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CURSO: BIOMEDICINA PROFA DRA DORA LÚCIA CARRARA MORETI 2021 SUMÁRIO I. Introdução............................................................................................................................ 1 II. A questão da Qualidade....................................................................................................... 3 III. Os papéis do Gestor da Qualidade....................................................................................... 4 IV. Diferenças entre Controle de Qualidade Interno (CQI) e Controle de Qualidade Externo (CQE)................................................................................................................................... 6 V. Terminologia........................................................................................................................ 7 VI. Controle de Qualidade Interno e Externo............................................................................ 12 1. Controle de Qualidade Externo- Teste de Proficiência ……………………................... 13 2. Instituições de referências: EQAS, PELM e PNCQ........................................................ 14 3. Controle de Qualidade Externo em Citopatologia…………………………................... 15 4. Controle de Interno da Qualidade………………………………………….................... 17 4.1 Soro Controle Comercial.............................................................................................. 17 4.2 Duplicação Cega de Amostras...................................................................................... 18 4.3 Pool de Amostras Nativas (“Pool caseiro”).................................................................. 20 4.4 Vantagens / Desvantagens dos Controles de Qualidade Intralaboratorial: Soro controle (“Pool caseiro”, soro comercial) e Duplicação cega de amostras......................... 21 4.5 Regularidade dos Ensaios.............................................................................................. 22 5. Cálculo e Utilização das Estatísticas de Controle de Qualidade………....................... 23 6. Média……………………………………………………………………..................... 24 7. Desvio-Padrão…………………………………………………………….................... 24 8. Gráfico de Levey-Jennings…………………………………………………................ 28 9. Distribuição normal ou Gaussiana................................................................................. 29 10. Erros Sistemáticos…………………………………………………………................. 31 11. Erros ao acaso (randômicos)……………………………………………….................. 32 12. Erro Total....................................................................................................................... 32 VI. Regras Múltiplas de Westgard…………………………………………………................. 34 1. Procedimento para empregar análise multi-regras (Fluxograma clássico).................... 38 VII. Coeficiente de Variação (Precisão)……………………………………………................. 43 VIII. Razão do Coeficiente de Variação……………………………………………................... 45 IX. Índice de Desvio-Padrão……………………………………………………….................. 45 X. Avaliação da Reprodutibilidade e Exatidão........................................................................ 46 1. Erro da Média.................................................................................................................. 46 2. Fórmula de Tonks (LEP).................................................................................................. 47 XI. Controle de Qualidade em Banco de Sangue...................................................................... 47 1. Sensibilidade.................................................................................................................. 49 2. Especificidade................................................................................................................ 49 3. Valor preditivo positivo (VPP) e Valor preditivo negativo (VPN)............................... 50 XII. Fatores a serem considerados na escolha de um produto de controle comercial................. 53 XIII. Efeito matriz……………………………………………………………………................ 54 XIV. Controle de Qualidade em Microbiologia Clínica……………………………................... 55 1. Controle de Qualidade de Teste de Sensibilidade......................................................... 55 2. Controle de Qualidade de Meios de Cultura.................................................................. 62 3. Controle de Qualidade de Corantes e Colorações......................................................... 79 XV. Manutenção Preventiva e Controle de Qualidade de Equipamentos…………................... 80 XVI. Controle de Temperatura………………………………………………………................. 87 XVII. Controle de Água Purificada…………………………………………………................... 89 XVIII. Limpeza de Vidraria………………………………………………………….................... 91 XIX. Limpeza de Centrífuga…………………………………………………………................ 93 XX. Controle de Qualidade em Microscópio óptico……………………………………........... 95 XXI. Controle de Qualidade em Esterilização por Autoclave………………………….............. 97 XXII. Controle de Qualidade em Cabina de Segurança Biológica………………………............ 99 XXIII. Controle de Qualidade em Equipamentos de Segurança…………………………............. 102 XXIV. Validação de Centrífuga de Microematócrito………………………………….................. 104 XXV. Validação de Alça Microbiológica de Platina…………………………………................. 106 XXVI. Preparo de Reagentes e Corantes......................................................................................... 108 XXVII. Uroanálise (Controle de qualidade da tira reagente)…………………………................... 110 XXVIII. Registro de Treinamento...................................................................................................... 114 XXIX. Calibração………………………………………………………………………................ 116 1. Benefícios da Calibração…………………………………………………................... 117 2. Dados conclusivos de uma calibração……………………………………................... 117 3. Como aprovar um instrumento……………………………………………........ 119 4. Como definir o intervalo entre calibrações (“Escalonado” NBR ISO 10012- 1/1993)........................................................................................................................... 120 5. Como elaborar um plano de calibração……………………………………................. 120 6. Itens que um certificado deve apresentar (NBR ISO 17025:2001)………................... 122 7. Modelo de Certificado de Calibração………………………………………................ 123 8. Exercícios............................................................................................................ 124 XXX. Tabela de Codificação da EIME’s – Associação Internacional de Instrumentação e Medidas……………………………………………........................................................... 129 XXXI. Exercícios............................................................................................................................ 130 XXXII. Referências .......................…………………………………………………….................. 150 1 INTRODUÇÃO A “qualidade” já foi um diferencial de mercado e hoje é uma condição de sobrevivência em todos os segmentos da indústria e da prestação de serviços. Na área de saúde, a percepção de qualidade tem ganhado muitas formas e os tomadores de serviços laboratoriais (médicos, pacientes e familiares, fontes pagadoras e pesquisadores) a tem exigido de maneira cada vez mais frequente e consistente (OLIVEIRA, MENDES, 2011). As constantes inovações tecnológicas propiciaram um avanço profissional considerável dos laboratórios que prestam serviços à patologia clínica. Por sua vez, a complexidade econômica na operacionalização desses estabelecimentos tem exigido um esforço empresarial de grande magnitude, ocasionandoao dirigente laboratorial a necessidade de uma constante reciclagem em seus conhecimentos organizacionais. Nota-se a preocupação em selecionar e utilizar as ferramentas administrativas mais adequadas à obtenção de agilidade e de flexibilidade em seus procedimentos profissionais, como fundamento para a conquista da competitividade, um fator obrigatório para o sucesso no trabalho (OGUSHI, ALVES,1998). Para isto, deve-se implementar um Programa de Garantia da Qualidade, em que todas as atividades realizadas pelo laboratório são diretamente conduzidas no sentido de assegurar a qualidade de todo o processo, que incluem atividades pré-analíticas, analíticas e pós-analíticas (HENRY,2008). Deste modo, considerando o exame laboratorial como a essência do processo, faz-se necessária a identificação da satisfação do cliente como o paradigma da sua credibilidade e, consequentemente, os meios de sua obtenção, ou seja, as ações, os objetivos e, principalmente, o alvo a ser atingido. Fundamentalmente para a obtenção da qualidade do exame laboratorial, as ações e os agentes concentram-se em esquemas planejados, como: Sistema de Qualidade: estrutura organizacional, responsabilidades, procedimentos e recursos para implementar o gerenciamento da qualidade; Controle de Qualidade: técnicas e atividades operacionais que são usadas para preencher os requisitos estabelecidos para a qualidade; Garantia de Qualidade: todas as ações planejadas e sistemáticas, necessárias para promover adequada confiança da qual a prestação de serviço atenda aos requisitos da qualidade (Figura A). No que se refere aos objetivos, à luz do programa de gestão da qualidade, desde a fase de implantação de um laboratório clinico – fase de expectativa – até o encontro da satisfação completa dos seus clientes – fase do êxito pleno – é, nítido identificarem-se metas que devam ser alcançadas concomitantemente, nos âmbitos interno e externo. No aspecto externo, denominado por nós como processo laboratório-empresarial, destaca-se quatro pontos meritórios: credibilidade técnico-científica, captação crescente da clientela, rentabilidade e respeitabilidade empresarial. Por sua vez, para atingir esse mérito, a programação pró-qualidade obriga as entidades clínico- laboratoriais a maximizarem a eficiência do seu desempenho interno, ao qual denominamos processo técnico-laboratorial, fundamentando, para tal, uma série de objetivos essenciais a saber: capacitação técnica, controle estatístico do processo, funcionalidade, produtividade, racionalidade, desenvolvimento econômico e ética profissional (OGUSHI, ALVES,1998). 2 EXAME LABORATORIAL QUALIDADE SISTEMA GARANTIA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Autoridades, responsabilidades, organograma, fluxograma, etc. PROCEDIMENTOS ESPECIFICADOS Administrativos e operacionais: rotinas de atendimento CONTROLE RECURSOS OPERACIONAIS Humanos, materiais e instrumentais ÁREAS DE TRABALHO Demanda de pacientes e planejamento do arranjo físico PARÂMETROS LABORATORIAIS Quadro satisfatório de analíticos DOCUMENTAÇÃO Emissão automática de laudos, relatórios e manutenção de arquivos técnicos e administrativos SATISFAÇÃO DOS CLIENTES CREDIBILIDADE TÉCNICO-CIENTÍFICA RESPEITABILIDADE EMPRESARIAL SATISFAÇÃO ECONÔMICA Deming Feigenbaun Juran Crosby Ishikawa Fig.A – Fundamentação da qualidade do exame laboratorial. ÊXITO PROFISSIONAL 3 A QUESTÃO DA QUALIDADE Conceito Na evolução histórica, verifica-se que o conceito de qualidade tem apresentado mutações intimamente ligadas às condições momentâneas vividas pela sociedade. No início do século XX, até 1920 aproximadamente, com a predominância artesanal, a qualidade era uma inerente ao técnico produtor e seu paradigma de representação era a durabilidade. Na seqüência, entre 1920 e 1980, com o surgimento da melhoria técnica operária e da massificação da produção, a qualidade passou a ser uma função de especificações preestabelecidas e sua comprovação era exercida por inspetorias sobre o produto final. A partir de meados de 1980, foi proposto o conceito de Controle de Qualidade Total (TQC Total Quality Control), cogitando-se, através do mesmo, o envolvimento de todos os setores de produção, tendo como parâmetro de orientação a satisfação do cliente. Esse quadro, aliado às novas exigências dos consumidores, ensejou a criação e a propagação de um conjunto de atos normativos de consenso internacional e que trata das atividades relacionadas ao sistema de qualidade: a ISO (International Standardization Organization) série 9000. No Brasil, esta série, que orienta sobre gestão e garantia da qualidade, foi traduzida pela A.B.N.T. (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e designada por série NB 9000. Consequentemente, na atualidade, nota-se a preocupação dos dirigentes empresariais em selecionar e utilizar as ferramentas administrativas mais adequadas à obtenção de agilidade e de flexibilidade em seus procedimentos profissionais, como fundamento para a conquista da competitividade, um fator obrigatório para o sucesso de qualquer ramo de trabalho que destaca a satisfação do cliente como a qualidade almejada, a qual deverá conceituar-se, num laboratório clínico, como “um conjunto de ações planejadas, envolvendo todos os setores da instituição, com o intuito de oferecer um resultado final que irá satisfazer as expectativas e as necessidades do cliente” (OGUSHI, ALVES, 1998). 4 OS PAPÉIS DO GESTOR DO SISTEMA DA QUALIDADE: OBTER CONFORMIDADE COM AS LEIS: MS: RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Projetos físicos de estabelecimentos de saúde. RDC nº 306, de 7 de dezembro de 2004 Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde. ANVISA: RDC nº 302, de 13 de outubro de 2005. Regulamento Técnico para funcionamento de laboratórios clínicos. MS/SNVS: Portaria nº 488, de 17 de junho de 1998. Procedimentos sequenciados para sorologia para HIV. NBR 14785 Laboratório clínico - Requisitos de segurança. NR 63 Boas práticas em Serviços de Saúde. MTE: Normas regulamentadoras Ministério do trabalho (CIPA, etc). ANVISA: Consulta Pública nº 64, de 19 de agosto de 2002. Instrumento Nacional para inspeção de Serviços de Saúde – Aspectos antes vistos como da área da qualidade e não da área de Segurança Sanitária são incorporados pela primeira vez a um instrumento de inspeção, em nível federal. CONFORMIDADE COM OS REQUISITOS DOS PROGRAMAS DE ACREDITAÇÃO/CERTIFICAÇÃO: Acreditação: PALC - www.sbpc.org.br DICQ - www.sbac.org.br ONA - www.ona.org.br INMETRO - www.inmetro.gov.br CAP - www.cap.gov Certificação: série ISO 9000 – www.iso.com http://www.sbpc.org.br/ http://www.sbac.org.br/ http://www.ona.org.br/ http://www.inmetro.gov.br/ http://www.cap.gov/ http://www.iso.com/ 5 GARANTIR A QUALIDADE EFETIVA DOS PROCESSOS ANALÍTICOS: Fases FASE PRÉ-ANALÍTICA: Responsável pela maior parte dos erros e problemas com impacto negativo para a qualidade final dos testes. Objetivo principal: Garantir a representatividade das amostras/materiais Compreende: Requisição do(s) teste(s) Preparo adequado do paciente: o paciente deve receber instruções claras e por escrito (padronização). Deve haver critérios claros de rejeição e aceitação do preparo para a colheita / coleta. Coleta das amostras/materiais Preservação das amostras/materiais: transporte e conservação Processamento das amostras: centrífugas adequadas (ex: refrigeradas) e suficientes / Critérios de rejeição e aceitação com restrições das amostras (observações no laudo). GARANTIRA QUALIDADE EFETIVA DOS PROCESSOS ANALÍTICOS: Controle de qualidade interno: Realizado e avaliado integralmente pelo laboratório. Principal objetivo: monitorizar a estabilidade dos processos ao longo do tempo. Estabilidade # imprecisão. Imprecisão = medida pelo desvio-padrão (análises quantitativas). Controle de qualidade externo: Parte realizada no próprio laboratório e parte em outros laboratórios. Avaliado por entidades externas ou em conjunto com entidade externa. Principal objetivo: monitorar a exatidão dos processos, geralmente de forma pontual. Inexatidão # bias. Bias = medido pela diferença das médias (diferença entre o valor encontrado e o valor verdadeiro). 6 QUADRO DE DIFERENÇAS DE CONTROLE DE QUALIDADE INTERNO (CQI) E CONTROLE DE QUALIDADE EXTERNO (CQE) PROCESSO ANALÍTICO CONTROLE DE QUALIDADE INTERNO (CQI) CONTROLE DE QUALIDADE EXTERNO (CQE) REALIZAÇÃO Integralmente pelo laboratório Parte realizada no próprio laboratório e parte em outros laboratórios RESPONSÁVEL PELA AVALIAÇÃO PRÓPRIO LABORATÓRIO ENTIDADE EXTERNA FREQUÊNCIA DIARIAMENTE MENSALMENTE PRINCIPAL OBJETIVO Monitorizar a estabilidade dos processos ao longo do tempo Monitorar a exatidão dos processos, geralmente de forma pontual TIPO DE AMOSTRA - Amostra comercial - Pool amostras nativas/caseiro - Duplicação Cega de Amostras Com valor desconhecido TIPO DE AVALIAÇÃO PRECISÃO EXATIDÃO CÁLCULOS DESVIO PADRÃO (SD) COEFICIENTE DE VARIAÇÃO (CV) BIAS = diferença das médias (diferença entre o valor encontrado e o valor verdadeiro) GARANTIR A QUALIDADE EFETIVA DOS PROCESSOS PÓS- ANALÍTICOS: Compreende os processos envolvidos em: Transformação de RESULTADOS em Laudos. Interpretação e uso dos laudos pelos Médicos. Maior desafio: estabelecer um canal de comunicação eficiente com os médicos assistentes. TANGIBILIZAR A QUALIDADE PARA OS CLIENTES FINAIS: PACIENTES, MÉDICOS, COMPRADORES DE SERVIÇOS E SOCIEDADE. GARANTIR O CUSTO-EFETIVIDADE DO SISTEMA DA QUALIDADE DO LABORATÓRIO Chaves: Informação Parcerias estratégicas Criatividade 7 TERMINOLOGIA Amostra – parte representativa do material usado no ensaio. Analito – substância a ser medida na amostra, ou grandeza específica submetida à medição. Nota: isto inclui qualquer elemento, íon, composto, substância, fatores, agentes infecciosos, células, organelas, atividade (enzimática, hormonal ou imunológica), presença ou ausência, concentração, atividade ou outra característica que se queira determinar. Ação corretiva – providências necessárias tomadas para que a mesma não conformidade não ocorra outra vez devido a mesma causa. Ação preventiva – ação tomada para eliminar causas de uma não-conformidade potencial (ainda não ocorrida). Calibração – conjunto de operações que estabelecem, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento de medida, sistema, ou valores apresentados por um material de medida, comparados àqueles obtidos com um padrão de referência correspondente (atestada pelo selo da Rede Brasileira de Calibração – RBC/Inmetro). Coeficiente de variação – razão entre o desvio-padrão e a média expressa em porcentagem. Compara a variação de diferentes amostras, independente da unidade de medida empregada. Através dele, avalia-se a precisão (reprodutibilidade) do método, bem como o desempenho do analista. Comparação Interlaboratorial - é a organização, realização e avaliação de ensaios de produtos ou materiais idênticos ou similares, em pelo menos dois laboratórios diferentes, sob condições predeterminadas. Concentração – a medida da quantidade da substância dissolvida por unidade ou volume. Confiabilidade – descreve o grau de exatidão e precisão de um processo. Controle Normal – um produto de controle que contém uma concentração fisiologicamente normal de um analito particular. Controle de Qualidade – técnicas e atividades operacionais que se destinam a monitorar um processo e eliminar as causas de desempenho insatisfatórios em todas as etapas do ciclo da qualidade, para atingir a eficácia econômica. Controle, limites de - limites estabelecidos em um mapa ou tabela, para indicar uma necessidade de intervenção. No laboratório clínico é comum o uso dos mapas de Levey-Jennings com limites de 1,2 ou 3 desvios-padrões acima e abaixo da média. Controle, material de – amostra ou solução que é analisada com finalidades exclusiva de controle da qualidade. Controle do processo, ou procedimentos do controle – protocolos e materiais que são necessários para assegurar a validade dos resultados dos pacientes e permitir liberação dos resultados. 8 Controle patológico - um produto de controle que contém uma concentração fisiologicamente elevada ou diminuída para um analito particular. Controle, regras de - critérios de decisão aplicados na interpretação dos dados obtidos com os materiais de controle e realização de um julgamento do estado de controle de uma ou mais corridas analíticas. Controle, resultados dos – resultados obtidos com as análises dos materiais de controle, com propósito de controle da qualidade. Corrida analítica (C.A.) – Conjunto de ensaios consecutivos, realizados sem interrupção. Os resultados são calculados usando o mesmo conjunto ou processos de calibração (IFCC). Corrida analítica falsamente aceita – corrida analítica com erros que é incorretamente aceita pelos procedimentos de controle da qualidade. Também chamada de falsa aceitação. Erro tipo II. Corrida analítica falsamente rejeitada - corrida analítica sem erros que é incorretamente rejeitada pelos procedimentos de controle da qualidade. Também chamada de falsa rejeição. Erro tipo I. Desvio-padrão (DP) – dados estatísticos que descrevem a dispersão do conjunto de dados em redor da média. Desvio-padrão dentro da corrida – desvio-padrão calculado com dados obtidos de medições em replicata dentro de uma corrida analítica. Expressa a precisão em curto prazo, ou os erros aleatórios ocorrendo dentro da corrida. Dispersão – distribuição de valores de uma variável em redor da média. Quando a distribuição é gaussiana, o desvio-padrão expressa a dispersão e a média expressa a tendência central, ou locação. Efeito matriz – o(s) efeito(s) físico-químico(s) ou interferências da matriz no método analítico agindo na precisão da dosagem do analito. Ensaio de Proficiência - É a determinação do desempenho de um laboratório, na realização de ensaio, por avaliação através de ensaio de comparação interlaboratorial. Erro aleatório – erro analítico positivo, ou negativo, cuja direção ou magnitude podem ser previstas com segurança. Erro analítico intermitente – erro analítico que ocorre em uma corrida e que não pode se repetir em outras corridas. Erro de importância médica – ocorre quando a soma da imprecisão e da inexatidão (erro total) de um método de medição produz um erro total que ultrapassa os limites aceitáveis. Erro sistemático – uma tendência ou mudança fora da média do laboratório. Erro tipo I – decisão incorreta, que considera inaceitáveis os resultados de uma corrida analítica, quando uma informação mais exata revela que o processo está numa faixa adequada de controle. 9 Erro tipo II - decisão incorreta, que considera aceitáveis os resultados de uma corrida analítica, quando uma informação mais exata revela que o processo está numa faixa inadequada de controle. Especificidade – é a capacidade de um sistema analítico de medir exatamente determinado componente em uma amostra, sem sofrer interferência de outros componentes também presentes. Exatidão – concordância entre a melhor estimativa de uma quantidade e seu valor verdadeiro.Gama analítica – o limite no qual uma análise fornece resultados ou características especificas. Gama reportável – a gama de um ensaio no qual a concentração do analito pode ser medida com precisão e exatidão. Garantia de qualidade – todas as ações planejadas e sistemáticas necessárias para promover confiança adequada de que um produto ou serviço irá satisfazer requisitos definidos da qualidade. Gestão da qualidade – a parte da função gerencial global que determina e implementa a política da qualidade. Grupo pareado – um grupo que utiliza os mesmos instrumentos, métodos analíticos, reagentes, reporta nas mesmas unidades de medida e utiliza o mesmo lote de controle. Um grupo que compartilha as mesmas características. IFCC – International Federation of Clinical Chemistry. Limites de alerta – limites que chamam a atenção para condições onde existem possibilidades de perda de controle, mas que não exigem intervenções. Limites de erro permitidos de Tonks (LEP) - são calculados a partir do intervalo de referência de um método com base na seguinte premissa: para que um método capaz de distinguir entre valores normais e anormais, a grandeza da variabilidade analítica não pode ser maior que ¼ do intervalo de referência do método. Mapa de controle – método gráfico usado para avaliar o estado de controle de um processo. Mapa de Levey-Jennings - mapa de controle em que os valores obtidos para os controles são plotados contra os dias, ou corridas analíticas. Nele se delimita a média, desvio-padrão: + ─ 1, 2, 3. Média (Xm) – é o resultado da soma de um conjunto de dados, dividido pelo seu número (N) de elementos. É uma informação de tendência central da distribuição. Quando usada para descrever um processo analítico, está relacionada com a exatidão. Mudança – uma repentina e eventual mudança estável nos valores do controle e possivelmente nos valores do paciente. Um tipo de erro sistemático. Não conformidade maior – é uma deficiência que afeta gravemente a qualidade do produto ou serviço prestado. Não conformidade menor – é uma omissão para atingir as exigências do sistema requerido. 