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Prévia do material em texto

LUCIANA GOMES DA SILVA
1ª Edição
UPBOOKS
ITAPIRA, SP
2019
DA PORTA
DE LINHO
ATÉ A
NUVEM
DE
GLÓRIA
UPBOOKS
[Casa Publicadora Bereana]
www.upbooks.com.br
contato@upbooks.net.br
Todos os direitos reservados.
Copyright 2019 por Luciana Gomes da Silva
Primeira edição 2019 – Impresso no Brasil
Editor Chefe: Eneas Francisco
Editor: Carla Montebeler
Revisão: Thais Santos
Capa: César Franca
Ilustrações: Santiago Angel Mesa
PROIBIDA A REPRODUÇÃO POR QUAISQUER MEIOS, SALVO EM BREVE CITAÇÕES, COM
INDICAÇÃO DA FONTE
Assim como O TABERNÁCULO foi a única
alternativa de redenção para os hebreus,
CRISTO é o nosso único Redentor.
SUMÁRIO
Agradecimentos ..............................................................................7
Introdução ..................................................................................9
Prólogo..................................................................................11
1. A importância do tabernáculo.............................................17
2. A importância histórico social ........................................... 23
3. A tenda do encontro............................................................ 31
4. Capacitados para a boa obra ............................................ 41
5. A nuvem e a escuridade ...........................................................49
6. A organização das tribos................................................... 59
7. Materiais do tabernáculo .................................................... 67
8. O ministério levítico................................................................ 85
9. Três clãs ................................................................................... 97
10. Presentes para os levitas ....................................................... 115
11. A consagração ..................................................................... 127
12. O sumo sacerdote perfeito ................................................ 145
13. As vestes do sumo sacerdote ................................................ 157
14. Mandamentos diversos ........................................................ 165
15. Móveis do tabernáculo ................................................... 177
16. Dentro da Arca ................................................................. 195
17. As Cortinas ......................................................................... 213
18. A mesa dos pães asmos ........................................................ 219
19. O castiçal de ouro puro ........................................................ 233
20. O altar do incenso .................................................................245
21. O Sal da aliança ...................................................................255
22. O átrio e seus objetos ..........................................................261
23. Cristo, a glória de Deus ......................................................273
A autora................................................................................ 279
AGRADECIMENTOS
A fascinação pelo conhecimento é um mérito divino. Ele é o Autor e
Consumador de todo intelecto humano. Sim, fomos criados para sentir prazer
ao aprender algo novo. Ele nos fez assim, amantes do conhecimento. 
Vivenciando todas as maravilhas de Deus que nos foram reveladas na
Sagrada Escritura, me deparei com uma construção luxuosa em pleno deserto
e me peguei pensando: O que Deus quer nos revelar por meio desta obra?
Desta forma iniciei mais uma jornada pela Bíblia, desta vez, da porta de linho
até a nuvem de glória. 
Ao longo da construção desta obra e no anseio pela busca de mais
conhecimento tive várias oportunidades para prantear, orar, pedir perdão, me
arrepender e buscar novos caminhos. Enfim, eu estava sendo ministrada
enquanto compunha esta obra, e te pergunto: De quem foi a ideia de escrever
este livro? Certamente divina. Deus nos impulsionou a fazê-lo. 
Desta forma agradeço a Deus por me fazer querer e por me ajudar a
realizar Sua vontade. Agradeço ao Espírito Santo por todas as vezes que, em
oração, me mostrava os caminhos. Agradeço a Jesus por ter vindo até a porta
de linho para me encontrar.
Agradeço ao meu marido, Djalma, um homem que tem me apoiado e me
amado acima das circunstâncias, um homem que acredita no meu chamado.
Aos meus filhos, Larissa e Lucas, minha maior riqueza. Aos amigos e
familiares que me apoiam sem medidas.
Agradeço a todos os leitores, a razão pela qual escrevi este livro. Foi por
você, todas as horas de pesquisa e escrita. Sinta-se honrado. 
Que Deus nos abençoe. 
“Porque Deus é o que opera em vós
tanto o querer como o efetuar,
segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:13
INTRODUÇÃO
Este livro tem como objetivo primordial trazer luz a assuntos concernentes à
tipologia do Cristo redentor e de Sua noiva amada. Para este propósito,
traçamos ao longo desta narrativa um caminho no tabernáculo que vai desde
a porta de linho, até a presença da Arca da Aliança. Objetivamos enfatizar
alguns dos detalhes encontrados ao longo desse caminho.
O tabernáculo, para o povo escolhido, era o lugar onde a nuvem da glória
de Jeová repousava. E qual é a importância desse lugar sagrado para nós, que
estamos debaixo de uma Nova Aliança? A resposta será esclarecida no
desfecho da leitura. Posso adiantar que através desta obra literária, você,
leitor, compreenderá a profundidade do plano salvífico de Deus. O plano de
habitar conosco por meio de Seu Filho, o Emanuel. Jesus é Aquele que
através de Sua missão salvadora “tabernaculou” entre nós. O apóstolo e
evangelista João, em seu livro, no capítulo 1 e no verso 14, diz que o
Unigênito do Pai habitou entre nós: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre
nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do
unigênito do Pai.” (João 1:14, JFA).
O texto citado acima é muito profundo por causa do termo grego usado
para a palavra habitou. A palavra traduzida do grego para o português é
eskēnōsen. Segundo o Dicionário Strong, na referência grega 4637, essa
palavra significa: “Eu habito como em uma tenda; acampamento; tenho meu
tabernáculo; residir (como Deus fez no tabernáculo antigo, um símbolo de
proteção e comunhão); morar”. Muitos teóricos, assim como o teólogo e
comentarista do texto bíblico Benson, usam o termo tabernaculou para
traduzir o grego eskēnōsen.
Embora a palavra tabernaculou não exista em nosso dicionário, ela pode
nos levar ao verdadeiro sentido do texto de João e à sua real intenção com
essa expressão. Jesus, para o apóstolo João, é o unigênito do Pai que
tabernaculou entre nós.
Não há como negar que o Mestre da Vida é o modelo primordial dessa
verdade revelada no deserto através do tabernáculo. A Sua missão, a Sua
morte e o Seu amor eterno apontam para aquele lugar de encontro. Em todo
metal e madeira entalhados com seus detalhes riquíssimos. Em todas as
cortinas bordadas. Na harmonia das cores e até mesmo nas medidas de cada
peça usada no tabernáculo existe uma verdade que aponta de forma direta,
graciosa e gloriosa para o Cristo redentor e para a igreja.
Te convido a olhar para Jesus como o nosso tabernáculo. Somos os
caminhantes no deserto da vida rumo à Canaã celestial. Assim como o
tabernáculo foi a única alternativa de redenção para os hebreus, Cristo é o
nosso único Redentor.
PRÓLOGO
Hoje é o décimo dia do sétimo mês no calendário judaico. Toda a nação de
Israel deixou suas terras e foi até o local onde estava o tabernáculo.
Certamente, este é um grande evento, marcado por muita alegria e paz.
Durante toda aquela celebração, o povo esperava pelo mais importante: o dia
em que Jeová perdoaria toda a nação, aceitando o sangue do inocente
derramado sobre o propiciatório. Tornando um povo pecador em remido,
divinamente aceito e justificado por meio de sangue inocente.
O dia da expiação era chegado. O sumo sacerdote se preparou. Santo ao
Senhor, estas são as inscrições feitas em ouro puro e que estão atadas em sua
testa. Vestiu-se de linho puro. Não comeu alimento imundo. Não ingeriu
bebidaforte. Seu coração e sua mente estão voltados para um dia tão
especial.
O sumo sacerdote está preparado e ao mesmo tempo se sente ansioso para
o encontro com a glória do Senhor no tabernáculo. As leis eram específicas.
Ninguém poderia adentrar no Santíssimo Lugar sem santidade. Um misto de
alegria e medo o rondava, pois sabia que sem santidade, a morte o encontraria
primeiro. O evento era solene. O momento era oportuno. A chance de ser
aceito diante de Jeová era única.
No átrio, o sumo sacerdote sacrificou os animais segundo os
mandamentos. Lavou-se na bacia de bronze. Suas emoções estão palpitantes.
Ele está diante do véu do Santo Lugar. Com poucos passos, ele entra. Come
do pão e sente o seu sabor amargo ao comê-lo. O pão que ele saboreia tem
impregnado em si os aromas do incensário. Enfim ele saboreia as libações do
fruto da vide.
Enquanto está no Santo Lugar, o sumo sacerdote também é iluminado pelo
candelabro, pois este é a única fonte de luz do local. Ele prazerosamente
aspira o perfume suave do incensário. Mesmo desfrutando daquele momento
ali dentro, seu coração sabe que nada daquela adoração é para si. O alimento,
a bebida, a luz, o perfume e os sacrifícios são exclusivamente para o Senhor.
O sumo sacerdote está sozinho. Ele entra ali pela primeira vez com o
sangue de um boi em sua mão direita e na outra, um incensário. O primeiro
animal sacrificado é por seus pecados e pelos pecados de sua família.
Com o coração palpitante, o sumo sacerdote se dirige ao véu que dá acesso
ao Lugar Santíssimo. Um véu é a única separação existente entre o Santo
Lugar e o Lugar Santíssimo. A Arca está lá. Ela é pura. Não pode ser tocada e
nem vista. Uma nuvem de Glória vinda do próprio Deus a envolve por
inteiro.
Suas mãos estão suadas e o silêncio do povo que o aguarda lá fora faz com
que sinta o peso deste ato sagrado. Ele prossegue. Entra na presença da Arca.
O sangue do animal sacrificado que está em suas mãos é aspergido no
propiciatório. Ele aprendeu que não há remissão dos seus pecados sem
sangue. O sumo sacerdote sabia que não havia entrado ali sem ser convidado.
Foi Deus quem o convidou e este mesmo Deus é quem traz resposta.
Como a resposta divina chegava? Ela chegava por meio de trombetas ou
por meio de uma voz que bradava do céu? Não! A vida era a resposta. Para
todos os que aguardavam do lado de fora do tabernáculo, o sumo sacerdote
ainda estar vivo era o sinal da aceitação divina.
Ele e sua família saem da presença da Arca remidos. Uma vez que ele está
justificado e santificado, está apto para sacrificar pelo povo. A partir daquele
momento, ele é o intercessor direto entre Deus e o povo.
Ao se voltar para o átrio, o sumo sacerdote continua sua incumbência. Um
dos dois bodes escolhidos para a ocasião é sacrificado. Ele caminha pela
segunda vez rumo ao Santíssimo Lugar. Em suas mãos está o sangue do
bode, que representa remissão dos pecados da nação. O sangue do animal
inocente é levado pelas mãos do sumo sacerdote para ser entregue ao Senhor.
Aquele sangue satisfaz a justiça divina e é recebido como uma paga pelos
pecados da nação.
O sumo sacerdote adentra a nuvem de glória e sai de lá pela segunda vez
com vida. O povo se alegra intensamente com a remissão que o Senhor
proporcionou.
O sumo sacerdote ainda não terminou sua missão. Existe mais uma tarefa
a ser cumprida neste dia. Ele precisa aspergir o sangue do bode que foi
sacrificado sobre a cabeça do segundo bode; este será enviado para o deserto.
O pobre animal é solto no deserto sozinho, cheio de sangue sobre si, o que
com certeza atrai predadores. Naquele momento, o bode expiatório levará
sobre si a culpa do povo para longe deles. E pagará com sua vida pelo pecado
da nação.
Todo cerimonial é muito extenso e intenso. O sumo sacerdote, com voz
cansada, diz ao povo: “Está consumado!”. Sabemos que estava
temporariamente consumado. O sacrifício cobriu por mais uma vez o pecado
do povo, mas não o extirpou para sempre. A ira de Deus foi aplacada, e não
satisfeita. Em Cristo, essa cerimônia foi perfeitamente cumprida e aceita
como vicária.
*No tempo de Moisés e Josué, todo o povo se apresentava diante do
tabernáculo no deserto, depois de conquistarem Canaã. Durante o período dos
juízes de Israel até o reinado do monarca Saul, eles se reuniam em Siló. Anos
mais tarde, o Rei Davi instalou o tabernáculo em Sião, mas foi seu filho e
sucessor, Salomão, que aprimorou o tabernáculo, construindo um suntuoso
Templo na capital do reino, em Jerusalém. É importante lembrar que todas as
funções e peculiaridades do tabernáculo foram mantidas no Templo.
Capítulo 1
A IMPORTÂNCIA DO
TABERNÁCULO
“E me farão um santuário, para que eu
habite no meio deles.”
Êxodo 25:8
A primeira questão a ser introdutoriamente tratada é a divisão do tabernáculo.
É preciso estar ciente de que apesar de ser único, ele se subdividia em três
repartições: o átrio, o Lugar Santo e o Santíssimo Lugar. Cada uma dessas
repartições continha objetos e móveis sagrados.
No átrio havia dois objetos: o altar de bronze e a bacia de bronze. No
Lugar Santo havia três objetos: o altar de incenso, a mesa dos pães asmos e o
candelabro. No Santíssimo lugar havia um único objeto: a Arca da Aliança.
SEGREDOS DE DEUS
Existem segredos e mistérios escondidos no tabernáculo a serem
desvendados ao longo do texto. Sabemos que as maravilhas do Senhor se dão
em Suas formas de guardar verdades por detrás de Suas obras. O escritor de
Provérbios, no capítulo 25, no verso 2 nos diz: “A glória de Deus é encobrir
as coisas”. Na versão NTLH, o texto se apresenta assim: “Respeitamos a
Deus por causa daquilo que ele esconde de nós”. Todavia, a segunda parte do
versículo que se refere a nós diz: “[...] mas a glória dos reis é tentar descobri-
las”.
Deus tem segredos guardados que estão prontos a serem revelados a quem
os buscar. Assim também nos diz o texto de Jeremias: “Clama a mim e
responder-te-ei, anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”
(Jeremias 33:3, AA).
Existe uma infindável fonte de conhecimento e novidade em um Deus
eternamente criativo, sábio e conhecedor dos corações sedentos por Seus
segredos.
O QUE SÃO FIGURAS?
“[...] e estas coisas foram-nos feitas em figura...” (1 Coríntios 10:6).
Uma figura é uma ilustração do que é real. Sendo assim, ao voltarmos os
nossos olhos para a estrutura do tabernáculo, não há como negar que este é
uma figura da graça salvadora que viria por meio de Cristo. Uma graça que
naqueles dias ainda estava, em parte, encoberta.
Ao olharmos para o tabernáculo, vemos que, no átrio, Jesus é o Redentor
que na cruz se entregou à morte por nós, na figura do altar de bronze. Um
lugar onde Suas palavras nos limpam como águas puras, na figura da bacia de
bronze.
No Lugar Santo, Cristo é a comunhão com Sua Noiva, na figura da mesa
dos pães, no pão e no vinho. Ele ilumina a igreja pela gloriosa luz da Santa
Palavra, através da revelação do Espírito Santo, na figura do candelabro de
ouro puro. Cristo intercede pela igreja e traz sentido à adoração que é feita
por meio da oração que sobe como cheiro suave até o Pai por meio dEle, na
figura do altar de incenso.
No Santíssimo Lugar, Cristo carrega em Si a essência do Seu santíssimo
ministério terreno, na figura da Arca da Aliança. A Arca é o lugar onde Deus
repousa Sua glória, e dentro da Arca havia três objetos: as tábuas da lei, um
pote de maná e uma vara que pertencia à Arão. Nessas figuras vemos o Cristo
que viveu sem pecar em nenhum ponto da Lei, pois carregava dentro de Si as
tábuas da Lei. Ele alimenta as nações com Suas palavras eternas que eclodem
do céu, assim como Deus alimentou multidões no deserto, na figura do maná.
Jesus tem toda a autoridade nos céus e na terra para exercer o sacerdócio
eterno, na figura da autoridade sacerdotal sobre a vara de Arão.
CONSTRUIR CONFORME O MODELO
O mandamento principal para Moisés sobre a construção do santuário era
este: construir conforme o modelo, ou seja, cumprir todas as medidas e
parâmetros mostrados por Deus no Monte Sinai. Moisés viu o tabernáculoeterno, por isso pôde construir um tabernáculo conforme o que havia visto.
O apóstolo João declara que esse tabernáculo que foi feito em pleno
deserto não passa de uma miniatura do tabernáculo eterno: “E ouvi uma
grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens,
pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com
eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3, ACF).
Deus queria tudo perfeito, pois através dessa habitação iria (de forma
limitada) restaurar a comunhão que outrora havia se perdido no Jardim e que
agora é restaurada parcialmente com o homem por meio do tabernáculo.
Essa comunhão só veio a ser completa em Jesus Cristo. O Senhor Deus
habitou, fez morada com os filhos de Israel enquanto caminhavam no deserto,
por meio do tabernáculo; o Espírito Santo veio da glória para habitar conosco
por meio de Cristo. É como se pudéssemos (tanto Israel quanto a igreja) fazer
uma degustação do que será desfrutar de Sua presença eternamente.
A partir da instituição do tabernáculo, os filhos de Jacó desfrutavam da
companhia do Senhor no meio do arraial. Viviam diariamente milagres e
maravilhas por causa da presença sobrenatural e visível do Deus Altíssimo
que havia acampado entre eles.
Deus se manifestava de várias maneiras visíveis ao povo. Uma delas era
por meio da nuvem de fumaça, que de dia guiava o povo e lhes protegia do
calor escaldante. Outra manifestação era a torre de fogo, que durante a noite
os aquecia das baixas temperaturas do deserto. Essas formas manifestas de
Deus pairavam sobre o tabernáculo. Que maravilha sobrenatural!
O tabernáculo foi erguido para ser a habitação de Deus entre o povo. Isso é
um fato, mas é necessário olharmos para o contexto histórico-social do povo
de Israel após o Êxodo, um período em que eles estavam se agrupando como
uma nação. Haviam vivido por gerações como escravos no Egito e debaixo
das influências do lugar.
No Egito antigo, a dinastia familiar era a forma de sucessão: filho sucedia
seu pai no trono, e assim por diante. Eles estavam acostumados a presenciar
essa forma de regimento. Contudo, após serem livres, Deus os anuncia uma
boa notícia, declarando: “Eu serei o Rei de vocês”. Uma afirmativa que
certamente pareceu estranha para muitos deles, e isso não é difícil de
imaginar. Quanta confusão foi gerada no meio deles por causa dessa nova
forma de regimento, a teocracia, e junto dela o monoteísmo.
Teocracia porque a partir daquele dia, Deus seria o Rei da nação hebreia, e
monoteísmo porque Deus seria o único Deus. O tabernáculo servia para ser o
palácio do Senhor, e a Arca da Aliança o Seu trono. “Ouve, Israel, o Senhor
nosso Deus é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4, ACF).
O contexto social e ético deles no Egito era bem diferente das novas
propostas de Deus. Junto com a construção do tabernáculo, inicia-se uma
Nova Aliança para os filhos de Jacó.
DISPENSAÇÕES
A Teologia divide os períodos da história bíblica em dispensações que se
subdividem ao longo desta, como no desenrolar de um tapete.
As dispensações são definidas como: dispensação da inocência (que vai da
criação até o dilúvio); em seguida, temos a dispensação patriarcal (iniciada
com Noé e indo até o Êxodo); a dispensação da lei mosaica (quando Moisés
sobe no Monte Sinai e ali se encontra com o Senhor. Com esse evento
sobrenatural, as Leis são dadas ao povo hebreu); a dispensação da graça
(iniciada com o advento do Espírito Santo); e a dispensação milenial (dentro
de uma visão escatológica do fim).
Estamos tratando neste livro sobre os fatos ocorridos na dispensação da
Lei mosaica, que tem como símbolo as duas tábuas de pedra que foram
entregues ao líder Moisés no Monte Sinai.
As duas tábuas escritas dos dois lados traziam as seguintes instruções: não
matar, não adulterar, não roubar, não caluniar, não cobiçar e honrar a teus
pais. Ufa! Eles deveriam, de fato, andar em ordem, como uma nação
escolhida. Esses mandamentos que citei eram somente o que deveria ser feito
ao amigo, vizinho, parente e até mesmo ao forasteiro. Existe outra parte da
Lei que se dirige ao próprio Deus, que diz: não terás outros deuses, não farás
imagem de escultura para os adorar, não blasfemar o nome do Senhor, teu
Deus, e guardar um dia exclusivamente para culto ao Altíssimo. Teocracia e
monoteísmo andando de mãos dadas.
Deus tem a primazia na Sua lei. Ele requer o trono do coração do Seu povo
para Si. Jesus nos ensinou que os mandamentos se resumem em: amar a Deus
sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo. Se amarmos aos
homens e a Deus, estaremos cumprindo o padrão teocrático monoteísta
divino para a igreja. Não há como viver para Deus e Seus propósitos se não
existir amor em nós e entre nós.
As inscrições, que antes foram gravadas nas pedras, carregavam o poder
da vida e da morte. Vida para aqueles que a amaram, e morte para aqueles
que a desprezaram. A Lei era dura com seus algozes, contudo, muito
prazerosa para seus amantes. A Lei estava sendo exposta para trazer tanto
condenação quanto salvação.
O Apóstolo Paulo diz em sua primeira carta aos Coríntios que o aguilhão
da morte é o pecado, e o poder pecado é a Lei: “O aguilhão da morte é o
pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56, JFA).
Aos Romanos, o apóstolo diz que a Lei produz a ira, porque onde não há
lei também não há transgressão: “Porque a lei opera a ira; mas onde não há
lei também não há transgressão.” (Romanos 4:15, JFA).
Partindo desse pressuposto, podemos observar que a Lei delineou os
parâmetros da santidade divina e apontou os erros do transgressor, revelando
os padrões exatos de uma santidade que havia se perdido no Éden.
Dentre os principais objetivos da Lei dada àquele povo no deserto, um
deles seria: o de começar uma nova nação ordeira e santa. Para esse propósito
divino, os moldes éticos eram impecáveis.
A nação recém-formada e ainda nômade (por 40 anos) precisava obedecer
às tais leis, porque só assim deixariam de ter a mentalidade de escravos e
viveriam como cidadãos honrados diante das nações vizinhas e de Deus.
A dispensação da Lei ou a dispensação mosaica, como também é
conhecida, durou até Cristo. Após a morte e a ressurreição do Messias, se
instaurou uma Nova Aliança em Seu sangue. A este período que estamos
vivendo deram o nome de dispensação da graça. Toda a Lei, juntamente com
as bênçãos e maldições entremetidas nela, foi satisfeita em Jesus. Ele foi o
aferidor de medidas da Lei. Por essa razão, os nossos ombros não carregam
esse fardo pesado.
Assim se entende as dispensações como sendo cinco: dispensação da
inocência, patriarcal, mosaica, graça e milenial. Este é um assunto complexo
e não tenho por objetivo encerrar ou explicar na totalidade esse tema tão
abstruso.
O tabernáculo não é uma velharia do passado bíblico, mesmo porque ele
não foi feito por vontade humana. Ele é divino e eterno, não está
condicionado nem ao tempo e nem às dispensações. Todas as verdades ali
relevadas por sombra e alegoria são úteis e proveitosas para o tempo
presente.
O escritor da carta aos Hebreus é bem categórico nesse assunto, ele fala do
serviço de Cristo e da igreja através de figuras com o tabernáculo: “Que é
uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios
que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço.”
(Hebreus 9:9, ACF).
Algumas pessoas tendem a desprezar as verdades do tabernáculo por
pensarem que essas coisas já não são exigidas e que estamos vivendo o tempo
da graça. E elas estão certas, certíssimas! Contudo, as verdades do Antigo
Testamento não podem ser esquecidas ou menosprezadas, pois foram elas
que prepararam o caminho para a vinda do Messias. E disso não podemos nos
esquecer jamais.
A dispensação da Lei foi um pedagogo, um aio e um conselheiro usado até
que Jesus se revelasse e como Salvador instaurasse a dispensação da graça. A
Lei mosaica não traz vida em si, mas ela ensina a viver. Ela não era o
caminho, ela apontava para o Caminho. Jesus Cristo é a vida perfeita e plena.
Ele é o Caminho.Um plano lindo arquitetado desde o princípio pelo Senhor
do universo.
O apóstolo Paulo endereça uma de suas cartas aos cristãos da Galácia e diz
que a Lei não justifica: “[...] porque, se a justiça vem mediante a lei, logo
Cristo morreu em vão.” (Gálatas 2:21b, JFA).
Embora a Lei ensine a santidade divina, ela não nos justifica
perpetuamente diante dessa santidade requerida. A Lei e todos os sacrifícios,
festas e o próprio tabernáculo apontavam para o Cristo redentor. E mais uma
vez, o Apóstolo Paulo escreve sobre este assunto e em sua carta aos Romanos
diz que a fé trouxe a promessa, com a Lei a promessa foi adquirida e que esta
mesma Lei opera ou traz a ira de um Deus justo:
“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho
da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para
todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados
gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual
Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua
justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus;
para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo
e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:21-26, ARC).
Capítulo 2
A IMPORTÂNCIA
HISTÓRICO-SOCIAL
“E me farão um santuário, para que eu
habite no meio deles.”
Êxodo 25:8
Capítulo 3
A TENDA DO ENCONTRO
“Quando Moisés caminhava na
direção da Tenda, todo o povo se
levantava; cada um permanecia em pé,
na entrada da sua própria tenda, e
apenas seguiam Moisés com o olhar,
até que entrasse na Tenda.”
Êxodo 33:8
Ora, Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento e
a chamava de Tenda do Encontro. Todas as pessoas que tinham uma questão
para formular a Jeová dirigiam-se à Tenda do Encontro, que ficava armada
fora do acampamento:
“Quando Moisés caminhava na direção da Tenda, todo o povo se
levantava; cada um permanecia em pé, na entrada da sua própria tenda, e
apenas seguiam Moisés com o olhar, até que entrasse na Tenda. E acontecia
que quando Moisés entrava na Tenda, baixava uma coluna de nuvem, parava
à entrada da Tenda, e o SENHOR falava com Moisés. Sempre que o povo
observava a coluna de nuvem parada à entrada da Tenda, todos se ajoelhavam
em frente à entrada de suas próprias tendas, e curvavam-se com o rosto rente
à terra, em sinal de respeito e adoração ao SENHOR.” (Êxodo 33:8-10, KJA).
O texto acima nos diz que antes mesmo do tabernáculo ser construído,
Moisés precisava falar com o Senhor diariamente. Seria complicado subir no
Monte Sinai todos os dias, e ainda tinha a questão de estar presente para
liderar o povo e julgar suas causas. Se ele se fixasse no Monte Sinai com
Deus todos os dias, isso demandaria energia e tempo, e as questões pessoais
do povo seriam negligenciadas.
Qual foi a solução encontrada por Moisés? Construir para si uma tenda
perto do povo, não obstante, fora do acampamento. Se era uma tenda
diferenciada, muito ou pouco linda, feita com materiais comuns ou com
detalhes bordados, isso o texto não nos diz. A única informação que sabemos
é que quando Moisés se direcionava rumo àquele lugar, todo o povo se
levantava e o expectava. Uma vez que Moisés entrava na Tenda do Encontro,
uma coluna de nuvem pairava sobre ela e o Senhor falava com ele. O povo,
estarrecido diante daquela grandiosidade (a presença do Senhor manifesta em
uma nuvem de glória), reverenciava a Deus com o rosto rente à terra, e ali O
adorava.
A Tenda do Encontro foi um local de encontro alternativo, temporário,
provisório, transitório, interino e breve, até que o tabernáculo ficasse pronto,
possivelmente um ano depois do Êxodo. O tabernáculo foi inaugurado no
primeiro dia do primeiro mês: “No dia primeiro do primeiro mês, arme a
Tenda da Presença de Deus.” (Êxodo 40:2, NTLH).
AS TÁBUAS
O povo havia saído do Egito, cruzado o Mar Vermelho. passaram por
vários lugares, até que se instalaram no sopé do Monte Sinai: “No terceiro
mês depois que os filhos de Israel haviam saído da terra do Egito, no mesmo
dia chegaram ao deserto de Sinai.” (Êxodo 19:1).
Três meses depois do Êxodo, o líder Moisés é orientado a subir no Sinai.
Por algumas vezes, ele vai acompanhado de Arão ou Josué; outras vezes, ele
sobe sozinho: “Ao que lhe disse o Senhor: Vai, desce; depois subirás tu, e
Arão contigo; os sacerdotes, porém, e o povo não traspassem os limites para
subir ao Senhor, para que ele não se lance sobre eles.” (Êxodo 19:24, JFA).
O texto acima fala da vez que Moisés recebeu as leis diversas para a
organização da nação, que vão de Êxodo 19 até 24: “Depois disse o Senhor a
Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a
lei, e os mandamentos que tenho escrito, para lhos ensinares. E levantando-se
Moisés com Josué, seu servidor, subiu ao monte de Deus.” (Êxodo 24:12-13,
JFA).
Na segunda vez que Moisés é chamado a subir no Monte Sinai para se
encontrar com o Senhor, o jovem e futuro sucessor, Josué, foi seu
acompanhante. Foi nessa ocasião que as tábuas e as instruções do tabernáculo
foram dadas.
TÁBUAS QUEBRADAS
É interessante citarmos que as tábuas originais da Lei foram quebradas por
Moisés. Ele era um homem que demonstrava um temperamento impulsivo e
por vezes agia sem pensar, isso o fez pagar um preço bem alto. Por outro lado
da história, podemos pensar que Moisés fez o que fez porque era zeloso com
a santidade divina.
O texto bíblico relata que Moisés foi orientado por Deus a descer do
Monte Sinai e voltar para o acampamento. Em seus braços estavam as tábuas
originais, talhadas e escritas pelas mãos de Deus:
“Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se lhe a
ira, e ele arremessou das mãos as tábuas, e as despedaçou ao pé do monte.
Então tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo; e, moendo-o
até que se tornou em pó, o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos
de Israel. E perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que sobre ele
trouxeste tamanho pecado? Ao que respondeu Arão: Não se acenda a ira do
meu senhor; tu conheces o povo, como ele é inclinado ao mal. Pois eles me
disseram: Faze-nos um deus que vá adiante de nós; porque, quanto a esse
Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe
aconteceu. Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o. Assim mo
deram; e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro.” (Êxodo 32:19-24, AA).
O texto diz que ele viu o povo adorando com danças e júbilo a um bezerro
de ouro. Ele ficou irado e arremessou as tais tábuas no chão. Ao olharmos
com cuidado para o contexto, veremos um líder zeloso. Acredito que por
amar sobremaneira ao Senhor, viu aquele povo como indigno de receber tudo
o que Deus havia planejado para eles.
Moisés estava diante de um povo que tão rapidamente voltou para a
idolatria, o que manifesta o caráter deles. Estavam agindo com ingratidão
com o que já haviam recebido até aquele dia, e se mostravam impacientes
com o Senhor, procurando os seus próprios caminhos.
O castigo chegou logo após o erro que cometeram. Foi preciso passar por
um processo de julgamento e de perdão divino. Muitos deles perderam a
vida.
Penso em Moisés lá no Monte Sinai, muito empolgado com todo o projeto
que Deus estava lhe dando. Ele precisava de materiais, de mão de obra
especializada, não só para a construção, mas para os serviços do tabernáculo.
Sua cabeça devia estar borbulhando com ideias e soluções, e com tamanha
responsabilidade. Contudo, ao descer do Monte Sinai, avista uma nação que
rejeitou o seu único Deus, mesmo antes de desfrutar de Sua presença. Moisés
perde o controle, se irrita e quebra as tábuas originais. As tábuas da Lei já não
existem mais, qual estatuto guiará o povo?
As tábuas que foram quebradas por um ato espontâneo de Moisés eram
essenciais para o projeto divino. Naquele momento da história, Deus, com
Sua graça e misericórdia infinita, orienta Moisés paraque novas tábuas
fossem feitas:
“Mas ninguém suba contigo, nem apareça homem algum em todo o monte;
nem mesmo se apascentem defronte dele ovelhas ou bois. Então Moisés
lavrou duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se de
madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado,
levando na mão as duas tábuas de pedra.” (Êxodo 34:3-4, AA).
Moisés teve que talhar e carregar as novas tábuas para o cume do Monte
Sinai. Uma subida íngreme, uma caminhada em meio a pedras no caminho.
Muito possivelmente tenha sido um trabalho árduo. Moisés não teve
ajudantes, nem Arão e nem Josué, ele subiu sozinho.
Embora Moisés tenha talhado as novas tábuas de pedra, o texto deixa claro
que quem escreveu nas tábuas foi o Senhor, pois dEle vem o nosso único
padrão de santidade e ética. Uma pincelada da Graça nas páginas do Antigo
Testamento, onde podemos entender que é Deus quem nos estendeu uma
nova chance após a queda do homem no Éden.
GRAÇA DIVINA
Com relação às primeiras tábuas, Deus havia talhado e escrito nas pedras,
e infelizmente elas foram quebradas. Na segunda ocasião, é Moisés quem
talha as novas tábuas e as leva ao Senhor. A pedra onde a Lei foi escrita
tipifica o nosso coração. Nele, Deus quis escrever a Sua Lei perpetuamente.
Naquele momento histórico vivenciado no deserto, existe uma bela
tipologia entre Adão e nosso Senhor Jesus: “O pecado de um só homem,
Adão, fez com que a morte dominasse toda a natureza humana, mas todos os
que receberam a maravilhosa graça e justificação de Deus terão, agora, o
domínio da vida, através do ato também de um só, Jesus Cristo.” (Romanos
5:17, OL).
Adão foi feito pelas mãos do Pai e mesmo assim ele transgrediu, trazendo
a morte e a separação eterna sobre todos os seus descendentes. Adão tinha
talhada em seu coração a Lei de Deus, contudo, isso não o impediu de se
quebrar.
Por providência divina e remidora, o Cristo perfeito não quebrou as leis. O
Cristo que desceu de Sua morada celestial, despiu-se de Sua glória e veio
como um homem salvar a humanidade quebrada, se manteve inalterado: “[...]
mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se
semelhante aos homens.” (Filipenses 2:7, ACF).
O autoesvaziamento de Cristo só foi possível porque Ele é Deus, não cabe
a nenhum ser humano caído. Esse é um processo inteiramente divino.
Jesus se humilhou e se esvaziou, talhando em Si as novas tábuas para as
levar ao Pai. Passou por sofrimentos grandiosos enquanto cumpria Seu dever
de resgatador. Durante Sua estadia aqui na terra, viveu como homem, e
mesmo sendo homem, Ele não transgrediu a Lei. Cristo foi perfeitamente
correto em toda a Sua missão.
Cristo está tipificado nas pedras talhadas por Moisés no pé do Monte
Sinai. Foi Cristo quem conquistou para nós o direito de eternidade que
outrora fora quebrado pelo pecado de Adão. Nosso Remidor Jesus é a
primícia dos que irão ressuscitar. Por causa dEle, nós teremos os nossos
corpos transformados e veremos o Pai. Aleluia!
O processo de construção do tabernáculo se inicia pelos primeiros objetos,
que são: as tábuas de pedra. As novas tábuas da Lei precisavam de proteção.
Uma Arca deveria ser construída com esta finalidade primordial: protegê-las
e guardá-las.
Capítulo 4
CAPACITADOS PARA A OBRA
“E o encheu do Espírito de Deus, dando-lhe destreza,
habilidade e plena capacidade artística, para desenhar e
executar trabalhos em ouro, prata e bronze, para talhar e
lapidar pedras e entalhar madeira para todo tipo de obra
artesanal. E concedeu tanto a ele como a Aoliabe, filho de
Aisamaque, da tribo de Dã, a habilidade de ensinar os
outros. A todos esses deu capacidade para realizar todo tipo
de obra como artesãos, projetistas, bordadores de linho fino
e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e como tecelões.
Eram capazes de projetar e executar qualquer trabalho
artesanal.” (Êxodo 35:31-35, NVI).
A Sagrada Escritura coloca “holofotes” no tabernáculo devido a seu grande
valor. Vemos que desde o dia da revelação dada a Moisés no Monte Sinai até
o livro do Apocalipse, existem detalhes minuciosos e importantes sobre o
tabernáculo. Basta abrirmos o livro de Êxodo que encontraremos cerca de 12
capítulos dedicados à sua explanação. Mas não podemos nos esquecer
daquele que com grande honra recebeu o projeto do santuário e o viu em sua
forma original.
Para construir o que Deus havia instruído a Moisés, era necessário muito
material e mão de obra especializada. Para contribuir com o andamento da
construção, o próprio Deus convoca vários homens que foram escolhidos
dentre o povo. E esses foram os construtores oficiais, os quais pelo Espírito
Santo foram dotados de inteligência, competência, conhecimento e habilidade
para fazer todo tipo de trabalho artístico necessário naquela obra específica.
Eles foram cheios de sabedoria para fazer artesanato, trabalhando em ouro,
prata e bronze. A obra é de Deus e é Ele quem escolhe e capacita os
trabalhadores.
Esses homens eram os escravos que outrora foram desprezados e
desonrados pelos egípcios. Todavia, tiveram suas vidas mudadas quando
receberam o dom do Espírito Santo para lapidar pedras preciosas e entalhar
madeira de forma artesanal. Já não eram escravos, eram artistas dotados de
sabedoria divina, passaram a ser exímios desenhistas e estilistas. Eram
exímios em obras de materiais como: madeira, prata, ouro e tecidos, que eram
materiais usados tanto para sua construção, quanto para a sua manutenção.
Esses artesãos também receberam o dom de ensinar o que haviam recebido
por dom divino. Deus os deu um coração disposto a serem mestres para os
jovens aprendizes. A humildade foi implantada naqueles homens.
O que vale ajuntarmos conhecimento e não ensinarmos o que sabemos aos
jovens aprendizes da jornada da vida? Não perca a chance de se sentar com
um jovem, adolescente e conversar com ele sobre escolhas certas e as
consequências que as escolhas erradas suscitam por toda uma vida. Não perca
a chance de se assentar com seus filhos à sós (sem televisão, sem
eletrônicos), só você e eles. Conte-lhes sobre sua infância, coisas simples da
vida (de como foi aprender a andar de bicicleta). Tenho certeza de que eles
vão amar ouvir essas histórias. Conte sobre suas aventuras e suas quedas.
Existe uma canção popular que pode reviver esses conceitos em nossos
corações. A canção se chama Trem bala, da Ana Vilela, que diz: “Segura teu
filho no colo, sorria e abraça teus pais enquanto estão aqui.”. Enfim, a vida
está cheia de aprendizes vorazes em busca de bons mestres. Participe da
construção intelectual dos que estão próximos de você.
O NAGID DE DEUS
Os artistas do tabernáculo estavam preparados e estabelecidos como mão
de obra especializada pelo próprio Deus. Quero atentar para um detalhe bem
importante: eles não dispunham de ferramentas de medição, como temos nos
dias atuais. É válido lembrar que estamos falando de povos antigos, com
pouquíssimos recursos técnicos de medição arquitetônica.
Como eles fizeram as medidas da construção? Para a execução daquele
trabalho de construção do tabernáculo era necessária uma medida
padronizada, única e específica. Como lograr essa medida perfeita em pleno
deserto? Agora entra a participação ativa de Moisés durante a construção. Ele
foi escolhido por Deus para ser o padrão de medidas do santuário.
Vamos compreender esse padrão por meio da compreensão da palavra
hebraica muitas vezes usada para príncipe. No Dicionário Strong, na
referência 5057: “instrumento medidor”, ou o nagid.
Nagid é uma palavra hebraica que tem conotação com a palavra líder;
príncipe ou aquele que vai na frente. Da raiz Nagad: “ser visível, ser
conspícuo”. A palavra líder em inglês é ruler, a mesma palavra usada para
uma régua, que é um instrumento usado como parâmetro básico de medida.
Um líder ou um nagid era primordial para a construção da morada do Senhor.
O próprio Deus foi quem deu as medidas, porém era o líder quem cedia os
parâmetros.
