Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

GESTÃO ESPORTIVA
Programa de Pós-Graduação EAD
UNIASSELVI-PÓS
Autor: Antônio José Müller
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090
 796.069
 M685g Müller, Antônio José
 Gestão esportiva / Antônio José Müller. 
 Indaial : Uniasselvi, 2012.
 127 p. : il 
 Inclui bibliografia. 
 ISBN 978-85-7830-606-9
 1. Gestão esportiva.
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
Copyright © UNIASSELVI 2012
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
 UNIASSELVI – Indaial.
Reitor: Prof. Ozinil Martins de Souza
Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol
Coordenador da Pós-Graduação EAD: Prof. Norberto Siegel
Equipe Multidisciplinar da 
Pós-Graduação EAD: Profa. Hiandra B. Götzinger Montibeller
 Profa. Izilene Conceição Amaro Ewald
 Profa. Jociane Stolf
 
Revisão de Conteúdo: Prof. Tiago Vinotti
Revisão Gramatical: Profa. Marli Helena Faust
Diagramação e Capa: 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Professor Doutor Antonio José Müller
Graduado em Educação Física pela 
Universidade Regional de Blumenau-SC (FURB), 
especialização em Treinamento Desportivo e 
Voleibol pela Universidade Nova Iguaçu do Rio de 
Janeiro e Doutor em Educação pela Universidade do 
Texas-El Paso (EUA). Atua como professor universitário 
desde 2001, com experiência acadêmica em Universidades 
públicas e particulares no Brasil, EUA e na Arábia Saudita, 
na graduação, especialização e mestrado nas áreas da 
Educação Física e Pedagogia. Tem um livro publicado sobre 
Voleibol e diversos artigos científicos publicados em revistas 
especializadas no exterior. Apresentou seus estudos em 
Conferências Internacionais nos EUA, México, Canadá, 
Arábia Saudita, Austrália e no Catar. Na Uniasselvi 
trabalha no Núcleo de Ensino a Distância, e é 
assessor de relações internacionais, coordenador 
do curso de Educação Física (Indaial), além de 
professor na graduação e na pós-graduação.
Sumário
APRESENTAÇÃO ......................................................................7
CAPÍTULO 1
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea ...................................................................... 9
CAPÍTULO 2
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: História,
Conceitos, Características e Funções ............................. 49
CAPÍTULO 3
A Gestão, Organização e Infraestrutura do Esporte 
no Brasil e no Mundo........................................................... 87
APRESENTAÇÃO
Caro(a) pós-graduando(a):
Você está prestes a entrar no maravilhoso mundo do esporte e de sua 
organização. Difícil de encontrar na história da humanidade uma invenção 
tão democrática, atraente e apaixonante quanto o esporte. Na sua essência, o 
esporte pode ser praticado por pessoas de qualquer nível social, nível de talento, 
de capacidade, de gênero, de idades ou de raças. Essa característica única deixa 
o assunto esporte como algo extremamente atraente e importante na história 
e nos dias atuais. Países inteiros são influenciados pelo esporte e culturas são 
formadas pelo interesse em determinado esporte. 
 A disciplina que você está iniciando se propõe a discutir a importância, 
as funções e a realidade do gestor no esporte no Brasil. Veremos, neste caderno 
de estudos, as definições das atividades do gestor esportivo e sua atuação no 
mercado crescente de eventos e possibilidades do marketing no esporte. Para 
tanto, estaremos discutindo a importância histórica, cultural, social e financeira do 
esporte no mundo atual. 
 
 Inicialmente iremos apresentar a história do esporte conectada com 
a importância filosófica e social do esporte em sociedades anteriores e atuais. 
Afinal, ao compreender a história e a filosofia do esporte, poderemos encontrar 
respostas para explicar essa atividade como verdadeiro fenômeno social e para o 
planejamento das futuras direções que o esporte deve tomar.
O autor.
CAPÍTULO 1
O Esporte e sua Importância 
na Sociedade Contemporânea
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Debater sobre a importância histórica, cultural, social e financeira do esporte 
no mundo atual, permitindo uma reflexão sobre a sua situação anterior e sua 
influência na situação atual. 
 3 Conhecer os conceitos e características do esporte. 
 3 Debater o esporte e sua importância na sociedade atual.
10
 Gestão Esportiva
11
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Contextualização 
Quando a maioria de nós começa a ler um jornal, ao invés de focarmos 
as nossas atenções em assuntos que relatam a economia, a política ou as 
atualidades, nos percebemos atentos às notícias do esporte, com maior interesse. 
Esse fenômeno da atração que o esporte determina tem explicação pela 
importância exagerada que damos a esse tópico. O esporte não tem o mesmo 
nível de importância da economia ou política e de assuntos que mexem com o 
nosso dia a dia, contudo, poucos assuntos, como o esporte, têm o poder de atrair 
nossa atenção, por ser este uma fonte de entusiasmo, ou que liga algo bem mais 
interessante do que os outros exemplos de tópicos que um jornal apresenta.
O interesse pelo jogo e pela competição é histórico e os jogos foram e 
são exemplos de demonstração de entusiasmo, êxtase, batalhas históricas e 
até exageros violentos. Alguns comparam as competições entre países como 
uma guerra moderna, na qual o vencedor é considerado um herói nacional e o 
perdedor, um eterno tirano. Apesar da violência de alguns eventos esportivos, o 
esporte não tem o caráter fatal da guerra, mas para algumas sociedades parece 
ter adquirido o mesmo nível de importância.
 
Veremos, neste primeiro capítulo, uma breve explanação histórica do 
surgimento do esporte e sua transferência para o contexto sociocultural do 
esporte no Brasil e no mundo. A história, nesse caso, torna-se imprescindível não 
apenas para conhecer os fatos, mas também para significar ideias e conceitos 
de antigamente. Como escreve o sociólogo francês Henri-Pierre Jeudi (1995), a 
história é o fruto da própria produção dos acontecimentos que percebemos como 
importantes para então e assim construir a antecipação da continuidade. Ou seja, 
a história se torna muito mais interessante e importante quando articulada com os 
erros e acertos verdadeiros que aconteceram na tentativa de explicar a situação 
atual dos fatos e, consequentemente, a importância disso em nossa sociedade. 
Para melhor elucidar e compreender no cenário de hoje o esporte no Brasil e 
no mundo, iremos estudar os contextos históricos e sociais do desporto em uma 
perspectiva de humanidade.
Além disso, ao ver a história e a cultura do esporte, chamam a atenção a 
existência e as consequências da desigualdade social na sociedade, que tem 
tido um impacto significativo sobre como as formas de atividades desportivas são 
organizadas e reproduzidas em qualquer configuração.
Você verá, também, as definições dos conceitos da economia esportiva e do 
impacto que isso causa em instituições e na sociedade como um todo. A intenção 
é proporcionar um aprofundamento e entendimento do impacto econômico e 
12
 Gestão Esportiva
social que o esporte pode proporcionar quando bem organizado e bem 
gerenciado.
Nesse pensamento podemos então perceber a importância do 
esporte na sociedade atual e entender a seriedade da boa gestão que 
o esporte demanda. Através desse entendimento, poderemos conectar 
essa importância com a boa gestão, explorando possibilidades e 
planejando o sucesso com a capacitação dos futuros profissionais 
da gestão esportiva para o desenvolvimento ideal do esporte e das 
pessoas envolvidas.
 
Uma Breve História do Esportena Sociedade
Ao compreender a história e a filosofia do esporte, poderemos encontrar 
respostas para explicar o esporte como verdadeiro fenômeno social e o 
planejamento das futuras direções que o esporte deve tomar. O esporte é 
histórico, mas também é social, político e cultural, uma vez que, em cada 
época da história humana, o desporto é integralmente relacionado com as 
estruturas políticas e sociais dominantes de cada época (BAKER, 1982, apud 
COAKLEY, 1990). Freeman (1992) afirma que buscar explicações de como 
algo aconteceu, ou se os fatos são relevantes, é fundamental para definir 
e esclarecer o desporto e a experiência esportiva de algumas culturas para 
determinar a sua importância, o seu lugar e o significado do esporte em nossas 
vidas.
Além disso, nada melhor do que uma abordagem histórica para contribuir para 
a resolução de antigos problemas filosóficos e sociológicos como o da relação entre 
o indivíduo e a sociedade (DUNNING; MAGUIRE; PEARTON, 1993). Portanto, 
entender a ligação entre o passado e o presente é essencial porque o que acontece 
no presente só pode ser entendido no contexto do que aconteceu no passado 
(GOUDSBLOM, 1977 apud DUNNING et al., 1993). Além disso, vamos sempre 
aprender com o passado, mas o que, por que e como aprendemos, são influenciados 
por nosso presente (LOWENTHAL, apud KYLE, 1990).
O esporte é histó-
rico, mas também 
é social, político 
e cultural, uma 
vez que, em cada 
época da história 
humana, o despor-
to é integralmente 
relacionado com 
as estruturas 
políticas e sociais 
dominantes de 
cada época.
13
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Figura 1 - Megaevento - Liga Mundial de Vôlei
Fonte: FIVB, (2009). Liga Mundial de Volleyball. Disponível em: <http://
www.fivb.org/EN/Volleyball/Competitions/WorldLeague/2009/PhotoGallery.
asp?Tourn=WL2009&No=95>. Acesso em: 10 jun. 2012.
A palavra Sport é derivada da raiz latina Desporto, que significa “para levar 
ou carregar”. A natureza do esporte está envolvida na história da humanidade. 
Na sociedade grega clássica, a forma ideal do atleta refletiu-se no conceito aretê, 
traduzido como o desenvolvimento completo do cidadão na combinação de 
virtudes da educação integral e da sabedoria e na excelência do exercício físico 
e da beleza. Isso vai junto com o conceito filosófico de Platão, que reconhece o 
valor inerente e a admiração pela inteligência dos atletas (SLEAP, 1998). Esses 
valores antigos ligados às atividades físicas eram reverenciados em espetáculos 
esportivos ritualizados, tais como os Jogos Olímpicos.
ARETÊ - Na Grécia Antiga acreditou-se que a mente, corpo, e 
alma deveriam ser desenvolvidos e preparados para um homem viver 
uma vida de excelência. Isso levou à ideia de que o exercício físico 
tinha de estar presente, a fim de obter o aretê. Eles não precisam 
consumir a própria vida, apenas exercitar o corpo na condição certa 
para o aretê.
 
Contudo, a história do esporte chama a atenção para a existência e as 
consequências da desigualdade social na sociedade, que sempre teve um 
impacto significativo de como as atividades desportivas foram organizadas e 
reproduzidas em diversas realidades e configurações. As formas mais influentes 
da desigualdade social são aquelas relacionadas à riqueza, poder político, 
condição social, gênero, raça e idade (COAKLEY, 1990). Nesse sentido, podemos 
também incluir o esporte, como veremos abaixo.
 
14
 Gestão Esportiva
No início da humanidade ou civilização as atividades físicas foram conectadas 
com a sobrevivência ou habilidades naturais (caça e pesca) e a expressão de 
crenças religiosas. De acordo com Freeman (1992), a característica essencial 
das atividades físicas primitivas era baseada nas habilidades de sobrevivência, 
proporcionando a prática dessas habilidades necessárias para a defesa contra 
seus inimigos naturais. As atividades físicas, como a dança, os jogos e os 
esportes foram muito importantes para as culturas iniciais. As origens precisas de 
muitos esportes permanecem obscuras, embora em todas as culturas conhecidas 
houvesse disputas físicas. A seguir iremos discutir a história do esporte em suas 
épocas mais importantes.
O Esporte na Grécia Antiga
A sociedade grega fez do esporte um importante evento, tanto que essa 
importância está refletida ainda hoje em nossas culturas. A civilização grega era 
uma sociedade classista, sendo que o esporte era praticado predominantemente 
por jovens, homens ricos. A Civilização Grega mostrou que educação deve ter um 
balanço ideal: o cidadão completo é o indivíduo que atinge igual desenvolvimento 
de corpo e mente. 
Chamada de era dourada do puro esporte devido à pureza amadora, 
mulheres, estrangeiros, escravos e pessoas desonradas eram proibidos de 
participar, mantendo assim a característica de atletas como seres puros e de 
caráter heroico, ou semideuses. A ênfase na realização atlética individual estava 
relacionada ao ideal Grego de excelência física, moral e mental, chamado de 
aretê. 
Figura 2 - Luta nas Olimpíadas da Grécia Antiga
Fonte: Disponível em: <http://olympicfanatic.files.wordpress.
com/2012/06/ancientgames.jpeg>. Acesso em: 10 jun. 2012.
 
15
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Os gregos criaram o conceito de democracia e da filosofia do relacionamento 
harmonioso entre a mente e o corpo. Esse conceito está no cerne da maioria 
das filosofias contemporâneas da educação física (FREEMAN, 1992). A 
civilização grega mostrou que a educação deve ter este equilíbrio físico e mental: 
o desenvolvimento de um homem “total” acontece a uma pessoa na qual foram 
igualmente desenvolvidos a mente e o corpo. Sócrates, Platão e Aristóteles 
debatiam esse processo educacional ideal que iria resultar no produto bem 
acabado (FREEMAN, 1992). 
No entanto, alguns intelectuais gregos criticaram a adulação de campeões 
olímpicos e os estilos de vida dos atletas. Aristóteles escreveu que o excesso 
de treinamento deveria ser evitado, afirmando que quando os meninos eram 
treinados muito jovens focavam suas forças apenas no físico. Ele acreditava que, 
três anos após a puberdade, o jovem deveria usar seu tempo em estudos, ao 
invés de usar em esforços atléticos, porque o desenvolvimento físico e intelectual 
não poderia ocorrer ao mesmo tempo.
 
Antigos atletas competiram como indivíduos e não em equipes nacionais, 
como acontece hoje, nos jogos modernos. A ênfase estava na realização individual 
do atleta por meio da competição pública, sendo que a vitória era relacionada 
com o ideal grego de excelência física, moral e mental, chamado arête (SPEARS; 
SWANSON, 1988). Homens aristocráticos que atingiam esse ideal, além de 
sua postura através de suas palavras ou ações, ganhavam a fama e a glória 
permanente. Aqueles que não conseguiam respeitar esses conceitos, ou esse 
código, temiam pela vergonha pública e a desgraça (COAKLEY, 1990). 
Figura 3 – Corrida de Bigas nos Jogos Olímpicos da Antiguidade
Fonte: Disponível em: <http://karenswhimsy.com/ancient-
olympics.shtm>. Acesso em: 10 jun. 2012.
 
16
 Gestão Esportiva
Os jogos e festivais atléticos eram baseados em preceitos 
religiosos, homenageando deuses e deusas da mitologia. O maior 
festival de esportes na Grécia foi celebrado em Olímpia, daí o nome de 
Jogos Olímpicos. Este era o de maior importância, pois era celebrado 
em homenagem ao deus grego mais importante, Zeus, o deus dos 
deuses, e foi realizado regularmente por mais de 1000 anos (IOC, 
2003). 
A Olimpíada ganhara tamanha importância que até as batalhas 
entre rivais eram interrompidas para que os jogos acontecessem. Esse 
período de trégua das batalhas e momentos de paz era chamado de 
pax olimpia. O festival acontecia em agosto e era realizado a cada 4 
anos. Esse período de tempo era chamado de Olimpíada, e se tornou 
o mais prestigiado de todos os eventos esportivos na Grécia Antiga (FREEMAN,1992).
Posteriormente, os jogos e festivais ganharam variações ainda maiores e 
aconteciam em homenagem a diversos deuses. Havia inclusive jogos dos quais 
as mulheres podiam participar. 
 
Com a conqusita da Grécia pelos Romanos, os jogos perderam importância, 
e foram considerados pagãos em relação ao Cristianismo, sendo abolidos 
oficialmente pelo imperador romano Theodosius em 394 D.C. (CROWTHER, 
2007). 
A Civilização grega, especialmente representada pelos 
Atenienses, proporcionou um grande avanço para a história da 
humanidade em relação às artes, filosofia, arquitetura, educação 
e desporto, e suas influências ainda estão presentes nas culturas 
ocidentais. De acordo com Spears e Swanson (1988), o nosso 
patrimônio desportivo vem da Grécia, onde o esporte tem sido 
uma parte da cultura que moldou de forma expressiva o nosso 
pensamento ocidental.
 
O Esporte no Império Romano
Durante o Império Romano, o desporto também foi usado como 
um divisor social e opressor. A posição social no Império Romano 
era baseada em parte na propriedade hereditária, riqueza, cidadania romana e 
liberdade. As designações de classes específicas incluíam senadores, patrícios, 
cavaleiros, plebeus, escravos, libertos e cidadãos não romanos - os quais eram 
Os jogos e festi-
vais atléticos eram 
baseados em pre-
ceitos religiosos, 
homenageando 
deuses e deusas 
da mitologia. O 
maior festival de 
esportes na Gré-
cia foi celebrado 
em Olímpia, daí 
o nome de Jogos 
Olímpicos.
A Civilização gre-
ga, especialmente 
representada 
pelos Atenienses, 
proporcionou um 
grande avanço 
para a história da 
humanidade em 
relação às artes, 
filosofia, arquite-
tura, educação e 
desporto, e suas 
influências ainda 
estão presentes 
nas culturas 
ocidentais.
17
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
governados pelo imperador. 
As classes sociais eram distinguidas pelo vestuário. A classe 
social determinava até mesmo o tipo de pão que as pessoas comiam 
em Roma. Os romanos também gostavam de circos. Daí a expressão 
“pão e circo” para o povo. Enormes recursos foram dedicados a jogos, 
triunfos e grandes espetáculos que foram muitas vezes acompanhados 
por grande matança de animais e pessoas. 
Líderes romanos usavam atividades esportivas para treinar 
soldados e para ocupar as massas com espetáculos de entretenimento. 
A sociedade romana dos primeiros dias foi muito forte. Sublimou 
patriotismo, força, fé religiosa e de caráter, ou moral. 
 
Os romanos eram atraídos pelos eventos esportivos, os 
chamados circos, principalmente pelos gladiadores e sua luta, boxe, e 
o “Pankration” (luta rudimentar) brutal, que ocasionalmente terminava 
com a morte de um lutador. A função dos jogos era originalmente 
religiosa, mas o significado tornou-se secular e político (GUTTMANN, 
1981). Os imperadores passavam frutas e pão para manter os 
espectadores calmos e menos hostis. Além disso, usaram esses eventos 
esportivos para manter o controle em suas comunidades. Esses espetáculos 
distraíam o povo e mantinham a ordem geral (COAKLEY, 1990).
Figura 4 - Gladiadores no Coliseu Romano
Fonte: Disponível em: <http://www.murphsplace.com/
gladiator/glads.html>. Acesso em: 10 jun. 2012. 
 
 A violência ritualizada foi um entretenimento favorito do povo romano 
durante séculos. Os criminosos, escravos e prisioneiros de guerra eram 
Durante o Império 
Romano, o 
desporto também 
foi usado como 
um divisor social e 
opressor.
Os romanos 
também gostavam 
de circos. Daí a 
expressão “pão e 
circo” para o povo. 
Enormes recursos 
foram dedicados 
a jogos, triunfos e 
grandes espetá-
culos que foram 
muitas vezes 
acompanhados 
por grande matan-
ça de animais e 
pessoas.
18
 Gestão Esportiva
frequentemente enviados para a arena, onde lutavam até a morte diante de 
multidões vibrantes. Os imperadores ofereciam ao público espetáculos cada 
vez mais bizarros e brutais, gratuitamente, para manter a atenção da população 
romana, desviando-a assim de questões públicas de maior importância.
Gladiador:
Figura 5 – Cena do filme Gladiador
 
Fonte: Disponível em: <http://dvd.blogs.sapo.pt/2005/04/>. 
Acesso em: 12 jun. 2012.
Os romanos eram muito diferentes dos gregos em relação 
ao esporte e à cultura. Freeman (1992) comenta que os gregos 
construíram os filósofos e os romanos construíram estradas. Os 
romanos contribuíram para a civilização notavelmente nas áreas 
práticas do direito e da engenharia. Ao contrário dos gregos, os romanos 
não estavam interessados no valor educativo do desporto, exceto em 
relação à preparação para a guerra, e enfatizaram a diversão dos circus 
ao invés de jogos entre participantes para reafirmar sua autoridade e 
controle (COAKLEY, 1990). 
Os romanos tendiam a praticar exercícios físicos ao invés de 
esportes. O ideal da educação romana era o de produzir crianças que 
seriam fiéis aos ideais romanos e à religião. O treinamento físico para 
os meninos foi dirigido quase que inteiramente para objetivos militares 
(FREEMAN, 1992). Além disso, a Igreja Católica tentou suprimir muitos 
jogos e esportes, porque eles eram considerados frívolos e com origens pagãs.
O amor dos romanos pelo entretenimento espetacular é talvez um dos 
Ao contrário dos 
gregos, os roma-
nos não estavam 
interessados no 
valor educativo 
do desporto, 
exceto em relação 
à preparação 
para a guerra, e 
enfatizaram a di-
versão dos circus 
ao invés de jogos 
entre participantes 
para reafirmar 
sua autoridade e 
controle.
http://dvd.blogs.sapo.pt/2005/04/
19
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
aspectos mais intrigantes da vida social romana. Confusos em sua brutalidade 
e fascinantes em sua opulência, espetáculos romanos mantiveram um lugar no 
imaginário popular até hoje. Roma tornou-se uma nação de espectadores que 
tinham pouco interesse em competição individual ou em excelência pessoal 
(FREEMAN, 1992).
Atividade de Estudos: 
1) Baseado no que foi exposto até agora e em outras fontes de 
pesquisa, compare as características do esporte da Grécia Antiga 
com as do Império Romano:
Grécia Antiga Império Romano
Obs. Obs.
O Esporte na Idade Média
Durante a Idade Média, o isolamento cultural imposto pelo sistema 
feudal e pela doutrina religiosa, que se opuseram ao uso do corpo para 
o jogo, impediu o desenvolvimento do esporte organizado no mundo 
ocidental. Segundo Guttmann (1978), por muitos séculos, competições 
entre cavaleiros nos torneios que enfatizavam a habilidade militar 
estavam entre as únicas formas de esportes públicos aprovados. 
 
Como havia ocorrido nos tempos antigos, o esporte e a atividade 
física eram diferenciados de acordo com as classes sociais. Esportes 
nos quais era necessária a riqueza, tais como polo ou falcoaria, eram 
exclusivos das classes mais altas, os senhores feudais, enquanto os 
esportes baratos, ou esportes de massa, tais como futebol, criaram raízes entre 
os plebeus.
Esportes nos 
quais era neces-
sária a riqueza, 
tais como polo ou 
falcoaria, eram 
exclusivos das 
classes mais altas, 
os senhores feu-
dais, enquanto os 
esportes baratos, 
ou esportes de 
massa, tais como 
futebol, criaram 
raízes entre os 
plebeus.
20
 Gestão Esportiva
Figura 6 - Torneios na Idade Média
Fonte: Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/
fichaTecnicaAula.html?aula=37972>. Acesso em: 13 jun. 2012. 
O jogo era praticado de acordo com as tradições locais e essas 
tradições variavam de uma comunidade para a próxima (COAKLEY, 
1990). No entanto, os torneios da aristocracia feudal surgiram a partir 
das demandas de treinamento militar e do desejo de entretenimento 
entre os nobres e aqueles que os serviram. O sistema feudal foi 
uma forma dominante de organização social e política. Esportes, 
principalmente cavalaria, foram controlados pela classe alta da 
sociedade, em preconceito contra a população em geral. Esta 
situação começoumudar com o surgimento do período renascentista. 
O Renascimento trouxe o desenvolvimento da civilização ocidental 
e marcou a transição do medieval para os tempos modernos com 
desenvolvimentos significativos nos campos da ciência, da retórica, da 
literatura e da música. 
 Com o Renascimento, a Igreja seguiu a política romana de aprovar ou 
aceitar muitos dos costumes dos povos nos novos países. A luta social começou 
contra os privilégios sociais dentro da cultura física (DRIEGA, 1997). As pessoas 
descobriram que o esporte lhes dera oportunidades de igualdade que não estavam 
disponíveis em outros lugares. O homem descobriu no esporte um ponto de 
encontro no qual ele poderia provar a si mesmo em condições justas. O respeito 
pelas práticas democráticas e a autoestima da classe média, combinados com o 
desejo de fair-play, podem muito bem ser uma das contribuições mais importantes 
da Idade Média à nossa herança (FREEMAN, 1992). Valores e ideais dos homens 
estavam mudando. De acordo com Baker (1982), o homem renascentista era 
alguém que estava sociável, sensível aos valores estéticos, hábil em armas, forte 
de corpo, e aprendiz em letras.
 
O Renascimento 
trouxe o desenvol-
vimento da civili-
zação ocidental e 
marcou a transi-
ção do medieval 
para os tempos 
modernos com 
desenvolvimentos 
significativos nos 
campos da ciên-
cia, da retórica, 
da literatura e da 
música.
21
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Os Jogos Olímpicos da Era 
Moderna
Os Jogos Olímpicos modernos foram iniciados por intermédio 
dos esforços do Barão de Coubertin. Coubertin baseou-se nos ideais 
olímpicos dos gregos e os valores educativos e biológicos dos esportes 
competitivos. Coubertin transplantou as ideias básicas da Grécia 
Antiga e as usou para jovens contemporâneos, dando-lhes a nobreza 
espiritual (DRIEGA, 1997). De acordo com a Carta Olímpica, criada 
por Coubertin, o objetivo do Movimento Olímpico é contribuir para a 
construção de um mundo pacífico e melhor, educando a juventude 
através do esporte praticado sem discriminação de qualquer tipo e no 
espírito olímpico, que exige entendimento mútuo com um espírito de 
amizade, solidariedade e fair play (IOC, 2003).
Figura 7- Barão de Coubertin, idealizador dos Jogos 
Olímpicos da Era Moderna e criador do COI
Fonte: Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/olimpiada-1896/entrevista-
barao-pierre-de-coubertin.shtml>. Acesso em: 15 jun. 2012. 
A primeira Olimpíada da era moderna ocorreu em 1896, em Atenas. Apesar 
dos ideais olímpicos do Barão de Coubertin, os Jogos Olímpicos nem sempre 
são exemplos de cooperação e excelência atlética. Como na Grécia antiga, o 
fervor nacionalista tem fomentado intensas rivalidades que às vezes ameaçava 
a própria sobrevivência dos jogos. Embora os indivíduos oficialmente apenas 
disputem medalhas, outros aspectos estão envolvidos, entre os quais a política, 
recompensas financeiras, doping, entre outros. Esses fatores mancham a boa 
imagem da pureza do esporte e do espírito olímpico segundo o qual o importante 
é competir. 
O objetivo do Mo-
vimento Olímpico 
é contribuir para a 
construção de um 
mundo pacífico e 
melhor, educan-
do a juventude 
através do esporte 
praticado sem 
discriminação de 
qualquer tipo e no 
espírito olímpico, 
que exige entendi-
mento mútuo com 
um espírito de 
amizade, solidarie-
dade e fair play.
22
 Gestão Esportiva
Figura 8 - Maratona na Primeira Olimpíada da Era Moderna - 1986 Atenas
Fonte: Disponível em: <http://corkrunning.blogspot.com.br/2012/01/
very-first-olympic-marathon.html>. Acesso em: 20 jun. 2012.
 
Chefes de Estado concordam que o movimento olímpico foi criado para 
transcender as diferenças políticas, nacionais e étnicas, e que a política seria 
perigosa para o espírito olímpico. No entanto, as Olimpíadas sempre refletiram 
e muitas vezes estiveram no centro das lutas políticas do mundo e das 
desigualdades. O Comitê Olímpico Internacional (COI), o corpo governante dos 
jogos, foi originalmente composto apenas de representantes de países ocidentais. 
A maioria de seus membros iniciais eram banqueiros, financistas internacionais 
e aristocratas que tiveram uma participação no início do imperialismo norte-
americano e europeu (LEONARD, 1998). 
A política muitas vezes ofusca os esportes nos Jogos Olímpicos. Os Jogos 
de Berlim de 1936, por exemplo, foram conduzidos para que Hitler confirmasse 
sua ideologia de superioridade da raça ariana, mas Jesse Owens, um negro 
norte-americano, venceu a batalha contra a discriminação racial, conquistando 4 
medalhas de ouro.
Figura 9 - Cerimônial de Premiação Jogos de Berlim
Fonte: Disponível em: <http://www.myhero.com/go/hero.asp?hero=J_
owens_olympus_jhs_US_09>. Acesso em: 22 jun. 2012. 
http://www.myhero.com/go/hero.asp?hero=J_owens_olympus_jhs_US_09
http://www.myhero.com/go/hero.asp?hero=J_owens_olympus_jhs_US_09
23
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Na cerimônia de premiação dos Jogos Olímpicos de 1968, no México, os 
medalhistas americanos negros Tommie Smith e John Carlos corajosamente 
inclinaram suas cabeças e levantaram seus punhos enluvados na saudação black 
power quando a bandeira americana foi levantada e o hino foi tocado. Essas 
ações provocaram polêmica generalizada e chamaram a atenção do mundo para 
a insatisfação com a desigualdade dos negros nos EUA. De acordo com Edwards 
(1970), a Olimpíada era o único evento internacional de cenário político a que 
os negros tinham acesso. A Olimpíada era e continua sendo influenciada pela 
política.
Figura 10 - Cerimonial de Premiação dos Jogos do México
 
Fonte: Disponível em: <http://grupo68.webnode.com/via-radical-
malcom-x-e-black-power/>. Acesso em: 25 jun. 2012. 
 
