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Fisiologia da visão Descrever as principais estruturas do olho e entender a função delas Compreender como os fotorreceptores formam os potenciais de ação Descrever o processamento da via visual Compreender os principais distúrbios clínicos associados à visão OBJETIVOS O OLHO É UM ÓRGÃO SENSORIAL A luz entra no olho e a lente do cristalino a focaliza na retina Os fotorreceptores (cones e bastonetes) transduzem a energia luminosa em um sinal elétrico As vias neurais transmitem os sinais elétricos para o cérebro, que os processam como imagens visuais SISTEMA VISUAL 1. A visão é o processo pelo qual a luz refletida pelos objetos em nosso meio externo entra no olho e é traduzida em uma imagem mental Região do espectro Cada cor possui um 1.1 Os olhos são responsáveis pela detecção de luz visível eletromagnético com comprimentos de onda variando entre 400 e 700 nm comprimento de onda correspondente FIGURA 1: espectro eletromagnético FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. SISTEMA VISUAL FIGURA 2: anatomia do olho FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. Constituído pelo bulbo do olho Protegido pela órbita (cavidade 2. ANATOMIA DO OLHO e o nervo óptico. óssea), onde encontra-se além do bulbo do olho, as estruturas acessórias, as quais incluem as pálpebras, os cílios, os supercílios, o aparelho lacrimal (produtor de lágrimas) e os músculos extrínsecos do bulbo do olho. SISTEMA VISUAL Córnea: revestimento transparente que cobre a íris e atua na refração Esclera: fornece o formato e protege as partes internas Cristalino: lente biconvexa que focaliza a luz Íris: parte colorida do bulbo do olho, contém a pupila Corioide: membrana interna, rica em vasos Corpo ciliar Retina – detecta os raios luminosos e desenvolve sinais nervosos Disco óptico Mácula Ponto cego 2.1 Regiões do bulbo do olho TÚNICA FIBROSA: TÚNICA VASCULAR: TÚNICA INTERNA: SISTEMA VISUAL FIGURA 3: Secção sagital do olho FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 4: Vista da parede posterior do olho FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. . SISTEMA VISUAL FÓVEA ÓPTICA: lateralmente ao disco óptico, a fóvea e o tecido a sua volta, a mácula lútea, são as regiões da retina com a visão mais acurada. PONTO CEGO: local que não contém fotorreceptores, assim, não é possível o processamento de imagens que atinjam essa área CÂMARA ANTERIOR: anteriormente ao cristalino, contém humor aquoso, que ajuda a manter o formato do bulbo do olho, além de fornecer oxigênio e nutrientes à lente e à córnea. CÂMARA POSTREMA: posteriormente ao cristalino, contém humor vítreo, que ajuda a manter o formato do bulbo do olho e a manter a retina ligada à corioide. 2.2 Aprofundamento de algumas estruturas relevantes SISTEMA VISUAL Estrato pigmentoso: lâmina de células epiteliais contendo melanina responsáveis por captar a luz difusa Estrato nervoso (sensorial) da retina: possui múltiplas camadas responsáveis por processar os dados visuais e enviar impulsos nervosos para os axônios que formam o nervo óptico 2.3. Aprofundamento da região da retina A retina é formada por um estrato pigmentoso e por um estrato nervoso. Há as camadas das células fotorreceptoras, das células bipolares (possui dois tipos de células, as horizontais e as amácrinas) e a das células ganglionares. Elas são separadas por duas zonas, as camadas sinápticas interna e externa, locais onde ocorrem sinapses. SISTEMA VISUAL Fotorreceptores: funcionam na presença de pouca luz e são responsáveis pela visão noturna, em que os objetos são vistos em preto e branco são responsáveis pela visão de alta acuidade e pela visão colorida durante o dia, quando a quantidade de luz é alta. Os fotorreceptores são células especializadas na camada fotorreceptora da retina, responsáveis por iniciar o processo de conversão dos raios luminosos em impulsos nervosos Existem dois tipos de fotorreceptores: os bastonetes e os cones. Bastonetes: Cones: SISTEMA VISUAL FIGURA 5: camadas da retina FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. A refração é um desvio sofrido pela luz ao passar por meios de diferentes densidades Aproximadamente 75% da refração total da luz ocorre na córnea, enquanto a lente do cristalino é responsável por 25% O cristalino está associado à capacidade de foco e também à modulação do foco para a observação de objetos próximos ou distantes, ele curva os raios de modo que o foco incida exatamente sobre a fóvea central, onde a visão é mais nítida. 