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Resenha sobre o tema: “A humanização e a formação do profissional em fisioterapia” Nome: Amanda Baldon Pereira Fisioterapia - 1º Período Na pesquisa “A humanização e a formação do profissional em fisioterapia”, publicada no ano de 2011 na revista “Ciência & Saúde”, as autoras Isabella Dantas da Silva e Maria de Fátima de Araújo Silveira, pontuam a questão do modo como alguns pacientes são tratados por determinados profissionais na fisioterapia. As autoras salientam, principalmente, o despreparo do profissional e o descaso que muitos pacientes sofrem nas mãos destes. O artigo em questão aborda sobre a questão do Sistema Único de Saúde, o SUS, além do desapreço de profissionais formados e atuantes quando tratam um paciente. Por mais que o direito à saúde seja, por lei, empregado a qualquer ser humano nascido e naturalizado no país, o cenário no qual nos encontramos hoje revela algo diferente, não são exceções àqueles que têm acesso obsoleto à saúde e dificuldade de adquirir um atendimento digno. O SUS é resultado de uma luta de anos que, nitidamente, não está próxima ao seu fim, pois, apesar de visíveis avanços, o Sistema Único de Saúde enfrenta inúmeros problemas, e a justificativa disso são as falhas políticas públicas do Brasil. A visão de lucro e desumanização do profissional em si são problemas provindos do avanço tecnológico e da objetificação do profissional de saúde, o que reflete no tratamento que o mesmo oferece, posteriormente, ao paciente que se encontra sob seus cuidados. No cenário de vivência atual, o sistema de saúde tem como sua aliada a tecnologia, mas esta também se enquadra como sua oponente, já que a partir desta, as relações humanas se tornaram mais distantes e os sentimentos dos profissionais foram jogados para segundo plano. A doença do paciente em questão, por muita das vezes, se torna um dado e o paciente se tornou mais um número que compõe pesquisas sobre determinada enfermidade. Com condições de trabalho constantemente precárias e a visão de lucro acima da visão de cuidado ao próximo, a desumanização é o caminho que muitos profissionais tomam, por vezes até sem perceber. Logo, é de extrema importância o processo de humanização, visto que é necessário e faz parte do atendimento ter uma relação fisioterapeuta-paciente, além de interpretar e auxiliar as emoções da pessoa que está sendo atendida, pois, além da doença e mais importante que ela, é um ser humano esperando ser tratado e curado de sua atual condição. Como exemplo do citado e observado acima, as autoras citam “Casate e Corrêa² ressaltam que se faz necessário humanizar as práticas em saúde diante do acelerado processo de desenvolvimento tecnológico nesta área, em que a singularidade do usuário – emoções, crenças e valores – ficou em segundo plano, sua doença passou a ser objeto do saber reconhecido cientificamente e a assistência se desumanizou, principalmente no atendimento e nas condições de trabalho, dificultando as relações humanas, tornando-as frias, objetivas, individualistas e calculistas.” Por mais que a fisioterapia seja ligada ao âmbito da biomedicina/biomecânica, onde o corpo humano é comparado a um mecanismo, e o profissional esteja treinado para cuidar de locais do corpo lesionados em combates, o que interfere na visão do homem sobre humanização, ou ferimentos provenientes de lesão por esforço repetitivo, que são comuns em grandes indústrias, a profissão de fisioterapia exige minucioso cuidado ao paciente. Trata-se de recuperar parte do corpo de alguém, e é evidente que o tratamento não será eficaz da forma que poderia vir a ser se não tiver toque, diálogo, vínculo e diálogo entre fisioterapeuta e paciente. O principal instrumento de um fisioterapeuta para realizar seu trabalho são as mãos, o constante contato deve ser confortável para o paciente, bem como deve ser para o profissional, sendo assim, é evidente que a desumanização impossibilita que o tratamento seja proveitoso e, por isso, esta não deve ser adotada como normal. A humanização no meio terapêutico é necessária e é parte do trabalho daquele que escolheu restaurar a capacidade funcional de seu paciente. Por fim, diante dados expostos, as autoras concluem que, no século da globalização e avanços tecnológicos, há presença de ações desumanizantes tanto do profissional com o paciente, quanto do sistema com o trabalhador da área da saúde, este no qual, muitas vezes é explorado em seu ambiente de trabalho. A falta de instrumentos para realização de procedimentos, a jornada cansativa e pouco valorizada, além também da limitação que o profissional se coloca para se enquadrar em um típico padrão que é exigido pela excessiva burocratização de um sistema falho, são os poucos exemplos de forma de desumanização do profissional, comportamento no qual é refletido e repetido nos pacientes.