10 Não conformidade – estado ou condição de um produto ou serviço em que há uma ou mais características não conforme com a especificação. Observações qualitativas – são descrições não numéricas das propriedades. Ex: positivo, negativo, cor, cheiro, odor. Observações quantitativas – são descrições que utilizam valores numéricos. Ex: peso, concentração. Padrão – é um sistema ou composto ou solução, que possui uma ou mais características exatamente conhecidas, que é usado como parâmetro para determinar ou calcular, por comparação, a mesma característica, em um objeto mais ou menos similar, que é desconhecida. Política da qualidade – diretrizes globais de uma organização relativa à qualidade, formalmente expressa pela alta administração. Precisão – é a propriedade de obter valores bastante próximos do valor da média. Um método é dito preciso, quando os valores obtidos são consistentemente reprodutíveis ou repetidos. A precisão é medida quantitativamente, usando o desvio-padrão ou o coeficiente de variação. Programa interlaboratorial de controle de qualidade (CQ) - programa que aceita dados de CQ laboratorial a intervalos regulares (geralmente mensal) para análise estatística e comparação com outros laboratórios. Qualidade – a totalidade de propriedades e características de um produto ou serviço que confere sua habilidade em satisfazer necessidades explícitas ou implícitas. Quarentena – retenção temporária de matéria-prima, material de embalagem, produtos intermediários, enquanto aguardam decisão de liberação rejeição ou reprocessamento. Regras Westgard - uma série de regras estatísticas com múltiplas aplicações quando utilizadas separadamente ou em conjunto uma com as outras, que são utilizadas para verificar a confiabilidade ou uma falha na confiabilidade dos resultados. Reprodutibilidade – grau de concordância entre os resultados de medições de um mesmo mensurado efetuados sob as mesmas condições. Rastreabilidade – resultado de uma medição ou valor relacionado com padrões através de uma cadeia contínua de comparações, todas tendo incertezas estabelecidas. Sensibilidade – propriedade de um sistema analítico em medir pequenas quantidades do analito, isto é, a detecção da menor quantidade diferente de zero ou então a distinção entre pequenas diferenças na concentração de um componente, entre várias amostras ou ainda pequenas variações de um componente em uma amostra. Sistema da Qualidade – Estrutura Organizacional com responsabilidades, procedimentos, processos e recursos para a implementação da gestão da qualidade. 11 Tendência – ocorre quando os valores obtidos para o controle aumentam ou diminuem continuamente, por um período de seis dias consecutivos ou mais. É um tipo de erro sistemático. Validação – ato documentado que atesta que qualquer procedimento, processo, equipamento, material, operação ou sistema, realmente conduza aos resultados esperados. Validade – a quantidade de tempo que um produto de controle fechado é considerado confiável quando apropriadamente estocado. Variação analítica - diferença entre os valores verdadeiros e os valores obtidos. 12 CONTROLE DE QUALIDADE INTERNO E EXTERNO Auto-avaliação, capacitação técnica, identificação de problemas e correções são, indiscutivelmente, atividades fundamentais para qualquer instituição prestadora de serviço. Especialmente quando se trata da área de saúde. Desde a década de 70, existem programas de controle de qualidade específicos para laboratórios clínicos avaliando e garantindo a eficácia de exames, métodos de trabalho, desempenho de equipamentos e reagentes. Além disso, os programas agregam valor aos serviços e oferece mais confiança aos clientes. Em um universo de cerca de 25 mil laboratórios existentes no País, todos devem participar dos programas para esta finalidade. São vários os programas existentes atualmente para esta finalidade. Entre eles, figuram o Programa de Excelência para Laboratórios (PELM) da SBPC, o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ) da SBAC, o EQAS da Bio-Rad, o controle em sorologia da Panel, os painéis de controle da BBI, representados no Brasil pela REM, e o Citomedia, adequado para laboratórios de citopatologia. Um programa de controle de qualidade mostra aos clientes, parceiros e órgãos de fiscalização, a capacidade de fazer exames segundos os padrões estabelecidos. Na maioria das vezes, ele também é exigido como requisito para acreditação. Os ensaios controlados devem fazer parte da rotina do laboratório e ser realizados com a mesma metodologia e equipamentos utilizados nos exames dos clientes. As instituições responsáveis pelo programa de controle de qualidade podem oferecer aos laboratórios o controle externo – também chamado de ensaio de proficiência – ou interno. Independentes um do outro, o controle externo utiliza amostras–controle de valor desconhecido e a avaliação é feita com base nos resultados de todos os participantes do programa, que utilizam a mesma metodologia, a fim de assegurar que os resultados laboratoriais se mantenham o mais próximo do valor dos parâmetros analisados. Assim, o desempenho do laboratório é comparado com os ensaios dos demais participantes, segundo condições predeterminadas. Baseado na observação sistemática do desempenho de um sistema analítico, o controle interno utiliza amostras-controle de valores conhecidos que devem ser dosadas no mesmo tempo que as amostras dos pacientes, com o objetivo de determinar a calibração do sistema e aferir ações corretivas sempre que o desempenhoultrapassar os limites de tolerância. Realizado diariamente, informa o comportamento das análises dos ensaios do laboratório. Os controles de qualidade interno e externo são complementares e um não substitui o outro, uma vez que o controle interno informa o comportamento das análises dos ensaios todos os dias e o controle externo fornece o quanto o laboratório está de acordo segundo os outros laboratórios. A Control-Lab, empresa que controla os programas PELM da SBPC, determina que o ensaio de proficiência e controle interno devem andar em conjunto dentro do laboratório clínico: a forma mais usual e eficiente de prevenção dos erros consiste na correta utilização e interpretação dos controles internos e ensaios de proficiência, respectivamente. Reconhecido dentro e fora do País, o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ), vem garantindo o controle externo da qualidade de cerca de 4059 laboratórios clínicos, desde 1976, quando surgiu durante a realização do V Congresso Brasileiro de Análises Clínicas. Nessa mesma época, a SBPC assinava um protocolo com a recém criada Control-Lab para que a empresa gerenciasse e realizasse o Programa de Excelência para Laboratórios (PELM), criado pela Sociedade. Uma Comissão de Controle de Qualidade (CCQ) da SBPC /ML define as normas e orientações do PELM e fiscaliza seus aspectos administrativos, econômicos, operacionais e políticos. Médicos, biólogos, farmacêuticos, biomédicos e bioquímicos compõem a equipe técnica dos programas, a fim de estudar o desenvolvimento de novas amostras-controle e oferecer assistência técnica aos laboratórios participantes. A diversidade de amostras e a rapidez com que se entrega os resultados são fundamentais para o laboratório detectar as não-conformidades e erros rapidamente. 13 Os programas de controle de qualidade têm caráter preventivo. Os laboratórios de todos os portes que têm consciência da possibilidade de erro em análises químicas e querem detectar e intervir antecipadamente nas eventualidades devem investir nesses programas. CONTROLE EXTERNO DA QUALIDADE TESTE DE PROFICIÊNCIA O Programa de Proficiência é uma condição fundamental para o alcance das metas de garantia da qualidade e de melhoria contínua de um laboratório. O Ensaio de Proficiência é uma ferramenta para avaliação da qualidade técnica de um laboratório capaz de promover um profundo conhecimento dos processos de análise e garantir a confiabilidade dos resultados, quando aliada ao controle interno e a uma gestão comprometida com a qualidade. Veja no quadro 1, os benefícios da Avaliação Externa da Qualidade (AEQ) para as autoridades centrais e para os participantes: Quadro 1 – Benefícios da AEQ Para as autoridades centrais Para os participantes A AEQ fornece informações sobre os padrões de desempenho e das metodologias utilizadas em nível nacional Revela áreas de dificuldade Indica se os recursos gastos com os testes laboratoriais estão sendo bem empregados Melhora o padrão de desempenho Ajuda a identificar áreas com problemas Permite que os resultados sejam utilizados como ferramenta de gerência Ajuda a manter e a aumentar os padrões nacionais de desempenho É educativo Contribui para construir credibilidade internacional Atua como checagem do controle de qualidade interno Os laboratórios participantes que quiserem que a AEQ seja efetiva e produza bom nível de informação tanto para eles como para as autoridades que coordenam o sistema, devem ter a responsabilidade de cumprir os seguintes requisitos: Testar amostras apropriadas ao trabalho desenvolvido no laboratório; Responder dentro do tempo determinado as informações solicitadas; Fornecer todas as informações solicitadas sobre o teste; Utilizar os métodos recomendados pelo Ministério da Saúde para testar as amostras; Não se comunicar com os outros participantes para saber quais os resultados por eles obtidos; Discutir os resultados obtidos com toda a equipe; Investigar qualquer resultado discrepante assim que ele aparecer. 14 INSTITUIÇÕES DE REFERÊNCIAS: EQAS Denominado EQAS, o programa externo de controle de qualidade da Bio-Rad abrange as áreas de bioquímica, drogas terapêuticas e imunoensaios – imunologia I (tireóide, metabolismo do ferro e síndrome de Down), imunologia II (endocrinologia), imunologia III (proteínas) e imunologia IV (oncologia). Os programas acontecem em ciclos de seis meses, sendo que cada ciclo é composto por doze amostras. No final de cada ciclo, a Bio-Rad oferece um relatório com detalhes sobre o rendimento do laboratório sobre tendência e precisão. A empresa também oferece um serviço de assessoria aos clientes, com o objetivo de localizar falhas e fornecer informações estatísticas adicionais. Situada na Califórnia (Estados Unidos) a Bio-Rad conta com mais de dois mil participantes do EQAS em 60 países. PELM Gerenciados pela Control-Lab desde a criação, o PELM abrange dez áreas: bioquímica, bacteriologia, citometria de fluxo, coagulação, drogas terapêuticas, eletroforese de proteínas, gasometria, biologia molecular, líquor, hematologia (hematoscopia e hemograma) imunohematologia, micologia médica, parasitologia, sorologia e urinálise. Seguindo os padrões da ISO Guia 43/1999, que regulamenta os provedores de ensaios de proficiência e outras normas internacionais, o ensaio de proficiência – ou controle externo da qualidade PELM, avalia a fase analítica do exame. Hoje, a Control-Lab tem cerca de 2000 inscrições nas diversas áreas dos programas PELM, com laboratórios de 22 estados do Brasil, Distrito Federal e um da Bolívia. Em 2001 a Control-Lab conquistou o reconhecimento da Anvisa, órgão do Ministério da Saúde, como Provedor de Ensaio de Proficiência, por meio do processo de habilitação Anvisa / REBLAS e o seu Laboratório de Calibração de Volume e Massa passou pela primeira visita para o credenciamento junto a Rede Brasileira de Calibração – Inmetro. O laboratório recebe um manual do participante, lista de codificação, instruções de sedimentoscopia, no caso do PELM Básico, e os kits de ensaios enviados pela Control-Lab, que contêm amostras para controles externos e internos da qualidade, formulários de resultados e material didático, com questionários e slides. A remessa é mensal e as áreas são distribuídas de formas a só se repetirem a cada três meses. Para garantir a identificação de erros sistemáticos, sempre são enviadas, pelo menos, duas amostras diferentes por rodada, somando 10 amostras por ano para cada ensaio. Ao final do programa, o participante recebe um relatório que mostra seu desempenho durante o ano. Para cada analito, são apresentados o percentual de adequação alcançado e as avaliações obtidas. O Certificado de Excelência é entregue ao laboratório que participou ativamente durante o ano e obteve um percentual de adequação igual ou maior a 80%. PNCQ Para participar do PNCQ, o laboratório pode escolher entre um programa básico ou um avançado. Mensalmente, os laboratórios participantes devem, obrigatoriamente, realizar as determinações das especialidades constantes no programa básico, com exceção dos analitos opcionais. Ao optar pelo básico, laboratório avaliará parâmetros mínimos da qualidade analítica e para o credenciamento da 15 certificação da qualidade, validando as seguintes especialidades: bioquímica básica, hematologia básica, imunologia básica, microbiologia básica, parasitologia básica, urinálise básica e espectrofotometria. Já o programa avançado, inclui as avaliações do programa básico e outras especialidades que completam a gama de análises do laboratório clinico mais complexo. As análises que podem ser realizadas neste programa são: bioquímica avançada, coagulograma avançado, imunologia I avançada, imunologia II avançada, urinálise II avançada, liquido cefalorraquidianoavançado, eletroforese de proteínas avançada, gasometria avançada, micologia avançada, citopatologia, eletroforese de hemoglobina, hematologia II e sorologia para banco de sangue. No início da primeira ou segunda semana de cada mês, o PNCQ envia um Kit Controle aos laboratórios e, num prazo de 15 dias, o participante deve realizar os exames e responder os questionários para enviar os resultados até o dia 5 do mês seguinte. O PNCQ também faz avaliações trimestrais e anuais, quando é concedido o certificado anual de participação.O laboratório recebe selos de qualidade (Figura H). Para que os resultados das amostras cheguem o mais rápido possível aos laboratórios, os responsáveis técnicos pelo programa desenvolveram um software que permitirá a avaliação e resultado em um curto espaço de tempo. Esse novo software permite o laboratório o envio das planilhas pelo computador e disponibiliza os resultados por meio do endereço eletrônico do programa. Outro ganho para o laboratório foi a possibilidade de imprimir as planilhas, lançar resultados e receber as avaliações automaticamente em seu computador. CITOPATOLOGIA TAMBÉM TEM CONTROLE DE QUALIDADE ESPECÍFICO A Sociedade Brasileira de Citopatologia (SBC) criou o Citomedia. Funcionando via Internet, o programa de controle externo de qualidade da SBC avalia e certifica os laboratórios por meio de imagens das análises (Figura I) que são enviadas on-line, de acordo com a lista de verificação criada pela SBC. O programa, sob a coordenação de Petrodis, é constituído de cinco casos por mês, sendo que, cada caso deve conter um quadro com nove, doze ou dezesseis fotos em dois aumentos. As imagens são incluídas numa área restrita aos participantes do Programa de Imagens, que têm acesso por meio do número de inscrição e senha. As respostas são preenchidas pelos participantes do laboratório em página específica e enviadas à Petrodis por e-mail. As imagens de um determinado mês ficam disponíveis por trinta dias, tanto na Internet quanto arquivadas no computador. Mensalmente, faz-se a avaliação estatística com base no número de participantes. Não há um padrão para cada caso, pois a SBC optou por avaliar estatisticamente o acerto ou erro das respostas comparando a população de usuários, subdivididos em citotécnicos e citopatologistas, com uma outra população formada por especialistas previamente indicados. Todas as informações referentes ao programa estão no endereço www.citomedia.org.br Fig. H – Selo de qualidade (PNCQ). http://www.citomedia.org.br/ 16 . Fig. I 17 CONTROLE INTERNO DA QUALIDADE Descobrir erros e não-conformidades são as principais características dos programas do controle interno da qualidade. A avaliação interna da qualidade – AIQ, tem por objetivo monitorar a eficácia dos procedimentos executados no laboratório ao longo do tempo, as quais são de responsabilidade do pessoal interno do laboratório. O material para teste pode ser oriundo de uma instituição provedora (Amostra / Soro controle comercial), seleção aleatória de um percentual de amostras da rotina (Duplicação cega de amostra) e “pool caseiro” (pool de amostras nativas). SORO CONTROLE COMERCIAL: O PNCQ fornece durante o ano 20 mL de soro humano liofilizado potencialmente contaminado para o controle em bioquímica. De exclusiva responsabilidade de um encarregado no laboratório em executar o programa, o PNCQ recomenda que o participante estabeleça suas próprias médias, segundo a variabilidade analítica de seu laboratório. O participante também é responsável pela preparação dos gráficos Levey-Jennings, pela avaliação diária de seu desempenho e pela respectiva aplicação das ações corretivas nas não-conformidades. No PELM, a Control-Lab oferece controles internos para bioquímica, coagulação, hormônios, drogas terapêuticas, eletroforese de proteínas, espectrofotômetros, líquor, gasometria, imunologia, urinálise, sempre em dois níveis, abrangendo valores normais e anormais. Os controles são fabricados a partir de matriz humana, animal ou sintética buscando sempre simular material clínico, obedecendo aos protocolos de fabricação definidos pela Vigilância Sanitária. Para garantir mais exatidão e repetitividade condizente com a realidade laboratorial, os valores apresentados em bulas são obtidos e validados por ensaios de proficiência. Um grande diferencial dos controles está no seu processo de validação e nos diversos kits, métodos e equipamentos testados previamente, abrangendo uma grande quantidade de sistemas analíticos usados. A Bio-Rad também trabalha com controle interno da qualidade. O programa utiliza extensa linha de soros-controle de origem humana, líquidos ou liofilizados, para os setores de imunoensaios, bioquímica, urinálise, drogas terapêuticas, drogas de abuso, proteínas plasmáticas, hematologia, coagulação, hemoglobina, gases sanguíneos, marcadores cardíacos e autoimunidade. O controle interno deve ser feito a cada corrida analítica. A empresa ainda desenvolveu o Unity, software para gerenciamento de dados de Controle de Qualidade para uso interno. O programa é baseado em Windows, apresenta gráficos de um a doze meses de dados na mesma tela e até três níveis de controle. O laboratório pode inserir os dados na planilha manualmente ou, se possuir o Hands-Free, fazer automaticamente a inserção dos dados dentro da planilha. Toda vez que um dado é inserido, o programa calcula automaticamente a média, desvio padrão (SD) e coeficiente de variação (CV). Ao utilizar os soros-controles juntamente com o Unity, o laboratório também poderá participar do programa internacional de Controle de Qualidade Interlaboratorial, que possibilita o recebimento das análises comparativas dos controles da Bio-Rad, com outros laboratórios que fazem uso do mesmo controle de equipamentos e métodos. O programa se assemelha ao controle externo, porém, as análises são dos dados do controle interno. No final do programa, o laboratório recebe um certificado de participação. Outra empresa, a Biosoft Informática, desenvolveu o QualiChart, software para simplificar o trabalho no Controle Interno da Qualidade. Único em português. Facilita, economiza o tempo do profissional de laboratório e ajuda a encontrar problemas no controle de forma rápida. Destaca-se pela capacidade de desenhar automaticamente o gráfico de Levey-Jennings e fazer análise crítica de 18 resultados, baseando-se em vários algoritmos de avaliação do dado digitado, segundo as regras múltiplas do controle da qualidade (Regras de Westgard). Possui um assistente que orienta na busca de soluções para as não conformidades encontradas, oferecendo dicas e conceitos facilitadores. Imprime relatórios do controle para registro em papel e arquivo. DUPLICAÇÃO CEGA DE AMOSTRAS: Em geral, separa-se entre 0,5 a 1% das amostras. Cada uma dessas amostras é dividida em duas alíquotas que, depois de testadas, têm seus resultados comparados. As amostras são selecionadas na recepção do laboratório ou no momento do registro: ▼ Cada amostra é dividida em duas alíquotas e é feita uma nova solicitação de exames para a segunda alíquota. Esta solicitação deve conter informações fictícias sobre um paciente inexistente e deve estar preenchida com os mesmos dados utilizados para identificação e registro dos pacientes da rotina; ▼ Os responsáveis pela avaliação na instituição registram essas informações, juntamente com as informações originais de identificação e encaminham as amostras para a testagem; ▼ As duas alíquotas são submetidas aos testes como se fossem amostras distintas, uma vez que o técnico que vai processá-las não sabe que as amostras são de um mesmo paciente;▼ Posteriormente, os resultados dos testes das duas alíquotas são comparados e qualquer discrepância é investigada. Implementação do sistema de Avaliação Interna da Qualidade (AIQ) É necessário que pelo menos um técnico seja designado para assumir essa tarefa. Ele ficará responsável pela seleção, aliquotagem e identificação das amostras na recepção ou no registro, e posterior comparação e análise dos resultados obtidos. Além disso, antes da implementação desse sistema é imperioso discutir com os membros da equipe, de modo que todos tenham a total compreensão da natureza e função dessa atividade. A discussão com todos os envolvidos no trabalho do laboratório evita que os profissionais sintam-se vigiados e permite que se obtenha o máximo benefício possível da AIQ. Critérios para a determinação das discrepâncias: Devem ser definidas as regras que vão orientar a avaliação dos resultados concordantes e dos discrepantes. Essas regras devem ser rígidas o suficiente para permitir a distinção das diferenças aceitáveis entre os resultados obtidos para a amostra do paciente e a falsamente identificada. Por outro lado, essas regras têm que ser flexíveis o bastante para considerar as variações esperadas intra e inter- ensaios. Em geral, para os ensaios quantitativos como os ELISA, a discrepância mais importante a ser considerada será aquela em que uma alíquota apresentar resultado reagente e a outra não reagente. Pode- se ainda considerar a diferença da razão DO/CO entre as duas alíquotas. Variações de até 25% são em geral aceitáveis, apesar disso quando estes valores são obtidos para uma mesma amostra deve-se considerar a possibilidade de ter ocorrido falhas nas pipetagens ou instabilidade no comportamento do ensaio. Outro tipo de critério para determinações quantitativas: hemograma completo, urina rotina (tipo I), etc, é o critério de Chauvenet. Abaixo segue um exemplo da aplicação desta regra. 19 Exemplo de critério para avaliação em Urina Tipo I: Controles Cegos utilizados para Bioquímica de Urina: Atualmente este tipo de controle de qualidade interno é mensalmente empregado na urina tipo I. Critério utilizado: É usado uma urina aleatória, preparada de acordo com o POP, esta amostra é analisada por todos os funcionários. É realizado um estudo estatístico com os resultados de contagem de leucócitos e hemácias (por campo), aplicando-se o Critério de Chauvenet que se dá por: C = Critério de Chauvenet X = Média dos valores SD = Desvio Padrão n = número de amostras C = X - Menor valor ou SD C = Maior valor - X SD logo : Cteste ≤ Ctabela Por exemplo: Resultados de Contagem de Leucócitos = 4 - 5 - 5 - 5 -5 - 6 X = 5 SD = 0,63 n = 6 C = 1,73 (valor da tabela) C = 6 - 5 = 1,59 0,63 Este valor encontrado deverá ficar menor ou igual ao valor correspondente na Tabela de Chauvenet (ver abaixo). Será retreinado o funcionário, que por 3 vezes consecutivas, não conseguir o valor correspondente. A cada 6 meses é feito demonstração de dispositivos como forma de controle Cego. O resultado é discutido, e anotado em planilha própria. 