Outros dramáticos atos políticos incluem o sequestro e assassinato de 
atletas israelenses por um grupo guerrilheiro árabe nos Jogos de Munique, 
em 1972, e o boicote Africano dos jogos de 1976 em Montreal, que levaram 
à expulsão da África do Sul a partir do movimento apartheid (LEONARD, 
1998). Durante a Guerra Fria, os Jogos foram uma plataforma de luta entre os 
Estados Unidos e a União Soviética, culminando nos boicotes dos Jogos de 
1980 e 1984.
24
 Gestão Esportiva
Figura 11- Mapa dos Países que Boicotaram os Jogos (1976, 1980 e 1984)
Fonte: Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/File:Olympic_
boycotts_1976_1980_1984.PNG>. Acesso em: 26 jun. 2012. 
Desde o início na Grécia Antiga até o Movimento Olímpico 
moderno, o esporte tem sido utilizado como um divisor social. Contudo, 
entendendo a história do esporte, chamam a atenção a existência e as 
consequências da desigualdade social na sociedade, que tem tido um 
impacto significativo sobre como as formas de atividades desportivas 
são organizadas e reproduzidas em qualquer configuração. 
 Mesmo assim, ou devido a isso tudo, o esporte se tornou um 
dos mais importantes fenômenos socioculturais do mundo. A sua 
história traduz e faz aumentar o interesse enorme das pessoas pelo 
esporte. Na verdade, a importância social do desporto está ligada ao 
desenvolvimento significativo do movimento olímpico, que fez com 
que aumentasse o número de pessoas que participam do esporte e da 
atividade física, seja como participantes efetivos, ou como torcedores 
neste mundo espetacular da atividade física. Este fenômeno social é o 
que estaremos discutindo a seguir.
Saiba mais sobre os Jogos Olímpicos da era Moderna no site do 
Comitê Olímpico Brasileiro:
http://www.cob.org.br/movimento-olimpico/jogos-olimpicos
Desde o início 
na Grécia Antiga 
até o Movimento 
Olímpico mo-
derno, o esporte 
tem sido utilizado 
como um divisor 
social.
Mesmo assim, 
ou devido a isso 
tudo, o esporte 
se tornou um dos 
mais importan-
tes fenômenos 
socioculturais do 
mundo.
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Olympic_boycotts_1976_1980_1984.PNG
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Olympic_boycotts_1976_1980_1984.PNGhttp://www.cob.org.br/movimento-olimpico/jogos-olimpicos
25
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Atividade de Estudos: 
1) Considerando o que foi visto até aqui sobre a história dos esportes, 
determine a situação do esporte na atualidade com exemplos de 
discriminação e opressão do esporte que você conhece.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
O Fenômeno do Esporte na 
Sociedade 
 
O esporte é uma ferramenta poderosa, graças ao poder de atração 
que ele exerce nas pessoas. O desporto desempenha um papel 
significativo como promotor da integração social e desenvolvimento 
econômico em diferentes contextos geográficos, culturais e políticos. 
O esporte é uma ferramenta poderosa para fortalecer os laços e redes 
sociais, e promover os ideais de fraternidade, paz, solidariedade, 
não violência, tolerância e justiça. De acordo com a Organização das 
Nações Unidas (ONU, 2005), o esporte é visto como tendo os maiores 
benefícios em:
• Desenvolvimento individual;
• Promoção da saúde e prevenção de doenças;
• Promoção da igualdade de gênero;
• Integração social e desenvolvimento do capital social;
• Construção da paz e prevenção e resolução de conflitos;
• Alívio após traumas e normalização da vida;
• Desenvolvimento econômico;
• Comunicação e mobilização social.
A caricatura abaixo descreve o esporte como uma expressão plástica de 
atividade física que pode ser realizada de forma individual, em grupos ou equipes. 
O esporte é 
uma ferramenta 
poderosa para 
fortalecer os laços 
e redes sociais, e 
promover os ideais 
de fraternidade, 
paz, solidariedade, 
não violência, 
tolerância 
e justiça.
26
 Gestão Esportiva
Alguns esportes têm instrumentos característicos e específicos, como raquetes, 
tacos, bastões ou bolas. Podem ser de combate ou de estratégia. Podem ser 
praticados em locais especiais ou improvisados. São praticados em rios, mares, 
piscinas, em campos, pistas, quadras, estradas, na natureza, no gelo, sobre um 
animal ou veículo motorizado, sendo, assim, uma possibilidade histórica e uma 
novidade moderna.
Figura 12- Caricaturas dos Esportes
 
Fonte: Disponível em: <http://www.ironshadows.
com/sports1.htm>. Acesso em: 25 jun. 2012.
O esporte, como novidade moderna, recebe sozinho a mesma 
atenção da imprensa que outras áreas como a religião, política, e artes 
combinadas. (RIESS, 1990). Pelo bem ou pelo mal, o esporte é um 
fenômeno social importante definido por Talamini e Page (1973), como: 
 
Desporto é descrito como: um componente importante da 
sociedade pós-industrial; um grande negócio, o último refúgio 
de empresa individual, uma atividade importante de construção 
do personagem, mas uma arena de exploração e degradação; 
um canal de oportunidades para os desfavorecidos, mas 
uma atividade marcada pelo racismo e pela discriminação, 
atividade na qual o desempenho é o que mais conta, mas 
carimbada por prejuízo pessoal; uma válvula de escape para o 
estresse e a tensão social, mas uma manifestação de loucura 
coletiva. (p.1).
Os fenômenos sociais caracterizados pelo esporte estão 
relacionados com as instituições sociais, como escolas ou outras 
organizações, e os processos sociais, tais como o desenvolvimento 
do status social ou prestígio para uma pessoa, um grupo ou uma 
comunidade. É muito importante entender como o esporte afeta 
os aspectos sociais do processo de crescimento, de modo que o 
esporte pode ser usado da forma benéfica, influenciando as crianças 
O esporte, como 
novidade moder-
na, recebe sozinho 
a mesma atenção 
da imprensa que 
outras áreas como 
a religião, política, 
e artes combina-
das.
É muito importante 
entender como o 
esporte afeta os 
aspectos sociais 
do processo de 
crescimento, 
de modo que o 
esporte pode ser 
usado da forma 
benéfica, influen-
ciando as crianças 
a crescerem e se 
transformarem em 
adultos saudáveis 
e socialmente 
úteis.
27
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
a crescerem e se transformarem em adultos saudáveis e socialmente 
úteis (FREEMAN, 1992). 
Ao redor do mundo muitas pessoas gostam de jogar, assistir e 
discutir uma variedade de esportes. O esporte ocupa um lugar de 
destaque em diferentes culturas e tem influências sociais significativas. 
De acordo com Simon (1985), o esporte é uma importante forma de 
atividade social e afeta o sistema educacional, a economia e os valores 
dos cidadãos. Snyder e Spreitzer (1978) resumem que os fenômenos 
do esporte surgiram no final do século XIX para se tornar uma das 
instituições sociais mais difusas nas sociedades contemporâneas. 
Especialmente no momento atual, o impacto social e financeiro que o 
esporte representa é enorme. 
Seu significado social, quando conectado com a educação, 
participação e desempenho, pode ser interpretado como uma 
oportunidade distintiva e democrática para a humanidade como um todo. Pelo 
menos em nível de esporte participação, a maioria das pessoas, com ou sem 
talento, de diferente status social ou econômico e mesmo com limitações 
físicas, pode participar e desfrutar dos benefícios dos desportos. Afinal, não 
existe nada parecido com os esportes nos quais pessoas de qualquer raça, 
credo ou condição social podem competir entre si, apenas respeitando as 
regras do jogo, que são as mesmas para todos os povos. Assim, na essência 
do esporte se percebe a importância do caráter e os mais altos ideais de 
pureza de propósito e de nobreza.
Como foi visto anteriormente, o esporte também reflete as 
diferenças socioeconômicas e étnicas, assumindo a sua magnitude 
como um tipo de imposição e repetição do status quo. A história cultural 
do desporto deve iluminar temas persistentes na natureza humana, 
como as relações interpessoais e o uso que homens e mulheres fazem 
de seu poder sobre os outros (MANDELL, 1984). 
Sua participação é limitada por discriminação e preconceito 
que oferecem questões importantes sobre a sua relevância para a 
sociedade. Por exemplo, durante o Império Romano, os gladiadores 
eram usados para fazer cumprir a lei, matando prisioneiros de guerra, 
criminosos ou cristãos nas arenas como se fossem jogos e combates. 
Essa configuração de seres humanos para matar uns aos outros em 
público para o entretenimento foi uma selvageria terrível utilizada para 
manter a ordem e manter a divisão de classes sociais (GRANT, 1967). 
A adoção de uma atitude realista sobre esse aspecto da brutalidade 
de gladiadores é transferida para o século XXI, em que os atletas, 
O esporte é uma 
importante forma 
de atividade social 
e afeta o sistema 
educacional, 
a economia e 
os valores dos 
cidadãos.
Assim, na essên-
cia do esporte se 
percebe a impor-
tância do caráter 
e os mais altos 
ideais de pureza 
de propósito e de 
nobreza.
A adoção de uma 
atitude realista 
sobre esse aspec-
to da brutalidade 
de gladiadores é 
transferida para 
o século XXI, em 
que os atletas, na 
maioria de classes 
sociais mais 
baixas, praticam 
esportes para en-
treter as pessoas 
que têm dinheiro 
para comprar 
ingressos caros 
ou têm condições 
para assistirem 
aos jogos através 
de transmissão 
pay-per-view.
28
 Gestão Esportiva
na maioria de classes sociais mais baixas, praticam esportes para entreter as 
pessoas que têm dinheiro para comprar ingressos caros ou têm condições para 
assistirem aos jogos através de transmissão pay-per-view.
Além dos problemas relacionados às condições sociais, o esporte serve de 
contexto para experiências cotidianas relevantes e está interligado a cada esfera 
importante da vida social dentro de uma sociedade (COAKLEY, 1990). O esporte 
moderno está institucionalizadocomo um fenômeno social e cultural firmemente 
estabelecido e, assim como a educação pública e os meios de comunicação social, o 
desporto serve para muitas funções para indivíduos ou grupos específicos ou para a 
sociedade como um todo (TALAMINI; PAGE, 1973).
O esporte exerce uma grande influência sobre a vida de uma pessoa através 
do desenvolvimento de personalidade e caráter e, consequentemente, contribui 
para a boa cidadania (COAKLEY, 1990). Como resultado, não há dúvida de que 
os benefícios sociais do esporte estão atraindo o interesse de estudiosos em todo 
o mundo. O esporte é um modelo social que faz parte da experiência educacional 
desde a infância e adolescência até a idade adulta. Assim, quando bem aplicado e 
explorado, o esporte serve como uma ferramenta de aperfeiçoamento dos valores 
sociais e culturais.
Quadro 1 - Habilidades e Valores Aprendidos Através do Esporte
Cooperação Trabalho em equipe
Disciplina Boa comunicação
Respeito Regras
Confiança Resiliência
Liderança Resolução de problemas
Respeito pelos outros Como ganhar / perder
Fair play Autoestima
Compartilhamento Valor do esforço
Autoconfiança Honestidade
Definir objetivos Autorrespeito
Socialização Motivação
Solidariedade Tolerância
Fonte: ONU (2003).
Por meio do esporte, um grande número de pessoas pode ser ajudado a 
mudar suas vidas para melhor. Os benefícios são significativos para crianças e 
adolescentes, uma vez que a atividade física e o esporte são fundamentais para 
o desenvolvimento físico, social, motor e emocional. Com essa perspectiva, os 
29
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
benefícios do esporte são percebidos no gosto pela atividade saudável desde a 
infância e ao longo da vida; na área da aprendizagem e do rendimento acadêmico; 
nas áreas de cidadania e de acesso democrático; e nas áreas de liderança e 
motivação. Por exemplo, o adolescente pode adquirir, pelo esporte, habilidades 
valiosas relacionadas à qualidade de vida: comunicações intrapessoais e 
interpessoal, determinação, perseverança, confiança, liderança, cidadania, 
orientação para metas, motivação e satisfação pessoal (DONNELLY; COAKLEY, 
2002).
As pessoas têm a concepção histórica e cultural do desporto. O esporte se 
aprende através de suas famílias, amigos ou das instituições sociais que podem 
variar de acordo com cada lugar, assim como com a bagagem cultural de cada 
pessoa (LAKOFF; JOHNSON, 1980). Além disso, programas de esporte podem 
contribuir não só para o desenvolvimento do indivíduo, mas também para o 
desenvolvimento de toda uma comunidade. De acordo com White e Rowe (2000), 
a participação em artes e no desporto tem um impacto social benéfico. Artes e 
esporte são inclusivos e podem contribuir para a renovação de uma comunidade, 
de um bairro, de uma cidade ou até de uma nação inteira. Eles podem construir 
confiança e incentivar grupos comunitários fortes e fazer uma diferença real para 
a saúde, para o combate à criminalidade, para a geração de empregos e para a 
educação em comunidades carentes.
O conceito de esporte pode ser entendido através de três dimensões sociais: 
1) esporte-educação; 2) esporte-participação e 3) esporte de 
rendimento (Tubino, 2001). O autor explica que a partir do Manifesto 
Mundial do Esporte, de 1968, do qual derivou a Carta Internacional 
de Educação Física e Esporte, da UNESCO, de 1978, o esporte 
deveria ser considerado como “um direito de todos” e passou a 
receber expressão política internacional. Um novo conceito surge 
desse movimento, partindo do pressuposto de que o esporte é 
“um direito universal”, implicando o reconhecimento do esporte 
educação e do esporte lazer como dimensões sociais legítimas ao 
lado do esporte de desempenho.
 
Em todas as dimensões, muitos benefícios acontecem, assim como existem 
muitos inconvenientes, e os mais importantes são descritos abaixo (Figura 13). 
A noção de que se compreende a importância do desporto nas sociedades e 
escolas torna-se um componente crucial deste estudo, pois reflete a importância 
da gestão do esporte em todas as suas dimensões. 
O esporte é “um 
direito universal”, 
implicando o re-
conhecimento do 
esporte educação 
e do esporte lazer 
como dimensões 
sociais legítimas 
ao lado do esporte 
de desempenho.
30
 Gestão Esportiva
Figura 13 - As dimensões sociais do esporte
Fonte: Adaptado de Tubino (2001).
É evidente que essas três dimensões se combinam em uma série de 
questões específicas e situações sociais que compõem o contorno do desporto na 
sociedade. Essas questões estão discutidas a seguir dentro de cada dimensão.
Atividade de Estudos: 
1) Sendo professor de educação física ou gestor esportivo, que 
ações você poderia implementar na sua realidade para que 
o esporte educação e o esporte participação possam trazer 
melhores benefícios à sua comunidade?
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
31
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Esporte Educação
O esporte educação pode ser um agente importante para 
transformar a sociedade e ajudar a preparar os cidadãos para o 
exercício da cidadania, evitando a segregação social, a seletividade 
e a hipercompetitividade. O princípio do esporte educação é 
eminentemente social, quando o esporte está envolvido como 
expressão educacional em uma função essencialmente educativa. 
No entanto, a importância exagerada de esportes em escolas e 
universidades mudou essa concepção, e esporte educação não é 
mais praticado respeitando a pureza e os benefícios da sua função 
educativa. O esporte educação está mudando para esporte de 
competição, trazendo, portanto, os mesmos tipos de problemas.
 
Educadores defendem firmemente o papel que o desporto pode 
desempenhar na vasta agenda de política social, particularmente nas 
áreas de motivação acadêmica, inclusão social e saúde. O esporte 
oferece muitos benefícios potenciais para indivíduos e comunidades. 
É uma maneira de incentivar as pessoas a participarem do desporto, e 
ao mesmo tempo combater uma promoção social imperiosa e manter-
se fora de problemas.
 
Essencialmente o esporte educação está fundamentado nas aulas de 
educação física que são obrigatórias em todas as escolas e devem seguir 
conceitos pedagógicos e lúdicos com objetivos de 1) integração social; 2) 
desenvolvimento psicomotor; 3) atividades físicas educativas (TUBINO, 2001).
 
Sendo parte da educação física, o esporte é de responsabilidade 
pública e dever do Estado. A finalidade do esporte escolar é a de 
democratizar a sua prática e gerar cultura através das modalidades 
motrizes de expressão de personalidade do indivíduo numa estrutura 
de relações sociais recíprocas e com a natureza, ainda voltado à 
formação corporal, preparando o aluno para o lazer durante a sua 
vida toda, além de estimular a cidadania com criticidade, evitando 
a seletividade, a seleção dos melhores, a segregação social e a 
hipercompetitividade (COSTA, 1989 apud TUBINO, 2001).
A dificuldade que o próprio professor de educação física enfrenta 
ocorre em relação à influência da mídia no esporte e a consequente 
atenção que os alunos estão absorvendo pela ideologia de heróis do 
esporte, suas facetas e atitutes que nem sempre são consideradas 
dentro do ideal. Os ídolos influenciam as crianças e jovens na escola 
O princípio do 
esporte educação 
é eminentemente 
social, quando 
o esporte está 
envolvido como 
expressão edu-
cacional em uma 
função essencial-
mente educativa.
Educadores 
defendem firme-
mente o papel que 
o desporto pode 
desempenhar na 
vasta agenda de 
política social, 
particularmentenas áreas de moti-
vação acadêmica, 
inclusão social e 
saúde.
Sem que seja 
dada a devida 
importância ao 
esporte como 
ferramenta educa-
cional, a grande 
maioria dos alunos 
irá se transfor-
mar em meros 
espectadores, em 
detrimento da edu-
cação completa ou 
do bom hábito do 
esporte como me-
lhora da qualidade 
de vida e benefício 
social.
32
 Gestão Esportiva
e essa influência é aparente nas aulas de educação física, em que meninos e 
meninas imitam e sonham em ser como seus ídolos e assim exageram em 
competitividade. Infelizmente a realidade é outra e apenas alguns têm o talento 
necessário para isso. Sem que seja dada a devida importância ao esporte como 
ferramenta educacional, a grande maioria dos alunos irá se transformar em meros 
espectadores, em detrimento da educação completa ou do bom hábito do esporte 
como melhora da qualidade de vida e benefício social.
Para promover o esporte educação como um fator motivacional e para 
melhorar o interesse dos alunos, professores e treinadores precisam criar 
um clima predominantemente positivo para obterem resultados psicológicos 
no mesmo nível (ZAHARIADIS & BIDDLE, 2000). Em segundo lugar, em nível 
individual, as interações com os colegas nas aulas de esporte e de educação 
física devem permitir escolhas pessoais que levem em conta a identidade cultural 
dos alunos e uma compreensão crítica do papel do esporte na sociedade.
Esporte Participação
O esporte participação, ou esporte popular, é caracterizado 
pela participação de cunho lúdico e de bem-estar social dos seus 
praticantes, sem objetivos competitivos formais. Podemos descrever 
como o esporte “puro ou amador na essência, em que regras são 
adaptadas e a participação é democrática. É o tipo de esporte que se 
pratica por lazer, em locais diversos e não específicos, com o objetivo 
maior da socialização e do bem-estar do praticante. Para Tubino (1987), 
enquanto o esporte competição só permite sucesso aos talentos ou 
àqueles que tiveram condições, o esporte participação favorece o prazer a todos 
os que dele desejarem tomar parte.
O esporte com participação popular deve respeitar as realidades culturais e 
históricas. Existem esportes que são praticados em uma determinada região do 
país e que em outra parte poucos conhecem. Eles têm o atrativo cultural e devem 
ser estimulados para a prática na promoção do esporte e da manutenção de gostos 
culturais. Por exemplo, o punhobol é um esporte praticado por descendentes de 
alemães no sul do Brasil e é pouco conhecido em outras regiões. Este esporte 
deve ser oferecido de maneira participativa aos interessados, para que possam 
apreciar o jogo de forma a manter a cultura esportiva da região.
O esporte participativo pode também ser exemplificado quando alguém que 
Podemos des-
crever como o 
esporte “puro” ou 
amador na essên-
cia, em que regras 
são adaptadas e 
a participação é 
democrática.
33
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
faz exercício regular, como correr ou caminhar, pretende participar de uma corrida 
em sua cidade. Apesar de este indivíduo estar em uma competição, ele tem a 
intenção de completar a prova dentro de suas limitações e assim poder utilizar o 
esporte em caráter participativo e não competitivo.
Figura 14 - Exemplo de Esporte Participativo
Fonte: FIVB, 2009.
O esporte participação sofre com a falta de locais adequados, como parques 
e áreas de atividade esportiva adequadas. Essa dificuldade limita a participação da 
comunidade que pretende utilizar o esporte em sua forma mais pura e saudável, 
baseada na participação democrática e lúdica que essa dimensão pretende.
Esporte Competição
O esporte competitivo é a dimensão que mais afeta a sociedade e o 
cidadão comum, mesmo que não atuante nesta forma de esporte. Diferente do 
educacional e participativo, o competitivo não deveria depender do poder público 
e sim da iniciativa privada, uma vez que não traz benefícios sociais ou biológicos 
diretos a todos e sim para os atletas, e benefícios financeiros aos patrocinadores 
e clubes. É no esporte competição que prevalece o capitalismo exacerbado acima 
da pureza do esporte. 
 
Porém podemos perceber alguns benefícios positivos e de relevância social 
que o esporte competição promove. De acordo com Tubino (2001), os benefícios 
são:
a) O esporte competição como conceito cultural será sempre um meio de 
34
 Gestão Esportiva
progresso nacional e de intercâmbios internacionais;
b) A organização esportiva comunitária não deixa de ser um fator de 
fortalecimento da sociedade como um todo;
c) Com o envolvimento de vários tipos de pessoas qualificadas, provoca a 
existência e exigência de profissões de especialistas esportivos. Podemos 
aqui citar a função do gestor esportivo;
d) Crescimento da mão de obra especializada, exigida pela demanda da indústria 
do esporte;
e) Geração do turismo esportivo;
f) Influência positiva dos ìdolos do esporte nas crianças e jovens.
Como foi visto, o esporte é uma parte importante de nossa ordem social. A 
sociologia do esporte explica como as pessoas interagem umas com 
as outras, além de determinar como o processo do esporte afeta o 
desenvolvimento e a socialização dessas pessoas, ou como elas se 
encaixam na sociedade (FREEMAN, 1992). Além disso, o esporte 
reflete a cultura e a sociedade, que reforça as desigualdades sociais, 
e é um veículo para o conflito social (MCPHERSON, CURTIS & LOY, 
1989). 
O esporte é um bom exemplo do intercâmbio intercultural entre 
os países e sociedades. Em sua concepção purista e democrática, 
o esporte é uma demonstração de como diferentes raças, culturas, 
religiões e línguas podem estar conectadas dentro dos conceitos 
essenciais da paz e do respeito. 
Em sua essência, o esporte é uma demonstração única de humanidade. Na 
realidade, o esporte pode ser classificado como uma expressão verdadeira de 
cultura e valores e, quando bem utilizado, divulga e amplifica questões positivas, 
como o patriotismo, o prazer e o heroísmo, o espetáculo teatral e a inspiração e a 
exploração jornalística poética, entre outros valores.
Contudo, como na maioria das atividades humanas, o esporte também tem 
o seu lado obscuro. A natureza cada vez mais monetária e partidária do esporte 
demonstra que pode potencialmente dar origem a atividade violenta e ilegal ou 
operações que podem não ser do interesse de uma comunidade. Exemplos 
disso incluem a violência entre os atletas ou espectadores, o uso de drogas para 
melhora de desempenho, ou o suborno e apropriação de clubes por indivíduos 
que são motivados por fatores não esportivos.
A sociologia do es-
porte explica como 
as pessoas inte-
ragem umas com 
as outras, além 
de determinar 
como o processo 
do esporte afeta o 
desenvolvimento 
e a socialização 
dessas pessoas, 
ou como elas 
se encaixam na 
sociedade.
35
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Atividade de Estudos: 
1) Como vimos, o esporte tem várias questões difíceis e que 
afetam toda a sociedade. Em sua opinião, como o esporte de 
rendimento pode ser melhor gerenciado em benefício de toda 
a população? 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
__________________________
A Gestão para o Esporte em suas 
Dimensões
A dimensão escolar do esporte é de responsabilidade do Estado, porém 
a gestão para o esporte acontece em eventos escolares e que podem ter a 
participação pública, privada ou de ambas. A gestão para o esporte escolar é 
comum também em escolas particulares, onde o coordenador de esporte deveassumir-se como um gestor, sendo necessários os conhecimentos essenciais 
para exercer essa função com qualidade. Apesar dessa característica, a gestão 
esportiva acontece essencialmente no esporte participativo e principalmente no 
competitivo. 
No esporte participativo, a gestão é responsável pela organização de 
eventos e possibilidades para o povo em geral participar democraticamente 
no esporte e nas atividades de lazer. A gestão, nesse caso, está normalmente 
ligada a associações e clubes e mais intensamente às prefeituras, por meio das 
secretarias e fundações de esportes.
A gestão para o esporte competição é ainda mais presente. Não se limita 
à organização das competições, mas também é voltada para a administração 
de clubes e instituições esportivas, estádios e centros de esporte, equipes 
36
 Gestão Esportiva
profissionais ou semiprofissionais, patrocínio e marketing, além de contratação de 
recursos humanos.
As dimensões sociais do esporte contemplam outros detalhes que vão desde 
os valores humanos intrinsecos na própria prática aos benefícios em termos 
de saúde e qualidade de vida, entre outros benefícios de extrema importância. 
O Fórum Econômico Mundial (2012) elaborou um documento que traduz a 
importância da gestão para o esporte, com a definição dos valores que o esporte 
pode e deve proporcionar aos participantes e comunidades. Esses valores estão 
resumidos abaixo e devem ser a principal preocupação do gestor esportivo no 
exercício da sua função:
a) Valor do esporte: O esporte é um meio de troca e compreensão entre pessoas 
de várias origens, nacionalidades ou crenças e promove a expressão além 
das barreiras tradicionais. As regras do jogo transcendem as diferenças e as 
desigualdades e ajudam a redefinir o significado de sucesso, desempenho e 
trabalho em equipe. Através do esporte, as pessoas identificam novos padrões 
e modelos de comportamento e necessidades na sociedade.
b) Geografia esportiva e saúde: A atividade física tem um impacto social crucial 
sobre a saúde e o bem-estar da sociedade, assim como sobre os custos da 
saúde. Quanto maior o número de pessoas praticando atividades físicas em 
determinada região, melhor a qualidade de vida daquela população e região. A 
conexão também existe entre ser fisicamente ativo e viver um 
estilo de vida saudável. Mas como o mundo ocidental cresce, o desporto deve 
reinventar-se para lidar com essa mudança demográfica.
c) Esporte e educação: O esporte proporciona benefícios não só para a saúde de 
jovens participantes, mas também desenvolve qualidades como trabalho em 
equipe, disciplina e espírito competitivo que se revelam úteis na vida adulta. Ele, 
portanto, merece um lugar de destaque no sistema educacional.
d) Esporte e política: Esporte e política muitas vezes caminham lado a lado. 
Eventos tais como jogos de futebol e os Jogos Olímpicos podem ser veículos para 
melhorar a compreensão entre os países, além de desenvolver o caráter sadio 
do patriotismo e do orgulho nacional.
e) Esporte e desenvolvimento econômico: O esporte pode contribuir para o 
desenvolvimento econômico através da criação de fontes adicionais de renda, 
incluindo a fabricação de artigos esportivos, o desenvolvimento da prestação 
de serviços relacionados ao esporte e infraestrutura ou a realização de 
eventos esportivos. 
37
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
f) Esporte e empreendedorismo social: Uma oportunidade para construir 
o esporte como meio de ascensão social e que propicia a mudança para 
populações menos favorecidas. Isso vem acontecendo devido principalmente 
aos movimentos de instituções de cunho social e ONGs.
A gestão para o esporte é o objetivo deste caderno e estará mais claramente 
determinada em tópicos dos próximos capítulos. 
Atividade de Estudos: 
1) Dentro do que foi visto e da sua experiência, explique 
resumidamente quais as dimensões mais importantes da gestão 
do esporte. 
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
Esporte e Desenvolvimento 
Econômico
O esporte exerce uma grande influência na economia mundial. 
Com o transcorrer da história e a evolução dos esportes, os eventos 
ganharam em importância e muito mais em investimentos e patrocínios. 
Por exemplo, nas Olimpíadas de Roma, em 1960, os direitos televisivos 
para a transmissão dos Jogos foram vendidos para os EUA por 700 mil 
dólares, enquanto que para a Copa do Mundo de Futebol de 2006, 
na Alemanha, foram estimados em mais de 6 bilhões de dólares. O 
mercado do esporte, de roupas e de calçados esportivos cresceu na 
mesma proporção. No Reino Unido esse mercado de esportes cresceu 
15 por cento em valor e 31 por cento em volume desde 1994 até 2001 
(SPORTS INDUSTRIES FEDERATION, 2001).
O esporte exerce 
uma grande influ-
ência na economia 
mundial. Com o 
transcorrer da his-
tória e a evolução 
dos esportes, os 
eventos ganharam 
em importância 
e muito mais em 
investimentos e 
patrocínios.
38
 Gestão Esportiva
Outra fonte importante na pesquisa do impacto na economia que o esporte 
propicia foi um estudo feito em relação à realidade da Inglaterra, especialmente 
ligado ao futebol e às Olimpíadas de Londres em 2012. Esse estudo aponta que 
2,3 % de todo o consumo da ilha está ligado aos esportes, que empregam 1,8% 
de toda a mão de obra, num total de 441.000 trabalhadores. O PIB esportivo, 
que em 1985 se situava em £ 3,3 bilhões, saltou para £ 17,3 bilhões no período 
2008/09, um salto superior a 500%. O futebol é responsável por grande parte 
desse resultado, mas os demais esportes têm contribuído decididamente para que 
a economia esportiva cresça mais, proporcionalmente, em relação aos demais 
setores.
Não existem estudos recentes confiáveis sobre Economia do Esporte no 
Brasil, mas algumas projeções antigas estimam algo entre 1,5 e 2% do PIB a 
participação do setor esportivo. Nos EUA, já estaria beirando os 3% (ARAÚJO, 
2010).
Figura 15 - Esporte e o Capitalismo
Fonte: Disponível em: <http://www.swissinfo.ch/por/Capa/
Archive/Empresas_compram_ingressos_no_mercado_
paralelo.html?cid=6654068>. Acesso em: 25 jun. 2012.
Outro estudo realizado pela Sportpar, empresa de participação em 
negócios esportivos, prevê que a indústria do esporte no Brasil sairá 
dos atuais 3,2 bilhões de dólares ao ano para 5,5 bilhões em 2016. Por 
indústria do esporte, entenda-se patrocínio a atletas, entidades, clubes, 
times, eventos, direitos de transmissão, venda de ingressos e produtos 
licenciados. Os investimentos em patrocínio e direitos de mídia devem 
crescer 10% ao ano, bem acima do crescimento dos últimos anos 
(entre 2006 e 2010, a média anual do crescimento de patrocínio foi de 
Os investimentos 
em patrocínio e 
direitos de mídia 
devem crescer 
10% ao ano, 
bem acima do 
crescimento dos 
últimos anos (en-
tre 2006 e 2010, 
a média anual do 
crescimento de 
patrocínio foi de 
3,8% e de direito 
de mídia, 4,7%).
39
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
3,8% e de direito de mídia, 4,7%). A aceleração prevista para o setor é devida à 
aproximação dos dois maiores eventos esportivos do planeta, a Copa do Mundo, 
em 2014, e as Olimpíadas, em 2016. A grande questão é o que acontecerá com a 
indústria do esporte depois que 2016 passar (PADUAN, 2012). 
No Brasil, apesar da enorme influência do esporte, há pouca consciência das 
potenciais vantagens da gestão estratégica de negócios em parcerias 
com os responsáveis pelo desenvolvimento do esporte. Isso representa 
uma oportunidade perdida para a combinação de benefícios para o 
negócio (Gestão de riscos denegócios, reputação e oportunidades), 
com ganhos de desenvolvimento (elevando o poder e recursos de 
negócios em prol do desenvolvimento e do próprio esporte).
O esporte é um catalisador para o desenvolvimento econômico 
das comunidades e nações através da criação de empregos e 
de negócios a desenvolver dentro e fora da indústria do esporte. 
Individualmente, cada um dos diversos setores da economia esportiva 
pode criar atividade, emprego e riqueza, como através da fabricação 
de artigos esportivos, desenvolvimento da infraestrutura, hospedagem, eventos e 
mídia.
O Homem que mudou o jogo 
Figura 16 – Filme o homem que mudou o jogo
Fonte: Disponível em: <http://capasbr.blogspot.com.br/2011/12/o-
homem-que-mudou-o-jogo.html>. Acesso em: 30 jun. 2012.
No Brasil, apesar 
da enorme influên-
cia do esporte, há 
pouca consciência 
das potenciais 
vantagens da 
gestão estratégica 
de negócios em 
parcerias com os 
responsáveis pelo 
desenvolvimento 
do esporte.
http://capasbr.blogspot.com.br/2011/12/o-homem-que-mudou-o-jogo.html
http://capasbr.blogspot.com.br/2011/12/o-homem-que-mudou-o-jogo.html
40
 Gestão Esportiva
O Esporte como Produto de 
Consumo
Diferente dos produtos de consumo considerados comuns, como alimentos 
ou de higiene pessoal, o produto esporte tem aspectos interessantes e únicos. 
Esses aspectos particulares distinguem o esporte e o tornam ainda mais atraente. 
O produto esportivo tem um conjunto particular de elementos que o distinguem 
(PUC-RJ, MARKETING ESPORTIVO):
 
