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TSJ
Questões:
1. Explique o que é norma jurídica segundo a concepção do Constructivismo Lógico-Semântico, indicando seus tipos e considerando os conceitos de antecedente e consequente, bem como sua abrangência nos aspectos de “tempo” e de “destinatários”. 
Norma jurídica diz respeito ao sentido que se extrai da análise dos textos positivados. Partindo daí, compreende-se que, norma jurídica são conjuntos linguísticos que ao serem interpretados faz nascer as significações e formam nosso ordenamento jurídico.
Nesse sentido, o ilustre professor Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:1] preleciona que: [1: Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário. 30ª Ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2019, p. 44-45.] 
A norma jurídica é a significação que obtemos a partir da leitura dos textos do direito positivo. Trata-se de algo que se produz em nossa mente, como resultado da percepção do mundo exterior, captado pelos sentidos. (CARVALHO, 2019, p.44-45)
Ocorre que em algumas situações, para que da interpretação se extraia uma norma jurídica, é necessário que se busque em outros dispositivos a significação que preencha a lacuna textual. Isso se dá porque pode acontecer do texto positivado não possuir completude em suas proposições, de maneira que não se possa encontrar com integridade a norma jurídica presente no texto objeto da análise. 
Se refere nesse caso ao juízo hipotético-condicional, ou seja, o antecendente descreve um fato passível de ser jurídicizado e o consequente prescreve a conduta inerente ao fato descrito, de forma que ao examinar o texto, o intérprete consiga extrair a norma jurídica.
Paulo de Barros Carvalho se utiliza das expressões norma jurídica em sentido estrito, que corresponde àquelas que possuem um sentido completo, na sua forma hipotético-condicional e norma jurídica em sentido amplo que são aquelas que o texto não produz um sentido completo dependendo de outros dispositivos para atingir sua completude. 
Essa noção é explanada por Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:2] com as seguintes palavras: [2: Paulo de Barros Carvalho Direito Tributário Linguagem e Método. 7ª Ed. Noeses, 2018, p.135.] 
A despeito disso, porém, interessa manter o secular modo de distinguir, empregando “normas jurídicas em sentido amplo” para aludir aos conteúdos significativos das frases do direito posto, vale dizer, aos enunciados prescritivos, não enquanto manifestações empíricas do ordenamento, mas como significações que seriam construídas pelo intérprete. Ao mesmo tempo, a composição articulada dessas significações, de tal sorte que produza mensagens com sentido deôntico-jurídico completo, receberia o nome de “normas jurídicas em sentido estrito”.
As normas jurídicas possuem em sua estrutura uma proposição que corresponde ao antecentente normativo e outra que se refere ao consequente da norma. 
	Nesse sentido, entende-se por antecendente, a descrição de um evento possível de acontecer no mundo fenomênico, de forma que seja passível recair sobre ele os efeitos jurídicos previstos.
Nesse contexto, Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:3] menciona que “o antecedente da norma jurídica assenta-se no modo ontológico da possibilidade, quer dizer, os eventos da realidade tangível nele recolhidos terão de pertencer ao campo do possível”. [3: Paulo de Barros Carvalho, Direito Tributário Linguagem e Método, 7ª Ed. Noeses, 2018, p. 139. ] 
O autor entende que, uma vez que o fato descrito na hipótese seja impossível de ocorrer, comprometerá sua relação com o consequente normativo, atingindo a sua eficácia social.
Os critérios da hipótese de incidência tributária configuram a informação mínima para a identificação do fato jurídico. Significa dizer que através dos critérios, o intérprete poderá analisar e chegar a conclusão se ocorreu ou não um fato capaz de incidir a norma tributária. Dentre eles está o critério temporal, que revela as informações necessárias para identificar o momento exato da ocorrência do evento passível de se tornar fato jurídico. 
A respeito do tempo no antecedente, Aurora Tomazini[footnoteRef:4] diz o seguinte: “critério temporal é o feixe de informações contidas na hipótese normativa que nos permite identificar, com exatidão o momento de ocorrência do evento a ser promovido à categoria de fato jurídico”. [4: Aurora Tomazini de Carvalho, Curso de teoria geral do direito. 6ª Ed. Noeses, 2019, p. 411-412.] 
Por outro lado, o consequente normativo está relacionado à prescrição da conduta inerente à ocorrência do fato descrito da hipótese, que cria uma obrigação que deverá ser cumprida pelos sujeitos ativo e passivo da obrigação.
