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Relatório Inclusão, preconceito e segregação

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FMU – Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas 
Bianca Carneiro de Lima Nascimento – 8618516 – turma: 212102A07 
Letras - Educação Inclusiva 
 
Relatório: Inclusão, Preconceito e Segregação. 
O presente trabalho tem como objetivo trazer reflexões sobre a educação inclusiva a 
partir do filme “Como estrelas na Terra” e "O Milagre de Anne Sullivan". 
O primeiro mencionado conta a história de Ishaan, um garoto indiano de 8 anos de 
idade que tem dificuldades de aprendizagem, entre as quais, dificuldade para ler e 
escrever. Após uma série de reclamações na escola, o pai de Ishaan decide colocá-
lo em um internato, por acreditar que o desempenho (ou a falta de desempenho) do 
filho é falta de disciplina. 
Apesar do meio rigoroso, Ishaan continua sentindo dificuldades e sente-se cada vez 
mais triste e incapaz de lidar com as demandas que lhe são feitas. É apenas quando 
chega o professor substituto de artes, Nikumbh, que a trajetória do garoto é 
transformada, ele busca construir um espaço educacional no qual os alunos podem 
se expressar através da arte (música, canto, pintura etc.) quando o professo Nikumbh 
percebe que o Ishaan não participa das atividades, ao invés de reprimi-lo (como era 
esperado pela coordenação da escola) o professor passa a desenvolver um projeto 
para auxiliar Ishaan, contata os pais do garoto e o diretor da escola a fim de 
desenvolve-lo, aos poucos. Ishaan melhora seu desempenho escolar tanto na matéria 
de artes quanto nas demais, aumentando assim sua autoestima. Nikumbh conversa 
com o diretor da escola sobre Ishaan e explica que se trata de um caso de dislexia, 
isto é, um quadro no qual a pessoa apresenta dificuldade para ler e escrever, assim 
como para o reconhecimento e correspondência entre signos e fonemas. Ele 
argumenta que o menino é muito inteligente e criativo, apenas precisa de uma ajuda 
extra. O diretor alega que será difícil o aprendizado do garoto na escola, uma vez que 
esta deverá se disponibilizar a mudanças para ajudá-lo. Nikumbh se oferece a ajudá-
lo e o diretor finalmente concorda. O professor utiliza diversas estratégias que facilitam 
o aprendizado para o menino, e aos poucos ele consegue ler e escrever. Nikumbh 
decide então fazer uma competição de artes entre todos da escola. Neste evento, 
Ishaan vence com a melhor pintura e todos reconhecem seu talento. 
Estando inserido num sistema educacional tradicional, que trata de forma homogênea 
os alunos, as particularidades de Ishaan são negligenciadas, o que produz no aluno 
uma persistente dificuldade em adaptar-se e desenvolver-se. A partir desse contexto, 
muitas questões podem ser levadas em conta e relacionadas com algumas temáticas 
em Educação Inclusiva. O primeiro ponto se trata do fato de existir uma escola onde 
não há um olhar para a singularidade do garoto. A falta desse olhar causou 
grande sofrimento psíquico em Ishaan. Em ambas as escolas, era posto um ensino 
que utilizava o método tradicional, onde não cabia espaço para as possíveis 
diferenças que as crianças daquele grupo poderiam ter. As escolas tentem a utilizar a 
doutrina normativa no ensino a fim de padronizar o método de ensino/aprendizagem, 
os alunos que não se adaptam a esse método por uma questão de deficiência ou não, 
acabam segregados e a mercê de desigualdade, fracassos e humilhações. 
O segundo filme trata-se de uma história real que apresenta a trajetória de uma 
menina cega e surda, Helen Keller, orientada e ensinada por sua 
professora que também fora praticamente cega na infância, Anne Sullivan. Sullivan 
fez nove cirurgias nos olhos e ainda tinha certa dificuldade para enxergar. As cenas 
são muito fortes e nos remetem a outro mundo: o das inúmeras dificuldades que 
podem ser encontradas no processo ensino/aprendizagem, sobretudo, 
se o aprendiz não ouve e nem enxerga. O filme tem uma nítida ligação com 
a disciplina Educação Inclusiva, pois além da realidade da menina cega e surda, 
mostra as dificuldades encontradas pela família no cotidiano e, uma professora 
inserida no contexto, que conhecia bem de perto o “escuro” mundo de Helen. O filme 
retrata o ano de 1886. Na vida real, Anne Sullivan contraiu tracoma e foi violentada 
pelo pai antes de ser abandonada em um internato junto com seu irmão, internato 
desse que foi cogitado pelos pais de Helen, a matrícula dela. 
Na convivência da menina com a sua família por ser cega e surda era tratada 
de forma diferente, com pena, como alguém que não merecesse conhecer regras 
ou limites, exatamente por ser uma criança e por já conviver com os limites impostos 
por sua saúde. Esse aspecto foi duramente combatido pela professora Anne, porque 
ela acreditava que, antes da deficiência, Helen era uma criança dotada de perfeito 
raciocínio, já que sua deficiência não era mental. Como qualquer outra criança, fazia 
pirraça quando queria algo e se revoltava quando era contrariada ou não atendida. A 
professora chamava a atenção dos pais, para que não continuassem a mimá-la como 
faziam. Os pais não viam a menina como alguém que fazia o que queria, mas como 
alguém que já tinha duras limitações impostas pela própria vida e por isso tinha que 
"ter tudo que queria". 
Vendo que os pais seria um certo obstáculo no ensino de Helen, Srtª Sullivan propôs 
aos pais da menina total isolamento, só ela e a aluna, pois, assim como no caso do 
professor de Ishaan, Anne também entendia de perto a limitação da criança. E assim 
iniciaram as duas semanas só a Helen e sua professora Srtª Sullivan. 
Alguns aspectos do filme podem ser relacionados diretamente ao ensino, como a 
linguagem de sinais para leitura com as mãos ensinada por Anne Sullivan à 
Helen Keller, tão disposta a aprender. Destacamos também a 
primeira palavra de Helen Keller “water”, que ela disse ao final do filme, podendo 
representar a aprendizagem significativa, já que havia 
estruturas de conhecimentos específicos que o aprendiz já possui e que 
podem potencializar a aprendizagem. A aprendizagem significativa se 
estabelece quando uma nova informação se ancora a estruturas já existentes. Trata-
se do desafio do professor em favorecer as ligações do que é ensinado com o que o 
aluno já sabe. 
Historicamente, a pessoa com deficiência ou com dificuldades passou por espaços e 
posições sociais diversos, como a marginalização, que geralmente era acompanhada 
de uma culpabilização moral e não raro o abandono; assistencialismo, em que muitas 
vezes a família e/ou a igreja se responsabilizavam por elas, mas como um gesto 
caridoso e não como a compreensão de direito; até uma compreensão social de seu 
potencial, educação e reabilitação, ainda que impulsionadas por questões 
econômicas; e, mais recentemente, uma tentativa de integrar essas pessoas, numa 
tentativa de fazê-las se adequarem à sociedade. Atualmente a pessoa portadora de 
deficiência não é mais marginalizada, pois, possuímos diversas leis que garante a 
inclusão e a atenção maior a essas pessoas, ainda é um caminho longo a percorrer, 
porém, já foi um avanço enorme por exemplo, não existir mais as "escolas 
especializadas" que como a Anne Sullivan descreve, a que ela ficou era um ambiente 
sujo, cheio de ratos e humilhante. Atualmente é frequente encontrarmos pessoas 
portadoras de deficiência tanto física quanto mental, estudando nas mesmas salas de 
ensino normativo, as vezes não é a melhor opção pois uma deficiente precisa de uma 
atenção maior e as vezes em sala de aula normativa, isso não é possível. Por esse 
motivo, é importante usarmos o exemplo do professor Nikumbh, em uma sala de aula 
normativa ele conseguiu dar atenção para um aluno disléxico e para a turma normativa 
e ainda conseguiu fazer a turma normativa ficar empolgada com um trabalho 
desenvolvido especialmente com foco no Ishaan. 
Ambos os filmes são impactantes e traz inspiração no processo de ensino, pois 
nos permite enxergarresultados que podem ser alcançados quando há amor, 
dedicação, esforço, estudo e comprometimento com os sujeitos de todo esse 
processo: os alunos. Quando o professor consegue fazer a rede entre aluno, diretor 
da escola e os pais, auxilia no processo de ensino e inclusão como foi o caso o Ishaan, 
já no caso da Helen a Srtª Sullivan fez a rede entre pais e filha, ensinando a menina 
um método de se comunicar e assim trazer os pais para perto, isso fez os pais mudar 
a visão que tinham da Helen, antes a tratavam como um ser não pensante, com 
sentimento de pena, porém, após a apresentação e ensino da linguagem a Helen, 
seus pais conseguiam dialogar com ela, apesar de suas limitações. 
Para atingir feitos tão grandes como o da Professora Anne e o do Professor Nikumbh 
é necessário muita paciência, conhecimento de diversas formas de ensino e empatia. 
 
