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GABRIELA LOHN APOSTILA DE IMUNOLOGIA II Aula 1 Imunologia II Relembrando ¨ Célula NK: matadoras naturais, presença de granzinas e perforina, destruição direta. ¨ Célula T Citotóxica= CD8+. Ela faz toxidade direta, destruição direta. ¨ Célula T Auxiliar= CD4+. Ajuda as células vizinhas. Podem se dividir em TH1 (imunidade celular) e TH2 (imunidade humoral) dependendo das citocinas que libera. ¨ Célula Dendrítica Foliculares: principal célula apresentação de antígeno (APC) por estar presente nas principais vias de entrada, que são os tratos respiratórios, gastrointestinais e urinário. Capturam os microorganismos e apresentam para a célula T. ¨ Macrófago: encaminha seus pseudópodes para fazer a fagocitose, sabem o que fagocitar por causa do PAMPS (padrão molecular associado ao patógeno), eles também possuem receptores tool like. ¨ Célula T reg: regulatórias, controlam a resposta imunológica, para que ela não seja exagerada para assim não fazer mal ao próprio organismo. ¨ Célula B quando começa a liberar vira plasmócito. ¨ Mastócito: possuem a imunoglobulina IgE. ¨ Basófilo: possuem os mesmos receptores. Apresentamos apenas 1% deles na corrente sanguínea. ¨ Neutrófilo: tem receptor FC. Ele apresenta ADCC. Na corrida das células, ele é o primeiro a chegar. Presente na inflamação aguda. Desvio a esquerda aumenta a quantidade de neutrófilos, mais que 10% são do tipo bastonete. Pensa-se em uma infecção mais grave quando passa desse limite, pelo corpo estar mandando células imaturas, as quais não estavam ainda prontas. ¨ Eosinófilo: resposta importante contra parasitas. ¨ Imunodeficiência primária: já nasceu com a pessoa. Já a secundária temos o exemplo da AIDS. ¨ Infectologia, alergias. Imunodeficiências, transplantes, tumores, DAIs. ¨ Paciente transplantado precisa tomar imunossupressores, sofrendo assim de imunodeficiência secundária. ¨ Exemplo de DAIs: artrite reumatoide, lúpus, espongilite anquilosante. ¨ Características gerais das respostas imunes aos microorganismos ® Desenvolvimento de uma infecção envolve interações entre o microrganismo e o hospedeiro. ® Eventos-chave: porta de entrada, invasão, colonização, evasão, Lesão tecidual / comprometimento funcional. ¨ Exemplos de especialização da imunidade adaptativa ® Geração de diferentes subpopulações de LTCD4+ efetoras. ® Produção de diferentes isotipos de anticorpos. ¨ Equilíbrio entre respostas imunes do hospedeiro e estratégias microbianas de Gabriela Rachadel Lohn Aula 1 resistência à imunidade muitas vezes determina o desfecho da infecção. ¨ Os anticorpos têm como função neutralizar os patógenos e contribuir para sua eliminação através de vários mecanismos complexos. ¨ Os patógenos podem ser organismos unicelulares (bactérias e alguns protistas), pluricelulares (alguns tipos de fungos, protozoários e helmintos) ou unidades virais, todos com capacidade de provocar doenças. ¨ Características gerais das respostas imunes aos microorganismos ® O sistema imune responde de modo diferente a diferentes microorganismos. ® A defesa contra os microoganismos é mediada pelos mecanismos efetores da imunidade inata e adaptativa. ® A sobrevivência e patogenicidade dos microorganismos é influenciada pela capacidade de evasão aos mecanismos efetores. ¨ Em muitas infecções a lesão tecidual e a doença são causadas pela resposta do hospedeiro ao microorganismo e a seus produtos, mais do que pelo microrganismo em si. ¨ Mecanismo de Latência ® Infecções latentes ou persistentes, em que a resposta imune controla, mas não elimina o microrganismo. ® Estratégia usada por vírus e/ou bactérias. ® Herpesvírus Poxvírus (vaccinia – varíola): DNA viral se insere no DNA do hospedeiro, porém nenhum vírus infeccioso é produzido. ® Tuberculose: Bactéria vive dentro de fagócitos. ¨ Defeitos herdados ou adquiridos (inata e/ou adaptativa) são causas importantes de suscetibilidade a infecções ® Causas adquiridas: HIV e Imunossupressão intencional por fármacos (doenças inflamatórias, autoimunes ou na prevenção da rejeição de transplantes). ® Causas Hereditárias: Apesar de menos comum, há um grande no de síndromes de imunodeficiência hereditárias, cuja principal consequência clínica é o aumento de infecções. ¨ Análise da resposta imune: ® Teste mais útil: Detecção de anticorpos específicos. ® Imunoglobulina M (IgM) é indicativa de infecção recente. ® Presença apenas Imunoglobulina G (IgG) sugere infecção antiga. Aula 2 Imunidade contra Vírus Vírus ¨ São segmentos de ácido nucleico recobertos com uma capa proteica ou lipoprotéica. ¨ São microrganismos intracelulares obrigatórios que se replicam dentro das células, utilizando a “maquinaria” de síntese de proteínas do hospedeiro. ¨ O Sistema Imune (SI) é capaz de reconhecer e elaborar respostas específicas contra diferentes tipos de vírus. ¨ Hepatite A, Hepatite B, Hepatite C, Herpes, Polio, Sarampo, Raiva, HIV, H5N1, Varíola. ¨ COVID-19 (pneumonia viral) © China – Wuhan (mercado com diversos animais); © Apenas casos graves notificados (assintomáticos ou pouco assintomáticos não foram contabilizados); © Alemanha – 12 casos relacionados a visita de uma chinesa (que vinha da região de wuhan) – mostrou que a infecção pelo vírus pode ocorrer antes dos sintomas. © New England J. of Medicina publicou dia 28/02/2020 ® Cerca de 1100 pacientes atendidos em hospitais chineses: -5% foi admitido na UTI; -2,3% submetido a ventilação mecânica; -1,4% faleceu; (SARS 10%; MERS 37%) ® Período médio de incubação: 4 dias; ® Sinal importante: linfopenia (diminuição dos linfócitos) no hemograma de admissão (83% dos pacientes). ® Letalidade baixa do COVID-19 quando comparada com outros vírus caudadores de epidemias como H1N1 ¨ A quantidade de linfócitos no corpo humano é mais ou menos 30%. ¨ Hepatite A está relacionada com o saneamento básico (infecção por via fecal ou oral). Hepatite B tem-se por meio da relação sexual, transfusão de sangue ou objetos cortantes contaminados. ¨ ESTATÍSTICAS GLOBAIS SOBRE HIV 2019: © 37,9 milhões [32,7 milhões—44,0 milhões] de pessoas em todo o mundo vivendo com HIV. © 23,3 milhões [20,5 milhões—24,3 milhões] de pessoas com acesso à terapia antirretroviral. © 1,7 milhão [1,4 milhão—2,3 milhões] de novas infecções por HIV. © 770 000 [570 000—1,1 milhão] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS. Gabriela Rachadel Lohn Aula 2 © 74,9 milhões [58,3 milhões—98,1 milhões] de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia. © 32 milhões [23,6 milhões—43,8 milhões] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS desde o início da epidemia. © Mulheres: Todas as semanas, cerca de 6.200 jovens entre 15 e 24 anos são infectadas pelo HIV ¨ Tuberculose: A TB continua a ser a principal causa de morte entre as pessoas que vivem com o HIV, sendo responsável por cerca de uma em cada três mortes relacionadas à AIDS. ¨ Brasil: Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgado no dia 16/07/2019, aponta que o número de casos da doença aumentou 21% no Brasil desde 2010. Estamos na contramão do resto do mundo: nos últimos oito anos, houve uma redução de 16% da taxa de pessoas infectadas pelo vírus ao redor do globo. Imunidade aos Vírus ¨ Os vírus infectam diferentes células utilizando receptores, presentes na superfície das células, como porta de entrada. ¨ O vírus exerce efeito citopático sobre a célula infectada e a lesão causada é considerada “lítica” por promover morte celular. ¨ Os vírus não-citopáticos podem causar infecções latentes e sintetizam diferentes proteínas que estimulam a imunidade específica. Exemplo: vírus da herpes. ¨ Não se sabe se o coronavírus fica no estado latente, para saber assim se a pessoa pega pelasegunda vez o covid ou se ele estava incubado. IMUNIDADE INATA CONTRA O VÍRUS ¨ Existem 2 mecanismos principais: © A infecção viral estimula diretamente a produção de IFN tipo I (a e b) pelas células infectadas, o qual funciona inibindo a replicação viral (estimula a síntese de enzimas pela célula infectada que interferem na replicação do DNA ou RNA viral). © Para vírus sempre utiliza-se o interferon tipo 1. © As células NK lisam uma ampla variedade de células infectadas por vírus. ¨ Ação do IFN tipo 1: © O estado antiviral desenvolve-se poucas horas após a estimulação do IFN. © O IFN tipo 1 promove degradação do mRNA, inibição de síntese de proteínas virais e aumento na expressão de MHC classe I. ¨ Reconhecem células infectadas nas quais o vírus bloqueou a expressão de MHC classe I. ¨ Células NK (CD16 e CD56): Aula 2 © Receptor KIR está presente nas células NK. © Histocompatibilidade nas nossas células: HLA. Quando não tem ela a célula NK faz lise dessa célula. ¨ Destroem as células infectadas por vírus por pelo menos 3 mecanismos: IMUNIDADE HUMORAL ¨ Anticorpos específicos contra o vírus são importantes: © no início da evolução da infecção © defesa contra os vírus citopáticos liberados pelas células infectadas e lisadas. ¨ Anticorpos antivirais neutralizantes © impedem a fixação viral e entrada nas células do hospedeiro, pois ligam- se às proteínas do envoltório ou do capsídeo. ¨ Anticorpos opsonisantes © potencializam a fagocitose das partículas virais. ¨ IgA: © presente nas secreções © neutraliza vírus presentes no trato respiratório e intestinal. ¨ Sistema complemento: © contribui para a imunidade viral mediada por anticorpos (IgM e IgG) via clássica; © facilita a fagocitose (via c3b) © promove lise direta dos vírus via MAC (C5b6789n- n vezes). MHC CLASSE I Aula 2 ¨ Atenção: Ponto importante na resposta humoral contra vírus © Vírus que sobrevive e se replica intracelularmente tornam-se inacessíveis aos anticorpos. © Os anticorpos são eficazes contra os vírus somente antes de entrarem nas células ou após a fase lítica. IMUNIDADE ESPECÍFICA CONTRA VÍRUS ¨ É mediada por uma combinação de mecanismos imunes humorais e celulares. © LT citolítico ( LTCD8+) © LT helper ( LTCD4+) © Anticorpos (LB). ¨ LT citotócicos promovem: © vigilância contra infecções virais; © lise das células infectadas; © Introduzem enzimas com capacidade de degradar os genomas virais; © Liberam citocinas (ex: interferon gamma). ¨ Atenção: Em determinadas infecções virais, as lesões teciduais são promovidas pelos LTc, e não pelos vírus, propriamente dito. © Ex. Coriomeningite linfocitária (CML) viral em camundongos. ¨ Visão geral da Imunidade mediada por LTCD8+ (citolítico) © Células infectadas por vírus produzem Ags virais; © Os Ags virais são expressos na membrana via MHC I ¨ Visão geral da Imunidade mediada por LTc © LTc interagem diretamente com a célula infectada ou com uma APC © LTc reconhece o Ag associado ao co- receptor CD8 © Liberação de citocinas para ativação autócrina. © LTc ativados proliferam © Diferenciação em LT citotóxicos (LTc) ou de memória (estimuladas na 2/3 infecção). © LTc interagem com células infectadas e liberam perforinas e granzimas (toxinas). © Célula infectada morre ¨ LT CD8+ vírus-específico Como LT citolítico destrói a célula infectada? © Libera Perforina © Fas/FasL © Produz citocinas: TNFa (age no hipotálamo elevando a temperature)e IFN. © Interleucina 6: patologias com muita interação inflamatória. © IL2 induz o aumento da populaçào de linfócitos. © Indica que está infectada atrvés dos Fas. ¨ Imunidade mediada por LT helper (LTCD4+): IL-1, TNFa, IFN- gama. © Macrófago ativado: ativação dos mecanismos microbicidas. ¨ Cooperação entre LT CD4+ e LB para produzir Acs contra os vírus © Está apresentando por MHC classe II: internalizando um vírus que está do lado de fora e clivando ele. © MHC de classe II sai com o vírus para fora da célula. © Dependendo do tipo de HLA. Aula 2 ¨ Resposta imune Inata e adaptativa contra infecção viral ¨ Cinética da síntese de Anticorpos na infecção viral aguda versus sítios anatômicos © Na infecção primária há produção de Acs por plasmócitos provenientes de linfonodos e do baço. Após a resolução da infecção, plasmócitos da MO tornam-se a fonte de Acs e na resposta secundária o baço rápida e transitoriamente a produção de Acs, até o retorno à homeostasia. Mecanismos de Evasão dos vírus: ¨ Persistência intracelular ¨ Variação antigênica ¨ Inibição do MHC classe I ¨ Síntese de moléculas inibitórias de citocinas ¨ Destruição de células imunocompetentes ¨ Variação antigênica © Devido a uma ampla variação antigênica (cepas sorologicamente distintas) os vírus tornam-se mais resistentes à imunidade gerada pelas infecções anteriores. Ex. influenza, HIV © Antigenic drift - Derivação antigênica: mutações que alteram epítopos antigênicos. Epidemia branda © Antigenic shift- Desvio ou inversão antigênica (mais grave): troca de material genético em linhagens de vírus de um hospedeiro secundário Novo vírus – grande epidemia. Exemplo: mistura do influenza humano com o bovino. o Novas Cepas do Vírus Influenza por recombinação genética – variação antigênica ¨ Inibição do processamento antigênico © Inibição da apresentação dos antígenos protéicos citosólicos associados á classe I do MHC. Ex. o CMV remove as moléculas classe I do MHC recém-sintetizadas e as deposita no citoplasma, onde ficam não funcionais. © Bloqueio do transportador TAP. Ex. o herpes vírus bloqueia o transportador TAP, impedindo a ligação do antígeno ao MHC de classe I. o Herpes simples tipo 1 está associado, principalmente, ao herpes labial, da mucosa oral e da face. o Herpes simples tipo 2 está mais ligado ao herpes genital. o Herpes zóster é uma doença mais grave, sendo provocada pelo vírus Varicella zoster, o mesmo da catapora. Aula 2 ¨ Vírus podem interferir no processamento e apresentação de antígenos para escapar do sistema imune ¨ Imunossupressão (Evasão dos vírus aos mecanismos imunes) © Síntese de citocinas que inibem a imunidade natural ou específica. Ex. vírus EBV produz uma proteína homóloga à citocina IL-10 que é supressora de macrófago, inibe linfócitos Th1 e consequentemente a produção de IFN-gama. ¨ Supressão mediada por IL-10 ¨ Imunossupressão celular (Evasão dos vírus aos mecanismos imunes) © - Produção de moléculas por células infectadas que se ligam a citocinas e assim impedem a sua ligação em receptores específicos. Aula 3 Imunidade contra Bactérias Introdução ¨ Intracelular ou extracelular. ¨ Tem bactérias que produzem toxinas. © Mycobacterium: na tuberculose e na lepra. ¨ Sífilis © 1 estágio: primeira ferida e depois desaparece. © 2 estágio: pode aparecer algumas erupções cutâneas © 3 estágio (3 à 15 anos): afeta os órgãos internos e pode afetar o sistema neurológico. © Começa com um machucado indolor, costuma não ser bonito, mas também não é o fim do mundo. Quando aparece na área genital, fica evidente nos homens, mas pode acabar escondido dentro da vagina sem chamar qualquer atenção. Há ainda outros casos discretos, como na garganta ou no ânus. Aí, quando você está começando a se preocupar, Bam! Desaparece. Parabéns! Seu sistema imunológico é mesmo incrível, né? Na verdade, não. Você só passou para a próxima etapa de uma doença que, a curto ou longo prazo, pode atacar seu cérebro, mudar a estrutura dos seus ossos, deformar seu rosto e matar seus filhos. Você tem sífilis. © Em outubro de 2016, o Ministério da Saúde reconheceu que a situação estava fugindo do controle e decretou a epidemia. © Desde 2010, quando os hospitais passaram a serobrigados a repassar seus dados sobre a doença para o ministério notou-se um aumento brusco na incidência. © Boletim de 2019 mostrou que em 2018, a taxa de detecção de sífilis em gestantes foi de 21,4/1.000 nascidos vivos, a taxa de incidência de sífilis congênita foi de 9,0/1.000 nascidos vivos e taxa de mortalidade por sífilis congênita foi de 8,2/100.000 nascidos vivos. © A sífilis congênita pode provocar aborto ou graves problemas para a criança como cegueira, surdez, retardo mental e deformidades físicas © Plano de Redução da Sífilis o Estimular a realização da testagem para sífilis em mulheres em idade fértil ou que desejam engravidar e seus parceiros; realizar testagem para sífilis no 1o, 2o e 3o trimestres da gestação; estimular a participação do parceiro no pré-natal e, nos casos de diagnóstico da doença, viabilizar a realização do tratamento dele junto ao da gestante; instituir ficha de acompanhamento da sífilis gestacional a ser anexada no cartão da gestante; além de elaborar campanhas de informação e educação em sífilis, sífilis gestacional e sífilis congênita ¨ Os mecanismos de imunidade estão relacionados à estrutura da superfície bacteriana. Definição: ¨ Bactérias Gram + versus Gram – © As Gram positivas