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Piolhos – 08.06.21 Pediculose – doença produzida pela presença dos piolhos. A pediculose é tipicamente pruriginosa e, ao coçar, o indivíduo produz injúrias na pele que podem derivar para infecções secundárias. A presença de quantidade excessiva de piolhos pode gerar processos anêmicos, sobretudo em crianças, já que os piolhos humanos são exclusivamente hematófagos em todas as fases da vida. São insetos pequenos – variando entre 2 e 3,5 mm de comprimento. Os piolhos mastigadores podem infestar o organismo humano apenas acidentalmente – típicos de aves e mamíferos que não o ser humano. São incapazes de se desenvolver ou permanecer muito tempo no organismo humano por não estarem adaptados. Dentro os piolhos sugadores existem duas famílias: a Pediculidae e a Pthiraptera. Na família Pediculidae existem duas espécies de piolhos que são parasitos exclusivamente humanos: P. capitis (piolho da cabeça) e P. humanus (piolho do corpo também chamado muquirana). Na família Pthiraptera tem o piolho P. púbis que é um piolho de pelos pubianos, conhecido como chato. Importância econômica por acometerem também animais de produção. Piolhos são termodependentes, ou seja, só são capazes de sobreviver na faixa de temperatura dos seus hospedeiros especificamente. Não sobrevivem muito tempo ao deixar o corpo do hospedeiro, seja por não conseguirem se alimentar ou pela alteração da temperatura. Piolhos sugadores – se alimentam exclusivamente de sangue. Piolhos mastigadores – se alimentam de pele, penas e pelos e também podem se alimentar de sangue coagulado das escoriações produzidas na pele dos hospedeiros – não se instalam permanentemente e não se desenvolvem no organismo humano. Os adultos e dos jovens (ninfas) piolhos de P. humanus estão associados às vestimentas humanas. Então, um bom controle e manejo das vestimentas acaba por reduzir a população desses piolhos no organismo dos indivíduos por ele parasitados. O P. púbis é transmitido principalmente através de relações sexuais. O P. capitis encontra-se associado ao couro cabeludo e aos cabelos. Quando a cabeça do piolho é mais larga que o tórax (onde estão inseridas as pernas), ele é um piolho mastigador – Ischinocera e Amblycera. O Ischinocera (antena aparente) é chamado assim porque as antenas dele são visíveis. No Amblycera não é possível perceber a presença das antenas (ambly = escondido; cerus = antena). O Anoplura tem a cabeça mais estreita que o tórax – piolho sugador. Os piolhos tem um ciclo biológico que dura entre 3 e 4 semanas. Machos e fêmeas maduros copulam e a fêmea faz a postura de ovos nos pelos, cabelos ou vestimentas, dependendo da espécie do piolho. Os ovos dos piolhos são chamados lêndeas, que ficam aderidos às fibras das roupas, aos pelos ou aos cabelos. Desse ovo eclode a ninfa, que é um piolhinho miniatura destituído de cerdas com o corpo delicado e esbranquiçado. A ninfa se alimenta de sangue, cresce e passa por um processo de muda/ecdise (troca de exoesqueleto) e, assim, evoluindo para uma segunda ninfa. Essa segunda ninfa continua praticando hematofagia, cresce e sofre nova muda, evoluindo para ninfa 3. A ninfa 3 se alimenta, cresce e sofre a última metamorfose, dando origem ao adulto macho ou fêmea, de acordo com o sexo pré-estabelecido na lêndea. Os adultos vivem em torno de 20 a 40 dias. Ovo (lêndea) > ninfa 1 > ninfa 2 > ninfa 3 > adulto. O ciclo biológico é o mesmo para as três espécies de piolhos. Os piolhos possuem garras dotadas de duas unhas, que se prendem ao organismo ou às vestimentas do hospedeiro firmemente. Os piolhos têm o corpo achatado dorso-ventralmente, apresentam três pares de pernas com garras em cada uma das pernas. Os olhos são funcionais, mas utilizam principalmente como guia para seus hospedeiros a temperatura corporal e o CO2 exalado por eles. O aparelho bucal fica embutido na cabeça e o expõe toda vez que vai se alimentar. O ovo (lêndea) é dotado de um opérculo