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VISÃO GERAL 
A defesa contra os microrganismos, no nosso 
corpo, é mediada pelos mecanismos efetores da 
imunidade inata e adaptativa. Este último 
responde de maneira especializada e 
diferenciada de acordo com o tipo de patógeno, 
garantindo um combate mais efetivo. 
→ A especialização da imunidade 
adaptativa pode ser exemplificada pela 
geração de diferentes subpopulações de 
TCD4+ efetoras e a produção de 
diferentes isotipos de anticorpos. 
O sistema imune inato oferece a defesa inicial 
e o adaptativo fornece uma resposta mais 
sustentada e forte. 
 Muitos patógenos evoluíram para 
resistir à imunidade inata, sendo 
criticamente dependentes do sistema 
imune adaptativo. 
 A sobrevida e patogenicidade desses 
microrganismos são diretamente 
influenciadas pela habilidade destes de 
evadir ou resistir aos mecanismos 
efetores de imunidade. 
 Alguns deles estabelecem infecções 
latentes ou persistentes, em que há 
apenas controle da resposta imune, mas 
não a eliminação do microrganismo. 
Vamos abordar agora a imunidade para cada 
tipo de patógeno. 
 
BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
Conseguem se replicar fora das células 
hospedeiras, em locais como sangue, tecidos 
conectivos e espaços teciduais (como lúmen das 
vias aéreas e TGI). 
Muitas das suas espécies são patogênicas, e a 
doença é causada por 2 mecanismos principais: 
 
 
 
1. Induzem inflamação, que causa 
destruição tecidual no sítio da infecção. 
2. Produzem toxinas que causam diversos 
efeitos patológicos. 
TOXINAS 
Endotoxinas: componentes das paredes 
celulares bacterianas. 
→ Só tem uma: lipopolissacarídeo (LPS) 
de bactérias gram-negativas. É um 
potente ativador de macrófagos, células 
dendríticas e células endoteliais. 
Exotoxinas: são secretadas pelas bactérias. 
Algumas toxinas interferem nas funções 
normais das células sem matá-las, outras 
estimulam a produção de citocinas causadoras 
da doença. Exemplos de toxinas e seus efeitos: 
→ Toxina colérica → interfere no 
transporte de íons e água; 
→ Toxina diftérica → bloqueia a síntese 
proteica nas células infectadas. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE INATA A 
BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
Ativação do Complemento: 
→ Peptidoglicanos das paredes celulares de 
bactérias Gram-positivas e o LPS das 
bactérias Gram-negativam ativam o 
sistema complemento pela via 
alternativa (produção espontânea de C3 
em grande escala). 
→ As bactérias que expressam manose em 
sua superfície podem se ligar à lectina 
ligante de manose, ativando o 
complemento pela via da lectina. 
→ A ativação desse sistema provoca 
opsonização e consequente aumento de 
fagocitose dessas bactérias. Junto a isso, 
o complexo de ataque à membrana 
(MAC) produzido vai causar lise das 
bactérias, especialmente da espécie 
Imunologia 
IMUNIDADE AOS MICRORGANISMOS 
Neisseria, que possuem paredes 
celulares finas. 
→ Os subprodutos do sistema 
complemento (C3a e C5a) estimulam 
resposta inflamatória pelo recrutamento 
de leucócitos. 
 
Ativação de Fagócitos e Inflamação: 
→ Os neutrófilos e macrófagos usam 
diferentes tipos de receptores de 
reconhecimento de acordo com o tipo de 
bactéria: 
1. Receptor de Superfície (de manose 
e scavenger): reconhece bactérias 
extracelulares e promove fagocitose 
destas. 
2. Receptor Fc: reconhece bactérias 
opsonizadas com anticorpos e 
promove fagocitose e ativação de 
fagócitos. 
3. Receptor do Complemento: 
reconhece bactérias opsonizadas 
com proteínas do complemento e 
promove fagocitose e ativação de 
fagócitos. 
4. Receptor Toll/TRL: ativado por 
produtos microbianos, estimulam 
atividade microbicida dos fagócitos. 
 
Inflamação: 
→ As células dendríticas e os fagócitos 
ativados pelos microrganismos secretam 
citocinas que induzem infiltração de 
leucócitos no sítio da infecção. Esses 
leucócitos vão ingerir e destruir as 
bactérias, já que a maior parte das 
bactérias não conseguem sobreviver no 
interior dessas células. 
 
