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Hematopoese e interpretação do hemograma Hematologia - Prof. Marinho marques Aula 1 – 15/02/2021 Hematopoese Produção de células do sangue; Produção de cerca de 1 trilhão de células/dia; O sangue é produzido na medula óssea, a partir das células tronco que representam 0,1% das células nucleadas da medula óssea; Necessita de um microambiente normal na medula óssea para que as células hematopoiéticas se desenvolvam: • Sobrevivência das células progenitoras; • Acomodar as células em desenvolvimento; • Favorecer a interação entre as células; A produção hematopoiética começa desde o periodo embrionario, nas ilhotas sanguíneas do saco vitelínico na placenta, e essa fase é muito restrita a produção da linhagem vermelha (eritroide). Entre a 5ª e a 6ª semana de gestação o figado tambem assume uma função hematopoiética até o final da gestação, juntamento com o baço em menor quantidade. Entre o 5º e o 6º mês de gestação o feto já começa a ter uma médula óssea funcionante, fazendo a diferenciação das três linhagens sanguíneas: linhagem branca, vermelha e plaquetária. No momento do nascimento, todo os ossos possuem um sistema hematopoiético funcionante e a medida que vai envelhecendo, esse tecido hematopoiético vai sendo substituido por tecido gorduroso. Já na criança, praticamente todo esqueleto é hematopoiético. No individuo adulto, a medula óssea funcionante se encontra, basicamente, no esqueleto axial (cranio, coluna, costelas, bacia e porção proximal dos ossos longos, principalmente no fêmur e no úmero. Medula óssea = osso trabecular + tecido hematopoiético O tecido hematopoiético fica entre as trabéculas e é produzido dentro desse compartimento ósseo, que é fechado, então a dinâmica de maturação deve ocorrer corretamente para que não se tenha problemas. Estroma medular É o tecido que dá sustentação ao tecido hematopoiético; Composição: Medicina UniFTC – 8º semestre Mª Manuela Ribeiro • Seios venosos com sinusoides formados por células endoteliais contínuas, células reticulares e células adiposas, responsáveis por levar as células hematopoiéticas para a circulação; • Matriz extracelular composta por proteínas, glicoproteínas e proteoglicanos; • Colágeno, fibronectina e laminina; Regulação da proliferação e diferenciação celular; Produção de fatores de crescimento; Hematopoese Células tronco: é a célula mais imatura da medula óssea e todas as células do sangue são produzidas a partir destas células; • Divisão assimétrica: durante a divisão celular são geradas uma nova célula tronco (para preservar a capacidade autorregeneração – long term e short term) e uma célula progenitora comprometida com uma linhagem específica (mieloide ou linfoide, a depender da dinâmica de necessidade da medula. Célula precursora: • Perda do potencial de autorregeneração; • Comprometimento com uma linhagem (mieloide ou linfóide); • Dão origem ás unidades formadoras de colônia (UFC) – unidades mais especificas de cada linhagem; • Células diferenciadas são a maioria da medula óssea. O precursor linfoide dá origem a diferenciação linfóide B, que acontece dentro da medula óssea, e a diferenciação linfóide T que acontece no timo. A diferenciação mieloide ocorre por meio da formação de precursores intermediários, até que chegue na UFC eritróide, sob a ação da eritropoietina (principal hormônio estimulante), produzindo as hemácias. Os megacariócitos são os precursores plaquetários, a partir da ação da trombopoetina. A serie granulocítica (leucócitos) são produzidos a partir de precursores dessas linhagens: granulocíticas, monocíticas, basofílica e eosinofílica, que vão dar origem à essas células no sangue periférico. Eritropoese Produção de hemácias/ série vermelha – cerca de 200 bilhões/dia