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MONIEZIA SPP. CARDOSO, A. E. R.¹, SPEROTTO, M. M.² ¹ Universidade Federal do Acre - UFAC, andrea.cardoso@sou.ufac.br ²Universidade Federal do Acre - UFAC, myla.sperotto@ufac.br O Moniezia spp. é um cestóide que com frequência parasita o intestino delgado de ruminantes, também conhecida como tênia dos bovinos. Esse helminto pertence ao reino Animalia, filo Platyhelminthes, classe Cestoda, ordem Cyclophyllidea, família Anoplocephalidae, gênero Moniezia e apresenta duas espécies de maior importância, a Moniezia benedeni e Moniezia expansa. Quanto à morfologia, as duas espécies apresentam 2 metros ou mais de comprimento e para diferenciá-las podemos observar as glândulas interproglotidianas. M. Benedeni é um parasito que possui escólex globoso e pescoço fino e longo. Apresenta glândulas interproglotidianas no terço mediano das bordas das proglotes e afeta principalmente a espécie bovina. Em contrapartida, o M. Expansa é um parasito com escólex globuloso, que também possui pescoço fino e longo. Apresenta glândulas interproglotidianas espalhadas nas bordas das proglotes e ocorre principalmente em ovinos e caprinos. Para completar seu ciclo de vida precisam de um hospedeiro intermediário e um hospedeiro definitivo. Os parasitas adultos se fixam na parede do intestino delgado do hospedeiro, e posteriormente a Moniezia elimina continuamente seus segmentos, que desprendem-se do estróbilo e saem juntamente com as fezes, sendo muito comum a visualização e identificação desses pequenos filamentos amarelados ou esbranquiçados nas fezes dos animais acometidos. Esses segmentos repletos por ovos do verme são ingeridos por ácaros que naturalmente vivem nas pastagens e que atuam como hospedeiros intermediários, permitindo o desenvolvimento do parasita até seu estágio larvário, que é a forma infectante. A infecção do hospedeiro definitivo (representado por bovinos, ovinos e caprinos) ocorre pela ingestão dos ácaros portadores das larvas de Moniezia durante o pastejo. Pelo menos 80 espécies de ácaros oribatídeos têm sido citadas como hospedeiras intermediárias de M. expansa, e 38 de M. benedeni. Os parasitas ocorrem em número variável, podendo-se encontrar dezenas em um único animal. Como as espécies de Moniezia não possuem tubo digestivo, a absorção dos nutrientes se dá através de seu próprio revestimento externo, não havendo o consumo de sangue do hospedeiro definitivo como ocorre em outras parasitoses gastrointestinais que acometem ruminantes. Nesse sentido, infecções por Moniezia geralmente são pouco patogênicas aos animais acometidos, podendo ser assintomáticas ou causando síndromes de má absorção, diarréias, constipação, definhamento e obstrução intestinal apenas nos quadros de infestações mais graves pelo parasita. Apesar de pouco patogênicas, alguns estudos demonstraram que animais tratados com medicações eficazes contra Monieza apresentaram produtividade superior à de animais não tratados. Sendo assim, em altas infecções competem com o hospedeiro pelos nutrientes ingeridos, representando uma perda na produção de leite e carne, e em cordeiros jovens pode afetar a qualidade da lã. O diagnóstico se baseia amplamente na presença de proglótides nas fezes, que pode ser confirmado laboratorialmente através da contagem de ovos por grama de fezes (OPG) e no formato característico dos ovos, sendo triangulares os de M. expansa, e quadrangulares os de M. benedeni, ambos com oncosfera. Para o controle das infecções por esse parasito preconiza-se a adoção de medidas integradas de manejo e uso de anti-helmínticos com eficácia comprovada contra cestóides. Drogas incluindo niclosamida, praziquantel, bunamidina e vários compostos benzimidazóis podem ser utilizados. No entanto, frente à grande resistência anti-helmíntica desenvolvida, sobretudo para as drogas da classe benzimidazólica (como o albendazol e mebendazol), alternativas de manejo devem ser instituídas complementando as medidas convencionais de tratamento. Medidas gerais como a formação de piquetes para a adoção de pastejo rotacionado, separação do rebanho de acordo com a faixa etária ou categoria animal e o correto manejo nutricional são de vital importância para o controle de todos os tipos de parasitose. Especialmente no caso das infecções por Moniezia preconiza-se a aragem dos terrenos como forma de controle do número de hospedeiros intermediários, além da estabulação dos animais durante a noite, período em que as temperaturas amenas favorecem a saída dos ácaros das raízes das pastagens em direção às folhas, contribuindo com a transmissão desse helminto. Palavras-chave: Helminto; parasitose intestinal; ruminantes.