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1 Luana Mascarenhas Couto 18.2- EBMSP Disúria, fimose, Hipospádia e Alergia a picada de insetos Disúria A disúria é representa a dificuldade para urinar, a qual pode ser acompanha por dor. É resultado da irritação da bexiga, do trigono vesical ou da uretra. De modo que, a inflamação ou estenose da uretra causa dificuldade em iniciar a micção e a sensação de queimação ao urinar. Etiologia: Pode ser oriunda de diversas patologias: - Cistite; - Uretrite; - Fimose; - Infecções virais, como herpes vírus. Fatores predisponentes para ITU: - Nas crianças menores: Malformações e obstruções do trato urinário; Prematuridade; Cateteres urinários de demora; Em meninos, ausência de circuncisão, - Nas crianças maiores: DM; Trauma; Em mulheres, relação sexual. Microrganismos: Nos tratos urinários relativamente normais, os patógenos mais comuns são as cepas da E.coli, sendo essa bactéria a principal causa de UTI na faixa etária pediátrica. Sinais e sintomas: - Nos RN: são sintomas inespecíficos: Dificuldade para alimentar; Diarreia; Dificuldade para ganho de peso; Vômitos; Icterícia leve; Febre; Hipotermia. - Nos lactentes e crianças menores que 2 anos: Febre; Vômitos; Diarreia; Dor abdominal; Urina com mau cheiro. - Em crianças maiores que 2 anos: quadro mais clássico Disúria; Hematúria; Polaciúria; Retenção urinária; Dor suprapúbica; Urgência miccional; Prurido; Mau cheiro; Enurese; Febre; Calafrios; Giordano positivo. Sinais de alerta: Os achados a seguir são particularmente preocupantes: - Febre; - Dor no flanco; - Instrumentação recente; - Paciente imunocomprometido; - Episódios recorrentes, incluindo infecções frequentes na infância; - Alteração no trato urinário; - Sexo masculino. Diagnóstico: - Análise e cultura urinárias: um diagnóstico confiável requer a presença de piúria no exame de urina e cultura bacteriana positiva na urina coletada; - Exames de sangue: hemograma e testes inflamatórios (VHS, PCR) podem ajudar a diagnosticar a infecção em situações de achados urinários limítrofes; - Exames de imagem: USG renal e vesical: ajuda a excluir obstrução e hidronefrose com ITU febris; Uretrocistofrafia miccional e cistografia radionuclídeo: são melhores que a USG para detectar refluxo vesical-uretral e anormalidades anatômicas. Contudo, como envolvem radiação e é mais desconfortável, a USG é mais utilizada. Tratamento: - Antibióticos: em todas as crianças com aspecto toxêmico e naquelas não toxêmicas (evidência de 2 Luana Mascarenhas Couto 18.2- EBMSP esterase leucocitária positiva ou teste de nitrito, ou microscopia mostrando piúria). - Para refluxo vesicouretral: antibiótico profilático e correção cirúrgica. Picadas de Inseto Pruriginoso ou Urticária Papular Qualquer tipo de inseto que pique poderá provocar a doença em crianças susceptíveis entre os mais comuns estão os mosquitos, pulgas e carrapatos. O prurido estrófulo raramente terá inicio antes do 6º mês de vida, pois para que ocorra sensibilização, são necessárias diversas picadas. Após ter sido sensibilizada a doença na maioria das crianças tem início entre 12- 24 meses de vida. Apresentação clínica: A apresentação clínica mais comum é com pápulas eritematosas com distribuição linear e aos pares. As urticárias podem desaparecer em algumas horas, permanecendo lesões papulovesiculares (Seropapula de Tomazoli) ou pápulas de tamanho variando entre 3- 10 mm, recobertas ou não por crostas hemáticas. Essas lesões são altamente pruriginosas. As regiões mais expostas são as mais acometidas, sobretudo membros superiores e inferiores. As lesões são menos observadas na face, raramente em palmas, plantas, região axilar e não são encontradas em região genital ou perianal. Duram em torno de 4-6 semanas e evoluem para discromia pós-inflamatória, deixando máculas hipocrômicas que melhoram após alguns meses. Prevenção e tratamento: A primeira etapa do tratamento é convencer os pais de que as lesões são decorrentes de picadas de insetos por meio do quadro clínicos (lesões aos pares). - Prevenção da picada: evitar a picada é o tratamento mais eficaz. Deste modo, a orientação de medidas ambientais é importante. Usar roupas que podem ser barreiras físicas. Além disso, pode orientar a usar telas nas janelas e mosquiteiros nas camas. Importante orientar fechar as janelas ao entardecer, pois os insetos buscam alimentos nesse horário e orientar quanto à limpeza da casa. Os repelentes tópicos podem ser usados durante os passeios, não devendo ser utilizado durante o sono ou em períodos prolongados. Deve-se evitar em crianças abaixo de 6 meses. Não aplicar na mão da criança para que ela mesma espalhe, pois elas podem esfregar os olhos ou levar a mão na boca. - Controle do prurido: o uso de corticoides tópicos de média potência