 61,21 111,6 73,0 3,8 x 10-4 0,12 0,4 --- 2 x 10-5 0,0025 C2O42- 30,27 3,34 7,22 0,03 0,0086 0,0046 5,6 x 10-4 7,9 x 10-4 0,0001 0,0035 CO32- 108,0 19,39 1,3 0,1 0,0023 0,0011 0,0013 --- 0,0001 0,003 OH- 142,9 116,4 12,04 0,001 3,7 0,77 0,17 0,0005 0,01 0,002</t 24 Química Geral Experimental II ETAPA II: Haverá outros líquidos onde os sólidos se dissolvam? Materiais e Reagentes: Casca de ovo Água Vinagre Três copos Coca-Cola Procedimento: • Colocar em um dos copos uma porção de casca de ovos e adicionar vinagre. • No outro copo colocar a mesma quantidade de casca de ovos e adicionar água. • No terceiro copo colocar uma porção de casca de ovos e adicionar coca-cola. Copo Líquido Sólido Dissolveu? 1 Vinagre Casca de Ovo 2 Coca-Cola Casca de Ovo 3 Água Casca de Ovo 25Química Geral Experimental II Introdução Solubilidade pode ser conceituada como a capacidade de uma substância de se dis- solver em outra. Esta capacidade, no que diz respeito à dissolução de um sólido em um líquido é limitada, ou seja, existe um máximo de soluto que podemos dissolver em certa quantidade de um solvente. Isso é solubilidade. A temperatura interfere na capacidade de dissolução de um solvente com relação a certo soluto. Dessa forma a cada temperatura teremos um determinado valor para a solubi- lidade. Materiais e Reagentes Açúcar Copinhos descartáveis para café (50mL) Sal Colher de sopa Água Copos transparentes Procedimento Experimental • Coloque a água no copo cerca de sua metade (maisou menos 100mL). • Use o copinho descartável para café como medida para o açúcar. Adicione um copi- nho cheio de açúcar na água e mexa até que o açúcar dissolva completamente. • Quando todo o açúcar estiver dissolvido, coloque mais açúcar, um copinho de cada vez, mexendo sempre até completar a dissolução. • Anote qual o número máximo de copinhos cheios de açúcar que você conseguir dis- solver completamente. • Repita todo o procedimento, utilizando desta vez, o sal. Para Pensar Para onde foi o açúcar? Você chegou a um limite para a dissolução do açúcar? Você acha que esse número máximo de copinhos seria o mesmo se usássemos sal ao invés de açúcar? Referência MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. Solubilidade 8. 26 Química Geral Experimental II 27Química Geral Experimental II Introdução A solubilidade de uma substância depende de vários fatores, como temperatura, pressão, concentração de outros materiais na solução e da composição do solvente. Entre- tanto, apenas a temperatura afeta consideravelmente um sistema, com relação à solubili- dade das substâncias envolvidas. Na grande maioria das vezes, o aumento da temperatura provoca o aumento da solubilidade das substâncias (o sulfato de cálcio é um exemplo em que ocorre o oposto). Materiais e Reagentes: Bico de Bunsen ou outra forma de aquecimento Açúcar Copinhos descartáveis para café (50mL) Água Panela ou recipiente que suporte calor Colher de sopa Copos transparentes Procedimento Experimental: • Coloque meio copo de água em uma panela pequena e aqueça a água até cerca de 50 °C. • Para saber se a água está nesta temperatura, observe com cuidado durante o aqueci- mento e pare quando as primeiras bolhas de ar começarem a surgir. • Conte quantos copinhos descartáveis para café de açúcar você conseguiu dissolver na água quente, mexendo sempre até dissolução antes de adicionar mais um copinho de açúcar. Para Pensar: Você conseguiu dissolver mais açúcar na água fria ou na água quente? Referência Produtos de solubilidade. Disponível em: <http://br.geocities.com/chemicalnet/quali/pro- dsolubilid.htm>. Acesso: 20 jan. 2009. Referência MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. Solubilidade e Temperatura9. 28 Química Geral Experimental II 29Química Geral Experimental II Introdução Em química, solubilidade é a medida da capacidade de uma determinada substância dis- solver-se num líquido. Na solubilidade, o caráter polar ou apolar da substância influi muito, já que, devido a polari- dade das substâncias, estas serão mais ou menos solúveis. Pode-se colocar, como regra geral, que: • Substâncias polares dissolvem substâncias polares. As substâncias polares também dissolvem substâncias iônicas. • Substâncias apolares dissolvem substâncias apolares. Materiais e Reagentes: Aguarrás (querosene ou gasolina) Água Etanol Dois copos descartáveis transparentes Permanganato de Potássio Procedimento Experimental: • Coloque aguarrás até um terço do volume do copo e acrescente alguns cristais de permanganato de potássio. CUIDADO! Aguarrás é um solvente inflamável. Verifique se não existem chamas perto de sua área de trabalho. • Observe o que ocorre. • Em outro copo coloque a mesma quantidade de água e acrescente alguns cristais de permanganato de potássio. Observe o que acontece. • Faça o mesmo com etanol. Para Pensar O que acontece com o permanganato de potássio na aguarrás? O que aconteceria se você colocasse água no copo contendo aguarrás e permanganato de potassio? Tente! O que você pode dizer em relação às densidades do permanganato, da aguarrás e da água? Referência Solubilidade. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Solubilidade>. Acesso em: 20 jan. 2009. MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. Solubilidade e o Solvente10. 