• Envolve aspectos lúdicos, tipicamente na forma de um jogo;
• Difere-se do espaço e tempo “regulares”;
• É regido por regras especiais;
• Implica normalmente destreza e treinamento físicos.
• Exige instalações e equipamentos especiais.
Ainda mais, o esporte caracteriza-se pela presença de fatores únicos ou que 
raramente são encontrados reunidos (ao mesmo tempo) em outros setores da 
atividade econômica:
• Possui alto nível de identificação com o consumidor (público especialista); 
• Dispõe de alta visibilidade na mídia (ao mesmo tempo espontânea e influente);
• Goza de forte apelo emocional (paixão dos envolvidos, para o bem e para o 
mal);
• Envolve cooperação e competição simultâneas (configuração de mercado 
atípica);
• Lida com grande diversidade de públicos consumidores (indivíduos e empresas).
Observado sob o ponto de vista estritamente mercadológico, o esporte é um 
produto exclusivo, pois consiste em um bem totalmente incomum:
• Natureza intangível, efêmera e vivencial (o produto esportivo é diferente cada 
vez que é consumido - produção e consumo simultâneos) e não tem um roteiro 
definido previamente;
• Dependente da participação social (o jogo ou o desempenho é apenas um 
elemento de um conjunto maior - o esporte não é consumido isoladamente);
• Inconsistente, imprevisível e incontrolável (o profissional do marketing 
tem pouca ingerência sobre o produto essencial e, por consequência, deve 
concentrar esforços nos subprodutos esportivos);
• Não há esporte sem o formato definido de um jogo, tangenciado por regras 
41
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
e técnicas. Cada esporte tem seus aspectos específicos, que podem torná-
lo especialmente atraente para determinados consumidores - enquanto para 
outros pode não significar nada.
Um dos exemplos de como o esporte cresce quando bem organizado e como 
produto de marketing é o vôlei brasileiro. A partir dos anos 80 o vôlei atingiu 
grande destaque na mídia, graças ao progresso dos resultados alcançados 
pela equipe masculina, vice-campeã mundial em 1982 e vice-campeã olímpica 
em 1984. Essas duas medalhas caracterizaram a “Geração de Prata” do vôlei, 
mas determinaram também uma evolução enorme para o esporte. Devido à 
plasticidade do jogo e o interesse crescente no número de praticantes e de fãs, o 
vôlei se tornou o segundo esporte mais praticado no Brasil. O Vôlei apresenta-se, 
portanto, como um case de sucesso. 
Outras características e a própria mudança das regras do esporte 
contribuíram para o aumento do interesse do público, mídia e patrocinadores. 
Esse fenômeno apresentou uma vertiginosa escalada na década de 90, e a 
Federação Internacional de Volleyball (FIVB) viu-se diante da obrigação de 
alterar algumas regras para a melhoria do voleibol como espetáculo, já que a alta 
performance alcançada pelas equipes vinha tornando as competições cada vez 
mais monótonas.
Em 1998, na mais radical das mudanças, começa a ser testada a adoção do 
sistema de pontos por rally, com 25 pontos nos quatro primeiros sets e 15 pontos 
no tie-break, fazendo com que o jogo seja mais bem entendido por crianças e 
leigos, além de diminuir o tempo de jogo. Este formato foi ideal para as emissoras 
de TV que puderam cobrir as partidas dentro de um tempo médio e previsível 
de duas horas, não atrapalhando a sequência da programação e aumentando 
a audiência. Outras mudanças adotadas foram: a mudança da cor da bola e a 
introdução do líbero. Essas alterações trouxeram maior dinamismo ao jogo, 
deixando-o ainda mais atraente. Outros esportes centenários ainda 
persistem em regras que limitam o interesse do público ou não se 
adaptam ao formato televisivo. 
Assim como uma peça de teatro, ou um filme, o esporte é 
representado por atletas que são personagens de extremo talento e 
admiração. A influência dos atletas e do pessoal envolvido no esporte 
é enorme. Eles são capazes de influenciar hábitos de consumo 
e comportamento, tornando-se, assim, bastante disputados por 
empresas de dentro e de fora da esfera esportiva.
O esporte normalmente associa a empresa, o produto ou a marca 
com algo saudável e admirável. De qualidade e de valor agregado. 
É muito comum associar a imagem de um produto de valor com uma equipe 
Mas em nenhuma 
outra possibilidade 
de marketing os 
patrocinadores 
alcançam os 
consumidores de 
todas as faixas 
etárias, gêneros 
e níveis de renda 
possíveis, com ta-
manha penetração 
e com um custo 
razoável.
42
 Gestão Esportiva
vencedora, assim como se pode associar um atleta perdedor com uma marca não 
confiável. Mas em nenhuma outra possibilidade de marketing os patrocinadores 
alcançam os consumidores de todas as faixas etárias, gêneros e níveis de renda 
possíveis, com tamanha penetração e com um custo razoável. 
Um dos exemplos mais marcantes da influência que um atleta pode causar 
na economia é Michael Jordan, que se tornou o maior fenômeno de vendas da 
história do esporte. Segundo Estudo realizado pela revista americana The Fortune 
(1998), Jordan promoveu um impacto de US$ 10 bilhões na economia americana, 
sendo:
• US$ 3,1 bilhões em vendas de produtos licenciados da NBA, como bonés, 
camisas, agasalhos esportivos e outros produtos desde 1984;
• US$ 80 milhões em vídeos esportivos;
• US$ 209 milhões em fitas de vídeo;
• US$ 17 milhões em livros;
• US$ 5,2 bilhões em tênis e aparelhos esportivos da Nike;
• US$ 10 milhões em cuecas Hane;
• US$ 230 milhões na bilheteria do filme Space Jam;
• US$ 155 milhões na colônia Bijan.
Outro fator em que o esporte influencia a economia é a produção e 
comercialização de equipamentos para o esporte, pois nenhum esporte é 
disputado sem equipamentos específicos e, na sua grande maioria, esses 
componentes têm sofrido uma evolução tecnológica sistemática. Mais do que um 
componente essencial do jogo, os equipamentos são também uma extensão da 
vivência e divulgação do evento. Importante não apenas para os profissionais, 
a mercadoria esportiva é decisiva para o aprendizado do esporte e um fator 
inestimável para o mercado de consumo.
Ainda dentro da influência do esporte na economia, podemos citar as arenas 
esportivas. A prática do esporte é dependente das instalações do jogo. Mais do 
que fornecer uma estrutura para o jogo, os locais definem o contexto da disputa 
ou do espetáculo esportivo. São templos (sagrados) que eternizam as memórias e 
fazem de si mesmos atributos indispensáveisao esporte.
Nesse item, vale comentar sobre a construção de novos palcos esportivos 
que podem vir a ser de extrema valia para as comunidades, pois, além de centro 
de esportes, podem ser utilizados para outros eventos culturais, aumentando as 
opções de lazer e entretenimento. Ainda oferece novos espaços para o esporte 
competitivo e de lazer, oportunizando a prática dos esportes pela comunidade e 
melhorando a infraestrutura da região. 
43
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
Tudo por Dinheiro 
Figura 17 – Filme Tudo por Dinheiro
Fonte: Disponível em: <http://www.filmeslinks4u.net/2011/07/
tudo-por-dinheiro-2005-2.html>. Acesso em: 20 jun.2012. 
Algumas Considerações
O esporte moderno na sua forma ideal deve ser pautado pelos 
pincípios filosóficos dos gregos, de Olympia, ao invés dos Romanos do 
Coliseu. Pobreza, falta de educação e ausência de boas ligações não 
deveriam desqualificar alguém de se tornar um jogador profissional. 
Em uma era de milhões de reais em salários, jovens atletas estão 
determinados a ascender na sociedade pelo esporte. Na realidade, 
porém, o investimento em tempo e esforço é muito grande e as 
chances de sucesso muito pequenas, sendo que este sonho é pouco 
provável para a maioria.
O conceito de esporte como um veículo de mobilidade social é 
em grande parte uma ficção cultural, a menos que os jovens atletas 
estejam usando o esporte como instrumento para garantir o acesso à 
Em uma era 
de milhões de 
reais em salários, 
jovens atletas 
estão determina-
dos a ascender 
na sociedade 
pelo esporte. Na 
realidade, porém, 
o investimento em 
tempo e esforço 
é muito grande 
e as chances de 
sucesso muito 
pequenas, sendo 
que este sonho 
é pouco provável 
para a maioria.
http://www.filmeslinks4u.net/2011/07/tudo-por-dinheiro-2005-2.html
http://www.filmeslinks4u.net/2011/07/tudo-por-dinheiro-2005-2.html
44
 Gestão Esportiva
escola para completar a sua educação e à faculdade para a formação profissional 
futura. A reprodução das desigualdades sociais está registrada não apenas na 
história dos esportes, mas ainda presente no esporte atual através do poder da 
discriminação racial, dos homens sobre as mulheres, e dos privilegiados sobre os 
desfavorecidos. 
Além do fato de que o esporte é uma atividade democrática, na sua maioria, 
apenas jovens do sexo masculino têm tirado partido dessa situação. A taxa de 
participação feminina de importância ainda é desigual em relação aos homens. 
Além disso, as pessoas em posições de poder e influência dentro das instituições 
esportivas estão manipulando o acesso democrático. Por essa razão, a prática do 
esporte tradicional reproduz a desigualdade social. As sociedades podem buscar 
formas em que o desporto possa ser democratizado em uma sociedade de forma 
e de importância similar para todos (KEW, 1990), sendo esta uma das funções 
essenciais ao gestor do esporte.
O esporte como uma atividade para todos é reconhecido como uma prioridade 
nacional. A ampliação e a percepção do esporte para e pelo público em geral 
devem ser providenciadas no nível de Governo, destacando a noção de “esporte 
para todos”. Este é um problema particular para os países em desenvolvimento, 
onde a promoção do desporto de elite e a obtenção de resultados em competições 
desportivas internacionais são consideradas as únicas formas de promover a 
unidade nacional e o valor de um país e da competitividade, esquecendo que o 
esporte deve trazer benefícios sociais e biológicos aos praticantes e não apenas 
aos talentosos.
O esporte é lembrado e seguido por estar, normalmente, ligado a algo 
saudável, que envolve paixão e admiração. Diferente das outras atividades 
humanas como a política, economia ou as notícias da vida cotidiana que na 
maioria das vezes são assuntos que trazem preocupação ou falta de interesse, 
o esporte é visto como uma válvula de escape desses e de outros problemas 
comuns. Assim, o esporte e os seus ídolos são capazes de influenciar hábitos de 
consumo e de comportamento.
 
Referências
ARAÚJO, Ricardo. O impacto do esporte na Economia. Revista 
Exame. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/novas-
arenas/2010/08/17/o-impacto-do-esporte-na-economia/>. Acesso em: 30 abr. 
2012.
http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/novas-arenas/2010/08/17/o-impacto-do-esporte-na-economia/
http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/novas-arenas/2010/08/17/o-impacto-do-esporte-na-economia/
45
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
COAKLEY, J. (1990). Sport in society. Issues and controversies. St. Louis: 
The C. V. Mosby Company.
CORK RUNNING. The Very First Olympic Marathon. Disponível em: <http://
corkrunning.blogspot.com.br/2012/01/very-first-olympic-marathon.html>. Acesso 
em: 09 jun. 2012.
CROWTHER, Nigel. Sport in ancient times. Westport, CT: Praeger Publishers. 
2007.
DONNELLY, P.; COAKLEY, J. The role of recreation in promoting social 
inclusion. Perspectives on social inclusion. (Working papers series). Toronto: 
The Laidlaw Foundation. 2002.
DRIEGA, A. The Olympics before Pierre de Coubertin. Journal of Olympic 
History, 1997. Vol. 5, No. 2.
DUNNING, E. G.; MAGUIRE, J. A.; PEARTON, R. E. The sport process. A 
comparative and developmental approach. Champaign, IL: Human Kinetics 
Publishers. 1993.
EDWARDS, H. The revolt of black athlete. Basingstoke Hampshire, England: 
MacMillan Publishing. 1970.
FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE VOLLEYBALL. (FIVB). World 
League. Disponível em: <http://www.fivb.org/EN/Volleyball/Competitions/
WorldLeague/2009/PhotoGallery.asp?Tourn=WL2009&No=95>. Acesso em: 22 
jun. 2012.
FÓRUM ECONOMICO MUNDIAL. The role of sport. Disponível em: <https://
members.weforum.org/pdf/GAC/issue_descriptions/RoleofSportsinSociety.pdf>. 
Acesso em: 30 abr. 2012.
FREEMAN, W. Physical education and sport in a changing society. New York: 
Macmillan Publishing Company. 1992.
GRANT, M. Gladiators. New York: Barnes and Nobles Books. 1967.
GUTTMANN, A. From ritual to record: The nature of modern sports. New 
York: Columbia University Press. 1978.
_____. Sport and work. New York: Columbia University Press. 1981.
http://corkrunning.blogspot.com.br/2012/01/very-first-olympic-marathon.html
http://corkrunning.blogspot.com.br/2012/01/very-first-olympic-marathon.html
http://www.fivb.org/EN/Volleyball/Competitions/WorldLeague/2009/PhotoGallery.asp?Tourn=WL2009&No=95
http://www.fivb.org/EN/Volleyball/Competitions/WorldLeague/2009/PhotoGallery.asp?Tourn=WL2009&No=95
https://members.weforum.org/pdf/GAC/issue_descriptions/RoleofSportsinSociety.pdf
https://members.weforum.org/pdf/GAC/issue_descriptions/RoleofSportsinSociety.pdf
46
 Gestão Esportiva
INTERNATIONAL OLYMPIC COMMITTEE (IOC). The Olympic spirit. Disponível 
em: <www.olympics.org>. Acesso em: 15 abr. 2012.
IRON SHADOWS. Sports Designs for CNC. Disponível em: <http://www.
ironshadows.com/sports1.htm>. Acesso em: 12 jun. 2012.
JEUDY, Henri-Pierre- A sociedade transbordante. Lisboa: Edições Século XXI, 
1995.
KARINS WHIMSY. Ancient Olympics. Disponível em: <http://karenswhimsy.com/
ancient-olympics.shtm>. Acesso em: 12 mai. 2012.
KEW, F. Sport. Social problems and issues. Oxford: Butterworth-Heinemann. 
1997.
KYLE, D. G. E. Norman Gardiner and the decline of sport Greek. In KYLE, D. G.; 
STARK G. D. (Eds.), Essays on sport history and sport mythology. College 
Station, TX: Texas A&M University Press. 1990.
LAKOFF, J.; JOHNSON, M. The metaphors we live by. Chicago: The University 
of Chicago Press. 1980.
LEONARD, D. What happened to the revolt black athlete?. ColorLines. Vol. 1, 
No. 1. Summer 1998. Disponível em: <http://www.arc.org/C_Lines/CLArchive/
story1_1_01.html>. Acesso em: 25 abr. 2012.
 
MANDELL, R. Sport a cultural history. New York: Columbia University Press. 
1984.
McPHERSON, B. D.; CURTIS, J. E.; LOY, J. W. The social significance of 
sport: An introduction to the sociology of sport. Champaign,IL: Human Kinetics. 
1989.
MURPHSPLACE. The Gladiators. Disponível em: <http://www.murphsplace.com/
gladiator/glads.html>. Acesso em: 13 abr. 2012.
MY HERO. Jesse Owens. Disponível em: <http://www.myhero.com/go/hero.
asp?hero=J_owens_olympus_jhs_US_09>. Acesso em: 11 jun. 2012.
OLYMPIC FANATIC. Ancient Olympics. Disponível em: <http://olympicfanatic.
files.wordpress.com/2012/06/ancientgames.jpeg>. Acesso em: 19 mai. 2012. 
http://www.olympics.org
http://www.ironshadows.com/sports1.htm
http://www.ironshadows.com/sports1.htm
http://karenswhimsy.com/ancient-olympics.shtm
http://karenswhimsy.com/ancient-olympics.shtm
http://www.murphsplace.com/gladiator/glads.html
http://www.murphsplace.com/gladiator/glads.html
http://www.myhero.com/go/hero.asp?hero=J_owens_olympus_jhs_US_09
http://www.myhero.com/go/hero.asp?hero=J_owens_olympus_jhs_US_09
http://olympicfanatic.files.wordpress.com/2012/06/ancientgames.jpeg
http://olympicfanatic.files.wordpress.com/2012/06/ancientgames.jpeg
47
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. (ONU). Esporte para o 
Desenvolvimento e a Paz: Em Direção à Realização das Metas de 
Desenvolvimento do Milênio. 2003. Disponível em: <http://www.pitangui.
uepg.br/nep/documentos/ESPORTE%20E%20PAZ.pdf>. Acesso em: 11 jun. 
2012.
_____. Sport for development and peace. Disponível em: <http://www.un.org/
wcm/content/site/sport/home/sport>. Acesso em: 30 abr. 2012.
PADUAN, Roberta. Indústria do esporte: é bolha ou não é?. Revista Exame. 
Disponível em: <http://exame.abril.com.br/blogs/blog-do-rio/2012/04/16/industria-
do-esporte-e-bolha-ou-nao-e/>. Acesso em: 28 abr. 2012.
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA. (PUC). Marketing esportivo. 
Disponivel em: <wwwusers.rdc.puc-rio.br/marketing_esportivo/aula07.pps>. 
Acesso em: 01 mai. 2012.
PORTAL DO PROFESSOR. O esporte na Idade Média: torneios, justas e 
outras competições cavaleirescas. Disponível em: <http://portaldoprofessor.
mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=37972>. Acesso em: 10 jun. 2012.
RIESS, S. A. Professional sports as an avenue of social mobility in America: 
Some myths and realities. In KYLE, D. G.; STARK, G. D. (Eds.), Essays on sport 
history and sport mythology. College Station, TX: Texas A&M University Press. 
1990.
SIMON, R. Sport and social values. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall. 1985.
SLEAP, M. Social issues in sport. New York: St. Martin’s Press, INC. 1998.
SNYDER, E.; SPREITZER, E. Social aspects of sport. Englewood Cliffs, NJ: 
Prentice-Hall, INC. 1978.
SPEARS, B.; SWANSON, R. A. History of sport and physical education in the 
United States. Dubuque, IO: Championship Books. 1988.
SPORTS INDUSTRIES FEDERATION. The Economic Importance of Sports 
in the UK, Sports Data Online. (2001). Disponível em: <http://www.sportsdata.
co.uk>. Acesso em: 30 abr. 2012.
SWISS INFO. Empresas compram ingressos no mercado paralelo. Disponível 
http://www.pitangui.uepg.br/nep/documentos/ESPORTE E PAZ.pdf
http://www.pitangui.uepg.br/nep/documentos/ESPORTE E PAZ.pdf
http://www.un.org/wcm/content/site/sport/home/sport
http://www.un.org/wcm/content/site/sport/home/sport
http://exame.abril.com.br/blogs/blog-do-rio/2012/04/16/industria-do-esporte-e-bolha-ou-nao-e/
http://exame.abril.com.br/blogs/blog-do-rio/2012/04/16/industria-do-esporte-e-bolha-ou-nao-e/
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=37972
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=37972
http://www.sportsdata.co.uk
http://www.sportsdata.co.uk
48
 Gestão Esportiva
em: <http://www.swissinfo.ch/por/Capa/Archive/Empresas_compram_ingressos_
no_mercado_paralelo.html?cid=6654068>. Acesso em: 11 jun. 2012.
TALAMINI, J. T., & PAGE, C. H. Sport and society. An anthology. Boston: Little, 
Brown and Company. 1973.
THE FORTUNE. The Jordan Effect The world’s greatest basketball 
player is also one of its great brands. What is his impact on the 
economy? Disponível em: <http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_
archive/1998/06/22/244166/index.htm>. Acesso em: 21 jun. 2012.
TUBINO, Manoel José Gomes. Teoria geral do esporte. São Paulo, IBRASA, 
1987. 
_____. Dimensões sociais do esporte. São Paulo: Cortez Editora. 2001.
VEJA. O Barão dos Esportes. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/historia/
olimpiada-1896/entrevista-barao-pierre-de-coubertin.shtml>. Acesso em: 12 jun. 
2012.
VIA RADICAL. Malcom X e Black Power. Disponível em: <http://grupo68.
webnode.com/via-radical-malcom-x-e-black-power/>. Acesso em: 11 jun. 2012.
WHITE, A.; ROWE, D. Sport for all – the United Kingdom experience.
Unpublished report, Sport England. 2000.
WIKIPEDIA. Olympic Boycotts. Disponível em: <http://en.wikipedia.org/wiki/
File:Olympic_boycotts_1976_1980_1984.PNG>. Acesso em: 11 jun. 2012.
ZAHARIADIS, P. N., & BIDDLE, S. J. (). Goal orientation and participation motives 
in physical education and sport: Their relationships in English schoolchildren. 
Athletic Insight. The Online Journal of Sport Psychology. 2000. Disponível em: 
<://www.athleticinsight.com/Vol2Iss!/English_Children.htm>. Acesso em: 13 abr. 
2012.
http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_archive/1998/06/22/244166/index.htm
http://money.cnn.com/magazines/fortune/fortune_archive/1998/06/22/244166/index.htm
http://veja.abril.com.br/historia/olimpiada-1896/entrevista-barao-pierre-de-coubertin.shtml
http://veja.abril.com.br/historia/olimpiada-1896/entrevista-barao-pierre-de-coubertin.shtml
http://grupo68.webnode.com/via-radical-malcom-x-e-black-power/
http://grupo68.webnode.com/via-radical-malcom-x-e-black-power/
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Olympic_boycotts_1976_1980_1984.PNG
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Olympic_boycotts_1976_1980_1984.PNG
49
O Esporte e sua Importância na Sociedade 
Contemporânea
 Capítulo 1 
CAPÍTULO 2
A Gestão no Esporte no 
Brasil e no Mundo: História, 
Conceitos, Características e 
Funções
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
3 Compreender o processo histórico da Gestão Esportiva no Brasil e no Mundo, 
permitindo uma reflexão sobre a sua situação anterior e sua influência na 
situação atual.
3 Conhecer e debater os importantes conceitos da gestão, características e 
funções do Gestor Esportivo no Brasil atual.
50
 Gestão Esportiva
51
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Contextualização
O setor de esportes e atividade física movimenta hoje cifras 
altíssimas, que muitas vezes superam as de alguns segmentos da 
economia brasileira. De maneira mundial, as atividades ligadas ao 
esporte movimentam no mundo cerca de US$ 250 bilhões por ano. 
Nos Estados Unidos, o setor supera em termos de PIB os setores 
de automóveis e de corretagem de títulos (POZZI, 1998). Neste 
capítulo iremos discutir a indústria do esporte e suas características. 
Discutiremos o seu potencial a ser ainda melhor explorado com 
novas possibilidades e uma perspectiva futura. Apesar disso, 
devemos perceber que a gestão para o esporte não deve estar 
voltada primeiramente ao sentimento de lucro e ganhos econômicos 
e sim entendermos que a maior riqueza está nas pessoas, que são a 
essência para o crescimento de qualquer instituição.
Para abrangermos as características do trabalho do gestor 
esportivo, Iremos discutir ainda importantes aspectos da administração formal e 
que são a base de qualquer tipo de gestão. Vamos detalhar os termos utilizados 
nessa área administrativa, e definir as funções de gestores para qualquer ramo 
de administração e não apenas para o esporte. Essas definições vêm das teorias 
gerais da administração e se tornam relevantes quando relacionadas à gestão 
de pessoas, de marketing, organização do trabalho, processos e habilidades 
administrativas inerentes às funções de quem ocupa ou ocupará este cargo.
Nesta parte do caderno veremos que existem inúmerasoportunidades 
de atuação para o gestor no esporte, muito embora nem as oportunidades de 
trabalho, nem os perfis profissionais estejam bem definidos. Para tanto, é 
necessário entendermos que essa função exige uma especialização adequada 
para que o gestor possa atuar de forma ideal junto às necessidades inerentes 
de suas funções, bem como atender as necessidades do sistema social atual. 
No entanto, para que isso seja possível, é necessário esclarecer, por um lado, 
aquilo que se entende por gestão do desporto e, por outro, o perfil de formação 
necessário ao exercício das funções. É o que iremos fazer de agora em diante 
neste capítulo. 
A Gestão Esportiva
O Atlas do Esporte no Brasil define administração esportiva ou gestão 
do esporte como tudo o que diz respeito à organização e direção racional 
Devemos perce-
ber que a gestão 
para o esporte não 
deve estar voltada 
primeiramente 
ao sentimento de 
lucro e ganhos 
econômicos e sim 
entendermos que 
a maior riqueza 
está nas pessoas, 
que são a essên-
cia para o cresci-
mento de qualquer 
instituição.
52
 Gestão Esportiva
e sistemática de atividades esportivas e físicas em geral e/ou de 
entidades e grupos que fazem acontecer essas atividades, sejam 
elas orientadas para competições de alto nível ou para a participação 
popular ocasional ou regular, e práticas de lazer e de saúde. Fica claro 
que se trata da organização do esporte em suas diversas dimensões 
(DA COSTA, 2006).
As definições da gestão do esporte variam de acordo com os 
países; assim, por exemplo, a North American Society for Sport 
Management (Sociedade Norte-Americana para Gerência do Esporte 
- NASSM) define a gestão esportiva como um corpo de conhecimentos 
interdisciplinares que se relaciona com a direção, liderança e 
organização do esporte, incluindo dimensões comportamentais, ética, 
marketing, comunicação, finanças, economia, negócios em contextos 
sociais, legislação e preparação profissional (DA COSTA, 2006).
No meio da movimentação de recursos financeiros, humanos 
e físicos que ocorre no negócio esportivo há a necessidade de 
profissionais que devem assumir o importante papel na administração do 
clube, academia, eventos, etc., que utilizarão métodos e técnicas para a boa 
administração dos recursos movimentados em suas organizações, visando 
sempre aos melhores resultados financeiros, sociais e esportivos. Esse 
profissional será o gestor, ou um dos gestores do empreendimento e, 
na visão empresarial, o objetivo do gestor é a direção da empresa a 
que pertence, sendo também credor do trabalho e, de modo específico, 
tem como interesse os lucros econômicos e simbólicos para a sua 
organização (AZEVEDO, 1999).
A gestão no esporte está representada não apenas pela 
organização de eventos, mas sim por todos os aspectos do esporte 
como negócio. Alguns exemplos de gestores desportivos que 
podemos utilizar são os agentes de atletas, consultores e assessores, 
gestores de carreira e de equipes esportivas, gestores do esporte 
público em prefeituras, governos estaduais e nacional, gestores 
desportivos universitários, gestores de esporte de lazer, marketing 
esportivo, gestão de eventos, gestão de instalações, da economia 
do esporte, finanças e informação desportiva. Dentro disso, o 
gestor atua nas áreas públicas como em secretarias de esporte ou 
fundações de esportes públicas (FME, FMD, etc.), ligas, federações 
e confederações, e na área privada como empresas de eventos, 
associações, clubes, instituições de ensino, empresas, academias, 
hotéis e centros de lazer e esporte, entidades representativas de 
classe (SESC, SENAI, SESI, sindicatos, etc.), além de apoio à 
educação física escolar.
Define a gestão 
esportiva como 
um corpo de co-
nhecimentos inter-
disciplinares que 
se relaciona com a 
direção, liderança 
e organização do 
esporte, incluin-
do dimensões 
comportamentais, 
ética, marketing, 
comunicação, 
finanças, eco-
nomia, negócios 
em contextos 
sociais, legislação 
e preparação 
profissional.
O gestor atua nas 
áreas públicas 
como em secre-
tarias de esporte 
ou fundações de 
esportes públicas 
(FME, FMD, etc.), 
ligas, federações 
e confederações, 
e na área privada 
como empresas 
de eventos, asso-
ciações, clubes, 
instituições de 
ensino, empresas, 
academias, hotéis 
e centros de lazer 
e esporte, enti-
dades represen-
tativas de classe 
(SESC, SENAI, 
SESI, sindicatos, 
etc.), além de 
apoio à educação 
física escolar.
53
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
A profissão de gestor para o esporte está crescendo em 
notoriedade de forma lenta, ainda que com a previsão do número de 
futuros gestores não seja capaz de preencher as vagas necessárias 
devido à explosão da demanda por essa função. O esporte é 
uma atividade humana que sofre constantes mutações e, como 
consequência, atrai um número cada vez maior de interessados, seja 
para participar, patrocinar ou assistir, neste mundo surpreendente do 
esporte.
Como qualquer profissão, o gestor esportivo deve dominar várias 
competências. Rezende (2000) sugere que o profissional que atua em 
organização e administração no esporte deve dominar, de maneira 
geral, os assuntos administração e marketing, e, especificamente, 
temas de contabilidade, promoção de eventos, legislação esportiva 
e trabalhista, relações públicas, medicina do esporte, psicologia do 
esporte, turismo e lazer. 
A importância do esporte é muito grande, social e economicamente, 
no mundo atual. Masteralexis, Barr e Hums (2009) descrevem 
que o esporte é apenas um jogo para ser um grande negócio e é 
negócio muito grande para ser apenas um jogo. A indústria esportiva 
movimenta bilhões de dólares em todo o mundo e envolve muito mais 
que eventos ou atletas. É um “mercado no qual os produtos oferecidos 
aos compradores relacionam-se a esporte, fitness, recreação/lazer e 
podem incluir atividades, bens, serviços, pessoas, lugares ou ideias” 
(PITTS; STOTLAR, 2002). Contudo, o esporte movimenta muito mais 
do que apenas negócios, pois mexe com emoções humanas e isso, 
apesar de ser explorado, não é mensurável. O esporte é acompanhado 
pela população, é explorado pela mídia, mas precisa de pessoas 
preparadas e capazes de gerenciar essa paixão.
Chelladurai (1994) define que gestão do esporte é a coordenação 
das atividades de produção e marketing de serviços esportivos. Rocha 
e Bastos (2011) redirecionam esse conceito quando determinam 
que os serviços esportivos coordenados pela gestão do esporte são 
considerados atividades primárias das organizações esportivas e envolvem a 
produção e o marketing tanto do esporte para participantes como do esporte para 
espectadores. A figura 18 ilustra esse conceito de gestão do esporte. 
O profissional que 
atua em organi-
zação e adminis-
tração no esporte 
deve dominar, de 
maneira geral, os 
assuntos adminis-
tração e marke-
ting, e, especifi-
camente, temas 
de contabilidade, 
promoção de 
eventos, legis-
lação esportiva 
e trabalhista, 
relações públi-
cas, medicina do 
esporte, psicologia 
do esporte, turis-
mo e lazer.
O esporte movi-
menta muito mais 
do que apenas 
negócios, pois 
mexe com emo-
ções humanas e 
isso, apesar de 
ser explorado, 
não é mensurá-
vel. O esporte é 
acompanhado 
pela população, 
é explorado pela 
mídia, mas precisa 
de pessoas prepa-
radas e capazes 
de gerenciar essa 
paixão.
54
 Gestão Esportiva
Figura 18 - Gestão do esporte como coordenação das atividades 
de produção e “marketing” de serviços esportivos
Fonte: Adaptado de CHELLADURAI, 2009, apud ROCHA e BASTOS, 2011.
 
