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1 Gabriela Rodrigues ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO INTERAÇÃO LUZ-MATÉRIA Será que uma espécie química absorve luz em qualquer comprimento de onda? Para que seja possível identificar e quantificar as espécies é preciso que essas interajam de formas diferentes das outras nas suas interações com a luz, por exemplo. Se todas interagirem da mesma forma não há como fazer essa identificação. Sendo assim, as espécies não absorvem luz da mesma forma e em qualquer comprimento de onda. O que faz com que alguns raios interajam e outros passem através das coisas? O que um átomo/molécula precisa ter para que seja possível que haja essa interação? É isso que justifica o porquê que algumas espécies absorvem um determinado comprimento de onda e outras espécies, outros comprimentos de onda. E quando se fala em absorver comprimentos de onda diferentes, se quer dizer também, absorção de diferentes energias, porque cada comprimento de onda possui um determinado valor de energia. Para que uma espécie possa absorver radiação do espectro eletromagnético, dois são os requerimentos necessários: 1. A radiação incidente deve ser de frequência equivalente aquela rotacional ou vibracional, eletrônica ou nuclear. Uma espécie absorve energia e essa energia só é absorvida se essa espécie precisar exatamente dessa energia para realizar alguma transição (vibracional, rotacional, eletrônica ou nuclear). 2. A molécula deve ter um dipolo permanente ou um dipolo induzido, ou seja, deve haver algum trabalho que a energia absorvida possa fazer. Espécie química que tenha na sua estrutura diferentes polaridades, sendo necessário haver um trabalho para contrabalancear essa polaridade. Ou até mesmo um trabalho de transição eletrônica. PRÍNCIPIO DO MÉTODO Os métodos espectroscópicos se baseiam na absorção e/ou emissão de radiação eletromagnética por muitas moléculas, quando os seus elétrons se movimentam entre os níveis energéticos. A espectrofotometria se baseia na absorção da radiação nos comprimentos de onda, promovendo a movimentação dos elétrons entre os níveis energéticos, numa região entre o ultravioleta e o infravermelho. ABSORÇÃO ATÔMICA x ABSORÇÃO MOLECULAR O princípio é basicamente o mesmo. Tem-se então a absorção de energia que promove a transição de elétrons para níveis de energia superiores. Quando se fala de transição atômica, essas são mais sutis, isso porque leva-se em 2 Gabriela Rodrigues consideração poucos elétrons e considera-se uma espécie única, sendo então essas transições muito bem definidas (picos finos). Na transição molecular diversos orbitais estão envolvidos, isso porque se tem várias espécies ligadas, ocorrendo assim a sobreposição de orbitais, logo, muito são os níveis energéticos envolvidos e também muitos elétrons, havendo então diversas transições. Esse comportamento, no espectro é visto em termos de banda (picos mais alargados). A forma de análise é basicamente a mesma, no entanto, na transição molecular se trabalha em termos do ponto máximo de absorção. LUZ Ao trabalhar com essa técnica, lidaremos, principalmente com a luz branca (soma de todas as componentes). Na absorção molecular, então é necessário passar essa luz por um prisma ou uma rede de difração, justamente para fazer a separação da luz branca nas suas diferentes componentes (diferentes comprimentos de onda). No visível, isso é visto nas diferentes cores que se tem. No entanto, hoje em dia, não se usa mais tanto o prisma para fazer essa separação. Opta-se então por uma rede de difração, sendo o mesmo principio. LUZ VÍSIVEL – MATÉRIA Como funciona a interação da luz do visível, especificamente, com a matéria? Quando se olha para uma solução e a mesma possui cor, isso significa que aquelas a mesma absorvem luz numa determinada região do espectro eletromagnético, de modo que a luz que passa tem grande proporção da região da cor característica e isso porque a solução absorve a cor complementar. A cor da matéria está relacionada com sua absortividade ou refletividade. O olho humano enxerga a cor complementar àquela que é absorvida. ESPECTROFOTOMETRO O que se precisa em um espectrofotômetro? É preciso de uma fonte de luz, um monocromador que centraliza a radiação incidente que passará então por um prisma ou uma rede de difração, onde a luz será separada nos seus diversos componentes. Tem-se também uma fenda com um determinado