possuem ácidos teicóicos e muitas camadas de peptideoglicano, enquanto as Gram negativas não possuem ácidos teicóicos, possuem uma ou poucas camadas de peptideoglicano, além de possuírem a camada de lipopolissacarídeo (LPS) e o periplasma. Gabriela Rachadel Lohn Aula 3 © Gram negativa: atenção maior ao paciente por risco de sepse. ¨ Neutrófilo: infecção bacteriana. Primeira célula que combate os antígenos. © Produzem citocinas para aumentar a adesão, podendo assim fazer o rolamento e a diapedese. © Bastonete: forma mais imatura. É um neutrófilo um pouco maior e seu núcleo fica em formato de bastão. ¨ Receptores toll ou Toll-Like Receptors (TLR) © Receptores para substâncias de origem microbiana. © Iniciadores da resposta imune inata. © LPS (G-): PAMPs Aspectos gerais importantes na imunidade contra micróbios ¨ Respostas imunes inata e adquirida atuam de modos distintos e especializados aos diferentes micróbios. ¨ A sobrevivência e a patogenicidade dos micróbios são influenciadas pela sua capacidade de se evadir ou de resistir à imunidade protetora. ¨ A lesão tecidual e a doença conseqüente às infecções podem ser causadas pela resposta do hospedeiro ao micróbio e não ao próprio micróbio. ¨ Imunidade Inata: © Barreiras Físicas: Pele, membranas mucosas, epitélio ciliado, etc © Fatores solúveis: Muitas proteínas e secreções não protéicas © Células: Fagócitos, célula NK, eosinófilos, mastócitos, basófilos, etc ¨ Imunidade Específica: © Barreiras Físicas: nenhuma © Fatores solúveis: Imunoglobulinas (anticorpo) © Células: Linfócitos T e B ¨ Resposta imune é diferente entre bactérias extracelulares e intracelulares. Imunidade às Bactérias Extracelulares ¨ Causam doença por 2 mecanismos: © Induzem inflamação que resulta em destruição do tecido no sítio da infecção. Ex. cocos piogênicos. © Produzem toxinas como endotoxinas (componentes da PC bacteriana, ex. LPS) e exotoxinas (secretadas ativamente pela bactéria, ex. toxina diftérica, tetânica). © A resposta imune contra bactérias extracelulares destina-se a eliminar as bactérias e a neutralizar os efeitos de suas toxinas. ¨ Cocos patogênicos (pyogenicos) © Streptococcus © Staphylococcus (1) © Neisseria (2) Exemplos de moléculas acessórias específicas de bactérias e respectivas células ou tecidos de infecção Algumas proteínas de bactérias extracelulares consideradas na invasão bacteriana Aula 3 © Staphylococcus aureus: o Coagulase: forma coágulos em volta da bactéria à protegendo. o Proteína A: Ataca porção Fc do anticorpo, não deixando o anticorpo se ligar pela porção FAB. o Enterotoxina: diarréia; o Cápsula polissacarídica: antifagocítica; o Beta-Lactamase: Quebra anel lactâmico da penicilina; © Streptococcus: o Pneumolisina: perfura células (morte celular). © Streptococcus pneumonia o Sem antígenos na superfície celular. o Pili: importante para fixação e colonização do organismo. o Periplasma, Hialuronidase o Pneumolisina: destrói células alvos o Cápsula polissacarídica: resistência. ¨ O principal mecanismo é a fagocitose realizada pelos NTs, monócitos e MØs teciduais. ¨ Na ausência de Acs: © Ativação do sistema complemento assume a defesa, pela via alternativa ou lecitinas, através da geração de C3 convertase. Ocorre a formação de C3b que opsoniza bactérias e potencializa a fagocitose e os subprodutos do complemento recrutam e ativam leucócitos. © Constituintes da parede que ativam a via alternativa do complemento o Zimozan o Acido Teicóico o Lipopolissacarídeos o Carboidratos o Camada peptideoglicana © Bac. que expessam manose = ativação do complemento via lectinas. ¨ Fagócitos © Rec. de manose e rec. Scanvenger para reconhecer bactéria extracelulares o Rec. manose © Rec. Fc e rec. do complemento para reconhecer bactérias opsonizadas; o Rec. Fc ¨ A fase inicial do choque séptico é causada por citocinas produzidas pelos macrófagos, que são ativadas por componentes microbianos, particularmente o LPS. ¨ O TNF é o principal mediador do choque séptico, mas o IFN-γ e a IL-12 também podem contribuir. ¨ A IL-12 estimula o desenvolvimento de LTh1, ativam LT citolíticos e NK promovendo a ligação entre a imunidade inata e adquirida. ¨ Mecanismos protetores que NÃO envolvem LT ou LB antígeno-específicas 1-Agrupamento em duplas 2-Agrupamento em cacho de uva Imunidade Inata Contra Bactérias EC Ações do complemento Aula 3 Resposta imune específica contra bactérias extracelulares ¨ O principal mecanismo é a imunidade humoral. ¨ Os Acs contra antígenos e toxinas da superfície bacteriana estimulam 3 tipos de mecanismos efetores: © IgG opsoniza bactérias e potencializa a fagocitose. © Os Acs neutralizam as toxinas bacterianas e evitam sua ligação às células-alvo. © IgG e IgM ativam o sistema complemento. O complexo de ataque à membrana (MAC) lisa as bactérias. ¨ Neutralização de toxinas ¨ Interação com células FcR+ ¨ Complexo de ataque à membrana formado a partir da via clássica (ativada por IgG ou IgM) © Complexo C1qrs, clivando C4 e C2, formando assim o C4bC2a, clivando o C3, formando C4bC2aC3B, clivando o C5, formando o C5b6789= MAC (via do complemento). ¨ IgM e IgG ativam a via clássica do complemento. ¨ Efeitos anti-bacterianos dos Acs Aula 3 ¨ A principal resposta celular consiste em LT CD4+ reagindo a antígenos proteicos associados ao MHC classe II. ¨ A secreção de citocinas pelos LT CD4+ leva à produção de Acs, inflamação local e potencializa a fagocitose. ¨ O IFNg é a principal citocina responsável pela ativação de MØs, e o TNF e a linfotoxina desencadeiam a inflamação. ¨ Respostas Imunológicas adquiridas a microorganismos extracelulares ¨ Produção de citocinas na defesa contra bactérias extracelulares ¨ Consequências da resposta às bactérias extracelulares © Geração de Acs produtores de doença (complicação tardia da resposta humoral). © Ex. Febre reumática, Glomerulonefrite pós-estreptocócica. © Inflamação e choque causados pelas citocinas produzidas principalmente por MØs. © TNF e IL-1 produzidos por MØs ou LT (ativados sob influência de superantígenos bacterianos) pode levar ao choque séptico Evasão dos mecanismos imunes pelas bactérias extracelulares ¨ A virulência depende de mecanismos que facilitam a invasão e a colonização tecidual e a resistência a imunidade. ¨ Incluem: © Proteínas adesivas da superfície bacteriana. © Mecanismos antifagocíticos. © Inibição do complemento ou inativaçãode seus produtos. ¨ Um importante mecanismo de evasão bacteriana é a variação genética dos antígenos de superfície. ¨ Substâncias antifagocíticas © Cápsula de polisacáride - S. pneumoniae, Haemophilus influenzae, Treponema pallidum, B. anthracis and Klebsiella pneumoniae. © Proteína M e fímbria - Streptococcus do grupo A. © Polisacáride O associado ao LPS da E. coli © Proteína A produzida por Staphylococcus aureus. Proteína A ataca a região Fc da IgG e bloqueando-a. Assim, a habilidade da IgG para opsonização fica inibida. ¨ Mecanismos utilizados por Neisseria gonorrhoeae para evitar as ações dos Acs Aula 3 Imunidade contra Bactérias Intracelulares ¨ Uma característica dessas bactérias é a capacidade de sobreviver e se replicar dentro de fagócitos, tornando-se inacessíveis aos Acs circulantes. ¨ A eliminação das bactérias intracelulares é então mediada pelos mecanismos da imunidade celular. ¨ As bactérias são resistentes à degradação dentro dos fagócitos e por isso tendem a causar infecções crônicas ou recorrentes. ¨ A imunidade inata, embora inicie a resposta imune, não é tão eficaz para controlar a colonização e a propagação dessas bactérias. ¨ As APCs produzem IL-12 que ativa células NK. Células NK produzem IFN-g que ativa MØs e promove a morte das bactérias fagocitadas Interação entre RI Inata e Adquirida ¨ Combate às bactérias IC a partir de fontes celulares de IL-12 Respostas imunes específicas contra bactéria intracelulares ¨ A principal resposta protetora é a imunidade celular, através de 2 tipos de reação: © Morte da bactéria fagocitada após a ativação de MØs pelas citocinas (IFN- g) derivadas de LT (CD4+). © Lise da célula infectada pelo LT citolítico (CD8+). ¨ Cooperação entre fagócitos (MØs) e LT na eliminação de bactéria IC ¨ Cooperação das células TCD4+ e CD8+ na defesa contra microorganismos ¨ Imunidade natural e adquirida às bactérias intracelulares Aula 3 Bactérias intracelulares levam a formação de granulomas ¨ Como as bactérias intracelulares resistem à morte dentro dos fagócitos, elas muitas vezes persistem por longos períodos, induzindo estimulação antigênica crônica, ativaçcão de LT e MØs. Isso pode resultar na formação de granulomas circundando os micróbios. © Ex. Chlamydia trachomatis (agente causal do Linfogranuloma Venéreo ou Inguinal). © Mycobacterium tuberculosis (responsável pelo granuloma tuberculóide) ¨ Granuloma tuberculóide © As respostas imunes celulares a micróbios ou a outros Ag estranhos podem induzir lesão por reação de hipersensibilidade tardia (Tipo IV) © É um tipo de inflamação crônica em que a célula predominante é o macrófago ativado com aparência epitelióide. © Consiste em um agregado de macrófagos epitelóides circundado por um colar de leucócitos mononucleares, principalmente linfócitos (TH1). ¨ Destruição de bactéria Intracelular (Ex. Mycobacteria) promovida por MØs infectados ativados © T hellper= TCD4 Evasão das bactérias intracelulares aos mecanismos imunes 1- Secreção de repelentes ou toxinas que inibem a quimiotaxia dos fagócitos; 2- Presença de cápsula ou revestimento que impedem a ligação ao fagócito; 3- Secreção de moléculas que inibem a fusão dos lisossomo com fagossomo; 4- Secreção de catalase que rompe H2O2 (tóxic) 5- Revestimento externo altamente resistente; 6- Bloqueia a resposta do 7- MØ ao IFN-g; 8- Induzir a célula infectada 9- a ser ineficaz como APC; 10- Escapar do fagossomo e se multiplicar no citoplasma X Y Z Aula 4 Infecções Fungos e Parasitas Imunidade contra Parasitas ¨ Nematelmintos, heomintos e protozoários ¨ Tamanho comparativo de vários parasitas: © Os protozoários e helmintos são muito maiores que as bactérias. © Contém maior quantidade e variedade de antígenos. © Muitos parasitas apresentam ciclos de vida, podendo apresentar determinados Ag em um determinado estágio. ¨ Malária © Falta de acesso aos medicamentos antimaláricos © Dificuldade na distribuição de mosquiteiros tratados com inseticidas ® Poderão levar a uma duplicação do número de mortes por malária na África Subsaariana © O número de casos de malária no Brasil subiu 63% em 2017 em relação ao ano anterior © O Brasil conseguiu reduzir em 23,8% o número de casos de malária em 2019 ` ¨ Mosquito versus flebótomo Gabriela Rachadel Lohn Aula 4 ¨ A leishmaniose visceral canina é uma doença que pode ser transmitida de animais para humanos e vice-versa, sendo o mosquito o vetor. Ou seja, é uma zoonose. Aliás, uma grave zoonose que pode levar ao óbito tanto o humano quanto o cachorro infectado. Por isso, essa enfermidade é uma questão de saúde pública que exige cuidado de todos no combate e prevenção ¨ Leishmaniose: mosquito palha © Saliva é internalizada com os promastigotas. Atacam as células com a sua entrada. © Dentro do macrófago os promastigotas são internalizados, formandos vacúolos e começando a se multiplicar, tendo divisão binária. Macrófago vira o reservatório de amastigotas. © Quando se rompe vai infectar outras células de outras partes do corpo. © Dentro do mosquito ele se transforma em promastigota. ¨ Principalmente em água doce. ¨ Gostam de infectar as alças intestinais. ¨ Na malária o alvo para a vacinação é os esporozoítos, impedindo que ele entre no hepatócito. Características das infecções parasitárias ¨ São as causadas por protozoários, helmintos e ectoparasitas (carrapatos, ácaros, etc). ¨ A maioria dos parasitas apresenta especificidade pelo hospedeiro; ¨ A resistência do hospedeiro às infecções parasitárias pode ser genética. Aula 4 ¨ A resposta ao parasita pode ser estágio- específica; ¨ Muitas infecções são crônicas. Imunidade natural contra parasitas ¨ MØs, NTs, eosinófilos e plaquetas constituem a primeira linha de defesa. ¨ Vários tipos de parasitas, incluindo os vermes adultos e as larvas infectantes, possuem moléculas em sua superfície de revestimento que ativam a via alternativa do complemento. ¨ As citocinas produzidas em resposta aos antígenos parasitários potencializam as atividades anti-parasitárias das células fagocíticas. ¨ Primeira linha de defesa © Porta de entrada é importante © As cercárias de Schistosoma mansoni penetram a pele; © Os tripanossomas e parasitas da malária que entram pelo sangue são removidos pelo fígado e baço; © Antes da atividade da APC iniciando a resposta imune, os MØs podem inibir a multiplicação dos parasitas ou até os destruir através da liberação de mediadores inflamatórios. Ação dos MØs na defesa contra parasitas ¨ MØs realizam fagocitose ou liberam fatores tóxicos que destroem os parasitas mesmo sem internalização. ¨ Citocinas de MØs ativados, como TNFa e IL-1, podem destruir parasitas extracelulares. ¨ Agem como células exterminadoras através da ADCC. ¨ Algumas citocinas potencializam ativação de macrófagos (IFNg e TNFa), que passam a secretar NO (óxido nítrico). ¨ Quando ativados por citocinas os MØs liberam superóxidos e peróxido de hidrogênio que são tóxicos aos parasitas. ¨ Os reativos intermediários do oxigênio (ROI) e o NO produzidos pelos MØs contribuem para a resistência do hospedeiro. ¨ A ativação dos MØs é uma característica dos estágios iniciais da infecção. ¨ MØs ativados são a principal fonte de TNFa o qual ativa células fagocíticas, inclusive MØs. Entretanto, TNFa é também um fator protetor de algumas espécies de protozoários e helmintos. ¨ MØs secretam também IL-12 que estimula células NK e LH1a produzirem IFNg, o qual potencializa a ativação de MØs. Ação dos Neutrófilos na defesa contra parasitas ¨ Podem destruir pequenos e grandes parasitas por mecanismos O2- dependentes e independentes, incluindo NO. ¨ Nts produzem explosão oxidativa mais intensa queMØs (destruição extracelular mediada por H2O2). ¨ Seus grânulos secretores contêm proteínas altamente citotóxicas (destruição intracelular). ¨ Também atuam em reações de ADCC (citotoxidade celular depende de anticorpos). Ação dos Eosinófilos na defesa contra parasitas ¨ Importantes no controle das infecções helmínticas por limitarem a migração através dos tecidos. ¨ Têm menor potencial fagocítico, mas a ação das proteínas granulares Aula 4 (principalmente a MBP) causa maiores danos ao parasita que ao hospedeiro. ¨ Podem atuar em conjunto com mastócitos (após sua degranulação IgE- dependente). ¨ As atividades dos eosinófilos são potencializadas por citocinas como TNFa e GM-CSF (pois ele é um granulócito), mas a maioria das atividades são controladas por mecanismos antígeno- específico. ¨ A ligação do eosinófilo aos parasitas revestidos por IgE ou IgG aumenta a liberação de seu conteúdo granular sobre o parasita. ¨ Eosinófilos matam larva de esquistossoma Resposta imune específica contra parasitas ¨ Os diferentes parasitas despertam respostas imunes específicas muito distintas. ¨ Os LT (CD4+ e CD8+) são fundamentais para o desenvolvimento da imunidade. ¨ Os parasitas induzem produção específica e inespecífica de Acs (substâncias liberadas pelos parasitas são mitógenos de LB). Papel dos LT (CD4+ e CD8+) ¨ O tipo de célula responsável pelo controle da infecção varia conforme o parasita e o estágio de infecção, além do tipo de citocina. ¨ Exemplo: © LT CD4 promovem imunidade contra Plasmodium na fase eritrocitária (hemácia), enquanto LT CD8 (MHC de classe I) podem destruir a célula infectada por Plasmodium no estágio hepático ou produzem IFNg que inibe a multiplicação do parasita. ¨ As citocinas produzidas pelos LT CD4 podem determinar o resultado da infecção. Resposta imune aos Protozoários ¨ O principal mecanismo de defesa é a imunidade celular (ativação do MØs por citocinas derivadas dos LT CD4+). ¨ A resistência à infecção é acompanhada da produção de INF-g pelo LTh1. Inversamente, a ativação das células Th2 pelos protozoários resulta em aumento da sobrevivência do parasita e exacerbação das lesões. ¨ IL12 traz o INF-g em resposta. ¨ Os protozoários intracelulares lisam as células do hospedeiro e estimulam respostas específicas de LT citolíticos (que não é humoral= não combate os protozoários). ¨ As células Th1 protegem contra leishmaniose cutânea. ¨ Citocinas como IL-12 também têm papel contra parasitas estimulando a proliferação de LTh1 e células NK que são importantes fontes de IFNg. Resposta imune aos Helmintos e Nematelmintos ¨ IgE e eosinófilos fazem defesa contra helmintos e dependem de citocinas secretadas pelos linfócitos Th2. ¨ Mastócitos contribuem não apenas por serem importantes fontes de IL-3, IL-4 e IL- 5, mas também pela ação eficaz na eliminação do verme por mediadores lipídicos e derivados de seus grânulos. ¨ MØs secretam TNF e IL-1 → proliferação de células caliciformes na mucosa intestinal ( secreção de muco). Aula 4 ¨ Mecanismos em que Acs específicos controlam infecções parasitárias ¨ Possíveis respostas efetoras na esquistossomose: resposta Th1 e Th2 Evasão dos parasitas aos mecanismos imunes ¨ Diferentes parasitas desenvolveram modos notavelmente eficazes de resistir à imunidade específica. ¨ Os parasitas podem reduzir ou alterar sua própria antigenicidade. ¨ Algumas vias de escape © Alguns parasitas utilizam moléculas do SI. ® Ex: Parasitas da Leishmania infectam MØs através do receptor do complemento. © Parasitas podem resistir à destruição pelo complemento. Ex. L. donovani é 10 vezes mais resistente ao complemento e dissemina-se pelas vísceras. No entanto, a L. tropica é facilmente destruída pelo complemento e causa uma lesão na pele. © Infecção, evitando a rota fagocítica, evitando a fusão lisossomo-fagossomo ou resistindo à ação enzimática. Ex. Leishmania eToxoplasma gondii Porque uma célula profissional do sistema fagocitário não consegue eliminar um parasita dentro do fagossomo? © A sinalização para ativação do macrófago está impedida (bloqueio da transdução de sinais, mobilização de cálcio, ativação de Proteina kinase C). © O MØ infectado fica inerte à estimulação com Interferon-g. Sem este estímulo, a produção de radicais livres (peroxídeos e/ou NO) não ocorre e o parasita persiste. Mecanismos de redução da antigenicidade 1. Sequestro anatômico: alguns parasitas sobrevivem e se replicam dentro das células (Ex. Toxoplasma), outros desenvolvem cistos resistentes aos mecanismos efetores imunes (Ex. Entamoeba). © Plasmodium dentro de eritrócitos – quando infectados, não são reconhecidos por células NK e LTC. 2. Resistência aos mecanismos imunes durante a residência no hospedeiro: uma alteração bioquímica ou glicoproteica durante a maturação do Aula 4 parasita confere maior proteção na estrutura do revestimento (Ex. S. mansoni e T. cruzi). 