O campo de atuação para a gestão esportiva se percebe na 
indústria do esporte e vai além da organização de eventos, ou do 
gerenciamento da carreira de atletas. Está muito presente também 
nos altos contratos de patrocínio e da transmissão desses eventos 
em nível mundial. Porém a indústria do esporte envolve muito mais doque o consumo de produtos franqueados ou atividades. Ela envolve 
uma legião de fãs, uma nação inteira ou ainda bilhões de pessoas 
em todo o mundo. Muitos de nós somos envolvidos pelo esporte de 
uma forma direta ou indireta, seja como praticante, como espectador, 
como torcedor, ou como consumidor. De maneira simples, mas não simplista, a 
importância e abrangência da gestão e da indústria do esporte pode ser assim 
categorizada:
• Mídia – Transmissão e cobertura dos eventos, sendo as Olimpíadas e a Copa 
do Mundo os dois maiores eventos, em termos de telespectadores, da história 
da humanidade.
• Eventos – Organização e execução de eventos de pequeno, médio e grande 
porte (massa, segmento e nicho). Estruturalmente os eventos podem ser 
realizados em locais fechados (indoor) ou abertos (outdoor). Agrega e envolve 
pessoas e gera empregos, melhorias sociais e de infraestrutura nos locais e 
cidades de competição. 
• Patrocínio e Licenciamento – Uso do esporte como ferramenta de 
marketing aliada a uma atividade que movimenta sentimentos como orgulho e 
Muitos de nós 
somos envolvidos 
pelo esporte de 
uma forma direta 
ou indireta, seja 
como praticante, 
como espectador, 
como torcedor, ou 
como consumidor.
55
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
patriotismo, desenvolvimento da cidadania e os bons costumes, ainda como 
uma atividade simpática e saudável para a maioria das pessoas. A paixão pelo 
clube ou pelo esporte vende milhões de camisas que fazem com que muitas 
pessoas se sintam representadas por aquele símbolo estético.
• Equipamentos e Instalações – Desenvolvimento de novas tecnologias 
aplicadas aos esportes. Essas tecnologias têm grande aceitação pelo público 
em geral, mesmo que não atleta, que associa a marca ou o material a algo 
vencedor e de alta qualidade.
Junto à gestão esportiva, outras atividades são agregadas. Para Rocha e 
Bastos (2011), essas atividades organizacionais utilizam o esporte como via 
de promoção de seus produtos e são chamadas de atividades satélites. Essas 
atividades satélites estão configuradas na figura 19 apresentada na sequência.
Figura 19 - Organizações satélites às organizações esportivas
 
Fonte: Adaptado de CHELLADURAI, 2009, apud ROCHA e BASTOS, 2011.
Para Rocha e Barros (2011), quando se define gestão no esporte, 
percebem-se outras subáreas dentro da própria gestão. Essas 
subáreas estão descritas no quadro abaixo com a inclusão das linhas 
de interesse para cada subárea.
Para melhor conhecimento do assunto, leia a Revista Gestão 
do Esporte, publicada bimestralmente. Disponível em: www.gestao 
noesporte.com.br.
Quando se define 
gestão no esporte, 
percebem-se 
outras subáreas 
dentro da própria 
gestão.
http://www.gestaonoesporte.com.br
http://www.gestaonoesporte.com.br
56
 Gestão Esportiva
Quadro 2 – Subáreas Da Gestão Esportiva E Áreas De Interesse Comuns
Subárea da Gestão Esportiva Linha de Interesse
Gestão e liderança no esporte
Gestão de RH em organizações esportivas
Gestão de eventos esportivos
Gestão de arenas esportivas
Liderança e efetividade em equipes esportivas
Efetividade organizacional
Responsabilidade social
Vantagem competitiva
“Marketing” esportivo
Comportamentos do consumidor do esporte
Estratégias de “marketing” para equipes esportivas
Patrocínios e endossos
Licenciamento
Naming rights
Ambush marketing
Aspectos legais do esporte
Contratos em organizações esportivas
Riscos de processos em atividades esportivas
Representação legal de atletas
Discriminação
Ética na gestão do esporte
Doping
Fair play
Abuso de poder em equipes esportivas
Corrupção em entidades de administração
Modificação genética de atletas
Finanças do esporte
Estimativas acerca da indústria do esporte
Retorno sobre investimento em equipes/eventos
Custos/receitas de construção de arenas
Custos/receitas de eventos
Custos/receitas para manter equipes esportivas
Comunicação e esporte
Mídia esportiva
Acordo de transmissão de eventos esportivos
Retorno de imagem
Redes sociais e promoção do esporte
Publicidade e propaganda de produtos esportivos
Aspectos socioculturais
Impacto de megaeventos esportivos
Turismo esportivo
Diversidade e gestão do esporte
Esporte fantasia
Fonte: Rocha e Bastos, 2011, adaptado pelo autor.
57
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Como está descrito no quadro acima, as áreas de interesse e de atuação 
são enormes e oferecem grandes possibilidades de atuação, porém exigem 
conhecimento aprofundado aos gestores nas áreas de finanças, marketing e 
propaganda, liderança e gerenciamento, cultura geral e, é claro, esporte. 
Atividade de Estudos: 
1) Observando o quadro acima, descreva o gestor esportivo que 
possua 10 características essenciais.
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
 ____________________________________________________
A História da Gestão Esportiva 
Segundo Zouain e Pimenta (2003), a gestão esportiva existe 
desde a Grécia antiga, quando Herodes, Rei da Judeia, foi presidente 
honorário dos jogos que eram organizados para receberem multidões 
que assistiam às competições entre os atletas, precedidas por um 
cerimonial surpreendente que abria as competições e proporcionava 
o entretenimento para milhares de pessoas. Essencialmente, porém, a 
gestão no esporte surgiu com o renascimento do esporte nos séculos 
XVIII e XIX.
Na prática, a administração esportiva é uma atividade de apoio ao 
esporte e à Educação Física desde o século XIX na Europa, voltada 
essencialmente à operação de clubes (DA COSTA, 2006). O berço da 
administração esportiva é a Inglaterra, onde surgiram os clubes e o 
esporte organizado em ligas e campeonatos, em algumas modalidades 
como o futebol, atletismo, esportes de rebatida como o hóquei, o tênis 
e o cricket (CROSSET; HUMS, 1998). Essa condição foi difundida 
em outros países e colônias Inglesas. Ainda na Inglaterra, foi através 
das corridas de cavalo que a organização de eventos e esporte 
Essencialmente, 
porém, a gestão 
no esporte surgiu 
com o renasci-
mento do esporte 
nos séculos XVIII 
e XIX.
O berço da admi-
nistração esportiva 
é a Inglaterra, 
onde surgiram os 
clubes e o esporte 
organizado em 
ligas e campeona-
tos, em algumas 
modalidades 
como o futebol, 
atletismo, esportes 
de rebatida como 
o hóquei, o tênis e 
o cricket.
58
 Gestão Esportiva
se desenvolveu em sua essência, pois exigia grande senso de administração 
e logística. As corridas eram muito apreciadas pelo povo e pela aristocracia 
da época, que faziam apostas em dinheiro, fato que estimulou e fez crescer o 
interesse pelas corridas e a organização dos Jockey Clubes (CROSSET; HUMS, 
1998).
Nos EUA, a organização do esporte foi iniciada especialmente nos 
moldes ingleses, com as corridas de cavalos e a criação de clubes. Contudo, 
a cultura esportiva norte-americana teve um desenvolvimento diferenciado 
do Europeu. O esporte organizado surgiu e se desenvolveu com a criação de 
Ligas como a de basquetebol, hóquei e beisebol. O beisebol seguiu a estrutura 
dos clubes no início das ligas nacionais. Equipes eram montadas para a Liga 
e desmontadas ao final. Algumas equipes representavam cidades e regiões, 
o que contribuiu para a difusão do esporte, pois as pessoas tinham orgulho 
de serem representadas pelas equipes de suas regiões. Assim a imprensa e 
pessoas entusiasmadas auxiliaram na divulgação, financiamento e promoção 
do beisebol. 
Outro fator importante da história esportiva dos EUA foi a conexão 
do esporte com a educação em escolas e universidades. Jovens 
talentos tinham e têma oportunidade de estudarem e se graduarem 
com bolsas de estudos nas universidades, como estudantes-atletas. 
O esporte escolar acontece de forma organizada em vários níveis 
na High School. A Liga universitária é controlada e gerenciada 
pela NCAA (National Collegiate Athletic Association), cujo princípio 
essencial é a educação acima do esporte: o estudante deve cumprir 
seus compromissos acadêmicos para então poder competir. As 
universidades tentam atrair os melhores talentos para representarem 
seu nome em competições organizadas pela NCAA em várias divisões 
e conferências. Essa atração, contudo, não pode envolver benefícios 
financeiros ou de outra ordem, limitando-se apenas à bolsa acadêmica.
A estruturação dos clubes europeus foi fundamental na concepção 
dos Jogos Olímpicos da era moderna, sendo que bem antes da 
primeira Olimpíada em 1896, em Atenas, já aconteciam festivais, 
como pequenas Olimpíadas, com várias modalidades, na Inglaterra. 
Mais importante era o fato de que a Olimpíada recriava o contexto 
Grego do esporte como forma de integração dos homens de todo o 
mundo, dentro dos princípios de lealdade e do amadorismo. Esse fator 
contribuiu enormemente para o surgimento do esporte organizado em 
vários países, sendo que a organização das competições era, e ainda 
é, baseada na organização sistemática dos clubes esportivos para 
então tornar-se local, regional, nacional e internacional.
Fator importan-
te da história 
esportiva dos EUA 
foi a conexão 
do esporte com 
a educação em 
escolas e univer-
sidades. Jovens 
talentos tinham e 
têm a oportunida-
de de estudarem e 
se graduarem com 
bolsas de estudos 
nas universidades, 
como estudantes-
-atletas.
A organização das 
competições era, 
e ainda é, basea-
da na organização 
sistemática dos 
clubes esporti-
vos para então 
tornar-se local, 
regional, nacional 
e internacional.
59
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
No Brasil, a administração do esporte ou de entidades esportivas teve suas 
primeiras abordagens no início do século XX, em âmbito da Associação Cristã de 
Moços (ACM) e depois, mais amplamente, no final da década de 1920 e durante 
a década de 1930, nos meios militares – sobretudo na Escola de Educação Física 
do Exército, formadora de instrutores e monitores militares e civis – que neste 
período, além da divulgação da preparação física e da ginástica calestênica, 
ligaram o tema em exame à organização de competições e à gestão de instalações 
esportivas (DA COSTA, 2006). 
 
Já na Europa e nos EUA, ao longo do século XX, na medida em 
que o esporte se ampliava e se criavam instituições esportivas mais 
sofisticadas, o sentido de liderança e de condução administrativa 
típico dos pioneiros do esporte e da Educação Física deu lugar 
a funções de gestão usadas de forma universal, tais como 
planejamento, direção, controle etc. No Brasil, essa especificidade 
da administração no esporte teve suas primeiras aparições na 
década de 1940 (DA COSTA, 2006). Atualmente a gestão para o 
esporte no Brasil está crescendo a cada ano, essencialmente em relação ao 
marketing esportivo.
No que diz respeito ao surgimento de organizações relacionadas 
com a problemática da Gestão do Desporto, na América do Norte, 
a North América Society for Sport Management (Sociedade Norte-
Americana para a Gestão do Esporte) foi fundada em 1985/86 por 
estudiosos e acadêmicos. Na Europa, a European Association for 
Sport Management (Associação Europeia de Gestão Esportiva) existe 
desde 1993. Ambas as Associações realizam os seus congressos 
anuais e produzem uma revista sobre o tópico, semestralmente. 
Embora a associação americana seja formada por pessoas, a europeia 
é composta por pessoas e também por organizações nacionais. Na 
Austrália, Nova Zelândia, Japão e outros países da região, existe uma 
situação semelhante. Todas essas associações nacionais formam uma 
aliança mundial, a International Aliance for Sport Management (Aliança 
Internacional para a Gestão Esportiva), de características informais, que se reúne 
em congresso mundial de quatro em quatro anos. A intenção da criação dessas 
associações é a de promover o estudo da gestão e a aplicação das boas práticas 
para o desenvolvimento do próprio esporte como fonte de emprego, de renda e de 
desenvolvimento social.
Luna (2007) faz um apanhado geral da história do esporte, suas virtudes e 
problemas, quando diz:
Atualmente a ges-
tão para o esporte 
no Brasil está 
crescendo a cada 
ano, essencial-
mente em relação 
ao marketing 
esportivo.
A intenção da 
criação dessas 
associações é a 
de promover o 
estudo da gestão 
e a aplicação das 
boas práticas para 
o desenvolvimento 
do próprio esporte 
como fonte de em-
prego, de renda e 
de desenvolvimen-
to social.
60
 Gestão Esportiva
Na segunda metade do século XX, notadamente entre1950 
e 1990, o esporte é sacudido por uma nova realidade. 
A concepção do “Ideário Olímpico” e sua máxima de “o 
importante é competir” saem de cena. A Guerra Fria estimula 
o uso ideológico do esporte, colocando em segundo plano o 
fair play. A simples prática esportiva deixa de ser relevante, 
pois o que importa é o rendimento, o resultado. Inicia-se um 
rápido processo de profissionalização dos atletas, alçados à 
condição de estrelas da mídia e heróis nacionais. A corrida 
em busca de recordes e títulos faz com que organismos 
internacionais lancem manifestos denunciando a exacerbação 
da competição e alertando os governos para as novas 
responsabilidades do Estado no que se refere às atividades 
físicas. Os textos destacam a necessidade de garantir à 
população em geral - e não apenas aos atletas - condições 
que levem à democratização do esporte. A última década 
do século passado revela a aceleração das mudanças na 
prática esportiva. Consolida-se a ideia de esporte como direito 
de todos. Grupos até então pouco atendidos na questão da 
atividade física ganham mais atenção. Dois exemplos de 
tal transformação são a terceira idade e a pessoa portadora 
de deficiência. Amplia-se o próprio conceito de esporte, 
desmembrado em esporte-participação (lazer) e esporte 
de rendimento (competição). O papel do Estado também se 
altera. Ele deixa de apenas tutelar as atividades esportivas. 
Passa a investir em recursos humanos e científicos. Além 
disso, no campo do alto rendimento, dá atenção especial às 
questões éticas, como o combate ao doping.
 
Continuando na mesma percepção, o autor determina que:
No caso do esporte de alto rendimento, percebe-se o 
avanço da lógica mercantilista. Provas, partidas e torneios 
são espetáculos; atletas, produtos em exibição. Equipes de 
futebol, atletismo, vôlei ou basquete funcionam como uma 
espécie de grande companhia artística, com astros (atletas) 
milionários e shows (partidas ou provas) que mobilizam a 
mídia e o público. Estimuladas pela cobertura das TVs, novas 
modalidades ganham importância. Os chamados esportes 
radicais (surfe, skate, kitesurfe, bicicross, motocross, entre 
outros) proporcionam imagens de impacto e conquistam 
novos fãs a cada dia. Além disso, multiplicam-se os “esportes-
filhotes”, derivações de modalidades amplamente difundidas. 
Vôlei de praia, futsal e beach soccer são alguns exemplos do 
fenômeno. (LUNA, 2007).
É importante citar que a organização para o esporte veio com a 
necessidade da criação e respeito das regras e da honestidade que 
o esporte exige. O esporte então deveria seguir uma estrutura que 
representasse essa honestidade e justiça a todos que estivessem 
participando de uma competição com lealdade e entendimento das 
regras, as quais foram criadas em prol de todos e não em benefício 
de alguns. Essa situação democrática talvez seja a grande essência 
do esporte e talvez por isso este seja tão importante e valorizado em 
É importante citar 
que a organização 
para o espor-
te veio com a 
necessidade da 
criação e respeito 
das regras e da 
honestidadeque 
o esporte exige. 
O esporte então 
deveria seguir 
uma estrutura que 
representasse 
essa honestidade 
e justiça a todos 
que estivessem 
participando de 
uma competição 
com lealdade e 
entendimento das 
regras.
É função da orga-
nização esportiva 
incluir o esporte 
como atrativo a 
todos os públicos, 
não apenas como 
participantes ati-
vos, mas também 
como envolvidos 
na própria execu-
ção dos eventos.
61
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
nosso mundo contemporâneo. Alguns exemplos dessa democracia aplicada ao 
esporte que podemos citar é a inclusão da mulher nas Olimpíadas, a aceitação do 
negro em clubes de futebol carioca no início do século XX e a inclusão de pessoas 
com necessidades especiais no esporte. Nesse sentido, é função da organização 
esportiva incluir o esporte como atrativo a todos os públicos, não 
apenas como participantes ativos, mas também como envolvidos na 
própria execução dos eventos.
A administração esportiva surgiu para atender as necessidades 
particulares dos participantes do esporte, dos espectadores e 
patrocinadores em determinado ponto da história. Basicamente, o 
gestor esportivo está focado em três possibilidades: 1) a gestão de 
instituições esportivas, como clubes, universidades e associações; 2) 
a organização de campeonatos e torneios; e 3) organização de gestão 
do esporte, em confederações, federações, fundações e secretarias. A 
evolução dessas três possibilidades, o surgimento de novos esportes 
e eventos e o aumento do interesse do público e da imprensa exigem 
a evolução e criatividade do gestor e a necessidade da formação de 
novos profissionais para essa área. Essas três possibilidades serão 
mais bem descritas no capítulo 3 deste caderno.
A Formação do Gestor
A formação de administradores esportivos tem sido foco de 
estudos e pesquisas nas últimas décadas no Brasil, fruto da exigência 
dos mercados de atuação e das demandas sociais. 
O profissional capacitado na área tem se convertido em 
uma necessidade em toda organização que queira administrar, 
gerar e ofertar corretamente seus recursos (BARHUM, 2001). 
Profissionalmente, contudo, a Administração Esportiva acontece 
de forma tímida no Brasil. Os administradores geralmente são ex-
professores ou técnicos que não têm obrigatoriamente a qualificação 
necessária para sua função ou administradores sem um conhecimento 
mais aprofundado sobre a área de Educação Física (SOUCI, 2002). 
Existem pessoas do esporte que são grandes conhecedores da parte 
técnica ou física de uma modalidade esportiva, mas apenas dentro de 
quadra ou campo e não no contexto externo que a profissão de gestor 
exige; outros são bons administradores, mas não têm a vivência e 
conhecimentos das particularidades inerentes ao mundo particular do 
esporte. 
 
Basicamente, o 
gestor esportivo 
está focado em 
três possibilida-
des: 1) a gestão 
de instituições es-
portivas, como clu-
bes, universidades 
e associações; 
2) a organização 
de campeonatos 
e torneios; e 3) 
organização de 
gestão do esporte, 
em confedera-
ções, federações, 
fundações e 
secretarias.
Existem pessoas 
do esporte que 
são grandes 
conhecedores 
da parte técni-
ca ou física de 
uma modalidade 
esportiva, mas 
apenas dentro de 
quadra ou campo 
e não no contexto 
externo que a pro-
fissão de gestor 
exige; outros são 
bons administra-
dores, mas não 
têm a vivência e 
conhecimentos 
das particularida-
des inerentes ao 
mundo particular 
do esporte. 
62
 Gestão Esportiva
As faculdades de educação física e de esporte normalmente têm uma 
disciplina voltada à gestão no esporte. As áreas de atuação do bacharel em 
educação física ou esporte são: supervisão e gerenciamento de equipes 
esportivas, gerenciamento de entidades de administração do esporte (clubes, ligas, 
federações e confederações), diferentes níveis de organização governamental 
(federal, estadual e municipal), organização e promoção de eventos esportivos 
em diferentes níveis, consultoria e/ou assessoria relativa à área (BÖHME, 1998), 
contudo apenas na pós-graduação existem cursos específicos para a formação 
de gestores no esporte. Assim, é comum bacharéis em educação fisica ou esporte 
atuarem como gestores, sendo comum também a atuação de gestores formados 
nas diversas áreas da administração. 
Para a completa formação do gestor, novas tendências estão 
sendo implantadas nos currículos dos cursos. Leal (2009) afirma que 
atualmente tanto a grade acadêmica da faculdade como a de pós-
graduação para a formação dos gestores esportivos têm deixado de 
lado questões da educação física para a entrada do conhecimento de 
administração, contabilidade e recursos humanos.
 
Segundo Pires e Lopes (2001), a gestão do desporto é uma 
área do conhecimento que tem gerado profundas modificações no 
âmbito esportivo, exercendo grande influência nas práticas realizadas 
no esporte nos dias atuais. Citam como aspectos considerados 
importantes os seguintes:
• A crise sofrida pelo esporte, o que acaba determinando a necessidade de 
desenvolvimento de novos conhecimentos;
• A complexificação das práticas desportivas que obriga a uma sistematização 
das teorias da gestão contextualizadas ao mundo do desporto;
• O surgimento de várias organizações relacionadas, das mais diversas 
maneiras, com a gestão do desporto, o que exige atualização constante por 
parte das mesmas;
• A existência de investigação científica na área;
• Inúmeras oportunidades profissionais interessantes que surgiram ultimamente 
num ambiente que começa a ficar escasso desse tipo de oportunidade;
• A formação inicial de nível superior em Gestão do Esporte; 
• A formação continuada de nível de lato e strictu senso em Gestão do Esporte.
A gestão do 
desporto é uma 
área do conhe-
cimento que tem 
gerado profundas 
modificações no 
âmbito esportivo, 
exercendo grande 
influência nas 
práticas realizadas 
no esporte nos 
dias atuais.
63
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Como vimos na parte histórica deste capítulo, na América do Norte a tradição 
da Gestão do Desporto vem do trabalho desenvolvido no quadro dos programas 
desportivos nos colégios e universidades. Na Europa, surgiram programas de 
promoção do desporto que obrigaram a uma significativa capacidade de gestão 
dos grandes eventos ou de grande participação popular, como o “Esporte para 
Todos”, bem como, em consequência, a produção de trabalhos de investigação 
no âmbito das políticas desportivas e dos padrões de participação nos diversos 
países. 
Portanto, não é de admirar que, tanto na América do Norte como 
na Europa, a investigação em Gestão do Desporto ainda mantenha 
laços muito estreitos com o que se passa no mundo da educação 
em geral e da Educação Física em particular e toda a dinâmica 
subjacente às atividades interpessoais e de decisão porque esta 
é, de fato, a tecnologia que tem de ser gerida. Por outro lado, é 
compreensível que a produção em matéria de Gestão do Desporto 
ainda não tenha atingido um volume, por exemplo, comparável ao 
realizado em fisiologia, pedagogia ou, até, biomecânica, porque 
se está no início de um processo com uma característica própria 
que surge precisamente da ligação entre a gestão com o desporto 
contextualizado a um determinado local e cultura. 
No entanto, no início dos anos noventa podemos encontrar 
perspectivas diferentes de entender o fenômeno de gestão do esporte, 
não a partir do desenvolvimento dos currículos de Educação Física, 
mas a partir da própria organização das práticas desportivas no âmbito 
dos diversos sistemas desportivos (PIRES; LOPES, 2001). 
 