 
 
 
 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE ADAPTATIVA 
A BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
A imunidade humoral (anticorpos) é um dos 
principais agentes protetores contra bactérias 
extracelulares, e atuam bloqueando a infecção, 
eliminando os microrganismos e neutralizando 
suas toxinas. As suas respostas são dirigidas 
contra os antígenos da parede celular e as 
toxinas, que podem ser polissacarídeos ou 
proteínas. (imagem A na figura abaixo) 
Antígenos Polissacarídeos: 
→ Induzem respostas de anticorpo sem 
ativar células T (T-independentes). 
→ Isso faz com que a imunidade humoral 
seja o principal mecanismo de defesa 
contra bactérias encapsuladas ricas 
em polissacarídeos. 
→ O baço é fundamental na produção de 
anticorpos e eliminação fagocítica de 
bactérias opsonizadas. Quem perdeu o 
baço corre grande risco de contrair 
infecções graves causadas por bactérias 
encapsuladas (como Streptococcus 
pneumoniae e espécies de Neisseria). 
Antígenos Proteicos: 
→ Presentes ou secretados pela maioria das 
bactérias. 
→ Induzem anticorpos mais potentes, mas 
também imunidade mediada por células. 
→ Ativam células T auxiliares CD4+, que 
vão: produzir citocinas e expressar 
moléculas que induzem inflamação local; 
intensificar as atividades fagocíticas e 
microbicidas de macrófagos e 
neutrófilos; estimular a produção de 
anticorpos. (imagem B na figura abaixo) 
OBS: 
Células linfoides inatas (ILCs) também podem 
atuar na defesa inicial contra esses patógenos. As 
ILC3 podem ser ativadas pelas citocinas 
produzidas em respostas aos microrganismos ou 
ao dano celular, secretando IL-17 e IL-22. Essas 
citocinas secretadas vão intensificar a função 
da barreira epitelial e recrutar neutrófilos 
para o sítio da infecção extracelular. 
Mecanismos Efetores Usados Pelos 
Anticorpos: 
→ Neutralização: mediada pelo IgG, IgM e 
IgA (isotipos de alta afinidade); 
→ Opsonização: mediada por subclasses 
IgG1 e IgG3. 
→ Fagocitose; 
→ Ativação do complemento pela via 
clássica: iniciada pela IgM, IgG1 e IgG3. 
 
EFEITOS LESIVOS DAS RESPOSTAS IMUNES A 
BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
As principais consequências lesivas são 
inflamação e sepse. 
Quando os macrófagos e neutrófilos atuam no 
sítio da infecção para erradicá-la, eles acabam 
causando dano tecidual pela produção local de 
espécies reativas de oxigênio e enzimas 
lisossômicas. 
As citocinas secretadas pelos leucócitos em 
resposta aos produtos bacterianos também 
estimulam a produção de proteínas de fase 
aguda, e acarretam as manifestações 
sistêmicas da infecção. 
Sepse: 
→ Consequência patológica de infecção 
grave causada por algumas bactérias 
Gram-negativas e Gram-positivas, em 
que microrganismos ou produtos 
microbianos estão presentes no sangue. 
→ Isso causa distúrbios sistêmicos de 
perfusão tecidual, coagulação, 
metabolismo e função orgânica. 
→ Choque séptico: quando há colapso 
circulatório (choque) e coagulação 
intravascular disseminada. É a forma 
mais grave e frequentemente fatal da 
sepse. 
→ É marcado por uma explosão inicial ou 
tempestade de citocinas (TNF, IL-6 e IL-
1 sendo as principais mediadoras). 
Superantígenos: 
→ Toxinas bacterianas que estimulam 
células T que expressam membros dos 
genes Vβ do receptor. 
→ Se ligam aos TCRs e ao MHC ativando um 
número muito maior de clones de células 
T do que um antígeno peptídico 
tradicional. 
→ Isso implica numa produção enorme de 
citocinas, o que também pode resultar 
em síndrome inflamatória sistêmica. 
Geração de anticorpos produtores de 
doença: 
→ Complicação tardia da resposta humoral, 
na qual as infecções levam à produção de 
anticorpos contra uma proteína da 
parede celular bacteriana. 
→ Alguns desses anticorpos fazem reação 
cruzada com proteínas miocárdicas e são 
depositadas no coração, onde causam 
inflamação (miocardite). 
→ Ex: glomerulonefrite pós-estreptocócica 
→ sequela da infecção da pele ou da 
garganta pelos sorotipos 
“nefritogênicos”dos estreptococos β-
hemolíticos do grupo A. 
 Os anticorpos produzidos formam 
complexos com antígenos 
bacterianos que podem se depositar 
nos glomérulos renais e causar 
nefrite. 
 