30 Química Geral Experimental II 31Química Geral Experimental II PARTE I Materiais e Reagentes: Água Permanganato de potássio Sal Copo Procedimento Experimental: • Prepare cerca de meio copo de uma solução saturada de sal de cozinha em água. Quando você não conseguir dissolver mais sal, por mais que você agite a solução, ela está saturada. • Deixe os cristais de sal irem para o fundo do copo. • Coloque agora alguns cristais de permanganato de potássio na água. O que você observa? PARTE II Materiais e Reagentes: Água Palitos de sorvete Sal 2 copos transparentes Álcool Etílico Procedimento Experimental: • Prepare cerca de meio copo de uma solução saturada de sal de cozinha em água. Quando você não conseguir dissolver mais sal, por mais que você agite a solução, ela está saturada. • Deixe os cristais de sal irem para o fundo do copo. • Transfira com cuidado a solução, não deixando os cristais de sal passarem para o se- gundo copo. Acrescente agora, aos poucos, meio copo de álcool etílico. • Após cada adição, agite o conteúdo do copo com um palito de sorvete. O que você observa? Referência MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. Sempre Cabe Mais Um11. 32 Química Geral Experimental II 33Química Geral Experimental II Introdução Um sal como o cloreto de sódio, nosso velho sal de cozinha, dissolve bem em água e a solução é transparente. Mas se adicionarmos sal em quantidade muito grande, ultrapas- sando certo valor dito “de saturação”, a solução fica turva e o excesso de sal se deposita no fundo do vidro. Uma solução nesse estado é dita “supersaturada”. O valor de saturação de- pende da temperatura da solução. Água quente dissolve melhor que água fria. Uma solução supersaturada na temperatura ambiente pode voltar a ficar transparente se aquecida a 50ºC, por exemplo. E aí, surge um fato novo. Deixando essa mesma solução resfriar lentamente, sem ne- nhuma agitação, ela pode voltar à temperatura ambiente e continuar transparente, sem pre- cipitado. Nesse caso, a solução está a ponto de precipitar, em equilíbrio instável. Qualquer perturbação pode quebrar esse equilíbrio e a solução se turvar novamente. É exatamente essa instabilidade que se aproveita para o crescimento de cristais. Colocando um pequeno cristalzinho do mesmo sal na solução supersaturada, partículas do sal que estão prestes a se precipitar podem aderir às paredes do cristal, fazendo-o crescer. Esse cristalzinho é a “se- mente” de crescimento do cristal. Materiais e Reagentes Água tubo de ensaio NaCl béquer de 250 mL tiossulfato de sódio fonte de aquecimento Procedimento Experimental • Coloque uma medida de quatro dedos de tiossulfato de sódio no tubo de ensaio. Em seguida, coloque o sistema em banho-maria. Observe o que ocorre ao se aquecer o sólido. • Quando o material estiver na forma de um líquido incolor homogêneo, retire-o do aquecimento e deixe o tubo resfriar até a temperatura ambiente em completo repouso. • Em seguida, adicione alguns cristais de NaCl e observe. Agora adicione um pequeno cristal de tiossulfato de sódio à solução e observe o que ocorre. • Coloque a mão na parte exterior do tubo para sentir se houve mudança na sua tem- peratura. Referência MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. Soluções Supersaturadas 12. 34 Química Geral Experimental II 35Química Geral Experimental II Introdução O cigarro é produzido com folhas de tabaco beneficiadas. A nicotina é um dos com- ponentes encontrados na folha do tabaco, por isso é também encontrada no cigarro. Ela é uma substância largamente utilizada como inseticida na agricultura. A nicotina é ainda mais danosa na fumaça do cigarro porque vai diretamente para a corrente sanguínea através do pulmão. Além da nicotina outras substâncias são liberadas durante a combustão do cigarro. Tais substâncias são inaladas e levadas diretamente para o interior do organismo. Os gases na água ou a solubilidade dos gases nos líquidos é inversamenteproporcio- nal à temperatura, de modo que, quanto maior a temperatura de um líquido, menor a possi- bilidade desse líquido reter os gases. A pressão atmosférica e a altitude também interferem na concentração de gases nos líquidos. Materiais e Reagentes: Água destilada Kitassato de 500 mL Mangueira rígida (50 cm) Cigarros Rolha de borracha perfurada Fita adesiva Fósforo Canudo de refrigerante Seringa de injeção (grande) Procedimento Experimental • Adicionar aproximadamente 250 mL de água destilada ao kitassato de 500 mL. • Fechá-lo com a rolha de borracha perfurada. • Acoplar o filtro do cigarro a uma extremidade do canudo. • Introduzir a outra extremidade do canudo pelo furo da rolha até que a ponta do ca- nudo esteja imersa pelo menos dois centímetros. • Acoplar uma ponta da mangueira ao bico do kitassato e outra ao bico da seringa. • Acender o cigarro. • Dar várias “puxadas” com a seringa (de forma lenta). • Observar o sistema e fazer observações. QUESTÕES 1. Além da nicotina que outros componentes podem estar presentes na fumaça do cigarro? 2. Por que o cigarro é considerado uma droga? 3. Que males o cigarro pode causar ao organismo humano? 13. Solubilidade de Gases em Líquidos 36 Química Geral Experimental II 37Química Geral Experimental II Introdução Certamente você já ouviu falar que os carros possuem um aparelho chamado de catalisador, usado para diminuir a emissão de gases potencialmente poluentes. Se forem misturadas apenas as substâncias H2 e O2, não haverá reação de formação de água. Entretanto, se for introduzida uma grade de platina no sistema, a reação se tornará praticamente instantânea, sem que a grade sofra qualquer alteração. Nesse processo, dize- mos que a platina é um catalisador, ou seja, uma substância que apresenta a propriedade de aumentar a velocidade da reação, sem que seja consumida no processo. Materiais e Reagentes 1 tubo de ensaio Água 1 espátula Dióxido de manganês ou iodeto de potássio 1 estante para tubos de ensaio Água oxigenada (peróxido de hidrogênio - H2O2) 10 vol Fósforo de segurança Batata Procedimento Experimental • Preencha 1/3 do tubo de ensaio com peróxido de hidrogênio e coloque na estante para tubos de ensaio. • Adicione uma pequena porção de dióxido de manganês (ou KI) com a ponta da es- pátula. • Aproxime um palito em brasa da boca do tubo. • Observe e anote. • Repita o procedimento utilizando pequenos pedaços de batata. Observe. Cuidado: A adição de MnO2 pode desencadear a projeção de material para fora e aquecer o tubo de ensaio, portanto, evite segurá-lo durante o experimento. Questões 1. Escreva a equação da decomposição observada. 