tamanho, a depender do equipamento, que seleciona um determinado comprimento de onda que passará pela cubeta. Na cubeta é onde está a amostra, a radiação interage com a amostra e parte dessa radiação passa e aparece no detector. No detector, a 3 Gabriela Rodrigues informação é lida por um software que fornecerá o espectro de absorção. Como mencionado, é na cubeta que ocorre a interação da radiação com a amostra. O que acontece é: Existe o que se chama de caminho óptico que é a região onde a luz interage com a amostra. O caminho óptico influencia na luz que atravessa a amostra, isso porque ao mudar (aumentar ou diminuir) o mesmo, muda-se também a região de interação luz-amostra, influenciando na quantidade de interações. Com base na absorção é possível então determinar qual é a concentração da amostra de interesse. Feixes Em espectrofotometria, dois são os tipo de feixes que se pode ter: feixe simples e feixe duplo. Nas soluções que são analisadas não se tem apenas um composto e sim a mistura de alguns, podendo ainda ter a presença do solvente que pode interagir com a luz. É comum então utilizar a solução tida como “BRANCO” que nada mais é que tudo menos o analito. Ou seja, é uma solução, onde se tem todas as espécies presentes na solução problema, menos aquela que se quer analisar. Dessa forma, é possível descontar a radiação que é absorvida por essas espécies, a partir do desconto da leitura do branco, na leitura da amostra problema. Voltando ao caso dos feixes. No feixe simples, primeira faz-se a leitura do branco e o equipamento guarda essa informação. E em seguida, faz-se a leitura das amostras e o próprio equipamento já desconta o valor do branco. Já no feixe duplo, faz-se essas duas leituras ao mesmo tempo, tanto a leitura do branco quanto da amostra problema. Usa-se então um espelho para dividir a radiação em duas partes iguais, uma passa pelo branco e a outra pela amostra, a radiação que passa já vem descontada o valor do branco. Equipamentos e acessórios É um equipamento bastante simples. Tem-se duas lâmpadas, onde uma delas emite luz ultravioleta (não é no visível) e a outra é uma lâmpada que emite luz visível. 4 Gabriela Rodrigues Cubetas Para inserir a amostra no aparelho utiliza-se as cubetas que podem ser de vidro, quartzo ou plástico, variando a usabilidade de acordo com o comprimento de onda necessário na análise. Ao manusear essa cubetas, as mesmas devem ser seguradas pelos lados foscos e seu preenchimento deve ser feito até a altura necessária para a leitura no aparelho. Quando inseridas no aparelho, o lado transparente é voltado para a direção do feixe. A cubeta faz parte do caminha óptico, logo, ela não deve alterar a intensidade da luz que passa por ela. ´ É preciso ter alguns cuidados com as cubetas: - Limpeza adequada; - Utilização de papes macios que não soltem fios; - Posicionamento igual do instrumento; - O nível da amostra deve ser suficiente para todo o raio de luz; - Uso de cubetas idênticas para análise do branco e da amostra; - Evitar e verificar a presença de rachaduras. Computador No computador faz-se a varredura e determina-se os valores iniciais e finais do comprimentode onda que se deseja. O aparelho então mede a absorbância em cada comprimento de onda dentro da faixa escolhida, gerando um gráfico, conhecido como espectro de absorção. É possível preparar diferentes concentrações de um mesmo material que se deseja analisar e medir a absorbância de cada uma dessas soluções. Dessa maneira, é possível identificar a absorbância no comprimento de onda máximo de absorção de cada uma dessas soluções, podendo ainda plotar uma curva de calibração que forneça qual a absorbância para cada uma das concentrações. Isso possibilita descobrir, por exemplo, a concentração de uma solução desconhecida a partir da sua absorbância. PRINCÍPIOS DA ABSORÇÃO DE LUZ 1º Princípio Qual a relação da concentração com a interação da luz? 5 Gabriela Rodrigues A absorção da luz é maior nas soluções com maiores concentrações. Então quanto mais concentrada for a solução menos luz irá atravessa-la. Por que isso acontece? Quanto mais concentrada a solução, maior é a quantidade da espécie do analito de interesse, então maior será a absorção. Assim, quanto mais concentração maior será a absorbância daquela solução. 