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MEDICINA- UNESC 212 BRENDA RODRIGUES SOUSA Habilidades Médicas Semiologia Médica A semiologia é a parte da medicina que estuda os métodos de exame clínico, pesquisa os sintomas e os interpreta, elaborando um raciocínio clínico para construir o diagnóstico e presumir a evolução. Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. CONCEITOS PRINCIPAIS Aspectos da saúde: -Subjetivo – o que o paciente diz – Bem estar -Objetivo – o que o médico vê – Funcional Saúde e doença (definida tal como uma das dimensões da morbidade) não seriam conceitos mutuamente excludentes; somente quando a pessoa doente passa também à condição de enferma, a saúde estaria ausente, ao menos, de forma parcial; Morbidade vem do latim morbus, que significa enfermidade/doença; Qualquer afastamento de um estado de bem-estar fisiológico ou psicológico, visto objetivamente ou referido subjetivamente; · Níveis de Morbidade: Orgânico: Diz respeito ao conceito de doença Individual: Diz respeito ao conceito de enfermidade Social: Diz respeito ao conceito de anormalidade: Sintoma se refere ao que o paciente sente. Os sintomas são descritos pelo paciente para esclarecer a natureza da doença. Sensação subjetiva anormal e não observada pelo exame físico. Os sintomas não são absolutos, eles são influenciados pela cultura, inteligência e pelo padrão socioeconômico. (ex: considere o sintoma dor. Os pacientes têm diferentes limiares de dor.) Os sinais são manifestações clínicas visíveis e perceptíveis pelo paciente e médico, através do exame físico ou exames complementares. Síndrome é um conjunto de sinais e sintomas que definem um determinado estado clínico associado a problemas de saúde, que nem sempre tem as causas descobertas e podem ser de diferentes causas; Semiotécnica é um termo das ciências da saúde para se referir aos métodos para identificar os sinais de uma doença durante um exame físico. Parte da semiologia. Diagnóstico vem do grego diagnoses = ato de discernir, conhecer. A base fundamental para o diagnóstico correto dentro do conceito biológico, psíquico e social é o reconhecimento das manifestações clínicas, em níveis subjetivo e objetivo; Composição do diagnóstico: · Anamnese bem feita = 60 – 85 %; · Exame físico =8 - 30%; · Exames complementares = até 10%; Prognóstico consiste em se prever a evolução da doença e suas prováveis consequências; Tratamento é o meio utilizado para combater ou controlar a doença; PRINCÍPIOS BIOÉTICOS RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE Bioética se refere a um estudo sistemático da conduta humana examinada à luz dos valores e dos princípios morais. Distanásia: Morte lenta e com sofrimento. Para manter o paciente vivo, é submetido, não intencionalmente, a tratamentos inúteis, por meios artificiais e desproporcionais. Não prolonga propriamente a vida, mas o processo de morrer em enfermos incuráveis. Eutanásia: Prática intencional que busca abreviar sem dor e sofrimento a vida de um doente sabidamente incurável, pelo sentido literal de “boa morte”; Ainda proibida na maioria dos países; Ortotanásia: Morte no seu tempo aparentemente certo, sem tratamentos desproporcionados e sem abreviação do processo de morrer. “Morte natural”. Mistanásia: morte social, vida abreviada não de alguns, mas de milhares e milhões. Principialismo: É a teoria ética normativa que estabelece os fundamentos para a bioética. · Princípio da beneficência; · Princípio da não maleficência; · Princípio do respeito da autonomia; · Princípio da justiça; SEMIOTÉCNICA DA ANAMNESE Aná = trazer de novo; mnesis =memória, significa trazer de volta à mente todos os fatos relacionados com a doença e o paciente. A anamnese é a parte mais importante da medicina: Porque é o núcleo em torno da RMP, que é o principal pilar do trabalho do médico; · Identificação -Data/Hora -Nome -Idade -Sexo -Cor -Estado Civil -Nacionalidade e Naturalidade -Grau de escolaridade - instrução -Profissão e Local