3. Variação nos Ags de superfície durante o ciclo vital dentro do hospedeiro: alteração estágio- específica (Ex. esporozoítos e merozoítos da malária). Ciclos diferentes Ag’s. 4. “Camuflagem” ou Mascaramento antigênico: o parasita adquire na sua superfície um revestimento de proteínas do hospedeiro. (Ex: larvas do Schistosoma mansoni). 5. Reposição ativa da membrana e perda dos Ags de superfície: os parasitas expelem seus revestimentos antigênicos de modo espontâneo ou depois de se ligarem a Acs específicos. (Ex. Entamoeba histolytica). ¨ Interferência de antígenos livres liberados por vermes na resposta imune ¨ Alguns mecanismos de escape da RI ¨ Características das infecções fúngicas © Também chamadas de micoses e são geralmente causadas por fungos do ambiente cujos esporos são inalados pelo homem. © Infecções oportunistas são provocadas por fungos causadores de doença branda ou nenhuma doença em indivíduos sadios, mas causam doença grave em imunodeficientes. © A resposta imune aos fungos é menos conhecida do que aos demais microrganismos. ¨ Reconhecimento de estruturas de fungos e ativação do sistema imune Imunidade inata contra fungos ¨ Principais componentes Nts e MØs: liberam os reativos intermediários de oxigênio (ROIs) e enzimas lisossomais. ¨ Cryptococcus neoformans: © Apresentam cápsula de revestimento muito resistente, mas podem ser fagocitados após opsonização por IgG. © Podem inibir a atividade de MØs por estimular a produção de IL-10, escapando da resposta imune. ¨ A fagocitose é o principal mecanismo para destruição da Candida albicans, especialmente na presença de opsoninas (IgG ou C3b). Mecanismos Efetores contra Fungos Aula 4 ¨ Neutrófilos são células muito eficazes contra Candida albicans, pois fixam-se às hifas (protusões germinativas) assegurando que os fungos estarão ao alcance de metabólitos tóxicos liberados. ¨ Anormalidades dos neutrófilos desenvolvem infecções graves por esse fungo. Imunidade adaptativa contra fungos ¨ É o principal mecanismos de defesa contra fungos. ¨ Mecanismos de cooperação entre linfócitos T CD4 e CD8 são eficazes no combate às infecções intracelulares. ¨ Frequentemente há resposta de Acs específicos úteis no diagnóstico sorológico, entretanto a eficácia da imunidade humoral não está estabelecida. Interferências na resposta imune contra fungos ¨ Deferoxamina – quelante de ferro Leshimaniose: 1. Transmissão 2. Incubação 3. Doença 4. Desenlance © Maiores taxas de transmissividade: 3 e 4. © Miltefosina Aula 5 Reações de Hipersensibilidade Generalidades ¨ Reações de hipersensibilidade resultam de uma respostaimune adaptativa exagerada ou inadequada, levando à reação inflamatória e/ou dano tecidual Þ Doença ¨ Os fatores que determinam as manifestações clínicas das doenças dependem do tipo de resposta imune que causa a lesão tecidual, da natureza e da localização tecidual do Ag (alvo da resposta). ¨ Doenças alérgicas respiratórias, cutâneas e oculares, doença do soro, reações a drogas doenças auto-imunes. ¨ Classificação Gell e Coombs: existem 4 tipos de Reação de Hipersensibilidade (RH) © Tipo I – RH imediata, mediada por Acs IgE. Ex. asma, eczema, anafilaxia. © Tipo II – RH citotóxica mediada por Acs citotóxicos IgM e IgG (capacidade de ativar a via clássica). Ex: reações pós-transfusionais (pois se sou do tipo A, eu tenho anticorpos Anti-B e se eu receber sangue B meus anticorpos irão atacar a superfície dessa hemácia). © Tipo III - RH mediada por imunocomplexos (antígeno ligado a anticorpo). Ex: artrites e glomerulonefrites. © Tipo IV - RH tardia, mediada por células. Ex. dermatite de contato e reação à tuberculina. Mecanismo das RH ¨ Antígeno estimulou o linfócito T. ¨ Tipo II: citotoxidade celular anticorpo dependente. Porção Fc liga-se a receptores Fc. ¨ Antígeno ligado ao anticorpo (IgM ou IgG) leva a via clássica do complemento (C3a, C5a e C3b). Causa hemólise nas hemácias, fazendo o indivíduo ter anemia. Gabriela Rachadel Lohn Tipo II Tipo I Aula 5 ¨ Toda vez que tem antígeno ligado a anticorpo tem a ativação da via do complemento. ¨ Tipo IV é a única que tem duas possibilidades. É a única mediada por células, os outros são todos mediados por anticorpos. ¨ Interferon gama: deixa os macrófagos fortes. Hipersensibilidade Tipo 1 ¨ É uma reação que se estabelece imediatamente (em 15 min) após o contato com o Ag (alérgeno). ¨ Caracteriza as reações alérgicas ou atópicas. ¨ Mediada por IgE. ¨ Célula principal ativada: Mastócito. ¨ Alérgino se liga ao anticorpo IgE que sensibiliza o mastócito, por isso tem que ter a sensibilização prévia para criar a resposta. ¨ Outras células envolvidas na RH tipo I: © LTH2 (ativa IL-4 e aIL-5). © LB (plasmócitos) © Eosinófilos. ¨ Reações alérgicas agudas, pois ocorre aproximadamente 15 segundos após o contato com o antígeno. ¨ Il-5 ativa e aumenta o número de eosinófilos: reação alérgica crônica. Tipo I, Tipo II e Tipo III: resposta humoral (mediada por anticorpos), ¨ Fase de Sensibilização: © A primeira exposição ao antígeno (alérgeno) leva à ativação de células Th2 específicas. © A liberação de citocinas pelo LT induz a diferenciação dos LB em plasmócitos produtores de IgE, a qual é específica para o alérgeno. © Tem mais atividade de Th2 do que Th1. © As principais são as interleucinas 4 e 5. © Produção de interferon gama a partir do TH1, o qual esse interferon age na célula B impedindo a troca de isotipos. © Fazendo com que produza apenas IgE, em decorrência da ação do interferon. © Il4 e IL13: principais toxinas. © Esse IgE irá sensibilizar o mastócito. © A IgE específica liberada fixa-se aos FceRI na superfície dos mastócitos, que se tornam sensibilizados ao alérgeno. © Mastócito e eosinófilos são sensibilizados. Formação e deposição de imunocomplexos Tipo III Tipo IV Aula 5 ¨ Fase Efetora: © A reexposição ao alérgeno desencadeia a ativação dos mastócitos com consequente liberação de seus mediadores. © A ação desses mediadores resulta em manifestações da RH imediata: precoces e tardias. © Na fase mais tardia (crônica) tem a ação dos eosinófilos, por isso tem eosinofilia nas doenças crônicas, como na asma. © Liberação de histamina. ¨ Aspectos gerais da RH tipo I: © Existe predisposição genética; © Dependem da ativação de LT helper tipo 2. © Evidências indicam que as manifestações clínicas precoces (degranulação dos mastócitos) são provenientes da reação vascular e de musculatura lisa e as manifestações tardias resultam de um processo inflamatório. © Diversidade clínica: alergias cutâneas e da mucosa, alergias alimentares, asma e anafilaxia; © Os alérgenos são geralmente substâncias químicas e proteínas ambientais comuns no nosso meio. ¨ Alérgenos potenciais: gato, abelha, ácaro, etc. ¨ Exposição contínua ao alérgeno: injeções com diferentes concentrações para ver se o corpo se adequa ao antígeno, dessensibilização. ¨ Quando mais precocemente as crianças entram em contato com animais, menos alergias terá no futuro. Controle da síntese de IgE ¨ Ativação de linfócitos Th2 CD40L (CD154) Û CD40 ¨ Balanço Th1 /Th2 IL-4 e IL-13 / INFg inibe a modificação de isotipo ¨ Relação entre IgE e IgG4 IL-10 e TGF-b ¨ Existe uma forma de fazer imunomodelação: modular o S.I. ¨ ILC2: são as mais importantes. Aula 5 ¨ Reduz a produção e IL-5 (que tem como função ativar o IgE). ¨ Se produzir mais IgA, produz menos IgE e também ajuda na imunidade mediada por anticorpo em mucosa, acaba protegendo ela contra diferentes tipos de antígenos. ¨ Quanto mais IgG4 menos resposta alérgica se tem, podendo fazer uma imunomodelação através das citocinas. ¨ Exposição precoce e natural a pequenas quantidades de alérgenos, em indivíduos geneticamente predispostos (atópicos), induz a diferenciação e expansão de células Th2, produtoras de IL-4, IL-5, IL-3. ¨ Administração de doses relativamente grandes de alérgenos aos indivíduos atópicos previamente sensibilizados durante a imunoterapia leva a diferenciação e expansão de subpopulações de células Th1, produtoras de IFNγ, e de células T reguladoras (Treg), produtoras de IL-10 (aumenta a população de IgG4) e TGFβ (IgA 3). ¨ A IL-10 aumenta a produção de IgG4 alérgeno-específica, além de reduzir a produção de IL-5 por células Th2, e o TGFβ estimula a produção de IgA3. Além disso, as próprias células apresentadoras de antígenos passam a produzir IL-12, o que aumenta o estímulo à diferenciação Th1, e não Th2. Ligação da IgE aos seus receptores nas células ¨ Receptores de alta afinidade (FceRI) © Mastócitos e basófilos © Força de ligação é maior no tipo I. ¨ Receptores de baixa afinidade (FceRII ou CD23) © Eosinófilos, plaquetas, linfócitos B e monócitos. © Tipo II. Mecanismo de Ativação dos Mastócitos Mastócitos do tec. conjuntivo Mastócitos da mucosa Basófilos -Células grandes -Citoplasma arredondado e cheio de grânulos -Grânulos ricos em histamina, triptase, heparina (glicosaminoglicano sulfatado) -Grânulos mais esparsos -Núcleo maior -Proteoglicano, triptase, sulfato de condroitina -Grânulos com menos histamina - Comportam- se no sangue periférico como os mastócitos nos tecidos -Grânulos Ricos histamina e não possuem triptase -Origem distinta dos mastócitos Receptores de alta Receptor de baixa afinidade afinidade Aula 5 ¨ Mastócitos possuem vários grânulos em seu citosol. ¨ Grânulos se perdem quando acontece a granulação. ¨ Alergino faz a ligação com o IgE que estimula as proteínas quinases, as quais ativam a via. ¨ Mediadores liberados atuam sobre diferentes órgãos-alvo Mediadores Pré-Formados ¨ Histamina © Endotélio: contração da musc. lisa, PV (perda de plasma), óxido nítrico (VD) © Músculo liso dos brônquios e intestino: constrição, peristaltismo e broncoespasmo ¨ Triptase © Potencia a ação broncoconstritora da histamina, induz hiperresponsividade da musculatura lisa na asma ¨ Quimase © Estimula a secreção de muco Mediadores Lipídicos Principais Citocinas ¨ IL4, IL13 – estimula e amplifica a resposta de Th2, síntese de IgE; ¨ IL3, IL5, GM-CSF – proliferação, sobrevida e ativação de eosinófilos; ¨ IL-8 – recrutamentode neutrófilos; ¨ TNFa - migração de leucócitos para o local sensibilizado. Consequências da Reação Imediata ¨ Alergia alimentar, dermatite atópica, rinite, asma, urticária, anafilaxia. Aula 5 Fase Precoce e Fase Tardia da RH 1: ¨ A reação imediata dos vasos e da musculatura lisa ao alérgeno se desenvolve em 5-30’ após provocação. ¨ Em 4 a 6 horas após essa fase precoce pode reiniciar uma resposta clínica tardia caracterizada por infiltrado inflamatório com predomínio de eosinófilos. Eosinófilo: principal célula envolvida na Fase Tardia da RH imediata ¨ Promove alteração da permeabilidade dos vasos, broncoconstrição e destruição tecidual ¨ Pode liberar citocinas como IL-4 que mantém o perfil Th2 no microambiente inflamatório ¨ Possui em seus grânulos proteínas citotóxicas: © MBP (proteína básica maior). © ECP (proteína catiônica do eosinófilo) © EPO (peroxidase do eosinófilo) Resposta Inflamatória Crônica ¨ A exposição contínua ao alérgeno promove inflamação alérgica crônica pela ativação de eosinófilos, LT, mastócitos, plasmóticos e seus respectivos mediadores liberados. Técnicas para Detecção do RH Tipo I: ¨ ELISA: ensaio de imunoabsorção ligado à enzima (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay). Princípio: revelar interação Ag-Ac utilizando uma reação enzima-substrato. ¨ RAST: Radioallergo Sorbent Test. ¨ RIST: Radioimmuno Sorbent Test © RAST e RIST: Reação Ag-Ac revelada por isótopo radioativo ¨ Teste cutâneo de leitura imediata: mais comum. ¨ Princípio do Teste de Elisa: detectação semiquantitativa de IgE no soro Ags aderidos a uma placa (alérgeno) Adição do Ac (IgE no soro do paciente) Ac anti-Ig ligado quimicamente a uma enzima Adição de substrato cromogênico Aula 5 ¨ Método do RAST © Fase sólida: disco de alérgeno; © Incubação com soro do paciente; © Lavagem para eliminação da IgE não específica; © Adição de anticorpos marcados; © Determinação da fluorescência do eluato. © Detecta IgE específica para um alérgeno ¨ Método do RIST presença de IgE ¨ Teste cutâneo de leitura imediata © Ocorre reação cutânea (formação de pápula e eritema) decorrente da degranulação mastocitária, após contato com o alégeno. © 1- Aplicação de gotas com diferentes alérgenos © 2- Puntura (para penetração do alérgeno) © 3- Medida da pápula formada no local de contato com o alérgeno (presença de IgE específica) Controle da RH Tipo 1 ¨ 1- Prevenção frente ao alérgeno, Terapia de hiposensibilização ¨ 2- Ac monoclonal anti-IgE, anti-IL4(?) ¨ 3- Cromoglicato Dissódico ¨ 4- Anti-histamínicos, anti-PAF, anti- leucotrienos, Ac monocl anti-IL-5, ¨ 5- Corticosteroides e outros imunomoduladores Questão ¨ Um jovem de 18 anos é atendido num ambulatório didático de um hospital- escola, com queixa de crises asmáticas relacionadas a algumas situações específicas, tais como manuseio de objetos empoeirados, ambientes acarpetados ou salas fechadas contendo flores. O médico assistente expõe aos alunos o quadro a seguir para Aula 5 ilustrar o possível mecanismo fisiopatológico das crises do paciente. ¨ Na figura, I e II representam, respectivamente, © (A) basófilo e anticorpo da classe IgG. © (B) linfócito T e anticorpo da classe IgE. © (C) eosinófilo e anticorpo da classe IgM. © (D) linfócito T e anticorpo da classe IgG. © (E) eosinófilo e anticorpo da classe IgE. Hipersensibilidade Tipo 2 ¨ Doenças causadas por Acs contra Ags fixos ¨ Os Acs contra Ags celulares ou matriz causam doenças que afetam especificamente células ou tecidos em que esses Ags estão presentes, e tais doenças não costumam ser sistêmicas. ¨ É mediado por IgM ou IgG e complemento. ¨ Ativa via do complemento. ¨ Induz a citotoxidade celular anticorpo dependente. ¨ C3b é uma opsonina que recruta células imunológicas. ¨ Células efetoras no dano/destruição da RH tipo II: © Neutrófilos © Monócito/macrófagos © NK ↳Ativação celular via C3b e FcR – ADCC © Mastócitos ↳ Ativação via anafilotoxinas (C3a, C5a) ¨ Ativação do complemento pela via clássica ¨ IgM: cinco unidades monométricas. ¨ IgG: © Anticorpos que ativa a via clássica do complemento: C1qrs. Mecanismo patogênico da RH II: IgG ou IgM liga-se ao alvo (célula/tecido) ¨ Ocorre ativação da cascata do complemento (via clássica); ¨ Cliva C2 e C4 para gerar a C3 