2º Princípio Quanto maior for o caminho óptico maior é absorção da luz, ou seja, quanto maior for a distância percorrida pelo feixe luminoso através da amostra maior é a absorção (mais quantidade de espécie do analito para absorver luz). Existe um modelo matemático que descreva esse comportamento? Lei de Lambert Beer A absorbância de uma espécie em um determinado comprimento de onda é igual ao valor de absortividade molar (A) (quanto uma consegue absorver num determinado comprimento de onda) multiplicado pelo produto da concentração da amostra (c) e a distância percorrida pelo feixe (l). Quando se analisa o que ocorre na cubeta, o que o equipamento analisa de imediato não é a absorbância e sim a transmitância (T), ou seja, o que passou pela cubeta sem ser absorvido. Assim, a transmitância é dada pela radiação que passou pela amostra divida pela radiação incidente. Em termos de porcentagem: Essa transmitância depois é convertida pelo em absorbância. E como é feita essa conversão? E por que não usar a transmitância ao invés da absorbância? Quando se aplica a transmitância graficamente, o comportamento que se tem é: Absorbância ( fixo) 6 Gabriela Rodrigues Trabalhar com a absorbância graficamente é mais fácil. Uma vez que se faz uma linearidade, de modo que é possível trabalhar em termos de uma função de reta (Y = ax + b). APLICAÇÃO Etapas de um processo espectrofotométrico 1ª ETAPA: PREPARAÇÃO - Limpeza do material; - Aferição das vidrarias; - Calibração das balanças; - Preparo de soluções (complexantes, tampões, solução estoque ou solução padrão); - Preparo da amostra (abertura e solução). 2ª ETAPA: QUALITATIVA - Montagem do espectro de absorção. Pela equação de Beer, foi possível verificar que a absorbância é tida em termos de um comprimento de onda. Como saber qual é o comprimento de onda certo? Diversos comprimentos de ondas são incididos na amostra, de forma que a mesma tem uma interação com eles. No entanto, existe um comprimento de onda que a amostra irá absorver mais, e é esse que se quer descobrir. Qual é o comprimento de onda que o analito absorve mais? Para responder tal questão, é preciso se leia uma solução com o analito de interesse e faça a leitura em diversos comprimentos de onda. De modo se vai se ter diversos valores de absorbância. Plota-se o gráfico: O analito em questão tem uma absorção máxima em torno de 610 nm. Qual deve ser a cor dessa amostra? A amostra absorve laranja, a cor complementar é azul-esverdeado, desse modo, a amostra deve ter essa coloração. Assim, 610 nm é o valor de comprimento de onda que vai se usar nas outras etapas. Sendo essa uma característica daquele analito. 3ª ETAPA: - Montagem da curva de calibração e obtenção da equação da reta. A curva de calibração é necessária para saber se o equipamento de fato responde de acordo com a lei de Lambert Beer, uma vez que essa lei tem um comportamento linear, o equipamento também precisa ter. Para isso é necessário o preparo de soluções padrões do analito de interesse, conhecendo assim, a concentração dessas soluções. Faz-se então, uma solução branco (tudo menos o analito). Faz-se soluções de baixa concentração, aumentando-a gradativamente. 7 Gabriela Rodrigues Sabendo o valor de absorção máximo do analito (610 nm). Agora pega-se as as amostras (em ordem crescente de concentração) e faz-se a leitura no equipamento em 610 nm, para saber o quanto esse analito absorve nesse valor. Fazendo as outras leituras, é possível plotar o gráfico (como o da figura). Se o equipamento estiver “ok”, tem-se um comportamento linear, uma vez que quanto maior a concentração, maior a absorbância. Sendo possível então obter a equação da reta. Y = ax + b A equação representada na equação da reta, nada mais é que a equação de Beer, uma vez que l (caminho) é considerado 1. 4ª ETAPA: ANÁLISE - Análise da amostra. Pega-se a amostra e faz-se a aleitura, tem-se um valor de absorbância. O valor obtido é inserido na equação da reta obtida a partir do gráfico da curva de calibração, como sendo Y. Encontra-se X, acha-se a concentração da amostra de interesse. Se houve diluição, é necessário ajustar os cálculos. EM RESUMO: Fatores que afetam a linearidade de Beer 1. Concentrações muito altas do analito em função das diversas interações eletrostáticas entre eles. 2. Dispersão da luz em função da presença de sólidos na amostra. 3. Fluorescência (tempo curto na absorção de luz e emissão de fótons) e fosforescência na amostra. 