Produção exclusiva na medula óssea, em condições patológicas pode ser produzida fora da MO – anemias hemolíticas graves (ex.: talassemia), neoplasias hematopoiéticas (metaplasia mieloide: produção de tecido mieloide em locais que não são produtoras de células hematopoiéticas); Expressão de glicoforina A; Receptor de eritropoetina e transferrina, para permitir a ligação com os hormônios que vão estimular essas células e para captar a molécula de ferro. Eritropoetina: principal fator de crescimento da linhagem eritrocitária, sendo produção renal (90%) e no fígado (10%); Ex.: pacientes com IRC possuem anemia já que há uma deficiência endógena de eritropoetina, sendo necessário receber reposição de eritropoetina; A unidade formadora de colonia eritróide (UFC-E) evolui para a formação dos eritoblastos, tendo o nucleo reduzido até que essas celulas passem para a circulação, sob a forma de reticulócitos, quem em cerca de 48hrs perdem os resquicios de RNA e se transformam nas hemacias. No snague periferico em circulação só devem ser encontrados os reticulócitos (em pequena quantidade) e hemácias, quando tiverem precursores eritóides no sangue periférico, significa algum problema. Serie granulocítica Produz células com funções de fagocitose e destruição de agentes patogênicos; Células maduras: neutrófilos, eosinófilos e basófilos; Citocinas: G-CSF (Fator estimulador de colônia granulocítica) e GM-CSF; Ficam apenas horas no sangue periférico e logo vão para os tecidos realizar sua função de fagocitose e quimiotaxia; Na circulação, 50% estão marginados nas paredes dos pequenos vasos, para facilitar sua passagem para o sangue periférico. As moléculas de adesão fazem com que essas células tenham uma adesão maior a parede do endotélio. Rolagem → Adesão → Passagem por entre as células endoteliais Monócitos e macrófagos Células dispersas no organismo, com intensa capacidade fagocitária, eliminação de restos celulares e tecidos lesados e participação nos mecanismos imunes pela interação com linfócitos (apresentação de antígenos); Passagem rápida pelo sangue: vão para os tecidos, recebndo denominações conforme sua localização; • Macrófagos do osso – octeoclastos • Macrófagos do fígado – células de kupffer • Macrófagos do SNC – células da glia Importantes na defesa contra parasitas intracelulares; Linfócitos Órgãos linfóides primarios: expressam pela 1ª vez os receptores antigênicos e adquirem maturidade fenotípica e funcional; • Médula óssea: maturação linfoide B; • Timo: maturação linfoide T; Órgãos linfoides secundários: resposta imune aos antígenos e produzem anticorpos • Linfonodos, baço, tecido linfoide associado à mucosa; Plasmocito são produtores de imunoglobulina, e são derivados da linhagem de linfócitos B; Série plaquetária Produzidas a partir dos megacariócitos, por fragmentação do citoplasma, com isso, as plaquetas tambem não tem núcleo. Regulação princial pela trombopoetina; Plaquetas vivem cerca de 10 dias na circulação, boa parte é consumida no processo de hemostasia. Além disso, cerca de 1/3 das plaquetas estão retidas no baço, por isso que os paciente com esplenomegalia fazem plaquetopenia. Sobrevida das plaquetas pode ser reduzida em algumas doenças como PTI (purpúra trombocitopenica imune) e ação de drogas. A produção das plaquetas acontece na médula óssea, a partir dos megacariócitos (imaturo) atarves da fragmentação do citoplasma. Os megacariócitos não passam para o sangue periférico devido ao seu tamanho. A dinâmica de maturação, tanto da séria branca quanto da séria vermelha, quanto mais imatura a célula mais distante dos vasos e, a medida em que vão amadurecendo, começam a ficar próximas dos vasos e vão para circulação. Essa organização é importante porque como a médula óssea é um compartimento fechado, essa