3. FORMAÇÃO DE IMAGENS Para entender como o olho forma imagens claras de objetos na retina, é preciso entender três processos: 3.1 REFRAÇÃO OU DESVIO DA LUZ SISTEMA VISUAL Quando relaxado, as zônulas puxam a lente, que fica com o formato achatado (objeto distante) Quando contraído, libera a tensão das zônulas e a lente obtém o formato arredondado (objeto próximo) 3.2 ACOMODAÇÃO DO CRISTALINO O músculo ciliar modifica a tensão das fibras zonulares com o intuito de adequar o formato da lente de acordo com a distância do objeto: As fibras parassimpáticas do nervo oculomotor (III) inervam o músculo ciliar do corpo ciliar e, portanto, controlam o processo de acomodação. SISTEMA VISUAL FIGURA 6: mudanças na forma da lente controlada pelo músculo ciliar FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. SISTEMA VISUAL Músculo radial da íris através de estímulo dos neurônios simpáticos promove a dilatação da pupila Músculo circular da íris através de neurônios parassimpáticos promove a constrição da pupila 3.3 CONSTRIÇÃO OU DILATAÇÃO DA PUPILA Íris (parte colorida do bulbo do olho) tem como função principal a regulação da quantidade de luz que entra no bulbo através da pupila Além da regulação da quantidade de luz que chega à retina, as pupilas contribuem para o que é conhecido como profundidade de campo. SISTEMA VISUAL FIGURA 7: respostas da pupila à variação da intensidade da luz FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. SISTEMA VISUAL Absorção da luz por um fotopigmento e transformação da energia luminosa em um potencial receptor Retinal: parte que absorve luz de todos os fotopigmentos visuais. Opsinas: três tipos nos cones e uma nos bastonetes (rodopsina) 4. FISIOLOGIA DA VISÃO 4.1 TRANSDUÇÃO VISUAL: Bastonetes só possuem como fotopigmento a rodopsina, enquanto os cones apresentam três tipos, os quais são excitados por diferentes comprimentos de onda da luz, o que nos permite a visão colorida Cada fotopigmento possui duas partes: uma glicoproteína conhecida como opsina e um derivado da vitamina A chamado de retinal: SISTEMA VISUAL FIGURA 8: estrutura microscópica da retina células horizontais fazem sinapse com os fotorreceptores e com as células bipolares células amácrinas modulam a informação que flui entre as células bipolares e as células ganglionares. NTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. A partir dos fotorreceptores, a informação flui através da camada sináptica externa até as células bipolares e delas para a camada sináptica interna e para as células ganglionares SISTEMA VISUAL CAMPO DE VISÃO: um grupo de fotorreceptores adjacentes forma o campo visual de uma célula da retina Células bipolares: ON (luz-ligada): são ativadas na luz quando a secreção de glutamato pelos fotorreceptores diminui OFF(luz-desligada), que são excitadas pela liberação de glutamato no escuro. Células ganglionares: campos visuais divididos em duas porções: um centro circular e uma periferia. É o contraste entre o centro e a sua periferia que permite às células interpretar a informação visual. FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 9: representação dos campos visuais SISTEMA VISUAL Isomerização - Em ambientes escuros, o retinal apresenta formato dobrado (cis-retinal) e está encaixado na opsina. Quando o cis-retinal absorve fótons de luz, ele muda de conformação e é denominado por trans-retinal Clareamento - o trans-retinal se separa da opsina, gerando um produto incolor Regeneração - retinal isomerase converte o trans-retinal em cis-retinal, permitindo que a ligação entre opsina e cis-retinal seja retomada e o fotopigmento restaurado 4.2. COMO OS FOTOPIGMENTOS RESPONDEM À LUZ SISTEMA VISUAL FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan 2002 FIGURA 10: O clareamento e a regeneração cíclicos do fotopigmento. CURIOSIDADE! Fotopigmentos dos cones se regeneram muito mais rápido do que a rodopsina nos