20 TABELA DE CHAUVENET n fator 2 1,15 3 1,38 4 1,54 5 1,65 6 1,73 7 1,80 8 1,86 9 1,91 10 1,96 n = 11; fator ~ 2,0 12 2,04 15 2,13 20 2,24 25 2,33 30 2,40 35 2,45 40 2,50 50 2,58 75 2,71 100 2,81 200 3,02 250 3,09 300 3,14 400 3,23 500 3,29 1000 3,48 POOL AMOSTRAS NATIVAS: “POOL CASEIRO” É preparado a partir da recuperação, mistura e armazenamento das sobras diárias de soro. Antes da avaliação mensal, se comporta como uma amostra desconhecida. Deve ser armazenado congelado, a -20°C, em alíquotas com volume suficiente para um dia de trabalho, em frasco de boa vedação para não ocorrer a evaporação da água do soro. 21 VANTAGENS / DESVANTAGENS DOS CONTROLES DE QUALIDADE INTRALABORATORIAL Soro controle Duplicação cega de amostras Atualmente utiliza-se, com bastante sucesso, três tipos de soro controle: A) “Pool caseiro” B) Soro comercial com valores conhecidos C) Soro comercial com valores desconhecidos Pool caseiro Vantagens: É um material de baixo custo de obtenção Bastante útil na avaliação e acompanhamento da precisão. Desvantagem: Estabilidade Deve ser renovado de 3 em 3 meses Necessário estabelecer novos limites de controle a cada 3 meses Soro comercial com valores conhecidos Vantagens: Possuem Média e Desvio Padrão Útil para avaliar: Exatidão Precisão A atuação de novos instrumentos e procedimentos Soro comercial com valores desconhecidos Vantagens: São liofilizados Estabilidade de 1 a 2 anos e devem ser reconstituídos diariamente Valores estatísticos fixados São úteis para avaliação da precisão Desvantagens: São caros Problemas de reconstituição Geralmente são de origem animal (principalmente as enzimas), não reagem da mesma forma que os soros de pacientes. Duplicação cega de amostras Vantagens: DDeetteerrmmiinnaarr aa pprreecciissããoo ttaannttoo aa nníívveeiiss nnoorrmmaaiiss ccoommoo aannoorrmmaaiiss 22 BBaaiixxoo ccuussttoo FFoorrnneeccee iinnffoorrmmaaççõõeess rrááppiiddaass qquuee ppooddeemm sseerr qquuaannttiiffiiccaaddaass eessttaattiissttiiccaammeennttee.. DDeetteeccttaa eerrrrooss aaoo aaccaassoo pprréé ee ppóóss--aannaallííttiiccooss EEvviittaa aa pprreeddiissppoossiiççããoo ddoo llaabboorraattoorriissttaa qquuaannddoo ccoonnhheeccee oo rreessuullttaaddoo ddaa aammoossttrraa ccoonnttrroollee.. PPooddee sseerr uuttiilliizzaaddaa eemm qquuaallqquueerr áárreeaa ddaass aannáálliisseess ccllíínniiccaass.. Desvantagens: Não detecta exatidão Não existem valores normais para as diferenças entre as duplicações. (Cada laboratório possui seus próprios valores de precisão (repetibilidade e reprodutibilidade) REGULARIDADE DOS ENSAIOS As boas práticas laboratoriais requerem que sejam realizados testes de controles normais e patológicos para cada teste, pelo menos diariamente, para monitorar os processos analíticos. Se o teste for estável por menos de 24 horas ou alguma mudança tiver ocorrido que possa potencialmente afetar a estabilidade do teste, os controles devem ser ensaiados com maior freqüência. Nos Estados Unidos, o Clinical Laboratory Improvement Amendments of 1988 (CLIA) requer dois níveis de controle (um normal e um com valores patológicos) que deve ser testados a cada dia que o teste for realizado. Em outras palavras, se amostra do paciente for testada para potássio na quarta-feira, deve-se testar pelo menos um produto de controlenormal e anormal para o potássio no mesmo dia. Para teste de gases sanguíneos é ligeiramente diferente. Para equipamentos que verificam a calibração interna, os laboratórios dos EUA devem correr um controle normal e também um controle alto ou baixo a cada 8 horas. Se o instrumento não possui verificação interna de calibração, então o laboratório deverá testar esses mesmos controles a cada amostra do paciente. Como qualquer regulamentação governamental, essas necessidades podem sofrer mudanças como resultado de processos políticos ou de regulamentação. Testando-se regularmente os produtos de controle de qualidade cria-se um Banco de Dados do CQ que os laboratórios utiliza para validar os resultados dos pacientes. A validação ocorre pela comparação dos resultados diários do CQ com a gama de valores definida pelo laboratório para valores do CQ. A gama definida pelo laboratório é calculada a partir dos dados do CQ coletados por ensaios de controles normais e com valores patológicos. COMPARAÇÃO DOS RESULTADOS DO CONTROLE DE QUALIDADE COM OS LIMITES ESTATÍSTICOS ESPECÍFICOS Na Tabela 1, há duas gamas apresentadas. A gama aceitável para o Nível I (Controle Normal) é de 3,7 – 4,3 mmol/L. A gama para o Nível II (Controle com valores patológicos) é de 6,7 - 7,3 mmol/L. Quando os resultados diários de CQ obtidos com o controle normal são comparados com a gama calculada para o controle normal, fica claro que cada resultado encontra-se, todas às vezes, dentro dos valores esperados. Isto indica que o processo analítico está “em controle” para os níveis normais nos dias testados. Quando os resultados diários do CQ para o controle com valores patológicos (potássio elevado) são comparados com a gama definida para o controle com valores patológicos, o processo analítico mostra estar “em controle” a cada dia, exceto no último dia (7/11). De 1 a 6 de novembro 23 ambos os controles estavam “em controles” e os valores dos pacientes puderam ser reportados com confiança. Entretanto, o laboratório foi “fora de controle” para os resultados de potássio anormalmente elevados no dia 7 de novembro, porque o valor obtido com o material do CQ (8,0 mmol/L) se encontrava fora da gama aceitável (6,7 - 7,3 mmol/L). Isto significa que ocorreu algum erro que pode ter produzido resultados de pacientes erroneamente elevados. O laboratório não poderá reportar nenhuma amostra de paciente com valor de potássio elevado até que o erro seja resolvido e as amostras com valores patológicos sejam retestadas. Um sistema de ensaio poderá ter um mau funcionamento ou iniciar um mau funcionamento a qualquer momento após o último CQ satisfatório. No exemplo acima será uma boa prática laboratorial retestar todas as amostras de pacientes que apresentam resultados com níveis de potássio elevados desde o último CQ realizado. Retestar amostras ao acaso de pacientes versus todas as amostras é uma prática aceitável. No caso de alguns analitos como potássio, o tempo em que o plasma ou soro ficar em contato com os elementos celulares deverá ser levado em consideração. CÁLCULO E UTILIZAÇÃO DAS ESTATÍSTICAS DE CQ As estatísticas de CQ para cada teste realizado no laboratório são calculadas a partir do Banco de Dados coletados pelos ensaios regulares dos produtos de controle. Os dados coletados são específicos para cada nível de controle. Conseqüentemente, as estatísticas e gamas calculadas a partir desses dados são também especificas para cada nível de controle e refletem o comportamento do teste em concentrações especificas. A estatística fundamental utilizada em laboratórios é a média [x] e o desvio- padrão [DP]. 24 CÁLCULO DA MÉDIA [X] A média é para o laboratório a melhor estimativa do valor verdadeiro de um analito para um nível específico de controle. Para calcular a média para um nível específico de controle, primeiro, somar todos os valores coletados para o controle. Depois dividir a soma desses valores pelo número total de valores. Por exemplo, para calcular a média do controle normal (Nível 1) da Tabela 1, somar os dados (4,0; 4,1; 4,0; 4,2; 4,1; 4,1; 4,2). A somatória S é 28,7 mmol/L. O número de valores é 7 (n=7). Portanto, a média para o potássio no controle normal da Tabela 1 entre 1/11 e 7/11 é 4,1 mmol/L (ou seja, 28,7 mmol/L dividido por 7). CALCULANDO O DESVIO-PADRÃO O desvio-padrão (DP) é uma estatística que quantifica como um valor numérico (ie. Valor de CQ) está em relação aos outros. O termo precisão é geralmente utilizado no lugar de desvio-padrão. Um outro termo, imprecisão, é utilizado para expressar quanto um valor numérico está afastado dos outros. O desvio-padrão é calculado para os produtos de controle com os mesmos dados utilizados para o cálculo da média. Isto proporciona ao laboratório uma estimativa da consistência dos testes a uma concentração específica. A repetitividade de um teste pode ser consistente (desvio-padrão baixo, baixa imprecisão) ou inconsistente (desvio-padrão alto, alta imprecisão) - (Figuras 1, 2 e 3). Repetitividade inconsistente poderá ser devido à química envolvida ou a um mau funcionamento. Se for um mau funcionamento o laboratório deverá corrigir o problema. É aconselhável repetir as medidas de uma mesma amostra tão logo seja possível. Uma boa precisão é especialmente necessária para testes que são regularmente repetidos no mesmo paciente para acompanhamento do tratamento ou da progressão da doença. Por exemplo, um paciente diabético em uma situação de cuidados críticos deverá ter os níveis de glicose testados a cada 2 a 4 horas. Neste caso, é importante que o teste de glicose seja preciso pois uma falha de precisão poderá causar perda de confiabilidade do teste. Se houver muitas variáveis no desempenho do kit (alta imprecisão, alto desvio- padrão), os resultados da glicose nos diferentes tempos poderão não ser verdadeiros. 25 Imprecisão (Erro Aleatório) Causa a dispersão de valores de medidas repetidas. Inexatidão (Erro Sistemático) Vício Calibração 26 Apresar de muitas calculadoras e planilhas de programas automatizados calcularem o desvio- padrão é importante entender as bases matemáticas. Para calcular o desvio-padrão dos níveis do controle normal (Nível 1) na Tabela 1, iniciar pelo cálculo da média [x]: X= 4,0 + 4,1 + 4,0 + 4,2 + 4,1 + 4,1 + 4,2 mmol/L : 7 X = 28,7 mmol /L : 7 X= 4,1 mmol/L Calcular o desvio-padrão (DP) como a seguir: 27 O desvio-padrão, durante uma semana, para os testes do potássio no controle normal foi de 0,082 mmol/L. Agora que a precisão é conhecida, algumas suposições podem ser feitas, como se o teste foi bem realizado. Há três fontes que permitem que cada laboratório faça uma expectativa de seu desempenho ao compararseu desvio-padrão. Estas incluem o manual do equipamento ou descrição do método do teste, a inspeção de proficiência e os programas de CQ interlaboratoriais. O manual dos equipamentos e as descrições do método do teste apresentam as expectativas da precisão inter e intra-ensaios. Essas expectativas são publicadas pelo fabricante através dos ensaios repetitivos e refletem as condições ideais. Se o método de descrição define uma precisão interensaios de 0,1 mmol/L para o potássio, o desempenho do laboratório, no exemplo acima, está de acordo com as especificações do fabricante. Entretanto, se a precisão interensaio for de 0,05 mmol/L, então o desvio-padrão calculado para o mesmo exemplo, indica que o laboratório está menos preciso que a expectativa do fabricante. Isto poderá indicar um possível problema existente. Entretanto, antes que uma avaliação final seja feita, o laboratório deverá comparar seus resultados com os de proficiência e/ou dados interlaboratoriais de CQ que são mais indicativos da experiência do que realmente ocorre. Os resultados obtidos são reportados à agência de proficiência. A agência coleta os dados e, utilizando vários modelos estatísticos, determina qual é o valor real da amostra desconhecida para cada teste. Então, os resultados reportados por cada laboratório são comparados com o valor real do laboratório é graduado segundo a sua exatidão. Em um programa de comparação interlaboratorial, os laboratórios submetem os dados coletados mensalmente para cada produto de controle testado. Esses dados são combinados com os dados de outros laboratórios que utilizam o mesmo equipamento. O beneficio de um programa interlaboratorial sobre o programa de proficiência é que o programa interlaboratorial fornece estatísticas coletadas a partir de testes repetidos diariamente, enquanto que o programa de proficiência fornece uma estatística coletada de eventos distintos que ocorrem 3 vezes ao ano nos Estados Unidos e algumas vezes com maior freqüência em outros países. O desvio-padrão poderá também ser utilizado para monitorar o desempenho dia-a-dia. Por exemplo, se durante a ultima semana de testes, no exemplo citado, o desvio-padrão calculado para o potássio do controle normal aumentou de 0,08 para 0,16 mmol/L, isto indica uma perda de precisão importante. Esta instabilidade poderá ser devida a um mau funcionamento do processo analítico. Será necessário investigar o sistema-teste e as seguintes questões deverão ser respondidas: Houve mudança recente do reagente ou o lote? A manutenção foi realizada rotineiramente e dentro do programa estabelecido? O eletrodo para potássio requer limpeza ou troca? As pipetas dos reagentes e as amostras estão operando corretamente? Houve mudança recente do operador do teste? 28 CRIANDO O GRÀFICO LEVEY-JENNINGS O desvio-padrão é comumente utilizado para preparar o gráfico de Levey-Jennings (L-J ou LJ). O gráfico de Levey-Jennings é utilizado para reportar os valores de qualidade sucessivos (dia a dia, corrida a corrida). O gráfico é criado para cada teste e nível de controle (Figura 4). 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Dias, ou corridas analíticas. A primeira etapa é calcular os limites de decisão. Esses limites são ±1s, ±2s e ±3s da média. A média do potássio para o controle Nível 1 da Tabela 1 é 4,1 mmol/L e o desvio-padrão é 0,1 mmol/L (o arredondamento da média e do desvio-padrão de um décimo é permitido neste exemplo pois os resultados do potássio são geralmente reportados em décimos. O desvio-padrão de 0,8 mmol/L foi arredondado para 0,10 mmol/L). Os limites de controle de qualidade ±1s, ±2s, ±3s são calculados como a seguir: A gama para ±1s é 4,0 a 4,2 mmol/L: (±1s) 4,1 – 0,10.(1) = 4,0 4,1 + 0,10.(1) = 4,2 A gama para ±2 é 3,9 a 4,3 mmol/L: (±2s) 4,1 – (0,10).(2) = 3,9 4,1 + (0,10).(2) = 4,3 A gama para ±3s é 3,8 a 4,4 mmol/L: (±3s) 4,1 – (0,10).(3) = 3,8 4,1 + (0,10).(3) = 4,4 +3s +2s +1s Xm -1s -2s -3s Fig.4 -Exemplo do mapa de Levey-Jennings preparado para receber dados. 29 Essas gamas são utilizadas juntamente com a média para construir o gráfico de Levey-Jennings como apresentado na Figura 5. O gráfico de Levey-Jennings pode ser apresentado como uma curva em sino, a assim chamada distribuição normal ou Gaussiana, para ilustrar a distribuição total dos valores do controle de qualidade (ver Fig.6). A distribuição Gaussiana pode mudar de aspecto dependendo da amplitude de variação dos dados, sendo mais achatada quanto mais dispersos forem os mesmos. Quando um processo analítico está sob controle, aproximadamente 68% dos valores do CQ caem dentro de ±1 desvio-padrão. Do mesmo modo 95% dos valores de CQ caem dentro de ±2 desvios- padrão da média. Cerca de 4,5% dos dados estarão fora do limite de ±2s quando um processo analítico estiver sob controle. Aproximadamente 99,7%dos valores do CQ caem em ±3devios-padrão (3s) da 5 6 30 média. Como somente 0,3% ou 3 a cada 1000 pontos estará fora do limite de ±3s, qualquer valor fora de ±3s é considerado associado a um erro significante e os resultados dos pacientes não devem ser reportados. Cuidado: Alguns laboratórios consideram que qualquer valor de CQ fora dos limites de ±2s está fora de controle. Eles incorretamente decidem que as espécimes dos pacientes e os valores do CQ estão inválidos. Uma corrida analítica não deve ser rejeitada se um valor simples de controle de qualidade estiver fora do limite ±2s, porém dentro dos limites ±3s. Aproximadamente 4,5% de todos os valores válidos de CQ cairão em algum lugar entre os limites ±2 e ±3s desvios-padrão. Os laboratórios que utilizam o limite de ±2s rejeitam boas corridas com mais freqüência. A média das amostras dos pacientes são repetidas desnecessariamente, o material e a mão de obra desperdiçados e o resultado do paciente desnecessariamente atrasado. Qualquer interpretação deve levar em conta uma série de dados e não um único valor. UTILIZANDO UM GRÁFICO DE LEVEY – JENNINGS PARA AVALIAR UMA CORRIDA DE QUALIDADE O laboratório precisa documentar que os materiais de controle de qualidade foram testados e que os resultados do controle tem sido inspecionados para garantir a qualidade das corridas analíticas. Esta documentação é acompanhada com a manutenção do Log de CQ e utilizando o gráfico de Levey – Jennings como base. O Log de CQ pode ser mantido no computador ou em papel. O log deve identificar o nome do teste, o equipamento, as unidades, a data em que o teste foi realizado, as iniciais do operador e os resultados para cada nível do controle testado. Itens opcionais inclui: método e temperatura do teste (geralmente no caso de enzimas). Deve-se anotar as ações tomadas para resolver alguma situação identificada como “fora de controle” ou inaceitável e um campo para revisão da documentação, pelo supervisor. Uma vez que os resultados do CQ são incluídos no Log de CQ, eles devem ser plotados no gráfico de Levey – Jennings. Quando os resultados são plotados, uma avaliação deve ser feita sobre a corrida da qualidade. O operador técnico que realiza o teste deve procurar por erros sistemáticos e erros ao acaso (figura 7).Fig. 7 – Erro sistemático, aleatório e total. 31 ERROS SISTEMÁTICOS Os erros sistemáticos são evidenciados por uma mudança na média dos valores do controle. A mudança na média pode ser gradual e demonstrar uma tendência ou pode ser abrupta e demonstrar uma mudança. Tendência analítica A tendência indica uma perda gradual de confiabilidade no sistema-teste. Tendências são geralmente sutis. As causas podem ser: Deterioração da fonte de luz do equipamento Acúmulo gradual de detritos nos tubos de amostra/reagente Acúmulo gradual de detritos na superfície dos eletrodos Deterioração dos reagentes Deterioração gradual dos materiais de controle Deterioração gradual da câmara de incubação de temperatura (somente para enzimas) Deterioração gradual da integridade do filtro de luz Um exemplo de tendência no gráfico de Levey – Jennings é mostrado na Figura 8. Mudanças (Desvio) Mudanças abruptas na média do controle é definida como uma mudança. Mudanças nos dados do CQ representam uma repentina e dramática mudança positiva ou negativa no desempenho do sistema- teste. Mudanças podem ser causadas por: Falha repentina ou mudança da fonte de luz Mudança na formulação do reagente Mudança no lote do reagente Necessidade de manutenção maior do equipamento Mudança repentina na temperatura de incubação (somente para enzimas) Mudança na temperatura ambiente ou na umidade Falha no sistema de amostragem Falha no sistema de dispensação do reagente Calibração/recalibração imprecisos Um exemplo de uma mudança no desempenho do sistema-teste é mostrado na Figura 8. 32 ERROS AO ACASO (RANDÔMICOS) Tecnicamente, erro ao acaso é qualquer desvio que afaste dos resultados esperados. Para os resultados do CQ, qualquer desvio positivo ou negativo em relação à média calculada é definido como erro ao acaso. Aceita-se (ou espera-se) que os erros ao acaso sejam definidos e quantificados pelo desvio-padrão. Não se aceita (não se espera) que um erro ao acaso seja um ponto fora dos dados esperados da população (isto é: pontos fora do limite ± 3s.). ERRO TOTAL: TIPOS ERRO TOTAL (ET): Efeito combinado dos erros aleatório e sistemático. ERRO TOTAL PERMITIDO (ETp) TONKS: Requisito para a qualidade analítica que estabelece limites máximos para a imprecisão e a inexatidão (somadas) que podem ser tolerados em um resultado de teste de forma a prevenir impactos negativos na interpretação clínica. Erro Total deve ser menor que o Erro Total Permitido. 8 33 REGRAS MÚLTIPLAS DE WESTGARD Nas últimas três décadas, a sistemática de controle interno de qualidade no Brasil evoluiu principalmente em relação aos materiais, que passaram de pool de pacientes em nível único para controles comerciais estáveis e em diferentes níveis (normais e anormais). O processo de um controle estável foi descrito por Shewhart em 1931e introduzido na área clínica em 1950 por Levey e Jennings. Apenas em 1977, Westgard começou a publicar artigos sobre métodos de análise dos dados. Em 1981, Dr. James O. Westgard da Universidade de Wisconsin lança o conceito de Regras Múltiplas quando publicou o artigo sobre controle de qualidade e, logo foi adotado como padrão mundial. Este apresenta uma série de bases para avaliar uma corrida analítica da qualidade em laboratórios médicos. Os elementos do sistema Westgard são baseados nos princípios de controle de processo estatístico utilizado na indústria de todo o país, desde 1950. O que são “Regras Múltiplas”? “Quando minha filha Kristin era jovem e morava conosco, ela gostava de festas. Um dia ela me disse que estava pretendendo chegar tarde de novo e eu senti necessidade de exercer algum controle sobre seus horários. Então eu disse a ela que se ela passasse uma vez de 3 horas│ duas vezes de 2 horas ou quatro vezes de 1 hora ela estaria encrencada. Isto é um controle por regras múltiplas.” James O. Westgard Westgard criou uma noção estenográfica para expressar as regras de controle de qualidade. Muitas das regras de controle de qualidade podem ser expressas como NL onde N representa o número de observações do controle a ser avaliado e L representa o limite estatístico para avaliação das observações. Assim 13s representa uma regra de controle que é violada quando um controle observado exceder o controle limite de ±3s. Notação das Regras: Exemplo Regra 13h Regra 22h Regra 41h 1 2s Refere-se ao número de ocorrências da violação Refere-se ao tipo de violação. No caso, o resultado > 2 desvios padrão. 34 DESCRIÇÃO TÉCNICA DAS REGRAS MÚLTIPLAS O método se propõe a ser útil e prático, combinando facilidade de uso, maior eficiência e decisões imediatas de erro e menor probabilidade de falsa rejeição. Há 6 regras básicas no esquema de Westgard. Essas regras são utilizadas individualmente ou em combinação para avaliar a qualidade das corridas analíticas se estão dentro ou fora de controle. As Regras de Westgard geralmente são usadas com 2 a 4 controles por corrida, o que significa que elas são adequadas para uso com controles pelo menos em dois níveis. As regras de Westgard mais comumente utilizadas são descritas abaixo: 12s Esta é uma regra de advertência que é violada quando um único controle estiver fora dos limites de ±2s (Figura 9). Relembrar que na ausência de outros erros analíticos, cerca de 4,5% de todos os resultados do controle de qualidade caem entre os limites ±2s e ±3s. Esta regra somente adverte que um erro ao acaso ou sistemático pode estar presente no sistema-teste. Deve-se examinar a relação entre esse valor e outros resultados de controle dentro da corrida analítica atual e anterior. Se não puder fazer uma relação e nem identificar a fonte de erro, devemos supor que um valor de controle único fora dos limites de ±2s é um erro ao acaso aceitável. Os resultados dos pacientes podem ser reportados. FIGURA 9 – REGRA 12s ALERTA A violação de qualquer uma das seguintes regras poderão causar a rejeição total de uma corrida e o restante das amostras dos pacientes e do CQ. 13s - Rejeição: refere-se à regra de controle habitualmente usada no Gráfico de Levey-Jennings onde os limites de controle são delimitados como a média ±3s. Uma corrida é rejeitada quando um único controle excede a média ±3s (Figura10). Esta regra identifica erros ao acaso inaceitáveis ou a possibilidade do início de um grande erro sistêmico. Qualquer resultado do CQ fora de ±3s viola esta regra. 35 FIGURA 10 – REGRA 13s REJEIÇÃO (ERRO ALEATÓRIO) 22s Esta regra identifica somente erros sistêmicos (Figura11). O critério para violação desta regra é: 2 resultados de CQ consecutivos Maior que 2s Do mesmo lado da média Há 2 aplicações para esta regra: intra e interensaios. Na corrida intra-ensaio a aplicação afeta todos os resultados dos controles obtidos nas corridas atual e anterior. Por exemplo, se um controle com nível normal (Nível I) e anormal (Nível II) forem testados nessa corrida e ambos ficarem acima de 2s do mesmo lado da média, esta corrida viola a aplicação intra-ensaio para erro sistemático. Entretanto, se o Nível I ficar a –1s e o Nível II a +2,5s (violação da regra 12s), o resultado do Nível II da corrida anterior deve ser examinado. Se na corrida anterior do Nível II ficou a +2,0s ou mais, então a aplicação inter-ensaios para erro sistemático foi violada. A violaçãoda aplicação intra-ensaio indica que um erro sistemático está presente e isso afeta potencialmente toda a curva analítica. A violação de aplicação inter-ensaios indica que somente uma única parte da curva analítica foi afetada pelo erro. Esta regra é também aplicada para controle de três níveis. Quando dois dos três níveis violarem o critério desta regra, um erro sistemático inaceitável poderá estar presente e deve ser solucionado. FIGURA 11 – REGRA 22s REJEIÇÃO (ERRO SISTEMÁTICO) 36 R4s Esta regra identifica somente erros ao acaso e é aplicada somente em corridas intra-ensaios atuais. Se houver pelo menos uma diferença de 4s entre os valores do controle de uma única corrida intra-ensaio, a regra é violada para erro ao acaso. Por exemplo, suponhamos que ambos Nível I e Nível II foram testados em uma corrida atual intra-ensaio. O nível I ficou a +2,8s acima da média e o Nível II a –1,3s abaixo da média. A diferença total entre os dois níveis de controle foi maior que 4s, isto é, [+2,8 – (-1,3s)] = 4,1s (Figura12). FIGURA 12 – REGRA R4s REJEIÇÃO (ERRO ALEATÓRIO) A violação de qualquer das seguintes regras não necessariamente implica em rejeição de uma corrida analítica. Essas violações identificam tipicamente erros sistemáticos menores ou variações analíticas que geralmente não são clinicamente significantes ou relevantes. 