Moisés era o padrão através do qual era possível estabelecer uma
comparação. Ficou bem esclarecidoque nagid é aquele que se deixa usar ou
se disponibiliza como instrumento medidor, ou medida principal. Moisés foi
o aferidor de medidas do tabernáculo.
Não há como falarmos de medidas e parâmetros do tabernáculo sem
mencionarmos Aquele que é perfeito e que estava tipificado em Moisés.
Cristo é o nosso nagid perfeito. As medidas estabelecidas para a salvação da
humanidade foram dadas pelo próprio Deus através de Sua Lei perfeita e
justa. Suas medidas são altíssimas. Não há dúvidas de que para nós (com
nossos delitos e pecados) tais medidas são, de fato, inalcançáveis.
MEDIDAS PERFEITAS
É muito lindo vermos no texto sagrado que todas as medidas do
tabernáculo foram efetuadas com as mãos, os dedos e os braços de Moisés.
Ele foi a metragem padronizada da construção.
Ao longo do texto de Êxodo sobre as medidas do tabernáculo, tais termos
são frequentemente usados:
O palmo (que é a medida entre a ponta dos dedos extremos com a mão
espalmada, ou seja, do polegar ao dedo mínimo): “[...] será de um palmo o
seu comprimento, e de um palmo a sua largura.” (Êxodo 28:16, JFA).
O palmo menor (que é a largura da mão, na base dos quatro dedos): “Fez-
lhe também, ao redor, uma moldura da largura de um palmo menor.” (Êxodo
37:12).
O côvado (que é a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio):
“[...] e a sua largura de um côvado e meio.” (Êxodo 25:17).
As medidas do tabernáculo e as medidas de santidade foram
preestabelecidas por Deus. O homem, após a queda, passou a não ter
condições de alcançá-las. Para o propósito de alcançar as tais medidas de
santidade divina foi que Jesus veio até nós. Ele atuou como o aferidor da
medida perfeita, o nagid do Senhor.
Jesus se oferece para ser o parâmetro da santidade excelente. Ele é o
padrão correto para o homem caído e imperfeito se alinhar novamente na
justiça do Senhor. Não há tabernáculo sem padrão de santidade divina. Não
existe habitação do Espírito Santo em nós sem que Jesus possa primeiro ser o
padrão de santidade divina. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário
do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não
sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19, ARA).
Cabe a nós carregar e apregoar Cristo em nossas reuniões, pregações e em
nosso caminhar diário. Ele já fez tudo. Nos constrói como igreja diariamente.
Somos a morada do Senhor no deserto desta vida, somos Seus tabernáculos.
Deus, por Sua misericórdia e graça, enviou o Espírito Santo para habitar
com Sua igreja (o tabernáculo de Deus) até a consumação dos séculos. Ele é
o ouro que cobre a Arca e por meio de Cristo (Arca), Deus habita conosco.
O ARQUITETO E SEU TABERNÁCULO
Deus foi o grandioso engenheiro. Ele mesmo desenhou e arquitetou toda a
planta de Sua habitação. Essa verdade nos faz saber que Deus é o arquiteto
por excelência da nossa história. Ele conhece cada cantinho e cada detalhe da
nossa estrutura, nossas emoções, fraquezas e desejos mais íntimos. Se não
aceitarmos o propósito para o qual fomos criados, que é o de receber a
salvação em Cristo através do Espírito Santo que nos santifica, para então
sermos novamente e eternamente a morada dEle e nos entregarmos como
sacrifícios vivos, santos e perfeitos em Seu altar todos os dias, nunca
veremos, de fato, a Sua glória eterna.
O Apóstolo Paulo em sua primeira carta aos cristãos em Corinto enfatiza a
importância de a igreja ser a morada do Senhor e afirma que na atual
dispensação da Graça, o tabernáculo são os salvos em Jesus: “Não sabeis vós
que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1
Coríntios 3:16, AA).
Essa verdade deve estar bem estabelecida em nosso entendimento para que
possamos nos aprofundar cada vez mais nesta maravilhosa revelação: nós, o
corpo de Cristo, somos Seu tabernáculo. O lugar aonde os pecadores virão
para se encontrarem com Jesus.
Como ser um tabernáculo? Com o nosso testemunho diário, com as nossas
palavras e com as mensagens que pregamos em nossos altares.
A mensagem do Evangelho precisa, mais do que nunca, deixar de ser
humanista e narcisista. O alvo do cristão é apontar o Cristo Salvador às
nações que ainda estão desnorteadas da verdade divina, e nunca falar de nós
mesmos.
Capítulo 5
“Mas o povo permaneceu a distância,
ao passo que Moisés aproximou-se da
nuvem escura em que Deus se
encontrava.”
Êxodo 20:21
A NUVEM
E A
ESCURIDADE
Até o momento, não há mais dúvidas de que o objetivo principal da
construção do tabernáculo é único: ele foi preparado para que Deus habitasse
com o homem em comunhão plena. Essa habitação não foi uma iniciativa do
povo peregrino, mas foi manifestação da iniciativa divina. É Deus desejando
habitar com a humanidade por meio da manifestação de Sua graça, através do
tabernáculo.
O povo havia saído do Egito pelas mãos poderosas do Senhor. Muitos
milagres e maravilhas aconteceram. Mas o coração do povo ainda estava
preso aos costumes egípcios de adoração a outros deuses, estavam
completamente ligados ao modus vivendi daquele povo, que era a cosmovisão
politeísta.
Após serem libertos da escravidão egípcia, caminharam por cerca de 3
meses e finalmente chegaram ao pé do Monte Sinai, o lugar onde todo o
plano e planejamento do tabernáculo, juntamente com as leis, é revelado a
Moisés.
No Monte Sinai, Deus manifesta Sua presença de forma extraordinária.
Uma nuvem densa cobre o cume do monte; trovão, relâmpagos e fumaça. O
monte tremia. De longe, eles ouviam um sonido crescente de uma trombeta
ou de um shofar, que soava tão forte ao ponto de fazer o povo estremecer.
Moisés falava do arraial e Deus lhe respondia lá do Monte Sinai. Até que o
Senhor o chamou para subir no monte e adentrar naquela nuvem espessa. O
povo foi orientado a ficar no pé do monte, para que não morresse.
Moisés se chegou por várias vezes com medo à escuridade divina. O povo
recuava, e ele superava seu pavor e se aproximava.
A maravilhosa manifestação da glória que contemplaram trouxe um
tremendo pavor no arraial, e com medo da morte, procuraram se afastar de
Deus. Todavia, Moisés era completamente atraído.
Existe uma palavra em hebraico para o ato de Moisés se aproximar. O
termo “aproximou-se”, que vem da raiz hebraica nagash, pode ser analisado
no Dicionário Hebraico Strong, na referência 5066. Ela é usada em Êxodo,
capítulo 20, verso 21, que diz: “Mas o povo permaneceu a distância, ao passo
que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava”
(NVI).
E também pode ser traduzido como: “ele foi atraído para perto”, ou “foi
feito se aproximar”. Feita uma definição simples do hebraico da forma
correta usada no termo, entendemos que Moisés se aproximou não por
vontade própria, mas por ter sido atraído pelo Senhor.
Na carta aos Hebreus, capítulo 12, no verso 21, o texto nos diz que Moisés
estava assombrado e tremendo naquele momento. E tão terrível era a visão,
que Moisés disse: “Estou todo aterrorizado e trêmulo” (JFA).
Existe um lugar para onde Deus está a nos atrair. Não há como esquecer
que a obra salvífica de Cristo sempre nos atrai à cruz. Somos levados cativos
a ela, para ali vivermos as maravilhas da redenção.
No mesmo texto citado anteriormente em Êxodo, capítulo 20, verso 21, o
termo “escuridade” aparece. Esse termo vem do hebraico araphel, na
referência 6205 no Dicionário Hebraico Strong. A sua tradução pode ser:
“densas nuvens”.
Araphel é o termo usado para expressar uma ideia básica, é como se o céu
estivesse bem perto.
As transcrições bíblicas para o português variam quanto a tradução dessa
palavra. A tradução da Bíblia Almeida Atualizada diz “trevas espessas”. A
Nova Versão Internacional diz “nuvem escura”. Mas todas elas nos apontam
a direção correta, para a tradução escuridade, ou simplesmente como se o céu
estivesse perto. A nuvem que cobre e traz a escuridade é chamada de anan.
Anan cobre o ambiente para que este se torne escuridade. Sua referência no
Strong é 6051.
Anan aparece pela primeira vez em Gênesis, capítulo 9, versos 13, 14 e 16.
A nuvem que trouxe o sinal da aliança noética, o arco-íris, tambémé anan:
“O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um
pacto entre mim e a terra. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre
a terra, e aparecer o arco nas nuvens, então me lembrarei do meu pacto, que
está entre mim e vós e todo ser vivente de toda a carne; e as águas não se
tornarão mais em dilúvio para destruir toda a carne (AA)”.
Curiosamente, o texto de Ezequiel, capítulo 1 e verso 28 fala da aparência
do arco-íris que aparece na nuvem. Este era o aspecto do resplendor, o
aspecto da semelhança da glória do Senhor. Como o aspecto do arco que
aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em
redor: “Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto,
caí com o rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava.” (AA).
A segunda vez que aparece a palavra anan é em Êxodo, capítulo 13, nos
versos 21 e 22, se referindo à nuvem que acompanhou a jornada do povo no
deserto:
“E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar
pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que
caminhassem de dia e de noite. Não desaparecia de diante do povo a coluna
de nuvem de dia, nem a coluna de fogo de noite.” (JFA).
Números, capítulo 9, dos versos 15 ao 23 relata esse evento, onde a nuvem
da glória, anan, guia o povo:
“No dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o
tabernáculo, isto é, a própria tenda do testemunho; e desde a tarde até pela
manhã havia sobre o tabernáculo uma aparência de fogo. Assim acontecia de
contínuo: a nuvem o cobria, e de noite havia aparência de fogo. Mas sempre
que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel partiam; e no lugar
em que a nuvem parava, ali os filhos de Israel se acampavam. À ordem do
Senhor os filhos de Israel partiam, e à ordem do Senhor se acampavam; por
todos os dias em que a nuvem parava sobre o tabernáculo eles ficavam
acampados. E, quando a nuvem se detinha sobre o tabernáculo muitos dias,
os filhos de Israel cumpriam o mandado do Senhor, e não partiam. Às vezes a
nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então à ordem do Senhor
permaneciam acampados, e à ordem do Senhor partiam. Outras vezes ficava a
nuvem desde a tarde até pela manhã; e quando pela manhã a nuvem se
alçava, eles partiam; ou de dia ou de noite, alçando-se a nuvem, partiam.
Quer fosse por dois dias, quer por um mês, quer por mais tempo, que a
nuvem se detinha sobre o tabernáculo, enquanto ficava sobre ele os filhos de
Israel permaneciam acampados, e não partiam; mas, alçando-se ela, eles
partiam. À ordem do Senhor se acampavam, e à ordem do Senhor partiam;
cumpriam o mandado do Senhor, que ele lhes dera por intermédio de
Moisés.” (JFA).
Essa palavra aparece novamente na narrativa bíblica em Levítico, capítulo
16, no verso 2. Nessa narrativa, Deus está dando instruções quanto ao
ministério sacerdotal, e que se o sumo sacerdote entrasse no Santíssimo
Lugar, onde a nuvem habitava e Deus aparecia por meio dela, ele certamente
morreria. Ele poderia entrar lá, contudo, uma vez por ano. Isso se dava no dia
determinado, ao qual se chama: dia da expiação, ou Yom Kippur. “Disse,
pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre em todo
tempo no lugar santo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está
sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o
propiciatório.” (JFA).
Um outro evento importante para os hebreus trouxe a nuvem para perto, e
junto dela a escuridade. Está na narrativa do primeiro livro dos Reis, no
capítulo 8, nos versos 10 ao 12: a nuvem veio sobre os levitas e sobre todos
que estavam presentes na inauguração do Templo que Salomão havia
construído. E no verso 12, o rei Salomão se pronuncia, dizendo: “O Senhor
disse que habitaria numa nuvem escura (araphel)”.
“E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a
casa do Senhor; de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé para
ministrarem, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor enchera a casa
do Senhor. Então falou Salomão: O Senhor disse que habitaria na escuridão.”
(JFA).
O termo nuvem está, de certa forma, ligado à palavra fogo e à escuridade,
e isso acontece em praticamente todos os textos citados acima. Vejamos mais
algumas dessas eventualidades.
Deuteronômio, capítulo 5, no verso 22 diz: “Falou o Senhor estas palavras,
do meio do fogo, da nuvem e da escuridade…”. O salmista, no salmo 97, no
verso 2 diz: “Nuvem e escuridade estão ao redor dele…”. Ezequiel, capítulo 1
e verso 4 diz: “[...] e uma grande nuvem, com um fogo a revolver-se…”.
Ezequiel, capítulo 34, no verso 12 diz: “[...] e as farei voltar de todos os
lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvem e escuridade.”.
O texto bíblico também apresenta uma visão escatológica para o termo.
Veja que Joel, capítulo 2, no verso 2 diz: “[...] dias de nuvens e de trevas
espessas…”. E em Sofonias, no primeiro capítulo, o verso 15 diz: “[...] dia de
nuvens (anan) e de escuridade (araphel).”, “[...] aquele dia é um dia de
indignação…”.
Os textos falam do Dia do Senhor, e se referem a esse dia como dia de
nuvens e de escuridade.
Enfim, essa nuvem cobriu o monte por vários dias. E no sétimo dia, do
meio daquela escuridade, Deus chama Moisés. Aquela era a nuvem da glória
divina. Êxodo, capítulo 24, versos 16 e 17 diz que a aparência da glória era
como de um fogo consumidor:
“Também a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o
cobriu por seis dias; e ao sétimo dia, do meio da nuvem, Deus chamou a
Moisés. Ora, a aparência da glória do Senhor era como um fogo consumidor
no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel.” (JFA).
O fato de estarmos diante do Senhor é um privilégio. Sua presença nos faz
ver quem somos. Diante de Deus somos pequenos. Porque como humanos,
nossos sonhos são limitados à nossa cosmovisão. Nossos sentimentos variam
de acordo com o nosso dia. Nossa alegria vai de alto à baixo em fração de
segundos. Somos simplesmente humanos, e Deus é Deus.
Naquela nuvem espessa, não se via nada além da glória manifesta do
Senhor. Quando estamos diante da presença do Senhor, nada mais deve
importar. Porque se estamos em meio à Sua escuridade, não enxergamos nada
além da Sua nuvem de glória. Não havendo espaço para nosso ego, o orgulho
se dissipa diante dEle.
E esse grande dia em que somos atraídos à Sua glória, às vezes acontece
em particular. Deus teve uma conversa isoladamente com Moisés no período
em que ele era apenas um pastor de ovelhas em Midiã. Nesse dia, a presença
do Senhor estava manifesta em um arbusto, e esse arbusto não se consumia
pelo fogo. Deus o chamou de profeta e líder enquanto estavam sozinhos, pois
Moisés precisava enxergar sua humanidade e fragilidade diante da grandeza
do Criador.
Existem princípios lindos no relato do chamado de Moisés. Posso destacar
vários atos marcantes no teatro de sua vida. Um deles certamente seria o dia
em que ele se vê diante de uma sarça ardente no Monte Horebe e ali conversa
com o Anjo do Senhor: “Apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de
fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e
a sarça não se consumia.” (Êxodo 3:2, JFA).
Haverá momentos únicos que servirão de crescimento em nossa vida
ministerial, no nosso chamado e na nossa intimidade com Deus. Esses
momentos são com Ele e nós, a sós. Em uma comunhão singular e particular.
A multidão não precisa ver. Na solidão, Deus levou o pastor a se ver como
príncipe.
Uma maravilhosa ilustração pode tentar definir esse conceito, O bambu e a
samambaia:
“Olhe em redor. Você está vendo a samambaia e o bambu? Pois bem, a
Vida se encarregou de semear, a um só tempo, a samambaia e o bambu. A
ambos não faltaram água, luz, seiva… A samambaia cresceu rapidamente.
Seu verde brilhante cobria o solo. Porém, da semente do bambu nada saía.
Apesar disso, a Vida não desistiu do bambu. No segundo ano, a samambaia
cresceu ainda mais brilhante e viçosa. E, novamente, da semente do bambu,
nada apareceu. Mas a Vida não desistiu do bambu. Noterceiro ano, no
quarto, a mesma coisa. Mas no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra.
Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até
insignificante. Seis meses depois, o bambu cresceu mais de 5 metros de
altura. Ele ficara cinco anos afundando raízes. Aquelas raízes o tornaram
forte e lhe deram o necessário para sobreviver. Essa dor que você sente e
aparenta ser sem propósito, ao longo de todos esses anos é, na verdade, o
rasgo de suas raízes. Elas estão se tornando mais profundas aí dentro.” (autor
desconhecido)
Capítulo 6
A
ORGANIZAÇÃO
DAS TRIBOS
Moisés ainda teve resistências quando Deus o chamou no Sinai, apesar de ele
ter experimentado do sobrenatural e da presença da glória no Monte Horebe.
Moisés permanece no Sinai por 40 dias e 40 noites conversando com o
Senhor. Naquele momento de fogo, glória, fumaça e trovões, ele recebe o
direcionamento das leis, do sacerdócio, dos mandamentos escritos nas pedras
e de toda a construção do tabernáculo, inclusive a sua localização. Tudo
minuciosamente planejado por Deus.
Deus pediu que o tabernáculo se instalasse no meio das tribos. O Deus
minucioso em detalhes orienta Moisés em todo o processo.
É necessário falarmos das repartições das tribos de Israel enquanto
caminhavam no deserto com detalhes mais específicos, para que tenhamos
uma visão esclarecida de onde o tabernáculo se instalou.
Enquanto caminhavam no deserto, as tribos se dividiram em
agrupamentos, e cada tribo com seus descendentes. Felizmente, existem dois
censos realizados nesse período e que são muito úteis. O livro de Números,
capítulo 1 tem o primeiro censo, e o segundo censo está no capítulo 26 de
Números. Censos que têm aproximadamente 38 anos distantes um do outro.
Os homens que eram contados tinham de 20 anos para cima, até uma idade
em que não se pode guerrear mais.
Dos 40 anos do povo no deserto, não sabemos muitos detalhes porque,
curiosamente, a Bíblia relata aproximadamente 1 ano e meio do povo no
deserto. No entanto, aproximadamente 38 anos são ocultados das páginas
sagradas. Quando lemos de Êxodo 12 até Números 14, verso 45, ali estão
registrados esses 1 ano e meio de história. De Números, capítulo 14, verso 45
até Números 20, verso 14, são 38 anos de história. De Números 20, verso 14
até Números 36, verso 13, são aproximadamente os 6 meses da história final
dessa caminhada no deserto rumo à Canaã.
Enfim faremos uma comparação entre os dois censos. Neste momento é
preciso ressaltar que a tribo de Levi não foi contada nos censos. Os motivos
eram simples, sacerdócio e serviço militar. Por serem uma tribo sacerdotal,
estavam isentos de ir à guerra.
Entre um censo e outro, pôde ser percebida uma diferença de 1.820
pessoas a menos. O tabernáculo será nossa referência geográfica, porque ele
se localizava no meio das 12 tribos.
Ao sul do tabernáculo, três tribos: Rúben, com 46.500 homens; Simeão,
com 59.300 homens; e Gade, com 45.650 homens.
Ao leste do tabernáculo, três tribos: Judá, com 74.600 homens; Issacar,
com 54.400 homens; e Zebulon, com 57.400 homens.
A oeste do tabernáculo, três tribos: Efraim, com 40.500 homens;
Manassés, com 32.200 homens; e Benjamin, com 35.400 homens.
Ao norte do tabernáculo, três tribos: Dã, com 62.600 homens; Aser, com
41.500 homens; e Naftali, com 53.400 homens. Num total de 603.550
homens de 20 anos para cima.
A tribo de Levi é dividida em três clãs pela linhagem de seus filhos:
Gérson, Coate e Merari. A oeste, os gersonitas, com 7.500 homens. Ao norte,
os meraritas, com 6.200 homens e ao sul, os coatitas, com 8.600 homens. À
frente do tabernáculo, que era ao leste, estavam acampados Moisés, Arão,
Miriã e suas famílias, que também eram levitas.
COMO SÃO BELAS AS TUAS MORADAS
Não há como mencionarmos a organização das tribos e a localização do
tabernáculo sem citarmos a narrativa que nos apresenta o profeta Balaão.
Balaão foi um profeta hebreu que viveu junto com o povo de Israel ainda
no tempo da peregrinação pelo deserto. A Sagrada Escritura conta que, certa
feita, ele recebe uma proposta comprometedora e má. O rei dos moabitas o
contratou para amaldiçoar a Israel. Isso mesmo, um profeta em Israel foi
chamado para amaldiçoar seu próprio povo. Ao fim de sua tarefa, Balaão
ganharia um prêmio, ou um pagamento. A história é bem extensa, se encontra
em Números, do capítulo 22 ao 24. Recomendo a leitura do texto na íntegra.
Vamos nos ater apenas ao desfecho dessa história. Balaão subiu ao monte
Peor, onde os historiadores acreditam ser um pico das montanhas de Abarim,
ao norte do Mar Morto, na Transjordânia. A narrativa nos diz que lá do
Monte Peor, Balaão viu os acampamentos de Israel de forma única e singular.
A Bíblia diz que ele viu o acampamento por completo e em absoluta
grandeza. Ao se maravilhar com o que estava avistando, ele disse um dos
versículos mais lindos da Sagrada Escritura. Ele se emocionou ao ver a forma
que as 12 tribos estavam organizadas ao redor do tabernáculo. “Como é
bonito o acampamento do povo de Israel! Como são belas as suas moradas!”
(Números 24:5, NTLH).
Mas o que, de fato, o profeta Balaão avistou para se emocionar? Veremos
pelo gráfico na pagina ao lado que o que estava sendo revelado lá era
maravilhoso demais.
Quem via o acampamento lá do alto conseguia ver a organização das
tribos, que por sua vez tem uma conexão muito forte com a cruz, pois esse
era o desenho que se formava no acampamento. Isso mesmo, uma cruz.
Que tipologia esplêndida. Como negar a existência do Cristo e o plano de
salvação que estava sendo revelado anos antes de Cristo entre as tendas dos
filhos de Israel?
Balaão vivia entre as tribos, mas não conseguia ver as maravilhas de Deus,
pois não O olhava de uma forma absoluta e contemplativa.
Algumas pessoas, assim como o profeta, deixam de contemplar o nosso
Salvador e Suas maravilhas que estão espalhadas por toda a Bíblia em cada
versículo só porque não a olham como um todo, como uma obra única e
completa.
151.450
157.500
MATERIAIS
DO
TABERNÁCULO
Capítulo 7
Relembrando que para que o tabernáculo fosse construído foi necessária mão
de obra especializada, medidas e muitos materiais específicos. Uma lista
desses materiais foi feita, exatamente da forma que Deus pediu. Esses
materiais foram entregues a Moisés pelo povo, e isso voluntariamente, pois
um coração voluntário era a exigência primordial.
É interessante voltarmos à narrativa bíblica do evento que aconteceu com
o povo durante o tempo que esperavam por Moisés, enquanto ele estava com
o Senhor no Monte Sinai. O povo ansiava uma resposta rápida, e Moisés
ficara no monte por 40 dias, que se pareceram dias eternos para um povo
ansioso e obstinado. Como o coração do ser humano é enganoso!
Tentaram se esquecer do Libertador e usaram o ouro que tinham
despojado dos egípcios para fazerem um ídolo. Um bezerro de ouro para que
pudessem adorar e clamar. Assim fizeram e terrivelmente lhes sobreveio a
angústia das consequências.
O ouro de Israel é o ouro das nossas vidas. A perfeita vontade do Senhor é
que o ouro que Ele mesmo nos concedeu de antemão, que são os nossos dons,
talentos e ministérios, fosse usado para a glória dEle no tabernáculo.
Infelizmente, com muita frequência não os usamos de forma correta. Por
causa da nossa ansiedade e autodependência.
Vivemos em um tempo de escândalos ministeriais, onde o “ouro” é usado
como símbolo de idolatria em nossas congregações, e não de benção para o
povo. Cantores e expositores da Palavra corrompidos pela glória desta terra.
Creio que a igreja pertence ao Senhor, e assim como Ele enviou Moisés para
intervir naquela situação, Ele nos enviará Sua Palavra.
SIMBOLISMOS
Existe um amplo simbolismo nos materiais que deveriam ser recolhidos
entre o povo e entregues à Moisés para a construção. Essa lista se encontra no
livro de Êxodo 25, versos 3 ao 7:
“Estas são as ofertas que deverá receber deles: ouro, prata e bronze, fios de
tecidos azul, roxo e vermelho, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro
tingidas de vermelho, couro, madeirade acácia, azeite para iluminação;
especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático; pedras de ônix e
outras pedras preciosas para serem encravadas no colete sacerdotal e no
peitoral.” (NVI).
OURO
O primeiro item da lista era o ouro. O metal mais precioso de todos os
tempos. Seu simbolismo está ligado diretamente à divindade e à perfeição.
Apontando para o Deus Espírito Santo.
Podemos nos perguntar: E de onde veio tanto ouro? A resposta é bem
simples, pois esse ouro veio do Egito, por um ato de despojamento: “Os
israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de
prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo uma
disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que
pediam; assim eles despojaram os egípcios.” (Êxodo 12:35-36, NVI).
PRATA
O segundo material da lista é a prata. Nela está um símbolo de redenção e
de entrega total. A prata era usada para o resgate dos primogênitos do serviço
sacerdotal e na compra de escravos. Aponta para Jesus, o Deus Filho. Jesus
foi vendido por preço de prata, 30 moedas, valor de redenção dos
primogênitos: “Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora
condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos,
dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos
importa? Seja isto lá contigo.” (Mateus 27:3-4, AA).
COBRE
O terceiro material usado no tabernáculo é o cobre. Este é o símbolo do
julgamento divino. Apontando para a humilhação vicária de Cristo e como
esse ato saciou a justiça divina. Vemos aqui a figura do Deus Pai e Juiz
Soberano: “Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma
haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando este
olhava para a serpente de bronze, vivia.” (Números 21:9, AA). “E, como
Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem
seja levantado.” (João 3:14, JFA).
CORANTES
Nessa lista se encontra o nome de alguns corantes; muitas cores foram
usadas na construção. Essas cores estavam presentes nas cortinas internas e
externas, nos véus das portas, nas vestes dos ministrantes e nos panos que
cobriam os móveis.
AS CORES CARREGAM UM SIMBOLISMO MARAVILHOSO:
Azul: A cor azul aponta para a Lei e as moradas celestiais. A Arca da
Aliança era coberta de pano azul enquanto transportada. O azul é a cor
daquele que é celestial. O ministério celestial de Cristo.
Púrpura: A cor púrpura usada no tabernáculo aponta para a realeza e a
beleza dos reis. O Filho do homem e Seu Reino sempiterno. O altar de bronze
era coberto por púrpura ao ser transportado.
A cor púrpura está ligada à poder e autoridade. As roupas de Daniel e
Mardoqueu eram púrpuras. “Então Belsazar deu ordem, e vestiram a Daniel
de púrpura, puseram-lhe uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamaram a
respeito dele que seria o terceiro em autoridade no reino.” (Daniel 5:29, JFA).
“Então Mardoqueu saiu da presença do rei, vestido de um traje real azul
celeste e branco, trazendo uma grande coroa de ouro, e um manto de linho
fino e de púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.” (Ester 8:15, JFA).
O Novo Testamento cita uma cristã chamada Lídia. Ela era vendedora de
púrpura. “E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de
Tiatira, e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para
atender às coisas que Paulo dizia.” (Atos 16:14).
Carmesim: A cor carmesim é o simbolismo do sangue sacrificial que
conduz à remissão dos pecados. Nela, vemos Jesus na cruz do calvário, que
carregou o pecado de muitos. A mesa dos pães era coberta de carmesim
enquanto era transportada.
A cor carmesim nos traz preceitos extremamente maravilhosos. Ela é
única e especial. O modo que essa coloração toma forma me atraiu muito.
Vamos ao texto em hebraico de Êxodo 25, verso 4. A palavra hebraica
para escarlate é tolá shani: “estofo azul, púrpura, carmesim (tolá shani), linho
fino, pêlos de cabras”.
O texto se refere a cor do pigmento extraído de um verme. Isso mesmo, de
um verme. Pois sabemos que todas as cores usadas no tabernáculo tinham
uma origem animal ou vegetal, afinal, estamos falando da cultura antiga do
Oriente Médio.
Tolá shani é o termo usado para falar dessa coloração, e sua referência no
Dicionário Hebraico Strong está no 8438. Uma tradução literal da palavra
seria assim: “o esplendor escarlate de um verme”.
O verme citado no texto é o coccus ilicis. A forma como esse verme faz a
coloração é, de fato, deslumbrante. A biologia nos diz que é o corpo da fêmea
quem produz o corante escarlate. A coloração avermelhada é adquirida por
um processo que o coccus ilicis passa, por isso é chamado de verme escarlate.
Assim se dá o processo: a fêmea coccus ilicis, quando fecundada e pronta
para se reproduzir, vai à procura de uma árvore para fazer seu casulo, de
preferência um tronco de carvalho. Voluntariamente, ela sobe o tronco e
segue seu desígnio. Ela se apega àquele tronco de tal maneira a criar um
casulo bem sólido. A coccus ilicis sabe que será definitivamente ligada a ele.
O objetivo principal de se apegar ao tronco e fazer uma espécie de casulo ou
casca protetora é para esconder as suas larvas, ou seus futuros filhos.
As larvas recém-nascidas ou os filhos da coccus ilicis ficam dentro do
casulo, junto com a mãe, até criarem maturidade para viverem sozinhos do
lado de fora. No período em que as larvas estão presas no casulo com a mãe e
vão crescendo, elas se alimentam do corpo da mãe, que ainda está viva. Eles
sabem que somente quando o verme escarlate (mãe) morre, é a hora de eles
saírem do casulo.
No fim de sua missão e no ato de sua morte, é criado dentro do casulo o
pigmento escarlate. Este é um pigmento tão forte que o tronco e seus filhos
ficam manchados por ele pelo resto de suas vidas. A cor escarlate é feita no
momento de sua morte. Como um sinal de que a mãe, dignamente, havia
dado a vida em favor de seus filhos.
Ao subir no carvalho, o verme escarlate sabe que não sairá de lá com vida.
Uma linda figura do que aconteceu com Cristo na cruz e nós, os Seus filhos.
Mas onde está Jesus nesse conceito? Pois bem, vemos essa comparação
em um dos salmos messiânicos. No salmo 22, no verso 6 está escrito: “Eu
sou um verme (tolá)”. A palavra hebraica para verme é tolá, o verme
escarlata. Uma tipologia do Cristo que deu a vida para os Seus filhos e que se
entregou como um sacrifício para muitos. Jesus disse em João, capítulo 10,
versos 17 e 18: “[...] Eu dou a minha vida...”.
Jesus nos alimenta com Seu corpo e Seu sangue. A nossa comunhão
restaurada com o Pai foi feita pela Nova Aliança através do sangue do
Cordeiro inocente. A cor escarlata que saiu do Cristo sofredor quando Ele
morreu deixou as marcas de salvação na Sua igreja. Somos manchados por
Seu sangue.
O autor da carta aos Hebreus, no capítulo 2, no verso 20 nos afirma o
seguinte: “Pois Deus, que cria e sustenta todas as coisas, fez o que era
apropriado e tornou Jesus perfeito por meio do sofrimento. Deus fez isso a
fim de que muitos, isto é, os seus filhos, tomassem parte na glória de Jesus.
Pois é Jesus quem os guia para a salvação.” (NTLH).
Quanta agonia Cristo sofreu na cruz! Um ato de amor realizado para que
pudéssemos cantar num só coro harmônico e O adorar: “Há poder, sim, força
e vigor neste sangue de Jesus”.
A linda jornada do coccus ilicis ainda não se findou. Após dar a sua vida
naquele madeiro, ela passa por uma grande metamorfose no terceiro dia após
sua morte. Ela perde a coloração e se transforma em uma cera totalmente
branca, que agora não tem mais a forma de um verme. Ela se desgruda do
tronco e cai no chão, branca como a neve.
Não há como não citarmos o que diz o profeta Isaías, no capítulo 1 e no
verso 18: “[...] ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se
tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim,
tornar-se-ão como a lã.” (AA).
Parece que profeta Isaías fez uma pequena referência ao processo do
verme escarlata (coccus ilicis) para nos mostrar o plano de redençãodivina.
Oh, glória!
Morte e ressurreição. Condenação e redenção. Quantos preceitos eternos e
divinos são encontrados em um único vermezinho, que assim como Cristo, se
entrega por muitos derramando o seu sangue. Após passar três dias na tumba,
Ele ressuscitou e subiu aos céus com Seu corpo glorificado.
Alguns tecidos também foram requisitados na lista. Tecidos finos, como o
linho branco, que é um símbolo de pureza e santidade. O linho branco cobria
todo o lado de fora do tabernáculo, como um muro que delimita o acesso
tanto das 12 tribos de Israel, quanto do homem comum que se encontrava do
lado de fora.
Esse linho branco aponta para uma justiça plena e inatingível. Se alguém
quisesse se encontrar com Deus, que habitava lá dentro, ele não poderia pular
os muros da justiça própria, pois só existia uma porta de acesso. Falaremos
dela mais adiante.
O homem não foi criado do lado de fora da “habitação plena de Deus”, ele
foi criado dentro, no Jardim do Éden. O homem foi expulso da “presença
plena de Deus”, afinal de contas, o Jardim do Éden representa a comunhão
plena e sem intermediários, e foi colocado para fora após sua queda.
Existe dentro de cada pessoa o desejo de voltar ao Jardim, ao que outrora
era a plena e perfeita comunhão com o Criador.
TECIDOS
PELOS DE CABRAS: Alguns tecidos foram requeridos com a finalidade de
cobrir a tenda. Um deles é o pelo de cabras. Este simboliza o pecador. Aponta
para os injustos. “Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará
umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes.” (Mateus 25:32,
NVI).
José teve sua capa manchada com sangue de um cabrito. Figura de Cristo
carregando sobre Si os nossos pecados. “Então eles mataram um bode,
mergulharam no sangue a túnica de José.” (Gênesis 37:31, NVI).
PELES DE CARNEIRO: As peles de carneiro carregam o símbolo dos que
foram salvos. Símbolo da igreja de Cristo, que é composta de gentios e de
judeus.
“Junto com os pães apresentem sete cordeiros, cada um com um ano de
idade e sem defeito, um novilho e dois carneiros. Eles serão holocausto ao
Senhor, juntamente com as suas ofertas de cereal e ofertas derramadas; é
oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor.” (Levítico 23:18,
NVI).
Essas cortinas de carneiro eram tintas de vermelho. Assim como o Cristo
vencedor tem as vestes salpicadas de sangue: “Está vestido com um manto
tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus.” (Apocalipse 19:13,
NVI).
No Éden, após a queda, Adão foi vestido por Deus com peles,
provavelmente de carneiro. O texto referente às roupas que Deus fez para
Adão é Gênesis, capítulo 3, verso 21: “E o Senhor Deus fez túnicas de peles
para Adão e sua mulher, e os vestiu” (AA).
A palavra usada em hebraico é kuttoneth, referência no Dicionário
Hebraico Strong 3801, que traz um sentido literal de: “roupa usada para
cobrir ou túnica comprida, geralmente de linho”.
O comentarista de Cambridge Bible for Schools and Colleges diz: “O
verso presente dá a explicação tradicional da origem da roupa. A palavra
‘casacos’ dificilmente representa o hebraico tão bem como ‘túnicas’. O
hebraico Kuttoneth era uma espécie de camisa sem mangas, chegando até os
joelhos.”.
A narrativa bíblica diz que José do Egito ganhou uma túnica de mangas
longas de seu pai, e a princesa Tamar, filha do rei Davi, também usava uma
túnica de mangas longas. “Israel amava mais a José do que a todos os seus
filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.”
(Gênesis 37:3, AA).
“Ora, trazia ela uma túnica talar; porque assim se vestiam as filhas virgens
dos reis. Então o criado dele a deitou fora, e fechou a porta após ela. Pelo que
Tamar, lançando cinza sobre a cabeça, e rasgando a túnica talar que trazia,
pôs as mãos sobre a cabeça, e se foi andando e clamando.” (2 Samuel 13:18-
19, AA).
PELES DE GOLFINHO OU TEXUGO: Um outro material requerido, bem útil no
deserto, são as peles de golfinho ou texugo. As peles de golfinho eram
comercializadas no antigo Oriente Médio por causa da sua durabilidade. Elas
carregam um símbolo de força e resistência contra as ações do tempo.
As peles de golfinho eram importadas. Não eram nativas do deserto. Nos
deparamos com um princípio cristão muito profundo, que anos mais tarde
Paulo usou em suas cartas, dizendo que somos peregrinos nesta terra: “A
nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o
Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses 3:20, NVI).
A pele de golfinho era usada como matéria-prima nos calçados dos filhos
de Israel na caminhada pelo deserto: “Pus-lhe um vestido bordado e sandálias
de couro (possivelmente peles de animais marinhos).” (Ezequiel 16:10a,
NVI).
O texto se refere àqueles sapatos que cresciam nos pés dos caminhantes do
deserto e não se consumiram por 40 anos: “Quarenta anos vos fiz andar pelo
deserto; não se envelheceu sobre vós a vossa roupa, nem o sapato no vosso
pé.” (Deuteronômio 29:5, AA).
Não há como passarmos por esse texto e não falarmos da suficiência do
Evangelho de Cristo. Os reformadores chamam essa suficiência de Sola
Scriptura, onde exaltam a Bíblia e sua primazia absoluta sobre a igreja cristã.
O apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios, capítulo 6, no verso 15 diz:
“Calçados os pés na preparação do evangelho da paz.” (ACF).
A conexão dos sapatos duradouros dos filhos de Israel e o calçado do
cristão está na suficiência e durabilidade. Assim como os peregrinos do
deserto não trocaram seus calçados, os cristãos também são alertados a não
negarem o Evangelho durante a caminhada. Paulo nos ensinou esse princípio
primordial e essencial em sua carta aos Gálatas, capítulo 1 e verso 8:
“Contudo, ainda que nós ou mesmo um anjo dos céus vos anuncie um
evangelho diferente do que já vos pregamos, seja considerado maldito!”
(KJA). A proteção necessária para os nossos pés durante a jornada cristã é a
Bíblia.
Os filhos de Israel que olhassem para o tabernáculo no deserto viam
somente as cortinas externas, principalmente as cortinas de pele de golfinho.
Não havia beleza ou formosura nesse tipo de cobertura, contudo, ela durou
por cerca de 500 anos sem ser substituída. Elas representam a rejeição e
humilhação presentes no ministério terreno de Cristo: “Era desprezado, e
rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e,
como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não
fizemos dele caso algum.” (Isaías 53:3, AA).
As peles de carneiro e as peles de cabras estão embaixo e não eram
contempladas por ninguém. Um conceito ligado à redenção. Elas representam
o sacrifício vicário de Cristo.
A visão do sacerdote que adentrava o tabernáculo era bem diferente do que
se podia ser avistado do lado de fora. Ele via as cortinas de linho branco com
bordados, com querubins nas cores azul, púrpura e carmesim. Eram lindas e
representavam a beleza de Cristo e Sua glória.
Esses materiais formavam as coberturas externas do tabernáculo, que
curiosamente passaram a ser moradas de pássaros. O poeta, no salmo 84 e
verso 3, diz: “Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde
ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu
e Deus meu.” (ACF).
O tabernáculo também servia de ninho para alguns pássaros do deserto:
“Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos;
mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mateus 8:20, AA).
ACÁCIA
Na lista dos materiais requeridos, temos também a madeira de acácia. Um
simbolismo da natureza humana. A acácia é uma árvore linda e cheia de
espinhos. Vemos a ilustração da igreja, que é composta de pecadores
arrependidos que alcançaram salvação por meio da graça maravilhosa que há
na perfeição de Cristo.
