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Radiologia do Fígado e Vesícula Biliar – Prof. Luiz Bernardo Curvo (24.08.18) 
FÍGADO 
A veia porta é originada, principalmente, pela veia mesentérica superior e veia esplênica. Ao contrário da maioria 
de outros órgãos, o fígado recebe sangue a partir de duas fontes: a artéria hepática, que fornece o sangue rico em 
oxigênio do coração e, da veia porta, que leva nutrientes a partir do 
intestino. 
O fígado tem a forma de uma pirâmide e está dividido em lobos. A 
face diafragmática apresenta um lobo direito e um lobo esquerdo. A 
divisão dos lobos é estabelecida pelo ligamento falciforme. Na 
extremidade desse ligamento encontramos um cordão fibroso 
resultante da obliteração da veia umbilical, conhecido como 
ligamento redondo do fígado. A face visceral é subdividida em 4 lobos: direito, esquerdo, quadrado e caudado. 
Esse lobo caudado, que possui um ramo da artéria hepática exclusivo, ou seja, não recebe sangue dor ramos das 
artérias hepáticas comuns aos outros lobos, também recebe drenagem venosa exclusiva por veias hepáticas 
independentes. É um sistema independente de irrigação. 
A Ressonância Magnética é o exame de “padrão ouro” para avaliação hepática. Entretanto, a Ultrassonografia 
deverá ser o primeiro método para estudo hepático e das vias biliares, pois é barato, não invasivo, não usa radiação 
e é amplamente encontrado. 
US – Eco: 
• Estruturas mais densas → Hiperecoico (Muito eco) - Branco 
• Estruturas parcialmente densas → Hipoecoico (Pouco eco) - Cinza 
• Estruturas pouco densas → Anecoico (Sem eco) - Preto 
Quando há algo anecoico, como um cisto, na US, não gasta energia, por isso, ela é gasta toda na parte logo abaixo, 
fazendo um reforço acústico posterior. No caso de um cálculo, ocorre o contrário, gerando uma sombra acústica. 
Então, estruturas pouco densas criam reforço acústico e muito densas, sombra acústica. 
As alterações ecogênicas podem ser difusas ou focais. O diafragma é hiperecogênico (branco), mas em casos de 
esteatose hepática, a gordura também se mostra hiperecogênica e quase não chega eco no diafragma, sendo essa 
uma alteração difusa. Já ao se falar de alterações focais, essas podem acontecer, por exemplo, por um cisto (bola 
cheia de líquido) ou por um hemangioma (emaranhado de vasos sanguíneos), já que ambas as situações farão 
aumento focal da ecogenicidade hepática. 
Para ser um cisto, deverá ser anecóico (preto; que não produz eco, que não reflete os ultrassons e não origina ecos 
e que, por isso, não pode ser visualizado por meio de técnicas de ecografia ou ultrassonografia), ter contornos 
regulares (uma característica de benignidade) e ter reforço acústico posterior (não houve gasto de energia). 
Já no Hemangioma (tumores vasculares benignos) não existirá reforço acústico, uma vez que o seu conteúdo não 
é preenchido por líquido. Isso é o que diferencia as duas imagens à USG, já que no hemangioma, também existirá 
aumento focal da ecogenicidade hepática. 
Tomografia Computadorizada (TC) 
A atenuação hepática possui valores de atenuação semelhantes ao baço. Assim, da mesma forma que a USG, 
podem existir alterações difusas ou focais. 
Por ser o fígado um órgão considerado como partes moles, a atenuação desse órgão à imagem é bem considerada. 
Assim, ele permanece esbranquiçado nas imagens de USG e TC. 
O que pode causar aumento difuso (imagem mais esbranquiçada em relação ao baço) da atenuação hepática seria 
uma hemocromatose (excesso de ferro), doença de Wilson (excesso de cobre) e amiodarona (excesso de iodo). 
Uma redução difusa (imagem mais acinzentada em relação ao baço) poderia ser causada por esteatose hepática 
(gordura no fígado). 
Obs.: a esteatose pode ser difusa ou focal, isto é, acometer todo ou quase todo o volume do fígado ou acometer 
determinadas regiões. 
→ Forma difusa: esta é a forma mais frequente. Neste caso o padrão de imagem ultrassonográfico mais comum 
é de aumento difuso e uniforme da ecogenicidade parenquimatosa (padrão em que há aumento de tonalidades 
mais claras da escala de cinzas usadas ao exame ultrassonográfico). 
→ Forma focal: também chamada de forma multifocal ou heterogênea. Algumas vezes pode se manifestar em 
forma de nódulo tênue, hiperecogênico (claro) podendo ser semelhante na forma a uma lesão tumoral hepática 
(imagem falsa de nódulo hepático). ATENÇÃO! Para diferenciar uma esteatose focal de um tumor (desloca 
vasos), faz-se uma RM. 
Uma alteração da atenuação focal pode ocorrer em hemangiomas, que se mostram quando injeta-se contraste e 
observa-se ele sumir nas partes tardias, indicando um problema arterial. 
Alterações no tamanho do fígado 
• Tamanho “normal”: do quinto espaço intercostal até o rebordo costal, medindo até 12,5 cm linha médio 
clavicular. 
• Hepatomegalia (fígado aumentado de tamanho): mais de 15 cm linha médio clavicular. 
 Subjetivo: 
 Abaixo do rim direito 
 Bordo inferior arredondado (tomo) 
Lobo de Riedel: variação anatômica. É um lobo hepático acessório e anômalo raro, em forma de lingueta, situado 
no lobo hepático direito. Na palpação, esse lobo pode ser confundido com um hepatomegalia pelo examinador, 
sendo somente descartado de ser um aumento do fígado através de exames de imagem (a parte inferior do fígado 
fica bem pontiaguda). 
Cirrose: o lobo caudado hipertrofia para compensar e não é acometido porque tem irrigação específica. 
Segmentação hepática 
Segmentação hepática é a busca de uma unidade anatômica com irrigação e drenagem biliar independentes. 
Anteriormente, a segmentação usada era de Goldsmith e Woolburne, que usavam as 3 veias hepáticas como 
planos de divisão, sendo assim, tinha um lobo direito (anterior e posterior), um esquerdo (medial e lateral) e o 
lobo caudado. Após isso, Claude Couinaud fez outra segmentação, mais utilizada, que possui 2 lobos (direito e 
esquerdo a partir de uma linha imaginária que liga a vesícula biliar à VCI, onde passa a veia hepática média) e 8 
segmentos, sendo o lobo caudado o segmento I. Para localizar uma lesão, usa-se o segmento a partir da localização 
das veias hepáticas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VESÍCULA BILIAR 
A USG também é o exame que deverá ser solicitado para avaliação da Vesícula Biliar. Mas, no caso desse órgão, o 
exame padrão ouro é a colangiorresonância, que é uma ressonância magnética das vias biliares. 
A VB é um saco cheio de líquido e a parede é vista e medida em até 2mm e internamente é anecoico na US. Não é 
possível diferenciar os ductos. 
Em cálculos biliares (ou em outros órgãos), a sombra que se faz, se chamará de sombra acústica, ou seja, é ao 
contrário do reforço acústico. A imagem perde energia ao passar pelo cálculo, já que esse possui característica de 
osso (alta atenuação na imagem), e por isso, a imagem dos cálculos sempre será reforçada por uma sombra. 
Claude Couinaud Goldsmith e Woolburne