bastonetes: após o clareamento completo, a regeneração de metade da rodopsina demora cerca de cinco minutos, metade dos fotopigmentos dos cones se regenera em apenas 90 s. Isso explica, em parte, porque o processo de adaptação ao escuro ocorre lentamente em comparação ao de adaptação à luz. SISTEMA VISUAL Íons sódio (Na+) fluem para dentro do segmento externo do fotorreceptor através de canais de Na+ sensíveis a ligantes, nos quais o ligante é o monofosfato cíclico de guanosina (GMP cíclico/ cGMP) Influxo de Na+ despolariza parcialmente o fotorreceptor, gerando um potencial de membrana de aproximadamente – 30v Despolarização parcial dispara a liberação contínua de neurotransmissor nos terminais sinápticos, geralmente o glutamato. Em sinapses entre bastonetes e algumas células bipolares, o glutamato é um neurotransmissor inibitório: ele dispara potenciais pós-sinápticos inibitórios (PPSI) PPSI hiperpolarizam as células bipolares, evitando que elas transmitam sinais para as células ganglionares AMBIENTE ESCURO: Liberação de neurotransmissor por fotorreceptores SISTEMA VISUAL Cis-retinal sofre isomerização e são ativadas enzimas que clivam o cGMP. Canais de Na+ sensíveis a cGMP se fecham, influxo de Na+ diminui e o potencial de membrana se torna mais negativo, chegando a –70 mV. Com isso, há a produção de um potencial receptor hiperpolarizante que diminui a liberação de glutamato. Bastonetes fazem sinapses com as células bipolares, excitando-as Células bipolares excitadas estimulam as células as ganglionares a formarem potenciais de ação em seus axônios Células ganglionares da retina fornecem informações da retina para o encéfalo por meio do nervo óptico (II). AMBIENTE COM LUMINOSIDADE: a absorção de luz e a isomerização do retinal provocam a inibição da liberação do neurotransmissor SISTEMA VISUAL FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 11: ação dos bastonetes em ambientes escuros FIGURA 12: bastonetes em ambientes com luminosidade Axônios das células ganglionares da retina em cada um dos olhos deixam o bulbo do olho no disco do nervo óptico e formam o nervo óptico No quiasma óptico (ponto de cruzamento dos nervos óptico), os axônios da metade temporal de cada retina não cruzam e continuam diretamente para o núcleo do corpo geniculado lateral do tálamo naquele mesmo lado. Enquanto os axônios da metade nasal de cada retina cruzam o quiasma óptico e seguem para o tálamo oposto. Cada trato óptico é formado por axônios cruzados e não cruzados que se projetam a partir do quiasma óptico para o tálamo de um dos lados. Axônios dos neurônios talâmicos formam as radiações ópticas conforme se projetam do tálamo para a área visual primária do córtex no mesmo lado (área 17 de Brodmann) 4.3. PROCESSAMENTO NO CÓRTEX SISTEMA VISUAL Axônios colaterais (ramos) das células ganglionares retinais se projetam para o mesencéfalo, no núcleo pré-tectal, onde contribuem para os reflexos de acomodação e o pupilar. Além disso, os axônios colaterais também se estendem para o hipotálamo, no núcleo supraquiasmático, que está relacionado ao ritmo circadiano Uma parte das fibras do trato óptico ainda termina no colículo superior, auxiliando no controle dos músculos extrínsecos do bulbo do olho Outros percursos: SISTEMA VISUAL FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 13: representação do processamento no córtex Miopia: ponto focal incide à frente da Hipermetropia: ponto focal incide atrás 5. CORRELAÇÕES CLÍNICAS 5.1. Distúrbios relacionados a defeitos na focalização: retina da retina FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 14: representação da miopia e da hipermetropia SISTEMA VISUAL Presbiopia: com o envelhecimento, a lente perde sua flexibilidade, resultando na perda da acomodação Astigmatismo: causado geralmente por uma córnea que não possui uma curvatura perfeita, resultando em imagens distorcidas. Catarata: cristalino opaco com coloração branca ou branca-acinzentada SISTEMA VISUAL 5.2. Descolamento da retina: Pode resultar de um trauma ou da degeneração relacionada com a idade O descolamento ocorre entre o estrato nervoso da retina e o estrato pigmentoso, resultando na acumulação de líquido entre essas camadas, o que força a retina a se soltar para frente. Como consequência, há uma distorção na visão e a cegueira no campo de visão correspondente. 