2. Como o dióxido de manganês participa da reação? 3. Por que o palito em brasa reacendeu quando foi aproximado da boca do tubo? 4. O que aconteceu com a energia de ativação de decomposição do peróxido de hidrogênio após a adição do dióxido de manganês? 5. Pesquise. Se adicionarmos um pedaço de batata no peróxido de hidrogênio, teremos a velocidade da reação também aumentada. Justifique. Estudando a Influência de um Catalisador14. 38 Química Geral Experimental II 39Química Geral Experimental II Introdução Uma ligação covalente é polar quando os átomos ligados entre si constituem um dipolo elétrico e é apolar no caso contrário. A maior ou menor polarização de uma ligação é medida pelo momento dipolar ( ) que é o produto da grandeza das cargas (Q) pela distância entre os centros das cargas opostas. A toda ligação polar está associada um vetor polarização que costuma ser indicado na representação da própria ligação. Exemplos: Uma molécula cujas ligações são todas apolares será apolar. Assim as moléculas de substâncias simples são apolares. Tudo sobre polaridade x solubilidade pode ser resumido numa só frase Materiais e Reagentes 1 proveta de 250 mL Vinagre 1 espátula Naftalina, C10H8 (bolinhas bem pequenas). 1 bastão de vidro Bicarbonato de sódio, NaHCO3 Procedimento Experimental • Numa proveta coloque vinagre até uma altura de 7 a 8 cm. • Coloque algumas bolinhas de naftalina bem pequenas no seu interior. • Adicione um pouco de bicarbonato de sódio e agite um pouco. Nota: Não deixe a naftalina exposta ao calor, pois ela é inflamável. Evite inalá-la, pois ela também possui relativa toxidade. Questões 1. Por que a água é conhecida como solvente universal? 2. Se a água é solvente universal, por que ela não dissolve todas as substâncias? 3. Por que a água não dissolve nossa pele? Trabalhando com a Polaridade das Ligações15. µ = Q . d µ = Q . d O semelhante dissolve o semelhante. 40 Química Geral Experimental II 41Química Geral Experimental II Introdução Em um processo de oxirredução, as espécies químicas que sofrem oxidação ou redu- ção recebem nomes especiais. Na queima do hidrogênio, por exemplo, a substância H2 é o agente redutor do pro- cesso, pois provoca a redução do gás oxigênio. Do mesmo modo, a substância O2 é o agente oxidante, já que ocasionou a oxidação do gás hidrogênio. A oxidação e a redução são processos simultâneos, isto é um não ocorre sem o outro. Daí a expressão oxirredução. Materiais e Reagentes 1 garrafa plástica transparente ou um béquer de 250 mL Lixa de ferro Acetato de chumbo, Pb(CH3COO)2, 0,5 mol.L -1 Prego de ferro Palito de churrasco ou outro material Pedaço de fio de nylon Procedimento Experimental • Encha uma garrafa plástica ou um béquer até quase a boca com a solução de acetato de chumbo. • Prenda o prego de ferro previamente lixado, na tampa da garrafa ou pendurado em um béquer, amarrando-o com um fio de nylon, fazendo com que o prego fique suspenso dentro da solução. Questões 1. O estanho em presença de HCl sofre a seguinte reação: Sn (s) + 2HCl (aq) SnCl2 (aq) + H2 (g) Indique o agente oxidante e o agente redutor da reação. 2. O cobalto metálico em presença de ácido nítrico em meio ácido reage de acordo com a equação abaixo: Co + HNO3 + H + Co2+ + NO + H2O Balanceie a equação. 3. Pesquise. O que é água-régia e como o ouro é atacado por ela? Identificando o Oxidante e o Redutor de uma Reação16. 42 Química Geral Experimental II 43Química Geral Experimental II Introdução Atingindo um valor de pH igual a 5,6, a chuva não poluída é ácido, devido à forma- ção de ácido carbônico: CO2 + H2O H2CO3 Os cientistas costumam classificar como “chuva ácida” qualquer precipitação cuja acidez seja maior que da chuva natural, ou seja, cujos valores de pH sejam inferiores a 5,6. Além de causar sérios problemas às plantações, construções civis e monumentos históricos, a chuva ácida afeta sensivelmente os lagos e rios. Materiais e Reagentes Massa de modelar branca 1 vidro de relógio Funil 2 béqueres de 100 mL Espátula Bastão de vidro Fenolftaleína 1 béquer de 250 mL Conta-gotas ou pipeta Palito para churrasco Fósforos de segurança Papel de filtro Água Cal virgem, CaO Procedimento Experimental • No béquer de 100 mL, coloque aproximadamente 50 mL de água. • Com a espátula, recolha uma quantidade de cal equivalente a meia colher de café e despeje-a no béquer. Misture bem utilizando o bastão de vidro. • Filtre a solução e reserve-a no outro béquer de 100 mL. • Fixe a massa de modelar no fundo do béquer de 250 mL, o mais próximo possível do centro do béquer. • Coloque a solução de água de cal obtida após a filtragem, no béquer de 250 mL (evite jogá-la sobre a massa de modelar). • Acrescente algumas gotas de fenolftaleína (2 ou 3). • Fixe a base de alguns palitos de fósforo, próximos uns dos outros, na massa, deixando a cabeça para cima. • Acenda o palito de churrasco e ateie fogo nos palitos que estão fixos na massa. • Tape imediatamente com o vidro de relógio e espere apagar. • Faça leves movimentos circulares com o béquer ainda tapado, segurando o vidro de relógio para que não caia. • Observe a coloração da reação. Cuidado: O vidro poderá estar quente; por esse motivo, recomenda-seo uso de luvas ou a colocação de um segundo vidro de relógio sobre o já existente, para apoiar a mão durante a agitação. Questões 1. Porque a chuva naturalmente ácida não faz mal à natureza? 2. Existe chuva alcalina? Justifique. 3. Pesquise. Como filtros podem ajudar a minimizar a emissão de poluentes que provocam as chuvas ácidas? 