MECANISMOS DE IMUNOEVASÃO POR 
BACTÉRIAS EXTRACELULARES 
Bactérias com capsulas ricas em 
polissacarídeos resistem à fagocitose, sendo 
assim mais virulentas (capazes de se 
multiplicar e causar doença) do que as cepas 
homólogas sem cápsula. 
Muitas bactérias Gram-positivas e Gram-
negativas possuem resíduos de ácido siálico, 
que inibem a ativação do complemento pela via 
alternativa (inibe inflamação). 
Outro mecanismo é a variação dos antígenos 
de superfície. 
→ Alguns antígenos de superfície de 
bactérias estão contidos em suas 
fímbrias (estruturas responsáveis pela 
adesão na célula do hospedeiro), sendo o 
principal a pilina. 
→ Os genes da pilina sofrem uma extensiva 
conversão gênica que permite a 
produção de milhares de pilinas 
antigenicamente distintas daquelas já 
reconhecidas pelos anticorpos. 
→ Isso ajuda as bactérias a evadirem o 
ataque por anticorpos pilina-
específicos. 
→ Também vai selecionar as fímbrias mais 
aderentes às células do hospedeiro, 
aumentando sua virulência. 
Na imagem abaixo podemos ver, além do que 
acabei de descrever, outros dois processos: 
alterações químicas das LPS (evasão à 
resposta humoral) e liberação de antígenos 
em blebs de membrana (bolha da membrana é 
liberada bem no local do antígeno, e isso desvia 
os anticorpos e os afastam da bactéria). 
 
 
 
BACTÉRIAS INTRACELULARES 
Uma das característica das bactérias 
intracelulares facultativas é conseguir 
sobreviver e se replicar dentro dos fagócitos. 
Isso significa que esses microrganismos ficam 
inacessíveis aos anticorpos circulantes, e que 
sua eliminação vai ser dependente da 
imunidade mediada por células. 
Na imagem abaixo temos um resumo da 
imunidade inata e adaptativa às bactérias 
intracelulares. 
 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE INATA A 
BACTÉRIAS INTRACELULARES 
É mediada principalmente por fagócitos e 
células natural killers (NK). 
Os fagócitos (lembre que de início são os 
neutrófilos e então os macrófagos) ingerem os 
microrganismos mas não conseguem destruí-
los, já que as bactérias são resistentes à 
degradação no interior dos fagócitos. 
Os produtos das bactérias são reconhecidos 
pelos receptores TRLs e proteínas 
citoplasmáticas da família de receptores tipo 
NOD (NRL), e isso resulta em ativação de 
fagócitos. 
Além disso, essas bactérias induzem a expressão 
de ligantes ativadores das células NK nas células 
infectadas, e isso resulta na ativação das 
células NK (óbvio né). Outro mecanismo que 
usam para ativar essas células é estimulando 
células dendríticas e macrófagos a produzirem 
IL-12 e IL-15, citocinas ativadoras de NK. 
As células NK produzem INF-Υ, responsável por 
ativar macrófagos e promover o killing das 
bactérias fagocitadas. 
Um outro mecanismo é utilizado pelas ILCs do 
tipo I, que residem nos tecidos. Elas secretam 
INF-Υ e TNF, que ativam macrófagos, auxiliando 
no combate a esses patógenos intracelulares. 
Ou seja: esses mecanismos têm controle apenas 
de uma defesa inicial contra esses 
microrganismos, precisando desenvolver a 
imunidade adaptativa para conseguir erradicá-
lo. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE ADAPTATIVA 
A BACTÉRIAS INTRACELULARES 
É o mecanismo principal, recrutando e ativando 
fagócitos mediados pela célula T. 
É mediado principalmente pela IL-12 e INF-Υ. 
 