Em relação à função e formação, a maioria dos administradores 
esportivos geralmente são ex-professores, ou técnicos que não têm 
a qualificação necessária para essa função (MOCSÁNYI; BASTOS, 
2005). A experiência anterior em esportescomo treinador ou atleta 
não é requisito básico para um bom gestor, mas auxilia em termos de 
conhecimentos prévios do funcionamento da estrutura do esporte em 
clubes, federações, regulamentos, arbitragem, viagens, premiação, 
patrocínio, contratos, hierarquia, experiências em eventos, logística e 
contatos. Por outro lado, pode trazer vícios e repetições de experiências 
não tão boas para a administração ideal do esporte.
Para atender essa demanda de falta de material humano, tanto em 
qualidade como em quantidade, surgem os cursos de pós-graduação 
em Administração no Brasil (BASTOS, 2006). AZEVEDO (2004) 
caracterizou o perfil do gestor esportivo do Distrito Federal de acordo 
A experiência an-
terior em esportes 
como treinador ou 
atleta não é requi-
sito básico para 
um bom gestor, 
mas auxilia em 
termos de conhe-
cimentos prévios 
do funcionamento 
da estrutura do 
esporte em clu-
bes, federações, 
regulamentos, 
arbitragem, via-
gens, premiação, 
patrocínio, con-
tratos, hierarquia, 
experiências em 
eventos, logística 
e contatos. Por 
outro lado, pode 
trazer vícios e 
repetições de 
experiências não 
tão boas para a 
administração 
ideal do esporte.
Para qualquer 
bom profissional 
são exigidos dois 
pontos fundamen-
tais: formação 
acadêmica e 
experiência profis-
sional.
64
 Gestão Esportiva
com seu nível de escolaridade. Encontrou somente 30% de seus entrevistados 
formados em curso superior. No entanto, no estudo desses mesmos profissionais 
de São Paulo, 71% possuíam curso de pós-graduação (BASTOS, 2006). Esse 
evidente crescimento na preocupação com a profissionalização das atividades 
do gestor esportivo vem sendo consequência da desastrosa gestão amadorista 
(AZEVEDO, 2004).
De acordo com alguns levantamentos, o perfil do gestor é caracterizado por 
serem, na sua grande maioria: homens entre 35 a 40 anos, casados, ex-atletas, 
ex-técnicos ou ex-professores do clube (LIBARDI, 1999, apud LEAL, 2009), com 
renda mensal entre cinco a sete mil reais, e nível de responsabilidade de gerentes 
(BASTOS, 2006).
Para qualquer bom profissional são exigidos dois pontos fundamentais: 
formação acadêmica e experiência profissional. Na formação para atuar na 
educação física e nos esportes, pouco se fala em gestão e administração. Para 
a formação de administradores, pouco se fala em esporte e educação física. A 
formação ideal deve proporcionar ambos os conhecimentos com o mesmo padrão 
de importância. Entretanto, tem que se deixar claro que o conhecimento em 
administração é tão importante quanto, porém, sem o conhecimento básico de 
educação física, a gestão pode não ser qualitativamente boa (LEAL, 2009). Assim 
como um diretor de escola deve conhecer amplamente a parte pedagógica sem 
esquecer a parte administrativa, o gestor esportivo deve ter conhecimento das 
particularidades do esporte para melhor administrá-lo. 
Já sobre o segundo ponto, experiência profissional, é que entrarão as 
competências comportamentais. A experiência profissional de qualquer pessoa 
não começa quando ela consegue seu primeiro emprego, começa 
quando está em convívio com outras pessoas, particularmente no 
esporte. Através dessa participação, o atleta ou treinador já sofre a 
influência do meio esportivo no que diz respeito às regras, estruturas, 
funcionamento, organização, arbitragem, normas de respeito, ética, 
etc., podendo transferir esses conceitos ao nível da gestão para o 
esporte.
As competências, portanto, vão sendo trabalhadas ao longo da vida 
das pessoas. Virtudes e habilidades são construídas no relacionamento 
diário. Dessa forma as competências são aperfeiçoadas, porém 
algumas competências serão mais exigidas que outras, dependendo 
do nível administrativo. 
Com ou sem experiência no esporte ou com formação em 
educação física, o gestor necessita dos conhecimentos para as teorias 
Com ou sem expe-
riência no esporte 
ou com formação 
em educação 
física, o gestor 
necessita dos co-
nhecimentos para 
as teorias gerais 
da administração. 
Deve conhecer 
profundamente 
conceitos que, de 
forma geral, não 
são tratados nos 
cursos regulares 
de educação 
física.
65
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
gerais da administração. Deve conhecer profundamente conceitos que, de forma 
geral, não são tratados nos cursos regulares de educação física. Com essa 
intenção, veremos a partir de agora alguns conceitos fundamentais para a área 
administrativa e de formação profissional do gestor esportivo.
Atividade de Estudos: 
1) Baseado no que foi visto nesta parte do caderno, além da 
sua experiência durante a graduação e da sua experiência 
profissional, qual seria o processo ideal de formação de gestores 
esportivos dentro da realidade do Brasil? 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Áreas Funcionais e o Processo de 
Gestão
O gestor esportivo deve atuar em diversas áreas funcionais e executar 
várias atividades e demandas que são características desse trabalho. Castro 
(2006) discute sobre a universalidade das funções da administração, levando 
em conta que, em qualquer nível e em qualquer instituição, a administração 
deve respeitar quatro funções fundamentais, que são: Planejar, Organizar, 
Dirigir e Controlar. Cada nível administrativo planeja os objetivos, organiza 
como deve ser feito, dirige usando as competências e controla o desempenho 
para garantir que o objetivo seja alcançado. Todos dedicam seu tempo a essas 
funções, entretanto o que difere cada nível é o tempo gasto com elas, ilustrado 
na Figura 20. 
66
 Gestão Esportiva
Figura 20 - As quatro funções administrativas
Fonte: Castro (2006).
Da mesma maneira Chelladurai (1994) completa que essas áreas de trabalho 
para a gestão estão baseadas em planejamento, organização, liderança/direção e 
avaliação/controle. Essas áreas dão uma ideia geral das funções do gestor, mas 
não estão limitadas a elas apenas. 
a) Planejamento
A função do planejamento é a de definir os objetivos organizacionais, 
determinando os meios adequados para se atingir esses objetivos. O 
planejamento é o ponto de partida do processo administrativo e deve identificar 
e detalhar todo o caminho rumo aos resultados pretendidos (REZENDE, 2000). 
Deve ainda considerar os objetivos a curto e longo prazo, para que tenha sucesso, 
uma vez que, nesse processo, a avaliação é constante e passível de correções e 
ajustes. 
Podemos usar o exemplo de uma empresa de material esportivo 
que gostaria de tornar a sua marca mais conhecida e para isso pretende 
investir no marketing esportivo. Em curto prazo (um ano) irá patrocinar 
atletas e equipes de contexto regional e em longo prazo (após um ano) 
irá investir em equipes e atletas de referência nacional e internacional. 
Com a visibilidade inicial conseguida pelo patrocínio regional, sua 
marca se torna popular no contexto regional. Nesse primeiro período, 
são realizados os ajustes para que a marca se torne referência nacional 
em longo prazo. Dentro desse contexto, os objetivos do planejamento 
devem estar claros, como qual o retorno de mídia conseguido, qual a 
expectativa de aumento das vendas, qual a intenção de abertura para 
novos mercados, etc. Atingidos estes objetivos determinados no início 
do planejamento, irá confirmar a sequência do plano e a implementação do plano 
a longo prazo.
A gestão para o esporte deve ter uma linha de ação para que se possam 
Os objetivos do 
planejamento 
devem estar 
claros, como qual 
o retorno de mídia 
conseguido,qual 
a expectativa 
de aumento das 
vendas, qual a 
intenção de aber-
tura para novos 
mercados, etc.
67
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
atingir os resultados. Mariano (2008) estrutura as fases do planejamento em sete 
etapas paulatinas e distintas. De maneira resumida, essas etapas devem: 
1) Analisar a situação atual dos negócios para descobrir como está a empresa, 
tanto internamente, como em relação ao mercado. Essa etapa é fundamental, 
já que é o alicerce do restante do planejamento; 
2) Determinar os objetivos e definir com clareza aquilo que pretendemos 
atingir. Quanto mais detalhadamente descrevermos nossos objetivos, mais 
fácil será alcançá-los; 
3) Identificar os públicos para sabermos com quem iremos lidar. Para aumentar 
a produção, por exemplo, é preciso pensar nossa maneira de agir levando em 
conta todas as pessoas envolvidas nesse processo;
4) Definir estratégias e pôr no papel como iremos de fato alcançar nossos 
objetivos. Após saber onde estamos, onde queremos chegar e com quem 
iremos lidar, é hora de traçar o caminho a ser seguido;
5) Estabelecer recursos para sabermos o que temos à nossa disposição para 
a concretização de nosso projeto. Nesse ponto, é importante levantar dados 
sobre os recursos financeiros, materiais e, sobretudo, humanos;
6) Implementar e operacionalizar as estratégias definidas anteriormente, ou 
seja, dar vida ao projeto. Com base nas informações levantadas nas outras 
fases, é chegada a hora de “colocar a mão na massa”;
7) Controle e avaliação é a fase em que levantamos todos os pontos positivos, 
os negativos e o quanto de nossos objetivos iniciais foram alcançados. Esse 
feedback vai servir como uma bússola, para nortear os próximos 
passos da empresa.
b) Organização
A organização é a parte responsável pela aplicação prática 
do planejamento. Organizar consiste em estruturar e coordenar 
as diversas atividades necessárias para executar o planejamento 
e suas particularidades de caráter de recursos humanos ou 
recursos materiais (REZENDE, 2000). Para Maximiano (1992), uma 
organização é uma combinação de esforços individuais que tem 
por finalidade realizar propósitos coletivos, sendo que assim se 
torna possível alcançar objetivos que seriam inatingíveis para uma 
Organizar é o pro-
cesso de dispor 
qualquer conjunto 
de recursos em 
uma estrutura que 
facilite a realiza-
ção de objetivos. 
O processo 
organizacional tem 
como resultado o 
ordenamento das 
partes de um todo, 
ou a divisão de 
um todo em partes 
ordenadas.
68
 Gestão Esportiva
pessoa. “Organizar é o processo de dispor qualquer conjunto de recursos em 
uma estrutura que facilite a realização de objetivos. O processo organizacional 
tem como resultado o ordenamento das partes de um todo, ou a divisão de um 
todo em partes ordenadas.” (MAXIMIANO, p. 111, 2002). Segundo Robbins 
(1990), a organização é uma entidade social conscientemente ordenada com 
um alcance relativamente identificável, que funciona numa base relativamente 
contínua para conseguir um objetivo e/ou objetivos comuns.
Nesta parte do processo de gestão, são definidos os tipos de ação que serão 
realizadas e quem será responsável por essas ações. A sugestão é organizar 
um organograma para determinar as pessoas e funções para cada ação. Uma 
sugestão de organograma está a seguir.
Figura 21 - Exemplo de organograma de organização para a gestão esportiva 
Fonte: Rezende (2000), adaptado pelo autor.
Neste modelo de estrutura organizacional, temos a possibilidade de definir 
os órgãos responsáveis pela execução e operação (técnico, administrativo e 
operacional) e também os órgãos responsáveis pela consultoria e assessoria 
(jurídica, marketing, contábil e outros serviços especializados).
c) Liderança (Direção)
69
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Trabalhar, ou liderar, pessoas é uma tarefa árdua, em que mais 
depressa se detectam os fracassos do que os sucessos, já que no 
primeiro caso toda a empresa se poderá ressentir, e no segundo 
o mérito é geralmente assumido de forma solitária. Trabalhar com 
seres humanos exige conhecer, compreender, para posteriormente se 
desenvolver.
O líder em sua função deve delegar poderes de confiança e 
responsabilidade aos seus subordinados. Deve também gerenciar 
conflitos, manejar as mudanças e motivar seus empregados. Para 
tanto, deve ter habilidades específicas que podem ser desenvolvidas 
na sua formação. Essas habilidades serão discutidas mais adiante, 
neste capítulo. 
Para identificar competências, o líder deve conhecer muito bem a empresa 
e todos os seus colaboradores. Dessa forma, parte para a implementação de 
todo um sistema organizado, planejado e formalizado com o objetivo de reter 
talentos, desenvolver as capacidades individuais, prever constrangimentos e, 
acima de tudo, criar e gerir as oportunidades. São motivados, assim, todos os 
intervenientes, geridas as suas expectativas e potencializada a produtividade.
d) Avaliação e Controle
No processo de atingir os objetivos propostos, a avaliação deve ser constante 
e proporcionar a segurança de estar no caminho previsto. Através de relatórios, 
o gestor pode acompanhar o andamento do planejamento e se as pessoas 
envolvidas estão realizando o que lhes foi atribuído.
Que, “estando a organização devidamente planejada, organizada 
e liderada, é preciso que haja um acompanhamento das atividades, a 
fim de se garantir a execução do planejado e a correção de possíveis 
desvios” (ARAÚJO, 2004, p.170). Nesse processo, mesmo que 
individualizado, o controle deve ser feito de maneira que os grupos e as 
pessoas tenham a interação para que os resultados sejam transferidos 
de uma etapa a outra com fluidez e eficiência.
Nesse sentido, é fundamental elaborar um plano de ação no qual 
devem estar determinados os objetivos específicos, além dos prazos e 
funções para cada pessoa ou setor envolvido. É comum, nesses casos, 
o gestor acompanhar os fatos e o desenvolvimento dos trabalhos. Em 
caso de deficiência, uma nova avaliação deve ser feita. Pode-se ainda auxiliar 
Trabalhar, ou 
liderar, pessoas 
é uma tarefa 
árdua, em que 
mais depressa se 
detectam os fra-
cassos do que os 
sucessos, já que 
no primeiro caso 
toda a empresa se 
poderá ressentir, 
e no segundo o 
mérito é geralmen-
te assumido de 
forma solitária.
Estando a orga-
nização devida-
mente planejada, 
organizada e 
liderada, é preciso 
que haja um 
acompanhamento 
das atividades, a 
fim de se garantir 
a execução do 
planejado e a cor-
reção de possíveis 
desvios.
70
 Gestão Esportiva
o profissional, ou o grupo responsável, nas dificuldades encontradas. Ainda a 
empresa pode proporcionar bônus ou benefícios aos seus funcionários quando 
da boa atuação e alcance dos objetivos. Isso motiva a equipe a continuar seus 
trabalhos em busca do sucesso completo. 
Atividade de Estudos: 
1) Como foi visto, o processo de gestão abriga basicamente quatro 
etapas. Partindo desse princípio e utilizando um exemplo com o 
qual você pretende introduzir um novo esporte (badminton) no 
clube em que você trabalha, elabore um plano de ação com os 
objetivos para cada etapa:
ETAPAS OBJETIVOS e ORGANIZAÇÃO
Planejamento
Organização 
Direção 
Avaliação
Habilidades Necessárias ao Gestor
Percebeu-se no texto anterior que o gestor deve ter boa preparação 
e conhecimento em planejamento, além de grande poder de liderança e 
acompanhamento deste planejamento. Além disso, o profissional da 
gestão esportiva deve ter habilidades específicas na realização de suas 
funções.
a) Relações Interpessoais
O bom gestor deve ter em mente que o esporte é uma atividade 
essencialmente social e humana. É normal que nesse meio humano 
aconteçam conflitos, pois o gestor irá trabalhar com emoções e 
frustrações. Sabendo disso, o gestor deve serextremamente ético 
e correto para não desconsiderar o caráter humano do esporte. 
As relações inter-
pessoais fortale-
cem não apenas 
o desempenho do 
profissional, mas 
também trazem à 
tona boas expec-
tativas para que 
as equipes atinjam 
os objetivos e su-
perem metas que 
agreguem valor ao 
negócio.
71
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
O bom gestor deve respeitar opiniões, considerar seus defeitos e ter poder de 
compreender as pessoas a sua volta. 
Trabalhando para pessoas e com pessoas, o gestor deve perceber a 
importância do relacionamento interpessoal. Gomes (2010, p.1) explica que “as 
relações interpessoais fortalecem não apenas o desempenho do profissional, mas 
também trazem à tona boas expectativas para que as equipes atinjam os objetivos 
e superem metas que agreguem valor ao negócio”. 
O gestor esportivo irá lidar praticamente todos os dias com pessoas 
diferentes, entre as quais se encontram atletas reclamando pela falta de 
oportunidade na equipe ou falta de pagamento de salários, patrocinadores 
reclamando do retorno de mídia esperado, dirigentes reclamando da organização 
de um evento, fãs reclamando do preço dos ingressos, arbitragem reclamando da 
falta de segurança, e outros exemplos que envolvem o esporte e a sua gestão. 
Mesmo assim, o gestor deverá atender as expectativas de todos da melhor 
maneira possível; para isso deve desenvolver suas habilidades interpessoais 
junto com um trabalho de equipe bem feito.
b) Comunicação
Para diminuir as possibilidades de erro, o bom gestor deve ter 
boa habilidade de comunicação oral e escrita. Pessoas envolvidas 
em um evento, como torcedores, fornecedores, atletas e equipe 
operacional irão questionar sobre os diversos tópicos envolvidos e que 
são caracterizados pela complexidade da organização global. O bom 
gestor deve ter respostas consistentes e rápido poder de solução de 
problemas para evitar transtornos ou conflitos desnecessários. 
Rotineiramente, gestores esportivos devem apresentar suas 
ideias, motivar pessoas e buscar novas possibilidades. Essa rotina 
envolve reuniões e apresentações, seja para um público específico e 
conhecedor da área, ou ainda para um grupo que não está habituado 
a isso. É muito comum o patrocinador, por exemplo, ter interesse em 
investir no marketing esportivo sem ter o conhecimento do retorno 
que esse tipo de mídia pode trazer, ou mesmo não conhecer as 
características de determinado esporte. Nesse caso, é função do gestor 
informar as possibilidades reais de retorno, além das características 
do esporte (tipo de público que aprecia determinada modalidade e 
possível público-alvo). Assim, é importante entender que as pessoas 
podem ser estimuladas e que as ideias podem ser, com melhores 
resultados, “vendidas” e aplicadas, desde que bem expostas e com 
O bom gestor 
deve ter respos-
tas consistentes 
e rápido poder 
de solução de 
problemas para 
evitar transtornos 
ou conflitos desne-
cessários.
É importante 
entender que as 
pessoas podem 
ser estimuladas 
e que as ideias 
podem ser, com 
melhores resulta-
dos, “vendidas” e 
aplicadas, desde 
que bem expostas 
e com linguagem 
adequada.
72
 Gestão Esportiva
linguagem adequada.
Para fazer uma apresentação adequada, Hartley e Bruckman (2002, apud 
MASTERALEXIS; BARR; HUMS, 2009) consideram que o apresentador deve 
se preparar respondendo às seguintes questões, que devem ser expostas no 
momento exato:
1) Os objetivos estão claros para você?
2) Você conhece a sua audiência?
3) A sua apresentação segue uma sequência estruturada?
4) Você sabe que tipo de linguagem você deve ou não deve usar?
5) Você transmite suas ideias de forma eficiente e todos estão entendendo?
Depois de praticar e trabalhar essas questões, você deve planejar a sua 
apresentação e pode seguir estas sugestões (GALLAGHER, McLELLAND; 
SWALES, 1998, apud MASTERALEXIS; BARR; HUMS, 2009):
• Defina os seus objetivos;
• Analise a sua audiência;
• Analise o ambiente;
• Descreva claramente o tema principal;
• Descreva outros pontos básicos e importantes;
• Desenvolva a sua apresentação visual (Data Show, vídeos, fotos, cartazes, 
etc.);
• Entregue a sua apresentação aos ouvintes;
• Apresente com calma e qualidade.
Da mesma forma, é fundamental ao gestor esportivo ter boa comunicação 
escrita. Deve estar apto a escrever tanto projetos em formato comercial 
quanto notas informativas com linguagem jornalística, e até resumos 
de caráter técnico ou estatístico, lembrando-se sempre de que a 
mensagem deve ser direta e clara, evitando interpretações ambíguas.
c) Gestão da Diversidade
O gestor esportivo deve perceber e respeitar as características 
culturais e históricas de determinada região. Deve entender que as 
pessoas são diferentes e que possuem gostos distintos. Deve entender 
que os esportes são demonstrações culturais de uma determinada 
etnografia. Pode também melhor explorar esportes de praia, de cidade, 
de culturas regionais. Da mesma maneira, esportes adaptados para 
crianças, adolescentes ou idosos e ainda as particularidades das 
O bom gestor 
pode explorar 
ainda melhor 
os esportes de 
preferência para 
determinado 
público, patroci-
nador ou região, 
além de perceber 
possibilidades de 
aceitação de no-
vas modalidades 
ou eventos para 
regiões ou públi-
cos antes carentes 
de novidades.
73
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
pessoas especiais e seus esportes paraolímpicos. Entendendo que 
as mulheres são diferentes dos homens e possuem gostos diferentes 
para o esporte, poderá explorar melhor esse tipo de característica. 
Nessa percepção pode perceber que, por exemplo, o Punhobol 
é um esporte praticado em regiões de tradição alemã do sul do Brasil 
e praticamente desconhecido no resto do Brasil. Também perceber 
que a peteca, além de ser um esporte originalmente do Brasil e 
indígena, é muito praticada por pessoas da melhor idade no Sudeste e 
praticamente desconhecida como modalidade no sul do Brasil.
Entendendo esses aspectos, o bom gestor pode explorar 
ainda melhor os esportes de preferência para determinado público, 
patrocinador ou região, além de perceber possibilidades de aceitação 
de novas modalidades ou eventos para regiões ou públicos antes 
carentes de novidades.
d) Gestão da Tecnologia
A tecnologia está mais presente do que nunca em nossas vidas. O gestor 
deve então tirar benefícios disso. De acordo com Crosset e Hums (1998), o gestor 
deve entender e utilizar a tecnologia em duas frentes. A primeira é a da própria 
indústria do esporte, que evolui rapidamente, e na segunda, o gestor deve utilizar 
as ferramentas disponíveis para utilizar em seu trabalho, como os softwares de 
gestão, controle financeiro, as videoconferências e apresentações multimídias, 
entre outras.
Em tecnologia devemos citar a internet como fonte inesgotável e expansiva 
de propaganda para os esportes e para os atletas, como também para a 
divulgação de eventos pelas mídias sociais, coleta de dados e opiniões de 
pessoas envolvidas ou público em geral, além da possibilidade única na venda de 
ingressos e produtos licenciados. 
e) Tomada de Decisão
Para cada situação problema, devemos buscar decisões 
específicas. Em suas funções, o gestor esportivo passa constantemente 
pelo processo de tomada de decisões. Para o processo ser positivo, 
o gestor deve ter o entendimento profundo do problema e/ou a 
compreensão total da oportunidade que lhe é apresentada. O modelo 
clássico do processo de tomada de decisão segue quatro etapas 
(CHELLANDURAI, 1994):
O gestor deve 
entender e utilizar 
a tecnologia em 
duas frentes. A 
primeira é a da 
própria indústria 
do esporte, que 
evolui rapidamen-
te, e na segunda, 
o gestor deve utili-
zar as ferramentas 
disponíveis para 
utilizar em seu 
trabalho, como 
os softwares de 
gestão, controle 
financeiro,as 
videoconferências 
e apresentações 
multimídias, entre 
outras.
Para o processo 
ser positivo, o 
gestor deve ter o 
entendimento pro-
fundo do problema 
e/ou a compre-
ensão total da 
oportunidade que 
lhe é apresentada.
74
 Gestão Esportiva
1) Definição do problema – Definição do objetivo a ser atingido ou do problema 
a ser resolvido.
2) Buscando alternativas – Determinar quais e quantas ações e soluções são 
possíveis.
3) Avaliar as alternativas – Avaliar cada alternativa proposta com custos, 
identificação de riscos, efeitos na ação e nas pessoas envolvidas.
4) Seleção da melhor alternativa – Aqui o gestor escolhe e implementa a 
melhor alternativa, tomando o cuidado de que todos sigam e respeitem essa 
alternativa escolhida. 
Além das etapas apresentadas, o ideal é que o gestor envolva as pessoas 
para tomarem a melhor decisão em conjunto. Normalmente, pessoas envolvidas 
no processo decisório têm conhecimento e experiência e podem auxiliar na 
melhor escolha. Essa gestão participativa estimula o conhecimento das pessoas e 
valoriza capacidades e potencialidades.
f) Política Organizacional
Política faz parte de nosso contexto social. Afinal, quando 
estamos em grupo de pessoas fazemos política, sendo que não 
existe relacionamento humano sem o uso da política. Para o gestor 
é importante utilizar a boa política para a construção da rede de 
relacionamento e o incremento desse poder para a solução de 
problemas e a busca de melhores oportunidades. 
Sendo o esporte uma atividade humana e social, é extremamente 
importante ao gestor aumentar o link com outras pessoas envolvidas na 
construção do esporte dentro de suas características organizacionais, 
profissionais ou legais. 
A construção política da gestão para o esporte pode facilitar 
ainda a execução de projetos, a eliminação de falhas e a correção 
de problemas comuns. Por exemplo, se o gestor está organizando 
uma corrida nas ruas da cidade ele deve ter bom acesso a pessoas 
responsáveis pelo departamento de trânsito, deve ter bons contatos 
com o sistema de primeiros socorros, segurança, pessoal de apoio, 
responsáveis pela premiação, para a colaboração na realização do 
evento. Esse relacionamento político deve ser de respeito e de alto 
nível de profissionalismo entre os envolvidos na organização, para o 
bom andamento do evento.
Para o gestor é 
importante utilizar 
a boa política 
para a constru-
ção da rede de 
relacionamento 
e o incremento 
desse poder para 
a solução de pro-
blemas e a busca 
de melhores 
oportunidades.
A construção 
política da gestão 
para o esporte 
pode facilitar ainda 
a execução de 
projetos, a elimi-
nação de falhas e 
a correção de pro-
blemas comuns.
75
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
 MAZZEI, Leandro Carlos; BASTOS, Flávia da Cunha. 
Gestão do Esporte no Brasil: Desafios e Perspectivas. Ícone 
Editora. 2012.
ROCHE, Fernando París. Gestão Desportiva. Artmed. 2002.
g) Outras Habilidades
Além da construção das habilidades citadas acima, outras habilidades são 
inerentes ao trabalho do gestor e devem estar em um bom nível de conhecimento. 
As principais que podemos citar são:
• Gestão de Mudanças – a área do esporte é naturalmente dinâmica e em 
constante progresso e mudanças. É muito comum o trabalho do gestor 
estar em constantes mudanças em relação a contratos, eventos, pessoas 
envolvidas, etc. Sabendo disso, o gestor e seus funcionários devem estar bem 
preparados para absorverem essas mudanças, além de uma antecipação 
e previsão do planejamento voltada ao novo e ao diferente, para evitar 
surpresas. 
• Motivação – Trabalhar com gestão exige motivação intrapessoal e 
interpessoal. Com a equipe motivada os resultados acontecem com maior 
qualidade. Para isso, o gestor deve aumentar o nível de expectativa de 
resultados e demonstrar essa expectativa alta aos seus colaboradores ou 
outros envolvidos.
• Ter Iniciativa – O mundo do esporte é muito amplo e existem possibilidades 
que ainda não foram exploradas ou foram mal empreendidas. Por outro lado, 
existem pessoas, empresas e eventos que não estão usando o esporte como 
ferramenta de marketing ou em benefício comum. É função do gestor buscar 
novas possibilidades em iniciativas distintas.
• Inteligência Emocional – O gestor deve ter a habilidade de perceber e 
entender o sentimento dos outros e utilizar essas emoções para decisões 
posteriores em benefício de todos.
• Dar Poder – O gestor pode encorajar seus colegas a terem iniciativa própria 
em decisões e sugestões. Isso motiva e valoriza o colaborador.
76
 Gestão Esportiva
Atividade de Estudos: 
1) Agora que você já compreendeu as diversas habilidades 
necessárias ao gestor esportivo, inclua outras habilidades 
que você acha importantes e que não foram descritas acima e 
justifique essa inclusão.
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
 _____________________________________________________
O Mercado de Trabalho e as 
Funções do Gestor Esportivo
O profissional da área da educação física tem por lei (Lei 9.696/98; BRASIL, 
1998) funções e atividades que são características da sua formação e atuação 
profissional. De acordo com essa lei, o profissional da educação física tem um 
quadro de atividades básicas que consistem desde a de professor de escola, 
até a de personal trainer, instrutor de academia, lazer e recreação, treinamento 
desportivo e preparação física. Em relação à gestão as atividades podem ser 
traduzidas em:
Quadro 3 – Funções E Atividades Básicas Do Gestor Esportivo
FUNÇÃO ATIVIDADE BÁSICA TIPO DE ORGANIZAÇÃO
Supervisor de Esporte e/ou 
Lazer/Recreação
Desenvolver programas 
esportivos e recreativos
Indústrias, ADCs, associações 
comerciais, entidades de classe, 
etc.
Dirigente Esportivo
Administrar negócios 
esportivos
Clubes, empresas especializadas, 
ligas, federações, secretarias de 
esporte, etc.
Fonte: Rezende (2000), adaptado pelo autor.
77
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Dentre todas, as funções de dirigente esportivo exigem uma especialização 
desejável na área administrativa e empresarial, além de conhecimentos em 
liderança e de legislação. Essas funções se transferem em setores para cada 
função e cargos de supervisão ou gerência e diretoria em que o profissional pode 
atuar, a saber:
Quadro 4 - Organizações e o profissional para a gestão em educação física
EM FUNÇÃO SETORES SUPERVISÃO DIRETORIA PROPRIETÁ-RIO
Centro de Treina-
mento e Escoli-
nhas
Prefeituras / Secre-
tarias
Departamentos 
de Esportes
Diretor de Unida-
de Esportiva
Centro de 
Treinamento e 
Escolinhas
Academias Físicas 
e Esportivas
Governos Esta-
duais Secretarias, 
Coordenadorias
Departamentos 
de Educação 
Física
Diretor de Entida-
des, Fundações, 
Instituições, 
Clubes, Asscocia-
ções, etc.
Academias 
de Esporte 
ou Atividades 
Físicas
Clubes e Associa-
ções Esportivas
Governo Federal 
SBD
Departamentos 
de Modalidades 
Específicas
Secretários 
de Esporte de 
Governos
Empresas de 
Recreação e 
Lazer
Empresas de 
Consultoria em 
Esporte
Clubes Sociais
Departamentos 
de Atividades 
Físicas Especí-
ficas
Presidente de 
Clubes, Asso-
ciações, Ligas, 
Federações, etc.
Empresas 
Promotoras 
de Eventos 
Esportivos, 
etc.
Ligas, Federações 
e Confederações 
Esportivas
Entidades Repre-
sentativas (SESC, 
SESI, etc.)
Departamentos 
de Organização 
de Eventos 
Esportivos
Superintendente 
de Regiões ou 
Conjunto de 
Unidades
Empresas de 
Consultoria 
e Assessoria 
Esportiva, etc.Outras (Fundações, 
Instituições, Comi-
tês, etc)
Hotéis, academias, 
shoppings, etc.
Departamentos 
de Recreação e 
Lazer
Fonte: Rezende (2000), adaptado pelo autor.
Sendo a área da educação física e do esporte ampla e variada, 
também se percebem grandes possibilidades em relação às áreas de 
atuação do gestor esportivo. Juntando as possibilidades apresentadas 
pela lei descrita na tabela acima, com outras intervenções multiplicadas, 
Pires e Lopes (2001) amplificam o campo de atuação com outras 
possibilidades e clareza. Para os autores, o gestor moderno pode 
atuar também em:
Sendo a área da 
educação física e 
do esporte ampla 
e variada, também 
se percebem gran-
des possibilidades 
em relação às áre-
as de atuação do 
gestor esportivo.
78
 Gestão Esportiva
• Estruturas do poder público, que possuem intervenção no mundo do desporto, 
tais como o Ministério do Esporte, Secretarias Estaduais e Municipais de 
Esporte;
• Confederações, Federações e Ligas Esportivas, em seus diversos níveis;
• Clubes sociais e esportivos em geral; clubes esportivos de competição, tais 
como clubes de futebol profissional e de outras modalidades;
• Academias de atividades físicas;
• Empresas de serviços esportivos, como as que organizam e realizam eventos 
esportivos;
• Empresas de marketing e publicidade que integrem a ideia e o produto esporte 
nos seus projetos;
• Empresas que consideram a prática desportiva nas suas políticas de recursos 
humanos (Ginástica Laboral e outras práticas);
• Instalações desportivas de diversos tipos, que necessitam de gestão por 
profissionais com formação especializada;
• Empresas que prestam serviços de aprendizagem de modalidades esportivas, 
tais como futebol, natação, voleibol, lutas, atletismo, basquetebol, dentre 
outras;
• Outros mais, que podem ser, inclusive, variações ou composição entre os que 
estão acima apresentados.
 