5.3. Cegueira Noturna Causada pela deficiência prolongada de vitamina A e a quantidade de rodopsina abaixo do normal, resulta na incapacidade de enxergar bem sob baixa luminosidade SISTEMA VISUAL Monocromático: Causada pela ausência de dois ou três tipos de cones, é uma deficiência visual que faz com que as pessoas não consigam distinguir qualquer cor, enxergando tudo em tons de cinza. Dicromático: ocorre quando um tipo de cone não está presente na retina 5.4. Daltonismo Incapacidade hereditária de distinguir determinadas cores, o daltonismo resulta da ausência ou deficiência de um dos três tipos de cones. O tipo mais comum é o daltonismo vermelho-verde, em que os cones vermelhos ou verdes estão ausentes. SISTEMA VISUAL Protanopia: os cones do tipo L (captam comprimentos de onda longos, onde o pico é por volta dos 560nm (vermelho)) não estão presentes na retina Deuteranopia: os cones do tipo M (captam comprimentos de onda médios, onde o pico é por volta dos 530nm (verde)) não estão presentes na retina Tritanopia: os cones do tipo S (comprimentos de onda curtos, onde o pico é por volta dos 420nm (azul)) não estão presentes na retina FONTE: https://lenscope.com.br/blog/tipos-de-daltonismo/ FIGURA 15: tipos de daltonismo dicromático SISTEMA VISUAL https://lenscope.com.br/blog/tipos-de-daltonismo/ Fisiologia da audição e do equilíbrio Descrever a anatomia da orelha: orelha externa, média e interna Conhecer as funções dos componentes dos compartimentos da orelha Compreender os principais eventos da fisiologia da audição e do equilíbrio Entender o funcionamento dos órgãos sensitivos da audição e do equilíbrio Compreender os principais distúrbios clínicos associados à audição e ao equilíbrio OBJETIVOS A audição é a nossa percepção da energia das ondas sonoras. A transdução O equilíbrio é mediado pelas células pilosas (ciliadas) do aparelho dos sons transforma as ondas sonoras em vibrações mecânicas, depois em ondas no líquido, as quais se transformam em sinaisquímicos, e, por fim, em potenciais de ação. vestibular e dos canais semicirculares da orelha interna. A gravidade e a aceleração geram a força que movimenta os cílios. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR A ORELHA É UM ÓRGÃO SENSORIAL ESPECIALIZADO EM DUAS FUNÇÕES DISTINTAS: Audição e Equilíbrio 1. 2. ANATOMIA DA ORELHA pavilhão auricular: parte visível da orelha, é uma aba constituída por cartilagem elástica e com formato semelhante à extremidade de uma corneta. meato acústico externo: tubo curvado que liga a região do pavilhão à membrana timpânica. membrana timpânica (tímpano): membrana fina e semitransparente que separa o meato acústico externo e a orelha média 2.1. Orelha externa Função: responsável por coletar as ondas sonoras e direcioná-las à orelha média Constituição: SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 16: anatomia da orelha Cavidade timpânica Ossículos da audição: martelo, bigorna e estribo (conectados por articulações sinoviais) Tuba auditiva (trompa de Eustáquio): conecta a orelha média com a parte nasal da faringe, sendo responsável por equalizar a pressão na orelha média à pressão atmosférica 2.2. Orelha Média É uma cavidade cheia de ar e revestida por epitélio, situada na parte petrosa do osso temporal. Função: condução das vibrações sonoras para a janela do vestíbulo (janela oval) Constituição: SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 17: anatomia da orelha labirinto ósseo (canais semicirculares, vestíbulo, cóclea) labirinto membranáceo (sacos e ductos comunicantes) 2.3. Orelha Interna Função: contém o órgão vestibulococlear relacionado com a recepção do som e a manutenção do equilíbrio Também formada por estruturas que estão na parte petrosa do osso temporal, a orelha interna possui duas regiões principais: SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 18: anatomia da orelha relacionados ao equilíbrio Situam-se posterossuperiormente ao vestíbulo Canais semicirculares anterior, posterior e lateral Onde estão alojados os ductos semicirculares (labirinto membranáceo) Cada um apresenta uma extremidade onde há um alargamento, a ampola óssea: Canais semicirculares: - as ampolas contêm áreas sensitivas, as cristas ampulares, as quais são capazes de registrar os movimentos da endolinfa na ampola decorrentes da rotação da cabeça e de estimular neurônios sensitivos primários, cujos corpos celulares estão situados nos gânglios vestibulares. