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COXARTROSE 1. VISÃO GERAL DA COXARTROSE: Partindo do princípio que artrose é uma doença degenerativa, crônica e inflamatória caracterizada pela deterioração da cartilagem de articulações e por uma neoformação óssea nas superfícies e margens articulares, justamente em decorrência desse desgaste da cartilagem da articulação (cartilagem hialina), o contato/atrito osso-osso da articulação aumenta, o que pode gerar uma osteoartrose (quando o tecido da extremidade do osso se desgasta). No quadril, essa artrose pode ser chamada de Coxartrose ou artrose da anca. O desgaste da cartilagem da articulação, que por se tratar de Coxartrose é a articulação coxofemoral, por termos esse desgaste, localmente ocorre uma desorganização da matriz de colágeno, da cartilagem articular, e diminuição dos Peptidoglicano, que possui um efeito condro-protetor ao chamar água por osmose para o interior da cartilagem, em consequência da diminuição dos Peptidoglicano, o conteúdo hídrico da cartilagem é reduzido, podendo ocorrer uma osteoartrose. Na imagem abaixo é possível observar a região da articulação coxofemoral de uma pessoa saudável, Com a cartilagem bem integra e na outra parte é perceptível o desgaste da cartilagem. 2. RELEVÂNCIA DO ASSUNTO E ETIOLOGIA: A artrose (Coxartrose) ocorre com maior prevalência em obesos, pacientes que tenham sofrido algum trauma articular ou algum tipo de sobrecarga mecânica e em idosos. No entanto, essa relação de idade e a doença não está totalmente correlacionada. A Coxartrose pode também iniciar em idade precoce, mas podemos ressaltar que seu progresso torna-se clinicamente mais aparente com o aumento da idade. A artrose de anca é, juntamente com a artrose de joelho, das artroses mais frequentes do organismo. Atingindo de 10 a 20% da população acima de 60 anos, possuindo maior incidência nos homens até os 45 anos e nas mulheres após essa idade, podemos dizer de forma geral que as mulheres são mais acometidas em relação aos homens. Existem dois tipos de manifestação: primária e secundária, que são definidas de acordo com sua causa. A Coxartrose primária é aquela que geralmente não é possível identificar a causa precisa do desgaste da cartilagem. Já a secundária é responsável por cerca de 52% dos casos, sendo definida por casos em que a degeneração foi provocada por defeitos congênitos ou adquiridos, temos causas como o impacto femoroacetabular, osteonecrose da cabeça femoral, processo traumático, doenças reumatológicas e infecciosas. A artrose de quadril (Coxartrose) pode se manifestar de forma unilateral ou bilateral: Bilateral (quando atinge os dois lados do quadril) é muito frequente quando se trata de uma Coxartrose primária bilateral. E a unilateral está, muitas vezes, associada a Coxartrose secundária, em especial aquelas causadas por processos traumáticos. Podemos ressaltar também que não existe predomínio de Coxartrose esquerda ou direita, podendo afetar igualmente um dos dois lados ou ambos. 3. ESTRUTURAS ANATÔMICAS ENVOLVIDAS NA COXARTROSE: A articulação coxofemoral é uma enartrose (tipo de articulação em que a superfície esférica do osso se encaixa em uma depressão de outro osso), nesse caso o acetábulo hemisférico, recebe e se articula a cabeça femoral esférica. Podemos perceber que ambas as superfícies das articulações são recobertas por cartilagem, podemos notar a importância da integridade dessa cartilagem na articulação para uma boa mobilidade. Na imagem abaixo podemos ver a cabeça e colo do fêmur, acetábulo e os ligamentos, o redondo (cabeça do fêmur) e os extra-capsulares que iremos falar mais à frente 3 ligamentos extra-capsulares: iliofemoral, isquiofemoral e o pubofemoral. O iliofemoral que é o mais forte desses 3 citados, sendo formado pela cápsula articular anterior e possui função importante limitar a abdução do quadril. Além de se estender da espinha ilíaca anteroinferior até a linha intertrocantérica. O suprimento sanguíneo do fêmur proximal destacamos: Artérias circunflexas femorais medial (que é principal fonte de nutrição para a cabeça femoral) e lateral, obturatória, glútea superior e inferior. Os vasos femorais, nervos ciático, femoral e glúteos, como podemos observar na imagem acima. 4 . PREDISPOSIÇÃO OU FATORES DE RISCO: Assim como qualquer problema de saúde, existem alguns fatores que podem tornar a pessoa mais suscetível a desenvolver a Coxartrose: Um dos fatores de risco mais importantes, e que deve ser controlado é o excesso de peso (a obesidade) - o fato de “carregar mais peso” é normal que a articulação sofra mais, aquele estilo de vida mais sedentário. No entanto, um excesso na utilização, como o que acontece com atletas de alta competição, esportes de contato, como futebol, basquete, também pode levar a um desgaste articular precoce, ao sobrecarregar a articulação. Distúrbios hormonais, circulatórios e metabólicos (diabetes, hipotireoidismo) também podem ser considerados fatores a ter uma certa atenção para essa patologia. Além, da idade, traumas (como luxações ou fratura no quadril) o impacto femoroacetabular. ******* embora a Coxartrose não seja geneticamente transmissível, parece haver uma incidência aumentada em determinadas famílias, segundo alguns estudos. 