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"
PATOLOGIA II 
PATOLOGIA DA PELE – INTRODUÇÃO E LESÕES TUMORAIS 
AULA Nº 2 - V1 DATA: 07 /08/ 2018 Professor Rodrigo Aires 
Mariana Santos Brito 
"
 
A pele é mais do que uma 
barreira mecânica, é uma linha 
de defesa a agentes físicos e 
biológicos, além de ser um 
órgão sensorial e endócrino. 
Na imagem ao lado pode ser 
visto os componentes da pele. 
A respeito da melanina, esta 
pode está muito distribuída em 
algumas áreas e pouco 
distribuída em outras e isso 
leva alterações clínicas. 
Os melanócitos, por outro lado, são células com prolongamentos dendríticos, são 
esparsados da camada basal, são salteados e terão muitos ceratinócitos para um 
melanócito. Quando tem muitos melanócitos em um lugar só, caracteriza uma lesão, uma 
neoplasia. 
A pele não é a mesma em todos os 
locais do corpo. A pele da face 
(imagem ao lado), por exemplo, que é 
rica em glândulas sebáceas 
principalmente na zona T, é diferente 
da pele do restante do corpo. Essas 
diferenças são a níveis histológicos. 
Caso tenha a mesma quantidade de 
glândulas sebáceas em outra região, 
já não é normal, e por isso o patologista precisa saber de qual região é a pele. Ex: Se for 
região frontal, sabe-se que a quantidade de glândula sebácea naquela região é normal, 
mas se vier identificado como lábio, é diferente. 
#"
"
A pele glabra (palmas e plantas) que 
pode ser vista na imagem ao lado, vai 
ter uma camada córnea muito espessa, 
que pra essas regiões é normal. Se 
essa mesma camada córnea for vista na 
face, isso é doença. Só seria normal 
para pés e mãos. 
 
 
 
Já na face, o que se espera é a 
camada córnea em rede de 
basquete, característica da pele fina, 
em regiões não glabra. 
 
 
 
 
NOMENCLATURA DAS LESÕES DA PELE 
OBS 1: O professor explicou essa parte superficialmente e sugeriu o livro de dermatologia 
para aprofundamento. 
OBS 2: Sugiro ler a transcrição acompanhando o slide, pois tem muitas imagens e não deu 
para colocar todas aqui. 
x Escoriação: nome dado às abrasões superficiais da pele. Se a abrasão for profunda, 
é úlcera, quando é superficial, tipo arranhão, chama-se escoriação. A seguir, um 
exemplo de escoriação recente e escoriação antiga. 
 
 
$"
"
x Liquenificação: é o espessamento da pele devido à coceira por muito tempo. A pele 
se espessa como mecanismo de defesa. Provavelmente esse paciente tem alguma 
doença que cursa com prurido severo. 
x Mácula/ mancha: máculas são menores e manchas são maiores. 
 
x Pápula/ Nódulo: As pápulas são menores e os nódulos são elevados. 
x Placas: são as lesões elevadas, porém planas, como se fosse um planalto. 
 
x Pústulas: lesões elevadas, arredondadas de conteúdo purulento. 
 
 
DISTÚRBIOS DE PIGMENTAÇÃO E DE MELANÓCITOS 
x Efélides: são as sardas. Indica que tem mais melanina no local. 
 
%"
"
x Lentigo: são pintinhas que mudam ao longo do tempo, tem prolongamentos de 
ceratinócitos em direção a derme. 
 
 
x Nevos: são pintas que provavelmente 10 a 20% das pessoas têm. São lesões 
comuns que podem ser planas, discretamente papulares. São lesões benignas, 
simétricas, pequenas e de coloração homogênea. Eventualmente vão ter um 
componente externo mais claro que o centro. Embora tenha duas cores, o padrão 
das duas cores é regular, em que a parte periférica é mais clara e a parte central é 
mais escura. Não tem 
repercussão clínica, o problema 
é estético, mas às vezes causa 
incômodo no paciente a 
depender do local onde está e 
precisa retirar. Existem as lesões 
planas, as elevadas e as nodulares, em que o que as difere é a distribuição dos 
melanócitos. Os ninhos com vários melanócitos representam uma neoplasia. 
¾ Nevo melanocítico juncional: são nevos mais planos, localizados na junção da 
epiderme com a derme. 
 
¾ Nevo melanocítico composto: Quando os ninhos da junção epiderme e derme vão 
para a derme e caracteriza uma lesão um pouco mais elevada. Por ser juncional e 
dérmico, recebe o nome de nevo melanocítico composto. 
&"
"
 
 
¾ Nevo melanocítico intradérmico: Com o passar do tempo, aquelas células juncionais 
já não existem mais e estão todas na derme. Normalmente são mais elevadas, mais 
nodulares. 
 
