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Gabriely Pansera / ATM 25 / Módulo 132 HISTOLOGIA – SEMANA 2 E 3 SISTEMA CIRCULATÓRIO INTRODUÇÃO O sistema circulatório abrange o sistema vascular sanguíneo e o sistema vascular linfático. ‣ Coração: órgão com função de bombear sangue; ‣ Artérias: vasos que se tornam menores à medida que se ramificam, levam sangue aos tecidos; ‣ Capilares: vasos sanguíneos que constituem uma rede complexa de tubos muito delgados. Onde ocorre grande parte do intercambio de sangue com tecidos; ‣ Veias: resultado da convergência dos vasos capilares, fi- cam cada vez mais calibroso à medida que se aproximam do coração. O sistema vascular linfático inicia nos capilares linfáticos localizados nos tecidos. São túbulos de fundo cego que se unem para formar tubos de diâmetro crescente. Os vasos maiores terminam no sistema vascular sanguíneo. Uma das funções do sistema linfático é retornar ao sangue o fluido contido nos espaços intersticiais. A superfície interna de todos os vasos sanguíneos e linfáticos é revestida por uma única camada de epitélio pavimentoso, o endotélio. TECIDOS QUE COMPEM A PAREDE DOS VASOS A parede dos vasos é formada por estruturas básicas: o epitélio chamado endotélio, tecido muscular e tecido conjuntivo. Esses tecidos associados formam as camadas ou túnicas dos vasos. Os capilares e vênulas pós-capilares são compostos apenas por endotélio e membrana basal. O endotélio forma uma barreira semipermeável entre o plasma sanguíneo e o fluido intersticial. Ele é altamente diferenciado para mediar e monitorar as trocas bidirecionais de pequenas moléculas e restringir o transporte de macromoléculas. As células endoteliais são diferentes de acordo com o vaso que elas revestem. As células endoteliais tem papel em: trocas entre o sangue e os tecidos; conversão de angiotensina I para angiotensina II; com- versão de bradicinina, serotonina, prostaglandinas, norepine- frina, trombina, etc; lipólise de lipoproteínas por enzimas na su- perfície das células endoteliais; síntese de fatores vasoativos que influenciam no tônus vascular. O tecido muscular liso compõe todos os vasos sanguíneos, ex- ceto os capilares e vênulas periciticas. Suas células estão na túnica média dos vasos e se organizam em camadas helicoidais. Cada célula muscular lisa é envolta por uma lâmina basal e tecido conjuntivo. As células m. l. vasculares, nas arteríolas e pequenas artérias, são conectadas por junções comunicantes GAP. O tecido conjuntivo é encontrado nas paredes dos vasos de acordo com suas necessidades funcionais. As fibras colágenas, abundantes na parede do sistema vascular, são encontradas entre as células musculares, na camada ad- ventícia e na camada subepitelial em alguns vasos. Colágeno tipo: I – adventícia; III – túnica media; IV – membranas basais. As fibras elásticas fornecem resistência durante o estiramento quando há expansão da parede dos vasos. Essas fibras pre- dominam em grandes artérias e se organizam em lamelas paralelas entre as células musculares na camada média. A substancia fundamental forma um gel heterogêneo nos espa- ços extracelulares da parede dos vasos, contribuindo com as propriedades físicas da parede e afetando a difusão e permea- bilidade da parede. Os glicosaminoglicanos tem maior concentração nas paredes das artérias que das veias. PLANO ESTRUTURAL E COMPONENTES DOS VASOS SANGUÍNEOS A Gabriely Pansera / ATM 25 / Módulo 132 O mesmo tipo de vaso sofre variações estruturais ao longo do seu percurso. É difícil distinguir os tipos diferentes de vaso, pois a transição de um para outro ocorre gradualmente. Os vasos sanguíneos são compostos por camadas/túnicas: túni- ca intima, túnica media e túnica adventícia. A túnica intima tem uma camada de células endoteliais apoiada em uma camada de tecido conjuntivo frouxo, a camada suben- dotelial. Nas artérias, a túnica intima é separada da media por uma lâ- mina elástica. A túnica média tem