As células T defendem o organismo por dois 
tipos de reações: 
1. Ativação de macrófagos por linfócitos 
TCD4+, por ação do ligante de CD40 e do 
INF-Υ, resultando no killing de 
microrganismos que sobrevivem dentro 
dos fagolisossomos. 
→ TCD4+ se diferenciam em 
efetores Th1 pela ação da IL-12 
(que é produzida por macrófagos 
e células dendríticas). 
→ Além disso, as células T 
expressam ligante de CD40 e 
secretam INF-Υ, dois estímulos 
que ativam macrófagos a 
produzirem substâncias 
microbicidas (ERO, NO e enzimas 
lisossômicas). 
2. Destruição de células infectada pela 
TCD8+ (citotóxica), eliminando 
microrganismos que escapam do killing 
dos fagócitos. 
→ As bactérias fagocitadas 
estimulam resposta das CD8+ 
quando: antígenos bacterianos 
são transportados do fagossomo 
para o citosol; ou se as bactérias 
escapam dos fagossomos para o 
citoplasma. 
→ Uma vez no citosol, os 
microrganismos não são mais 
suscetíveis aos mecanismos 
microbicidas, e então precisamos 
da ação das CD8+ para que sejam 
mesmo eliminadas. 
Além desses, o TNF (produzido por macrófagos 
ativados e outras células) atua recrutando e 
ativando fagócitos mononucleares para 
combater as micobactérias. 
Ou seja: TCD4+ e TCD8+ atuam de forma 
cooperativa para eliminar as bactérias 
intracelulares: 
 
No entanto, essa ativação de macrófagos, em 
resposta aos microrganismos intracelulares, é 
capaz de causar lesão tecidual. Ela pode 
resultar de reações de hipersensibilidade tardia 
(DTH) a antígenos proteicos microbianos. 
→ Como evoluíram para resistir ao killing 
fagocitário, essas bactérias, quando 
persistem por longos períodos, causam 
ativação crônica das células T e dos 
macrófagos. 
→ Isso pode causar formação de 
granulomas circundando os 
microrganismos (e obs: inflamação 
granulomatosa é a marca de infecção por 
essas bactérias). 
→ Essa inflamação pode servir para 
localizar e então prevenir a 
disseminação desses microrganismos. 
No entanto, também pode causar 
necrose e fibrose tecidual, sendo 
importantes causadores de lesão 
decidual. 
Uma coisa importante de ser pontuada é que os 
diferentes indivíduos possuem diferentes 
padrões de respostas de células T a 
microrganismos, e isso tem muita influência na 
progressão da doença e desfecho clínico. 
 
MECANISMOS DE IMUNOEVASÃO POR 
BACTÉRIAS INTRACELULARES 
Os mecanismos de resistência dessas bactérias 
são: 
→ Inibição da fusão do fagolisossomo; 
→ Escape para o citosol (permite que a 
bactéria se esconda dos lisossomos); 
→ Remoção ou inativação direta das 
substâncias microbicidas, como as ERO. 
Esses mecanismos de evasão, que causam 
resistência das bactérias, também é a razão pela 
qual elas tendem a causar infecções crônicas, 
que podem durar anos. 
 
 
FUNGOS 
As infecções fúngicas, ou micoses, são causas 
importante de morbidade e mortalidade em 
seres humanos. 
Algumas são endêmicas, causada por fungos do 
ambiente cujos esporos entram nos seres 
humanos. 
Outras dizemos que são oportunistas, já que os 
agentes causais provocam doenças graves 
apenas em indivíduos imunodeficientes (em 
indivíduos sadios, causa doença branda ou 
nenhuma doença). 
→ A deficiência de neutrófilos como 
resultado de dano ou supressão da 
medula óssea com frequência está 
associada a estas infecções, já que a 
imunidade comprometida é o fator 
predisponente mais importante para 
esse tipo de infecção. 
→ Como pessoas sadias não adquirem 
micoses, existe uma falta de 
conhecimento sobre a imunidade 
antifúngica, quando em relação aos 
outros patógenos. 
Os fungos que infectam seres humanos podem 
viver nos tecidos extracelulares e no interior 
dos fagócitos. Por isso, muitas vezes as 
respostas imunes a esses microrganismos são 
combinações das respostas a microrganismos 
extra e intracelulares. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE INATA E 
ADAPTATIVA AOS FUNGOS 
Imunidade Inata: 
→ A imunidade inata tem como principais 
mediadores os neutrófilos, macrófagos 
e ILCs (e por isso as infecções 
oportunistas aparecem em pacientes 
com neutropenia). 
→ Macrófagos e células dendríticas 
percebem os fungos através dos TRLs e 
receptores dectinas (do tipo lectina), 
que reconhecem β-glucanas na 
superfície dos fungos. Eles liberam 
citocinas que recrutam e ativam 
neutrófilos, ou diretamente ou via 
ativação de ILCs residentes teciduais. 
→ Os neutrófilos liberam substânciasfungicidas, como ERO e enzimas 
lisossômicas, e fagocitam fungos para o 
killing intracelular. 
 