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Relacionado ao equilíbrio Contínuo com a cóclea óssea anteriormente e os canais semicirculares posteriormente Apresenta a janela do vestíbulo em sua parede lateral, ocupada pela base do estribo Pequena câmera oval que contém o utrículo e o sáculo (labirinto membranáceo) Vestíbulo: - Sacos comunicantes no vestíbulo do labirinto ósseo conectados por um pequeno ducto, o utriculossacular - Contêm áreas especializadas de epitélio sensitivo denominadas máculas. Estas possuem células ciliadas inervadas por fibras da divisão vestibular do nervo vestibulococlear. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Está associada à audição Canal espiral da cóclea começa no vestíbulo e faz duas voltas e meia ao redor de um centro ósseo, o modíolo Apresenta a janela da cóclea, fechada pela membrana timpânica secundária Parte em forma de concha do labirinto ósseo que contém o ducto coclear (labirinto membranáceo): Cóclea: - Atravessa o canal espiral da cóclea, dividindo-o em dois canais, a rampa do vestíbulo e a rampa do tímpano. - O teto do ducto coclear é formado pela membrana vestibular, enquanto o assoalho é formado pela lâmina basilar. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Órgão espiral ou órgão de Corti: - Receptor dos estímulos auditivos - Está situado sobre a lâmina basilar, contém células pilosas, cujas extremidades com estereocílios estão inseridas na membrana tectória (membrana gelatinosa e flexível), enquanto os corpos das células ciliadas se encontram sobre a lâmina. - O órgão é estimulado a responder por deformação do ducto coclear induzida pelas ondas de pressão hidráulica na perilinfa, que ascendem e descem nas rampas do vestíbulo e no tímpano adjacentes. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Rampa do vestíbulo: por meio da qual as vibrações da base do estribo ascendem até o ápice da cóclea, passam pelo helicotrema (espaço de comunicação entre as duas rampas) e descem à rampa do tímpano, o outro canal. Membrana timpânica secundária (janela da cóclea): por onde a energia inicialmente recebida pela membrana timpânica primária se dissipa para o ar da cavidade timpânica SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: Moore, Keith L.; DALLEY, Arthur F.. Anatomia orientada para a clínica. 6 ed. Rio De Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 2011. FIGURA 19: estrutura da cóclea Nervo vestibulococlear: Dividido na parte coclear (nervo coclear) e na parte vestibular (nervo vestibular), seus corpos celulares constituem os gânglios espiral e vestibular, respectivamente. FONTE: Moore, Keith L.; DALLEY, Arthur F.. Anatomia orientada para a clínica. 6 ed. Rio De Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 2011. FIGURA 20: nervo vestibulococlear SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR O pavilhão recebe as ondas sonoras e as direciona para o meato acústico externo. Ondas sonoras seguem pelo meato acústico externo e alcançam a membrana timpânica, fazendo com que a membrana vibre. Se o som for de baixa frequência, ela vibrará lentamente; se for de alta, ela vibrará rapidamente. 3. FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO 3.1. Eventos que ocorrem na orelha externa: SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR O martelo, que está ligado à membrana, vibrará junto a ela, transmitindo o impulso à bigorna, o qual transmitirá ao estribo. 