31s O critério que deve ser observado na violação desta regra é: 3 resultados consecutivos Maiores que 1s Do mesmo lado da média 41s O critério que deve ser observado na violação desta regra é: Quatro resultados consecutivos Maiores que 1s Do mesmo lado da média Há duas aplicações para as regras 31s e 41s . Aplicações para material de controle inter-ensaio (ex.: todos os resultados do controle Nível I) ou material de controle intra-ensaios (ex.: resultados dos controles Nível I, Nível II, Nível III combinados). A violação do material de controle intra-ensaio indica uma variação sistemática em uma área única do método de curva enquanto que a violação da aplicação do material inter-ensaios indica um erro sistemático acima da concentração tolerada. A utilização de 31s detecta uma menor variação analítica que 41s e, portanto, é mais sensível para detecção dessas variações. Figura 13 Figura 13 37 FIGURA 13 – REGRAS 3 1s E 4 1s REJEIÇÃO (ERRO SISTEMÁTICO) 7x, 8x, 9x, 10x e 12x (Figura 14 e 15). Estas regras são violadas quando há: 7 ou 8, ou 9, ou 10, ou 12 resultados de controle Do mesmo lado da média apesar do desvio-padrão específico no qual eles estão localizados. Cada uma dessas regras também possui duas aplicações: para material de controle inter-ensaio (ex: todos os resultados dos controles Nível I) ou material de controle intra-ensaios (ex: resultados dos controles Nível I, Nível II e Nível III combinados). A violação do material de controle intra-ensaios indica uma variação sistemática em uma área única do método de curva enquanto que a violação da aplicação do material inter-ensaios indica um erro sistemático acima da concentração tolerada. A regra do controle 7x é muito mais sensível para variações analíticas que a 12x e a chance de se achar 7 valores consecutivos do mesmo lado da média é muito maior que achar 12. É extremamente importante a conscientização da cada laboratório individualmente, da alta sensibilidade das regras 7x, 8x e 9x e que as aplique com freqüência, se possível todas. “REJEIÇÃO” (Erro sistemático menor) FIGURA 14 – REGRA 8X e 9 X REJEIÇÃO (ERRO SISTEMÁTICO) 38 Quando avaliar diferentes pacotes de softwares para CQ esteja certo de que todas as aplicações das regras Westgard estejam incluídas. Cuidado com esses produtos de CQ. Eles podem ser deficientes. Alguns não checam todas as seis regras de Westgard, ou não realizam os controles de ambas as corridas intra e inter-ensaios. Consultar o manual do produto ou perguntar ao fabricante sobre as aplicações das regras de controle dos modelos específicos de cada pacote. Fluxograma Clássico Não Sim Não Não Não Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Fonte: Adaptado de WESTGARD, J.O.; BARRY, P.L.; HUNT M.; GROTH, T.: Clin Chem, 27: 493, 1981. Dados do controle 12S 13S 22S R4S 41S 10X DENTRO DO CONTROLE PERÍODO ACEITO (Liberar os resultados) FORA DE CONTROLE PERÍODO REJEITADO (REJEITAR A CORRIDA ANALÍTICA) PROCEDIMENTO PARA EMPREGAR ANÁLISE MULTI-REGRAS FIGURA 15 – REGRA 10X REJEIÇÃO (ERRO SISTEMÁTICO) 39 Como fazer o Controle de Qualidade com Regras Múltiplas? Selecionar um controle estável, com dois ou mais níveis. Usar o resultado do fabricante apenas até obter seus próprios resultados. Os resultados do fabricante não refletem a realidade técnica do laboratório – variação real do processo e a qualidade mínima desejada -, além de praticar regra única. Realizar pelo menos 20 dosagens para estabelecer as suas próprias médias e desvios-padrão (validação interna). O ideal é realizar as dosagens em momentos diferentes (uma por dia, por exemplo) para obter uma amostragem real, reduzindo a interferência de erros ou tendências pontuais. Realizar a análise do controle imediatamente após a sua dosagem. As regras múltiplas permitem rejeitar ou aceitar uma corrida com segurança a cada dosagem. O que possibilita a aplicação de medidas corretivas em tempo real. Defina a qualidade desejada para cada ensaio Selecione o material de controle Conheça o desempenho do seu método Defina a regras de controle para cada ensaio Implemente o processo de controle Analise seus resultados 40 R ej ei ta : S im /N ã o A ce it a : S im /N ã o E rr o (s ) R eg ra (s ) V io la d a (s ) D a ta (s ) M ês : / A n o : N o m e d o o p er a d o r: V a li d a d e: E q u ip a m en to : T em p er a tu ra : N o m e d o p ro d u to : N o m e d o f a b ri ca n te : L o te : M ét o d o : U n id a d es : V a li d a d e: N o m e d o t es te : N o m e d o f a b ri ca n te : L o te : L o g : 41 R ej ei ta : S im /N ã o A ce it a : S im /N ã o E rr o (s ) R eg ra (s ) V io la d a (s ) D a ta (s ) M ês : / A n o : N o m e d o o p er a d o r: V a li d a d e: E q u ip a m en to : T em p er a tu ra : N o m e d o p ro d u to : N o m e d o f a b ri ca n te : L o te : M ét o d o : U n id a d es : V a li d a d e: N o m e d o t es te : N o m e d o f a b ri ca n te : Lo te : L o g : 42 M ês : / A n o : N o m e d o o p er a d o r: V a li d a d e: E q u ip a m en to : T em p er a tu ra : N o m e d o p ro d u to : N o m e d o f a b ri ca n te : L o te : M ét o d o : U n id a d es : V a li d a d e: N o m e d o t es te : N o m e d o f a b ri ca n te : L o te : L o g : R ej ei ta : S im /N ã o A ce it a : S im /N ã o E rr o (s ) R eg ra (s ) V io la d a (s ) D a ta (s ) 43 OUTRAS ESTATÍSTICAS DE CQ ÚTEIS COEFICIENTE DE VARIAÇÃO O coeficiente de variação (CV) é a razão do desvio-padrão sobre a média e é expressa em porcentagem. Esta estatística permite ao técnico fazer fáceis comparações da precisão total. Como o desvio- padrão tipicamente aumenta com a concentração do analito, o CV pode ser considerado como um equiparador estatístico. Se o técnico está comparando a precisão para dois métodos e utiliza somente o desvio-padrão, pode facilmente se enganar. Por exemplo, a comparação entre hexoquinase e glicose oxidase (dois métodos para a dosagem de glicose) é requerida. O desvio-padrão para o método da hexoquinase é de 4,8 e para a glicose oxidase 4,0. Se na comparação apenas se utilizar o desvio-padrão, pode-se supor, incorretamente, que o método da glicose oxidase é mais sensível que o método da hexoquinase. Se, entretanto, o CV for calculado, ele mostrará claramente que ambos os métodos são igualmente precisos. Suponhamos que a média para a hexoquinase seja 120 e para a glicose oxidase 100. O CV para os dois métodos será de 4%. Eles são igualmente precisos. O coeficiente da variação pode também, ser utilizado quando se compara o desempenho de equipamentos. Considerar os dados da Tabela 2. Neste exemplo, o equipamento nº. 1 e nº.2 apresentam precisão semelhante para o cálcio e a glicose. Porém o instrumento nº. 1 apresenta uma precisão muito melhor que o instrumento nº.2 para o fósforo. Devida à precisão ser calculada a partir de dados para o mesmo número de lote e nível de controle, as diferenças de precisão são provavelmente devidas ao equipamento ou ao reagente. 44 Na tabela 3, as diferenças de desempenho são provavelmente devidas à mudança do Reagente nº. 1 para o Reagente nº.2. Muitas vezes, pode ser devido a uma falha na manutenção ou alguma outra causa. Os dados da tabela 4 são para três diferentes kits para teste de β -hCG. Os kits nº.1, nº.2 e nº.3 apresentam desempenho similares na gama normal (gama-média) e no ponto alto do método da curva. Entretanto, o kit nº.3 apresenta um CV muito maior no ponto baixo da curva. Essa falha de precisão no ponto baixo do método da curva para B-hCG fornece uma justificativa para utilização dos kits nº.1 ou nº.2 em relação ao kit nº.3. A imprecisão e a inexatidão são muito importantes na decisão dos níveis clínicos. Para β-hCG, os níveis de decisão clínicos estão em baixas concentrações (correspondendo a gravidez recente nas mulheres e no câncer testicular nos homens) ou nas concentrações moderadas ( diagnósticos e acompanhamento da gravidez). O exemplo anterior mostrou que CV pode ser utilizado para comparar e avaliar equipamentos e reagentes. Então, o que é um CV aceitável? Há várias fontes que podem ser referenciadas para determinar quais são os níveis de precisão esperados. Estas incluem: Informações sobre a precisão apresentada nas instruções do produto ou no manual do equipamento. Programas de comparação interlaboratorial Inspeção de proficiência Avaliação dos equipamentos e métodos publicados em jornais profissionais. 45 RAZÃO DO COEFICIENTE DE VARIAÇÃO [RCV] Apesar da exatidão dos resultados dos testes ser primordial no laboratório clínico, a precisão também é importante. Uma maneira de um laboratório poder determinar se a precisão de um teste especifico é aceitável é comparar sua precisão a de um outro laboratório que realize o mesmo teste no mesmo equipamento utilizando o mesmo regente (laboratório por grupo pareado). Uma maneira fácil de fazer essa comparação é dividir o CV do laboratório pelo CV do laboratório do grupo pareado obtido a partir do relatório de comparação interlaboratorial. Por exemplo, se o CV para o potássio em um equipamento particular é 4% e para todos os outros laboratórios que utilizam o mesmo equipamento é 4,2% , então a razão do coeficiente de variação (RCV) é 4/4,2 ou 0,95. Qualquer razão menor que 1,0 indica que a precisão é melhor que a do grupo pareado. Qualquer valor acima de 1,0 indica que a imprecisão é maior. Razões maiores que 1,5 indicam a necessidade de se investigar a causa da imprecisão e qualquer valor de 2,0 ou acima deste geralmente indica a necessidade de uma análise para solução de problemas e uma ação corretiva. Algo no sistema- teste está causando o aumento da imprecisão e os resultados dos testes dos pacientes não podem ser inteiramente confiáveis. Certamente, testes repetidos como a glicose para pacientes diabéticos ou o tempo de protrombina para pacientes que utilizam o coumarin não serão confiáveis quando a imprecisão for alta. ÍNDICE DO DESVIO-PADRÃO [IDP] O índice do desvio-padrão é uma estimativa da confiabilidade baseada no pareamento. Se a média de um grupo pareado é definida como XGrupo, o desvio-padrão é definido como DPGrupo , e a média do laboratório como XLab , então: O alvo do IDP é 0,0 que indica uma comparação perfeita com o grupo pareado. A seguinte orientação pode ser utilizada para o IDP. Um valor de: 1,25 ou menor é considerado aceitável. 1,25 – 1,49 é considerado aceitável para um desempenho limiar. Algumas investigações do sistema-teste são requeridas. 1,5 – 1,99 é considerado um desempenho limiar e é recomendado uma investigação do sistema- teste. 2,0 ou maior é geralmente considerado um desempenho inaceitável e ações corretivas são requeridas. 46 AVALIAÇÃO DA REPRODUTIBILIDADE E EXATIDÃO Reprodutibilidade: é a capacidade de um teste em obter resultados com valores muito próximos entre si, quando analisadas várias alíquotas de uma mesma amostra em um mesmo ou em diferentes ensaios. O conceito de reprodutibilidade é utilizado para testes qualitativos e é sinônimo de precisão que é o termo que se aplica para testes quantitativos. Matematicamente, a reprodutibilidade dos testes qualitativos têm seu resultado expresso em percentual, conforme fórmula abaixo: A avaliação da reprodutibilidade pode ser realizada intra ou inter-ensaio. Reprodutibilidade intra-ensaio: Testando-se no mínimo três alíquotas de uma amostra em um único ensaio. Se os resultados obtidos estiverem dentro do intervalo de variação aceitável, você poderá aferir que o teste está controlado e que os resultados obtidos estão sendo reproduzidos de modo consistente. Reprodutibilidade inter-ensaio: Refere-se à capacidade de se obter resultados equivalentes ou iguais para uma mesma amostra testada com mesmo conjunto diagnóstico, em diferentes ensaios. O uso rotineiro do CQI (Controle de Qualidade Interno) permite a avaliação da reprodutibilidade inter-ensaio. Sempre que alterações significativas forem observadas, deve-se buscar as causas e corrigir os problemas identificados. A Exatidão é avaliada através do Erro da Média, calculado pela formula:Em que: ∑ d2 = soma dos quadrados das diferenças em ter o valor obtido e o valor real. n = número de dosagens Valor real = valor do soro controle para dosagem em questão Para encontrar o valor de “d”, calcular a diferença entre o valor real e o valor encontrado em cada dosagem (dia por dia). De posse destas diferenças, elevá-las ao quadrado e somar os valores obtidos. d2 N VVaalloorr RReeaall ∑ d2 N Erro da Média= Número de resultados concordantes Número total de resultados X 100 X 100 47 Teremos então o valor de ∑ d2 . Todas as vezes que o Erro da Média for igual ou maior que a metade do Limite de Erro Permitido - LEP (Tonks) - caracteriza-se a perda da exatidão. Quanto menor for o valor encontrado para o Erro da Média, maior será a Exatidão. O Erro da Média é também dependente da precisão da metodologia, porque se houver grande dispersão de resultados em torno da média, ocorrerá logicamente uma sensível perda de exatidão. Constitui um erro bastante grosseiro avaliar a exatidão através da média, porque pode haver uma grande dispersão de resultados, baixa precisão, com média próxima do valor real. A fórmula de Tonks se baseia no fato de que, para distinguirmos entre valores patológicos e não patológicos, principalmente nas zonas limítrofes, os LEP não podem ser maiores que um quarto da faixa de referência (faixa normal). Assim a fórmula seguinte é empregada para estabelecer os LEP em termos de porcentagem: As tecnologias disponíveis permitem estabelecer os limites máximos de ± 0,5% para a maioria dos substratos (glicose, uréia, fósforo, creatinina e outros) e ± 10% para as atividades das enzimas mais comumente medidas no laboratório. Avaliação da precisão: 2CV LEP Avaliação da exatidão: Erro da Média ½ LEP Além da reprodutibilidade e da exatidão, outras medidas tais como sensibilidade, especificidade, valores preditivos positivo e negativo devem ser considerados na avaliação dos ensaios. CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS (BANCOS DE SANGUE) Para a confiabilidade dos testes sorológicos deve-se: Analisar se o ensaio será utilizado como teste de triagem, confirmatório/complementar ou ambos: Em triagem de Serviços Hemoterápicos: alta sensibilidade e possuir boa especificidade (maximizar a sensibilidade, evitar falso negativo). Para Testes Confirmatórios / Complementares: alta especificidade (maximizar a especificidade, evitar falso positivo). Para o controle de qualidade dos testes sorológicos: Validar todo o processo com amostras de painéis de proficiência; Utilizar na rotina diária Controle de Qualidade Interno (reagente e não reagente); Participar de Programa de Avaliação Externa. LEP (%) = X 100 ¼ da faixa normal média da faixa normal 48 Controle de Qualidade Interno: Procedência: Aquisição ou Produção Própria; Construir o gráfico dos Controle Interno para cada ensaio / marca / lote: DO / CO X DIAS Limite Superior: X DO/CO 25% Limite Inferior: X DO/CO 25% Objetivos: Monitorar a qualidade dos testes realizados Evidenciar a perda da sensibilidade dos ensaios Identificar variações lote a lote Detectar erros aleatórios ou sistemáticos Controle de Qualidade Externo: Objetivo: Verificar a proficiência da Triagem Sorológica do Laboratório Resultados: 100% de acerto – resultados concordantes 100% de acerto – analisar as prováveis causas (erros técnicos, equipamentos, reagentes, etc.) Rastreabilidade Desde 1995, laboratórios de sorologia contam com o Programa de Controle de Qualidade Externo e Interno em Sorologia da Panel Controle de Qualidade. Pioneira neste setor, a empresa surgiu para atender às recomendações de participação nesses programas de controle de qualidade, preconizadas pela portaria número 1.376 do Ministério da Saúde. Até agora, a empresa desenvolveu 21 programas no Brasil com a participação de 120 instituições em todo país. Apesar do caráter voluntário, serviços de hemoterapia, laboratórios de análises clínicas e empresas que produzem kits diagnósticos têm participado dos programas da Panel para avaliar seu desempenho em relação aos parâmetros de uso obrigatório na triagem sorológica de doadores de sangue: anti-HIV, anti-HTLV, Ag HBs, anti-HBc, anti-HCV, anti-T. cruzi e síflis. No Brasil, a Panel desenvolve 3 programas por ano. Os participantes podem optar pela adesão ao Programa de Controle de Qualidade Externo em Sorologia (PCQES) e ao Programa de Controle Interno em Sorologia (PCQIS) conjuntamente ou não. No inicio do PCQES, os laboratórios participantes recebem um Multipainel cego, constituído de 24 amostras de soros que apresentam reatividades variáveis para cada um dos parâmetros da triagem sorológica de doadores de sangue. Junto com Multipainel seguem instruções detalhadas para o processamento da amostras e materiais formatados (formulário) para o envio dos resultados obtidos à Panel. O envio pode ser feito via e-mail ou correio. Anualmente, todas as instituições recebem um certificado de participação, especificando a data em que começara a participar do Programa. Esse documento, bem como a Avaliação de Desempenho são utilizados em processos de certificação e acreditação em controle de qualidade. (DO/CO) Média (X): X DO/CO = N 49 No PCQIS, os participantes recebem, também a cada quatro meses, um conjunto de soros positivos com baixa reatividade e negativo para os parâmetros de uso obrigatório na triagem sorológica com instruções detalhadas para padronização e uso diário na rotina do laboratório. A linha de soros para controle interno é chamada de Máster. Alem dos Programas acima mencionados, a empresa disponibiliza outros serviços como painéis específicos, avaliação de kits e serviços de consultoria SENSIBILIDADE DE UM TESTE (s): É a sua capacidade em detectar amostras verdadeiramente positivas. Onde: AP = Amostras verdadeiramente positivas FN = Amostras falso-negativas ESPECIFICIDADE DE UM TESTE (S): É a sua capacidade em detectar amostras verdadeiramente negativas. Onde: AN = Amostras verdadeiramente negativas FP = Amostras falso-positivas Exemplo para aplicação dessas fórmulas: Duzentas amostras de soro foram previamente caracterizadas, a partir de metodologia padrão. Dessas, 120 eram positivas e 70 negativas. Quando submetidas a um determinado teste, este apresentou resultado falso-negativo em 3 amostras; confirmou as 70 amostras negativas, sem nenhum resultado falso-positivo. S = AP AP + FN __________ E = AN ___________ AN + FP X 100 X 100 50 Como pode ser observado no exemplo, um teste será mais sensível quando apresentar menos resultados falso-negativos e mais específico quando apresentar menos resultados falso-positivos. Prevalência – corresponde ao número total de casos de uma doença ou infecção numa determinada população, num período de tempo. VALOR PREDITIVO VALOR PREDITIVO POSITIVO (VPP): é a probabilidade de que um resultado positivo indique com exatidão a presença de um analito, de uma doença específica ou de uma infecção. Onde: AP = Amostras positivas FP = Amostras falso-positivas VALOR PREDITIVO NEGATIVO (VPN): é a probabilidade de que um resultado negativo indique com exatidão a ausência de um analito, de uma doença específica ou de uma infecção. Onde: AN = Amostras negativas FN = A mostras falso-negativas S = 117 117 + 3 __________ X 100 Sensibilidade = 97,506 % Especificidade = 100 % AP ____________ ____________ VPN= AN ____________ ____________ AN + FN X 100 VPP = X 100 AP + FP X 100 E = 70 __________ 70 + 0 51 Veja a aplicação das fórmulas, utilizando o mesmo exemplo do cálculo de sensibilidade e especificidade. AP = 120 - AN = 70 - FP = 0 - FN = 3 Atenção: Os valores preditivos de um teste variam de acordo com a prevalência da doença ou infecção. Quanto maior a prevalência, maior será o VPP e, por conseqüência, menor o VPN. Da mesma forma, quanto menor a prevalência, menor será o VPP e maior o VPN. Em estudos epidemiológicos, os resultados da presença de uma doença e seus fatores de risco podem ser expressos em tabela 8, conforme representada abaixo: Tabela 8: Doença presente Doença ausente Total Teste positivo A b (a + b) Teste negativo C d (c + d) Total (a + c) (b + d) (a + b + c + d) a = pessoas com a doença ou infecção presente e com o resultado do teste positivo (verdadeiramente positivo); b = pessoas sem a doença ou infecção, mas com resultado do teste positivo (falso-positivo); c = pessoas com a doença ou infecção, mas com o resultado do teste negativo (falso-negativo); d = pessoas sem a doença e com resultado do teste negativo (verdadeiramente negativo) (a + c) = todas as pessoas com a doença ou infecção; (b + d) = todas as pessoas sem a doença ou infecção; (a + b) = todas as pessoas com teste positivo; (c + d) = todas as pessoas com teste negativo. VPP = 117 ____________ ____________ 117 + 0 X 100 Valor Preditivo Positivo = 100% VPN = 70 ____________ ____________ 3 + 7 0 X 100 Valor Preditivo Negativo = 95,8% 52 a a + c Sensibilidade = Valor preditivo negativo = d d + b Especificidade = Valor preditivo positivo = a a + b d c + d 53 FATORES A SEREM CONSIDERADOS NA ESCOLHA DE UM PRODUTO DE CONTROLE COMERCIAL Muitos produtos diferentes estão disponíveis para controles de qualidade laboratoriais. A escolha de um produto de controle correto requer considerações cuidadosas. Algumas vezes quem toma as decisões no laboratório acaba recaindo na tentação de comprar o produto mais barato. Infortuitamente a alternativa mais barata geralmente apresenta limitações significativas como uma validade curta após sua abertura. Essa validade reduzida poderá resultar em desperdício desnecessário se o laboratório não puder utilizar todo o material. Outros produtos não são suficientemente similares à amostra do paciente (soro, urina, líquor ou plasma para testes bioquímicos). Isto poderá causar alguns problemas com certos sistemas-teste, pois esses produtos não interagem com o sistema da mesma forma que a amostra do paciente. Alguns produtos de controle baratos não apresentam todos os seus analitos em níveis clinicamente relevantes para uma tomada de decisão. Finalmente alguns administradores de laboratórios são induzidos pelo preço do kit. Esses tópicos são apresentados com mais detalhe a seguir. Validade Quando for comprar um produto de controle é necessário conhecer o volume aproximado de controle a ser utilizado a cada dia. Por exemplo, produtos de controle químicos gerais são normalmente vendidos em frasco de 10 ml. Laboratórios que utilizam 20 a 30 ml por dia geralmente não estão preocupados com a estabilidade. Mas para aqueles laboratórios que utilizam um volume menor de controle (1 mL/dia por exemplo), a validade passa a ser um dado importante. A validade deverá ser igual ou exceder a taxa de utilização normal do laboratório ou terá sido dinheiro desperdiçado. Por exemplo, um laboratório que compra um produto de controle que apresenta somente 5 dias de estabilidade quando sua taxa de utilização irá requer 10 dias para gastá-lo completamente, estará desperdiçando 50% desse produto. Preço do Kit O preço do kit é uma armadilha que uma vez ou outra o laboratório pode cair. Suponhamos que um laboratório está negociando preço para um produto de controle caro, com dois fornecedores. Um deles oferece o produto à $8,00/mL ou $144,00/kit, e o outro oferece a $120,00/kit sem cotar o preço por mL. O primeiro fornecedor oferece 18 mL por $144,00 enquanto o segundo oferece 12 mL por $120,00. o custo por mL do segundo fornecedor é de $10,00, ou seja, $2,00/mL a mais que o kit cotado a $144,00. Sempre pedir uma proposta para produto de controle cotada por mL e não pelo preço do kit completo. Níveis de decisão clinicamente relevantes Este aspectos de um produto de qualidade é importante. Isto requer que o laboratório compare os níveis clinicamente relevantes de cada teste fornecido no produto de controle. Por exemplo, o objetivo do laboratório é comprar um controle de 3 níveis que permita ao laboratório “controlar” (avaliar) o método de curva para TSH baixos (< 3 µUI/mL), TSH normal (entre 3 e 10 µU/mL) e TSH anormalmente alto (>10 µUI/mL). O equipamento é linear até 50 µU/mL. Um fornecedor oferece um produto de controle imunoensaio que possui: 54 Três níveis: Um nível baixo (1.03 – 1.23 µUI/mL) Um nível normal (7.5 – 9.6 µUI/mL) Um nível alto anormal (27.9 – 34.5 µUI/mL) Esse produto vai de encontro aos critérios de diagnósticos do laboratório. Eles contém 3 níveis distintos dentro dos limites de decisão utilizado pelo laboratório e contesta adequadamente o limite superior do equipamento. Um segundo fornecedor também está oferecendo um produto de controle de três níveis mais barato. Esse produto possui: Um nível muito baixo (3.0 – 5.0 µUI/mL) Um nível normal (8.0 – 10.0 µUI/mL) Um nível anormal (45 – 55 µUI/mL) Neste caso, o produto mais barato não “controla” os TSH baixos pois seus níveis são mais altos que o limite de decisão do laboratório. Além disso, ele não fornece um controle adequado no ponto mais alto da curva, pois o nível do controle alto está muito perto do limite de linearidade do equipamento podendo excedê-lo. O preço é menor mas o produto possui um valor menor ou nenhum valor. Cuidado: É quase impossível achar um produto de controle perfeito para todos os equipamentos, kits ou métodos disponíveis. Quando for escolher um controle, acessar o menu de teste completo do equipamento ou da seção. Quando o resultado de um teste não pode ser adequadamente verificado, o laboratório corre o risco de reportar resultados que podem estar incorretos. Resultados incorretos podem danificar a reputação do laboratório porém, mais importante é que podem prejudicar os pacientes. Quando possível, escolher um produto de controle que possua a melhor gama de utilidade com três níveis. EFEITO MATRIZ Uma matriz é um material que contém outros materiais. A matriz de um produto de controle é a base material do qual ele é feito. Ela poderá ser soro humano, soro bovino, fluido espinal humano, urina humana, sangue total humano ou de carneiro. A matriz de um controle pode ser totalmente artificial, isto é, quimicamente produzido para parecer com urina, soro ou fluido espinal. Produtos de controle que não possuem nenhum material humano na matriz (isto é, artificial ou bovino) muitas vezes não irão interagir com o sistema-teste da mesma forma que a amostra humana. Essa diferença na reatividade é chamada de efeito matriz. Possivelmente, esta é uma das razões para o Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) (antigo National Committee for Clinical Laboratory Standards - NCCLS) dos Estados Unidos recomendar que, quando possível, os materiais de controle devem ser da mesma matriz que as amostras a serem testadas. Estabilizadores e conservantes podem causar o efeito matriz. Embora, a matriz seja humana, éimportante determinar quais estabilizadores e conservantes estão presentes, quais deles apresentam os riscos para o meio ambiente ou quais leis locais requerem um descarte especial. As instruções do produto devem conter informações a cerca do tipo do material da matriz e quais estabilizadores e conservantes estão presentes a níveis que necessitem ser notificados. 