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Bruna Milena de Araújo
ESQUIZOFRENIA - ESTUDO INTEGRADO
Componentes do Sistema Límbico
1. Componentes corticais
● giro do cíngulo → contorna o corpo caloso e liga-se posteroinferiormente
ao giro parahipocampal através do istmo do giro do cíngulo;
● hipocampo → situado nos cornos inferiores do ventrículo lateral, acima
do giro parahipocampal. Projeta-se para o corpo mamilar e área septal
através do fórnix, um feixe de fibras compactas;
- inclui o hipocampo propriamente dito, o giro denteado e o
subiculum.
● giro parahipocampal → está na face inferior do lobo temporal.
2. Componentes subcorticais
● corpo amigdalóide → nele se encontra o núcleo amigdalóide, um núcleo
da base. Está situado no lobo temporal perto do uncus, em relação com a
cauda no núcleo caudado, sendo composto por vários núcleos
sobrepostos;
- é importante salientar que existe uma conexão do corpo
amigdalóide com o próprio hipotálamo, através da estria terminal.
- A estria terminal é o conjunto de fibras eferentes que terminam no
hipotálamo.
● área septal: situada
abaixo do rostro do corpo
caloso e compreende grupos
de neurônios de disposição
subcortical conhecidos como
núcleos septais. É importante
dizer que possui várias
conexões importantes,
destacando-se suas projeções
para o hipotálamo e para a
formação reticular através do
feixe prosencefálico medial;
- A área septal está envolvida na raiva, prazer e ao controle
neurovegetativo, pois, por exemplo, quando esta área é estimulada
Bruna Milena de Araújo
- há aumento do ritmo respiratório e alteração na pressão arterial;
- O feixe prosencefálico medial é a principal via de ligação do sistema
límbico com a formação reticular
● Núcleos mamilares → conectam-se através do fórnix com o hipocampo e
se projetam para os núcleos anteriores do tálamo através do fascículo
mamilo-talâmico. Esses núcleos, por sua vez, situam-se no tubérculo
anterior do tálamo;
● núcleos anteriores do tálamo→ recebem fibras dos núcleos mamilares
através do fascículo mamilo-talâmico se projetam para o giro do cíngulo.
- situam-se no tubérculo anterior do tálamo.
● núcleos habenulares → basicamente fazem conexão do sistema límbico
(pelas estrias medulares) com o mesencéfalo, já que se projetam para o
núcleo interpeduncular do mesencéfalo.
3. Conexões intrínsecas do Sistema Límbico
● Circuito de Papez
- Papez propôs uma série de conexões aferentes provenientes do
tálamo e do hipotálamo que se integrariam no córtex cingulado, de
modo que as experiências emocionais ocorreriam quando este
integrasse as informações provenientes do hipotálamo com as
informações provindas do córtex sensitivo.
- Dessa forma, uma eferência do córtex do giro do cíngulo ao
hipocampo e ao hipotálamo permitiria o controle central das
emoções.
➔ HIPOCAMPO → FÓRNIX → NÚCLEOS MAMILARES → FASCÍCULO
MAMILO TALÂMICO → NÚCLEOS ANTERIORES DO TÁLAMO→CÁPSULA
INTERNA → GIRO DO CÍNGULO → FASCÍCULO DO CÍNGULO → GIRO
PARA HIPOCAMPAL → HIPOCAMPO.
4. Conexões extrínsecas do Sistema Límbico
a) conexões aferentes: as modalidades sensitivas como visão, audição,
olfação e somestésicas que sinalizem perigo são integradas ao sistema
límbico de modo que este possa elaborar uma resposta adequada. Assim,
todas essas informações são processadas nas áreas de associação
secundárias e terciárias do córtex e penetram no sistema límbico por vias
que se projetam ao giro parahipocampal (visto que há acesso dos núcleos
anteriores do tálamo ao córtex desse giro), de tal forma que os estímulos
ganham o circuito de Papez.
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b) conexões eferentes: através delas o sistema límbico participa das
manifestações periféricas dos processos emocionais e, ao mesmo
tempo, controlam o sistema nervoso autônomo (SNA). Tais funções são
estabelecidas através de vias que ligam esse sistema à formação reticular e
com o hipotálamo. O hipotálamo é o principal executor do sistema
límbico.
➔ As conexões do sistema límbico com a formação reticular se dão através
de três formas:
1) fascículo mamilo-tegmentar: são fibras que se projetam dos núcleos
mamilares para a formação reticular;
2) feixe prosencefálico medial: está situado entre a área septal e o tegmento
do mesencéfalo. É a principal via de ligação entre o sistema límbico e a
formação reticular
3) estria medular: são feixes de fibras que se originam na área septal e
terminam nos núcleos habenulares do hipotálamo. Dos núcleos
habenulares existem projeções para o núcleo interpeduncular do
mesencéfalo e deste para a formação reticular.