ordem acontece para evitar problemas na produção e liberação dessas células. Avaliação do hemograma Reconhecer as diferentes séries e seus índices hematimétricos; Obter informações de importância clínica; Utilidade em várias doenças; Exame rápidoe barato; Composição: eritrograma (série vermelha), leucograma (série branca) e plaquetas; Observação da lâmina; Componentes do sangue 55% de plasma 45% de células: • 99% eritrócitos • <1% leucócitos e plaquetas O hematócrito representa o percentual de hémacias em 1L de sangue, ou seja 45% ou 450ml. 8% do peso corporal é sangue. • As plaquetas estão entre 150.000-450.000 • Série branca está entre 5.000-10.000 • Série vermelha está entre 4,5-5,4 milhões Eritrograma: Hemácias Hematócrito: nº total de hemácias; VGM/VCM: é o volume corpuscular médio, podendo variar de 80-100 fentolitros (fl); VCM=HT/nº eritrócitos • VCM: microcitose (anemia microcítica) • VCM: macrocitose (anemia macrocítica) HCM: hemoglobina globular média; HBGM=Hb/nº eritrócitos CHCM: concentração da hemoglobina globular média; CHCM= HCM/VCM RDW: índice que mede a variação no tamanho das hemácias (anisocitose), significado patológico apenas quando está aumentado (grande variação no tamanho das hemácias, ocorre muito na anemia ferropriva. Leucograma: Leucócitos: 3500 – 10500/mm3 Os hemogramas, hoje em dia, são feitos em aparelhos. As hemácias passam por um tubo e a partir dos dados no computador, consegue-se medir a celularidade e características das células, entretanto, em algumas situações a célula pode ter algum tipo de atipia, fazendo com que apenas a observação humana seja capaz de detectar essas anormalidades. Por exemplo, quando o paciente possui uma infecção viral e se apresenta com uma linfocitose atípica, o computador pode ler como se fosse uma outra célula. Técnica para esfregaço A análise morfológica é feita na “franja do esfregaço”, onde as células estão mais espalhadas e separdas uas das outras. Pode ser feito o esfregaço de sangue periférico, quanto o de medula óssea. Eritrograma Valores normais do eritrograma: Em crianças e mulheres grávidas a hemoglobina é um pouco mais baixa. Eritrograma Homens Mulheres Eritrócitos 4,2 – 5,9 4,0 – 5,2 Hb (g/dL) 13 - 17 12 - 16 Ht (g/L) 40 - 52 36 - 47 VCM (fL) 80 - 100 80 - 100 HCM (pg) 26 – 34 26 – 34 CHCM (g/dL) 32 – 36 32 – 36 RDW(%) 11 – 14,5 11 – 14,5 VCM • Microcitose: ferropenia, talassemia, doença crônica, anemia sideroblastica; • Normocítica: sangramento agudo, IRC, nutricional, doença crônica, hemólise, doença primária da MO; • Macrocítica: droga induzida, mielodisplasia, anemia aplastica, deficiência nutricional (B12 e ácido fólico), SMD, hepatopatia, alcool, hipotiroidismo e hemólise; RDW Anisocitose: é a variação no tamanho das hemácias; Na anemia ferropriva, percebe-se que há uma variação muito grande no RDW e as hemácias saem com muitas alterações morfológicas. Já na b-talassemia, por ser geneticamente modificada, as celas tem mais ou menos o mesmo tamanho (uniformes). Contagem de reticulócitos Contagem de reticulócitos: glóbulos com residuo de RNA citoplasmatico, amadurece em 48hrs. Não é fornecido no hemograma. VN: 0,5% a 2% (25.000 – 75.000/ml de sangue) Contagem de reticulócitos corrigida = reticulócitos (%) X hematócrito/45 • Indice <0,5% indica anemia por insuficiência da MO (ex.: anemias carencias, aplasia de medula, mielodisplasia) → HIPOPROLIFERATIVA • Indice > 2% indica anemia por hiperprodução (ex.: anemias hemolíticas ou sangramento) → HIPERPROLIFERATIVA Outros achados do eritrograma: • Hemacias nucleadas: eritropoese acelerada ou invasão da MO, RN pré-maturos; • Empilhamento de hemacias (rouleaux): aumento de imunoglobulinas (mieloma multiplo); • Aglutinação: crioglutininas a frio e se desfazem a 37ºC Poliglobulias