55 CONTROLE DE QUALIDADE EM MICROBIOLOGIA CLÍNICA O desempenho do laboratório de microbiologia depende de um programa efetivo de Controle de Qualidade e de Garantia da Qualidade, os quais deverão garantir com exatidão, fidelidade e reprodutibilidade as informações liberadas. O programa de Controle de Qualidade (CQ) monitora o desempenho dos procedimentos técnicos, reagentes, meios de cultura, equipamentos e pessoal técnico; revisa os resultados e a documentação quanto à validade dos métodos testados. O programa da Garantia da Qualidade (GQ) monitora processos que, às vezes, independem do controle do laboratório de microbiologia, como, por exemplo, qualidade das amostras coletadas, metodologia requisitada, laudo, transporte da amostra etc., garantindo que os serviços prestados cumprem com os requisitos de qualidade. PROCEDIMENTO GERAL CONTROLE DE QUALIDADE DE TESTE DE SENSIBILIDADE. Objetivo Garantir que os resultados dos testes de sensibilidade gerados pelo laboratório clínico sejam acurados, confiáveis e que apresentem reprodutibilidade. Instrução Antes da utilização verificar se os meios não apresentam evidência de descoloração, ressecamento ou rachaduras, volume insuficiente, nível de hidratação, turvação ou outros sinais de deterioração. Os microrganismos utilizados para controle de qualidade são amostras amplamente caracterizadas e previamente testadas. As cepas utilizadas são provenientes da American Type Culture Collection (ATCC) e deverão ser subcultivadas em meios apropriados antes da realização dos testes. Caso estas cepas estejam armazenadas em banco de microrganismos (freezer a --70°C) subcultivar por 2 vezes antes do teste. Desta maneira todas as características fenotípicas serão expressas. Os testes devem ser realizados de acordo com as normas preconizadas pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) M2-A7-Performance Standard for Antimicrobial Disk Susceptibility Tests e M7-A5 –Methods for Dilution Antimicrobial Susceptibility Tests for bactéria that Grow Aerobically. Freqüência com que a utilização de cepas ATCC devem ser utilizadas. 1. Testar ATCCs diariamente ou sempre que uma amostra clínica for testada. 2. Esta freqüência pode ser reduzida de diariamente para semanalmente contanto que o laboratório possa documentar a proficiência de trinta resultados diários ou obtidos após o teste de trinta isolados clínicos. 3. Esta proficiência é confirmada se dos trinta resultados para cada combinação droga/microrganismo somente 3 estiverem fora do limite padrão. 4. Documentar a proficiência sempre que uma nova droga é adicionada ao protocolo. 5. Realizar controle de qualidade sempre que um novo lote de materiais chega ao laboratório. 6. Novo lote do meio preparado. 56 Resultados aceitáveis para controle de qualidade diário. 1. O controle de qualidade está sob controle se não mais do que 1 de 20 resultados consecutivos estiver fora dos limites estabelecidos. Resultados aceitáveis para controle de qualidade semanal. 1. O controle de qualidade está sob controle se todos os resultados estiverem dentro dos padrões. 2. Se algum resultado semanal estiver fora do controle, voltar a fazer controle diário com intuito de definir o problema: Testar o agente ou agentes antimicrobianos com a cepa ATCC apropriada por 5 dias consecutivos. Para cada combinação droga/microrganismos as 5 leituras devem estar dentro dos limites. Se o problema não estiver resolvido, ou seja, um ou mais resultados estiverem fora dos limites, continuar testando diariamente. Para retornar ao controle semanal, documentar resultados satisfatórios de outros 30 dias consecutivos. 57 Valores de referência Para checar valores de sensibilidade a antimicrobianos de ATCCs, determinados por disco-difusão ou concentração inibitória mínima utilizar o documento do Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) – Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing; Tenth Informational Supplement – M100 – S10, 2000. Neste documento podem ser encontradas tabelas contendo o intervalo dos diâmetros dos halos de inibição esperados bem como concentração inibitória mínima para cada cepa ATCC. Para amostras clinicas também existem tabelas separadas por grupos. 58 59 Planilha 1 - CONTROLE DE QUALIDADE – LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA CLÍNICA DISCO-DIFUSÃO ATCC Escherichia coli 25922 Meio de cultura: Mueller-Hinton ágar Amox./Ac. Clav. = amoxicilina/ácido clavulânico; Amp/Sulbactam = ampicilina/sulbactam; Ac. Nalidíxico = ácido nalidíxico; Pip/Tazobactam = piperacilina/ Tazobactam ; Ticar/ Ac. Clav.= ticarcilina/ácido clavulânico; Trimet/Sulfa = trimetoprim/sulfametoxazol Antimicrobiano Simb. Variação (mm) Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Ác. nalidíxico NAL 22-28 Amicacina AMI 19-26 Amox/Ac. Clav AMC 19-25 Amp/Sulbactam SBA 20-24 Ampicilina AMP 16-22 Aztreonam ATM 28-36 Cefalotina CFL 15-21 Cefepima CPM 29-35 Cefixima CFM 23-27 Cefoperazona CPZ 28-34 Cefotaxima CTX 29-35 Cefoxitina CFO 23-29 Cefpodoxima CFP 23-28 Ceftazidima CAZ 25-32 Ceftriaxona CRO 29-35 Cefuroxima CRX 20-26 Ciprofloxaxina CIP 30-40 Cloranfenicol CLO 21-27 Gentamicina GEN 19-26 Imipenem IPM 26-32 Levofloxacina LVX 29-37 Meropenem MER 28-34 Nitrofurantoina NIT 20-25 Norfloxacina NOR 28-35 Pip/Tazobactam PPT 24-30 Rifampicina RIF 8-10 Ticarc/Ac. Clav. TIC 25-29 Tobramicina TOB 18-26 Trimet/Sulf SFT 24-32 Técnico: Revisado por: 60 Planilha 2 - CONTROLE DE QUALIDADE – LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA CLÍNICA DISCO-DIFUSÃO ATCC Pseudomonas aeruginosa 27853 Meio de cultura: Mueller-Hinton agar Pip/Tazobactam = piperacilina/tazobactam ; Ticar/ Ac. Clav.= ticarcilina/ácido clavulânico Antimicrobiano Simb. Variação (mm) Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Amicacina AMI 18-26 Aztreonam ATM 23-29 Cefepima CPM 24-30 Cefotaxima CTX 18-22 Cefoperazona CPZ 23-29 Ceftazidima CAZ 22-29 Ceftriaxona CRO 17-23 Ciprofloxaxina CIP 25-33 Imipenem IPM 20-28 Levofloxacina LVX 19-26 Meropenem MER 27-33 Norfloxacina NOR 22-29 Pip/Tazobactam PPT 25-33 Ticarc/Ac. Clav. TIC 20-28 Tobramicina TOB 19-25 Técnico: Revisado por: 61 Planilha 3 - CONTROLE DE QUALIDADE – LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA CLÍNICA DISCO-DIFUSÃO ATCC Staphylococcus aureus 25923Meio de cultura: Mueller-Hinton agar Antimicrobiano Simb. Variação (mm) Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Lote # Data realiz. teste (___/___/____) Data da validade Resultado (mm) Avaliação C / NC Amicacina AMI 20-26 Amox/Ac. Clav AMC 28-36 Amp/Sulbactam SBA 29-37 Ampicilina AMP 27-35 Azitromicina AZI 21-26 Cefalotina CFL 29-37 Cefepima CPM 23-29 Cefotaxima CTX 25-31 Cefoxitina CFO 23-29 Cefpodoxima CFP 19-25 Ceftazidima CAZ 16-20 Ceftriaxona CRO 22-28 Ciprofloxaxina CIP 22-30 Clindamicina CLI 24-30 Cloranfenicol CLO 19-26 Eritromicina ERI 22-30 Gentamicina GEN 19-27 Levofloxacina LVX 25-30 Meropenem MER 29-37 Oxacilina OXA 18-24 Penicilina PEN 26-37 Pip/Tazobactam PPT 27-36 Quinup/Dalfopristin - 23-29 Rifampicina RIF 26-34 Teicoplanina TEC 15-21 Tetraciclina TET 24-30 Ticarc/Ac. Clav. TIC 29-37 Tobramicina TOB 19-29 Trimet/Sulfa SFT 24-32 Vancomicina VAN 17-21 Técnico: Revisado por: Amox./Ac. Clav. = amoxicilina/ácido clavulânico; Amp/Sulbactam = ampicilina/sulbactam; Pip/Tazobactam = piperacilina/tazobactam; Quinup/Dalfopristin = quinuspritin/dalfopristin; Ticar/ Ac. Clav.= ticarcilina/ácido clavulânico; Trimet/Sulfa = trimetoprim/sulfametoxazol 62 CONTROLE DE QUALIDADE DE MEIOS DE CULTURA Objetivo Garantir que as informações geradas pelo laboratório sejam acuradas, confiáveis e que apresentem reprodutibilidade. Isto pode ser alcançado com a monitoração de vários parâmetros tais como: qualidade das amostras clínicas (coleta/transporte), realização de testes, reagentes, meios de cultura, instrumentos, funcionários, revisão dos resultados e documentação de todos os procedimentos realizados no laboratório clínico. Instrução Após preparação, os meios de cultura devem exibir claramente data de preparação e data de validade. Testar cada novo lote de meio de cultura, reagentes ou constituintes antes da utilização. Manter sempre um relatório (Planilhas) em local visível contendo: a quantidade de meio preparada, número do lote, método utilizado para esterilização, data de preparação, pH, data de validade e o nome do técnico responsável pela preparação dos meios. Antes da utilização verificar se os meios não apresentam evidência de descoloração, ressecamento ou rachaduras, volume insuficiente, nível de hidratação, presença de bolhas, turbidez ou outros sinais de deterioração. Checar os meios quanto à esterilidade incubando 5% da amostra quando se tratar de lotes de 100 unidades ou menos ou então selecionar 10 unidades escolhidas aleatoriamente de grandes lotes. Incubar o meio de cultura por 48 horas na temperatura que o meio será utilizado e depois por mais 48 horas a temperatura ambiente. Desconsiderar contaminações esporádicas (1 unidade). Descartar lote inteiro se encontrar contaminação significativa (≥ 10% da amostragem). Checar o pH de cada novo lote preparado. Para meios sólidos, utilizar eletrodo de superfície ou então macerar o meio em água destilada estéril e neutra e utilizar eletrodo de imersão. Para meios líquidos utilizar eletrodo de imersão. De maneira geral o intervalo de pH aceitável é de 7.2 a 7.4. Os microrganismos utilizados para controle de qualidade são amostras amplamente caracterizadas e previamente testadas. As cepas utilizadas são provenientes da American Type Culture Collection (ATCC) e deverão ser subcultivadas nos meios apropriados. Os testes devem ser realizados de acordo com as normas preconizadas pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) M22-A. A qualidade dos meios e também a data de validade podem ser afetadas por diversos fatores que podem variar de laboratório para laboratório. É imprescindível que cada laboratório estabeleça, dentro dos critérios gerais, seus próprios critérios para a verificação da qualidade da produção. Alguns fatores que podem intervir na qualidade e conseqüentemente na validade dos mesmos: 1. Super aquecimento de constituintes basais. 2. Utilização de sangue fora do prazo de validade. 3. Adição de sangue ou outros componentes termo-sensíveis ao meio com temperatura > 50°C. 4. Armazenamento em temperatura inadequada. Nunca estocar meios de cultura em refrigeradores frost-free. 5. Preparação de placas ou tubos contendo menor quantidade de meio do que a ideal. Em placas pequenas deve-se colocar 15 mL, em placas médias 25 mL e em placas grandes 60 mL. A profundidade deve ser de 4 a 5 mm. Deve-se checar a profundidade, para isso utilizar um probe estéril e fino calibrado entre 4 a 5 mm. 63 6. Armazenar as placas ou tubos em embalagens plásticas antes do completo esfriamento do meio. 7. Exposição dos meios à luz. 8. Alternação de temperatura. Por exemplo, expor os meios à temperatura ambiente (22ºC a 25ºC) e voltá-los a temperatura de armazenamento (2ºC a 8ºC). 9. Utilização de recipientes (tubos ou placas) não vedados corretamente. 10. Armazenamento dos meios em embalagens inadequadas e mal vedadas. Isto pode resultar em variação do volume dependendo da temperatura e umidade do local de estocagem. Critérios sugeridos para estabelecimento da validade de meios de cultura desde que armazenados em embalagens plástica (polietileno ou filme similar), 10 placas de embalagem e em temperatura de 2ºC º a 8ºC. Meios de cultura sólidos. 1. Meio com validade até 20 dias Meios de cultura contendo de 10 a 15 mL (placa pequena) ou então 60 mL (placa grande). Ex: MHA – Mueller–Hinton ágar. Meios de cultura não seletivos suplementados com sangue de carneiro. Meios contendo suplementos, adicionados assepticamente. Meios de cultura para enterobactérias. Ágar chocolate seletivos e não seletivos. 2. Meios com validade até 15 dias Meios de cultura suplementados com sangue que não o de carneiro. Meios de cultura suplementados com sangue de cavalo para anaeróbios. Meios de cultura suplementados com sangue de carneiro. 3. Meios com validade até 10 dias Ágar Brucella suplementado com sangue de carneiro. Ágar sangue com azida. Campylobacter ágar com agentes antimicrobianos. Meios de cultura armazenados em tubos 1. Meio com validade até 30 dias Ágar broth sem suplementação, estocados de 2ºC a 25ºC. Ex: TSB, BHI. Meios sólidos não suplementados estocados de 2ºC a 25ºC. Ex: ágar nutriente. 2. Meios com validade até 25 dias Ágar broth com suplementação, estocados de 2ºC a 8ºC. Ex: Middlebrook 7H9. Meios semi-sólidos com ou sem suplemento estocados de 2ºC a 8ºC. Ex: Cystine Tryptic Ágar Meio Motilidade – Nitrato. Meio sólido suplementado exceto com sangue ou soro estocados de 2°C a 8°C. Ex. Middlebrook 7H10. 3. Meios com validade até 20 dias. Meio sólido contendo sangue ou soro. Ex: BHI Ágar com sangue de carneiro. 64 Interpretação ________________________________________________________________________________ Tabela 7 – Microrganismos sugeridos para controle de qualidade de meios de cultura (ATCCs) Meio pH Microrganismo Controle ATCC Resultado esperado Base para ágar sangue 7,4 Streptococcus pneumoniae Streptococcus pyogenes Staphylococcus aureus Escherichia coli 6305 19615 25923 25922 Crescimento / α hemólise Crescimento / β hemólise Crescimento Crescimento Agar chocolate 7,2 Neisseria gonorrhoeae Haemophilus influenzae 43069 10211 Crescimento Crescimento Columbia agar base suplementado com 5% de sangue de carneiro 7,3 Streptococcus pyogenes Streptococcus pneumoniae Staphylococcus aureus 19615 6305 25923 Crescimento / β hemólise Crescimento / α hemólise Crescimento Ágar MacConkey 7,1 Proteus mirabilis 12453 Crescimento de colônias transparentes/ Inibição do véu Manitol Salt ágar 7,4 Staphylococcus aureus Staphylococcus epidermidis Proteus mirabilis 25923 12228 12453 Colônias com bordas amareladas Colônias com bordas avermelhadas Inibição do crescimento Eosin methylene blue 7,2 Salmonella typhimurium Enterococcus faecalis Escherichia coli 14028 29212 25922 Crescimento de colônias transparentes Inibição parcial Crescimento de colônias escuras com brilho metálico Mueller-Hinton ágar Escherichia coli Staphylococcus aureus Pseudomonas aeruginosa Enterococcus faecalis Escherichia coli 25922 25923 27853 29212 35218 Crescimento Crescimento Crescimento Crescimento Crescimento Mueller-Hinton agar suplementado com 5% de sangue de carneiro Streptococcus pneumoniae 49619 Crescimento Haemophilus test médium Haemophilus influenzae Haemophilus influenzae Haemophilus influenzae 49247 49766 10211 Crescimento Crescimento Crescimento Haemophilus test médium broth Haemophilus influenzae Haemophilus influenzae Haemophilus influenzae 49247 49766 10211 Crescimento Crescimento Crescimento Tryptic Soy Broth/ Tryptic Soy Ágar Streptococcus pyogenes Escherichia coli 19615 25922 Crescimento Crescimento 65 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 4: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR BASE PARA URÉIA SEGUNDO CHRISTENSEN DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litro TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Proteus mirabilis ATCC 14153 Coloração rósea Nº2→ Escherichia coli ATCC 25922 Coloração amarela Nº3→ Klebsiella pneumoniae ATCC 13883 Coloração rósea 66 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 5: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR BILE ESCULINA DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Enterococcus faecalis ATCC 11700 Meio com coloração preta Nº2→ Escherichia coli ATCC 25922 Meio inalterado 67 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 6: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR BROLACIN (CLED) DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Proteus mirabilis ATCC 29906 Coloração azul Nº2→ Escherichia coli ATCC 11775 Coloração amarela Nº3→ Staphylococcus aureus ATCC 6538-P Coloração amarela 68 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 7: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR BASE PARA ÁGAR SANGUE DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Staphylococcus aureus ATCC 25923 Crescimento Nº2→ Streptococcus pyogenes ATCC 19615 Beta hemólise Nº3→ Streptococcus pneumoniae ATCC 6305 Alfa hemólise 69 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 8: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR CHOCOLATE DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Neisseria gonorrhoeae ATCC 43069 Crescimento colônia translúcida Nº2→ Haemophilus influenzae ATCC 10211 Crescimento colônia translúcida 70 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 9: CONTROLE DE QUALIDADEPREPARO DO MEIO DE CULTURA: CITRATO DE SIMONS DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Escherichia coli ATCC 25922 Superfície do meio sem mudança de coloração Nº2→ Klebsiella pneumoniae ATCC 13883 Superfície do meio com coloração azulada 71 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 10: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR DNase (com aditivo: azul de toluidina a 1%) DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Staphylococcus aureus ATCC 25923 Halo azul Nº2→ Staphylococcus epidermidis ATCC 12228 Sem formação de halo 72 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 11: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR MAC CONKEY DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ E. coli ATCC 25922 Crescimento colônia lactose + (rosa) Nº2→ Proteus mirabilis ATCC 29906 Crescimento colônia lactose – e “ véu” de Proteus 73 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 12: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR MANITOL HIPERTÔNICO DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Staphylococcus aureus ATCC 25923 Crescimento colônia cor amarela Nº2→ Staphylococcus epidermidis ATCC 12228 Crescimento colônia sem alteração na cor 74 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 13: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: MUELLER HINTON ÁGAR DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Escherichia coli ATCC 25922 Crescimento característico de bacilo Gram negativo Nº2→ Pseudomonas aeruginosa ATCC 27853 Crescimento característico de bacilo Gram negativo Nº3→ S. aureus ATCC 25923 Crescimento característico de coco Gram positivo 75 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 14: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: MUELLER HINTON BROTH DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Escherichia coli ATCC 25922 Turvação do caldo 76 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 15: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR S.S. (Salmonella/Shigella) DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO- SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Salmonella typhimurium ATCC 14028 Transparentes, com centro negro Nº2→ Shigella flexneri ATCC 12022 Transparentes Nº3→ Enterobacter aerogenes ATCC 13048 Rosadas 77 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 16: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: ÁGAR VERDE BRILHANTE DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 Cepa Controle Resultado esperado Nº1→ Salmonella typhimurium ATCC 14028 Rosa pálido,transparentes, com halo vermelho Nº2→ Escherichia coli ATCC 25922 Vermelho-amarelada, com halo verde-amarelado 78 LABORATÓRIO ESPECIAL DE MICROBIOLOGIA – LEMC PLANÍLHA 17: CONTROLE DE QUALIDADE PREPARO DO MEIO DE CULTURA: TRIPLE SUGAR IRON AGAR (TSI) Cepa Controle Resultado esperado Base Ápice Gás H2S Nº1→ Escherichia coli ATCC 25922 Crescimento bom Amarela Amarelo + - Nº2→ Shigella flexneri ATCC 12022 Crescimento bom Amarela Vermelho - - Nº3→ Proteus mirabilis ATCC 14153 Crescimento bom Amarela Vermelho + + Nº4→ Pseudomonas aeruginosa ATCC 9027 Crescimento bom Vermelha Vermelho - - DATA RESPONSÁVEL MEIO DE CULTURA ADITIVO PREPARO pH TIPO DE ESTERILIZAÇÃO CONTROLE CARACTERÍSTICAS FÍSICAS COR – C RACHADURAS – R VOL.INSUFICIENTE – VI NÍVEL HIDRATAÇÃO – NI PRESENÇA BOLHAS – PB TURBIDEZ – T SIN. DETERIORAÇÃO - SD FABRICANTE Nº LOTE DATA DE VALIDADE TIPO / FABRICANTE Nº LOTE QUANTIDADE mg/Litros TUBOS – T PLACAS - P 25ºC CALOR ÚMIDO SOB PRESSÃO – CUP FILTRAÇÃO – F TINDALIZAÇÃO - T TESTE DE ESTERELIDADE OK / DESP. CEPA CONTROLE RESULTADO OBTIDO (vide resultado esperado) 1 2 3 4 79 CONTROLE DE QUALIDADE DE CORANTES E COLORAÇÕES Instrução Os frascos que contêm corantes e demais reagentes devem ser obrigatoriamente rotulados, indicando seu conteúdo, concentração, exigências de armazenamento, data de preparação (ou recebimento), data de início do uso, data de validade, fonte fornecedora e número de lote (caso aplicável). Todas as baterias de colorações e reagentes devem ser estocadas de acordo com as instruções do fabricante. Testar com controles positivos e negativos antes do uso. Materiais e reagentes vencidos ou que não tenham passado no controle de qualidade não devem, em hipótese alguma, ser utilizados devendo ser descartados imediatamente. CONTROLE DE QUALIDADE DO MÉTODO DE COLORAÇÃO DE GRAM Para realizar o controle de qualidade dos corantes e da coloração de Gram deve-se usar duas cepas bacterianas: a Gram-positiva deverá ser Streptococcus pyogenes ATCC nº 19615 e a Gram-negativa deverá ser a Escherichia coli ATCC nº 25922. Para manter as cepas bacterianas, deverá a cada 15 dias repicá-las em ágar nutriente (tubo com ágar inclinado). O controle da pureza das cepas bacterianas deverá ser realizado a cada 2 meses. As cepas deverão ser repicadas em placas (método do esgotamento por estrias) e identificá-las segundo procedimentos microbiológicos tradicionais. Após confirmação da pureza das cepas, estas deverão voltar a ser estocadas em tubos com ágar nutriente. Procedimento: Preparar uma suspensão de Streptococcus pyogenes e Escherichia coli. Para isso, pipetar 0,5 mL de solução salina estéril em um tubo de ensaio limpo e estéril. Juntar uma alçada do Streptococcus pyogenes e outra de Escherichia coli. Muita atenção com os procedimentos técnicos e cuidados de biosegurança durante a execução. Flambar a alça bacteriológica antes e após a utilização com cada uma das cepas bacterianas. Deve-se esfriar a alça após a flambagem. Preparar 30 lâminas para utilizar durante um mês, pipetando uma gota da suspensão bacteriana homogeneizada sobre cada uma das lâminas de vidro, limpas, secas e desengorduradas. Deixar as lâminas secarem naturalmente. Estoque-as em um porta-lâminas identificado em temperatura ambiente. O controle de qualidade deverá sempre ser realizado ao término da preparação dos corantes, mesmo que seja uma simples diluição e, todas as vezes que o procedimento de coloração for realizado. Com essas lâminas executar o método da coloração de Gram. Examinar ao microscópio óptico, utilizando a objetiva de imersão. Notar os cocos G(+) bem roxos e bem definidos e os G(-) vermelhos e bem corados. 