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DESNUTRIÇÃO 
ENERGÉTICO PROTEICA 
DEP 
 
“Desequilíbrio entre o suprimento de 
nutrientes e de energia e a demanda do 
organismo para assegurar sua 
manutenção, seu crescimento e suas 
funções metabólicas” (Sarni & Souza, 
2014) 
 
É uma doença de natureza clínico-social, 
multifatorial, cujas raízes se encontram na 
pobreza¨ (BRASIL, 2005). 
 
Evolução de indicadores na população de 10-19 anos de idade, 
por sexo – Brasil – períodos 1974-75, 1989, 2002-2003 e 2008-
2009 
DEP PRIMÁRIA (origem nutricional) 
 
• Ingestão deficiente de energia 
 (inferior às necessidades) 
 
• Não há outra doença associada (relacionada à 
insegurança nutricional) 
 
 
 
DEP SECUNDÁRIA 
 
• Quando há doença relacionada (geralmente por baixa 
ou inadequada ingestão alimentar; por alteração na 
absorção ou por necessidades aumentadas e/ou 
perdas aumentadas de nutrientes. 
 
• Ex: DEP associada a cardiopatias congênitas, doença 
celíaca ou SIDA 
FORMA CLÍNICA 
 
• Indivíduos emagrecidos (wasted) e / ou com parada do 
crescimento (stunted), conforme figura abaixo: 
 
 
 
DEP MODERADA E GRAVE 
 
DEP GRAVE: MARASMO 
Parada de crescimento - comum em lactentes 
- perda marcante de tecido adiposo subcutâneo 
- perda marcante de tecido muscular (atrofia) 
Pode apresentar: abdome 
globoso cabelo fino e escasso, 
quebradiço e às vezes descolorido. 
A criança é irritadiça e apática 
 
DEP GRAVE: KWASHIORKOR 
Lesões típicas de pele: lesões hipo e hipercrômicas, com 
descamação 
Cabelos: descoloridos e facilidade em soltar do couro cabeludo 
Apatia ou irritabilidade, anorexia, edema de face, presente em > 
2 anos, hipoalbuminemia, ascite, hepatomegalia (esteatose) 
fígado aumentado e gorduroso, estresse oxidativo com aumento 
da permeabilidade endotelial por ação de radicais livres 
circulantes. 
DEP GRAVE: KWASHIORKOR 
KWASHIORKOR 
Descrito por Williams, em 1933, que se passou a reconhecer 
o quadro como desnutrição. A etimologia da palavra, na 
língua de Ghana, significa “doença do primogênito, quando 
nasce o segundo filho”. 
DEP GRAVE: 
 KWASHIORKOR versus MARASMO 
KWASHIORKOR: acomete crianças acima de 2 anos; caracteriza-
se por alterações na pele (lesões hipercrômicas, hipocrômicas ou 
descamativas); acometimento de cabelos (textura, coloração, 
facilidade de soltar o couro cabeludo; hepatomegalia (esteatose); 
ascite, face de lua, edema de membros inferiores e/ou anasarca e 
apatia. 
MARASMO: acomete crianças menores de 12 meses, com 
emagrecimento acentuado, baixa atividade, irritabilidade, atrofia muscular 
e subcutânea, com desaparecimento da bola de Bichat (último depósito de 
gordura a ser consumido, localizado na região malar), o que favorece o 
aspecto envelhecido, com costelas visíveis e nádegas hipotróficas. O 
abdome pode ser globoso e raramente com hepatomegalia. 
DIAGNÓSTICO 
Fome por escassez de recursos econômicos (p.ex, região Nordeste e 
alguns bolsões de pobreza das grandes cidades): prevalecem as formas 
graves tipo marasmo. 
Riqueza de recursos naturais (fauna e flora – como na região Norte, 
Amazônia), mas com desconhecimento da oferta adequada de alimentos 
regionais disponíveis para as crianças. Práticas inadequadas: oferta de 
mingaus contendo apenas água e farinha, pobres em proteínas e 
micronutrientes (insegurança alimentar): prevalecem as formas graves tipo 
Kwashiorkor. 
Deficiência de micronutrientes: fome oculta. 
AVALIAÇÃO NUTRICIONAL 
Medidas antropométricas: 
 
Peso atual: pode não representar o peso real na presença 
de edema, desidratação, tumores sólidos, visceromegalias 
volumosas, etc. 
 
Nesses casos, pode-se optar pelo peso usual ou peso mais 
recente, anterior a essas alterações. 
 