5. SINTOMATOLOGIA: Clinicamente, o principal sintoma da Coxartrose é a dor localizada no quadril, de caráter contínuo, que, em geral, é referida ao longo da face interna da coxa. Por vezes com irradiação para a virilha, ou joelho. A dor é acentuada pela carga e pelos movimentos do quadril, sendo que o frio e a umidade podem intensificar o desconforto. A maioria dos pacientes refere que a dor é pior no início dos movimentos ou, quando estão em repouso, e vão mudar a posição do quadril principalmente à noite. A rigidez articular, limitação da amplitude de movimentos, tornam-se cada vez mais constantes além, da crepitação. Ocorrem limitações progressivas para atividades cotidianas e perda acentuada da qualidade de vida. Algumas vezes, em estágios mais avançados, o paciente percebe incapacidade progressiva para realizar atividades normais, como cortar as unhas dos pés, vestir meias, amarrar os sapatos, levantar-se de cadeiras com assentos muito baixos, sentar em sofá ou sair do carro. Esta patologia é de caráter insidioso, ou seja, começa com sintomas leves e evolui gradativamente ao longo dos anos. Na Coxartrose bilateral, os sintomas condicionam impotência funcional mais marcada, podendo mesmo interferir com a higiene pessoal e com as atividades da vida diária. 6. DIAGNÓSTICO: O diagnóstico é feito basicamente por meio de avaliação clínica, na qual o profissional da saúde colhe todo o histórico da doença, coleta dados como força dos músculos glúteos, da coxa e perna, avalia a amplitude de vários movimentos do quadril. Também é realizada uma análise minuciosa dos exames de imagem como radiografias e ressonância nuclear magnética do quadril. Esses exames são essenciais para a determinação do grau de comprometimento das estruturas articulares, sobretudo cartilagem e osso subcondral. É possível também determinar se existe redução do espaço articular (espaço entre a cabeça do fêmur e o acetábulo), presença de deformidades das superfícies articulares e proeminências ósseas ao redor da articulação do quadril (bicos de papagaio), o que representa um importante nível de sobrecarga dessa articulação. A determinação do grau de artrose pode ser avaliado com o recurso de duas escalas: WOMAC: O WOMAC é um questionário de qualidade de vida tridimensional (dor, rigidez articular e atividade física), específico para a avaliação de pacientes com osteoartrose. http://www.spot.pt/conteudo/criterios_de_avaliacao_da_cartilagem.pdfKELLGREN & LAWRENCE: -KELLGREN & LAWRENCE (1957) apresentaram uma escala que foi adotada pela organização mundial de saúde (1961) como método de avaliação de pacientes bem como para uso em estudos epidemiológicos: *kellgren e Lawrence forneceram um atlas que diferencia a patologia em cinco graus: Grau 0: normal. Grau 1: possível estreitamento do espaço articular medialmente e possíveis osteófitos ao redor da cabeça femoral Grau 2: definido estreitamento articular inferiormente, osteófitos nítidos e alguma esclerose. Grau 3: significativo estreitamento articular, osteófitos pequenos, esclerose, cistos e deformidades ósseas no fêmur e no acetábulo. Grau 4: visível perda do espaço articular acompanhada de importante esclerose e cistos, significativa deformidade da cabeça femoral e do acetábulo e presença de grandes osteófitos. No exame físico, alguns testes são feitos para analisar a condição funcional do paciente. A marcha antálgica é analisada. 7. TRATAMENTO E RECUPERAÇÃO: Na Coxartrose, o tratamento pode ser dividido em conservador e cirúrgico. No tratamento conservador são incluídos os medicamentos, a fisioterapia e medidas para diminuir a carga sobre a articulação. Os anti-inflamatórios não esteroidais são a maior arma do ortopedista no tratamento da artrose incipiente ou moderada. O emprego de inibidores específicos da cox-2 tem sido recentemente receitados, apresentando com seu uso, efeitos colaterais diminuídos. Os corticoides são geralmente utilizados, sobretudo em casos de crise aguda de dor. A fisioterapia pode colaborar com a termoterapia. E nos pacientes com sobrecarga corporal, a perda de peso é muito eficaz para frear a evolução do caso. No tratamento cirúrgico, a determinação do tipo de procedimento leva em consideração fatores como idade, etiologia da doença, a bilateralidade ou não, entre outros. Temos como procedimento: Osteotomias pélvicas ou femorais: que preservam a articulação. Artrodeses : que fusionam a articulação. Além da artroplastia ou cirurgia de prótese da anca: em que se faz uma ressecção da cabeça femoral e da cartilagem do acetábulo para permitir a sua substituição por um implante/uma prótese em metal. Dentre as complicações no momento da cirurgia de artroplastia, podemos ressaltar a disfunção nervosa: o nervo que geralmente é afetado é o ciático, porém os nervos femoral, obturador e glúteos também podem ser afetados. E as complicações do pós-cirúrgico também da artroplastia, alguns estudos demonstram que cerca de 60 a 70% dos pacientes submetidos a artroplastia de quadril tem sinais de trombose, mesmo que quase a totalidade não tenha sintomas. Essa obstrução poderia causar sinais de insuficiência venosa: com as veias tendo dificuldade para levar o sangue dos membros inferiores de volta para o coração, além disso, poderia causar também a embolia pulmonar: com os trombos venosos migrando para o pulmão e ameaçar a vida do paciente. Alguns estudos descrevem mortalidade de 2 a 3% dos pacientes sem uso de medidas para prevenir a trombose.