80 MANUTENÇÃO PREVENTIVA E CONTROLE DE QUALIDADE DE EQUIPAMENTOS Considerações Gerais O laboratório clinico utiliza diferentes equipamentos nos métodos e nas técnicas de diagnósticos, conseqüentemente o controle de qualidade (CQ) desses aparelhos é necessário para assegurar a confiabilidade dos resultados, os quais dependem da eficiência e do uso apropriado do equipamento. A escolha do equipamento deve ser baseada nos critérios de padronização do uso, volume, custo, facilidade de operação, tempo de vida útil e eficiência. A principal fonte destes dados é o fabricante, que deve seguir determinadas leis e regulamentações para fornecer informações fidedignas. No entanto, a responsabilidade de uma operação de sucesso de um equipamento não é restrita ao fabricante. O laboratório deve fornecer localização adequada, espaço, utilitários (energia elétrica, água, gases), ambiente compatível e pessoal treinado. Dependendo da complexidade do equipamento, a instalação deve ser feita por pessoal especializado. Cuidados simples, como a leitura do manual do aparelho, podem fornecer informações muito importantes, evidenciando futuros problemas e garantindo o funcionamento adequado do mesmo. A manutenção preventiva, a limpeza, a calibração e o controle de qualidade são fundamentais para o correto funcionamento dos equipamentos.Autoclave Manutenção preventiva: A autoclave deve ser instalada em área com boa ventilação. Os materiais colocados em seu interior devem permitir a livre circulação do vapor. Enquanto estiver sendo efetuado o aquecimento à pressão, não mexer no orifício de drenagem, na válvula da saída de ar ou na válvula de segurança. Antes de abrir a autoclave deve-se esperar que a pressão retorne a 0 kgf/cm2 e que a temperatura seja inferior a 60°C. Os líquidos a serem autoclavados não devem exceder 2/3 do volume do frasco, pois durante a fervura pode ocorrer extravasamento. Controle de Qualidade: Seguir mapa de controle de esterilização em anexo. As limpezas externa e interna devem ser feitas sempre que necessário e no mínimo uma vez por semana. A borracha de vedação da tampa deve ser trocada quando estiver desgastada. O tempo requerido para se atingir a temperatura e pressão deve ser anotado com o objetivo de analisar possíveis desgastes do aparelho. Banho-Maria Manutenção preventiva: O banho de água deve ser colocado em plano nivelado afastado de fontes de calor ou de frio (motores, condicionadores de ar, janelas), pois rapidamente ocorrem trocas térmicas com o ambiente. 81 O banho deve ser mantido fechado para evitar diminuição da temperatura e evaporação da água, exceto nas reações de incubação. Não devem ser utilizados suportes ou outros materiais metálicos ou sujos que podem favorecer a oxidação ou incrustação na parte interna do banho. Um termômetro calibrado deve ser mantido em local próprio no banho. A limpeza e a troca de água devem ser feitas semanalmente ou sempre que houver necessidade. Para a limpeza utilizar uma esponja macia com detergente e água quente. Em banhos de aço inoxidável não se deve utilizar detergentes abrasivos ou clorados. Com a finalidade de impedir a contaminação bacteriana, adiciona-se solução de tiomersal 1:1000. Caso ocorra derramamento de algum material biológico contaminado no interior do banho-maria, deve-se aguardar 30 minutos para que os aerossóis assentem. Proceder á limpeza do banho com luvas e máscara, adicionando-se desinfetante fenólico ou doméstico em uma concentração de 10%. O nível correto de água é determinado de acordo com o nível de líquido de dentro dos tubos; o nível de água no banho deve ser igual ou superior ao nível de dentro do tubo sem invadir seu interior. Controle de Qualidade: Diariamente, verificar visualmente se há crescimento de bactérias, fungos ou algas ou se há depósitos de minerais nas paredes do banho. Em caso afirmativo, proceder á limpeza e remoção dos contaminantes. O nível de água também deve ser verificado diariamente; se estiver freqüentemente abaixo do determinado, deve-se procurar a causa da perda de água, que pode se dar por vazamentos ou evaporação excessiva. A temperatura deve ser medida com termômetro calibrado duas ou três vezes por dia e anotada em uma planilha adequada (em anexo), para que seja possível uma análise das causas de variações de temperatura. Semestralmente, limpar as incrustações e oxidações com ácido tartárico. Balança Manutenção preventiva: Verificar se a balança está nivelada apropriadamente. Deve estar localizada em uma mesa livre de vibrações, afastada de correntes de ar e ventiladores. Verificar a limpeza da balança, principalmente do prato. Evitar oscilações durante a pesagem, manuseando o prato cuidadosamente. Colocar o material no centro do prato. Aferir os pesos sistematicamente, em ordem decrescente, iniciando com um peso maior que o requerido. Não exceder o peso máximo permitido pela balança. Não pesar materiais quentes antes que voltem á temperatura ambiente. Os frios podem também condensar umidade, a qual pode incrementar o peso. Manter a balança limpa após usá-la e protegê-la com uma capa. 82 Capelas de Segurança Biológica Manutenção preventiva e cuidados importantes: Não obstruir o fluxo de ar cobrindo as passagens com equipamento ou materiais e evitar colocá- los a menos de 4 cm da abertura frontal. Realizar o mínimo de movimentos possíveis e mover os braços lentamente para fora e para dentro da capela. Equipamentos usados no interior da capela não devem produzir correntes de ar que interfiram no fluxo de ar, como, por exemplo, microcentrífugas que geram forte turbulência de ar. A capela deve ser ligada pelo menos 15 minutos antes do início do trabalho e desligada 30 minutos após o término. Lâmpadas ultravioletas nunca devem ser ligadas quando a capela esta em uso. A ventilação e a recirculação do fluxo de ar das capelas deve ser bem planejada. As capelas que permitem a saída de ar no interior do laboratório não devem ser usadas para materiais voláteis, como éter, acetona ou grandes volumes de álcool. A capela deve ser instalada, preferencialmente, em uma sala separada e a porta deve ser mantida fechada durante a operação. Fontes de calor, como bicos de Bunsen, interferem no fluxo do ar e o calor excessivo pode causar danos no filtro. Portanto deve-se usar incinerador. Controle de Qualidade: Diariamente verificar se o fluxo de ar está funcionando na direção da área de trabalho da capela. Registrar a leitura do aferidor quando houver. Podem ser usados como desinfetantes: compostos fenólicos, hipocloritos a 0,5% e etanol 70%. Mensalmente, remover as telas da ventilação e limpar as canaletas com desinfetante. Verificar procedimentos na folha em anexo. Centrífuga Manutenção preventiva e cuidados especiais. A prevenção mais importante é balancear a carga. Os rolamentos que sustentam os eixos devem ser lubrificados e vedados, em intervalos de 3 a .6 meses, ou após um número específico de horas de operação, recomendados pelo fabricante. Quando o material infectante for centrifugado, limpar todos os adaptadores imediatamente com desinfetante ou solução microbicida apropriada. Usar tubos plásticos inquebráveis com tampas para materiais infectantes, a fim de impedir a formação de aerossóis. Nunca centrifugar grandes volumes de líquidos inflamáveis, que podem volatilizar e penetrar no motor, onde uma faísca pode provocar a ignição. Caso o material possa ficar comprometido com a temperatura da sala, deve-se usar uma centrifuga refrigerada. O local deve oferecer nível estável, principalmente no caso de centrífugas de mesa. A conexão à energia elétrica deve ser individual e segura. A calibração inicial deve ser realizada pelo fabricante e a calibração da velocidade de rotação da centrífuga deve ser feita somente por pessoal especializado. Controle de qualidade 83 Balancear a carga. Verificar se a temperatura apropriada é mantida durante a operação. Diariamente deve-se abrir a tampa quando a centrífuga for refrigerada e desligada à noite, para secar o interior. Durante o dia, quando o equipamento está sob refrigeração, manter a tampa fechada para evitar condensação. Semanalmente, verificar se todos os respiradouros estão limpos e abertos. Limpar o rotor, os cartuchos e o interior com desinfectante. Mensalmente, usar o condensador a vácuo para limpar bobina, ventilador, tela e filtros das centrífugas refrigeradas e verificar as escovas se a centrífuga é muito usada. Inspecionar as conexões elétricas. Verificar a calibração da velocidade com taquímetro fotoelétrico, mensal ou semestralmente. Verificar, semestralmente, a temperatura usada rotineiramente no interior da centrífuga refrigerada com um termômetro calibrado. A velocidade deve ser calibrada por um profissional especializado. Geladeira Manutenção preventiva e cuidados técnicos: Deve ser instalada em local nivelado e que permita ventilação adequada. O ideal é um circuito elétrico para cada geladeira, extensões não devem ser usadas. O termorreguladordeve ser ajustado para garantir a temperatura de aproximadamente 4°C. Recomenda-se abrir a geladeira poucas vezes e por períodos curtos, verificando se a porta ficou bem fechada. A instalação de um sistema de alarme, que dispara quando as variações de temperatura ultrapassam o limite de tolerância, aumenta a segurança, devendo ser conectado a um circuito separado, que permaneça funcionado quando acontecer algum problema com a geladeira. A distribuição conveniente dos reagentes, os mais usados na frente e os menos usados no fundo, facilita o seu manuseio e diminui o tempo de abertura da porta da geladeira. Materiais voláteis ou explosivos necessitam ser armazenados em pequenas quantidades e em recipientes de metal. O descongelamento e a limpeza devem ser feitos periodicamente (3 meses) ou sempre que necessário. Os materiais devem ser transferidos para outra geladeira ou mantidos em gelo. Os compartimentos onde são armazenados materiais biológicos contaminados necessitam ser limpos com desinfectantes fenólicos ou cloratos deixando agir no local cerca de trinta minutos. As conexões elétricas devem ser verificadas diariamente no início e no final do expediente Controle de qualidade Os valores de tolerância da temperatura são de 4-8°C. Os dados de temperatura máximas e mínimas devem ser colocados em um gráfico para melhor análise das variações de temperatura ocorridas e de suas prováveis causas. Deve-se controlar a circulação de ar interno diariamente, abrindo-se a porta da geladeira e visualizando-se o ventilador em funcionamento ou ouvindo seu barulho. A borracha de vedação da porta deve ser verificada semanalmente ou quando necessário. se apresentar rachaduras, deformações ou cortes, é necessário providenciar sua troca. 84 Na presença de bolores (fungos), deve-se limpar o local com solução alvejante a 10%, enxaguar, secar e aplicar uma fina camada de vaselina, que ajuda a manter a flexibilidade. Freezer Manutenção preventiva: Os cuidados mencionados para geladeira devem ser seguidos para o freezer. Uma das preocupações adicionais para freezers é evitar o uso de equipamentos com dispositivo de descongelação automática, pois as flutuações de temperatura podem ocasionar decomposição de materiais estocados. Os freezers devem ser descongelados 3 a 4 vezes por ano ou quando a camada de gelo ultrapassar 1 cm. Controle de qualidade: Devem ser controladas a temperatura e a vedação da porta. A variação de temperatura aceitável para freezers a –20°C e –40°C é de ± 5°C e para –60ºC ou menos a variação pode alcançar ± 10°C. O termômetro deve ser colocado em um frasco contendo uma solução que não congele à temperatura do freezer, como, por exemplo, solução de glicerina 50% em água ou solução de polietilenoglicol. É recomendável a utilização de um dispositivo adicional para indicar a falta de refrigeração. Este dispositivo pode ser feito com uma solução colorida (solução de sulfato de cobre), que, após ser congelado em pequenos frascos, é distribuída em vários pontos do freezer com a tampa virada para baixo. Quando a temperatura no interior do freezer aumenta, ocorre a fusão do material no interior dos frascos e a solução colorida desloca-se para a parte mais baixa do frasco. Diariamente também é necessário verificar se o gelo acumulado não está interferindo no fechamento da porta. Estufas microbiológicas Manutenção preventiva: Os termômetros internos devem ser colocados afastados das portas das estufas microbiológicas. Nas estufas de CO2 os tanques de gás devem ser afastados do fluxo das pessoas que trabalham no laboratório e, preferencialmente, isolados por paredes. Quando não há espaço adequado para todas estas precauções, os tanques devem ser colocados em uma sala separada e uma tubulação que atravessa a parede ou o teto conecta o CO2 à estufa. As estufas microbiológicas devem ser localizadas em superfície nivelada e livre de vibrações. As estufas de CO2 requerem espaço também para dois tanques de CO2 para emergências, fins de semana e férias. A conexão à rede elétrica deve ser segura e, se possível, a um sistema de emergência hospitalar. Não usar extensões elétricas. A estufa deve ser afastada de condicionadores de ar e ventiladores. Para operação mais eficiente, a temperatura ambiente deve ser no mínimo 5°C mais baixa do que a desejada da estufa. 85 Controle de qualidade Verificar o nível de CO2 . Limpar, semanalmente, os compartimentos interno e externo da estufa. Quando necessário e, no mínimo, 1 vez ao ano inspecionar os cabos e a conexão elétrica. Verificar o nível das prateleiras e a borracha de vedação da porta da estufa. Estufa de esterilização Manutenção preventiva: A estufa (ou forno) de esterilização deve ser instalada em local adequado, afastado de autoclaves ou outras fontes de calor. A exposição direta ao sol deve ser evitada. A estufa necessita de um circuito elétrico separado dos demais equipamentos. Para facilitar a circulação de ar no interior da estufa deve-se deixar pelo menos 5 cm de espaço em todos os lados. Materiais explosivos, combustíveis ou inflamáveis nunca devem ser colados na estufa, bem como óleos, que volatilizam e depositam-se na vidraria posteriormente adicionada. Deve ser realizada a calibração do dispositivo do controle da temperatura da estufa. Esperar baixar a temperatura antes de abri-la. Não colocar recipientes com liquido em seu interior e verificar se a vidraria não contém água excedente. O material a ser esterilizado deve ser colocado na estufa quando esta apresentar temperatura abaixo de 40°C. Uma vez alcançada a temperatura desejada (segundo propósito secagem-esterilização) controlar o tempo. Controle de qualidade Controlar a temperatura no interior da estufa com termômetro certificado. O controle da esterilização pode ser feito com os mesmos indicadores químicos e biológicos (autoclave). A limpeza deve ser feita a cada 6 meses e a sujeira incrustada deve ser retirada com sabão e água. Microscópio óptico Manutenção preventiva: Deve ser localizado em superfícies livres de vibração de centrífugas ou de outros equipamentos e afastado de janelas, as quais devem ser ajustadas para permitirem a entrada de luz solar apropriada. Não deve ser removido constantemente e deve haver espaço ao seu redor para os registros. Ao desligar o microscópio, posicionar a lente objetiva de menor aumento antes de remover a lâmina. Remover o óleo de imersão das lentes objetivas após cada uso. Usar somente papel macio para limpar as objetivas. Usar soluções de limpeza recomendadas pelo fabricante. Éter etílico (extremamente inflamável) e xileno (tóxico) não prejudicam as objetivas. Não usar álcoois 86 (metílico, etílico, isopropílico) e acetona, pois podem apagar as informações impressas nas objetivas. Não tocar nas lâmpadas; usar papel macio para inseri-las no compartimento de fonte de luz. Nos exames de lâminas a fresco, reduzir a luz e aumentar o contraste. Sempre transportar o microscópio com uma das mãos segurando a base e a outra o braço. Nunca remover o microscópio pelas objetivas. Manter o óleo de imersão bem fechado e livre de poeira e dejetos. Não trocar objetivas entre microscópios, a menos que as especificações de comprimento do tubo mecânico sejam equivalentes ou que o microscópio tenha sido calibrado com tais objetivas. Controle de qualidade Limpar, diariamente, o óleo de imersão das objetivas. Limpar objetivas, oculares e condensador com solução desinfetante e papel macio. Limpar o corpo do microscópio e a base da fonte luminosa (incluindo filtro azul, se usado) com um pano úmido. O microscópio deve ser limpo, lubrificado e inspecionado, semestralmente por pessoal especializado. TermômetrosManutenção preventiva: Usar os termômetros na posição vertical, porque os mesmos são calibrados nesta posição. Recalibrar os termômetros freqüentemente através de um termômetro referência. Quando o termômetro for usado em banhos de água, submergir o bulbo completamente no banho antes de realizar as leituras. Não utilizar termômetros com colunas de líquido rompidas, nem com liquido acumulado no fundo do bulbo. Não deixar termômetros em líquidos que tendem a solidificar ou em equipamentos nos quais a temperatura ultrapassa o limite do termômetro. Após cada uso, permitir que o termômetro retorne à temperatura ambiente na posição vertical antes de ser guardado. Guardá-los na posição vertical. Ler os termômetros somente após a coluna de liquido ter se estabilizado. Controle de qualidade A cada três meses, verificar todos os termômetros com subdivisões menores ou iguais a 0,1°C. Verificar, semestralmente, todos os termômetros com subdivisões menores ou iguais a 1°C. 87 CONTROLE DE TEMPERATURA Preenchimento Este formulário pode ser utilizado para Geladeira, Banho-Maria, Blocos de Aquecimento, estufa Bacteriológica, Estufa de Secagem, Freezer/Câmara, ou qualquer outro equipamento que possua controle de temperatura. Seu correto preenchimento é descrito abaixo: Inicialmente deve-se preencher a localização do equipamento, o mês e ano em que o controle é utilizado, classificar o equipamento e preencher o nº de registro* do equipamento e termômetro. As especificações de temperatura permitidas devem ser preenchidas de acordo com o intervalo de variação de temperatura estipulado para o equipamento. Para efetuar o controle, o responsável pela leitura deve preencher a hora da leitura, seu nome e a temperatura observada. Quando o termômetro utilizado for de máxima e mínima, devem ser transcritas as leituras da temperatura atual, a máxima e a mínima atingida, porém se o termômetro for apenas de temperatura atual, os campos “T máx” e “T min” não devem ser preenchidos. O campo de comparação com o padrão deve ser preenchido ao fazer verificações. O campo “Obs” destina-se a observações quanto a manutenção, limpeza, e outras razões que impossibilitem a leitura da temperatura. * todos os equipamentos, de medição, apoio e ensaio, devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. Recomendações Devido ao trabalho intenso durante o dia, que provoca um grande número de aberturas da geladeira, é recomendado, para este equipamento, o uso de termômetros de máxima e mínima. Este tipo de termômetro permite que o usuário tome conhecimento da variação de temperatura desde a última medida. Geladeiras devem ser identificadas conforme o material que armazenar(reagente e material biológico). A identificação deve ser feita com placas de biossegurança específicas para cada tipo de material. e tais materiais não devem ser armazenados juntos. Estufa de Secagem e Geladeira de reagentes e materiais biológicos não podem conter comida e bebida, esta ocorrência é considerada grave. A umidade em estufa bacteriológica deve ser mantida colocando água deionizada ou destilada em recipiente de boca larga, aberto , na sua parte inferior. Em banho-maria deve-se tomar cuidado para que o bulbo do termômetro permaneça imerso na água. A imersão é definida pelo tipo de termômetro que pode ser de imersão total ou parcial. Termômetros de imersão parcial devem estar imersos até a marca e os de imersão total totalmente submersos na água. O nível da água do banho-maria deve ser verificado semanalmente e uma marca deve ser feita, para sempre que o nível estiver inferior a marca coloque-se água destilada, refazendo o nível. Termômetro em estufa bacteriológica deve ter seu bulbo imerso em glicerol. Termômetro deve permanecer sempre no mesmo lugar e posição e ser calibrado. Sempre que um termômetro de mercúrio quebrar, deve-se juntar o mercúrio com auxílio de pincel, colocando-o dentro de um recipiente de vidro e este dentro de outro. Deve-se proceder a limpeza dos equipamentos sempre que algum líquido é derramado em seu interior ou algum tubo quebre em seu interior. Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidência do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 88 T. Equipamento T. Ambiente Dia Hora Responsável T atual (ºC) T máx. (ºC) T mín. (ºC) T. Atual (ºC) T máx. (ºC) T mín. (ºC) Obs. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 CONTROLE DE TEMPERATURA Revisão: 03 Localização / Data Setor ________________ Mês/Ano ____/_______ Classificação do Equipamento Banho-Maria Bloco de Aquecimento Estufa Bacteriológica Estufa de secagem Freezer / Câmara Geladeira Outros____________ Identificação do Equipamento Nº de registro ____________ Especificações T min _________________ T máx _________________ Identificação do Termômetro Nº de registro ____________ N º padrão _______________ Comparação com o padrão Data ___________________ Tuso ____ oC Tpadão ____oC Tuso ____oC Tpadão ____ oC Tuso ____oC Tpadão _____oC Legenda A. Descongelamento/Limpeza B. Verificação Vedação C. Verificação Validade de Insumos D. Solicitação Manutenção Corretiva E. Interrupção Energia Elétrica F. Regulagem do termostato G. Porta muito tempo aberta H. Limpeza após contaminação I. _______________________ Periodicidade Mínima A, B e C mensal para refrigerador, congelador e freezer. A. (Limpeza) mensal para estufa microbiológica e semestral para as demais estufas. 