AZEITE
O tabernáculo precisaria de materiais para manter a ordem do culto diário,
como o óleo ou azeite de oliva. O azeite seria usado para a unção e para
suprir o candelabro. Portanto, é um simbolismo da unção e do ministério do
Espírito Santo, que nos capacita para a caminhada cristã diária. O óleo
tambémtinha a finalidade de dar liga às especiarias usadas para fazer o
incenso aromático.
MIRRA
A mirra é a primeira na lista das especiarias para o incenso:
“Junte as seguintes especiarias: seis quilos de mirra líquida, a metade
disso, ou seja, três quilos de canela, três quilos de cana aromática, seis quilos
de cássia, com base no peso padrão do santuário, e um him de azeite de oliva
(o him era uma medida de capacidade para líquidos. As estimativas variam
entre 3 e 6 litros.). Faça com eles o óleo sagrado para as unções, uma mistura
de aromas, obra de perfumista. Este será o óleo sagrado para as unções.”
(Êxodo 30:23-25, NVI).
A mirra sai de uma árvore espinhosa e que no inverno perde suas folhas, é
extraída por golpes em seu tronco. Porém, a que tem mais valor é a que fluía
naturalmente entre as cascas do tronco. Um material muito valioso. Ela era
amarga em seu sabor, porém exalava um perfume suave. Também é
medicinal, tem poder antisséptico e apazigua a dor. A língua dos salvos
gotejam mirra: “Suas faces são como um jardim de especiarias que exalam
perfume. Seus lábios são como lírios que destilam mirra.” (Cantares 5:13,
NVI).
CANELA
A canela também fazia parte dos pós aromáticos, por causa de sua doçura
e fragrância. A parte usada era a casca interna da planta. A canela simboliza a
vida ética. O nosso testemunho íntimo. As pessoas que convivem conosco
precisam sentir doçura e bom perfume em nossos atos, por mais corriqueiros
que estes sejam.
CÁLAMO
Outro pó aromático é o cálamo. Dessa planta aromática é usado o miolo. A
obra do Espírito Santo na santificação da igreja, a mudança que Ele opera em
nosso caráter. O cálamo nos direciona a pensarmos nas intenções do nosso
coração, pois os pensamentos que dele procedem, por mais íntimos que
sejam, não podem ser encobertos do Espírito Santo.
CASCA DA ACÁCIA
O último dos aromas listados é a acácia. Dessa planta era usada a casca
externa. Simbolismo de um caráter cristão extrínseco. A igreja
contemporânea é mensageira das boas novas quando Jesus for anunciado por
meio de nossa conduta e forma de agir na sociedade. Nossas vestimentas
precisam representar quem somos em Cristo. Se realmente sou uma
testemunha de Cristo, minha conduta ética a revelará. Contudo, a pós-
modernidade fomenta o contrário.
PEDRAS PRECIOSAS
Algumas pedras preciosas compunham a lista de Moisés, elas seriam
usadas na veste sacerdotal. Essas pedras serão detalhadas em outro capítulo
do livro, onde trataremos sobre vestes sacerdotais. As pedras são um símbolo
de intercessão e de aliança.
MESTRE DE OBRAS
Todos esses materiais valiosos e com todas as exigências, que por vezes
chegam a ser exageradas em suas minúcias, não poderiam ser entregues a um
mestre de obras qualquer. Deus acertou quando chamou Moisés, porque ele
não era um indouto, pelo contrário, havia sido criado como príncipe no Egito
e por 40 anos teve acesso a todas as ciências egípcias da época. A história nos
conta que a civilização egípcia era muito avançada em tecnologia e ciência:
“Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso
em palavras e obras.” (Atos 7:22, NVI).
Deus permitiu que Moisés fosse preparado para ser um rei egípcio, para
que no momento oportuno, esse conhecimento trouxesse esperança para
Israel. Moisés tinha plena capacidade de arquitetar e construir uma tenda para
o culto ao Senhor, contudo, não o fez. O arquiteto foi o Grandioso
Engenheiro Jeová. A planta foi Deus quem fez. Moisés foi o mestre de obras,
avaliando cada detalhe para garantir que estivesse de acordo com a planta
apresentada no Monte Sinai.
Mesmo com todas as nossas capacidades, dons e talentos, se tentarmos
construir nossos próprios tabernáculos de adoração ao Senhor fora dos
parâmetros divinos, não alcançaremos sucesso. É Deus quem nos diz o que
fazer, como viver, como adorar e como caminhar na jornada desta vida. Ele é
o arquiteto da nossa história. Não seremos aceitos se não respeitarmos esses
limites.
A plenitude de Deus não virá sobre nós se tentarmos construir nossos
próprios rumos. Distante dos parâmetros pré-estabelecidos por Deus, nos
resta sermos infrutíferos, amargos e infelizes.
A glória de Deus veio sobre o tabernáculo quando inaugurado. É preciso
lembrar que a glória de Deus não viria àquele lugar se não fosse construído
de acordo com Sua vontade. A vontade de Deus é boa, é perfeita e agradável:
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela
renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e
comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2,
NVI).
O
MINISTÉRIO LEVÍTICO
Capítulo 8
O ministério levítico recebeu este nome por causa da única tribo dentre as 12
tribos de Israel que trabalhava no ministério sacerdotal por escolha divina: a
tribo de Levi. Afinal, como se deu essa escolha divina? O capítulo 32 de
Êxodo exigirá nossa atenção no desenrolar desse evento. Este é um capítulo
muito rico em informações e conceitos que nos servirão de suporte para
melhor assimilação.
Tudo começou quando o povo de Israel aguardava no pé do Monte Sinai a
volta de Moisés, que estave no monte por 40 dias. Essa narrativa aparece em
Êxodo, do capitulo 24 até o 31, onde o texto relata o que acontecia no monte
entre Deus e Moisés naqueles dias, tem seu desfecho no capítulo 32 onde o
holofote principal da narrativa bíblica é lançado sobre o povo de Israel.
O texto sagrado nos diz que eles não sabiam o que havia acontecido com
Moisés. Se ele voltaria ou quando voltaria. Eles se sentiram abandonados.
Arão estava no meio daquele povo e por um momento de fraqueza, ele
deixou de olhar para o Sinai e passou a ouvir a voz do povo que clamava por
uma resposta rápida.
A mesma situação aconteceu anos atrás com Adão e Eva no Jardim do
Éden. Seus próprios desejos foram os geradores do engodo.
Arão pede o ouro daquele povo e com ele fabrica um ídolo. Não um ídolo
qualquer, mas um ídolo que tomaria o lugar de Deus em suas orações.
Forjaram um bezerro de ouro (tinham o que adorar). Construíram um altar
para o bezerro (tinham um lugar de adoração). Prepararam uma festa para o
bezerro (eles sabiam como adorar o ídolo). Eles não precisaram de instruções
para fazer isso, pois a natureza humana é dotada de criatividade.
Infelizmente, uma criatividade que se revela maligna contra o seu Criador.
A igreja contemporânea insiste em cair nessa mesma armadilha do
inimigo, assim como o povo recém tirado da escravidão. A igreja não sabe
quando Cristo voltará. Pior pensar que também existem aqueles que não
creem que Ele voltará. Caem na armadilha do próprio coração. Pessoas
contaminadas por seus enganos, que usam seus dons e talentos para criar
ídolos para si, quando não fazem de si mesmos seus próprios ídolos.
A atual e enganosa teoria da prosperidade diz para o fiel o que ele deve
adorar (o dinheiro), onde ele deve adorar (traga no altar seu dinheiro) e como
adorar (entregando tudo em sacrifício). Essa prática é um insulto à suficiência
salvífica de Cristo.
A ganância por prosperidade em nome de Cristo é uma farsa que diz
constantemente aos seus fiéis: “Traga tudo o que você tem em suas mãos para
o altar, porque tudo isso se multiplicará”. Porém, se esquecem de dizer aos
fiéis que tudo aquilo será o seu ídolo daquele momento em diante, será seu
objeto de desejo profundo e será o seu deus. Um deus de barganha, um
simples bezerro de ouro que ludibria os caminhantes do deserto da vida.
A cultura do Oriente Médio antigo é cheia de associações de bois e
bezerros com as divindades. Alguns comentaristas dizem que a intenção do
povo não era substituir o Senhor, mas substituir Moisés, o mediador.
Muitos estão em busca de um novo mediador, procuram pelos ídolos deste
mundo e se esquecem dAquele que deu a vida por eles. Não se lembram da
água viva que sacia eternamente. Não se lembram do pão vivo que desceu do
céu. Muitos cristãos contemporâneos estão completamente esquecidos
dAquele que subiu aos céus e que em breve voltará.
E o Espírito Santo é o ouro que Deus nos deu.Ele estará conosco até a
consumação dos séculos.
Enquanto Deus planejava usar o ouro para cobrir a Arca e os utensílios
sagrados, o inimigo usava o ouro deles para promover idolatria. O inimigo
quer nossos dons e talentos, e nos convencer a usá-los para a glória deste
mundo vil.
O coração enganoso te diz: “Não use seus dons para Deus, não os use na
igreja. Você canta tão bem e na igreja ninguém te reconhece. Você escreve
tão bem e na literatura cristã há pouco espaço para seus livros. Olhe essas
canções, como são lindas! Componha para o mundo e muitos te amarão”.
Vivemos em uma geração que pensa ser melhor, objetiva reluzir mais que
todos os cristãos à sua volta, e desse pensamento desprezível surge o
movimento dos desigrejados. Os desigrejados são cristãos, confessam a fé em
Cristo, mas não suportam os irmãos.
Não precisa ser mestre em Teologia para perceber o embuste de satanás
por detrás desse movimento. Como amar a Deus e não amar meu irmão?
Responda essa pergunta a você mesmo e seja sincero.
De volta ao pé do Monte Sinai, temos uma grande festa acontecendo para
o bezerro. Um grande quadro de caos e orgia entre os filhos de Israel: “O
povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.”
(Êxodo 32:6b, NVI).
Deus orientou Moisés que descesse depressa, pois o povo estava se
corrompendo. Ao se aproximar do arraial, pôde ouvir o som das danças e da
adoração. Ao avistar aquele bezerro de ouro sendo adorado, Moisés se
inflama em ira e quebra as tábuas da Lei que estavam em suas mãos.
Moisés veio para consertar aquela situação. Primeiro, ele intercede por
Israel diante de Deus. Depois, quebra e derrete aquele bezerro de ouro,
fazendo-o virar pó. O pó é derramado sobre as fontes de água.
O povo idólatra bebeu da água com as cinzas do bezerro. O objetivo desse
ato era simples, adquirir o perdão do Senhor através daquela atitude de
arrependimento.
O objetivo de traçar este contexto é o ministério levítico. A chave do texto
com relação ao chamado dos levitas está no versículo 26 do capítulo 32 de
Êxodo, que diz: “Quem é do Senhor que venha a mim. Então se ajuntaram a
ele todos os filhos de Levi.”.
Antes da tribo de Levi se apresentar a Moisés, Deus havia separado o
ofício de ministrar perante o Senhor no tabernáculo para os primogênitos dos
filhos de Israel. Naquele momento, Deus os resignou do cargo.
Deus escolheu a tribo de Levi para o sacerdócio, embora que,
aparentemente, este não fosse o plano primário. Seria uma função de
primogênitos hebreus.
Números, capítulo 3, versos 40 ao 45 fala sobre esse princípio de
primogenitura. E para a resignação do serviço sacerdotal, era preciso um
resgate dos primogênitos:
“E o Senhor disse a Moisés: Conte todos os primeiros filhos dos israelitas,
do sexo masculino, de um mês de idade para cima e faça uma relação de seus
nomes. Dedique a mim os levitas em lugar de todos os primogênitos dos
israelitas, e os rebanhos dos levitas, em lugar de todas as primeiras crias dos
rebanhos dos israelitas. Eu sou o Senhor. E Moisés contou todos os primeiros
filhos dos israelitas, conforme o Senhor lhe havia ordenado. O número total
dos primeiros filhos do sexo masculino, de um mês de idade para cima,
relacionados pelo nome, foi 22.273. Disse também o Senhor a Moisés:
Dedique os levitas em lugar de todos os primogênitos dos israelitas, e os
rebanhos dos levitas em lugar dos rebanhos dos israelitas. Os levitas serão
meus. Eu sou o Senhor”.
Houve um censo com o propósito de resgate e os primogênitos contados
foram 22.273 homens, e os levitas contados foram 22.000 homens. Eram
contadas crianças a partir de um mês: “Conte os levitas pelas suas famílias e
clãs. Serão contados todos os do sexo masculino de um mês de idade para
cima.” (Números 3:15, NVI).
A diferença entre eles foi de 273 primogênitos a mais que os levitas, e por
esta razão foi cobrado o valor de resgate. Os primogênitos deveriam ser
resgatados do dever ministerial, e então pagar o preço estipulado por essa
redenção. A prata deveria ser usada como pagamento e o valor era de
aproximadamente 70 gramas, ou 5 ciclos: “Os que deles se houverem de
remir, desde a idade de um mês os remirás, segundo a tua avaliação, por
cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte jeiras.”
(Números 18:16, AA).
Não há como avaliar essa quantia de prata em valores atuais, embora
alguns estudiosos digam que um siclo corresponderia a um mês de salário de
um trabalhador braçal.
A prática de pagamento pelos primogênitos foi introduzida após o Senhor
livrá-los da morte no Egito.
No livro de Êxodo, capítulo 13 e versos 11 ao 16, o escritor do texto
sagrado explica o motivo e o propósito dos primogênitos oferecerem prata ao
Senhor, era o agradecimento pela vida. O primogênito era separado como
posse peculiar (separado) do Senhor. O pagamento era para efetuar a
dispensa desses primogênitos do serviço sacerdotal, que agora está nas mãos
da tribo de Levi.
“Depois que o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a
vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o Senhor o
primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus
rebanhos pertencem ao Senhor. Resgatem com um cordeiro toda primeira cria
dos jumentos, mas se não quiser resgatá-la, quebrem-lhe o pescoço.
Resgatem também todo primogênito entre os seus filhos. No futuro, quando
os seus filhos lhes perguntarem: ‘Que significa isto?’, digam-lhes: Com mão
poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da terra da escravidão. Quando o faraó
resistiu e recusou deixar-nos sair, o Senhor matou todos os primogênitos do
Egito, tanto os de homens como os de animais. Por isso sacrificamos ao
Senhor os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos
primogênitos. Isto será como sinal em sua mão e símbolo em sua testa de que
o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa. (NVI)”
Em outras ocasiões, o pagamento pelo resgate está relacionado a viúvas, a
propriedades e aos escravos: “As mulheres disseram a Noemi: Louvado seja
o Senhor, que hoje não a deixou sem resgatador! Que o seu nome seja
celebrado em Israel!” (Rute 4:14, NVI). “Se, contudo, um homem não tiver
quem lhe resgate a terra, mas ele mesmo prosperar e adquirir recursos para
resgatá-la.” (Levítico 25:26, NVI).
“Se um estrangeiro ou um residente temporário entre vocês enriquecer e
alguém do seu povo empobrecer e se vender a esse estrangeiro ou a alguém
que pertence ao clã desse estrangeiro, manterá o direito de resgate mesmo
depois de se vender. Um dos seus parentes poderá resgatá-lo: ou tio, ou
primo, ou qualquer parente próximo poderá resgatá-lo. Se, todavia, prosperar,
poderá resgatar a si mesmo.” (Levítico 25:47-49, NVI).
A boa notícia é que nós, a igreja, já quitamos essa dívida. O apóstolo
Pedro em sua primeira carta, no capítulo 1 e versos 18 e 19, diz que fomos
remidos. A nossa remissão não foi com coisas corruptíveis, como prata ou
ouro, e sim mediante o sangue de Cristo: “Pois vocês sabem que não foi por
meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da
sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo
precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito.”
(1 Pedro 1:18-19, NVI).
A BÊNÇÃO DE JACÓ SOBRE LEVI
Os patriarcas do Antigo Testamento tinham o costume de abençoar cada
filho. As bênçãos do pai foram um fator especial no ministério levítico. Os
textos sagrados não estão em ordem cronológica, mas eles seguem uma linha
histórica que se completa.
Essa linha histórica segue as bênçãos proféticas de Jacó, pois todas essas
bênçãos se concretizaram na vida da nação. Estas são as bênçãos que Jacó
deixou para os filhos:
O texto de Gênesis, capítulo 49, versos 5 ao 7 diz:
“Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são armas de violência. Que eu
não entre no conselho deles, nem participe da sua assembleia, porque em sua
ira mataram homens e a seu bel-prazer aleijaram bois, cortando-lhes o tendão.
Maldita seja a sua ira, tão tremenda, e a sua fúria, tão cruel! Euos dividirei
pelas terras de Jacó e os dispersarei em Israel.” (NVI).
Simeão e Levi seriam espalhados em Israel. Anos mais tarde, a palavra de
Jacó se cumpriu. Sabemos que logo após passarem 40 anos de peregrinação
no deserto, Israel conquista a Canaã e divide a terra entre as 12 tribos.
A tribo de Simeão era tão pequena em número, que viveram no meio da
tribo de Judá e com os anos se mesclaram. Os levitas foram espalhados entre
as tribos. Recebiam os dízimos e as ofertas do tabernáculo para a
sobrevivência, como pagamento por ministrarem diante do Senhor no ofício
sacerdotal. Não trabalhavam, não vendiam e nem compravam, pois a herança
deles era o Senhor.
Os levitas não tinham território em Canaã. Viviam em 48 cidades em todo
Israel. Essas cidades levíticas são chamadas de cidades de refúgio, espalhadas
por todas as tribos. Cumprindo a profecia de Jacó, os levitas não têm herança
na terra de Israel. Oh, aleluia! Somos cidadãos do céu. “É por isso que os
levitas não têm nenhuma porção de terra ou herança entre os seus irmãos; o
Senhor é a sua herança, conforme o Senhor, o seu Deus, lhes prometeu.”
(Deuteronômio 10:9, NVI).
Paulo escreveu em sua carta aos Filipenses, capítulo 3, verso 20 que: “A
nossa cidadania está nos céus. Não somos cidadãos deste mundo. Nossos
pensamentos devem estar cativos à Deus. E por sermos cidadãos do céu, não
podemos nos ocupar, ou nos embaraçar com as coisas deste mundo”. E
continuando, em sua carta aos Filipenses, capítulo 4, verso 8, Paulo diz aos
irmãos que: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for
correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa
fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”
(NVI).
TRÊS
CLÃS
Capítulo 9
A tribo de Levi se subdividia em três clãs, de acordo com a linhagem de seus
filhos, Coate, Gérson e Merari. Dando origem aos coatitas, gersonitas e
meraritas. Tanto as suas posições ao redor do tabernáculo, quanto quem
seriam seus líderes e o que cada tribo deveria fazer foi muito bem explicado
pelo Senhor. Deus deu ordenanças de cuidado sobre a família deles, a
moradia e o ofício sacerdotal.
Deus reitera o que fez no Éden com o primeiro casal. Deus passeava pelo
Jardim e os visitava. Aquela era uma habitação do Senhor com Adão. O
tabernáculo de Deus entre os homens.
O Senhor deu a Adão um lugar para viver (Éden), deu a ele uma família
(Eva) e também deu a ele um ofício (cuidar do Jardim). A manutenção do
lugar de visitação do Senhor deve ser tida como ofício.
E por falar em ofício, vamos ver quais eram os ofícios específicos dos
levitas. Alguns deles eram somente os ajudantes dos sacerdotes. Nem todo
levita era sacerdote, contudo, todo sacerdote era levita.
Números, capítulo 4 e 8, mostra como os levitas seguiam em seu ofício.
Cada clã cumpriu o seu chamado e trabalhou com excelência no que foi
chamado a fazer.
Os levitas começam a aprender com 25 anos e a servir com 30 anos.
Aposentavam-se aos 50 anos. Depois de aposentados, eles trabalhavam como
os mestres dos jovens aprendizes:
“Isto diz respeito aos levitas: os homens de vinte e cinco anos para cima,
aptos para servir, tomarão parte no trabalho que se faz na Tenda do Encontro,
mas aos cinquenta anos deverão afastar-se do serviço regular e nele não mais
trabalharão. Poderão ajudar seus companheiros de ofício na responsabilidade
de cuidar da Tenda do Encontro, mas eles mesmos não deverão fazer o
trabalho. Assim você designará as responsabilidades dos levitas.” (Números
8:24-26, NVI).
OS COATITAS – Eles cuidavam dos utensílios sagrados. A Arca, a mesa, o
castiçal, os altares e o véu com que ministravam. O sacerdote Eleazar, filho
de Arão, os liderava (Números 4:1-49).
O primeiro dos objetos a ser transportado era a Arca. Em seguida, a mesa
dos pães, o candelabro e o altar de ouro. Esses eram os primeiros a serem
retirados do tabernáculo quando começavam uma nova jornada no deserto.
Esses 4 móveis eram cobertos com pano azul. Lembrando que eram os
sacerdotes que cobriam os objetos. Os levitas só podiam tocar nos varais.
Somente o sumo sacerdote era autorizado a cobrir a Arca e colocar os varais
nela. Ela era santíssima.
Todos os objetos sagrados tinham varais, e por eles os levitas faziam o
transporte. Andavam com eles em seus ombros, não importasse a distância a
ser percorrida, pois era estritamente proibido que vissem ou tocassem neles.
O altar de bronze e a pia de bronze que faziam parte do átrio eram cobertos
com pano púrpura. Isso nos faz lembrar do episódio ocorrido enquanto o rei
Davi tenta resgatar a Arca que estava com os filisteus de volta para Israel:
“Quando chegaram à eira de Quidom, Uzá esticou o braço e segurou a arca,
porque os bois haviam tropeçado. A ira do Senhor acendeu-se contra Uzá, e
ele o feriu por ter tocado na arca. Uzá morreu ali mesmo, diante de Deus.” (1
Crônicas 13:9-10, NVI).
O texto sagrado nos diz que eles queriam transportar a Arca para
Jerusalém nas costas de bois. E, previsivelmente, o final foi trágico. Uzá, um
dos levitas que acompanhavam o cortejo, tentou proteger a Arca com suas
mãos. Ao fazer o que não deveria ser feito, a morte foi ao encontro de Uzá
naquele momento.
Havia uma grande preocupação quanto ao clã dos coatitas. Israel precisava
cuidar para que nunca faltasse essa geração: “O Senhor disse ainda a Moisés
e a Arão: Não permitam que o ramo dos clãs coatitas seja eliminado dentre os
levitas.” (Números 4:18, NVI). Os coatitas tinham como função a preparação
dos pães da proposição todo sábado, para os depositar no Santo Lugar: “E
dentre os coatitas, seus irmãos, alguns estavam encarregados de preparar os
pães que eram postos sobre a mesa todo sábado.” (1 Crônicas 9:32, NVI).
A igreja de Cristo deve manter o pão continuamente sobre o altar. O povo
está faminto por ouvir a Palavra de Deus: “Estão chegando os dias, declara o
Senhor, o Soberano, em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de
comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do Senhor.
Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a
palavra do Senhor, mas não a encontrarão.” (Amós 8:11-12, NVI).
A NUVEM OS GUIAVA. A TROMBETA OS ORIENTAVA
Os textos sagrados relatam a forma em que as tribos se repartiam ao redor
do tabernáculo, está descrito em Números 4. E a forma como eles se
locomoviam no deserto durante a jornada rumo à Canaã está descrita em
Números 10. No momento dessas narrativas, o povo estava vivendo no
deserto do Sinai por aproximadamente 2 anos.
O texto sagrado fala do som de trombetas que eram usadas para orientar e
preparar as tribos em relação à uma nova jornada. Estamos falando de quase
2 milhões de pessoas, com filhos, seus idosos, seus rebanhos e suas tendas.
Duas trombetas de prata foram confeccionadas. E por meio de seus sons
variados, as tribos saberiam o que fazer. Assim se dividiam as funções dos
sonidos das trombetas de prata: O toque de ambas as trombetas era um
chamado para a congregação se achegar ao tabernáculo, chamamos de
ajuntamento solene. O som de uma trombeta era o chamado para os
príncipes das tribos e os líderes. O toque de ambas as trombetas com retinido
era para que os acampamentos do oriente partissem (Judá, Issacar e
Zebulom). E junto deles iam os gersonitas e os meraritas com o tabernáculo
já desarmado.
Na segunda vez que o sonido retinido fosse tocado, as tribos do sul
deveriam partir (Rúben, Simeão e Gade). Junto deles, os coatitas com os
objetos sagrados.
Na terceira vez que a trombeta retinisse, as tribos do oeste deveriam partir
(Efraim, Manassés e Benjamim).
Na quarta vez que a trombeta retinisse, as tribos do norte deveriam partir
(Dã, Aser e Naftali).
O calendário judaico é lunar e bem diferente do calendário solar que
usamos. No primeiro mês de cada ano judaico é feita a páscoa (Êxodo 12). A
narrativa bíblica diz que no segundo mês judaico (Números 10), a nuvem de
glória os levou para acampar em outro lugar. Ou seja, após as festas da
páscoa.
A nuvem sempre os guiou pelo deserto, indicandoo lugar do próximo
acampamento:
“No dia em que foi armado o tabernáculo, a tenda que guarda as tábuas da
aliança, a nuvem o cobriu. Desde o entardecer até o amanhecer a nuvem por
cima do tabernáculo tinha a aparência de fogo. Era assim que sempre
acontecia: de dia a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo.
Sempre que a nuvem se levantava de cima da Tenda, os israelitas partiam; no
lugar em que a nuvem descia, ali acampavam. Conforme a ordem do Senhor
os israelitas partiam, e conforme a ordem do Senhor, acampavam. Enquanto a
nuvem estivesse por cima do tabernáculo, eles permaneciam acampados.
Quando a nuvem ficava sobre o tabernáculo por muito tempo, os israelitas
cumpriam suas responsabilidades para com o Senhor, e não partiam. Às vezes
a nuvem ficava sobre o tabernáculo poucos dias; conforme a ordem do
Senhor eles acampavam, e também conforme a ordem do Senhor, partiam.
Outras vezes a nuvem permanecia somente desde o entardecer até o
amanhecer, e quando se levantava pela manhã, eles partiam. De dia ou de
noite, sempre que a nuvem se levantava, eles partiam. Quer a nuvem se
detivesse sobre o tabernáculo dois dias, quer um mês, quer mais tempo, os
israelitas permaneciam no acampamento e não partiam; mas, quando ela se
levantava, eles partiam. Tanto acampavam quanto jornadeavam pela ordem
direta do Senhor. Nesse meio tempo, cumpriam suas responsabilidades para
com o Senhor, de acordo com as suas ordens, anunciadas por Moisés.”
(Números 9:15-23, NVI).
Segundo o mandado do Senhor através da nuvem, andavam ou paravam
em ordem, segundo as suas posições e funções no tabernáculo.
Ouvir o som de uma trombeta é um sinal muito aguardado pela igreja de
Cristo na terra. Fomos alertados pelo apóstolo Paulo que ao som de uma
trombeta, seremos arrebatados. Mudaremos de acampamento. Seremos
guiados pela nuvem de glória do Senhor até as mansões celestiais. “Pois,
dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o
próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão
primeiro.” (1 Tessalonicenses 4:16, NVI).
OS GERSONITAS – Este era o clã que cuidava das cortinas, das coberturas,
dos véus e das cordas. Tanto na manutenção diária, quanto no momento do
transporte. Eles desmontavam e as montavam no lugar. O sacerdote Eliasafe
os liderava.
Êxodo, capítulo 26 traz detalhes das cortinas do tabernáculo. As 10
primeiras cortinas são de linho. Com bordados de querubins em azul, púrpura
e carmesim. Em grupo de 5, as cortinas são ligadas uma à outra com
colchetes de ouro. Essa cortina é vista de dentro do tabernáculo.
Por cima dessa cobertura estão as cortinas de pelo de cabra. São 5 cortinas
ligadas às outras 6 por meio de colchetes de cobre. Por ser maior, essa cortina
tocava o chão.
Por cima dessa cobertura eram colocadas cortinas de peles de carneiro
pintadas de carmesim, e por último as cortinas de pele de texugo. Sobre essas
duas camadas de cortinas não temos as medidas. Essas cortinas eram
mantidas presas ao chão com estacas de prata e amarradas com cordas em
suas bordas.
Por esse tabernáculo ter sido construído no deserto, em uma cultura do
antigo Oriente Médio, ele apresenta uma belíssima cobertura para o clima
desértico. Ele foi arquitetado para ser protegido do sol escaldante, do frio
noturno e dos fortes ventos de areia. E ainda servia de ninho para os pássaros
da região. O salmista diz que o pardal encontrou casa, e as andorinhas ninhos
nos altares do Senhor. Provavelmente, ele se referia aos ninhos que faziam
em meio às cortinas do tabernáculo: “Até o pardal achou um lar, e a
andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do
teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus.” (Salmos 84:3, NVI).
A visão do tabernáculo não era bela por fora, o linho bordado estava por
baixo. As cores da primeira cortina eram avistadas somente por aqueles que
entravam no tabernáculo. Por fora não havia a formosura avistada lá dentro.
Entendemos que a beleza de Cristo não estava por fora. Jesus, um
carpinteiro de família pobre, teve poucos amigos e foi desacreditado por
muitos. Foi tido como digno de morte.
A tendência humana natural é embelezar o estereótipo. A beleza de Jesus é
diferente. A beleza da Noiva é diferente. A igreja é despida de beleza para o
mundo, por vezes é tida como descredibilizada. Frequentar os cultos é
cansativo. Às vezes, a mensagem pregada não nos atrai, o louvor é longo.
Esse é um sinal de que estamos olhando de fora para dentro.
A visão é mudada quando estamos lá dentro e fazemos parte do corpo
eclesiástico de Cristo. Lá dentro veremos a glória de Cristo manifesta na
igreja. Veremos o poder da oração, o poder da adoração, o poder da união, o
poder de bons conselhos, o poder do evangelismo, o poder que a Palavra
carrega e o poder do Espírito Santo atuando.
Nosso olhar sobre Cristo deve ser o de Cantares 5, versos 10 ao 16, que
diz: “[...] Ele é totalmente desejável”.
Enfim, o véu do tabernáculo era responsabilidade dos gersonitas. Era um
véu que separava o Lugar Santo do Santíssimo Lugar:
“Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e
vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro
em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em
quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a
arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Coloque
a tampa sobre a arca da aliança no Lugar Santíssimo. Coloque a mesa do lado
de fora do véu, no lado norte do tabernáculo; e o candelabro em frente dela,
no lado sul.” (Êxodo 26:31-35, NVI).
O tabernáculo, mesmo em suas funções regulares, tinha muitas regras.
Uma delas é o acesso ao Santíssimo Lugar, pois ninguém além do sumo
sacerdote poderia adentrar por aquele véu. Esse véu era feito de linho fino
branco, com bordaduras de querubins em azul, púrpura e carmesim.
As cores têm simbolismos. O branco, a justiça de Cristo; o azul, a
divindade de Cristo; a púrpura, a realeza de Cristo; e o carmesim, a redenção
por meio do sacrifício de Cristo. Podem representar com facilidade os quatro
evangelhos. O Cristo Rei em Mateus, O Cristo homem em Marcos, o Cristo
servo em Lucas e o Cristo Deus em João.
O véu fala da intermediação entre a lei e o ministério levítico, para que
haja alcance de perdão dos pecados e de salvação. Nesse período de Lei, era
absolutamente necessária essa mediação feita pelo sumo sacerdote. Somente
ele entraria no Santíssimo Lugar e sairia vivo de lá, era impossível o acesso
do povo pecador a Deus.
Um fato muito lindo relatado pelo evangelista Mateus no capítulo 27 e
versos 50 e 51 diz que o véu do templo se rasgou de alto a baixo quando
Cristo consumou Sua obra na cruz; um terremoto assolou a região. Depois de
o véu ser rasgado por Deus, pois foi rasgado de alto a baixo, todos nós temos
acesso à presença de Deus. Acesso à comunhão plena e acesso à intimidade
com Deus. Entendemos que não há mais o véu da Lei, que mediava e barrava
o acesso, e que pela Graça proveniente de Cristo temos livre acesso ao Pai.
Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito.
Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a
baixo. A terra tremeu e as rochas se partiram.
Já não precisamos de intermediação de sumos sacerdotes terrenos, Jesus é
o nosso Sumo Sacerdote: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote
dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não
feito por mãos, quer dizer, não desta criação.” (Hebreus 9:11, ARA).
As cortinas do pátio estão descritas em Êxodo 27, versos 9 ao 19. Essas
cortinas tinham suas medidas específicas:
“Faça um pátio para o tabernáculo. O lado sul terá quarenta e cinco metros
de comprimento, e cortinas externas de linho fino trançado, com vinte
colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas
colunas. O lado norte também terá quarenta e cinco metros de comprimento e
cortinas externas, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos eligaduras de prata nas colunas. O lado ocidental, com as suas cortinas
externas, terá vinte e dois metros e meio de largura, com dez colunas e dez
bases. O lado oriental, que dá para o nascente, também terá vinte e dois
metros e meio de largura. Haverá cortinas de seis metros e setenta e cinco
centímetros de comprimento num dos lados da entrada, com três colunas e
três bases, e cortinas externas de seis metros e setenta e cinco centímetros de
comprimento no outro lado, também com três colunas e três bases. À entrada
do pátio, haverá uma cortina de nove metros de comprimento, de linho fino
trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, obra de bordador, com
quatro colunas e quatro bases. Todas as colunas ao redor do pátio terão
ligaduras, ganchos de prata e bases de bronze. O pátio terá quarenta e cinco
metros de comprimento e vinte e dois metros e meio de largura, com cortinas
de linho fino trançado de dois metros e vinte e cinco centímetros de altura e
bases de bronze. Todos os utensílios para o serviço do tabernáculo, inclusive
todas as estacas da tenda e as do pátio, serão feitos de bronze.” (NVI).
Ao sul do tabernáculo havia cortinas de linho fino trançado, com cerca de
45 metros de comprimento. Sustentadas por 20 colunas de acácia firmadas
em 20 bases de bronze. Havia ganchos e ligaduras de prata nas colunas para
as cordas. Todas as colunas do pátio eram responsabilidade dos meraritas.
Ao norte do tabernáculo são 45 metros de cortina de linho fino trançado,
sustentadas por 20 colunas de madeira em bases de bronze. Com ganchos e
ligaduras de prata nas colunas para as cordas.
A oeste do tabernáculo, as cortinas mediam 22,5 metros. Sustentadas por
10 colunas e 10 bases de bronze. Com ganchos e ligaduras de prata nas
colunas para encaixar as cordas.
Ao lado leste do tabernáculo, temos 22,5 metros de comprimento. As
cortinas de 6,75 metros, com 3 colunas com ganchos e ligaduras de prata para
as cordas e 3 bases de bronze de cada lado.
No centro havia a entrada, chamada de porta principal. Ao leste não havia
acampamento dos clãs. Ao leste habitavam Moisés, Arão e seus filhos: “E
acamparam a leste do tabernáculo, em frente da Tenda do Encontro, Moisés,
Arão e seus filhos. Tinham a responsabilidade de cuidar do santuário em
favor dos israelitas. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximasse do
santuário teria que ser executada.” (Números 3:38, NVI).
Para a porta, as medidas eram de 9 metros de comprimento, feita de linho
fino trançado com bordadura de fios de tecido azul, púrpura e vermelho. Com
4 colunas com ganchos e ligaduras de prata para as cordas, e quatro bases de
bronze.
As medidas do átrio eram de 45 metros de comprimento e 22,5 de largura
por 2,25 de altura de cortinas de linho fino trançado.
Está bem claro que com a nossa justiça não conseguiremos adentrar pela
exigência da santidade divina. O linho aponta para a perfeição. As colunas
estão firmadas em bases de bronze, um símbolo de julgamento divino,
apontando para um Deus que julga.
As cordas que seguram essa estrutura têm estacas de bronze. A forma de
entrar no tabernáculo é por sua única porta. A porta é a única parte do átrio
que carrega cores. Ela é idêntica ao véu que separa o Santo Lugar e o
Santíssimo Lugar. As cores da porta são: branco (justiça), azul (divino),
púrpura (reino) e carmesim (redenção).
PORTA AO LESTE
A entrada do tabernáculo sempre devia estar ao leste. Existe um motivo
cultural a ser levado em consideração. O tabernáculo foi dado ao povo logo
depois de saírem do Egito. Eles viveram por gerações no Egito, o texto diz
que foram aproximadamente 400 anos. Nesse período, o povo conviveu com
a cultura egípcia e suas formas de adoração.
O sol nasce ao leste naquela região, e ao se voltarem para o leste, os
egípcios davam louvor e honras ao deus Sol, chamado Rá. Ao colocar a porta
ao leste, Deus ensinava aos caminhantes do deserto que a maneira correta de
adorá-lO é com as costas voltadas para o deus egípcio.
Somos chamados para andar na contramão deste século, somos chamados
para virar os conceitos deste mundo de cabeça para baixo. “Contudo, não os
achando, arrastaram Jasom e alguns outros irmãos para diante dos oficiais da
cidade, gritando: Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo,
agora chegaram aqui.” (Atos 17:6, NVI).
Somos contra as tendências malignas deste século, somos contra as
opiniões que tentam destruir o modelo familiar bíblico.
O povo nômade era direcionado ou pelo sol, ou por estrelas, assim à noite
também era possível encontrar a direção certa enquanto moviam o
tabernáculo. No céu tem constelações que apontam para o norte.
Só existe uma entrada. Este fato nos faz lembrar do que Jesus nos ensinou:
“Eu sou o caminho”. Aquele que nos leva até o Santíssimo Lugar, onde a
presença de Deus habita. “Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a
vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” (João 14:6).
OS MERARITAS – Estes tomavam conta das tábuas do tabernáculo, dos
varais, das colunas, das bases, de todos os utensílios, das colunas do pátio em
redor, das suas bases, das estacas e das cordas. O sacerdote Zuriel os liderava.
As tábuas do tabernáculo eram de madeira de acácia, totalmente cobertas
de ouro e fixadas umas às outras por barras de madeira que as transpassavam
em seu exterior. As tábuas tinham dois engastes ou pinos embaixo que eram
afixados no chão do deserto nas bases de prata. O que tocava no chão não era
o ouro, mas a base de prata.
O simbolismo dos materiais usados nos apresenta um belo quadro da obra
redentora em Cristo.
O ouro simboliza o divino. A madeira simboliza a humanidade e a prata é
símbolo de redenção. Os valores de um escravo, o valor cobrado pelos irmãos
de José e os valores cobrados por Judas ao vender Jesus eram em prata.
Os dois engastes de ouro de cada tábua são símbolos de fé e obediência. E
esses dois engastes são essenciais para que permaneçamos de pé, pois estão
firmados em prata, no preço da redenção que já foi completa em Cristo.
Individualmente, cada tábua tem seus engastes e sua base de prata.
Em Cristo somos iguais, não há acepção de pessoas, somos afixados na
base da redenção, não tocamos a areia dos desertos da vida. Estamos no
mundo, mas não pertencemos a este mundo.
Uma tábua sozinha não forma paredes de tabernáculo. A comunhão é
necessária. Fazendo dessa forma, não havia tempestade de areia que abalasse
as suas estruturas. “Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em
comum.” (Atos 2:44, NVI). Uma tábua estava unida à outra, travadas uma à
outra por um travessão de madeira coberto de ouro:
“Faça armações verticais de madeira de acácia para o tabernáculo. Cada
armação terá quatro metros e meio de comprimento por setenta centímetros
de largura, com dois encaixes paralelos um ao outro. Todas as armações do
tabernáculo devem ser feitas dessa maneira. Faça vinte armações para o lado
sul do tabernáculo e quarenta bases de prata debaixo delas: duas bases para
cada armação, uma debaixo de cada encaixe. Para o outro lado, o lado norte
do tabernáculo, faça vinte armações e quarenta bases de prata, duas debaixo
de cada armação. Faça seis armações para o lado ocidental do tabernáculo, e
duas armações na parte de trás, nos cantos. As armações nesses dois cantos
serão duplas, desde a parte inferior até a superior, colocadas numa única
argola; ambas serão assim. Desse modo, haverá oito armações e dezesseis
bases de prata, duas debaixo de cada armação. Faça também travessões de
madeira de acácia: cinco para as armações de um lado do tabernáculo, cinco
para as do outro lado e cinco para as do lado ocidental, na parte de trás do
tabernáculo. O travessão central se estenderá de uma extremidade à outra
entre as armações. Revista de ouro as armações e faça argolas de ouro para
sustentar os travessões, os quais também terão que ser revestidos de ouro.
Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que lhe foi mostrado no monte.”
(Êxodo 26:15-30, NVI).
Os aspectos espirituais da vida cristã estão presentes neste conceito. Oapóstolo Paulo em sua carta aos Efésios, no capítulo 2 e versos 19 ao 22, diz
que somos edifício do Senhor:
“Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam
perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um
só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas
concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o
fundamento e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual
todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no
Senhor. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem
morada de Deus por seu Espírito...” (Efésios 2:17-22).
Dentro dessa construção feita de tábuas e cortinas, está o Lugar
Santíssimo. Um lugar de adoração plena. Onde o incenso sobe como cheiro
suave ao Senhor. Onde o pão traz sustento. Um lugar onde Deus projetou
para ser Sua habitação.
Neemias entendia esse conceito.
Neemias, capítulo 3 e versos a seguir:
verso 4 – E, ao seu lado...
verso 7 – Ao seu lado…
verso 17 – E, ao seu lado…
verso 18 – Depois dele...
verso 19 – Ao seu lado…
verso 21 – Depois dele…
verso 22 – E, depois dele…
verso 24 – Depois dele…
verso 25 – Depois dele…
verso 27 – Depois…
verso 29 – Depois deles…
verso 30 – Depois dele…
Um do lado do outro trabalharam unidos e em 52 dias reconstruíram os
muros de Jerusalém até a metade, e a cidade teve uma nova aparência,
resgatou o senso de proteção. Aconteceu assim porque o coração do povo se
inclinava a trabalhar unido: “Nesse meio tempo, fomos reconstruindo o muro,
até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o povo
estava totalmente dedicado ao trabalho.” (Neemias 4:6, NVI).
As colunas do tabernáculo eram responsabilidade dos meraritas. As
divisões internas do tabernáculo contavam com colunas e o véu era afixado
nelas por colchetes de ouro que as colunas tinham.
Na entrada do Santíssimo Lugar temos 4 colunas de madeira de acácia e 4
bases de prata. Essas quatro colunas são associadas aos quatro evangelhos,
que têm suas mensagens fixadas na obra redentora de Cristo na terra.
“Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia
revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata.” (Êxodo 26:32,
NTLH).
Na entrada do Santo Lugar são 5 colunas de madeira de acácia, com
colchetes de ouro para afixar as cortinas e 5 bases de bronze. Segundo o
estudo dos números bíblicos, o número cinco é o número do homem caído e o
número da graça redentora. Aponta para a insuficiência do homem e sua
fraqueza, e então necessitado da graça salvadora. E suas bases são de cobre,
apontando o julgamento e juízo de Deus.
Foi a cruz o meio pelo qual a graça se tornou real para nós, foi na cruz que
o julgamento aconteceu, onde Cristo se fez culpado por nós. Jesus suportou o
julgamento e ira divina por nós, sendo nós ainda pecadores.
O pátio era todo cercado por linho branco fino trançado e por estacas que
seguravam essa cortina. Ao todo eram 60 colunas e 60 bases de bronze para o
sustento das colunas no solo. As colunas disponibilizavam ganhos e ligaduras
de prata para as cordas que asseguravam. Estacas de bronze eram usadas para
prender as tais cordas no solo.
Capítulo 10
PRESENTES PARA OS
LEVITAS
O livro de Números, capítulo 7, versos 1 ao 11 fala de alguns presentes que
as tribos trouxeram aos levitas. Entre os presentes estão 12 bois e 6 carros de
bois:
“Quando Moisés acabou de armar o tabernáculo, ele o ungiu e o consagrou,
juntamente com todos os seus utensílios. Também ungiu e consagrou o altar
com todos os seus utensílios. Então os líderes de Israel, os chefes das famílias
que eram os líderes das tribos encarregados do recenseamento, apresentaram
ofertas. Trouxeram as suas dádivas ao Senhor: seis carroças cobertas e doze
bois, um boi de cada líder e uma carroça de cada dois líderes; e as
apresentaram diante do tabernáculo. O Senhor disse a Moisés: ‘Aceite as
ofertas deles para que sejam usadas no trabalho da Tenda do Encontro.
Entregue-as aos levitas, conforme exigir o trabalho de cada homem’. Então
Moisés recebeu as carroças e os bois e os entregou aos levitas. Deu duas
carroças e quatro bois aos gersonitas, conforme exigia o trabalho deles, e
quatro carroças e oito bois aos meraritas, conforme exigia o trabalho deles.
Estavam todos sob a supervisão de Itamar, filho do sacerdote Arão. Mas aos
coatitas, Moisés não deu nada, pois eles deveriam carregar nos ombros os
objetos sagrados pelos quais eram responsáveis. Quando o altar foi ungido, os
líderes trouxeram as suas ofertas para a dedicação do altar, e as apresentaram
diante dele. Pois o Senhor tinha dito a Moisés: ‘Cada dia um líder deverá
trazer a sua oferta para a dedicação do altar’.” (NVI).
Se pensássemos em todas as funções dos clãs e então dividíssemos de
forma justa e exata, seriam 4 bois e 2 carros para cada um dos clãs. Mas não
foi bem assim que foi feita a divisão.
Moisés deu aos meraritas, os encarregados das tábuas e das colunas, 4
carros e 8 bois. Para os gersonitas, os encarregados das cortinas e cobertura,
foram dados 2 carros e 4 bois. Aos coatitas, os encarregados dos objetos
sagrados, não foi lhes dado nenhum boi ou carro de boi. Deus foi injusto? De
maneira nenhuma. Deus nos dará recurso se o nosso ministério realmente
precisar. Para explicar de forma contemporânea este conceito, é preciso falar
da parábola de Jesus sobre os trabalhadores assalariados.
O evangelista Mateus, no capítulo 20 nos conta a história de um senhor,
dono de terras, que buscou trabalhadores e de manhã os contratou por um
denário, que é o pagamento por um dia de serviço braçal. De tarde, contratou
mais trabalhadores por 1 denário. E, faltando 1 hora para findar o expediente,
contratou trabalhadores por 1 denário.
Quando foi pagá-los, o primeiro grupo reclamou, pois todos eles
receberam o mesmo valor, e de fato trabalharam muito mais. O senhor os
repreendeu dizendo que eles haviam concordado em trabalhar por 1 denário.
Deus é justo.
Na igreja de Cristo não há espaço para ciúmes nem competições. Os
trabalhadores são poucos pelo tamanho da seara. O patrão é sempre o mesmo.
O que um trabalhador faz na obra, o outro não faz, todos são úteis para que se
complete.
Foi dito que os coatitas não ganharam nem um carro sequer, nem um boi
sequer, pelo simples fato de não precisarem. Os utensílios sagrados eram
repousados em seus ombros. Contudo, os coatitas estavam em destaque por
serem os primeiros a entrar no rio Jordão no dia em que as águas se recuaram
para o povo atravessar rumo à Canaã, e foram os últimos a sair:
“Quando, pois, o povo desmontou o acampamento para atravessar o
Jordão, os sacerdotes que carregavam a arca da aliança foram adiante (O
Jordão transborda em ambas as margens na época da colheita.). Assim que os
sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés
tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma
muralha a grande distância, perto de uma cidade chamada Adã, nas
proximidades de Zaretã; e as águas que desciam para o mar da Arabá, o mar
Morto, escoaram totalmente. E assim o povo atravessou o rio em frente de
Jericó. Os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do Senhor ficaram
parados em terra seca no meio do Jordão, enquanto todo o Israel passava, até
que toda a nação o atravessou pisando em terra seca.” (Josué 3:14-17, NVI).
O episódio do sacerdote que morreu tocando a Arca levou o rei Davi a
pensar nos coatitas e em sua importância. Ele aceitou a ordem divina que nos
diz que a Arca deve ser colocada nos ombros dos coatitas. Chegará o dia em
que Deus nos usará para um propósito pré-designado. Mesmo que no
momento não estejamos trabalhando, nosso chamado nos impulsiona ao
nosso propósito.
Não há como passarmos despercebidos pelo fato de que a Arca, coberta
com texugo e com pano azul, deve ser carregada nos ombros. O pé se
machuca. O ombro tem calos, contudo, o rosto está alegre. O que carregam é
a presença da glória do Senhor, o Seu trono móvel.
Deus tem serviços específicospara cada um de nós. Não podemos desejar
ou querer carregar o que não fomos chamados para carregar. Alguns de nós
podem ser um coatita, carregando os objetos sagrados. Ou seja, carrega o
dom de pregar, dom de ensinar ou dom da Palavra. Mas nunca podemos nos
esquecer de que Aquele que nos deu os dons, os cobriu de pano azul. Tudo
pertence a Ele, a glória é dEle. E se carregamos algo tão precioso quanto a
mensagem do Evangelho de Cristo, precisamos vigiar ainda mais: “A quem
muito é dado, muito será cobrado.” (Lucas 12:48).
Ou quem sabe somos gersonitas e carregamos as cortinas do tabernáculo?
As cortinas eram a aparência externa. E por vezes nosso chamado é
aconselhar, apontar a direção pelo evangelismo e falar as verdades duras da
salvação.
Ou podemos ser meraritas, carregando o ouro e a prata do tabernáculo.
Você gostaria desse ofício? Gostaria de carregar essas tábuas? Eu te digo
algo. Pode ser lindo esse ministério de pastorear, mas só quem carrega as
tábuas é que sabe o peso delas.
De longe, as tábuas cobertas de ouro são vistas pelo seu resplendor, mas
ninguém percebe o quanto elas pesam. Pastores são chamados para suportar o
irmão em suas fraquezas. Carregar o soldado que se feriu. Sofrer a afronta e a
perseguição injusta. Esse é o peso das tábuas.
Existe um conceito cristão nessas tábuas. Uma vez que elas estavam
juntas, formavam as paredes do tabernáculo. Elas eram feitas de acácia
(humanidade) e cobertas de ouro (divino). Estamos falando da igreja de
Cristo na terra. Somos humanos, porém somos revestidos do ouro, que é o
Espírito Santo adornando.
A igreja é linda, porém pesada. Pastor, carregue as ovelhas de Cristo com
amor. Suporte as fraquezas com amor. Cuide do seu chamado com amor. Os
gersonitas não foram chamados para esse ofício, os coatitas também não.
Você foi chamado para esse ofício ministerial, então pastoreai o rebanho de
Cristo com amor genuíno.
ISENTOS DA GUERRA
A palavra hebraica para Levi é traduzida como: “unido, ajuntado,
anexado”. Assim como a igreja é unida a Cristo (o Sumo Sacerdote), os
levitas foram unidos ao sumo sacerdote para a execução do serviço
ministerial. Em uma oração no monte das oliveiras, Jesus disse que somos
dEle:
“Eu revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; tu
os deste a mim, e eles têm obedecido à tua palavra. Agora eles sabem que
tudo o que me deste vem de ti. Pois eu lhes transmiti as palavras que me
deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram de fato que vim de ti e creram
que me enviaste. Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por
aqueles que me deste, pois são teus.” (João 17:6-9, NVI).
Os levitas eram um povo cheio de tarefas, porém um povo privilegiado em
Israel. Um desses privilégios é o fato de não irem às guerras: “A nossa
batalha não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades.”
(Efésios 6).
As famílias da tribo de Levi, porém, não foram contadas juntamente com
as outras, pois o Senhor tinha dito a Moisés:
“Não faça o recenseamento da tribo de Levi nem a relacione entre os
demais israelitas. Em vez disso, designe os levitas como responsáveis pelo
tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, por todos os seus utensílios e
por tudo o que pertence a ele. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus
utensílios; cuidarão dele e acamparão ao seu redor. Sempre que o tabernáculo
tiver que ser removido, os levitas o desmontarão e, sempre que tiver que ser
armado, os levitas o farão. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar
do tabernáculo terá que ser executada. Os israelitas armarão as suas tendas
organizadas segundo as suas divisões, cada um em seu próprio acampamento
e junto à sua bandeira. Os levitas, porém, armarão as suas tendas ao redor do
tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, para que a ira divina não caia
sobre a comunidade de Israel. Os levitas terão a responsabilidade de cuidar
do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança. Os israelitas fizeram tudo
exatamente como o Senhor tinha ordenado a Moisés.” (Números 1:47-54,
NVI).
Existe um fato bem curioso sobre os levitas, como já disse anteriormente,
já que eles não faziam parte do serviço militar, embora muitos pensem que os
12 espias são um homem de cada tribo. Os levitas não fazem parte dessa lista.
Foi o próprio Deus quem os isentou de serem enviados a espiarem a terra
prometida. Esta é a relação dos nomes dos espias alistados, que está em
Números, capítulo 13, e seus significados:
Da tribo de Rúben foi enviado Samua (O renomado).
Da tribo de Simeão foi enviado Safate (Ele tem julgado)
Da tribo de Judá foi enviado Calebe (Um cão).
Da tribo de Issacar foi enviado Igal (Deus Remidor).
Da tribo de Efraim foi enviado Josué (O libertador).
Da tribo de Benjamim foi enviado Palti (Meu escape).
Da tribo de Zebulom foi enviado Gadiel (O Senhor é minha
fortuna).
Da tribo de Manassés foi enviado Gadi (Minha fortuna).
Da tribo de Dã foi enviado Amiel (Meu parente é Deus).
Da tribo de Aser foi enviado Setur (O escondido).
Da tribo de Naftali foi enviado Narbi (O oculto).
Da tribo de Gade foi enviado Geuel (Majestade do Senhor).
Esses homens foram escolhidos pelo próprio Deus. E pelo fato de
serem escolhidos por Deus, muitos deles não deixaram de falhar. O
chamamento de Deus não nos exonera da responsabilidade de escolha
diária de fugir do erro. “Muitos são chamados, mas poucos os
escolhidos.” (Mateus 22:14).
Aqui existe uma figura clara dessa verdade. Não existe garantia de
santidade ou blindagem contra o pecado para os chamados. Tanto para
líderes, mestres, diáconos, ajudantes do culto em geral, quanto para os
congregados.
O fato de você limpar o templo uma vez por semana não te faz mais
santo que o congregado. O fato de você subir na plataforma e segurar
um microfone, seja ministrando louvor ou fazendo backing vocal, não te
promove à santidade. Tocar maravilhosamente os instrumentos, ajustar
com perfeição o som, dedicar todas as tardes nas tarefas da igreja ou
fazer visitas constantes aos necessitados não te eleva para mais perto de
Deus.
Ministros da Palavra não são ou não deveriam ser considerados os
mais santos da igreja. Eles são chamados para servir. E como servos de
Cristo, deveriam servir a noiva com amor e tremor diante de Deus.
A igreja contemporânea tem idolatrado os “grandes ministros”. E, se
são grandes, não são servos de Cristo, pois não há como um servo ser
grande. E servos são só servos. E assim, pequenos diante de seu Senhor,
com diligência devem cumprir o serviço diário e não buscar a glória
para si. Cristo nos aproximou ao Pai por Seu mérito próprio na cruz.
Existe uma canção do Ministério Zoe que pode representar bem esse
conceito e diz: “Nunca foi sobre nós, e nem sobre o que podemos fazer,
é tudo sobre Você, tudo para Você, Jesus...”.
O contexto histórico que relato é este: 12 espias foram enviados de
Cades Barnéia para Canaã e lá eles deveriam explorar a terra por 40
dias, e quando voltassem deveriam trazer os seus relatórios ao povo que
aguardava ansiosamente no deserto pela resposta. Eles estavam prestes a
entrar na Terra Prometida, pois estavam nas divisas de Canaã.
Para a tristeza do povo, 10 dos espias trouxeram um relatório de
derrota. Falaram que a terra realmente manava leite e mel, porém o povo
que habitava lá era de dar medo. Eram gigantes guerreiros e poderosos.
Suas cidades eram fortificadas e grandiosas. Afirmavam, dizendo: não
podemos ir até lá para possuir aquela terra, aquele povo é mais forte do
que nós.
Infelizmente, aqueles 10 espias não conseguiram olhar para o Senhor,
olharam para si mesmos, para seu povo e para suas fraquezas. Esses 10
espias morreram subitamente por uma praga ou doença. Não
continuaram a jornada.
Josué e Calebe foram os 2 espias que até então não haviam se
pronunciado. Mas quando abrem a boca, dizem: “Realmente são
gigantes, mas certamente prevaleceremos contra eles pela força do braço
do Senhor”. A confiança desses dois espias não era a grandeza dos filhos
de Israel, mas criam com todas as forças que o Deus que agora habitavano meio deles os conduziria à vitória.
Realmente, como igreja, nós não podemos conquistar a Terra
Prometida (Nova Jerusalém) se Cristo não for conosco. O que ouvimos
dos espias muda nossos corações na direção errada. Poderiam escolher
crer no Deus de maravilha ou murmurarem amedrontados. Cuidado com
quem você tem emprestado seus ouvidos.
É nesse momento de murmuração, infidelidade e insegurança que
Deus pronuncia o que chamamos de “sentença de morte” para os
caminhantes do deserto. Que palavra dura de ouvir. “E disse Deus:
Neste deserto cairá o vosso cadáver.” (Números 14:32, ARA).
E para que se cumprisse o que Deus ordenou, por 40 anos não
deveriam adentrar na Terra Prometida, um ano para cada dia que
peregrinaram pela terra. Eles até tentaram entrar, mesmo sendo avisados
de que a presença do Senhor não iria com eles. Naquela tentativa
frustrada, muitos pereceram:
“Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Vocês serão
derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os
enfrentarão ali, e vocês cairão à espada. Visto que deixaram de seguir o
Senhor, ele não estará com vocês. Apesar disso, eles subiram
desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a
arca da aliança do Senhor saíram do acampamento. Então os
amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram, derrotaram-nos e os
perseguiram até Hormá.” (Números 14:42-45).
Durante o tempo determinado pelo Senhor, uma geração inteira, cheia
de escravos murmuradores, foi trocada por uma nova geração de
guerreiros. O livro de Josué, capítulo 5, verso 4 nos afirma que depois
de 40 anos de caminhada, não havia nenhum homem de guerra que
havia saído do Egito, eram já todos mortos no deserto. Ele fez isso
porque todos os homens aptos para a guerra morreram no deserto depois
de terem saído do Egito.
O texto relata que Eleazar, o sacerdote, e seu filho Finéias e todos os
levitas entram na Terra Prometida. Eleazar já tinha mais de 30 anos, pois
servia no tabernáculo, e está relatado seu nome entre os que entraram em
Canaã. Os levitas não morreram naquele deserto. “Foram essas as terras
que os israelitas receberam por herança em Canaã e que o sacerdote
Eleazar, Josué, filho de Num, e os chefes dos clãs das tribos dos
israelitas repartiram entre eles.” (Josué 14:1, NVI). Moisés, Arão e
Miriã não entraram na terra prometida: “O Senhor, porém, disse a
Moisés e a Arão: Como vocês não confiaram em mim para honrar minha
santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comunidade
para a terra que lhes dou.” (Números 20:12, NVI).
A
CONSAGRAÇÃO
Capítulo 11
Já está esclarecido que os primogênitos seriam os ministrantes no
tabernáculo: “[...] e escolhi os levitas em lugar de todos os primogênitos em
Israel.” (Números 8:18). Os levitas se apossaram desse ofício e eram
considerados como santos ou separados para o Senhor: “Dessa maneira você
separará os levitas do meio dos israelitas, e os levitas serão meus.” (Números
8:14, NVI).
Os levitas que trabalhavam no tabernáculo como auxiliadores ou
sacerdotes eram como um presente ao sumo sacerdote: “Dentre todos os
israelitas, dediquei os levitas como dádivas a Arão e aos seus filhos; eles
ministrarão na Tenda do Encontro em nome dos israelitas e farão propiciação
por eles, para que nenhuma praga atinja os israelitas quando se aproximarem
do santuário.” (Números 8:19, NVI).
Todos os membros da tribo de Levi não tinham herança em Israel. Mesmo
sendo sacerdotes: “Os sacerdotes levitas e todo o restante da tribo de Levi
não terão posse nem herança em Israel. Viverão das ofertas sacrificadas para
o Senhor, preparadas no fogo, pois esta é a sua herança.” (Deuteronômio
18:1, NVI).
O sumo sacerdote não era o Deus do tabernáculo ou seu dono, ele era
apenas o ministrante principal sobre quem estava toda a responsabilidade do
culto. O sumo sacerdote, ou hakoren hagadol, era assim chamado por ser
considerado maior que seus irmãos ministradores. Gadol em hebraico é
“tornar-se grande em vários sentidos, ser excelente”. E koren é o título de
sacerdote.
Havia um processo de consagração do sumo sacerdote para o ofício
descrito nos textos de Êxodo, capítulo 29, e Levítico, capítulo 8.
Moisés traz Arão e seus filhos até a porta do tabernáculo, onde a
congregação está reunida. E ali, na frente de todo o povo, Moisés os lava.
Eles não poderiam se lavar sozinhos. A lição aqui é óbvia: um pecador não
pode se lavar sozinho, alguém deve lavá-lo.
Vemos aqui Jesus sendo tipificado em Moisés. Ele nos lava para o
ministério na frente de testemunhas (o mundo). Jesus nos lavou e nos
perdoou para um propósito excelente.
A ordenação de Arão para o sumo sacerdócio a partir desse momento
diferencia-se da ordenação dos sacerdotes.
Moisés veste as roupas sacerdotais em Arão. O tabernáculo havia sido
ungido com óleo, este mesmo óleo agora é derramado sobre a cabeça de Arão
para o santificar. O salmista, no salmo 133, no verso 2 diz: “É como o óleo
precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que
desceu sobre a gola das suas vestes” (JFA).
O sangue dos animais sacrificados foi colocado na ponta da orelha direita,
no polegar da mão direita e no dedão do pé direito de Arão. E depois, o
mesmo processo é repetido com os seus filhos.
“Moisés sacrificou o carneiro e pôs um pouco do sangue na ponta da
orelha direita de Arão, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé
direito. Moisés também mandou que os filhos de Arão se aproximassem, e
sobre cada um pôs um pouco do sangue na ponta da orelha direita, no polegar
da mão direita e no polegar do pé direito; e derramou o restante do sangue
nos lados do altar.” (Levítico 8:23-24, NVI).
Mais uma vez o óleo é usado, dessa vez é aspergido sobre Arão (sumo
sacerdote) e seus filhos (sacerdotes). Curiosamente, existe uma semelhança
muito grande entre essa ordenação sacerdotal e a purificação de um leproso:
“O sacerdote porá um pouco do sangue da oferta pela culpa na ponta da
orelha direita daquele que será purificado, no polegar da sua mão direita e no
polegar do seu pé direito. Então o sacerdote pegará um pouco de óleo da
caneca e o derramará na palma da sua própria mão esquerda, molhará o dedo
direito no óleo que está na palma da mão esquerda, e com o dedo o aspergirá
sete vezes perante o Senhor. O sacerdote ainda porá um pouco do óleo
restante na palma da sua mão, na ponta da orelha direita daquele que está
sendo purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé
direito, em cima do sangue da oferta pela culpa. O óleo que restar na palma
da sua mão, o sacerdote derramará sobre a cabeça daquele que está sendo
purificado e fará propiciação por ele perante o Senhor.” (Levítico 14:14-18,
NVI).
A lepra é o símbolo do pecado. A lepra enfraquece o leproso, sua
dignidade, seu corpo é deformado e cheira mal. O leproso é um rejeitado da
sociedade e passará a viver isolado, pois a doença é contagiosa. Eu e você
somos pecadores leprosos diante da justiça divina. O processo de purificação
é mostrado para nós como um símbolo de aceitação. O Sumo Sacerdote,
Jesus Cristo, nos deu o poder de sermos chamados filhos de Deus: “Mas, a
todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de
se tornarem filhos de Deus.” (João 1:12, JFA).
Quem olhar de longe e vir todo o processo do sangue sendo passado na
orelha direita, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito não poderá
identificar se estão consagrando um novo sacerdote para o ofício ou se um
leproso está sendo purificado.
Temos o privilégio de sermos participantes da mesa de Cristo, termos o
nosso nome no Livro da Vida e sermos chamados de povo comprado. Mesmo
sendo pecadores, Deus nos elevou ao privilégio de sermos sacerdotes:
“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que
havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos
semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos.” (1 João 3:2, JFA).
Os sacerdotes, ajudantes do sumo sacerdote, também passavam por um
processo de separação e santidade antes de ministraremno tabernáculo. A
purificação sacerdotal também era feita na porta da tenda. Eles e suas vestes
eram lavados com água. Um símbolo do batismo, pois a água facilmente
representa uma purificação natural.
Eram vestidos apropriadamente para o ofício. As vestes dos sacerdotes
eram compostas de três peças. Eles usavam uma túnica feita de linho fino
com um cinturão que provavelmente tinha o mesmo bordado das vestes do
sumo sacerdote, com calções embaixo da túnica que iam da cintura até os
joelhos e uma mitra ou um turbante branco. Essas vestes eram para a glória e
beleza dos sacerdotes: “Você fiará para o sacerdote uma túnica de linho fino,
uma mitra de linho fino e um cinto bordado.” (Êxodo 28:40).
Um novilho para oferta de pecado é usado na cerimônia de consagração
sacerdotal. Eles impõem as mãos sobre o animal, um ato de expiação vicária.
O salário do pecado é a morte, então o novilho recebe os pecados por
transferência, e com a morte do novilho já não havia pecados sobre eles. O
novilho levaria a maldição deles.
Um segundo animal é usado no cerimonial, desta vez um carneiro. As
mãos foram impostas sobre o animal da mesma forma que fizeram ao
novilho. Esse animal seria queimado por inteiro no altar como oferta de
cheiro suave ao Senhor.
Em seguida, um terceiro animal entra em cena. Um outro carneiro que
agora servirá como oferta de consagração. Ou seja, uma oferta pacífica que
expressa gratidão por serem escolhidos para o ofício sacerdotal. E o sangue
desse último animal era passado na ponta da orelha direita, no polegar direito
e no dedão do pé direito deles, primeiro de Arão (sumo sacerdote) e depois
dos sacerdotes.
Logo depois, uma oferta movida, feita com a gordura e com a coxa direita
do carneiro, e por cima uma oferta de cereais contendo um cesto de pães
asmos, bolo asmo, pão feito de azeite e um pão fino. Eles os moveram para
frente e para trás na direção do altar, entregando a Deus. Reconhecendo a
soberania de um Deus provedor sobre suas vidas, pois de Deus viria o
sustento dos ministrantes.
Em seguida, o óleo da unção e um pouco do sangue que ainda estava sobre
o altar são aspergidos neles, ungindo os ministrantes e suas vestes especiais.
Mas ainda não terminou aqui a consagração, a oferta movida ao Senhor
deveria ser cozida e ingerida por eles na frente de toda a congregação. A
oferta de cereais e as partes do carneiro. O que sobrasse deveria ser queimado
no altar. Eles ficariam na porta do tabernáculo por sete dias e sete noites
passando por este processo diariamente até que se completasse esse período
de sete dias. Sete é o número da perfeição. Deus criou tudo em sete dias.
“Para a ordenação de Arão e seus filhos, faça durante sete dias tudo o que
lhe mandei. Sacrifique um novilho por dia como oferta pelo pecado para
fazer propiciação. Purifique o altar, fazendo propiciação por ele, e unja-o para
consagra-lo. Durante sete dias faça propiciação pelo altar, consagrando-o.
Então o altar será santíssimo, e tudo o que nele tocar será santo. Eis o que
você terá que sacrificar regularmente sobre o altar: a cada dia dois cordeiros
de um ano. Ofereça um de manhã e o outro ao entardecer. Com o primeiro
cordeiro ofereça 1/10 de efa (Uma medida de capacidade para secos. As
estimativas variam entre 20 e 40 litros) da melhor farinha misturada com um
1/4 de him (Uma medida de capacidade para líquidos. As estimativas variam
entre 3 e 6 litros) de azeite de olivas batidas, e 1/4 de him de vinho como
oferta derramada. Ofereça o outro cordeiro ao entardecer com uma oferta de
cereal e uma oferta derramada, como de manhã. É oferta de aroma agradável
ao Senhor preparada no fogo. De geração em geração esse holocausto deverá
ser feito regularmente à entrada da Tenda do Encontro, diante do Senhor.
Nesse local eu os encontrarei e falarei com você; ali me encontrarei com os
israelitas, e o lugar será consagrado pela minha glória. Assim consagrarei a
Tenda do Encontro e o altar, e consagrarei também Arão e seus filhos para
me servirem como sacerdotes. E habitarei no meio dos israelitas e serei o seu
Deus.” (Êxodo 29:35-46, NVI).
O objetivo dessa consagração dos ministrantes era óbvio: Fazer deles
homens santificados para que pudessem ter acesso à presença da glória e não
morrerem. Sem santificação é impossível esse acesso.
Se todos os ministros da nossa geração levassem seu ofício ou sua
ordenação a sério, o mundo seria diferente. Deixariam de lado a fama, o
dinheiro, a popularidade e entenderiam que os convocados são chamados
com um único objetivo, o de servir ao Senhor. Consagração é um ato de
convocação ao serviço em prol do outro.
A igreja precisa entender que existem duas águas. A primeira se refere ao
batismo, e a segunda é um processo que ainda estamos passando e que
simboliza o novo nascimento ou a regeneração. Tito 3:5 diz que somos
lavados para a regeneração: “Não por causa de atos de justiça por nós
praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar
regenerador e renovador do Espírito Santo” (NVI).
Existem duas formas pelas quais os sacerdotes foram lavados. Uma delas é
por Moisés, na porta da tenda, a qual chamamos regeneração. E outra vez ele
se lavava, só que dessa vez lá dentro, no átrio, na pia de bronze. Esse é um
símbolo de limpeza diária. Lavados diariamente pela Palavra. “Se
confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos
pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9, NVI).
Eles se lavaram e se santificaram ao Senhor para que por meio disso
pudessem ajudar o povo. Paulo alerta o jovem pastor Timóteo a cuidar dele
mesmo primeiro, e depois da doutrina. Existem muitos pastores, líderes
religiosos em geral caindo nos laços do adultério, da depressão, da lascívia e
acabam perdendo o foco de suas vidas. O resultado é assustador, chegam a se
suicidar. Recentemente, o pastor George Alves foi acusado de estuprar,
agredir e queimar vivos um filho de 3 anos e um enteado de 6. Durante o
processo investigativo, ele subia no altar e pregava. Quanta hipocrisia!
“Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses
deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o
ouvem.” (1 Timóteo 4:16, NVI).
E para nós, igreja de Cristo, como é feita a nossa consagração para termos
acesso ao Pai? A resposta é bem simples, porém profunda. Por meio de
Cristo, pois Sua obra expiatória foi completa. Por meio de Cristo somos
perdoados, somos consagrados, somos lavados, somos alimentados e somos
santificados para termos acesso livre ao Pai. É uma obra completa.
CONSAGRAR OS LEVITAS
A ordem de Deus registrada em Números, capítulo 8 é que todos os levitas
com idade apropriada fossem separados para o ofício sacerdotal. Nesse
processo havia um cerimonial de limpeza. Eles tinham todo seu corpo
raspado e suas roupas bem lavadas, e água era aspergida sobre eles:
“Aquele que estiver sendo purificado lavará as suas roupas, rapará todos
os seus pelos e se banhará com água; e assim estará puro. Depois disso
poderá entrar no acampamento, mas ficará fora da sua tenda por sete dias. No
sétimo dia rapará todos os seus pelos: o cabelo, a barba, as sobrancelhas e o
restante dos pelos. Lavará suas roupas e banhará o corpo com água; então
ficará puro.” (Levítico 14:8-9, NVI).
Os levitas eram colocados diante da congregação. O povo de Israel
impunha as mãos sobre eles. Um símbolo de que eles eram um sacrifício
vivo. Na sequência, os levitas impunham suas mãos sobre os dois animais
que seriam sacrificados por eles. Um animal por holocausto, e o outro por
oferta de pecado.
Existe uma diferença entre a consagração dos levitas e a ordenação dos
sacerdotes. Os levitas foram aspergidos com água, e os sacerdotes são
lavados com água. As roupas dos levitas foram lavadas, mas as roupas dos
sacerdotes foram trocadas. Os levitas foram separados, e não ordenados como
os sacerdotes.
O livro de Números, capítulo 8, no verso 11 diz que os levitas foram dados
como oferta ao Senhor para a execução do serviço no tabernáculo, como um
presenteao povo e ao sumo sacerdote: “Arão apresentará os levitas ao Senhor
como oferta ritualmente movida da parte dos israelitas: eles serão dedicados
ao trabalho do Senhor” (NVI).
Tito, capítulo 3, verso 5 diz que “Jesus nos salvou mediante o lavar da
regeneração e renovação pelo Espírito Santo”. Somos separados para a boa
obra de Cristo, nossas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro, mas
nosso coração aguarda o dia em que nossas vestes serão trocadas.
A parábola das bodas relata o fato de todos os convidados se vestirem de
novas vestes, apontando a glória do reino celestial:
“Então os servos saíram para as ruas e reuniram todas as pessoas que
puderam encontrar, gente boa e gente má, e a sala do banquete de casamento
ficou cheia de convidados. Mas quando o rei entrou para ver os convidados,
notou ali um homem que não estava usando veste nupcial. E lhe perguntou:
‘Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial?’. O homem emudeceu.
Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem-
no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são
chamados, mas poucos são escolhidos.” (Mateus 22:10-14, NVI).
Da mesma forma que o ministério sacerdotal ajudava o sumo sacerdote, os
levitas ajudavam os sacerdotes nos deveres diários.
Os levitas também passaram por um processo de cerimonial diante do
povo. Números, capítulo 8 e versos 5 ao 15 nos relatam como acontecia:
“O Senhor disse a Moisés: Separe os levitas do meio dos israelitas e
purifique-os. A purificação deles será assim: você aspergirá a água da
purificação sobre eles; fará com que rapem o corpo todo e lavem as roupas,
para que se purifiquem. Depois eles trarão um novilho com a oferta de cereal
da melhor farinha amassada com óleo; e você trará um segundo novilho
como oferta pelo pecado. Você levará os levitas para a frente da Tenda do
Encontro e reunirá toda a comunidade de Israel. Levará os levitas à presença
do Senhor, e os israelitas imporão as mãos sobre eles. Arão apresentará os
levitas ao Senhor como oferta ritualmente movida da parte dos israelitas: eles
serão dedicados ao trabalho do Senhor. Depois que os levitas impuserem as
mãos sobre a cabeça dos novilhos, você oferecerá um novilho como oferta
pelo pecado e o outro como holocausto ao Senhor, para fazer propiciação
pelos levitas. Disponha os levitas em frente de Arão e dos filhos dele e
apresente-os como oferta movida ao Senhor. Dessa maneira você separará os
levitas do meio dos israelitas, e os levitas serão meus. Depois que você
purificar os levitas e os apresentar como oferta movida, eles entrarão na
Tenda do Encontro para ministrar.” (NVI).
Não havia necessidade de usar vestes especiais, como os sacerdotes e o
sumo sacerdote, mas as vestes dos levitas deveriam estar limpas. A água da
purificação era aspergida sobre eles e tinham todo seu corpo raspado. Dois
novilhos foram usados. Um deles junto com a oferta de cereais ou oferta de
agradecimento, que era uma oferta movida. E o outro novilho era para oferta
de pecado ou holocausto. Os filhos de Israel imporiam as mãos sobre eles. E
eles imporão as mãos sobre os novilhos.
Um tópico interessante é o fato de os levitas serem apresentados em
oferecimento a Deus como oferta de movimento. Eles foram literalmente
balançados em frente ao altar e Deus os recebeu, e assim foi. O texto diz que
os levitas passaram a ser propriedade do Senhor.
Os levitas trabalhavam arduamente para manter a ordem do culto, no
sentido literal, pois eles preparavam os sacrifícios. Estou me referindo a
vários animais sendo degolados todos os dias. Eles mantinham a limpeza e
manutenção do local, e por se instalarem ao redor do tabernáculo, pressupõe-
se uma vigilância contínua sobre o tabernáculo e seus utensílios. Eram os
guardas do tabernáculo.
No átrio, os levitas podiam entrar para ministrar, mas não iam além. Esses
homens trabalhavam diligentemente, dia e noite perante Deus no tabernáculo.
O que o povo não via era o que mais importava para Deus: o que fazemos em
secreto, em nosso momento de oração, de confissão e de adoração de joelhos.
Ali, na beira da nossa cama, no banheiro ou no leito do hospital o povo não
vê, e nem precisa ver, mas nosso Pai Celestial contempla e em secreto nos
recompensa: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a
seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o
recompensará.” (Mateus 6:6, NVI).
Eram os sacerdotes aqueles que mantinham o fogo do altar de bronze
aceso. Na manutenção do altar está incluída a retirada das cinzas:
“Dê este mandamento a Arão e a seus filhos, a regulamentação acerca do
holocausto: Ele terá que ficar queimando até de manhã sobre as brasas do
altar, onde o fogo terá que ser mantido aceso. O sacerdote vestirá suas roupas
de linho e os calções de linho por baixo, retirará as cinzas do holocausto que
o fogo consumiu no altar e as colocará ao lado do altar. Depois trocará de
roupa e levará as cinzas para fora do acampamento, a um lugar
cerimonialmente puro. Mantenha-se aceso o fogo no altar; não deve ser
apagado. Toda manhã o sacerdote acrescentará lenha, arrumará o holocausto
sobre o fogo e queimará sobre ele a gordura das ofertas de comunhão.”
(Levítico 6:9-12, NVI).
Cabia aos sacerdotes que soprassem as trombetas para as santas
convocações. Agiam como juízes e detinham o poder de analisar casos como
os de lepra. Esta é a regulamentação acerca da purificação de um leproso:
“Ele será levado ao sacerdote.” (Levítico 14:2). E os casos de adultério,
dando as suas sentenças finais: “O sacerdote trará a mulher e a colocará
perante o Senhor.” (Números 5:16).
Jesus, ao curar um leproso, pediu que se apresentasse ao sacerdote:
“Um leproso (o termo grego não se refere somente à lepra, mas também a
diversas doenças da pele), aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse:
‘Senhor, se quiseres, podes purificar-me!’. Jesus estendeu a mão, tocou nele e
disse: ‘Quero. Seja purificado!’. Imediatamente ele foi purificado da lepra.
Em seguida Jesus lhe disse: ‘Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá
mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que
sirva de testemunho’.” (Mateus 8:2-4, NVI).
Outro fator muito interessante quanto aos ministrantes do ofício sacerdotal
é o fato de ministrarem com os pés descalços. O texto não faz menção de
calçados, e existe uma enfática ligação do tabernáculo como habitação de
Deus e dois eventos registrados na Sagrada Escritura. O primeiro evento foi
Moisés e a sarça ardente, onde precisou tirar suas sandálias a pedido do
Senhor. “Então disse Deus: ‘Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois
o lugar em que você está é terra santa’.” (Êxodo 3:5, NVI).
O segundo evento onde os pés foram descalços ocorreu com Josué. Ao
entrar em Canaã, perto de Jericó, ele avistou um príncipe do exército do
Senhor, provavelmente uma teofania, pois somente Deus aceita adoração. E
ali naquele momento, o “príncipe” pediu que Josué tirasse as sandálias dos
pés porque aquele lugar era santo. Onde Deus está, ali se torna Sua habitação.