Sobre o consequente normativo, Aurora Tomazini[footnoteRef:5] nos traz que: [5: Aurora Tomazini de Carvalho, Curso de teoria geral do direito. 6ª Ed. Noeses, 2019, p. 318.] 
O consequente nada descreve, nem informa, nem prevê, ele prescreve uma conduta, estabelecendo um vínculo entre dois ou mais sujeitos, onde um tem o dever de cumprir certa prestação e outro tem a faculdade de exigí-la. (TOMAZINI, 2019, P.318)
Partindo dessa ideia, compreende que norma jurídica se estabelece no “dever-ser”, ou seja, ocorrido o fato descrito na hipótese deverá ser a conduta prescrita no consequente normativo. 
Assim como no antecedente, o consequente normativo possui critérios que compõem a sua estrutura. O critério pessoal se trata das informações referentes aos sujeitos da relação jurídica, é imprescindível que este componha a RMIT. A função do critério pessoal é dizer quem são os sujeitos da obrigação tributária. Não havendo a descrição dos sujeitos da relação jurídica, se torna inviável a aplicação da norma.
	Considerando as proposições hipósete-condicional, obteremos como resultado uma norma jurídica completa que se subdivide em norma primária e norma secundária. 
Nestes termos o professor Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:6] preleciona o seguinte: [6: Paulo de Barros Carvalho. Direito Tributário Linguagem e Método, 7ª Ed. Noeses, 2018, p. 145.] 
Na completude, as regras do direito têm feição dúplice: (i) norma primária (ou endonorma, na terminologia de Cossio), a que prescreve um dever, se e quando acontecer o fato previsto no suposto; (ii) norma secundária (ou perinorma, segundo Cossio), a que prescreve uma providência sancionatória, aplicada pelo Estado-Juiz, no caso de descumprimento da conduta estatuída na norma primária. (CARVALHO, 2018, p.145)
Partindo dessa premissa, se extrai que a norma primária é aquela que prescreve um dever ligando os sujeitos da relação obrigacional e a norma secundária diz respeito àquela que estabelece a sanção a ser aplicada pelo Estado em caso de descumprimento do que foi estabelecido pela hipótese normativa. 
 
2. Relacione os conceitos de evento, fato e fato jurídico tributário e discorra fundamentadamente sobre a decadência e prescrição tributária enquanto causas de extinção da punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária.
Evento são acontecimentos de ordem natural, que se não traduzidos em linguagem, ficam no passado sem que possamos ter acesso a eles. 
Aurora Tomazini[footnoteRef:7] nos traz o seguinte em relação a evento: “(...) chamamos de evento o acontecimento do mundo fenomênico despido de qualquer formação linguística”. [7: Paulo de Barros Carvalho. Curso de Direito Tributário. 6ª Ed. Noeses, 2019, p.540.] 
O evento se não relatado em linguagem, se perde no tempo. Em esfera tributária, o evento são os acontecimentos sociais descritos na hipótese de incidência.
Para melhor ilustrar o entedimento sobre o que é evento, trago a baila as palavras de Paulo de Barros Carvalho[footnoteRef:8] “...a singela ocorrência que envolve a presença direta ou indireta de sujeitos de direito, mas que, por qualquer motivo, não foi ainda relatada em linguagem competente”. [8: Paulo de Barros Carvalho. Curso de Direito Tributário. 30ª Ed. Saraiva, 2019, p. 387.] 
De outro modo, o fato são os eventos descritos em linguagem social. São os enunciados linguísticos que relatam os acontecimentos passados.
	Aurora Tomazini[footnoteRef:9]corrobora a questão dizendo que “fato é a articulação linguística desta situação de ordem natural. São os fatos que nos traz o conhecimento das situações de ordem fenomênica, ou seja, o evento só passa a existir para o homem depois de constituído linguisticamente”. 	 [9: Aurora Tomazini de Carvalho. Curso de Teoria Geral do Direito. 6ª Ed. Noeses, 2019, p. 540. ] 
O fato é o ato de constituir-se em realidade o evento ocorrido, ou seja tem relação com o passado. É através do relato linguístico do acontecimento que tomamos ciência de que algo ocorreu. É por essa razão que se diz que o evento não relatado se perde no tempo, uma vez que não pôde ser conhecido.
Tércio Sampaio Ferraz Jr.[footnoteRef:10] tem a seguinte perspectiva sobre o assunto: “ ‘Fato’ não é pois algo concreto, sensível, mas um elemento linguístico capaz de organizar uma situação existencial como realidade”. [10: Tércio Sampaio Ferraz Jr. Introdução ao estudo do direito, Atlas, 1991, p. 253.] 