convertase. ¨ C3b ligar-se à membrana da célula alvo opsonizando-a; ¨ C3a e C5a (anafilotoxinas) iniciam a resposta inflamatória recrutando Nts e ativando a degranulação de mastócitos; ¨ Mastócitos liberam aminas vasoativas e metabólitos do ácido araquidônico (VD e PV); Aula 5 ¨ Células recém-migradas produzirão mais mediadores inflamatórios (quimiocinas); ¨ Ocorre dano tecidual pela formação do MAC. ¨ Mais quimiocinas: mais recrutamento. Mecanismo Patogênico da RH II ¨ Células inflamatórias (MØs, NTs, NK) ativadas através do receptor para Fc de IgG (FcgR) ou de receptores para fragmentos do sistema complemento (CR). ¨ Superfície (antígeno) revestida por Ac e por C3b promove a ativação de MØs, NTs, NK - liberarão o conteúdo granular, causando a destruição celular ou tecidual (ADCC)- citotoxidade celular de anticorpo dependente. ¨ Se for o C3b será reconhecido pelo receptor tipo 1. ¨ O antígeno está ligado a uma célula, os anticorpos se ligam. ¨ Pelo receptor FC tem a citotoxidade anticorpo dependente e a via clássica do complemento atuando. ¨ MAC: lise da célula alvo. ¨ Neutrófilo libera enzimas hidrolíticas e proteínas catiônicas. ¨ C3 e C5 convertase- cria C5a e recruta mais leucócitos As RH tipo II podem ser: ¨ Aloimunológicas © Ex. Reações transfusionais, incompatibilidade Rh © Mesma “espécie” em relação ao sistema imune. ¨ Autoimunológicas © Ex. anemia hemolítica auto-imune, síndrome de Goodpasture, púrpura trombocitopênica autoimune. © Sistema imunológico se auto atacando ¨ Medicamentosas © Ex. Trombocitopenia e anemia hemolítica induzida por drogas. Aloimunológicas ¨ Reação transfusional – grupos sangüíneos ABO – hemólise intravascular (dependente de IgM e Complemento) ¨ São conhecidos cerca de 600 Ags eritrocitários, dos quais 207 pertencem a 23 sistemas de grupos sanguíneos reconhecidos. ¨ Sistema ABO © Ocorre sensibilização por contato com epítopos idênticos expressos coincidentemente em vários microrganismos. Por isso há produção de Acs para especificidades Aula 5 alogênicas mesmo sem prévia sensibilização por hemácias. ¨ Outros sistemas de grupos sanguíneos: © Rh, Kell, Duffy, Lewis, minor (MN)... © O sistema ABO é o de maior importância na prática transfusional por ser o mais antigênico, seguido pelo sistema Rh ¨ Testes pré-transfusionais © O sangue é testado para evitar ocorrência de destruição significativa das hemácias transfundidas. © Tipagem sanguínea • Técnica: Aglutinação direta © Prova cruzada • Teste direto da antiglobulina ¨ Aglutinação direta 1) Amostra controle e de teste na placa 2) Adição de reagente (Ex. anticorpo anti-A) 3) Mistura-se 4) Leitura do resultado ¨ Anti A de um lado e anti B de outro. Quando ocorre aglutinação tem um resultado positivo. Se aglutina o anti B ele é do tipo sanguíneo B pois tem a presença do antígeno B ¨ Aglutinação direta © No resultado positivo verifica-se uma aglutinação (aglomeração dos eritrócitos na placa teste), indicado a presença de ANTÍGENOS que permitiram a ligação com o Ac específico. Negativo Positivo © IgM é um pentâmetro por isso é bom para a aglutinação por causa da ligação com as hemácias ¨ Tipagem sanguínea ABO Prova Cruzada: Teste direto da antiglobulina ¨ Para garantir que o soro do receptornão contenha anticorpos capazes de reagir com as hemácias transfundidas. ¨ Acs para Ags do sistema ABO provocam aglutinação das células incompatíveis numa reação que pode ser visualizada. ¨ Cruza duas substâncias. Mistura o soro do receptor com as hemácias do doador Incompatibilidade Rhesus (Rh) Antígenio RhD ou simplesmente D Não encaminho Aula 5 ¨ Acs anti-Rh constituem a principal causa de doença hemolítica do recém-nascido (DHRN). ¨ Anticorpos anti-D são formados em decorrência de sensibilização (aloimunização) por transfusão ou gravidez. ¨ O risco de desenvolvimento da DHRN ocorre quando a mãe Rh-, sensibilizada numa gestação com células de um feto Rh+, é reexposta na gestação subsequente a outro feto Rh+. Os Acs IgG anti-Rh produzidos pela mãe promovem a doença no bebê. ¨ RBCs são as hemácias Eritroblastose fetal e DHRN ¨ Eritroblastose fetal ocorre quando o processo aloimunização resulta em hemólise intra-útero levando ao óbito fetal, se não for tratada. ¨ Na doença hemolítica do recém-nascido a incompatibilidade ocorre mais tardiamente, mas destruição progressiva dos eritrócitos fetais leva à redução do transporte de O2 e icterícia. ¨ Profilaxia Rhesus © Consiste na administração de Acs anti-Rh em até 72h pós-parto para evitar que ocorra a incompatibilidade Rh, uma vez que a fase de sensibilização está sendo bloqueada (remoção rápida de células Rh+). © Rhogam neutraliza o antígeno para não ativar as células de memória ¨ Métodos de detecção da aloimunização © Coombs direito • Detecta Acs específicos ligados diretamente ao seu Ag. • Tem que pegar hemácias fetais para versificar se tem anticorpos ligados a essas hemácias, não é o mais comum de ser feito. © Coombs indireto • Detecta anticorpos específicos livres. • O mais comum é o indireto: detecta anticorpos específicos anti-RH que vão estar livres no soro da mãe- coloca hemácias contendo Rh e vê se vai ter aglutinação. Aula 5 RH tipo II Auto-imunes ¨ Anemia Hemolítica auto-imune: IgM ou IgG anti-eritrócitos: eliminação dependente de Complemento e fagocitose no baço mediada por receptor para Fc e C3b. © Eliminação das hemácias pela C3b (pela via complemento) ¨ Púrpura trombocitopênica auto-imune: plaquetas revestidas por IgM ou IgG são eliminadas na circulação ou baço. © Manchas roxas ao longo do corpo em que vai ter a diminuição dessas plaquetas ocasionado pequenas hemorragias. ¨ Síndrome de Goodpasture: colágeno tipo IV da membrana basal (glomerular e pulmonar) é reconhecido como Ag por Acs IgG. © Lesão tecidual no fim e no pulmão apenas. RH tipo II Medicamentosas ¨ Os medicamentos podem acoplar-se a componentes orgânicos e atuar como antígenos completo sensibilizando indivíduos. ¨ Muitas drogas são causadoras dessas reações, entre elas estão dipirona, insulina, isoniazida, metildopa, penicilina, quinidina, rifampicina, sulfonamidas e tetraciclinas. ¨ O exemplo mais comum de RH II medicamentosa é a anemia hemolítica induzida por drogas que pode ocorrer por adsorção da droga, formação de imunocomplexos e reação auto-imune. © Hemólise contínua das hemácias que ocorre por causa da droga ¨ Mecanismo de adsorção da droga (hapteno) © Geralmente quando se produz um fármaco ele é um hapteno, em que sozinho ele não produz nenhuma resposta imunológica. © Tem a possibilidade do conjugado adenotransportador iniciar uma resposta imunológica. Hemaglutinação e Fixação de Complemento Técnicas de detecção e quantificação de Acs ¨ Hemaglutinação: baseia-se na capacidade do Ac, em diluição seriada, ligar-se cruzadamente ao Ag particulado (ligado às hemácias). ¨ Fixação de complemento: por ativação da via clássica é possível detectar a quantidade de Ag e Ac presente em uma amostra. Hemaglutinação Passiva ¨ As hemácias são revestidas com Ag pesquisado e então distribuídas nos poços de uma placa de microtitulação. ¨ O soro teste e os controles positivos e negativos, devidamente diluídos, são adicionados aos poços da referida placa. Aula 5 Hipersensibilidade Tipo 3 ¨ Tipos de RH: ¨ Antígeno solúvel que forma imunocomplexos. ¨ Os complexos imunes (ou IC) são formados pelo encontro de Ags com Acs. ¨ Os ICs são removidos pelo sistema fagocítico mononuclear, no fígado e baço, após ativação do complemento. ¨ Quando os ICs persistem no organismo, podem ser depositados nos tecidos e órgãos desencadeando ativação do complemento e de células efetoras Þ RH tipo III ou por ICs ¨ ICs ativam a via clássica do Complemento e depois podem ser removidos pelo sistema fagocítico mononuclear. ¨ Toda vez que tem antígeno ligado à anticorpo tem a estimulação da via do complemento. ¨ CR1: receptor de complemento. ¨ A remoção dos ICs é mediada pelo CR1 (receptor do C3b) © Nos vasos o fluxo corrente permite que as hemácias circulem no centro do vaso, circundadas pelo plasma. Assim, apenas o plasma entra em contato com a parede dos vasos. © Nos sinusóides hepáticos e esplênicos e em locais de turbulência é que as hemácias fazem contato com o revestimento dos vasos. © Os ICs, transportados pelas hemácias até o fígado e baço, são removidos pelos MØs residentes e a maioria dos CR1 também é removida nesse processo. ¨ A reação sucede 3-8 horas após a entrada de Ags solúveis no organismo e a sua união a Acs do tipo IgG/IgM Þ ICs circulantes. ¨ Esta união causa a ativação do complemento e a produção de C3a e C5a (quimiotáticos para granulócitos e MØs e são anafilotoxinas). ¨ Em consequência há da permeabilidade vascular (do vaso para o tecido) e dano tecidual devido à presença do infiltrado leucocitário. ¨ Os ICs interagem com plaquetas através de receptores Fc levando à formação de trombos. MØs Neutrófilo Aula 5 Fase de Sensibilização do RH tipo III ¨ Caracteriza-se pela ligação dos anticorpos IgG ou IgM aos Ags solúveis e subsequente formação de ICs. Fase Efetora do RH tipo III ¨ Na reexposição a formação de ICs estimula ativação da cascata do complemento; ¨ Geração de anafilotoxinas e opsoninas; ¨ Ocorre quimiotaxia (C3a) de neutrófilos; ¨ Ativação de mastócitos e basófilos por C5a com liberação de aminas vasoativas; ¨ Os ICs aderem-se à membrana basal do vaso em decorrência do aumento de permeabilidade vascular; ¨ Os neutrófilos são ativados via FcR ou através de receptor para opsoninas do C (C3b- mais importante). ¨ Nts ativados secretam mediadores inflamatórios: ROIs e enzimas proteolíticas (elastase e colagenase); ¨ Elastase e colagenase lesam o endotélio, expondo tecidos subendoteliais, que ativam a cascata da coagulação e levam à produção de calicreína e bradicinina (vasodilatadores); ¨ As plaquetas ligam-se ao subendotélio, interagem com os imunocomplexos e agregam-se; ¨ Pode ocorrer ativação e agregação das plaquetas (microtrombos), obstrução vascular e necrose tissular. ¨ Eventos da fase efetora da RH tipo III: Autoimunidade Auto-Ag Infecção persistente Ag microbiano Órgão infectado, rim, pele Inalação de Ags Ags de plantas, fungos ou animais Pulmões Material injetado Soro Articulações, vasos, rins, pele Causa Antígeno Local de deposição Articulações, vasos, rins, pele Aula 5 ¨ Protótipo de reação tipo III é a Reação de Arthus ¨ Reação de Arthus © Ocorre após injeção de antígenos na pele de indivíduos sensibilizados que possuem IgG/IgM contra os antígenos sensibilizantes. © O anticorpo que se difunde nos tecidos forma imunocomplexos localmente e induz uma resposta inflamatória local; © É uma reação eritematosa e edematosa (3-8 horas) caracterizada por intenso infiltrado de neutrófilos; © Oresultado final é a ruptura da parede do vaso, seguida por hemorragia e necrose do tecido local. ¨ As manifestações da RH tipo III podem iniciar após alguns dias do contato com o Ag ¨ Fatores que influenciam a deposição do IC: © Número reduzido de receptores CR1 Þ Ex. LES © Comprometimento da solubilidade do IC Þ C3b retarda a precipitação de complexos imunes, por evitar interações Fc-Fc necessárias para formar grandes agregados insolúveis © Deficiência de complemento Þ baixos níveis de complemento levam a uma fraca ligação dos ICs às hemácias (menor depuração no fígado e baço) © Deficiência de fagócitos Þ por saturação de ICs ¨ Por que os complexos imunes se depositam? © O aumento da permeabilidade vascular é, provavelmente, o evento mais importante para a deposição de ICs nos tecidos. © A deposição dos ICs ocorre com maior probabilidade em locais onde a pressão e a turbulência são maiores. © Nos capilares glomerulares a pressão sanguínea é 4x a dos demais capilares. Coelho Hiperimunizado Ag Formação de IC rapidamente Reação eritematosa e edematosa evoluindo para lesão cutânea ulcerativa e hemorrágica Máx: 3 a 8 horas Intenso infiltrado de Neutrófilos Aula 5 ¨ Por que em diferentes doenças os ICs apresentam afinidade para determinados tecidos? © O local do depósito dos ICs depende parcialmente do tamanho do IC (se for pequeno pode atravessar a membrana basal). Vasculite ou Angeíte por Hipersensibilidade ¨ É uma vasculite de vasos de pequeno calibre que ocorre como reação a drogas, vacinas, substâncias químicas e agentes infecciosos. ¨ Embora seja limitada a pele, pode haver febre, artralgia e mal estar. ¨ Técnica de imunofluorescência revela deposição de IgG, IgM ou IgA, do complemento e de fibrina. ¨ Achado histopatológico: infiltrado vascular e perivascular de leucócitos polimorfonucleares e necrose fibrinóide na parede do vaso. Púrpura de Henoch-Schonlein ¨ Mais frequente em crianças de até 10 anos de idade. ¨ Ocorre geralmente após infecções respiratórias ou exposições a drogas. ¨ Depósitos e ICs contendo IgA são encontrados nos vasos afetados. ¨ Pode ocorrer vasculite pulmonar, além de comprometimento renal e artrite. ¨ Achados histopatológicos: lesão hemorrágica (púrpura) com infiltração neutrofílica. Doença do Soro ¨ Reação inflamatória sistêmica a um Ag inoculado. ¨ Pode ocorrer após administração de drogas não protéicas, mas a reação típica é produzida por soro heterólogo: anti-veneno (serpente, aranha, escorpião), anti-toxina, anti-rábico. ¨ Manifesta-se em 4 a 21 dias após exposição ao Ag causal com urticária e angioedema, febre, artralgia e mialgia, proteinúria. ¨ Sintomas regrediam naturalmente. Aula 5 Doenças ocupacionais (Pneumonites de hipersensibilidade) ¨ Ambientes que envolvem exposição maciça a materiais potencialmente antigênicos que podem ser inalados desencadeando a RH tipo III nos pulmões © Doença pulmonar do fazendeiro © Doença do criador de pombos © Doença do lavador de queijo ¨ Agentes etiológicos mais comuns: © Actinomicetes termofílicos (Micropolyspora faeni, Thermoactinomycetes vulgaris). Bactérias. © Fungos (Alternaria, Aspergillus, Cephalosporium, Penicillium casei, Cladosporium...). © Proteínas animais (penas, urina, fezes, saliva,...). © Amebas. © Fármacos e produtos químicos (amiodarona, ouro, diisocianato de tolueno, resinas epoxi). Algumas Técnicas de detenção de ICs ¨ Amostras de tecido podem ser examinados por imunofluorescência para a presença de Ig e complemento. ¨ ICs circulantes podem ser encontrados por Radioimunoensaio. Imunofluorescência (IFA) ¨ Princípio da técnica: © Acs ou Ags são conjugados (ligados de modo covalente) a uma substância (fluorocromo) que, quando excitada por radiações UV, emite luz no espectro visível. © Assim, como a ligação Ag-Ac é específica, um Ac conjugado pode ser usado para detectar um determinado antígeno. © A reação é feita em lâminas de microscopia (um pouco mais finas que as comuns) e a observação tem lugar num microscópio com luz UV (microscópio de fluorescência). © Principais fluorocromos: fluoresceína e rodamina. ¨ Fragmentos do tecido contendo ICs são colocados em lâmina e tratados com um fixador químico. ¨ Acs específicos (Anti-Ig) marcados com fluorocromo (moléculas que pode ser excitada por raios UV) são adicionados. ¨ É feita leitura em microscópio em campo escuro que capta a fluorescência. ¨ Microscópio de fluorescência com epiluminação. © Luz UV atinge o material examinado © A fluorescência emitida © chega ao observador Hipersensibilidade Tipo 4 ¨ Todas as outras reações de hipersensibilidade são pelo TH2, menos a tipo 4 que é TH1. ¨ Também conhecida como DTH (delayed- type hypersensitivity). ¨ Ocorre cerca de 24h após o contato com o Ag e é mediada por células T, células dendríticas, macrófagos e citocinas. ¨ A persistência do Ag resulta na formação de granulomas e inflamação crônica. ¨ Esta reação é caracterizada pela chegada ao foco inflamatório de um grande número de células não específicas ao Ag (inata) com predomínio de fagócitos mononucleares Aula 5 (macrófagos). A grande quantidade de tecido lesionado constitui uma forma de reação contra agentes patogênicos intracelulares que incluem bactérias, parasitas e substâncias tóxicas. Cascata de ativação de linfócitos e MØs na fase efetora ¨ LTCD4+ de memória são ativados pela apresentação do conjugado hapteno- proteína processado pelas APCs e começam a produzir IFN-g ¨ MØs ativados pelo IFN-g liberam IL-12 que induz o perfil Th-1. ¨ LTh-1 secretam IL-2, IL-3, IFN-g, entre outras citocinas importantes para este processo de reação de hipersensibilidade. Citotoxicidade realizada pelo LT CD8 + ¨ Indução de apoptose da célula alvo através da liberação de perforinas/granzimas e/ou da ligação FasL- Faz Linfócitos de memória (vida longa) Linfócitos efetores (vida curta) Aula 5 Reação de Hipersensibilidade celular ¨ TH2 