“Estando Josué já perto de Jericó, olhou para cima e viu um homem em
pé, empunhando uma espada. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: ‘Você é
por nós, ou por nossos inimigos?’. ‘Nem uma coisa nem outra’, respondeu
ele. ‘Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor.’. Então
Josué prostrou-se com o rosto em terra, em sinal de respeito, e lhe perguntou:
‘Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo?’. O comandante do
exército do Senhor respondeu: ‘Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que
você está é santo.’. E Josué as tirou.” (Josué 5:13-15, NVI).
Nosso mestre Jesus nos ensinou que onde estivermos reunidos em Seu
nome, ali Ele se faria presente: “Pois onde se reunirem dois ou três em meu
nome, ali eu estou no meio deles.” (Mateus 18:20, NVI).
A noiva de Cristo, para o mundo que a avista por fora, não tem beleza ou
ministério de importância. Ou até mesmo muitos congregados que acham o
louvor cansativo, a Palavra muito isso ou aquilo, com certeza estãoolhando
de fora para dentro. Eu te convido a adentrar nos átrios do Senhor e olhar a
beleza da igreja de dentro para fora.
É certo que se estivermos lá dentro, veremos que ainda existe poder na
oração. Que a adoração ainda atrai a glória de Deus aos nossos corações.
Veremos que é muito bom vivermos em união. Que ainda existem
conselheiros com bons conselhos. Perceberá que ainda existem evangelistas
que dão suas vidas nos campos missionários. Que a Palavra pregada muda o
caráter de quem a recebe e que o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre
os mortos e O glorificou, habita e atua na igreja. Ele estará no meio da igreja.
Algumas vezes na história bíblica, Deus dá uma pincelada de Graça no
texto sagrado da antiga aliança. Um dos exemplos dessa graça é o sumo
sacerdote Samuel. O texto diz que ele não pertencia à tribo de Levi, pertencia
à tribo de Efraim. Samuel exerceu com excelência seu ministério: “Havia
certo homem de Ramataim, zufita dos montes de Efraim, chamado Elcana,
filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.” (1
Samuel 1:1, NVI).
Outro exemplo dentre tantos outros é Gideão. Deus deu ordem a Gideão
para cumprir uma função de sumo sacerdote, apto a sacrificar: “Depois faça
um altar para o Senhor, o seu Deus, no topo desta elevação. Ofereça o
segundo novilho em holocausto com a madeira do poste sagrado que você irá
cortar.” (Juízes 6:26, NVI).
E Manoá, o pai de Sansão, também fez sacrifícios a Deus como um sumo
sacerdote, a pedido do próprio Deus: “Então Manoá apanhou um cabrito e a
oferta de cereal, e os ofereceu ao Senhor sobre uma rocha. E o Senhor fez
algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam.” (Juízes 13:19,
NVI).
OS MINISTROS REPROVADOS
Nem sempre tudo termina como o desejado. Neste momento, quero falar
de homens que falharam em suas funções sacerdotais e foram reprovados.
Para o ofício de sacerdote, Deus chamou Arão e seus filhos: Nadabe, em
hebraico, que significa “apresentar-se voluntariamente”; Abiú, que significa
“Ele é pai”; Eleazar, que significa “Deus tem ajudado”; e Itamar, que
significa “terra de palmeiras”. Eles faziam todo o serviço sacerdotal com a
ajuda dos levitas, incluindo principalmente a manutenção do fogo sagrado.
Por que esse fogo era tão importante? Que fogo era esse? E por que era tão
especial? Para responder a essas perguntas, falaremos do dia da inauguração
do tabernáculo.
Levítico, capítulo 9, versos 23 e 24 diz que depois de tudo preparado de
acordo com as medidas e regras exigidas para aquele cerimonial, Deus
respondeu com fogo:
“Assim Moisés e Arão entraram na Tenda do Encontro. Quando saíram,
abençoaram o povo; e a glória do Senhor apareceu a todos eles. Saiu fogo da
presença do Senhor e consumiu o holocausto e as porções de gordura sobre o
altar. E, quando todo o povo viu isso, gritou de alegria e prostrou-se com o
rosto em terra.” (NVI).
O fogo veio do céu, do próprio Senhor, pois saiu da Glória que havia
pousado sobre o tabernáculo. Por isso ele era tão importante. Deus aceitou os
primeiros sacrifícios no tabernáculo enviando o Seu fogo.
Os sacrifícios deveriam ser queimados por esse fogo, pois quando isso
acontecia, era como um cheiro suave para o Senhor. O animal era julgado
pelo fogo, consumido por ele, e Deus se alegrava porque esse ato de
sacrifício substitutivo limpava os pecados do povo. A ira de Deus era
aplacada.
Os sacerdotes viram o fogo vir da Glória de Deus e entendiam que eles
não tinham o controle do fogo (da justiça, da aceitação, do perdão), porém
conheciam aquele que tem total controle dele (Deus).
Nesse momento da narrativa, o texto bíblico coloca os holofotes da cena
em cima de dois dos filhos de Arão. Esse foi um evento triste, que aconteceu
logo após o fogo do Senhor vir sobre o holocausto.
Os recém-chamados ao ministério sacerdotal, Nadabe e Abiú, acenderam
seu incensário com um fogo natural e se chegaram onde estava a Glória de
Deus. O desfecho da história deles é trágica. Perderam suas vidas por não
compreenderem quão grande é a santidade e a justiça do Senhor.
“Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos
quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano
perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados. Então saiu fogo da
presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor.” (Levítico
10:1-2, NVI). “Justiça e juízo são a base do teu trono.” (Salmos 89:14, ACF).
Eles foram desaprovados depois de serem ungidos. Existe uma enorme
diferença entre santo (separado) e profano (comum). Nós, como igreja
contemporânea, deveríamos olhar para esse conceito como um exemplo.
É necessário que conscientemente paremos de buscar os aplausos dos
congregados para nós mesmos. Nosso holocausto, que são os nossos dons,
talentos, capacidades de liderança, dons da música, da escrita, da arte... e
tantos outros talentos, deveriam estar aguardando o fogo (aprovação) vir de
Deus, e não tentarmos usar nosso fogo em nosso incensário medíocre
(ministério) e acharmos que só porque é feito com capricho e com propósito
do Reino, Deus nos aceitará. Não! Deus não nos aceitará.
Há algum tempo na história de Israel, um rei foi escolhido e ungido, e logo
depois foi rejeitado por causa de seus atos de impiedade. Ele passou a ser um
reprovado, até mesmo com todos os seus talentos e com sua coroa real de
ouro em sua cabeça.
Não há como nos escondermos. Se formos ingênuos ao ponto de acharmos
que Deus não nos verá, precisamos de amadurecimento e mais conhecimento.
A Sagrada Escritura é clara em nos afirmar que Ele conhece todas as
intenções dos nossos corações.
Deus enviou uma mensagem ao “desaprovado” rei Saul através do profeta
Samuel, dizendo: Ele diz que quer obediência, e não sacrifícios, Saul. “É
melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores
ovelhas.” (1 Samuel 15:22, NTLH).
O
SUMO
SACERDOTE
PERFEITO
Capítulo 12
“[...] tomarás as vestes, e vestirás Arão da
túnica, da sobrepeliz, da estola sacerdotal e do
peitoral, e o cingirás com o cinto de obra
esmerada da estola sacerdotal; pôr-lhe-ás a
mitra na cabeça e sobre a mitra, a coroa
sagrada.”
Êxodo 29:5-6, ARA
O sumo sacerdote em muito se diferencia dos sacerdotes e dos levitas. Ele era
único. Era totalmente responsável por todas as celebrações e se vestia de
forma singular. O sumo sacerdote tinha restrições quanto ao seu casamento,
não podia se casar com uma viúva, com uma prostituta ou com uma
estrangeira. Somente se casaria com uma virgem israelita: “Não poderá ser
viúva, nem divorciada, nem moça que perdeu a virgindade, nem prostituta,
mas terá que ser uma virgem do seu próprio povo.” (Levítico 21:14, NVI).
Ou com a viúva de outro sumo sacerdote: “Eles não se casarão com viúva ou
divorciada; só poderão casar-se com mulher virgem, de ascendência israelita,
ou com viúva de sacerdote.” (Ezequiel 44:22, NVI).
Existe uma declaração bem enfática quanto ao itinerário sacerdotal, ele
não podia se ausentar nem para chorar pela morte de parentes:
“O sumo sacerdote, aquele entre seus irmãos sobre cuja cabeça tiver sido
derramado o óleo da unção, e que tiver sido consagrado para usar as vestes
sacerdotais, não andará descabelado, nem rasgará as roupas em sinal de luto.
Não entrará onde houver um cadáver. Não se tornará impuro, nem mesmo
por causa do seu pai ou da sua mãe.” (Levítico 21:10-12, NVI).
Vivia sob uma rigorosa restrição alimentar: “Também não poderá comer
animal encontrado morto ou despedaçado por animais selvagens, pois se
tornaria impuro por causa deles. Eu sou o Senhor.” (Levítico 22:8, NVI).
E sempre deveria lavar suas mãos e seus pés antes das refeições:
“Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés com a água da bacia. Toda
vez que entrarem na Tenda do Encontro, terão que lavar-se com água, para
que não morram. Quando também se aproximarem do altar para ministrar ao
Senhor, apresentando uma oferta preparada no fogo, lavarão as mãos e os pés
para que não morram. Esse é um decreto perpétuo, para Arão e os seus
descendentes, geração após geração.”(Êxodo 30:19-21, NVI).
Era ele quem comia os pães da proposição todo sábado: “Pertencem a
Arão e a seus descendentes, que os comerão num lugar sagrado, porque é
parte santíssima de sua porção regular das ofertas dedicadas ao Senhor,
preparadas no fogo. É decreto perpétuo.” (Levítico 24:9, NVI). Lembrando
que esses pães já estavam há uma semana expostos ao incenso aromático.
Muitos estudiosos dizem que esse pão tinha um sabor amargo por causa dessa
longa exposição.
O sumo sacerdote precisava agir com perfeição em todas as áreas da vida,
sendo ela moral, espiritual ou sentimental. O que poucas pessoas observam é
a restrição de Deus para o porte físico do que seria um candidato para o sumo
sacerdócio. Deus fez exigências físicas.
Existe uma lista contendo os defeitos físicos que esses homens não podiam
ter, e se o tivesse, este estaria desclassificado do serviço sacerdotal. Da
mesma forma que um animal defeituoso não pôde ser levado diante do
Senhor para ser sacrificado, assim se fazia ao ministrante. Essa lista se
encontra no livro de Levítico, no capítulo 21, dos versos 18 ao 20:
“Nenhum homem que tenha algum defeito poderá aproximar-se: ninguém
que seja cego ou aleijado, que tenha o rosto defeituoso ou o corpo
deformado; ninguém que tenha o pé ou a mão defeituosos, ou que seja
corcunda ou anão, ou que tenha qualquer defeito na vista, ou que esteja com
feridas purulentas ou com fluxo, ou que tenha testículos defeituosos.” (NVI).
O primeiro defeito dessa lista é a cegueira, incluindo todo e qualquer
defeito nos olhos ou nas pálpebras. Ao trazer essa premissa como um
simbolismo espiritual para os nossos dias, aparecerá no contexto
neotestamentário o conceito de cegueira espiritual. Mateus 15:14 diz que
existem líderes cegos tentando guiar a seguidores cegos: “Deixem-nos; eles
são guias cegos [A]. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num
buraco”. A referência A: Alguns manuscritos dizem que são cegos, guias de
cegos.
Essa realidade faz parte de nosso contexto atual. Em Apocalipse 3:17,
João adverte uma igreja que pensava ser rica. João diz que ela era, de fato,
pobre, cega e nua. Diante de verdades espirituais, podemos pensar que essa
igreja não guardava tesouros no céu, não enxergava a beleza de Cristo e não
se vestia da salvação de Cristo. Ela é descrita como pobre, cega e nua. “Você
diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada’. Não reconhece,
porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu.”
(NVI).
Deus sempre advertiu Israel por meio de seus profetas. Um deles foi o
profeta Isaías, que comparou Israel, chamando-os de cegos que apalparam as
paredes e caíam de dia por causa de seus pecados: “Apalpamos as paredes
como cegos; sim, como os que não têm olhos andamos apalpando;
tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo, e entre os vivos somos como
mortos.” (Isaías 59:10, AA).
Jesus, em um de Seus diálogos com os mestres religiosos, os chamou de
cegos, ou seja, eram incapacitados de exercer seus cargos diante de Deus
(Mateus 23). O apóstolo João também fala da cegueira daquele que, como os
religiosos, não consegue amar o seu próximo.
A religiosidade traz cegueira, pois com os olhos da religião as pessoas são
capazes de excluir, de julgar, de odiar em nome de seus dogmas. O que Jesus
ensinou aos mestres se aplica a nós, como igreja contemporânea: não
podemos proibir as pessoas de se achegarem ao reino dos céus por causa da
nossa cegueira.
Para nossa alegria, Jesus fez muitos milagres e um deles foi curar os cegos
(Mateus 9). Jesus estava nos indicando o caminho de cura que existe em Si.
A igreja que foi chamada de cega em Apocalipse 3, é convidada a comprar
colírio para obter a cura. “O Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta
os abatidos; o Senhor ama os justos.” (Salmos 146:8, AA).
O salmista pediu que seus olhos fossem abertos, pois queria contemplar as
maravilhas da lei de Deus. Este deveria ser o anseio da igreja, buscar a cura
da cegueira que nos impede de enxergar que todas as coisas já foram
reveladas em Cristo. “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as
maravilhas da tua lei.” (Salmos 119:18, AA).
Entenda que não há mais nenhuma dívida a ser paga com jejum, oração ou
voto, pois em Cristo temos toda dívida quitada. Devemos, sim, orar, mas com
o intuito de conversarmos com o nosso amigo Espírito Santo, e não para
“pagarmos o preço”.
“Pagar o preço” tem sido um bordão que muitos neopentecostais usam
para dizer que são cristãos de muita oração, muito jejum e muito voto. Existe
uma luz vermelha piscando na nossa frente quando pensamos dessa maneira.
Se conversarmos com um Amigo por meio de oração for um ato de
sofrimento, de pagamento de preço, nós estaríamos desconsiderando Sua
amizade.
O ato de “subir no monte” tem sido um ato de “classificação espiritual”
que mede o nível de comunhão que o cristão tem com Deus.
Perceptivelmente, nossa geração tem se cegado para as maravilhas da Palavra
de Deus. Jesus nos ensinou a entrar em nosso quarto, fecharmos nossa porta e
em secreto falarmos e sermos ouvidos pelo Pai: “Mas tu, quando orares, entra
no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai,
que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:6, JFA).
Esse modelo de comunhão parece não funcionar por ser simples demais.
Contudo, é essa a verdade que todo cristão precisa aprender. Meu anseio é
que minha geração passe a enxergar esses equívocos e se livre desses
dogmas. O Evangelho de Cristo nos liberta por completo.
Lucas, capítulo 7 e verso 22 diz que Jesus fez os cegos enxergarem
(compreensão da fé), os coxos andarem (evangelismo), os leprosos são
purificados (pecadores arrependidos), os surdos ouvem (obedecem Sua
Palavra), os mortos são ressuscitados (transformação de vidas) e os pobres
têm ouvido as boas novas da salvação (missionários são enviados). “Então
ele respondeu aos mensageiros: Voltem e anunciem a João o que vocês viram
e ouviram: os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos [29] são
purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas
são pregadas aos pobres;”. A referência 29: O termo grego não se refere
somente à lepra, mas também a diversas doenças da pele.
Outra deficiência física que desclassificava para o sacerdócio era a pessoa
ser aleijada. Ou seja, deficiência nos pés ou nas pernas que as
impossibilitasse de andar normalmente. Estamos falando de uma cultura
antiga do Oriente Médio, onde não existia os recursos e aparelhagens
existentes nos dias atuais.
Esse conceito traz o valor espiritual de que o cristão é proibido de ser um
aleijado espiritual, partindo também da premissa que nosso caminhar deve ser
constante. Aquele que lança mão do arado não pode olhar para trás, não pode
parar. “Jesus respondeu: ‘Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é
apto para o Reino de Deus’.” (Lucas 9:62, NVI).
O profeta messiânico Isaías, no capítulo 60 e no verso 3 diz que as nações
caminharão para a luz de Cristo, para o resplendor da Sua aurora. As nações
virão à sua luz e os reis ao fulgor do seu alvorecer.
A promessa para a igreja é caminhar e não se cansar: “Mas aqueles que
esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e
não ficam exaustos, andam e não se cansam.” (Isaías 40:31, NVI).
Viver as maravilhas de Cristo, andando na luz da Sua palavra, pois se
precisaremos de luz em nossa caminhada é porque certamente haveremos de
andar em dias de escuridão. “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus
passos e luz que clareia o meu caminho.” (Salmos 119:105, NVI).
Jesus curou pessoas aleijadas: “Uma grande multidão dirigiu-se à Ele,
levando-lhe os aleijados, os cegos, os mancos, os mudos e muitos outros, e os
colocaram aos seus pés; e ele os curou.” (Mateus 15:30, NVI). Seus
discípulos seguiram os passos do Mestre e também viram os aleijados serem
livres:
“Vendo que Pedro e João iam entrar no pátio do templo, pediu-lhes
esmola. Pedro e João olharam bem para ele e, então, Pedro disse: ‘Olhe para
nós!’. O homem olhou para eles com atenção,esperando receber deles
alguma coisa. Disse Pedro: ‘Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto
lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande’. Segurando-o pela mão
direita, ajudou-o a levantar-se, e imediatamente os pés e os tornozelos do
homem ficaram firmes. E de um salto pôs-se em pé e começou a andar.
Depois entrou com eles no pátio do templo, andando, saltando e louvando a
Deus.” (Atos 3:3-8, NVI).
Nessa lista de restrições físicas para o ofício sacerdotal estão: o nariz
chato, a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, que também se inclui nessa
lista de restrições, e até mesmo o que tem sarna e impigem, ou aquele que é
castrado.
Ao olharmos para tamanha lista, devemos glorificar a Jesus, pois Ele nos
chama, mesmo com defeitos, para sermos participantes de Sua festa nupcial.
A mensagem da inclusão é trazida a nós por meio da Graça.
Jesus contou uma parábola a Seus seguidores. Ele dizia que um certo
homem dava uma grande festa, e por isso enviou seus servos e convidou a
muitos nobres. Todos os convidados, um a um, começaram a dar desculpas
para não participarem da grande festa. Ao perceber que não viriam, o dono da
festa disse aos seus servos: “Vá pelas ruas e becos da cidade, traga os pobres,
os aleijados, os cegos e os coxos e traga-os para a minha festa nupcial”.
Jesus falava do Evangelho da Graça, uma mensagem que os mestres
religiosos se recusaram a aceitar. Essa parábola me faz lembrar de um fato
interessante que aconteceu com o rei Davi. O grande rei guerreiro e
destemido chamado Davi, antes de conquistar a cidade de Jerusalém foi
insultado pelos guardas daquela cidade. Aqueles guardas diziam lá do alto
dos muros da fortificada Jerusalém que até os cegos e aleijados poderiam
combater o exército de Davi.
Por meio de uma estratégia de guerra, Davi tomou a fortaleza de Jerusalém
e conquistou a cidade dos jebuseus para fazer dela a cidade real. Contudo, por
causa do insulto que havia sofrido pelos inimigos, ele proibiu a entrada de
cegos e aleijados no palácio. Segue-se o desfecho da história e veremos que
esse foi um simples desejo egoísta de Davi, e não o desejo de Deus:
“Depois partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os
jebuseus, que habitavam naquela terra, os quais disseram a Davi: Não
entrarás aqui; os cegos e os coxos te repelirão; querendo dizer: Davi de
maneira alguma entrará aqui. Todavia Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é
a cidade de Davi. Naquele dia disse Davi: ‘Quem quiser vencer os jebuseus
terá que utilizar a passagem de água para chegar àqueles cegos e aleijados,
inimigos de Davi’. É por isso que dizem: ‘Os cegos e aleijados não entrarão
no palácio’.” (2 Samuel 5:6-8, AA).
Todos nós conhecemos a aliança de amizade que Davi tinha com o
príncipe Jônatas. Deus usou essa aliança para mostrar a Davi o poder da
graça imerecida. Após a morte do príncipe Jônatas, seu filho, chamado
Mefibosete, foge, e na fuga um acidente o deixa aleijado. Anos mais tarde,
Davi se lembra da aliança com o príncipe. Um de seus servos faz menção de
Mefibosete e diz: Ele é aleijado dos pés, porém, dono de uma aliança.
“Prosseguiu o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu possa
usar com ele da benevolência de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda há um
filho de Jônatas, aleijado dos pés. Perguntou-lhe o rei: Onde está? Respondeu
Ziba ao rei: Está em casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar. Então
mandou o rei Davi, e o tomou da casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-
Debar. E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e,
prostrando-se com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi:
Mefibosete! Respondeu ele: Eis aqui teu servo. Então lhe disse Davi: Não
temas, porque de certo usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas,
teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai; e tu sempre comerás à
minha mesa. Então Mefibosete lhe fez reverência, e disse: Que é o teu servo,
para teres olhado para um cão morto tal como eu? Então chamou Davi a Ziba,
servo de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a Saul, e a toda a sua casa,
tenho dado ao filho de teu senhor. Cultivar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus
filhos, e teus servos; e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor
tenha pão para comer; mas Mefibosete, filho de teu senhor, comerá sempre à
minha mesa. Ora, tinha Ziba quinze filhos e vinte servos. Respondeu Ziba ao
rei: Conforme tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim o fará
ele. Disse o rei: Quanto a Mefibosete, ele comerá à minha mesa como um dos
filhos do rei. E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica. E
todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete. Morava,
pois, Mefibosete em Jerusalém, porquanto sempre comia à mesa do rei. E era
coxo de ambos os pés.” (2 Samuel 9:3-13, JFA).
Davi se encontra diante de um dilema. Contudo, a força da aliança o fez
agir com misericórdia. O texto continua em sua narrativa, dizendo que
Mefibosete viveu em Jerusalém e comeu da mesa do rei. Foi-lhe devolvido o
direito à herança em Israel.
Enquanto estivermos na mesa do Rei, precisamos entender que nossas
imperfeições e lista de defeitos, ainda que existentes em nós, foram
perdoadas pelo poder da aliança que há no sangue de Jesus Cristo. Oh, glória!
Enfim no tabernáculo, o candidato ao ministério sacerdotal passava por
todo esse teste de perfeição. A finalidade desse parâmetro físico de perfeição
é apontar o perfeito Sumo Sacerdote, Cristo.
Uma autora chamada Mary Douglas, em seu livro “Leviticus as
literature”, deixa claro que: “A beleza física, ou a falta de defeitos físicos,
parece estar interligada à santidade; é Deus dizendo que a santidade pode ser
perigosa se for misturada com nossos defeitos.”.
Matthew Henry, em seu comentário bíblico sobre esse texto de Levítico
acerca da lista de restrições físicas dos levitas, diz: “Como esses sacerdotes
eram tipos de Cristo, todos os ministros deveriam ser seguidores dele, para
que o exemplo deles ensinasse outros a imitar o Salvador. Sem mácula e
separado dos pecadores, Ele executou seu ofício sacerdotal na terra. Que tipo
de pessoas então deveriam ser seus ministros! Mas todos são, nós cristãos,
sacerdotes espirituais; o ministro é especialmente chamado a dar um bom
exemplo, para que o povo o siga.”.
A beleza da santidade divina e da perfeição que há em Cristo se mesclam
nessa passagem.
Capítulo 13
VESTES DO
SUMO
SACERDOTE
Assim como o sumo sacerdote devia seguir um padrão de perfeição, também
as suas vestes deveriam ser impecáveis, pois elas simbolizam a plenitude
ministerial. A narrativa bíblica nos diz que as vestes sacerdotais foram feitas
por homens cheios do espírito de sabedoria. O objetivo dessas roupas
especiais era de santificar o sumo sacerdote: “Diga a todos os homens
capazes, aos quais dei habilidade, que façam vestes para a consagração de
Arão, para que me sirva como sacerdote.” (Êxodo 28:3, NVI). Ao ponto de as
tais vestimentas transmitirem santidade ao povo: “Quando saírem para o
pátio externo onde fica o povo, tirarão as roupas com que estiveram
ministrando e as deixarão nos quartos sagrados, e vestirão outras roupas, para
que não consagrem o povo por meio de suas roupas sacerdotais.” (Ezequiel
44:19, NVI).
Como um símbolo de honra e dignidade, o sumo sacerdote se distinguia
dos demais ministros pela sua vestimenta. Essa vestimenta era dividida em
partes. O sumo sacerdote deveria se vestir com um calção feito de linho fino
branco, que ia da cintura até os joelhos. Certamente porque os sacerdotes
pagãos do antigo Oriente Médio ministravam nus, ou seminus aos seus
deuses, e Deus traz a Israel um ethos divino, um conceito de moralidade
singular. Por cima, ele se vestia com uma túnica de linho fino branco e
amarrava um turbante branco. Essas três peças da vestimenta eram parecidas
com a roupa dos sacerdotes.
As peças que falaremos agora diferenciam o sumo sacerdote dos demais
ministrantes. Na testa, o sumo sacerdote carregava uma inscrição gravada em
uma lâmina de ouro puro, esta era afixada no turbantecom um cordão azul. A
inscrição dizia: Kodesh LaYehovah. Que transliterado significa: Santificado
para o Senhor. “Fizeram de ouro puro o diadema sagrado, e gravaram nele
como se grava um selo: Consagrado ao Senhor. Depois usaram um cordão
azul para prendê-lo na parte de cima do turbante, como o Senhor tinha
ordenado a Moisés.” (Êxodo 39:30-31, NVI).
A lâmina simbolizava o sacerdócio perfeito e o resplendor de um rei.
“Assim como Israel era um reino sacerdotal. E vós sereis para mim reino
sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de
Israel.” (Êxodo 19:6, AA).
A igreja também recebe esse título: “E nos fez reino, sacerdotes para Deus,
seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.”
(Apocalipse 1:6, JFA).
Por cima da túnica branca era colocado um colete inteiramente azul, feito
sem costura. Na orla desse colete azul estavam os sinos de ouro que retiniam
e as romãs de cor azul, púrpura e carmesim. Esse colete, ou túnica larga, ia do
pescoço até abaixo dos joelhos do sumo sacerdote. Segundo o historiador
Flávio Josefo, esse colete não tinha mangas.
As romãs são símbolo de frutificação, e os sinos símbolo de testemunho.
Estavam ornamentando o colete azul de forma alternada, um sino e uma
romã, um sino e uma romã, a obra e a fé, a pregação e o testemunho público,
a oração e a leitura bíblica, a confissão e o arrependimento, um sino e uma
romã.
Sobre o colete azul era colocada a estola sacerdotal. A estola em hebraico
é דופא efod. Que simplesmente significa uma cobertura. Essa estola também
não tinha mangas e era bordada com as cores azul, púrpura, carmesim e fios
de ouro. Os significados dessas cores são de suma importância, pois o leitor
já deve ter percebido que estas estão por toda a parte no tabernáculo. Na
porta, no véu, na cobertura interior e a agora nas vestes do ministrante.
A estola sacerdotal tinha ombreiras, que eram duas pedras de ônix, uma
em cada ombro. Eram elas que sustentavam e ligavam a parte da frente com a
parte das costas da estola. Essas pedras continham inscritos. Em cada uma
dessas pedras estava registrado o nome de seis filhos de Israel, segundo a
ordem de nascimento. Em uma delas continha os nomes de: Rúben, Simeão,
Levi, Judá, Dã e Naftali. A outra continha os nomes de: Gade, Aser, Issacar,
Zebulom, José e Benjamim.
Preso à estola tinha um peitoral de ouro com 12 pedras preciosas. Cada
pedra do peitoral carregava uma inscrição, um nome dos filhos, ou das tribos
de Israel. As pedras eram: Sárdio, Topázio, Carbúnculo, Esmeralda, Safira,
Diamante, Jacinto, Ágata, Ametista, Berilo, Ônix e Jaspe.
O peitoral era preso à estola por meio de correntes de ouro vindas das
ombreiras, e este composto era preso ao peito do sumo sacerdote por meio de
fitas azuis. O peitoral era de aproximadamente 46 cm por 23 cm, e como era
usado dobrado, passava a ser um quadrado de 23cm. O peitoral foi feito
dobrado com a finalidade de carregar Urim e Tumim.
Urim e Tumim eram pedras preciosas por meio das quais o sumo sacerdote
obtinha respostas de Deus. A Sagrada Escritura não deixa esclarecido quanto
à forma em que eram usadas essas pedras, ou como essas respostas vinham
ao sacerdote. Em várias ocasiões de narrativas bíblicas, vemos Urim e
Tumim sendo usados. Um dos exemplos é este: “E o governador lhes disse
que não comesse das coisas sagradas, até que se levantasse um sacerdote com
Urim e Tumim.” (Neemias 7:65, ACF).
Um cinto era usado para prender a estola ao corpo do sumo sacerdote.
Esse cinto era feito com as mesmas cores da estola. Quando a Bíblia fala de
cinto, ela fala de algo que carrega o símbolo da disposição para o serviço. É
costumeiro no Oriente Médio tanto homens quanto mulheres usarem túnicas
longas e largas. Ao cingir os lombos, a pessoa amarra essa túnica à cintura,
elevando-a para que as pernas fiquem livres e ganhem velocidade. Quando a
Bíblia diz que Elias cingiu os lombos, está se referindo ao ato dele amarrar as
vestes no cinto para que haja mais liberdade para a corrida: “E a mão do
Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu os lombos, e veio correndo perante
Acabe, até a entrada de Jizreel.” (1 Reis 18:46, ARC).
O próprio Jesus orienta Seus discípulos a se prepararem para tudo, e que
eles tenham seus lombos cingidos: “Estejam cingidos os vossos lombos e
acesas as vossas candeias.” (Lucas 12:35, AA).
Indo um pouco mais profundo neste conceito de preparação, o apóstolo
Pedro diz que o cristão deve estar com o entendimento preparado, ou cingido:
“Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai
inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo.” (1
Pedro 1:13, AA).
Jesus, ao ser visto por João na ilha de Patmos, usava um cinto de ouro.
Uma demonstração do ministério sacerdotal eterno do Cristo ressurreto: “E
no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma
roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.” (Apocalipse
1:13, AA).
A roupa do sumo sacerdote era graciosa, colorida e até honrosa, mas no
dia da expiação, ele não se vestia com esse glamour. O texto de Levítico,
capítulo 16 e verso 4 diz: “Ele vestirá a túnica sagrada de linho, com calções
também de linho por baixo; porá o cinto de linho na cintura e também o
turbante de linho. Essas vestes são sagradas; por isso ele se banhará com água
antes de vesti-las” (NVI). Isso mesmo, ele se vestia como os outros
sacerdotes. Pois lá na presença da Glória de Deus não há espaço para as
glórias do ministério terreno. Ele se banhava e se vestia de branco.
Diante da presença do Altíssimo, não há como escondermos nossa
verdadeira intenção. O salmista, no salmo 139, nos versos 1 ao 3 se
maravilha com os atributos divinos, principalmente com a forma que Ele nos
sonda e vê: “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento
e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas
o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos” (ARA).
Existe um detalhe riquíssimo a ser compreendido quanto à roupa do sumo
sacerdote no dia da expiação. Antes de entrar no Santíssimo Lugar, ele
oferecia um sacrifício pelo seu pecado, um novilho. Isso garantia ao sumo
sacerdote a certeza de que a ira de Deus estava aplacada através do sangue do
animal inocente, neste caso, o novilho. Se Deus não aceitasse esse sacrifício,
certamente ele não entraria lá, só entrou porque foi de antemão perdoado de
seus pecados. E quando somos perdoados, não há necessidade de enfeites
espirituais, de sinetes, de estola, de peitoral, de Urim e Tumim, de sinos ou de
romãs como requisitos primários para nos achegarmos a Deus. A justiça e o
sangue de Cristo nos garantem total acesso.
MANDAMENTOS
DIVERSOS
Capítulo 14
Vamos voltar por um momento para o período patriarcal. Antes da
dispensação da Lei, os patriarcas faziam seus altares ao Senhor e neles
sacrificavam. Abraão era um construtor de altares. Leia Gênesis 13 e Gênesis
22 também. “Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua
tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali edificou um altar ao
SENHOR e invocou o nome do SENHOR.” (Gênesis 12:8, ARA).
Outro pai de família que também construiu altares foi Noé, isso antes dos
patriarcas: “Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais
limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.” (Gênesis 8:20,
ARA).
Jó também construía altares. Essa prática de Jó é um gatilho para
entendermos que provavelmente tenha vivido antes da dispensação da Lei e
depois de Noé:
“E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava
Jó e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos
segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham
pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó
continuamente.” (Jó 1:5, NTLH).
Eles entendiam que sem derramamento de sangue não há remissão, e essa
era uma prática comum no mundo do Oriente Médio antigo.
De forma completa e definitiva, a partir daquele encontrode Deus e
Moisés no Sinai, esse modelo sacerdotal familiar mudaria. E junto com as
leis espirituais, as leis morais e sociais se alteraram.
As Leis dadas por Deus no Monte Sinai não se restringem ao que
conhecemos como 10 mandamentos escritos em pedras talhadas. Contudo,
existe uma gama de leis, estatutos e orientações além do decálogo. A cultura
judaica admite que existam 613 mandamentos diversos.
Aproximadamente 3 meses haviam se passado após a saída deles do Egito,
estavam longe de Canaã. Eram escravos egípcios recém-libertos e a
cosmovisão deles era egípcia. É preciso lembrar ao leitor que os filhos de
Israel estavam vivendo como escravos por mais de 400 anos no Egito.
Entendemos que houve uma razão maior pela qual a Lei é dada ao povo
enquanto ainda no deserto, pois não tinham leis para defender o cidadão ou
para culpar o homem mau. A Lei então é dada para nomear em seus ethos
diários, se bons ou maus, se certo ou errado.
Como cristãos de uma Nova Aliança em Cristo Jesus, é preciso
entendermos essa Lei pelo prisma da Graça. E para isso, aconselho a leitura e
análise das cartas de Paulo aos Gálatas, capítulo 2 e 3, e também Romanos,
capítulo 4.
Gálatas 2:16 – A Lei não justifica: “Sabendo, contudo, que o homem não
é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos
também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e
não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.”
(JFA).
Romanos 4:13 – A fé trouxe a promessa: “Porque não foi pela lei que veio
a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do
mundo, mas pela justiça da fé.” (JFA).
Romanos 4:14 – Com a Lei, a promessa é aniquilada: “Pois, se os que são
da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada.” (JFA).
Romanos 4:15 – A Lei traz (opera) a ira de Deus: “Porque a lei opera a
ira; mas onde não há lei também não há transgressão.” (JFA).
A Lei é o aio, ou seja, o conselheiro. A Lei é aquela que diz à humanidade:
“Vá por este caminho”, ou, “Não ande por ali”. E essa orientação conselheira
(a Lei) foi usada até que veio o Messias. A Lei não dava vida àqueles que a
buscavam, mas ela ensinava a viver.
Quando Jesus estava sendo perseguido pelos mestres do Templo, os
chamados fariseus, Ele disse que nem mesmo estes mestres estavam
suportando o peso da Lei e queriam colocá-la sobre o povo (Mateus 24). A
Lei tem um peso insuportável.
Na dispensação da Lei, era exigido do povo, ao ser chamado para um
encontro com Deus, que todos se santificassem, tomassem banho e trocassem
suas vestes, incluindo os ministrantes: “Mesmo os sacerdotes que se
aproximarem do Senhor devem consagrar-se; senão o Senhor os fulminará.”
(Êxodo 19:22, NVI).
O conceito básico a ser lembrado é este: Deus é santo. E todos que se
aproximam de Deus devem ser santificados.
Quando o Messias prometido chega à Israel, Ele é rejeitado por muitos. E
um dos motivos de tamanha rejeição é a questão do zelo com a santidade
divina. Como o Messias, sendo Deus, pode ser chamado de amigo de
prostitutas e pecadores?
Os fariseus viram quando a prostituta lava seus pés. Quando um leproso é
tocado por Jesus. Isso é impossível de acontecer, eles pensavam. E segundo a
Lei, estavam corretos. Mas segundo a Graça salvadora que há em Cristo, eles
estavam equivocados.
O que eles ainda não sabiam é que o Deus encarnado, Jesus Cristo, viria
para mudar o curso da história. É Cristo quem nos chama, dizendo: “Venha
como estás, venha para a minha festa de núpcias que Eu te limpo, te curo, te
perdoo e troco as suas vestes”.
Durante muitos e muitos anos, o povo de Israel precisava se preparar,
tomar banho, lavar as vestes, se consagrar e se santificar para ir ao Templo,
levando os seus sacrifícios. De repente, a Graça invade a história, muda o
curso natural da adoração para a sua própria direção.
O capítulo 21 de Êxodo fala sobre alguns dos mandamentos dados a Israel,
e dentre eles a Lei fala sobre os escravos que viviam no meio deles. A Lei era
específica: Por seis anos um escravo serviria seu senhor, mas no sétimo ano
seria livre da escravidão. Mais uma vez vemos uma pincelada da Graça do
Senhor.
O texto diz que se o escravo amar o seu senhor, ele poderá ficar para
sempre como escravo na casa, servindo por amor. Esse escravo após seis
anos tinha a liberdade pela lei de ser alforriado, mas podia escolher viver nas
propriedades de seu senhor e o servir pelo resto de sua vida.
Ao aceitar ser um escravo livre, que viveria e serviria para sempre seu
senhor, ele adquiriria uma marca física permanente: “Ali ele o encostará na
porta ou no batente da porta e furará a orelha dele com um furador. Então ele
será seu escravo por toda a vida.” (Êxodo 21:6, NTLH).
Uma de suas orelhas era furada como um sinal dessa escolha. A orelha
furada como sinal de amor e um símbolo de obediência às palavras que
ouvira de seu senhor. O salmista diz: “Sacrifício e oferta não pediste, mas
furaste a minha orelha.” (Salmos 40:6).
Deus está nos dizendo através desse conceito que se O amarmos,
poderemos cumprir Seus mandamentos e servi-lO de todo coração. Por opção
própria, simplesmente por amor. Cristo trouxe consigo o ano sabático, o ano
da alforria. O sétimo ano da história de Israel. Ele trouxe o jubileu, o ano
aceitável do Senhor. O ano que coloca todas as coisas em seu devido lugar.
Os mandamentos trazem transparência para a ética cristã.
No capítulo 22 de Êxodo, no verso 6, Deus trata sobre outra questão, a
agricultura: “Se um fogo se espalhar e alcançar os espinheiros, e queimar os
feixes colhidos ou o trigo plantado ou até a lavoura toda, aquele que iniciou o
incêndio restituirá o prejuízo” (NVI).
O povo hebreu era agropecuarista, cuidavam de suas plantações e
rebanhos. O texto diz que se alguém, por uma boa causa, atear fogo em um
espinheiro e o fogo se alastrar para uma seara madura, aquele que ateou o
fogo pagará por todo o prejuízo.
Jesus, em uma de Suas parábolas, disse que o joio foi semeado e cresceu
no meio do trigo, ou seja, que haverá injustos no meio dos justos:
“Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é como um
homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos
dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi.
Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos
do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa
semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’. ‘Um inimigo fez isso’,
respondeu ele. Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que o tiremos?’.
Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderiam arrancar com ele
o trigo. Deixem que cresçam juntos até a colheita. Então direi aos
encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes
para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro’.”
(Mateus 13:24-30, NVI).
Na parábola, fica esclarecido que não é função particular, seja líder ou
congregado, separar os dois. Essa função é do Senhor. Porque se tentando
eliminar os espinhos (injustos), o fogo pegar na seara madura (justos),
sofreremos as consequências de tais atos.
Lucas, capítulo 17, dos versos 1 ao 4 diz que:
“É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem
vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e
fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos. Olhai por
vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se
arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no
dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.” (ACF).
O princípio aqui é eliminar todo senso de justiça própria, rebelião ou
acusações que podem afligir a noiva de Cristo. Fica um alerta para os líderes:
que vocês não sejam achados culpados quanto à perda dos justos.