Em conformidade, os mesmos autores determinam que hoje é possível identificar 
diversos postos de trabalho na área da gestão do desporto, tais como: 
• Diretores técnicos; 
• Secretários técnicos; 
• Diretores gerais; 
• Técnicos desportivos de autarquias; 
• Diretores de instalações; 
• Gestores de eventos desportivos; 
• Gestores de produto; 
• Gestores de empresas e de outras organizações ou entidades privadas e 
públicas; 
• Diretores comerciais; 
• Gestores da área de marketing; 
• Consultores; 
• Investigadores; 
• Pesquisadores;
• Professores.
É, portanto, urgente qualificar a profissão de Gestor Desportivo, na medida 
em que uma parte significativa dos líderes organizacionais no mundo do desporto. 
Fazendo uma coletânea das funções e possibilidades na profissão de gestor, 
79
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
Lopes (2010) determina que o gestor desportivo deve:
1) Conhecer muito bem a missão, ideais, cultura, valores, objetivos e recursos 
disponíveis:
2) Ter um compromisso para com o clube ou empresa, demonstrando uma 
participação íntima e pessoal em todo o processo;
3) Ter uma perspectiva estratégica do projeto do clube ou empresa enquanto 
organização, na sua posição de decisor competente;
4) Ter motivação e determinação em longo prazo;
5) Ter capacidade de planear, organizar, dirigir e controlar todas as atividades, 
ou de atribuí-las a alguém com capacidade para tal, dando poder, delegando e 
motivando os seus colaboradores;
6) Ter capacidade de aprendizagem organizacional contínua, uns com os outros, 
perante a experiência de implementação das atividades e abertura de espírito 
para as novas realidades causadas pela globalização;
7) Ter a capacidade de promover a satisfação dos desportistas, dos 
patrocinadores e dos clientes internos do clube ou empresa, de acordo com 
os objetivos propostos inicialmente, respeitando as normas de qualidade e 
segurança e sem desperdício de recursos;
8) Ter a capacidade de criar e inovar no sentido de solucionar os problemas que 
apareçam com os olhos postos no futuro e na sustentabilidade do clube ou 
empresa;
9) Ter responsabilidade social e organizacional pelos temas do 
ambiente, sociedade, ética, formação, saúde e família;
10) Saber avaliar o bom, o ótimo e o excelente, conhecendo em cada 
caso os limites e recursos e o desafio máximo a alcançar com 
base neles, sem prejudicar a instituição, atletas, patrocinadores e 
público.
11) Ter capacidade de propor novas soluções perante a nova realidade 
da sociedade, dos patrocinadores, dos desportistas;
12) Ter a capacidade de gerir a “cultura do clube, da empresa ou do 
esporte”, de acordo com o seu conhecimento organizacional e o 
A partir da 
“formação geral” 
que vimos acima, 
podemos perceber 
que o gestor 
deve ter várias 
ferramentas para 
atingir o sucesso. 
Essas ferramentas 
são apresentadas 
tanto em caráter 
administrativo 
quanto cultural, 
esportivo ou 
intelectual.
80
 Gestão Esportiva
seu capital intelectual, história e importância regional, do melhor modo.
A partir da “formação geral” que vimos acima, podemos perceber que o 
gestor deve ter várias ferramentas para atingir o sucesso. Essas ferramentas 
são apresentadas tanto em caráter administrativo quanto cultural, esportivo ou 
intelectual. Agora, veremos outras oportunidades futuras de atuação nessa área, 
que diariamente modifica e amplia o seu leque de opções. 
Atividade de Estudos: 
1) Considerando o que foi descrito nesta parte sobre o mercado de 
trabalho do gestor esportivo, registre no quadro abaixo a função 
do gestor de acordo com o local de atuação e justifique a sua 
escolha:
Local de atuação Função Justificativa
Clubes
Poder Público
Academias
Empresas de Marketing
Confederações Esportivas
Oportunidades Futuras
Trigo (2001, apud DA COSTA, 2006) considera que utilizar como meio o 
esporte, o turismo, a cultura ou a educação atrai o consumo e gera novos negócios: 
“É preciso informar e divertir, criar estilos de vida, gerar novas experiências para 
o consumidor”.
Podemos antever um futuro de promissoras oportunidades. De acordo 
com Daylchuck (1999, apud DA COSTA, 2006), numa pesquisa entre diversas 
instituições em nível mundial, as oportunidades de oferta de emprego nos 
próximos dez anos vão evoluir de acordo com os seguintes itens:
• Turismo;
• Empreendimentos;
81
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
• Gestão de eventos;
• Desporto negócio;
• Especialistas.
Fica claro, pela investigação, que é necessária uma especialização 
em gestão do desporto. Podemos prever que num futuro próximo 
teremos a necessidade de existirem especialistas que respondam, 
com eficiência, às rápidas mudanças sociais. As simples licenciaturas 
em educação física deixaram de ser capazes de responder às 
necessidades atuais do processo de desenvolvimento do desporto nos 
vários setores de desenvolvimento e nos diversos países do mundo 
(LOPES, 2010).
As competências específicas para intervir em cada um dos 
setores indicados podem ser obtidas, com padrões de especialização 
de diferentes conteúdos e níveis, nas mais diversas escolas de 
formação, entendendo que nenhuma delas pode reivindicar o direito 
de monopólio sobre a formação em gestão para o mundo do desporto 
(LOPES, 2010).
Como vimos, o esporte e a educação física apresentam-se em diversas 
possibilidades de intervenção do profissional capacitado não só no âmbito da 
economia tradicional como no da emergente economia social. Em conformidade, 
o desporto tem vindo a criar um crescente número de oportunidades de emprego, 
com tendência para o crescimento. Dos muitos trabalhos realizados é desde já 
possível concluir que existem, em nível dos diversos países:
• Estruturas estatais descentralizadas segundo uma dinâmica territorial mais ou 
menos orgânica;
• Estruturas profissionais de acolhimento tanto em nível internacional como 
nacional;
• Estruturas de poder local com capacidadede intervenção no mundo do 
desporto;
• Um crescente número de federações desportivas internacionais, nacionais e 
regionais;
• Um número indeterminável de associações de modalidades;
• Milhares de clubes, grandes, médios e pequenos;
• Ginásios, academias e centros de fitness;
• Empresas de serviços desportivos;
• Empresas de marketing e publicidade interessadas em integrarem a ideia e o 
produto desporto nos seus projetos;
• Grandes e médias empresas a considerarem o desporto nas suas políticas de 
recursos humanos;
A partir da 
“formação geral” 
que vimos acima, 
podemos perceber 
que o gestor 
deve ter várias 
ferramentas para 
atingir o sucesso. 
Essas ferramentas 
são apresentadas 
tanto em caráter 
administrativo 
quanto cultural, 
esportivo ou 
intelectual.
82
 Gestão Esportiva
• Milhares de instalações desportivas de diversos tipos, que têm de ser geridas 
por profissionais com formação especializada, permitem avaliar as possibilidades 
que, quer direta, quer indiretamente, estão ligadas ao esporte, ainda mais nas 
perspectivas do futuro futebolístico e olímpico do Brasil.
O produto esporte é imprevisível e mutante. Nesse contexto, há de se ter 
em conta a possibilidade de a responsabilidade social neste início do século 
XXI estar tendendo a assumir um papel central no diferencial competitivo. Para 
tanto, pessoas que gerenciam o esporte devem atentar para esta contribuição 
social.
Atividade de Estudos: 
1) Você acompanhou algumas definições e princípios que compõem 
a formação, atuação e oportunidades do gestor esportivo. Agora 
elabore as características do seu próprio “gestor completo” e 
justifique a sua escolha.
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Algumas Considerações
O gestor esportivo é uma profissão em crescimento e evidência. Junto com o 
crescimento do interesse e de investimentos para o esporte, cresceu a necessidade 
de buscar pessoas preparadas para atuarem neste ramo. Infelizmente, a oferta de 
profissionais não dá conta das necessidades do mercado, uma vez que a maioria 
das faculdades de educação física não prepara seus acadêmicos para serem 
futuros gestores, mas sim professores, treinadores ou instrutores para a atividade 
83
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
física ou para o esporte e para a organização destas atividades. 
Nesta realidade, surgem os cursos de pós-graduação que pretendem 
atender essa demanda necessária. Esses cursos oferecem o aprimoramento e 
aprofundamento dos tópicos para a atuação na gestão do esporte, ainda que a 
procura não seja proporcional à necessidade do mercado amplo e crescente. 
Assim, pessoas não apenas oriundas da educação física ou do esporte, mas 
também de outras áreas buscam preparação para atuarem na gestão esportiva. 
Conclui-se que o gestor melhor preparado deve ter bons conhecimentos tanto 
das particulariedades do esporte como da área de administração. Deve ser 
um profissional líder e organizado, além de potencializar as pessoas com 
motivação e ética.
Como se percebeu neste capítulo, a formação do gestor deve ser voltada 
para a qualificação dos meios administrativos tanto quanto esportivos. Para estar 
bem preparado o gestor deve buscar aprimorar suas competências pessoais e 
de relacionamento humano. Deve aprimorar conceitos de liderança e elaboração 
do planejamento, junto com o seu acompanhamento. Ainda deve perceber que 
a gestão não acontece sozinha e que será necessário buscar auxílio de outras 
pessoas ou instituições. Tudo isso com a condição de motivar as pessoas para o 
sucesso do trabalho.
Outra atenção foi dada ao campo de atuação do gestor. Percebeu-
se que as opções são inúmeras e crescentes. Os campos de atuação não se 
limitam ao esporte apenas, mas podem ser direcionados para o turismo, os 
empreendimentos, o marketing, a organização de eventos, o mercado do fitness, 
a gestão de clubes, empresas e instalações, secretarias e instituições públicas, 
universidades e escolas, além da pesquisa e o professorado. 
Referências
ARAÚJO, Luis César G. Teoria Geral da Administração: aplicação e resultados 
nas empresas brasileiras. Ed. Atlas, SP, 2004.
AZEVEDO, A. A. de. Dos velhos aos novos cartolas: uma interpretação do 
poder e das suas resistências nos clubes, face ao impacto das relações 
futebol empresa. Tese (Doutorado em Sociologia) – Instituto de Ciências 
Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, 1999. Disponível em: <http://seer.ucg.
br/index.php/estudos/article/viewFile/1167/810>. Acesso em: 10 jun. 2012.
AZEVÊDO, P. H. Caracterização do perfil do gestor esportivo dos clubes da 1ª 
http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewFile/1167/810
http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewFile/1167/810
84
 Gestão Esportiva
divisão de futebol do Distrito Federal e suas relações com a legislação esportiva 
brasileira. Revista da Educação Física / UEM. Maringá, v.15, n.1, 2004,33-42p.
BARHUM, R. A. O Profissional da Educação Física e Esporte na função de 
Administrador: conhecimentos básicos para o desenvolvimento da carreira. 
Dissertação de Mestrado. São Paulo: UNIBERO, 2001.
BASTOS, F. C. Perfil do administrador esportivo de clubes socioculturais e 
esportivos de São Paulo / Brasil. Revista Mackenzie de Educação Física e 
Esporte. Ano 5, n. 1, janeiro 2006, 13-22p.
BÖHME, M. T. S. Administração Esportiva. PETeleco, São Paulo, PET-
EEFEUSP, novembro, 1998.
BRASIL. Planalto. Lei 9.696. Lei de regulamentação da Profissão de Educação 
Física e cria os respectivos Conselho Federal e Conselhos Regionais de 
Educação Física.11 de Setembro de 1998. 
CASTRO. Durval Muniz de. Estratégia em Gestão de Pessoas. 
Campinas, 2006. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/34851195/13/Do-
%E2%80%9CDepartamento-de-Pessoal%E2%80%9D-a-%E2%80%9CGestao-
de-Pessoas%E2%80%9D>. Acesso em: 12 jun. 2012. 
CHELLADURAI, P. Sport Management: Defining a Field. In: European Journal 
for Sport Management, Vol. 1 – Nr. 1, May .1994.
CROSSET, T.; HUMS, M.A Ethical principles applied to sport In: L. P. 
Masteralexis, C. A. Barr, & Hums, M.A (Ed.), Perspectives on sport 
management. Gaithersburg, MD: Aspen Publishing. 1998.
DA COSTA, Lamartine (org.). Atlas do esporte brasileiro. Rio de Janeiro: 
CONFEF, 2006.
GOMES, Sérgio. Relações interpessoais intensificam a coesão das equipes. 
Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/6456/
relacoes-interpessoais-intensificam-a-coesao-das-equipes.html>. Acesso em: 13 
jun. 2012.
LEAL, Luiz Eduardo Negro Vaz. As características do gestor esportivo: um 
modelo de suas competências. 2009. Disponível em: <http://pt.scribd.com/
doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-
Competencias>. Acesso em: 12 jun. 2012.
http://pt.scribd.com/doc/34851195/13/Do-%E2%80%9CDepartamento-de-Pessoal%E2%80%9D-a-%E2%80%9CGestao-de-Pessoas%E2%80%9D
http://pt.scribd.com/doc/34851195/13/Do-%E2%80%9CDepartamento-de-Pessoal%E2%80%9D-a-%E2%80%9CGestao-de-Pessoas%E2%80%9D
http://pt.scribd.com/doc/34851195/13/Do-%E2%80%9CDepartamento-de-Pessoal%E2%80%9D-a-%E2%80%9CGestao-de-Pessoas%E2%80%9D
http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/6456/relacoes-interpessoais-intensificam-a-coesao-das-equipes.html
http://www.rh.com.br/Portal/Grupo_Equipe/Entrevista/6456/relacoes-interpessoais-intensificam-a-coesao-das-equipes.html
http://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competenciashttp://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competencias
http://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competencias
85
A Gestão no Esporte no Brasil e no Mundo: 
História, Conceitos, Características e Funções
 Capítulo 2 
LOPES. Horácio. As principais funções de um gestor esportivo. 2010. 
Disponível em: <http://issuu.com/horaciolopes/docs/named24ac4>. Acesso em: 
15 jun. 2012.
LUNA, Marlucio. Dos campos de batalha aos estádios. 5 mil anos de história. 
2007. Disponível em: <http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.
asp?cod_artigo=1242>. Acesso em: 14 jun. 2012.
MARIANO, Lourival. As 7 fases do planejamento. Disponível em:
<http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/as-7-fases-do-
planejamento/15544/>. Acesso em: 07 jun. 2012.
MASTERALEXIS, L., BARR, C., HUMS, M. Principles and practice of sport 
management (3rd ed.).Sudbury, MA: Jones & Bartlett Publishers, 2009.
MAXIMIANO, Antonio. Introdução à administração. 3ª ed., São Paulo : Atlas, 
1992.
_____. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 
- 3ª Edição – São Paulo: Atlas, 2002.
MOCSÁNYI, V.; BASTOS, F. C. Gestão de pessoas na administração esportiva: 
considerações sobre os principais processos. Revista Mackenzie de Educação 
Física e Esporte, ano 4 n. 4 outubro - dezembro 2005, 55-59p.
PIRES, Gustavo Manuel Vaz da Silva. LOPES José Pedro Sarmento de 
Rebocho. Conceito de Gestão do Desporto. Novos desafios, diferentes soluções. 
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2001, vol. 1, nº 1, 88–103. 
Disponível em: <http://www.gestaodesportiva.com.br/Novos%20Desafios%20
Diferentes%20Solucoes.pdf>. Acesso em: 12 jun. 2012.
PITTS, B. B.; STOTLAR, D. K. Fundamentos de marketing esportivo. São 
Paulo: Phorte, 2002.
POZZI, Luis Fernando. A Grande Jogada: Teoria e Prática do Marketing 
Esportivo. Rio de Janeiro: Globo, 1998.
REZENDE, José Ricardo. Organização e Administração no Esporte. Rio de 
Janeiro, Sprint, 2000.
 
ROBBINS, S. Organization Theory: structure, design, and applications. 
Prentice Hall. 2009.
http://issuu.com/horaciolopes/docs/named24ac4
http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1242
http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1242
http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/as-7-fases-do-planejamento/15544/
http://www.administradores.com.br/informe-se/informativo/as-7-fases-do-planejamento/15544/
http://www.gestaodesportiva.com.br/Novos Desafios Diferentes Solucoes.pdf
http://www.gestaodesportiva.com.br/Novos Desafios Diferentes Solucoes.pdf
86
 Gestão Esportiva
ROCHA, Cláudio Miranda da., BASTOS, Flávia da Cunha . Gestão do Esporte: 
definindo a área. Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.25, p.91-103, dez. 
2011.
SOUCI, D. Administración, Organización y Gestión Deportiva. Barcelona: 
INDE Publicaciones, 2002.
ZOUAIN, D. M.; PIMENTA, R. C. Perfil dos profissionais de administração 
esportiva no Brasil. In: World Sport Congress, Barcelona, Espanha. 2003.
CAPÍTULO 3
A Gestão, Organização e 
Infraestrutura do Esporte no 
Brasil e no Mundo
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
3 Contextualizar o esporte e seu funcionamento em relação à infraestrutura e 
às exigências das confederações responsáveis.
3 Discutir a gestão e organização do esporte no Brasil e no Mundo para 
clubes, associações e federações.
3 Entender as funções do gestor nas organizações em que atua.
88
 Gestão Esportiva
89
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
O esporte no mundo é gerenciado por agências oficiais. O esporte como 
um todo é de responsabilidade do Comitê Olímpico Internacional (COI). Cada 
país tem o seu Comitê Olímpico Nacional, que deve respeitar os conceitos do 
movimento olímpico apresentados pelo COI. Neste capítulo iremos discutir o 
movimento olímpico dentro das características de gestão para cada instituição do 
esporte, tanto em caráter local quanto internacional.
Veremos também a constituição do esporte no Brasil, as funções do Ministério 
do Esporte, do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e das federações desportivas. 
Iremos discutir o financiamento público do esporte e possibilidades de gestão de 
clubes e associações sem fins lucrativos.
A Estrutura do Esporte no Mundo
Como foi visto anteriormente, a organização do esporte cresceu 
a partir do final do século XIX. A partir de então cada esporte está 
representado por sua respectiva confederação e federação em âmbito 
internacional, nacional, estadual ou local. Cada esporte popular tem 
um órgão que rege os princípios desta modalidade esportiva e que 
tem função organizadora, promotora ou reguladora. Assim, essas 
confederações de uma modalidade específica respondem a um 
órgão governamental ou não governamental responsável. Exemplos 
disso: podem incluir ação disciplinar por infrações de regras e decidir 
sobre mudanças nas regras do esporte que eles coordenam. Acima 
das confederações esportivas estão os órgãos maiores, que podem 
cobrir uma gama de desporto em nível internacional, nacional, 
estadual ou regional, como o Comitê Olímpico Internacional e o 
Comitê Paraolímpico Internacional. Assim sendo, o COI atua como 
órgão máximo do esporte mundial. Cada continente tem um órgão 
responsável e os países também têm o seu órgão esportivo, assim 
como os estados e alguns municípios.
Por exemplo, a FIVB (Federação Internacional de Voleibol) é responsável 
pela modalidade voleibol em todos os seus aspectos e no mundo inteiro, mas 
está filiada a uma representação ainda maior, que é o COI (Comitê Olímpico 
Internacional). Com a aprovação do COI, a FIVB organiza competições de 
voleibol e suas variações em nível mundial. Por outro lado, o COI regulariza e 
autoriza as competições, além de organizar eventos como as Olimpíadas e as 
Contextualização
Cada esporte 
popular tem um 
órgão que rege os 
princípios desta 
modalidade es-
portiva e que tem 
função organiza-
dora, promotora 
ou reguladora. 
Assim, essas 
confederações de 
uma modalidade 
específica respon-
dem a um órgão 
governamental ou 
não governamen-
tal responsável.
90
 Gestão Esportiva
Paraolimpíadas, e a FIVB é responsável pela modalidade voleibol dentro das 
Olimpíadas e outras competições gerenciadas pelo COI.
Em relação a uma modalidade específica, podemos continuar no exemplo 
do voleibol, modalidade em que a FIVB é representada nos continentes e países 
pelas confederações continentais e nacionais. Então, na América do Sul, a CSV 
(Confederação Sul-americana de Voleibol) organiza o voleibol do continente, e 
dentro do Brasil a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) organiza o voleibol 
nacional com a realização da Superliga, por exemplo. Em cada estado existe uma 
federação que responde à CBV e é responsável pelo voleibol daquele estado.
Transportando isso para a realidade brasileira, podemos dizer que, na 
maioria dos casos, o esporte na nossa cidade é, ou deveria ser, organizado por 
um órgão municipal (Fundação ou Secretaria de Esporte), que está filiado a um 
órgão do governo estadual (Secretaria Estadual do Esporte), que por sua vez está 
filiado a um órgão do governo federal (Ministério do Esporte e Comitê Olímpico 
Brasileiro - COB) e estes, filiados a um órgão continental (Organização Desportiva 
Sul-Americana, ODESUL, que organiza os Jogos Pan-Americanos, por exemplo) 
e internacional (COI).
No organograma abaixo, podemos perceber a organização institucional entre 
o esporte organizado por modalidade e o esporte organizado pelo governo, ambos 
regidos pelo Comitê Olímpico Internacional.
Figura 22 – Organização Do Esporte Institucional
Fonte: O autor.
A seguir veremos outras definições para um melhor entendimento dessa 
estruturação institucional do esporteno Brasil e no mundo.
91
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
Atividade de Estudos: 
1) Em relação ao que foi visto até agora, como você classificaria de 
maneira hierárquica a organização do esporte no Brasil? 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Organização do Esporte em 
Entidades
No que se refere às organizações desportivas, podemos classificá-las em 
três grandes grupos (PAOLI, 2004):
I. Organizações Desportivas Públicas: organizações de caráter público, 
como unidades administrativas, entidades, órgãos ou as sociedades 
criadas pelas administrações públicas para desenvolver políticas públicas 
de desenvolvimento do esporte e de construção e gestão de complexos 
desportivos.
II. Organizações Desportivas Privadas sem fins Lucrativos: são organizações 
que surgem a partir de duas situações. A primeira, de um grupo de pessoas 
físicas que se associam para criar uma entidade com personalidade jurídica 
própria, cuja finalidade é a prática ou a promoção da atividade desportiva, 
a exemplo dos clubes desportivos. A segunda situação surge a partir das 
associações que se unem à nova entidade, que permite, em certas ocasiões, a 
incorporação de pessoas físicas, com a finalidade de desenvolver programas 
desportivos, a exemplo das federações.
III. As Empresas de Serviços Desportivos: são organizações que surgiram em 
consequência da mercantilização e comercialização tanto da prática esportiva, 
recreativa e de lazer como de elementos de consumo e do espetáculo 
esportivo. Essas organizações têm como objetivo a obtenção de benefícios 
92
 Gestão Esportiva
e são regidas pelos princípios de gestão e mercado, próprios da empresa 
privada, procurando oferecer atividades de prática esportiva organizada: 
eventos, atividades ou complexos esportivos.
Neste capítulo iremos abordar ambas as entidades de organização do 
esporte, iniciando com as organizações de caráter público de âmbito internacional 
(COI e Federações) e nacional (Ministério do Esporte, COB e confederações), 
depois as organizações sem fins lucrativos (clubes e associações) e, por fim, as 
empresas de serviços desportivos e academias.
O Comitê Olímpico Internacional
O Comitê Olímpico Internacional foi criado em Paris, em 1894, 
pelo Barão de Coubertin, que também idealizou o movimento olímpico. 
Sua intenção era a promoção do esporte na busca da elevação 
de três valores essenciais: excelência, amizade e respeito. Com o 
movimento olímpico surgiram as primeiras olimpíadas da era moderna, 
que foram realizadas em 1896 em Atenas, na Grécia. Atualmente o 
COI tem sede em Lausanne, na Suíça. O Comitê é uma organização 
internacional, não governamental e sem fins lucrativos, que não recebe 
qualquer dinheiro do Estado. As suas receitas provêm principalmente 
da venda de direitos televisivos dos Jogos Olímpicos e de programas 
de marketing. Detém os direitos sobre os Jogos Olímpicos e sobre os 
símbolos do Movimento Olímpico.
Quando Coubertin anunciou em Paris o futuro restabelecimento 
dos Jogos Olímpicos, ninguém, na época, imaginou a dimensão que 
o projeto implicou, revivendo os antigos Jogos Olímpicos, designando 
uma comissão encarregada de organizá-los e criando um movimento 
internacional. O Movimento Olímpico engloba organizações, atletas e 
outras pessoas que concordam em participar do movimento olímpico, 
uma vez que respeitam os princípios da Carta Olímpica que estabelece os 
fundamentos e regras do esporte olímpico mundial. O Movimento é composto por 
três componentes principais:
• O COI: a autoridade suprema do Movimento;
• As Federações Internacionais (FIs): são organizações não governamentais 
que administram um ou vários esportes no mundo e as federações do mesmo 
esporte em nível nacional que administram em cada país.
O Comitê é uma 
organização 
internacional, não 
governamental e 
sem fins lucra-
tivos, que não 
recebe qualquer 
dinheiro do 
Estado. As suas 
receitas provêm 
principalmente da 
venda de direitos 
televisivos dos 
Jogos Olímpicos e 
de programas de 
marketing. Detém 
os direitos sobre 
os Jogos Olím-
picos e sobre os 
símbolos do Movi-
mento Olímpico.
93
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
• Os Comitês Olímpicos Nacionais (CONs): sua missão é desenvolver, 
promover e proteger o Movimento Olímpico em seus respectivos países. 
Os CONs são as únicas organizações que podem selecionar e designar 
as cidades que podem ser candidatas a organizar Jogos Olímpicos, em 
seus respectivos países. Além disso, só estas podem enviar atletas para 
os Jogos. 
Figura 23 – Símbolo e Bandeira Olímpica
Fonte: Disponível em: <http://blogs.jovempan.uol.com.br/
dofundodobau/2012/08/01/os-cartazes-e-logotipos-de-todas-as-
olimpiadas-da-era-moderna/>. Acesso em: 20 jun. 2012.
Como a própria bandeira demonstra através da união dos anéis, 
o esporte deve ser utilizado como um princípio humano de união dos 
povos pelos benefícios do esporte e da atividade física. Os cinco anéis 
simbolizam os cinco continentes e todos os países que participam do 
Olimpismo são representados pela universalidade das cores dos anéis, 
sendo que, incluído o branco do fundo, todas as seis cores que estão 
na bandeira olímpica representam as cores que estão presentes nas 
bandeiras das nações participantes.
O objetivo do Movimento Olímpico é contribuir para a 
construção de um mundo pacífico e para melhor educar a juventude 
através do esporte praticado sem discriminação de qualquer tipo, 
num espírito de amizade, solidariedade e fair play.
O movimento olímpico é definido também pelas atividades em que os 
participantes estão envolvidos, tais como:
• Promoção do desporto e das competições, por intermédio de instituições 
nacionais e internacionais de esportes em todo o mundo.
• Cooperação com organizações públicas e privadas para colocar o desporto a 
O objetivo do Mo-
vimento Olímpico 
é contribuir para a 
construção de um 
mundo pacífico 
e para melhor 
educar a juven-
tude através do 
esporte praticado 
sem discriminação 
de qualquer tipo, 
num espírito de 
amizade, solidarie-
dade e 
fair play.
http://blogs.jovempan.uol.com.br/dofundodobau/2012/08/01/os-cartazes-e-logotipos-de-todas-as-olimpiadas-da-era-moderna/
http://blogs.jovempan.uol.com.br/dofundodobau/2012/08/01/os-cartazes-e-logotipos-de-todas-as-olimpiadas-da-era-moderna/
http://blogs.jovempan.uol.com.br/dofundodobau/2012/08/01/os-cartazes-e-logotipos-de-todas-as-olimpiadas-da-era-moderna/
94
 Gestão Esportiva
serviço da humanidade.
• Assistência para desenvolver “Esporte para Todos”. 
• Avanço da mulher no esporte em todos os níveis e em todas as estruturas, 
com vista a alcançar a igualdade entre homens e mulheres. 
• A oposição a todas as formas de exploração comercial do esporte e atletas.
• A luta contra o doping.
• Promoção da ética desportiva e do fair play.
• Aumentar a conscientização sobre problemas ambientais.
• O apoio financeiro e educacional para os países em desenvolvimento por 
meio da instituição Solidariedade Olímpica do COI.
As organizações reconhecidas pelo COI, que se conformam com os princípios 
do Olimpismo e seguem as regras estabelecidas na Carta Olímpica, são:
 – Federações Internacionais
 – Comitês Olímpicos Nacionais
 – Comitês Organizadores dos Jogos Olímpicos
 – Associações Nacionais e Clubes desportivos
 – Árbitros, treinadores e responsáveis desportivos
 – Atletas
 