cells: Resposta celular que geralmente apresenta-se como fase tardia da RH tipo I. ¨ Pode também ser encontrada na rejeição de tecidos transplantados, em doenças inflamatórias de causa desconhecida (Doença de Crohn, Sarcoidose) e em muitas reações a bactérias, fungos e vírus. © Mycobacterium tuberculosis © Mycobacterium leprae © Leishmania braziliensis © Esquistossoma mansoni ¨ Rejeição de tecidos transplantados: Variantes da Reação de hipersensibilidade Tipo IV ¨ Prova da Tuberculina © Inicialmente descrita por Koch como uma reação à injeção subcutânea de Ags micobacterianos derivados de Micobacterium tb, é atualmente conhecida como a reação de Mantoux ou Teste do PPD (derivado proteico purificado) © No teste, o PPD (derivado proteico purificado) é injetado na pele e passadas 72 horas é feita leitura do teste. Pode haver edema, eritema e infiltrado celular (lesão endurada) devido à reação cutânea (influxo de células dendríticas, células T e macrófagos ao local). ¨ Reação de Mantoux ou Teste do PPD © É realizada injeção intradérmica de 0,1ml de 2UI de derivado protéico purificado (PPD) da tuberculina. © Produz-se uma pápula de 6-10 mm no local de inoculação. © Em 48-72h é realizada leitura do teste fazendo a medida da lesão endurada formada. © Enduração > 10mm = Positivo Aula 5 ¨ Hipersensibilidade à tuberculina © A- Produção de citocinas por MØs e linfócitos, que atuam no endotélio © B- Expressão de E-selectina e de Nts © C- Moléc de adesão do endotélio ligam-se às integrinas de monócitos e LT © D- Expressão de MHC II por queratinócitos e interação APCse LT ¨ Identificação da RH tardia em investigações diagnósticas de outras infecções © Teste de Machado Guerreiro – Chagas © Teste de Mitsuda – Lepra © Teste de Montenegro – Leishmaniose © Inoculação do Ag via i.d (intradérmica). ® Leitura: 48-72h ® Diâmetro > 0,5mm = + ¨ Testes de investigação da RH tardia ¨ Produção de granulomas © A persistência do Ag, devido ao seu escape ou impossibilidade de eliminação leva à estimulação crônica de células TCD4+ e à contínua produção de citocinas IFN gamma ativação de MØs. © A fusão de macrófagos infectados e a proliferação de fibroblastos leva ao granuloma. ¨ Causas de Inflamação Granulatosa © Infecções: Mycobacteria (tuberculose, lepra, etc), sífilis e parasitas (Schistosoma). © Material exógeno: sílica ou asbestos, talco, material de sutura, silicone © Corpo estranho endógeno: osso necrosado, tecido adiposo, cristais de ácido úrico (gota). © Drogas: alopurinol, sulfonamidas. © Desconhecido: Sarcoidose (Doença de Besnier-Boeck), doença de Crohn. ¨ Diferenciação de MØs nos granulomas © Produtos bacterianos estimulam a produção de IL-12 por MØs. © LT ativados na presença de IL-12 liberam IFNg e citocinas como IL-3 e GM-CSF, que ativam a destruição intracelular do microorganismo pelos MØs. Aula 5 © Se o estímulo antigênico não for erradicado ocorre liberação persistente de citocinas e diferenciação de MØs em céls epitelióides, que secretam grandes quantidades de TNFa. Algumas originam céls gigantes multinucleadas ¨ Granuloma da Tuberculose: ¨ Granuloma da Schistossomose: © Schistossoma mansoni - granuloma schistossomótico em fígado, causado pela presença de ovos do parasito (setas). ¨ Na hanseníase (lepra) o perfil de citocinas influencia a apresentação da doença. ¨ Hanseníase: pode resultar em formas histológicas diferentes • Baixa infectividade • Granulomas e inflamação local (dano nos nervos periféricos) • Níveis normais de Ig • Alta infectividade • Infecção disseminada: ossos, cartilagens e dano difuso nos nervos • Hipergamaglobulinemia Aula 5 ¨ Lesão na hanseníase © Lepra lepromatosa ou Virchowiana: múltiplas lesões com infiltrado linfocítico e epitelióide e poucos microorganismos ¨ Sensibilidade de contato © Pode ser causada por moléculas pequenas altamente reativas que podem facilmente penetrar na pele intacta. © O produto químico sensibilizante (formaldeído, níquel, cosméticos...) interage com proteínas do corpo permitindo que sejam reconhecidas pelo sistema imune. © Após a sensibilização, em contatos subsequentes com o agente, haverá indução da inflamação por hipersensibilidade. ¨ Fase de sensibilização © As APCs carregando o Ag migram via linfáticos para o linfonodo. © Nesse local interagem com LT CD4+ (e em alguns casos também com CD8+) dando origem a LT de memória. © Dura 10-14 dias. © 1- APC internaliza hapteno-carreador © 2-APC interage com LT CD4+ © 3- Liberação de IFNg e indução de molec de adesão (céls endoteliais) e MHC (queratinócitos) © 4-Queratinócitos liberam citocinas. © 5- Atração de LT e monócitos © 6- Interação LT e APCs, consequente liberação de citocinas. © 7- Regulação negativa da inflamação induzida por citocinas de MØs e queratinócitos ¨ Apresentações da dermatite de contato Aula 5 ¨ Histologia de lesão causada por Hipersensibilidade de contato © Pentadecacatechol: lipídio solúvel. ¨ Citocinas, Prostaglandinas e interações celulares na hipersensibilidade de contato © A apresentação de Ags leva a liberação de citocinas que desencadeiam ativação e proliferação de LT CD4+, indução da expressão de ICAM-1 e MHC II, atração de LT e monócitos. © A produção de PGE tem efeito inibitório sobre IL-1 e IL-2. © Por fim, a degradação enzimática e celular do hapteno-carreador contribuem para a regulação negativa da reação. ¨ O papel dos LT CD4+ na RH tipo IV Aula 5 IFN gamma TNF. IL1,2 Aula 6 Imunidade Secundária- HIV Introdução ¨ Imunodeficiência: é a falha do sistema imune em proteger contra doença ou malignidade. ¨ Imunodeficiência primária: é causada por defeitos no desenvolvimento ou genéticos no sistema imune. ¨ Imunodeficiência secundária: é a perda da função do sistema imune como resultado da exposição a alguns fatores. Imunodeficiência Secundária ¨ Causas: © Uso de drogas (citotóxicas e imunossupressoras) © Infecções virais (mais importantes) © Para sobreviverem no hospedeiro os vírus podem causar imunodeficiências profundas infectando e destruindo os linfócitos. ¨ Outras causas: © Doenc ̧as metabólicas (Ex: doenças renais) / crônicas © Doenças linfoproliferativas © Transplantes de órgãos sólidos ou M.O. © Cirurgia e trauma © Fármacos citotóxicos ou imunossupressores. © Neoplasias -- Má nutric ̧ão Imunodeficiência Causadas pelo Envelhecimento ¨ Incluem: © Decréscimo no córtex tímico (reduzindo seu tamanho). © Hipo-celularidade (diminui a quantidade de célula). © Diminuição nas funções das células CD4. © Decréscimo nas funções celulares (CD4 que produz). © Aumento na auto-reatividade (auto anticorpos). © Imunossenescência. AIDS: imunodeficiência causada pelo HIV ¨ Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de doenças (CDC) foi alertado para um acontecimento inusitado Þ Em oito meses apareceram, na área de Los Angeles, 5 casos de uma pneumonia extremamente rara, causada por um protozoário (Pneumocystis carinii), todos em homossexuais masculinos. ¨ Ao mesmo tempo, o CDC recebeu notificação de 26 casos de Sarcoma de Kaposi (câncer que envolve os vasos sanguíneos da pele ou órgão internos). ¨ Em 1982, denominação de AIDS Þ cientistas apontaram como causa do aparecimento destas doenças até então raras a depleção das células CD4 (macrófago, Th, células dendríticas). ¨ Em 1983: isolamento do HIV. ¨ Agente causal: vírus da imunodeficiência humana (HIV). ¨ Em 1983 e 1984 dois grupos de pesquisadores liderados por Luc Montagnier, (Instituto Pasteur França) e Robert Gallo (NIH-EUA) descrevem: HIV como o agente etiológico causador da AIDS. ¨ HIV é um Lentivirus Þ grupo dos Retrovirus. Encontrados em diferentes Gabriela Rachadel Lohn B7- CD8 Aula 6 animais, incluindo gatos, carneiros, cavalos, vacas e macacos (SIV). ¨ Origem do vírus HIV Þ SIVcpz (Vírus da Imunodeficiência Símia para chimpanzés) encontrado em chimpanzés vivendo no sul de Camarões. ¨ Tipos: HIV-1, HIV-2 ¨ Grupos: M, N, O ¨ Subtipos: A-D, F-H, J, K ¨ Recombinantes intersubtipos ¨ Transmissão do HIV: © Sangue e fluidos corporais © Gestante HIV+ © Acidentes de trabalho © Tendência de se considerar de maior risco: Heterosexualização, feminilização, terceira idade. © 85% das infecções atualmente são por transmissão sexual ¨ 9.749 nucleotídeos ¨ Genes “clássicos” do genoma retroviral: HIV infecta células CD4+ ¨ A molécula CD4 é um receptor de alta afinidade para o HIV. ¨ Tropismo pelos LT CD4, monócitos/MØs e dendríticas. ¨ A ligação ao CD4 não é suficiente para a infecção. A proteína gp12O do HIV também deve ligar-se a outras moléculas da superfície celular (co-receptores) para entrada na célula. ¨ Duas moléculas da superfície celular, CCR5 e CXCR4, receptores das alfa- quimiocinas e β-quimiocinas, exercem esse papel. Interações HIV-célula ¨ Base molecular da entrada do HIV nas células do hospedeiro: Aula 6 ¨ Mutações no receptor de quimiocina CCR5: © Uma deleção específica de 32 pares de base no CCR5 humano confere resistência ao HIV a homozigóticos e atrasa o despoletar do SIDA em heterozigóticos. © Brasil 2%: deleção em 32 pares de base nesse CCR5, por isso estão protegidos pela infecção. ¨ Da internalização ao brotamento do vírus HIV © O início da transcrição ocorre quando a célula infectadaé ativada por exposição a antígenos ou citocinas. Imunopatologia do HIV ¨ Causa uma imunossupressão profunda, afetando primariamente a imunidade celular. ¨ As principais alterações são as seguintes: © Linfopenia. © Redução e/ou alteração da função dos LT. © Ativação policlonal de LB (sorologia). © Alteração da função de Monócitos / MØs. ¨ Brotamento de partícula de HIV por microscopia eletrônica ¨ Formação de sincícios: aglomerado de células infectadas ¨ Destruição de LT CD4+ induzida por LT CD8+: pois as células CD4 vão avisar que estão infectadas, via MHC de classe I, o qual ativará o CD8 para destruir o CD4. © Por isso a contagem de CD4 e CD8 é importante para saber a evolução da doença. © 2 CD4 a cada 1 CD8. © Queda do CD4 e aumento do CD8: sinal ruim. Infecção dos MØs por HIV ¨ Os MØs infectados mostram o brotamento de quantidades relativamente pequenas de vírus, mas contêm grandes números de partículas virais localizadas em vacúolos intracelulares. Aula 6 ¨ Os MØs permitem a replicação viral, em contraste com LT CD4, mas são bastante resistentes aos efeitos citopáticos do HIV. ¨ Provavelmente atuam como controladores da infecção. Em mais de 90% dos casos, a infecção por HIV é transmitida por cepas trópicas M. Implicações da infecção dos MØs ¨ Monócitos e MØs representam uma verdadeira fábrica e reservatório de vírus, cuja produção permanece em grande parte protegida das defesas do hospedeiro. ¨ MØs constituem um veículo seguro para o transporte do HIV para diversas partes do corpo, sobretudo o sistema nervoso. ¨ Nos estágios avançados da infecção por HIV, quando o número de LT CD4 declina intensamente, os MØs podem ser o principal local de replicação viral continuada. Infecção das células dendríticas ¨ Capturam o vírus e o transportam para linfonodos regionais, onde LT CD4 são infectados. ¨ Nos centros germinativos dos linfonodos, as células dendríticas são reservatórios importantes do HIV. ¨ Assim como LT CD4 e MØs, as células dendríticas foliculares dos tecidos linfóides são os principais locais de infecção e persistência do HIV. Mecanismos de escape do HIV ¨ Alta taxa de mutação durante o curso da infecção, formando as “quasispecies” que coexistem na mesma pessoa. Por isso diferentes variantes são isoladas no mesmo indivíduo infectado. ¨ O peptídeo derivado da variante viral interfere com a apresentação do peptídeo antigênico do vírus original. ¨ A mutabilidade limita a efetividade das drogas antivirais, devido à produção de proteínas resistentes às drogas. Métodos laboratoriais de diagnóstico do HIV ¨ A detecção laboratorial do HIV pode ser realizada por meio de testes que pesquisem anticorpos (IgM, IgG), antígenos (proteína) ou que isolem o vírus. ¨ O aparecimento de Acs detectáveis por testes sorológicos se dá após 6 a 12 semanas de infecção (até 6 meses). A “janela imunológica” compreende o intervalo entre a infecção e a detecção de Acs (pode ser falso positivo). ¨ Tipos de testes: ELISA, Western Blot, IFI, PCR. Método ELISA ¨ O componente da fase sólida é o antígeno. Coloca o soro do paciente. ¨ O Ac a ser detectado liga-se ao antígeno. ¨ A seguir adiciona-se um segundo Ac marcado com enzima. ¨ O substrato de enzima é o componente final que resulta num produto de reação colorida que pode ser medido. Aula 6 Método Western Blot ¨ Os Ags virais serão separados, de acordo com seu peso molecular e carga elétrica, por eletroforese vertical. ¨ São transferidos com o emprego da passagem de corrente elétrica para uma folha de nitrocelulose (matriz de suporte). ¨ A detecção dos Acs específicos é efetuada como no teste ELISA. ¨ Reação é + quando surge uma linha de precipitação ou cor no peso molecular da proteína específica. História da doença ¨ História natural do HIV: Fase sintomática ou AIDS ¨ Infecções oportunistas: © Bactérias, fungos, vírus, protozoários ¨ Neoplasias pouco comuns: 2a Parte 1a Parte 2a Parte 1a Parte Aula 6 © Sarcoma de Kaposi, câncer cervical ¨ Alterações neurológicas: Encefalopatias, demência. ¨ Dados publicados em nov/2018: 281 casos notificados na cidade do Rio Grande do Sul. Terapia anti-retroviral ¨ ⇩ da mortalidade em 40-70% ¨ ⇩ da hospitalização em 80 % ¨ ⇧ da qualidade e tempo de vida ¨ Highly Active Anti Retroviral Treatment (HAART): ¨ Marcadores de progressão da infecção pelo HIV: Óbito Aula 7 Imunidade Primária Introdução ¨ Falta de eficiência na atuação das defesas imunológicas de um organismo; redução da imunidade de um organismo; podendo ser congênita ou adquirida. ¨ Leite materno: até 2 anos ou mais. ¨ Anticorpos da mãe duram geralmente 5/6 meses no corpo do bebê, a partir dai pode se tornar uma criança imunodeficiente. ¨ Podem ser divididas em: © Fisiológicas (do idoso – imunosenescência- e do recém- nascido) © Patológicas: § Primárias (congênitas) § Secundárias ou adquiridas (agentes físicos, químicos ou infecciosos, neoplasias, nutrição, mal-absorção, terapêuticas) Imunodeficiências Congênitas ou Primárias ¨ Resultam de uma falha ou desenvolvimento anormal do sistema imune celular e/ou humoral. ¨ Existem 4 componentes maiores do SI que podem ser diagnosticados com desordens e que resultam em infecções recorrentes: 1- Células B (predispõe infecções bacterianas) 2- Células T (predispõe infecções virais, bacterianas e fúngicas) 3- Sistema fagocítico (predispõe infecções bacterianas e fúngicas- neutropenia) 4- Sistema de complemento (predispõe para infecções de Estafilococos e N. meningitis) ¨ Sinais clínicos sugestivos de imunodeficiências: © Infecções recorrentes ou crônicas © Infecções por agentes oportunistas © Recuperação lenta ou resposta ineficaz à terapia específica ¨ Existem mais de 40 síndromes de ID primárias ¨ A mais grave é a reticular. Deficiência seletiva de IgA é a mais comum. Gabriela Rachadel Lohn B T Fagócito SCID Complemento Aula 7 Epidemiologia - Brasil ¨ Preponderância no sexo masculino (5:1), já que algumas IDPs são ligadas ao cromossomo X. ¨ Incidência: ¨ 1:1.000 para deficiência de IgA. ¨ Entre 1:30.000 e 1:100.000 para imunodeficiência combinada grave (SCID). ¨ Entre 1:10.000 e 1:50.000 para angioedema hereditário. ¨ Entre 1:10.000 e 1:75.000 para imunodeficiência comum variável; ¨ 1:100.000 para agamaglobulinemia ligada ao X; ¨ Entre 1:183.000 e 1:200.000 para doença granulomatosa crônica; Disgenesia Reticular ¨ Anormalidade: defeito na maturação dos precursores linfohematopoiéticos antes da 10ª semana de gestação. ¨ Tipo de herança e base molecular desconhecida. ¨ É a forma mais grave de ID. ¨ Manifestações desde o início da vida: déficit de crescimento, diarréia, infecções generalizadas. ¨ Alteração laboratorial: Pancitopenia (neutrófilo, leucócitos e plaquetas diminuem). ¨ Tratamento: TMO histocompatível Imunodeficiência Combinada Grave (IDCS ou SCID) ¨ Grave comprometimento na imunidade dos LT, LB e células NK. ¨ Vários defeitos imunológicos: © Defeito no receptor de IL-2 (cadeia g ou da tirosino quinase JAK3) Þ SCID ligada ao X (10). © Deficiência de adenosina deaminase (ADA) ou de purina nucleosídeo fosforilase (PNP), que são enzimas recombinases dos receptores de LB e LT © Deficiência de determinantes de membrana (MHC-II). ¨ Frequência das SCID: Imunodeficiência Combinada Grave SCID ¨ Características: © Morte ainda no primeiro ano de vida © Atrofia de amígdalas e linfonodos (pois não tem linfócitos) periféricos © Diarréia prolongada: infecções intestinais © Pneumonia: