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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ-UECE CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS-CCT CURSO DE GEOGRFIA LICENCIATURA TEORIA E MÉTODO PROF.ª ADRIANA DE SA LEITE DE BRITO SUELLEN INGRID PEREIRA LIMA FICHAMENTO FORTALEZA-CEARÁ 2020 A dependência que a observação tem a teoria (págs.46-60). Terceiro Capítulo CHALMERS, Alan F. O que é ciência afinal? Editora Brasiliense, 1993. - Existem duas suposições importantes envolvidas na posição induvidista ingênua em relação a observação. Uma é a ciência que começa com a observação. A outra é que a observação produz uma base segura da qual o conhecimento pode ser derivado. (p.46) - Dois pontos são fortemente sugeridos pelo esboço que se segue pela observação via sentido da visão, que são pontos-chaves. O primeiro é que um observador humano tem acesso mais ou menos direto a algumas propriedades do mundo externo à medida que essas propriedades são registradas pelo cérebro no ato da visão. O segundo é que dois observadores normais vendo o mesmo objeto ou cena do mesmo lugar “verão” a mesma coisa. (p.47) - O que um observador vê, isto é, a experiência visual que um observador tem a ver com um objeto, depender em parte de sua experiência passada, de seu conhecimento e de suas expectativas. (p.49) - O que os observadores vêem, as experiências subjetivas que eles vivenciam ao verem um objeto ou cena, não é determinado apenas pelas imagens sobre suas retinas, mas depende também da experiência, expectativa e estado geral interior do observador. (p.50) - Na medida em que se trata da percepção, a única coisa com a qual um observador tem contato direto e imediato são suas experiências. Essas experiências não dadas como únicas ou imutáveis mais variam com as expectativas e conhecimento do observador. (p. 51-52) - Quando o indutivista ingênuo e muitos outros empiristas supõem que algo único nos é dado pela experiência e que pode ser interpretado de várias maneiras, eles estão supondo, sem argumento e a despeito de muitas provas em contrário, alguma correspondência entre as imagens sobre nossas retinas e as experiências subjetivas que temos quando vemos. (p.52) - Na linguagem cotidiana é frequente o caso de uma “proposição de observação” aparentemente não-problemática revelar-se falsa quando uma expectativa é desapontada, devido à falsidade de alguma teoria pressuposta na asserção da proposição de observação. (p.57) - De acordo com o mais ingênuo dos indutivistas, a base do conhecimento científico é fornecida pelas observações feitas por um observador despreconceituoso e imparcial. Se for interpretada literalmente, esta posição é absurda e insustentável. (p.58) - As teorias podem ser, e geralmente são concebidas antes de serem feitas as observações necessárias para testá-las. (p.60) Teorias como estruturas: programas de pesquisa (págs.109-122). Sétimo Capitulo. CHALMERS, Alan F. O que é ciência afinal? Editora Brasiliense, 1993. - Uma das razões pelas quais é necessário considerar as teorias como estruturas origina-se de um estudo da história da ciência. O estudo histórico revela que a evolução é progresso das principais ciências mostram uma estrutura que não é captada pelos relatos indutivistas e falsificacionista. (p.109) - O argumento histórico não é, contudo, a única base para a afirmação. Um outro argumento, mais filosófico, está intimamente ligado à dependência que a observação tem da teoria. (p.109) - A afirmação de que os conceitos obtêm seus sentidos ao menos em parte do papel que desempenham numa teoria é sustentada pelas seguintes reflexões históricas. (p.111) - As modernas teorias sociológicas não enunciam um programa coerente como guia para pesquisas futuras. (p.112) - A heurística positiva é composta de uma pauta geral que indica como pode ser desenvolvido o programa de pesquisa. (p.113) - Os programas de pesquisas serão progressivos ou degenerescentes, dependendo de sucessos e fracasso persistente quando levam à descoberta de fenômenos. (p.113) - O núcleo irredutível de um programa é, mais que qualquer outra coisa, a característica que o define. Ele assume a forma de alguma hipótese teórica muito geral que constitui a base a partir da qual o programa deve se desenvolver. (p.113) - A heurística negativa de um programa é a exigência de que, durante o desenvolvimento do programa, o núcleo irredutível deve permanecer intacto e sair deste programa. Qualquer cientista que modifique este núcleo optou por sair deste programa de pesquisa cientifico. (p.114) - A heurística positiva, aquele aspecto de um programa de pesquisa que indica aos cientistas o tipo de coisa que devem fazer, antes das que não devem fazer, é algo mais vago e difícil de caracterizar especificamente do que a heurística negativa. A heurística positiva indica como o núcleo deve ser suplementado para explicar e prever fenômenos reais. (p.115) - Duas das maneiras em que o método de um programa de pesquisa deve ser avaliado surgiram do esboço que vimos. Em primeiro lugar, um programa de pesquisa deve possuir um grau de coerência que envolva o mapeamento de um programa definido para a pesquisa futura. Segundo um programa de pesquisa deve levar à descoberta de fenômenos novos, ao menos ocasionalmente. Um programa de pesquisa deve satisfazer às duas condições para se qualificar como programa cientifico. (p.117) - Dois tipos de movimentos são excluídos pela metodologia de Lakatos. Hipótese ad hoc, e hipótese não-independentemente testáveis são excluídas. (p.118) - O outro tipo de passo excluído é aquele que viola o núcleo. (p.119) - A importância de uma observação para uma hipótese sendo testada não é tão problemática dentro um programa de pesquisa, pois o núcleo irredutível e a heurística positiva servem para definir uma linguagem de observação bastante estável. (p.119) - Enquanto os méritos relativos de hipóteses competitivas dentro de um programa de pesquisa podem ser determinados de uma forma relativamente direta, a comparação de programas de pesquisa rivais é mais problemática. Devem-se julgar os méritos relativos de programas de pesquisa à medida que eles estejam progredindo ou degenerando. (p.119)