¾ Nevo melanocítico displásico: mais frequente em pessoas muito claras, com 
tendência a ter vários nevos. Alguns desses nevos começam a ter características 
macroscópicas um pouco diferente, com coloração irregular, pigmentação diferente 
na distribuição, normalmente com centro mais pigmentado e a perifeira menos 
pigmentada. São nevos que crescem para a periferia e tem uma tendência 
aumentada para evoluir para melanoma. 
 
x Melanoma: é uma lesão pigmentada maligna com potencial de metástase (cerebral, 
pulmonar, óssea). É um tumor de comportamento agressivo, em que é preciso estar 
atento ao paciente, às lesões, porque o potencial de gravidade da lesão é muito alto, 
pode surgir em qualquer lugar do corpo, inclusive em órgãos internos: fundo de olho, 
canal anal, vagina, estômago. Quando é em órgãos viscerais, o prognóstico é ainda 
’ "
"
pior. Na maioria dos pacientes, está ligada a exposição solar, especialmente 
queimaduras da infância. É uma doença que, na atualidade não existe tratamento 
quimioterápico nem radioterápico. Hoje a grande chance do paciente portador de 
melanoma metastático é que ele tem mutação do gene BRAF, e, para isso tem um 
medicamento, o Vemurafenib (inibidor do BRAF). Atualmente o tratamento do 
melanoma metastático é baseado em um tratamento com um alvo molecular bem 
definido e para fazer essa pesquisa, é preciso colocar o melanoma tamponado no 
formol a 10%. Enquanto o melanoma estiver na junção derme-epiderme, não haverá 
problemas. Mas a medida que ele cresce e invade a derme, pode também invadir os 
vasos e semear no organismo inteiro. O patologista define esses estágios em: Clark 
1, Clark 2, Clark 3, Clark 4, Clark 5, que dão ideia de profundidade/ invasão e 
metástase. Essa informação tem que estar contida no laudo histopatológico. 
 
ABCDE do Melanoma: 
A – Assimetria: quando divide uma 
lesão ao meio e um lado é diferente do 
outro, significa uma lesão assimétrica e 
apresenta um fator de risco para 
melanoma. 
B – Bordos: as lesões benignas têm 
bordos regulares, nítidos, não têm 
saliências nem projeções, enquanto no 
melanoma, esses bordos são 
completamente irregulares. 
C – Coloração: a coloração em lesões 
benignas tem distribuição homogênea, 
pode até ter mais de uma cor, como no 
nevo, mas vai ser sempre homogênea. 
( "
"
No melanoma a pigmentação vai ser irregular, inclusive com áreas despigmentadas. 
Quando o melanoma é despigmentado apresenta o pior prognóstico. 
D – Diâmetro: lesões benignas têm ate o tamanho de 6 mm (ponta do lápis), se for 
maior do que 6 mm, é uma lesão que preocupa. 
E – diz respeito a modificação, lesão que modifica. 
 
Microscopicamente, as alterações do melanoma 
são as mesmas da macroscopia, em que pode 
ser aplicado o ABCDE na microscopia para 
fazer as mesmas observações. O único critério 
que não entra na microscopia é o E (Evolving). 
Já foi dito que o melanoma que despigmenta é 
fator de pior prognóstico, devido à existência do 
fenômeno de regressão. É um equívoco achar 
que pelo fato do tumor está regredindo, está melhorando. Ele está regredindo porque está 
sendo atacado pelo sistema imune, os linfócitos estão atacando o tumor, pois o linfonodo 
foi exposto a célula tumoral, ou seja, possível 
metástase oculta linfonodo. Aí o sistema imune 
reconhece aquelas células tumorais e 
desencadeia uma resposta de agressão ao tumor. 
Teoricamente parece bom e poderiaaté ser. O 
grande problema é que só está acontecendo isso 
porque já houve metástase. O linfonodo já 
recebeu célula tumoral, o que configura um 
péssimo prognóstico. E essa lesão macroscopicamente irá se manifestar na forma de 
despigmentação. 
Laudo do Melanoma: 
 
) "
"
Normalmente tudo que informa ao laudo diz respeito ao prognóstico. A medida da lesão 
precisa ser informada por causa do TNM (estadiamento), todo tumor precisa ser 
estadiado e o estadiamento do melanoma vai depender do tamanho e profundidade de 
invasão. São as duas coisas mais importantes. Sobre as fases do crescimento, quando 
cresce horizontalmente, ele está confinado na junção derme – epiderme e enquanto 
estiver nessa região não tem problemas, o grande problema é quando começar a descer 
(crescimento vertical). A espessura em mm tem uma régua para medir a profundidade da 
lesão, chamada Breslow. Por exemplo, se o Breslow for de 0.75mm, o cirurgião já vai 
fazer linfonodo sentinela. Quando se tem a informação da espessura, é possível dizer 
qual o nível de Clark (especificados no laudo acima). Outros fatores de pior prognóstico é 
a ulceração, é o mais importante fator para metástase. 
 