P. carinii © Crescimento vigoroso de C.albicans (pele e mucosa) © Vacinas com organismos atenuados levama morte por infecção progressiva © Tratamento: TMO. © Vacina BACG IDSC ligada ao X 50% Outras causas 5% Deficiência PNP 5% Deficiência de ADA 20% IDSC autossômica recessiva 20% Aula 7 ¨ IDCS ligada ao X Defeito no receptor de IL-2 IDCS ligada ao X ¨ Início das infecções antes dos 6 meses: ¨ candidíase, otites recorrentes, pneumonias, ¨ faringites, mastoidite, etc. ¨ Alterações laboratoriais: ausência de LT e ¨ Células NK, com LB em nº normal ou elevado (IgM, IgA e Ig baixos) ¨ Tratamento: Ig EV semanalmente ou TMO (transplanrte de medula óssea), HLA idêntico ou terapia gênica. ICSD - Deficiência de ADA ou PNP ¨ ADA (20%), PNP (5%). ¨ Resulta em acúmulo de metabólitos das purinas que são tóxicos para precursores linfóides, além de haver inibição da replicação celular. ¨ Alts laboratoriais: reduzida atividade enzimática. ¨ Ácido úrico. ¨ Tratamento: ADA endógeno, TMO ou terapia gênica. ¨ Ácido Úrico: surge a partir da quebra de moléculas de purina (alimentos) pela ação da enzima xantina oxidase. ¨ Aiuti et al, propuseram um protocolo inovador para a introdução de genes codificadores de ADA normais em células estaminais hematopoiéticas CD34+. ¨ Consiste na recolha de células CD34+ autólogas da medula óssea, inoculação de um vector retroviral GIADA1 com um gene ADA normal e, 4 dias após, reinjecção nos indivíduos, migrando naturalmente para a medula óssea. ¨ Alguns meses após, a medula óssea em ambos os doentes apresentava produção normal de linfócitos T e outras células imunes, sendo inclusivamente capazes de desenvolver resposta imune a infecções. Este protocolo permite assim preservar a capacidade de diferenciação em múltiplas linhagens, incluindo células mielóides, linfócitos NK e linfócitos T (in vivo e in vitro). IDCS - Síndrome do linfócito desnudo ¨ Anormalidade: deficiência de determinantes de membrana (MHC classe II). Transmite sinais da cadeia g do receptor de IL-2 Aula 7 ¨ Mutação nos genes que codificam proteínas que regulam a transcrição do MHC casse II ¨ APCs falham em ativar LT CD4+ ¨ Tratamento: Combate a infecções e TM. ¨ Mediterrâneo – consanguinidade. Síndrome de Wiskott Aldrich ¨ Anormalidade: incapacidade dos LT e plaquetas em reorganizar seu citoesqueleto de actina resultando em disfunção celular. ¨ Herança ligada ao X (afeta mais o sexo masculino)l ¨ Resposta diminuída de Acs aos Ags polissacarídeos (infecções piogênicas recorrentes) e trombocitopenia (sangramentos) ¨ Aumento da suscetibilidade à auto- imunidade, alergia e malignidade. ¨ Alterações laboratoriais: Trombocitopenia (50.000 a 100.000/ml), alteração nos níveis de Igs (IgG normal, IgM reduzida e IgA- IgE aumentada). ¨ Tratamento: ATB, esplenectomia, Ig EV, TMO. ¨ Perda de microvilosidades pelas células T. Síndrome de Di George ou Aplasia Congênita do Timo ¨ Acomete 1/4.000 a 6.000 indivíduos nascidos vivos ¨ 90% casos resultam de mutação no cromossomo 22. ¨ Anormalidade: defeito na migração caudal do timo a partir das 3ª e 4ª bolsas faríngeas (12ª semana) ¨ Comum a presença de cardiopatia congênita ¨ Fácies característica © Orelhas implantação baixa. © Boca pequena. © Fenda palatina. © Ausência do timo e das paratireoides (falta de cálcio). © Anomalias cardíacas. © Atraso mental. © Déficit de crescimento. © Convulsões. © Cianose. © Problemas de aprendizagem. © cognitivos e comportamentais. ¨ Maior suscetibilidade a infecções por vírus, fungos e micobactérias. Aula 7 ¨ Linfopenia pela redução no nº de células T. ¨ Ausência de função das células T. ¨ Níveis e função dos Anticorpos são variáveis. ¨ A função dos LT melhora aos 5 anos de idade (tecido tímico remanescente ou maturação em sítio extra-tímico não definido). ¨ Tratamento: Transplante de timo fetal ou de MO, profilaxia contra P. carinii, correção da hipocalcemia (Ca+2 +Vit D ou PTH) e correção da anormalidade cardíaca. Candidíase Mucocutânea Crônica ¨ Anormalidade: defeito seletivo das células T contra Ags da Candida albicans ¨ Infecções crônicas por candida (pele, mucosas, unhas) refratária ao tratº anti- fúngico ¨ Associada ou não com endocrinopatias (hipoparatiroidismo, dça de Addison, hipotiroidismo) ¨ Anemia, alterações G-I (acloridria, hepatite crônica auto-imune, colite), alopecia, vitiligo. ¨ Anergia no teste de hipersensibilidade cutânea tardia à Candida. ¨ RHIV (teste para cândida, sem formação de pápulas pois não tem células T). ¨ Imunidade celular a outros Ags é normal. Deficiência primária de célula B ¨ Gera deficiências de Acs e, como consequência, a falha em controlar infecções por bactérias piogênicas. Estas bactérias possuem cápsulas de polissacarídeo resistentes à fagocitose, portanto precisam de Acs e complemento (C3b, C4b) para opsonizá- las. © Agamaglobulinemia de Bruton ou agamaglobulimemia ligada ao X © Deficiência de IgA (+ comum) © Síndrome de hiperIgM. © Hipogamaglobulinemia transitória da infância Agamaglobulinemia de Bruton ¨ Defeito no estágio Pré-B (durante o rearranjo genético VJH) ¨ Mutações no gene da tirosina-quinase de Bruton (Btk) comprometendo a produção de globulina ¨ Herança ligada ao X (acomete sexo masculino) ¨ Crianças com infecções de repetição por bactérias piogênicas: S. aureus, S. pyogenes e S.pneumoniae. ¨ No sangue periférico, MO, baço e linfonodos há uma quase ausência de LB maduros. Ocorre ausência total de IgM, IgA, IgD e IgE e um nº limitado de LB normais é responsável por níveis baixos de IgG. ¨ Respostas imunológicas celulares estão normais e as infecções virais são controladas. ¨ Tratamento: ATB profilático e gamaglobulina EV. Imunodeficiência Comum Variável ¨ A IDCV é caracterizada por uma deficiência primária de anticorpos (hipogamaglobulinemia) de pelo menos dois isotipos de imunoglobulinas. ¨ IgG sérica apresenta-se abaixo do limite normal; ¨ Adicionalmente, IgA e/ou IgM também devem apresentar valores abaixo da normalidade. ¨ Metade dos pacientes pode não apresentar níveis detectáveis de imunoglobulinas. A dosagem de Aula 7 anticorpos específicos não foi realizada no presente caso por indisponibilidade no serviço. Na literatura, tais análises nÃo têm sido consideradas obrigatórias para o estabelecimento diagnóstico. ¨ Os níveis de IgG devem estar reduzidos, no mínimo, em 2 ocasiões com mais de 3 semanas de intervalo. ¨ Além de IgG abaixo da normalidade, IgA, IgM e IgE com valores abaixo da normalidade ou com níveis indetectáveis. ¨ A maioria dos pacientes tem números normais de linfócitos T e B; mas, podem apresentar redução nas células B de memória. ¨ Clinicamente similar à agamaglobulinemia ligada ao X quanto aos tipos de infecção que se desenvolvem, mas o início tende a ser tardio (tipicamente entre os 20 e 40 anos- Imunodeficiências primárias no adulto). ¨ O diagnóstico precoce da IDCV é extremamente importante, pois o tratamento retardado ou inadequado pode levar ao aumento de complicações irreversíveis, piora na qualidade de vida e, por fim, à mortalidade precoce. ¨ A terapia de substituição com imunoglobulina representa a base do tratamento na IDCV. É a intervenção médica mais efetiva na redução de infecções bacterianas, hospitalizações e lesões crônicas de órgãos. A reposição de imunoglobulina também pode melhorar substancialmente a qualidade de vida e longevidade dos pctes. Não há nenhum consenso quanto à antibioticoprofilaxia, mas a vacina anual contra influenza (inativada) tem sido recomendada. Deficiência de IgA ¨ É a mais comum das ID (1/700)= + comum ¨ O defeito está na diferenciação de plasmócitos secretores de IgA ¨ Há níveis baixos de IgA (ausente das secreções) e outras Igs normais. ¨ O individuo é mais susceptívela infecções respiratórias, gastrointestinais, alergias e doenças auto-imunes. Aula 7 Síndrome hiper-IgM ¨ Desordem caracterizada por infecções bacterianas recorrentes devido aos baixos níveis de IgG e IgA, e abundantes níveis séricos de IgM. ¨ O defeito causador está nos LT (não transmitem sinais aos LB para a mudança de classes). Hipogamaglobulinemia transitória da infância ¨ As crianças têm níveis reduzidos de Igs desde os 5-6 meses de vida até 2 anos, com normalização posterior. ¨ Deficiência no nº ou disfunção de LT CD4 (não se sabe entre os dois qual é o correto). Deficiência de fagócitos ¨ Compromete principalmente os fagócitos polimorfonucleares, mas também pode ocorrer nos mononucleares. ¨ A suscetibilidade a infecções bacterianas de baixa virulência pode variar desde infecções cutâneas recorrentes leves a sistêmicas graves, maciças e fatais. © Doença granulomatosa crônica © Deficiência de adesão leucocitária © Doença de Chédiak-Higashi Doença granulomatosa crônica (DGC) ¨ Anormalidade: Deficiência da NADPH oxidase -complexo enzimático da cadeia respiratória responsável pela produção de peróxido de hidrogênio, superóxido e outros reativos do oxigênio responsáveis por atividades microbicidas. ¨ Resulta na permanência de patógenos intracelulares vivos nos fagócitos ¨ Macrófago pede ajuda para IL-12 que produz Lh1 e Nk, a qual irão produzir IFN gama (“todinho dos macrófagos”) produzindo assim granulomas. Doença granulomatosa crônica ¨ Herança ligada ao X (65%) ou autossômica recesssiva (35%). ¨ QC: lesões cutâneas infectadas com ulcerações, abscessos, pneumonia, osteomielite Þ granulomas. ¨ Infecções por S. aureus, S. epidermidis, Pseudomonas, Serratia marcescens, Aspergillus. ¨ Diagnóstico: Teste do NBT= ausência de redução do NBT (nitroblue tetrazólio). © O NBT, um corante amarelo pálido, é absorvido pelo fagócito durante fagocitose. Quando o NBT é reduzido por oxidação, forma Diapedese Pare Aula 7 um precipitado púpura- escuro no interior do fagócito. ¨ Tratamento: ATB, antifúngicos, ¨ IFN-gama e TMO. Deficiência de adesão leucocitária (LAD) ¨ Anormalidade: defeito na subunidade b1 das integrinas presentes em granulócitos, linfócitos, monócitos (LAD-1) ou defeito nos ligantes de selectinas (LAD-2). ¨ Resulta na redução da aderência, fagocitose e quimiotaxia dos neutrófilos, células NK e LT. ¨ Manifestações logo após o nascimento com a queda tardia do cordão umbilical e infecções recorrentes semelhantes às da DGC e dificuldade de cicatrização de feridas. Síndrome de Chédiak-Higashi ¨ Anormalidade: defeito no transporte e na fusão dos lisossomos gerando aparecimento de grânulos citoplasmáticos e organelas gigantes nas células. ¨ Infecções recorrentes por uma variedade de germes, hepatoesplenomegalia, albinismo parcial óculo-cutâneo. ¨ Alts laboratoriais: Hipogamaglobulinemia e neutropenia. ¨ Tratamento: ATB, TMO. ¨ Os achados clínicos da síndrome de Chédiak-Higashi incluem albinismo oculocutâneo e suscetibilidade a infecções respiratórias recidivantes, além de outras infecções. Deficiências do Sistema Complemento ¨ Via clássica: antígeno- C5b6789n ¨ Via das lectinas: tem o antígeno mas nesse caso é a manose (como se tivesse o C1 já ativado). ¨ Tudo culmina no C5b6789n= MAC. ¨ Via alternativa: quebra espontânea de C3. ¨ Def. de componentes do complemento © Defeitos na via clássica do complemento e no C3 estão associadas com infecções piogênicas– devido a importância das moléculas C4 e C3 em atuar como opsoninas. © Defeitos em componentes do MAC (C5-C9) resultam em maior susceptibilidade à Neisseria spp. ¨ Sinais clínicos semelhantes aos das IDs de Acs. ¨ Doenças associadas com deficiências de componentes do sistema do complemento NadpH oxidase + NadpH oxidase – Doença Aula 7 ¨ Defeitos nas proteínas de controle © Angioedema hereditário © Hemoglobinúria paroxística noturna Angioedema Hereditário ¨ Deficiência ou ausência do inibidor C1 Ativo (C1-INH) Þ a via clássica do complemento fica alterada. ¨ Clinicamente, caracteriza-se por episódios recorrentes de edema subcutâneo ou submucoso, não pruriginoso, os quais acometem com mais frequência face, braços, pernas, mãos, pés, genitália e abdome, geralmente sem associação com urticária, com duração entre dois e cinco dias. Quando afeta o trato digestivo, pode provocar dores abdominais intensas. ¨ Autossômica dominante, a doença é causada por uma mutação no gene do inibidor de C1 esterase (C1-INH) e tem prevalência em torno de 1:50.000 pessoas, surgindo mais frequentemente na primeira década de vida, embora a idade de início varie. ¨ Seus desencadeantes podem envolver desde trauma e estresse, passando por infecções, uso de contraceptivos orais e inibidores da enzima conversora de angiotensina, até fatores desconhecidos. ¨ O diagnóstico é feito inicialmente com a mensuração do C4 – que se encontra geralmente abaixo do normal – e com a determinação quantitativa e funcional do C1-INH. ¨ A deficiência quantitativa caracteriza o angioedema hereditário tipo I, mais comum, enquanto a deficiência funcional, o tipo II. Já o tipo III, mais raro, apresenta função e níveis normais de C1- INH, podendo estar associado ao uso de estrogênio ou às mutações no gene do fator XII da coagulação. ¨ Danazol (andrógeno) aumenta os níveis de C1-INH e C4, mas começam a agir 48h após sua administração, não sendo eficazes durante as crises. Hemoglobinúria paroxítica noturna (HPN) ¨ Deficiências em proteínas regulatórias do complemento: DAF e CD59 (protegem células do hospedeiro contra ativação da via alternativa do complemento) ¨ Sua deficiência resulta em auto- destruição de hemácias. ¨ Bloqueia a C7- MAC. Aula 7 Sinais de Alerta adaptados ao nosso meio 1. Duas ou mais pneumonias no último ano. 2. Quatro ou mais novas otites no último ano. 3. Estomatites de repetição ou monilíase* “sapinho” por mais de dois meses. 4. Abscessos de repetição. 5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia). 6. Infecções intestinais de repetição / diarréia crônica. 7. Asma grave ou doença auto-imune. 8. Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por Micobactéria. 9. Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada a Imunodeficiência. 10. História familiar de imunodeficiência. Principais exames de Triagem para IDP Aula 7 ¨ Imunodeficiências primárias: aspectos relevantes para o pneumologista Primary immunodeficiency diseases: relevant aspects for pulmonologists. ¨ Exames de triagem para o diagnóstico de das IDs Primárias © Dosagens de Igs; © Dosagens de iso-hemaglutininas*; © Pesquisa de Acs anti-sarampo, rubéola ou poliovírus; © Hemograma completo; © Testes intradérmicos de leitura tardia; © Dosagem de ácido úrico (deficiência de ADA e PNP). © Teste do NBT (sexo masculino); © CH50- A análise funcional do sistema de complemento se baseia na determinação de unidades hemolíticas (CH50) que correspondem à diluição do soro, que produz 50% de lise do sistema hemolítico. © Sorologia para HIV. Investigação específica das Ids celulares e de Fagócitos ¨ Fenotipagem dos LT e LB e contagem de subpopulações de linfócitos ¨ Dosagens de subclasses de Igs ¨ Avaliação de atividade citotóxica ¨ Resposta proliferativa de linfócitos induzida por mitógenos (PHA) ¨ Dosagem de ADA e PNP ¨ Atividade quimiotática ¨ Avaliação de moléculas de adesão ¨ Ensaios fagocíticos e enzimáticos Tratamento das Imunodeficiências Primárias ¨ Uso de antibióticos e antifúngicos; ¨ Reposição de gamaglobulinas ou de citocinas. ¨ Transplante de medula óssea. ¨ Terapia gênicasomática. ¨ Cuidados especiais: boa nutrição, evitar aglomerados, higiene ambiental. ¨ Vacinas de vírus vivos de qualquer tipo são contra indicadas. ¨ Aconselhamento genético. IDs celulares IDs de Fagócitos Aula 8 Generalidades ¨ É o processo de retirada de células, tecidos ou órgãos (enxertos) e a sua inserção em um indivíduo geralmente diferente. ¨ Transfusão Þ transplante de células sanguíneas ou de elementos do plasma. ¨ Dificuldades relativas aos transplantes © Técnica cirúrgica © Escassez de órgãos (vítimas de acidentes ou parentes dos pacientes) © Rejeição ¨ Cirurgia de transplante vem evoluindo: Trocas de informações (conferências médicas e congressos), técnicas cirúrgicas e pesquisa científica. ¨ Cada órgão tem uma fila de espera específica. ¨ A principal característica das listas é que elas não funcionam por ordem de chegada, e sim, por condições médicas. São três fatores determinantes: © compatibilidade dos grupos sanguíneos. © tempo de espera e gravidade da doença. © Prioridade regional. ¨ Rejeição: fenômeno imunológico © Reação inflamatória do receptor ao enxerto doado. © Resposta imune adquirida ® Especificidade ® memória ® LT © Pode ser primária ou secundária. Se refere à imunidade adaptativa. © Por isso é necessário manter o indivíduo que recebeu o órgão imunosuprimido. Tipos de enxertos ¨ Auto-enxerto: © Enxerto