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Ana Carolina – 108 Parede anterolateral e canal inguinal Cavidade x Parede • A cavidade é muito mais ampla que sua parede • A cavidade se estende em formato de cúpula mais ou menos até a 5ª costela com o diafragma, o que permite que vísceras do abdome sejam protegidas por costelas. • Vísceras do abdome, principalmente os intestinos, ficam acomodadas em região pélvica. As vísceras da pelve estão mais abaixo que esta região. • Não há osso na parede do abdome Extensão da parede anterior • Da caixa torácica (4o espaço intercostal) até a pelve Limite da parede anterior • Superior: cartilagens das costelas VII a X e o processo xifoide • Inferior: lig. inguinal e as margens superiores das faces anterolaterais do cíngulo do membro inferior Quadrantes e Regiões • Divisão da cavidade abdominal: Planos transversos • Plano Subcostal: tangencia o ponto mais inferior da margem costal, mais ou menos na altura da décima costela. • Plano Intertubercular: Conecta os dois tubérculos do Ílio (parte do osso do quadril) Planos sagitais • Linhas medioclaviculares: do ponto médio das clavículas até os pontos inguinais (pontos médios das linhas que unem a espinha ilíaca anterossuperior, EIAS) • Gaster = ventre (grego) // Epi = acima // Hipo = abaixo Localização das vísceras As vísceras abdominais variam consideravelmente de posição principalmente pela respiração com o diafragma (relaxado e contraído), principalmente nos hipocôndrios. O biotipo também interfere na localização das vísceras abdominais. A postura (se está em pé ou deitado). • Fígado pode descer para lateral direito • Estômago às vezes desce para região umbilical Estratimeria Pele → Panículo adiposo (superficial da tela subcutânea) (fáscia de Camper) → Estrato membranáceo da tela subcutânea (fáscia de Scarpa) → Fáscia de revestimento superficial → M. oblíquo externo → Fáscia de revestimento intermediária → M. oblíquo interno do abdome → Fáscia de revestimento profunda → M. transverso do abdome → Fáscia parietal do abdome (transversal) → Gordura extraperitoneal → Peritônio parietal A fáscia da parede anterolateral é formada por partes subcutânea (tela subcutânea), de revestimento (muscular) e endoabdominal (parietal). • Tela subcutânea (principalmente tecido adiposo, mas também conjuntivo) • Fáscia de revestimento = Fáscia profunda = Fáscia muscular Ana Carolina – 108 • Antigamente a tela subcutânea era chamada de Fáscia Superficial • A fáscia endoabdominal é continuação da fáscia endotorácica Barril tecido externo (fáscia de revestimento), esse tecido passa pela abertura superior do barril e reveste internamente (fáscia endoabdominal) • Ela muda o nome conforme o M. que está revestindo, mas a maior extensão é quando ela reveste o m. transverso do abdome (músculo que fica na parte lateral que é o m. mais profundo) por isso convencionou-se chamar de fáscia transversal, apesar de revestir toda a cavidade. • O predomínio da gordura é na região extraperitonial. • Peritônio parietal (parede) se reflete sobre algumas vísceras, nesse momento é chamado de peritônio visceral e o intervalo entre os dois é cavidade peritoneal (cavidade virtual) Pele • A pele na derme apresenta linhas de tensão/clivagem no corpo inteiro • A maior parte são transversais na região do umbigo e formam um V abaixo do umbigo Cortes paralelos à linha formam uma cicatrização mais limpa. Linhas perpendiculares dificultam a melhor aparência da cicatriz Tela subcutânea • Do umbigo para cima é padrão, tecido adiposo. Do umbigo pra baixo tem disposição característica (panículo adiposo + estrato membranáceo). • Panículo Adiposo (Fáscia de Camper): A camada mais superficial é gordura. • Profundamente