camadas concêntricas de células muscula- res lisas, organizadas helicoidalmente. Em artérias do tipo elástico, a túnica media é ocupada por lâmi- nas de material elástico. Em artérias musculares menos cali- brosas, a túnica media contém uma lamina elástica externa, no limite com a adventícia. A túnica adventícia consiste em colágeno tipo I e fibras elásti- cas. Essa camada se torna gradualmente continua com o tecido conjuntivo do órgão pelo qual o vaso sanguíneo está passando. →Vasa vasorum (vasos dos vasos): componente dos grandes vasos, arteríolas, capilares e vênulas, se ramificam na adventí- cia e um pouco na média. Vasos maiores tem camadas espessas que precisam ser nutridas por fontes além do sangue que circu- la no lúmen do vaso. São mais frequentes em veias que artérias. →Vasos que possuem musculo liso nas paredes tem inervação simpática, cujas terminações liberam norepinefrina para fazer vasoconstrição. ESTRUTURA E FUNÇÕES DOS VASOS SANGUÍNEOS As grandes artérias elásticas (aorta e grandes ramos) ajudam a estabilizar o fluxo sanguíneo. São vasos de cor amarelada pela grande quantidade de elastina na túnica média. Túnicas: a intima é mais espessa que de uma artéria muscular; a túnica media é uma serie de lâminas elásticas perfuradas, concentricamente organizadas, cujo número aumenta com a idade; a adventícia é pouco desenvolvida. Os corpos carotídeos são pequenos quimiorreceptores sensí- veis a concentração de O2 e CO2 no sangue. Captam a baixa tensão de O2, a alta concentração de CO2 e o baixo pH do san- gue arterial. Os seios carotídeos são pequenas dilatações das artérias caró- tidas internas que contem barorreceptores para detectar varia- ções na pressão sanguínea e transmitir a informação ao SNC, que responde controlando a vasoconstrição para manter a pressão normal. Túnicas: a media é delgada e responde a mudanças na pressão; a intima e a adventícias são ricas em terminações nervosas. As artérias musculares medias tem a túnica media formada por células musculares lisas; a intima com uma camada subendo- telial pouco mais espessa que a das arteríolas; a adventícia é tecido conjuntivo frouxo com vasos capilares linfáticos, vasa vasorum e nervos da adventícia. As artérias musculares podem controlar o fluxo de sangue para vários órgãos contraindo ou relaxando as células musculares lisas da túnica média. As arteríolas tem diâmetro pequeno, lúmen estreito e camada subendotelial delgada. Não tem lâmina elástica externa. Os capilares sofrem variações estruturais afim de se adaptar para exercer níveis diferentes de trocas metabólicas entre san- gue e tecidos. São compostos de uma única camada de células endoteliais, de forma poligonal orientada na direção do fluxo sanguíneo, que se unem lateralmente por zônulas de oclusão. O núcleo da célu- la endotelial se projeta para o lúmen do capilar. A parede dos capilares é formada por 1-3 células que repousam sobre uma lâmina basal. Os capilares são divididos em quatro grupos: ‣ Capilar Continuo ou Somático: tem ausência de fenestras na parede, encontrado em todos os tipos de tecido muscular, conjuntivo, nervoso e glândulas exócrinas. ‣ Capilar Fenestrado ou Visceral: tem grandes orifícios ou fenestras nas paredes das células endoteliais, os quais são Gabriely Pansera / ATM 25 / Módulo 132 obstruídos por um diafragma. São encontrados nos tecidos que ocorre intercambio rápido de substancias entre sangue e tecidos, ex.: rins, intestino e glândulas endócrinas. ‣ Capilar Fenestrado e Destituído de Diafragma: na altura das fenestras o sangue só está separado dos tecidos por uma lâmina basal espessa e continua. Presente no glomérulo re- nal. ‣ Capilar Sinusoide: - tem caminho tortuoso e é maior que os outros capilares, o que reduz a velocidade da circulação;- suas células endoteliais formam uma camada descontinua e são separadas por espaços amplos; - o citoplasma das cel. endoteliais tem fenestrações desprovidas de diafragma; - a lamina basal