autólogo: Transplante de órgãos ou tecidos procedentes do próprio indivíduo. Não se desenvolvem reações © Ex: Ponte de safena/mamária. © Enxerto de pele. ¨ Isoenxerto: © Enxerto singênico: Transplante de órgãos ou tecidos entre indivíduos geneticamente idênticos. © Não há desenvolvimento de resposta ¨ Aloenxerto: © Enxerto alogênico: Transplantes entre indivíduos da mesma espécie. © Grande maioria dos enxertos. © Enxerto é rejeitado. Gabriela Rachadel Lohn Mesma coisa do Auto-enxerto Aula 8 ¨ Xenoenxerto: © Enxerto xenogênico: Transplantes entre indivíduos de espécies diferentes © Enxerto fortemente rejeitado. © Tecidos de porcos são muito utilizados. A genética da rejeição de enxertos ¨ Enxertos singênicos e auto-enxertos não são rejeitados. ¨ Aloenxertos e xenoenxertos são sempre rejeitados. ¨ Produtos de genes do MHC (HLA) são responsáveis pela rejeição de enxertos. ¨ MHC do doador ≠ do receptor = REJEIÇÃO. ¨ Antígenos da rejeição: © Os Ags que estimulam uma resposta imune associada a rejeição são os Ags de transplante ou Ag de histocompatibilidade. © O reconhecimento de células transplantadas como próprias ou estranhas é determinado por genes polimórficos herdados de ambos os pais e expressos de maneira co-dominante. ¨ Moléculas HLA: estrutura e polimorfismo: Aula 8 ¨ Reconhecimento Antigênico – LT: ¨ Apresentação de aloantígenos do enxerto: ¨ Apresentação de Aloantígenos: moléculas MHC como alvos na rejeição. ¨ Apresentação direta de aloantígenos: Rejeição Primária e Secundária ¨ A rejeição de enxertos apresenta características de RI adaptativa. APC MHC Aula 8 Características clínicas da rejeição de aloenxertos ¨ Podem ocorrer três tipos principais de rejeição © Hiperaguda © Aguda © Crônica ¨ Sinais de perigo: febre, hipertensão, edema, aumento súbito de peso, mudança de ritmo cardíaco e dor no local do transplante. ¨ Rejeição Hiperaguda: © Minutos, horas ou poucos dias após a intervenção cirúrgica. © Reação de anticorpos pré-formados Þ geralmente anti-carboidratos expressos no tecido transplantado (ex. Ags ABO), mas pode ser por moléculas MHC incompatíveis. © Sedimentação de eritrócitos/microtrombos nos gromérulos (por causa da força de turbulência). © Antígeno ligado a anticorpo: via clássica do complemento. © Tem dano endotelial, inflamação e trombose. © Ocorre quando já tem anticorpos pré- formados, por isso ela não é a mais comum de ocorrer. Para saber tem que fazer o teste sanguíneo. © Prevenção da rejeição hiperaguda: detecção do Ac “Cross-matching” ® Prova cruzada contra o doador ® O exame é realizado para pesquisar se o receptor apresenta anticorpos da classe IgG dirigidos contra antígenos ABO. ® Em caso positivo, contra-indica o transplante. © Outros testes de detecção de Ags de transplante: ® Genotipagem: tipagem de tecidos usando técnica de PCR (para Rejeição 1a Rejeição 2a 20 transplante Aula 8 verificar se alelos de HLA do tecido do doador são semelhantes aos do receptor). ® Reação mista leucocitária: leucócitos do doador e do receptor são cultivadas por alguns dias para avaliar se existe proliferação e reação dos LT do receptor contra células do doador. ¨ Reação Aguda: © É a mais comum. © Ocorre em 10-14 dias até seis meses após a transplantação. © Mediada por linfócitos T. © Infiltração do transplante (por linfócitos e MØs) e destruição das células que o compõe. © Drogas imunossupressoras são eficazes em conter essa rejeição visto que atuam inibindo a proliferação de células (IL-2, CD25, CD3- para fazer com que a célula T não se divida em 2). © Transplante Alogênico: © Mecanismos efetores de rejeição aguda: ¨ Rejeição Crônica: © Ocorre meses ou anos após o transplante. © Função lentamente perdida. © Fibrose/hipertrofia. © Coração Þ Doença da artéria coronária. © Rins Þ Fibrose intersticial. © Fígado Þ Destruição do epitélio biliar (obstrução dos canais biliares). © Etiologia não muito clara. © Não há tratamento padrão. © Rejeição Þ imunossupressão ® Ciclosporina, Corticosteróides, Tacrolimus. Aula 8 Terapias Imunossupressoras para aceitação dos transplantes ¨ Metabólitos fúngicos como imunosupressores: Ciclosporina, Tacrolimus e Rapamicina ¨ Antimetabólitos e Inibidores mitóticos: Mofedil micofenolato e Azatioprina ¨ Corticosteróides ¨ Bloqueio de sinais co-estimulatórios: Ac monoclonal anti-CD25, anti-CD3. ¨ Radiação. ¨ Ciclosporina: © Importante droga imunossupressora © Peptídeo cíclico responsável pela inibição da expressão de IL-2 (bloqueio da sinalização intracelular via calcineurina). © Inibição indireta. ¨ Tacrolimus (FK 506): © Antimetabólico fúngico (Streptomyces tsukubaensis) que inibe a expressão de IL-2. © Apresenta ação semelhante a ciclosporina, no entanto seu mecanismo é de inibição direta da calcineurina. ¨ Rapamicina: Sirolimus (FKBP12) © Bloqueia a sinalização de IL-2. © Pode agir em conjunto com a FK 506. ¨ Azatioprina: © É um potente inibidor mitótico que diminui a proliferação dos linfócitos T em resposta aos aloantígenos do transplante. © Atua na célula durante a fase S do ciclo celular. © É convertida em 6-mercaptopurina dentro das células inibindo a produção de adenosina monofosfato (AMP) e guanina monofosfato (GMP), atrasando a proliferação celular. ¨ Mofedil Micofenolato: MHC Aula 8 © Bloqueia a síntese de nucleotídeos e a divisão celular de linfócitos. © Constitui um imunossupressor não- nefrotóxico e não-aterogênico. © Quando utilizado com inibidores da calcineurina, reduz a incidência da rejeição aguda nos primeiros seis meses de transplante renal. © Seu mecanismo de ação decorre de uma inibição da síntese das purinas. ¨ Corticosteróides: © Bloqueio de citocinas (TNF, IL-1). © Inibem expressão de moléculas de adesão. © Reduz atividade de células inflamatórias. ¨ Anticorpo monoclonal: © Muromonab- Anti-CD3. © Anti CD25: ¨ Radiação: © Linfócitos são altamente sensíveis aos raios-x. © Antes do transplante, são irradiados os nódulos linfáticos, o timo e o baço, resultando na eliminação dos linfócitos do receptor. © Devido a este processo, o paciente encontra-se num estado imunossuprimido, não rejeitando com tanta facilidadeo novo tecido ou órgão. © A medula óssea não é exposta à radiação, por isso as células estaminais da linha linfóide proliferam e renovam a população de linfócitos. Estes linfócitos aparentam ser mais tolerantes aos Ags do transplante. ¨ Transplante de medula óssea: © Células hematopoiéticas indiferenciadas pluripotenciais. © Aplicação: ® Defeitos adquiridos em células sanguíneas ou células do sistema imune. ® Correção de enzimas/proteínas defeituosas (Hb). ® Leucemias. Aula 8 © Para que as células do transplante ocupem nichos na medula do receptor é necessário um pré- tratamento (Radiação/Quimioterapia). © As células indiferenciadas transplantadas são rejeitadas por mecanismos pouco conhecidos. © Há a necessidade de uma imunodepressão quase completa do receptor. ¨ Doença Enxerto x Hospedeiro GVHD (graft-versus-host disease): © Causada por LT maduros enxertados no inóculo de medula contra os aloantígenos do hospedeiro. © Inicia-se quando LT transferidos reconhecem os Ags de histocompatibilidade do receptor como não próprias. Os LT do doador são ativados e respondem como a um aloenxerto. © Clínica: eritema, decamação e bolhas, hepatoesplenomegalia, linfoadenopatia, diarréia, anemia e perda de peso. Aula 9 Generalidades ¨ Origem do nome “câncer”: © Hipócrates, por volta do ano 400 a.C deu o nome a alguns tumores de mama de karkinoma (carcinoma), palavra grega que também significa caranguejo, e a mesma associação chegou ao latim. © Teoria humoral hipocrática: a vida era mantida pelo equilíbrio entre quatro humores: Sangue (coração), Fleuma (cérebro), Bílis Amarela (fígado) e Bílis Negra (baço). © A doença seria devida a um desequilíbrio entre os humores, tendo como causa principal as alterações devidas aos alimentos, os quais, ao serem assimilados pelo organismo, davam origem aos quatro humores. Entre os alimentos, Hipócrates incluía a água e o ar. A febre seria devida à reação do corpo para cozer (digerir) os humores em excesso. ¨ Câncer é um processo clonal. ¨ A maioria das neoplasias surgem de uma única célula que sofreu perturbação em seu mecanismo de regulação da proliferação e apoptose. ¨ Quais são as diferenças entre as células normais e as células neoplásicas? © Produz seus próprios sinais de crescimento © Não respeita sinais de parada de crescimento © Evade a apoptose © Angiogênese: estimula a formação de novos vasos para nutrir as células tumorais © Replicação ilimitada © Invasão de tecidos e metástase © Desregulação energética das células © Mutação e instabilidade genômica © Evade da resposta imune © Promoção da inflamação ¨ Câncer x Tumor: Gabriela Rachadel Lohn Aula 9 ¨ Oncogene: promovem proliferação celular. ¨ Proto oncogene: gene normal (versão de função normal de um oncogene) – controlam divisão e diferenciação celular ¨ Gene supressor de tumor: inibem eventos que direcionam o câncer. ¨ A segunda maior causa de mortes por razões naturais no Brasil é o câncer. Mas são os exames preventivos que alcançam nessa doença os resultados mais espetaculares. ¨ Proto oncogênese que sofre uma mutação se transforma em oncogene. ¨ Câncer de próstata: © Um tumor cancerígeno na próstata dobra de tamanho a cada dois anos e, nesse curto espaço de tempo, pode sair para fora da glândula. © Diagnosticado em fase inicial, tem chance de cura que varia de 70% a 90%, conforme o tratamento. © Depois de ter ultrapassado os limites da glândula e se espalhado pelo corpo, é praticamente incurável. © Um homem que faça exames anuais de toque retal e PSA no sangue (uma proteína indicativa de câncer) dificilmente deixará de ter o diagnóstico a tempo. © Só 6% dos casos escapam à combinação dos dois testes. Há alguns anos o diagnóstico precoce só podia contar com o toque retal, que não flagra 30% dos casos. ¨ A imunologia dos tumores estuda: © Propriedades antigênicas das células transformadas; © Respostas imunológicas do hospedeiro a essas células tumorais; © Adaptações do sistema imune para reconhecer e erradicar o tumor. © NEOPLASIA Þ neos + plasia (novo) (crescimento) ¨ Tumor mais comum na mulher é mama e no homem o de próstata. Propriedades comuns das células tumorais malignas ¨ Incapacidade de responder a sinais reguladores do crescimento normal e reparo dos tecidos; ¨ Crescimento autônomo, invasivo e metastático; ¨ Origem monoclonal (única célula). ¨ Diferenças antigênicas da membrana em relação às células não transformadas de mesma origem tecidual. ¨ Transformação tumoral benigna e maligna: ¨ Mecanismos de atividade oncogênica para desregular a divisão celular: Agentes oncogênicos ¨ Carcinógenos químicos: hidrocarbonetos, aminas aromáticas (anilina). ¨ Carcinógenos físicos: irradiação ionizante (Rx, bombas atômicas), radiação UV. Aula 9 ¨ Carcinógenos virais: EBV (linfoma de Burkitt, doença de Hodgkin e carcinoma nasofaríngeo), HPV (carcinoma anogenital cervical e carcinoma cutâneo), HBV (hepatocarcinoma). Classificação dos antígenos tumorais ¨ A transformação maligna pode ser acompanhada por mudanças fenotípicas celulares que incluem perda de componentes normais ou ganho de outros não expressos na célula. ¨ Se tal componente for reconhecido pelo sistema imune como estranho é um antígeno tumoral. ¨ A classificação varia amplamente entre os diversos autores. Os Ags tumorais mais comumente mencionados são: © Produtos resultantes de mutação de ponto ou de rearranjos gênicos © Antígenos oncofetais © Proteínas celulares superexpressas ou anormalmente expressas © Antígenos tumorais codificados por genomas de vírus oncogênicos © Antígenos de diferenciação. ¨ Produtos resultantes de mutação de ponto ou rearranjos gênicos: ¨ Produtos resultantes de mutação de ponto ou rearranjos gênicos: © Frequentemente as mutações ocorrem em genes que codificam partes funcionalmente importantes da proteína expressa. ¨ Proteína P53: © Durante o ciclo de divisão celular, a proteína p53 faz uma verificação quanto à eventual ocorrência de uma mutação na sequência do código genético em consequência de uma duplicação defeituosa do DNA (erro de replicação). Caso seja verificada a existência de uma mutação, é função da proteína p53, através do desdobramento de uma cascata de reações, impedir que esta célula entre em processo de mitose e complete a divisão celular. Para isto, dois caminhos poderão ser seguidos: a correção da mutação através da ativação de proteínas de reparo ou a indução da morte celular através da apoptose. © Antígenos oncofetais. Ex. CEA, a- fetoproteína. © Proteínas celulares superex-pressas. Ex. PSA, HER-2. Aula 9 Proteínas celulares superexpressas ou anormalmente expressas ¨ Ex. HER-2 (receptor 2 de fator de crescimento epidérmico humano) ¨ O receptor HER-2 envia sinais estimulatórios para o núcleo da célula, induzindo a divisão celular. ¨ No câncer de mama, ocorre o aparecimento de um grande número de genes HER-2 no interior das células da mama. Antígenos tumorais codificados por genes de vírus oncogênicos S.I competente Aula 9 ¨ Linfoma de Burkitt (anteriormente denominado Linfoma Não-Hodgkin de alto grau de pequenas células não-clivadas) é uma neoplasia de células B maduras altamente agressiva que acomete mais a faixa etária pediátrica, sendo endêmico em regiões africanas. ¨ Tumor x Microrganismo Antígenos de diferenciação ¨ Alguns antígenos normais são expressos em estados específicos de diferenciação celular; mas podem também ser encontrados em células tumorais e são detectados com o uso de mAbs. ¨ Ex. Os marcadores de estágio de diferenciação de linfócitos CD10, CD20, Igs podem ser encontrados em: © CD10 (Ag CALLA) – Leucemia linfocítica aguda © CD20 – Linfomanão-Hodgkin © IgM ou IgG – Mieloma múltiplo (neoplasia plasmócitos). Teoria da imunovigilância proposta por Burnet ¨ Tumores sólidos removidos cirurgicamente são frequentemente caracterizados por um infiltrado celular heterogêneo de fagócitos mononucleares linfócitos, plasmócitos e mastócitos, sugerindo uma resposta imunológica inata e específica. ¨ Em indivíduos portadores de tumor, são encontradas Igs com capacidade anti- tumoral e LTc sensibilizados para o mesmo. ¨ A vigilância tumoral é exercida por LTc principalmente. Aula 9 Resposta imune contra tumores ¨ Resposta dos MØs © Atividade citotóxica pela secreção de enzimas lisossômicas, produção de superóxido e outros RIO e secreção de TNF (trombose). © Ativação dos MØs pela liberação de IFN produzidas pelas células T específicas para o tumor. © Lisam de preferência células tumorais com expressão reduzida de moléculas MHC classe I. © Participa da ADCC (liberação de fatores citotóxicos e perforinas). © Secreção de TNF que induz hemorragia e necrose tumoral. ¨ Resposta dos LB © Induz destruição por opsonização (Acs) e fagocitose. © Lise das células tumorais mediadas por Ac (IgM e IgG) em presença de complemento Þ induz ADCC. © No entanto, a capacidade dos Acs de eliminar céls tumorais foi extensamente demonstrada in vitro e há poucas evidências de imunidade humoral efetiva contra tumores. ¨ Resposta dos LT © LT específicos anti-tumorais são encontrados no sangue periférico e entre células de tumores infiltrantes. © Destruição direta por LT citotóxicos (CD8+) principalmente induzidos por vírus. © Ação de citocinas secretadas por LT CD4+ promove ativação de LT CD8+, LB e células NK. ¨ Resposta das Citocinas © IFN-g, TNF possuem efeitos anti-tumorais, pois regulam positivamente moléculas do MHC classe I e II das células tumorais. © IFN-g, IL-1 e IL-7 exercem inibição sobre o crescimento tumoral (controla). Aula 9 © TNF-a é um potente causador de hemorragia e necrose dos tumores. ¨ Tumores podem ativar e suprimir a imunidade © Tumores podem ativar o SI: expressão de Ags por MHC classe I ou suprimir o SI: ativação de LT reg produtores de IL-10 e TGFb (param a imunidade mediada por células). © O balanço determina se o câncer se torna clinicamente relevante ou não. Mecanismos de escape dos tumores ¨ Fatores relacionados ao hospedeiro © Falha do hospedeiro em responder a um tumor antigênico devido à deficiência nas APCs e/ou dos LT: ® Deficiência de citocinas. ® Falta de moléculas co-estimuladoras nas APCs. ® Ausência de alelo do MHC que expõe o peptídeo antigênico. ® Falha no repertório dos LT. ¨ Fatores relacionados ao tumor: © Falha do tumor em oferecer um alvo adequado devido a mascaramento ou à ausência de epítopo antigênico tumoral. © Produção de substâncias inibitórias (citocinas como IL-10 e TGFb) pelo tumor. Aula 9 Imunoterapia antitumoral Imunização