17. Produzindo Chuva Ácida 44 Química Geral Experimental II 45Química Geral Experimental II Introdução Algumas substâncias ao serem aquecidas podem se decompor ou a passagem da fase líquida para a fase vapor pode originar uma pressão interna. Para estas substâncias que se decompõem um estudo feito por Dalton, chamada LEI DE DALTON das pressões parciais diz: pressão total de uma mistura de gases é a soma das pressões que cada um dos gases exerceria se estivesse sozinho ocupando volume igual ao da mistura. Materiais e Reagentes Minibexiga Béquer de 100 mL Tubo de ensaio pequeno Estante de tubo de ensaio NH4OH concentrado ou encontrado em farmácia Gelo Bico de Bunsen ou outra fonte de aquecimento Pinça de madeira Procedimento Experimental • Aqueça levemente o tubo de ensaio durante 5 segundos com constante agitação. • Segurando o tubo com a pinça de madeira e apoiando na estante de tubos de ensaio, adicione 2 gotas de NH4OH ao tubo. • Tampe-o com a minibexiga. • No béquer, coloque 10 mL de água e encha-o com gelo. • Aqueça o tubo e observe. • Aguarde 10 segundos e em seguida coloque o tubo no béquer com gelo; deixe o sistema em repouso e observe. Influência da Temperatura na Pressão de um Gás18. 46 Química Geral Experimental II 47Química Geral Experimental II Introdução Há duas maneiras de definir um gás como perfeito: • A via teórica (teoria cinética dos gases): Um gás é considerado perfeito se não tem interações entre suas moléculas e se o volume ocupado por cada molécula é desprezível. • A via experimental - um gás é considerado como perfeito se obedece às seguintes leis: * Lei de Boyle-Mariotte * Lei de Charles * Lei de Gay-Lussac A lei de Charles é uma lei dos gases perfeitos: À pressão constante, o volume de uma quantidade constante de gás aumenta proporcional- mente com a temperatura. Materiais e Reagentes Seringa béquer de 250 mL Tela de amianto água sal grosso termômetro Bico de Bunsen ou outra fonte de aquecimento Procedimento Experimental • Deixe o êmbolo da seringa em uma posição cujo volume de ar armazenado seja de 5mL. • Tampe o bico da seringa com uma rolha de borracha para armazenar o gás no interior da mesma. • No béquer com água, coloque uma colher de sopa de sal grosso e agite. • Coloque a seringa e o termômetro dentro do béquer com água para aquecimento como mostrado na figura abaixo. • Deixe o sistema em aquecimento e aguarde 4 minutos, ou até que se atinja o equilí- brio térmico entre o ar da seringa e a água. • Comece a medir o volume do gás a partir de 5,2 mL, aproximadamente. Em cada medida não deixe de combater a inércia do êmbolo; para isso aperte-o e solte-o. Este pro- cedimento fará com que o êmbolo seja posicionado corretamente para a leitura do volume correspondente. • Repita a operação, anotando o volume e a temperatura correspondente até a estabi- lização da temperatura da água (em torno de 100 oC). • Faça o gráfico V x T. Lei de Charles19. 48 Química Geral Experimental II 49Química Geral Experimental II Introdução A eletrólise é um processo eletroquímico, caracterizado pela ocorrência de reações de oxirredução em uma solução condutora quando se estabelece uma diferença de poten- cial elétrico entre dois (ou mais) eletrodos mergulhados nessa solução. Vale lembrar que a denominação solução eletrolítica, empregada para designar qualquer solução aquosa con- dutora de eletricidade, deriva justamente desse processo. Esta técnica tem uma aplicação industrial para obtenção de revestimentos prote- tores que são películas aplicadas sobre a superfície metálica e que dificultam o contato da superfície com o meio corrosivo, objetivando minimizar a degradação da mesma pela ação do meio. Os revestimentos, quando aplicados sobre a superfície metálica, tendem a separar a superfície do meio corrosivo. Essa separação será tão mais longa quanto maior for o tempo que o eletrólito chegue ao metal protegido. A deposição química é um dos processos de revestimento metálico utilizado e con- siste na deposição de metais por meio de um processo de redução química. Por este proces- so é comum revestir-se com cobre e níquel. São os denominados cobre e níquel químicos, muito utilizados em peças com formato delicado e cheias de reentrâncias. Materiais e Reagentes Solução de CuSO4 0,5 mol.L -1 Béquer de 100 mL Bateria de 9V HCl concentrado Balança Moeda H2SO4 concentrado Espátula Terminais de bateria Lixa fina ou palha de aço Fio ou placa de cobre Procedimento • No béquer, coloque 50 mL da solução de sulfato de cobre, 1 gota de HCl e 3 gotas de H2SO4. • Usando as garras, ligue o pólo positivo da bateria (vermelho) na placa ou fio de co- bre e o polo negativo na moeda, conforme a figura abaixo. (Se for utilizar o fio lixe-o antes. Faça o mesmo com a moeda). • Mergulhe o fio ou placa de cobre e a moeda na solução. Observe. Folheando com Cobre20. 50 Química Geral Experimental II 51Química Geral Experimental II Introdução Por determinação do órgão do governo federal, com o objetivo de reduzir o custo da gasolina comercial e gerar mercado consumidor para a produção nacional de álcool etílico (etanol), é adicionado uma porcentagem de álcool à gasolina comercial. Objetivo: Determinar o teor do álcool em gasolinas comerciais. Materiais e Reagente: Água destilada Proveta de 100mL Gasolina comercial Rolha de borracha Procedimento Experimental: • Adicionar 50mL de água destilada na proveta de 100mL. • Adicionar gasolina à proveta até completar 100mL. • Vedar a proveta com a rolha de borracha, observar e anotar as características do sis- tema. • Agitar a proveta de modo que as duas fases formadas possam se misturar completa- mente. • Deixar o sistema em repouso, observar e anotar as novas características do sistema. CÁLCULOS: VIA = volume inicial da água = VIG = volume inicial da gasolina = VFA = volume final da água = VFG = volume final da gasolina = VOH = volume de álcool = VFA - VIA Se em VIG VOH 100mL de gasolina X mL de álcool Porcentagem (em volume) de álcool na gasolina = % álcool = X/100 ou X% QUESTÕES: 1. Por que a gasolina e a água não se misturam? 