há um segundo estrato chamado de estrato membranáceo (fáscia de Scarpa) • O panículo adiposo não se continua para o genital, mas o estrato membranáceo reveste o pênis, o escroto e o períneo. Fáscia de Revestimento • A fáscia de revestimento é uma estrutura contínua. Reveste pescoço, tórax, membro superior, abdome e membros inferiores. Ela muda de nome conforme a estrutura que está revestindo. • Em algumas regiões é mais espessa. • No abdome, é bem delgada. Só é vista na dissecação do ventre muscular do m. oblíquo externo que é o próprio epimísio. • Se continua nos genitais • Em azul bebê = fáscia de revestimento • Há um espaço virtual (espaço subcutâneo) entre o estrato membranáceo da tela subcutânea (roxo) e a fáscia de revestimento (azul). Espaço virtual: em condições normais (não- patológicas) não existe, mas pode existir em condições patológicas. • Próximo ao umbigo há uma fusão das lâminas da fáscia de revestimento e do estrato membranáceo. Também próximo ao lig. Inguinal na coxa até o períneo, há uma fusão dessas lâminas. Assim, cria- se um espaço virtual confinado, como em um envelope Ana Carolina – 108 Clínica: Em uma lesão do períneo, o líquido (sangue ou urina) extravasa e preenche todo esse espaço virtual (espaço subcutâneo do abdome); não ultrapassa para o ânus, por exemplo, porque é como um envelope, fechado. Músculos OBS: Sempre escrever M. x DO ABDOME M. Oblíquo Externo do abdome • Se originam nas costelas formando como que uma letra V em direção ao púbis. M. Oblíquo Interno do abdome • Fibras oblíquas opostas ao m. obliquo externo • Fibras sobem da crista ilíaca em direção ao processo xifoide. Um V de ponta cabeça. M. Transverso do abdome • Orientação transversal das fibras musculares. M. reto do abdome Às vezes, há um pequeno m. anterior ao reto do abdome com origem no púbis e inserção na linha alba chamado m. piramidal. Ele não tem relevância clínica. • Lig. inguinal nada mais é que a margem inferior da aponeurose do m. obliquo externo, preso na espinha ilíaca anterossuperior e vai até o tubérculo púbico. • Tanto o m. oblíquo interno quanto o transverso fazem um arco que vai para a região do púbis. No transverso o arco é mais acentuado. Isso cria uma passagem inferior a esses músculos. • O m. reto do abdome fica envelopado pela bainha do m. reto do abdome. Bainha do M. reto do abdome 1. Acima do umbigo: • A aponeurose do m. oblíquo externo passa anteriormente ao m. reto do abdome para se fundir à aponeurose do m. oblíquo externo do outro lado. • A aponeurose do m. oblíquo interno se bifurca e contorna (uma lâmina anteriormente e uma lâmina posteriormente) o ventre muscular do reto do abdome para encontrar a aponeurose do m. oblíquo interno do outro lado. • Lâmina anterior da bainha: aponeurose do m. oblíquo externo + lâmina anterior da aponeurose do m. oblíquo interno Ana Carolina – 108 • Lâmina posterior da bainha: lâmina posterior da aponeurose do m. oblíquo interno + aponeurose do m. transverso As lâminas anterior e posterior da bainha se encontram com as contralaterais na linha mediana originando a linha alba, extremamente fibrosa. 2. Abaixo do umbigo: • Só lâmina anterior (três aponeuroses) • As três aponeuroses passam anteriormente ao reto abdome (a parte posterior fica apenas pela fáscia transversal), cria-se uma margem inferior da lâmina posterior da bainha cria-se a linha arqueada. Não é correto considerar a fáscia transversal como pertencente à bainha. • Anatomia de superfície: Há um sulco porque as estruturas tendíneas não se hipertrofiam que marca exatamente o local da intersecção tendínea. Canal Inguinal • Aorta abdominal • Veia cava inferior • A formação do canal inguinal está diretamente associada à migração