ativa inespecífica ¨ São considerados modificadores de resposta biológica. ¨ BCG (Bacilo Calmette Guérin): ativa MØs e células NK. ¨ Hormônios tímicos: modulam a função dos LT. ¨ Hormonioterapia câncer mama: terapia sistêmica (atinge células cancerosas em todo o corpo). Ex.: Tamoxifeno, Fulvestranto (bloqueia receptor estrógeno), Letrozol, Anastrazol, Exemestano (Inibidores aromatase – impedem produção estrogênio). ¨ Citocinas: como IFN, IL-2, TNF: ativam MØs, células NK e LT, inibem o crescimento e a divisão celular. Algumas são úteis na imunoterapia passiva. ¨ Imunização Ativa Específica: © Ags tumorais purificados: ® Céls dendríticas internalizam vetores que codificam Ags tumorais. ® Ex. CEA + vírus da vaccinia. © Contra vírus oncogênicos: a melhor perspectiva é a feita para prevenir infecção com vírus potencialmente oncogênicos. ® Vacina contra Hepatite B, EBV e HPV. © Imunoterapia gênica (Ags recombinantes): injeção direta de DNA nas células tumorais para codificar Ags tumorais, co-estímulos ou citocinas para melhorar a resposta imunológica superando os mecanismos de escape. ¨ Imunização passiva: © As células LAK (células Killer ativadas por linfocinas): quando cultivadas na presença de IL-2 e reinfundidas, associada a altas doses de IL-2, têm atividade citolítica sobre células tumorais. ¨ Imunização passiva específica: © LT extraídos de tumores podem ser cultivadas in vitro e reinfundidas no hospedeiro. © Após o cultivo, principalmente com estimulação por IL-2, os LT guardam especificidade relativa ao tumor e seu potencial citotóxico promove regressão tumoral. © Para aumentar a eficácia IL-2 pode ser administrada após transferência celular. Aula 9 ¨ Imunização passiva: Terapias com Mab © Acs puros ou acoplados a drogas, pró- drogas, toxinas ou radioisótopos. ¨ Terapias com anticorpos monoclonais © Bevacizumab (Avastin®): Bloqueio de interação entre fator de crescimento VEGF e seu receptor: inibe a formação de neovasos, muito importantes para o crescimento do tumor. ¨ Terapia com Mab no câncer de mama © O Trastuzumab (Herceptina®): bloqueia a interação entre o receptor HER-2 e seu ligante natural, reduzindo o nível de expressão do receptor. Remoção cirúrgica de nódulo tumor LT +IL-2 IL-2 Aula 9 ¨ Terapia com Mab no linfoma de células B não-Hodgkin © O Rituximab (Mabthera®) liga-se ao CD20 e induz apoptose na célula tumoral. Também pode promover ativação do complemento (lise tumoral) ou induzir a morte por ADCC. ¨ Terapias com Mab no Melanoma © Ipilimumab (Yervoy®): usa o próprio sistema imunológico do paciente para combater as células tumorais, aumentando a ativação e a proliferação da célula T, resultando em uma resposta antitumoral do sistema imunológico. © Nivolumab (Opdivo®): Nivolumabe é um anticorpo monoclonal humano bloqueador do receptor de morte programada (PD-1) aprovado em monoterapia para o tratamento de melanoma avançado (irressecável ou metastático). Aula 10 Generalidades ¨ Histórico: obscuridade entre interação genética e o ambiente na doença celíaca (glúten- proteína) - intestino delgado tem dificuldade de absorção. ¨ Dosagem de anticorpos específicos- IgA (por causa da mucosa do intestino delgado) e IgG. ¨ Sintomas: azia, queimação, desconforto gástrico. © 1880- Samuel Gee (pediatra inglês) suspeitou de propensão hereditária no “infantilismo intestinal” © Perguntou-se: ® Por quê vários filhos dos mesmos pais, criados da mesma forma, apenas um apresenta a doença? ® O que coloca em risco uma das crianças e não as outras? © 1908- Christian Archibald (New York) defendeu que a causa da doença estaria ligada à colonização de uma bactéria, ainda desconhecida, no intestino. © 1940- Willem Dicke (pediatra holandês) observou associação entre a ingestão de proteínas no trigo e as manifestações clínicas. © Fortalecimento da suspeita: ® A diminuição da mortalidade pela doença na epidemia de fome que devastou a Holanda em 1944. ® 1952- Charlotte Anderson (inglesa) demonstrou que o glúten, existente no trigo, na cevada e no centeio, era o causador das lesões histológicas encontradas na mucosa intestinal. © As suspeitas recaíram sobre a possibilidade de existirem reações aberrantes do sistema imunológico, em afronta ao dogma de que a imunidade serviria apenas para nos defender das agressões externas. © 1960- Vários estudos demonstravam mecanismos imunopatológicos envolvidos na gênese e na progressão da doença celíaca. © LEVOU 20 ANOS PARA SER ACEITO! © E, então ficou evidente: ® Determinadas proteínas que regem a compatibilidade genética entre os indivíduos (antígenos de histocompatibilidade / HLA) indicavam predisposição para diversas enfermidades autoimunes, incluindo doença celíaca. ¨ Quanto mais curto o período de amamentação e mais precoce a introdução do glútenna dieta, maior o risco em crianças geneticamente predispostas. ¨ As imunopatologias podem ser classificadas pela forma clínica da doença e características imunológicas: © Alergias © Doenças auto-imunes. © Doenças imunoproliferativas. ¨ A principal função do sistema imune é distinguir antígenos estranhos (agentes infecciosos) de componentes próprios (“self”) presentes nos diferentes tecidos. ¨ O sistema imune adquire auto-tolerância (não responde ao próprio): © Pela deleção clonal de linfócitos T auto- reativos (nos órgãos centrais- timo e M.O) © Pela deleção clonal de linfócitos B auto- reativos. © Pela supressão funcional de linfócitos T e B auto-reativos (nos órgãos periféricos) Auto-Imunidade ¨ Tolerância Central: © Deleta clones de células T e B antes de elas alcançarem a fase madura (Timo e M.O) ¨ Tolerância Periférica: Gabriela Rachadel Lohn Aula 10 © Torna linfócitos nos tecidos linfóides secundários inativos ou anérgicos. ¨ Resposta inapropriada do S.I. contra antígenos próprios: auto-imunidade- “Horror autotóxico". ¨ Definida como uma quebra dos mecanismos responsáveis pela tolerância imunológica. A auto-reatividade pode resultar em doenças. ¨ A doença auto-imune é multifatorial: estresse, genética, dieta, ambiental, contato com Ag. ¨ Resulta de uma falha ou interrupção dos mecanismos normalmente responsáveis por manter a auto-tolerância em células B, T ou ambas. ¨ Os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento de auto-imunidade são: © Suscetibilidade genética. © Desencadeantes ambientais. Ex: infecções prévias. Suscetibilidade Genética à Auto-Imunidade ¨ A maioria das doenças auto-imunes é poligênica, e os indivíduos afetados herdam múltiplos polimorfismos genéticos que contribuem para a suscetibilidade a doenças. ¨ Entre os genes que se associam a auto- imunidade, a associação mais forte ocorre nos genes MHC, principalmente MHC classe II (DP, DQ, DR). ¨ Quebra da tolerância devido a fatores genéticos: ¨ Predisposição à autoimunidade: papel do MHC: ¨ Mecanismos efetores dos danos causados pela auto-imunidade © Componentes da Imunidade Específica: ® Anticorpos (lb) ® LT © Componentes da Imunidade Inata: Aula 10 ® Fagócitos (PMN (neutrófilos e macrófagos (IL-1, IL-6) ® NK e outras células ¨ Estimulante: se liga ao receptor para estimular, enquanto o bloqueador não deixa acontecer a ligação com o receptor. ¨ Resíduo: sequência de aminoácidos. Quebra da tolerância devido a reatividade cruzada com antígenos ¨ Exemplos: ¨ Espondilite anquilosante: reação cruzada entre epítopos de HLA B-27 e da Klebsiella pneumonia, ¨ Artrite reumatóide: Reação cruzada entre epítopos de HLA-DR4 e Proteus mirabilis. ¨ Febre reumática: Reação cruzada entre epítopos de Proteína M de Esptreptococcus b hemolítico e proteínas do sarcolema* do miocárdio e miosina (cardite reumática). Etiologia das doenças auto-imunes ¨ Etiologia exata não é conhecida. ¨ Antígeno sequestrado ¨ Escape de clones celulares auto-reativos ¨ Reatividade cruzada com antígenos © Modificação de antígenos próprios Mecanismos dependentes do antígenoMecanismos dependentes do antígeno Aula 10 © Reatividade cruzada à antígenos exógenos ¨ Desregulação de citocinas e expressão inapropriada de MHC ¨ Função supressora sub-ótima Auto-imunidade e dieta ¨ Sarampo e encefalite pós viral auto-imune: Pode estar correlacionada com deficiência de vitamina A na dieta que modula a produção de citocinas, atividade de complemento e citotoxicidade de macrófagos ¨ Lupus Eritematoso Sistêmico: Dieta rica em gorduras saturadas causa aumento na deposição de imuno-complexos, nos títulos de anticorpos anti-DNA e diminui a capacidade proliferativa de LT. ¨ Esclerose Múltipla: Ingestão aumentada de ômega 3 e baixos índices de gorduras saturadas diminuem as crises da doença. Auto-imunidade e Estresse ¨ Estresse: Aumenta o neuropeptídeo CRF (fator de liberação de corticotrofina) no hipotálamo. Isto aumenta a produção de glicocorticóides pela adrenal. ¨ Glicocorticóides tem efeitos supressores na resposta imune e tem consequências metabólicas. ¨ Artrite Reumatóide: Os níveis de CRF estão aumentados nas articulações e isto leva a inibição de Th1 (aumentando o TH2 fazendo o número de anticorpos aumentarem). ¨ Lupus Eritematoso Sistêmico: Os níveis aumentados de CRF levam a aumento de prolactina (PRL) que acentua os sintomas. ¨ A PRL é secretada pela maioria das células do sistema imunológico, estimulando a proliferação, diferenciação e maturação de linfócitos T e B, amplificando a ação de IL-2 e promovendo a inibição da apoptose dessas células. Tecidos e órgãos envolvidos ¨ Doenças órgão-específicas © dano está confinado ao órgão contra o qual a resposta imune é montada. ¨ Doenças não específicas a órgãos © Resposta imune contra antígenos que não estão especificamente associados a um órgão. Situação mais sistêmica. © Várias doenças auto-imunes são relacionadas ao mesmo tipo de HLA. ¨ Doenças órgão- específicas © Doença de Addison © Doença Celíaca © Doença Intestinal inflamatória © Anemia perniciosa © Doença de Graves © Miastenia Grave © Espongilite Anquilosante ¨ Doenças autoimunológicas sistêmicas ou não-órgão específicas: © Lúpus Eritematoso sistêmico © Artrite Reumatóide Aula 10 Doença de Addison ¨ Também conhecida como insuficiência adrenal crônica ou hipocortisolismo é uma rara doença endocrinológica (Ac anti- adrenal). ¨ Estima-se que a doença ocorra em 1 ou 2 pessoas a cada 100.000, quando as glândulas adrenais, localizadas acima dos rins, não produzem hormônio cortisol. ¨ Características: Fadiga, tontura, vertigem, fraqueza muscular, artralgia e mialgia. Febre, Anorexia,Perda de peso, Diarréia, Náusea/vômitos e hipotensão ortostática (ao se levantar). Doença Celíaca ¨ Distúrbio no intestino delgado, com má absorção e intolerância ao glúten. ¨ Os cereais que contêm glúten têm gliadina - uma fração protéica - que é a responsável pelo dano na mucosa intestinal. ¨ Causas predisposição genética (associação com HLA-B8, DR3, DR7), falta de enzima digestiva e formação de anticorpos. ¨ Teoria Imunológica: presença de um infiltrado de células mononucleares. Ac IgA anti-gliadina. CD4 e CD8 relacionados com as lesões. ¨ Manifestações clínicas: diarréia, perda de peso e dor abdominal. Doença Intestinal Inflamatória ¨ Colite Ulcerativa: limita-se ao cólon e só afeta a mucosa ¨ Doença de Crohn: pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal. ¨ Afetam ambos os sexos, mais comuns em brancos, componentes genéticos. ¨ Estímulo dietético ou microbiano desencadeia a RI que torna-se persistente e intensificada, provocando a lesão. ¨ Presença de MHCII (Col.Ulc.-DRB1/ D.Crohn DR7/DQ4) ¨ Presença de Ac anti-citoplasma de neutrófilo em 70% dos pctes com colite e 20% dos pctes com Crohn. O mecanismo da anemia perniciosa Aula 10 ¨ A absorção da vitamina B12 requer o fator intrínseco (IF) produzido no estômago. Em 90% dos pacientes a deficiência da absorção ocorre por Acs anti-IF. ¨ Palidez, acloridria(incapacidade chegar ao pH 4 ou menos – não produz acido cloridrico), glossite (língua mais lisa), atrofia da mucosa gástrica, fraqueza e manifestações neurológicas (Confusão mental, Depressão, Perda de equilíbrio, Dormência e formigamento nas mãos e nos pés). Doença de Graves ¨ Hipertireoidismo, oftalmopatia e dermopatia infiltrativa. ¨ Os pacientes apresentam Acs que reconhecem o hormônio estimulador da tireóide (TSH) mimetizando-o, o que leva à ativação contínua da tireóide, aumento de T3, T4 e redução do TSH. Mimetiza a ação do TSH. Miastenia gravis Aula 10 ¨ Bloqueia o influxo de sódio (acetilcolina), influenciando na fraqueza muscular por falta da contração. ¨ Músculos mais susceptíveis:nervos cranianos e em 50% dos casos músculos oculares. ¨ Pode surgir após evento estressante, como infecção e anestesia. ¨ 10-20% dos indivíduos afetados apresentam timoma (tumor de timo). ¨ Nenhuma explicação técnica foi dada para justificar a ocorrência de tal fenômeno. ¨ Cerca de 30% a 65% das pessoas com timomas também têm miastenia gravis, que é a doença autoimune mais comum associada ao timoma. Espondilite Anquilosante ¨ Infiltrado inflamatório nas articulações da coluna e grandes articulações, como os quadris, ombros e outras regiões. ¨ 90% dos pacientes apresentam HLA-B27 do MHC-I associado a apresentação de peptídeos de Chlamidia, Yersinia (gastroenterite) e Salmonella (reação cruzada contra peptídeos presentes nas articulações). ¨ Região lombar da coluna e nas articulações sacro-ilíacas. ¨ Perda da curvatura normal da região lombar e uma acentuação da curvatura da região dorsal (cifose), com a cabeça projetada para a frente, enquanto a região cervical perde mobilidade em todos os sentidos. Artrite Reumatóide ¨ Inflamação crônica das articulações sinoviais. ¨ Destruição progressiva de estruturas cartilaginosas e ósseas. ¨ Podem ocorrer vasculite e nódulos subcutâneos em 25% dos casos. ¨ Linfócitos B das membranas sinoviais produzem Acs (IgM) contra a porção Fc da IgG produzidas contra infecções ou respostas inflamatórias. ¨ Isso causa danos em cartilagens e ossos. Mastenia Gravis Doença de Graves Aula 10 ¨ Possíveis causas: © Fatores hormonais (3:1 ♀ entre 35-50 anos). © Agentes infecciosos como Mycoplasma, Vírus da Rubéola, CMV, Herpes, Parvovírus B19, EBV e Mycobacterium tuberculosis. © Presença de MHC-II: HLA-DR4 e HLA DR 1. ¨ Mecanismo imunológico: © Líquido sinovial fica cheio de neutrófilos, macrófagos, LTh-1 e células dendríticas. © Produção de metaloproteínases pelos macrófagos ativados por IL-1 e TNF-a, clivando colágeno e proteoglicanos. Lúpus Eritematoso Sistêmico ¨ Doença crônica e multissistêmica ¨ Desenvolve-se na dependência de: ¨ Fatores genéticos (HLA DR2 ou DR3 risco relativo de 2-3, se presença de ambos o risco relativo sobe para 5, deficiência de C1q, C2 e C4 são visto em 10% dos pctes c/LES). ¨ Fatores hormonais (razão mulher/homem =10:1 entre 20 e 60 anos). ¨ Fatores ambientais (exposição a Uv-B e medicamentos como procainamida, hidralazina, clorpromazina, isoniazinas, practolol e metildopa). ¨ Anticorpos auto-reativos contra constituintes nucleares: DNA, ribonucleoproteínas, histonas e antígenos de nucléolos. ¨ Imunocomplexos se depositam nos glomérulos renais, articulações, pele e vasos sanguíneos. ¨ Teste FAN (ou ANA)> Tratamento das doenças auto-imunes ¨ Correção sintomática das conseqüências metabólicas ¨ Agentes imunosupressores convencionais ¨ Tratamentos experimentais: © Indução da tolerância por administração oral do Ag. Aula 10 © Imunização com o receptor específico do Ag (imunização antiidiotípica). Falhas no tratamento das doenças auto-imunes ¨ O tratamento é não específico, de suporte e inclui: © drogas antiinflamatórias não esteroidais © corticosteroides (as vezes em altas doses) © drogas imunossupressoras. ¨ As causas de morte incluem: © falha renal (nefrite) © hipertensão maligna secundária à nefrite lúpica. © lesões vasculares afetando SNC e outros órgãos vitais © complicações com infecções secundárias. Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) ¨ O fator antinúcleo (FAN), conhecido também como anticorpos antinucleares (ANA), está presente no soro de pacientes que apresentam doenças autoimunes sistêmicas que afetam o tecido conjuntivo. ¨ Por esse motivo são considerados marcadores de diversas doenças autoimunes: © LES © AR © Síndrome de Sjögren © Tireoidite de Hashimoto ¨ É utilizado um corte de tecido (fígado ou rim de rato) ou células HEp-2 (células epiteliais humanas) porque expressam a maioria dos antígenos de importância clínica. ¨ Para a detecção dos anticorpos antinucleares, utilizam-se células HEp-2 e conjugado IgG como substrato. ¨ Limitações: não é um teste específico (marcador), medicamentos podem induzir, falso positivo, falso negativos por imunocomplexos, etc.