Deus também trouxe leis que beneficiaram a terra de Canaã. Deus é o
Criador que cuida com carinho de Suas obras criadas. O descanso da terra, ou
o ano sabático da terra, foi exigido por lei. Lembrandoque o sábado era dia
de descanso do povo. E a terra deles, a Canaã, deveria descansar de sete em
sete anos. Uma entrega de suas propriedades para o Senhor naquele ano.
E se não plantassem e nem colhessem naquele ano, com o que viveriam e
se sustentariam? O texto diz que eles deveriam comer do que a terra desse
livremente, sem que plantassem nela. Os pobres eram orientados para que
tivessem todo o acesso a suas propriedades, para colherem dos sobejos. E que
os animais selvagens pastassem na terra. Aquela propriedade deveria ser
tratada como um lugar selvagem, sem dono. Sendo Deus o seu agricultor:
“Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na
descansar sem cultivá-la. Assim os pobres do povo poderão comer o que
crescer por si, e o que restar ficará para os animais do campo. Façam o
mesmo com as suas vinhas e com os seus olivais.” (Êxodo 23:10-11, NVI).
“Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai: Diga o seguinte aos
israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra
guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas
lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas
no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao
Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas. Não
colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas, que não
serão podadas. A terra terá um ano de descanso. Vocês se sustentarão do que
a terra produzir no ano de descanso, você, o seu escravo, a sua escrava, o
trabalhador contratado e o residente temporário que vive entre vocês, bem
como os seus rebanhos e os animais selvagens de sua terra. Tudo o que a
terra produzir poderá ser comido.” (Levítico 25:1-7, NVI).
Esse mandamento foi lhes dado enquanto ainda viviam no deserto.
Quando tomaram posse de Canaã, esse mandamento lhes causou o que
chamamos de exílio. O que tem o exílio de Israel a ver com esse
mandamento? Pois bem, o profeta Jeremias, no capítulo 29, no verso 10 diz
que por setenta anos estariam cativos, e somente depois desse período
poderiam retornar: “Assim diz o Senhor: Quando se completarem os setenta
anos da Babilônia, eu cumprirei a minha promessa em favor de vocês, de
trazê-los de volta para este lugar” (NVI).
No período do exílio de Israel, já havia se passado 490 anos após entrarem
em Canaã. E o povo nunca guardou o ano sabático da terra. Eles aravam,
plantavam e colhiam no ano sabático. Então o Senhor resolveu separar o ano
sabático, exilando os habitantes. E por 70 anos a terra finalmente descansou.
Que tragédia! Estavam recebendo o galardão de seus erros.
A Lei era boa e específica, porém muito dura e cortante. Toda ela foi feita
para um padrão de santidade, ao ponto de Deus habitar no meio do povo
(tabernáculo) e não os consumir.
Nosso mestre Jesus cumpriu toda a Lei com eterna perfeição. Por meio
dEle, as demandas da justiça de Deus foram satisfeitas (Romanos 3). “Não
pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.”
(Mateus 5:17, NVI).
A FACE DE DEUS
Durante aquele período de Lei e castigos, de santo e profano, vemos que lá
no monte, Moisés conversa com Deus e pede para ver Sua face. Afinal de
contas, Moisés viu a face desse Deus Santo ou não? “Não poderás ver a
minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver.”
(Êxodo 33:20, AA).
O texto bíblico diz que Moisés viu a glória de Deus: “E quando a minha
glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha
mão, até que eu haja passado. Depois, quando eu tirar a mão, me verás pelas
costas; porém a minha face não se verá.” (Êxodo 33:22-23, AA).
Existe um argumento dizendo que Moisés via a Deus, pelo fato de falar
com Ele. Mas não acredito que essa seja a verdade. Todos conhecem este
versículo, que diz: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como
Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face.” (Deuteronômio
34:10, ARA). Esse versículo não contradiz os versículos anteriores, que
proíbem o homem de ver a face de Deus sem morrer. Quando a Bíblia traz a
expressão face a face, está se referindo a um grau altíssimo de intimidade.
Para nos ajudar a compreender essa premissa e essa relação entre
santidade divina e o pecador, o apóstolo João nos diz que “Ninguém jamais
viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.”
(João 1:18, KJA).
Portanto, partindo desse pressuposto, o único que viu a Deus foi Aquele
que está com o Pai, Jesus Cristo, o Deus Filho. E somente por meio de Jesus
Cristo, os homens puderam, de fato, ver a Deus.
João continua, dizendo que Jesus tabernaculou entre nós e eles puderam
ver a Sua glória, a glória do Unigênito do Pai: “E o Verbo se fez carne e
habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória
como do unigênito do Pai.” (João 1:14, ARA).
A glória (do hebraico: kavod) que se revelou em Israel lá dentro do Santo
dos santos no tabernáculo pôde ser vista em Jesus.
O Monte Tabor foi testemunha de um evento glorioso. Certo dia, Jesus
chama Seus discípulos mais próximos para um período de oração, e ali no
monte, Ele se transfigura diante deles.
Transfiguração é um estado de glória. O texto diz que Elias e Moisés
estavam presentes e conversavam com Jesus glorificado, ou transfigurado.
Moisés viu o rosto de Jesus, viu a glória de Deus nEle e pôde contemplar por
completo naquele dia o que havia pedido ao Senhor.
MÓVEIS DO
TABERNÁCULO
Capítulo 15
A estrutura do tabernáculo era retangular, tendo seu comprimento total de
aproximadamente 45 metros; a largura era de aproximadamente 23 metros. O
Santo Lugar tinha aproximadamente 9 metros de comprimento por 4,5
metros, e o Santíssimo Lugar era de 4,5 metros quadrados.
No lugar onde a glória de Deus habita, não há espaço para imperfeições.
Nosso Senhor é chamado de Emanuel, Deus Conosco. Deus habitando
conosco, em nosso coração através da perfeição que há no Cristo.
A Bíblia nos apresenta outros textos onde um cubo perfeito representa o
divino, Jesus como medida perfeita. Não há falhas nEle, perfeito como
homem e perfeito sendo Deus.
Em 1 Reis 6:19-20 vemos um cubo perfeito: “Preparou também o
santuário interno no templo para ali colocar a arca da aliança do Senhor. O
santuário interno tinha nove metros de comprimento, nove de largura e nove
de altura. Ele revestiu o interior de ouro puro, e também revestiu de ouro o
altar de cedro” (NVI).
Em Ezequiel 41:4 temos um cubo perfeito: “E ele mediu o comprimento
do santuário interno; tinha dez metros, e sua largura era de dez metros até o
fim do santuário externo. Ele me disse: Este é o Lugar Santíssimo.” (NVI).
Em Apocalipse 21:16, o texto grego diz que existiam 12.000 estádios, e
um estádio equivalia a 185 metros. Um cubo perfeito. “A cidade era
quadrangular, de comprimento e largura iguais. Ele mediu a cidade com a
vara; tinha dois mil e duzentos quilômetros de comprimento; a largura e a
altura eram iguais ao comprimento” (KJA).
Tanto o Santíssimo Lugar do tabernáculo quanto o suntuoso Templo de
Salomão, Santíssimo Lugar mostrado em visão ao profeta Ezequiel e também
na visão escatológica do apóstolo João sobre a Cidade Santa, todos esses
lugares são representados por um quadrado exato, um cubo perfeito.
A ARCA DA ALIANÇA
As subdivisões do tabernáculo são marcadas por objetos autênticos. No
átrio foram colocados dois objetos sagrados: o altar de bronze e a bacia de
bronze. O Santo Lugar contém três objetos sagrados: a mesa dos pães, o
candelabro e o altar do incenso. E no Santíssimo Lugar, um único objeto: a
Arca da Aliança.
A Arca da Aliança era parte essencial do Santíssimo Lugar, pois sobre ela
estava o propiciatório onde os querubins estendiam suas asas. Lugar onde a
presença da glória habitava.
A Arca da Aliança tinha aproximadamente 150 cm de comprimento por 75
cm de altura e 75 cm de largura. Temos essa estimativa aproximada porque
estamos fazendo referência das medidas dadas no texto hebraico, que é o
côvado.
O côvado era a medida do antebraço de Moisés,que ia da ponta do dedo
médio até a ponta do cotovelo. Não há como estimarmos a medida física
exata de Moisés, mas podemos ter uma estimativa baseada na medida de um
homem mediano. O que nos leva a concluir que um côvado equivale a
aproximadamente cinquenta centímetros.
O filósofo grego Pitágoras declarou que “o homem é a medida de todas as
coisas”. Ele certamente se referia a esse modo de medição que foi muito
usado por seus contemporâneos (Pitágoras é considerado o pai da
matemática).
Vários exemplos bíblicos de medidas usaram o côvado como conceito, um
método que, segundo a arqueologia moderna, surgiu no Egito antigo.
A arca de Noé usou tais medidas, as águas do dilúvio foram medidas em
côvados: “Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e assim foram
cobertos.” (Gênesis 7:20, AA).
A estátua que o profeta Daniel viu era medida em côvados: “O rei
Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, a altura da qual era de sessenta
côvados, e a sua largura de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na
província de Babilônia.” (Daniel 3:1, JFA).
O rolo que o profeta Zacarias viu foi medido em côvados: “Perguntou-me
o anjo: Que vês? Eu respondi: Vejo um rolo voante, que tem vinte côvados de
comprido e dez côvados de largo.” (Zacarias 5:2, JFA).
Jesus perguntou quem poderia acrescentar um côvado à sua estatura: “Ora,
qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua
estatura?” (Mateus 6:27, AA).
Os muros da Cidade Santa avistada por João era em côvados: “[...] medida
de homem... Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro
côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo.” (Apocalipse 21:17,
JFA).
A Arca da Aliança foi construída em madeira de acácia e toda revestida de
ouro puro. Ela possuía quatro argolas de ouro ao redor, duas de cada lado. As
argolas eram usadas somente no transporte da Arca, quando dois varais de
madeira de acácia cobertos de ouro eram colocados nas argolas. Esses varais
eram suportados pelos ombros dos coatitas. A Arca também contava com
uma coroa artesanalmente desenhada em sua borda, o que representa
facilmente o reino terreno e celestial de Cristo.
A acácia tem uma característica muito marcante, pois ela foi a base de
todos os utensílios, móveis e estrutura do tabernáculo. Por vezes, os salmistas
e profetas usaram a acácia como metáfora. Temos o exemplo do salmo 1 e de
Jeremias 17.
Elas são árvores relativamente grandes, pelo fato de nascerem no deserto.
Sua sombra, sua folhagem, sua lenha e seu fruto são muito úteis para os
caminhantes do deserto. Ela fornece sombra, alimento, remédio e água. Pelo
fato dessa árvore crescer no deserto, eles sabem que onde tem uma acácia, ali
também tem um lençol freático suprindo suas raízes.
Não se vê a água, mas pelos frutos e as folhas verdes os viajantes sabem
que ali tem água. Na nossa vida ministerial, a água do Espírito nos supre
primeiro, para que depois possamos fornecer folhagem (conselhos), sombra
(palavras de refrigério), fruto (bom testemunho), lenha (suprimento da
Palavra) e tantos outros benefícios aos caminhantes do deserto da vida.
Feita de madeira de acácia e coberta totalmente por ouro puro batido. A
madeira de acácia é uma madeira dura e cheia de nós. Historiadores dizem
que essa madeira foi proveniente de uma árvore espinhosa do deserto e cheia
de imperfeições. Sabe-se que a acácia, apesar de tantas benesses, é espinhosa.
Isso mesmo, Deus nos faz lembrar da nossa humanidade, de quem somos.
Temos espinhos, somos falhos, não somos perfeitos, só carregamos a
mensagem de quem é perfeito, Cristo.
A humanidade de Cristo é revelada nessa madeira. E o ouro que a cobre
por inteiro, por dentro e por fora, é o símbolo de Sua divindade. Aquele que é
100% homem e 100% Deus.
Podemos espelhar essa imagem na igreja de Cristo. Somos a morada de
Deus por meio de Cristo e através do Espírito Santo. Fomos redimidos,
justificados e seremos glorificados com Cristo. Mas apesar desse
revestimento de gloriosa salvação (ouro puro) que nos cobre por dentro e por
fora, ainda somos humanos (acácia cheia de espinhos e imperfeita). Mesmo
assim, Deus escolheu trabalhar conosco, nos fazer Arca e nos revestir com o
melhor ouro (Espírito Santo).
Ao testemunharmos de Cristo e o Seu Evangelho, não temos o que dizer
de nossas experiências pessoais, por mais que pareçam extraordinárias. A
acácia não foi feita para aparecer. Se ela aparecer, certamente não é o modelo
que Deus arquitetou. “Que eu diminua, e o Senhor cresça.” (João 3:30).
A Arca era uma caixa, ou um aron em hebraico. O texto sagrado apresenta
cerca de 200 referências sobre aron. Aron Haêdut, ou “arca do testemunho”,
como em Êxodo 26:34 diz: “Porás o propiciatório sobre a arca do testemunho
no santo dos santos.” (JFA).
Ou chamada de Aron berith Yehovah, a “Arca da Aliança com Yehovah”,
como em Números 10:33: “Partiram, pois, do monte do SENHOR caminho
de três dias; a arca da Aliança do SENHOR ia adiante deles caminho de três
dias, para lhes deparar lugar de descanso.” (ARA).
Outras vezes chamada de Aron Yehovah, “Arca de Yehovah (Jeová)”,
como em 1 Samuel 6:19: “Feriu Jeová os homens de Bete-Semes, porque
olharam para dentro da arca de Jeová, sim, feriu deles setenta homens; então,
o povo chorou, porquanto Jeová fizera tão grande morticínio entre eles.”
(JFA).
E em Josué 3:6 ela é chamada de Aron Haberit, “Arca da Aliança”: “E
também falou aos sacerdotes, dizendo: Levantai a Arca da Aliança e passai
adiante do povo. Levantaram, pois, a arca da Aliança e foram andando
adiante do povo.” (ARA).
Ao analisarmos a raiz da palavra aron, facilmente encontraremos uma
ligação profunda dessa palavra com um sarcófago. Isso mesmo, aquele que
recebeu o corpo de José no Egito em Gênesis 50:26. A mesma palavra
hebraica foi usada no texto: “Morreu José da idade de cento e dez anos;
embalsamaram-no e o puseram num sarcófago no Egito.” (ACF).
Aqui está uma revelação bem profunda. Aquele que mais tarde seria
tipificado na Arca, deveria antes passar pela morte.
Outras duas arcas são citadas na Bíblia. A arca de Noé e a arca de Moisés.
Embora a palavra hebraica usada seja a mesma para essas duas arcas, não é
Aron, mas Tebah.
A Arca era a única peça do tabernáculo que era considerada santíssima.
Enquanto que todos os outros utensílios e o próprio tabernáculo eram
considerados santos. Ela era santíssima porque era um receptor da presença
de Deus.
PROPICIATÓRIO
O propiciatório era uma peça de muita importância, não era
exclusivamente uma tampa para a Arca, sua utilidade vai além. O
propiciatório era de ouro puro, não tinha madeira. Tinha sobre si a figura de
dois querubins, também feitos de ouro puro. Apontando a adoração do divino
feita por esses dois seres celestiais.
Esses querubins estendiam as suas asas e se tocavam, cobrindo toda a
Arca. As faces dos seres se espelhavam, voltadas para a Arca. Uma linda
figura de adoração, reverência e proteção. Eles estavam ali como guardiões
da glória do Senhor. E do meio dos querubins, Deus falava.
Os querubins podem ser facilmente associados com anjos de fogo ou
guerreiros celestiais. Eles fazem parte do tabernáculo. Não somente no
propiciatório, mas toda a cobertura interna, as cortinas, os véus e a porta da
entrada eram cobertos com suas gravuras.
Os querubins aparecem cerca de 90 vezes no Antigo Testamento. E são
citados pela primeira vez em Gênesis, capítulo 3, verso 24, que diz: “E
havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do Jardim do Éden os
querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para
guardar o caminho da árvore da vida.” (AA).
A existência de querubins guardando a santidade do Jardim do Éden e
querubins guardando a santidade da Arca nos leva ao primeiro lugar de
habitação de Deus com o homem. Sim, o Jardim do Éden era um tabernáculo.
Um Lugar Santíssimo onde Deus vinha para se encontrar e conversar com
Sua criação. Que Deus tremendo!
O Jardim do Éden era o lugar que Deus havia construído para ter plena
comunhão com o homem na terra. O tabernáculo veio parafazer essa função
até que Cristo, a verdadeira habitação de Deus, viesse e cumprisse o que
havia sido revelado por meio de sombras e alegorias. Assim como a árvore da
vida estava no centro do Jardim do Éden, o tabernáculo está no meio da
congregação, e a Arca da Aliança está literalmente colocada no meio do
tabernáculo.
O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo 10, verso 5, diz que: “Pelo
que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo
me preparaste;” (JFA). Cristo foi preparado como habitação do Senhor entre
nós, Seu povo. A Arca caminhou com o povo de Israel por muitas gerações.
E assim como a Arca esteve com Israel, o mestre Jesus está pronto para
caminhar conosco e nos garantir a vitória na jornada da vida até chegarmos à
Canaã celestial.
É importante atentarmos para a palavra “querubim” em hebraico. A
referência está no Dicionário Strong, na numeração 3742, como querub. A
palavra querubim está no plural. Apesar de nós não sermos familiarizados
com a sua forma singular, ela existe.
Algumas traduções inglesas, como a World English Bible, trazem a
palavra no singular, que seria algo como querub em português. Por algumas
vezes, o singular da palavra querubim , kerub aparece no texto sagrado
original, como em Êxodo 25:19: “Farás um querub numa extremidade e o
outro querub na outra extremidade.”.
Alguns teólogos e arqueólogos associam a palavra hebraica kerub ao
termo assírio quirubu. Esse termo dava nome a touros alados. Outros teóricos
não creem nessa associação com o termo assírio. É válido pensar na figura de
um ser guardião. Esses seres que desde os primeiros habitantes primitivos
foram moldados e colocados em lugar de destaque, como vemos em muito
material arqueológico. Talvez a humanidade tenha usado essa figura celestial
pelo fato de Deus usá-los desde a queda do homem, guardando a entrada do
Jardim do Éden.
O ofício dos querubins sempre foi o mesmo, o de proteger. Protegeram o
Jardim do Éden dos homens caídos e protegeram a Arca da Aliança dos
intrusos. Os querubins mantinham a árvore da vida e o caminho da vida
eterna bem guardados, até que a justiça divina fosse satisfeita em Jesus. “E
em Jesus temos livre acesso ao Pai. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.”
(João 14:6).
A verdade que o tabernáculo trouxe é imutável, Deus habita em meio aos
querubins: “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois
querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de
tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.” (Êxodo 25:22, ARA).
O apóstolo João, na ilha de Patmos, viu a habitação divina, rodeado de
seres e de querubins. Ele viu Cristo ressurreto, assentado em Seu trono de
glória. Ao redor do trono, viu coisas maravilhosas e difíceis de serem
entendidas, e em cada lado ele viu querubins. Guardiões do trono de Cristo:
“Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um
trono no céu e nele estava assentado alguém. Aquele que estava assentado era
de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma
esmeralda, circundava o trono, ao redor do qual estavam outros vinte e quatro
tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos
de branco e na cabeça tinham coroas de ouro. Do trono saíam relâmpagos,
vozes e trovões. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são
os sete espíritos de Deus. E diante do trono havia algo parecido com um mar
de vidro, claro como cristal. No centro, ao redor do trono, havia quatro seres
viventes cobertos de olhos, tanto na frente como atrás. O primeiro ser parecia
um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de homem, o
quarto parecia uma águia em voo. Cada um deles tinha seis asas e era cheio
de olhos, tanto ao redor como por baixo das asas. Dia e noite repetem sem
cessar: Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e
que há de vir.” (Apocalipse 4:2-8, NVI).
Os salmistas inspirados pelo Espírito Santo relataram as maravilhas dos
querubins e sua associação com a glória do Senhor. Salmos 18, verso 10 diz:
“Cavalgava um querubim e voou; sim, levado velozmente nas asas do vento.”
(ARA).
O salmo 99, verso 1 diz: “Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está
entronizado acima dos querubins; abale-se a terra.” (ARA).
O salmo 80, verso 1 diz: “Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a
José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra
o teu esplendor.” (NAA).
Isaías, em seu devocional, orou usando a figura dos querubins: “Ó
SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos
querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus
e a terra.” (Isaías 37:16, ARA).
Podemos usar o exemplo dos poetas e dos profetas e orar as maravilhas de
Deus em adoração.
RESGATE
A tampa que cobria a Arca da Aliança era chamada de propiciatório. Essa
palavra faz uma referência direta com o ato de cobrir uma dívida ou um
resgate. No hebraico é chamada de תרפכ (kapporeth), uma palavra que vem
da raiz kophar, que significa: Apaziguar, cobrir, pacificar e fazer propiciação.
O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa classifica propiciação como
sendo a ação ou efeito de propiciar; fazer com que seja propício ou aceito.
Está bem definido que todos os pecadores que ofereciam sacrifícios no
tabernáculo o faziam para apaziguar seus pecados. E Deus os considerava
propiciados, cobertos pela justiça por meio das ofertas. Deus aceitou essa
forma de justificação propiciatória de uma maneira suficiente e satisfatória,
até que Cristo viesse e a cumprisse. Cristo fez isso de forma completa,
aplacando a ira de Deus em relação às mazelas do pecado humano: “E ele é a
propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo.” (1 João 2:2, JFA).
A Arca e o propiciatório (que também era chamado de assento de
misericórdia) formavam uma só peça, um só ministério e um só Cristo. A
completude de Seu ato salvífico. Homem caído, Deus e um intercessor. A
premissa: criação, queda e redenção. O homem caído oferecendo sacrifícios
por seus delitos, e Deus o aceitando por meio de um intercessor.
A história de Israel com a Arca (me refiro à Arca e sua tampa) é
contagiante, são várias narrativas e todas elas nos contagiam por sua
profundidade. Não conseguirei citar todas as ocasiões, somente algumas
delas.
No caminho para Canaã, em sua jornada pelo deserto através da Arca que
estava na frente, o Jordão se abriu para o povo passar (Josué 3). E quando
rodearam Jericó para a possuir como herança, era a Arca que estava mais uma
vez na frente do povo, liderando a marcha ao redor dos muros da cidade, até
que eles caíram (Josué 6).
Anos mais tarde na história, a Arca foi tomada pelos filisteus nos tempos
do reinado de Saul e levada para território inimigo. Ao ser coroado, Davi, o
segundo rei de Israel, intenta trazer a Arca de volta para Israel. Usou técnica
militar, enviou um batalhão composto de 30 mil soldados altamente treinados
para que pudessem trazer a Arca de volta com extrema segurança.
Aquele dia foi uma decepção. Davi acreditou ser suficiente a força dos
seus valentes e um numeroso exército para proteger a Arca do Senhor. Que
tristeza! Davi não pensou como um adorador, estava agindo como um líder
político.
Resgataram a Arca e durante a trajetória, ela estava sendo carregada em
carro de boi. Infelizmente, Davi havia se esquecido de que ela não poderia ser
carregada pela força de bois, mas somente nos ombros de levitas coatitas.
A Arca balançava em cima da carruagem e Uzá, um sacerdote que
acompanhava a caravana, tenta segurá-la e morre. Ele era um dos filhos do
sumo sacerdote Abinadabe, um sacerdote que perdeu a vida por encostar na
Arca de forma indevida; certamente não foi instruído por seu próprio pai.
Toda a tropa, os valentes, sacerdotes e o rei Davi se entristecem. Com
temor, eles deixam a Arca na casa mais próxima do caminho e voltam para
Jerusalém. Estavam abatidos como quem perde a batalha (2 Samuel 6). E defato a perderam, pois não compreenderam a santidade do Senhor.
A Arca fica na casa de um homem chamado Obede-Edom, e por três
meses ela permaneceu ali. O relato bíblico diz que ele foi abençoado pela
presença da Glória e sua vida foi mudada. Curiosamente, o texto diz que
Obede-Edom era de Gate, uma cidade filisteia. Ele era um gitita. Um homem
considerado imundo pelos judeus. Ele era um gentio (2 Samuel 6:11). Mais
uma vez, vemos que Deus já estava dando uma pincelada de Sua Graça sobre
a humanidade. Um sacerdote é morto pela glória de Deus e um gitita é
abençoado pela glória de Deus, que paradigma. Que Deus de surpresas!
Davi fica sabendo que Obede-Edom estava sendo abençoado. E durante
aqueles três meses, ele pôde refletir sobre tudo o que havia acontecido
naquela tentativa frustrada de recuperar a presença de Deus para trazê-la de
volta à Jerusalém.
Finalmente seu coração é aberto para a graça divina. Davi reconhece que
não precisa de tropas, nem de valentes, mas de adoradores (2 Samuel 6:12-
13). Dessa vez, Davi vai ao encontro do Senhor de forma humilde e
desarmado. Ele vai despido de suas vestes reais, levando consigo somente os
coatitas, os adoradores, os músicos e as ofertas.
A cada seis passos de volta a Jerusalém com a Arca nos ombros, eles
sacrificavam ao Senhor. Se fizeram assim durante todo o percurso, não
sabemos, essa é uma possibilidade passiva. Alguns eruditos acreditam que foi
um sacrifício solene no início, e quando estavam em Jerusalém houve um
segundo ato sacrificial maior, feito de sacrifícios de holocausto e pacíficos.
Nós não sabemos ao certo como foi, mas podemos especular. O que o relato
deixa claro é que foi com adoração contínua: “E assim ele e todos os
israelitas levaram a arca da aliança para Jerusalém, com gritos de alegria e
sons de trombetas.” (2 Samuel 6:15, NTLH).
O TRANSPORTE
Ao levarem a Arca em carros de boi, foram malsucedidos, e na segunda
tentativa, quando usaram os ombros dos levitas coatitas, tudo ocorreu bem.
Pois bem, até para o manejo e transporte da Arca tinham instruções estritas de
como deveria ser feito.
A tribo de Levi era dividida em três clãs, sendo eles: os gersonitas, os
meraritas e os coatitas. Os gersonitas e os meraritas tinham carros de boi a
seu dispor para transportarem tanto as cortinas quanto as tábuas do
tabernáculo. E para esse ofício, eles se dispunham de 6 carros de boi e 12
bois: “Assim Moisés recebeu os carros e os bois, e os deu aos levitas. Dois
carros e quatro bois deu aos filhos de Gérson segundo o seu serviço; e quatro
carros e oito bois deu aos filhos de Merari, segundo o seu serviço, sob as
ordens de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.” (Números 7:6-8, AA).
Porém, os coatitas, o clã que era encarregado do transporte dos objetos
sagrados (dentre eles estava a Arca), não receberam nem carros e nem bois.
Deveriam usar os próprios ombros e sua força para o ofício. Deus não queria
que a Arca estivesse em cima de carros de boi: “Mas aos filhos de Coate não
deu nenhum, porquanto lhes pertencia o serviço de levar o santuário, e o
levavam aos ombros.” (Números 7:9, AA).
Números, capítulo 4 esclarece todo esse longo e complexo processo de
transporte dos objetos sagrados.
Os coatitas eram escolhidos quando jovens. Da idade de vinte e cinco anos
começavam como estagiários, e aos trinta anos serviam no tabernáculo até os
50 anos de idade. Precisavam ser maduros e ao mesmo tempo cheios de
juventude para essa árdua tarefa.
O verso 5 de Números 4 nos diz que o véu que separava o Santíssimo
Lugar era retirado pelo sacerdote Eleazar e colocado em cima da Arca e do
propiciatório para os cobrir. O verso 6 diz que depois dessa primeira
cobertura era colocada outra camada, desta vez as peles de texugo. E por
cima dessa pele colocavam um pano todo azul. Não era somente para
proteger a Arca, era principalmente para mantê-la coberta, sem ser vista ou
tocada.
Os coatitas nunca colocaram os olhos nem as mãos na Arca ou em nenhum
dos objetos sagrados que carregavam nos ombros. Eles tinham permissão
para tocar os varais cobertos de ouro que passavam pelas argolas que havia
na Arca e nos outros objetos sagrados.
Somos igreja de Cristo e precisamos compreender essa gloriosa função de
servir. Cristo habita em nós através do Espírito Santo. Portanto, partindo
dessa premissa, somos nós que carregamos a Sua glória para as nações. Nada
além disso. Na realidade, sentimos o ardor desse encargo nos ombros e não
nos foi revelada ainda a plenitude do que carregamos e anunciamos: “Agora,
portanto, enxergamos apenas um reflexo obscuro, como em um material
polido; entretanto, haverá o dia em que veremos face a face…” (1 Coríntios
13:12, KJA).
Nossos olhos ainda não viram a beleza radiante da Arca (Jesus) e nossas
mãos ainda não apalparam a Arca (Jesus). Mas um dia O veremos face a face.
Nossos ombros sabem muito bem o peso de estar carregando a glória. Os
calos nos nossos ombros fazem parte desse ofício sagrado. É para doer
mesmo! Jesus disse que deveríamos negar a nós mesmos e carregar a cruz.
A glória não é nossa. Não temos domínio sobre ela. Apenas a temos em
nossos ombros por um curto período de tempo nesta caminhada da vida.
Capítulo 16
DENTRO
DA
ARCA
Dentro da Arca, Moisés depositou três objetos. Dois desses objetos foram
colocados ali ao longo da caminhada. As tábuas da Lei foram colocadas no
primeiro dia, para serem guardadas e protegidas. O pote de maná foi
colocado a pedido do próprio Deus:
“Disse Moisés: O Senhor ordenou-lhes que recolham um jarro de maná e
que o guardem para as futuras gerações, para que vejam o pão que lhes dei no
deserto, quando os tirei do Egito. Então Moisés disse a Arão: Ponha numa
vasilha a medida de um jarro de maná, e coloque-a diante do Senhor, para
que seja conservado para as futuras gerações.” (Êxodo 16:32-33, NVI).
O cajado de Arão foi colocado lá dentro depois de uma amostra de milagre
para os príncipes das tribos: “O Senhor disse a Moisés: ‘Ponha de volta a
vara de Arão em frente da arca das tábuas da aliança, para ser guardada como
uma advertência para os rebeldes. Isso porá fim à queixa deles contra mim,
para que não morram’.” (Números 17:10, NVI).
As tábuas da Lei, um pote (de barro ou de ouro) com maná e o cajado do
sumo sacerdote Arão. “Nessa Arca estavam o vaso de ouro contendo o maná,
a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança.” (Hebreus 9:4, KJA).
AS TÁBUAS
As tábuas da Lei foram os primeiros objetos do tabernáculo, elas foram
recebidas por Moisés no Monte Sinai, mesmo antes da construção do
tabernáculo. E elas foram as únicas peças que permaneceram dentro da Arca
no Templo construído por Salomão. Provavelmente, os outros dois objetos se
perderam pelas jornadas que a Arca fez ao longo da história.
O período de tempo entre instituição do tabernáculo e Templo de Salomão
é realmente longo. Entre a construção do tabernáculo e a instituição do
Templo foram aproximadamente trezentos anos.
“Na Arca não havia coisa alguma senão as duas tábuas que Moisés ali
tinha posto em Horebe, quando o Senhor fez um pacto com os filhos de
Israel, ao saírem eles do Egito.” (2 Crônicas 5:10, JFA). Entendemos que os
julgamentos de Deus sempre permaneceram dentro da Arca, provando que o
homem, mesmo sendo pecador, alcança misericórdia divina.
Somos pecadores e mortais, isto é uma das grandes verdades reveladas a
nós pelo próprio Deus. O apóstolo Paulo em uma de suas cartas à igreja de
Corinto diz que o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei.
Isso mesmo, a Lei prova para nós que somos pecadores. Sem a Lei não
haveria conhecimento do pecado: “O aguilhão da morte é o pecado, e a força
do pecado é a Lei.” (1 Coríntios 15:56, ACF).
Como essa Lei que me acusa é misericordiosa? A resposta é: a Lei mostra
misericórdia pelo fato de estar dentro da Arca protegida pela glória de Deus,
debaixo do propiciatório e dos querubins que a escondem.
O propiciatório é também chamado de “assento de misericórdia”. É essa
misericórdia que faz com que as punições sejam desviadas do pecador. As
misericórdiasdo Senhor são a causa de não sermos consumidos. Nunca se
esqueça dessa verdade.
Nesse lugar de glória e misericórdia é onde Deus se encontra com o
homem no tabernáculo. Ali entre os querubins, rodeado por uma densa
nuvem de glória, Ele fala com Seu povo e os perdoa.
Partindo dessa premissa, compreendemos que a misericórdia nos dá acesso
a Deus, e não à Lei (os julgamentos divinos são severos, são um jugo
pesado). É importante termos bem esclarecida essa verdade divina em nosso
coração e saber que a Lei foi totalmente cumprida por Cristo. E por Cristo
somos justificados diante da Lei. Não passaríamos no teste da perfeição da
Lei para sermos santificados. Isso seria impossível cumprirmos com exata
perfeição.
As tábuas traziam em si mesmas, encravadas, os mandamentos divinos. O
rei e poeta Davi disse que guardou as palavras do Senhor em seu coração.
Anos mais tarde, o apóstolo Paulo introduz esse conceito para a igreja. Ele
nos mostra que o verdadeiro cristão traz em si, encravados em seu coração, os
mandamentos de Deus. E estes não podem se perder. “Sendo manifestos
como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o
Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do
coração.” (2 Coríntios 3:3, AA).
O MANÁ
Um pote com o maná deveria ser colocado na Arca da Aliança. Essa
porção seria guardada para as gerações futuras. A Septuaginta diz que era um
pote afunilado no topo, e o escritor da carta aos Hebreus diz que era um pote
de ouro “[...] na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara
de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto.” (Hebreus 9:4, AA).
O maná foi o alimento dado por Deus para os caminhantes do deserto. Por
40 anos, eles comeram do pão do céu. Paulo diz que: “Todos comeram do
mesmo alimento espiritual.” (1 Coríntios 10:3, KJA).
Era estipulada uma medida certa para cada família, uma porção diária.
Ninguém pegava sobejando ou pegava tão pouco que não fosse suficiente
para se alimentar naquele dia. A ordem era que às sextas-feiras eles
recolhessem porção dobrada. Pois no sábado, o maná não caía. Sábado era o
dia dedicado ao Senhor, dia de descanso.
E desse maná, o sumo sacerdote Arão recolheu um pote equivalente a um
ômer, ou seja, um vaso cheio equivalente à porção diária de um homem, e
colocou na Arca. Ele fez obedecendo instruções divinas.
A medida exata do maná fala da completude do ato salvífico de Cristo
para o homem todo. Quando digo todo, me refiro à estrutura física, espiritual,
sentimental, moral e intelectual humana. Somos afetados pela salvação em
todas as áreas da nossa vida. O texto é enfático quando diz que: “Foi isto que
o SENHOR ordenou: ‘Enchei deste alimento um jarro equivalente a um
ômer, a fim de conservá-lo para vossas futuras gerações, para que possam ver
o pão que vos dei no deserto, quando vos tirei da terra do Egito!’” (Êxodo
16:32, KJA).
O maná se perdia ao ser armazenado e derretia com o calor do sol. Mas o
maná que estava na Arca não se estragou. Essa é uma ilustração do que Deus
pode fazer com o que não podemos preservar sem Sua presença. Uma
pincelada de Sua Graça demonstrada aos homens.
O que é o maná? Qual seu sabor? Essas perguntas são respondidas quando
lemos o capítulo 16 de Êxodo.
O texto diz que o maná descia do céu para Israel junto com o orvalho da
noite desértica. De manhã, quando o orvalho se evaporava, flocos finos
semelhantes à geada estavam sobre a superfície (tradução NVI). Segundo a
tradução bíblica NTLH, ele se parecia com escamas pelo chão, fino como
geada: “Quando o orvalho secou, por cima da areia do deserto ficou uma
coisa parecida com escamas, fina como a geada no chão.” (Êxodo 16:14).
Os israelitas, quando viram esse fenômeno pela primeira vez, não sabiam
o que era. Moisés os ensinou que aquilo era o pão do céu, a providência
divina. E que cada um recolhesse um ômer para cada membro da família. O
ômer era uma medida de capacidade para grãos equivalente a 2 ou 4 litros.
Ou seja, uma medida em um jarro de barro, afunilado no topo,
frequentemente usado nos tempos antigos para armazenamento de
mantimentos secos.
Era saboroso, cheiroso e branco. O texto sagrado nos diz que o maná era
branco como semente de coentro, com sabor de bolo fino de mel. E em
Números, capítulo 11 temos uma descrição do cheiro do maná: “Era o maná
como semente de coentro, e a sua aparência, semelhante à de bdélio.”
(Números 11:7, ARA).
Semelhante ao bdélio. O que é isso? O bdélio é uma resina perfumada
produzida por uma espécie de árvores relacionadas à mirra, e era usada no
antigo Oriente Médio para confecção de perfumes. De alguma forma, era
como semente de coentro e como o bdélio, uma resina perfumada, e tinha
sabor de mel.
O maná tinha cor, sabor, fragrância e textura. Era branco e como semente
de coentro. Tinha sabor de mel. E tinha uma fragrância comparada com a
resina do bdélio.
Como Israel preparava os alimentos com o maná? A narrativa bíblica nos
diz que o povo tinha um certo trabalho para fazer com relação à preparação
de alimento com o maná. O texto diz que “Eles o moíam em moinhos ou o
socavam em pilões, cozinhavam numa panela e faziam pães achatados que
tinham gosto de pão assado com azeite.” (Números 11:8, NTLH).
Mesmo diante do que Jesus fez por nós na cruz, ainda temos alguns
processos éticos de conduta a vivermos diariamente. Não basta ter o maná
(Jesus, a Palavra), temos que praticar os Seus ensinos. E praticar os
ensinamentos de Jesus requer de nós renúncia diária, disposição de vida ética
e correta diante da sociedade e de Deus.
Jesus compara a vida humana como uma casa. Uma dessas casas está sem
fundamentos, apesar de, aparentemente, ninguém perceber, e ela cai com as
adversidades da vida. A outra casa, que está firmada em fundamento sólido, o
que esteticamente no seu exterior ninguém vê, não cai com as adversidades
da vida. E essa casa firmada na rocha, Jesus diz ser os prudentes. Aqueles que
ouvem e praticam Seus ensinos.
“Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?
Eu lhes mostrarei com quem se compara aquele que vem a mim, ouve as
minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa,
cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a
torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava
bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é
como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No
momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua
destruição foi completa.” (Lucas 6:46-49, NVI).
E como o povo reclama de tudo, até mesmo o maná foi alvo de revolta e
murmuração. Algumas pessoas que vieram do Egito com o povo de Israel, os
estrangeiros no meio deles, começaram a reclamar. E influenciaram os
israelitas a murmurarem e desejarem alimento egípcio novamente:
“Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos,
dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. Mas agora a nossa alma se
seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.” (Números
11:5-6, AA).
Infelizmente, o que o Senhor fez é ligeiramente esquecido quando existe o
contato com o engodo das bocas caluniadoras. Ao darmos ouvidos aos
estrangeiros, aos egípcios (aos bodes, ao joio) que querem e insistem em
andar com Israel (as ovelhas, o trigo, a igreja), mas não são parte do povo,
certamente nos desviaremos dos planos originais de Deus.
O maná gotejava sobre a areia do deserto gratuitamente, e Provérbios
19:12 diz que o favor do rei é como o orvalho sobre a erva: “A ira do rei é
como o rugido do leão, mas a sua bondade é como o orvalho sobre a relva.”
(NVI). Vemos a simbologia da Graça imerecida que chega todas as manhãs
sobre Seu povo.
O poeta, no salmo 119:103, diz que as palavras de Deus são doces como
mel ao paladar: “Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais
que o mel para a minha boca!” (NVI). E o Apóstolo João escreve em
Apocalipse 2:17 que os salvos na glória eterna irão comer do maná
escondido:“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao
vencedor darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedra branca com
um novo nome nela inscrito, conhecido apenas por aquele que o recebe”
(NVI).