O COI age como um catalisador para a colaboração entre todas as partes 
da família olímpica, a partir dos Comitês Olímpicos Nacionais, as Federações 
Esportivas Internacionais, os atletas, os Comitês Organizadoresdos Jogos 
Olímpicos, os parceiros e patrocinadores e parceiros da imprensa. Ainda age junto 
às agências das Nações Unidas em projetos e programas. Assegura a celebração 
regular dos Jogos Olímpicos, suporta todas as organizações filiadas do Movimento 
Olímpico e encoraja vivamente, pelos meios adequados, a promoção dos valores 
olímpicos (COI, 2012).
Atividade de Estudos: 
1) Baseado no que foi visto acima, quais são as três principais 
funções do COI? Justifique sua resposta.
http://www.olympic.org/ioc-governance-national-olympic-committees
http://www.olympic.org/en/content/The-IOC/Governance/International-Federations/
http://www.olympic.org/en/content/The-IOC/Governance/International-Federations/
http://www.olympic.org/ioc-governance-organising-committees
http://www.olympic.org/ioc-governance-organising-committees
95
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
 _________________________________________________
 _________________________________________________
 _________________________________________________
Comitês Olímpicos Nacionais
Cada nação filiada ao COI tem o seu comitê próprio para tratar 
de assuntos do esporte. A missão dos Comitês Olímpicos Nacionais 
(CONs) é desenvolver, promover e proteger o Movimento Olímpico em 
seus respectivos países. 
Os Comitês Nacionais são comprometidos com o desenvolvimento 
dos atletas e o apoio ao desenvolvimento do desporto para todos 
os programas e esporte de alto desempenho em seus países. Eles 
também devem proporcionar a formação de administradores de 
esportes pela organização de programas educacionais. Este fato 
é pouco conhecido e difundido no Brasil, apesar de constar como 
fundamental no desenvolvimento do esporte nos países. 
Outro objetivo dos Comitês Olímpicos Nacionais é garantir que os 
atletas de suas respectivas nações participem dos Jogos Olímpicos. 
Dentro das exigências do COI, os atletas só podem participar dos 
jogos quando são selecionados e assim representam seus respectivos comitês 
nacionais.
De acordo com o COI (2012), atualmente existem 204 Comitês Olímpicos 
Nacionais dos cinco continentes. Para cada continente uma associação é 
organizada, como vemos na figura abaixo.
Figura 24- Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais por Continente
Fonte: COI, 2012.
Os Comitês 
Nacionais são 
comprometidos 
com o desenvolvi-
mento dos atletas 
e o apoio ao 
desenvolvimento 
do desporto para 
todos os progra-
mas e esporte de 
alto desempenho 
em seus países. 
Eles também 
devem proporcio-
nar a formação de 
administradores 
de esportes pela 
organização de 
programas educa-
cionais. Este fato 
é pouco conhecido 
e difundido no 
Brasil, apesar 
de constar como 
fundamental no 
desenvolvimento 
do esporte nos 
países.
http://www.olympic.org/national-olympic-committees
http://www.olympic.org/national-olympic-committees
96
 Gestão Esportiva
As Federações Esportivas 
Internacionais
As Federações Esportivas Internacionais (FIs) são responsáveis pela 
integridade do seu esporte em nível internacional. As Federações internacionais 
são organizações não governamentais reconhecidas pelo Comitê Olímpico 
Internacional (COI) como responsáveis pela administração de um ou mais 
esportes em nível mundial. As federações nacionais que administram os esportes 
são filiadas a elas, sendo respeitada sua independência, sua conservação 
e autonomia na administração de seus esportes. As Federações Esportivas 
Internacionais, para serem reconhecidas pelo COI, devem assegurar que os seus 
estatutos, prática e atividades estejam em conformidade com a Carta Olímpica.
As federações recebem do COI os fundos de investimento e têm a 
responsabilidade e o dever de gerir e controlar a administração de seus 
esportes e garantir a organização regular de competições em todo o mundo. 
Os fundos de investimento também devem ser utilizados para supervisionar o 
desenvolvimento de atletas praticantes desses esportes em todos os níveis. 
Cada FI rege o seu esporte em nível mundial e garante a sua promoção e 
desenvolvimento. 
As FIs poderão formular propostas dirigidas ao COI sobre a Carta Olímpica 
e ao Movimento Olímpico em geral, incluindo a organização e a realização 
dos Jogos Olímpicos; dar as suas opiniões sobre as candidaturas 
para organizar os Jogos Olímpicos, destacadamente em relação às 
capacidades técnicas do candidato; colaborar na preparação dos 
Congressos Olímpicos e participar das atividades das comissões do 
COI.
Exemplo de FI é a FIFA (Federação internacional de Futebol), que 
é o órgão responsável pelo futebol em nível global. A FIFA trabalha 
em estreita colaboração com as federações nacionais e empresas 
privadas. Como todas as Fis, a FIFA faz parte do Movimento Olímpico, 
contribuindo para o sucesso dos Jogos Olímpicos. A FIFA deve 
desenvolver o esporte, no caso o futebol, como meio de comunicação 
mundial e entretenimento através do planejamento e organização de 
competições, marketing e atividades de desenvolvimento. 
As Federações Internacionais governam a respectiva modalidade 
em nível global. Elas asseguram a promoção e o desenvolvimento do 
desporto e dos atletas que o praticam, em todos os níveis. Durante os 
Exemplo de FI é a 
FIFA (Federação 
internacional de 
Futebol), que é o 
órgão responsável 
pelo futebol em 
nível global. A 
FIFA trabalha em 
estreita colabora-
ção com as fede-
rações nacionais 
e empresas priva-
das. Como todas 
as Fis, a FIFA faz 
parte do Movi-
mento Olímpico, 
contribuindo para 
o sucesso dos 
Jogos Olímpicos.
97
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
Jogos Olímpicos, as federações são responsáveis pela organização prática dos 
eventos desportivos incluídos no programa. Todos os aspectos técnicos de um 
determinado desporto são da sua responsabilidade: as regras, o equipamento, 
os locais de competição, a arbitragem, etc. Essas federações são associadas a 
outras para determinado assunto, discutem problemas comuns e decidem sobre 
seus calendários de eventos, como, por exemplo, uma associação para os jogos 
de verão e outra para o inverno, assim como criam uma comissão organizadora 
que se torna responsável pela organização de uma determinada Olimpíada. 
O COI reconhece instituições internacionais para o desenvolvimento do 
esporte, do Movimento Olímpico, do fair play, da educação pelo esporte, do 
esporte para todos, para pessoas especiais, o esporte e a medicina e a ciência, 
para a imprensa internacional, para equipamentos e instalações, entre outros. 
As Organizações reconhecidas pelo Comitê Olímpico Internacional estão 
relacionadas abaixo, com a sigla original e sua tradução para o português:
RELAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES E FEDERAÇÕES 
RECONHECIDAS PELO COI
a) Associação de Federações Internacionais
ASOIF Associação das Federações Internacionais de Esportes Olímpicos de Verão 
AIOWF Associação das Federações Internacionais de Esportes de Inverno 
ARISF Associação Internacional de Esportes para Reconhecimento pelo COI 
Sport Accord Federação Internacional de Esportes
b) Associações de Comitês Olímpicos Nacionais
ACNO / ACNO Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais
ACNOA / ACNOA Associação dos Comitês Olímpicos Nacionais da África 
OCA Conselho Olímpico da Ásia 
COE / EOC Comitês Olímpicos Europeus 
ODEPA / PASO Organização Pan-Americana dos Esportes 
ODESUR Organização Desportiva Sul-Americana 
ONOC Comitês Olímpicos Nacionais da Oceania 
ODECABE Organização Desportiva da América Central e Caribe 
 
http://www.asoif.com
http://www.arisf.org
http://www.sportaccord.com
http://www.acnolympic.org
http://www.acnoa.info
http://www.ocasia.org
http://www.eurolympic.org
http://www.odesur.org
http://www.oceaniasport.com/onoc/
http://www.odecabe.org
98
 Gestão Esportiva
c) Educação / Divulgação do Ideal Olímpico / Fair Play 
AIO Academia Olímpica Internacional
CIPC Comissão Internacional Pierrede Coubertin 
IPC Instituto Pierre de Coubertin 
PI Panathlon Internacional 
Programa-quadro Comitê Internacional de Fair Play 
ICHPER-SD
Conselho Internacional para a Saúde, Educação Física, Recreação, Espor-
te e Dança 
APAO Associação Pan-Ibérica de Academias Olímpicas 
 
d) Organizações e Eventos Multi-Desportivos / Esporte para Todos
FISU Federação Internacional de Esportes Universitários
ISF Federação Internacional de Esportes Escolares
FISEC Federação Internacional de Esportes de Escolas Católicas 
CSIT Confederação dos Trabalhadores Internacionais e Amadores em Esportes 
CISM Conselho Internacional do Esporte Militar 
USIP União Internacional Esportiva de Polícia 
IWGA Associação Internacional dos Jogos Mundiais 
CIJM Comitê Internacional dos Jogos Mediterrâneos
FIEP Federação Internacional de Educação Física 
TAFISA Associação Internacional de Esportes para Todos 
CJIE / CICG Comitê dos Jogos Mundiais da Criança 
IMGA Associação Internacional de Jogos para Idosos 
WTGF Federação Mundial de Jogos para Transplantados 
 
e) Esporte Paraolímpico
IPC Comitê Paraolímpico Internacional 
CISS Comitê Internacional de Esportes para Surdos 
http://www.coubetin.ch
http://www.panathlon.net
http://www.fairplayinternational.org
http://www.ichpersd.org
http://www.ichpersd.org
http://www.csit.tv
http://www.cism-milsport.org
http://www.usip.org.pl
http://www.fiepbrasil.org
http://www.webicg.org
http://www.wtgf.org
http://www.paralympic.org
http://www.ciss.org
99
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
SOI Organização das Olimpíadas Especiais 
 
f) Medicina do Esporte e Ciências
ECSS Academia Europeia de Ciências do Esporte 
AICVS Associação Internacional para o Esporte sem Violência 
CIEPSS / ICSSPE Conselho Internacional de Ciências do Desporto e Educação Física 
FIMS Federação Internacional de Medicina Esportiva 
 
g) Equipamentos e Instalações Esportivas
IAKS Associação Internacional para Instalações Esportivas e de Lazer 
WFSGI Federação Mundial da Indústria de Artigos Esportivos 
 
h) Mídia - Informações
AFP Agência Francesa de Imprensa 
RL Agência Reuters Limited 
AIP Associação Internacional da Imprensa Esportiva 
FICTS Federação Internacional de Cinema e Televisão Esportiva 
AP Agência Associated Press 
IASI Associação Internacional para a Informação do Esporte 
 
i) Outras organizações reconhecidas
AMO / WOA Associação Olímpica Mundial 
CITO / IOTC Centro Internacional da Trégua Olímpica 
FIC Federação Internacional Timekeeping (Cronometristas)
ENGSO Organização Europeia Não Governamental para Esportes
FITO / IOTF Fundação Internacional da Trégua Olímpica 
ISOH Sociedade Internacional de Historiadores Olímpicos 
http://www.ecss.de
http://www.icsspe.org
http://www.iaks.info
http://www.wfsgi.org
http://www.olympictruce.org
http://www.engso.com
http://www.isoh.org/
100
 Gestão Esportiva
As Olimpíadas
A organização dos Jogos Olímpicos é confiada pelo Comitê Olímpico 
Internacional ao Comitê Olímpico Nacional do país da cidade anfitriã, bem como 
para a cidade sede própria. O órgão executivo do comitê inclui: o membro do 
COI ou membros no país, o Presidente e o Secretário Geral do Comitê Olímpico 
do país e pelo menos um membro que representa a cidade anfitriã. Além disso, 
geralmente inclui representantes das autoridades públicas e outras figuras 
principais.
As Comissões Organizadoras crescem a partir de pequenas organizações 
de dezenas de funcionários para chegar a vários milhares apenas sete anos 
mais tarde. O Comitê Organizador inicia seu trabalho com um período de 
planejamento seguido por um período de organização, que culmina com a fase de 
implementação, ou operacional, na realização dos Jogos. 
Figura 25 - Logo do Comitê Organizador das Olimpíadas de Londres 2012
Fonte: Disponível em: <http://www.lancenet.com.br/londres-2012/Paul-
McCartney-tocara-Londres-2012_0_713328717.html>. Acesso em: 25 jun. 2012.
Esportes Olímpicos
 
Além da organização olímpica, o COI é responsável pela escolha, exclusão 
e inclusão das modalidades desportivas no portfólio das modalidades, ou o 
chamado programa olímpico. Os desportos olímpicos são aqueles que fazem 
parte desse programa nas Olimpíadas de verão ou de inverno. Alguns esportes 
foram descontinuados, como a pelota basca ou o polo, e outros foram incluídos 
na história do programa olímpico. Para a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, 
http://www.lancenet.com.br/londres-2012/Paul-McCartney-tocara-Londres-2012_0_713328717.html
http://www.lancenet.com.br/londres-2012/Paul-McCartney-tocara-Londres-2012_0_713328717.html
101
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
o golfe e o rúgbi irão retornar ao programa oficial. Outros ainda fizeram parte 
dos Jogos em caráter de demonstração, mas nunca foram incluídos no programa 
oficial dos jogos, como, por exemplo, o futebol americano, em 1932. Alguns 
esportes apareceram como demonstração e se tornaram Olímpicos, porém 
desde 1992 não existem esportes demonstração nas Olimpíadas. Apesar de “não 
olímpicos” alguns esportes são reconhecidos pelo COI e têm suas competições 
regulares em nível internacional, como o surf, xadrez, futsal ou esqui aquático.
Na construção do programa olímpico e na inclusão de uma 
determinada modalidade, é levada em conta a popularidade desse 
esporte. Para se tornar olímpico, o esporte deve ser praticado 
largamente em vários países, ter um crescente aumento no nível de 
interesse do público e ter uma federação internacional responsável. 
De acordo com o Comitê Olímpico Internacional (2009), para um 
esporte ser incluído no programa olímpico dos Jogos de Verão (mas 
não necessariamente ser disputado nos Jogos), precisa ser praticado 
por pelo menos 70 países (50 no caso de esportes femininos) em pelo 
menos quatro continentes.
 
a) Esportes de Verão
Os esportes considerados olímpicos para as Olimpíadas que são 
disputadas no calendário de verão do hemisfério norte, entre Julho 
e Agosto, respeitam a tradição dos Jogos da antiguidade. Devido 
ao calor, muitos esportes podem ser praticados na água ou ao ar livre, sem 
dificuldades climáticas. Abaixo, a relação de esportes considerados olímpicos 
(COB, 2012):
De acordo com o 
Comitê Olímpico 
Internacional 
(2009), para 
um esporte 
ser incluído no 
programa olímpico 
dos Jogos de 
Verão (mas não 
necessariamente 
ser disputado nos 
Jogos), precisa 
ser praticado por 
pelo menos 70 
países (50 no 
caso de esportes 
femininos) em 
pelo menos quatro 
continentes.
102
 Gestão Esportiva
 
b) Esportes de Inverno
As Olimpíadas de inverno são intercaladas com as Olimpíadas de verão. As 
Olimpíadas de inverno são disputadas no calendário de inverno, pois exigem a 
presença de frio e de neve e são. Por este motivo, países como o Brasil não têm 
presença relevante nas modalidades de inverno. Abaixo a relação de esportes 
olímpicos de inverno (COB, 2012):
Alguns esportes têm variações dentro da própria modalidade como, por 
exemplo, o atletismo, com modalidades como corridas, saltos, arremessos, etc. 
A organização das competições, portanto, deve considerar as particularidades 
de cada esporte, o que demanda um processo minucioso de organização e 
preparação. Para os Jogos Olímpicos de Londres 2012, 26 esportes estavam 
no programa, num total de 36 disciplinas. Abaixo a lista de esportes com suas 
devidas disciplinas:
103
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
• Atletismo
• Badminton
• Basquetebol
• Boxe
• Canoagem (Slalom e Velocidade)
• Ciclismo (Estrada, Pista, BMX e 
 Mountain Bike)
• Esgrima
• Futebol
• Ginástica (Artística, Rítmica e 
Trampolim)
• Halterofilismo
• Handebol
• Hipismo
• Hóquei sobre a grama
• Judô
• Lutas
• Nado sincronizado
• Natação
• Pentatlo moderno
• Pólo aquático
• Remo
• Saltos ornamentais
• Taekwondo• Tênis
• Tênis de mesa
• Tiro
• Tiro com arco
• Triatlo
• Vela
• Voleibol (Quadra e praia)
Atividade de Estudos: 
1) Alguns esportes olímpicos têm variações dentro da própria 
modalidade. Entre eles, podem citar 5 variedades? 
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Athletics_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Atletismo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Badminton_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Badminton_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Basketball_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Basquetebol_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Boxing_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Boxe_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Canoeing_(flatwater)_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Canoagem_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Cycling_(road)_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ciclismo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Fencing_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Esgrima_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Football_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Futebol_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Gymnastics_(artistic)_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gin%C3%A1stica_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Weightlifting_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Halterofilismo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Handball_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Handebol_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Equestrian_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Hipismo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Field_hockey_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=H%C3%B3quei_sobre_a_grama_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Judo_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Jud%C3%B4_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Wrestling_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Lutas_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Synchronized_swimming_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Nado_sincronizado_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Swimming_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Nata%C3%A7%C3%A3o_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Modern_pentathlon_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Pentatlo_moderno_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Water_polo_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=P%C3%B3lo_aqu%C3%A1tico_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Rowing_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Remo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Diving_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Saltos_ornamentais_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Taekwondo_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Taekwondo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Tennis_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=T%C3%AAnis_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Table_tennis_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=T%C3%AAnis_de_mesa_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Shooting_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Tiro_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Archery_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Tiro_com_arco_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Triathlon_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Triatlo_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012&action=edit&redlink=1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Olympic_pictogram_Sailing.png
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vela_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Volleyball_(indoor)_pictogram.svg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Voleibol_nos_Jogos_Ol%C3%ADmpicos_de_Ver%C3%A3o_de_2012
104
 Gestão Esportiva
Distribuição da Receita Olímpica
O Comitê Olímpico Internacional e as organizações do Movimento Olímpico 
são inteiramente financiados com fundos privados. Esses fundos são derivados 
das receitas obtidas pelos direitos de transmissão dos Jogos, venda de ingressos, 
patrocínios e produtos licenciados. Essas receitas são depositadas em fundos de 
investimento. 
O COI distribui mais de 90% de sua receita para organizações de todo o 
Movimento Olímpico, para apoiar a realização dos Jogos Olímpicos e promover o 
desenvolvimento mundial do esporte. O COI mantém cerca de 10% de sua receita 
para as despesas operacionais e administrativas.
Os Comitês Olímpicos nacionais recebem apoio financeiro do COI para 
a formação e desenvolvimento de equipes, atletas olímpicos e aspirantes 
Olímpicos. O COI contribui com as receitas de transmissão olímpica e oferece 
apoio financeiro para os comitês com maiores necessidades.
O COI fornece apoio financeiro às Federações Internacionais, após a 
conclusão dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Olímpicos de Inverno. Essas 
receitas provêm do fundo de investimento obtido pela receita de transmissão 
dessas Olimpíadas. O COI fornece ainda apoio financeiro aos programas 
de várias organizações internacionais reconhecidas de esportes, incluindo o 
Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) e da Agência Mundial Anti-Doping 
(WADA). 
O gráfico a seguir fornece um guia para a receita gerada a partir do marketing 
gerido pelo COI e pela Comissão Organizadora durante um ciclo olímpico de 
quatro anos. 
Figura 26 - Receitas Olímpicas de Marketing
FONTE: COI, 2012.
105
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
Traduzindo: este gráfico indica para venda de direitos de 
transmissão (47%) e patrocínio (45%), completados pela venda de 
ingressos (5%) e pela venda de produtos licenciados (3%). O COI é 
o proprietário dos direitos de transmissão globais e direitos autorais 
para os Jogos Olímpicos. A maior receita é proveniente dos direitos 
de transmissão (broadcast) pagos pelas teles, incluindo transmissões 
na televisão, rádio, celular e plataformas de internet. Quase que no 
mesmo percentual temos a receita obtidacom os patrocinadores 
oficiais dos Jogos (sponsorship), seguidos pela venda de ingressos 
(ticketing) e pela venda de produtos licenciados (licensing).
Qualquer Olimpíada traz benefícios sociais, políticos e financeiros, além 
de estruturais, para a cidade-sede e seus países. Contudo, traz também um 
alto custo para realizá-la. Pequim gastou estimados 40 bilhões de dólares 
para a realização dos Jogos em 2008 (DIETRICH, 2009). Este valor se torna 
extremamente alto se comparado aos custos de Atlanta, em 1996, onde se 
gastaram 2,4 bilhões e Londres, em 2012, com a previsão de gastar 17 bilhões 
de dólares. 
Transportando os percentuais apresentados pelo COI, no gráfico acima, para 
a realidade dos Jogos de Pequim em 2008, teremos 1,625 bilhão de dólares de 
receita. 
Para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, patrocinadores mundiais e 
locais fazem parte do seleto grupo de apoiadores do esporte Olímpico. Essas 
empresas utilizam a ligação saudável do movimento olímpico e exploram 
seus símbolos em seus produtos, pois têm a autorização de utilizá-los. Abaixo 
percebemos os patrocinadores divididos como 1) mundiais; 2) oficiais (locais) e 3) 
apoiadores.
Figura 27 - Patrocinadores
Traduzindo: este 
gráfico indica para 
venda de direitos 
de transmissão 
(47%) e patrocínio 
(45%), completa-
dos pela venda de 
ingressos (5%) e 
pela venda 
de produtos licen-
ciados (3%).
106
 Gestão Esportiva
FONTE: COB, 2012.
A Estrutura do Esporte no Brasil
O esporte no Brasil está sob a responsabilidade do Ministério do Esporte 
(ME). O ME estrutura e organiza o esporte, além de criar programas e políticas 
para estimular a prática e a inclusão pelo esporte. O ME faz parte do Sistema 
Brasileiro do Desporto, criado a partir da Constituição, e que estabelece 
a estrutura do esporte de rendimento, de participação popular, do esporte 
escolar, de inclusão social e do paradesporto. A partir do Ministério, os esportes 
respondem ao Comitê Olímpico Brasileiro através de suas confederações 
e federações que normatizam a prática em todo o país, nos estados e nos 
municípios. 
De acordo com a Constituição Federal, Lei N.9.615/1998 (BRASIL, 1988), o 
107
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
Sistema Brasileiro do Desporto compreende:
I. O Ministério do Esporte;
II. O Conselho Nacional do Esporte – CNE;
III. O sistema nacional do desporto e os sistemas de desporto dos Estados, 
do Distrito Federal e dos Municípios, organizados de forma autônoma e 
em regime de colaboração, integrados por vínculos de natureza técnica 
específicos de cada modalidade desportiva.
O Sistema Brasileiro do Desporto tem como objetivo:
I. Garantir a prática desportiva regular e melhorar-lhe o padrão de qualidade;
II. Promover a organização desportiva do País, fundada na liberdade de 
associação, integrar o patrimônio cultural brasileiro, que é considerado de alto 
interesse social.
III. Poderão ser incluídas no Sistema Brasileiro do Desporto pessoas jurídicas 
que desenvolvam práticas não formais, promovam a cultura e as ciências do 
desporto e formem e aprimorem especialistas.
O Ministério do Esporte é responsável por construir uma 
Política Nacional de Esporte. Além de desenvolver o esporte de alto 
rendimento, o Ministério deve trabalhar ações de inclusão social por 
meio do esporte. A história institucional do esporte no Brasil teve início 
em 1937, quando foi criada a Divisão de Educação Física do Ministério 
da Educação e Cultura. Na sequência política do Brasil, o esporte 
passou a ser coordenado por departamentos do MEC e secretarias da 
presidência, até que, em 1995, o esporte começa a ser mais priorizado. 
O presidente Fernando Henrique Cardoso criou o Ministério de Estado 
Extraordinário do Esporte, desvinculando o esporte do MEC. Em 1998 
foi criado o Ministério do Esporte e Turismo e em 2003, o presidente 
Luiz Inácio Lula da Silva separou as duas pastas, ficando o esporte 
com um ministério próprio.
O organograma abaixo descreve a estrutura do ME, com a divisão de 
secretarias e departamentos importantes na construção, desenvolvimento e 
controle do esporte no país. Essa estrutura é equivalente a Julho de 2012.
O Ministério do 
Esporte é respon-
sável por construir 
uma Política Na-
cional de Esporte. 
Além de desenvol-
ver o esporte de 
alto rendimento, 
o Ministério deve 
trabalhar ações de 
inclusão social por 
meio do esporte.
108
 Gestão Esportiva
Figura 28 - Estrutura hierárquica do Ministério do Esporte 
Fonte: Ministério do Esporte, 2012.
Dentro do organograma do Ministério se percebem as divisões de funções 
em secretaria, departamentos e projetos. Estranhamente, o Conselho Nacional 
do Esporte aparece na parte inferior do organograma e, como responsável 
maior pela aprovação e acompanhamento do esporte, deveria ter lugar superior 
neste modelo, acima da secretaria executiva, como está descrito abaixo. Talvez 
este seja apenas um organograma simbólico, mas mesmo a própria construção 
hierárquica não deveria demonstrar uma classificação contraproducente ao órgão 
que deveria controlar. Podemos destacar as funções de cada órgão e definir suas 
principais ações:
I. Ministério do Esporte – Responsável pela condução e construção da Política 
Nacional do Esporte
a) Ações do Ministério
i. Conselho Nacional do Esporte – Órgão colegiado que delibera, 
normatiza e assessora o esporte através do Ministério;
ii. Ouvidoria – Responsável pela condução e correção das 
manifestações do cidadão em relação ao esporte e ao Ministério.
109
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
II. Secretaria Executiva - Supervisiona e coordena as atividades das secretarias 
nacionais e a definição das diretrizes e políticas no âmbito da Política Nacional 
do Esporte. É responsável pelo gerenciamento de recursos para construção, 
modernização de quadras, ginásios, espaços esportivos e aquisição de 
equipamentos para instituições de ensino e comunidades.
a) Ações da Secretaria Executiva 
i. Conferência Nacional do Esporte – Conferência que traz o 
debate, formulação e deliberação das Políticas Públicas de 
Esporte e Lazer para o país.
ii. Lei de Incentivo ao Esporte – Lei que determina o apoio ao 
esporte pela dedução do imposto por pessoas físicas ou jurídicas 
do lucro real de valores despendidos a título de patrocínio ou 
doação no apoio direto a projetos previamente aprovados pelo 
Ministério.
iii. Pintando a Liberdade – O programa promove a ressocialização 
de internos do Sistema Penitenciário por meio da fabricação de 
materiais esportivos.
iv. Pintando a Cidadania – A ação envolve pessoas em situação 
de risco social em fábricas de material esportivo.
v. Praça da Juventude – Projeto para a construção de praças de 
esporte e convivência.
vi. Praças do Esporte e da Cultura – Programa atrelado ao 
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que pretende 
construir 800 praças até 2014.
vii. PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 
– Programa em parceria com a ONU para a promoção do esporte.
III. Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social – 
Responsável em coordenar, formular e implementar políticas relativas ao 
esporte educacional, desenvolvendo gestão de planejamento, avaliação 
e controle de programas, projetos e ações, além de implantar as diretrizes 
relativas ao Plano Nacional de Esporte e aos Programas Esportivos 
Educacionais, de Lazer e de Inclusão Social.
110
 Gestão Esportiva
a) Ações da Secretaria Nacional de Esporte, Educação, Lazer e 
Inclusão Social
i. Segundo Tempo – Programa destinado a democratizar o acesso 
à prática e à cultura do Esporte com atividades esportivas 
realizadas no contraturno escolar na própria escola ou ambiente 
comunitário.
ii. Projetos Esportivos Sociais – Projeto que busca captar 
recursos a serem aplicados no esporte como instrumento de 
inclusãosocial.
iii. Projeto Esporte e Lazer da Cidade – Oportunizar à população o 
acesso ao esporte.
iv. Prêmio Brasil de Esporte e Lazer de Inclusão Social - 
Ação destinada ao reconhecimento de iniciativas científicas, 
tecnológicas, pedagógicas e jornalísticas que apresentem 
contribuições e subsídios para a qualificação das políticas 
públicas de esporte e lazer de inclusão social.
v. Jogos dos Povos Indígenas – Buscam promover o esporte 
aliado à difusão da cultura original e da cidadania indígena.
vi. Rede CEDES – Centros de Desenvolvimento de Esporte 
Recreativo e de Lazer, para fomentar a pesquisa relacionada ao 
esporte e ao lazer.
vii. CEDIME - Centro de Documentação e Informação do Ministério 
do Esporte.
viii. Pintando a Cidadania – Em complementação com a Secretaria 
Executiva.
IV. Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor - 
Responsável por ações que pretendem contribuir para o melhoramento 
do futebol como um todo no Brasil, entre elas o incentivo a uma cultura de 
respeito aos direitos do torcedor e os preparativos para sediar a Copa do 
Mundo da Fifa 2014.
a) Ações da Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos 
do Torcedor 
i. Copa 2014 – Criação do comitê que deve definir, aprovar e 
111
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
supervisionar as ações previstas no Plano Estratégico das Ações do 
Governo Brasileiro para a realização da Copa em 2014.
Timemania - Loteria criada com o objetivo de injetar nova receita 
nos clubes de futebol. Em troca da cedência de suas marcas, os 
80 clubes receberão 22% da arrecadação da loteria e destinarão 
os valores para quitarem dívidas com a União em FGTS, INSS e 
Receita Federal.
Torcida Legal - Conjunto de iniciativas que pretende melhorar as 
condições de segurança e o conforto do público nos estádios de 
futebol brasileiros.
V. Secretaria de Alto Rendimento – Compõe e implementa o Plano Nacional do 
Esporte. Supervisiona o desenvolvimento do esporte e a execução das ações de 
promoção de eventos em cooperação com os estados e municípios.
a) Ações da Secretaria de Alto Rendimento 
i. Descoberta do Talento Esportivo – Pretende identificar jovens 
e adolescentes que apresentam níveis de desempenho motor 
compatíveis com a prática do esporte de competição e de alto 
rendimento. Os dados coletados são inseridos num banco de 
dados nacional para consulta de técnicos, pesquisadores e 
especialistas, denominado Banco de Talentos Esportivos.
ii. Calendário Esportivo Nacional – Unificação do calendário 
esportivo em concordância com as federações e confederações e 
a secretaria de alto rendimento.
iii. Olimpíadas Escolares – Realização das Olimpíadas Escolares, 
antigos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), com atletas 
escolares de instituições de ensino públicas e privadas para uma 
competição de abrangência nacional, organizada pelo Comitê 
Olímpico Brasileiro com o apoio do Ministério. 
iv. Rede CENESP - Centros de desenvolvimento de pesquisa 
científica e tecnológica na área do esporte, treinamento e 
aperfeiçoamento de atletas, localizados em nove universidades 
públicas.
v. Rio 2016.
vi. Brasil Potência Esportiva – Programa que pretende melhorar o 
112
 Gestão Esportiva
desempenho dos atletas em competições internacionais.
vii. Bolsa Atleta – Contempla atletas amadores com o auxílio 
financeiro para a continuidade no esporte. Categorizada em 
valores de acordo com a idade e o nível de resultados alcançados 
pelo atleta.
Em 2011 foi aprovada a Lei Federal 12.395, que cria o programa 
Cidade Esportiva e a Rede Nacional de Treinamento. O objetivo da 
lei é investir na formação de atletas nos municípios brasileiros e dar 
treinamentos com foco nas atividades olímpicas e paraolímpicas. A 
expectativa é que esta lei possa representar um salto na qualidade e 
no investimento do esporte brasileiro. A mesma lei também discute a 
lei do passe e pretende valorizar o clube formador do talento. 
Pela revogação da Lei 12.395, o programa de apoio financeiro 
Bolsa Atleta, além de confirmado, será estendido a alguns atletas 
consagrados, mesmo que já recebam patrocínio. De acordo com dados 
do Ministério do esporte, o programa destinaria R$ 60 milhões para 
atender 4.243 atletas no ano de 2012, de 53 modalidades que compõem 
os programas dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paraolímpicos, sendo 
que em 2011 esse valor foi de R$ 44 milhões.
Além da confirmação e manutenção da Bolsa-Atleta, a Lei 12.395 
determinou a criação do Atleta-Pódio. A seguir, o resumo da lei que 
institui as normas gerais do desporto brasileiro: 
a) Categoria Atleta de Base
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas de quatorze a dezenove anos de idade, com destaque nas 
categorias de base do esporte de alto rendimento, tendo obtido até 
a terceira colocação nas modalidades individuais de categorias e 
eventos previamente indicados pela respectiva entidade nacional de 
administração do desporto ou que tenham sido eleitos entre os dez 
melhores atletas do ano anterior em cada modalidade coletiva, na ca-
tegoria indicada pela respectiva entidade e que continuem treinando e 
participando de competições nacionais.
R$ 370,00
Em 2011 foi apro-
vada a Lei Federal 
12.395, que cria o 
programa Cidade 
Esportiva e a 
Rede Nacional de 
Treinamento. O 
objetivo da lei é in-
vestir na formação 
de atletas nos mu-
nicípios brasileiros 
e dar treinamentos 
com foco nas ati-
vidades olímpicas 
e paraolímpicas. 
A expectativa é 
que esta lei possa 
representar um 
salto na qualidade 
e no investimento 
do esporte brasi-
leiro. A mesma lei 
também discute 
a lei do passe e 
pretende valorizar 
o clube formador 
do talento.
113
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
b) Categoria Estudantil 
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas de quatorze a vinte anos de idade, que tenham participado de 
eventos nacionais estudantis reconhecidos pelo Ministério do Espor-
te, tendo obtido até a terceira colocação nas modalidades individuais 
ou que tenham sido eleitos entre os seis melhores atletas em cada 
modalidade coletiva do referido evento e que continuem treinando e 
participando de competições nacionais.
R$ 370,00
c) Categoria Atleta Nacional 
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas que tenham participado do evento máximo da temporada na-
cional ou que integrem o ranking nacional da modalidade divulgado 
oficialmente pela respectiva entidade nacional da administração da 
modalidade, em ambas as situações, tendo obtido até a terceira co-
locação, e que continuem treinando e participando de competições 
nacionais.
Os eventos máximos serão indicados pelas respectivas confederações 
ou associações nacionais da modalidade.
R$ 925,00
 