de Trabalho -Endereço -Religião (o que o paciente se denomina) OBS: outros dados relevantes para o local de atendimento -Convênio -Encaminhamento - Parecer -Situações judiciais ou periciais, etc.. · Queixa principal (QP) Motivo que levou o paciente à consulta. Deve ser anotada com as palavras do paciente. É uma afirmação breve e espontânea que descreve o motivo da consulta. Geralmente são sinais/sintomas e devem utilizar os termos que o paciente utilizou. Alvan Feinstein propôs o termo "estímulo iatotrópico" (o que realmente leva o paciente até o médico). Explica o motivo de o paciente ter procurado ajuda médica neste momento e não ontem ou amanhã: · História da doença atual (HDA) Refere-se às recentes alterações na saúde que levaram o paciente a procurar atenção médica neste momento. Deve descrever com detalhes a Queixa Principal. Deve responder às questões: o que, quando, como, onde, qual, quem, por quê. Deve ser transcrita com a palavra do médico. Narrando tudo de forma cronológica. · Progressão até o momento atual. Verificar se o paciente estava inteiramente bem antes do sintoma mais precoce, para estabelecer o início. Utilizar um importante ou memorável evento auxilia quando o paciente não sabe precisar : Por exemplo: “ No Natal você já estava com este sintoma?”. Deve ser bem DETALHADA. Atributos para cada sintoma: -Localização -Tipo -Intensidade -Tempo, incluindo início, duração e frequência -Contexto no qual ocorre -Fatores de agravamento e de alívio -Sintomas associados -“Como o seu problema tem interferido em sua vida diária?” Determine o sintoma-guia. Será o sintoma ou sinal que permite contar a história da doença atual com mais facilidade e precisão Marque a época do início. Use o sintoma guia como fio condutor da história e estabeleça a relação das outras queixas com ele, verificando se a história obtida possui início, meio e fim. Apure evolução, exames e tratamentos realizados em relação à doença atual. Época e modo de início da doença: Data e há quanto tempo; modo de início gradativo ou brusco; Modo de evolução da doença: Contínua, descontínua, com períodos assintomáticos e suas durações; Períodos de semelhança ou diferenças; Analogia com alguma sensação já experimentada pelo paciente; Tratamentos efetuados e resultados (relacionados à QP); Intercorrência de outros sintomas: Fenômenos que melhoram, pioram ou simplesmente acompanham os sintomas. Ex. emoções, esforço físico, alimentação, posições, gestação, drogas, etc.; Tratamentos e exames em uso ou já realizados para a patologia atual: Se o paciente estiver tomando (ou tomado) algum medicamento relacionado com a Queixa Principal se coloca neste ponto da anamnese; Se o medicamento for para outras doenças pôr na História Mórbida Pregressa (HMP) ou em uma lista específica, algumas vezes a causa dos sintomas está relacionada ao uso de medicamentos para outra queixa. Fisioterapia, dietas, exames laboratoriais ou de imagem. Repercussão da doença sobre o estado geral: Quantidade de Kg perdidos/tempo; Relação com atividades fisiológicas - sono, apetite, deambulação, postura, defecação, micção, etc; Relação com as atividades de vida diária (trabalho, atividade física, relações familiares e sociais); Análise do sintoma isolado: 1- Época de aparecimento e duração 2- Modo de aparecimento (Súbito ou gradual) 3- Evolução 4-Fatores desencadeantes/agravantes ou atenuantes 5-Localização 6-Irradiação 7-Intensidade 8- Características: (Contínuo, ocasional, rítmico, paroxístico) 9- Curso: (Episódios único, diários, semanais, pré-menstruais). 10- Análise Atual: (Melhora, piora, estacionário) 11- Terapêutica instituída e Efeitos. I (inicio) L (localização) I (Intensidade) T (tipo) I (irradiação) A (alívio/agravo) D (duração) A (associados) SEMIOLOGIA DA DOR A dor é o nosso mecanismo básico de defesa, porque surge antes que ocorra uma lesão grave, servindo como base para se aprender a evitar objetos ou situações nas quais uma lesão possa ocorrer posteriormente. 