é descontinua. Encontrados no fígado e órgãos hemocitopoeticos (baço e medula óssea). Essa estrutura da parede facilita o intercâmbio entre o sangue e os tecidos. Os vasos capilares se anastomosa formando redes que inter- conectam pequenas artérias (arteríolas) com pequenas veias (vênula pós-capilar). Os pericitos são células de origem mesenquimal com longos processos citoplasmáticos que envolvem porções de células endoteliais. Após uma lesão, os pericitos se diferenciam para formar novos vasos sanguíneos e novas células do tecido conjuntivo, partici- pando do processo de reparo do tecido. As vênulas pós-capilares ou periciticas são a transição dos ca- pilares para vênulas. A parede dessas vênulas é formada por apenas uma camada de células endoteliais envoltas por células periciticas contrateis. As veias são classificadas em pequenas medias e grandes, sendo a maioria medias ou pequenas. A coleta de sangue inicia das vênulas. Túnicas: a intima tem uma camada subendotelial fina de tecido conjuntivo que pode estar ausente; a media tem pacotes de pequenas células musculares lisas com fibras reticulares; a adventícia é a mais espessa e desenvolvida nas veias. As grandes veias têm uma túnica intima bem desenvolvida, mas uma média muito fina de poucas células musculares lisas e muito tecido conjuntivo. Grandes veias costumam ter válvulas no seu interior. As válvulas são compostas por tecido conjuntivo rico em fibras elásticas, revestidas em ambos os lados por endotélio. São mais numerosas em veias dos membros inferiores. CORAÇÃO O coração é responsável pela produção do hormônio fator na- triurético atrial. Suas paredes possuem três túnicas: interna ou endocárdio; media ou miocárdio e; externa ou pericárdio. A região central fibrosa do coração se chama esqueleto fibroso e serve de ponto de apoio para as válvulas e é local de origem e inserção de células musculares cardíacas. O endocárdio é como a intima dos vasos, constituído por endo- télio que repousa sobre uma camada subendotelial delgada de tecido conjuntivo frouxo. Para conectar o miocárdio a camada subendotelial existe uma camada de tecido conjuntivo, chamado camada subendocardial. O miocárdio é a túnica mais espessa do coração e consiste em células musculares cardíacas organizadas em camadas que envolvem as câmaras do coração. Muitas das camadas se inse- rem no esqueleto fibroso. Externamente o coração é coberto por um epitélio pavimentoso simples que se apoia sobre uma fina camada de tecido conjun- tivo, constituindo o epicárdio. O tecido adiposo que se envolve o coração se acumula nessa camada. O epicárdio corresponde a um folheto do pericárdio, a membra- na serosa que envolve o coração. Há uma quantidade de liquido entre os folhetos para facilitar os movimentos do coração. As válvulas são um arcabouço central de tecido conjuntivo den- so, revestidas por endotélio. Suas bases são presas aos anéis fibrosos do esqueleto cardíaco. SISTEMA VASCULAR LINFÁTICO É um sistema de canais de paredes finas, revestidas por endo- télio, que coleta fluidos dos espaços intersticiais (linfa) e retor- Gabriely Pansera / ATM 25 / Módulo 132 na ao coração. A linfa só circula na direção do coração. Os capilares linfáticos se originam como vasos finos e sem fun- do, com apenas uma camada de endotélio e uma lâmina basal incompleta. Esses vasos convergem e terminam em dois grandes troncos: o ducto torácico e o ducto linfático direito, que desembocam na junção das veias jugular interna esquerda com a veia subclávia interna esquerda. No trajeto atravessam os linfonodos. Os vasos linfáticos são encontrados em todos os órgãos, exceto SNC e medula óssea. Esses vasos tem estrutura semelhante à das veias, exceto pelas paredes mais finas e por não terem separação clara entre as túnicas. Também possuem mais válvulas no seu interior e tem vasa vasorum. Nas porções entre as válvulas, os vasos linfáticos são dilatados e tem aspecto nodular ou em colar de contas.