4. Equilíbrios químicos pouco estabilizados. OBS: É importante observar se há cromóforos (partes da molécula responsáveis pela absorção) na amostra problema. Análise da Cloroquina O intuito aqui é saber se a concentração da amostra problema condiz com o padrão desejado. Para isso, basta fazer o espectro do padrão e da Absorbância Absortividade molar () Concentração “Grau de erro” Sem presença de sólidos Com presença de sólidos Um feixe de luz é passado, sendo possível observar nanopartículas 8 Gabriela Rodrigues amostra e analisar os valores de absorbância obtidos. Parte experimental Pesou-se 0,1 g da amostra de cloroquina e transferiu-se para um balão volumétrico de 100 mL. Adicionou-se 5 mL de água destilada para solubilizar. Em seguida o volume foi completado com ácido clorídrico 0,1% (p/v). Fez-se a diluição em ácido clorídrico 0,1% (p/v) até alcançar uma concentração equivalente a 0,001% (p/v). Para a dilução: M1V1 = M2V2 M1 = 0,1% ; M2 = 0,001% ; V2 = 100 mL V1 = 1 mL O volume necessário da solução amostra para produzir a solução diluída é de 1 mL A solução padrão foi preparada com a mesma concentração, com o mesmo solvente. Para fazer as medições no espectrofotômetro, utilizou-se um comprimento de onda igual a 343 nm (especificado pela Farmacopeia). Utilizando para o branco ácido clorídrico 0,1% (p/v). Primeiro faz-se então a leitura do branco, obtendo a linha de base do espectro. Em seguida, faz-se a leitura da amostra padrão de concentração 0,01 % (p/v). Faz-se a leitura da solução problema com mesma concentração do padrão. Com os resultados realiza-se os cálculos necessários, de acordo com a lei de Beer, para determinação da concentração real, obtendo assim o teor da amostra do difosfato de cloroquina. OBS: lavar a cubeta 3x e enxugar bem. Analisandoo espectro Observa-se que as leituras estão bastante parecidas, estando sobrepostas (o vídeo não favoreceu pegar a imagem do gráfico). Em 343 nm tem-se o máximo de absorção do difosfato de cloroquina. Para a amostra padrão o valor de absorbância foi de 0,36614. E para a solução problema foi de 0,36789. Valores bastante próximos. Agora para saber se o teor de cloroquina está dentro das especificações da Farmacopeia Brasileira 6ª Ed, sendo essa de 2 %, faz-se os cálculos. Cálculos Para o cálculo, sabendo que pela lei de Beer tem-se a seguinte relação: Esse comportamento é válido tanto para a amostra padrão quanto para a amostra problema. E sabendo que para um valor de comprimento de onda de fixo é igual para ambas as amostras, l também é igual, e ainda as concentrações são iguais nesse caso, assim: De modo que para encontrar a porcentagem do teor de cloroquina, faz-se: O valor não está dentro dos padrões estabelecidos pela farmacopeia. Exemplificação: Permanganato de Potássio Montagem da curva de calibração de KMnO4. Essa é bastante utilizada em casos onde, por exemplo, se quer determinar a dosagem dessa substância em comprimidos. Solução mãe Em uma balança analítica pesa-se 0,01 mol de KMnO4 que corresponde a 1,5803 g. Transfere a quantidade pesada para um balão volumétrico de 1L. 9 Gabriela Rodrigues A diluição é feita com água destilada para que se tenha uma concentração equivalente a 0,01 mol/L. Soluções diluídas A seguinte diluição foi realizada: Análise das amostras Escolhendo-se uma das amostras diluídas para fazer a análise, sendo essa a de concentração equivalente a 500 mol/L. Inicialmente, quer-se determinar a partir do espectro UV-vis dessa amostra, o valor de absorção máximo da mesmo (ponto máximo no gráfico). Faz-se as seguintes medições: O comprimento de onda do ponto de máxima absorção é equivalente a 545 nm. Sendo esse o valor escolhido para que se faça a curva de calibração. Fazendo então agora a leitura de cada uma das soluções diluídas preparadas num comprimento de onda de 545 nm. Lembrando que primeiro é importante que faça a medição do branco da solução, para que se possa descontar o valor encontrado para esse nas demais leituras. Os resultados obtidos para as leituras e o gráfico obtido a partir daí, foram: Com a reta plotada é possível verificar a equação da reta obtida, sendo essa igual a: Onde Y é a absorbância e X a concentração. REFERÊNCIAS Teoria: Resumos e anotações próprias de aula. Vídeo aula: CLIQUE Vídeo aula: CLIQUE Experimental Cloroquina: CLIQUE Permanganato: CLIQUE https://www.youtube.com/watch?v=wCl5YZY7drE https://www.youtube.com/watch?v=iuAyML6Gt6w&list=PLpbpvwPbOGByxl4eIupnEfVGIH_Xuw9OG&index=19 https://www.youtube.com/watch?v=qLu4TbpTH3Y https://www.youtube.com/watch?v=oqLe8FwjCEA