Crianças internadas: pesar pelo menos três vezes por 
semana 
 
Altura: reflete o estado nutricional atual e pregresso e o seu 
comprometimento indica agravo crônico. A recuperação pode 
ser completa quando a correção ocorre até os primeiros anos 
de vida. Aferir 1x/sem 
 
Até dois anos de idade: posição deitada 
 
Após dois anos de idade: posição supina 
 
Perímetro cefálico: medir até os 3 anos de idade 
 
Dobras cutâneas e circunferência do braço: 
 
Circunferência do braço: (CB) representa o perímetro ocupado 
pelos tecidos ósseo e muscular + adiposo. 
 
Circunferência muscular do braço: (CMB) avalia a massa 
muscular (reserva proteica). 
 
Dobras mais utilizadas: tricipital e a subescapular 
 
Valores de referências: tabelas de Frisancho (1-19 anos de 
idade) e OMS (0-5 anos de idade) 
Índices antropométricos 
 
Peso/idade: demonstra a situação global atual. 
 
Estatura/idade: analisa o crescimento linear, sendo afetado por 
agravos prolongado. Ou seja, define se a alteração nutricional 
é aguda ou crônica. 
 
Peso/estatura: indica harmonia do crescimento, sendo 
comprometido por agravos agudos. 
Local Manifestações físicas/clínicas Carências 
Cabelo Perda de brilho, seco, quebradiço Proteína, zinco 
Faces Seborreia nasolabial, edema de face Proteína, ferro e vitamina B2 
Olhos Palidez conjuntival, xerose, blefarite Ferro, vitaminas A, B2 e B6 
Lábios Estomatite angular, queilite Vitamina B2 
Língua Glossite Vitamina B2, B3, folato e B12 
Gengiva Sangramento Vitamina C 
Pele Xerose, petéquias, hiperceratose 
folicular 
Vitamina A,C, e K 
Unhas Coiloníquias, quebradiças Ferro 
Avaliação física/clínica nas carências nutricionais: 
Avaliação bioquímica: 
Hemograma completo 
Proteína C reativa (PCR) 
Proteína total e frações 
Cálcio, fósforo, potássio, magnésio e fosfatase alcalina 
Vitaminas / minerais 
Colesterol e frações 
Relacionados a função renal e hepática 
Pré albumina e proteína ligadora de retinol: apresentam maior 
sensibilidade para avaliação nutricional, porém são 
influenciadas pelas concentrações de vitamina A e zinco. 
 
Albumina e transferrina são proteínas que se alteram na fase 
aguda de agressões infecciosas, inflamatórias e traumáticas e 
devem ser acompanhadas pela dosagem de PCR como 
parâmetro da resposta inflamatória. 
 
• Pré-natal e puericultura 
 ausentes ou informações 
 inadequadas 
dificuldades nas técnicas de amamentação 
CRIANÇAS MENORES DE 6 MESES 
 
INSUCESSO NO ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO 
 
 Predomínio de Dieta Láctea - após 6 meses 
 
 Dietas Monótonas - variedade, preparo 
 
 Alimentação Láctea -próxima às refeições (A/J) 
 
 Alimentos de baixa densidade de energia 
 Preparo da refeição s/ óleo, prevenção DCNT... 
 
 Alimentação complementar – início tardio ou inadequado 
CRIANÇAS MAIORES DE 6 MESES 
 
  Erros alimentares 
 - horários, qualidade, crianças seletivas, presença líquidos... 
 
 Diminuição da aceitação dos alimentos 
 -doença, mudanças, ansiedade, criança hiperativa, stress ... 
 
 Aumento do requerimento energético 
 
CRIANÇAS E ADOLESCENTES 
ALTERAÇÕES NO SISTEMA DIGESTIVO 
-Presença de alterações na absorção de lipídeos e dissacarrídeos 
 - lactase reduzidas 
 
- redução de secreções gástricas, pancreáticas e biliar 
Maltase 
Sacarase 
Lactase 
Luz intestinal 
ALTERAÇÕES NO SISTEMA IMUNE 
- diminuição da imunidade celular , humoral e a não específica 
- alterações dos linfócitos T, 
- alterações do metabolismo de citocinas 
- redução da atividade da interleucina - 1 
 - favorece infecção por bactérias Gram -negativas 
 - o rompimento na integridade das barreiras 
 epiteliais e mucosa permite o acesso de 
 microorganismos à circulação, contribuindo para a 
ocorrência da Translocação bacteriana 
PREVENÇÃO E 
CONTROLE DA 
DESNUTRIÇÃO 
A DEP é uma doença social, 
em que o fator etiológico mais importante 
é a condição sócio-econômica, desta forma, 
o controle e prevenção ocorreram quando existir 
elevação do padrão de vida da população em risco. 
Devem-se ter medidas focadas nas comunidadese famílias de risco que apresentam 
condições ambientais comprometidas: 
- alimentação deficiente 
- saúde precária 
A equipe de saúde 
•Acompanhar às gestantes para a prevenção da DEP 
intrauterina; 
 