melhora a reação local e reduz o prurido. Sendo orientado a aplicação 1x ao dia por até 5 dias. Os anti-histamínicos orais podem reduzir o prurido, principalmente quando houver maior numero de lesões. Importante cortar as unhas da criança para evitar lesões traumáticas e propagação de infecções secundárias. Quando as lesões apresentam complicações, como celulite, deve-se instituir antibióticos sistêmicos. Além disso, podem ser utilizadas as loções com cânfora, calamina e mentol que aliviam os sintomas, devendo ser utilizadas com cuidado, pois podem irritar a pele ou promover ardência local. - Paciência. Fimose Definição: Também chamada de estenose prepucial, é definida como um enrijecimento na parte distal do prepúcio, que impede a sua retração. Consiste em um estreitamento congênito ou adquirido da abertura prepucial, caracterizada por um prepúcio não retrátil, sem aderências, que pode causar acúmulo de secreção, irritação e balanites. Em casos mais graves pode interferir na micção com subsequente pressão retrógrada à bexiga, ureteres e rins. O prepúcio se desprende da glande por volta dos 3 anos de idade, visto que antes é uma forma de proteção à glande, evitando que ela entre em contato direto com as fraldas. 3 Luana Mascarenhas Couto 18.2- EBMSP Sintomas: - Disúria; - Sangramento; - Retenção urinária; - Enurese. Indicação de tratamento: A postectomia ou a posteoplastia tem sido o tratamento tradicional para fimose, porém não é a única atualmente. A circuncisão do RN é um dos procedimentos cirúrgicos mais antigos. Esse procedimento parece prevenir DST’s e câncer de pênis. As indicações para esse procedimento são: - Prevenir fimose e processos irritativos crônicos relacionados a pouca higiene; - Em casos de balano-postites recorrentes; - ITU recorrentes. OBS: Contraindicações a circuncisão: anomalias congênitas penianas, como hipospádias e epispádias, nos prematuros, em pênis coberto e no embutido. Bases do tratamento: - Tratamento conservador: o tratamento inicial pode ser feito com aplicação tópica de corticoesteroides. - Tratamento cirúrgico: Se a fimose causa obstrução do trato urinário, o paciente deve ser encaminhado para o urologista, que fará uma postectomia ou plastia prepucial. Hipospádia Definição: As hipospádias são más formações uretrais, nas quais o meato externo se posiciona em qualquer ponto da face de baixo (ventral) do cilindro uretral. Ocorre em ambos os sexos, sendo que no sexo masculino não provocam incontinência urinária. OBS: Epispádia: é um defeito no desenvolvimento da uretra, onde a parte dorsal da uretra falha em se desenvolver, ocasionando uma abertura na parte de cima (dorsal) do pênis. Epidemiologia: São as más formações mais comuns da genitália externa masculina.Classificação: Podem ser classificadas quanto à localização do meato uretral: - Anterior: podendo ser glandar, coronal e subcoronal; - Médias: peniana distal, médio peniana ou peniana proximal; - Posteriores: penoescrotal, escrotal e perineal. OBS: As formas distais (anterior e média) são as mais comuns. OBS1: Quanto mais próximo da glande: é distal e vice- versa. Tratamento: O tratamento da hipospádia é cirúrgico e seu objetivo é retificar o pênis e posicionar o meato uretral o mais 4 Luana Mascarenhas Couto 18.2- EBMSP distal possível, permitindo o fluxo urinário direcionado, ou seja, mais próximo à glande. - Indicação: Entre 6-18 meses. - Técnicas: GAP: procedimento de aproximação glandar; TIP: técnica de Snodgrass incisão e tubularização da placa uretral; MAGPI: avanço do meato e glandoplastia; MIV: M-invertido e glandoplastia em V; Técnica de avanço uretral; Técnica de Mathieu; Técnica de Barcat; Retalho em ilha “onlay”. OBS: Importante administrar antibiótico antes da cirurgia, em doses profiláticas e também enquanto permanecer o cateter uretral, de modo a reduzir incidência de infecção e complicações, como fístulas e estenose do meato. OBS1: Não há uma técnica única para a reconstrução cirúrgica das hipospádias, visto que cada caso tem suas características próprias. OBS2: Prepucioplastia: de forma geral, a circuncisão faz parte da reconstrução da hipospádia. Entretanto, dependendo do aspecto do prepúcio, ele pode ser reconstruído, proporcionando um aspecto mais anatômico ao pênis. Hipospádias proximais: As hipospádias penianas são atribuídas a falha no processo de fusão das lâminas uretrais, na face ventral do tubérculo genital. São consideradas hipospádias proximais: - Penianas proximais; - Escrotais; - Perineais. OBS: A correção das hipospádias proximais pode ser feitas com vários tecidos. Contudo, a correção delas são mais complexos quanto maior for à ambiguidade genital. Os objetivos do tratamento da hipospádia proximal são: - Retificar a haste peniana; - Construir a neouretra na sua totalidade.