3.2. Evento que ocorre na orelha média: Resultado: O estribo, ao mover-se para frente e para trás pelo movimento vibracional, fará vibrar a janela do vestíbulo. Tal ação amplifica as vibrações em cerca de 20 vezes, pois as pequenas vibrações antes espalhadas por uma grande área superficial (a membrana timpânica) são transformadas em vibrações maiores em uma superfície menor (a janela do vestíbulo). SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR A transferência do estímulo à janela do vestíbulo provoca ondas de pressão no líquido da perilinfa da cóclea, pois à medida que a janela do vestíbulo é empurrada para dentro, ela empurra a perilinfa na rampa do vestíbulo. Com relação às ondas de pressão, uma parte atravessa a rampa do vestíbulo, passa para a membrana vestibular e se move para a endolinfa dentro do ducto coclear. Enquanto, o restante é transmitido da rampa do vestíbulo para a rampa do tímpano e, assim, para a janela da cóclea, com o intuito de dissipar as ondas para a orelha média. 3.3 Eventos que ocorrem na orelha interna: - Produção de ondas de pressão no endolinfa SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Quando as ondas de pressão chegam na endolinfa elas fazem com que as membranas basilares vibrem, o que provoca um movimento das células ciliadas do órgão espiral que se movem contra a membrana tectória. O movimento das células ciliadas do órgão espiral promove o dobramento dos estereocílios. Essas células são responsáveis por converter uma vibração mecânica (estímulo) em um sinal elétrico (potencial receptor), ou seja, a transdução das vibrações. - Órgão espiral (órgão de corti) recebe o estímulo SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 21: órgão de cortiFONTE: TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. FIGURA 22: Eventos na estimulação dos receptores auditivos À medida que os feixes se dobram em direção aos estereocílios mais altos, as proteínas de ligações de extremidade (tip links) disparam canais de transdução, os quais permitem que cátions, principalmente o K+ entrem no citosol da célula ciliada A entrada dos cátions geram uma despolarização nas células, induzindo a abertura dos canais de Ca+ dependentes de voltagem. Com o influxo de cálcio, pode ocorrer o processo de exocitose de vesículas contendo neurotransmissores. - Dobramento dos estereocílios provoca a liberação de neurotransmissores SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Com a liberação dos neurotransmissores, os neurônios sensitivos estabelecem sinapses com a base das células ciliadas. - Neurônios sensitivos estabelecem sinapses com as células ciliadas Inibição do estímulo: À medida que os estereocílios dobram na direção oposta, os canais de transdução são fechados, induzindo uma hiperpolarização e reduzindo a liberação do neurotransmissores pelas células ciliadas e, portanto, a transmissão de impulsos nervosos SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 23: transdução de sinal nas células pilosas Corpos celulares dos neurônios sensitivos recebem o estímulo (localizados nos gânglios espirais) Impulsos nervosos são transferidos para a parte coclear do nervo vestibulococlear (VIII) Os neurônios auditivos primários projetam-se da cóclea para os núcleos cocleares do bulbo Do bulbo, os neurônios sensoriais secundários projetam-se para dois núcleos superiores, um ipsilateral e outro contralateral (no lado oposto): Esses tratos ascendentes fazem sinapses em núcleos no mesencéfalo e no tálamo, antes de se projetarem para o córtex auditivo Vias colaterais enviam informações à formação reticular e ao cerebelo - Processamento no córtex - cada lado do cérebro recebe informação de ambas as orelhas. SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 24: via auditiva Detecção da aceleração e da desaceleração rotacionais. Há dois ductos verticais, os semicirculares anterior e posterior e há o ducto horizontal, o semicircular lateral. Possuem uma região dilatada, a ampola, onde se encontra as cristas, um grupo de células ciliadas e de células de sustentação. Recobrindo a crista, é possível encontrar uma massa de material gelatinoso, a cúpula. 