89 CONTROLE DE ÁGUA PRURIFICADA Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para registro do controle de água purificada. Para preenchê-lo seguem instruções abaixo: Inicialmente, para a realização do controle o responsável pelo processo deve preencher a localização do equipamento de purificação, seu nº de registro*, o mês e ano da realização do controle. Na realização do controle o responsável deve escrever seu nome, a hora em que o controle é feito, o resultado da condutividade ou resistividade, silicato, contagem de colônias e cloro. O teste do cloro é realizado para controle da troca filtro de carvão ativado. Os resultados dos controles de resistividade/condutividade, silicato e contagem de colônias, determinam o tipo de água. Abaixo segue a tabela de classificação da água e da utilização de cada classe, segundo CLSI. Parâmetros Tipo III Tipo II Tipo I Especial pH 5,0 a 8,0 Ne Ne Ne Resistividade min (Mohm/cm) 0,1 1,0 10(em linha) 18,2 Condutividade máx. (µS/cm) 10 1,0 0,1 0,05 Silicato (mg/L) 1,0 0,1 0,05 <0,1 ppb MaterialParticulado Ne Ne Filtro de 0,22µm Filtro de 0,22µm Contaminantes Orgânicos Ne Ne Filtro de carvão ativado Filtro de carvão ativado Contagem de Colônias (UFC/mL) Ne 100 10 < 1 Uso de água reagente Lavagem de vidraria e rinsagem preliminar Preparação de meios bacteriológicos, corantes (histologia, e parasitologia), reagentes com esterilização e reagentes com conservantes Elementos traços, metais pesados, análises enzimáticas, reagentes (com ou sem conservantes), ensaios imunofluorescentes quantitativos, preparação de soluções padrões, eletroforese e análises eletrolíticas. HPLC, cultura tecido/célula (livre de pirogênio), análise cromossomial, IVF/GIFT e avaliação do HLA (ultrafiltração) Ne – não especificado. *Todos os equipamentos, de medição, apoio e ensaio, devem ser registrados e identificados, para isso deve-se manter uma Lista com equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. Recomendações Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidência do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 90 Localização _________________ Nº de registro_______________ Mês/Ano______/______ Dia Responsável Hora Resistividade (Mohm) Condutividade (µS) Silicato (SiO2) Contagem de Colônias (UFC/mL) Cloro (+) ou (-) Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 CONTROLE DE ÁGUA PURIFICADA Revisão: 02 91 LIMPEZA DE VIDRARIA Preenchimento Este formulário pode ser utilizado para controle da Limpeza de Vidraria. A forma correta de seu preenchimento é descrita abaixo: Inicialmente deve-se preencher a localização onde ocorre a limpeza, o mês e ano em que o controle é utilizado. Para realizar o controle o responsável deve preencher a data, seu nome e proceder como escrito abaixo: Verificação Geral Ao retirar os materiais de vidro da estufa de secagem, o responsável deve realizar uma verificação visual na vidraria, onde se detecta sujeira e vidro trincado, lascado ou quebrado. Sinais visíveis de sujeira indicam que o material não foi bem lavado. Teste da Mancha Ao inspecionar a vidraria deve-se verificar se existem manchas na parede interna ou externa da vidraria. Havendo manchas de água pode-se concluir que a rinsagem do material não esta sendo realizada de forma adequada. Neste caso, todas as peças devem ser rinsadas novamente. Teste da Gota Após retirada da estufa de secagem, uma peça de vidro deve ser rinsada com água destilada ou deionizada. Ao retirar a água deve-se observar se há formação de película ou gotículas. A formação de película indica que a peça foi lavada adequadamente, porém, a formação de gotículas indica que a peça ainda retém sujeira. No segundo caso, todas as peças da estufa devem ser novamente lavadas. Teste do Detergente O teste do detergente tem por objetivo detectar se houve remoção total do detergente durante a lavagem. Abaixo segue a descrição de duas etapas de realização: Teste do pH: neste teste deve-se verificar o pH da água, em seguida deve-se colocar água numa peça de vidro e agitar. Após a agitação verifica-se se há mudança do pH. Havendo mudança, todas as peças devem ser novamente rinsadas. Teste da Bromossulfaleina: este teste deve ser feito com solução de bromossulfaleina a 20mg/L. Com esta solução deve-se rinsar a peça, se aparecer a cor rosa há contaminação por detergente e todas as peças devem ser rinsadas novamente. Cada detergente tem suas características e podem reagir diferentemente ao teste de pH e bromossulfaleina, por isto o usuário deve procurar se informar com o fabricante do detergente que utiliza, se estes testes são validos para verificar vestígios do detergente. O campo “Obs” destina-se a observações sobre a ocorrência de materiais danificados (peças quebradas, trincadas ou impróprias para o uso) ou sujos e qualquer outra informação que o responsável considerar importante. Obs: Peças danificadas devem ser descartadas em lixo pérfuro cortante. Este formulário deve permanecer em local visível e de fácil acesso. Ele é a evidência do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por período estipulado pela ANVISA. 92 Localização ________________________ Mês/Ano______/______ Dia Responsável Hora Verificação Geral Teste da Mancha Teste da Gota Teste do Detergente Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 LIMPEZA DE VIDRARIA Revisão: 02 93 LIMPEZA DE CENTRÍFUGA Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para controle da limpeza de centrífugas. Para preenchê-lo seguem as instruções abaixo: Inicialmente deve-se preencher a localização e o nº de registro* do equipamento, o mês e ano em que o controle é utilizado. Para efetuar o controle, o responsável deve, diariamente, efetuar a limpeza com desinfetante a base de glutaraldeído, devendo a limpeza ser de desinfecção também. A limpeza deve ser registrada com o preenchimento do nome do responsável e com um ‘x’ não campo limpeza. Quebra de tubos no interior da centrífuga deve ser anotado, para que seja possível detectar sua real causa e porque quebra de tubo com materiais biológicos podem ocasionar efeito aerossol e contaminar o equipamento, o ambiente e as pessoas. As possíveis causas para quebra são: tubo rachado, falta de balanceamento da centrífuga, falta de borracha no fundo do copo. No caso de quebra deve-se consultar normas de biossegurança (normas internas ou normas internacionais), ter cuidado com vidro moído e usar luvas grossas para remoção do material e aguardar de 15 a 30 minutos para abertura e os copos devem ser mergulhados em solução de hipoclorito de sódio a 2-3%. O campo ‘Obs’ deve ser usado sempre que o responsável tiver alguma observação que considerar importante. * Todos os equipamentos, de medição, ensaio e apoio, devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma Lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. Manutenção Preventiva - Diário: verificar se há vibração e barulho; verificar a vedação da tampa (borracha). - Semestral: verificar a velocidade da centrífuga com tacômetro calibrado; verificar timer do equipamento com cronômetro calibrado e verificar a refrigeração com termômetro calibrado. - Trimestral: verificar carvão/escova e coletor; verificar lubrificação. Recomendações � A tampa da centrífuga nunca deve ser aberta com o equipamento ainda em funcionamento (girando). � Não deve-se diminuir a velocidade da coroa com as mãos. � Centrífugas devem ser instaladas em mesa firme sem equipamentos com sistema ótico perto. � Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 94 Localização _________________ Nº de registro_______________ Mês/Ano______/______Dia Responsável Limpeza Quebra de Tubos Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 LIMPEZA DE CENTRÍFUGA Revisão: 02 95 CONTROLE DE MICROSCÓPIO Preenchimento Inicialmente, o responsável pelo controle do microscópio deve preencher o formulário com a localização e o nº de registro* do equipamento; o mês e ano do controle e seu nome. Diariamente deve ser feita a manutenção preventiva do sistema de iluminação e ótico, conforme os itens do controle diário. Sempre que se proceder o controle diário, marcar com ‘x’ os itens verificados. No item 1 do controle diário, a altura do ajuste do condensador é focalizar no campo, já focado, os bordos do condensador. No item 6 do controle diário, se for verificada perda de nitidez da imagem, deve ser feita a limpeza das superfícies óticas. Semanalmente deve ser feita a limpeza geral do equipamento e mensalmente deve-se exercitar os movimentos de tubos binoculares, da platina, macro e micro. Semestralmente é necessária a troca das posições das objetivas e esterilizações (por processo químico) e uma vez por ano uma revisão geral. O registro dos controles mensais, semestrais e anuais deve ser feito preenchendo a data de realização nos campos. * Todos os equipamentos, de medição, apoio e ensaio, devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma Lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. Recomendações � Sempre que o microscópio estiver parado, sem uso, deve estar coberto com capa. � Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 96 C O N T R O L E D E M IC R O S C Ó P IO 97 CONTROLE DE ESTERILIZAÇÃO POR AUTOCLAVE Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para controle de esterilização por autoclaves. Seu correto preenchimento é descrito abaixo: Inicialmente deve-se preencher a localização do equipamento, o nº de registro* da autoclave e do termômetro de máxima (quando houver). Para o controle, o responsável pela autoclavação deve preencher a data da realização do processo, seu nome, o material a ser autoclavado, o início e fim da autoclavação e as condições de utilização (temperatura, pressão e se houver, a temperatura máxima). Ao verificar o nível da água deve marcar com ‘x’ o formulário. Para identificar o controle de esterilização deve-se marcar com ‘x’ a fita e/ou os indicadores usados, assim como se foi observado algum tipo de vazamento. O campo ‘Obs’ deve ser usado sempre que o responsável tiver alguma observação que considerar importante. * Todos os equipamentos, de medição, ensaio e apoio, devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma Lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. Recomendações � Termômetro de máxima é um termômetro de mercúrio para uso interno indicado para detectar a temperatura máxima atingida durante o processo. � O indicador biológico é responsável pela validação da autoclave, por isso é indicada sua utilização semanal ou de acordo com a performance do indicador químico. � A fita adesiva deve ser utilizada em todos os processos (todos os materiais, pacotes e sacos) de autoclavação para comprovação do aquecimento. � O manômetro deve ser calibrado em períodos previamente determinados. � Material contaminado a ser autoclavado deve ser armazenado em saco especial. Este material após autoclavação, se for de descarte, deve ser depositado em conteiner de material biológico, e se for material que pode ser reaproveitado, deve ser encaminhado para lavagem. � Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 98 C O N T R O L E D E E S T E R IL IZ A Ç Ã O P O R A U T O C L A V E R ev is ã o : 0 2 99 CONTROLE DE CABINA DE SEGURANÇA BIOLÓGICA Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para controle de Cabinas de Segurança Biológica. Inicialmente, o responsável pelo controle da Cabina deve preencher o formulário com a localização e o nº de registro* do equipamento; o mês e ano do controle e seu nome. * Todos os equipamentos, de medição e ensaio, devem ser registrados e identificados, para isto deve- se manter uma Lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. � Controle Diário 1. Para começar o trabalho o responsável deve efetuar a limpeza da sala e proceder com a limpeza da Cabina e dos demais equipamentos que serão utilizados. A limpeza da cabina deve ocorrer com o equipamento ligado. 2. Após a desinfecção dos equipamentos, deve-se verificar se as lâmpadas acendem e se os filtros estão em perfeito estado (não pode apresentar rasgos). 3. Após 15 minutos ligado os trabalhos podem ser iniciados. 4. Ao término dos trabalhos deve-se proceder nova limpeza da cabina para então ligar a Luz UV e deixar acesa por 30 minutos, para então desligar o equipamento. Ao proceder a seqüência de controle descrita acima deve-se marcar com ‘x’ o formulário. O profissional, durante o trabalho deve usar avental de manga comprida e punho, com luvas acima do punho e gorro; é recomendado o uso de máscara; não deve utilizar anéis ou relógio e não retirar as mãos com luvas da cabina. As luvas e guarda-pó devem ser de materiais que não desprendam fibras. � Controle Semanal Semanalmente deve-se realizar o teste de exposição, onde uma placa com meio de cultura permanece exposta por 15 minutos no interior da cabina para posterior incubação. O nº máximo de colônias deve ser 1(uma). A limpeza da Lâmpada UV deve ser feita com pano embebido em álcool A leitura dos manômetros de insuflamento e exaustão devem ser feitas e comparadas as especificações do fabricante. A verificação dos pré-filtros deve ser feita para identificar acumulo de poeira, que forma uma película visível na manta e causa perda de segurança no equipamento. O responsável pelos procedimentos semestrais, deve marcar com ‘x’ o formulário como evidencia da realização das atividades. 100 � Controle Semestral A validação da cabina deve ocorrer semestralmente, podendo ser feita pelo fabricante do equipamento ou firma indicada pelo mesmo. A validação consiste em realizar a contagem de partículas, verificação da velocidade do fluxo e verificação do estado geral do equipamento. Uma nova validação também deve ser feita sempre que houver mudança de localização do equipamento. A Lâmpada UV deve ser verificada quanto a emissão de luz UV e tempo(horas) de vida útil, e sempre que a radiação de luz diminuir em 30% da emissão inicial ou o tempo esgotar, esta deve ser trocada. Quando for realizada a validação semestral e o controle da emissão de Luz UV, a ocorrência do controle deve ser evidenciada com o preenchimento da data do procedimento e a firma e/ou responsável pela execução. A troca da lâmpada e validação por troca de localização devem ser registradas nos campos em branco do ‘controle semestral’ do formulário. Recomendações Ao instalar a cabina deve-se procurar locais onde não haja corrente de ar ou pessoas em constante movimento. Na área não deve-se comer, fumar, beber, a entrada de papel deve ser limitada eo usuário não deve usar cosmético sobre a pele. Dentro da cabina, em uma extremidade deve-se manter um saco de lixo biológico e o gás do Bico de Bunsen deve ser filtrado com filtro 0,2µ 101 C O N T R O L E D E C A B IN E D E S E G U R A N Ç A B IO L Ó G IC A R ev is ã o : 0 2 102 EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA Preenchimento Este formulário pode ser utilizado para controle do funcionamento de lava-olhos, chuveiro e ducha de emergência. Inicialmente deve-se preencher a localização dos equipamentos de segurança, o mês e ano em que o controle é utilizado e afixar este formulário junto aos equipamentos. Diariamente o responsável por este controle deve ligar o equipamento para testar seu correto funcionamento e registrar este procedimento anotando a hora, seu nome e marcando com ‘x’ ou ‘ok’ nos campos dos equipamentos testados. O campo ‘Obs’ deve ser usado sempre que o responsável tiver alguma observação que considerar importante. Recomendações � As instalações do chuveiro, do lava-olhos e do ducha de emergência, devem ser feitas sempre em locais de fácil acesso (nunca dentro de locais fechados, como banheiros). A distância dos equipamentos não deve exceder de 15 metros ou 10 segundos da área de risco. Placas sinalizadoras universais de emergência devem ser colocadas junto aos mesmos. � Este formulário deve permanecer junto aos equipamentos de segurança. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por período estipulado pela ANVISA. 103 Localização ________________________ Mês/Ano______/______ Dia Responsável Hora Chuveiro Lava-olhos Ducha Obs 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 CONTROLE DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA Revisão: 02 104 VALIDAÇÃO DE CENTRÍFUGA - MICROHEMATÓCRITO Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para validar centrífugas destinadas a determinação do hematócrito, a validação deve ser quinzenal, após revisão e conserto ou quando for detectada a necessidade. Neste procedimento de validação verifica-se o tempo de empacotamento máximo, que deve ser considerado o tempo adequado de empacotamento de hemácias para a centrífuga. Abaixo segue a descrição da validação e do preenchimento deste formulário: Inicialmente deve-se preencher a localização do equipamento e o nº de registro* do equipamento. Para proceder a validação o responsável deve preparar dois tubos capilares de microhematócrito para cada tempo, com o mesmo sangue, coletado com EDTA, em no máximo 6 horas. O ideal é a escolha de sangue com hematócrito normal - alto. Após centrifugação e leitura, deve-se preencher o formulário com a data de realização, o nome do responsável, a data da última calibração** da velocidade e o valor encontrado, e as leituras de cada capilar para os tempos testados. O tempo adequado de empacotamento é determinado verificando quais tempos dão o mesmo resultado. Verificado isto, deve-se escolher o maior tempo dos dois resultados para usar na rotina. Caso não se verifique resultados iguais deve-se preparar novos capilares para testar em tempos maiores. Determinado o tempo adequado para o hematócrito, deve-se colocar a data, o nome do responsável e o tempo considerado adequado em um etiqueta presa a tampa da centrífuga. O campo ‘Obs’ deve ser usado sempre que o responsável tiver alguma observação que considerar importante. * Todos os equipamentos, de medição, apoio e ensaio, devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma Lista com os equipamentos, marca e modelo e seu nº de registro. ** A calibração da velocidade da centrífuga deve ser feita por um tacômetro calibrado e a calibração do tempo por um cronômetro calibrado. Recomendações � Para duas quinzenas com mesmo resultado de tempo, pode-se concluir que a velocidade e o timer da centrífuga estão funcionando de forma estável. Caso contrário, deve-se proceder a revisão da centrífuga. � Centrífugas de microhematócrito devem ter calibração do timer e da velocidade. � Este formulário deve permanecer junto ao equipamento. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 105 VALIDAÇÃO DE CENTRÍFUGA - MICROHEMATÓCRITO Revisão: 02 106 VALIDAÇÃO ALÇA MICROBIOLÓGICA DE PLATINA Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para validação da alça microbiológica de platina, a validação deverá ser após a aquisição, antes de iniciar seu uso; ser quinzenal ou de acordo com a freqüência utilizada.Para preenchê-lo seguem as instruções abaixo: Inicialmente deve-se preencher a localização – setor e o nº de registro do equipamento*. Para proceder à validação o responsável deverá pipetar 1 mL de água destilada com uma pipeta calibrada em um vidro relógio. Utilizar a alça de platina a ser validada e coletar a água de forma que a gota apresente uma concavidade na alça. Após, enxugar a gota com auxílio de um papel macio. Repetir esse procedimento até o termino do volume da água no recipiente. Após cada gota coletada, computar o número. O volume é validado quando coincidir com o término do volume pipetado no recipiente. Terminado o procedimento, deve-se colocar a data, nome do responsável e conclusão. *Todos os instrumentos de medição devem ser registrados e identificados, para isto deve-se manter uma lista de instrumentos, marca, volume e seu número de registro. Recomendação Este formulário é evidencia do controle em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pelas BPLC e Vigilância Sanitária. 107 Localização – Setor______________________ Nº de registro__________ Data Responsável Calibração do Volume: 20/6/2016 Validade: 20/12/2016 Volume: 10µL Verificação do volume Obs: conforme / não conforme Conclusão: (ação corretiva - se houver) VALIDAÇÃO ALÇA MICROBIOLÓGICA DE PLATINA Revisão: 00 108 PREPARO DE REAGENTES E CORANTES Preenchimento Este formulário deve ser utilizado para controle do preparo de reagentes e corantes. E seu correto preenchimento é descrito abaixo: Para o controle, o responsável pelo preparo dos reagentes e corantes deve preencher a data da realização do processo, seu nome, os insumos utilizados (incluindo todos os materiais, fabricante lote e validade) e os dados do reagente e corante preparados (nome, lote, quantidade e validade). O campo ‘Obs’ deve ser usado sempre que o responsável tiver alguma observação que considerar importante. Recomendações � Este formulário deve ser arquivado emlocal de fácil acesso. Ele é a evidência do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento, após o total preenchimento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 109 PREPARO DE REAGENTES E CORANTES Revisão: 00 110 111 112 N o rm a is 113 114 REGISTRO DE TREINAMENTO Treinamento é umas das exigências da Vigilância Sanitária, Certificação, Acreditação e Credenciamento, por isso devemos treinar e registrar. São treinamentos: � Material da ControlLab: Questionários e Slides � Eventos exsternos: Congressos, Jornadas, Cursos, Palestras, outros. � Eventos internos: Reuniões técnicas, implantação de sistemas e equipamentos e outros. A partir deste registro é possível detectar a formação profissional do funcionário e detectar a necessidade de novos treinamentos. Preenchimento Cada funcionário deve ter um formulário, onde consta seu nome completo, os eventos que participou, a carga horária, o local onde foi ministrado, a entidade, setor e/ou instrutor que conduziu o evento, a data de conclusão e qualquer observação considerada relevante. Recomendação � Na ocasião de auditoria, este formulário, assim como a relação de todo os funcionários, devem estar atualizados. � Este formulário deve permanecer arquivado. Ele é a evidencia do controle e exigência em inspeções e auditorias. Seu arquivamento deve ser feito por um período estipulado pela ANVISA. 115 R E G IS T R O D E T R E IN A M E N T O 116 CALIBRAÇÃO Calibração é um conjunto de operações que busca determinar o valor (ou a faixa de valores) que está sendo medido por um instrumento. Estas operações são feitas através da comparação entre os resultados obtidos pelo instrumento e os obtidos por padrões (rastreáveis e padrões de referência nacionais e/ou internacionais), sob condições pré-estabelecidas e controladas. Por exemplo: Suponhamos que uma bureta de 10 mL seja utilizada durante um ensaio no qual o erro máximo permitido é de ± 0,5 mL (tolerância de 9,5 mL a 10,5 mL). Neste caso, se o resultado da calibração apresentar um resultado médio de 9,0 mL ou 10,6 mL este instrumento é considerado inadequado a este uso e deve ser destinado a uma atividade com tolerância maior. Por que calibrar? Todo equipamento de medição deve ser periodicamente avaliado, com a finalidade de garantir a adequação de suas características metrológicas às suas aplicações. Que surpresa não seria constatar que a pipeta usada em uma rotina não dispensa o volume requerido pelo método, ou que a centrifuga não gira na rotação indicada?! Certamente, liberar laudos com base nestas medições seria um grande problema!!! Uma pesquisa revela que: ■ Cerca de 30% das micropipetas calibradas são reprovadas, contudo apenas 70% destas permitem o ajuste; ■ 50% das alças microbiológicas apresentam um erro superior ao permitido pela American Society for Microbiology; ■ 10% das vidrarias apresentam um erro superior à tolerância declarada. Laboratórios que desenvolvem as suas atividades de acordo com as boas práticas laboratoriais (BPLC) ou ainda que estejam inseridos em outros sistemas de garantia da qualidade como a ISO 9001, necessitam verificar rigorosamente a conformidade de seus equipamentos e instrumentos de medição às especificações requeridas e que os mesmos sejam calibrados periodicamente. Certificação, Acreditação e Credenciamento!! A qualidade nos processos deixou de ser apenas um adicional e tornou-se um item obrigatório. Alguns critérios e normas são de suma importância para o bom funcionamento do laboratório. Dentre eles, os critérios estipulados pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) American Society for Microbiology, normas ISO série 9000 (para certificação) e ISO guia 17025 (para credenciamento), que exigem a calibração de vidraria, micropipetas, alças microbiológicas, termômetros, dentre outros. Benefícios da calibração: A implantação e a gestão de um plano de calibração contribui para a confiabilidade dos resultados e reduz os custos inerentes aos erros de ensaio. 