TUMORES EPITELIAIS 
Além das lesões melanocíticas, tem também as epidérmicas que podem ser benignas ou 
malignas. 
x Ceratose seborreica: é uma lesão escura e é diagnóstico diferencial clínico de 
melanoma, porém histopatologicamente não, porque é um tumor de epiderme. 
Apresenta uma epiderme proliferada, pseudocistos córneos, queratina rosa e azul, 
comum em lesão de velho em áreas 
fotoexpostas. É uma lesão castanha, 
inicialmente pequena, mas tem 
característica de ser suja e áspera. 
Diferente do melanoma que tem uma 
superfície lisa. 
 
x Acantose Nigricans: Tem como diagnóstico diferencial histopatologicamente a 
ceratose seborreica que, clinicamente não tem nada a ver. É uma lesão que parece 
sujeira, mas não é. Frequente na região cervical, axilas e virilhas, em indivíduos 
obesos, diabéticos, com transtornos endócrinos. 
Clinicamente a acantose nigricans é muito 
importante, pois uma parcela dos pacientes que não 
tem obesidade, nem diabetes, e que de repente 
aparece essa lesão, confere malignidade interna 
(tumor de estômago, de esôfago). Porque em 
*"
"
alguns pacientes, a acantase nigricans é uma doença paraneoplásica. 
Histologicamente vai ter uma proliferação de células escamosas, aspecto 
papilomatoso, parece ceratose seborreica, mas clinicamente não tem nada a ver. 
Por isso é importante o contexto para saber diagnosticar. É uma lesão acastanhada 
e aveludada, em 80% dos casos estão associadas a doenças benignas e 20% 
associadas a câncer, especialmente do TGI. 
x Pólipo fibroepitelial: é uma lesão comum, também nomeada de fibroma mole. É uma 
lesão benigna, com uma 
projeção de epitélio e eixo 
conjuntivo. O problema é 
que ela pode sofrer trauma, 
ser decepada e sangrar um 
pouco. Comum em orelhas, 
vagina, axilas. É uma lesão que apenas incomoda, mas não representa nenhum 
mal. 
x Cisto epidérmico: É uma lesão muito comum. Normalmente vai se manifestar em 
forma de um nódulo ou uma lesão palpável. O problema é que cresce e pode sofrer 
infecção, gerando um problema maior. O ideal é retirar a lesão inteira, não adianta 
tirar só o conteúdo do 
cisto. 
 
 
 