É isso mesmo, a igreja arrebatada se alimentará do pão do céu. Que
maravilha! O maná é Cristo, Ele mesmo afirmou isso. O maná é a comida do
céu, ou a comida dos anjos. Simbolismo também da Palavra de Deus. “Não
só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”.
Neste momento, enquanto caminhantes da jornada da vida, você e eu
somos alimentados com maná do céu. Nosso mestre Jesus disse: “Eu Sou o
pão do céu”.
Em Seu ministério terreno, em um contexto de multiplicação de pães e
milagres, Jesus é interrogado com relação ao pão que descia no deserto, o
maná. Vejamos o que nos diz o texto em João, capítulo 6, versos 32-35 e 58:
“Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos
deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão
de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois:
Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida;
aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o
maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (ACF).
A certeza absoluta que temos é que a igreja de Cristo continua se
alimentando dEle. Ainda não chegamos à Canaã celestial. Acreditamos que
enquanto durar nossa caminhada, manteremos comunhão com nosso alimento
diário, Jesus.
Nossa fraqueza absorve de Sua força, nossa impaciência absorve de Seu
sofrimento, nossa inquietação absorve de Sua calma e mansidão, nossa
ignorância absorve de Sua sabedoria. Pois Ele foi feito para nós sabedoria,
justiça, redenção e santificação. Seu corpo é o alimento que nos torna fortes,
Seu sangue é a verdadeira bebida que nos alegra o coração e nos sacia a alma.
O MANÁ CESSOU
O maná cessou! Assim diz o texto de Josué, capítulo 5 e verso 12. O pano
de fundo da narrativa é este: Logo após entrarem em Canaã, depois de
cruzarem o rio Jordão com pés enxutos, eles se acamparam e aos poucos
foram conquistando. Um dia depois de comerem do produto da terra, o maná
cessou. Já não havia maná para os israelitas, e naquele mesmo ano eles
comeram do fruto da terra de Canaã.
O texto diz que no décimo quarto dia do Nissan, ou o primeiro mês, foi
comemorada a páscoa. No décimo quinto dia, Israel comeu do fruto da terra
de Canaã, e no dia seguinte, no décimo sexto dia, o maná cessou.
É imprescindível notarmos que Cristo ressuscitou no décimo sexto dia do
primeiro mês. Cumpriu Seu ofício como homem e logo depois ascendeu-se
ao céu. O pão divino havia cumprido a Sua missão.
Curiosamente, o maná surgiu como provisão divina pela primeira vez no
décimo sexto dia do segundo mês do primeiro ano de Israel no deserto: “Aos
quinze dias do segundo mês depois que saíram da terra do Egito; e amanhã
vereis a glória do Senhor, porquanto ele ouviu as vossas murmurações contra
o Senhor.” (Êxodo 16:1,7).
Por aproximadamente 39 anos e 11 meses, o maná caiu todas as manhãs,
com exceção dos sábados. Êxodo 16:26 diz: “Seis dias o colhereis, mas o
sétimo dia é o sábado; nele não haverá” (ARC).
O maná cessou! Gostaria de aguçar seu conhecimento para um fator
iminente dessa verdade.
Existem 4 leis levíticas que não tinham influência sobre a condição do
povo no deserto, eram específicas para quando entrassem em Canaã. São
elas:
SOBRE A LEPRA, em Levítico 14:34, que diz: “Quando vocês entrarem na
terra de Canaã, que lhes dou como propriedade, e eu puser mancha de mofo
numa casa, na terra que lhes pertence.”.
SOBRE O FRUTO, em Levítico 19:23, que diz: “Quando vocês entrarem na
terra e plantarem qualquer tipo de árvore frutífera, considerem proibidas as
suas frutas. Durante três anos vocês as considerarão proibidas; não poderão
comê-las.”.
SOBRE A COLHEITA, em Levítico 23:10, que diz: “Diga o seguinte aos
israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou e fizerem colheita,
tragam ao sacerdote um feixe do primeiro cereal que colherem.”.
E SOBRE O DESCANSO DA TERRA, em Levítico 25:2, que diz: “Diga o seguinte
aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra
guardará um sábado para o Senhor.”.
Como alinhar o texto de Josué 5:10-12, que diz:
“Os israelitas estavam acampados em Gilgal, na planície em volta da
cidade de Jericó, e ali comemoraram a Páscoa na noite do dia catorze do
primeiro mês. No dia seguinte comeram alimentos daquela terra: cereais
torrados e pão sem fermento. Depois disso, os israelitas não tiveram mais o
maná porque ele parou de cair do céu. Desse ano em diante, eles começaram
a comer os alimentos da terra de Canaã.” (NTLH).
Com o texto de Levítico 19:23-25, que diz:
“Quando vocês estiverem morando na terra de Canaã e plantarem árvores
frutíferas, não comam as frutas que as árvores derem nos primeiros três anos;
essas frutas são impuras. No quarto ano as frutas serão dedicadas a mim, o
SENHOR, como oferta de louvor. No quinto ano vocês poderão comer as
frutas, e assim as árvores produzirão cada vez mais. Eu sou o SENHOR, o
Deus de vocês.” (NTLH)?
Eis que surge uma dúvida: Eles comeram do fruto da terra no mesmo ano,
ou no quinto ano?
Os judeus acreditam que as árvores madeireiras impróprias para
alimentação e que crescem sozinhas plantadas pelos cananeus estavam
isentas dessa lei, pois foram plantadas antes que Israel tomasse a terra. E que
essa lei se aplica a árvores frutíferas, como cidra, oliveiras e figueiras.
Os frutos que já estavam em Canaã eram contados como impuros ou
incircuncisos. Um fruto desqualificado ou impróprio.
A ato de circuncidar é o fato de retirar o prepúcio do órgão sexual do
menino ainda recém-nascido. A incircuncisão de uma criança dura até o
oitavo dia. No oitavo dia, a criança do sexo masculino era consagrada e
circuncidada. Era cortado o seu prepúcio.
Como pode haver fruto incircunciso? É preciso salientar que Deus usa essa
palavra como metáfora para certo tipo de pessoas também. Pessoas que
ouvem coisas impuras. Sendo assim, o fruto incircunciso era um fruto
impróprio, desqualificado. “Como também o Egito, Judá, Edom, Amom,
Moabe e todos os que rapam a cabeça e vivem no deserto; porque todas essas
nações são incircuncisas, e a comunidade de Israel tem o coração obstinado.”
(Jeremias 9:26, NVI).
O CAJADO
O cajado do sumo sacerdote Arão também estava dentro da Arca. O cajado
é o símbolo da autoridade outorgada por Deus a Arão e à sua descendência,
como sendo eles os sacerdotes escolhidos para o ministério do santuário.
Símbolo da eleição divina.
Como o cajado de Arão veio a ser guardado dentro da Arca? Para
entendermos o que aconteceu é preciso analisar os seguintes textos: Números,
capítulo 16 e 17. O texto diz que houve uma grande rebelião no meio do povo
que caminhava pelo deserto. Dentre os rebelados, seus líderes se destacaram:
Corá, Datã e Abirão. A questão levantada entre os rebelados era a escolha
irrevogável de Deus para o sacerdócio. Eles também queriam o direito de
ministrarem diante do Senhor como sacerdotes.
O texto sagrado nos diz que a descendência de Corá era levita, do clã dos
coatitas. Os coatitas eram os incumbidos de carregarem os utensílios sagrados
em seus ombros, mas isso já não era o suficiente para ele. Corá queria fazer o
que o sumo sacerdote fazia. O coração de Corá, assim como o coração de
Lúcifer (se é que Lúcifer tem um coração), foi o local escolhido para o
orgulho crescer. Lúcifer queria a glória, o ministério, o poderio e o lugar de
Cristo. Corá seguiu por esse mesmo caminho. Carregar a glória já não lhe
bastava, ele queria ter o lugar do seu intercessor, Arão, o sumo sacerdote, tipo
de Cristo.
O pecado do orgulho e soberba é, por várias vezes, citado nas Escrituras.
Por meio dele, homens com grandes talentos e chamados de “Deus” caíram
nos engodos desse mal. O orgulhoso encontra pelo caminho uma grande
muralha,a própria mão do Senhor, que se estende e o limita.
Tiago, o apóstolo e irmão de Jesus, nos diz que Deus resiste aos soberbos:
“Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: Deus se opõe aos
orgulhosos, mas concede graça aos humildes.” (Tiago 4:6, NVI).
A igreja contemporânea tem vivido essa depravação moral nos púlpitos.
Homens e mulheres, pregadores e ministrantes sobem nos altares das igrejas
e vomitam seu orgulho exacerbado. O que fazer? Sinceramente, não há o que
fazer, a não ser orar.
Percebemos que quando esses orgulhosos são desafiados ou afrontados em
suas maldades, eles se defendem acusando e difamando a qualquer um que
cruze seus caminhos. Com os tais “Corás” da igreja contemporânea, devemos
fazer o que Moisés fez: clamar ao Senhor e pedir ajuda a Ele. É preciso nos
lembrarmos que quem tira o joio do meio do trigo são os anjos do Senhor:
“Ele respondeu: Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O
campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do Reino. O joio são os
filhos do Maligno, e o inimigo que o semeia é o Diabo. A colheita é o fim
desta era, e os encarregados da colheita são anjos. Assim como o joio é
colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O
Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que
faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na
fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos
brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça.”
(Mateus 13:37-43, NVI).
Pelo pedido de Moisés, houve intervenção divina. Os rebeldes são
chamados para um julgamento e sentenciados. Naquele dia, houve muita
morte no arraial.
Para resolver a questão de sacerdócio de uma vez por todas, o próprio
Deus pede a todos os líderes, um de cada tribo em Israel, que levem seus
cajados até o tabernáculo e os entreguem a Moisés. Lembrando que todos os
israelitas ao saírem do Egito portavam suas varas ou cajados em suas mãos.
A Sagrada Escritura diz que estavam com os lombos cingidos, os sapatos nos
pés e o cajado na mão: “Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos,
os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis
apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.” (Êxodo 12:11, AA).
A ordem foi que os cajados estivessem diante da Arca, dentro do
Santíssimo Lugar, na presença da glória por uma noite inteira. O cajado que
florescesse, este seria a tribo escolhida por Deus para o sacerdócio. O texto
nos conta que o cajado de Arão, além de florescer, deu brotos e fruto.
Estamos diante de um texto bíblico bem intrigante. Um milagre, uma
maravilha. O cajado estava sequíssimo, cortado de seu tronco já havia muitos
anos e sem vida em si mesmo. Como pôde isso acontecer? Brotos, flor e
frutos.
A primeira palavra que nos salta à boca é: ressurreição! Deus estava
mostrando através dessa maravilha o que vai acontecer com Sua igreja no dia
do arrebatamento. Sim, seremos transformados em um abrir e fechar de
olhos: “[...] num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última
trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós
seremos transformados.” (1 Coríntios 15:52, NVI).
Com corpos gloriosos subiremos para habitar com Cristo. Ressurreição!
Esta é a palavra exata para esse milagre. O milagre da ressurreição.
O cajado de Arão floresce, dá seus frutos, brotos e flores. Símbolo de
ressurreição e vida. Símbolo de autoridade sacerdotal e símbolo da escolha
divina. Esse cajado é o que está guardado dentro da Arca. Um cajado cortado
de uma amendoeira, que um dia passou por uma limpeza, foi levado para se
secar ao sol. Um cajado que foi usado por anos e anos e agora, ao ser levado
diante do Senhor, floresce e dá seus frutos. Oh, Glória!
Diante da presença de Jeová daremos nossos frutos, e não por nós
mesmos, mas por Sua graça e misericórdia. Não importa o quanto a vida
tenha sido dura conosco. Sempre haverá esperança na presença do Senhor.
COMEÇA POR SI
Até aqui enfatizamos muitos detalhes especiais, mas não todos eles. Existe
muita beleza no tabernáculo e em seus objetos. O tabernáculo certamente é
um lugar onde tudo aponta para Cristo e Seu ministério. E não há como
passarmos despercebidos por ele.
A madeira de acácia: O ministério terreno de Cristo homem.
O ouro puro: A divindade de Jesus Cristo.
O maná: O pão da Vida, a Palavra, que é Cristo.
A vara de Arão: Cristo ressurreto.
As tábuas: O Cristo perfeito em Suas obras.
Podemos notar que ao longo da história, Deus sempre começa por Si.
Em Gênesis 1, vemos Deus como o agente Criador. Na oração (modelo),
Jesus nos ensinou que deveríamos começar clamando ao Pai.
E não é diferente no tabernáculo. O primeiro objeto a ser construído
para compor os móveis do tabernáculo foi a Arca, certamente porque ela
carregaria ou portaria a presença do Pai.
Jesus é essa Arca. O Emanuel. O Deus conosco. Deus sempre começa
com Ele mesmo. Ele é o princípio e o fim de todas as coisas. “Todas as
coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.”
(João 1:3, ACF).
Por que Deus começou o tabernáculo com a Arca da Aliança? A
resposta é simples: Ele estava construindo um lugar aonde viria e
habitaria com Seu povo. E nesse encontro entre divino e terreno, a
misericórdia faz com que as punições sejam desviadas para longe.
Esse lugar (entre os querubins) é onde Deus fala conosco, através de
um encontro pessoal. Se o propiciatório não estivesse disponível,
certamente não poderíamos ter acesso a Deus. É a Graça ou a
misericórdia que nos garante esse acesso ao Pai, e não o julgamento. O
julgamento, o sacerdócio, a provisão sacrificial e a Lei foram cumpridos
em Jesus para que a Graça tivesse primazia.
AS CORTINAS
“Farás o tabernáculo, que terá dez cortinas, de linho
retorcido, estofo azul, púrpura e carmesim; com querubins,
as farás de obra de artista. O comprimento de cada cortina
será de vinte e oito côvados, e a largura, de quatro côvados;
todas as cortinas serão de igual medida. Cinco cortinas
serão ligadas umas às outras; e as outras cinco também
ligadas umas às outras. Farás laçadas de estofo azul na orla
da cortina extrema do primeiro agrupamento; e de igual
modo farás na orla da cortina extrema do segundo
agrupamento. Cinquenta laçadas farás numa cortina, e
cinquenta, na outra cortina no extremo do segundo
agrupamento; as laçadas serão contrapostas uma à outra.
Farás cinquenta colchetes de ouro, com os quais prenderás
as cortinas uma à outra; e o tabernáculo passará a ser um
todo.” (Êxodo 26:1-6, ARA).
Capítulo 17
As cortinas, assim como todas as medidas do tabernáculo, foram medidas em
côvados. Seguindo a ordem citada no texto acima, começando de dentro do
tabernáculo para fora, as cortinas estão na seguinte sequência: as dez
primeiras cortinas são de linho branco puro com bordados em azul, púrpura e
carmesim, com desenhos de querubins. Essa é a beleza que o sumo sacerdote
contempla lá de dentro do recinto sagrado. Essas cortinas são ligadas umas às
outras em dois grupos por meio de laçadas de pano azul, e depois unidas por
meio de cinquenta colchetes de ouro. Esta é a primeira camada.
A segunda camada de cortinas é composta por onze cortinas feitas de pelos
de cabra que serão ligadas umas às outras por colchetes de cobre. Essa
camada de cortinas é maior que a primeira, pois tem onze cortinas, e por isso
ela tocava o chão. Era uma proteção para a primeira camada de cortinas
bordadas:
“Faça uma cobertura para a Tenda, com onze pedaços de pano feito de
pelos de cabra. Os pedaços deverão ter o mesmo tamanho, medindo treze
metros e trinta de comprimento por um metro e oitenta de largura. Costure
cinco pedaços uns nos outros, formando uma peça, e os outros seis, formando
outra peça, ficando o sexto pedaço dobrado na parte da frente da Tenda.
Ponha cinquenta laçadas na beirada do último pedaço da primeira peça e
cinquenta laçadas na beirada da outra peça. Faça também cinquenta
prendedores de bronze e passe esses prendedores nas laçadas, juntando assimas duas peças uma com a outra para que formem uma cobertura só. A metade
da cortina que sobrar ficará pendurada na parte de trás da Tenda. Os quarenta
e cinco centímetros que sobrarem de cada lado do comprimento das cortinas
ficarão de um lado e do outro para cobrir a Tenda.” (Êxodo 26:7-13, NTLH).
A terceira camada era de peles de carneiro tingidas de vermelho, e a quarta
camada é de peles de texugo, ou golfinho. Essas cortinas tinham o dever de
proteger e dar durabilidade à toda a estrutura. Uma preservação quanto ao
clima desértico, à poeira, aos fortes ventos e à chuva: “O Senhor criará sobre
todo o monte Sião e sobre aqueles que se reunirem ali uma nuvem de dia e
um clarão de fogo de noite. A glória tudo cobrirá e será um abrigo e sombra
para o calor do dia, refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.”
(Isaías 4:5-6, NVI).
As cortinas de texugo eram presas ao chão por meio de cordas e estacas de
bronze: “Todos os utensílios do tabernáculo em todo o seu serviço, e todas as
suas estacas, e todas as estacas do átrio serão de bronze.” (Êxodo 27:19, AA).
Estamos falando de uma estrutura high tech para o tempo em que foi
construída. O tabernáculo foi arquitetado para passar por várias condições
climáticas do deserto, ser montado e desmontado quando necessário. Ele era
um templo móvel.
As cortinas usadas para o véu que separava o Santíssimo Lugar e as
cortinas da entrada do Santo Lugar, e as cortinas da porta principal do pátio
eram feitas da mesma forma que as cortinas da primeira camada. Feitas de
linho puro, com bordados de querubins em azul, púrpura e carmesim.
As cortinas que delimitavam os limites do pátio eram de linho puro,
demarcavam o espaço externo do átrio, eram presas em colunas. As colunas
estavam firmadas em base de bronze e continham ganchos e ligaduras de
prata para que passassem as cordas que ajudariam suportar a estrutura.
A única porta de acesso ao tabernáculo era de linho fino bordado, bem
colorida. Não tinha como errar a entrada.
ILUMINAÇÃO
O sol era a luz dos que adentravam no pátio trazendo suas ofertas. O
candelabro era a luz dos levitas que ofereciam os incensos e libações no
Santo Lugar. E a glória de Deus era a luz do sumo sacerdote enquanto ele
adentrava no Santíssimo Lugar.
Deus não fez cortinas rasgadas ou furadas para que a haja reflexos da luz
natural. Pelo contrário, nos ambientes sagrados não há espaço para a luz que
brilha lá fora. Igreja, cuidado com as propostas do idealismo ecumenista
contemporâneo.
As divisões do tabernáculo nos fazem pensar no processo ministerial. No
pátio somos aceitos como estamos. No Santo Lugar temos muito serviço a
fazer, temos ministério, chamado e vocação. No Santíssimo Lugar adoramos
a Deus, completamente rendidos na comunhão dessa glória. E esse momento
acontecerá na eternidade, pois chegará o momento em que moraremos com o
Senhor, e Apocalipse 21:3 diz: “E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que
dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles
habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles”.
O que faremos no céu? Teremos plena comunhão com Deus e O
adoraremos.
A MESA DOS PAES ASMOS
Capítulo 18
“Faça uma mesa de madeira de acácia com noventa centímetros de
comprimento, quarenta e cinco centímetros de largura e setenta centímetros
de altura. Revista-a de ouro puro e faça uma moldura de ouro ao seu redor.
Faça também ao seu redor uma borda com a largura de quatro dedos e uma
moldura de ouro para essa borda. Faça quatro argolas de ouro para a mesa e
prenda-as nos quatro cantos dela, onde estão os seus quatro pés. As argolas
devem ser presas próximas da borda para que sustentem as varas usadas para
carregar a mesa. Faça as varas de madeira de acácia, revestindo-as de ouro;
com elas se carregará a mesa. Faça de ouro puro os seus pratos e o recipiente
para incenso, as suas tigelas e as bacias nas quais se derramam as ofertas de
bebidas. Coloque sobre a mesa os pães da Presença, para que estejam sempre
diante de mim.” (Êxodo 25:23-30, NVI).
A mesa dos pães asmos se encontra no Lugar Santo, na segunda divisão do
tabernáculo. No Lugar Santo havia três objetos sagrados: a mesa dos pães
asmos, o altar de ouro (incensário) e o candelabro (menorah).
A mesa dos pães asmos era feita de madeira de acácia, toda coberta de
ouro com adornos ao redor e emoldurada com coroas de ouro. Suas medidas
eram de 1 metro de comprimento por 50 cm de largura e 75 cm de altura.
Quais são os alimentos que vão em cima dessa mesa, somente pão asmo?
Não. A Sagrada Escritura diz que tem pão e vinho. Isso mesmo. Os
elementos usados na última ceia de Jesus. “Faça os pratos, os copos, as taças
e as jarras que serão usados para as ofertas de vinho. Tudo isso deverá ser
feito de ouro puro. A mesa será colocada na frente da arca da aliança, e em
cima da mesa estarão sempre os pães sagrados que são oferecidos a mim.”
(Êxodo 25:29-30, NTLH).
Outra versão do texto diz que a mesa tinha doze pães e vinho. “Também
farás os seus pratos, e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigelas
com que se hão de oferecer libações; de ouro puro os farás. E sobre a mesa
porás o pão da proposição perante a minha face perpetuamente.” (Êxodo
25:29-30, ACF).
Qual o propósito desse objeto no tabernáculo? A resposta está em João,
capítulo 6 e verso 35, quando Jesus faz menção de Si como sendo o pão da
presença, e Seu sangue seria derramado para expiação. Mateus 26:26-28 nos
fala do que Jesus fez em Sua ceia particular com Seus discípulos:
“Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e, tendo dado graças, partiu-o e
deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei; este é o meu corpo. Tomando o
cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque este é o
meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão
de pecados” (TB).
JESUS, O PÃO DA PRESENÇA
Existem vários textos que fazem uma descrição sobre o Messias. Neste
momento, quero me apegar a dois deles, pois aparentemente são discordantes.
Em Cantares 5:10-16, Ele é o desejado:
“O meu amado tem a pele bronzeada; ele se destaca entre dez mil. Sua
cabeça é como ouro, o ouro mais puro; seus cabelos ondulam ao vento como
ramos de palmeira; são negros como o corvo. Seus olhos são como pombas
junto aos regatos de água, lavados em leite, incrustados como joias. Suas
faces são como um jardim de especiarias que exalam perfume. Seus lábios
são como lírios que destilam mirra. Seus braços são cilindros de ouro com
berilo neles engastado. Seu tronco é como marfim polido adornado de safiras.
Suas pernas são colunas de mármore firmadas em bases de ouro puro. Sua
aparência é como o Líbano; ele é elegante como os cedros. Sua boca é a
própria doçura; ele é mui desejável. Esse é o meu amado, esse é o meu
querido, ó mulheres de Jerusalém.” (NVI).
E em Isaías 53:2-11, Ele é o desprezado:
“Ele cresceu diante dele como um broto tenro, e como uma raiz saída de
uma terra seca. Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse,
nada havia em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e
rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento.
Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós
não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas
enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos
castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado
por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas
iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas
feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um
de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a
iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a
sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha
que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com
julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus
descendentes? Poisele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da
transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os
ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma
violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca. Contudo, foi da
vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito
da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias,
e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua
alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo
justificará a muitos, e levará a iniquidade deles.” (NVI).
O pão do céu que alimenta multidões é desejado e saboroso, precisou
passar por um processo dolorido. O grão de trigo precisa ser amassado para
que dele se extraia a flor de farinha. O apóstolo João fala desse grão de trigo
ser amassado: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva-
me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai,
glorifica o teu nome! Então veio uma voz dos céus: ‘Eu já o glorifiquei e o
glorificarei novamente’.” (João 12:27-28, NVI).
Esse grão de trigo morre para gerar vida. “Chegou a hora de ser julgado
este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for
levantado da terra, atrairei todos a mim. Ele disse isso para indicar o tipo de
morte que haveria de sofrer.” (João 12:31-33, NVI).
O pão da presença era um pão preparado pelos coatitas: “E dentre os
coatitas, seus irmãos, alguns estavam encarregados de preparar os pães que
eram postos sobre a mesa todo sábado.” (1 Crônicas 9:32, NVI). Feito de flor
de farinha e azeite. Pães asmos, sem fermento: “Apanhe da melhor farinha e
asse doze pães, usando dois jarros para cada pão. Coloque-os em duas
fileiras, com seis pães em cada uma, sobre a mesa de ouro puro perante o
Senhor.” (Levítico 24:5-6, NVI).
Os pães eram preparados pelos coatitas todo sábado. Os pães asmos que
estavam lá por uma semana, os pães velhos, deveriam servir de alimento para
os sacerdotes, e somente para eles, pois eram santos. Todo sábado, os novos
pães eram colocados sobre a mesa. No sábado seguinte, serviriam de comida
para o sacerdote. Esse era um ciclo contínuo, um mandamento do Senhor.
Somente ao sacerdote é permitido comer desse pão sagrado. Como Deus
não perde a chance de mostrar Sua graça à humanidade, a Sagrada Escritura
diz que certo dia, Davi e seus valentes, fugindo de Saul, tiveram fome e
foram até o tabernáculo. Davi pediu comida ao sacerdote e ele disse que não
tinha nada, a não ser os pães da presença. Davi os comeu, deu aos seus
valentes e seguiram viagem saciados. Ato de misericórdia divina eles não
terem morrido, uma pincelada da graça nas páginas do Antigo Testamento.
“Então, o sacerdote lhe deu os pães consagrados, visto que não havia outro
além do pão da Presença, que era retirado de diante do Senhor e substituído
por pão quente no dia em que era tirado.” (1 Samuel 21:6, NVI).
É obrigação do sacerdote ter sempre em mãos o pão que alimenta os
viajantes da jornada desta vida. Cristo é oferecido às nações através da igreja.
A igreja é a casa do pão, pois o pão da presença deve sempre estar
previamente preparado para quem o buscar com diligência.
PREPARANDO O PÃO
É lindo e sobrenatural o modo que faziam esse pão. A flor da farinha é
retirada, este era o melhor do trigo. Era amassado com azeite e assado em
pedra quente, como nos costumes antigos orientais. O pão não foi feito para
ficar na pedra quente por muito tempo, mas somente o tempo necessário.
O pão precisa ser retirado da pedra quente para ser servido ao faminto. O
calvário foi o fogo, a cruz foi a pedra e a espátula que o retirou foi o Espírito
Santo. Ele ressuscitou para ser servido às nações. “Se em vocês vive o
Espírito daquele que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus
Cristo dará também vida ao corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito,
que vive em vocês.” (Romanos 8:11, NTLH).
Nos alimentamos do corpo de Cristo através do pão da presença, por meio
da santa ceia, da leitura, da oração e da comunhão. Davi, em um dos seus
poemas, disse: “[...] Tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de
dia e noite.” (Salmos 1:2, ACF).
Meditar nas palavras do Senhor é como fazer digestão do pão celestial e
retirar dele todas as energias, proteínas e vitaminas. O processo da digestão é
lento e necessário para o sustentar da vida. O livro de Josué, no capítulo 1, no
verso 8 diz que meditar na Palavra de Deus nos faz bem-sucedidos: “Não
deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de
noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então
os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido” (NVI).
O poeta do salmo 119 e verso 112 diz que essa palavra deve ser guardada
no coração: “Dispus o meu coração para cumprir os teus decretos até o fim”
(NVI).
O profeta Amós, no capítulo 8 e no verso 11 diz que “Eis que vêm os dias,
diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem
sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (ACF).
Haverá dias sobre a terra em que o povo procurará por pão (Jesus) para
saciar seus anseios. Esses dias se podem comparar aos dias atuais. Segundo
um sociólogo e filósofo polonês chamado Zygmunt Bauman, nos tempos
atuais as relações entre os indivíduos nas sociedades tendem a ser menos
frequentes e menos duradouras. A esse fenômeno, ele dá o nome de liquidez,
ou modernidade líquida. Esta geração atual tende a se preocupar cada vez
menos com o outro, afirma Bauman. E daí surge uma pergunta: “Como
ouvirão se não houver quem pregue?”.
Existe um alerta a ser feito a todos nós, chamados de igreja de Cristo e
sacerdócio real. E como já falamos, é ofício e obrigação do sacerdote manter
o pão continuamente sobre o altar para que, no momento oportuno, as
pessoas famintas se alimentem desse pão do céu.
Este chamado é importante e indispensável: apregoar o Cristo que
alimenta e sacia a alma do faminto (carentes espiritual e emocionalmente).
Quantas e quantas mazelas existem em nossa geração devido à falta desse
alimento chamado Cristo! Nem seria possível citar as atrocidades que têm
acontecido nos âmbitos familiares, éticos, pessoais e morais da sociedade.
Com os valores imprescindíveis do ser humano e com as nossas crianças
(legalização de aborto).
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho”. Dê alimento às nações
famintas. Dê alimento celestial ao seu vizinho depressivo. Dê esse alimento
às crianças do seu bairro. Dê do pão eterno aos seus amigos e aos seus
inimigos. Nunca se esqueça de que você precisa comê-lo também. Isaías diz
que podemos comprá-lo sem dinheiro, pois é de graça:
“Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e vocês que
não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham,
comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo. Por que gastar dinheiro
naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz?
Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará
com a mais fina refeição.” (Isaías 55:1-2, NVI).
DOIS PÃES
Havia dois tipos de pães no tabernáculo: o maná e o pão da presença. O
pão da presença era servido de alimento aos sacerdotes. Ele deveria ser
refeito todos os sábados. O pão da vida, os ensinos e Graça de Jesus. Esse nos
alimenta.
O maná que estava no tabernáculo era eterno, este não era alimento. O
maná representa a árvore da vida do Éden, o Cristo glorificado. Ele traz vida.
Romanos, capítulo 11 e verso 36 diz: “Pois todas as coisas foram criadas por
ele, e tudo existe por meio dele e para ele. Glória a Deus para sempre!
Amém!” (NTLH).
O pão da presença é como as outras árvores do Éden, que estão ali para
servirem de alimento, como o Cristo que em Seu ministério salvífico
sustenta a vida.
Os pães da presença eram empilhados de 6 em 6 na mesa, e sobre eles o
incenso. Levítico, capítulo 24, verso 7 diz: “Em cima das duas pilhas será
colocado incenso puro para lembrar que todos os pães são oferecidosao
Senhor como oferta de alimento” (NTLH). O incenso era colocado sobre os
pães, tipificando o Cristo intercessor que orou por nós.
VINHO
Na mesa também havia a oferta de libação. A oferta de libação era uma
oferta de vinho. A primeira ocorrência bíblica registrada de uma oferta de
bebida foi a de Jacó quando voltou à Betel, em Gênesis 35:14, que diz:
“Então Jacó pegou uma pedra e a colocou como pilar no lugar onde Deus
havia falado com ele. Ele a separou para Deus, derramando vinho e azeite em
cima.” (NTLH).
Êxodo 29:40 diz: “Junto com o primeiro carneirinho ofereça um quilo de
farinha de trigo misturada com um litro de azeite. E, como oferta, derrame
um litro de vinho.” (NTLH). O texto diz que ofertas de bebida também foram
incluídas com ofertas de cereais e cereais queimados em sacrifícios
ordenados por Deus, incluindo os sacrifícios de manhã e à noite.
A importância da oferta de libação no tabernáculo pode ser vista nas leis
levíticas relacionadas à oferta. A ordem era que um quarto de him, ou seja,
cerca de um litro de vinho fosse derramado no fogo do altar para cada
cordeiro sacrificado. Vejamos o texto em Números 15:4-5, que diz: “Aquele
que apresentar ao SENHOR uma ovelha ou um cabrito como oferta para ser
completamente queimada deverá trazer também com cada animal um quilo de
farinha fina misturada com um litro e um quarto de azeite e também um litro
de vinho” (NTLH).
O cheiro desses sacrifícios é agradável ao Senhor. E junto com o sacrifício
de um touro, era exigido a metade de um him. O texto de Números 15:8-10
diz:
“Quando vocês oferecerem um touro novo como oferta que será
completamente queimada, ou como oferta especial para pagar uma promessa,
ou, ainda, como oferta de paz, deverão apresentar também com o touro uma
oferta de cereais de três quilos de farinha fina misturada com um litro e três
quartos de azeite e também um litro e três quartos de vinho. O cheiro desse
sacrifício é agradável a Deus, o SENHOR.” (NTLH).
Tem sido especulado que tanto a oferta de um animal, ou a de grãos, junto
com azeite e vinho proporcionavam uma fumaça, um aroma suave ao Senhor,
uma linguagem bíblica metafórica. Como se esses sacrifícios fornecessem
satisfação a Deus, um ato cultural muito importante do antigo Oriente Médio
(agradar a divindade).
O derramamento de uma oferta de bebida é uma metáfora atual para o
sangue de Jesus, que se derramou na cruz. Jesus falou diretamente sobre isso
quando Ele instituiu a Nova Aliança em Seu sangue. Lucas 22:20 diz:
“Depois do jantar, do mesmo modo deu a eles o cálice de vinho, dizendo:
Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é
garantida pelo meu sangue, derramado em favor de vocês. Ele pegou uma
taça de vinho e disse: Esta taça que é derramada para você é a nova aliança
em Meu sangue.” (NTLH).
O sacrifício de Jesus satisfez toda a necessidade de uma oferta de bebida.
Seu sangue literalmente jorrando quando o soldado perfurou Seu lado com
uma lança. João 19:34 diz: “Porém um dos soldados furou o lado de Jesus
com uma lança. No mesmo instante saiu sangue e água.” (NTLH).
Paulo levou a metáfora ainda mais adiante, quando por duas vezes usou a
imagem de uma oferta de bebida para descrever seu próprio serviço. Em
Filipenses 2:17, ele disse: “Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado
como oferta de bebida sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o
sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês.”
(NVI). Paulo, nesse texto, desafiou a igreja em Filipos a viver uma vida digna
de sua dedicação a eles.
A segunda ocorrência da citação de Paulo está em 2 Timóteo 4:6, que diz:
“Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha
partida está próximo.” (JFA). O apóstolo Paulo sentiu estar próximo o fim de
seu ministério, e novamente comparou seus esforços ao vinho derramado de
um vaso sobre um altar do sacrifício pelas mãos do Sumo Sacerdote Eterno
(Cristo).
O fato de tanto o pão quanto o vinho fazerem parte do nosso ato de
comunhão com Cristo, por meio da celebração da ceia, é uma ligação direta
aos atos sacrificiais do tabernáculo, só que dessa vez feitos de uma vez por
todas. Restando à igreja o dever de comer do pão e beber do vinho em
memória do ato completo em Cristo.
Capítulo 19
O
CASTIÇAL
DE OURO PURO
“Fez o candelabro de ouro puro e batido. O pedestal, a
haste, as taças, as flores e os botões formavam com ele uma
só peça. Seis braços saíam do candelabro: três de um lado e
três do outro. Havia três taças com formato de flor de
amêndoa num dos braços, cada uma com botão e flor, e três
taças com formato de flor de amêndoa no braço seguinte,
cada uma com botão e flor. Assim era com os seis braços
que saem do candelabro. Na haste do candelabro havia
quatro taças com formato de flor de amêndoa, cada uma
com flor e botão. Havia um botão debaixo de cada par dos
seis braços que saíam do candelabro. Os braços com seus
botões formavam uma só peça com o candelabro, tudo feito
de ouro puro e batido. Fez de ouro puro suas sete lâmpadas,
seus cortadores de pavio e seus apagadores. Com trinta e
cinco quilos de ouro puro fez o candelabro com seus botões
e todos esses utensílios.” (Êxodo 37:17-24, NVI).
O castiçal, diferentemente da Arca e da mesa dos pães asmos, não tinha
madeira em sua composição, era feito de ouro puro. Muita quantidade de
ouro foi usada para moldar esse objeto sagrado. O texto diz que foram cerca
de 35 quilos de ouro. Representa o divino em Sua essência pura, espiritual e
eterna.
O ouro é o símbolo do ser divino em Sua pureza e majestade. Na filosofia,
o ouro tem um belo simbolismo, por ser um metal puro. O ouro não se
mistura facilmente e não perde seu valor pela corrosão do tempo, ele é
resistente.
O tabernáculo tinha três repartições, e cada uma delas obtinha sua
iluminação de forma diferente. O átrio não era coberto, portanto, a luz do sol
o iluminava de dia e a nuvem de fogo que repousava sobre o tabernáculo o
iluminava de noite: “De dia a nuvem do Senhor ficava sobre o tabernáculo, e
de noite havia fogo na nuvem, à vista de toda a nação de Israel, em todas as
suas viagens.” (Êxodo 40:38, NVI). “Era assim que sempre acontecia, de dia
a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo.” (Números 9:16,
NVI).
No Santíssimo Lugar era a luz da Glória de Deus que se fazia presente e
alumiava o ambiente. No Santo Lugar era a luz do candelabro que gerava
claridade. Este era o propósito do candelabro, trazer luz, por isso ele nunca
poderia ser apagado. Êxodo 27:20 diz: “Ordene aos israelitas que lhe tragam
azeite puro de olivas batidas para a iluminação, para que as lâmpadas fiquem
sempre acesas.” (NVI).
O texto sagrado que veremos a seguir nos coloca nesse cenário de serviço
sacerdotal. O texto de 1 Samuel 3:3 diz que: “Samuel dormia na Tenda
Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava
acesa.” (NTLH).
A Palavra de Deus foi até Samuel enquanto ele estava sendo iluminado
pela luz do candelabro. Que luz é essa que nos capacita a ouvir as verdades
divinas? Certamente é a luz do Espírito. João 16:13-14 diz: “Mas quando o
Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si
mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me
glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.”
(NVI).
O Espírito Santo veio sobre os cristãos no dia de Pentecostes. Daquele dia
em diante, o Espírito Santo flui sem medidas sobre a igreja. Com essa
premissa, entendemos que somos candelabros de Deus e carregamos a luz do
Espírito Santo em nós. Não podemos nos esquecer de que não temos luz
própria. A glória é de Deus, sem Ele nada podemos fazer. Somos receptores e
transmissores dessa luz gloriosa do Espírito Santo que revela o Cristo
Salvador a este mundo em trevas.
AZEITE
Para se manter acesa, a luz do candelabro necessitava de um líquido
apropriado para a combustão, e também de fogo. O fogo foi o que desceu do
céu sobrenaturalmente no dia da inauguração do tabernáculo,e o líquido era
o azeite, um produto da oliveira.
Por falar em azeite, mencionarei a parábola das 10 virgens, relatada em
Mateus 25. Naquele momento, 10 virgens dormiram e 10 virgens acordaram.
Não houve distinção nesse ponto da narrativa, mas a diferença elementar
estava no fato de que 5 delas tinham azeite armazenado, e as outras não
tinham.
O azeite representa facilmente nossa vida diária de oração, jejum e leitura
bíblica. Se somos cheios do Espírito Santo, isso não ajudará diretamente
nosso cônjuge ou nossos amigos a serem cheios do Espírito Santo também,
serão de forma indireta influenciados pelo nosso testemunho pessoal.
Contudo, esta é uma missão particular e peculiar de cada indivíduo: a
responsabilidade de nos mantermos cheios de combustível e de fé.
Existe uma fonte inesgotável desse azeite, e essa fonte não somos nós ou
as nossas mensagens eloquentes, ou canções extraordinárias. A fonte é
divina.
Um exemplo pode nos ajudar na compreensão desse conceito. Veja que: se
estamos em um culto onde o ministrante está cheio de azeite divino ou cheio
do Espírito e de virtude para ministrar, não fará com que os ouvintes se
encham também, ou seja, não fará com que os pecadores se convençam do
pecado e se arrependam, pois essa é uma missão específica do Espírito Santo.