Imunidade Adaptativa: 
→ A imunidade mediada por células é o 
principal mecanismo contra infecções 
por fungos intracelulares. O 
mecanismo em si é diferente para os 
diversos tipos de fungos. No entanto, 
esses também podem ser controlados, 
em parte, por células ILC1 (expressam T-
bet). Ainda, as respostas Th1 são 
protetoras para esses fungos, mas 
podem causar inflamação 
granulomatosa e importante lesão 
tecidual no hospedeiro. 
→ Os fungos extracelulares podem ativar 
respostas de ILC3, além de Th17. A 
resposta dessa última é, em parte, 
dirigida pela ativação de células 
dendríticas, que ligam glicanas fúngicas à 
dectina-1. Assim, essas células 
dendríticas ativadas produzem citocinas 
Th17-indutoras, como IL-1, IL-6 e IL-23. 
Em resumo: as TH17 estimulam a inflamação, 
enquanto os neutrófilos recrutados e monócitos 
destroem os fungos. 
Os fungos também ativam respostas de 
anticorpos específicos, que podem ter valor 
protetor. 
 
 
 
VÍRUS 
São microrganismos intracelulares 
obrigatórios, que usam componentes do ácido 
nucleico e a maquinaria da síntese proteica do 
hospedeiro para se replicar. 
Tipicamente infectam vários tipos celulares, por 
endocitose mediada por receptor. 
Os vírus podem causar lesão tecidual e doença 
por diversos mecanismos. Ex: quando a 
replicação viral interfere na síntese proteica e 
função celular normal, causa lesão e então 
morte da célula infectada → infecção lítica. 
→ Também podem estimular respostas 
inflamatórias que causam dano tecidual, 
assim como infecções latentes. 
As respostas imune inata e adaptativa visam 
bloquear a infecção e eliminar células 
infectadas. 
 