IMPORTANTE
O HIPOTÁLAMO e a FORMAÇÃO RETICULAR possuem conexões diretas com
os neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso autônomo.
5. Funções do Sistema Límbico
● Regulação das emoções, do sistema nervoso autônomo e processos
motivacionais à sobrevivência (fome, sede e sexo), além de funções de
memória e aprendizagem.
Experimentos de Kluver e Bucy
→ Experimentos com macacos Rhesus: ablação bilateral da parte anterior do
lobo temporal, lesando estruturas importante do sistema límbico como
hipocampo, corpo amigdaloide e giro parahipocampal.
→ Resultados:
- domesticação total de animais que são instintivamente agressivos;
- agnosia visual: incapacidade de reconhecer objetos ou mesmo animais que
antes causavam medo;
- tendência hiperssexual;
Estados semelhantes foram obtidos em seres humanos submetidos à cirurgia de
retirada do lobo temporal para tratamento de formas agressivas da epilepsia.
Bruna Milena de Araújo
Mecanismos de memória
● Existem dois tipos de memória: memória recente e memória remota;
● A memória recente depende do sistema límbico, envolvido em processos
de retenção e consolidação de informações novas, além de
armazenamento temporário e transferências para áreas neocorticais de
associação para armazenamento permanentes.
● Daí surge o conceito de amnésia anterógrada, envolvida em casos de
ablação justamente do córtex temporal, em que os pacientes tornam- se
incapazes de armazenar memórias após o ato cirúrgico. A amnésia
torna-se muito mais grave quando envolve o corpo amigdalóide.
● Existe a síndrome de Korsakoff, que resulta na destruição de corpos
mamilares devido ao alcoolismo e ocasiona amnésia anterógrada.
● Alzheimer: degeneração de neurônios colinérgicas do núcleo basal de
Meynert →isso leva a uma perda das fibras colinérgicas que exercem ação
moduladora sobre a atividade do sistema límbico e neocórtex
relacionados com memória.
Haloperidol - Mecanismo de ação
● É um neuroléptico que pertence à classe das butirofenonas, indicado no
tratamento de diversas doenças, incluindo esquizofrenia, mania,
distúrbios comportamentais e crises de ansiedade graves.
● Sua esterificação pode resultar em liberação lenta nos tecidos gordurosos
e aumento de sua meia-vida plasmática;
● Completamente absorvido no trato gastrointestinal, sendo metabolizado
no fígado, excretado na urina, no leite materno e nas fezes;
● Cruza a barreira hematoencefálica e liga-se aproximadamente a 92% das
proteínas plasmáticas. Após administração, a meia vida varia entre 12h e
38h;
● Efeitos indesejáveis: sedação, efeitos antimuscarínicos, hipotensão e, com
maior frequência, efeitos extrapiramidais.
● O mecanismo preciso de ação do haloperidol é ainda desconhecido
- Hipótese 1� antagonista de receptores de monoaminas
- Inibição da recaptação de vários neurotransmissores no cérebro
● O fármaco parece ser um forte antagonista central de receptores de
dopamina e fraca atividade anticolinérgica central.
● Reações extrapiramidais: ocorrem durante os primeiros dias após o início
do tratamento e consistem em sintomas parkinsonianos, que variam de
brandos a moderados, e param de ocorrer após interrupção da medicação.
Outros sintomas extrapiramidais incluem actasia, uma impossibilidade
motora, distonia tardia e reações distônicas, como hiperreflexia.
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● A ocorrência e gravidade das reações extrapiramidais estão muito
relacionadas à dose, já que aparecem com doses relativamente altas e
cessam com a redução desta.
O HALOPERIDOL PRODUZ BLOQUEIOCOMPETITIVO DOS RECEPTORES
DOPAMINÉRGICOS PÓS-SINÁPTICOS, NO SISTEMA MESOLÍMBICO PARA
PRODUZIR AÇÃO ANTIPSICÓTICA.
Esquizofrenia
a) Sintomas positivos: alucinações, ilusões e distorção da realidade → diminuem
com o tratamento com neurolépticos.
b) Sintomas negativos: isolamento social, embotamento afetivo e diminuição da
atenção → mais difíceis de serem tratados.
➔ Os neurolépticos são medicamentos usados no tratamento de
esquizofrenia e possuem como mecanismo de ação o bloqueio de
receptores de dopamina centrais.