por onde a ninfa eclode cerca de 8 dias depois que o ovo foi posto. Ovo em desenvolvimento à esquerda e ovo com a ninfa pronta à direita. A fêmea pode ser reconhecida pelo tamanho e porque na região posterior do abdômen a última parte do corpo é bifurcada. Os machos têm a região posterior do corpo arredondada e apresentam órgão copulatório masculino. Piolhos não saltam, eles se deslocam facilmente por correntes de ar por serem leves, mas são bem adaptados para se fixarem ao organismo dos seus hospedeiros. Os piolhos não se distanciam muito do couro cabeludo porque precisam da temperatura corporal do hospedeiro para se manterem fisiologicamente funcionais e para se alimentarem de sangue. Os ovos são colocados cerca de 8mm do couro cabeludo do indivíduo para que as ninfas eclodam. Então, uma estratégia para controlar os piolhos de cabeça é cortar os cabelos com tamanho menor do que 8 mm ou raspar a cabeça. O P. humanus está associado às vestimentas e vão à pele do hospedeiro para se alimentarem de sangue. São um pouco maiores do que os piolhos de cabeça – cerca de 3,5 mm. Os insetos adultos vivem em torno de 60 dias. Os adultos do P. capitis vivem até 40 dias. Basicamente a distinção entre o P.humanus e o P. capitis é o tamanho. Fêmea portando duas lêndeas. Essas fêmeas podem colocar até 300 ovos durante a vida e faz uma postura média de 2 a 10 ovos por dia. No caso do P. capitis, a fêmea pode colocar de 100 a 200 ovos durante a vida e pode colocar de 1 a 10 ovos diariamente. Desses ovos irão eclodir as ninfas, que irão conviver com os adultos que deram origem a elas, levando a um aumento violento da infestação no organismo do hospedeiro. Meia repleta de lêndeas e adultos. As lesões produzidas pelo prurido provocado pela picada dos piolhos são estriadas e ressecadas. Esse processo pruriginoso pode abrir portas de entrada para infecções bacterianas secundárias, agravando os quadros de pediculose. P P. púbis é o menor dos três piolhos – cerca de 2 mm. Piolho de pelos pubianos. Garras mais desenvolvidas do que as garras dos piolhos da cabeça e do corpo para se fixarem nos pelos pubiano, que são mais grossos. Antenas proeminentes. O P. púbis possui estruturas particulares, que são os parapódios – projeções laterais na região abdominal. Possuem o segundo e terceiro pares de pernas muito bem desenvolvidos. Podem ser encontrados também nas sobrancelhas, barba e já foram encontrados na cabeça de crianças infestadas. Esses piolhos pequenos lembram carrapatos. O piolho tem cabeça, tórax e abdomen e o carrapato possui capítulo (estrutura onde se encontra o aparelho bucal), encéfalo-torax (cabeça e tórax unidos) e abdômen proeminente. Trasmissão via relação sexual. Em geral, todas as pediculoses são transmitidas por contato direto entre os indivíduos. Lêndeas e adultos do piolho pubiano parasitando cílios. Pode acontecer por contato direto ou o indivíduo se coça e transporta os piolhos. O piolho de cabeça pode ser transmitido através do compartilhamento de chapéus, bonés, lenços de cabeça. O piolho do corpo pode ser transmitido através do compartilhamento de roupas de cama e vestimentas. O piolho pubiano por contato direto via sexual ou através do transporte involuntário para outras partes do corpo ou para outra pessoa através das mãos. Catação manual utilizando luvas, colocar num frasco com álcool ou incinera-los. O ar quente do secador costuma ser letal para os adultos, mas ao aquecer as lêndeas os embriões serão destruídos. Revectina é ivermectina administrada via oral e mata os piolhos de forma sistêmica. Se a roupa já estiver muito infestada o ideal é que seja descartada ou incinerada. As lesões produzidas pelas picadas dos piolhos também devem ser tratadas. Os piolhos do corpo são capazes de transmitir doenças importantes. São transmitidas por esmagamento dos piolhos porque as rickéttsias estarão presentes nas fezes dos piolhos parasitados que tenham sugado sangue de indivíduo que tenha rickéttsia.