das gônadas (testículo e ovário). • Muito próximo das Aa. renais temos as Aa. Gonadais (a. testicular e a. ovárica) • No slide acima vemos a A. e V. testicular • O testículo primitivo desenvolve-se no abdome no retroperitônio.Imediatamente inferior aos rins. Esse testículo migra até seu destino no escroto. • Gubernáculo: cordão fibroso • Quando o gubernáculo atravessa essa estratimeria, atravessa justamente onde vai se formar o canal inguinal. • Evaginação do peritônio parietal que leva consigo as outras camadas, com exceção da aponeurose do transverso do abdome. • Como o testículo começa a descer, os vasos se alongam. • Essa passagem do testículo e do funículo espermático (a. e v. testicular, nervos, linfático, o vaso que conduz sptz) através da parede do abdome, cria uma conexão chamada canal inguinal. • Essa evaginação do peritônio passa debaixo do arco do transverso do abdome, por isso não arrasta nada dele junto. • O canal inguinal masculino permite a passagem do funículo espermático, enquanto na mulher permite a passagem do lig. redondo do útero (que se insere na pele dos lábios do pudendo) • A maior incidência de hérnia abdominal nos homens é de natureza inguinal; o canal inguinal masculino é maior. • Anel inguinal • As duas extremidades de abertura são chamadas de “anel inguinal”, podendo ser: • Profundo (na fáscia transversal): localizado no ponto médio do lig. Inguinal cerca de 1,3cm acima. Ana Carolina – 108 • Superficial (em verde): abertura triangular na aponeurose do m. oblíquo externo, na qual se identifica um Pilar Medial e um Pilar Lateral, unidos por fibras intercrurais (transversas). • Amarelo: aponeurose do m. Oblíquo Externo Lig. Inguinal: margem inferior da aponeurose do m. do oblíquo externo. Vai da espinha ilíaca anterossuperior até o tubérculo púbico Canal inguinal • Quatro paredes: anterior, posterior, teto e assoalho • Aberturas: uma na superfície do corpo e uma na fáscia transversal (profundidade) • Canal inguinal tem mais ou menos uns 4 cm de comprimento; Metade medial do lig. Inguinal • Orientação oblíqua, afinal acompanha o lig. Inguinal paralelamente • Lig. Reflexo: o lig. Inguinal, quando chega no púbis, as fibras sobem e se refletem como que na linha alba; pouca importância clínica. • Atrás do Lig. Reflexo está o Tendão Conjunto. • Tendão Conjunto: tendão da Foice Inguinal • Foice Inguinal: Oblíquo Interno e o Transverso formam arcos que saem do lig. Inguinal e vão em direção ao púbis. Esse arco é chamado de Foice Inguinal. O tendão dos dois Mm. do Oblíquo interno e do Transverso do abdome se funde, chamado de “tendão conjunto”. • Funículo Espermático passa por baixo do arco da Foice Inguinal • Parede posterior do canal: fáscia transversal • Linhas pontilhadas: Foice Inguinal • Abertura na fáscia transversal é o anel inguinal profundo • Canal inguinal em azul As quatro paredes do canal inguinal • Nos dois anéis inguinais há reforço dessas paredes. No anel inguinal profundo, há o apoio do m. oblíquo interno. No anel inguinal superficial, há o reforço do tendão conjunto. Irrigação Ana Carolina – 108 • A a. torácica interna tem como ramos terminais a a. musculofrênica e a a. epigástrica superior. • A. Epigástrica inferior sai da Ilíaca externa (aorta → ilíaca comum → interna e externa) • Os dois vasos epigástricos se anastomosam perto do m. reto do abdome. Esses vasos passam posteriormente ao ventre muscular dentro da bainha do ventre do m. reto do abdome. • A. subcostal + Aa. Lombares (aorta abdominal) + A. circunflexa profunda do ílio (ramo da a. ilíaca externa) se anastomosam na região lateral da parede abdominal. Feixe vasculonervoso entre o m. oblíquo interno e o m. transverso. A. Ilíaca comum esquerda A. Ilíaca