MECANISMOS DE RESPOSTA IMUNE INATA 
AOS VÍRUS 
Principais: inibição da infecção por INF-I e 
killing das células infectadas pelas células NK. 
Interferon I: 
→ Atuam inibindo a replicação viral tanto 
em células infectadas quanto em não 
infectadas. 
→ São produzidos por células infectadas e 
células dendríticas, por diversas vias, 
como: reconhecimento de RNA e DNA 
viral por TLRs endossômicos; ativação 
de receptores tipo RIG citoplasmáticos; 
via STING, pelo RNA e DNA viral. 
→ Todas essas vias convergem na ativação 
de proteínas quinases, estas que ativam 
fatores de transcrição IRF, que por fim 
estimulam a transcrição do gene INF. 
Células NK: 
→ Mecanismo importante no início da 
infecção. 
→ A expressão de MHC classe I é 
frequentemente “desligada” nas células 
infectadas por vírus (mecanismo para 
escapar dos CTLs/CD8+). O que acontece 
é que esse MHC é o que mantém as 
células NK inibidas em células normais. 
→ Ou seja: a ausência de MHC vai liberar as 
NK do estado de inibição e então elas 
podem matar as células infectadas. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE ADAPTATIVA 
AOS VÍRUS 
Mediada por anticorpos e CTLs (= TCD8+). 
Anticorpos: 
→ Os mais efetivos são os anticorpos de alta 
afinidade, produzidos nas reações de 
centro germinativos T-dependentes. 
→ Bloqueiam a ligação e a entrada dos vírus 
nas células hospedeiras. É por isso que 
eles são efetivos apenas quando o vírus 
é extracelular, e isso pode ser em 3 
ocasiões: 
1. Antes de infectarem as células; 
2. Quando são liberados das células por 
brotamento viral; 
3. Quando são liberados das células 
porque estas foram mortas. 
→ Os anticorpos se ligam ao envelope viral 
ou aos antígenos do capsídeo para uma 
ação neutralizadora, prevenindo tanto 
a infecção quanto a disseminação célula 
à célula. 
→ Ainda, os anticorpos podem opsonizar 
partículas e promover sua eliminação 
pelos fagócitos. 
→ Pode ser que a ativação do sistema 
complemento também contribua na 
resposta antiviral, principalmente por 
promover a fagocitose e, possivelmente, 
pela lise direta de vírus com envelopes 
lipídicos. 
→ A imunidade humoral é importante na 
defesa contra os vírus porque a 
resistência a um vírus específico, seja ela 
induzida por infecção ou vacinação, 
costuma ser específica para o tipo 
sorológico daquele vírus. 
▪ Ex: o vírus influenza. A exposição 
a um tipo sorológico não confere 
infecção a todos, e por isso a 
vacina é renovada anualmente. 
→ Como os anticorpos trabalham no meio 
extracelular, são capazes de evitar uma 
infecção, mas não conseguem erradicar 
quando ela já está estabelecida. 
Precisamos de um outro mecanismo que 
atue no meio intracelular. 
CTLs: 
→ São os responsáveis por eliminar vírus 
matando as células infectadas. 
→ A maioria dos CTLs vírus específicos são 
TCD8+ que reconhecem peptídeos virais 
citosólicos (em geral sintetizados 
endogenamente) apresentados por 
moléculas de MHC classe I. 
→ O que acontece se a célula infectada 
não for APC, mas tecidual? 
▪ Ela vai ser fagocitada por uma 
célula dendrítica (APC), que 
processa os antígenos virais e os 
apresenta às células TCD8+ naive. 
▪ Esse processo é a apresentação 
cruzada! 
→ O principal efeito antiviral das CTLs é o 
killing. No entanto, outros mecanismos 
podem ser utilizados, como ativação de 
nucleases nas células infectadas, que 
degradam os genomas virais; e secreção 
de citocinas como INF-Υ, que ativam 
fagócitos e podem ter alguma atividade 
antiviral. 
→ No entanto, algumas vezes os CTLs 
conseguem controlar a infecção, mas não 
erradicá-la. Nesses casos dizemos que a 
infecção está latente, ou seja, o DNA viral 
está ainda nas células, mas o vírus não se 
replica nem lisa a célula. 
▪ Os vírus podem permanecer nas 
células do hospedeiro por toda a 
sua vida, como o herpesvírus. 
▪ A reativação da infecção está 
associada à expressão de genes 
virais responsáveis pelos efeitos 
citopáticos e pela disseminação 
do vírus, e acontece quando há 
qualquer deficiência no sistema 
imune do hospedeiro. 
▪ Os efeitos citopáticos citados 
podem incluir proliferação 
celular descontrolada e até 
mesmo lise. 
→ A lesão tecidual pode ser também 
causada por CTLs, em algumas infecções 
virais, devido à resposta exacerbada. 
▪ Ex: Coriomeningite Linfocítica 
(LCMV) em camundongos → o 
vírus infecta as células 
meníngeas, mas não é citopático e 
não lesa diretamente as células 
infectadas. No entanto, 
promovem um mecanismo 
fisiológico de defesa ativando as 
CTLs, que vão matar essas células 
infectadas e consequentemente 
desenvolver meningite em 
camundongos com sistema imune 
completamente normal. Já 
aqueles que possuem deficiência 
não desenvolvem essa doença. 
Resumo das respostas imunes: 
 