•Reconhecer problemas nutricionais e as forma de adequá-las, 
principalmente em suas formas iniciais; 
 
•Prevenção e controle das doenças infecciosas, principalmente as 
as respiratórias e as diarréicas; 
•Integrada à comunidade; 
•incentivar práticas preventivas e de promoção de saúde, mais do 
que as curativas; 
A equipe de saúde 
•Prevenção e controle das deficiências nutricionais. 
•realizar educação nutricional: 
•incentivo o aleitamento materno, 
•orientar: 
•a introdução da alimentação complementar 
•alimentação da criança e adolescente; 
»Unidades básicas de saúde 
»Creches/ escolas 
»Mutirões antropométricos 
“Captação” da criança desnutrida 
Formas de Intervenção 
equipe interdisciplinar 
PREVENÇÃO E TRATAMENTO 
»unidades básicas de saúde/ambulatórios 
»visitas domiciliares (PSF) 
»centros de recuperação (CREN) 
»hospital dia 
TERAPIA NUTRICIONAL 
ANAMNESE 
- Quem é esta criança (condições gestacionais maternas, 
antecedentes neonatais e pessoais) 
- Quando começou a alteração de peso e/ou altura; 
- Onde mora (qual a região, condições de moradia e entorno), 
integração com equipe de saúde. 
Protocolo de terapia nutricional para tratamento da 
desnutrição grave em crianças abaixo de 5 anos, em regime 
hospitalar, publicado pela OMS é dividido em três etapas: 
Estabilização: O paciente está hospitalizado, tratam-se as intercorrências 
com risco de morte, evita-se o agravamento da condição nutricional, 
reverte-se as alterações metabólicas e inicia-se a alimentação. 
 
- Oferta-se no máximo 100 kcal/kg/dia 
- Oferta hídrica 130 mL/kg/dia 
- Dieta com baixa osmolaridade (< 280 mOsmol/L e baixo teor de lactose 
(< 13g/L) 
- Se a ingestão via oral inicial for inferior a 60 a 70kcal/kg/dia, indicar 
Terapia Nutricional (TN) por sonda nasogástrica. 
- Na dieta por sonda, pode ser utilizado um preparado alimentar 
artesanal contendo 75 kcal e 0,9 g de proteína/100mL ou fórmula 
infantil polimérica isenta de lactose. 
- Nas situações de má absorção grave, pode ser necessária a utilização 
de fórmulas extensamente hidrolisadas ou à base de aminoácidos 
(VIANI; SANTOS, 2014). 
 
 
Recuperação nutricional: o paciente ainda está hospitalizado, nesta 
fase o importante é aumentar a oferta de nutrientes e melhor recuperação 
do peso perdido e prevenir ou tratar deficiências de micronutrientes. 
- Oferta calórica de 150kcal/kg/dia 
- Oferta hídrica de 150 A 200mL/kg/dia 
- Proteína: 3,0 a 4,0g/kg/dia 
- Dieta com menor teor de lactose 
- Pode-se utilizar preparado artesanal contendo 100kcal e 2,9g de 
proteína para cada 100 mL ou fórmula infantil com menor conteúdo de 
lactose. 
- Fornecer preparados com multivitaminas (1,5 vez a recomendação 
para criança saudável), zinco, cobre e ferro. 
Acompanhamento ambulatorial e reabilitação: é 
realizado em hospitais-dia ou ambulatórios, realizando-se 
a monitorização do crescimento (vigilância dos índices P/E 
e E/I e o desenvolvimento motor e cognitivo da criança. É 
importante o trabalho multiprofissional. Nos ambulatórios 
temos o atendimento nutricional, sendo que nas consultas 
existe a educação nutricional, direcionada ao melhor 
aproveitamento de alimentos de baixo custo, oficinas 
culinárias são implementadas também. 
Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN) 
– lactentes e pré-escolares: possui abordagem mais ampla 
da criança e sua família. Essas instituições realizam 
trabalhos educativos, aceleram o processo de recuperação, 
evitam recaídas, fortalecem ou capacitam 
mães/responsáveis na identificação e busca de soluções 
para suas dificuldades, facilitam o acesso das famílias mais 
carentes aos recursos sociais disponíveis na região. 
 
 
A criança permanece no CREN por 10 horas, em todos os 
dias úteis da semana e recebe cuidados de higiene, 
tratamento de infecções, suplementação de micronutrientes, 
cinco refeições, com atividades lúdicas e educativas, com 
oficinas. Esses centros no Brasil ainda são iniciativas 
isoladas, geralmente vinculadas a universidades.

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