2. Quem fica na parte superior da proveta? Por quê? 3. Por que o álcool deixa de se misturar com a gasolina para se misturar com a água? 4. É possível separar o álcool da água? 5. Que órgão do governo federal determina que seja misturado álcool à gasolina? 6. Qual deveria ser a porcentagem do álcool na mistura? Extração com Solvente21. 52 Química Geral Experimental II 53Química Geral Experimental II Introdução A água cobre dois terços da superfície do nosso planeta. Entretanto, só 0,3% das águas superficiais encontram-se em condições adequadas para consumo humano. Aquele que já foi um bem muito abundante tende a tornar-se um bem muito raro no futuro. Nos dias atuais somente 47% da população mundial tem acesso a água de quali- dade. No Brasil esse número cai para 38% da população. Nos grandes centros urbanos são usadas águas subterrâneas ou águas superficiais tratadas para atender as populações. Materiais e Reagentes Amostra de água suja Alvejante comercial (água sanitária) 04 béqueres de 1 litro Cronômetro Solução de sulfato de alumínio a 10% Pipeta graduada de 20mL Solução de hidróxido de cálcio a 2% Pipeta graduada de 1mL Bastão de vidro Procedimento Experimental • Lavar 4 béqueres de 1 litro e colocar em cada um deles 800mL de água suja (barrenta). • Adicionar aos béqueres os reagentes de acordo com o quadro abaixo: • Adicionar os reagentes rapidamenteaos três béqueres. • Agitar vigorosamente as misturas com o bastão de vidro por aproximadamente 10 minutos (até a formação de flóculos no béquer 01). • Após a formação de flóculos no béquer 01, agitar lentamente por mais 10 minutos. • Deixar em repouso por uma hora. Após esse tempo, observar os béqueres 01, 02 e 03 e comparar com o de número 04. Questões 1. Para que servem as substâncias que adicionamos à água suja? 2. Existe diferença entre poluição e contaminação? 3. Uma água visualmente limpa pode estar contaminada? Tratamento de Água para o Consumo Humano22. Béquer Sol. Al 2(SO4)3 a 10% Sol. Ca(OH)2 a 2% Alvejante 01 15 mL 6 mL 0,5 mL 02 0 6 mL 0,5 mL 03 0 0 0,5 mL 04 0 0 0 54 Química Geral Experimental II 55Química Geral Experimental II Introdução A aguardente de cana (cachaça) é uma mistura homogênea de água, álcool e outras substâncias derivadas do processo de fermentação alcoólica do caldo de cana, separadas por destilação simples. A fermentação alcoólica consiste na transformação, por meio de metabolismo de microorganismos, dos açucares e substâncias nitrogenadas do caldo, em energia, álcool e dióxido de carbono. Outras substâncias como ácidos orgânicos, furfural e álcoois superiores também são formadas, mas em pequenas quantidades. Para a produção da aguardente de cana os microorganismos que podem ser usados são as leveduras das espécies: Saccharomyces cerevisae, Saccharomyces carisbergensis e Sac- charomyces uvarum. A principal reação química do processo de fermentação alcoólica é a transformação do açúcar em álcool e dióxido de carbono: C6H12O6 2 C2H5OH + 2CO2 Glicose álcool dióxido de carbono 100g 51,1g 48,9g Objetivo Produzir aguardente a partir do processo de fermentação alcoólica do caldo de cana. Materiais e Reagentes Caldo de cana 01 erlenmeyer de 500 mL Açúcar comum Balão de destilação de 2 L Fermento em barra Condensador de serpentina 03 erlenmeyers de 250 mL Bastão de vidro 2 rolhas de borracha perfurada Suporte universal Coador Garras metálicas Balança Mangueira Recipiente de fermentação (+ou- 3,5 L) Panela com capacidade maior que 2 litros Tela de amianto Fonte de água corrente Tripé Fonte de calor (bico de bunsen) Procedimento Experimental • Coar 2 L de caldo de cana fresco. • Aquecer o caldo coado até a fervura e descartar o material sobrenadante. • Separar duas porções de caldo fervido: uma, de 100mL em um erlenmeyer de 250mL; e outra, de 200mL em erlenmeyer de 500mL. • Adicionar aproximadamente 10 gramas de açúcar comum na porção de 100mL e 20 gramas aproximadamente na porção de 200mL. Agitar para solubilizar o açúcar e deixar esfriar. • Pesar aproximadamente 10 gramas de fermento de panificação (em barra), e adicio- ná-lo à amostra de 100mL. Agitar com bastão de vidro para que todo o fermento se dissolva. Fechar o erlenmeyer sem vedar completamente, permitindo a passagem de ar. Deixar em Produção de Aguardente de Cana23. 56 Química Geral Experimental II repouso. • Após aproximadamente 1 hora (quando a mistura estiver soltando bastantes bolhas de gás) passar a mistura para um erlenmeyer de 500mL que já contem o 200mL de caldo adoçado. Agitar para homogeneizar a mistura. Fechar o erlenmeyer sem vedar completa- mente, permitindo a passagem de ar. Deixar em repouso. • Adicionar ao restante do caldo aproximadamente 170 g de açúcar e agitar até com- pleta dissolução. Passar o caldo adoçado para um recipiente de aproximadamente 3,5 litros, adaptado com uma torneira. • Após aproximadamente 1 hora (quando a mistura estiver soltando bolhas de gás) passar a mistura para o recipiente que contém o restante do caldo. Agitar para homogenei- zar a mistura e fechar o recipiente sem vedar completamente, permitindo a passagem de ar. Deixar em repouso por 48horas em local seco, arejado e protegido dos raios solares. • Após 48 horas retirar a fase sobrenadante da mistura, usando a torneira do recipiente e passá-la para um balão de destilação de 2 litros de capacidade. • Montar o sistema de destilação semelhante à Figura 1. • Destilar a mistura. • Aparar o destilado dividido em três etapas: ETAPA 1: Do início da destilação até quando a destilação não formar mais chama. ETAPA 2: Depois da primeira etapa até quando o destilado mudar o aroma. ETAPA 3: Depois da segunda etapa até quando o destilado não apresentar sabor ca- racterístico. • Resfriar e armazenar os destilados. • Preparar aguardente misturando os destilados até atingir o sabor desejado. Figura 1: Sistema de destilação simples [1]. Questões 1. Porque existem aguardentes mais fracas e outras mais fortes? 