Tendo isso em vista, a inclusão se mostra como um grande desafio na educação, visto 
que implica problematizar, repensar e reconstruir os objetivos e o funcionamento 
escolar e educacional. A inclusão, finalmente, surge como uma forma de combate ao 
processo histórico de exclusão, dentro de uma compreensão de que é a sociedade, 
como coletivo, que deve buscar mudanças em diversos níveis, visando construir um 
ambiente em que essas pessoas possam fazer parte efetivamente, aproximando-se 
de seus direitos e não apenas inserindo seus corpos, mas também criando o campo 
de forças no qual esses corpos circulam. É preciso, dentro da psicologia, alinhar ideias 
e práticas no sentido de problematizar contextos e métodos, contribuindo com o 
incentivo de outros saberes e fazeres. Dificuldades teóricas e práticas de mudança 
existem e sempre existirão, mas, apesar disso, é importante permanecer 
questionando essa situação, e tentar romper minimamente com a homogeneização 
que se busca no ambiente escolar. É preciso repensar uma educação que seja de 
forma inclusiva, considerando aspectos da diversidade humana, tais como a religião, 
gênero, raça, classe, dificuldades/limitações físicas ou cognitivas, contextos diversos, 
entre outros, considerando também que o sujeito é único no processo educativo. A 
realização de pequenas propostas e ações, assim como o trabalho em rede podem 
ser revolucionárias e contribuir para mudanças na vida das pessoas.