d) Categoria Atleta Internacional 
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas que tenham integrado a seleção brasileira de sua modalidade 
esportiva, representando o Brasil em campeonatos sul-americanos, 
pan-americanos ou mundiais, reconhecidos pelo Comitê Olímpico 
Brasileiro - COB ou Comitê Paraolímpico Brasileiro - CPB ou entidade 
internacional de administração da modalidade, obtendo até a terceira 
colocação, e que continuem treinando e participando de competições 
internacionais. 
R$ 1.850,00
114
 Gestão Esportiva
e) Categoria Atleta Olímpico ou Paraolímpico 
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas que tenham integrado as delegações olímpica ou paraolímpica 
brasileiras de sua modalidade esportiva, que continuem treinando e par-
ticipando de competições internacionais e cumpram critérios definidos 
pelo Ministério do Esporte.
R$ 3.100,00
f) Categoria Atleta Pódio 
Atletas Eventualmente Beneficiados Valor Base Mensal
Atletas de modalidades olímpicas e paraolímpicas individuais que 
estejam entre os vinte melhores do mundo em sua prova,segundo 
ranqueamento oficial da entidade internacional de administração da 
modalidade e que sejam indicados pelas respectivas entidades na-
cionais de administração do desporto em conjunto com o respectivo 
Comitê Olímpico Brasileiro - COB ou Comitê Paraolímpico Brasileiro 
- CPB e com o Ministério do Esporte.
Até
R$ 15.000,00
Fonte: Brasil. Ministério do Esporte. Lei nº 12.395, de 16 de março 
de 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm>. Acesso em: 08 set. 2012.
Conheça mais a respeito da Lei 12.395:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/
l12395.htm
É importante ressaltar que, apesar das iniciativas e projetos descritos 
pelo Ministério do Esporte, muitas ações ainda engatinham e alguns projetos 
não atingem os objetivos e resultados previstos. Alguns projetos dependem 
de aprovação e fiscalização, enquanto que outros são penalizados pela nossa 
burocracia e legislação complicada. O importante seria articular o esporte com a 
educação de uma maneira integrada para que todos os alunos tivessem acesso 
à iniciação desportiva de qualidade, criando o gosto pelo esporte e atividade para 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm>. Acesso
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm>. Acesso
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm
115
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
toda a vida, e os talentos descobertos nas escolas participassem de um programa 
de desenvolvimento de atletas. Posteriormente, os destaques receberiam bolsa/
atleta para estudarem e representarem as universidades e assim estar vinculada 
à formação para atuarem como profissionais dentro ou fora do esporte.
Atividade de Estudos: 
1) Em relação à Bolsa-Atleta, quais as diferenças entre um atleta 
beneficiado na categoria Estudantil e Atleta de Base?
Estudantil Atleta de Base
Comitê Olímpico Brasileiro
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é derivado do Sistema Nacional do 
Desporto definido pela Constituição de 1988 e tem por finalidade promover 
e aprimorar as práticas desportivas de rendimento. Como diz a constituição, o 
Sistema Nacional do Desporto congrega as pessoas físicas e jurídicas de direito 
privado, com ou sem fins lucrativos, encarregadas da coordenação, administração, 
normatização, apoio e prática do desporto, bem como as incumbidas da justiça 
desportiva e, especialmente:
116
 Gestão Esportiva
I. o Comitê Olímpico Brasileiro;
II. o Comitê Paralímpico Brasileiro;
III. as entidades nacionais de administração do desporto;
IV. as entidades regionais de administração do desporto;
V. as ligas regionais e nacionais;
VI. as entidades de prática desportiva filiadas ou não àquelas referidas 
anteriormente.
O COB é uma associação civil de natureza desportiva, pertencente ao 
Movimento Olímpico, de utilidade pública, sem fins lucrativos, fundada em 8 de 
junho de 1914, no Rio de Janeiro, constituída de conformidade com os dispositivos 
regulamentares do Comitê Internacional Olímpico e de acordo com a legislação 
brasileira, com completa independência e autonomia, fora de qualquer influência 
política, religiosa, racial e econômica (COB, 2012).
Confederações Esportivas 
Brasileiras
Como foi descrito no início deste capítulo, as confederações desportivas 
de modalidades desportivas devem respeitar a programação da Federação 
Internacional do desporto correspondente. Na verdade, há uma rígida 
subordinação em linha com a Federação Internacional, que estabelece os 
padrões internacionais a serem seguidos por uma Confederação 
Nacional que, por sua vez, rege as federações estaduais. Quando 
um evento envolve mais de um estado (eventos regionais ou 
nacionais), ele tem que ser coordenado pela Confederação, pois as 
Federações apenas realizam os eventos nos estados.
Autônomas, as Confederações só estão sujeitas às leis 
federais. As Confederações são entidades sem fins lucrativos 
possuindo isenções de IR, IPTU, entre outros. As Confederações 
têm sob sua responsabilidade apenas o esporte de alto rendimento 
e não são responsáveis pelo desporto escolar, apesar de auxiliarem 
na organização de eventos deste nível com arbitragem e outras 
funções. As Confederações possuem uma série de atribuições, entre 
elas:
• Organização, convocação e preparação das seleções brasileiras masculinas e 
femininas para todas as categorias em competições internacionais;
• Montagem de comissão técnica para cada seleção, com trabalho durante 
As Confedera-
ções têm sob sua 
responsabilidade 
apenas o esporte 
de alto rendi-
mento e não são 
responsáveis pelo 
desporto escolar, 
apesar de auxilia-
rem na organiza-
ção de eventos 
deste nível com 
arbitragem e 
outras funções.
117
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
vários meses do ano envolvendo supervisores, técnicos, assistentes técnicos, 
nutricionistas etc.;
• Organização de jogos das seleções principais pelo país;
• Organização dos campeonatos nacionais e regionais da modalidade esportiva;
• Escolha e preparação das arbitragens locais para se tornarem juízes nacionais 
e mesmo internacionais;
• Capacitação de treinadores para atuarem no esporte em diversos níveis;
• Realização de seminário para treinadores nos diversos estados.
O COB trabalha diretamente com as Confederações Brasileiras que têm 
modalidades esportivas que integram o programa dos Jogos Olímpicos. São 
elas:
 
 
118
 Gestão Esportiva
Além dos chamados esportes olímpicos, existe a filiação junto ao COB das 
confederações dos esportes que não participam dos Jogos Olímpicos, mas que 
são Confederações Vinculadas e Reconhecidas, como se comprova a seguir: 
a) Confederações Vinculadas ao COB:
Confederação Brasileira de Automobilismo
Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol
Confederação Brasileira de Boliche
Confederação Brasileira de Caça e Tiro
Confederação Brasileira de Capoeira
Confederação Brasileira de Culturismo e Musculação
Confederação Brasileira de Desporto Universitário
Confederação Brasileira de Desportos Terrestres
Confederação Brasileira de Futebol de Salão
Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação
Confederação Brasileira de Karatê
Confederação Brasileira de Kung Fu/Wushu
Confederação Brasileira de Motociclismo
Confederação Brasileira de Orientação
Confederação Brasileira de Paraquedismo
Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos
Confederação Brasileira de Squash
Confederação Brasileira de Surf
Confederação Brasileira de Xadrez
Federação Brasileira de Voo a Vela
b) Confederações Reconhecidas pelo COB:
Confederação Brasileira de Beach Soccer
Confederação Brasileira de Esqui Aquático
Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu
Financiamento do Esporte no 
Brasil
Os fundos de investimento do esporte brasileiro têm por base a Lei 
Agnelo/Piva; a Lei nº 10.264:2001 estabelece que 2% da arrecadação 
bruta de todas as loterias federais do país sejam repassados ao Comitê 
Os fundos de 
investimento do 
esporte brasileiro 
têm por base a Lei 
Agnelo/Piva; a Lei 
nº 10.264:2001 
estabelece que 
2% da arrecada-
ção bruta de todas 
as loterias federais 
do país sejam 
repassados ao 
Comitê Olímpico 
Brasileiro (COB) e 
ao Comitê Para-
límpico Brasileiro 
(CPB).
119
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
Olímpico Brasileiro (COB) e ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O chamado 
“Fundo Olímpico” é distribuído às Confederações Brasileiras Olímpicas conforme 
critérios técnicos. Do total de recursos repassados, 85% são destinados ao COB e 
15%, ao CPB. Do montante destinado ao Comitê Olímpico Brasileiro, 10% devem 
ser investidos no esporte escolar e 5%, no esporte universitário. 
Traduzindo em valores, entre2005 a 2008 o COB recebeu R$ 389,7 milhões 
a partir dessas fontes de recursos, sendo que:
Desse montante, os repasses pela Lei Agnelo-Piva somam 
R$ 314,9 milhões. Outras fontes de financiamento, direta 
ou indiretamente público, foram: R$ 26,1 milhões pela 
captação de recursos através da Lei de Incentivo ao Esporte 
(Lei nº 11.438/2006); R$ 45,1 milhões através do repasse 
governamental a instituições sem fins lucrativos; e R$ 3,6 
milhões em patrocínio e parcerias com as empresas de capital 
público Petrobras, Caixa Econômica Federal e Correios 
(ALMEIDA, 2011).
Almeida (2011) classificou os percentuais de repasse de verbas da Lei 
Agnelo/Piva para as Confederações de cada esporte, de 2005 até 2009. Essa 
classificação está descrita na tabela abaixo: 
Tabela 1 – Estimativa de repasse às confederações 
brasileiras dos recursos da Lei Annelo-Paiva
120
 Gestão Esportiva
Fonte: Almeida (2011).
Como se percebe na tabela, as oito Confederações que fazem parte do Bloco 
3 recebem o maior volume de recursos, sendo as modalidades mais populares e 
com maior número de eventos e praticantes no Brasil. Exatamente por serem mais 
populares, amplificam seus recursos através de patrocinadores importantes de 
capital público, como o Banco do Brasil para o vôlei e a Caixa para o Atletismo, e 
de capital privado. Porém algumas Confederações são mantidas essencialmente 
pelo repasse da referida Lei. Assim, o fundo teve grande impacto na importância 
das Confederações para o desenvolvimento dos esportes, especialmente os 
considerados menos populares e que sofriam com a falta de recursos para a 
121
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
participação em competições internacionais e na promoção da modalidade.
O quadro demonstra uma certa disparidade na divisão de recursos pois, de 
acordo com Almeida (2009): 
Observando as confederações brasileiras que possuem 
mais recursos, veremos que, salvo poucas exceções e 
particularidades da prática entre as modalidades, elas 
possuíram, durante praticamente todo o período observado, 
patrocínio, fornecedores de materiais, infraestrutura para a 
preparação dos atletas e equipes e representatividade de 
federações em praticamente todos os estados brasileiros. 
Já as confederações brasileiras com menores recursos 
apresentam um quadro inverso.
Alguns estados da federação, por intermédio das secretarias de esporte, 
dispõem de fundos para projetos esportivos através da redução ou utilização 
dos impostos devidos por pessoas ou empresas e que possam ser vinculados a 
projetos de cunho social/esportivo.
Em Santa Catarina, por exemplo, existem alguns padrões 
de fundos para a promoção do esporte, como o SEITEC e o 
Fundesporte. Caso você queira mais informações, acesse:
SEITEC 
 http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&Itemid=54
Fundesporte
 http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task= 
cat_view&gid=168&Itemid=54
Atividade de Estudos: 
1) A Lei Agnelo/Piva determina que 2% dos valores arrecadados 
pelas loterias esportivas sejam repassados ao Comitê Olímpico 
Brasileiro. Posteriormente, esses valores devem ser utilizados 
pelas Confederações esportivas das modalidades para:
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&Itemid=54
http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=168&Itemid=54
http://www.sol.sc.gov.br/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=168&Itemid=54
122
 Gestão Esportiva
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
 __________________________________________________
Gestão de Clubes e Associações
De acordo com a Confederação Brasileira dos Clubes (CBC), existem cerca 
de 55 milhões de pessoas associadas ou sócio-torcedores em quase 14 mil clubes 
e associações no Brasil. Os clubes são responsáveis pelas opções tradicionais 
de esporte e lazer para 1/3 da população do país. Esses dados são aliados à 
estrutura dos clubes, que é composta por instalações esportivas (quadras, 
piscinas, salas de jogos, etc.), programações com atividades físico-esportivas 
(aulas de ginástica, musculação, dança, treinamentos, competições, torneios) e 
eventos sociais (festas, shows, bailes) (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS 
CLUBES, 2005).
Mezzadri (1999) classificou os clubes em quatro categorias, a partir dos seus 
aspectos socioeconômicos: 
1 - entidades culturais e políticas: são os clubes frequentados por 
pessoas que possuem o mesmo posicionamento político; 
2 - entidade de “status”: aqueles cujos integrantes possuem alto 
poder aquisitivo e que são frequentados somente por pessoas da 
elite; 
3 - clubes tradicionais: espaços onde o público, na sua maioria 
constituído de imigrantes, mantém as tradições de seus países 
de origem; e 
4 - clubes beneficentes operários: entidades criadas para auxiliar 
nas dificuldades dos operários (classe que estava em processo 
de consolidação).
Atualmente e para o nosso propósito, podemos classificar os clubes como 
entidades de lazer, esporte e classista. Porém as categorias anteriores já sofrem 
extremas mudanças, uma vez que os clubes precisam sobreviver às constantes 
ondas de inadimplência e aos altos custos de manutenção. Em outras palavras, 
123
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
podemos considerar que essas divisões e classificações estão 
atreladas às classes sociais de seus frequentadores e bem menos às 
características culturais, políticas ou de suas tradições.
Muitos clubes preservam suas tradições, mas não como 
antigamente. Dos mesmos moldes da sociedade brasileira multicultural 
e heterogênea, os clubes se atualizaram e passaram a aceitar 
pessoas de diferentes status em detrimento da sua própria sobrevivência e assim 
contornam as suas dificuldades e se mantêm ativos.
Na maioria das cidades brasileiras existem poucas áreas adequadas 
para a prática do esporte, de atividades físicas e de lazer. Assim, os clubes 
contribuem com a sua estrutura e eventos para a participação da comunidade 
para o lazer e esporte, tanto para crianças quanto para adultos. O problema é 
quando a comunidade em geral não tem acesso a parques públicos adequados 
e nem pode frequentar os clubes esportivos pela falta de condições financeiras. 
Num contexto maior, esse fato também limita a iniciação desportiva que alguns 
clubes oferecem apenas àqueles que são efetivamente sócios. Isso determina 
a elitização dos clubes, sendo um privilégio de poucos e afeta toda a estrutura 
esportiva do Brasil, uma vez que a iniciação ao esporte de elite acontece nos 
clubes.
Os grandes atletas do esporte brasileiros são desenvolvidos basicamente 
nos clubes através de suas escolinhas. Alguns clubes oferecem profissionais 
capacitados, estrutura adequada e completam essa formação com a manutenção 
de equipes de ponta do cenário esportivo nacional e mundial. Os clubes muitas 
vezes fazem o que as escolas não fazem em relação ao interesse da criança 
pelo esporte ou ainda à formação de alunos/atletas, ou o que os programas de 
governo não conseguem, ou seja, seleção de talentos e preparação para competir 
em alto nível.
Diferente de outros países como a China, onde o esporte é responsabilidade 
do governo e nos EUA, onde o esporte acontece vinculado à educação pública 
da básica à superior, no Brasil o esporte acontece por iniciativas essencialmente 
isoladas, particulares e de caráter seletivo. 
Estrutura e Organização de Clubes
Os clubes ao redor do mundo respeitam conceitos organizacionais e 
principalmente as características regionais e culturais de onde estão inseridos.
Atualmente e para 
o nosso propósito, 
podemos clas-
sificar osclubes 
como entidades 
de lazer, esporte e 
classista.
124
 Gestão Esportiva
A maioria dos clubes esportivos no Brasil realiza eventos de 
caráter recreativo e participa de competições de maneira amadora. 
Estruturalmente os clubes no geral são capitaneados pela presidência 
e pelo conselho, além de assessoria de marketing e jurídica e 
respeitam essa classificação sugerida, especialmente no que diz 
respeito às diretorias de esportes, administrativa, social e financeira. 
Rezende (2000) sugere um organograma de um clube profissional de 
futebol para classificar as funções de recursos humanos que podem 
ser utilizadas como referência organizacional em clubes em geral e não apenas 
de futebol ou outro esporte profissional.
Figura 29 - Exemplo de Organograma da Diretoria de um Clube de Futebol Profissional
Fonte: Rezende, 2000.
Para Cruz Júnior et al. (2005) o funcionamento dos clubes compreende três 
processos, que são:
1. Atendimento – onde se devem criar produtos que proporcionem 
uma atmosfera de atendimento personalizada para o associado, 
fazendo-o sentir-se, não como um consumidor, mas como um 
participante da organização do Clube. 
2. Formação & Performance - consiste na elaboração de programas 
de cursos e treinamentos que se atualizam continuamente, 
mesmo em modalidades tradicionais das áreas de Esportes e 
Sociocultural. Em geral, esses programas são revistos livremente 
por grupos de professores e treinadores a cada novo período 
de matrículas, e submetidos à aprovação dos demais grupos de 
professores e treinadores e coordenadores. Além disso, nesses 
programas são integrados inúmeros eventos de disputa no próprio 
Clube, ou fora dele, que proporcionam um aprendizado da própria 
A maioria dos 
clubes esportivos 
no Brasil realiza 
eventos de caráter 
recreativo e parti-
cipa de competi-
ções de maneira 
amadora.
125
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
situação em relação aos demais participantes dos eventos. Esses 
eventos são essenciais para o benefício da comunidade na sua 
extensão, na divulgação do clube ou ainda na busca de novos 
sócios.
3. Lazer & Entretenimento - cria produtos conjuntos que acabam 
levando o associado a se envolver com os vários setores do 
Clube, atingindo-o de maneira ativa, ou seja, cobrando a sua 
participação e não simplesmente disponibilizando-a de maneira 
passiva. Uma das características é que o associado está 
sendo acionado diariamente para o consumo desses produtos, 
ou seja, mantendo-o a maior parte do tempo na convivência do 
Clube. 
Os mesmos autores sugerem uma figura que descreve todos esses três 
processos que são articulados pelo processo de suporte em ambos com o controle 
da gestão. O mais interessante é que o associado deve ser o centro do processo 
de funcionamento de qualquer clube, como sugere a figura abaixo:
Figura 30 - Processos em Clubes
Fonte: Cruz Júnior et al. (2005).
Algumas Considerações
Percebemos neste capítulo como o esporte está estruturado e funciona dentro 
de instituições de cunho político internacional, nacional ou local. Percebemos 
também que o esporte é administrado por associações, confederações e 
126
 Gestão Esportiva
federações de caráter olímpico (várias modalidades agregadas) ou confederações 
de caráter da modalidade específica. A intenção é que o futuro gestor para o 
esporte conheça toda a estrutura para entender e melhor atuar nesse campo de 
oportunidades atraentes.
 
Foi descrito sobre a importância dos clubes na formação de atletas como algo 
histórico e que ainda é o maior celeiro de talentos no País, apesar de iniciativas 
públicas e que vêm auxiliando, especialmente com recursos antes escassos, na 
formação de atletas de alto nível.
 
Na gestão esportiva, foi discutida a organização e gerenciamento de clubes 
esportivos. Essas considerações podem auxiliar o futuro profissional da área não 
apenas na gestão específica de clubes, mas também na gestão esportiva ou 
administrativa em qualquer instituição esportiva. 
Referências
ALMEIDA, Bárbara Schausteck de. Comitê olímpico Brasileiro e o financiamento 
das confederações brasileiras. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 
vol.33 no.1. Porto Alegre Mar. 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?pid=S0101-32892011000100011&script=sci_arttext>. Acesso em: 29 jun. 
2012.
BRASIL. Ministério do Esporte. Lei nº 12.395, de 16 de março de 2011. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/
l12395.htm>. Acesso em: 08 set. 2012.
COSTA, Lamartine Pereira da. Atlas do esporte no Brasil. Rio de Janeiro: 
Shape, 2005.
COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO. COB. Sobre o COB. Disponível em: <http://
www.cob.org.br/comite-olimpico-brasileiro>. Acesso em: 22 mai. 2012.
COMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL. COI. O Movimento Olímpico. 
Disponível em: <http://www.olympic.org/ioc>. Acesso em: 22 jun. 2012.
CRUZ JUNIOR Augusto de Toledo; CARVALHO, Marly Monteiro de; LAURINDO, 
Fernando José Barbin. Estratégia e estrutura: em busca do alinhamento 
organizacional em um clube social esportivo. Gest. Prod. vol.12 no.3 São 
Carlos Sept./Dec. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S0104530X2005000300012#fi3>. Acesso em: 12 jul. 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=0101-3289&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-32892011000100011&script=sci_arttext
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-32892011000100011&script=sci_arttext
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm>. Acesso
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12395.htm>. Acesso
http://www.cob.org.br/comite-olimpico-brasileiro
http://www.cob.org.br/comite-olimpico-brasileiro
http://www.olympic.org/ioc
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104530X2005000300012#fi3
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104530X2005000300012#fi3
127
A Gestão, Organização e Infraestrutura do 
Esporte no Brasil e no Mundo
 Capítulo 3 
2012.
LEAL, Luiz Eduardo Negro Vaz. As Características Do Gestor Esportivo: Um 
Modelo De Suas Competências 2009. Disponível em: <http://pt.scribd.com/
doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-
Competencias>. Acesso em: 22 mai. 2012.
LUNA, Marlucio. Dos campos de batalha aos estádios. 5 mil anos e história.
Século XXI. Disponível em: <http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.
asp?cod_artigo=1242>. Acesso em: 22 mai. 2012.
MINISTÉRIO DO ESPORTE. ME. Ações e programas. Disponível em: <http://
www.esporte.gov.br/>. Acesso em: 12 mai. 2012.
PAOLI, Próspero Brum. Gestão, Estruturação e Organização de Escolas 
de Esportes. Disponível em: <http://www.revistamineiradeefi.ufv.br/artigos/
arquivos/7e5f84b2c96482b1199d0d079a65599c.pdf>. Acesso em: 10 jul. 2012.
POZZI, L. F. A grande jogada: teoria e prática de marketing esportivo. São 
Paulo, Globo, 1998.
SOUCI, D. Administracion, Organizaciَn y Gestiَn Deportiva. (Trad.) Barcelona, 
Inde Publicaciones, 2002.
http://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competencias
http://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competencias
http://pt.scribd.com/doc/49050566/As-Caracteristicas-Do-Gestor-Esportivo-Um-Modelo-de-Suas-Competencias
http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1242
http://portalmultirio.rio.rj.gov.br/sec21/chave_artigo.asp?cod_artigo=1242
http://www.esporte.gov.br/
http://www.esporte.gov.br/
http://www.revistamineiradeefi.ufv.br/artigos/arquivos/7e5f84b2c96482b1199d0d079a65599c.pdf
http://www.revistamineiradeefi.ufv.br/artigos/arquivos/7e5f84b2c96482b1199d0d079a65599c.pdf

Mais conteúdos dessa disciplina