	O fato jurídico por sua vez é um fato relatado em linguagem competente capaz de produzir efeitos juridicamente. Se trata do acontecimento social relatado em linguagem jurídica, através dos enunciados linguísticos próprios e por meio do procedimento adequado. 
Aurora Tomazini[footnoteRef:11] ilustra o fato jurídico como sendo “aquele que é traduzido no código do direito positivo, selecionado pelos parâmetros de filtragem do sistema e, por isso, capaz de desencadear efeitos de ordem jurídica.” [11: Aurora Tomazini de Carvalho. Curso de Teoria Geral do Direito. 6ª Ed. Noeses, 2019, p. 544.] 
E para ser melhor compreendido utilizaremos das expressões fato jurídico em sentido estrito e fato jurídico em sentido amplo. 
A respeito dessas expressões, Aurora Tomazin[footnoteRef:12] tece o seguinte comentário: [12: Aurora Tomazini de Carvalho. Curso de Teoria Geral do Direito. 6ª Ed. Noeses, 2019, p. 545.] 
Caracteriza-se fato jurídico em sentido estrito como um enunciado denotativo que ocupa posição sintática de antecedente de normas concretas, que se refere a uma ocorrência passada, verificada nos moldes de uma hipótese normativa. Já o fato jurídico em sentido amplo qualquer enunciado jurídico que relate a ocorrência de um evento e que produza efeitos na ordem jurídica, mas não necessariamente instituindo direito e deveres correlatos individualizados. (TOMAZINI, 2019, p. 545)
Nesse sentido, o fato jurídico tributário diz respeito ao acontecimento social previsto na hipótese de incidência tributária, e que uma vez relatado em linguagem competente é capaz de constituir uma obrigação tributária. 
Isto posto, tem-se que evento, fato e fato jurídico tributário se relacionam por serem uma sequência lógica de acontecimentos que constituirão a relação jurídico tributária. 
Disposta no art. 156, V do CTN, a decadência é o instituto que retira do fisco o direito de constituir o crédito tributário, em razão lapso temporal.
Nesse sentido, observa-se que a obrigação tributária não se satisfez em razão do pagamento em pecúnia e sim pela inércia da Administração em autuar o sujeito passivo da relação tributária. 
De igual modo, a prescrição tributária prevista no art. 156, V do CTN, diz respeito a inércia do fisco, mas nesse, a ausência se dá em relação à execução do crédito tributário já constituído.
Em que pese ambos os institutos serem causas de extinção da obrigação tributária, nos termos do nosso Código Tributário Nacional, ao se tratar da extinção da punibilidade penal não pode se dizer o mesmo.
Ocorre que a Lei 9.249/95 em seu artigo 34 e a Lei 9.983/00 no artigo 168-A §2º, prevê que a extinção da punibilidade penal dos crimes contra ordem tribtuária se dá com o pagamento do tributo, entendido nesse caso, no sentido literal da palavra, ou seja, a extinção da punibilidade penal se dá com a satisfação do crédito tributário de maneira pecuniária. 
Sendo assim, não há óbice para se considerar a extinção da punibilidade penal em razão da prescrição e decadência tributária, uma vez que, como já foi mencionado, estes institutos não satisfazem o crédito tributário, que somente são extintos em razão da inércia da Administração Tributária.
Trago as palavras de Aurora Tomazini[footnoteRef:13] para melhor esclarecer o entendimento: [13: Aurora Tomazini de Carvalho. VI Congresso Nacional de Estudos Tributários, 2009, p. 152.] 
(...) a decadência do direito do fisco em matéria tributária não é causa de extinção da punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária, em razão da falta de suporte fáctico para a incidência da norma de exclusão da punibilidade penal. 
(...) a prescrição do direito do fisco em matéria tributária também não é causa de extinção da punibilidade penal dos crimes contra a ordem tributária, em razão da falta de suporte fáctico para a incidência da norma de exclusão da punibilidade penal. (TOMAZINI, 2019, p. 152)
Por outro lado, a decadência pode ensejar o comprometimento da tipicidade da conduta, uma vez que não existindo a obrigação tributária, necessária para tipificar os crimes dos art. 1º e 2º, II da Lei 8.137/90, já que esta não foi constituída pelo fisco em tempo hábil, não haverá também subsunção do fato à norma penal, impossibilitando sua aplicação. 
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