Aumento do hematocrito e hemacias (policitemia ou poliglobulia): • Ht >56% e Hb >19 g/dL em homens • Ht > 52% e Hb >17,5 g/dL em mulheres Causas: • Altitudes elevadas; • Fumo; • DPOC; • Hipernefroma (tumor secretor de eritropoetina); • Policitemia Vera: desregulação na via que produz a linhagem eritroide; Morfologia Eritrócitos normais A depender das alterações morfológicas das hemacias, é possivel ter uma ideia de qual patologia está ocorrendo. Leucograma Varia conforme a idade, raça e gestação; Neutrofilos originam-se na MO a partir de celulas progenitoras estimuladas por IL-3, GM-CSF e G-CSF; No sangue periférico metade dos neutrofilos ficam marginais (ligados ao endotélio); Definição de neutrofilia (aumento de neutrofilos) e neutropenia (diminuição de neutrofilos – maior risco de infecções); Desvio a esquerda: NB >6% do número total de NS; Gravidade de neutropenia; Neutrofilia: reativa (quadro infeccioso/inflamatorio) X clonal (clone celular neoplasico que faz co que essas celulas proliferem) Definir qual tipo celular está aumentado Desvio para esquerda: acontece quando há a presença das formas imaturas da linhagem neutrofílica. Apenas os neutrofilos bastonetes ou segmentares são encontrados no sangue periférico • Não escalonado: existe um hiato entre as etapas de maturação (Ex.: apenas blastos e segmentados); • Escalonado: leucocitose intensa com a presença de toda linhagem eritrocitária (ex.:leucemia mieloide cronica); Granulação toxica: geralmente em pacientes com infecção, os neutrofilos ficam com muitos granulos; Vacuolização citoplasmática: acontece em infecções virais; Neutrofilo hipersegmentado: um neutrofilo deve ter no maximo 5 segmentações. Acontece em pacientes com deficiência de vitamina B12 e mielodisplasia; Anomalia de Pelger-Huet (hipossegmentação) Linfocitose: doenças linfoproliferativas, infecções virais, reações alérgicas a drogas, pós- esplenectomia; Linfopenia: efeito de corticoide, irradiação, drogas citotoxicas, senilidade, alcoolismo, dsnutrição grave, finfoma de Hodkin, LES, artrite reumatóide; Monocitose: doenças mieloproliferativas, endocartite, tuberculose, brucelose, LES, AR, RCUI, sarcoidose; Monocitopenia: uso de corticoide; tricoleucemia; Basofilia: doenças mieloproliferativas, leucemia de basófilos, LMC, Pvera, mielofibrose; Plaquetas Produzidas na MO com estimulo da trombopoetina; São fragmentos celulares, por isso anucleadas; Megacariócito: encontrado somente na MO, visto em sangue periférico em siruações patológicas MUITO raras. Pequenas células com 02-20 fl são contadas como plaquetas (contadores automaticos): • Plaquetas gigantes ou agregação: subestimam resultado; • Pequenas partículas: podem hiperestimar o resultado Sempre que chegar um exame com paquetopenia, é preciso verificar se houver uma contagem manual das plaquetas, caso contrario é preciso pedir a verificação, porque elas podem estar falsamente diminuidas. Plaquetopenia • Espúria - pseuplaquetopenia (EDTA, agregados); • Imune, SAAF; • Drogas; • Coagulação intravascular disseminada (CIVD); • Microangiopatia (aplasia, leucoses); • Hiperesplenismo; • Megaloblastose, alcoolismo; • Infecções virais e bacterianas por gram-; Plaquetose • Reativa: − Ferropenia; − Inflamação cronica; − Tumores sólidos (ca. Brônquio); • Mieloproliferativas (trombocitemia essencial – estimula a hiperprodução das plaquetas); • Asplenia; Interpretação do hemograma WBC: white blood cels (leucograma) **olhar sempre o valor absoluto Hemograma normal Hemograma com anemia microcítica hipocrômica hipoproliferativa (reticulocitos corrigidos) com anisocitose Possibilidade diagnostica: anemia ferropriva Hemograma com anemia normocítica hiperproliferativa com plaquetose e leucocitose Possibilidade diagnostica: anemia hemolítica (anemia falciforme)