2. É possível fazer aguardentes sem ser de caldo de cana? 3. Como saber a “força” da aguardente? 4. Qual deve ser a porcentagem de álcool na mistura? Referência Sistema de destilação simples. Disponível em: < http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2005/ mistura%20separacao/destilacaosimples1.jpg>. Acesso em: 27.jul. 2007. 57Química Geral Experimental II Introdução As colas têm sido utilizadas por milhares de anos para uma grande diversidade de aplicações, sendo que até o início deste século as principais matérias primas utilizadas eram de origem animal ou vegetal, como o sangue de alguns animais ou resinas naturais extraí- das de folhas e troncos de algumas árvores. Atualmente uma grande variedade de colas é produzida industrialmente a partir de substâncias sintéticas, com a finalidade de se obter propriedades adequadas aos novos materiais, como polímeros, cerâmicas especiais e novas ligas metálicas. Algumas das colas produzidas pela indústria moderna apresentam alto poder de adesão combinado a uma apreciável resistência a temperaturas elevadas; outras mantêm uma considerável flexibilidade mesmo depois de curadas. Certas colas como a de carpetes, por exemplo, embora eficientes podem apresentar problemas para a saúde por eliminarem substâncias orgânicas voláteis por muito tempo depois de aplicadas. Materiais e Reagentes 2 béqueres de 200mL ou copo de vidro Proveta de 50 mL 2 pedaços de pano de aproximadamente 30cm x 30cm (malha de algodão dá bons resulta- dos) ou papel de filtro 1g de bicarbonato de sódio 125mL de leite desnatado Limões Procedimento Experimental • Esprema o limão e coe o suco utilizando um pedaço de pano ou papel filtro. • Adicione 30 mL de suco de limão a 125 mL de leite desnatado e agite bem. • Coloque o outro pedaço de pano sobre o segundo béquer e coe a mistura de caseína e soro obtida. • Este procedimento é lento, mas poderá ser acelerado se pequenas quantidades da mistura forem adicionadas, sempre com a posterior retirada de caseína. • As porções de caseína retiradas (quase secas) podem ser colocadas sobre um pedaço de jornal para que a umidade da massa obtida seja reduzida. • Após a separação da caseína, que deverá ter consistência semelhante à de um queijo cremoso, adicione bicarbonato de sódio e misture bem até que a mistura se torne homogê- nea. • Acrescente 15 mL de água e agite até que toda a massa seja dissolvida. • A reação do ácido restante (do limão) com o bicarbonato de sódio deverá produzir uma pequena quantidade de espuma que em pouco tempo se desfaz. • Utilize pequenos pedaços de madeira ou de papel para testar a cola feita. O resultado poderá ser observado em algumas horas. Cola de Caseína24. 58 Química Geral Experimental II 59Química Geral Experimental II Introdução A química dos alimentos é um assunto bastante complexo, de modo que a determi- nação da composição química completa de um alimento pode significar anos de intensa in- vestigação ou mesmo uma tarefa impossível de se realizar. Na maioria dos casos, conhecem- -se classes: proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas, matéria mineral. A análise de alimentos não investiga apenas os componentes naturais de importân- cia nutricional ou não, mas também a presença de aditivos intencionaisou acidentais. O uso intencional de aditivos durante a produção, preparação, processamento, distribuição e armazenamento tem como finalidade manter ou melhorar a qualidade dos alimentos, com vistas a preservar a saúde dos consumidores. Alguns aditivos, todavia, são acidentais como, por exemplo, resíduos de agrotóxicos ou medicamentos veterinários (antibióticos, hormô- nios), resíduos de fertilizantes, metais ou outras substâncias provenientes das embalagens. Objetivo Verificar a presença de alguns componentes em refrigerantes mediante testes qualitativos simples. Materiais e Reagentes 2 tubos de ensaio 2 pipetas de10 mL Solução de Ba(OH)2 10 g/L Canudo de plástico 2 rolhas 1 Refrigerante Procedimento Experimental • Monte a conexão entre os dois tubos de ensaio usando as rolhas e o canudo de plás- tico. • Transfira cerca de 10mL de um refrigerante recém-aberto para um dos tubos de en- saio. • Coloque cerca de 5mL da solução de hidróxido de bário em outro tubo de ensaio. • Rapidamente coloque a conexão montada no item 1 nos tubos de ensaio. • Agite o conjunto de tal maneira que o gás liberado pelo refrigerante borbulhe na solução de hidróxido de bário. • Observe a formação de um precipitado no tubo com hidróxido de bário. Questões 1. Escreva a equação química correspondente à reação observada. 2. Proponha outros reagentes adequados para verificar a presença de dióxido de carbono e apresente as equações químicas correspondentes. 3. Com que finalidade o gás carbônico é utilizado no refrigerante? Análise de Bebidas25. 