MECANISMOS DE IMUNOEVASÃO DOS VÍRUS 
Alteração dos antígenos para que deixem de 
ser alvos da resposta imune: 
→ Os antígenos afetados normalmente são 
glicoproteínas de superfície, mas os 
epítopos das células T também podem 
sofrer variação. 
→ Isso acontece por mutações pontuais e 
rearranjo dos genomas de RNA (em vírus 
de RNA) que causam deriva e variação 
antigênica. Isso é o que acontece com o 
vírus influenza. 
▪ Deriva Antigênica: quando 
genomas virais sofrem mutações 
nos genes codificadores das 
proteínas de superfície. 
▪ Variação Antigênica: quando 
genomas de RNA segmentado de 
várias cepas de influenza (de 
hospedeiros distintos) podem se 
recombinar nas células 
hospedeiras, resultando em 
alterações na estrutura 
antigênica. Isso cria vírus 
distintos como o da gripe suína ou 
gripe aviária. Essa variação 
antigênica pode tornar um vírus 
resistente à imunidade gerada 
pela população por infecções 
prévias. 
Inibindo a apresentação de antígenos 
proteicos do citosol, pela MHC de classe I: 
→ Eles bloqueiam a montagem e expressão 
de moléculas de MHC classe I e exibição 
de peptídeos virais. 
→ Isso faz com que as células infectadas por 
vírus não possam ser reconhecidas nem 
mortas pelas CTLs. 
→ Ainda, podem produzir proteínas que 
atuam como ligantes de receptores que 
inibem as células NK (como não tem MHC 
elas seriamativadas, lembra?), para que 
a célula fique viva. 
 
Produzindo moléculas que inibem a 
resposta imune: 
→ Por exemplo, o vírus Epstein-Barr 
produz uma proteína homóloga à 
citocina IL-10, que inibe a ativação de 
macrófagos e células dendríticas, e então 
consegue suprimir a imunidade mediada 
por células. 
→ Isso cria uma possibilidade intrigante de 
os vírus carregarem genes codificadores 
de inibidores endógenos de respostas 
imunes adquiridos durante sua 
passagem pelos hospedeiros humanos. 
Assim, teriam evoluído para nos infectar. 
OBS: 
A infecção persistente por alguns vírus, como 
o da hepatite B, pode causar doenças. No caso 
desse exemplo, há a formação de 
imunocomplexos circulantes compostos por 
antígenos virais + anticorpos específicos. 
Esses complexos são depositados em vasos 
sanguíneos, causando vasculite sistêmica. 
Pelo processo de exaustão: 
→ Falha das respostas de CTLs. Isso 
permite a permanência viral, causando 
infecções virais crônicas, como HIV e 
vírus da hepatite. 
→ Pode resultar da estimulação antigênica 
persistente, que leva à regulação positiva 
de receptores inibidores da célula T. 
 
Infectando e destruindo ou inativando 
células imunocompetentes: 
→ Exemplo evidente é o HIV, que infecta e 
elimina células TCD4+ para sobreviver. 
 
A imagem abaixo resume os mecanismos de 
resposta imune aos vírus: 
 
 
 
PARASITAS 
Parasita = protozoários unicelulares, vermes 
multicelulares complexos (helmintos) e 
ectoparasitas (como carrapatos e ácaros). 
Por infectarem milhões de pessoas anualmente, 
é de grande interesse da saúde pública 
desenvolver a imunoparasitologia, como ramo 
distinto da imunologia. 
Seu ciclo de vida é complexo, e envolve os seres 
humanos (ou outros vertebrados) e 
hospedeiros intermediários, como moscas e 
carrapatos. 
Transmissão: 
→ Ocorre por picadas dos hospedeiros 
intermediários (ex: malária) ou a partir 
do compartilhamento de um habitat 
particular com um hospedeiro 
intermediário (ex: esquistossomose, é 
transmitida pela exposição à água onde 
tem os caracóis infectados – hospedeiros 
intermediários). 
Muitas infecções parasitárias são crônicas, 
devido a uma imunidade inata fraca contra 
esses organismos, e à habilidade dos parasitas 
de evadir ou resistir à eliminação pela resposta 
imune adaptativa. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE INATA AOS 
PARASITAS 
Mesmo que diferentes protozoários e helmintos 
ativem diversos mecanismos de imunidade 
inata, eles estão bem adaptados para resistir às 
defesas do hospedeiro, e então conseguem 
sobreviver e se replicar. 
O principal mecanismo imune inato é a 
fagocitose, mas muitos parasitas são 
resistentes ao killing fagocítico e podem até se 
replicar no interior dos macrófagos. 
Alguns protozoários expressam moléculas de 
superfície reconhecidas por TLRs e ativam 
fagócitos. 
Os eosinófilos contribuem para a resposta inata 
aos helmintos liberando neles o conteúdo dos 
grânulos, que conseguem destruir os 
tegumentos dos vermes. 
→ Fagócitos também podem liberar 
substâncias microbicidas para matar os 
helmintos. Entretanto, muitos deles têm 
tegumentos espessos que os tornam 
resistentes aos mecanismos citocinas de 
neutrófilos e macrófagos. Também não 
podem ser fagocitados, por serem muito 
grandes. 
Ainda, alguns helmintos podem ativar a via 
alternativa do complemento. No entanto, eles 
parecem ter desenvolvido resistência à lise 
mediada pelo complemento. 
 
