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Síndrome de Noonan 1 � Síndrome de Noonan A síndrome de Noonan é uma condição autossômica dominante comum que está associada à baixa estatura, dismorfismo facial e à doença cardíaca congênita (DCC), mais frequentemente estenose pulmonar. No entanto, as características clínicas da SN podem afetar todos os sistemas do corpo. Isso inclui dificuldades com a alimentação no início da vida; problemas de visão, audição e crescimento; dificuldades específicas de aprendizagem; fácil hematomas e sangramento. Fisiopatologia A fisiopatologia não é completamente conhecida, mas inclui alterações em genes específicos envolvidos na via de sinalização RAS-MAPK relacionados ao crescimento celular (PTPN11, RAF1, SOS1, KRAS e MEK1), com cerca de 50% dos pacientes com mutações no gene PTPN11 Epidemiologia 1:1.000-2.500 nascidos vivos Não tem preferência por sexo Aspectos genéticos Síndrome de Noonan 2 Doença monogênica Autossômica dominante Predomínio de transmissão materna (3:1) Mutações de novo: 60% dos casos Mutações missense no gene PTPN11: 50% dos casos Via de sinalização RAS-MAPK: Controle do crescimento, diferenciação, migração e apoptose celular Formação adequada dos tecidos Na SN há uma hiperativação da proteína SHP-2 codificada pelo gene PTPN11 Gene PTPN1: Está localizado em 12q24.1 Codificação da proteína tirosinofosfatase SHP-2: ○ Transdução do sinal da via MAPK. Mutações no gene PTPN11: Ganho de função da SHP-2. Maior frequência de EPV e de baixa estatura; Outros genes: RAF1: Maior frequência de MIOCH e de baixa estatura SOS1: Maior envolvimento ectodérmico, maior frequência de ptose palpebral, menor frequência de baixa estatura e desenvolvimento cognitivo normal. KRAS: Maior frequência e gravidade de déficit intelectual. Síndrome de Noonan 3 Manifestações clínicas Quadro clínico típico: Baixa estatura, dismorfismo facial e cardiopatia congênita. Ao nascimento: peso e altura normais Baixo ganho de peso até os 18 meses: Dificuldades de alimentação (63%) Hipotonia Boa qualidade de vida e integração social (85%) Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (40-70%) Dificuldade de aprendizado (26%) Grau moderado de retardo mental (15-35%) Características craniofaciais: Forma triangular Orelhas com implantação baixa e Síndrome de Noonan 4 Hipertelorismo ocular Ptose palpebral Fissura palpebral externa desviada para baixo rotação incompleta (>80%) Espessamento da hélice auricular Micrognatia Pescoço curto e/ou alado Alterações no crescimento: Baixa estatura pós-natal (70-83%) Baixa estatura na infância: ○ Mais evidente na adolescência devido ausência de pico de crescimento puberal. Atraso de 1-2 anos na idade óssea: ○ Crescimento pode persistir até os 20 anos. Alterações cardíacas: Defeitos cardíacos congênitos (62- 90%): Altura final (adulto): 160 cm para homens e 152 cm para mulheres. Etiologia da baixa estatura ainda não esclarecida Secreção normal de GH: Insensibilidade Alterações musculoesqueléticas: Pectus carinatum e/ou Pectus excavatum (70%) Hipertelorismo mamário (70%) Cúbito valgo (50%) Síndrome de Noonan 5 Estenose valvar pulmonar- EVP (54%) Miocardite hipertrófica- MIOCH (18%) Defeito no septo atrial (18%) Defeito no septo ventricular (11%) Insuficiência mitral (6%) Estenose aórtica (4%) Coarctação de aorta (4%) Persistência do canal arterial Anormalidades eletrocardiográficas (58%) Os defeitos são frequentemente valvulares ou septais Escoliose/Cifose (25%) Clinobraquidactilia (30%) Má oclusão dentária (35%) Tórax em escudo Demais alterações: Alterações linfáticas (20%) Linfedema generalizado ou periférico Higroma cístico pré-natal Alterações geniturinárias: Puberdade atrasada Criptoquirdia uni ou bilateral (70%) Infertilidade masculina, mas fertilidade feminina preservada Afecções renais (11%) Alterações neurológicas: Atraso do desenvolvimento motor (26%) Dificuldade de aprendizado (15%) Atraso de linguagem (20%) Retardo mental leve (25-35%) Malformação de Chiari tipo I Anormalidades oculares (95%) Anormalidades auditivas (15-40%) Síndrome de Noonan 6 Alterações hematológicas: Equimoses espontâneas (55%) Tendência a sangramentos prolongados Deficiência de fatores de coagulação (20%) Trombocitopenia (20%) Distúrbios da pele e pigmentação Diagnóstico Clínico + Testes genéticos Clínico: Através de sistema de pontuação (Critérios de Van de Burgt e Cols. - 1994) Testes genéticos: Sequenciamento de nova geração Gene PTPN11 Teste de painel de "síndrome de Noonan" ou "RASopatia" Teste pré-natal: Vários estudos têm apoiado o teste da variante NS na gravidez na presença de espessamento da nuca, higroma cístico, polidrâmnio, hidropisia, anomalias renais, sacos linfáticos jugulares Síndrome de Noonan 7 Inclui muitos ou todos os genes conhecidos por serem mutados na NS distendidos, hidrotórax ou anomalias cardíacas Diagnósticos diferenciais: Síndrome de Turner, Síndromes Noonan-like, Síndrome Leopard, Síndrome Cardiofaciocutânea, Síndrome de Costello e Neurofibromatose tipo 1 Monitoramento e tratamento Avaliação pós-diagnóstica: Exame físico e neurológico Curva de crescimento Estudos genéticos (se necessário) Avaliação cardiológica: ECO e ECG Reavaliação a cada 5 anos Avaliação oftalmológica Avaliação auditiva Estudo de coagulação USG de vias urinárias Rx de colula e tórax Avaliação do desenvolvimento psicomotor Tratamento: Cirurgias cardíacas Centros especializados: Retardo psicomotor; Dificuldades de aprendizagem. Sondas nasogástricas/Gastrostomia Reposição de fator VII Diátese hemorrágica Uso de GH - Aprovado pela FDA 2007 Ganho de 3-4 cm/ano; Dose: 0,1-0,15 U (33-66 μg)/kg/dia; Incremento de 0,7-1,7 no escore-Z; Presença de MIOCH: Contraindicado. Aconselhamento genético Síndrome de Noonan 8 Herança autossômica dominante: Indivíduos com SN: risco de 50% de transmitir aos filhos; Teste genético pré- implantacional. Pais com filhos afetados: Mutações de novo : risco de recorrência inferior a 1%; Exame físico e histórico familiar; Buscar sinais leves característicos de SN.