60 Química Geral Experimental II 61Química Geral Experimental II Introdução O termo detergente provém do verbo latino detergere (limpar, esfregar) e refere-se a materiais químicos que facilitam o processo de remoção de sujeira. Os detergentes mo- dernos são misturas complexas que, além dos sulfactantes, contém diversos componentes aditivos com funções coadjuvantes no processo de lavagem: sequestrantes, alvejantes e es- pumantes. Os sulfactantes sintéticos apresentam moléculas que possuem uma extremidade polar ou hidrofílica, e outra apolar ou lipofílica. A parte polar é representada por grupos sul- fato (-OSO3-) ou sulfonato (-SO3-) e a parte lipofílica geralmente é representada por cadeias hidrocarbônicas lineares [CH3(CH2)n]. Moléculas que possuem extremidades polares e apolares, e que são suficientemente grandes para apresentar um comportamento diferenciado no que diz respeito à solubilida- de chamam-se anfifílicas ou anfipáticas. A redução da tensão superficial da água na presença de um detergente se deve ao fato de as moléculas anfifílicas se posicionarem na superfície da “solução” com a extremidade polar submersa e a parte apolar orientada para a superfície. O fosfato procedente dos detergentes, utilizado como sequestrante (tem a função de remover cátions que conferem dureza à água, formando complexos solúveis), transporta- do por esgotos aos rios e lagos, é um nutriente mineral essencial para os vegetais e favorece o crescimento de plantas aquáticas. O crescimento exagerado desses vegetais implica no decréscimo dos peixes. Para evitar o colapso do sistema ecológico (eutrofização) o fosfato tem sido substituído por outros componentes, como a zeólita. Materiais e Reagentes 2 placas de petri Óleo comestível Béquer de 50 mL; Detergente comercial Enxofre em pó Carvão Vegetal Pulverizado Procedimento Experimental PARTE A 1. Pegue dois béqueres de 50 mL e coloque 25mL de água em cada. 2. Espalhe um pouco de enxofre em pó em um dos béqueres e carvão em pó no outro, sem agitar. 3. Adicione três gotas de uma solução de detergente, sem agitar. PARTE B 1. Coloque 1mL de uma solução de detergente numa placa de Petri e água numa segunda placa. 2. Adicione, com auxílio de uma pipeta, uma gota de óleo comestível às duas placas. Efeito de Detergente Sobre a Tensão Superficial da Água26. 62 Química Geral Experimental II Referência BESSLER, K.E.; NEDER A.V.F. Química em Tubos de Ensaio – Uma abordagem para princi- piantes. Ed.Edgard Blücher Ltda, 2004. 63Química Geral Experimental II Introdução Existem muitos métodos para o crescimento de cristais e neste experimento, iremos usar dois deles: o da evaporação do solvente e do resfriamento da solução. Para preparar as sementes a partir das quais os cristais irão crescer, iremos usar o método da evaporação do solvente, em que se prepara uma solução concentrada do sal e deixa-se evaporar o solvente, o que causa cristalização e progressivo crescimento do cristal. Após obtermos alguns cristais desta forma, iremos selecionar as melhores sementes para crescimento. É importante se conhecer a solubilidade dos sais com que se vai trabalhar. A Tabela 1 indica a solubilidade de alguns sais facilmente encontrados. Tabela 1. Solubilidade de alguns sais. Materiais e Reagentes Água Sulfato de Cobre Espátula Sal de cozinha Copos KCrO4 (cromato de potássio) Copinho descartável para café (de 50 mL) K2Cr2O7 (dicromato de potássio) Balança Procedimento Experimental • Prepare as soluções em frascos de boca larga e deixe em local onde elas não serão perturbadas. • Após alguns dias haverá um surgimento de cristais no fundo dos frascos. • Decante as soluções dos frascos, guardando-as para a próxima etapa. • Coloque os cristais obtidos sobre um papel de filtro. • Selecione um cristal de bom tamanho e faces regulares e bem definidas. • Amarre-o usando uma linha bem fina. • Coloque a solução da etapa anterior em um frasco de boca larga. • Aqueça o frasco em banho-maria. • Coloque aos poucos mais do sal usado e agite bem, até que você não consiga mais dissolver o sal na solução. Crescendo Cristais 27. Sal Fórmula Solubilidade em 100g H2O Água fria Água quente Cloreto de sódio NaCl 36g a 25 °C 39g a 100 °C Sulfato de magnésio MgSO4. 7H2O 71g a 20 ºC 91g a 100 ºC Bicarbonato de sódio NaHCO3 7g a 0 ºC 16g a 100 °C Sulfato de cobre CuSO4.5H2O 32g a 0 °C 203g a 100 °C Bórax Na2B4O7.10H2O 2g a 0 °C 52g a 100 °C Alúmen KAI(SO4)2.12H2O 12g a 20 °C 195g a 100 °C 64 Química Geral Experimental II • Coloque os cristais amarrados na linha com cuidado (para que não hajam muitas perturbações) em suas respectivas soluções. • Espere por alguns dias e observe. Referência MATEUS, A. L. Química na cabeça. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001. 128p. 65Química Geral Experimental II Introdução O sabão é um produto tensoativo usado em conjunto com água para lavar e limpar. Sua apresentação é variada, desde barras sólidas até líquidos viscosos. Do ponto de vista químico, o sabão é um sal de ácido graxo. Tradicionalmente, o sabão é produzido por uma reação entre gordura e hidróxido de sódio e de potássio e carbo- nato de sódio, todos álcalis (bases) historicamente lixiviados das cinzas de madeiras de lei. A reação química que produz o sabão é conhecida como saponificação. A gordura e as bases são hidrolisadas em água; os gliceróis livres ligam-se com grupos livres de hidroxila para for- mar glicerina, e as moléculas livres de sódio ligam-se com ácidos graxos para formar o sabão. Materiais e reagentes 250 mL de óleo vegetal corante e essência (se quiser utilizar) 75 mL de água béquer de 500 mL 50 mL de soda cáustica bastão de vidro Procedimento Misture bem no béquer, a água, o óleo e a soda, nesta ordem. Mexa por cerca de 30 minutos até engrossar. Acrescente a essência e o corante (se quiser). Coloque em uma forma (pode ser uma caixa de leite) para secar por aproximadamente 12 horas. Após esse tempo, retire da forma e corte da forma desejada e deixe secar por mais uma semana. Referência Sabão. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Sab%C3%A3o> Acesso em: 05 jun. 2008. Produção de Sabão em Barra28. 