MECANISMOS DE IMUNIDADE ADAPTATIVA 
AOS PARASITAS 
As respostas imunes adaptativas são diversas de 
acordo com os diversos parasitas. Por exemplo: 
→ Alguns protozoários evoluíram para 
sobreviver dentro das células 
hospedeiras → mecanismos similares 
aos que eliminam bactérias e vírus 
intracelulares. 
→ Metazoários (como helmintos) 
sobrevivem em tecidos extracelulares → 
sua eliminação depende de tipos 
especiais de respostas de anticorpos. 
Vamos abordar a partir do tipo de protozoário. 
Protozoários que sobrevivem nos 
macrófagos: 
→ O principal mecanismo é a imunidade 
celular, particularmente ativação de 
macrófagos por citocinas derivadas da 
Th1. 
→ Ex: infecção de camundongos por L. 
major, protozoário que sobrevive no 
interior dos endossomos do macrófago. 
▪ A resistência à infecção está 
associada à ativação de células 
Th1 leishmania-específicas, que 
produzem INF-Υ, ativando assim 
os macrófagos (que vão destruir 
os parasitas intracelulares). 
▪ A ativação das Th2 pelos 
protozoários causa aumento da 
sobrevivência dos parasitas e das 
lesões, porque as citocinas Th2 
inibem a ativação clássica dos 
macrófagos. 
→ A promoção da resposta Th1 ou inibição 
da resposta Th2 aumenta sua resistência 
à infecção. 
(Acho que esse é o mecanismo principal! Mas 
como não sabemos até onde podem cobrar, 
vou falar do resto). 
Protozoários que se replicam dentro de 
várias células hospedeiras e as lisam: 
→ Estimulam respostas específicas de 
anticorpos e CTLs (similar a vírus 
citopáticos). 
→ Ex: parasita da malária 
▪ Apesar da importância dos 
anticorpos, hoje é evidente que a 
resposta das CTLs é importante 
para controlar a disseminação 
desse protozoário intracelular. 
→ A citocina INF-Υ é comprovadamente 
protetora de muitas infecções por 
protozoários, como malária, 
toxoplasmose e criptosporidiose. 
Helmintos: 
→ Estimulam diferenciação das células 
TCD4+ naive na subpopulação Th2. Elas 
secretam IL-4 e IL-5. 
→ IL-4 estimula a produção de IgE. 
→ IL-5 ativa eosinófilos. 
→ Ação: IgE cobre os parasitas e eosinófilos 
se ligam a esses anticorpos, sendo assim 
ativados para liberar o conteúdo dos 
seus grânulos, que destroem os 
helmintos. 
→ Também contribuem para a expulsão 
dos parasitas do intestino. 
 
As respostas imunes adaptativas também 
podem contribuir para a lesão tecidual, e seus 
produtos induzem respostas granulomatosas 
com fibrose concomitante. 
 
MECANISMOS DE IMUNOEVASÃO POR 
PARASITAS 
Evadem a imunidade diminuindo a própria 
imunogenicidade e inibindo as respostas 
imunes dos hospedeiros por diversos 
mecanismos. 
→ Alteram seus antígenos de superfície 
durante o ciclo de vida; 
→ Se tornam resistentes à imunidade. 
→ Protozoários podem se ocultar do 
sistema imune, seja vivendo dentro das 
células hospedeiras ou desenvolvendo 
cistos resistentes aos efetores imunes. 
 
 
 
 
OBS: 
 
Euminto manipulando a resposta imune do 
hospedeiro quando a inflamação vai 
cronificando

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