- São classificados em:
a) típicos: haloperidol, clorpromazina, flufenazina, etc
b) atípicos: clozapina, quetiapina, risperidona
Onde os neurônios dopaminérgicos estão localizados?
- SNC: vias mesolímbica, mesocortical, túbero-infundibular e
nigroestriatal.
1) VIA MESOLÍMBICA
Parte do mesencéfalo até o sistema límbico. O mesencéfalo está relacionado às
funções de sono e vigília, enquanto o sistema límbico é responsável pela
elaboração das reações emocionais e comportamento de punição e recompensa.
É composta por neurônios dopaminérgicos que se projetam da área tegmentar
ventral (ATV) para o corpo estriado ventral. A ATV está localizada no
mesencéfalo e é constituída de neurônios dopaminérgicos, GABAérgicos e
glutamatérgicos.
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A via mesolímbica está envolvida na cognição de motivação. A depleção da
dopamina nesta via pode diminuir a extensão em que um animal está disposto a
buscar uma recompensa (tempo procurando comida) → afagia??
2) VIA MESOCORTICAL
Inicia-se no mesencéfalo e termina no córtex, que está ligado à linguagem, ao
pensamento abstrato e às funções motoras, associativas e visuais.
Esta via pode ser o sistema cerebral que funciona anormalmente no caso das
psicoses, como na esquizofrenia. Pensa-se estar associada aos sintomas
negativos da esquizofrenia que incluem a avolição, alogia e embotamento
afetivo. Esta via está amplamente associada com a via mesolímbica.
3) VIA TUBERO-INFUNDIBULAR
Se estende do hipotálamo até a eminência média, o hipotálamo comanda
funções autonômicas, elabora funções específicas como sede e fome, apetite por
nutrientes específicos (como sal e açúcar), além de ser responsável pela
sobrevivência do indivíduo e propagação da espécie (luta/fuga/sexual).
4) VIA NIGROESTRIATAL
Segue do mesencéfalo ao corpo estriado, que está relacionado ao controle
central do movimento.
O paciente esquizofrênico pode apresentar ilusões na área emocional, mística e
sexual, alucinações auditivas e olfativas e distorção da realidade. Esses sintomas
estão relacionados ao aumento de dopamina na via mesolímbica e mesocortical
e são tratados com neurolépticos que bloqueiam os receptores dopaminérgicos
centrais.
Os neurolépticos bloqueiam os receptores dopaminérgicos em todo o SNC,
consequentemente há o bloqueio da via tubero-infundibular e nigroestriatal,
resultando em efeitos colaterais hormonais e extrapiramidais, respectivamente.
O bloqueio indesejável da via tubero-infunfibular traz efeitos como a
galactorreia (lactação indesejada em mulheres e síndrome neuroléptica maligna.
Já na via nigroestriatal causa efeitos motores (extrapiramidais).
EFEITOS EXTRAPIRAMIDAIS - EXPLICAÇÃO
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicose
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicose
https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquizofrenia
https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Avoli%C3%A7%C3%A3o&action=edit&redlink=1
https://pt.wikipedia.org/wiki/Embotamento_afetivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Embotamento_afetivo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Via_mesol%C3%ADmbica
Bruna Milena de Araújo
O equilíbrio das atividades dopaminérgica e colinérgica é importante para a
normalização das funções destas vias. A esquizofrenia caracteriza-se pelo
aumento da atividade dopaminérgica em relação à atividade colinérgica, nas vias
mesolímbica e mesocortical. O bloqueio de receptores de dopamina causado
pelo neuroléptico equilibra a atividade dos neurônios dopaminérgicos e
colinérgicos nestas vias. Porém, a ação bloqueadora dopaminérgica do
neuroléptico sobre a via nigroestriatal, que controla o movimento
normalmente equilibrado no paciente esquizofrênico, fica em desequilíbrio
(baixa atividade dopaminérgica em relação à atividade colinérgica).
Como os neurolépticos causam desequilíbrio na via que controla o movimento
(diminuição da atividade de dopamina em relação à atividade da acetilcolina), o
bloqueio da atividade colinérgica central pelo biperideno equilibra a atividade
dopaminérgica/colinérgica na via nigroestriatal, normalizando a função
motora central. Porém, ao bloquear os receptores de acetilcolina em outras
áreas, como a via mesolímbica e mesocortical, o biperideno provoca aumento
da atividade dopaminérgica em relação à colinérgica – condição esta que se
assemelha à encontrada na esquizofrenia. Talvez por este motivo, 52,94% dos
pacientes que receberam biperideno apresentaram alucinação ou delírio.

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