O azeite usado no candelabro deveria vir do fruto da oliveira. A oliveira é
uma planta que gosta do solo rochoso de Israel. Em sua fase adulta, pode
atingir cerca de 7 metros de altura e viver por cerca de mil anos. O texto de
Isaías 17:6 diz: “Contudo, restarão algumas espigas, como, quando se sacode
uma oliveira, ficam duas ou três azeitonas nos galhos mais altos e umas
quatro ou cinco nos ramos mais produtivos, anuncia o Senhor, o Deus de
Israel.” (NVI). E Isaías 24:13 diz: “Assim será na terra, entre as nações, como
quando se usa a vara na oliveira ou se buscam os restos das uvas após a
colheita.” (NVI).
O texto acima se refere ao modo de colheita do fruto. A árvore precisa ser
sacudida para que caia seu fruto, e os frutos que permanecem nos galhos mais
altos são retirados com uma vara, literalmente batendo nos galhos.
A oliveira é muito importante para Israel, tanto seu fruto serve para
alimento, quanto o azeite que é utilizado para combustão, alimento, produtos
de higiene, remédios... enfim, benefícios infinitos para quem vive em uma
região desértica.
O salmista, no salmo 52, verso 8 se diz ser como oliveira na casa de Deus.
Davi se considerava um alimento para Israel e um agente de combustão para
o poder do Espírito Santo operar em sua geração.
Que cada um de nós tenha consciência do nosso dever ético cristão. O
dever de dar bons testemunhos, de orar, de amar o nosso semelhante e a
Deus, o dever de congregar e termos comunhão com a igreja. Sermos
alimento e luz. Somos portadores do Espírito Santo, nossa missão é apontar
Cristo para a humanidade. Somos a luz do mundo, e se não estivermos no
velador (posição correta do objeto), o que haveríamos de alumiar se
estivermos debaixo da mesa (posição incorreta do objeto)? (Mateus 5:15).
Mesmo com azeite de sobra e com a luz do Espírito Santo, não estaríamos
cumprindo nosso dever de iluminar se estivermos fora da posição.
ESPEVITADORES
A Sagrada Escritura faz menção de diversos objetos que compõem um
conjunto de auxiliares nos serviços sacerdotais diários. Quando falamos de
candelabro e todo o trabalho que os sacerdotes tinham para o manter acesso,
é de suma importância lembrarmos que Deus é detalhista. Ele é o arquiteto,
designer e o decorador do tabernáculo. Cada detalhe, cada objeto e cada
função muito bem harmonizados.
Dentro desse conjunto de objetos correlacionados com o candelabro estão:
as tesouras de aparar, apagadores e algumas vasilhas. “Pegarão um pano azul
e cobrirão o candelabro com as suas lamparinas, as tesouras de cortar pavios
de lamparinas, os apagadores e as vasilhas necessárias para distribuir o
azeite.” (Números 4:9, NTLH).
Todos esses objetos foram feitos de ouro puro. Êxodo 25:38 diz: “Seus
cortadores de pavio e seus apagadores serão de ouro puro.” (NVI).
O cortador de pavio era usado pelo menos duas vezes por dia pelos
sacerdotes. Ele tinha a função de manter as lâmpadas do candelabro acesas
continuamente, faziam isso com a retirada do pavio queimado. Êxodo 27:20-
21 diz:
“Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras,
batido, para o candeeiro, para manter uma lâmpada acesa continuamente. Na
tenda da revelação, fora do véu que está diante do testemunho, Arão e seus
filhos a conservarão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o
Senhor; este será um estatuto perpétuo para os filhos de Israel pelas suas
gerações.” (AA).
Podemos comparar o pavio fumegante à algumas das sete igrejas relatadas
em Apocalipse, capítulos 2 e 3, conhecidas teologicamente como as sete
igrejas da Ásia. O candelabro visto por João em Apocalipse 1:20, que diz:
“Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete
candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete
candeeiros são as sete igrejas.” (JFA).
A figura de um pavio que fumega foi uma forma de relatar a apostasia nas
igrejas. Igrejas que antes portavam a luz do Espírito Santo, e agora só lhes
restam cinzas e fumaça. As cinzas em seu pavio as tornam incapazes de gerar
luz. Um dia, foram ótimos em seus ministérios; agora, as cinzas são seus
frutos. E a cinza sufoca o fogo.
A história relata que os antigos persas tinham uma forma de punição que
consistia em executar seus criminosos sufocando-os em cinzas (Valério
Máximo, 9:2).
Na Sagrada Escritura, as cinzas são símbolo da fragilidade humana.
Vejamos o que Gênesis 18:27 diz: “Mas Abraão tornou a falar: Sei que já fui
muito ousado ao ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.”
(NVI).
Um símbolo de profunda humilhação, Jó 42:6, que diz: “Por isso
menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.” (NVI).
A lei mosaica diz que as cinzas servem para o cerimonial de purificação
daquele que tocar em um cadáver. Números 19:17 diz: “Pela pessoa impura,
colocarão um pouco das cinzas do holocausto de purificação num jarro e
derramarão água da fonte por cima.” (NVI).
A cinza foi várias vezes usada no texto sagrado em uma linguagem poética
para representar a dor humana. O texto de Jó 2:8 fala da humilhação de Jó:
“Então Jó apanhou um caco de louça e com ele se raspava, sentado entre as
cinzas.” (NVI).
O salmista, no salmo 102:9 fala da sua tristeza profunda e de seu
sentimento angustiante: “Cinzas são a minha comida, e com lágrimas misturo
o que bebo.” (NVI).
Isaías, capítulo 44 e no verso 20 diz que existem pessoas se alimentando
de cinzas, ou seja, alimentando-se com aquilo que não gera nutrição para o
corpo: “Ele se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz
de salvar a si mesmo ou de dizer: Esta coisa na minha mão direita não é uma
mentira?” (NVI).
Em Isaías 61:3, o texto diz que virá o Messias, transformará nosso pranto
em alegria:
“E dar a todos os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o
óleo da alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito
deprimido. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para
manifestação da sua glória. Ele já veio e já tem transformado muitas vidas.”
(NVI).
Já aprendemos um pouco sobre as cinzas, agora vamos voltar nosso foco
na espevitadeira. A espevitadeira vem do hebraico melqachim. A raiz dessa
palavra é laqach, do verbo pegar.
Curiosamente, esse objeto aparece citado no texto de Isaías 6:6, que diz:
“Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia
tirado do altar com uma tenaz (uma melqachim).” (NVI).
Enfim, esse objeto era semelhante a uma tesoura comprida. Usada para
retirar, pegar, agarrar, remover ou tocar algo quente sem se queimar. Daí sua
ligação com o verbo hebraico laqach. Deus proveu a ferramenta para renovar
o brilho da lâmpada que tem se apagado. Um dos fatores primordiais para a
lâmpada se apagar é a falta de azeite ou sujeira nopavio. Creio que o azeite
não faltava, pois essa era uma função do sumo sacerdote.
O texto de Levítico 24:2-3 diz:
“Ordena aos filhos de Israel que te tragam, para o candeeiro, azeite de
oliveira, puro, batido, a fim de manter uma lâmpada acesa continuamente.
Arão a conservará em ordem perante o Senhor, continuamente, desde a tarde
até a manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da revelação; será estatuto
perpétuo pelas vossas gerações.”
Nosso Sumo Sacerdote não falhou nessa função, Ele enviou o Consolador
(João 16:7), o Espírito Santo, que por muitas vezes é tipificado como o
azeite. Só nos resta cumprir nosso dever, retirar as cinzas dos pavios.
A disciplina da Palavra de Deus precisa ser mantida nas igrejas. De nada
adianta ouvirmos e não praticarmos Seus mandamentos. Se a correção divina
for negada na igreja, certamente serão lâmpadas apagadas, pavios fumegantes
e com a saudosa lembrança de que um dia portaram a luz divina.
Apocalipse 2:5 diz: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta
à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o
teu candeeiro, caso não te arrependas.” (ARA). Se a Bíblia não for nossa
única estratégia de pregação, se o ato de nos prostrarmos na casa do Senhor
não for nosso deleite, certamente que nossa luz se apagará.
A boa notícia é que Deus tem as espevitadeiras, as tesouras cortantes que
serão usadas como atalaias nesta geração. Certamente, o pavio que fumega
não é desprezado pelo Senhor, assim como uma pérola pequena tem muito
valor àquele que a possui.
Pedro, o discípulo de Jesus, aquele que tinha um temperamento sanguíneo,
foi um dia um pavio que fumega. A história relatada por Lucas, no capítulo
22:60-61 diz: “Mas Pedro respondeu: Homem, não sei o que dizes. E
imediatamente estando ele ainda a falar, cantou o galo. Virando-se o Senhor,
olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia
dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás” (AA).
A luz de Pedro tinha sido ofuscada pelas cinzas. O que Jesus fez para que
a chama pudesse flamejar no coração do pecador novamente? Jesus cortou o
pavio fumegante com a demonstração de Seu perdão e amor. Pedro foi
perdoado e amado.
E nós, a igreja de Cristo, devemos seguir os Seus passos e sermos os
espevitadores usados para reacender a chama do pavio fumegante, a chama
do fraco na fé. O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, capítulo 15 e
verso 1 diz: “Ora nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos
fracos, e não agradar a nós mesmos.” (JFA).
João 9:4 diz que Jesus é luz do mundo, a luz que emana da glória no
Santíssimo Lugar. E Mateus 5:14 diz que a igreja é a luz também, mas somos
a luz do Santo Lugar, pois não temos brilho em nós mesmos, emitimos o
brilho do Espírito Santo. É o azeite divino que mantém a luz da igreja acesa
até a consumação dos séculos.
O ALTAR DE INCENSO
Capítulo 20
“Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia
o farás. Terá um côvado de comprimento, e um de largura (será quadrado), e
dois de altura; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o
cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; e lhe farás uma
bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo
da bordadura; de ambos os lados as farás; nelas, se meterão os varais para se
levar o altar. De madeira de acácia farás os varais e os cobrirás de ouro. Porás
o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do
propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão
queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as
lâmpadas, o queimará. Quando, ao crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas,
o queimará; será incenso contínuo perante o SENHOR, pelas vossas
gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem
ofertas de manjares; nem tampouco derramareis libações sobre ele.” (Êxodo
30:1-9, ARA).
O terceiro móvel ou objeto do Lugar Santo era o altar de incenso. Um objeto
sagrado e que foi feito de madeira de acácia e coberto com ouro puro. O
incenso é um símbolo de oração. Apocalipse, capítulo 5, verso 8 diz que ele é
a oração dos santos.
Não podemos nos esquecer de que Jesus orava. Era costumeiro o Mestre
se retirar com Seus discípulos para momentos de oração: “E quando Jesus
também tinha sido batizado e estava orando, os céus se abriram.” (Lucas
3:21).
Jesus é relatado nos evangelhos como alguém que sempre passava a noite
nas colinas de Israel orando a Deus. Ele orou antes que selecionasse os Seus
discípulos na manhã seguinte. Lucas 6:12-16 diz:
“Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a
noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze
deles, a quem também designou apóstolos: Simão, a quem deu o nome de
Pedro; seu irmão André; Tiago; João; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé;
Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago; e Judas
Iscariotes, que veio a ser o traidor.” (NVI).
Jesus também orava em momentos de angústia. Orou depois de Sua
rejeição nas cidades em Corazim, Betsaida e Cafarnaum, em que passaram
anunciando o Reino de Deus. Mateus 11:20-26 diz:
“Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara
numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: Ai de ti,
Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem
operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam
arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo,
haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu,
Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno;
porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram,
teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor
haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo.
Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da
terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos
pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (ARA).
Ao estar diante do túmulo de seu amigo Lázaro, Jesus ordena que a pedra
fosse removida e, em seguida, ora. João 11:41-42 diz: “Tiraram, então, a
pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou
porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por
causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste” (ARA).
Jesus orou por nós no jardim do Getsêmani. Lucas 22:41-44 diz:
“Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos,
orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça
a minha vontade, e sim a tua. Então, lhe apareceu um anjo do céu que o
confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que
o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” (ARA).
E orou na cruz. Marcos 15:34 diz: “À hora nona, clamou Jesus em alta
voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por
que me desamparaste?” (ARA). Ele estava oferecendo incenso a Deus por
nós, assim como o sumo sacerdote fazia no tabernáculo quando tomava as
petições do povo pecador e as levava até o Pai.
O incenso do tabernáculo era aceso de manhã e à tarde. O que denota
muito cuidado e um serviço repetitivo. O fogo usado no altar do tabernáculo
vem do fogo divino. O fogo que Deus enviou do céu quando aceitou o
primeiro sacrifício feito no dia da inauguração do tabernáculo. “O fogo se
conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará.” (Levítico
6:13, AA).
Era dever dos sacerdotes manter esse fogo ardendo continuamente sobre o
altar, pois desse fogo provinha toda fonte para a manutenção dos altares. O
pão da presença era assado e o incenso aceso com esse fogo.
Fogo estranho era o nome dado a qualquer outra fonte de fogo, e era
estritamente proibido seu uso no tabernáculo. A narrativa bíblica diz que dois
sacerdotes,filhos de Arão, foram mortos dentro do Santo Lugar por tentarem
oferecer incenso usando fogo estranho. Levítico, capítulo 10 e verso 1 diz
que Nadabe e Abiú tentaram fazer do jeito que Deus não havia ordenado.
Esse foi um exemplo de má conduta. Tentaram burlar o sagrado com o
profano, que até parecia ser fogo sagrado para eles, mas não era.
Fica um alerta à igreja de Jesus: cuidado com a adoração que parece
sagrada, mas carrega traços de humanismo. Cuidado com a exposição da
Palavra que parece sagrada, mas que no fundo tem um contexto de autoajuda
ou do coaching moderno.
A mensagem de Deus não necessita de fogo estranho ao ser entregue no
altar. Ela precisa ser pura e autêntica. O Evangelho que veio dos céus não
pode ser alterado ou acrescentado.
Apesar de alguns maus exemplos, ainda existem vários bons exemplos a
serem seguidos. Exemplos de personagens da história bíblica, que assim
como Jesus acenderam o incenso de seus ministérios com o fogo divino.
A narrativa conta que o profeta Daniel orava três vezes ao dia. Daniel 6:10
diz:
“Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no
seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado
de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças
diante do seu Deus, como também antes costumava fazer.” (JFA).
O salmista relata com sua poesia e canção que orava sete vezes ao dia.
Salmos 119:164 diz: “Sete vezes no dia te louvo pelas tuas justas
ordenanças.”.
Os discípulos conheciam essa verdade e pediram a Cristo: “Mestre,
ensina-nos a orar”. Um ministério, seja ele qual for, sem momentos de oração
não prevalecerá. A oração é um encontro com o Rei dos reis, é uma conversa
íntima com o dono do universo. Oração é um momento de alegria pura e
genuína.
Ao subirmos os montes para orarmos, ou quando de madrugada dobrarmos
nosso joelho em secreto, não estamos pagando um preço de oração. Pois orar
é uma conversa com o nosso Amado, e quando conversamos com quem
amamos não estamos pagando preço algum por essa comunhão. Ela é
recíproca e prazerosa.
Um livro que marcou minha vida devocional é Poder através da oração,
de E.M Bounds, que diz: “Nenhuma erudição pode suprir a oração. Nem o
zelo, nem a diligência, nem o estudo e nem os dons suprirão sua falta”.
No dia da expiação havia uma fumaça que cobria o Santíssimo Lugar.
Essa fumaça vinha do incenso que foi queimado lá dentro. O sumo sacerdote,
depois de haver sacrificado o novilho para si mesmo, tomou um incensário
cheio de brasas de fogo do altar com dois punhados de incenso aromático
moído e o colocou sobre o fogo, e o levou diante da Arca. A nuvem do
incenso encobria o propiciatório. Qual era o objetivo dessa fumaça
perfumada? Levítico 16:12-13 traz a resposta: “[...] para que não morra”.
Oração nos mantém vivos diante de Deus.
INGREDIENTES DO INCENSO SUAVE
O incenso usado no tabernáculo era composto de quatro elementos. Em
Êxodo 30, verso 34 ao 38, lemos:
“Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e
ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas
tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do
perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó
e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa
santíssima vos será. Ora, o incenso que fareis conforme essa composição, não
o fareis para vós mesmos; santo vos será para o Senhor. O homem que fizer
tal como este para o cheirar, será extirpado do seu povo.” (AA).
Essas eram especiarias aromáticas de muito cheiro e valor, que passaram a
ser uma mistura de exclusividade sacerdotal. E com ordens estritas para que
não a reproduzissem entre o povo. Estes quatro elementos são: estoraque,
ônica, gálbano e incenso puro.
O estoraque é uma resina que vem da árvore do bálsamo. Essa árvore é
comum na terra de Canaã. A mirra e o estoraque são produtos da mesma
árvore, a diferença está na forma da resina ser retirada dela. A mirra é obtida
por meio de feridas no tronco da árvore, e o estoraque são as resinas que
gotejam naturalmente e lentamente do tronco, sem nenhuma interferência
humana. E esta é considerada a melhor das mirras.
Estoraque em hebraico é nataph, que pode ser traduzido como: uma gota.
Um símbolo da Graça divina que nos resgatou por Sua vontade. A Bíblia diz
que nenhuma profecia sobre o Messias foi feita por vontade humana. 2 Pedro
1:21 diz: “Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma
vontade humana. A graça foi gotejada por meio de Cristo.”.
O segundo elemento usado na composição do incenso suave é a ônica.
Esse elemento é proveniente de uma espécie de concha marinha comum no
Mar Morto. E quando queimada, ela emite um forte odor. A palavra hebraica
usada para ônica é sherelet. Ela vem da raiz da palavra leão feroz, um
símbolo de firmeza, fidelidade e decisão forte. O Leão de Judá é Cristo.
Apocalipse 5:5 diz: “[...] Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi,
venceu para abrir o livro e os seus sete selos.”.
O terceiro ingrediente é gálbano. Ela é uma resina gordurosa de cor
marrom amarelada e é bem conhecida nas fragrâncias modernas. Seu odor é
desagradável, mas ela ajuda a prolongar o aroma das outras especiarias,
melhorando-as e preservando-as.
Seu odor pungente chega a ser ofensivo. Como pode fazer parte de uma
mistura aromática suave? Interessantemente, Deus, o arquiteto do universo, é
conhecedor de todas as Suas criações e sabia da necessidade do gálbano no
tabernáculo. Apesar de seu odor ser desagradável, essa resina tem um poder
inseticida, podendo afastar até serpentes do ambiente. Ela é medicinal
também, chegaram à conclusão que seu odor ajudou abelhas doentes a
reviverem. Gálbano em hebraico é chelbenah. Sua raiz está ligada à palavra
gordura, ou gordurosa. Nos fazendo lembrar das ofertas queimadas no altar
de bronze, pois toda a gordura das entranhas é do Senhor.
O último elemento a ser usado nessa mistura é o incenso puro. A palavra
hebraica é lebonah, que vem da raiz da palavra branco, um símbolo de
pureza, justiça e piedade.
Essa resina, ao ser extraída por golpes no tronco da mandril thuris,
aparenta uma forma leitosa de resina e com um odor bem peculiar. Esse era o
principal elemento, pois seu odor é bastante agradável e chega nomear a
mistura: incenso suave ou incenso doce.
O incenso puro é encontrado entre os presentes dados a Jesus por meio dos
magos do oriente. Mateus 2:12 diz: “[...] e abrindo os seus tesouros,
ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (JFA). Vimos que o incenso
puro era usado de várias formas, até como presente.
Enfim, cada uma dessas especiarias era moída separada, e depois
misturadas. No mesmo peso e na mesma medida, apontando para o caráter
balanceado de Cristo.
O incenso do tabernáculo era uma mistura exclusiva, assim como Cristo é
exclusivo. Ele é perfume do Senhor, é único. Cantares 1:3 diz: “Suave é o
cheiro dos teus perfumes; como perfume derramado é o teu nome; por isso as
donzelas te amam.” (JFA).
Cristo veio nos resgatar por meio de Sua Graça (estoraque). Ele se
apresentou como o Rei de Judá (ônica). Seu sacrifício sobre a cruz foi
perfeito e aceitável a Deus (gálbano). Sua justiça (incenso puro) nos faz
brancos como a neve.
Não podemos usar esse incenso suave (o nome de Jesus) para transmitir
nossos interesses, sejam eles mundanos ou pessoais. Vimos com Nadabe e
Abiú, o fato de aspergirem incenso em fogo estranho lhes custou a vida.
Levítico 10:1: “[...] pondo neles fogo e sobre ele deitando incenso...”.
Fazermos do nome de Cristo um mercado lucrativo pode ser perigoso e fatal.
O fogo estranho pode ser caracterizado de emoção da alma, histeria e
misticismo exacerbado. 2 Coríntios 2:14-16 diz:
“Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e
por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento;
porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e
os que estão perecendo. Para estes somos cheiro demorte; para aqueles,
fragrância de vida. Mas quem está capacitado para tanto?” (NVI).
O
SAL DA
ALIANÇA
Capítulo 21
“Tempere com sal todas as suas ofertas de
cereal. Não excluam de suas ofertas de cereal o
sal da aliança do seu Deus; acrescente sal a
todas as suas ofertas.”
Levítico 2:13
Um detalhe que não posso deixar de citar é o sal. O sal é um produto que não
podia faltar nas funções diárias do tabernáculo. O sal era requerido, tanto nas
ofertas de grão quanto nas ofertas de animais. Ezequiel 43:24 diz: “Você os
oferecerá perante o Senhor, e os sacerdotes deverão pôr sal sobre eles e
sacrificá-los como holocausto ao Senhor.” (NVI).
Assim como era proibido o uso do fermento e do mel, o sal era requerido
pelo Senhor. O fermento e o mel têm propriedades putrefatas, corrompem o
alimento.
Em todas as ofertas é requerido o sal, sem sal eram desagradáveis.
Levítico 2:12-16 diz:
“Deles, trareis ao SENHOR por oferta das primícias; todavia, não se porão
sobre o altar como aroma agradável. Toda oferta dos teus manjares
temperarás com sal; à tua oferta de manjares não deixarás faltar o sal da
aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas aplicarás sal. Se trouxeres ao
SENHOR oferta de manjares das primícias, farás a oferta de manjares das
tuas primícias de espigas verdes, tostadas ao fogo, isto é, os grãos esmagados
de espigas verdes. Deitarás azeite sobre ela e, por cima, lhe porás incenso; é
oferta de manjares. Assim, o sacerdote queimará a porção memorial dos
grãos de espigas esmagados e do azeite, com todo o incenso; é oferta
queimada ao SENHOR.” (ARA).
Havia um simbolismo e um propósito no sal. O simbolismo do sal é a
graça inabalável, companheirismo, aliança duradoura e fidelidade divina. O
propósito do sal ser usado nas ofertas do tabernáculo se dá pelo fato de que
ele era um agente preservador.
O sal tem um grande valor na história antiga. Os homens do Oriente
costumavam selar seus pactos com sal. Números 18:19 diz: “Todas as ofertas
sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus
filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal
perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo.” (ARA).
O costume judaico diz que quando os homens faziam uma aliança, eles
colocavam sal na lâmina de uma espada, e dali cada um colocava uma pitada
de sal na boca. Um vínculo de aliança que incluía obrigações.
Esdras 4:14 diz: “Agora, visto que comemos do sal do palácio, e não nos
convém ver a desonra do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei.” (JFA). O
sal era usado como pagamento pelo trabalho. Daí surgiu a palavra salário.
O sal na vida da igreja de Cristo tem um grande simbolismo. Mateus 5:13
diz: “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-
lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos
homens.” (NVI). A igreja é o sal. Ela é incorruptível, dá sabor e preserva.
Esta é uma das funções da igreja no mundo, preservar a moral e a ética.
Marcos 9:50 diz: “O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar
o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os
outros.” (NTLH).
Mesmo com a garantia de ser sal, a igreja ainda pode se tornar insípida,
sem sabor. Deixando de dar sabor ao mundo, negociando seus valores
imutáveis, certamente será imprestável.
O caos tem reinado nesta geração, cito novamente, uma geração líquida
(segundo Bauman). Os valores de Deus para as famílias têm sido
corrompidos pelos fermentos deste mundo.
A igreja é o sal da terra, salgando-a por suas palavras de vida. Colossenses
4:6 diz: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que
saibam como responder a cada um.” (NVI). Nosso testemunho é a nossa
melhor pregação.
O ÁTRIO
E SEUS
OBJETOS
Capítulo 22
Ao falarmos do pátio e de seus objetos é preciso fazer referência à parábola
do semeador. Mateus 13:8 diz: “Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a
cem, a sessenta e a trinta por um.” (ARA).
O átrio é a medida total do tabernáculo, suas divisões são 100%. As
medidas divisórias do Santo Lugar ocupam 60% do tabernáculo e o
Santíssimo Lugar delimita 30% do ambiente.
Na nossa caminhada rumo à presença da glória, no pátio somos aceitos e
justificados. No Santo Lugar temos muito trabalho a fazer, pois é ali o lugar
do ministério e da comunhão diária. No Santíssimo Lugar simplesmente
adoramos a Deus em espírito e em verdade, experimentando uma gotinha da
eternidade. Pois adoraremos a Deus na eternidade: “Então, ouvi grande voz
vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus
habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.”
(Apocalipse 21:3, ARA).
Os levitas e sacerdotes, suas divisões e funções se resumem em: levitas
(pátio), sacerdotes (Santo Lugar) e sumo sacerdote (Santíssimo Lugar).
AS CORTINAS DO ÁTRIO
“Faça um pátio para o tabernáculo. O lado sul terá quarenta e cinco metros
de comprimento, e cortinas externas de linho fino trançado, com vinte
colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas
colunas. O lado norte também terá quarenta e cinco metros de comprimento e
cortinas externas, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e
ligaduras de prata nas colunas. O lado ocidental, com as suas cortinas
externas, terá vinte e dois metros e meio de largura, com dez colunas e dez
bases. O lado oriental, que dá para o nascente, também terá vinte e dois
metros e meio de largura. Haverá cortinas de seis metros e setenta e cinco
centímetros de comprimento num dos lados da entrada, com três colunas e
três bases, e cortinas externas de seis metros e setenta e cinco centímetros de
comprimento no outro lado, também com três colunas e três bases. À entrada
do pátio, haverá uma cortina de nove metros de comprimento, de linho fino
trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, obra de bordador, com
quatro colunas e quatro bases. Todas as colunas ao redor do pátio terão
ligaduras, ganchos de prata e bases de bronze.” (Êxodo 27: 9-17, NVI).
Para o sul e para o norte são 45 metros de largura, feita de linho fino
trançado, amarrados em vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e
ligaduras de prata nas colunas. Cordas fincadas ao chão por estacas de bronze
firmavam as colunas.
Para o oeste eram 22,5 metros de largura, feitas de linho fino trançado,
amarrados em 10 colunas e 10 bases de bronze, com ganchos e ligaduras de
prata nas colunas. Cordas fincadas por estacas de bronze ao chão firmavam as
colunas. “Todos os utensílios para o serviço do tabernáculo, inclusive todas
as estacas da tenda e as do pátio, serão feitos de bronze.” (Êxodo 27:19,
NVI).
Para o leste eram 22,5 metros de largura. Sendo 6,65 metros feitos de cada
lado com linho fino trançado, amarrados em 3 colunas e 3 bases de bronze
com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. Cordas fincadas ao chão por
estacas de bronze firmavam as colunas.
No centro se encontra a porta de linho do tabernáculo. Para a porta de
linho eram usados 9 metros de linho fino trançado, com bordados em azul,
púrpura e escarlate. Com 4 colunas e 4 bases de bronze, todas as colunas têm
ganchos e ligaduras de prata. Com cordas fincadas por estacas de bronze para
que se firmem ao chão. A altura das cortinas ao redor do átrio era de 2,25
metros.
Os caminhantes do deserto avistavam de longe as cortinas brancas, postas
como muro de proteção ao redor do tabernáculo. A graça salvadora de Jesus
se revelou, apesar de ser impossível conquistarmos os padrões de santidade
estipulados pela Lei. A entrada do tabernáculo, a porta de linho, é mais uma
pincelada da Graça divina nas páginas do Antigo Testamento.
Cordas presas em ganchos de prata (redenção), uma corda presa por dentro
e outra corda presa por fora da coluna. A igreja precisa testemunhar a
redenção dentro (igreja) e fora (perdidos). O pátio fazia parte da adoração.
A PORTA DE LINHO
A porta de linho tinha a mesma bordadura do véu de acesso ao Santíssimo
Lugar. Talvez esse fosse um fatoque todos sabiam, ou talvez era um segredo
guardado pelos sacerdotes.
Por que a porta de entrada estava voltada para o leste? É necessário olhar
para o pano de fundo da história dos caminhantes. O tabernáculo foi pedido a
Moisés pouco depois de saírem do Egito. Eles estavam naquele lugar, sendo
educados naquela cultura. A história nos conta que os egípcios eram
politeístas, adoravam a várias deidades. E dentre o panteão egípcio estava o
deus Sol. Adoravam ao deus Sol se voltando para o sol nascente, que era ao
leste.
A premissa é simples: virem as costas ao deus Sol quando forem adorar ao
Deus Jehovah. Dê as costas para o inimigo, corra para Deus. Nossas costas
devem estar voltadas para as opiniões, tendências, modismos, ídolos e
sugestões deste mundo mal.
Uma única entrada. João 14:6 diz: “Eu Sou o caminho...”. Por nossa
justiça própria, nunca poderemos ter acesso à presença inacessível da glória.
Isaías diz que: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas
justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as
nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.”. O termo “trapo de
imundícia” está se referindo ao período menstrual de uma mulher. Um termo
forte.
As colunas que suportam as cortinas de linho (justiça divina) são de
bronze (julgamento divino). Romanos 3:10 diz: “como está escrito: Não há
justo, nem um sequer.”. Miquéias 7:2 diz: “Pereceu da terra o piedoso, e não
há entre os homens um que seja reto; todos espreitam para derramarem
sangue; cada um caça a seu irmão com rede.”.
Não há outra forma de entrarmos, a não ser por meio de Cristo, nossa porta
de linho. A cor púrpura indica Sua realeza, a cor azul aponta Sua divindade, a
cor escarlate fala de obra expiatória e o branco fala de Sua justiça.
O ALTAR DE BRONZE
“Farás também o altar de madeira de acácia; de cinco côvados será o seu
comprimento, e de cinco, a largura (será quadrado o altar), e de três côvados,
a altura. Dos quatro cantos farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão
uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. Far-lhe-ás também
recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e braseiros;
todos esses utensílios farás de bronze. Far-lhe-ás também uma grelha de
bronze em forma de rede, à qual farás quatro argolas de metal nos seus quatro
cantos, e as porás dentro do rebordo do altar para baixo, de maneira que a
rede chegue até ao meio do altar.” (Êxodo 27:1-5, JFA).
O altar de bronze é uma caixa de madeira de acácia (humanidade) coberta
de bronze (julgamento), com pontas em forma de chifres nos cantos. Era oca
e por cima dessa caixa ia uma grelha. Outros utensílios faziam parte desse
altar. Um recipiente para colher as cinzas, uma pá para retirar a cinza, bacias,
garfos para retirar e colocar os sacrifícios no altar e braseiros, tudo feito de
bronze.
Ao passarem pela porta de linho, os filhos de Israel se depararam com um
ambiente de serviço sacerdotal. Animais sendo sacrificados, levitas
carregando as cinzas, sacerdotes lavando suas mãos na bacia de bronze.
OS RITUAIS SACRIFICIAIS
O altar tinha pontas nos cantos, estas pontas em forma de chifres eram
extremamente importantes para os rituais sacrificiais.
Quando um animal é ofertado, antes de ser sacrificado era preso nessas
pontas até o momento de ser morto. Não era um serviço de um homem só.
O bronze é condutor de calor, e certamente a madeira interior foi
totalmente incendiada. A cada sacrifício, o bronze se aquece ainda mais.
O que aconteceu com Jesus na cruz? Sua humanidade sofreu. Os
evangelistas relatam em suas narrativas que Jesus, antes de se entregar na
cruz, chorou, se agoniou ao ponto de suar gotas de sangue. Ficou em um
estado de tensão.
O altar de bronze tipifica a cruz. A obra expiatória de Jesus. Esse é o
primeiro lugar que Deus se revela ao pecador.
Olhando para o tabernáculo, podemos compreender João 3:16, que diz:
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,
para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”.
Compreenderemos Filipenses 2:8, quando diz: “a si mesmo se humilhou,
tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”.
A PIA DE BRONZE
“Disse mais o SENHOR a Moisés: Farás também uma bacia de bronze
com o seu suporte de bronze, para lavar. Pô-la-ás entre a tenda da
congregação e o altar e deitarás água nela. Nela, Arão e seus filhos lavarão as
mãos e os pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com
água, para que não morram; ou quando se chegarem ao altar para ministrar,
para acender a oferta queimada ao SENHOR. Lavarão, pois, as mãos e os
pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo, a ele e à sua
posteridade, através de suas gerações.” (Êxodo 30:17-21, ARA).
A função da pia de bronze é fornecer um meio para que os ministradores
do ofício sacerdotal lavem seus pés e mãos antes de entrarem no Santo Lugar
e no Santíssimo Lugar. Esse objeto é o único que Deus não deixa as medidas
para Moisés. O que isso possivelmente significa? O que esse objeto tem a ver
com a caminhada espiritual cristã?
Para responder essas e tantas outras perguntas que poderemos ter, é
necessário analisarmos de que material ela é feita. De bronze. O texto de
Êxodo 38:8 diz que o bronze usado nesse objeto era o bronze usado pelas
mulheres como espelho. Veja: “Fez também a bacia de bronze, com o seu
suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à
porta da tenda da congregação.” (ARA).
Bronze polido, reluzente e que refletia. Imagine o sacerdote ou o sumo
sacerdote, sabendo que ao entrar nos compartimentos sagrados do
tabernáculo com algum pecado morreria instantaneamente. E, antes de entrar
ali, ele tinha a chance de se olhar. Olhar nos próprios olhos. Ver refletida uma
imagem verídica de si mesmo. Diante de nós mesmos não há como
manipular, burlar ou esconder quem somos. Podemos até enganar uma
multidão, usar máscaras como os atores gregos, os hipócritas.
O apóstolo Tiago em sua carta nos diz quem é o espelho que reflete nosso
verdadeiro eu. Tiago 1:23-24 diz: “Porque, se alguém é ouvinte da palavra e
não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu
rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se
esquece de como era a sua aparência.” (ARA). São os ensinos da Palavra de
Deus.
E sobre a simbologia da água, o texto de Efésios 5:26 diz: “para que a
santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra.”.
A Palavra nos lava, ela é a água. Tanto o espelho quanto a água simbolizam a
Palavra.
Partindo desses pressupostos, podemos dizer que a Palavra tem poder de
nos lavar por dentro.
Não há dimensões para a Graça salvadora. Uma bacia feita de bronze
(julgamento, lei) que contenha a Palavra de vida eterna, a água. Somos
limpos, e devemos ser limpos todos os dias. Não há limites, pois onde
abundou o pecado, superabundou a graça. Romanos 5:20 diz: “A Lei foi
introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o
pecado, transbordou a graça.” (NVI).
Deus não quer que Seus ministros se apresentem a Ele com mãos e pés
sujos, pois se assim o fizermos, certamente morreremos (espiritualmente,
moralmente, ministerialmente). Talvez pela falta de atentar para os ensinos da
Palavra e os cumprir, tantos ministérios têm falido e fracassado em sua
missão primordial. Pois sacerdotes (pastores e ministros contemporâneos)
que se recusam dia a dia a passarem por uma limpeza pela Palavra estão
mortos e pregam sermões mortos.
O apóstolo Paulo diz que todas as vezes antes de comermos do pão e
bebermos do vinho (ceia), devemos fazer um autoexame de consciência. E só
então cearmos. Nos examinar, pedir perdão e alcançar misericórdia de Deus.
“Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor
indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.
Examine-se cada um a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois
quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua
própriacondenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários
já dormiram.” (1 Coríntios 11:27-30, NVI).
Um cheiro forte de sangue, entranhas de animais e gordura queimada. O
altar de bronze era o primeiro a ser visto por quem entrava no tabernáculo.
Era um lugar de sacrifícios expiatórios diários.
A pia é um objeto curioso. Ela está bem perto do altar de bronze, onde tem
fogo, cinza, sangue, gordura queimando e muita fumaça, mas ela contém
água limpa.
CRISTO,
A GLÓRIA
DE DEUS
Capítulo 23
Chegamos à parte final deste livro, e eu quero proferir sobre o caminho que
Cristo fez no tabernáculo até chegar a nós. Sei que com esta obra nem
arranhei a superfície das verdades eternas entregues a nós por meio do
tabernáculo.
Está bem claro que o pecador (que está de fora) precisa se achegar e entrar
pelas portas da frente. Não há outro caminho. Lá dentro, ele se encontra com
a cruz, recebe perdão, entra no Santo Lugar e desfruta das bênçãos celestiais
(oração, alimento e luz). O pecador agora pode entrar em seu quarto de
oração (Santíssimo Lugar) e em secreto falar com Deus, e Deus em secreto o
responderá. Isto se chama o milagre da Graça salvadora.
O pecador vai da porta de linho até a presença da glória, mas Cristo estava
na glória com Deus e fez o percurso da presença da glória para o mundo.
O apóstolo Paulo explica essa dinâmica aos cristãos de Filipos. Filipenses
2:6-8 diz:
“pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser
igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo,
tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a
si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”
(ARA).
O profeta Habacuque, no capítulo 2:14 diz que a terra se encherá do
conhecimento da glória de Deus. Esta é a missão da igreja, pregar o Cristo
Salvador a todas as nações.
O profeta Ezequiel teve uma visão do Filho do homem, que é descrito da
seguinte forma: “Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de
chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do
Senhor; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.”
(Ezequiel 1:28, AA).
Jesus abriu o caminho para nós. A glória de Deus que estava estritamente
em cima da Arca, entre as asas dos querubins, é vista por Ezequiel, e ela saía
do Templo, ia par as portas do Templo e depois pousava sobre o Monte das
Oliveiras.
O comentário Benson diz que “A nuvem de sua presença foi
primeiramente retirada do propiciatório do santo dos santos, o lugar habitual
de sua residência, e levada para o limiar do Templo.”. Ezequiel 9:1: “[...]
retirou-se para o portão leste do pátio interno.”. Ezequiel 10:19: “[...] E agora,
finalmente, deixa completamente Jerusalém, e fixa-se na montanha no lado
leste da cidade.”
O comentário Matthew Henry diz: “Foi a partir do Monte das Oliveiras
que a visão subiu, tipificando a ascensão de Cristo ao céu daquela mesma
montanha”.
Os profetas profetizaram o Messias que virá vencedor, e quando vier
colocará Seus pés no Monte das Oliveiras. Zacarias 14:4 diz: “Naquele dia,
estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de
Jerusalém para o oriente.” (JFA).
A Presença da Glória de Deus está no Cristo glorificado, por meio dEle
temos livre acesso a esse esplendor.
“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de
Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus
caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu
conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja
recompensado? Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória,
pois, a Ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:33-36, ACF).
A autora
Luciana Gomes da Silva nasceu em Caratinga, Minas
Gerais, em setembro de 1984.
Residente nos Estados Unidos desde 2004 (Cheguei aqui com o sonho de
vencer e conquistar o que até então estava distante de mim, uma vida
melhor). Casada com Djalma Souza, com quem forma uma família linda com
dois filhos, Larissa e Lucas.
Tem formação em Bacharel em Teologia, com especialização em
Ministério Pastoral e Aconselhamento Cristão pela Boston Theological
School. Tem formação certificada em Hebraico Moderno pela Hebrew
College of Boston e formação em Cultura Bíblica e Contexto Judaico pela
Israel Study Center.
Escritora e autora de alguns exemplares disponíveis pela editora UpBooks
(O Caminho das águas e Viagens Fantásticas pela Bíblia – volumes 2, 3 e 5),
atualmente cursa Pedagogia e Pós em Psicopedagogia EAD pela Faculdade
de Ciências de Wenceslau Braz (Facibra).
“Sou amante da Palavra de Deus: ela me impulsiona a prosseguir!”
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