117 Redução dos custos inerentes aos erros de ensaio Confiabilidade dos resultados Seleção adequada do instrumento ou sistema de medição Satisfação dos clientes DADOS CONCLUSIVOS DE UMA CALIBRAÇÃO Média Corresponde ao resultado médio obtido no instrumento em processo de calibração. Esta é a melhor estimativa do valor real que o instrumento pode apresentar. Tolerância É a variação máxima permitida para o instrumento, definida pelo usuário de forma a não prejudicar o resultado do ensaio. Para estipular a tolerância o usuário deve considerar a variação máxima admissível no resultado final do ensaio em que o instrumento será usado. Lembrando que este pode ser apenas um dos instrumentos usados neste ensaio e que cada um contribui para o erro final. Erro É a diferença entre a média encontrada e o valor nominal do instrumento, ou seja, é a diferença entre o que o instrumento está medindo e o valor esperado. Sempre que um instrumento admite ajuste, o erro pode ser reduzido. Para instrumentos que não admitem ajustes, como o termômetro de líquido em vidro, pode-se utilizar uma curva de correção. Exemplo: Um pipetador de valor nominal igual 10,0µL, após calibração apresentou como volume médio 7,0µL. Desta forma o erro apresentado é de –3,0µL (=7,0µL – 10,0µL). Após serem feitos ajustes, o instrumento apresentou como volume médio 9,9µL e o erro passou a ser igual a –0,1µL (=9,9µL – 10,0µL). CALIBRAÇÃO 118 Incerteza A incerteza representa a variação prevista de uma medida. Este valor é obtido “somando-se” todas as contribuições de variações identificadas (e mensuráveis) durante o processo de calibração. Exemplo: Durante o processo de calibração de um balão volumétrico, por método gravimétrico (massa), utilizando uma balança (para obter as medidas em unidade de massa) e um termômetro (para medir a temperatura da água). Desta forma, para o cálculo da incerteza do volume contido no balão são “somadas”: a variação das medidas (baseado no desvio padrão), a incerteza da balança e a incerteza do termômetro (obtidas a partir do certificados de calibração da balança e do termômetro respectivamente). Neste caso, para um balão volumétrico de 10,0mL, cujo certificado de calibração apresente um valor médio de 9,5mL e uma incerteza de ± 0,1mL, há 95% de certeza (probabilidade para k = 2) do volume contido estar entre 9,4 e 9,6mL. Valor Nominal Valor Médio Incerteza Erro 119 COMO APROVAR UM INSTRUMENTO? Para aprovar um instrumento o usuário deve comparar o resultado da calibração (média e incerteza) com a tolerância estipulada. No caso do instrumento ser reprovado após a comparação existem alguns caminhos possíveis: ■ Ajustar para diminuir o erro e calibrar novamente; ■ Enviar para a manutenção e calibrar novamente; ■ Destinar o instrumento a outra atividade para a qual a tolerância é maior; ■ Descartar o instrumento, caso nenhuma das opções acima possam ser adotadas. Exemplo: Considere que para a realização de um ensaio é necessário utilizaruma micropipeta de 100,00µL com tolerância de 10%. A micropipeta é calibrada e seu certificado de calibração apresenta os seguintes dados: Média = 96,30µL e incerteza = ± 0,50µL. Média Incerteza 96,30µL -0,50µL 95,80µL 96,30µL +0,50µL 96,80µL Desta forma, a faixa de resultados prevista para o equipamento é de 95,80µL a 96,80µL. Aplicando a tolerância de 10% ao volume nominal do pipetador (100L), verificamos que a faixa de variação permitida pelo usuário é de 90,00µL a 110,00µL. Comparando as duas faixas de valores podemos observar que a faixa prevista na calibração está contida no intervalo definido pelo usuário, o que define o instrumento como aprovado para ser utilizado neste ensaio. Média ± incerteza Tolerância 90,00µL 110,00µL 95,80µL 96,80µLL 120 COMO DEFINIR O INTERVALO ENTRE CALIBRAÇÕES? BASEADO NO MÉTODO “ESCALONADO” NBR ISO 10012-1/1993 O intervalo entre calibrações deve ser definido pelo usuário de forma a garantir que o valor medido pelo instrumento não se altere durante este período. Para definir este intervalo devem ser levados em consideração o uso contínuo ou esporádico do equipamento e os cuidados durante seu manuseio e armazenagem. Uma boa dica a ser seguida inicialmente é o prazo indicado pelo fornecedor do instrumento. Independentemente do intervalo estipulado o instrumento deve ser calibrado: ■ Após a aquisição, antes de iniciar seu uso; ■ Antes de uma manutenção; ■ Após uma manutenção. Para definir o intervalo entre calibrações pode-se usar o seguinte principio: 1º Estipular um intervalo inicial, por exemplo, 3 meses; 2º Executar 4 (quatro) calibrações utilizando este intervalo inicial: A cada calibração é necessário comparar o resultado com a tolerância permitida. Lembrando que, se em alguma das calibrações o instrumento for reprovado deve-se diminuir o intervalo entre calibrações imediatamente (recomendação: reduzir a metade). Caso não ocorra nenhuma reprovação e havendo compatibilidade entre os resultados obtidos em cada calibração este prazo pode ser estendido a, no máximo, o dobro do intervalo anterior. No entanto, deve-se ter muito cuidado ao estipular um novo intervalo, pois é preferível manter intervalos curtos que possibilitem bons resultados a aumentar o prazo demasiadamente e se arriscar ao obter resultados ruins. COMO ELABORAR UM PLANO DE CALIBRAÇÃO? Abaixo, são apresentadas sugestões para planejamento e implementação de requisitos mínimos a serem cumpridos quando o objetivo é calibrar instrumentos de medição. O esquema proposto pode ser desenvolvido em 6 etapas: 1ª Identificação: cada instrumento de medição deve receber uma identificação única (código, nome, letras/números, etc) que o diferencie dos demais. Dois dígitos (tipo de instrumento) e três algarismos (seqüencial). Pipetadores: PI_ _ 1ª Calibração Início 2ª Calibração 3º Mês 3ª Calibração 6º Mês 4ª Calibração 9º Mês 121 2ª Classificação: após identificar todos os instrumentos, montar uma tabela contendo a descrição (tipo, fabricante, modelo, capacidade, valor de uma divisão, etc) e uso (local e atividade em que é usado). Com estes dados, é possível definir quais instrumentos devem ou não ser calibrados. Nota: Equipamentos que quantificam alguma medida relevante no ensaio, interferindo no resultado final devem ser calibrados. Um bécher que é usado para mistura ou transferência de soluções não precisa ser calibrado. Contudo uma micropipeta utilizada em uma diluição interfere no resultado final e deve ser calibrado. 3ª Característica (Parâmetros) de Calibração: antes de qualquer iniciativa visando calibrar o instrumento, deve-se definir a tolerância aceitável, o intervalo entre calibrações e, para instrumentos com capacidade variável (ex.: micropipeta de volume variável, termômetro, etc), os pontos nos quais devem ser calibrados, preferencialmente, dentro da faixa de uso. Termômetros usados em estufas bacteriológicas normalmente funcionam na faixa de 35°C a 37ºC; uma boa opção pode ser calibrar nos pontos 0°C, 35°C, 36°C e 37°C. Da mesma maneira, é indicado em um banho-maria para reações enzimáticas a 0°, 25°C, 30°C e 37°C, a calibração nos referidos pontos. 4ªCalibração: na escolha do serviço de calibração é necessário selecionar um Laboratório de Calibração que possua melhor capacidade de medição compatível com o instrumento e seu uso, preferencialmente com confiabilidade metrológica garantida pelo INMETRO/RBC. E este deve ser informado de quais os pontos de calibração. Um termômetro usado em uma estufa bacteriológica, com menor divisão de 0,1°C, deve ser calibrado em um laboratório cuja melhor capacidade de medição é inferior a 0,1°C. 5ª Análise dos Resultados: o certificado de calibração deve ser analisado criticamente. Parâmetros, tais como, a forma de apresentação dos resultados, evidência de rastreabilidade e conteúdo, devem ser observados. Os resultados devem ser avaliados em função da tolerância definida para o instrumento. Um termômetro usado em uma estufa bacteriológica, com menor divisão seja de 0,1°C, não deve ser calibrado em um laboratório cuja melhor capacidade de medição seja de 1°C, contudo, se este mesmo instrumento for usado para medir temperatura ambiente, esta capacidade pode ser adequada. 6ª Programação: após cada calibração deve-se definir a data da próxima, de acordo com o intervalo estabelecido. Uma balança analítica, calibrada em Maio/2012, com intervalo de calibração semestral, se aprovada, deve ser calibrada novamente em novembro/2012. 122 O QUE UM CERTIFICADO DEVE APRESENTAR? DE ACORDO COM O NBR ISO/IEC 17025:2001 1. Identificação do Organismo Calibrador (normalmente razão social e endereço) 2. Título do Documento (Certificado de Calibração) 3. Identificação única do documento (normalmente o número do certificado) 4. Identificação do cliente (normalmente o nome/razão social e o endereço) 5. Data da execução da calibração e data da emissão do certificado 6. Identificação e descrição do item (instrumento) calibrado (normalmente fabricante, modelo, nº série e código) 7. Características do item. Exemplos: ► Micropipeta Variável: Faixa de Indicação e Valor de uma divisão ► Micropipeta Fixa: Valor nominal e Valor de uma divisão ► Vidraria Volumétrica: Valor nominal e Tolerância ► Vidraria Graduada: Faixa de Indicação, Valor de uma divisão e Tolerância. 8. Data em que o organismo calibrador recebeu o item para calibrar. 9. Demonstração da rastreabilidade a padrões nacionais ou internacionais (normalmente identificação do padrão e nº do certificado) 10. Indicação do método de calibração (resumo do método, referência do procedimento ou norma (s) utilizada (s)). 11. Condições ambientais durante a calibração (todas as variáveis relevantes durante o processo) 12. Resultados obtidos com a calibração (obrigatoriamente o valor medido (média) e a incerteza). Estes resultados podem ser apresentados na forma numérica ou gráfica, sendo a primeira mais usual. A incerteza tem que ser apresentada na mesma unidade do item calibrado e todos os resultados devem ser expressos em unidades aceitas pelo Sistema Internacional de Unidade (SI) ou deve ser apresentado o fator de conversão equivalente. 13. Declaração de que os resultados referem-se apenas ao instrumento calibrado. E declaração de que o certificado só pode ser reproduzido por inteiro e com autorização do solicitante (dono do instrumento). 14. Declaração da incerteza estimada (obrigatoriamente com fator de abrangência e o nível de confiança) 15. Assinatura, nome e titulo do (s) responsável (eis) pelo conteúdo do certificado (pelo menos um responsável). 16. Número da página e total de página. 123124 EXERCÍCIOS 1. Calcule o Desvio Máximo Superior (DMS) e Desvio Máximo Inferior (DMI) dos valores apresentados no certificado de calibração da PIPETA AUTOMÁTICA. Dê a conclusão de cada valor de referência e a conclusão final. Desvio Máximo Superior Erro Sistemático + Incerteza Expandida Desvio Máximo Inferior Erro Sistemático - Incerteza Expandida Valor de referência 50,0 µL: Conclusão Conclusão Conclusão 50,0 µL : Valor de referência 150,0 µL: Conclusão Conclusão Conclusão 150,0 µL : Valor de referência 200,0 µL: Conclusão Conclusão Conclusão 200,0 µL : Valor de referência 300,0 µL: Conclusão Conclusão Conclusão 300,0 µL : Conclusão Final: 125 126 2. Calcule o Desvio Máximo Superior (DMS) e Desvio Máximo Inferior (DMI) dos valores apresentados no certificado de calibração da CENTRÍFUGA. Dê a conclusão de cada valor de referência e a conclusão final. Desvio Máximo Superior Erro Sistemático + Incerteza Expandida Desvio Máximo Inferior Erro Sistemático - Incerteza Expandida Valor de referência 2000 rpm: Conclusão Conclusão Conclusão 2000 rpm: Valor de referência 3500 rpm: Conclusão Conclusão Conclusão 3500 rpm: Valor de referência 5000 rpm: Conclusão Conclusão Conclusão 5000 rpm: Valor de referência 5seg: Conclusão Conclusão Conclusão 5 seg: Valor de referência 10seg: 127 Conclusão Conclusão Conclusão 10 seg: Valor de referência 20seg: Conclusão Conclusão Conclusão 20 seg: Conclusão Final: 3. Considerando o resultado de calibração abaixo para um pipetador utilizado na diluição de amostras de paciente em exames de bioquímica, com tolerância de 5%, qual(ais) deve(m) ser a(s) ação(ões) do laboratório: Situação Volume Nominal (µL) Média obtida (µL) Incerteza (µL) Antes do ajuste 50 52,80 0,22 Após o ajuste 50 51,06 0,19 Calcule: a) a tolerância do volume nominal do pipetador e anote na faixa abaixo b) a faixa prevista na calibração antes do ajuste e desenhe a faixa correspondente à tolerância. c) a faixa prevista na calibração depois do ajuste e desenhe a faixa correspondente à tolerância. a) Aprovar o instrumento e colocá-lo em uso, após o ajuste; b) Verificar o impacto do erro encontrado antes do ajuste nos exames de pacientes; c) Aumentar o prazo para a próxima calibração; d) O instrumento de ser tirado de uso, visto que a média ± incerteza ultrapassa a tolerância, após o ajuste; e) Adotar as ações descritas nas opções a e b. f) Adotar as ações descritas nas opções c e d. Tolerância 128 4. Considerando um pipetador com prazo inicial de calibração trimestral e a adoção do método escalonado NBR ISO 10012-1/1993, que resulta em manter, reduzir ou aumentar o intervalo entre calibrações conforme os resultados, relacione estas decisões com as diferentes situações observadas nos certificados de calibração: ( ) Apresentou resultados compatíveis com a tolerância na 2ª calibração ( ) Identificou necessidade de ajuste na 3ª calibração. ( ) Apresentou resultados compatíveis com a tolerância nas 4ª, 5ª 6ª e 7ª calibração ( ) Identificou necessidade de manutenção na 8ª calibração. Assinale a alternativa correta: 1. Reduzir, manter, manter e reduzir; 2. Reduzir, manter, aumentar e reduzir; 3. Manter, aumentar, aumentar e reduzir; 4. Reduzir, manter, aumentar e manter. 5. Manter, reduzir, aumentar e reduzir; 6. Reduzir, aumentar, manter e reduzir. 7. Manter, reduzir, aumentar e manter; 1ª Calibração Início 2ª Calibração 3º Mês 3ª Calibração 6º Mês 4ª Calibração 9º Mês 5ª Calibração 6ª Calibração 7ª Calibração 12º Mês 15º Mês 18º Mês 129 TABELA DE CODIFICAÇÃO DA EIME’s ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE INSTRUMENTAÇÃO E MEDIDAS A = Análise C = Controle I = Indicadores P = Pressão S = Velocidade ou Freqüência W = Peso Q = Quantidade Ex: Balança Analítica (Colocar rotulador eletrônico) W I F Peso Indicador Franca 130 5. EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO DO CRITÉRIO DE CHAUVENET Dados: C = X - Menor valor C = Maior valor - X TABELA DE CHAUVENET n fator 2 1,15 3 1,38 4 1,54 5 1,65 6 1,73 7 1,80 8 1,86 9 1,91 10 1,96 a) Após a análise do exame de Urina Tipo I pelos funcionários do Laboratório de Análises Clínicas A, utilizando o método de contagem pela câmara de Neubauer, foi apresentado os seguintes resultados: Contagem de leucócitos = 26x103 – 32x103 – 18x103 – 35x103 – 29x103 – 25x103 a.1) Calcule o Critério de Chauvenet a.2) Verifique se os resultados obtidos na contagem de leucócitos poderão ser aceitos. Explique por quê. b) Após a análise do exame de Urina Tipo I pelos funcionários do Laboratório de Análises Clínicas B, utilizando o método de contagem lâmina/lamínula, foi apresentado os seguintes resultados: Contagem de hemácias = 10x103 – 17x103– 22x103 – 25x103 – 27x103 b.1) Calcule o Critério de Chauvenet b.2) Verifique se os resultados obtidos na contagem de hemácias poderão ser aceitos. Explique por quê. c) Após a análise do exame de hemograma completo pelos funcionários do Laboratório de Análises Clínicas C, utilizando o método de contagem pela câmara de Neubauer, foi apresentado os seguintes resultados: Contagem de leucócitos = 50x102 – 32x102 – 40x102 – 70x102 – 58x102 – 65x102 - 60x102 c.1) Calcule o Critério de Chauvenet c.2) Verifique se os resultados obtidos na contagem de leucócitos poderão ser aceitos. Explique por quê. d) Após a análise do exame de hemograma completo pelos funcionários do Laboratório de Análises Clínicas D, utilizando o método de contagem diferencial, foi apresentado os seguintes resultados: Contagem de eosinófilos = 3 – 8 – 5 – 3 – 2 – 4 - 6 d.1) Calcule o Critério de Chauvenet S D S D 131 d.2) Verifique se os resultados obtidos na contagem de eosinófilos poderão ser aceitos. Explique por quê. 6. Observe a tabela abaixo e circule os resultados dos pacientes que não poderão ser reportados de acordo com os resultados obtidos das amostras controles no período de 1 a 7/9. Considerar o valor de referência para potássio = 3,5 a 5,0 mmol/L. Teste: Potássio Instrumento: Instrumento nº1 Unidade de medida: mmol/L Nível I - Controle Normal Nível II - Controle Patológico Gama: 3,7 – 4,3 mmol/L 6,7 – 7,3 mmol/L Dados: Resultados dos pacientes: 1/9 4,2 7,0 3,8; 4,0; 4,2; 5,0; 5,8; 7,2; 4,2; 6,8 2/9 4,0 7,1 4,6; 3,9; 7,0; 3,8; 4,7; 4,0; 3,7; 4,2 3/9 3,8 7,8 4,0; 4,2; 3,9; 4,3; 7,1; 6,8; 4,1; 3,8 4/9 4,1 7,3 3,9; 7,2; 3,7; 6,5; 3,7; 5,6; 5,2; 4,8 5/9 4,0 6,9 4,2; 4,0; 4,1; 5,0; 3,9; 5,7; 4,4; 5,1 6/9 3,9 7,4 3,7; 4,0; 7,2; 6,5; 6,9; 7,5; 7,0; 4,5 7/9 4,2 7,0 4,1; 5,5; 4,0; 3,8; 7,2; 6,7; 4,0;7,1 132 7. Observe a tabela abaixo e circule os resultados dos pacientes que não poderão ser reportados de acordo com os resultados obtidos das amostras controles no período de 1 a 8/9. Considerar o valor de referência para glicose = 70,0 a 99,0 mg/dL. Teste: Potássio Instrumento: Instrumento nº1 Unidade de medida: mg/dL Nível I – Controle Normal Nível II – Controle Patológico Nível II – Controle Patológico Resultados dos pacientes: Gama: 75 – 94 mg/dL 60 - 68 mg/dL 130 – 340 mg/dL Dados: 1/9 87 65 124 132; 99; 85; 70; 200; 86; 98; 90; 340 2/9 85 60 188 89; 75; 360; 198; 350; 97; 65; 95 3/9 98 64 250 55; 78; 420; 140; 76; 88; 95 4/9 70 77 320 558; 86; 65; 95; 106; 74; 68; 100; 55 5/9 90 62 395 95; 78; 340; 75; 400; 135; 67; 98; 66 6/9 76 55 270 68; 220; 77; 99; 390; 188; 79; 85; 90; 458 7/9 74 66 125 86; 72; 67; 90; 360; 88; 325 8/9 88 70 230 68; 76; 432; 186; 97; 430; 85; 57; 76; 95 133 8. Observe a tabela abaixo e circule os resultados dos pacientes que não poderão ser reportados de acordo com os resultados obtidos das amostras controles no período de 1 a 7/9. Considerar o valor de referência para ácido úrico = 2,0 a 5,0 mg/dL. Teste: Ácido Úrico Instrumento: Instrumento nº1 Unidade de medida: mg/dL Nível I - Controle Normal Nível II - Controle Patológico Nível II - Controle Patológico Gama: 3,0 – 4,5 mg/dL 6,5 – 7,5 mg/dL 1,0 – 1,8 mg/dL Resultados dos pacientes: Dados: 1/9 4,1 6,9 1,9 3,8; 2,0; 4,2; 5,0; 5,8; 7,2; 4,2; 6,8; 1,4 2/9 3,9 7,0 1,5 4,6; 3,9; 7,0; 3,8; 1,8; 4,7; 4,0; 3,7; 4,2 3/9 3,5 7,1 1,0 4,0; 4,2; 3,9; 4,3; 1,2; 7,1; 6,8; 4,1; 3,8 4/9 4,3 7,2 1,7 3,9; 7,2; 1,5; 3,7; 6,5; 3,7; 5,6; 5,2; 4,8 5/9 4,7 6,9 0,8 4,2; 4,0; 4,1; 5,0; 1,0; 3,9; 5,7; 4,4; 5,1 6/9 3,8 7,5 1,2 3,7; 1,6; 4,0; 7,2; 6,5; 6,9; 7,5; 7,0; 4,5 7/9 4,2 6,8 2,2 4,1; 5,5; 4,0; 3,8; 1,9; 7,2; 6,7; 4,0; 7,1 134 9. Observe a tabela abaixo e circule os resultados dos pacientes que não poderão ser reportados. De acordo com os resultados obtidos das amostras controles no período de 1 a 7/12. Considerar o valor de referência para glicose = 70 a 99 mg/dL. Teste: Glicose Instrumento: Instrumento nº1 Unidade de medida: mg/dL Nível II – Controle Patológico Nível I – Controle Normal Nível II – Controle Patológico Gama: 50 – 68 mg/dL 80 – 95 mg/dL 120 - 250 mg/dL Dados: Resultados dos pacientes: 1/12 58 84 130 110; 68; 70; 80; 85; 280; 90; 98; 300; 78 2/12 55 77 180 160; 99; 70; 68; 370; 90; 107; 256; 62; 250 3/12 70 80 100 70; 92; 99; 75; 61; 83; 280; 76; 180; 80 4/12 67 88 200 95; 72; 78; 187; 67; 96; 88; 260; 380; 99 5/12 45 99 150 450; 282; 99; 320; 190; 200; 60; 240; 140 6/12 65 85 128 88; 80; 72; 65; 79; 240; 90; 458; 90; 73 7/12 68 72 245 150; 84; 55; 100; 288; 200; 62; 67; 380; 87 135 10. Dados: a) Calcule o Limite de Erro Permitido para o teste de ácido úrico. Valor de referência = 2,5 a 7,0 mg/dL (homens). b) Observe o quadro abaixo e calcule a Média c) Desvio Padrão. d) Coeficiente de Variação. Dosagem: Ácido úrico Mês: Março/2021 Material: soro controle comercial Valor Real: 3,6mg/dL Limite de Erro Permitido = VVaalloorr RReeaall ∑ d2 N Erro da Média = X 100 LEP (%) = X 100 ¼ da faixa normal média da faixa normal 136 e) Avalie a precisão 1 Valores X 2 Diferença da média 3 Quadrado das diferenças 1 3,5 2 4,2 3 3,1 4 4,0 5 4,5 6 3,9 7 3,5 8 3,8 9 4,1 10 3,9 11 4,2 12 3,9 13 4,0 14 3,7 15 4,2 16 3,8 17 3,5 18 3,8 19 4,2 20 3,9 21 3,7 22 3,3 23 3,7 24 4,0 25 3,5 26 3,9 27 4,1 28 3,8 29 4,5 30 3,9 31 Soma dos quadrados das diferenças da média ∑ ( X – Xn) 2 = 137 11. Dados: a) Observe o quadro abaixo e calcule Erro da Média: b) Avalie a exatidão. Dosagem: Ácido úrico Mês: Março/2021 Material: soro controle comercial Valor Real: 3,6mg/dL Limite de Erro Permitido = 1 Valores X 2 Diferença entre X e o valor real 3 Quadrado das diferenças 1 3,5 2 4,2 3 3,1 4 4,0 5 4,5 6 3,9 7 3,5 8 3,8 9 4,1 10 3,9 11 4,2 12 3,9 13 4,0 14 3,7 15 4,2 16 3,8 17 3,5 18 3,8 19 4,2 20 3,9 21 3,7 22 3,3 23 3,7 24 4,0 25 3,5 26 3,9 27 4,1 28 3,8 29 4,5 30 3,9 31 Soma dos quadrados das diferenças ∑ d2 = 138 12. Dados: Observe o quadro abaixo: a) Os valores obtidos apresentam Precisão? Explique. Qualitrol I (Controle Normal) Teste: Glicose Unidades: mg/dL Equipamento: ABC Lote: nº 1234 Valor Real: 80mg/dL Mês: Março/2021 Valor de Referência = 70 a 99 mg/dL 1 Valores X 2 3 1 82 2 76 3 102 4 84 5 78 6 81 7 84 8 83 9 79 10 81 11 99 12 80 13 145 14 94 15 80 16 98 17 110 18 75 19 97 20 102 21 88 22 72 23 100 24 86 25 82 26 90 27 135 28 68 29 70 30 89 31 85 139 b) Os valores obtidos apresentam Exatidão? Explique 1 Valores X 2 3 1 82 2 76 3 102 4 84 5 78 6 81 7 84 8 83 9 79 10 81 11 99 12 80 13 145 14 94 15 80 16 98 17 110 18 75 19 97 20 102 21 88 22 72 23 100 24 86 25 82 26 90 27 135 28 68 29 70 30 89 31 85 140 13. Dados: Observe o quadro abaixo: a) Os valores obtidos apresentam Precisão? Explique. Qualitrol I (Controle Normal) Teste: Uréia Unidades: mg/dL Equipamento: ABC Lote: nº 1234 Valor Real: 30mg/dL Mês: Março/2021 Valor de Referência = 15 a 40 mg/dL 1 Valores X 2 3 1 32 2 26 3 20 4 34 5 28 6 31 7 25 8 33 9 29 10 21 11 35 12 23 13 22 14 19 15 31 16 20 17 29 18 32 19 34 20 28 21 24 22 25 23 20 24 32 25 25 26 22 27 29 28 23 29 26 30 22 141 b) Os valores obtidos apresentam Exatidão? Explique1 Valores X 2 3 1 32 2 26 3 20 4 34 5 28 6 31 7 25 8 33 9 29 10 21 11 35 12 23 13 22 14 19 15 31 16 20 17 29 18 32 19 34 20 28 21 24 22 25 23 20 24 32 25 25 26 22 27 29 28 23 29 26 30 22 142 14. Em um laboratório de análises de testes sorológicos 600 amostras de soro foram previamente caracterizadas, a partir de metodologia padrão. Dessas, 550 eram positivas e 40 negativas. Quando submetidas a um conjunto de diagnóstico A este apresentou resultado falso-negativo em 7 amostras; 38 amostras apresentaram-se negativas, com 2 resultados falso-positivos. Em um outro conjunto de diagnóstico B, este apresentou resultado falso-negativo em 10 amostras; confirmou as 40 amostras negativas, sem nenhum resultado falso-positivo. Dados: a) Calcule a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo p/ o conjunto diagnóstico A e p/ o conjunto diagnóstico B. Conjunto A Conjunto B S= S= E= E= VPP= VPP= VPN= VPN= b) Qual será o melhor conjunto de diagnóstico utilizado pelo laboratório para teste de triagem? Explique por quê? c) E qual o melhor conjunto de diagnóstico utilizado para teste confirmatório / complementar? Explique por quê? S = AP AP + FP _______ X 100 E = _______ X 100 AN + FP AN VPP = _______ X 100 VPN = _______ X 100 AN + FN AN AP AP + FN 143 15. Em um laboratório de análises de testes sorológicos 300 amostras de soro foram previamente caracterizadas, a partir de metodologia padrão. Dessas, 240 eram positivas e 50 negativas. Quando submetidas a um conjunto de diagnóstico A este apresentou resultado falso-negativo em 8 amostras; confirmou as 50 amostras negativas, sem nenhum resultado falso-positivo. Em um outro conjunto de diagnóstico B, este apresentou resultado falso-negativo em 5 amostras; 48 amostras apresentaram-se negativas, com 2 resultados falso-positivos. Responda as questões abaixo: a) Calcule a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo p/ o conjunto diagnóstico A e p/ o conjunto diagnóstico B. Conjunto A Conjunto B S= S= E= E= VPP= VPP= VPN= VPN= b) Qual será o melhor conjunto de diagnóstico utilizado pelo laboratório para teste de triagem? Explique por quê? c) E qual melhor conjunto de diagnóstico utilizado para teste confirmatório / complementar? Explique por quê? 144 16. Em um laboratório de análises de testes sorológicos 500 amostras de soro foram previamente caracterizadas, a partir de metodologia padrão. Dessas, 450 eram positivas e 30 negativas. Quando submetidas a um conjunto de diagnóstico A, este apresentou resultado falso-negativo em 10 amostras; confirmou as 30 amostras negativas, sem nenhum resultado falso-positivo. Em um outro conjunto de diagnóstico B, este apresentou resultado falso-negativo em 20 amostras; 28 apresentaram-se negativas, com 2 resultados falso-positivos. Dados: a) Calcule a sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo p/ o conjunto diagnóstico A e p/ o conjunto diagnóstico B. Conjunto A Conjunto B S= S= E= E= VPP = VPP = VPN = VPN = b) Qual será o melhor conjunto de diagnóstico utilizado pelo laboratório para teste de triagem? Justifique. c) E qual melhor conjunto de diagnóstico utilizado para teste confirmatório / complementar? Justifique. S = AP AP + FN _______ X 100 E = AN ___________ AN + FP X 100 VPP = AP _________ _________ _ AP + FP X 100 _________ _________ _ AN + FN X 100 VPN = AN 145 17. Observe os seguintes gráficos de Levey-Jennings. Avaliar as corridas intra-ensaios / inter-ensaios (quando aplicável) e identificar a(s) regra(s) de controle Westgard que foi(ram) violada(s) (se houver), o tipo de erro (se houver) melhor associado à regra que foi violada (isto é: erro sistemático ou erro ao acaso) e se aceita ou rejeita a corrida analítica: a) b) Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas +3s 60 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) 60 +3s -3s 146 c) d) Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas +3s 60 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +3s 60 147 e) f) Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) 60 +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas +3s 60 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +3s 148 g) h) Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita:Sim/Não Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas +3s 60 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) -3s 149 i) j) Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não Data(s) Regra(s) Violada(s) Erro(s) Aceita: Sim/Não Rejeita: Sim/Não +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas +3s 60 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) +2s +1s Média -1s -2s -3s 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Número de Corridas 55 50 45 40 35 30 G a m a ( m m o l/ L ) 60 +3s 150 REFERÊNCIAS BRASIL (1998). 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