 
TUMORES EPITELIAIS MALIGNOS OU PRÉ-MALIGNOS 
x Ceratose actínica: ela aparece com frequência em indivíduos idosos, em áreas da 
face, careca, colo, braços e mãos e também em indivíduos que se expõem ao sol 
de maneira ocupacional (pescador, vendedor ambulante, lavrador), pessoas muito 
claras. 
São lesões avermelhadas, possuem crostas 
amareladas (tudo que tem muita ceratina fica 
amarelo). Um exemplo mais exagerado, uma 
hiperceratinização queratinizada parecendo 
com um chifre (imagem no slide), chamado de 
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"
corno cutâneo, mas nem todo corno cutâneo vai dar ceratose actínica, por isso tem 
que tirar o corno com a lesão adjacente. Histologicamente, há uma desorganização 
da epiderme, células imaturas, alteradas, modificação da ceratina. Parte das lesões 
podem não causar complicação nenhuma, algumas delas podem evoluir para 
câncer, boa parte pode ficar só como ceratose actínica e nunca evoluir. Por não ter 
uma evolução agressiva de característica maligna, o tratamento pode ser 
localizado com fisioterapia, congelação, curetagem, cirurgia ou quimioterápicos 
tópicos. 
x Carcinoma de células escamosas: não é apenas uma lesão epidérmica, localizada. 
É uma lesão agressiva, invasiva e até com potencial de metástase. Menos de 5% 
dão metástase. Quando tem um carcinoma de células escamosas na pele, cerca 
de 5% dão metástase, porém se o carcinoma de células escamosas na língua já 
aumenta o potencial de metástase e no pulmão o potencial de metástase é mais de 
50%. O nome é o mesmo, mas o comportamento é completamente diferente de 
acordo com a localização da lesão. 
Quando ocorre na pele, não precisa se 
preocupar, não precisa estadiar, apenas 
acompanhar. Frequentemente está 
associado à situação de imunodepressão e 
esses pacientes precisam ser acompanhados 
mais de perto por estar suscetíveis à lesão. 
Também está ligado a substâncias químicas 
carcinogênicas. Outra situação são as 
úlceras crônicas, pois qualquer inflamação 
crônica é solo fértil para neoplasia (isso é 
uma das máximas da patologia!!). A úlcera de marjolin é um carcinoma de células 
escamosas em queimaduras. O carcinoma de células escamosas terá um aspecto 
de base avermelhada, irregular e aspecto crostoso, pois produz muita ceratina. 
Conforme a lesão evolui, tende a ulcerar. Essa úlcera já significa uma lesão já 
evoluída. Se a biópsia é feita no centro, cai direto no tumor. Microscopicamente 
todos vão ter o mesmo aspecto, independente da manifestação clínica. Em que o 
epitélio será semelhante da epiderme invadindo a derme, epitélio escamoso em 
ninhos, ora redondos, ora mais regulares, ora pequeno, ora grande, 
frequentemente com ceratinização central. Quanto mais bolhas de queratina, mais 
bem diferenciado é o tumor, ou seja, mais semelhante a pele ele é. 
! ! "
"
x Carcinoma basocelular: é um tumor de pele maligno, lesão perolada, 
frequentemente vai fazer lesões elevadas, com aspecto nodular e vasos dilatados 
(telangectásicos). É uma lesão q pode sofrer ulceração, que é um fator importante 
para malignidade. Eventualmente essas lesões são delimitadas, o que dificulta 
para o dermatologista, pois ele pode pensar em ceratose seborreica, em melanoma 
e em carcinoma basocelular. 
Mas o dermatologista vai 
perceber que é uma lesão 
superficial e vai descartar a 
possibilidade de ser 
melanoma e direcionar para 
carcinoma basocelular, mas 
clinicamente é diagnóstico 
diferencial. Histologicamente são células azuis (“tumor azul”) por reter mais 
hematoxilina que já te direciona para o diagnóstico. Apresenta também, fenda ao 
redor dos ninhos, núcleos alongados e lado a lado (paliçada). 
 
TUMORES DÉRMICOS 
A derme tem todo tipo de célula: fibroblasto, célula muscular lisa, célula neural, célula 
endotelial e todos vão ter tumores malignos e benignos. Os mais frequentes são: 
x Dermatofibroma: esse é o mais frequente. É uma proliferação fibroblástica na 
derme encarcerando fibras colágenas, caracteriza uma lesão papular, 
discretamente elevada, violácea, frequente nos membros inferiores, assintomática. 
 
 
 
 
 
 
Dermatofibrossarcoma Protuberans: 
tumor maligno da derme, originado dos 
fibroblastos, cujo objetivo é fazer uma 
protuberância. Macroscopicamente 
assimétrica, com bordos irregulares e 
! #"
"
coloração heterogênea. Essa lesão tem característica de não dar metástase a 
distância, só que terá um potencial de recidiva local muito grande. Então a cirurgia 
dela, é uma cirurgia agressiva e não é feita pelo cirurgião plástico, e sim pelo 
cirurgião oncológico. 
 
Histologicamente, percebe-seuma tentativa de redemoinho, 
chamado de padrão 
estoriforme na patologia, que 
é observado em muitas lesões. Mas nesse cenário de lesão dérmica que engloba 
adipócitos, tem bordos regulares e faz padrão estoriforme, tem que pensar em 
dermatofibrossarcoma protuberans. 
x Micose fungoide: Pensa-se que é uma micose provocada por um fungo, mas, na 
verdade, é uma neoplasia maligna derivada de linfócitos que acomete a derme, é 
um linfoma cutâneo de células T CD4+. Pode ter formas localizadas e difusas. As 
formas de apresentação podem ser de máculas, pápulas, nódulos até a forma 
pseudotumoral e tumoral que já seria a evolução final do caso. Quando chega ao 
final, esse tumor de pele pode fazer uma leucemização, chamada de Síndrome de 
Sezary. 
 
Na microscopia notam-se muitos linfócitos pequenos atacando a epiderme sem 
edema na epiderme.

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