4. FISIOLOGIA DO EQUILÍBRIO 4.1 Canais semicirculares e os ductos semicirculares estão associados ao equilíbrio dos movimentos rotacionais SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Ao realizar os movimentos rotacionais, os ductos semicirculares e as células ciliadas se movem, entretanto, a endolinfa não. Nas ampolas, a endolinfa inclina a cúpula e suas células pilosas na direção oposta àquela para a qual a cabeça está girando. É o atrito entre a endolinfa estacionária e células ciliadas que faz com que os ramos dessas células se dobrem, o que gera potenciais receptores. Os potenciais são direcionados aos nervo vestibular e os impulsos nervosos são levados ao cérebro pelo nervo vestibulococlear. - Funcionamento da via SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 25: canais semicirculares FIGURA 26: cristas As unidades sensoriais são as máculas, compostas por células pilosas, as quais possuem em sua superfície o feixe piloso (estereocílios e os cinocílios), a membrana otolítica (massa gelatinosa) e os otólitos (partículas de proteínas e carbonato de cálcio) A mácula do utrículo está relacionada ao plano horizontal, detectando a aceleração para a frente ou a desaceleração, bem como quando a cabeça se inclina. A mácula do sáculo se relaciona com o plano vertical, sendo acionada quando o indivíduo está deitado ou em um elevador, por exemplo. 4.2. Os órgãos otolíticos, utrículo e o sáculo, são responsáveis por detectar as forças lineares SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Quando há uma aceleração ou desaceleração linear, a membrana otolítica é tracionada pela gravidade. Assim, os otólitos, localizados na superfície da membrana, deslizam juntamente à membrana, o que faz com que os cílios das células pilosas também se curvem O dobramento dos feixes pilosos em uma direção estica as ligações de extremidade, que tracionam os canais de transdução, produzindo potenciais receptores despolarizantes As células ciliadas formam sinapses com neurônios sensitivos na parte vestibular do nervo vestibulococlear (VIII) O dobramento na direção oposta fecha os canais de transdução e produz a hiperpolarização, que cessa o estímulo SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 27: mácula FONTE: 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. FIGURA 28: via do equilíbrio 5. CORRELAÇÕES CLÍNICAS Perfuração do tímpano: caracterizada pelo rompimento da membrana timpânica, a perfuração pode ser causada pela pressão de um cotonete, por traumatismo ou por uma infecção na orelha média. Pode ser examinada pelo uso de um otoscópio, aparelho que ilumina e amplia a visão da membrana. FONTE:https://www.infoescola.com/audicao/perfuracao-do-timpano/ FIGURA 29: tímpano normal e tímpano perfurado SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Otite média: infecção aguda da orelha média causada principalmente por bactérias provenientes da nasofaringe, está associada a infecções do nariz e da garganta. Os principais sintomas são dor, mal-estar, febre, vermelhidão. Ocorre também a protrusão da membrana timpânica, a qual pode se romper caso a otite não for tratada. As crianças são mais suscetíveis aos casos, pois suas tubas auditivas são mais horizontais. FONTE:https://pediatriavirtual.com/otite/ FIGURA 30: otite média SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR Surdez central: quando há um dano na via neural, entre o nervo coclear e o córtex auditivo, ou no próprio córtex. O acidente vascular encefálico (AVC), por exemplo, pode induzir ao quadro. Surdez neurossensorial: provocada por lesões em estruturas da orelha interna, incluindo morte de células pilosas, pela exposição prolongada a barulhos altos, por exemplo. Pode ser provocada também por determinados fármacos como ácido acetilsalicílico e estreptomicina; e/ou por fatores genéticos Surdez de condução: causada por danos aos mecanismos de transmissão de sons das orelhas externa e média para a cóclea. Entre as causas, pode-se citar: otosclerose, deposição de novos ossos ao redor da janela do vestíbulo (oval), cerume impactado, lesões timpânicas e envelhecimento, que frequentemente promovem espessamento da membrana timpânica e das articulações dos ossículos da audição. Surdez: quadro clínico em que há perda total ou parcial da audição SISTEMA AUDITIVO E VESTIBULAR REFERÊNCIAS 2ª ed, 1996. -SILVERTHORN, D. Fisiologia Humana: Uma Abordagem Integrada, 7ª Edição, Artmed, 2017. TORTORA, Gerald J.; GRABOWSKI, Sandra Reynolds. Princípios de Anatomia e Fisiologia. 9ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. Moore, Keith L.; DALLEY, Arthur F.. Anatomia orientada para a clínica. 6 ed. Rio De Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 2011.