1) Dor Nociceptiva - ativação dos nociceptores e transmissão dos impulsos até as regiões do sistemanervoso central para serem interpretados; 2) Dor Neuropática – dor central gerada dentro SN 3) Dor Mista – decorre dos dois mecanismos anteriores 4) Dor Psicogênica – não há qualquer substrato orgânico para a dor, sendo ela gerada por mecanismos psíquicos. O que perguntar sobre a dor? ILITIADA -Fale-me sobre a sua dor, quando iniciou? -Onde você sente dor? -Consegue dar uma nota para sua dor de 0 a 10? -Que outras palavras poderiam descrever sua dor? -A dor parece caminhar ou é penetrante? -O que a faz piorar? O que ou quais medicamentos a fazem melhorar? -A dor fica o tempo todo? Vai e volta? Está piorando? -Tem outros sintomas que iniciam junto com a dor? -Você consegue provocar a dor? -Você consegue reproduzir a dor? REVISÃO DOS DIVERSOS APARELHOS E SISTEMAS (RDAS) Constitui um complemento da história da doença atual. Deve-se seguir uma sequência lógica e progressiva da cabeça aos pés. Pode-se utilizar para a descrição: Sistemas (Cardiovascular; Digestório, Respiratório; Genitourinário, Osteoarticular, etc); ou divisão anatômica (Cabeça e pescoço; Tórax; Abdomem e Pelve; Coluna e Membros, etc); · Avaliação funcional. Deve abordar: -Higiene pessoal -Toalete -Banho -Andar (Subir/descer escadas) -Vestir/despir-se (Uso de órteses) · Sintomas gerais: · Peso – Emagrecimento ou ganho -Quantos quilos – Sinais indiretos ( roupas, cinto) -Quanto tempo -Apetite -Mudança da dieta -Atividade Física · Sono -Insônia inicial -Múltiplos despertares -Insônia final -Hora que dorme e hora que acorda -Como desperta, “ Acorda descansado?” · Tontura / Vertigem -Com sensação de rotação/movimento? -Relação com a mudança de decúbito? -Posicional? -Relação com alimentação, horário do dia? -Quedas? -Fadiga / Astenia · Prurido · Alteração do Estado Funcional · Febre -Temperatura aferida -Acompanhada de outros sintomas? Calafrios, tremores, sede... · Sudorese RDAS- CABEÇA E PESCOÇO · Cefaleia -Localização ( holocraniana, hemicraniana..) · Olhos -Déficit visual (perto ou longe) – corrigido por lentes? -Sensação de corpo estranho, prurido, lacrimejamento excessivo ou olho seco -Diplopia, escotomas, fotofobia -Secreção, vermelhidão · Orelhas -Dor -Secreção, Otorragia -Alteração da acuidade auditiva -Zumbido · Nariz -Dor, Prurido -Espirros -Obstrução nasal -Corrimento (secreção) nasal – hialina, purulenta, sanguinolento -Olfato (hiposmia, anosmia, cacosmia, parosmia) · Boca -Dor, ulcerações, sangramentos -Dentes e gengivas -Paladar -Distúrbios de fala, -Halitose, -Mastigação · Faringe - Laringe -Dor -Disfagia alta -Pigarro -Ronco -Rouquidão · Massas, Nódulos, Dor RDAS- APARELHO CARDIOVASCULAR · Sintomas Gerais inespecíficos · Dor precordial -localização, tipo, intensidade, duração, relação com o esforço e com as emoções, sintomas concomitantes, especialmente sudorese, dispneia, ansiedade, medo); · Dispneia -contínua, relação com esforço (pequenos, médios, grandes, habituais), ortopneia, dispneia paroxística noturna, dispneia suspirosa, taquipneia; · Palpitações (localização, tipo, intensidade, duração, relação com o esforço e com as emoções, sintomas concomitantes, especialmente tontura, dispneia, ansiedade, medo); · Diversos: edemas; claudicação intermitente, fenômeno de Raynaud, varizes dos membros inferiores (dor, edema, sintomas inflamatórios); · Sintomas inespecíficos · Dor torácica (tipo, localização, intensidade, duração, relação com o esforço, movimentos, respiração e posição); · Dispneia (vide ACV) · Tosse: -Frequência ( intermitente ou contínua) -Relacionada ao decúbito, horário do dia, local? -Seca ou produtiva? -Expectoração (características físicas, quantidade, horário), vômica, hemoptise, hemoptóicos -Ruídos: chia ou sibilancia; roncos RDAS- SISTEMA HEMOLINFOPOIÉTICO · Sintomas inespecíficos · Astenia · Palidez · Petéquias · Sangramentos: Equimoses, hematomas, gengivorragia, hematúria, hemorragia digestiva · Linfadenomegalias .