comum direita A. ilíaca externa (passa por baixo do lig. Inguinal e vai para a coxa e vira a. femoral) A. ilíaca interna A. epigástrica inferior Drenagem venosa • A drenagem profunda (a que acompanha as artérias é exatamente igual, mas trajeto inverso) 1. Drenagem superficial: veias na tela subcutânea • V. epigástrica superficial → veia femoral (coxa) → ilíaca → cava • Anastomose da V. Tóracoepigástrica: entre a veia epigástrica superior e a veia torácica lateral (veia profunda); • V. Tóracoepigástrica → veia torácica lateral → Veia axilar → veia subclávia → v. braquiocefálica → v. cava superior → átrio direito. • Drenagem superior: veia torácica interna medialmente e veia torácica lateral lateralmente. • Drenagem inferior: veias epigástricas superficial e inferior • v. epigástrica superficial → veia femoral (coxa) → ilíaca → cava Clínica: essa anastomose é útil quando há obstrução da cava superior e inferior, possibilitando que o fluxo de sangue que iria para o coração reflua (ao invés de passar na cava ele volta e procura um caminho) através das veias para a v. epigástrica superficial e então, para a v. tóracoepigástrica, para chegar na v. axilar, na v. subclávia, na v. braquiocefálica, na v. cava superior (no caso de uma obstrução da v. cava inferior). Mas essas veias não são para isso, então vão se dilatar muito e ter aspecto de varizes. = Comprometimento da v. cava inferior Ana Carolina – 108 OBS: a predominância de válvulas acontece nos membros. Aqui não. Drenagem linfática • Traça uma linha transversal no umbigo. Tudo que está acima drena para os linfonodos axilares. Abaixo, drena para os linfonodos inguinais superficiais. • Basicamente é isso o que tem de saber sobre drenagem linfática porque são os grupos de linfonodos que vão se mostrar aumentados caso haja infecção na parede do abdome. Vista interna A posição do anel inguinal profundo é imediatamente lateral à emergência dos vasos epigástricos inferiores. O peritônio recobre tudo. Quando ele recobre essas estruturas, chamamos isso de pregas. Há 5 pregas. • Prega umbilical mediana: está na linha mediana; resquício do úraco • Prega umbilical medial: formada pela A. umbilical obliterada e no adulto lig. Umbilical obliterado. • Prega umbilical lateral: a mais importante das pregas, pois é formada por vasos epigástricos inferiores. As depressões rasas entre pregas são chamadas de fossas peritoneais. • Fossa Supravesical: imediatamente acima da bexiga • Fossa Inguinal medial • Fossa Inguinal lateral Importante: anel inguinal profundo está na fossa inguinal lateral, mas a fossa inguinal medial comumente é chamada de trígono inguinal (limitado por: vasos epigástricos inferiores, pela margem lateral do ventre do reto do abdome e pelo lig. Inguinal); mais frequente ter hérnias inguinais nesse trígono. • Hérnia inguinal indireta: passa pelo canal inguinal, ou seja, é lateral aos vasos epigástricos inferiores. Fossa inguinal lateral. • Hérnia inguinal direta: a protrusão ocorre no trígono inguinal. Ela passa pela parede, cria uma passagem para ela. É medial aos vasos epigástricos inferiores. Fossa inguinal medial. Inervação Padrão do nervo espinal: Ana Carolina – 108 • Segue o mesmo padrão da parede torácica. Inclusive a maior parte dos nervos são os mesmos. • Os nervos que suprem a parede anterior do abdome nada mais são que a continuação dos últimos nervos intercostais. Nervos: • Nn. Intercostais (T7 – T11) = Nn. Toracoabdominais • N. Subcostal (T12) • N. ílio-hipogástrico (L1) • A inervação segue o padrão de dermátomos. • Dermátomo: faixa de pele inervada por um único nervo espinal. Dermátomos importantes: T4: nível do mamilo T7: abaixo do processo xifoide T10: umbigo T12 e L1: hipogástrio