66 Química Geral Experimental II 67Química Geral Experimental II Introdução O sabonete é um sabão aromatizado destinado à higiene corporal. É encontrado em tabletes ou em cremes. A primeira utilização do sabão aconteceu em 2500 a.C, pelos fení-cios, sendo usado na limpeza da lã de ovelhas e do couro de outros animais. Nessa época o sabão era feito através da gordura do carneiro e de substâncias contidas nas cinzas solúveis em água de pequenas plantas. Os árabes e os turcos foram os primeiros a reconhecerem o valor do sabão. Assim, quando os turcos invadiram o Império Bizantino, a prática do uso do sabonete foi difundida em toda a Europa, porém apenas os nobres tinham acesso ao produ- to. Inclusive, eles presenteavam autoridades de outros países com sabonetes, juntamente com uma bula, explicando seu uso. Até então, o sabão não possuía cheiro, sendo que no século XVIII ele se tornou popular e somente no século XIX, mais precisamente 1879, é que desenvolveram um sabão perfumado: o sabonete. A partir do século XIX, devido à produção em larga escala, o custo de sabonete caiu permitindo a massificação de seu uso, tornando-o um dos principais elementos da higiene pessoal. Sabonetes caseiros - RECEITA BÁSICA Ingredientes: 1 kg de base de glicerina para sabonetes (branca ou transparente) Essência para sabonetes – 30 mL Corante alimentício Álcool de cereais PARA 1 kg DE GLICERINA USAR 30 mL DE ESSÊNCIA Obs.: Algumas essências são mais fortes que outras, dependendo da qualidade. Procure dosar ao seu gosto, não sendo necessário seguir à risca a quantidade especificada acima. Colocar a quantidade de corante necessária até atingir a cor de sua preferência. Material: Formas de silicone, plástico ou qualquer material que seja maleável. Copos graduados (para uso no microondas). Colheres plásticas descartáveis ou bastão de vidro. Panela de ágata (se for derreter em banho-maria). No nosso caso, utilizaremos um béquer de 1L e o banho-maria. NUNCA USAR METAL OU ALUMÍNIO Borrifador para o álcool de cereais Modo de Fazer: Pique a glicerina em pedaços pequenos. No microondas: Coloque no copo graduado e leve ao microondas em potência alta. O tempo será deter- Fabricação de Sabonetes Artesanais29. 68 Química Geral Experimental II minado pela quantidade que você for utilizar. Por exemplo, para cada 100 g de glicerina, coloque 15 segundos, abra o microondas e verifique se já está líquida. Se necessário, vá co- locando mais 10 segundos por vez, até atingir o ponto. No banho-maria: Pique a glicerina em pedaços pequenos no béquer e coloque no banho-maria a 60oC até derreter. Importante: Não deixe ferver, pois a glicerina perde a transparência, ou deixe-a em banho- -maria na panela de ágata até que ela derreta. Não deixe a temperatura da água muito quen- te, para evitar que a glicerina ferva. Retire do forno, coloque o corante aos poucos até atingir a cor desejada. Espere esfriar um pouco, até formar uma nata fina em cima de glicerina. Caso não faça isso, a essência e o ex- trato (se estiver usando) irá evaporar e seu sabonete não ficará perfumado. Adicione a essência e mexa com o bastão de vidro. Evite mexer muito, pois poderá fazer es- puma. Borrife com álcool de cereais para retirá-la (se necessário). Segure com o bastão de vidro a película que se forma e despeje o líquido na forma escolhida. Espere secar por mais ou menos 30 minutos (depende da quantidade utilizada) e desenfor- me. Se necessário retire as rebarbas com uma faca sem serra. Para decoração, no caso dos sabonetes em formato de doces, derreta 10 g de glicerina, espe- re esfriar um pouco e jogue aos poucos sobre o sabonete já desenformado, dando a forma de calda escorrida. Espere umas duas horas antes de embrulhar os sabonetes. Coloque-as em cestinhas, caixas ou sacos de celofane. Dicas: 1- Procure combinar os corantes com as essências, pois fica mais fácil na hora de identificar. Por exemplo: Azul: Jaborandi ou Algas Marinhas Vermelho: Rosas ou Ylang-Ylang Amarelo: Camomila ou Maracujá Laranja: Flor de Laranjeira ou Pêssego Verde: Maçã Verde ou Erva Cidreira Rosa: Baby ou Mamy Lilás: Jasmim 2- Não coloque os sabonetes para secar na geladeira ou ao vento, pois a base transpirará. 3- Evite deixar cair a nata que se formou no derretimento, segurando com uma colher. Assim o sabonete ficará mais liso. 4- Ao enformar o sabonete, borrife mais um pouco de álcool de cereais para retirar a espuma 69Química Geral Experimental II que se formou e evitar a formação de bolhas. Se a espuma não sair, retire-a com auxilio de uma faca. Não é necessário tirar a película que se forma, pois logo se formará outra. 5- A espuma ou a camada esbranquiçada que se forma, não deve ser reaproveitada. Já as rebarbas ou sabonetes que não ficaram a seu gosto podem ser manipulados novamen- te. 6- Não utilize materiais de alumínio ou teflon, pois pode oxidar e alterar a cor dos sabonetes, além de causar alergias. 7- Não tenha pressa em desenformar os sabonetes. Se eles não estiverem bem rígidos, seu trabalho pode ficar comprometido. Mas se alguma coisa der errado, não se aborreça e come- ce novamente reaproveitando a peça comprometida. 8- Use sua criatividade na hora de escolher as formas. Até o fundo de uma garrafa de refri- gerante descartável dará um belo sabonete massageador. Procure no meio dos brinquedos das crianças ou em lojas de artigos culinários e, com certeza, você encontrará muitas ideias diferentes. 9- Você pode usar formas de acetato (aquelas usadas para chocolate) que são bem mais baratas que as de silicone. Porém elas têm um tempo de uso pequeno (no máximo 8 vezes), enquanto as de silicone são de uso indeterminado e bem mais fáceis de desenformar. Sabonete de Mel e Argila Branca Para 1 kg. de base transparente 3 colheres de sopa de mel 15 mL de óleo de amêndoas doces 2 colheres de sopa de argila branca 25 mL de essência de laranja ou sugerimos 20 mL de laranja + 5 mL de baunilha. Misture o mel, a argila, o óleo e faça uma pasta. Após derreter a glicerina, acrescente esta pasta, adicione a essência e coloque na fôrma. Se quiser, acrescente corante à seu gosto. Referências História do sabonete. Disponível em: http://www.historiadetudo.com/sabonete.html. Acesso em: 10 dez. 2007. Sabonete. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabonete. Acesso em: 10 dez. 2007. 70 Química Geral Experimental II